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| Ciência e Saúde

O Ministério da Saúde informou, nesta sexta-feira (15), que um novo caso de reinfecção por Covid-19 registrado no País, em Manaus, deu-se por contaminação de uma nova variante do coronavírus identificada no Estado do Amazonas. De acordo com a pasta, uma mulher foi diagnosticada com Covid-19 pela primeira vez em 24 de março do ano passado e, novamente, em 30 de dezembro, com exame positivo de RT-PCR. Na segunda análise, observou-se que o vírus tinha um padrão de mutações compatível com a variante do vírus Sars-CoV-2 que foi identificada no Japão em quatro turistas do País que tinham recentemente voltado do Amazonas.

Análise feita na Fiocruz-Amazônia sobre o genoma do vírus encontrado nos japoneses revelou se tratar de uma nova variante do coronavírus que surgiu no Amazonas entre dezembro e janeiro, que foi denominada provisoriamente de B.1.1.28 (K417N/E484K/N501Y). O caso da mulher de Manaus reinfectada foi analisado também pela Fiocruz, que constatou se tratar da mesma variante.

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Um alerta foi enviada pela fundação ao Ministério da Saúde no dia 12, informando que havia identificado a nova variante em uma mulher de 29 anos que já havia sido infectada nove meses antes. O Estado fez também uma notificação no dia 13 e o ministério confirmou nesta sexta-feira. De acordo com a pasta, este é o segundo caso de reinfecção observado no Brasil por uma nova cepa. O primeiro foi na Bahia, mas com a variante identificada na África do Sul.

"A informação foi compartilhada, como parte da rotina da vigilância epidemiológica, com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS) e com toda a Rede do Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde (Cievs). O Ministério da Saúde recomendou aos Estados, Distrito Federal e municípios o contínuo fortalecimento das atividades de controle da Covid-19, a ampliação do sequenciamento de rotina dos vírus Sars-CoV-2, a investigação de surtos e o rastreamento de contatos de todo caso de Covid-19", informou a pasta.

Há uma preocupação de que a nova cepa identificada no Amazonas seja um dos motivos para a explosão recente de casos em Manaus, que culminou nesta quinta-feira (14), com o esgotamento dos estoques de oxigênio em hospitais da cidade e com a morte de pacientes por asfixia. A Fiocruz-Amazônia está investigando se nova cepa está circulando na região em grande quantidade e se ela é mais contagiosa que as 11 variantes anteriores que tinham aparecido na região.

Um outro estudo feito pela estudo feito por pesquisadores do Centro Brasil-Reino Unido de Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (grupo Cadde), que conta com a participação do Instituto de Medicina Tropical (IMT) e da Faculdade de Medicina da USP, revelou que a nova linhagem identificada em Manaus estava presente em 42% dos pacientes infectados testados na cidade.

O grupo analisou 31 amostras que deram positivo em teste de RT-PCR coletadas entre 15 e 23 de dezembro. A nova linhagem foi identificada em 13 dessas amostras, segundo estudo publicado como pré-print (ainda sem revisão de pares) na publicação Genomic characterisation of an emergent sars-cov-2 lineage in Manaus: preliminary findings.

O governador Helder Barbalho anunciou, na quinta-feira (14), novas medidas de combate à covid-19 no Estado. Dentre elas, mudanças no Decreto Estadual 1.273/2020, que proíbe a entrada no Pará de embarcações de passageiros vindos do Amazonas. Segundo o chefe do Poder Executivo, a mesma determinação será estendida também a transportes terrestres de passageiros.

A rede hospitalar do Amazonas entrou em colapso. Pacientes estão morrendo asfixiados por falta de oxigênio (leia aqui). No Pará, segundo boletim da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), são 307.520 os casos confirmados de covid-19, com 7.376 óbitos. 

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O governador Helder Barbalho solicitou informações à Infraero e à Agência Nacional de Aviação Civil quanto às medidas, urgentes, de prevenção ao novo coronavírus em voos vindos do Amazonas em direção ao Pará. A medida se fez necessária visto o aumento considerável dos casos positivos da doença no estado vizinho. 

O governador também solicitou detalhes dos procedimentos que estão sendo realizados nos aeroportos paraenses. Ofícios foram enviados ao Aeroporto Internacional de Belém/Val-de-Cans - Júlio Cezar Ribeiro, Aeroporto Internacional de Santarém — Maestro Wilson Fonseca, Aeroporto Interestadual de Altamira, Aeroporto de Marabá - João Correa da Rocha, Aeroporto de Carajás/Parauapebas e ao Aeroporto Belém Brigadeiro Protásio, na Capital. 

Com informações da Agência Pará.

 

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Ano novo, vida nova. A frase costuma ser repetida sempre que as pessoas se referem àquela listinha de promessas de mudança de hábitos. Entre as mais comuns estão: comer de maneira mais saudável, perder peso, fazer exercícios com regularidade, colocar a vida financeira nos eixos e conseguir um emprego novo. Parar de fumar, gerenciar melhor o estresse, investir em um relacionamento e beber menos também aparecem entre os assuntos mais procurados. Em resumo, saúde e dinheiro são as principais preocupações.

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Tirar a vontade de mudança do papel, no entanto, costuma ser mais complicado do que parece. De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Scranton (Pensilvânia/USA), após seis meses, somente metade das pessoas que costumam escrever suas resoluções permanecem firmes no propósito. E no fim do ano, apenas 8% atingiram seus objetivos.

A questão é que as metas estão diretamente relacionadas à adoção de um estilo de vida mais saudável, o que exige planejamento e motivação.

Para a nutricionista Kelly Oliveira, a meta da alimentação mais saudável pode ser um pouco mais complicada porque é relacionada a privações. “Muitas pessoas relacionam comida, principalmente as calóricas e açucaradas ou com maior aporte de gorduras ruins - que são mais palatáveis e mais gostosas - com afeto e com emoção. Restringir isso muitas vezes gera sofrimento. E como os resultados, principalmente no emagrecimento, são lentos, elas não aguentam sustentar a mudança e desistem”, explica.

A questão é que o sucesso dessas resoluções depende de uma reeducação alimentar e não de uma dieta. A nutricionista destaca a necessidade de um apoio multiprofissional como o primeiro passo para cumprir as metas. “A primeira escolha é sempre iniciar sozinho e isso é muito difícil. As pessoas acabam fazendo escolhas erradas, procurando na internet, em fontes não confiáveis e não conseguem obter os resultados esperados”, diz Kelly.

Perder peso fez parte das resoluções da farmacêutica Graciane Leão há muito tempo. Ela conta que na primeira semana de janeiro era comum iniciar uma dieta. “Fiz todas: dieta da lua, dieta dos pontos, contei calorias, dieta das frutas. Mas depois de alguns dias parava tudo. Não emagrecia o que queria e depois engordava novamente, naquele efeito sanfona”, lembra. A consequência da obesidade era sentida na saúde: colesterol e glicose altos, dores articulares, dificuldades para fazer minhas atividades diárias, falta de disposição”, enumera Graciane.

Mas na passagem de 2019 para 2020, Graciane decidiu fazer diferente e conseguiu entrar no seleto grupo dos 8% que conseguiram cumprir as resoluções. “Fui a uma loja comprar uma calça e só coube a numeração 48. Me senti muito mal e decidi que iria cuidar da minha saúde e se livrar da obesidade”, lembra.

Ela não fez isso sozinha. Ao invés de recorrer a dietas da moda e dicas da internet, dessa vez procurou uma nutricionista e buscou orientações personalizadas. O resultado foi a perda de peso ao longo do ano de 2020, de forma consciente e saudável. Ela começou o ano com 95 quilos e hoje comemora os 62 quilos atuais. “Mudei meus hábitos alimentares, ganhei em saúde e autoestima”, garante.

A transformação física teve relação direta com uma mudança de vida mais ampla. A farmacêutica conseguiu concluir um MBA em 2020 e encarou o desafio de ser a representante da Sociedade Brasileira de Farmacêuticos Oncológicos (SOBRAFO) no Pará. “Mesmo com todas as dificuldades trazidas pela pandemia em 2020, posso dizer que foi o meu melhor ano”, comemora Graciane.

Para 2021, as metas já estão definidas: começar o mestrado e continuar com a alimentação saudável.

Veja algumas dicas

Hidrate-se - Comece aumentando o consumo de água (2,5 litros por dia é a necessidade média). Sucos naturais e chás também são recomendados.

Um passo de cada vez - Crie o hábito de se exercitar a cada dia mais. Inicie uma caminhada simples, de baixo impacto e menor duração, com ajuda profissional para aumentar frequência e intensidade.

Coma uma fruta por dia - O consumo de frutas é primordial. Aproveite os momentos de lanches rápidos e insira mais frutas na sua rotina diária.

Menos calorias - As refeições maiores (como almoço e jantar) são ideais para mudanças na oferta calórica. Prefira iniciar a refeição com saladas cruas que proporcionam saciedade e são excelentes fontes de nutrientes variados.

Arco-íris no prato - Uma ótima dica para fortalecer a saúde é se guiar pelas cores dos alimentos. Frutas e vegetais possuem cores diferentes que carregam nutrientes variados.

Dormir mais e melhor - Pessoas que dormem pouco ou inadequadamente tendem a sofrer com o organismo desregulado e com aumento da fome, tornando-se um fator para o aumento de peso. É fundamental dormir bem. No mínimo, oito horas diárias.

Cuide da sua saúde - A realização do check-up anual permite o rastreamento e o diagnóstico precoce de doenças cardiovasculares como o infarto e o AVC; de doenças metabólicas como o diabetes, o hipotireoidismo e a osteoporose; de doenças neoplásicas como o câncer de intestino, de pele, de mama e de próstata; e de doenças infecciosas como as hepatites crônicas e o HIV.

Prevenção e autocuidado - Lembre de que 2021 é ainda um ano em que teremos que nos moldar às exigências sanitárias, com a limitações impostas pela pandemia. Considere isso na hora de estabelecer as metas para manter a motivação em dia.

Com informações do Centro de Tratamento Oncológico (CTO). Edição de vídeo: Sandy Brito.

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Durante o verão, é necessário tomar alguns cuidados com a pele antes de se expor ao sol. Os raios ultravioletas emitidos pela estrela recebem classificações de risco que vão de 1 a 16+, e uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (INPE) apontou que, em 2019, o Brasil chegou a marcar 11 nos níveis de radiação.

Esse excesso de exposição ao sol pode ocasionar envelhecimento precoce, aumento da flacidez, manchas e câncer de pele. "Há queimaduras leves e moderadas que podem se apresentar não só como vermelhidão e dor, mas também com bolhas na superfície", descreve o dermatologista André Braz, que recomenda uma rotina de uso de protetor solar em todas as estações do ano, com atenção redobrada no verão.

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Por isso, é necessário buscar filtros solares que possuam boas proteções de raios UVA, que podem causar envelhecimento precoce e câncer de pele, e UBV, que também podem provocar câncer e queimaduras. Além disso, deve-se atentar ao Fator de Proteção Solar (FPS), presente na marca do produto, que representa o tempo em que a pele ficará segura.

Braz recomenda o uso diário de protetores com FPS mínimo de 30. A aplicação deve ocorrer cerca de 20 minutos antes de se expor ao sol. "É importante evitar exposição no horário de maior incidência de raios UVB, entre 10 e 16h", alerta o dermatologista.

Além do protetor solar, outros acessórios com proteção ultravioleta podem auxiliar nos cuidados com a pele. Roupas e chapéus normais não garantem total bloqueio contra radiação. "Chapéus e bonés ajudam a proteger a pele da face, que deve contar sempre com filtro solar indicado pelo dermatologista para cada tipo de pele, os cabelos e o couro cabeludo. A viseira protege apenas a face, pois deixa o couro cabeludo exposto", descreve a dermatologista Ana Paula Fucci.

Como aplicar o filtro solar

Em todos os tipos de pele, deve-se passar uma camada espessa do produto. O processo precisa ser repetido a cada 4 horas ou antes de mergulhar. "No rosto é importante observar que o filtro seja adequado ao tipo de pele, oleosa, mista ou acneica", aconselha Ana Paula.

No corpo, o dermatologista Braz orienta espalhar o filtro e não deixar descoberta algumas áreas que costumam serem esquecidas, como abaixo dos braços, parte inferior das pernas, pés, costas, contorno lateral do corpo, pálpebras, orelhas e mãos.

O governo do Amazonas e a prefeitura de Porto Alegre passaram a recomendar o uso de medicamentos que não possuem eficácia comprovada no tratamento de pacientes com covid-19. A distribuição pública da hidroxicloroquina, da azitromicina e da ivermectina é incentivada pela gestão do presidente Jair Bolsonaro. Especialistas dizem que a recomendação ignora evidências científicas e cria falsa sensação de que existe um tratamento eficaz contra a doença.

Enquanto vê o número de casos, internações e mortes voltar a subir, a prefeitura de Manaus e o governo do Estado do Amazonas recomendaram publicamente, pela primeira vez, o uso dos medicamentos, conjunto que é chamado pelo governo Bolsonaro de "tratamento precoce", mesmo sem indicativos de que seja de fato um tratamento.

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Em publicação no site da prefeitura, a secretária municipal de Saúde, Shádia Fraxe, disse que reforça "a importância do tratamento precoce para evitar que o quadro clínico se agrave". "Se, clinicamente, o paciente apresentar sintomas que sugiram covid-19, já recebe tratamento e seu quadro de saúde será monitorado por pessoal capacitado para isso", disse.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o Ministério da Saúde pressionou Manaus, em ofício, a adotar a cloroquina, em um suposto tratamento precoce contra a covid. Em maio, Bolsonaro chegou a dizer que "quem é de direita toma cloroquina e quem é de esquerda toma tubaína". O tratamento precoce também foi defendido pelo governador do Estado, Wilson Lima (PSC), em "live" para anunciar apoio da pasta, no último dia 4 de janeiro.

Entre os agentes defensores do tratamento precoce estão o sindicato dos médicos e o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM). O presidente sindicalista Mário Vianna afirmou que "o Ministério da Saúde tem mais de 150 trabalhos científicos com resultados positivíssimos com tratamento precoce". Quando perguntado sobre a procedência desses estudos, Vianna disse que "não tem em mãos, mas os documentos estão nas redes sociais", sem dar detalhes. A prefeitura também foi questionada sobre quais evidências científicas subsidiam o uso desses remédios, mas também não respondeu.

Nova gestão de Porto Alegre adotou medicamentos sem eficácia

Desde a campanha, o novo prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), anunciava ser contrário a medidas de restrição para conter a transmissão da covid-19. Tão logo assumiu o governo, Melo cumpriu a promessa, e editou um decreto flexibilizando as restrições impostas pelo antecessor, Nelson Marchezan Jr (PSDB).

Além da mudança em relação ao funcionamento do comércio, e mesmo para realização de eventos, Melo também decidiu adotar o chamado "tratamento precoce". Os medicamentos que o governo municipal pretende distribuir na rede pública foram entregues pelo ministério sem custos aos cofres públicos municipais.

Médico infectologista, mestre em Ciências Médicas e membro do Comitê Covid da Sociedade Riograndense de Infectologia (SRGI), Ronaldo Hallal diz que a decisão de adotar o "tratamento precoce" não trará resultados práticos sobre o cenário da doença. "Já há estudos clínicos publicados mostrando que esses medicamentos não possuem eficácia mesmo utilizados no 1º, 5º, ou 7º dia. A decisão da gestão Melo de adotar o "tratamento precoce" ignora evidências científicas. Os grupos de decisão revelam que a prefeitura de Porto Alegre não utiliza evidências científicas na elaboração de suas políticas", critica.

Para Hallal, a indicação do uso do kit cria uma falsa sensação de existir um tratamento para a doença, o que prejudica as medidas de isolamento, o que na avaliação dele é justamente o objetivo do governo. "Sinaliza com a mensagem errada que essa doença tem tratamento, o que pode comprometer as medidas de isolamento."

O governo municipal defende a distribuição do medicamento como uma decisão entre médico e paciente. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o governo tem seguido a orientação e as bases científicas do Ministério da Saúde para adotar o tratamento precoce.

Questionada sobre o parecer de comitês científicos, a SMS se limitou a se basear na resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Regional de Medicina do Estado (CREMERS). Nenhuma das duas fala sobre a eficácia do tratamento, apenas dizem que médicos que receitem o "kit Covid" não cometem infrações e casos de efeitos colaterais serão investigados.

O único "estudo" apresentado pelo governo municipal foi um link do Ministério da Saúde, citado como exemplo. Nele, o governo federal apresenta um artigo publicado na revista The American Journal of Medicine que defende o uso da cloroquina no tratamento precoce. A intenção do governo municipal é distribuir os medicamentos nas farmácias distritais e nas unidades de saúde que funcionam até 22h.

Hallal afirma que os estudos usados pelo ministério não são clínicos. "São comparativos da intervenção com placebo, são basicamente estudos retrospectivos, que tentam associar desfechos clínicos com algo que tenha ocorrido diferente." Ele cita como exemplo pesquisas feitas nos Estados Unidos, Espanha, e o Coalizão, do qual o Brasil fez parte, que comprovaram a ineficácia da cloroquina no tratamento da covid-19.

O governo municipal vai enfrentar resistência nos próximos dias, já que a bancada do PT na Câmara de Vereadores anunciou que ainda nesta semana entrará com um pedido de providência do Legislativo, além de uma representação na Promotoria de Saúde do Ministério Público, pedindo que os remédios sejam devolvidos ao governo federal.

O Brasil precisará aplicar a Coronavac em praticamente toda a sua população apta a recebê-la (99%) para alcançar a imunidade coletiva - e deter a circulação do novo coronavírus no País. O cálculo é do microbiologista Luiz Gustavo de Almeida, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo e do Instituto Questão de Ciência. Segundo Almeida, seriam necessários dez meses para que todos recebessem a primeira dose. Ou seja, se tudo der certo, a vacinação só terá detido totalmente o vírus no segundo semestre de 2022.

A eficácia global da vacina produzida pelo Butantã e pelo laboratório chinês Sinovac é de 50,4%, como anunciado na terça-feira. Por isso, para alcançar a imunidade de rebanho, será necessário imunizar 160 milhões de brasileiros (dos 162 milhões que podem receber a vacina). Segundo o IBGE, o País tem 211 milhões de habitantes. No entanto, os menores de 18 anos, inicialmente, não receberão a vacina.

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Especialistas consideram que a imunidade coletiva é obtida quando entre 60% e 70% da população está imunizada. O porcentual da população vacinada e o tempo para atingir a meta seriam menores com vacinas de eficácia mais alta.

Almeida calcula ainda que, no caso da vacina da Pfizer/BioNtech, cuja eficácia é de 95%, seria necessário imunizar metade do público, 81 milhões de pessoas, em aproximadamente cinco meses. No caso da vacina de Oxford (produzida no País pela Fiocruz e que também deve estar disponível no Brasil), com uma eficácia de 62,1%, o porcentual teria que chegar a 80%. Seriam 129 milhões vacinados em aproximadamente oito meses.

"Uma campanha de vacinação tem dois objetivos muito claros: gerar a imunidade de rebanho e a proteção individual", disse Flávio Guimarães, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia. "A CoronaVac não consegue cumprir muito bem o primeiro objetivo, mas o segundo objetivo se cumpre muito bem. Diante da emergência e das circunstâncias, é uma ferramenta muito importante."

Cálculo errado

Cálculos com os dados brutos dos testes da Coronavac apontam uma eficácia de 49,69%, e não de 50,38%, como anunciado esta semana pelo Butantã. Mas o método usado na conta está errado para o caso da Coronavac e não corresponde ao modelo definido pelo Butantã no protocolo de pesquisa para calcular a eficácia da vacina, disse ao Estadão o diretor médico de pesquisa clínica do Butantã, Ricardo Palacios.

Segundo ele, o cálculo que aponta eficácia de 49,69% é inadequado nesse caso por considerar só o total absoluto de infecções em cada grupo do estudo (placebo e vacinado) e deixar de fora outro fator avaliado: o tempo de exposição ao risco de cada participante dos testes até ser infectado.

Em estatística, o método que conta também a variável tempo de exposição ao risco é chamado de análise de sobrevivência e tem como principal medida o hazard ratio (HR). Existe também a análise clássica, que leva em conta só o número de infecções em cada grupo, sem considerar o tempo de exposição. Ela tem como medidas o odds ratio (OR) ou risco relativo (RR). A metodologia deve ficar clara, para não haver desvios dos objetivos iniciais do estudo.

Palacios diz que o Butantã preferiu usar esse método por ser um estudo de curta duração, no qual o tempo de exposição ao risco de infecção de cada voluntário poderia variar muito.

No slide de apresentação dos resultados da Coronavac, além dos números absolutos, consta essa incidência, que seria de 11,74 no grupo vacinado ante 23,64 no grupo placebo.

"Se fosse um estudo em que a análise de eficácia fosse feita após dois anos, por exemplo, não teria tanta diferença porque todos os voluntários ficariam expostos por um tempo similar. Mas nesse caso, consideramos que seria mais adequado atribuir riscos diferentes conforme o tempo porque o risco de um voluntário com duas semanas de exposição após a vacinação é diferente de um que ficou quatro meses exposto", afirma Palacios.

Ele ressaltou que a escolha do método está no protocolo de pesquisa, de agosto, apresentado à Anvisa para ter aval para a pesquisa e publicado em revista científica revisada por pares. "No protocolo descrevemos com antecedência a forma como a análise será feita justamente para não sermos acusados de mudar a regra do jogo durante a partida", disse. O documento traz na página 47 a informação de que o método usado seria o do cálculo do hazard ratio. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A eficácia da vacina produzida pela Universidade de Oxford é de 70% já na primeira dose, disse a coordenadora dos ensaios clínicos do imunizante no Brasil, Sue Ann Costa Clemens.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está analisando pedido para liberação do uso emergencial da vacina. Segundo o Ministério da Saúde, a imunização no Brasil deve começar na semana que vem com a vacina de Oxford, feita em parceria com o laboratório britânico AstraZeneca.

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No Brasil, o imunizante será produzido pela Fiocruz, que também colaborou com a realização dos testes no país. Nesta quinta-feira (14), um voo sairá de Campinas com direção a Mumbai, na Índia, para trazer dois milhões de doses prontas da vacina.

Em entrevista para o jornal O Globo, Sue Ann recomendou que a aplicação das duas doses sejam mais espaçadas, o que garantiria maior cobertura em menos tempo. O modelo tem sido usado em outros países que estão vacinando a população com o imunizante de Oxford.

"A vacina demonstra uma eficácia de 70% com uma dose, e desde o início nós apostamos que essa era uma vacina de uma dose, para depois darmos apenas um reforço. Nos testes no Reino Unido, demos a segunda dose com um intervalo maior, vacinamos com intervalos de até 12 semanas. Lá, mais de oito mil pessoas entraram no grupo que recebeu a segunda aplicação após mais de oito semanas", disse a cientista.

Com 2ª dose, 80% de eficácia

De acordo com a pesquisadora, estudos mais recentes comprovaram que um intervalo maior entre as doses gera mais segurança. Com a aplicação da segunda, a eficácia atinge mais de 80%. No futuro, Sue Ann espera que o espaço entre as aplicações seja ainda maior.

Além da vacina de Oxford, a Anvisa já recebeu o pedido para registro do uso emergencial da CoronaVac. A expectativa do órgão é dar uma resposta no domingo (17). A vacina chinesa tem eficácia geral, que abrange de assintomáticos a casos graves, de 50,4%. Para casos graves, o índice é de 100%. Para casos leves, é de 78%.

A CoronaVac também deve ser aplicada com espaçamento maior entre as doses. Nos estudos, a maior parte dos voluntários recebeu as vacinações entre duas semanas. No entanto, foi compravado que isso pode ocorrer com quatro semanas de diferença. Um intervalo maior pode ajudar o governo a adquirir mais doses da vacina e conseguir imunizar mais pessoas.

'O mundo parou por causa disso'

A vacina de Oxford já foi aprovada para uso em sete países: Reino Unido, Índia, México, Marrocos, Argentina, Equador e El Salvador, com mais de um milhão de doses aplicadas. Em relação à segurança do imunizante, Sue Ann disse que não é preciso ter medo de se vacinar pelo fato da vacina ter sido desenvolvida em tempo recorde.

"A quem tem medo: o melhor é olhar os dados, os fatos. Essa vacina já foi registrada em sete países, e um milhão de doses foram aplicadas no mundo, sem eventos adversos inesperados ou sérios. É uma vacina segura, e que pode ajudar, junto a outras vacinas, a tirar o mundo desse caos. Foi desenvolvida rapidamente, mas com toda qualidade, porque o mundo parou por causa disso, tivemos mais espaço, investimento e oportunidade para trabalhar com mais celeridade do que em outras epidemias", defendeu a cientista.

Da Sputnik Brasil

Segundo o secretário estadual de Saúde, André Longo, nesta quarta-feira (13), mais de 1700 pacientes estão internados nos leitos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nas redes pública e privada de Pernambuco. Destes, 1055 estão em leitos de Terapia Intensiva.

O estado vem registrando um novo aumento nos casos graves da Covid-19. Na primeira semana epidemiológica de 2021, foram 806 casos de SRAG, o que representa um aumento de 20% - em comparação com a última semana de 2020 - e 16%, quando comparado há 15 dias. 

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Diante disso, o secretário salienta que o número de solicitação de leitos também vem aumentando em comparação com a última semana de 2020 e a primeira semana de 2021. Foi 5% de acréscimo na solicitação de vagas na terapia intensiva e 14% nos leitos de enfermaria.

"Se cumpridos à risca, os protocolos sanitários reduzem a possibilidade de contágio e proporciona o funcionamento seguro da grande maioria das atividades, sem colocar novas vidas em risco", salienta André Longo.

O secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, afirmou nesta quarta-feira (13), que partirá na quinta (14) do Recife um avião que irá buscar 2 milhões de doses da vacina de Oxford. Longo aponta que, com a liberação das vacinas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ocorrendo neste domingo (17), Pernambuco já começa a vacinação na próxima semana.

Das oito milhões de vacinas que devem ser distribuídas pelo Ministério da Saúde nesta primeira fase, sendo seis milhões da CoronaVac e dois milhões da vacina de Oxford, Pernambuco deve receber entre 350 e 360 mil doses do imunizante, que corresponde a 4,7% das vacinas que serão enviadas para os estados brasileiros. Ainda não se sabe qual das vacinas serão enviadas para o Estado.

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"Temos discutido com o Ministério da Saúde que seria interessante que viesse um dos dois tipos (Oxford ou CoronaVac) porque tem tempos diferentes para a aplicação, especialmente da segunda dose. Para não ter que montar dois cenários logísticos diferentes, o ideal é que cada estado recebesse um tipo dessa vacina”, explica Longo.

“Nós estamos neste momento esperançosos, realistas, mas esperançosos de que nós possamos ter esse cenário para o início da vacinação no Brasil e, portanto, em Pernambuco para a próxima semana", complementa André.

O secretário de Saúde garante que o estado tem se preparado, em conjunto com os municípios, para a vacinação da população. Para isso, foi montado um Comitê Técnico Estadual que deve se reunir nesta quinta-feira (14), para finalizar o plano de operacionalização da vacina.

Na última terça-feira (12), milhões de seringas e agulhas foram distribuídas pelo Governo de Pernambuco para os municípios. "A logística para a distribuição das doses de vacina vai seguir a logística que fizemos para a distribuição das seringas. Ela poderá até ser mais acelerada, tendo em vista que o volume de doses que vai chegar é inferior ao volume de seringas e agulhas", explica o secretário.

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O Fundo Russo de Investimentos Diretos (RFPI, na sigla em russo) informou nesta quarta-feira (13) que dez milhões de doses da vacina Sputnik V contra COVID-19 serão disponibilizadas ao Brasil no primeiro trimestre deste ano.

As primeiras entregas do imunizante serão feitas ainda em janeiro. Até o fim de 2021, 150 milhões de doses do imunizante serão entregues ao Brasil.

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O acordo foi firmado após uma reunião entre Kirill Dmitriev, diretor-geral do RFPI, com Fernando de Castro Marques, presidente da farmacêutica brasileira União Química.

Como parte da parceria com a União Química, o RFPI vai facilitar a importação de tecnologia da Sputnik V para o Brasil, incluindo fornecimento de documentos e biomateriais. A produção local da Sputnik V no Brasil foi iniciada em janeiro.

Além disso, o RFPI e a União Química vão solicitar ainda nesta semana a autorização de uso emergencial da Sputnik V à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Um grupo de cerca de 20 brasileiros que trabalham na embaixada da Rússia no Brasil já estão sendo vacinados com a Sputnik V. As informações foram publicadas no site do próprio RFPI.

"Nossos parceiros da União Química foram um dos primeiros no mundo a se interessar pela vacina russa Sputnik V. Por nossa parte, estamos prontos para uma cooperação em larga escala no fornecimento e na produção para iniciar a vacinação da população no Brasil o mais rápido possível", destacou Kirill Dmitriev.

O uso emergencial da Sputnik V foi aprovado em vários países, incluindo Argentina, Bolívia, Argélia, Sérvia e Palestina.

"A Sputnik V é uma vacina segura e eficaz criada em uma plataforma comprovada e bem pesquisada de vetores adenovirais humanos. Vários países da América Latina já estão vacinando pessoas com a Sputnik V e esperamos que o Brasil se junte a eles nas próximas semanas", completou Dmitriev.

O RFPI e a União Química também informaram que vão propôr aos países do BRICS para que seja criada uma força-tarefa para combater a COVID-19 e realizar cooperação em vacinas.

No dia 29 de dezembro, a União Química submeteu o pedido para a realização de testes clínicos da fase 3 no Brasil à Anvisa.

Mais de 1,5 milhão de pessoas já foram vacinadas com a Sputnik V no mundo até esta quarta-feira (13). A eficácia do Sputnik V é superior a 90%, com proteção total contra casos graves de COVID-19.

Da Sputnik Brasil

Os reajustes anuais e por mudança de faixa etária de planos de saúde foram suspensos entre setembro e dezembro do ano passado, por determinação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), e devem ser cobrados em 12 parcelas a partir deste mês. Com o adiamento dos reajustes que seriam realizados para compensar os gastos das operadoras no período anterior, as empresas poderão fazer a cobrança de dois reajustes anuais, dependendo da data-base da aplicação a ser considerada.

Com a pandemia do novo coronavirus, o plano de saúde pode pesar no bolso dos consumidores diante do desemprego crescente no país, que reduziu os ganhos e o consumo. O problema levou a Associação Nacional das Administradoras de Benefícios (Anab) a orientar as empresas do setor a criarem alternativas para os consumidores. De acordo com a entidade, pelo menos 20 novos produtos foram criados até o momento para atender os consumidores que desejam manter o benefício e migrar de plano, com preços mais acessíveis após o reajuste que está sendo aplicado.

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A Anab representa as empresas gestoras e comercializadoras de planos de saúde coletivos, em que o benefício é vinculado a alguma empresa ou entidade de classe a que o consumidor esteja ligado. Segundo a ANS, existem cadastradas no Brasil 168 administradoras de benefícios. Cerca de 6,2 milhões de clientes têm planos da modalidade coletivo por adesão, dos quais em torno de 3 milhões contam com a atuação de uma administradora.

Opções

O presidente da Anab, Alessandro Acayaba de Toledo, disse que as empresas associadas estão atuando para “orientar os consumidores a fazerem seus cálculos e a optar por alternativas muito próximas ao produto que já dispunham e, assim, manter o plano de saúde, que é tão importante, sobretudo em meio a uma pandemia". A redução dos valores ocorre, normalmente, pela oferta de redes credenciadas de alcance regional, com foco em necessidades locais; e também por parcerias com operadoras verticalizadas, isto é, que têm seus próprios locais de atendimento ao paciente.

Dados da Anab mostram que, nos últimos oito anos, a diferença entre o valor pedido pelas operadoras para o reajuste anual e o efetivamente cobrado dos clientes das administradoras de benefícios alcançou R$ 6 bilhões, com queda de 54%, o que gerou economia mensal por beneficiário de R$ 131. Toledo informou que o reajuste médio aplicado pelas administradoras nos contratos que venceram em 2020 e está sendo aplicado em 2021 ficou em 15,3%, depois das negociações com as operadoras. O valor médio pago pelos beneficiários é de R$ 837.

Planos

No Brasil, 47,1 milhões de pessoas têm plano de saúde privado, o que corresponde a pouco menos de 25% da população. São três os planos praticados no país: individual ou familiar, coletivo empresarial e coletivo por adesão. Os consumidores se dividem entre pessoas físicas, que contratam o plano por conta própria, e pessoas jurídicas, em que o plano é um benefício oferecido pela empresa em que as pessoas trabalham ou pela entidade de classe a que pertençam.

A Anab sustentou que todos os planos de saúde têm regras estabelecidas pela ANS. Os planos individuais têm o percentual de reajuste definido pela agência reguladora, enquanto os planos coletivos obedecem à livre negociação entre a operadora e as empresas, associações de classe ou sindicatos, devendo comunicar o percentual de reajuste à ANS.

A Anab chamou a atenção para o fato de que, além dos reajustes anuais, pode haver também reajuste por mudança de faixa etária para alguns beneficiários. Nos contratos celebrados até janeiro de 1999, prevalece o que foi estabelecido na época. Planos a partir de janeiro de 1999 até 1º de janeiro de 2004 têm sete faixas, sendo a primeira entre 0 e 17 anos e a última faixa com 70 anos ou mais. Contratos firmados após 1º de janeiro de 2004 contêm dez faixas, sendo a primeira entre 0 e 18 anos e a última com 69 anos ou mais. Pela Resolução Normativa ANS nº 63/2003, o valor fixado para a última faixa etária não pode ser superior a seis vezes o valor da primeira faixa (0 a 18).

Procon

O órgão de defesa do consumidor do município do Rio de Janeiro esclareceu que apesar da permanência do estado de calamidade pública em função da covid-19, a medida que suspendeu o reajuste não foi estendida, o que permite que as operadoras cobrem o aumento a partir deste ano.

O Procon alertou, entretanto, que o consumidor precisa saber de algumas regras para recorrer de alguma cobrança indevida. A primeira delas é que, de acordo com a ANS, o reajuste deve ser parcelado em pelo menos 12 vezes sem juros. Outra observação a ser feita é sobre a data de aniversário do contrato e quando foi feita a suspensão da cobrança, porque os reajustes serão relativos apenas aos meses que não tiveram o valor aplicado.

O órgão de defesa do consumidor do município lembra que o valor máximo do reajuste para planos individuais é de 8,14%. Para os planos coletivos, não há essa limitação e o cálculo é feito de acordo com a sinistralidade da carteira de clientes.

A coordenadora do Procon, Renata Ruback, afirmou que os consumidores que tiverem qualquer problema com a cobrança devem registrar reclamação no órgão. “Caso seja verificada abusividade, a operadora pode ser multada e o consumidor ter o valor cobrado indevidamente restituído", disse Renata. Ela lembrou que a determinação da ANS não impede que o consumidor que esteja em dificuldades financeiras negocie com a empresa uma proposta com melhores condições de pagamento. “Vimos casos em que a operadora isentou a cobrança da parcela de janeiro, por exemplo".

O consumidor pode entrar em contato com o Procon do Rio de Janeiro pelo telefone gratuito 1746. 

Os agrotóxicos são compostos químicos utilizados no setor da agricultura, como em florestas e lavouras, para preservar as espécies cultivadas na fauna e na flora, ao mesmo tempo que evitam prejuízos. Mas entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontam o uso dessas substâncias como prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana.

Os agrotóxicos podem ser produtos que combatem insetos, ervas daninhas, bactérias no solo, fungos, folhas indesejadas e roedores, e os danos à saúde são classificados, segundo a Anvisa, em classes de I a IV, e quanto menor o número da classificação, maior o risco de toxicidade.

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A nutricionista Marisa Graça explica que esses produtos, quando utilizados na dosagem correta, auxiliam no controle de pragas e doenças em plantios dos alimentos. Ela alerta que o uso indevido pode ocasionar diversos problemas crônicos, como alterações cromossômicas, doenças hepáticas, respiratórias, além de alterações neurológicas e cognitivas.

Em 2019, uma análise de alimentos feita pela Anvisa indicou que 23% dos produtos avaliados possuem altos níveis de agrotóxicos. O consumo dessas substâncias a longo prazo pode originar doenças, como o câncer. "Toxinas são depositadas no tecido adiposo, que são as células de gordura, e nosso organismo não consegue metabolizar. Esse processo também é responsável por diversas doenças neurológicas, autoimunes, depressão, diabetes e infertilidade", alerta a nutricionista.

Os agrotóxicos também podem ocasionar danos nas vias aéreas e pulmões, e com isso trazer desconfortos respiratórios. De acordo com o pneumologista João de Jesus, essas condições, ao serem somadas aos sintomas do coronavírus (Covid-19), podem levar ao desenvolvimento de uma forma grave da doença, com internações em UTI e cuidados para suporte intensivo.

"Se você está ou esteve exposto à inalação de agrotóxicos, procure evitar a contaminação, utilize equipamento de proteção individual se trabalhar com estes produtos e procure um pneumologista para avaliar sua função pulmonar", recomenda o médico.

Viver com a certeza de que está com a Covid-19 é tarefa difícil para os que têm diagnóstico confirmado. Mas e quando você apresenta os sintomas, faz o teste e não consegue confirmar se está infectado porque espera há 24 dias pelo resultado - que ainda não foi divulgado? Essa é a realidade de Lidiane Gomes Pereira e de seu esposo João Paulo Maciel Araújo.

Eles fizeram o teste no dia 19 de dezembro do ano passado, no Centro de Convenções, localizado em Olinda, Região Metropolitana do Recife. Lidiane lembra que, no dia que fez o teste, estava apenas com dor na garganta. No entanto, o seu marido apresentava mais sintomas: febre, coriza, dor de cabeça e tosse.

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Dias depois de fazer o teste, Lidiane Gomes precisou ser levada para uma Unidade de Pronto Atendimento por conta da piora de sua saúde. "No dia 26 (de dezembro) eu fui para a UPA com dificuldade para respirar e acabei ficando no isolamento, onde basicamente só tinha idosos com Covid-19. Bate umas paranoias do tipo: se eu não tinha, peguei agora", explica.

Diante desses sintomas e sem o resultado dos teste, o casal preferiu ficar em isolamento, mesmo sem a confirmação da Covid-19. Lidiane confirma que já entrou em contato com a Secretaria de Saúde de Pernambuco por três vezes pelo e-mail, mas escuta um pedido de desculpas pela demora e a instrução de que deve tentar no outro dia, depois das 15h. “Já cheguei a ir pessoalmente atrás do resultado que, segundo eles, saia com 10 dias úteis”, pontua a paciente.

Em resposta ao LeiaJá, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) disse que desde o início da pandemia tem trabalhado para ampliar a capacidade de testagem da população, assim como o processamento das amostras coletadas de pacientes suspeitos para o novo coronavírus.

A SES compara que, no final de março de 2020, a rede pública conseguia analisar, por semana, cerca de 770 exames de biologia molecular (RT-PCR). Contudo, agora esse quantitativo subiu para 21 mil por semana apenas no Laboratório Central de Saúde Pública de Pernambuco (Lacen-PE), além de mais 5,5 mil testes semanais processados nas unidades parceiras da rede.

A Secretaria de Saúde garante que após dar entrada no Lacen, as amostras são liberadas em até 72h. Mas, ressalta que os casos mais graves são priorizados. 

"Com a ampliação da população prioritária para testagem, assim como da abertura de novos centros estaduais de testagem, houve aumento da demanda de amostras recebidas pelo Lacen. Por isso, além das parcerias firmadas pela SES com outros serviços da rede, como a Fiocruz PE e UFPE, o Lacen também tem enviado material para outros laboratórios de referência do País ligados ao Ministério da Saúde", salienta a SES. 

A Secretaria Estadual de Saúde complementa que o prazo para recebimento dos resultados dessas amostras encaminhadas para outros Estados têm sido maior pela dinâmica de cada estabelecimento. 

Para otimizar a dinâmica de entrega de resultados de exames feitos nos centros de testagem estaduais, a SES-PE aponta que montou uma central de atendimento para envio dos resultados. A população pode entrar em contato com a central a partir do sétimo dia após o exame pelo (81) 3184.0008 ou 3184.0012, de segunda a sexta, das 8h às 17h, evitando deslocamento até os centros de testagem.

Com 303.512 casos e 7.339 mortes por covid-19 no Estado, segundo boletim da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), veja detalhamento aqui, o governador Helder Barbalho garante que o Pará está pronto para começar a vacinação. Na quinta-feira (7), Helder visitou a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, para conhecer as instalações e o processo de fabricação da vacina desenvolvida pela biofarmacêutica AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, da Inglaterra. 

O governador assegurou que o governo do Estado já preparou a logística de transporte e armazenamento para receber as vacinas, de acordo com o plano nacional de vacinação da covid-19. Durante a visita, a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, mostrou o trabalho da fundação em diversas áreas, e apresentou as ações desenvolvidas desde o começo da pandemia. Ela reforçou que o encontro foi importante para estreitar laços com o Pará. 

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Da Agência Pará.

O primeiro mês do ano marca a campanha Janeiro Verde, promovida para alertar a população sobre a prevenção ao câncer do colo do útero. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), esse tipo de tumor maligno é o terceiro que mais acomete mulheres e o quarto que mais leva as pacientes à morte no Brasil. Ainda segundo a entidade, em 2020, a expectativa era de que quase 16,6 mil brasileiras fossem diagnosticadas com a doença.

De acordo com o Inca, a maior responsável pela causa do câncer do colo do útero é a infecção contínua do Papilomavírus Humano (HPV), transmitido nas relações sexuais. Os tipos de HPV chamados de oncogênicos (16 e 18) são encontrados em 70% das pacientes. Segundo a médica do Centro de Oncologia do Paraná, Daiene Carvalho Casagrande, o acompanhamento clínico das mulheres que têm vida sexual ativa deve ser feito até os 64 anos. Ela afirma que, além do problema não ser de um público feminino específico, exames como papanicolaou ou citopatológico podem identificar tumores que, em geral, não apresentam sinais da enfermidade antes do estado avançado.

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"É uma doença de desenvolvimento lento, que pode não apresentar sintomas na fase inicial. As lesões pré-malignas causadas pelo HPV podem ser assintomáticas. Nos casos mais avançados, pode ocorrer sangramento vaginal intermitente [que vai e volta] ou após a relação sexual, secreção vaginal anormal, dor abdominal associada a queixas urinárias ou intestinais", explica a especialista Daiene. "Educação sexual, reforçando a importância do sexo seguro e comportamentos sexuais, também são medidas importantes de prevenção", complementa.

Segundo Daiene, além da vida sexual ativa, diversas ações podem elevar o risco da infecção, que causa a neoplasia entre o público feminino. De acordo com a médica, fumantes e as mulheres que têm doenças autoimunes estão entre as mais vulneráveis. "Alguns fatores que podem aumentar a chance são tabagismo, início da vida sexual precoce, multi-parceria sexual, mulheres com três ou mais gestações, presença de doenças auto-imunes em atividade, uso de medicamentos imunossupressores e a presença de outras doenças sexualmente transmissíveis", explica a médica.

Vacina

Para Daiene, embora haja possibilidade de acompanhamento clínico, as vacinas são os recursos mais eficientes para prevenir os casos de câncer do colo do útero. Segundo ela, os imunizantes atuam em duas frentes para garantir a eliminação do HPV. "São duas vacinas profiláticas contra o HPV: a quadrivalente, que confere proteção contra os HPV 6, 11, 16 e 18; e a bivalente, contra os HPV 16 e 18".

Ainda de acordo com a especialista, o aumento da cobertura vacinal contra o HPV reduziria os casos da doença de maneira considerável no Brasil. Segundo a médica, a aplicação nas pessoas que ainda não iniciaram a vida sexual seria fundamental para derrubar tanto o número de diagnósticos como o de mortes pela doença. "O maior benefício, com maior produção de anticorpos, acontece quando aplicadas em pessoas que não iniciaram a vida sexual. Se aumentarmos a cobertura vacinal, aliada a um sistema de rastreamento eficaz das lesões precursoras do câncer do colo do útero, vamos conseguir diminuir a incidência desta doença, que, se detectada no início, tem chance de 100% de cura", explica a médica.

Segundo o Ministério da Saúde, no triênio de 2014 a 2017, cerca de 72,5% das meninas com idade entre nove e 14 anos tomaram a primeira dose contra o HPV. Já para a segunda dose, apenas 45,1% das jovens desta faixa etária foram imunizadas.

Por acaso você viu, nos últimos dias, um prédio público ou algum monumento iluminado de roxo? Caso tenha visto, saiba que é uma forma chamar a atenção da sociedade para a hanseníase. O Janeiro Roxo foi criado em 2016 e tem o último domingo do mês como data símbolo. Nesse dia é celebrado o Dia Mundial de Combate e Prevenção da Hanseníase. São 30 mil novos casos da doença por ano no Brasil, que é o país com o segundo maior número de casos, perdendo apenas para a Índia.

Neste mês, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) vai divulgar, com apoio de médicos da área, material sobre a doença. Entre as informações, a descrição de sinais e sintomas da hanseníase e orientações sobre onde buscar diagnóstico e iniciar o tratamento. A hanseníase, segundo especialistas, é uma doença estigmatizada e cercada de preconceito.

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“Combater o estigma é salvar vidas. Por isso, queremos auxiliar a sociedade a compreender essa doença. Desfazer mitos e fazer prevalecer a verdade sobre a hanseníase são as principais formas de ajudar profissionais da área de saúde, familiares, amigos e principalmente aqueles que buscam por tratamento”, afirmou o vice-presidente da SBD, Heitor Gonçalves.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM), a partir de dados do Ministério da Saúde, a doença é mais frequente nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte, que respondem por quase 85% dos casos do país. O Brasil concentra mais de 90% dos casos da América Latina.

A campanha de 2021 tem como slogan: A hanseníase é negligenciada, mas a saúde não!. Além da SBD, participam da campanha de esclarecimento à população as secretarias de Saúde dos estados, o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB), a Confederação Nacional de Municípios (CNM), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

“Os portadores da doença eram, até a década de 70, excluídos do convívio social e condenados ao confinamento em colônias”, explica o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase, em seu site. A hanseníase é uma doença causada pela bactéria Mycobacterium Leprae que atinge os nervos e se manifesta na pele.

Apesar do passado triste envolvendo a hanseníase, a doença tem cura, seu tratamento é simples e custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). E tão logo ele seja iniciado, a doença deixa de ser transmissível. O tratamento pode ser buscado, no caso da rede pública, em postos de saúde ou com uma equipe de saúde da família.

Sintomas

Os sintomas da doença aparecem, principalmente, nas extremidades das mãos e dos pés, no rosto, orelhas, nádegas, costas e pernas. São manchas esbranquiçadas, amarronzadas ou avermelhadas, com perda de sensibilidade ao calor, ao toque e à dor. É possível uma pessoa queimar a pele na chama do fogão ou em uma superfície quente e sequer perceber. A sensação de formigamento também é um sinal da doença.

Outros sintomas são sensação de fisgada, choque, dormência e formigamento ao longo dos nervos dos membros; perda de pelos em algumas áreas e redução da transpiração; redução de força na musculatura das mãos e dos pés; e caroços no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos. Condições precárias de moradia e saneamento favorecem a ação da Mycobacterium Leprae.

Quem tem diagnóstico para hanseníase deve começar a tomar os medicamentos prescritos de imediato. O tratamento deve ser seguido à risca. As pessoas que convivem com pacientes diagnosticados com a doença devem ser examinadas pelo médico.

“A prevenção consiste no diagnóstico e tratamento precoces, o que ajuda a evitar a transmissão e o consequente surgimento de novos casos. Precisamos frisar: hanseníase tem cura e quanto antes o tratamento for iniciado, menor o risco de sequelas”, afirmou Sandra Durães, coordenadora do Departamento de Hanseníase da SBD.

O tenente-coronel da reserva do Exército, Jorge Luiz Korman, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para ser diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), está internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com Covid-19.

A indicação de Korman para a Anvisa ainda não foi analisada pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado e, atualmente, Korman é secretário-executivo adjunto do Ministério da Saúde.

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Segundo o Valor, o tenente-coronel foi um dos defensores da mudança interna no método de pesquisa e diagnósticos e mortes provocadas pela Covid-19. O site aponta que ele alegava que a metodologia não retratava a realidade da pandemia no país.

Essa modificação atingiu a credibilidade dos número oficiais da situação pandêmica no Brasil e resultou na apuração independente por meio do consórcio de veículos de imprensa.

Enfermeira na Policlínica de Florianópolis, Adriane Sônia Martins, de 41 anos, usava seu conhecimento sobre a Covid-19 para proteger os parentes. Militante das medidas de prevenção, não imaginava que veria o problema atingir sua família. Em outubro, ela e o marido, Antônio Martins Filho, se contaminaram. Adriane teve sintomas, mas se recuperou em casa. Ele foi para o hospital e não resistiu.

O relaxamento das estratégias restritivas para conter a pandemia - que vem resultando em mais casos e mortes pela Covid-19 no Brasil - expôs quem tinha conseguido se cuidar nos primeiros meses de pandemia. De Norte a Sul do País, familiares de vítimas relatam angústia.

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Com 43 anos, Martins Filho era motorista do Departamento de Trânsito da prefeitura de Florianópolis, sem comorbidades e "jogava os 90 minutos" de futebol toda semana. Por medo do vírus, tinha se afastado do esporte. Lavava todas as compras do supermercado e era visto pelos amigos como medroso.

Ao ser contaminado, desenvolveu hipoxemia silenciosa, sem sintomas nem falta de ar. "Agravou de um dia para o outro, com febre. Na tomografia, o resultado deu 50% do pulmão comprometido sem ele sentir nada. No dia seguinte, a saturação começou a cair", diz Adriane.

"Foi a pior notícia da minha vida, eu tinha muita esperança na recuperação dele. Pelos meus conhecimentos, sabia que poderia ficar com sequelas, mas tudo parecia reversível", conta a viúva.

"Trabalhei tanto pela conscientização e tive essa grande perda na minha vida." Martins Filho passou 17 dias entubado na UTI do Hospital Baía Sul, na capital catarinense, lutando contra a infecção que sufocou o pulmão e os planos da família.

Ainda afastada do trabalho, a enfermeira diz que não sabe como vai ser a volta às atividades. "Tenho ódio de olhar as pessoas nas ruas se aglomerando e pena dos meus colegas, que estão esgotados. Eu sempre escutei muitas piadinhas de pacientes, tipo: 'essa doença é coisa para derrubar o governo'; 'é coisa da mídia lixo'. Isso já me deixava muito triste."

Na família Carvalho, em Belo Horizonte, a esperança de que seria possível vencer o novo coronavírus durou só algumas horas. "O médico ligava toda noite para dar notícias. Um dia disse: 'o quadro é favorável'. Na madrugada do dia seguinte: 'ele não resistiu'". O professor e administrador público João Victor Teodoro Carvalho, de 22 anos, relata assim os últimos momentos do pai, o consultor de material de construção José Márcio de Carvalho, de 58 anos.

Dos quatro integrantes da família, pai, filho e mãe - a dona de casa Bernadete Júnia, de 56 anos - ficaram doentes no início de dezembro.

Na segunda semana de sintomas, o pai apresentou febre alta e palpitação. José Márcio, que era diabético e tinha sobrepeso, já tinha ido ao hospital, mas resolveu consultar o médico de novo. "Na segunda vez, já mediram a saturação e viram que estava baixa. O levaram para o oxigênio, depois para o CTI, mas na madrugada do dia 27 teve parada cardiorrespiratória e morreu. É uma doença traiçoeira", lamenta João Victor.

Em Manaus, 17 dias separaram a morte do casal Miguel da Silva Peixoto, de 74 anos, aposentado, e Rose Arcângela Silva, de 59, funcionária pública federal. "Nossa família foi totalmente destruída", diz Anne Gabrielly, a filha mais velha.

Quando todos em casa tiveram febre, dor de cabeça e cansaço, a família recorreu a um kit comumente receitado no Amazonas durante a crise sanitária, com vitaminas, inalação, ivermectina e azitromicina. Essas medicações não têm eficácia cientificamente comprovada para a Covid-19. Os filhos tiveram sintomas leves, mas Rose acordou mal em 3 de setembro, quando foi levada ao hospital e imediatamente internada, já com 70% dos pulmões comprometidos. Hipertenso e diabético, Miguel teve piora e morreu logo depois.

O Brasil registrou um caso de reinfecção pelo coronavírus (SARS-CoV-2) com a mutação E484K. A paciente de 45 anos que vive em Salvador é o primeiro caso catalogado no mundo. A descoberta foi feita por pesquisadores brasileiros e publicada em versão preprint e aguarda revisão por pares na revista científica The Lancet Infectious Diseases.

Segundo pesquisadores do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), a paciente não tinha comorbidades e foi infectada pela primeira vez em 20 de maio e adoeceu pela segunda vez em 26 de outubro, com um quadro mais severo. Nas duas vezes o diagnóstico foi dado através de testes RT-PCR e após a segunda ocorrência, quatro semanas depois, a paciente passou por um teste de IGg com confirmação de anticorpos. 

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“Trata-se do primeiro caso de reinfecção por SARS-CoV-2 no Estado da Bahia, confirmado por sequenciamento. Foi observada, na sequência genética do vírus presente no segundo episódio, a mutação E484K, que é uma mutação identificada originalmente na África do Sul e tem causado muita preocupação no meio médico, pois ela pode dificultar a ação de anticorpos contra o vírus. Esta mutação foi recentemente identificada no Rio de Janeiro, mas é a primeira vez, em todo o mundo, em que é associada a uma reinfecção por SARS-CoV-2”, explicou Bruno Solano, pesquisador à frente do estudo, realizado na unidade regional do Instituto, no Hospital São Rafael, em Salvador, ao jornal Correio Brasiliense. 

A descoberta foi feita através do isolamento dos vírus em laboratório, permitindo que os pesquisadores analisassem o genoma das cepas do primeiro e segundo episódios de infecção e comparar ambos, associando-os com outras sequências de vírus encontrados no país. Isso permitiu concluir que as duas infecções ocorreram em um intervalo de 147 dias com linhagens distintas de vírus em cada uma, com a nova mutação presente no segundo episódio. 

“A descoberta serve de alerta e reforça a necessidade de manutenção das medidas de controle da pandemia, com distanciamento social e a necessidade de acelerar o processo de vacinação, para reduzir a possibilidade de circulação desta e de possíveis futuras linhagens que, ao acumular mutações, podem vir a se tornar mais infectantes, inclusive para indivíduos que já tiveram a doença”, destaca o pesquisador.

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Um levantamento realizado pela Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) de São Paulo aponta que, entre os meses de julho de 2020 e o início de janeiro de 2021, quase 25,6 mil pessoas foram advertidas pelo não uso ou emprego incorreto da máscara de proteção nas ruas da cidade. O item, que impede a proliferação e a captação de possíveis organismos transmissores de vírus, é considerado eficaz contra a disseminação do causador da Covid-19.

Além de orientar a população que não cumpre as recomendações das autoridades de saúde, os dados da Covisa também mostram que o órgão abordou mais de 12,9 mil estabelecimentos comerciais em toda a cidade. Nas visitas às empresas, os agentes reforçaram as campanhas de conscientização relacionadas ao cumprimento das normas sanitárias. De acordo com a Prefeitura de São Paulo, até o último dia 27 de dezembro, pouco mais de 1,3 mil comércios foram interditados por terem desobedecido à determinação do poder público em tempos de pandemia.

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Segundo a Covisa, as ações são educativas e reiteram a importância da utilização da proteção de maneira correta, em consonância com os procedimentos internacionais apresentados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Conforme as orientações, a máscara deve cobrir completamente o nariz, boca, queixo, além de estar bem ajustada ao rosto e sem folgas nas laterais. O item não deve ser compartilhado, e o usuário não deve tocar a parte frontal, de modo que a retirada do objeto deva ser feita pelas alças que contornam as orelhas.

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