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A Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) divulga os nomes dos vencedores da 5ª edição do Prêmio Cepe Nacional de Literatura e do 2º Prêmio Cepe Nacional de Literatura Infantil e Juvenil. Destaque para o protagonismo feminino. Quatro dos cinco vencedores são mulheres. 

Na categoria Romance ganhou Vanessa Molnar Maluf (SP), com a obra A importância dos telhados. Já o título de Poesia contemplado foi As cartas de Maria, de Zulmira Alves Correia (BA), única nordestina da lista. O prêmio infantil ficou com Viviane Ferreira Santiago, pelo título A Biblioteca de Bia; e o juvenil foi para a obra de Contos com Gigantes, de Carolina Becker Koppe (SC). O único homem da lista de ganhadores foi Emir Rossoni, vencedor na categoria Contos (RS) com o título Erros,errantes e afins. 

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Os escolhidos nas categorias Romance, Conto e Poesia recebem R$ 20 mil cada um, e os do Prêmio Cepe Nacional de Literatura Infantil e Juvenil, R$ 10 mil em cada uma das categorias. Os prêmios tiveram mais de 1.500 inscritos em todo o Brasil, sendo a maioria de São Paulo. Pernambuco ficou em segundo lugar em número de inscrições, seguido por Rio de Janeiro e MInas Gerais. As obras serão publicadas pela Cepe Editora até o final do ano.

*Via Assessoria de Imprensa

O desenhista Mauricio de Sousa é conhecido no Brasil inteiro como o criador da Turma da Mônica. Porém, em seu universo de quadrinhos, há espaço para vários outros personagens. Aproveitando a paixão do país pelo futebol, ele já transformou em gibis alguns craques da bola. Pelezinho foi o primeiro, lá em 1976. Em 2006, foi a vez de Ronaldinho Gaúcho ganhar sua revistinha. 

Nessa quinta-feira (13), através do seu perfil no Twitter, Mauricio revelou que outro artilheiro quase ganhou uma versão em HQ. “Agosto de 2002. Converso com Ronaldinho, um dos maiores futebolistas do mundo, hoje Ronaldo Fenômeno, sobre a criação de um personagem de quadrinhos baseado nele. A conversa rendeu, ele gostou da ideia. Fui buscar referências sobre sua infância com sua mãe, seu irmão”, escreveu.

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A negociação ocorreu logo após a conquista do Pentacampeonato pela Seleção Brasileira, mas não foi para frente. “Começava a nascer o personagem, mas… no meio do caminho descobriu-se que ele tinha um contrato com o Real Madrid que impedia o projeto. Qualquer personagem inspirado nele ficaria sob a tutela do clube espanhol. Fiquei desolado. Amigos sugeriram que eu passasse os planos para outro Ronaldinho, o gaúcho. E foi o que aconteceu. E foi um sucesso”, completou.

Pouco antes de completar 9 anos, António (com acento agudo, mesmo, porque é filho de um português) resolveu explicar para a escola inteira por que precisava bater palmas. Ele não queria mais ser chamado de bobo, esquisito. "Eu bato palmas para minha imaginação funcionar melhor", disse ao grupo de crianças reunido em uma espécie de assembleia. Todas ouviram atentas e António ficou calado, esperando a reação. "Então, o silêncio foi quebrado por uma palma. Veio outra e mais outra. Logo a sala toda aplaudia. António sorria. Os professores choravam."

O trecho acima faz parte de Palmas para António, livro que será lançado nesta quinta-feira (13) pela Editora Astral Cultural. Trata-se de um relato emocionante e extremamente bem-humorado, para ler numa sentada, da mãe de um garoto autista. Em 2017, a jornalista Lana Bitu, de 46 anos, viu a história das palmas de seu filho viralizar nas redes socais ao postar o relato, agora contado em livro. Foram 16 mil curtidas, mais de 8 mil compartilhamentos e um convite para escrever a obra.

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"Sabe, mãe...A vida é problema e é explicação", concluiu o menino após o episódio na escola. Tentar explicar - e entender - como funciona o atípico cérebro de quem está no espectro autista é uma tarefa árdua, mas que Lana faz com leveza. Não há discussões técnicas, com exceção de poucas notas de rodapé sobre nomenclaturas médicas.

O livro é uma conversa sobre a história cotidiana, o dia a dia de um menino que levou os pais ao desespero porque só começou a falar aos 4 anos e foi diagnosticado com autismo aos 7. E que hoje, aos 10, os surpreende com pequenas grandes vitórias. Coisas que parecem tão comuns para outros pais, como participar de uma peça de teatro infantil ou brincar com crianças desconhecidas na pracinha.

"Não importa quantos anos se passem e o Tom evolua: toda e qualquer conquista dele tem e sempre terá um valor triplicado - e 'bora' guardar dinheiro para pagar a terapia que o Miguel precisará fazer no dia que ler isso...", escreve Lana, referindo-se ao seu segundo filho, de 6 anos.

"Minha ideia era a de humanizar o autismo, não sou militante nem técnica no assunto, tudo o que sei fui aprendendo com o António", conta. O livro narra as buscas dos pais por diversas terapias para tentar descobrir o que o menino tinha, algo comum entre famílias com filhos atípicos. Mas sem a intenção de indicar a melhor opção de tratamento. "É fundamental conhecer métodos diversos e tirar as próprias conclusões", repete em vários momentos a autora.

Mudez

Durante os anos em que António não falava, Lana conta que sussurrava no ouvido do filho: "(...) Promete um dia me contar tudo sobre você? Me falar sua cor preferida, me dizer qual foi a graça do seu dia, me perguntar por que o trovão faz barulho?". É um dos trechos mais emocionantes do livro.

Mas, no pós-parto do segundo filho, o bebê chorava tanto, que a mãe "agradecia a mudez, o isolamento e indiferença do primogênito". Achou horrível? Lana emenda no próprio livro: "pessoas chocadas, por favor, dirigirem-se ao setor de devolução da livraria".

Em outro momento de extrema sinceridade, conta da inveja que sentia ao ver famílias com crianças plenamente desenvolvidas, o que a fez evitar ir a parquinhos com o menino. E de como "chorou e soluçou por duas horas" depois de ver o filho, já falante, sendo desprezado por outras crianças que o achavam esquisito.

Ao longo da história, António passa a se enturmar cada vez mais na escola. Alfabetiza-se com facilidade, compra pipoca sozinho no cinema, começa a entender ironias, algo difícil para autistas, que são muito literais. E passa a viver os desafios da pré-adolescência. "Queria mostrar a esperança de desfechos positivos", diz Lana. "E o positivo está no dia a dia, ele não é um fim, ele acontece várias vezes durante o caminho."

Acaba sendo um livro sobre pais e filhos, independentemente da condição. "Com qualquer filho, os pais precisam se aceitar, dosar expectativas, saber dar nome ao que sentem mesmo que sejam coisas feias, porque todo mundo tem questões, é sempre difícil." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O empreendedor Janguiê Diniz, fundador do grupo Ser Educacional – mantenedor das marcas Uninassau, Uninabuco, Unama, Univeritas/UNG e UniNorte, e presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, chega na marca da 22ª obra publicada. O livro, intitulada “Inovação em uma sociedade disruptiva”, é editada pela Novo Século e tem o prefácio assinado pelo presidente do Google Brasil, Fábio Coelho.

A publicação traz uma compilação de diversos textos autorais sobre inovação publicados em veículos de grande circulação nacional, entre 2017 e 2019. Além disso, inclui textos produzidos nesse período que versam sobre outros temas, como empreendedorismo, educação, política, carreira e economia e que ajudam a desenhar o panorama da sociedade e do mundo atuais.

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Segundo o autor, a obra explica que a inovação deixou de ser um diferencial e passou a ser imperiosa para qualquer profissional, empresa ou empreendedor que queira não apenas se destacar e ter sucesso, mas, sobretudo, sobreviver. “Vivemos em uma sociedade cada vez mais conectada, tecnológica, digital e disruptiva. Nesse cenário, a competição sofreu grandes mudanças. Os concorrentes das pessoas físicas e jurídicas deixaram de ser apenas aqueles que têm domicílio no mesmo bairro, cidade, estado ou país e passaram a ser os que têm domicílio planetário. A empresa que oferece um produto igual ou semelhante ao seu pode estar do outro lado do globo e prospectar os mesmos clientes que você. Como agir em uma realidade tão competitiva como essa? Buscando ser criativo e inovador. Fácil? Talvez não. Necessário? Absolutamente”, destaca.

Presidindo o Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional e à frente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, Janguiê defende que as principais molas propulsoras capazes de tirar um país da condição de subdesenvolvimento são a educação e o empreendedorismo. "A cultura do empreendedorismo precisa ser alimentada, cultivada e implementada, afinal, o mundo está mudando em uma velocidade cada vez mais difícil de alcançar, e se as pessoas não se reinventarem, saírem das suas zonas de conforto, não será possível acompanhar tais mudanças”, alerta.

Em especial, o livro traz um capítulo voltado para o Empreendedorismo e a Sustentabilidade para inspirar exatamente aqueles que desejam empreender e entender como esse universo funciona. “Empreender é estado de espírito, é atitude, ação, transformar pensamentos em ação e sonhos em realidade com criatividade e inovação. É criar novas soluções para velhos problemas. Hoje, para inovar, muitos são os recursos disponíveis, dado o avanço da tecnologia. Não dá mais para querer só fazer as mesmas coisas de sempre. Para ter sucesso e se destacar nesse mundo globalizado, digital e disruptivo, onde o mercado é altamente concorrido, é preciso investir na inovação e a tecnologia é um dos principais instrumentos da inovação, a melhor forma de fazê-lo”, pontua.

Inovação em uma sociedade disruptiva já está disponível para vendas nas principais livrarias do país e pela Amazon.com.br.

*Via assessoria de imprensa

O escritor francês Pierre Guyotat, contemplado com o prêmio Medicis em 2018, autor do polêmico livro "Éden, Éden, Éden", considerado "pornográfico" nos anos 1970, morreu na madrugada desta sexta-feira (7) aos 80 anos, informou sua família à AFP.

Embora com caráter discreto, Guyotat causou escândalo com o livro, no qual incluiu descrições detalhadas de atos sexuais. Conseguiu publicá-lo, mas na época proibiram qualquer publicidade e a venda para menores de idade, até a suspensão do veto nos anos 1981.

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Mas Guyotat lavrou sua fama literária anos antes, com "Tombeau pour cinq cent mille soldats" (1967), no qual refletiu sua experiência como soldado na guerra da Argélia.

Guyotat nasceu em Lyon (leste) em 1940 e aos 18 anos, deixou a casa da família para se tornar poeta. Seu pai, um médico, contratou um detetive particular para localizá-lo e levá-lo de volta para casa, mas Guyotat se livrou da perseguição, chegando inclusive a dormir debaixo de pontes em Paris.

Em 1961, foi convocado. Sua experiência militar acabou em uma expulsão, após ter sido considerado culpado de "abalar o moral" do exército.

De volta a Paris, tornou-se jornalista e começou a publicar. "Éden, Éden, Éden" não conseguiu o Prêmio Medicis em 1971 por apenas um voto. Precisou esperar 48 anos até consegui-lo com "Idiotie", um livro autobiográfico, publicado em 2018. Além do Medicis, ganhou o prêmio especial do júri do Femina e o Prêmio da língua francesa pelo conjunto da obra.

O ensaísta e crítico literário franco-americano George Steiner morreu aos 90 anos em sua casa de Cambridge, na Inglaterra - afirmou seu filho David Steiner ao jornal "The New York Times".

Nascido em 1929 em Paris, em uma família judia de origem vienense, Steiner foi professor nas prestigiosas universidades americanas de Princeton, Yale e Nova York, assim como em Cambridge e Genebra.

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Seu tema predileto era a capacidade humana de escrever e falar, na qual baseou sua obra fundamental, publicada em 1967, "Linguagem e silêncio". Suas reflexões envolviam um espectro que ia da religião à música, passando pela pintura e história.

"O grande, o sutil, o exigente George Steiner deixa uma vertiginosa obra de erudição iconoclasta, atormentada pela monstruosidade engendrada pela grande cultura europeia", reagiu o escritor francês Jacques Attali no Twitter, em uma homenagem ao amigo.

"Com a morte de George Steiner, perdemos um grande pensador. Sua imensa erudição literária provocava felicidade em todos os o que o liam, ou escutavam", afirmou o ministro da Educação da França, Jean-Michel Blanquer.

O "New York Times" afirma, no entanto, que o escritor não era unanimidade: "os admiradores de Steiner encontravam sua erudição e seu argumentos brilhantes. Seus detratores o consideravam grandiloquente, pretensioso e com frequência inexato".

Na véspera do Dia do Frevo, no próxima sábado (8), a Cepe Editora coloca no mercado dois títulos a respeito do ritmo pernambucano. Frevo, transformações ao longo do passo, de Climério de Oliveira Santos e Marcos Ferreira Mendes (Marcos FM) e Arranjando Frevo de Bloco, novo volume do projeto solo do maestro Marcos FM, serão lançados em um evento no Paço do Frevo, a partir das 15h. 

Frevo, transformações ao longo do passo é o quarto volume da coleção Batuque Book, idealizado pelo compositor e professor do Conservatório Pernambucano de Música, Climério de Oliveira, em parceria com o percussionista e diretor musical Tarcísio Soares Resende. Após dedicarem os primeiros volumes da coleção ao maracatu, caboclinho e forró, chegou a vez do ritmo patrimônio Imaterial da Humanidade. O livro traz fotografias, ilustrações e partituras em um verdadeiro mergulho no universo frevístico, mostrando algumas transformações sofridas pelo ritmo ao longo dos últimos anos do século 19.

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Já em Arranhando Frevo de Bloco, dicas úteis para orquestras de diferentes formações, o maestro Marcos FM reuniu métodos simples e acessíveis para os interessados em aprender a escrever para orquestras de frevo. A obra conta com 10 capítulos com histórias e técnicas acerca do ritmo. 

Serviço

Lançamento dos livros Frevo: Transformações ao longo do Passo e Arranjando Frevo de Bloco

Sábado (8) - 15h

Paço do Frevo (Bairro do Recife)

A escritora americana Mary Higgins Clark, conhecida como "a rainha do suspense" e uma das autoras que vendeu mais livros no mundo, faleceu aos 92 anos.

Mary Higgins Clark, que escreveu até o ano passado, "faleceu ao lado de parentes e amigos", anunciou a editora Simon & Schuster.

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Desde seu primeiro sucesso, "Onde estão as crianças?", de 1975, Clark escreveu quase 50 livros, que venderam mais de 100 milhões de exemplares, sobretudo nos Estados Unidos.

"Era única. Ninguém estava tão conectada com seus leitores como ela: os conhecia como se fossem membros de sua própria família. Sabia com certeza o que queriam ler e o que não queriam ler. E mesmo assim conseguia surpreendê-los a cada novo livro. Era a rainha do suspense", afirmou em um comunicado Michael Korda, seu editor durante muitos anos.

Nascida em Nova York, no Bronx, em 24 de dezembro de 1927, em uma família modesta de origem irlandesa, Mary Theresa Eleanor Higgins Clark contava que se interessou por escrever aos sete anos.

Ainda pequena, seu pai morreu após um ataque cardíaco e a mãe teve que criar sozinha os três filhos. Isto obrigou Mary a trabalhar aos 15 anos, como telefonista em um hotel e depois como datilógrafa.

Se casou aos 20 anos com Warren Clark, com quem teve cinco filhos. Aos 35 ficou viúva.

Na juventude, perdeu o irmão mais velho, vítima de meningite, e depois o sobrinho de 15 meses, que caiu de uma janela.

Voltou a trabalhar como datilógrafa, mas sonhava em viver de literatura. Para sustentar a família, a incipiente escritora tentou vender seus contos. Recebeu quase 40 cartas de rejeição de editoras antes de ser publicada.

Depois dos contos, séries para rádio e uma biografia de George Washington, que não obteve sucesso, enveredou pelo romance policial.

"Onde estão as crianças?" foi um best-seller desde o lançamento e atualmente está na 75ª edição. Sua obra seguinte, "Alguém espia nas trevas" (1977) a tornou milionária.

Mary conseguiu se tornar uma escritora reconhecida, mas, para recuperar o tempo perdido, se matriculou na Universidade de Fordham, em Nova York, onde se formou em Filosofia, seu primeiro título universitário, aos 50 anos.

Em 1987 teve a honra de presidir o Mystery Writers of America e, no ano seguinte, o International Crime Congress, em Nova York.

Em 2000, Mary surpreendeu os fãs com "Deck the Halls", romance policial que escreveu em parceria com a filha Carol. As duas publicaram mais quatro livros.

Muitas de suas obras de suspense foram adaptadas para a televisão ou cinema, como "Onde estão as crianças?", "Alguém espia nas trevas" e "All Around The Town".

Em suas memórias, Mary Higgins Clark, que casou em 1996 com o empresário John Conheeney, falecido em 2018, afirma que escreveria até a morte porque "se ganhar na loteria de deixa feliz por um ano, fazer o que se ama deixa você feliz por toda a vida".

Em comemoração ao Dia do Quadrinho Nacional, celebrado em 30 de janeiro, a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) destaca os 340 títulos de histórias em quadrinhos, HQs de luxo e fanzines presentes na Biblioteca Blanche Knopf (rua Dois Irmãos, 92, Apipucos, Recife). A coleção doada, em 2018, pelo servidor público Rodrigo Bastos de Freitas, reúne desde produções da vanguarda européia da década de 1960, nacionais da geração paulista dos anos 1980, a independentes deste século. "É uma coleção diversa com obras de grande valor para a história deste gênero literário e artístico no Brasil e no mundo", aponta a diretora da Biblioteca, Nadja Tenório Pernambucano.

Dentre os destaques do acervo, está a coleção de sete números da revista "Chiclete com Banana". O título da década de 1980, publicado pela Circo Editorial, reuniu uma geração de quadrinistas brasileiros que contou com nomes como Glauco, Angeli e Laerte. As obras refletiam a situação política e social da década, de modo que os quadrinhos de humor investiram em críticas ao 'modo de vida pequeno' do burguês dos centros urbanos, conforme destaca Roberto Elísio dos Santos, em seu artigo "O quadrinho alternativo brasileiro nas décadas de 1980 e 1990". O autor aponta, ainda, a influência do comix underground norte-americano e do humor europeu.

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Uma seleção de histórias publicadas na "Chiclete com Banana" e na "Geraldão", entre 1985 e 1989, pode ser conferida, aliás, em "Seis Mãos Bobas: Laerte, Glauco e Angeli" (Devir, 2006). A edição especial traz textos e fotos que contextualizam as circunstâncias em que as artes foram produzidas e como era o processo de criação dos desenhos. Outro título desta geração disponível para a consulta é a revista "Striptiras" (1993), publicação de Laerte, que lançou personagens como Fagundes o Puxa-saco, Gato e Gata, além de Piratas do Tietê. Estas produções são verdadeiras compilações das tirinhas publicadas pelos jornais paulistanos.

Dos mais contemporâneos, a coleção conta com a primeira publicação de "Malvados" (Gênese, 2005) em livro, do carioca André Dahmer. As tirinhas da série foram publicadas no Jornal do Brasil, O Globo, Folha de S. Paulo e até nas revistas Piauí e Caros Amigos. Nelas, Dahmer tece críticas aos costumes e prisões do dia a dia através dos diálogos dos personagens Malvadinho e Malvadão. "O Livro Negro" (Desiterada, 2007) é outro título de Dahmer presente no acervo. O sarcasmo desta época pode ser conferido, também, no quarto HQ especial do gaúcho Allan Sieber: "Assim Rasteja a Humanidade" (Desiterada, 2006), considerada uma obra da "revelação do desenho humorístico da virada deste século".

Ganhador do Troféu HQ Mix de 1998 - equivalente ao Oscar do gênero no Brasil - na categoria "melhor projeto editorial", a coleção "miniTonto" também está presente neste acervo. São inúmeros livretos (formato 10,5 cm x 15 cm) que, no fim da década de 1990, apresentava um autor a cada nova edição. Entre os título disponíveis na Biblioteca, estão "Mulher Preta Mágina", de L. F. Schiavo; "Urrú", de MZK; "Pinóquio vai à Guerra", de Elenio Pico; e "Últimas Palavras", de Allan Sieber. "A Blanche Knopf se orgulha de abrigar estas produções. Demonstra assim o valor das publicações clássicas, mas, também, das obras independentes", destaca Nadja.

A Biblioteca Blanche Knopf funciona de segunda a sexta-feira das 8h às 12h e das 13h às 17h. Não é necessário agendamento prévio para visitar o acervo. 

Da assessoria

“E não há melhor resposta que o espetáculo da vida: vê-la desfiar seu fio, que também se chama vida.” 

Os versos de Morte e Vida Severina, obra mais famosa de João Cabral de Melo Neto, sintetizam uma vida devotada à arte e à diplomacia.  O trabalho que o consagrou é uma das poesias nascidas da sensibilidade do escritor nascido no dia 9 de janeiro de 1920 e que morreu em 1999. Modernista, tem versos simples e rigor formal. Inspirações para as obras nasceram, por exemplo, de seu inconformismo diante de dramas de seus conterrâneos nordestinos.  O recifense, que faria 100 anos, nesta quinta-feira, tem uma trajetória com cenários múltiplos e engajados, que lhe valeram prêmios e a imortalidade na Academia Brasileira de Letras.

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Parte da infância, João Cabral passou nos engenhos da família nas cidades de São Lourenço da Mata e de Moreno, paisagem de canaviais que marcaram a vida do poeta. Depois, voltou para o Recife e, nos anos 1940, mudou-se para o Rio de Janeiro.

A Baía de Guanabara, o Pão de Açúcar, o aterro do Flamengo, as belezas da então capital brasileira não inspiraram a obra de João Cabral.  Ele não conseguia se desligar do Recife e das imagens de sua infância nos engenhos. Era um tema recorrente em uma obra diversa como a dele.

O Brasil da política e dos grandes centros de poder, foi secundário na poesia de João Cabral, se é que não foi alvo de crítica ou de ironia. O Brasil que o interesse é somente o Brasil do Nordeste.

Apesar de morar no Rio, João Cabral tinha uma espécie de implicância com a cidade, e também com São Paulo, como focos do poder do país. Ele as considerava como duas cidades – ou estados – que abafaram a autonomia e a vida do Nordeste.

No Rio, João Cabral se tornou diplomata e começou uma peregrinação por diversos países, do Senegal a Portugal. Mas foi no primeiro posto dele, ainda nos anos 40, em Barcelona, que ele sentiu-se confortável, principalmente em Andaluzia e Sevilla. A paisagem lembrava muito a de Pernambuco e isso se refletiu em sua poesia, dedicando às cidades e à paisagem espanholas muitos poemas.

Seja no Brasil, seja no exterior, João Cabral produzia. E foi premiado: Prêmio José de Anchieta, de poesia, do IV Centenário de São Paulo (1954); Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras (1955); Prêmio de Poesia do Instituto Nacional do Livro; Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro; Prêmio Bienal Nestlé, pelo conjunto da Obra e Prêmio da União Brasileira de Escritores, pelo livro "Crime na Calle Relator" (1988), entre outros.

Também entrou para a Academia Brasileira de Letras em 1968. Morreu no Rio de Janeiro em 9 de outubro de 1999.

O poeta, ensaísta e crítico literário Antônio Carlos Secchin, membro da Academia de Letras, cursou mestrado e doutorado pesquisando a obra de João Cabral de Melo Neto e foi amigo do pernambucano durante quase 20 anos, até a morte do escritor. Com exceção dos dados biográficos, ele é a fonte das informações que estão na primeira parte desta reportagem (com exceção dos enxertos de poemas, é claro, que tem autoria de João Cabral de Melo Neto).

Os dois se conheceram em 1980, quando Secchin procurou João Cabral para fazer uma entrevista para sua tese de doutorado. “Ele gostou muito do trabalho que eu havia escrito sobre ele [no mestrado] e, a partir daí, nós cultivamos uma amizade muito fraterna, muito franca”, disse.

Para Secchin, a obra de João Cabral pode ser examinada por vários ângulos. “Do ponto de vista do conteúdo, é uma poesia importante porque ela enfatiza, com grande interesse, as questões sociais do Brasil, as condições de vida dos nordestinos, a injustiça social de um modo geral, essa parte geral engajada é importante, mas eu gosto de enfatizar também o aspecto da consciência literária”. O pesquisador considera que João Cabral foi um poeta extremamente preocupado com a qualidade do verso e com o rigor da construção do poema. “Então, essa combinação de uma consciência da forma junto com a questão social é o que faz da obra do João Cabral algo absolutamente fundamental na poesia brasileira.”

Na avaliação de Secchin, João Cabral, ao lado de Manuel Bandeira e de Carlos Drummond de Andrade são os três nomes mais importantes no campo da poesia brasileira no século 20.

Leia aqui alguns poemas de João Cabral de Melo Neto.

"Homem nacional"

Já o homem João Cabral de Melo Neto era uma pessoa completamente diferente do poeta, segundo Secchin. “Nós encontramos a imagem do poeta como alguém claro, alguém racional, alguém absolutamente senhor de tudo o que estava fazendo e o homem João Cabral me parecia inseguro, me parecia alguém um pouco assustado diante da vida e que ele usava essa literatura dele tão clara, tão racional, tão digamos, domada por ele, como uma compensação para aquilo que ele não conseguia fazer na sua própria vida particular”, disse.

Perfeccionista

Na confecção de sua poesia, João Cabral era um perfeccionista. Secchin conta que, no processo de criação de suas obras, nada podia fugir ao controle do pernambucano. “Ele planejava o poema em todos os detalhes e às vezes, como ele fez em dois livros pelo menos, um chamado ‘Serial’ e o outro ‘Educação pela Pedra’, não contente em trabalhar a arquitetura do poema, ele trabalhou a arquitetura do livro. Ele bolou um esquema de livro totalmente rigoroso e, a partir daí, ele foi fazendo poemas que se encaixavam como módulos no conjunto maior que era o próprio livro”.

Por todo esse perfeccionismo com o rigor estético de sua obra, João Cabral não acredita muito em inspiração. Ele abraçava apenas o trabalho. Secchin conta que o poeta delimitava o poema que ele queria fazer.

O pesquisador testemunha que “João Cabral admitia que, de vez em quando, não sabia a origem das inspirações. “Vinha uma ideia, vinha uma frase, uma palavra e, se essa frase e essa palavra ou esse verso viesse muito fácil, ele desconfiava. Achava que aquilo não era bom, achava já tinha ouvido aquilo de outra pessoa”. Para Antônio Carlos Secchine, João Cabral era alguém que voluntariamente se impunha muita dificuldade, se impunha muito obstáculo, mas tendo a esperança, a certeza de que conseguiria vencer esses obstáculos e fazer o poema praticamente, exatamente como ele queria”, disse.

Obras

João Cabral de Melo Neto tem 33 livros de poesias publicados e sete de prosa. Neste ano, em comemoração ao centenário, Secchin vai lançar, pela Editora Alfaguara, uma nova edição da poesia completa de João Cabral de Melo Neto com poemas inéditos descobertos pela pesquisadora Edineia Ribeiro.

Dos mais de 30 livros de poesias, um é considerado por Secchin como o maior sucesso da poesia brasileira de todos os tempos: Morte e Vida Severina. Para o ensaísta, a obra não apenas vai garantir a permanência da poesia de João Cabral, mas vai trazendo a reboque, como uma locomotiva puxa seus vagões, o conjunto da obra dele.

“O próprio Cabral lamentava que os outros livros dele não fossem conhecidos na mesma proporção que Morte e Vida Severina. Eu próprio não considero Morte e Vida Severina o grande livro dele, acho que tem quatro ou cinco pelo menos iguais”, disse Secchin.

Morte e Vida Severina virou peça em 1966, foi premiado e um sucesso de público e crítica. Depois virou disco, programa de TV e, mais recentemente, história em quadrinhos e filme de animação.

Antônio Carlos Secchin afirma que João Cabral apreciou as adaptações de poesias para cinema, teatro e TV.

João Cabral esteve presente na primeira montagem para o teatro que desencadeou todo o sucesso de Morte e Vida Severina em 1966, na França. O poema tinha sido escrito dez anos antes sem nenhuma repercussão no Brasil. Na França, a montagem venceu um festival e, segundo Secchin, foi a partir daí que o sucesso ocorreu.

“Na sequência, a peça foi para o Porto [Portugal], ele estava presente, ele se emocionou e apesar de às vezes ele ficar implicando, ‘não, esse poema meu é fraco, não é o melhor que surgiu’ eu tenho o registro de que ele sempre se emocionava quando ele assistia às montagens de teatro desse poema.”

Elizabeth Wurtzel, que aos 27 anos publicou o aclamado "Nação Prozac", morreu em Nova York nesta terça-feira (07) aos 52 anos, de câncer, segundo informações dos jornais americanos The New York Times e The Washington Post.

Em 2015, Wurtzel foi diagnosticada com um câncer de mama e escreveu sobre a experiência para o The New York Times. Durante o processo, se submeteu a uma mastectomia dupla, mas faleceu em decorrência de uma metástase, como informou o seu marido, Jim Freed, ao Washington Post.

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Publicada em 1994, a famosa obra-prima de Wurtzel gerou na época uma discussão nos Estados Unidos sobre a depressão e o medicamento Prozac, que havia sido prescrito para a escritora no tratamento.

Sincero e desinibido, o seu relato sobre os seus dias de estudante em Harvard, o uso de drogas, suas aventuras sexuais e questões de saúde mental que a acompanham desde a infância também mudaram a forma de se escrever memórias. A obra tornou Wurtzel uma celebridade.

Por considerar a autora narcisista e obcecada por si mesma, alguns críticos foram implacáveis com o livro. "É uma Sylvia Plath com o ego da Madonna", escreveu o crítico Ken Tucker, do The New York Times Book Review, em setembro de 1994.

No entanto, outros enxergaram na obra algo além.

"Às vezes angustiante, outras vezes cômico,'Nação Prozac' tem a franqueza dos textos de Joan Didion, o exibicionismo emocional irritante de Sylvia Plath em 'A Redoma de Vidro' e o humor sombrio de uma música de Bob Dylan", escreveu na época Michiko Kakutani, a famosa ex-escritora literária do New York Times.

Em 2001, a obra-prima de Wurtzel foi adaptada ao cinema, com a atriz Christina Ricci como protagonista.

Após 'Nação Prozac', autora continuou escrevendo livros e artigos para revistas.

O professor de história e poeta olindense Lucas Holanda lança seu segundo livro no próximo sábado (21) no Recife. Em uma poética carregada de aflição, 'Sonetos-amputados' escancara ao leitor um cotidiano banal e de desalentos da vida na cidade.

 Composta por quatro partes, a obra é a continuação do primeiro trabalho publicado do poeta, o 'Sonetos-amputados de sequela e desejo', de 2018. O novo livro é artesanal e possui diversas capas distintas feitas pelo próprio autor com técnica de colagem. A publicação é da Castanha Mecânica, editora independente do Recife.

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O lançamento de 'Sonetos-amputados' será às 19h, do sábado, no espaço Colofão.lab no bairro de Santo Amaro, área central da capital. O evento terá música, espaço com comidas veganas e microfone aberto. 

Serviço

Quando: 21/12/2019 (sábado)

Horário: 19h

Onde: Colofão.lab - Rua Tubinambás, 763, Santo Amaro - Recife

Quanto: Livro Sonetos-amputados, R$ 25,00; evento gratuito

Até a próxima segunda-feira (23), o Festival de Natal, realizado no Centro Histórico de São Paulo, segue apresentando as atrações especiais para celebrar esta época do ano. Além da pista de patinação no gelo do Largo São Bento e do Cine Santander de Natal no Pateo do Collegio, a sexta-feira (20) será de poesia. O recital gratuito traz à sacada do Shopping Light o rapper Emicida.

A partir das 20h, o cantor comanda o recital de poesias e apresenta Dona Jacira como convidada. Além de mãe do artista, Dona Jacira é autora da autobiografia “Café”. A escritora marca presença no evento e declama versos junto com o filho Leandro Roque de Oliveira, vencedor do Grammy Latino de Melhor Canção de Música Urbana em 2016 e Melhor Álbum de Música Urbana em 2017.

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Serviço:

Recital de poesias com Emicida e Dona Jacira na sacada do Shopping Light

Quando: sexta-feira, dia 20, às 20h

Local: Rua Coronel Xavier de Toledo, 23

Quanto: Grátis

J.K. Rowling, escritora dos livros da saga Harry Potter, foi bastante criticada nesta quinta-feira (19). A britânica gerou polêmica ao defender a pesquisadora Maya Forstater, de 45 anos, que foi demitida ao fazer uma postagem sobre identidade de gênero, dizendo que mulheres trans não deveriam mudar de sexo.

No seu perfil do Twitter, J.K. Rowling declarou: "Vista-se como quiser. Chame a si mesmo como quiser. Durma com qualquer adulto que aceite você. Viva sua melhor vida em paz e segurança. Mas forçar as mulheres a deixarem seus empregos por afirmarem que o sexo é real?".

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O apoio direcionado a Maya Forstater acabou dando o que falar entre os internautas. "JK Rowling vem curtindo tweet transfóbico desde 2017. Mas até então os assessores dela dizem que ela curte sem querer, 'o dedo desliza'. O tweet também foi digitado por engano?", comentou um dos usuários do microblog.

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"Nunca entre numa discussão sobre racismo dizendo 'mas eu não sou racista'...", provoca a escritora Djamila Ribeiro. Em seu 'Pequeno Manual Antirracista' (Companhia das Letras, 136 páginas), publicado no fim de novembro, a filósofa feminista negra busca levar ao grande público, com uma linguagem didática, uma discussão que costuma ficar restrita a círculos acadêmicos e de militância.

"Hoje tem pessoas que até reconhecem o racismo, sabem que o Brasil é racista, mas não pensam quanto que é importante tomar atitudes em relação a isso", explicou, em entrevista à AFP.

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Informar-se sobre racismo, ler mais autores negros, reconhecer os privilégios de ter nascido branco, apoiar ações que promovam a igualdade racial nos diferentes âmbitos da sociedade, entre outras ações, pode ajudar a reverter o quadro atual, afirma a acadêmica, de 39 anos, referência do feminismo negro no Brasil.

"O que está em questão não é um posicionamento moral, individual, mas um problema estrutural. A questão é: o que você está fazendo ativamente para combater o racismo?", questiona no livro, de pouco mais de cem páginas.

Inspirado no livro "How To Be An Antiracist", do historiador americano Ibram X Kendi, e citando passagens de autoras de referência, como Angela Davis, Audre Lorde e Bell Hooks, Djamila resume em dez curtos capítulos os principais caminhos para se somar a esta causa, que ganha ainda mais relevância no momento atual de "retrocessos" sociais no governo do presidente Jair Bolsonaro, defende.

Informar-se e questionar o entorno

O primeiro passo é se informar, sugere a autora.

"No Brasil, há a ideia de que a escravidão aqui foi mais branda do que em outros lugares, o que nos impede de entender como o sistema escravocrata ainda impacta a forma como a sociedade se organiza", diz em um dos capítulos.

Essa desigualdade se perpetua e pode ser vista nas estatísticas: apesar de representar 55,8% da população brasileira, os negros e pardos estão sub-representados no Congresso (24,4%) e em cargos de chefia (29,9%), ganham em média salários 73,9% mais baixos e têm 2,7 vezes mais chances de ser mortos do que os brancos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

Apoiar políticas afirmativas é fundamental para reparar estas desigualdades, afirma Djamila, que dá como exemplo a lei de cotas, que desde 2012 reserva à população afrodescendente um número determinado de vagas em universidades públicas.

Para que o acesso a uma educação de qualidade se reflita também no mercado de trabalho, é importante questionar e transformar os ambientes laborais.

"Qual a proporção de pessoas negras e brancas em sua empresa? E como fica essa proporção no caso dos cargos mais altos? (...) Há na sua empresa algum comitê de diversidade ou um projeto para melhorar esses números? Há espaço para um humor hostil a grupos vulneráveis?", pergunta a autora.

Discutir também a "branquitude"

O debate racial costuma se concentrar na discussão sobre as dificuldades que a população negra enfrenta, sustenta Djamila, mas não nos privilégios da população branca, considerados em geral como fruto do próprio esforço e não de um sistema desigual.

"É fundamental discutir a partir da perspectiva daqueles e daquelas que se beneficiam da estrutura racista para enxergar seus privilégios e desnaturalizá-los, entender os lugares sociais" de cada um, afirma.

Após reconhecer seus privilégios, "o branco deve ter atitudes antirracistas", sugere no manual.

"Não se trata de se sentir culpado por ser branco: a questão é se responsabilizar. Diferente da culpa, que leva à inércia, a responsabilidade leva à ação. Dessa forma, se o primeiro passo é desnaturalizar o olhar condicionado pelo racismo, o segundo é criar espaços, sobretudo em lugares que pessoas negras não costumam acessar", acrescenta.

O racismo, conclui a autora, é "um sistema de opressão que nega direitos, e não um simples ato da vontade de um indivíduo. Reconhecer o caráter estrutural do racismo pode ser paralisante. Afinal, como enfrentar um monstro tão grande? No entretanto, não devemos nos intimidar. A prática antirracista é urgente e se dá nas atitudes mais cotidianas".

A DC comics lançou nesta quarta-feira (11), a HQ do Batman The Dark Knight Returns: The Golden Child, que tem roteiro do famoso escritor de quadrinhos Frank Miller e arte do brasileiro Rafael Grampá. A história retorna ao universo do Cavaleiro das Trevas e traz a Batwoman, o filho do Superman e alguns personagens clássicos da editora.

Porém, um fato curioso chamou a atenção do público brasileiro que já adquiriu a revista. O presidente Jair Bolsonaro é citado na história, mais precisamente um post fictício seu em uma rede social similar o Twitter. “Se dependesse de mim, todo cidadão de bem teria uma arma de fogo em casa”, diz a postagem do perfil ‘JM. Bozo’.

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No reino das sagas, não há Natal sem livros debaixo da árvore: desde o pós-guerra, a Islândia, um dos menores mercados editoriais do planeta, celebra o "Jolabokaflod" antes das festas de fim de ano.

O "Jolabokaflod", que literalmente significa "rio de livros de Natal" em islandês, é uma tradição que lembra a "super-quinta", que acontece no Reino Unido toda primeira quinta-feira de outubro, mas de uma magnitude incomparável: dois terços das obras são publicadas em novembro e dezembro.

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Nas livrarias ou supermercados, centenas de novas publicações estão à venda, uma tradição vital para a indústria editorial em um país de 360.000 habitantes e onde um romance custa cerca de US$ 55.

Após o jantar em família no dia 24 de dezembro é hora de ler junto à lareira, muitas vezes o mais recente romance policial de Arnaldur Indridason, um best-seller em seu país de origem quase continuamente desde 2000.

"A literatura é muito importante na Islândia e é, acredito, a forma de arte com qual todos se identificam", explica Sigrún Hrólfsdóttir, artista e mãe de família.

Sua filha e seu filho, Dúna e Gudmundur, já escolheram seus livros no "Bokatídindi".

Distribuído em todo o país, este catálogo de 80 páginas apresenta romances, poemas e literatura infanto-juvenil, entre outros.

Quase 70% dos islandeses compram um livro ou mais como um presente de Natal, de acordo com uma pesquisa da associação de editoras islandesas.

Na versão 2019, o catálogo apresenta 842 nova publicações.

- "Para ser islandês você precisa ler" -

A tradição do "Jolabokaflod" tem sua origem no fim da Segunda Guerra Mundial. A Islândia, então pobre, limitou as importações para evitar as dívidas das famílias em 1945. Mas o papel continuou sendo barato e os livros substituíram as bonecas e trens elétricos nas árvores de Natal.

A Islândia acabara de conquistar a emancipação após quase sete séculos de domínio norueguês e depois dinamarquês.

"Existe uma relação entre os debates sobre a importância da literatura durante a luta pela independência e a busca da identidade islandesa: para ser islandês você precisa ler livros", afirma Halldór Gudmundsson, escritor e ex-presidente da Forlagid, maior editora da Islândia.

Embora os livros sejam publicados com mais regularidade durante o ano, o "Jolabokaflod" é um período crucial: em 2018 representou quase 40% do volume de negócios das editoras islandesas, segundo o Instituto de Estatística da Islândia.

Como comparação, as vendas de Natal representam um terço do volume anual no Reino Unido e um 25% na Alemanha, os dois maiores mercados da Europa.

"Se esta tradição morrer, o setor islandês das editoras morre", admite Páll Valsson, diretor de publicações da Bajartur, a segunda maior editora do país, para a qual o "Jolabokaflod" representa 70% de sua receita anual.

Diante do grande volume da essa abundância a dificuldade é escolher.

"Há muitos bons livros perdidos na massa", diz Lilja Sigurdardottir, autora de thrillers, traduzida principalmente para o inglês e o francês.

A Islândia, país de menor população da Europa, é o que mais publica novos livros per capita no mundo, atrás do Reino Unido, segundo a associação internacional de editoras.

Um em cada 10 islandeses publica um livro ao longo da vida.

E os islandeses são grandes leitores. A ilha tem 83 bibliotecas e desde 2011 dedica um dia de setembro a estas instituições.

- Um mercado do livro em dificuldade -

A incrível maré dos livros do "Jolabokaflod" - a maioria deles romances - é compartilhada por quase dois meses nos supermercados do país: nos corredores de biscoitos ou congelados são apresentados centenas de livros.

Uma distribuição que torna os produtos relativamente caros mais acessíveis que no resto do ano.

Para comprar um livro são necessárias 6.990 coroas (52 euros, 55 dólares), mais que o dobro do preço na França ou no Reino Unido.

"É mais difícil comprar muitos livros em geral", explica Brynjólfur Thorsteinsson, 28 anos, vendedor da livraria Mál og menning em Reykjavik, uma das mais antigas da Islândia.

Além disso, o IVA aumentou de 7 para 11% em 2015 e existem custos de impressão e importação. Como na Islândia praticamente não existem florestas, os livros devem ser produzidos no exterior.

E, assim como em outros lugares, editoras e livrarias enfrentam dificuldades, com a queda de quase 50% nas vendas de livros desde 2010.

Para apoiar o setor, o governo decidiu este ano reembolsar 25% dos custos de produção dos livros publicados em islandês.

Peter Handke recebeu o prêmio Nobel de Literatura nesta terça-feira (10) em Estocolmo, onde manifestantes e personalidades denunciaram as posições pró-Sérvia do escritor austríaco durante as guerras da antiga Iugoslávia nos anos 1990.

Ao anunciar o prêmio ao romancista austríaco de origem eslovena, em outubro, a Academia Sueca provocou indignação nos Bálcãs e em vários países pelo apoio de Handke ao falecido homem forte de Belgrado, Slobodan Milosevic.

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Até o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse estar indignado com o prêmio Nobel que, aos seus olhos, "não tem valor". "Entregar o Prêmio Nobel de Literatura no dia dos direitos humanos a um personagem que nega o genocídio na Bósnia-Herzegovina é como recompensar violações dos direitos humanos", afirmou em depoimento à televisão turca.

A polêmica quase ofuscou o anúncio da vencedora de 2018, a polonesa Olga Tokarczuk, psicóloga de formação e ativista de esquerda, ecologista e vegetariana, que se tornou a quinta mulher a receber o prêmio desde sua criação, em 1901.

Aos 77 anos, Peter Handke recebeu o prêmio das mãos do rei Carl XVI Gustaf durante uma cerimônia formal com os vencedores das outras categorias, exceto o Nobel da Paz, que foi dado em Oslo ao primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed, pela conduzir a reconciliação entre seu país e Eritreia.

- Boicotes e pedidos de demissão -

A Academia Sueca decidiu premiar Handke por sua obra que, com "engenho linguístico, explorou a periferia e a singularidade da experiência humana", elogiado como "um dos escritores mais influentes da Europa desde a Segunda Guerra Mundial".

A instituição que sempre defendeu que trabalha para que a política não influencie sua atividade, atuou para tentar reconstituir sua credibilidade nos últimos dois anos, após o escândalo de agressões sexuais que provocou sua implosão em 2017. O caso provocou o adiamento do anúncio do prêmio de 2018, que finalmente foi atribuído a Olga Tokarczuk.

"Handke não é um escritor político", insistiu o presidente do comitê Nobel de Literatura, Anders Olsson.

Mas a escolha de Peter Handke não parece ter acalmado a situação, muito pelo contrário.

Uma integrante do comitê Nobel de Literatura anunciou sua renúncia no início do mês por causa da vitória do austríaco. E na sexta-feira, horas antes de Peter Handke conceder uma entrevista coletiva, o eminente acadêmico Peter Englund anunciou que não compareceria à cerimônia de entrega do prêmio.

"Não participarei na semana do Nobel este ano. Celebrar o prêmio Nobel de Peter Handke seria pura hipocrisia da minha parte", anunciou Peter Englund, historiador e escritor, no jornal Dagens Nyheter.

Secretário perpétuo da Academia Sueca entre 2009 e 2015, Englund cobriu os conflitos dos anos 1990 nos Bálcãs para jornais suecos.

Os embaixadores do Kosovo, Albânia, Turquia e Croácia também anunciaram um boicote à cerimônia.

Em 1996, um ano após o fim dos conflitos na Bósnia e na Croácia, Peter Handke publicou um panfleto, "Justiça para a Sérbia", que gerou muita polêmica. Em 2006, ele compareceu ao funeral de Milosevic, que faleceu antes de ouvir a sentença por crimes de guerra no Tribunal Penal Internacional.

- Manifestações em Estocolmo -

Após a cerimônia de premiação, entre 500 e mil pessoas se reuniram no centro de Estocolmo para uma manifestação contra a escolha de Handke, exibindo bandeiras da Bósnia e usando pulseiras brancas, como as que os não-sérvios eram obrigados a portar na Bósnia em 1992.

Premiar Handke foi "uma péssima decisão", disse à AFP Ernada Osmic, refugiada da Bósnia que chegou à Suécia em 1995 com a filha.

"Ele tem o direito de escrever o que quiser. O problema é que ele está sendo homenageado por seus textos", reagiu a organizadora de uma das manifestações, Teufika Sabanovic, entrevistada pela AFP.

Em uma entrevista coletiva na sexta-feira passada, o escritor queria evitar controvérsias e disse que gosta de "literatura, não opiniões".

Mas, numa entrevista ao semanário alemão Die Zeit, em novembro, Handke defendeu seu controverso apoio à Sérvia. "Nenhuma das palavras que escrevi sobre a Iugoslávia é de denúncia, nem uma. É literatura", disse.

Começa na próxima quarta (11), em Olinda, a I Feira Literária do Litoral Norte. Realizado pela Associação do Nordeste das Distribuidoras e Editoras de Livros (Andelivros), o evento vai homenagear o poeta João Cavalcanti Ribeiro, reunindo expositores e promovendo palestras e lançamentos, na Praça do Carmo, até o dia 15 de dezembro. 

A feira contará com mais de 50 estandes de livros, além de palestras e lançamentos de novos títulos. Entre os convidados, estarão nomes como  a jornalista Carol Barcellos, o poeta Jessier Quirino e o cantor Maciel Melo. Haverá, também, apresentações culturais durante os cinco dias de programação.

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Serviço

I Feira Literária do Litoral Norte

Quarta (11) a domingo (15) - 9 às 21h

Praça do Carmo - Olinda

Gratuito

 

Há quem use a internet para fazer pesquisas.

Há quem gaste o pacote de dados para pedir comida.

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Há quem se conecte tentando suprir a correria do dia a dia.

E há quem se loga para se curar com poesia.

A poesia, esse gênero textual que combina palavras, significados e rimas, também está surfando a onda da web e já conta com um novo subgênero, a poesia digital. Trata-se de textos que se valem de formas gráficas, imagens, grafismos, sons, elementos animados e, claro, hipertexto. O número de poetas digitais, que usam as plataformas online para escoar sua produção, também vem aumentando a cada dia. Confira essa lista com a indicação de alguns autores e se conecte com essa poesia. 

Hugo Novaes

O poeta alagoano começou sua incursão pela internet em 2017 e hoje acumula milhares de fãs. Pelo Instagram e pelo YouTube, com os perfis 1tema1minuto1poema, ele compartilha sua obra em pequenos vídeos acompanhados pela transcrição da poesia. 

Fabio Gomes

O jornalista, cineasta e fotógrafo Fabio Gomes também é um dos que levaram sua produção poética ao meio digital. Em seu blog oficial, a seção Rapidola é atualizada, semanalmente, com seus poemas. Fabio também reserva um momento para resgatar alguns clássicos da poesia nacional. 

Lilian Cardoso

Como o nome do perfil bem o diz, as poesias de Lilian Cardoso são escritas em papel de pão. Ela compartilha suas poesias com mais de 30 mil seguidores., no @numpapeldepao.

Daniel Daarte

Poeta, desenhista e médico, Daniel Daarte também usa o Instagram como ferramenta de veiculação da sua arte. As poesias do escritor são compartilhadas no perifl @da.arte, que já conta com mais de meio milhão de seguidores. 

Bárbara Marca

Bárbara Marca reúne mais de 50 mil seguidores no perfil @babiemversos. Ela também costuma compartilhar seus escritos em um perfil no Twitter. 

Clarice Freire

Além de ter dois livros publicados, a escritora Clarice Freire também faz uso do meio digital para compartilhar sua poesia. No perfil @podelua, ela faz suas publicações e compartilha os escritos com os seguidores. 

 

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