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O nutrólogo Abib Maldaun Neto foi preso na manhã desta segunda-feira (14), próximo ao Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo. Ele é acusado de estupro por mais de 16 pacientes e se tornou réu pela segunda vez.

Após ser detido, o médico foi encaminhado à Divisão de Capturas da Polícia Civil, na região Central. A Justiça já havia decretado sua prisão preventiva no início deste mês para impedir o desaparecimento de provas, em vista da "gravidade dos crimes imputados ao médico, praticados no exercício da sua função". 

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Segundo a acusação, ele cometeu os abusos sexuais dentro do próprio consultório, durante os últimos 23 anos. Das 16 vítimas, sete assumem a posição de testemunhas, pois os crimes prescreveram.

Embora ele negue os crimes, que teriam sido cometidos entre 1997 e 2020, a juíza Ana Cláudia dos Santos Sillas, da 26ª Vara Criminal, destaca que o nutrólogo já havia sido condenado anteriormente ao regime semiaberto. Porém, Maldaun Neto respondia em liberdade e continuou com os ataques enquanto o processo tramitava.

Acusado de violação sexual mediante fraude pelo Ministério Público de São Paulo, o médico chegou a ser intimado, mas sua defesa alegou problemas de saúde e ele não compareceu ao depoimento.

Reconhecido por atender famosas em seu consultório de luxo, no bairro do Jardins, na capital paulista, Abib teve o registro médico suspenso pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).

O projeto Consultório na Rua vai ampliar a testagem do novo coronavírus aos olindenses em situação de rua. A partir desta quarta-feira (3), a ação da prefeitura percorre os bairros do subúrbio de Olinda em busca de sintomáticos com histórico de comorbidades para realização do exame rápido.

O objetivo é que, ao menos, 20 testes sejam realizados diariamente de segunda à sexta. A equipe do Consultório na Rua vai se deslocar entre regiões já monitoradas, são os bairros do Carmo, Varadouro, Peixinhos, Rio Doce, Bultrins e Cidade Alta.

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"A população de rua são pessoas como eu e você [...] a gente precisa ajustar essa questão do Covid à realidade deles. A importância de você ter essa população orientada, testada, se protegendo é a questão da pandemia e da diminuição de contágio entre as pessoas. Só assim a gente vai conseguir melhorar a curva e voltar à normalidade”, avaliou o coordenador do Consultório na Rua, Mário Costa, que esclareceu que a ação vai durar "o tempo que for preciso".

As pessoas que foram confirmadas com a infecção serão encaminhadas ao Centro de testagem e acolhimento aos pacientes da Covid-19. A unidade fica localizada na Policlínica Barros Barreto, no bairro do Carmo. 

O curso de Nutrição da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau Recife inaugurou o primeiro Consultório Escola de Nutrição da região. O atendimento será realizado por alunos que estão cursando a partir do 7º período, supervisionados por professores, e acontecem às terças e quintas, das 14h às 17h, na Clínica Escola da Instituição, localizada no Bloco F, no bairro das Graças.

O projeto é pioneiro na região tanto pelo serviço prestado, como pela oportunidade proporcionada aos alunos. “Os alunos poderão vivenciar o dia a dia da profissão e de uma clínica e atuar em conjunto com profissionais de outras áreas”, afirmou uma das professoras responsáveis pela iniciativa, Rafaella de Andrade.

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Segundo a coordenadora do curso de Nutrição da UNINASSAU, Thaís Aires, a princípio, o atendimento será apenas para funcionários da Instituição e, uma vez por mês, para participantes do projeto Circo Social, mas com intenção de expandir para os alunos e para o público externo. “Primeiro vamos manter para o público interno para mensurar a demanda que teremos, mas objetivo é ter mais dias de atendimento e poder receber também outras pessoas”, explicou.

Alunos a partir do 1º período também poderão participar das consultas em forma de observadores, possibilitando, desde o começo do curso, entender como funciona um atendimento clínico, da avaliação física ao acompanhamento dos resultados.

Agendamento e outras informações através do email nutrição.rec@uninassau.com.br ou pelo número 34134611.

Da assessoria 

O aposentado Carlos Alberto (de camisa azul) passou a receber atendimentos de saúde nas próprias farmácias. Foto: Rafael Bandeira/LeiaJáImagens

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Disposto a uma conversa agradável e sempre pronto para compartilhar uma boa piada, o aposentado Carlos Alberto Fernandes Seixas, de 56 anos, reflete bem-estar. Além da feição feliz, o recifense demonstra uma saúde admirável e revela ser um dos brasileiros que não abrem mão de manter consultas médicas rotineiras. Ele entende que cuidar do próprio corpo, sob orientações de profissionais especializados, é fundamental para quem almeja uma boa condição física. Mais do que isso, Paulo também faz questão de praticar exercícios com regularidade, guardando um carinho especial pelas suas indispensáveis caminhadas em ruas da Zona Norte da capital pernambucana.

Morador do tradicional bairro de Casa Amarela, um dos mais populosos do Recife, ele revela que - entre uma caminhada e outra - um endereço é destino obrigatório na sua rota. Há pelo menos dois anos, ele frequenta com regularidade uma das farmácias da rede Pague Menos. Na unidade, o aposentado descobriu e incluiu em sua rotina os atendimentos clínicos realizados por farmacêuticos, que vão de testes rápidos, como o de glicemia, até aferição de pressão arterial. Sua confiança pelo serviço ganhou mais força quando, ao ser orientado por um desses profissionais, checou uma informação junto a sua médica.

“Uma pessoa maravilhosa é o Adriano, o farmacêutico que me atende sempre. Inclusive, tive um problema na próstata; falei com Adriano, ele viu todos os exames e informou que estava tudo bem comigo. Como sou exigente, levei os exames para a minha médica, que confirmou e elogiou o serviço da farmácia. Isso me fez dar mais crédito ainda. É uma prova de que o serviço farmacêutico mudou, antigamente os farmacêuticos apenas entregavam o remédio para comercializar. Hoje, no entanto, eles olham o lado humano do cliente. Estou tendo um atendimento maravilhoso”, conta o aposentado.

Cliente assídua da farmácia, assim como Seu Carlos, a dona de casa Valdenice Almeida, 69 anos, também adotou o serviço farmacêutico. Ela reside no bairro há 18 anos, mas só há cerca de três anos passou a ter orientação sobre saúde na própria unidade. “Passo aqui, faço aferição e recebo muitas informações. Antes, o cliente só consumia remédio, mas após esse serviço ficou muito melhor. A gente compra e ainda cuida da nossa saúde. O próprio atendimento melhorou”, opina.

 Outro cliente que passou a receber atendimentos farmacêuticos regularmente, o aposentado José Arthur de Sá, 73, acredita que o serviço é um diferencial importante no concorrido mercado de farmácias. Sempre que volta da academia onde pratica exercícios físicos, Seu José faz questão de entrar na unidade recifense para realizar exames rápidos ou simplesmente bater um papo descontraído com a equipe farmacêutica. Na sua ótica, esse tipo de emprendimento não é um simples ponto comercial; é também, para ele, um espaço de saúde que tem o objetivo de contribuir para a população brasileira.

“Diariamente, mais ou menos umas 10h, passo aqui para comprar produtos. Além disso, no meio da semana, venho aferir a pressão e fazer um exame rápido. Preciso me cuidar porque tenho 73 anos e quero ter um final feliz de vida" afirma José, que ainda elogia as conversas e orientações atenciosas dos farmacêuticos.

  

O aposentado José Arthur de Sá incluiu em sua rotina a assistência farmacêutica / Foto: Rafael Bandeira/LeiaJáImagens

Todo esse serviço clínico aplicado desde 2014 pelas grandes redes era chamado por especialistas do segmento como “revolução silenciosa”. Hoje, no entanto, a revolução já ecoa em alto tom por muitas unidades. Encabeçada pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), a ação pretende massificar nos estabelecimentos o serviço de saúde no âmbito da assistência farmacêutica. Empresas do setor estão recebendo consultoria sobre a iniciativa, bem como profissionais da área têm à disposição inúmeras capacitações contínuas - que facilitam a adequação à essa nova realidade de mercado -. O conjunto dessas ações impacta, consequentemente, nas esferas econômica, profissional e - principalmente -na saúde dos clientes. Praticamente, todos os serviços são gratuitos. 

Adriano Costa, o farmacêutico elogiado por Seu Paulo e outros clientes, acredita que os atendimentos começaram a modificar a formação dos profissionais da área. De acordo com ele, o mercado não tem espaço para um farmacêutico que se atenha apenas a vender ou encontrar o produto do cliente na prateleira. É preciso, sobretudo, segundo Adriano, se enxergar como profissional da saúde, que tem um papel importante em prol do bem-estar da sociedade.

>> Fortalecimento das salas clínicas e um mercado que propaga saúde

De acordo com a Abrafarma, a quantidade de estabelecimentos com salas onde são realizados os serviços farmacêuticos mais do que dobrou nos últimos 12 meses. O número saiu de 605 para 1.670 unidades, que corresponde a um avanço de 176%. Ainda segundo a Associação, a previsão é que, até o final deste ano, sejam realizados 2,6 milhões de atendimentos nas grandes redes de farmácias. Essa estimativa otimista reflete explicitamente o crescimento exponencial desse tipo de atividade, uma vez que a projeção representa praticamente o dobro do número de ações registradas em 2017 no setor: 1,4 milhão de atendimentos.

Os levantamentos da Abrafarma ainda vislumbram uma expansão nos serviços realizados nas unidades, principalmente os que são considerados como "avançados". Segundo a instituição, dos 1.670 estabelecimentos que dispõem de salas clínicas, mais de 900 contam com oito programas de saúde apontados nessa categoria. A projeção é que, até o final de 2018, esse número passe de 2 mil estabelecimentos. 

 

Na Pague Menos, o serviço de atendimento farmacêutico, iniciado em 2014, foi batizado de 'Clinic Farma'. A rede estipula que realizou, apenas no primeiro semestre deste ano, cerca de 3 milhões de procedimentos clínicos, duas vezes mais do que o ano passado. Das quase mil lojas da rede distribuídas em 26 estados brasileiros, mais de 700 unidades contam com salas clínicas. De acordo com a gerente nacional da Clinic Farma, Socorro Simões, todo o trabalho voltado para a saúde, além de ser uma exigência do mercado farmacêutico, empodera os profissionais da área e fideliza ainda mais a relação da empresa com os clientes.

“Cada vez mais, queremos levar saúde à população brasileira - que está sempre procurando esse serviço -. É um atendimento que acaba empoderando o profissional a atuar, prestando uma atenção farmacêutica eficiente. Hoje a gente já nota que o cliente entende que é um serviço diferenciado. O público pode agendar para um atendimento contínuo ou pode começar a receber orientação quando chega às nossas unidades dentro do horário comercial”, explica Socorro Simões.

Segundo a coordenadora farmacêutica da Pague Menos em Pernambuco, Micalyne Egito, o avanço dos serviços farmacêuticos não dispensa o atendimento médico. De acordo com ela, esse é o alerta feito pelos profissionais da área durante os contatos com os clientes. No áudio a seguir, Micalyne dá mais detalhes do serviço e faz uma projeção sobre as tendências do segmento.

Presidente-executivo da Abrafarma, Sérgio Mena Barreto aposta nas experiências internacionais para continuar o fortalecimento do atendimento farmacêutico no Brasil. O gestor ainda reforça que é importante para os especialistas do segmento de saúde e, principalmente, para a própria população, um trabalho conjunto entre, por exemplo, os profissionais de farmácia e os médicos de diferentes áreas.

“No mundo inteiro, a farmácia tem ocupado um papel de mais protagonismo na saúde, por ser um local de maior proximidade com a população e o farmacêutico por ser um profissional que entende de doença e medicamentos. O farmacêutico pode ser um protagonista, auxiliando o tratamento médico. Para se ter uma ideia, nos Estados Unidos, o governo ou planos de saúde pagam para o farmacêutico organizar ou gerir medicamentos de um paciente, porque não é o médico que faz isso, e sim o profissional de farmácia”, explica o presidente da Abrafarma. 

Barreto valoriza ainda o contato profissional que é feito com o cliente. É um vínculo, segundo ele, que perpassa a questão comercial da venda de um medicamento ou qualquer outro produto, passando a permear o âmbito da saúde. “É ali, no atendimento clínico farmacêutico, que o cliente pode ter uma conversa muito mais franca sobre como ele se sente, sobre algum medicamento que ele usa ou por que não conseguiu mudar o hábito alimentar. O serviço ainda é uma novidade no Brasil, a gente aprovou uma lei em 2014 trazendo de novo este papel para as farmácias. Defendemos que a farmácia pode fazer três coisas: a primeira delas é identificar risco, fazendo testes rápidos. Você faz 25 testes na ponta do dedo, como diabetes, colesterol, dengue, um verdadeiro painel de identificação. Isso já tinha na Europa há muito tempo. Muito em breve vai se ver nas farmácias pequenas. O segundo ponto: imunização, ou seja, prevenção por meio de vacinas. Além disso, o terceiro é fazer com que o paciente que é crônico não abandone o tratamento”, detalha.

Campanhas compartilham saúde - Com o objetivo de combater doenças que afetam a população brasileira, grandes redes de farmácias, sob organização da Abrafarma, realizam, desde março deste ano, campanhas de saúde que conscientizam os clientes, de maneira gratuita, sobre os riscos de diferentes diagnósticos. A primeira ação tratou de obesidade. De acordo com a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), quase 20% dos brasileiros sofrem com o problema e mais da metade da população é acometida por sobrepeso. Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil, uma em cada cinco pessoas é obesa.

De 26 a 30 de março, os consumidores puderam solicitar aos farmacêuticos avaliação de peso, altura, taxa de gordura corpórea e orientações para controle do peso. O balanço da Abrafarma aponta que, especificamente nessa campanha, mais de 14 mil pessoas foram atendidas. Além disso, outro recorte impressiona: sete a cada dez clientes atendidos apresentaram sobrepeso.

Em junho deste ano, mais de mil farmácias, oriundas de dez grandes redes, realizaram a campanha de combate à asma. Segundo balanço das empresas, 7.211 clientes receberam atendimentos; foram realizados testes de controle da doença categorizados da seguinte maneira: "Excelente", "Bom" e "Mau".

Outro destaque foi a campanha realizada em agosto deste ano, direcionada a ações de combate ao colesterol. Segundo pesquisa da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), cerca de 60 milhões de brasileiros apresentam níveis altos de colesterol. Durante a campanha, 7.508 clientes foram atendidos em mais de 180 lojas.

Até novembro deste ano, vários problemas de saúde que devem ser combatidos estarão em pauta nas campanhas das grandes redes. Os calendários são divulgados nas redes sociais da Abrafarma e das farmácias envolvidas. 

Em 2017, foram realizadas nove campanhas de saúde no período de março a novembro. Mais de mil farmácias participaram das ações, promovendo um número superior a 80 mil atendimentos. Segundo levantamento da Abrafarma, cerca de 3 mil farmacêuticos atuaram durante as intervenções.

>> Vacinação amplia leque de serviços nas farmácias 

Em dezembro do ano passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio da sua Diretoria Colegiada, aprovou resolução que permite qualquer estabelecimento de saúde realizar vacinações, como farmácias e drogarias. “A norma dá ao setor regulado mais clareza e segurança jurídica quanto aos requisitos que devem ser seguidos em todo o território nacional. Além disso, as vigilâncias sanitárias das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde poderão exercer a fiscalização a partir de norma mais objetiva e uniforme quanto às diretrizes de Boas Práticas em serviços de vacinação, independentemente do tipo de estabelecimento”, informou o órgão em seu site oficial.

De acordo com a Anvisa, a população poderá identificar os pontos de farmácias que dispõem do serviço. Esses estabelecimentos deverão respeitar requisitos de qualidade e segurança já definidos pela Agência, “além de ter sua rotina facilitada pelo aumento das opções de escolha quanto ao local de prestação do serviço”. 

A seguir, é possível conferir ponto a ponto dos requisitos mínimos estabelecidos pela Anvisa para essa prática nos estabelecimentos em todo o país:

• Licenciamento e inscrição do serviço no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES);

• Afixação do Calendário Nacional de Vacinação, com a indicação das vacinas disponibilizadas;

• Responsável técnico;

• Profissional legalmente habilitado para a atividade de vacinação;

• Capacitação permanente dos profissionais;

• Instalações físicas adequadas, com observação da RDC 50/2002 e mais alguns itens obrigatórios a exemplo do equipamento de refrigeração exclusivo para a guarda e conservação de vacinas, com termômetro de momento com máxima e mínima;

• Procedimentos de transporte para preservar a qualidade e a integridade das vacinas;

• Procedimentos para o encaminhamento e atendimento imediato às intercorrências;

• Registro das informações no cartão de vacinação e no Sistema do Ministério da Saúde;

• Registro das notificações de eventos adversos pós vacinação e de ocorrência de erros no Sistema da Anvisa;

• Possibilidade de vacinação extramuros por serviços provados; e

• Possibilidade de emissão do Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP).

Inicialmente, a vacinação em farmácias era realizada nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e em Brasília. Agora, a partir da regulamentação da Anvisa, o serviço está sendo levado para as demais regiões. “Vacina é um problema no Brasil. A gente tem uma cobertura boa com crianças e idosos, mas da população de 20 a 59 anos, 64% das pessoas não se vacinam. E o adulto, nessa faixa a partir dos 20, deveria tomar umas 12 vacinas. A gente vai começar a viver uma nova era na saúde brasileira por causa dos novos papéis das farmácias”, explica presidente-executivo da Abrafarma.

Ainda de acordo com a gestão da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias, é de se comemorar a autorização por parte da Anvisa. Além disso, para Sérgio Mena Barreto, a questão financeira terá um impacto positivo para a população, já que a tendência é que as vacinações sejam barateadas, em comparação com clínicas privadas.“O custo é outro problema importante. Em uma vacina de gripe, por exemplo, se cobra até R$ 180. Uma farmácia pode trabalhar em uma faixa entre R$ 70 e R$ 80”, opina.

Em artigo publicado no último mês de julho, a Associação reitera sua posição sobre o trabalho dos profissionais de farmácia também na vacinação. Segundo o texto, as unidades vinculadas a grandes redes estão pontas para oferecer o serviço. 

“O estímulo ao autocuidado torna-se uma estratégia ainda mais necessária em razão da baixa cobertura vacinal no Brasil. Essa realidade contribui para que doenças já erradicadas voltem a preocupar autoridades sanitárias e profissionais de saúde. A ameaça do ressurgimento de males como sarampo, rubéola e poliomielite levou até a criação de uma força-tarefa envolvendo Brasil, Argentina, Chile e Paraguai. Entidades como a Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim) mostram-se atentas ao tema e alertam para a importância de incentivar a vacinação especialmente entre crianças. As farmácias podem ter um importante papel no aumento da cobertura vacinal, atuando na imunização e também como pontos de educação em saúde. Desde 2017, esses estabelecimentos podem oferecer vacinação e centenas de farmácias em todo o país já contam com o serviço”, diz trecho do artigo.

Um posicionamento oficial da Sbim orienta que sejam respeitadas exigências importantes para o funcionamento dos serviços de vacinação humana. “A entidade participou ativamente no período da consulta pública da proposta, com o envio de várias sugestões, e elaborou uma Nota Técnica sobre a questão, disponibilizada na página da entidade (sbim.org.br) em 13/07/2017. Na ocasião, já ressaltávamos algumas situações de risco que necessitam ser muito bem avaliadas na nova realidade”, consta no posicionamento. Confiram alguns pontos reforçados pela Sociedade Brasileira de Imunizações em um comunicado oficial:

A SBIm entende que os imunobiológicos só devem ser ofertados se for possível cumprir todos os processos que garantam a segurança dos pacientes, entre os quais: triagem de indicações e contraindicações; correto manuseio, conservação, preparo e administração das vacinas; registro e descarte apropriado de resíduos, assim como atendimento e notificação de eventos adversos imediatos e tardios.

Além disso, a estrutura física deve ser adequada para que todos os procedimentos (antes, durante e após a vacinação) possam ser desenvolvidos com segurança. As boas práticas incluem, ainda, fornecer orientações, zelar pelo indivíduo em todas as fases do processo e se responsabilizar pela conduta diante de quadros adversos. Ou seja, serviços de vacinação não podem ser confundidos com administradores de produtos segundo protocolos.

As atividades de vacinação são complexas e somente podem ser exercidas por profissionais capacitados e em estabelecimentos devidamente licenciados para esse fim pela autoridade sanitária. O trabalho de fiscalização por parte dos órgãos competentes se tornará cada vez mais importante. Do contrário, a população pode ser penalizada.

Segundo estudo realizado pelo Ibope Inteligência, com a participação de mais de 2 mil pessoas, 52% dos entrevistados aprovam a implementação do serviço de vacinação nas farmácias. Em outro recorte, a pesquisa aponta que 81% dos participantes do levantamento demonstram segurança para receberem vacinas em estabelecimentos farmacêuticos.  

>> Um mercado ainda mais exigente

A propagação dos serviços de saúde que beneficiam os clientes das grandes redes proporciona ainda um impacto profundo na formação dos farmacêuticos brasileiros. Com a adesão das empresas ao fortalecimento da assistência farmacêutica em seus estabelecimentos, consequentemente, o próprio mercado passou a exigir profissionais ainda mais qualificados e empoderados, cientes de que têm um papel importante em prol da população.

Para especialistas e professores da área de farmácia, os cursos de graduação precisam intensificar uma formação que trate o farmacêutico como um autêntico profissional de saúde, que não se resumirá a entregar os produtos exigidos pela clientela. Aos 26 anos, Robson Oliveto dos Santos, natural de Recife, ingressou na graduação atento às exigências do mercado. O jovem sempre quis atuar nas redes de farmácia e, para isso, compreendeu que o hoje o mercado cobra, além de formação superior, capacitações contínuas.

“Há alguns anos, prestei serviço em uma rede de drogarias e percebi como o mercado era amplo para os farmacêuticos. Inicialmente fiz o curso técnico e posteriormente entrei na graduação. O profissional farmacêutico é preparado para atuar em várias áreas, mas o meu intuito é trabalhar nas empresas. Gosto bastante do trabalho voltado para os atendimentos farmacêuticos, porque todos esses projetos valorizam os profissionais”, diz o graduando do quinto período.   

De acordo com o farmacêutico da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e chefe do setor de farmácia do Hospital das Clínicas, localizado no Recife, José de Arimateia Rocha, a profissão ganhou novos ares. Para ele, o farmacêutico passou a ser visto como um profissional de saúde que está pronto para atender a população. 

“Com a industrialização dos medicamentos, a função do farmacêutico boticário foi sendo desvalorizada, porque no lugar de você fabricar o medicamento, apenas entregava o produto. No Brasil, na década de 60, essa industrialização foi muito forte. Mas o tempo todo as entidades e universidades reivindicavam a volta da atuação dos profissionais para as farmácias, porque o medicamento, mesmo industrializado, requer uma orientação especializada para o público. E hoje, com a exigência da presença de farmacêuticos nas lojas, nossa profissão ficou fortalecida. Foi um retorno importante desse trabalhador ao mercado”, explica José de Arimateia.

“Essa atividade nas farmácias é um ganho significativo para a população. Fora do Brasil, por exemplo, não existe farmácia sem farmacêutico. Nós despertamos nos últimos quatro, cinco anos. A população é quem ganha. Vale lembrar que o médico ainda é quem define o diagnóstico. Se o farmacêutico tiver algum questionamento, ele precisa levar a informação ao médico”, acrescenta o especialista.

O farmacêutico ainda explica que o foco principal do mercado é o comércio no âmbito das farmácias e drogarias, pois são os principais empregadores. Por isso, é preciso conhecer bem os medicamentos e os serviços. "Hoje são oferecidos muitos cursos de atualização e pós-graduação, que são atividades essenciais para a formação de um bom profissional de farmácia. Há uma evolução de profissionais no mercado e quem se qualificar e tiver mais competência vai ficar no mercado. Até os bons profissionais precisam se qualificar mais”, finaliza.

Segundo dados do ‘Perfil do Farmacêutico no Brasil’, produzido em 2015 pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), 27% dos profissionais da área atuavam em drogarias e farmácias das grandes redes. Em 2016, o CFF divulgou que há mais de 200 mil farmacêuticos inscritos nos conselhos regionais do país, mas não detalhou quantos desses estão trabalhando. A Abrafarma estipulou, no ano passado, que as grandes redes contam com mais de 22 mil farmacêuticos empregados, conforme levantamento feito pela Universidade de São Paulo (USP). 

Com a área de atuação fortalecida pelos serviços clínicos, a formação do farmacêutico precisa dedicar boa parte da sua duração às experiências de atendimento aos clientes. Qualificação contínua, nesse quesito, é primordial. Em entrevista ao LeiaJá, a doutora em Fármaco e Medicamentos pelo Departamento de Farmácia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP), Maria Aparecida Nicolettis, contextualiza de maneira aprofundada os cenários que vão da graduação à atuação dos profissionais no mercado. Confira a entrevista: 

LeiaJá: Como a senhora explica o trabalho realizado pelos profissionais de farmácia no Brasil? O que mudou desde que os atendimentos clínicos passaram a ser fortalecidos nas grandes redes?

Doutora Maria Aparecida Nicolettis: A Farmácia Clínica teve origem nos Estados Unidos, na década de 60, quando - ao final dessa década - houve a inclusão de disciplinas dessa área no currículo dos cursos de farmácia norte-americanos e é entendida como uma filosofia na qual o farmacêutico deve utilizar seu conhecimento profissional para promover o uso seguro e apropriado de medicamentos, em equipe multiprofissional de saúde. A Farmácia Clínica surgiu em ambiente hospitalar e estabelece uma supervisão contínua do paciente. Atualmente, incorpora a filosofia do Pharmaceutical Care (Cuidado Farmacêutico) e, como tal, expande-se a todos os níveis de atenção à saúde e pode ser desenvolvida em hospitais, ambulatórios, unidades de atenção primária à saúde, farmácias comunitárias, instituições de longa permanência e domicílios de pacientes, entre outros.

Segundo Robert Miller (1968), “A Farmácia Clínica é a área do currículo farmacêutico que lida com a atenção ao paciente com ênfase na farmacoterapia. A Farmácia Clínica procura desenvolver uma atitude orientada ao paciente. A aquisição de novos conhecimentos é consequência do desenvolvimento de habilidade de comunicação interprofissional e com o paciente”.

O Conselho Federal de Farmácia conceitua Farmácia Clínica como “área da farmácia voltada à ciência e prática do uso racional de medicamentos, na qual os farmacêuticos prestam cuidado ao paciente, de forma a otimizar a farmacoterapia, promover saúde e bem-estar, e prevenir doenças”.

Portanto, as atribuições clínicas do farmacêutico visam proporcionar cuidado ao paciente, família e comunidade, de forma a promover o uso racional de medicamentos e otimizar a farmacoterapia, com o propósito de alcançar resultados definidos que melhorem a qualidade de vida do paciente.

No contexto da Farmácia Clínica foram estabelecidas as atividades clínicas do farmacêutico relacionadas ao cuidado ao paciente e, portanto, o cuidado farmacêutico deve ser realizado em modelo biopsicossocial - entendendo o indivíduo em sua integralidade.

LeiaJá: Em termos de formação universitária, de que maneira as nossas universidades devem formar os futuros farmacêuticos, levando em consideração as exigências do mercado?

 Nicolettis:  A Farmácia Universitária deve estar alinhada ao Projeto Político Pedagógico dos Curso de Farmácia da IES e apresenta uma importância fundamental na formação acadêmica por meio na integração do conteúdo teórico de sala de aula à prática na vivência com o paciente e, também, o desenvolvimento da prática em equipe multiprofissional. O egresso do Curso de Farmácia deve apresentar uma formação sólida para o entendimento e manejo das necessidades do paciente, família e comunidade na prática do cuidado farmacêutico.

LeiaJá: Como a senhora detalha a importância do profissional de farmácia para a saúde da população brasileira? Como deve ser a interação desse profissional com os médicos?

Nicolettis:  O profissional está diretamente em contato com o usuário do medicamento e oportuniza a educação em saúde de maneira muito efetiva. O contato com o indivíduo possibilita ao profissional identificar falhas no uso racional de medicamentos, de maneira que possa fazer as intervenções cabíveis para a segurança do usuário. O profissional, também, se torna referência no esclarecimento de dúvidas e no fornecimento de informação técnica-científica a outros profissionais. Nos últimos anos, detectou-se a necessidade da integração com equipe multiprofissional da saúde devido ao grau de expertise profissional das diferentes áreas de atuação. Em doenças crônicas não-transmissíveis, por exemplo, é fundamental que o farmacêutico atue em equipe multiprofissional não somente com médicos, mas também, com outros profissionais da saúde no cuidado integral. A atuação em equipe multiprofissional de saúde deverá ser incorporada a todos os profissionais objetivando a obtenção dos melhores resultados em relação à qualidade de vida do paciente/indivíduo.

LeiaJá: No que diz respeito à aplicação de vacinas nas farmácias, como a senhora analisa o serviço?

Nicolettis:  Para a disponibilização do serviço, o profissional deve estar capacitado e atualizado, além de cumprir com as competências que lhe são atribuídas em seu âmbito profissional. Sem dúvida que esse serviço trará benefícios à população, entretanto, todas as exigências legais para sua prática deverão ser estabelecidas por meio de procedimentos operacionais padrão e treinamentos realizados para que a qualidade do serviço seja assegurada à população.

LeiaJá: De que maneira os profissionais de farmácia devem se qualificar para atender exigências de mercado das grandes redes? Quais áreas de especialização a senhora indicaria?

Nicolettis:  Os profissionais têm cenários diferentes em relação às populações que atendem, bem como, em relação aos serviços de saúde da região onde estão localizados. A qualificação profissional e a atualização constante são imprescindíveis a qualquer indivíduo para exercer a sua profissão.

Portanto, as características epidemiológicas da população da região de onde está localizada a farmácia precisa ser conhecida para que o profissional possa atuar de maneira abrangente e ter sua especialização direcionada às necessidades avaliadas.

A divulgação de conhecimento é uma das atribuições do profissional da saúde e a orientação para ações preventivas é essencial para o indivíduo, a coletividade e o serviço público de saúde, considerando nesse último, os gastos com internações e medicamentos que poderiam ser evitados e aplicados em outras situações.

Há muito que se fazer em termos de melhoria de conhecimento da população. Todas as ações desde que praticadas com fundamentação técnico-científica contribuirão em algum grau para a melhoria do conhecimento na área da saúde pela população. O País precisa urgentemente melhorar a qualidade de informação da população que, além de heterogênea, tem características distintas dependendo da classe social a qual pertence.

Outro aspecto que deverá ser salientado é a responsabilidade do usuário do medicamento em utilizá-lo de maneira correta porque, para o sucesso terapêutico, todos devem desempenhar as ações de competência que lhes são inerentes, ou seja, tanto o prescritor, o dispensador e o usuário de medicamento têm cada um no seu nível, a responsabilidade pela recuperação da saúde. Se o paciente não utiliza o medicamento adequadamente, a resposta terapêutica ficará prejudicada ou ausente. É muito importante reiterar a participação e responsabilidade do paciente no processo de recuperação da saúde. O medicamento tem um papel importantíssimo e, para tanto, deverá ser usado adequadamente com a responsabilidade compartilhada.

LeiaJá – Por fim, como a senhora define a profissão de farmacêutico e a atuação das grandes redes no futuro? É possível dizer que as farmácias passarão a ser, de fato, uma alternativa ao SUS no que diz respeito aos atendimentos clínicos, como a realização de exames rápidos?

Nicolettis:  A atualização profissional e o trabalho em equipe multiprofissional da saúde são exigências para a prática das atividades clínicas do farmacêutico. A legislação tem avançado bastante nas competências atribuídas ao farmacêutico, entretanto, a qualificação profissional deverá ser uma condição indispensável. Não penso que a farmácia deva ser uma alternativa ao Sistema Único de Saúde, mas sim, agregar práticas que possibilitem a prática do cuidado farmacêutico em seu âmbito de competência. Todos devem cumprir o seu propósito estabelecido em relação à sua estrutura de atendimento, entretanto, as carências do sistema público de saúde deverão ser sanadas, bem como, implementadas, e não delegadas a outras entidades relacionadas ao atendimento de saúde à população. O cuidado farmacêutico estabelece a provisão dos serviços e a responsabilidade é atender as necessidades de saúde do paciente no contexto da competência profissional a ele atribuída. Os exames rápidos, para auxiliarem no acompanhamento farmacoterapêutico do paciente, são necessários, entretanto, não deverão substituir os exames clínicos. A prática farmacêutica deve estar regulamentada para legitimar os profissionais e a segurança aos pacientes, nos serviços prestados.

“O Brasil precisa da farmácia clínica” - Em artigo publicado na ‘Revista Excelência Farmacêutica’, o presidente do Conselho Federal de Farmácias (CFF), Walter da Silva, valoriza a atuação profissional do farmacêutico e o fortalecimento dos serviços clínicos para a população. Em sua ótica, diante de um país que sofre os efeitos de uma saúde castigada, as farmácias clínicas podem ser um alento para a sociedade.

“O modelo de farmácia clínica avança, recebendo a aprovação da população à medida que promove a saúde e ajuda a diminuir os prejuízos nos sistemas público e privado, entre outros benefícios. Imaginem um país com a saúde pública marcada por dificuldades de gestão, falta de recursos, atraso tecnológico, uma corrosiva burocracia, carência de profissionais especializados, longas filas para o atendimento. Por outro lado, imaginem a existência de ilhas de prosperidade, no mesmo país e no mesmo setor. Estou falando do Brasil. Estou falando, também, do poder que as práticas de farmácia clínica têm de melhorar a saúde dos cidadãos. Essa área profissional apresenta um grande alcance sanitário, com profunda repercussão social. Por isso, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) vem adotando políticas com vistas a fortalecê-la”, defende Silva.

No decorrer do texto, o representante da entidade continua defendendo sua ótica de que o serviço clínico proporciona qualidade em saúde para o público. “Agora, imaginem o país puxado para trás por dificuldades no setor de saúde. Pois este mesmo país também é puxado para a frente por um vasto elenco de serviços clínicos prestados pelos farmacêuticos. Nas farmácias, eles orientam sobre o uso correto e revisam a utilização de cada um dos medicamentos e a forma de organizar o tratamento; fazem o acompanhamento farmacoterapêutico, para garantir que os medicamentos alcancem os resultados esperados e não produzam efeitos colaterais, interações indesejáveis. Mais: prescrevem medicamentos – que não exigem receita médica – para o tratamento dos sintomas e de mal-estares de baixa gravidade (problemas de saúde autolimitados); e fazem exames preventivos para algumas doenças. Educadores em saúde por excelência, os farmacêuticos também atuam nos programas de tratamento e acompanhamento para emagrecimento e gerenciamento do peso e no abandono do tabagismo”, opina o presidente do Conselho Federal de Farmácias.

Walter da Silva também sustenta o discurso de que a população brasileira, em decorrência do seu envelhecimento, tende a consumir produtos de saúde com mais frequência, o que, para o presidente, mais do que comprova a relevância de profissionais farmacêuticos qualificados durante os atendimentos aos clientes. “O Brasil vem apresentando novas necessidades em saúde, com o envelhecimento da população. Entre os idosos, há uma prevalência de doenças crônicas. Cerca de 80% deles têm pelo menos uma doença crônica. Isso significa dizer que é três vezes maior a necessidade do uso de medicamentos por esses pacientes. Até porque o uso de medicamentos é um poderoso, se não o maior, processo de intervenção para melhorar o seu estado de saúde”, argumenta.

O presidente do CFF finaliza o artigo reiterando as exigências do mercado farmacêutico quanto às qualificações contínuas de seus profissionais. “As redes estão implantando um centro de cuidados clínicos, exigem que seus farmacêuticos se qualifiquem e prestem serviços humanizados e de alta qualidade aos seus clientes. É a virada na saúde”, conclui.

>> Qualificações enchem os currículos de saúde 

Olhares atentos às palestras, conversas profissionais e milhares de currículos sendo enriquecidos. Os encontros que reúnem farmacêuticos de todo o Brasil provam quão necessária é a capacitação contínua que esses colaboradores devem abraçar para dar prosseguimento aos serviços de saúde oferecidos nas farmácias brasileiras. Promovido pela Abrafarma, o Rood Show Care Center é um dos principais eventos da área que disseminam experiências em prol da saúde.

Recife, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre são as capitais que recebem neste ano as edições do evento que projeta impactar cerca de 6 mil farmacêuticos. Durante os encontros, além de fortalecerem o networking com profissionais e gestores de outras empresas, os participantes consumem conteúdo de especialistas em saúde.

“São palestras ao longo de um dia, temas atuais que tem a ver com a prática, como por exemplo Vitamina D, diabetes, gravidez segura, obesidade, desnutrição. Tudo muito vinculado ao dia a dia do farmacêutico nos balcões das farmácias e principalmente para os que trabalham nos consultórios dentro das farmácias”, comenta o coordenador do Programa de Assistência Farmacêutica da Abrafarma, Cassyano Correr.

Em maio deste ano, na edição recifense do Rood Show Care Center, centenas de farmacêuticos lotaram um centro de convenções para discutir saúde e fomentar práticas de serviços clínicos nas farmácias. A palestrante Eliete Bachrany, pós-graduada no segmento, compartilhou sua vivência em serviços farmacêuticos realizados em São Paulo. De acordo com a especialista, os eventos de qualificação contínua para profissionais da área são fundamentais porque, em sua análise, a assistência farmacêutica nas grandes redes “é um caminho sem volta”. No áudio a seguir, Eliete dá mais detalhes sobre suas experiências no mercado e no Rood Show Care Center:

Correr reitera o pensamento de Eliete em relação às farmácias como pontos onde, definitivamente, as pessoas terão acesso a serviços rápidos de saúde. “As farmácias estão se tornando grandes espaços de saúde, porque elas apoiam os médicos, hospitais, onde as pessoas encontram soluções para problemas básicos do dia a dia. É uma mudança radical. Há quatro anos, a gente praticamente não tinha isso no Brasil. A gente quer continuar as salas de atendimentos”, opina.

Reforçando a necessidade dos profissionais participarem de cursos e outras atividades de capacitação, o coordenador do Programa de Assistência Farmacêutica detalha as qualificações presenciais e no formato EAD disponíveis para farmacêuticos de todo o Brasil. Confira no vídeo a seguir:

>> Números do setor farmacêutico 

De acordo com dados da Abrafarma compilados pela Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (FIA-USP), no primeiro semestre deste ano, as grandes redes de farmácias e drogarias movimentaram um montante de R$ 22,79 bilhões. O valor, segundo a Associação, corresponde a um crescimento de 7,54% sobre o mesmo período em 2017. A média do varejo brasileiro neste ano, conforme indicação do Boa Vista SCPC, foi de 3,1%.

Das vendas totais, os remédios isentos de prescrição médica foram responsáveis por 16% das transações e chegaram a um faturamento de R$ 3,5 bilhões. O levantamento indica ainda que o comércio geral de medicamentos somou mais de R$ 15 bilhões, um aumento de 8,08% em relação aos primeiros seis meses do ano anterior. 

De acordo com o balanço, só no primeiro semestre deste ano, os medicamentos genéricos movimentaram R$ 2,63 bilhões; foram mais de 169 milhões de unidades comercializadas. O valor de vendas desses produtos representa um aumento de quase 5% na comparação com o mesmo período em 2017.

No que diz respeito aos não medicamentos, tais como cosméticos, perfumes e conveniência, as vendas chegaram a um montante de R$ 7,13 bilhões. Na prática, o valor representa um acréscimo de 6,37% em relação ao ano de 2017. 

A previsão é que haja em 2018 um crescimento em torno de 10% no número de vendas em geral, incluindo medicamentos e não medicamentos. Ainda segundo o levantamento, o quadro de geração de empregos no setor farmacêutico também registrou crescimento. A quantidade de contratações saiu de 114.154 mil para 122.673 trabalhadores, em que desses, mais de 22 mil são profissionais farmacêuticos.

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“O aumento da quantidade de farmácias é reflexo de uma busca crescente dos brasileiros por mais qualidade de vida e estar bem consigo mesmo. É uma demanda dos tempos modernos. O Brasil está envelhecendo e o sistema de saúde público não consegue absorver tanta demanda em um território imenso. Já as farmácias têm plenas condições de agirem com zeladoras do bem-estar populacional, especialmente pela sua proximidade com o cidadão. Não podemos ignorar a abrangência física das grandes redes, que possuem mais de 7 mil lojas espalhadas por 795 municípios brasileiros, alcançando regiões carentes em assistência médica e até mesmo, com pouca atuação do governo. Por isso, defendo que a prestação de serviço à população é o que deve determinar o número”, pontua o presidente executivo da Abrafarma Sergio Mena Barreto.

Inaugurada no dia 7 de setembro de 1876, no Centro do Recife, a Praça Maciel Pinheiro, cuja fonte de mármore foi esculpida pelo artista Antônio Moreira Ratto, em Portugal, é uma comemoração nacionalista ao triunfo do Brasil na Guerra do Paraguai. Ironicamente, foi ali que uma mulher de 67 anos se instalou para, em suas palavras, “cuidar dos pombos”. Ela empilha caixas de papelão debaixo do jorro d’água, onde acomoda as aves que considera doentes, e transita livremente pela água suja para chegar ao calçamento onde alimenta e dá de beber a centenas delas. 

“Ela tem problemas mentais, sempre está aqui”, afirma um transeunte. Com discurso desconexo e voz bastante rouca, a mulher alega que é veterinária aposentada, reside em uma casa na Rua da Conceição e vai à Praça Maciel Pinheiro pelo menos quatro vezes por dia. “Se não der comida, os pombos morrem de fome. Tem que zelar pela natureza. Criei eles desde novinhos, cada um bonito. Muita gente mata e estupra. Eles morrem e eu lavo o sangue”, afirma. Além de alimentar centenas de pombos na Praça Maciel Pinheiro a mulher garante fazer o mesmo em outros locais do centro. “Alguns ficam me esperando na Igreja do Pátio de Santa Cruz, na Sete de Setembro e perto do Shopping Boa Vista". 

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Mulher aplica pomada em pombos doentes com as próprias mãos. (Rafael Bandeira/LeiaJá Imagens)

Despercebida pela maioria das pessoas que circulam pela Maciel Pinheiro, a mulher trata as feridas dos pombos com pomada e água e usa uma sacola na cabeça para evitar molhar o rosto, embora suas roupas estejam costumeiramente ensopadas. “Os pombos são mais limpos que nós. Somos podres”, responde ao ser questionada a respeito das condições de higiene em que convive com os animais. 

De acordo com o mestre em aves da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Jonathas Lins de Souza, o contato intenso da mulher com os pombos a expõe ao risco de contaminação por mais de 72 doenças. “Estas aves podem transmitir enfermidades como criptococose, histoplasmose, ornitose, salmonelose, toxoplasmose, encefalite, dermatites, alergias respiratórias e tuberculose aviária. Vale lembrar que os idosos são ainda mais suscetíveis a contrair estes males”, comenta. 

Exposta à água suja da Praça Maciel Pinheiro, mulher acomoda aves em caixas de papelão debaixo da fonte de mármore. (Marília Parente/LeiaJá Imagens)

O pombo doméstico não é nativo das Américas. A espécie chegou ao país trazida pelos europeus no século XVI, tendo se adaptado bem às grandes cidades. “São aves que procuram lugar propício à alimentação e à reprodução. Como comem quase tudo, um local sujo vai proporcionar muita coisa. Assim, a grande quantidade de pombos no Centro do Recife se deve ao acúmulo de detritos na área”, completa Jonathas.    

Assistência

Por meio de nota, a Secretaria de Saúde do Recife informou que o serviço de assistência para pessoas com transtornos mentais é feito de maneira integrada “através de ações conjuntas e complementares envolvendo os equipamentos do Consultório na Rua, CAPS, Serviço Especializado de Abordagem Social, Centro Pop. Ao realizar a abordagem, e identificar que tipo de cuidado/ necessidades dessa  pessoa, a equipe traça o projeto terapêutico, identificando as estratégias de intervenção que melhor se adeque: equipamentos de saúde (USF/US, policlínica, CAPS, unidades de urgência e emergência), parceiros intersetoriais como a Assistência Social, Educação, Justiça, entre outros”.

De acordo com a Coordenadora do Consultório na Rua, Brena Leite, a mulher abordada pela equipe do LeiaJá na Praça Maciel Pinheiro já é conhecida da equipe técnica e resistiu aos primeiros contatos. Mais uma tentativa de abordagem está agendada para esta semana. “A gente começa uma intervenção levantando as necessidades da pessoa. Não retiramos da rua,  oferecemos assistência no local. Se há desejo de saída, buscamos informações, solucionamos conflitos familiares e até, de forma articulada, buscamos abrigos”, afirma. 

Consultório na Rua 

Caso localize pessoas com transtornos mentais em situação de rua, o cidadão pode notificar o Consultório na Rua, através do telefone 3355-2810. São duas equipes compostas psicólogos, assistentes sociais e redutores de danos, que têm por objetivo lidar com os diferentes problemas e necessidades de saúde da população em situação de rua, dentre os quais também estão as demandas relacionadas ao álcool e outras drogas. 

Amaury Jr. não poderia imaginar que um acidente tão tolo poderia causar tamanho estrago. Segundo o colunista Flávio Ricco, o jornalista perdeu o equilíbrio no consultório de seu dentista e acabou por chocar o rosto, na altura dos olhos, com o batente da porta. O escorregão lhe rendeu ferimentos a ponto de ser hospitalizado por dez dias no Hospital Sírio Libanês.

Apesar de ter saído de circulação por duas semanas, o susto foi maior do que o machucado em si e ele já deve retornar a suas atividades normais na televisão. No Twitter, o jornalista não deixou de compartilhar notícias, mantendo ativo seu blog, e provou que é preciso muito mais que um pequeno acidente para afastá-lo da rotina de trabalho.

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Pedir uma pizza por telefone e receber a comida em casa é algo bem comum nas grandes cidades. Nos finais de semana também é tradição que as famílias peçam pratos de restaurantes para comer nas próprias residências. O que não é nem um pouco corriqueiro, mas que promete virar uma tendência de “delivery” no Recife, é o “dentista domiciliar”. Você já imaginou receber tratamento dentário na sala da sua casa e ainda assistindo a um bom filme no aparelho de TV?

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Esse é o novo empreendimento do dentista João Henrique de Freitas, morador do Recife e que atua com odontologia há 20 anos. Depois de passar mais de uma década atendendo pacientes no seu consultório localizado no bairro das Graças, Zona Norte da capital pernambucana, João resolveu investir também no “dentista móvel”, um serviço de atendimento dentário realizado na casa dos clientes. De acordo com o doutor, a ideia é da sua esposa, que começou a enxergar uma necessidade de atendimento às pessoas que têm dificuldade de locomoção.


“Existem muitas pessoas com deficiência física ou mental que não podem se locomover ou têm dificuldade. Então, pensamos numa forma de ajudar essas pessoas. Pesquisamos bastante e descobrimos uma empresa no Rio de Janeiro que comercializava o consultório móvel. Eu mesmo fui lá e pude conferir como funcionava. Já estamos com o atendimento móvel há um ano”, conta João Henrique.

Em um carro popular o doutor arruma todos os seus equipamentos, descrito por ele como um consultório móvel. Depois de um agendamento prévio do cliente, o dentista segue para a residência levando todas as ferramentas necessárias. Segundo João Henrique, os tratamentos que podem ser feitos nas casas são limpeza dentária, polimento, raspagem, reestruturação, aplicação de flúor, selante, canal, extrações e principalmente casos de urgência. Em média, a consulta dura uma hora e meia e após a análise o doutor passa alguns exames para a continuação do tratamento. “Por mês, eu atendo em média 20 clientes. Desse total, 70% são pessoas com deficiência. Eu acho que esse tipo de atendimento facilita muito a vida dos pacientes, principalmente pela questão de comodidade. Eu me sinto muito feliz em ver as pessoas sorrirem a aprovarem meu trabalho”, relata o profissional.

O custo para o atendimento móvel depende do endereço dos pacientes. Na Região Metropolitana do Recife, o doutor cobra o descolamento a um valor de R$ 250, além do preço da consulta: R$ 200. Quando o atendimento é em cidades do interior, principalmente no Agreste do Estado, o investimento no deslocamento do dentista é de R$ 400 e o valor da consulta continua o mesmo. São aceitas todas as formas de pagamento. Os interessados podem ligar para os telefones (81) 9963-2885 / 8662-6273 / 9988-1542.

A casa vira consultório

O autônomo Luiz Carlos Quirino é um dos pacientes que resolveu receber o tratamento dentário na sua própria residência. Morador do bairro de Areias, na Zona Oeste do Recife, ele reconhece que nunca havia visto um serviço desse tipo. “Pra mim, é novidade! Mas, toda a experiência é válida e eu acredito que o serviço tem a mesma qualidade que um consultório. Acho que é bem mais trabalhoso para o dentista e mais cômodo para o paciente”, diz Luiz Carlos, aos risos.

O doutor João Henrique tira todos os equipamentos do carro e leva as ferramentas para um dos espaços da residência. Na casa de seu Luiz, o local escolhido foi a sala. Primeiro, o dentista monta a cadeira, logo depois o paciente se acomoda e em seguida os aparelhos vão sendo interligados. Uma garrafa pet serve de recipiente onde são depositados os materiais líquidos do tratamento.


Depois de tudo montado e com a ajuda de uma lanterna que fica instalada na cabeça do dentista, o tratamento segue da mesma forma que ocorre nos tradicionais consultórios. A grande diferença é que o ambiente é a própria residência do paciente e é possível até assistir a um bom filme para manter a calma. Confira no vídeo:

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De acordo com o dentista, o investimento no consultório móvel foi de R$ 10 mil. Além dessa aquisição, ele comprou dois carros e investiu em propaganda. Ele garante que, daqui a dois anos, caso a demanda de cliente continue crescendo, mais investimentos serão feitos no serviço.

Serviço autorizado

Não há impedimento para a realização de tratamento dentário na casa dos pacientes, desde que as normas de higiene e esterilização sejam respeitadas. A afirmação é da coordenadora de fiscalização do Conselho Regional de Odontologia de Pernambuco (CRO-PE), Berta Moreno. A dentista explica que é necessário que o profissional siga as normas do CRO e o código de ética da área.

“O atendimento que acontece nas casas dos pacientes é praticamente o mesmo que ocorre nos consultórios. Não é possível fazer, por exemplo, uma cirurgia de maior porte. Qualquer ambiente da casa pode servir para o tratamento. O importante é que o paciente se sinta confortável”, explana Berta.

De acordo com a coordenadora, ainda não há em Pernambuco denúncias de irregularidades sobre o trabalho de dentistas que atendem em domicílio. Porém, ela reconhece que é difícil fiscalizar se os “serviços deliverys” estão sendo feitos da forma correta, uma vez que é “praticamente impossível” saber quando e a que horas o profissional atenderá um paciente em domicílio. Sobre os valores cobrados, Berta ainda afirma que o Conselho não interfere nas quantias pedidas pelos dentistas. “Cada um faz ser preço”, frisa. 

 

   

 

  

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Imagine prever o resultado de uma tatuagem ou de uma cirurgia plástica? Esta possibilidade, infelizmente, ainda não é uma realidade alcançável nestes segmentos. No ramo da odontologia, no entanto, este tipo de previsão já é possível graças a um processo tecnológico que permite ao paciente antecipar qual será o resultado do seu tratamento estético bucal. Nascida no Brasil, esta técnica foi batizada de Digital Smile Design (DSD) e já é aplicada em clínicas do Recife.

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Este planejamento dental é um processo criado pelo dentista Christian Coachman. Para desenvolver a maquete do sorriso, o profissional odontológico capacitado registra uma série de fotografias, sob diversos ângulos, do paciente. Através das fotos, ele pode compreender qual é a relação mais harmônica entre os dentes, gengiva e lábios do seu cliente.

Após realizar as medições digitalmente através do software Keynote, da Apple, o profissional odontológico criar um modelo de gesso do sorriso e pode mostrar o resultado final do tratamento antes mesmo de começar as intervenções necessárias.

No Recife, o cirurgião-dentista Paulo Augusto Lopes já põe em prática a técnica. Ele explica que por ser um processo totalmente personalizado, o Digital Smile contempla as expectativas emocionais e estéticas de cada paciente.

“Embora os pacientes de diversas áreas tenham o sonho de realizar seus tratamentos com perfeição, não é possível ao profissional garantir isso. Com o Digital Smile, o dentista garante que o sorriso ficará exatamente como o paciente quer, sem surpresas”, complementa.

Lopes explica que por ser recente, a técnica ainda é pouco difundida no Brasil. “O Digital Smile requer do dentista diversas funções. Ele precisa ser capacitado para fotografar e conhecer o software para fazer as medições. No Recife, poucos utilizam a técnica. Em São Paulo o número de profissionais aptos para realizar este processo é maior, mas a técnica não chega a ser muito difundida no Brasil”, ressalta.

Serviço:

Paulo Augusto Lopes – Reabilitação Oral (Dentista)

Informações: (81) 3463-1111

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