Notícias

| Ciência e Saúde

Através do programa Oftalmologia nas Comunidades, a Prefeitura de Olinda, na Região Metropolitana do Recife, irá ofertas exames para diagnosticar catarata e glaucoma. Os exames são voltados para pessoas com idade a partir dos 50 anos.

A atividade será realizada na quarta-feira (23), das 8h às 12h, na Associação Cultural Boi Menino, localizada ao lado da Unidade de Saúde da Família Cohab/Peixinhos, na Avenida Nacional, 390.

##RECOMENDA##

Serão disponibilizadas 93 consultas, através de demanda espontânea. O interessado precisa apresentar encaminhamento do oftalmologista e que seja cadastrada no SUS de Olinda.

Caso o paciente seja diagnosticado com a doença, a clínica oftalmológica de referência conveniada com a Secretaria de Saúde de Olinda fará a regulação e acompanhará com consultas, exames complementares e cirurgia de catarata, caso seja necessário.

Em um movimento raro no setor, três das farmacêuticas que lideram a corrida pela vacina contra o novo coronavírus divulgaram os "blueprints", espécie de planos de estudo e testes, com informações detalhadas dos protocolos. A decisão da AstraZeneca, da Pfizer e da Moderna ocorre em um momento de altas expectativas sobre resultados positivos, que ganha espaço especialmente na corrida eleitoral americana. Os imunizantes das três empresas estão na fase 3 de estudos, com testes em humanos.

Entre as informações divulgadas, estão detalhes sobre a seleção e monitoramento de voluntários, condições para a interrupção dos testes e evidências que serão consideradas pelos pesquisadores para aferir se a vacina é efetiva e segura. Esse tipo de informação, normalmente, só é divulgada quando os estudos estão completos. Mas nesses materiais, há, como ressaltou reportagem do jornal americano The New York Times, estimativas sobre datas para a conclusão das pesquisas.

##RECOMENDA##

Os blueprints revelam, por exemplo, que um total de 151 casos confirmados entre as dezenas de milhares de participantes do ensaio é suficiente para comprovar que a vacina da Moderna é 60% eficaz, segundo a reportagem do jornal americano. No caso da Pfizer, para chegar à mesma conclusão, são necessários 164 casos.

A eficácia pode ser, contudo, atestada antes disso por um painel de especialistas. No caso da Moderna, por exemplo, poderia ocorrer quando chegar a 53 casos se for atestada uma eficiência de 74%, ainda conforme informações do The New York Times. Isso porque há um entendimento de que não seria ético continuar expondo os participantes do estudo que tomaram placebo em vez da vacina.

Por outro lado, um comitê de segurança também pode pausar um estudo, como ocorreu recentemente com a AstraZeneca, após ser reportado um caso adverso sério, que, segundo a empresa, seria de uma paciente que desconhecia ter doença pré-existente. Uma das críticas que a companhia recebeu é das poucas informações sobre esse caso e de outro participante com reação adversa, que também teria apresentado um problema neurológico. Os testes do imunizante, desenvolvido em parceria com a Universidade de Oxford (Reino Unido), chegaram a ser interrompidos, mas foram retomados após análise de um comitê externo.

Debate político não pode contaminar pesquisa, dizem especialistas

A maior transparência de uma parte das pesquisas é elogiada, mas também há preocupação da comunidade acadêmica para que essa corrida não se contamine por discussões ideológicas e pressões geopolíticas, como ocorreu com alguns medicamentos na pandemia. Para especialistas ouvidos pelo Estadão, é compreensível que o ritmo dos estudos ocorra de modo mais acelerado por causa do alcance e gravidade da crise sanitária, mas é necessário o acompanhamento dos resultados tenha um mínimo de tempo. Portanto, prever cronogramas precisos para vacinação em massa em 2020 não é uma perspectiva considera responsável.

"Três meses é um período muito curto para avaliação. Não só da questão de segurança, de eventos adversos, mas também da duração", destaca Ricardo Gazzinelli, presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia. "Uma vacina que tem eficácia por três meses pode ser que não tenha em seis meses ou um ano. Uma eficácia de três meses não tem muito valor." Segundo ele, vacinas levam uma média de 10 anos para serem desenvolvidas, com casos mais céleres em quatro anos. "A tecnologia avançou muito, permitiu ser mais rápido. Temos que tentar ter o mais rápido possível, mas tudo tem que ter limite." Um dos pontos que destaca é o de eficácia mínima entre imunizados, determinada em 50% nos Estados Unidos. "É uma eficácia muito baixa. Mas o que vai ser feito no Brasil? O Ministério (da Saúde) tem de pronunciar sobre isso. É importante ter esse debate de maneira mais aberta."

Sobre celeridade, Gazzinelli também cita como exemplo para a recente confirmação de um segundo caso de possível reação adversa neurológica envolvendo participantes do estudo de Oxford com a AstraZeneca, que teve pausa após o primeiro registro. "Pode ser que não tenha nada a ver, mas pode ser que tenha. A casuística toda fala da doença em uma pessoa a cada 230 mil, e são dois casos em 18 mil voluntários."

Outro motivo de preocupação é que uma tema científico seja poluído por discursos políticos e ideológicos, a exemplo do que se viu com medicamentos que passaram por estudos iniciais para o tratamento, como a cloroquina e a ivermectina. Na corrida eleitoral americana, isso já é perceptível por parte do presidente, Donald Trump, que chegou a prometer, na semana passada, vacina para outubro.

"Meu receio é que incorra no mesmo erro. Já tivemos prejuízos muito sérios na discussão do tratamento", ressalta a infectologista Raquel Stucchi, professora da Unicamp. "Novas vacinas sempre passam por uma questão econômica. Agora, se soma uma pressão política pela urgência em se liberar alguma coisa, até para render votos em eleições próximas. O que deve ficar claro para todos é que a ciência não pode pular etapas."

Para ela, agora não é o momento de prometer datas para iniciar a imunização. "Isso é um erro muito grande, ilusório. Você não pode fazer isso se não tem o resultado ainda", reitera. "Pode trazer outro prejuízo que é o entendimento de pessoas de que se pode esquecer de tudo (de medidas de prevenção) porque vai ter vacina daqui um mês, como se a pandemia tivesse acabado."

Raquel destaca, ainda, que uma possível vacina pode ter efeitos distintos em diferentes grupos, tanto por faixa etária quanto pela presença de comorbidades. Mais do que isso, a proteção ainda dependeria de certo intervalo após a aplicação de todas as doses. "O que não pode acontecer é se precipitar e acabar colocando em descrédito todo um trabalho de décadas (com vacinação)."

Ao The New York Times, o diretor científico da Moderna, Tal Zaks, chegou a dizer que a farmacêutica decidiu ser "transparente ao ponto de desconforto" sobre os passos para o desenvolvimento de uma possível vacina. Posicionamento semelhante é compartilhado por outras empresas que também estão na corrida, tanto que ao menos três divulgaram dados e protocolos da pesquisa.

Em nota ao Estadão, por exemplo, AstraZeneca defende uma "abordagem consistente para o compartilhamento adequado de informações dos estudos clínicos em tempo hábil, sem comprometer a confidencialidade ou a integridade dos estudos". A resposta da Pfizer vai no mesmo caminho. "Em momentos de pandemia, a transparência dessas informações se faz ainda mais importante, dando visibilidade para toda a sociedade, em âmbito global", destaca.

Professor e pesquisador do Centro de Tecnologia em Vacinas da UFMG, o virologista Flávio da Fonseca comenta que estudos sobre vacinas costumavam levar alguns meses para terem resultados divulgados dentro da própria comunidade científica. "Isso se alterou bastante na pandemia. A gente tinha como acompanhar, mas não em tempo real. Era um pouco ‘atrasado’, após o processo de publicação (que passa por avaliação e outras etapas) em revista científica, que leva meses." A Rússia, que desenvolve a vacina Sptunik V, foi alvo de críticas de cientistas após divulgar o registro para o imunizante antes de divulgar detalhes das fases 1 e 2 dos testes, o que foi feito semanas depois no periódico médico Lancet.

Nesse cenário, a divulgação de resultados varia de revistas tradicionais até espaços de publicação na internet (em formatos chamados de preprints) e até próprios (como os blueprints). "É até compreensível realmente essa necessidade aceleração. Nunca se gerou tantos dados com velocidade tão pequena, que, às vezes, é incompatível com a publicação", argumenta o professor.

Outro ponto, é que esse debate nunca teve tanto espaço no cotidiano da população não científica, o que requer ações para evitar a disseminação de desinformação, boatos e fake news. "Vai ser necessário para todos os setores, laboratórios, parte governamental, trabalhar a conscientização", diz. "Esse movimento antivacina não é trivial, não é pequeno."

Para a biomédica Mellanie Fontes-Dutra, doutora em Neurociência, o aumento da transparência não só ajuda nesse processo quanto também na confiabilidade dos resultados, que podem ser analisados por especialistas que não têm relação direta com os estudos. "Gente da comunidade científica acaba fazendo perguntas, pedindo esclarecimentos extras de algo que não ficou bem entendido", exemplifica.

"Isso faz com que ciência seja construída de forma colaborativa, com mais gente contribuindo metodologicamente nas formas de análise, na vigilância", comenta a biomédica, que também coordena a Rede Análise Covid-19, que coleta, analisa e modela dados relativos à covid-19. Ela cita o exemplo da vacina russa.

"A não publicação de dados antes de autoridades anunciaram que iriam vacinar a população deixou a comunidade científica preocupada. O estudo da fase 3 não estava catalogado. Ainda quando dados vieram, não vieram dados numéricos, com gráficos sem números", comenta. "A melhor forma evitar polêmica mais transparente possível."

Para ampliar a testagem da Covid-19 em Pernambuco, o secretário de Saúde André Longo anunciou que, durante esta semana, o centro de testagem localizado no Centro de Convenções, em Olinda, Região Metropolitana do Recife, estará aberto ao público sem a necessidade de marcação prévia.

A divulgação foi feito na tarde desta segunda-feira (21), durante coletiva online. Secretário de Saúde não deu exatidão de quando a população já contará com esse serviço, sem a necessidade do agendamento. "Ele vai estar funcionando no modelo de "drive-thru" e pode ser procurado pela população diretamente", salienta Longo.

##RECOMENDA##

Com dados atualizados até o último sábado pelo Gabinete de Crise da Covid-19, os indicadores de casos, óbitos e demanda do sistema de internamento apresentam queda em quatro meses seguidos em Pernambuco. No mês de março, o vírus começou com 292 casos, fez uma trajetória de crescimento no mês de abril com 7.300 casos grave, chegando ao seu maior patamar durante o mês de maio, com 8.447 casos graves da Covid-19.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (21), em coletiva online realizada pelo Governo de Pernambuco. A partir do mês de junho, começa a ser observado uma redução nos números, conforme divulgado pelo secretário de Planejamento e Gestão, Alexandre Rebelo. "Junho, julho e agosto, ou seja, três meses seguidos de redução, mais o mês de setembro", analisa. Os dados do mês de setembro apontam até a última sexta-feira (19).

##RECOMENDA##

Quando comparado por semana epidemiológica, as semanas 36,37 e 38, que correspondem às semanas do mês de setembro, também apresentam redução de casos. O secretário de Planejamento acentua que, mesmo com a iniciação do plano de convivência com a Covid-19, os números de casos, óbitos e demanda por internação não cresceram e continuaram no ritmo de queda, ou estabilização. 

Os números de óbitos também foram destacados durante a coletiva online. No mês de março, com o início dos casos registrados, Pernambuco somou 13 óbitos causados pelo novo coronavírus - no mês de abril, o estado alcançou o número de 1.074 óbitos. Maio foi o mês que o estado mais registrou óbitos causados pela Covid-19, foram 3.184 pessoas que perderam a vida para o novo coronavírus.

Nos meses seguintes, esses óbitos diminuíram, chegando a 213 óbitos até o último domingo 20 de setembro.

Foto: Júlio Gomes/LeiaJá Imagens/Arquivo

A demanda pelo sistema de saúde também é usado para saber como está a situação pandêmica em Pernambuco. Ainda conforme explanado pelo secretário Alexandre Rebelo, as solicitações de UTI vem caindo desde o mês de junho. O maior pico das solicitações de internamento aconteceu em maio deste ano, quando 3.733 internamentos foram solicitados. Até o dia 20 deste mês, Pernambuco registrou 1.215 solicitações de UTI.

A demanda sobre o sistema de saúde "é a primeira a ser atingida, num aumento ou redução dos casos. Primeiro a pessoa sente um sintoma, depois ela procura o médico, e a partir da sua avaliação ele chega a demandar uma UTI, se for o caso, e é feita a internação", explica o secretário de Planejamento. Na última semana de setembro foram solicitados 390 internações para tratar da Covid-19 no estado.

O Governo de Pernambuco demonstra que a redução dos casos graves, internamento e óbitos provocados pela Covid-19 acontece em todo o território pernambucano. Os momentos de redução da curva epidemiológica são diferentes nas regiões, mas, segundo Alexandre, isso é natural. "Essa doença chegou aqui pela capital, se estabeleceu na Região Metropolitana, depois foi se interiorizando. Foi o mesmo movimento que aconteceu no país inteiro", salienta.

Estudo achou ligação entre a disseminação do SARS-CoV-2 e surtos de dengue no Brasil, sugerindo que a exposição à doença transmitida pelo mosquito pode fornecer alguma imunidade contra a COVID-19.

A agência Reuters teve acesso aos resultados da pesquisa, liderada por Miguel Nicolelis, professor da Universidade Duke, EUA, ainda não publicada, que comparou a distribuição geográfica no Brasil dos casos do novo coronavírus com a disseminação da dengue em 2019 e 2020.

##RECOMENDA##

"Essa descoberta surpreendente levanta a intrigante possibilidade de uma reação imunológica cruzada entre o vírus da dengue e o SARS-CoV-2 […]. Se for provada correta, essa hipótese pode significar que a infecção pela dengue ou a imunização com uma vacina eficaz e segura contra a dengue poderia produzir algum nível de proteção imunológica" contra o novo coronavírus, sublinha o cientista.

O estudo descobriu que locais com taxas mais baixas de infecção pelo novo coronavírus e com crescimento mais lento de casos de COVID-19 foram os locais que sofreram intensos surtos de dengue neste ano e em 2019.

Nicolelis afirma que os resultados são particularmente interessantes porque pesquisas anteriores mostraram que pessoas com anticorpos da dengue podem apresentar resultados falsamente positivos para anticorpos do SARS-CoV-2, mesmo que nunca tenham sido infectadas pelo novo coronavírus.

"Isso indica que há uma interação imunológica entre os dois vírus que ninguém poderia esperar, porque os dois vírus são de famílias completamente diferentes", ressalta o cientista, acrescentando que mais estudos são necessários para provar a conexão.

Descoberta por acaso

A equipe de Nicolelis encontrou uma relação semelhante entre surtos de dengue e uma propagação mais lenta de COVID-19 em outras partes da América Latina, bem como na Ásia e nas ilhas dos oceanos Pacífico e Índico.

O cientista explica que sua equipe se deparou com a descoberta da dengue por acidente, durante um estudo sobre a disseminação da COVID-19 pelo Brasil, quando constataram que as rodovias tiveram um papel importante na distribuição dos casos pelo país.

Depois de identificar alguns pontos sem casos no mapa, a equipe procurou possíveis explicações. Um avanço ocorreu quando compararam a disseminação da dengue com a do coronavírus.

"Foi um choque. Foi um acidente total […]. Na ciência, isso acontece, você está atirando em uma coisa e acerta um alvo que nunca imaginou que acertaria", comenta Nicolelis.

Da Sputnik Brasil

O governo federal lançou nesta segunda-feira (21) uma cartilha de brincadeiras para crianças com transtornos do espectro autista (TEA), para marcar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado nesta segunda-feira (21). O documento, elaborado por terapeutas educacionais especializados em integração sensorial, traz orientações de atividades a serem desenvolvidas em casa e visa auxiliar as famílias nesse período de afastamento social.

“A cartilha ensina como modular as necessidades específicas da criança com autismo com coisas que a família vai ter independente da classe social, do lugar que mora, como frutas e peças de vestimenta”, explicou, em entrevista à Agência Brasil, o coordenador-geral de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, José Naum de Mesquita Chagas.

##RECOMENDA##

De acordo com ele, nesse contexto de reclusão em razão da pandemia da covid-19, as famílias têm vividos conflitos no meio em que vivem porque muitas pessoas não compreendem as peculiaridades das crianças com TEA. “É importante que a sociedade reconheça e aceite essa característica individual da criança com autismo, no sentido de auxiliar a convivência, já que esse processo ajuda a modular essa criança para que ela vivencie menos momentos críticos durante esse tempo e consiga se integrar melhor”, disse.

O autismo é, em geral, marcado por distúrbios na interação social, dificuldades na comunicação e questões comportamentais, como ações repetitivas. Por ser um transtorno com diferentes níveis de comprometimento, recebe o nome de espectro autista.

A cartilha estará disponível na página do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Campanha

No Brasil, mais de 45 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência, o que corresponde a quase 24% da população, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para marcar o dia, o ministério realizou um evento virtual para conscientizar sobre a importância da inclusão das pessoas com deficiência na sociedade.

Além da cartilha, foi lançada a campanha Eu Respeito!, iniciativa que convida pessoas anônimas e famosas, com ou sem deficiência, a gravarem vídeos falando que respeitam alguma particularidade do universo das pessoas com deficiência. “Essa campanha vai trabalhar a questão dos direitos básicos do dia a dia, como, por exemplo, acesso a áreas de estacionamento, que não é privilégio, mas uma necessidade, é uma equiparação de oportunidades visto as dificuldades elevadas de uma pessoa com deficiência em detrimento a uma que não tem”, disse Chagas.

Para o coordenador, a sociedade brasileira já está em uma geração de transição, em que conceitos de que a deficiência é uma desvantagem estão ficando para trás. “A deficiência é uma característica pessoal, assim como nossa altura, tom de pele, tipo de cabelo, que não agrega e nem diminui valor. O que somos é um conjunto de nossas características e não apenas uma delas”, destacou.

Segundo Chagas, a inclusão escolar fortalece muito esse processo de mudança pragmática na sociedade. “Antes, as pessoas com deficiência eram segregadas, então as pessoas sem deficiência não tinha a oportunidade de vivenciar e aprender em conjunto. A inclusão possibilita que essa criança sem deficiência já absorva essa naturalidade, de integrar, de ter amizades com outro menino ou menina com deficiência como qualquer outro”, explicou.

Ele destacou ainda que essas conquistas iniciais não se deram sozinhas, mas pelo mérito e luta dos movimentos das pessoas com deficiência, que têm pautado o assunto ao longo dos anos.

Reconhecido como um dos maiores sistemas de saúde pública do mundo, o Sistema Único de Saúde (SUS) completa neste sábado (19) 30 anos. Na avaliação do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o SUS se tornou essencial. "Não existe outra saída para o nosso país com relação à saúde, que não seja o Sistema Único de Saúde forte e eficiente", disse. Os próximos 20 anos, acrescentou, já estão em elaboração pela pasta "Estamos montando ações estruturantes com projetos estratégicos em todas as áreas, como Saúde Digital, Projeto Genoma, entre outras, que estão sendo finalizadas", disse o ministro.

Na avaliação do ministério, com a pandemia do novo coronavírus (covid-19), é possível constatar a força e importância do SUS, que atende cerca de 70% da população. Sob a gestão e união dos três entes – governo federal, estados e municípios – a pasta diz que foi possível garantir assistência aos pacientes infectados pela covid-19 e o atendimento daqueles que necessitam de tratamentos especializados.

##RECOMENDA##

O presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), César Eduardo Fernandes, faz ressalvas sobre o enfrentamento da atual pandemia. Para ele, a resposta do SUS foi “de razoável para boa”. O médico exaltou o fato de muitos hospitais terem sido reequipados e as equipes de saúde recompostas nos últimos meses, mas levantou dúvidas se esses ganhos serão mantidos ou se voltarão ao estágio pré-pandemia.

Fernandes acrescentou que a resposta poderia ter sido mais eficiente se a atenção básica não tivesse perdido investimentos ao longo dos últimos anos. “Nesse período de pandemia, os profissionais estariam mais preparados para dar o primeiro atendimento e uma filtragem correta desses casos, não haveria necessidade dessa ida em massa para os serviços hospitalares”, avaliou.

Desafios

Entre os grandes desafios do SUS, na avaliação do próprio Ministério da Saúde, estão a oferta de serviços e a parte financeira. Em meio à demanda sempre crescente, especialistas da pasta admitem que o serviço precisa ser eficiente para atender em quantidade adequada e em tempo oportuno todas essas demandas e necessidades. Eles acreditam ainda que os recursos também precisam ser distribuídos de forma a alcançar o melhor resultado possível.

Alvo frequente de desvios por fraudadores, a responsabilidade com os recursos públicos também são desafiadores. "Precisamos ter efetividade, transparência e responsabilidade pelo recurso público, pois não estamos falando de dinheiro, estamos falando da saúde das pessoas", defende o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Ganhos

Sobre a eficiência do SUS, o presidente da Associação Médica avaliou que em 30 anos de existência o sistema público de saúde conseguiu oferecer serviços de excelência em algumas áreas, mas ainda sofre com a precarização. Na avaliação do médico, é preciso investir mais na carreira dos profissionais de saúde e na atenção básica.

“Nós não podemos ficar apenas com essas ilhas de excelência em grandes centros, grandes capitais e regiões mais desenvolvidas. Nós temos que interiorizar o SUS”, defende Fernandes, ao falar dos desafios que a saúde pública ainda tem que enfrentar no país.

As unidades básicas de saúde e os médicos da família têm que ser também um dos focos dessa expansão, disse César Fernandes. “O que tem que ser fortalecido Brasil afora são as unidades básicas de saúde. É ali que o paciente chega, que se faz o primeiro atendimento, o diagnóstico e que se começa o tratamento”, destacou.

O médico ressalta a importância de também haver investimentos na carreira pública da classe. “A nossa questão não é falta de médicos, é construir possibilidades para que o jovem médico, bem formado, tenha atratividade para ir para os pequenos centros e as cidades mais longínquas. Temos que criar a figura do médico de Estado, assim como tem a carreira no Judiciário”, exemplificou.

O Instituto Butantan, na Zona Oeste de São Paulo, receberá nos próximos dias, cinco milhões de doses da Coronavac, como foi apelidada a vacina contra a Covid-19 em estágio parcialmente desenvolvido. A vacina “agranel” trata-se de um material a ser elaborado, envasado e distribuído pelo laboratório nacional. O laboratório chinês Cinovac, que co-produz o medicamento com a equipe do Instituto, enviará as doses ao Brasil até outubro.

Além disso, 15 milhões de doses da vacina chinesa, envasadas e prontas para distribuição, já estão sob negociação. Quanto às vacinas para desenvolvimento no Brasil, elas serão envasadas e terão o formato necessário para aplicação, porém, ainda dependem da finalização dos testes e aprovação, que será concedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As doses extras devem ficar prontas até março do ano que vem.

##RECOMENDA##

O Instituto já havia divulgado a informação de que produz a vacina junto ao laboratório chinês, e estima-se que, até o fim deste ano, todas as doses prontas já estejam em território nacional. A informação foi compartilhada à imprensa em 12 de agosto, através de coletiva no Palácio dos Bandeirantes. 

Em paralelo, o Instituto Butantan já começou a movimentação para dobrar a fabricação das vacinas. O governador de São Paulo, João Doria, afirmou que empresas já doaram R$ 115 milhões dos R$ 160 milhões que são necessários para a produção.

Como consequência das mortes causadas pela pandemia do coronavírus (Covid-19) muitas pesoas foram obrigados a lidar com a dor da perda de seus entes queridos. Apesar de o luto ser um processo que faz parte da vida humana, há situações em que ele não é elaborado de maneira apropriada, quando então pode trazer prejuízos à saúde mental. 

“Especialistas afirmam que o luto se cura sozinho em um espaço de duas semanas, onde a pessoa já demonstra sinais de religação com o mundo exterior”, comenta o psicólogo e diretor do Instituto de Saúde Mental e Comportamento (ISMC), Diogo Bonioli.

##RECOMENDA##

Durante o processo de luto, a libido, que funciona como a energia que fortalece a vontade de viver de um indivíduo, fica desprovida de prazer. A consciência tenta proteger o ser humano da perda e do desprazer. “Esse processo é o que vemos como um recolhimento ou tristeza. No entanto, dentro de duas semanas, a libido começa a dar sinais de ligação a novos objetos externos e de religação aos antigos, indicando que a pessoa está lidando de modo saudável”, explica o psicólogo.

Por se tratar de uma dor pessoal, apenas as experiências passadas do próprio enlutado podem auxiliá-lo nesse momento, contudo, é importante a companhia e atenção de outra pessoa, que deve observar se o indivíduo está realmente de luto, ou se o caso não se transformou em uma melancolia.

“Caso estejamos diante de uma melancolia, será de extrema importância a companhia até o consultório de psicologia ou psiquiatria e uma vigilância sobre as necessidades básicas da pessoa tal como comer, tomar banho e vigiar sono”, aconselha Bonioli.

De acordo com o psicólogo, esse procedimento deve ser realizado pois o paciente melancólico corre o risco de prejudicar a própria vida em função do luto. O estado de luto, por si só, não leva ninguém a precisar de ajuda psicológica, mas o estado de melancolia já indica que a pessoa precisa cuidar da saúde mental.

“Melancolia é uma experiência de morte do próprio enlutado, por ter perdido o motivo do seu luto. Assim, o luto do melancólico é duplo, pois sofre a morte e a perda do seu objeto de desejo”, descreve Bonioli. O psicólogo destaca que o luto só vai necessitar de ajuda profissional no momento em que enlutado não superar a própria morte simbólica.

A fumaça das queimadas no Pantanal que chegou a São Paulo na quinta-feira, 17, pode ter um impacto grave na saúde da população paulistana. Junto com o ar seco e ao tempo frio, a fuligem presente no ar se torna um risco especialmente preocupante para idosos, fumantes e pessoas com doenças respiratórias crônicas.

"Isso coincide com um período que é complicado. Sempre que a gente tem o ar frio, seco e poluído é a pior condição para quem tem doenças de via respiratória. E essa fumaça que vem é um problema ambiental mundial, mas que está chegando a São Paulo agora, que já é uma cidade com alto índice de poluição", explica Silvio Cardenuto, médico assistente do pronto socorro da Santa Casa.

##RECOMENDA##

Essa tríade de más condições no ar (seco, frio e poluído) atinge principalmente os grupos de risco citados acima e pode agravar quadros de bronquite e rinite crônicas, asma, idosos com "pulmão senil", gestantes, pessoas imunossuficientes e com outras doenças respiratórias. Para se prevenir, Cardenuto recomenda o uso de máscaras, que diminui a inalação de partículas, boa hidratação e a umidificação dos ambientes internos, com baldes de água e toalhas molhadas.

Outra recomendação que Cardenuto indica é a de evitar aglomerações, uma medida que já deveria ser cumprida em função do novo coronavírus. Caso haja o agravamento de qualquer sintoma, como aumento de tosse, falta de ar, mudança na expectoração, cansaço anormal ou sangramento nasal, é preciso procurar atendimento médico.

"Existe uma conjunção de fatores que minimizou esse risco e a população já vinha se cuidando com o uso de máscara por causa da pandemia. Então, o impacto só não é maior por causa disso", afirma. Mesmo a chuva negra que pode chegar à capital neste fim de semana pode ser benéfica neste caso, já que ela aumenta a umidade do ar. "Ela pode minimizar um pouco a parte das vias respiratórias, mas o problema ambiental permanece, claro."

Com o advento da pandemia do novo Coronavírus, os frascos de álcool em gel passaram a fazer parte do dia-a-dia da população em todo o planeta. O produto, utilizado na assepsia das mãos, é tido como eficiente na eliminação do causador da Covid-19. No entanto, testes aleatórios realizados pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São Paulo mostram que, das marcas escolhidas pelo órgão para análise, ao menos sete não produzem higienizadores com a quantidade necessária de substâncias que desativam o vírus.

Embora não seja atribuição do IPT fiscalizar a qualidade dos produtos, o órgão realizou os testes para validar um novo método de análise desenvolvida pelo próprio instituto. Os pesquisadores reuniram algumas marcas que mostravam nos frascos a composição do álcool em gel 70%.

##RECOMENDA##

De acordo com João Paulo Amorim de Lacerda, do Laboratório de Análises Químicas do IPT, o estudo compara soluções de etanol para observar os compostos e avaliar os resultados.

“A análise é feita por comparação com uma solução de concentração conhecida de etanol. A cromatografia gasosa, técnica analítica utilizada no trabalho, consegue separar os componentes do material e, por comparação com a solução de referência, é possível verificar a presença e a quantidade de etanol no produto”, explica Lacerda.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os produtos fabricados com menos de 50% de etanol não desativam vírus e são apenas recomendados para limpeza de superfícies. Já o álcool em gel deve ser fabricado com 70% do composto químico.

De acordo com os estudiosos, em percentuais acima dos 70% o produto evapora com mais facilidade e por isso pode não ser eficiente na assepsia completa das mãos. No entanto, Lacerda destaca a importância no uso do alcoólico apenas quando não houver água e sabão acessíveis.

“O mais indicado para higienização das mãos é água e sabão. O álcool em gel é recomendado em situações onde não é possível lavar as mãos, como no uso de transporte público”, enfatiza o especialista.

A partir da falta do álcool em gel 70% nas prateleiras dos varejistas no início da pandemia, algumas empresas passaram a fabricar o produto por conta própria e de maneira irregular. As ações, inclusive, foram alvos de trabalhos investigativos por parte da Polícia Civil em vários estados brasileiros.

Para Lacerda, a população deve atentar-se a informações contidas no rótulo de cada produto. “A recomendação é procurar por marcas que já eram conhecidas pela produção de álcool em gel ou sanitizantes antes da pandemia. A verificação de informações como CNPJ do fabricante, nome e registro profissional do responsável técnico e número de registro na Anvisa, confere uma seriedade à empresa e aumenta a confiabilidade do produto”, complementa o pesquisador.

Ainda segundo o IPT, a Anvisa e órgãos como o Conselho Nacional de Combate à Pirataria e Delitos contra a Propriedade Intelectual (CNCP) e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), não é recomendável adquirir álcool em gel por meio de vendedores ambulantes, camelôs ou caminhões revendedores de produtos de limpeza. As instituições sugerem a compra do produto em farmácias, drogarias ou na rede supermercadista.

Cientistas da Universidade de Edimburgo, na Escócia, descobriram células-tronco em embriões com uma capacidade de multiplicação superpotente, cerca de 200 a 500 vezes superior àquelas encontradas no cordão umbilical.

A descoberta, que foi publicada nesta quinta-feira (17) na revista "Stem Cell Reports", foi liderada pelos cientistas Andrejs Ivanovs e Alexander Medvinsky e pode tornar-se um instrumento importante para a medicina regenerativa no futuro.

##RECOMENDA##

Essas células-tronco formam as células do sangue e do sistema imunológico e são conhecidas como células-tronco hematopoéticas (que têm a capacidade de tratar mais de 80 tipos diferentes de doenças sanguíneas).

Os autores conseguiram transplantar essas células embrionárias em ratos de laboratório e observaram uma inesperada capacidade de expansão.

"A disponibilidade com fins terapêuticos dessas células provenientes, por exemplo, da medula óssea ou do cordão umbilical, é um problema constante", explicam no artigo. Por isso, a descoberta anunciada é importante porque elas são "mais robustas e tem uma maior capacidade de multiplicarem-se e diferenciarem-se daquelas dos cordões umbilicais".

O próximo passo da pesquisa será entender quais são os mecanismos moleculares que conferem às células esse "superpoder" de multiplicação e expansão. 

Da Ansa

Solidão, tédio, ansiedade e depressão precisaram de maior atenção durante a pandemia. Os problemas desencadeados durante esse período se juntam à preocupação do Setembro Amarelo, campanha nacional de prevenção ao suicídio.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pessoa se suicida no mundo a cada 40 segundos, e o suicídio é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Em meio a pandemia, onde muitos estão lidando com o luto da perda de entes ou amigos, tratar o assunto com sensibilidade, empatia e cautela se faz ainda mais necessário. 

##RECOMENDA##

A psicóloga clínica Ana Carolina Boian afirma que, normalmente, o ato tem ligação com alguma patologia, como depressão, esquizofrenia e dependência química. Porém, a especilista ressalva que essa não é uma regra. "Entendemos que, um tema de tamanha complexidade e importância, ainda é tratado com muita relutância e preconceito. O que se dá pela falta de informação e diálogos sobre o assunto", diz Ana.

De acordo reportagem publicade pela Folha de São Paulo, durante a pandemia, publicações sobre suicídio aumentaram no Brasil. A psicóloga Ana afirma que em comunidades específicas, como LGBTQIA+ e mulheres que sofrem algum tipo de violência o suicídio cresceu, assim como em casos de policiais, que supera o número de mortes por operações no país.

Entre os dogmas e achismos que permeiam o assunto, a psicóloga esclarece que os mitos são os maiores inimigos na hora de estabelecer um diálogo e que falar sobre o assunto é extremamente necessário. "Muitas vezes, pelo medo do julgamento e do preconceito, o indivíduo guarda para si seus sentimentos, alimentando negativamente. Abrir diálogos onde tais questões possam ser abordadas, ser empático e estar disposto a ouvir é a melhor forma de ajudar", orienta.

Segundo a psicóloga, tratar do assunto com seriedade apenas no mês de setembro não traz grandes mudanças. É necessário abordagem e educação que tragam o assunto de forma didática e informativa. "Casos de depressão e outros transtornos que levam ao suicídio acontecem em qualquer momento. Por isso, devemos levar o espírito desse Setembro Amarelo, de empatia e auxílio ao próximo, para todos os meses do ano", finaliza. 

No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento voluntário e gratuito 24 horas por dia, por meio do número 188, a quem está com pensamentos suicidas ou enfrenta outros problemas.

 

Além de ser a companheira diária de muitos ouvintes, a música também pode ser utilizada em tratamentos psicoterapêuticos. É neste cenário que atuam os profissionais especializados em musicoterapia, acompanhamento clínico que faz sons musicais virarem combustíveis para modificar o metabolismo cerebral e o estado emocional dos pacientes.

De acordo com a psicóloga Maria Luzinete de Macedo, embora a música seja utilizada em outros tipos de acompanhamentos clínicos, a musicoterapia é a única vertente do segmento que emprega técnicas direcionadas aos tratamentos psicoterapêuticos, e pode ser aplicada em diversos públicos. "As técnicas usadas variam conforme a proposta e o que se pretende alcançar no processo, podendo ser indicada para vários casos e públicos variados. É um trabalho que exige do profissional bastante criatividade e conhecimento da área que deseja trabalhar", afirma.

##RECOMENDA##

Há três anos, a profissional criou um grupo na clínica Espaço S. E. R. e coloca a estratégia em prática para um conjunto de pessoas. "O mais comum é musicoterapia em grupo. Particularmente prefiro, pois fortalece o vínculo fundamental para estabelecer elos de harmonia e segurança. O apoio que o grupo oferece pela identificação com a música facilita e fomenta o objetivo da proposta", explica a musicoterapeuta, que manteve os atendimentos virtuais em meio ao período de pandemia.

Uma das participantes das reuniões é a empreendedora do ramo alimentício Roseli Moreno, 56 anos. Segundo ela, que participa dos encontros desde o ano de 2017, o acompanhamento foi crucial para se libertar de algumas amarras emocionais e obter maior autoconhecimento. "Ali pude perceber como faz sentido a música que ouvimos e como ela reflete nos sentimentos. Tudo é muito natural e conduzido com tanta delicadeza, transforma e ameniza os traumas, as aflições escondidas", comenta.

A diferença entre ouvir música e praticar musicoterapia

Outra especialista que oferece a musicoterapia como opção aos pacientes é a psicóloga Rosangela Sampaio. Segundo ela, embora a Portaria nº 849 do Ministério da Saúde tenha incluído o tratamento entre as regulamentações da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (Pnpic), é indispensável que o paciente procure profissionais qualificados para a avaliação. "Estudos mostram que a musicoterapia pode ser benéfica no tratamento de deficiências de desenvolvimento e aprendizagem, Alzheimer e outras condições relacionadas com o envelhecimento, doenças cardiopulmonares, câncer, autismo e muitos outros. Em todos os casos se faz necessária uma avaliação com profissional qualificado para a definição de estratégia terapêutica", aponta.

Ainda de acordo com a especialista, um ponto a ser esclarecido é a diferenciação entre ouvir música e o tratamento musicoterapêutico. "A musicoterapia é uma técnica aplicada em sessão com começo, meio e fim desenhada para a necessidade do paciente em questão. O ouvir e tocar música reduz o nível de cortisol, o hormônio responsável pelo estresse, mas não podemos comparar a uma sessão de musicoterapia com um especialista", enfatiza Rosângela, que também teve que se adaptar ao modelo de sessões online durante a crise sanitária do coronavírus.

Segundo ela, a utilização do acompanhamento clínico com o recurso musical pode auxiliar de modo considerável no decorrer do período em que se recomenda o isolamento social. "Além de auxiliar a pessoa a orientar-se e a restabelecer as coordenadas de tempo/espaço, ajuda a relaxar nos casos de insegurança ou ansiedade. A musicoterapia potencializa as funções físicas e mentais, além de reforçar a autonomia pessoal", afirma.

A aposentada Maria Aparecida Torres, 63 anos, fazia acompanhamento com a psicóloga e aderiu à musicoterapia como um complemento das sessões semanais. De acordo com a idosa, o método a fez aprender a exercitar o cérebro para se concentrar melhor nos afazeres diários. "Eu não acreditava que fosse conseguir meditar ou me concentrar para isso, porque sou uma pessoa agitada, mas a musicoterapia está me ajudando muito. Principalmente para eu trabalhar concentração e memória, por conta da idade", comenta.

Ainda segundo Maria, a música sempre fez parte da vida em um contexto emocional, mas a possibilidade de manter a mente ativa por meio do recurso terapêutico é mais viável. "Antes eu assistia a um seriado e, às vezes, no final já não me lembrava mais do começo, hoje isso não acontece mais. Quando a gente para de trabalhar, fica apenas com o serviço de casa, o cérebro relaxa mesmo. Eu estava com a mente preguiçosa e, quando sinto isso, ligo o rádio”, complementa.

Um ensaio clínico de um soro equino hiperimune para o combate à Covid-19 está sendo realizado em pacientes de 18 centros médicos na Argentina, informou uma porta-voz da pesquisa à AFP nesta quarta-feira (16).

A fase de avaliação clínica conta com a participação voluntária de 242 pacientes e tem o término previsto para o mês de outubro, segundo a fonte.

A Argentina registra mais de 577.000 casos do novo coronavírus com quase 12.000 mortes, uma taxa de mortalidade que, no entanto, não está entre as maiores para a região.

A experimentação "é baseada em anticorpos policlonais equinos, obtidos pela injeção de uma proteína recombinante do SARS-CoV-2 nestes animais, inofensiva para eles, o que faz com que eles gerem uma grande quantidade de anticorpos neutralizantes", explicou a assessora de imprensa, Silvina Berta.

O projeto está sendo executado pela empresa de biotecnologia Inmunova, em cooperação com a Universidade estadual de San Martín, entre outras organizações.

Iniciado em julho por pesquisadores argentinos, "até agora 53% do estudo clínico foi concluído", disse a porta-voz.

O soro "foi desenvolvido para imunização passiva, o que significa que o paciente recebe anticorpos contra o agente infeccioso para bloqueá-lo e evitar que se espalhe pelo corpo", acrescentou.

A fase 2/3 do estudo avalia a segurança e eficácia do soro em pacientes adultos com doença moderada a grave, dentro de dez dias do início dos sintomas e precisando de hospitalização.

Após a extração do plasma (de cavalos), processo semelhante ao usado quando é extraído de pessoas, "os anticorpos são purificados e processados, por meio de um processo biotecnológico", ressaltou a porta-voz.

"Testes de laboratório in vitro mostraram a capacidade de neutralizar o vírus, com uma potência cerca de 50 vezes maior que a média do plasma convalescente", acrescentou.

Os resultados dos testes foram publicados na revista especializada Medicina.

Outros quatro postos de saúde públicos e privados serão incorporados ao programa até que 22 sejam concluídos.

"O laboratório, independentemente do resultado final, já começou a produzir o soro para disponibilizá-lo rapidamente se for eficaz e autorizado", acrescentou a fonte.

Na semana passada, a Costa Rica começou a testar um tratamento semelhante em humanos, do qual se espera obter os primeiros resultados em algumas semanas, de acordo com as autoridades.

No Brasil, o Instituto Vital Brazil, a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estão se preparando para iniciar seu ensaio com plasma equino em pacientes da covid-19.

O comando da Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou nesta quarta-feira, 16, para uma "tendência preocupante" de aumento nos casos da covid-19 em vários países pelo mundo. Durante sessão de perguntas e respostas, a líder da resposta da OMS à pandemia, Maria Van Kerkhove, afirmou que há um aumento "não apenas nos casos, mas também nas hospitalizações" pela doença.

Kerkhove disse que isso é motivo de preocupação para a OMS, já que ele ocorre por exemplo em alguns países do Hemisfério Norte em que o inverno ainda não começou. Com o inverno e a temporada de gripe sazonal, a situação pode ficar mais complexa, aponta a entidade.

##RECOMENDA##

Diretor executivo da OMS, Michael Ryan disse que a entidade quer o trabalho de todos para o vírus não manter esse "impulso" atual, ressaltando a importância de se diminuir o número de transmissões. Durante o evento, Ryan também disse que existe agora a perspectiva de haver uma vacina "segura a eficaz" para a covid-19, mas que por enquanto é crucial a manutenção das medidas já sabidas para conter os casos, como a lavagem de mãos, uso de máscaras e distanciamento físico.

Maria Van Kerkhove comentou ainda que há uma tendência de aumento nos casos entre pessoas mais jovens. Ela lembrou que os cientistas ainda não têm tantas informações sobre os efeitos de longo prazo que, em alguns casos, aparecem mesmo em pessoas com versões leves da doença.

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco (Cremepe) promoverá lives sobre prevenção ao suicídio durante este mês de setembro, em alusão à campanha Setembro Amarelo, que tem como objetivo conscientizar a população a respeito do tema. Em 2020, a campanha terá um viés diferente do habitual, mais voltado a questões como isolamento, solidão, violência doméstica, luto, desemprego e problemas financeiros, que se tornaram mais fortes devido à pandemia de Covis-19. 

As transmissões serão feitas através do canal do conselho no YouTube e também em sua página do Facebook, na próxima quinta-feira (17), às 19h, sobre a quarta onda da pandemia da Covid-19 envolve os impactos da doença na saúde mental da população. Na terça-feira da próxima semana (22), o tema será suicídio e no dia 24 de setembro, uma quinta-feira, o tema será “comportamento suicida: o que o clínico precisa saber”. Ambas as transmissões serão às 20h. 

##RECOMENDA##

“O suicídio é uma emergência médica, por isso é importante alertar a comunidade a respeito dos números alarmantes que envolvem este problema. No mundo a cada 40 segundos acontece um suicídio. Isso é estarrecedor, é preciso agir”, afirmou a conselheira do Cremepe e médica psiquiatra, Milena França. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 800 mil pessoas se suicidam por ano em todo o mundo. No Brasil são quase 12 mil casos por ano e o aumento do risco de suicídio pode estar associado a fatores diversos, mas especialmente transtornos mentais (96,8%).

A pandemia de Covid-19 tem agravado a situação por ter servido de gatilho para desencadear ou agravar crises e transtornos mentais pré-existentes. De acordo o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio Geraldo da Silva, a pandemia tem efeitos diretos na saúde mental da população. 

“Eventos estressores, como a pandemia, podem desencadear e/ou agravar os sintomas. Eles intensificam o medo, o sentimento de vazio, a angústia e a sensação de perda de forças, o que resulta no aumento dos sintomas. É necessário, portanto, buscar tratamento adequado antes que o quadro se agrave”, explicou ele.

Serviço:

Dias: 17; 22 e 24/09/2020

Horário: 19h e 20h, respectivamente

Canal do Youtube do Cremepe: https://www.youtube.com/user/Cremepe

Página do Facebook do Cremepe: https://www.facebook.com/cremepe

LeiaJá também

--> Tom Felton desabafa sobre suicídio nas redes sociais

--> Setembro amarelo: como lidar com quem pensa em suicídio

O novo coronavírus, responsável pela pandemia de Covid-19, é capaz de invadir o cérebro, podendo provocar uma infecção potencialmente mais grave e letal do que a registrada nos pulmões. A conclusão está em dois trabalhos científicos brasileiros assinados por especialistas da UFRJ, Fiocruz e Instituto D'or, publicados nesta segunda-feira (14) em plataformas de pré-publicação.

Um terceiro trabalho, da Universidade de Yale, publicado na quarta-feira (9) passada, chega a conclusões semelhantes de forma complementar aos estudos brasileiros.

##RECOMENDA##

O principal alvo do coronavírus é o pulmão. Já ficou bem claro, no entanto, que ele também ataca os rins, o fígado, os vasos sanguíneos e o coração, entre outros. Metade dos pacientes apresenta sintomas neurológicos, como confusão mental, anosmia (ausência de olfato), delírio e risco aumentado de AVC, sugerindo que o vírus ataca também o cérebro.

"Nosso laboratório trabalha com o cérebro e o sistema nervoso central. Essa era a pergunta natural de se fazer diante dos relatos médicos", afirmou o neurocientista Stevens Rehen, da UFRJ e do Instituto D'or, principal autor dos estudos brasileiros, explicando por que resolveu investigar a questão.

O grupo teve acesso aos resultados de uma necropsia feita em uma criança de 1 ano e 2 meses morta por Covid. "Essa é a primeira evidência que temos da presença do vírus dentro do cérebro", constatou Rehen. "Os estragos são óbvios, há uma clara destruição dos tecidos." O segundo estudo, feito a partir das observações in vitro, não foi capaz de identificar a replicação do vírus Sars-Cov2 dentro das células cerebrais, como o grupo já havia demonstrado com o vírus da zika no passado.

Entretanto, ficou constatada uma ligação do vírus com as células da barreira hematoencefálica - que protege o cérebro contra agentes infecciosos. A forte reação inflamatória causada para a defesa do organismo seria responsável pelas alterações neurológicas encontradas. O estudo da Universidade de Yale, que também foi divulgado em uma plataforma de pré-print, e ainda sem revisão dos pares, chega a uma conclusão um pouco diferente. O grupo de Yale, liderado pela imunologista Akiko Iwasaki, conseguiu flagrar a replicação do vírus nas células.

O grupo americano estudou o tecido cerebral de um adulto morto por Covid, um camundongo infectado e também organoides (células cerebrais cultivadas em laboratório). As descobertas são consistentes com observações feitas por outros especialistas, como o brasileiro Alysson Muotri, neurocientista da Universidade da Califórnia, em San Diego, que também trabalha com organoides in vitro. "Poucos dias depois da infecção constatamos uma redução drástica no número de sinapses", afirmou Muotri, em entrevista ao New York Times. "Não sabemos ainda se isso é reversível ou não."

As descobertas são também compatíveis com as observações feitas pelos clínicos na linha de frente do tratamento de pacientes com Covid-19. "Constatamos que a doença apresenta manifestações neurológicas diferentes do que estávamos acostumados a ver", afirmou o infectologista Victor Cravo, coordenador das UTIs do grupo Américas Serviços Médicos. "Há, inclusive, uma necessidade diferente de sedação, não só na quantidade, mas no tipo de sedativos usados. Voltamos a usar drogas que já considerávamos ultrapassadas na UTI porque são pacientes muito difíceis de sedar."

Sistema de infecção

O vírus infecta as células por meio de uma proteína chamada ACE2. Essa proteína aparece em diversas partes do corpo, especialmente nos pulmões. O Sars-Cov2 chega ao cérebro pelo bulbo olfatório, pelos olhos, e pela corrente sanguínea.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Neste sábado (12), Pernambuco completa seis meses desde que os primeiros casos da Covid-19 foram confirmados. O que começou com um casal que testou positivo quando veio da Itália, se multiplicou para 136.413 pessoas contagiadas e 7.852 mortes, tudo provocado pelo novo coronavírus. 

A técnica de enfermagem Edvane Márcia de Lima, 35 anos, que atua no combate à Covid-19 desde o início da pandemia, lembra que os casos confirmados do novo coronavírus cresceram muito rápido, principalmente na capital pernambucana que, por conta das dificuldades do sistema de saúde do Estado, acaba sendo responsável pelo atendimento de diversas pessoas que chegam de outros municípios de Pernambuco.

##RECOMENDA##

Atuando no hospital de campanha do Recife, localizado no bairro dos Coelhos, localizado na região central da cidade, desde o dia 20 de abril, Edvane relembra como era trabalhar contra o que, na época, ainda era desconhecido. “Quando começou mesmo foi que veio o impacto, e quando a gente foi para o hospital de campanha, a gente passava na enfermaria tinha dez pacientes, no outro dia tinha 20, e só vendo os casos aumentando. Chegou uma época em que a gente pensou que iria chegar a 100% de lotação do hospital porque foram muitos casos”, descreve a profissional da saúde.

“Teve um dia que a gente se assustou porque foram 13 óbitos de uma vez só. Chegou um momento que a gente estava tratando o óbito como se fosse uma coisa natural. Quando tinham dois óbitos, a gente dava graças a Deus, quando na verdade a gente tinha que torcer para não ter nenhum. Infelizmente, aquilo começou a ser normal”, complementa Edvane.

Foto: Divulgação/Prefeitura do Recife

O pico de mortes e contaminação da Covid-19 aconteceu no mês de maio, quando 3.082 pessoas perderam a vida para o vírus. A evolução da Covid-19 em Pernambuco foi tão rápida que quase dois meses depois dos primeiros casos, no dia 31 de maio deste ano, o Estado totalizava 34.450 pessoas infectadas e 2.807 mortes provocadas pelo novo coronavírus.

A dificuldade foi tamanha que a técnica de enfermagem Lariza Rodrigues Lopes, 28 anos, que também atuou no hospital de campanha localizado nos Coelhos até o mês de agosto, precisou de um suporte psicológico para se manter firme no combate contra o novo coronavírus. “No início eu sofri muito de ansiedade por não poder ver a minha família e também por não saber o que fazer. Até hoje eu não vejo os meus pais porque são do grupo de risco. Eu chegava em casa e perguntava: ‘será que eu estou doente?’. Essa pergunta ainda vem à tona, porque a gente não faz o teste, porque o Governo só libera os exames para quem tem sintomas. Como eu nunca tive sintoma, nunca fiz o exame. Por isso, eu fico com receio de pegar em alguém ou conversar”, explana.

Pesquisadores da área de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília e do Hospital Universitário de Brasília apontam que o medo intenso de se infectar, de contaminar e de serem estigmatizados como transmissores da doença por parte da população são fatores que aumentam os níveis de estresse desses profissionais da saúde. Dados preliminares da pesquisa apontam que, entre os três distúrbios analisados, a ansiedade é a que mais afeta os trabalhadores da saúde, sendo parte disso o medo de contaminar familiares que moram na mesma residência.

“Eu não consegui manter o meu psicológico, porque comecei a ter crises de ansiedade, sem saber o porquê. No hospital, eles disponibilizaram uma sala de psicologia para os pacientes e funcionários. Tinha dias que você pensava assim: ‘poxa, tanta quantidade de respiradores que foram usados, será que foram tantos óbitos que aconteceram?’ A gente começou a ficar em pânico em ver tanta gente morrendo”, aponta a técnica de enfermagem Edvane.

Mesmo diante de toda essa dificuldade dos profissionais e do número de contaminados e óbitos provocados pela Covid-19, Pernambuco avança nas fases de flexibilização para o convívio com o novo coronavírus. A última etapa anunciada pelo Governo de Pernambuco autorizou a retomada dos comerciantes nas praias da Região Metropolitana do Recife, nas vésperas do feriado da Independência do Brasil.

Foto: Júlio Gomes/LeiaJáImagens

Essa liberação colaborou para que as praias fossem tomadas por parte da população, que parece não se importar mais com a pandemia da Covid-19. De ponta a ponta da faixa de areia das principais praias da Região Metropolitana do Recife, o que não faltava era gente sem proteção, o que aumenta o risco da disseminação do vírus.

“A gente que está na linha de frente sabe que não é uma gripezinha qualquer e as pessoas estão saindo nas ruas sem máscara. As praias no dia 7 de setembro lotadas, com o povo perdendo a noção do perigo, porque o vírus ainda continua e a gente ainda não sabe como eliminar ele”, revela Edvane. “Eu perdi uma tia logmo no começo dos casos. O que me revolta é que ela ficava em casa, quem saíam era os filhos. Foram eles que trouxeram o vírus para dentro de casa. A revolta é porque deveria ser evitado”, complementa a profissional.

No dia 8 de setembro, um dia depois desse episódio das praias lotadas, o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, revelou: “Se houver uma piora desses números, é natural que as primeiras atitudes sejam no sentido de restringir as atividades de lazer. A gente não quer fazer isso, mas estamos analisando os cenários”.

Longo reforçou que a população precisa se conscientizar. “Para voltar a conviver, precisa dosar o sentimento de busca de prazer com o sentimento de responsabilidade e ter o compromisso com o que temos pregado. A máscara tem sido descumprida, é grave isso. Precisa haver uma conscientização, e sem essa conscientização podemos ter a volta de indicadores negativos”, pontuou.

LeiaJá também

--> Praias cheias: PE pode retomar restrição em áreas de lazer

--> Na pandemia, a saúde mental também pede socorro

Em meio à campanha Setembro Amarelo de prevenção ao suicídio, uma iniciativa junta instituições e volta os olhares para o diagnóstico de Depressão. A ação do Movimento Falar Inspira Vida passa a falar da doença, que atinge cerca de 11,5 milhões de pessoas no país, por meio de citações mais abrangentes para o entendimento do grande público.

De acordo com a empresa Janssen, farmacêutica da Johnson & Johnson que lidera a ação, a campanha vai facilitar a comunicação da sociedade com quem precisa de ajuda para detecção ou tratamento da síndrome psíquica.

##RECOMENDA##

Ajuda

Segundo o médico psiquiatra Sergio Perocco, a iniciativa também pode desmistificar o problema e incentivar pessoas a procurarem o acompanhamento correto. “Queremos encorajar as pessoas a falarem sobre o sofrimento e a buscarem ajuda profissional, além de qualificar o debate sobre o assunto na sociedade com o objetivo de que, no futuro, o transtorno mental seja enfrentado sem estigma, com acolhimento e tratamento médico”, explica.

Segundo Perocco, a depressão exige acompanhamento e quanto antes houver diagnóstico e ajuda especializada, maiores as expectativas de o paciente levar uma vida sem transtornos. Porém, o médico considera que as pessoas ao redor podem auxiliar melhor se souberem como lidar com o depressivo nas primeiras iniciativas em que se identifica a doença.

“Dar o primeiro passo para uma pessoa que tem depressão nunca é fácil, então elaboramos um guia com situações comuns. Além dos exemplos, oferecemos sugestões de como mudar a forma de como abordar o tema, acolher quem precisa e engajar na busca por ajuda médica”, cita o psiquiatra.

O conteúdo com as dicas está disponível no site www.falarinspiravida.com.br. Segundo a organização, todo o material pode ser baixado e compartilhado de maneira gratuita.

Além da Janssen, a iniciativa tem como componentes a Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata), o Centro de Valorização da Vida (CVV), a Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o Instituto Crônicos do Dia a Dia (CDD), o Instituto Vita Alere, o Vitalk e a revista VEJA Saúde.

Números

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que a doença acomete, aproximadamente, 300 milhões de pessoas em todo o planeta.

De acordo com Perocco, embora seja considerada uma síndrome aflorada por diversos fatores, as condições biopsicosociais do país podem contribuir de modo negativo para o aumento dos diagnósticos.

“Em um país desigual, com falta de acesso a saneamento básico e outros itens essenciais, além da violência crescente, é de se esperar que ocorra um número alto de casos”, aponta.

Ainda segundo o médico, o momento pandêmico é outro ponto preponderante para desencadear a depressão. “Vale ressaltar que o cenário de pandemia e o consequente isolamento social também podem contribuir para o surgimento de novos quadros”, complementa.

Páginas

Leianas redes sociaisAcompanhe-nos!

Facebook

Carregando