Janguiê Diniz

Janguiê Diniz

O mundo em discussão

Perfil:   Mestre e Doutor em Direito, Fundador e Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional, Presidente do Instituto Exito de Empreendedorismo

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O Marco Legal das Startups

Janguiê Diniz, | seg, 14/06/2021 - 09:51
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Foi sancionada no último dia 1º de junho a lei que cria o Marco Legal das Startups e do Empreendedorismo Inovador. O texto traz um enquadramento legal do que são as startups e cria um ambiente mais favorável ao desenvolvimento das empresas inovadoras. Sem dúvidas, um grande passo para todo o ecossistema nacional, que terá impacto positivo na geração de renda e riqueza no Brasil, além da expansão criativa.

Segundo a lei, são consideradas startups as "organizações empresariais ou societárias, nascentes ou em operação recente, cuja atuação caracteriza-se pela inovação aplicada a modelo de negócios ou a produtos ou serviços ofertados". Importante destacar a citação da “inovação” como preceito da startup, o que de fato é verdade. Essas empresas nascentes são conhecidas por suas soluções – produtos ou serviços – de base tecnológica e inovadoras, com potencial de escala. A definição legal do escopo das startups é uma porta que se abre para uma série de possíveis iniciativas futuras.

O texto ainda traz uma série de mudanças em relações empresariais que facilitam a atuação das startups em várias frentes. Por exemplo, delimita a figura do investidor-anjo e como ele deve ser considerado dentro do quadro da empresa. Esse tipo de investimento é de primacial importância para o desenvolvimento das startups. Hoje, no Brasil, temos um grande número de investidores-anjos, que aportam capital em empresas com potencial de crescimento de forma a potencializar sua atuação.

O Marco Legal ainda cria uma modalidade especial de licitações voltada para as startups, em que entes públicos poderão lançar apenas o problema a ser resolvido e os resultados esperados, e cabe aos licitantes propor as soluções. Isso dá liberdade mais criativa às empresas, o que abre caminho para impulsionar a adoção de iniciativas inovadoras na Administração Pública. Como reflexo, poderemos ter uma prestação de serviço mais eficiente e modernizada, além da economia de recursos e aprimoramento de processos por meio da tecnologia. Essa aproximação das startups da Administração Pública é, de fato, muito benéfica e trará, certamente, benefícios à sociedade.

O ecossistema de startups no Brasil tem se desenvolvido bastante, mas uma série de entraves ainda existem. O Marco Legal das Startups e do Empreendedorismo Inovador vem para facilitar alguns processos e relações dentro desse ambiente e estimular o surgimento e crescimento das startups. Esperemos que, nos próximos anos, outras iniciativas nesse sentido sejam tomadas, a fim de que tenhamos um país cada vez mais inovador e empreendedor.

Intraempreendedorismo e inovação

Janguiê Diniz , | qua, 02/06/2021 - 14:47
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Empreendedorismo e inovação são conceito que caminham bem próximos. Empreender – na concepção empresarial da palavra – pressupõe inovar, criar, fazer diferente. Acontece que a inovação, hoje, é elemento essencial para a sobrevivência de organizações e profissionais frente a um mercado cada vez mais competitivo. Surge no contexto, então, a figura do intraempreendedor, aquele que empreende não em um negócio próprio, mas na empresa em que trabalha.

Para que uma empresa se mantenha sempre relevante e ganhe destaque sobre as concorrentes, além de ter uma imagem moderna e inovadora, precisa também ter uma força de trabalho voltada para as transformações que vêm ocorrendo. É preciso criar entre seus funcionários a cultura inovadora, digital e disruptiva. O estímulo ao intraempreendedorismo apresenta-se como um grande trunfo para uma companhia. Ao incentivar e dar liberdade para que seus colaboradores pensem “fora da caixa” e proponham inovações em produtos, serviços e processos, estará também desenvolvendo um ambiente mais propício ao surgimento de grandes ideias.

Da mesma forma, os profissionais precisam desenvolver a mentalidade empreendedora e inovadora e buscar sempre refletir sobre seu dia a dia laboral. Como é possível melhorar os processos desenvolvidos, ou os produtos e serviços oferecidos ao cliente? Apresentar sugestões de mudanças, desde que bem embasadas e com argumentação sólida, demonstra o interesse do colaborador em somar ao desenvolvimento da empresa, conferindo a ele, também, diferencial perante a gestão. Permanecer apenas na mera execução de ordens, pelo contrário, leva à estagnação.

Melhorias promovidas no ambiente interno de uma empresa podem acabar se refletindo até mesmo em sua relação com o público: no atendimento, na prestação de serviço, ou nos produtos oferecidos. E o público nota essas mudanças positivas, que levam também a uma maior fidelização. É importante que as empresas incentivem o pensamento inovador e o intraempreendedorismo entre seus colaboradores, pois são eles que têm a real noção dos gargalos e entraves que ocorrem no dia a dia e podem propor soluções que melhorem seus trabalhos e, consequentemente, o ambiente do negócio como um todo.

À procura do cliente perfeito

Janguiê Diniz, | sex, 14/05/2021 - 12:47
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Henry Ford, grande empreendedor criador da Ford Motor Company e primeiro a aplicar a montagem em série, disse certa vez no início do século passado que seus clientes poderiam comprar um carro da cor que quisessem, “desde que seja preto”. Por décadas, a filosofia de empresas permaneceu essa. Hoje, no entanto, tal linha de pensamento não mais se sustenta. O paradigma comercial outrora vertical tornou-se horizontal, com o público assumindo, muitas vezes, o papel de cocriador de produtos e serviços.

Foi-se o tempo em que empresas criavam produtos e serviços de acordo com convicções pessoais, ou de forma engessada. As novas gerações, que já comandam ou comandarão o mercado consumidor no futuro próximo, têm características diferentes das anteriores: buscam o pertencimento, a personalização, a identificação com marcas. São os jovens que publicam sobre tudo que consomem nas redes sociais, trocam informações sobre marcas e levam mais em consideração o que outros dizem do que o que propagandas vendem. Para este público, cada vez mais conectado, imediatista e exigente, há que também mudar a mentalidade das empresas. É preciso “dançar conforme a música”, e aqui cada um escolhe a sua. Este é, inclusive, um bom exemplo para ilustrar o tema: em alguns países, já existem festas em que cada pessoa escolhe individualmente o que quer ouvir, por meio de fones de ouvido com diferentes canais e estilos musicais.

Essa analogia pode ser transportada também para o mercado, em que é preciso oferecer opções cada vez mais personalizadas aos diversos nichos que podem haver dentro de um público-alvo. É um esforço necessário a empresas que querem se manter relevantes em um cenário cada vez mais competitivo. É a tal seleção natural: vence não o mais forte, mas o que melhor se adapta. Darwin se mostra presente também na economia. Nesse processo, dedicar-se a pesquisar, ouvir e entender as demandas do público é essencial. Apenas assim, com uma comunicação de mão dupla, as marcas podem melhorar suas ofertas e entregas, cativando e tornando seus clientes em fãs, defensores e advogados. Esse é um dos maiores ativos que se pode ter.

Se, antes, a relação empresa-cliente era de cima para baixo e o público tinha que aceitar o que era oferecido, hoje, a coisa mudou: cada pessoa, cada grupo social tem suas demandas específicas que precisam ser atendidas. Da mesma forma, as pessoas buscam relações mais abertas e próximas com suas marcas preferidas. Todas essas mudanças exigem posicionamentos muito mais cuidadosos das companhias, que devem saber atender com satisfação e encantamento às demandas. É preciso ouvir, mais do que falar. Não há mais um “cliente perfeito”, mas vários perfis e todos devem ser contemplados.

O futuro da educação é digital

Janguiê Diniz, | qui, 06/05/2021 - 09:22
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Um dos setores mais afetados pela pandemia do coronavírus foi o da educação. Assim como em outros segmentos, de uma hora para outra, escolas e faculdades foram obrigadas a fecharem as portas e interromperem as aulas. Essa reviravolta, no entanto, também teve reflexos positivos, como, por exemplo, acelerar a digitalização da educação. E aqui não se fala apenas na Educação a Distância (EAD), mas em todo o arcabouço tecnológico que se desenvolveu a partir das dificuldades impostas. E essa é uma tendência que veio realmente para se consolidar.

A interrupção das atividades acadêmicas presenciais trouxe uma série de dificuldades, como a necessidade de fornecer aulas remotas, a falta de infraestrutura dos centros educacionais e a carência de capacitação do corpo docente e administrativo para lidar com recursos tecnológicos. Começou, então, uma corrida por soluções que possibilitassem às escolas e universidades a continuidade de seus anos letivos. Para as instituições de ensino que já vinham se preparando para uma transformação digital (e aqui o setor de Ensino Superior se destaca, por conta do EAD), essa transição foi mais suave, pois já havia um mínimo necessário para se colocar em prática. Do outro lado, quem não investia em tecnologia – isso se mostrou muito forte no ensino público – ficou para trás e teve graves dificuldades para acompanhar o ritmo do desenvolvimento.

O mais importante é que gestores, professores, alunos e famílias reconheçam a importância da tecnologia no processo de ensino-aprendizagem. Com as aulas remotas ao vivo e o EAD, é possível, por exemplo, levar educação a pessoas que antes não tinham acesso, seja pela distância de uma unidade de ensino, seja pelas dificuldades econômicas. Também há que se ter em mente que um ensino on-line não se resume a apenas transmitir aulas pelo computador. É preciso desenvolver novas técnicas docentes, pesquisar e aliar recursos que tornem as aulas mais interativas e agreguem ao estudo dos alunos. Investir na capacitação dos profissionais da educação é essencial nesse ponto. Nota-se, também, a necessidade de investimentos maciços em tecnologia no setor público. Escolas e faculdades públicas demoraram (sem contar as que ainda nem começaram) a utilizar o ambiente digital para manter as aulas.

Os alunos de hoje são pessoas que já nasceram em um mundo digital. Quando chegam no ambiente escolar, deparam-se com um contexto mais analógico. Essa diferença deve e precisa ser resolvida, para que finalmente tenhamos uma educação com mais alcance e mais possibilidades. A tecnologia é e será um importante aliado na potencialização dos processos de ensino, se bem utilizada. É preciso agregá-la às salas de aula.

BBB e a importância do networking

Janguiê Diniz, | qua, 28/04/2021 - 08:00
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Atualmente, um dos assuntos mais comentados no país é o Big Brother Brasil. Seja pelas intrigas ou apenas pelo jogo, esse é tópico em quase todas as rodas de conversa. Mas, para muito além do entretenimento considerado “raso” por muitos, o BBB também traz reflexões para a vida e mesmo para a carreira profissional. Uma delas é sobre a importância do networking e dos relacionamentos interpessoais. No jogo ou na vida, estabelecer conexões é essencial para quem não quer ser eliminado.

O networking nada mais é do que criar relações com pessoas e nutri-las de forma adequada, garantindo, para todos, “benefícios” e gerando uma rede de contatos e conexões úteis. Levando para o Big Brother, sabemos que este é um jogo essencialmente de convivência e relacionamento. Quem melhor se relaciona com seus competidores tem menos chance de ir a um paredão, por exemplo, e, consequentemente, garante dias a mais na “casa mais vigiada do Brasil”. As alianças também são importantes estrategicamente, dentro da dinâmica do jogo. Assim também acontece em nossa vida, mesmo que de formas diferentes. Nos âmbitos pessoal e profissional, ter uma boa rede de relacionamentos pode ajudar a resolver problemas, gerar novas oportunidades de trabalho e negócio, além, claro, da importância da própria relação em si – afinal, somos seres sociais, não fomos feitos para vivermos isolados.

Mas um dos maiores erros quando se pensa em networking é imaginá-lo como apenas um meio de obter benefícios. Não é isso. Há que se criar uma via de mão dupla, como em qualquer relacionamento (imagine um namoro em que só uma das partes se sente amada: não funciona, certo?). É preciso empenhar-se nas conexões, também oferecendo o que pode a seus pares. Da mesma forma que um contato profissional pode lhe apresentar uma oportunidade de negócio, é de bom tom que você tenha esse cuidado em lembrar daqueles com quem se relaciona. Demonstrar interesse torna a relação mais forte e sincera, benéfica para todos. É o chamado “ganha-ganha”.

Dentro de um mercado cada vez mais competitivo, estabelecer alianças – ou, em um termo mais utilizado, parcerias – é uma forma de estabelecer um networking que trará vantagens para ambos os envolvidos. Pensemos em empresas que se unem para oferecer um produto ou serviço conjunto, ou profissionais que juntam suas expertises em um projeto. Assim como no Big Brother, são essas conexões que levam um jogador à frente. Relacionar-se é preciso, e não apenas para ganhar R$ 1 milhão e meio.

Transformação digital

Janguiê Diniz, | sex, 23/04/2021 - 09:37
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Se há algo que é ponto pacífico com relação ao período da pandemia da covid-19, é que ela acelerou diversos processos no meio empresarial. Evoluções que eram esperadas para ocorrer em anos foram implantadas em meses ou semanas. A transformação digital é a maior dessas mudanças e viabilizadora de todas as outras. Nesse cenário, empresas que já investiam nessa frente anteriormente conseguiram se adaptar melhor às dificuldades impostas pela disseminação do coronavírus, enquanto as demais precisaram correr atrás do prejuízo.

Com as medidas restritivas impostas para conter a pandemia, como fechamento de atividades econômicas e impedimento de circulação, diversas empresas foram impedidas de atuar normalmente. Então, surgiu o dilema: como se adaptar a essa nova realidade e manter um mínimo de atividade com segurança? A resposta veio da tecnologia. Apenas o ambiente digital permitiria às empresas manter contato com seu público e continuar vendendo seus produtos ou serviços. Começou, então, uma corrida por atualização.

De uma hora para outra, negócios tradicionais, resistentes a mudanças, se viram obrigados a entrar no mundo da internet – algo que chega a soar estranho, dado que o ambiente web já é parte bastante presente do cotidiano da população. Vendas on-line, aulas on-line, shows on-line, atendimentos e consultar on-line. Tudo virou digital. E o que era um grande desafio tornou-se, tempos depois, uma ótima oportunidade. Afinal, a internet expande o alcance de uma marca, que pode quebrar barreiras geográficas e se conectar a potenciais consumidores em lugares antes impossíveis de acessar. Cabe a cada empreendimento e a sua gestão saber aproveitar as ferramentas que o ambiente digital oferece e traçar estratégias que permitam a sobrevivência do negócio.

Tomo como exemplo o grupo Ser Educacional, o qual fundei e onde sou presidente do Conselho de Administração. A transformação digital já era uma premissa da companhia há alguns anos e, durante a pandemia, ela foi potencializada. Fizemos transformações programadas para cinco anos em apenas algumas semanas. Treinamos professores, adaptamos nossos sistemas e demos início às aulas on-line, ao vivo, para não deixar nossos alunos desamparados. E continuamos evoluindo, buscando novas alternativas para levar uma educação cada vez melhor a nossos estudantes. E assim também agiram diversas outras empresas. Hoje, depois desse período de adaptação, vê-se que é quase impossível um negócio sobreviver se ele não for acessível digitalmente. E assim será até o fim da pandemia, e mesmo depois dele.

É claro que a pandemia trouxe um saldo extremamente negativo de mortes e empresas fechadas. Temos muito a fazer para frear o avanço do coronavírus e mais ainda para reverter seus impactos nocivos. Por outro lado, há que se reconhecer que momentos de crise são também momentos de oportunidade, e essa situação tem provado o quão essencial a tecnologia se tornou na vida e nos negócios do mundo. Fica o desejo de que as empresas continuem evoluindo e investindo na transformação digital, a fim de poderem vislumbrar novos horizontes de negócios e crescimento.

Pandemia, desemprego e resiliência

Janguiê Diniz, | qui, 15/04/2021 - 13:35
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A pandemia do coronavírus veio realmente para revirar vidas, carreiras, empreendimentos e estruturas sociais. O desemprego foi um dos piores reflexos dessa situação – sem contar, obviamente, as mais de 330 mil vidas perdidas até agora. Segundo o IBGE, o índice de desemprego no Brasil ficou em 14,2% no trimestre finalizado em janeiro, somando 14,3 milhões desocupadas. Nesses momentos, em que o desespero vem, é preciso desenvolver a poderosa força da resiliência e tomar atitudes para encontrar saídas viáveis.

A resiliência pode ser definida como a habilidade de suportar as adversidades da vida e manter a determinação, tendo a capacidade de lidar bem com os problemas que aparecem pela frente sem esmorecer ou se desesperar. O desemprego repentino é, de fato, um baque na vida de qualquer pessoa que tem contas a pagar ou uma família a sustentar. Não é fácil. Mas é preciso manter a cabeça no lugar. E se mexer. Além de procurar uma recolocação, nessas horas pode-se (e deve-se) pensar em empreender. É o chamado empreendedorismo de sobrevivência. Todo dia vemos diversas pessoas que se reinventaram durante a pandemia, passando a produzir e oferecer produtos e serviços que fizeram sucesso atendendo a necessidades de determinados nichos de mercado. É preciso ter uma boa visão, pensar em possibilidades e, acima de tudo, colocar os planos em prática, correr atrás, trabalhar muito.

Com as atividades comerciais fechadas ou sensivelmente diminuídas na maioria dos municípios brasileiros, a internet tem se tornado uma ótima saída para geração de renda. E aí existem diversas frentes a serem abordadas, inúmeras oportunidades de negócio. Os aplicativos de entrega estão cada vez mais expandidos e podem ser bons aliados. Pode não ser fácil no começo, mas, mais uma vez, a resiliência bem desenvolvida faz do empreendedor um ser “inquebrável”, capaz de superar os obstáculos, tomar “porradas” da vida, mas não desistir. Acredito muito na lei do retorno, então, se você verdadeiramente se esforçar e colocar seu coração em um propósito, a vida se encarrega de recompensar toda dedicação e o universo vai conspirar a seu favor.

É sempre importante lembrar que, quando você desiste de algo, desiste também de tudo que vem depois. Ter esse pensamento em mente pode ajudar a manter a motivação no nível necessário para que você não pare. Caiu? Reerga-se, ainda mais forte e calejado, crie “couro grosso”, torne-se invencível. Você é capaz de dar a volta por cima. Se for para desistir, lembre-se: desista de desistir.

Economia mundial encalhada

Janguiê Diniz, | qui, 08/04/2021 - 15:01
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No meio do caminho, tinha... um navio de 220 mil toneladas. O mundo se viu atônito – como se não bastasse a pandemia – com o bloqueio do Canal de Suez, por onde passam cerca de 12% do comércio mundial, depois do encalhe do navio Ever Given. O navio que bloqueou a passagem causou impactos em diversas escalas na economia mundial. O desencalhe após seis dias foi um alívio para muitos, mas os impactos ainda poderão ser sentidos.

O Canal de Suez foi inaugurado em 1869, passa pelo Egito, ligando o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho, e é importante via de tráfego marítimo entre Europa e Ásia. Após o encalhe, mais de 400 outras embarcações se acumularam nas proximidades, impedidas de prosseguir. Muitas acabaram mudando de trajeto e dando a volta pelo extremo sul da África, tendo que percorrer milhares de quilômetros a mais para chegarem a seus destinos. Pelo Canal de Suez, passam, diariamente, cerca de R$ 53 bilhões em mercadorias. Com o navio encalhado durante seis dias, a estimativa é de perdas econômicas diretas ou indiretas de mais de R$ 300 bilhões. Petróleo, gás, commodities em geral, são transportados pela via marítima. O atraso na entrega poderá gerar aumentos nos preços e desencadear reajustes.

É realmente impressionante como parte da economia mundial depende essencialmente de uma passagem marítima. O canal facilitou a comunicação entre Europa e Ásia, barateando custos de transporte de inúmeras mercadorias. Agora, parado, o efeito foi o contrário. Algo tão inesperado, mas que acende uma luz amarela. O Ever Given, da taiwanesa Evergreeen, é um porta-contêineres gigante de 400 metros de comprimento, um gigante que flutua, e outros como ele podem e devem aparecer e ser cada vez mais comuns. Com este novo patamar de “mega-navios”, há toda uma questão logística envolvida, e, agora, também surge a necessidade de estratégias de contingência. Por azar, o Ever Given encalhou justamente em um trecho do Canal de Suez que é de via única, travando de vez o tráfego.

O incidente serve de lição não só para a administração da via, mas para projetistas ao redor do mundo: é sempre preciso pensar nas possibilidades, desenhar cenários de futuro, mesmo os mais adversos, e desenvolver planos para lidar com eles. O incidente no Canal de Suez também nos serve como evidência de que a economia está, de fato, hiperconectada, e que acontecimentos do outro lado do mundo podem afetar nossa vida. Por isso, é importante estar atento aos movimentos do mercado global. Não estamos mais em uma realidade de isolamento de mercados locais, mas de interdependência. E é preciso estar preparado para esses acidentes e percalços, que podem custar caro.

Inércia, caminho do fracasso

por Nathan Santos | qua, 31/03/2021 - 15:32
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Todo mundo já deve ter ouvido falar que um tubarão não pode parar de se movimentar, senão ele morre. Essa informação não é totalmente verídica, pois o animal não depende exclusivamente do movimento para respirar. É possível, no entanto, usá-la como alegoria para a vida: não há progresso, evolução e sucesso sem movimento. Letargia e zona de conforto são extremamente nocivas a vidas e carreiras.

Inércia leva à inação, que, por sua vez, é o caminho do fracasso. E aqui podemos entender a inércia não apenas como ficar parado, mas também como “seguir o fluxo”, num movimento uniforme e sem variações que nada acrescenta a sua caminhada. A vida só oferece desenvolvimento e prosperidade a quem não se limita a fazer mais do mesmo e, principalmente, quem tem atitude, que corre atrás, que faz acontecer. Conforme asseverou Albert Einstein, não se pode esperar resultados diferentes fazendo tudo exatamente igual. Esse “fazer tudo exatamente igual” é a inércia de que falo. Ficar parado ou seguir a corrente nunca levará ninguém ao topo, isso podemos concordar.

É bem verdade que, em determinadas situações, pode ser difícil romper a inércia inicial e iniciar um movimento de transformação, seja pessoal ou profissional. Nesses momentos, acredito que uma análise reflexiva aprofundada mostra o único caminho: quebrar esse status quo de marasmo. O medo pode nos paralisar momentaneamente, sim, mas não pode ser maior do que a vontade de ser melhor, de fazer e conquistar mais – e não me refiro aqui a ganância, mas ao desejo honesto de crescimento.

Todo propósito de vida, quando bem definido, mostra caminhos, estratégia e táticas para sua realização. Traçar esse panorama é algo que ajuda a quebrar a inércia. Ao definir um objetivo, é preciso se preparar para cumpri-lo. Essa preparação passa por planejamento e estudo – planejar a rota a ser trilhada e estudar para obter o conhecimento necessário para tal. E que fique claro: o primeiro passo, certamente, será o mais difícil. Justamente o responsável por tirar da inércia. Depois dele, no entanto, tudo vai se tornando, paulatinamente, mais fácil e confortável, à medida que se aprende como lidar com as situações.

O músico pernambucano Chico Science escreveu: “Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar”. Essa saída do lugar é um dos movimentos mais importantes que uma pessoa pode realizar na vida. Indica o real desejo de transformação, de busca de algo mais. O importante é não ficar parado. Assim como o “mito” dos tubarões, nós também não fomos feitos para a letargia. Há que evitá-la a todo custo.

No rastro do sucesso

Janguiê Diniz, | seg, 29/03/2021 - 10:17
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Uma das frases que mais se ouve no âmbito do empreendedorismo é que “o sucesso deixa rastros”. E essa é uma grande e poderosa verdade. Quem dera todos tivessem essa consciência; o mundo contaria com mais pessoas bem-sucedidas e suas vidas seriam um pouco menos complicadas. Saber identificar esses “rastros” do sucesso é habilidade primordial para também alcançar o sucesso com mais agilidade. É a chamada modelagem.

Modelagem é a habilidade ou capacidade – ainda mais, a atitude – de analisar e se inspirar na trajetória de vida e/ou profissional de alguém, a fim de absorver ensinamentos e aplicar em sua própria vida. Ou seja, é olhar para alguém que é exemplo, modelo a ser seguido em determinado setor, e aprender com aquela pessoa, suas experiências e atitudes. Grosso modo, imitar os passos de quem já passou pelo caminho que você deseja seguir.

Daí dizer que o sucesso deixa rastros. Deixa mesmo. Quem é pioneiro em uma seara sempre experiencia dificuldades, inúmeros percalços, justamente por ser precursor. Os que vêm depois, por sua vez, não precisam “sofrer” tanto, e podem ter desempenho melhor, se souberem se inspirar em quem já passou por ali. Modelar alguém é justamente saber que caminho tal pessoa tomou, que direcionamentos teve em sua trajetória que a ajudaram a chegar ao topo. É também, e talvez mais importante, saber onde o outro errou, para evitar essas falhas e, assim, garantir maior taxa de sucesso. Pensemos: é bem mais fácil, mais barato e menos doloroso aprender com o erro dos outros.

Modelar alguém, no entanto, não pode significar tornar-se apenas uma cópia, mera reprodução. Deve ser, antes de tudo, forma de inspiração. É que é necessário adaptar as lições aprendidas com o exemplo alheio à sua realidade, que não necessariamente é a mesma da figura em quem se inspira. Há um espaço nesse processo que será preenchido pela sua criatividade, capacidade analítica e, principalmente, determinação em fazer acontecer. A cópia pela cópia pode não ser frutífera, pois acaba por carecer de elementos extras.

Na busca pelo desenvolvimento e pela prosperidade, é preciso saber utilizar as ferramentas corretas que ajudam a alcançar os objetivos de forma melhor. A modelagem é uma dessas ferramentas e pode trazer grandes benefícios. Aprender de quem já fez é muito melhor do que seguir uma jornada independente, tomando decisões por conta própria. Se há lições já aprendidas, por que não utilizá-las? Há que se ter inteligência para saber extrair os melhores ensinamentos de quem se tornou paradigma de sucesso.

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