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A diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, por unanimidade, nesta sexta-feira (1º) a abertura de uma proposta de consulta pública para revisar a proibição de cigarros eletrônicos no Brasil. Desde 2009, uma resolução da entidade proíbe a fabricação, a comercialização, a importação e a propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar, popularmente conhecidos como vape.

De acordo com a decisão da Anvisa de hoje, a sociedade civil terá 60 dias para manifestar-se sobre o tema na consulta pública.  Ao longo da reunião, transmitida em tempo real por meio do canal oficial da Anvisa no YouTube, diversas manifestações do setor regulado, de entidades civis e da população em geral foram veiculadas por meio de vídeos enviados à agência. Ao todo, mais de 60 pessoas, com opiniões favoráveis e contrárias à regulamentação dos cigarros eletrônicos, foram ouvidas pelos diretores antes que proferissem seus votos. 

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Protestos 

Enquanto a diretoria colegiada da Anvisa se reunia, um grupo de cerca de 20 pessoas ligadas à organização não governamental (ONG) Direta - Diretório de Informações para a Redução de Danos do Tabagismo defendia, em frente à sede da Anvisa, a regulamentação dos cigarros eletrônicos no Brasil. Entre as argumentações apresentadas está a de que esses dispositivos não causam os mesmos males do tabagismo.

O grupo argumenta ainda que, em razão da ausência de uma regulamentação, dispositivos de má qualidade acabam sendo comercializados livremente no país e que há pessoas fabricando líquido para cigarros eletrônicos até mesmo dentro de casa. O presidente da ONG, Alexandro Lucian Alves Cordeiro dos Santos, cita revisões científicas que indicariam redução de danos de até 95% para pessoas que substituíram o cigarro comum pelo eletrônico.

Ao ser questionado sobre outros estudos que apresentaram resultados diferentes, indicando que dispositivos eletrônicos para fumar podem ser até mais prejudiciais à saúde do que os cigarros tradicionais, ele argumentou que, nesses casos, a confusão se dá porque, enquanto algumas pesquisas abrangem dados brutos sobre a presença da nicotina, outras tratam do potencial de absorção da substância pelo organismo – algo que varia de pessoa para pessoa. 

Além disso, acrescentou, como o cigarro eletrônico só começou a ser comercializado em 2006 (nos Estados Unidos e na Europa), não há, até o momento, dados científicos referentes a grupos que utilizaram o cigarro eletrônico na fase adulta e que já tenham chegado à faixa etária dos 80 anos. 

“Nosso papel aqui é mostrar que cigarros eletrônicos são alternativas eficazes para ajudar as pessoas a pararem de fumar, substituindo o tabagismo pelo nicotismo”, disse, ao afirmar, que “nicotina não faz tanto mal à saúde e nem causa câncer, apesar de alguns médicos afirmarem que sim”. “Há muita desinformação”, complementou.   O presidente da ONG Direta, que veio do Paraná a Brasília para participar da manifestação, disse também que nunca obteve benefício (financiamento ou parceria) de empresas ou grupos que possam vir a ter alguma vantagem com a comercialização de dispositivos eletrônicos para fumar.

Entenda   

Os dispositivos eletrônicos para fumar são também conhecidos como cigarros eletrônicos, vape, pod, e-cigarette, e-ciggy, e-pipe, e-cigar e heat not burn (tabaco aquecido). Embora a comercialização no Brasil seja proibida, os dispositivos podem ser encontrados em diversos estabelecimentos comerciais e o consumo, sobretudo entre os jovens, tem aumentado.

Desde 2003, quando foram criados, os equipamentos passaram por diversas mudanças: produtos descartáveis ou de uso único; produtos recarregáveis com refis líquidos (que contém, em sua maioria, propileno glicol, glicerina, nicotina e flavorizantes), em sistema aberto ou fechado; produtos de tabaco aquecido, que possuem dispositivo eletrônico onde se acopla um refil com tabaco; sistema pods, que contém sais de nicotina e outras substâncias diluídas em líquido e se assemelham a pen drives, dentre outros.

Riscos à saúde 

Com aroma e sabor agradáveis, os cigarros eletrônicos chegaram ao mercado com a promessa de serem menos agressivos que o cigarro comum. Entretanto, a Associação Médica Brasileira (AMB) alerta que a maioria absoluta dos vapes contém nicotina – droga psicoativa responsável pela dependência e que, ao ser inalada, chega ao cérebro entre sete e 19 segundos, liberando substâncias químicas que trazem sensação imediata de prazer. 

De acordo com a entidade, nos cigarros eletrônicos, a nicotina se apresenta sob a forma líquida, com forte poder aditivo, ao lado de solventes (propilenoglicol ou glicerol), água, flavorizantes (cerca de 16 mil tipos), aromatizantes e substâncias destinadas a produzir um vapor mais suave, para facilitar a tragada e a absorção pelo trato respiratório. “Foram identificadas, centenas de substâncias nos aerossóis, sendo muitas delas tóxicas e cancerígenas.” 

“O cigarro eletrônico em forma de pen drive e com USB entrega nicotina na forma de ‘sal de nicotina’, algo que se assemelha à estrutura natural da nicotina encontrada nas folhas de tabaco, facilitando sua inalação por períodos maiores, sem ocasionar desconforto ao usuário”, destacou a AMB.   

“Cada pod do cigarro eletrônico no formato de pen drive contêm 0,7 mililitro (ml) de e-líquido com nicotina, possibilitando 200 tragadas, similar, portanto, ao número de tragadas de um fumante de 20 cigarros convencionais. Ou seja, pode-se afirmar que vaporizar um pen drive equivale a fumar 20 cigarros (um maço).”   

Ainda de acordo com a entidade, o uso de cigarro eletrônico foi associado como fator independente para asma, aumento da rigidez arterial em voluntários saudáveis, sendo um risco para infarto agudo do miocárdio, da mesma forma que os cigarros tradicionais. Em estudos de laboratório, o cigarro eletrônico se mostrou carcinógeno para pulmão e bexiga. 

Congresso Nacional   

Além do debate no âmbito da Anvisa, tramita no Senado Federal o Projeto de Lei (PL) 5008/2023, de autoria da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), que permite a produção, importação, exportação e o consumo dos cigarros eletrônicos no Brasil.

Jovens

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019, 22,6% dos estudantes de 13 a 17 anos no país disseram já ter experimentado cigarro pelo menos uma vez na vida, enquanto 26,9% já experimentaram narguilé e 16,8%, o cigarro eletrônico.

O estudo ouviu adolescentes de 13 a 17 anos que frequentavam do 7º ano do ensino fundamental até a 3ª série do ensino médio das redes pública e privada.

Controle do tabaco   

O Brasil é reconhecido internacionalmente por sua política de controle do tabaco. Em julho de 2019, tornou-se o segundo país a implementar integralmente todas as medidas previstas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no intuito de reduzir o consumo do tabaco e proteger as pessoas das doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs).

Nesta sexta-feira (1º), a diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avalia se coloca em consulta pública a regulamentação de cigarros eletrônicos no Brasil.

Desde 2009, resolução da entidade proíbe a fabricação, a comercialização, a importação e a propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar, popularmente conhecidos como vape. 

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Com a publicação da pauta da reunião, na última quarta-feira (22), a Anvisa informou ter recebido diversos pedidos de manifestação oral e de acesso às dependências da agência por representantes do setor regulado, de entidades civis e pela população em geral para acompanhar a deliberação. 

Estão previstas ainda manifestações públicas em frente à sede da Anvisa, em Brasília, por entidades interessadas na matéria. “A diretoria colegiada decidiu que a citada reunião pública será conduzida sem a presença de representantes do setor regulado, de entidades civis e da população em geral, com o objetivo de resguardar a normalidade da sua realização.”  

O debate será transmitido por meio do canal oficial da Anvisa no YouTube. Interessados podem enviar manifestações orais para conhecimento dos diretores conforme instruções disponíveis. O material será publicado no site da agência e reproduzidos durante a reunião.  

Relatório

No ano passado, a diretoria Colegiada da Anvisa aprovou, por unanimidade, relatório técnico que indicava a necessidade de se manter a proibição dos dispositivos eletrônicos para fumar e a adoção de medidas adicionais para coibir o comércio irregular desse tipo de produto, como o aumento das ações de fiscalização e a realização de campanhas educativas. 

O documento configura uma espécie de etapa de diagnóstico e estudo, com informações e dados sobre os prováveis efeitos de uma regulação, servindo para verificar impacto, propor cenários para atuação e subsidiar a tomada de decisão. O relatório, portanto, consolida todas as evidências coletadas pela equipe técnica da Anvisa. 

Entenda

Os dispositivos eletrônicos para fumar são também conhecidos como cigarros eletrônicos, vape, pod, e-cigarette, e-ciggy, e-pipe, e-cigar e heat not burn (tabaco aquecido). Embora a comercialização no Brasil seja proibida, os dispositivos podem ser encontrados em diversos estabelecimentos comerciais e o consumo, sobretudo entre os jovens, tem aumentado. 

Desde 2003, quando foram criados, os equipamentos passaram por diversas mudanças: produtos descartáveis ou de uso único; produtos recarregáveis com refis líquidos (que contém, em sua maioria, propileno glicol, glicerina, nicotina e flavorizantes), em sistema aberto ou fechado; produtos de tabaco aquecido, que possuem dispositivo eletrônico onde se acopla um refil com tabaco; sistema pods, que contém sais de nicotina e outras substâncias diluídas em líquido e se assemelham a pen drives, dentre outros. 

“A comercialização, importação e propaganda de todos os tipos de dispositivos eletrônicos para fumar são proibidas no Brasil, por meio da Resolução de Diretoria Colegiada da Anvisa nº 46, de 28 de agosto de 2009. Essa decisão se baseou no princípio da precaução, devido à inexistência de dados científicos que comprovassem as alegações atribuídas a esses produtos.” 

Perigo à saúde

Com aroma e sabor agradáveis, os cigarros eletrônicos chegaram ao mercado com a promessa de serem menos agressivos que o cigarro comum. Entretanto, a Associação Médica Brasileira (AMB) alerta que a maioria absoluta dos vapes contém nicotina – droga psicoativa responsável pela dependência e que, ao ser inalada, chega ao cérebro entre sete e 19 segundos, liberando substâncias químicas que trazem sensação imediata de prazer. 

De acordo com a entidade, nos cigarros eletrônicos, a nicotina se apresenta sob a forma líquida, com forte poder aditivo, ao lado de solventes (propilenoglicol ou glicerol), água, flavorizantes (cerca de 16 mil tipos), aromatizantes e substâncias destinadas a produzir um vapor mais suave, para facilitar a tragada e a absorção pelo trato respiratório. “Foram identificadas, centenas de substâncias nos aerossóis, sendo muitas delas tóxicas e cancerígenas.”

“O cigarro eletrônico em forma de pen drive e com USB entrega nicotina na forma de ‘sal de nicotina’, algo que se assemelha à estrutura natural da nicotina encontrada nas folhas de tabaco, facilitando sua inalação por períodos maiores, sem ocasionar desconforto ao usuário”, destacou a AMB. 

“Cada pod do cigarro eletrônico no formato de pen drive contêm 0,7 mililitro (ml) de e-líquido com nicotina, possibilitando 200 tragadas, similar, portanto, ao número de tragadas de um fumante de 20 cigarros convencionais. Ou seja, pode-se afirmar que vaporizar um pen drive equivale a fumar 20 cigarros (um maço).” 

Ainda de acordo com a entidade, o uso de cigarro eletrônico foi associado como fator independente para asma, aumenta a rigidez arterial em voluntários saudáveis, sendo um risco para infarto agudo do miocárdio, da mesma forma que os cigarros tradicionais. Em estudos de laboratório, o cigarro eletrônico se mostrou carcinógeno para pulmão e bexiga. 

Surto de doença pulmonar

Entre agosto de 2019 e fevereiro de 2020, foi registrado um surto de doença pulmonar em usuários de cigarros eletrônicos. Apenas nos Estados Unidos, foram notificados quase 3 mil casos e 68 mortes confirmadas.  

Congresso Nacional

Além do debate no âmbito da Anvisa, tramita no Senado Federal o Projeto de Lei (PL) 5008/2023, de autoria da senadora Soraya Thronicke, que permite a produção, importação, exportação e o consumo dos cigarros eletrônicos no Brasil. 

Jovens

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019, 22,6% dos estudantes de 13 a 17 anos no país disseram já ter experimentado cigarro pelo menos uma vez na vida, enquanto 26,9% já experimentaram narguilé e 16,8%, o cigarro eletrônico. 

O estudo ouviu adolescentes de 13 a 17 anos que frequentavam do 7º ano do ensino fundamental até a 3ª série do ensino médio das redes pública e privada. 

Controle do tabaco

O Brasil é reconhecido internacionalmente por sua política de controle do tabaco. Em julho de 2019, tornou-se o segundo país a implementar integralmente todas as medidas previstas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no intuito de reduzir o consumo do tabaco e proteger as pessoas das doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs). 

Na cidade de Vitória da Conquista, agentes do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco) da Polícia Civil da Bahia apreenderam, nesta quinta-feira (24), 76 cigarros eletrônicos que seriam vendidos em um evento artístico da região.

Segundo as investigações, o material, avaliado em R$ 15 mil, foi apreendido durante ações preventivas realizadas em conjunto com equipes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que é contra a venda, importação e propaganda de cigarros eletrônicos.

Ainda de acordo com as informações da Polícia Civil do estado, os dispositivos seriam comercializados durante um festival de música que ocorrerá no município. A corporação continuará realizando ações para coibir o comércio desses produtos nas comunidades da cidade.

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu nesta quarta-feira, 6, manter a proibição de venda de cigarros eletrônicos no Brasil e ampliar a fiscalização para coibir o mercado irregular dos dispositivos. Participaram da votação quatro diretores da Anvisa - a decisão foi unânime. A venda de cigarros eletrônicos é proibida no País desde 2009.

A avaliação técnica da Anvisa aponta que nenhum dispositivo eletrônico é útil para ajudar fumantes a parar de fumar e que cigarros eletrônicos causam dependência e diversos riscos à saúde. Também indica que uma suposta redução de substâncias contidas nos cigarros eletrônicos, na comparação com os cigarros tradicionais, não significa redução de danos à saúde.

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Cigarros eletrônicos, ou vapes, funcionam por meio de uma bateria que aquece um líquido interno, composto por água, aromatizante, nicotina, propilenoglicol e glicerina. Têm formas variadas, e modelos mais modernos se parecem com pen-drives. Alguns são fechados: não é possível manipular o líquido interno. Outros podem ser recarregados com líquidos de várias substâncias e sabores, como uva e menta.

Diretores da agência votaram nesta quarta-feira um relatório de Análise de Impacto Regulatório (AIR) sobre os dispositivos eletrônicos para fumar. Esse documento apresentava três alternativas para o tema: manter a proibição; manter a proibição com ações adicionais não normativas (como campanhas e fiscalização); ou permitir a comercialização dos cigarros eletrônicos.

A recomendação da área técnica foi pela adoção da segunda alternativa, de manter a proibição com medidas de fiscalização. Essa opção foi endossada nesta quarta-feira diretoria da Anvisa.

A avaliação da Anvisa, com base em pesquisas científicas e experiências em outros países, é de que os cigarros eletrônicos favorecem a entrada dos jovens no tabagismo. Para a diretora Cristiane Jourdan, relatora do processo, uma eventual decisão de liberar os produtos poderia ter impacto negativo na política de controle do fumo no Brasil.

Além disso, segundo Cristiane, é inviável "a comprovação generalizada da ausência de riscos desses produtos". A diretora lembrou que os dispositivos eletrônicos para fumar são apresentados em diferentes formatos e sabores. E há constantes mudanças no design dos produtos pelos fabricantes. Relatório técnico apresentado pela Anvisa destacou que, nos Estados Unidos, houve até março deste ano 6,6 milhões de pedidos de registros dos dispositivos.

"Não se tem evidências que indiquem ausência de risco ou mesmo redução de danos e, portanto, ainda não se tem condições de delimitar com clareza os riscos e agravos inerentes a cada tipo de dispositivo eletrônico para fumar", pontuou a diretora-presidente substituta da Anvisa, Meiruze Freitas.

Já o diretor Rômison Rodrigues Mota, que também votou a favor de manter a proibição, afirmou que "é inegável o impacto que todos os DEFs (dispositivos eletrônicos para fumar) podem causar na iniciação ao tabagismo". Ele listou características como a presença de aditivos e o apelo tecnológico dos aparelhos.

Acrescentou, ainda, que a agência não pode se abster de seu papel de controlar os produtos - por isso, segundo ele, a opção por aumentar a fiscalização contra o mercado irregular é a mais adequada. Na mesma linha, o diretor Alex Machado Campos lembrou que os cigarros eletrônicos estão "entrando aos milhares pelas fronteiras do País", o que representa um desafio às autoridades.

Apesar de reconhecer a disponibilidade dos cigarros eletrônicos no mercado ilegal, a diretoria da Anvisa considerou que isso não é um motivo para que a agência libere a venda dos dispositivos. A agência deve alterar o texto da regra sobre os cigarros eletrônicos para indicar a necessidade de ações de fiscalização em parceria com outros órgãos e de campanhas educativas.

A agência também apresentou dados de pesquisas nacionais que mostram que o uso frequente dos dispositivos abrange menos de 3% na população - o que, na avaliação técnica da Anvisa, mostra que não há descontrole sobre os cigarros eletrônicos no Brasil.

Já a experimentação (uso pelo menos uma vez na vida) está em 7,3% na população em geral, segundo a pesquisa Covitel, realizada pela Universidade Federal de Pelotas (Ufpel). Entre os jovens de 18 a 24 anos, a taxa de experimentação é maior: um em cada cinco já provaram os cigarros eletrônicos.

Fabricantes dos dispositivos reivindicam a liberação de vendas dos cigarros eletrônicos no Brasil sob argumento de que eles oferecem risco reduzido à saúde, em comparação ao cigarro tradicional, e por isso deveriam ser liberados como alternativa para uso adulto. Também dizem que o veto não impede a venda irregular.

Por meio de nota após a decisão da Anvisa, a Philip Morris Brasil afirmou que "seguirá mantendo o diálogo sobre a regulamentação do tabaco aquecido". A empresa argumenta que seu produto é "diferente dos chamados cigarros eletrônicos".

Já a BAT Brasil (ex-Souza Cruz) diz que o processo regulatório "não terminou". "Novas rodadas de debate com as empresas, especialistas, consumidores, sociedade civil e organismos internacionais são fundamentais para que a decisão final da Anvisa se paute pelas evidências científicas mais atuais sobre vaporizadores", afirmou a empresa.

A empresa diz ainda que "dezenas de países já entenderam a importância da redução de riscos como parte de suas políticas de controle do tabaco e, diante dessa realidade, avançaram na regulamentação desses dispositivos".

Os cigarros eletrônicos surgiram nos anos 2000 e tiveram crescimento impulsionado, inicialmente, por empresas novas. Depois, grandes multinacionais de tabaco como British American Tobacco (BAT), Philip Morris e Altria compraram participações em empresas de cigarros eletrônicos ou criaram as próprias marcas.

Hoje, são cerca de 30 mil marcas de cigarros e líquidos à venda na Europa. Em 2014, as vendas globais eram de US$ 2,76 bilhões (R$ 14,8 bilhões). Após cinco anos, saltaram para US$ 15 bilhões (R$ 80,7 bilhões).

Os cigarros eletrônicos já são proibidos no Brasil pela Anvisa desde 2009, mas o tema voltou ao debate na agência. O Brasil, reconhecido internacionalmente pelo sucesso nas medidas de controle ao tabagismo, faz parte de um grupo de 32 países que proíbem os dispositivos. Outros 79 liberam a venda de cigarros eletrônicos, com mais ou menos restrições.

Em países onde os cigarros eletrônicos está liberado, há tentativas de restrição ao uso. A Comissão Europeia, por exemplo, propôs no fim do mês passado barrar a venda de produtos de tabaco aquecidos com sabor, após aumento das vendas em seis países.

Nos Estados Unidos, a agência sanitária americana, a FDA, tentou barrar a comercialização de uma das marcas mais populares por falta de evidências de riscos à saúde. A empresa, no entanto, conseguiu na Justiça autorização para continuar vendendo os produtos.

Sociedades médicas brasileiras esperam que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decida ainda este ano manter proibida a importação e venda de cigarros eletrônicos no Brasil. Em 2009, a agência publicou resolução proibindo os chamados Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs), que agora passam por processo de discussão e atualização de informações técnicas. 

A Anvisa está na fase da Tomada Pública de Subsídios, aberta a receber informações técnicas a respeito dos cigarros eletrônicos. “Esperamos que até o fim do ano tenhamos essa decisão. Mas o nosso papel agora é entregar à Anvisa todas as evidências científicas comprovando os malefícios do cigarro eletrônico”, disse Ricardo Meirelles, da Associação Médica Brasileira (AMB).

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A AMB, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e entidades médicas, como a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), têm se unido em torno da proibição do comércio dos cigarros eletrônicos. Essas entidades alertaram a Anvisa sobre os prejuízos desse aparelho e têm lutado contra a informação falsa dos fabricantes, que afirmam que o cigarro eletrônico é alternativa mais saudável ao cigarro convencional.

“Vários estudos comprovam que os Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs) causam danos à saúde. Eles podem causar irritação brônquica, inflamação em quem tem doença pulmonar obstrutiva crônica (Dpoc). Essas pessoas não podem usar o cigarro eletrônico de maneira nenhuma”, afirmou Meirelles.

Aristóteles Alencar, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, explicou que esses aparelhos produzem partículas ultrafinas. Essas partículas conseguem ultrapassar a barreira dos alvéolos do pulmão e caem na corrente sanguínea, provocando inflamação. “Quando essa inflamação ocorre no endotélio, que é a camada que reveste internamente o vaso, pode dar início a eventos cardiovasculares agudos, como o infarto e a síndrome coronariana aguda, a angina do peito”.

Esse tipo de cigarro, chamado de vapers pelos fabricantes, na intenção de desassociar à figura do cigarro, contém uma série de substâncias nocivas e cancerígenas. Eles trazem, em sua composição, substâncias como nicotina, propilenoglicol e glicerol, ambos irritantes crônicos; acetona, etilenoglicol, formaldeído, entre outros produtos cancerígenas e metais pesados (níquel, chumbo, cádmio, ferro, sódio e alumínio). Para atrair consumidores, são incluídos aditivos e aromatizantes como tabaco, mentol, chocolate, café e álcool.

“O efeito protetor que se atribuía ao cigarro eletrônico não existe. Em países que liberaram esses produtos há crescente aumento de doenças cardiovasculares na população abaixo de 50 anos”, disse Alencar. “Diferente do cigarro convencional, que demora às vezes 20 ou 30 anos para manifestar doença no usuário, o cigarro eletrônico tem mostrado essa agressividade em menos tempo”, completou.

Outra substância perigosa encontrada em muitos desses cigarros é o tetrahidrocarbinol, ou THC. “É a substância que leva à dependência do usuário da maconha”, explicou Meirelles. Segundo ele, os DEFs também podem conter óleo de haxixe e outras drogas ilícitas.

Jovens e propaganda

Adolescentes são alvos das fabricantes de cigarros eletrônicos. O design dos aparelhos e as essências oferecidas são pistas de que, apesar de indicarem o produto apenas a adultos, buscam chamar a atenção de jovens. A adoção de sabores mais infantis, a aplicação de cores na fumaça e até mesmo o design de alguns modelos não são atraentes ao público adulto.

“A estratégia do sabor, por exemplo. Por mais que digam que não é um produto para criança, eu não conheço um adulto que use o sabor algodão-doce. Ele é bem caracterizado com essa ideia da juventude”, afirmou Sabrina Presman, da Associação Brasileira de Estudo de Álcool e Outras Drogas (Abead).

Ela também cita a semelhança do aparelho com itens de uso diário de um estudante, como canetas ou pen drives. “O próprio formato do cigarro eletrônico se confunde com as coisas do jovem. Ele é mais moderno e muitos pais não conseguem identificar o que é caneta, o que é lápis e o que é cigarro”.

Paulo César Corrêa, coordenador da comissão de tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), destacou que esses produtos são apresentados com slogans que tratam o cigarro convencional como ultrapassado e nocivo. A ideia é afastar essa má publicidade dos cigarros eletrônicos. Segundo ele, existem evidências de que há três vezes mais chances de pessoas que nunca fumaram passarem a fumar regularmente cigarros convencionais depois de usarem esses aparelhos.

Corrêa também alertou sobre a estratégia da indústria de cigarros eletrônicos em vender uma informação de que esse tipo de produto é menos nocivo que o cigarro convencional e que, portanto, trocar para os cigarros eletrônicos seria uma alternativa mais saudável. Ele, no entanto, alerta: cigarros eletrônicos não são apenas feitos de vapor e água.

“Ainda que não tenhamos a descrição completa dos riscos epidemiológicos, as evidências já existentes permitem dizer que o produto é extremamente perigoso e danoso à saúde individual e à saúde pública”.

Cigarro eletrônico

Os cigarros eletrônicos são aparelhos alimentados por bateria de lítio e um cartucho ou refil, que armazena o líquido. Esse aparelho tem um atomizador, que aquece e vaporiza a nicotina. O aparelho traz ainda um sensor, que é acionado no momento da tragada e ativa a bateria e a luz de led. Mas nem todos os cigarros eletrônicos vêm com luz de led.

A temperatura de vaporização da resistência é de 350°C. Nos cigarros convencionais, essa temperatura chega a 850°C. Ao serem aquecidos, os DEFs liberam um vapor líquido parecido com o cigarro convencional.

Os cigarros eletrônicos estão em sua quarta geração, onde é encontrada concentração maior de substâncias tóxicas. Existem ainda os cigarros de tabaco aquecido. São dispositivos eletrônicos para aquecer um bastão ou uma cápsula de tabaco comprimido a uma temperatura de 330°C. Dessa forma, produzem um aerossol inalável.

“Esses aparelhos expõem o usuário a emissões tóxicas, muitas das quais causam câncer”, explicou Cláudio Maierovitch, da Associação Brasileira de Saúde Coletiva.

Outro tipo de DEF se parece com um pen drive. São os sais de nicotina (nicotina + ácido benzóico). Esse tipo de cigarro provoca menos irritação no usuário, facilitando a inalação de nicotina. E, assim, provoca maior dependência. Os usuários desse aparelho têm pouca resposta ao tratamento convencional da dependência da nicotina. “Usar um dispositivo desse com 3% a 5% de nicotina equivale a fumar de dez a 15 cigarros por dia. Dispositivos com 7% de nicotina equivalem a mais de 20 cigarros por dia, cerca de um maço de cigarros”, disse Meirelles.

Solange Almeida revelou que seu vício em cigarro eletrônico quase a levou a perder tudo. Durante entrevista ao podcast EmPODeradas, a cantora explicou que era fumante e acabou sendo apresentada ao dispositivo em 2020 durante uma festa. A princípio, ela estava interessada no fato dele não possuir nicotina, mas acabou se arrependendo.

"Eu não tinha falado disso até hoje e queria que isso servisse de alerta para as pessoas. Em 2020, final de 2020, fui apresentada ao cigarro eletrônico, estava com uma turma e tal. E aí comecei a usar aquilo e virou aquela coisa de: É bacana isso aqui! Eu vou usar! Aí comecei a usar. E deixei de fumar cigarro normal em 2005. Eu era fumante e comecei a usar o cigarro eletrônico".

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A artista contou que passou por uma situação similar à do cantor Zé Neto, da dupla com Cristiano, que também já havia alertado sobre os riscos do dispositivo. Com o tempo, o uso de cigarro eletrônico se tornou extremamente prejudicial à saúde de Solange, começando a fazer mal aos pulmões.

"Quando eu fui ver, quando eu fui dar conta de como eu estava, eu já estava, digamos que, realmente viciada naquilo, sabe? De acordar com ele do meu lado, na cabeceira da minha cama. Começou em uma festa particular e vi aquilo: Que interessante! Não tem nicotina! Não tem não? Me dê aqui! É um vaporzinho e não sei o quê. Rapaz, meu amor, saborzinho que quase perdi foi tudo… Do meu pulmão ficar lascado, entendeu? Quem passou por isso foi o Zé Neto e passei a mesma coisa, porém foi algo que eu estava esperando o momento certo para falar", relatou.

Por fim, a cantora revelou que foi um processo psicologicamente muito difícil. "Foi um processo muito difícil, de ansiedade. Aquilo começou a me trazer um estado de ansiedade que vocês não têm ideia do que eu passei. Eu ouvia vozes. Eu usava aquilo e com o cigarro eletrônico, eu comecei a sentir coisas que eu não sentia. Era uma ansiedade, crise de pânico, uma série de coisas que depois fui ver de pessoas que deixaram de usar que sentiram a mesma coisa, do que ele desencadeava em você. Mas hoje as pessoas usam de forma normal, vejo crianças usando. Eu comecei a ter crise de pânico de parar o carro, ainda usando o cigarro. Eu tinha um em cada bolsa. Por semana eu usava três bolsas", alertou.

 

O cantor Zé Neto, da dupla com Cristiano, está com um problema de saúde. De acordo com informações de um vídeo divulgado pelo Balanço Geral, o sertanejo está com uma doença nos pulmões que teria se desenvolvido por conta do uso de cigarro eletrônico e consequências da Covid-19.

Nas imagens, o sertanejo explica que achou que não iria conseguir gravar o seu último trabalho com a dupla por causa da doença.

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"Obrigado do fundo do meu coração. Eu vou falar para vocês que nesse projeto, eu conversei com o Cristiano, a gente apostou muito e estava meio com medo. Eu sei que aqui todo mundo sabe, não é mais segredo, eu estou com um problema no pulmão. Eu estou tratando, estou tentando, nem achei que iria conseguir. Mas Deus é tão maravilhoso que mais uma vez acho vamos sair daqui com um baita projeto. Muito obrigado, de coração", declarou.

Após a preocupação dos fãs, a assessoria do cantor veiculou uma nota sobre o estado de saúde dele.

"Zé Neto está com foco de vidro no pulmão, não é nada grave, mas causa um pouco de falta de ar para cantar. Este tipo de problema pode ser resquício do COVID e também é uma das consequências do consumo do Viper (cigarro eletrônico). Ele já está em tratamento", diz a equipe em nota enviada a Leo Dias.

Os cigarros eletrônicos e produtos semelhantes são perigosos para a saúde e devem ser regulamentados para cortar pela raiz as táticas da indústria do tabaco para captar clientes - alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta terça-feira (27).

"A nicotina é muito viciante, e os cigarros eletrônicos de nicotina são perigosos e devem ser mais bem regulamentados", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, ao publicar hoje um novo relatório sobre o combate ao tabagismo, realizado junto com a organização Bloomberg Philanthropies.

O relatório aponta que os fabricantes desses produtos, que não param de crescer, têm geralmente crianças e adolescentes como alvo principal, com uma variedade de milhares de aromas tentadores - o relatório enumera 16.000 diferentes - e de declarações tranquilizadoras.

Michael R. Bloomberg, o bilionário ex-prefeito de Nova York, que luta há muito tempo contra o tabagismo, denunciou as táticas das empresas de tabaco.

"À medida que as vendas de cigarros caem, as empresas de tabaco promovem agressivamente novos produtos, como os cigarros eletrônicos, ou os produtos de tabaco aquecido, e pressionam os governos para que limitem sua regulamentação", denunciou.

"Seu objetivo é transformar uma nova geração em viciada em nicotina, e não podemos deixar que façam isso", insistiu.

- Produtos diversos e em evolução -

O chefe da OMS pede que, nos países em que esses produtos não são proibidos, "os governos adotem medidas adequadas para proteger suas populações dos perigos dos inaladores eletrônicos de nicotina, para impedir que crianças, adolescentes e outros grupos vulneráveis tenham acesso a eles".

O uso desses cigarros eletrônicos por parte dos menores de 20 anos preocupa a OMS, em especial, devido aos efeitos nefastos da nicotina no desenvolvimento do cérebro nesta faixa etária, ao perigo que certos ingredientes podem representar, mas também porque a agência considera que as crianças que usam esses dispositivos têm mais chances de se tornarem fumantes na vida adulta.

Regulamentar esta questão não é fácil, porém, porque "esses produtos são muito diversos e evoluem rápido", alerta o diretor para a Promoção da Saúde na OMS, o médico Rüdiger Krech, acrescentando que "é uma das formas, pelas quais os fabricantes driblam e evitam as medidas de controle".

A OMS recomenda que os governos adotem as medidas necessárias para impedir que os não-fumantes usem o cigarro eletrônico, sobretudo, por medo de que o ato de fumar socialmente volte a "ser normal".

Segundo o relatório, 32 países proíbem a venda desses cigarros eletrônicos de nicotina, e 79 adotaram pelo menos uma medida para limitar seu uso, como a proibição da propaganda.

A OMS afirma, porém, que 84 países não contam com quaisquer medidas contra a proliferação deste tipo de produto.

A agência também destaca que os esforços para regulamentá-los não devem distrair a atenção da luta contra o tabaco.

Embora a proporção de fumantes tenha diminuído em muitos países, o crescimento da população faz o número total de fumantes continuar sendo "obstinadamente elevado", destaca o relatório.

O tabagismo mata 8 milhões de pessoas por ano, das quais 1 milhão são fumantes passivos.

Os registros de uma doença respiratória ainda sem causa definida identificada nos Estados Unidos deflagraram um alerta entre médicos brasileiros. A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia divulgou um comunicado para que profissionais fiquem atentos caso recebam pacientes com náuseas, tosse, falta de ar e dor na região do tórax, sobretudo se forem usuários de cigarros eletrônicos.

Há indícios relacionando os mais de 450 casos já registrados nos Estados Unidos com o uso de tais aparelhos. A sociedade sugeriu que médicos brasileiros avisem os pacientes sobre os potenciais riscos desses utensílios.

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Diagnosticado com pneumonia no início do mês, o publicitário Pedro Ivo Brito, de 29 anos, teve o quadro agravado por fazer uso do dispositivo. Há um ano, o design sofisticado do cigarro atraiu sua curiosidade. "Quando eu disse que fazia uso do cigarro eletrônico no hospital, os médicos falaram que não era o único motivo, mas que agravou o meu quadro."

O publicitário ficou internado por cinco dias no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, e teve de passar até por uma cirurgia torácica para drenar a água que estava nos pulmões.

Brito começou a fumar cigarro comum aos 15 anos. O eletrônico, conheceu há um ano, nos Estados Unidos. "Em Miami, é comum ver as pessoas fumando cigarro eletrônico até nas ruas. Nunca foi minha intenção substituir o cigarro comum pelo eletrônico. Só que comecei a fumar mais o eletrônico. Comprei o cigarro eletrônico e um kit com quatro pods - também conhecidos como cartuchos. Paguei US$ 80 (R$ 328) pelo cigarro e US$ 20 (R$ 82) pelos pods", conta. "O pod permite fazer misturas de substâncias e sabores, mas nunca fiz."

Para ele, o trauma foi o melhor tratamento para abandonar os dois tipos de cigarros. "É um novo momento na minha vida. Estou focado em esporte e alimentação. Já me desfiz do cigarro eletrônico. Dei para uma amiga que é artista plástica e vai fazer uma obra para simbolizar os riscos para a saúde. Não desejo a ninguém o que eu passei."

Estados Unidos

Não há até agora registros oficiais no Brasil ou casos suspeitos de doenças relacionadas ao uso do aparelho comunicados à Sociedade de Pneumologia e Tisiologia. Nos Estados Unidos, autoridades sanitárias e pesquisadores internacionais fizeram uma força-tarefa para tentar identificar o que levou, sobretudo jovens, a apresentar insuficiência respiratória grave. Por enquanto, um dos únicos pontos que ligam os pacientes são as "vaporadas" em cigarros eletrônicos. Parte deles relatou ter usado o aparelho para inalar THC, uma das substâncias presentes na maconha, adicionada a óleos, principalmente acetato de vitamina E. Essa substância, uma vez inalada, fica depositada no pulmão, obstruindo a passagem do oxigênio.

Parte dos usuários considera o alerta um exagero. "Se for esse realmente o problema, o uso do aparelho foi incorreto", conta o assistente técnico Rodrigo Anterio, que começou a usar cigarros eletrônicos há sete anos para substituir o cigarro comum. "O uso de THC nunca foi o objetivo desse aparelho." Especialistas também estudam o efeito do propilenoglicol, substância usada para produzir o efeito de fumaça.

Para o policial militar Daniel Montenegro, de 35 anos, ainda há poucos dados para assegurar que o aparelho está associado aos problemas de saúde identificados nos Estados Unidos. Montenegro lembra quando substituiu o cigarro pelo vape: outubro de 2016. "Fumava meio maço de cigarro. Ao fazer a migração, tive uma melhora no meu estado de saúde."

O entusiasmo dos usuários não é seguido pela comunidade médica. Ainda em junho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um documento afirmando que cigarros eletrônicos são, sem sombra de dúvida, prejudiciais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Nesta quinta-feira (29) é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo. A data busca sensibilizar a sociedade sobre os prejuízos que o tabaco pode trazer de maneira social, econômica, ambiental e principalmente os riscos à saúde.

Atualmente, não só o cigarro é o vilão da história. Uma das febres, principalmente entre os jovens, é o consumo de narguilés e cigarros eletrônicos. Esses que são usados com a crença de que fazem menos mal à saúde ou até mesmo servem de auxílio para quem está tentando largar o cigarro convencional. O que é um mito, pois qualquer produto derivado do tabaco contém nicotina e substancias cancerígenas. “Uma sessão de narguilé, por exemplo, equivale ao consumo de 100 cigarros ou até mais. Além do fato que o fumante fica exposto à inalação da fumaça por mais tempo do que quando ele fuma um cigarro”, explica o diretor da Comissão de Infecções Respiratórias da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia Mauro Gomes.

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Para as pessoas que optam por cigarros eletrônicos com essências sem nicotina, precisam ficar atentas, pois a fumaça também é muito prejudicial. “Ainda que o cigarro eletrônico não tenha a maioria dos elementos químicos cancerígenos presentes no cigarro convencional, o líquido em que a essência é diluída quando aquecida se transforma em uma substância diretamente associada ao câncer de pulmão, o formaldeído”, esclarece Gomes.

Para quem está tentando parar de fumar e opta por cigarros eletrônicos por achar que pode causar menos danos à saúde, está enganado. Segundo o especialista, não há comprovações que o cigarro eletrônico seja um auxílio para quem deseja parar de fumar. “Na verdade influência ainda mais o tabagismo. Além de que, estudos comprovam que o cigarro eletrônico aumenta o risco de infarto agudo do miocárdio e de doenças respiratórias e pulmonares”, conclui Gomes.

 

Os cigarros eletrônicos são, "indubitavelmente, prejudiciais" e deveriam ser regulados, afirmou a Organização Mundial de Saúde (OMS) nesta sexta-feira (26), desaconselhando o uso desses vaporizadores aos fumantes que tentam abandonar o hábito.

A popularidade dos cigarros eletrônicos - que permitem a inalação de líquidos com nicotina e aromatizantes - pôs em alerta legisladores de todo mundo, que temem que isso se torne uma porta de entrada para outros vícios para os jovens.

Ainda que estes dispositivos exponham o consumidor a uma quantidade menor de toxinas do que o tabaco, também representam riscos para a saúde, afirma a OMS em seu relatório, divulgado nesta sexta no Rio de Janeiro.

Em seu documento, a OMS avalia os resultados das MPOWER, o conjunto de medidas adotado pelos 180 países signatários da Convenção-Quadro da Organização Mundial da Saúde para o Controle do Tabaco (CQCT da OMS).

"Embora os níveis específicos de risco associados aos SEAN (Sistemas Eletrônicos de Administração de Nicotina) não tenham sido estimados de forma conclusiva, os SEAN são, indubitavelmente, prejudiciais e deveriam, portanto, estar sujeitos à regulação", indica a OMS em seu último informe sobre a epidemia global de tabaco.

A organização adverte ainda que não há evidências suficientes de que os cigarros eletrônicos sejam efetivos para deixar de fumar.

"Na maioria dos países onde estão disponíveis, a maior parte dos que usam cigarros eletrônicos continua fumando cigarro (convencional) ao mesmo tempo, o que tem muito pouco, ou nenhum impacto benéfico para a saúde", acrescenta a OMS.

A apresentação do relatório aconteceu no Museu do Amanhã, com a participação do Ministério da Saúde.

O Brasil trava seu próprio combate contra o flagelo da nicotina.

Em maio, a OMS aplaudiu a decisão da Advocacia Geral da União (AGU) de processar as multinacionais do setor, assim como suas filiais, para que cubram os gastos com tratamentos médicos relacionados ao consumo de tabaco.

- Crescem as restrições

Nos últimos anos, as empresas do setor fizeram uma intensa campanha publicitária em torno do cigarro eletrônico e dos dispositivos que esquentam os líquidos com nicotina e aromatizantes, em busca de novos clientes.

As companhias argumentam que esses produtos são muito menos nocivos do que os cigarros tradicionais e podem ajudar os fumantes incapazes de abandoná-los completamente a migrarem para alternativas "mais seguras".

A OMS adverte, porém, que a desinformação disseminada pela indústria do tabaco sobre os cigarros eletrônicos representa uma "ameaça atual e real".

As restrições ao uso de cigarros eletrônicos no mundo todo estão aumentando.

No mês passado, a cidade de San Francisco proibiu a venda e a fabricação desses dispositivos.

A China, que responde por quase 25% dos fumantes do mundo, também planeja regular esses dispositivos eletrônicos.

Em seu relatório, a OMS alerta ainda que é preciso um esforço maior para ajudar os fumantes a parar de fumar e aponta que "apenas 30% da população mundial tem acesso a serviços adequados" para cessar com o tabagismo.

Entre estes serviços, a organização menciona aconselhamento, linhas telefônicas nacionais de cessação gratuitas, terapias também gratuitas de substituição da nicotina, ou medicamentos.

Sem ajuda, apenas 4% dos fumantes que tentam deixar o hábito têm sucesso.

Todos os anos, o cigarro provoca a morte de oito milhões de pessoas, entre fumantes e fumantes passivos.

Ainda que o número de fumantes no mundo tenha diminuído ligeiramente desde 2007, continua sendo muito alto, em cerca de 1,4 bilhão - homens, em sua grande maioria.

"As pessoas que largam o cigarro podem viver vidas mais longas, saudáveis e produtivas", conclui a OMS.

O número de jovens americanos que utilizam cigarros eletrônicos aumentou um milhão e meio em 2018, compensando os anos de redução do consumo de tabaco em escolas de ensino médio e universidades, informaram na segunda-feira (11) as autoridades de saúde.

Cerca de 3,6 milhões de estudantes de ensino médio e universidades usaram cigarros eletrônicos em 2018, em comparação com 2,1 milhões em 2017, um aumento vertiginoso de 78% entre estudantes de ensino médio e de 48% entre universitários. A quantidade de fumantes de cigarros e outros produtos de tabaco, enquanto isso, se manteve estável, segundo um informe dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Um total de 4,9 milhões de jovens usaram cigarros eletrônicos, fumaram ou consumiram algum produto de tabaco em 2018, em comparação com 3,6 milhões em 2017, de acordo com uma definição que incluía consumir um destes produtos no mês anterior ao questionário respondido pelo estudante.

Todo esse aumento é atribuído ao cigarro eletrônico. Mais de um de cada quatro estudantes de ensino médio (27%) fuma, usa cigarros eletrônicos ou consome algum produto de tabaco (cigarro, cachimbo, narguilé, fumo de mascar, etc).

"O aumento meteórico do uso de cigarros eletrônicos por parte dos jovens no ano passado ameaça eliminar os avanços alcançados na redução do consumo de tabaco nos jovens", disse o diretor dos CDC, Robert Redfield.

"Uma nova geração corre o risco de desenvolver um vício em nicotina", afirmou. Os cigarros eletrônicos contêm nicotina e outros produtos, mas não as substâncias encontradas nos cigarros tradicionais que se sabe que são cancerígenas.

Seu efeito a longo prazo na saúde é objeto de estudo. Os especialistas do governo explicam que o consumo de nicotina pode ter efeitos prejudiciais no desenvolvimento do cérebro adolescente.

Os fabricantes argumentam que para os adultos que já são fumantes e dependentes de nicotina, o cigarro eletrônico fornece um benefício radical para a saúde, mas as autoridades de saúde temem que introduza as novas gerações à nicotina.

Um homem, identificado como William Eric Brown, 24 anos, morreu após um cigarro eletrônico explodir em seu rosto. No hospital, foi constatado que uma das peças do eletrônico cortou o lábio do jovem e se alojou em sua garganta, causando um derrame ao danificar a artéria carótida, que fica no pescoço e fornece sangue para o cérebro.

O caso aconteceu no estacionamento de uma loja do Texas, Estados Unidos. Segundo publicação do site CBS DFW, quando os médicos constataram o pedaço do cigarro na garganta do William, colocaram a vítima em coma induzido, mas ele morreu antes de ser operado.

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A avó do William Eric Brown reforçou que os investigadores acreditam que a bateria foi o motivo da explosão do cigarro eletrônico. Os fabricantes do aparelho não serão processados pela família "porque não o trará de volta", finalizou a avó.

Fumar cigarro eletrônico pode aumentar o risco de vários tipos de câncer e doenças cardíacas, segundo os resultados preliminares de um estudo efetuado em ratos e células humanas.

Este trabalho, que sugere que o vapor da nicotina pode ser mais nocivo do que se pensava, foi elaborado por investigadores da faculdade de medicina da universidade de Nova York e publicado na segunda-feira nos anais da Academia americana de ciência(PNAS).

Os roedores foram expostos durante doze semanas ao vapor de nicotina equivalente em dose e duração a dez anos para os humanos.

Ao fim do experimento, os cientistas constataram danos no DNA das células de pulmões, bexiga e coração desses animais, assim como uma redução do nível de proteínas de reparação das células nesses órgãos, diferentemente de outros ratos que respiraram ar filtrado durante o mesmo período.

Efeitos adversos similares se observaram em células humanas de pulmão e de bexiga expostas em laboratório à nicotina e a um derivado cancerígeno desta substância (nitrosamina). Estas células aumentaram significativamente as taxas de mutação tumorais.

"Embora os cigarros eletrônicos contenham menos substâncias cancerígenas que os cigarros convencionais, o vapor poderia representar um risco maior para contrair um câncer pulmonar ou de bexiga e também desenvolver doenças cardíacas", dizem os investigadores do estudo dirigido por Moon-Shong Tan, professor de medicina ambiental e patologias da universidade de Nova York.

As fábricas de cigarros eletrônicos afirmam que são uma alternativa mais segura do que os produtos tradicionais de tabaco.

O cigarro eletrônico pode ter ajudado cerca de 18.000 pessoas a parar de fumar no ano passado na Inglaterra, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (15). O estudo, porém, não está fundamentado em nenhum ensaio clínico, de modo que não garante uma relação de causa e efeito entre o uso dos cigarros eletrônicos que contém nicotina e o número de pessoas que pararam de fumar.

Pesquisas anteriores colocaram em dúvida a eficácia dos cigarros eletrônicos como substitutos do tabaco. Alguns estudos afirmavam, inclusive, que o dispositivo representa para os adolescentes uma "porta de entrada" para o vício em cigarros.

Mas uma equipe de pesquisadores liderada por Emma Beard, da Universidade College London, assim como especialistas que não participaram do estudo, citam novas evidências convincentes de que usar o cigarro de vapor pode ajudar a parar de fumar.

"As tentativas de abandonar o cigarro passaram a ter mais sucesso no momento em que os cigarros eletrônicos ficaram populares", comenta Ann McNeill, especialista em dependência de tabaco na King's College de Londres, que não participou do estudo.

"Na minha opinião, os fumantes que lutam para parar de fumar deveriam tentar todos os métodos possíveis, incluindo os cigarros eletrônicos", acrescenta. Quase um em cada cinco adultos fuma no Reino Unido. Os serviços públicos propõem ajudas para abandonar o tabaco, que incluem conselhos e prescrições. Ao menos 2,8 milhões de britânicos utilizam o cigarro eletrônico.

Os 18.000 ex-fumantes no censo feito em 2015 por esta pesquisa representam um número "relativamente baixo", mas medicamente "significativo tendo em conta os enormes benefícios para a saúde de deixar o tabaco", afirmam os autores do estudo, publicado na revista British Medical Journal (BMJ).

Uma pessoa de 40 anos que para de fumar pode esperar viver nove anos a mais do que um fumante que sempre tenha fumado ao longo da sua vida, apontam os autores. Outro relatório sobre os cigarros eletrônicos, divulgado simultaneamente pela publicação Cochrane Library, também chega à conclusão de que este dispositivo pode ajudar os fumantes a abandonarem o tabaco.

A revista Cochrane constata, ainda, em uma atualização das suas conclusões de 2014, que o uso do cigarro eletrônico não está associado a efeitos colaterais indesejáveis graves.

Um grupo com 53 cientistas saiu em defesa dos cigarros eletrônicos em carta direcionada à Organização Mundial da Saúde (OMS). O objetivo é pedir que a OMS, "resista à tentação de controlar e suprimir os cigarros eletrônicos”, de acordo com trecho do documento. Os especialistas, de 15 diferentes países, defendem que os cigarros eletrônicos não devem sofrer as mesmas restrições dos cigarros tradicionais.

No documento, os especialistas argumentam que os dispositivos, que fornecem nicotina em vapor, são uma das “inovações de saúde mais importantes do século 21” e “podem salvar muitas vidas” por substituir o cigarro tradicional, comprovadamente nocivo.O grupo teme que os cigarros eletrônicos sejam incluídos na meta de redução de consumo e na proibição de publicidade previsto na Convenção-Quadro para o Controle de Tabaco, adotada pelos membros da OMS.

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Os críticos do cigarro eletrônico questionam a ausência de estudos sobre os efeitos que o dispositivo pode causar na saúde do usuário a longo prazo. Um relatório recente, encomendado pelo departamento de Saúde Pública da Inglaterra, disse que é necessária uma regulamentação adequada e um acompanhamento atento dos riscos.

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