Tópicos | especulação imobiliária

Um vídeo que circula na internet mostra que João Campos (PSB) e sua equipe foram expulsos da comunidade Caranguejo Tabaiares, localizada na Zona Oeste do Recife. A expulsão teria acontecido nesta última quinta-feira (25).

“Como é que tu vem pra cá? Cara de pau! Vem fazer o que aqui? Queria tirar a gente daqui e agora vem pra cá. Vai embora daqui! Vai embora, alma sebosa”, diz a mulher que grava o vídeo.

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Isso acontece porque há anos é prometido um habitacional para os moradores da comunidade, mas nada saiu de promessas. Para piorar a situação, o atual prefeito do Recife, Geraldo Júlio (PSB), padrinho político de João Campos, surpreendeu a comunidade no ano passado com o decreto nº 32.680 de desapropriação em caráter de urgência.

O local, que é uma Zona Especial de Interesse Social (Zeis), sofre com a especulação imobiliária. 

Se não deixarem a reserva, serão todos mortos. Foi essa frase que os índios Guarani Mbya ouviram na madrugada desta sexta-feira (11), após serem atacados a tiros por dois homens encapuzados. O caso foi registrado na comunidade Ponta do Arado, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Ninguém se feriu, segundo relatos da própria comunidade ao site Conselho Indigenista Missionário. A ação foi um recado para que os índios deixem a área até o próximo domingo (13), "ou serão todos mortos", relata o cacique Timóteo Karai Mirim.

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Ainda conforme levantamento do site, o local onde habitam os indígenas é vítima da especulação imobiliária e eles já haviam recebido outras ameaças de seguranças da empresa que pretende construir um grande condomínio no local.

Ao Conselho Indigenista Missionário, o cacique Timóteo pediu: “Queremos que o Ministério Público e a Funai nos acompanhem, porque estamos longe da cidade, isolados. É difícil, queremos que nos protejam”.

Hoje (11) pela manhã, os indígenas registraram um boletim de ocorrência na delegacia de polícia do bairro Belém Novo e, pela tarde, denunciaram a situação ao Ministério Público Federal (MPF).

A gentifricação é o fenômeno que afeta uma região ou bairro pela alteração das dinâmicas da composição do local. É quando, por exemplo, novos pontos comerciais são instalados ou novos edifícios construídos, valorizando a região e afetando a população de baixa renda local. O termo vem apoiado na ideia de que as obras beneficiarão a todos, mas não é isso que acontece na prática. O motivo das construções é claramente de interesse privado e está diretamente ligado à especulação imobiliária. 

“A cidade tem propensão a ser planejada de acordo com a vontade do interesse privado, que não necessariamente é a mesma vontade da população, e nem sempre vai ao encontro das demandas defendidas por especialistas em planejamento urbano”, explica o mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade, Emannuel Costa, no artigo “O que é gentrificação e porque você deveria se preocupar com isso”.

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 Por conta disso, esse processo acontece, especialmente, em bairros centrais, históricos ou com grande potencial turístico. É o caso do centro de Paulista, na Região Metropolitana do Recife. Distante 17 quilômetros da capital pernambucana, a área central do município vem, há alguns anos, enfrentando essa mudança. 

O espaço onde durante anos funcionou a fábrica de tecidos Arthur, que fazia parte da Companhia de Tecidos Paulista, da família Lundgren, e era referência da indústria têxtil no início do século 20, se transformou em um enorme e pomposo shopping center. Tombada pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), a chaminé com estilo neoclássico-gótico que pertencia à fábrica foi mantida e em nada combina com a estrutura moderna do centro de compras. 

O terreno que abrigou a fábrica Aurora, que também fazia parte da companhia, atualmente acomoda um megaempreendimento imobiliário que vai receber 3 mil unidades habitacionais, além de salas comerciais e um centro de compras. Na época do anúncio da construção, muitos moradores da região foram contra e tentaram resistir, mas a Prefeitura de Paulista autorizou a obra e boa parte da edificação já está praticamente pronta.

Vivendo em Paulista desde criança, a aposentada Luiza Cabral, 80 anos, resolveu se mudar do município após virar uma ‘moradora solitária’ na rua em que morava, a Siqueira Campos, uma das principais vias da área central da cidade. “As casas da minha rua se transformaram todas em comércio, e eu fiquei aqui sozinha, sem vizinhos. Me sentia só no meio dessas lojas. Resolvi ir embora”, detalha Luiza, que há três meses mora na cidade vizinha, Olinda.  

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Já dona Maria Augusta Arruda, 81 anos, resolveu resistir. Moradora da rua Presidente Vargas, ela não apenas é vizinha do, quase na sua totalidade, comércio, como também divide o espaço em que mora com um dos estabelecimentos - a casa em que mora fica em cima de uma loja de roupas. Apesar da resistência, ela sente saudades da época onde a cidade era tomada por praças, parques e zoológico. “Agora, aqui vira um deserto quando escurece, porque depois que as lojas fecham não tem quase ninguém andando na rua. Quando a gente sai e chega mais tarde, entramos rápido em casa, porque é perigoso”, revela a aposentada, que mora há 40 anos na mesma casa. 

Para o arquiteto e urbanista Pedro Correia, a especulação imobiliária precisa ser controlada. "Se construir prédios enormes desenfreadamente, você vai superlotar a cidade e isso vai refletir em diversos aspectos do dia a dia na cidade, como o saneamento básico, por exemplo", afirma. 

Segundo o pesquisador Emannuel Costa, a gentrificação só será positiva quando beneficiar todas as camadas da população. “A gentrificação apenas será bacana e descolada de verdade quando todos os bairros puderem ver a renda de seus imóveis sendo elevadas, propiciando uma vida cultural, rica, vibrante, que respeite as tradições de cada lugar. Se não for por inteiro, então não vale”, conclui.

Fotos de arquivo: IBG

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Espalhados pelo Recife, em vias importantes, com grande fluxo de veículos, encontram-se postos de abastecimento de combustíveis há muito tempo fechados. Numa época em que “especulação imobiliária” é centro de discussões e as construtoras aumentam seus domínios, se deparar com as estruturas velhas dos postos e os grandes terrenos escondidos por tapumes é, no mínimo, curioso.

O que leva muitos postos a encerrarem o serviço começa ainda no processo de construção dos mesmos. Para abrir este estabelecimento comercial, o interessado precisa pedir autorização à Agência Nacional do Petróleo (ANP) e, a fim de evitar futuros problemas, procurar as secretarias de Mobilidade e Controle Urbano e de Meio Ambiente e Sustentabilidade, ambas municipais.

Pular as últimas etapas traz o risco do posto possuir alguma irregularidade nas áreas ambientes, estruturais e de segurança e ser fechado em ações de fiscalização da prefeitura. Os principais itens inspecionados pelos fiscais são: a impermeabilização da ilha de bomba, calhas instaladas, caixa separadora de água e óleo, e os testes dos tanques. Muitos estabelecimentos são antigos e a lei específica para eles é recente (2002), cabendo ao proprietário o interesse de se adaptar às novas exigências.

Para o presidente Alfredo Pinheiro Ramos, do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Pernambuco (Sindicombustíveis), a decepção com os lucros também são fatores que costumam vitimar os postos. “Este não é um negócio tão rentável. Os donos acham que vão conseguir muito dinheiro, mas a concorrência é alta”, explica.

Segundo o economista Djalma Guimarães, o fracasso no ramo de combustíveis surpreende. “No primeiro momento, vemos que o preço do combustível tem crescido e a tendência atual é aumentar o número de consumidores. A demanda tende a ser lucrativa”, diz. Djalma classifica os postos de combustíveis em dois tipos: os de serviço e os de preço. Os de serviço são aqueles que tentam atrair os consumidores por motivos que vão além de encher o tanque, como uma loja de conveniência e oficina. O segundo tipo já se preocupa em oferecer preços baixos e competitivos do combustível. “O que pode ocorrer é uma falta de estratégia com planejamento. O empresário talvez não consiga identificar qual é o melhor tipo para aquele local”, comenta o economista.

Os efeitos do encerramento de um posto de gasolina não terminam apenas nele. A rua em frente a um desativado Posto Total, no bairro de Afogados, na Zona Sul do Recife, contabiliza alguns pequenos negócios de automóveis, como borracharia e venda de peças. “Quando eles fecharam, lá para 2011, ‘quebrou’ para todo mundo da área. O comércio foi todo prejudicado. Eu pegava muito serviço com eles”, diz o dono de uma loja de amortecedores. Nervoso por não saber o valor das informações que concedeu, ele não quis se identificar. Segundo o comerciante, o posto ia fazer uma reforma, mas alguma coisa deu errada e a estrutura ficou desnivelada. “Aí o local está embargado. Ultimamente a prefeitura esteve por aqui. Uns caras tiraram a metragem da área”, conta.  

Outro comerciante, Francisco Luciano, de 42 anos, trabalha em frente a um posto da Petrobrás fechado entre três e quatro anos. Segundo ele, o negócio acabou por problemas na ilha de bomba. “Provavelmente o dono não vai querer vender, porque a Petrobrás paga para ele manter o negócio fechado”, diz. Na Avenida Domingos Ferreira, o posto também precisou fechar por problemas estruturais, como relata o vigia Sebastião Rosa dos Santos, de 75 anos. “Quando chovia, o canal da avenida entupia e a água transbordava. Qualquer chuva aqui vira um rio. Ali atrás tem sete tanques de gasolina, que a água entrava. Começaram a dizer que era o dono quem colocava”, lembra Sebastião. “O dono pediu a Shell para levantar os tanques e fazer um aterro, mas era uma obra muito cara”, conclui. Atualmente, o local oferece o espaço para publicidades. Um cartaz de “vendo” está estampado na estrutura, mas se refere apenas à cobertura. De acordo com o vigia, o proprietário tem mais de 90 anos e não estaria interessado em abrir um novo negócio.

Segundo a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade, os postos da Rua Imperial, Domingos Ferreira e Caxangá foram todos fechados pela ausência da Licença de Operação (LO). O de Afogados, situado há poucos metros da Estação Largo da Paz, foi desativado pela Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano porque tinha irregularidades de condições atmosféricas. Ainda há um da Shell interditado ao lado do canal de Setúbal, na Zona Sul. O motivo do seu fechamento foi justamente o ponto em que se encontrava. Segundo a lei municipal 16.786/2002, a estrutura não pode ser instalada próxima de canais, lagos e rios.

A secretaria esclareceu ainda que não há lei que restrinja o uso do terreno por ter sido um posto de gasolina anteriormente. "Se foi fechado corretamente, a empresa pode finalizar o negócio hoje e ele já ser outro empreendimento amanhã", comenta o gerente de fiscalização da secretaria, Ismael Cassimiro. Os tanques de gasolina também são totalmente esvaziados, para não trazer riscos. 

Não é difícil teorizar que, por se encontrarem em vias de grande fluxo, os postos desativados deviam estar sendo bastante disputados e vivendo notável processo de transformação. Mas isto não ocorre. No bairro do Cordeiro, o Tenório Neto Combustíveis é uma exceção, sendo utilizado como estacionamento. Mas ainda assim, seus equipamentos, já enferrujados, continuam lá.   

De acordo com o corretor Mauro Andrade, do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Pernambuco (CRECI-PE), o local em que estes comércios se encontram, apesar de parecer ideais, têm algumas características que reduzem a cobiça do ramo imobiliário. “O tamanho é um empecilho. Os empresários não querem construir algo com menos de 15, 16 andares”, esclarece. “Às vezes o negócio está localizado em uma esquina, aí ainda tem a questão dos recuos obrigatórios, preservação do ambiente...”.

Questionado se esses terrenos não devem entrar na mira dos corretores em um futuro próximo, Mauro Andrade revela: “Com certeza, mas os construtores mais importantes estão abastecidos de área que você nem imagina”. Justamente por estar em pontos estratégicos, a venda desses imóveis desativados também são caros para negócios menores. Os terrenos então ficam inutilizados, no dilema dos que podem mas não querem e dos que querem mas não podem.

O multiartista pernambucano Antonio Carlos Nóbrega vive na capital São Paulo uma situação desconfortável em relação ao Instituto Brincante, espaço cultural fundado por ele há mais de duas décadas na Vila Madalena, em São Paulo. É que uma construtora teria adquirido o imóvel o qual o instituto é inquilino para construir um prédio no local. No entanto, o caso ainda encontra-se na Justiça para uma resolução oficial. 

A notícia começou a ganhar destaque nas redes sociais nesta semana. A esposa de Nóbrega, Rosane Almeida, aproveitou o momento para criar a hashtag #FicaBrincante. “Recebemos uma notificação pedindo a desocupação do imóvel no prazo de 30 dias, sob pena de ajuizamento de ação de despejo”, publicou Rosane Almeida na fanpage de Antonio Nóbrega.

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Em entrevista concedida ao Estado de São Paulo nesta terça (8), o ex-proprietário do imóvel onde está o Instituto, César de Oliveira Alvez, disse que só levou a transação adiante, mesmo contra a sua vontade, porque precisou do dinheiro por problemas de saúde na família. "Faz alguns anos que o espaço está em negociação, várias incorporadoras nos procuraram", afirma Alves. 

O destaque que a notícia teve nas redes sociais chamou a atenção do pernambucano, que fez uma comparação com uma situação parecida que acontece na sua terra natal. "Isso prova que essa discussão está em pauta, que é uma questão muito maior no Brasil", ressalta, citando o Cais Estelita, no Recife

Situação do Instituto Brincante

O terreno onde se encontra o Instituto, na Rua Purpurina, tem 800 metros quadrados e abriu as portas como espaço de ensaios e apresentações dos espetáculos de Nóbrega e Rosane em 22 de novembro de 1992. O espaço se denomina uma área de conhecimento e assimilação da cultura brasileira. Por lá passam encenações, shows de música, cursos e oficinas sobre as mais variadas expressões artísticas do País. Hoje, o local também recebe espetáculos de teatro, música e dança e conta com um centro de documentação com textos, fotos, vídeos e músicas.

Filme sobre Antonio Nóbrega

Um longa-metragem sobre a vida do artista está em fase final de pós-produção e acertos de distribuição. Intitulado Brincante, o documentário de ficção conta com direção de Walter Carvalho e deve estrear em novembro, em São Paulo.

O trabalho traça a trajetória artística de Nóbrega, que tem como referência o imaginário cultural popular brasileiro e expande sua arte pela música, dança, cultura popular, produção cultural e pelas artes cênicas. 

As medidas anunciadas na semana passada pela China para conter a especulação imobiliária podem afetar também a demanda fundamental no país, segundo um funcionário do Ministério de Finanças.

De acordo com Jia Kang, chefe do Instituto de Ciência Fiscal do ministério, por causa desse possível efeito algumas das medidas não serão necessariamente permanentes. Entre elas, estão um imposto de 20% sobre o lucro com a venda de residências e a exigência de uma entrada maior e juros mais altos nos financiamentos para quem está comprando uma segunda residência.

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"Considerando os efeitos positivos e negativos dessa política, acredito que essa não é uma medida permanente", disse a jornalistas durante a Conferência de Consulta Política do Comitê Nacional do Povo, em Pequim.

Segundo ele, as medidas podem fazer com que a demanda por imóveis novos aumente. Jia disse também que os preços de residências ficarão sob controle se o governo continuar focado em oferecer moradias suficientes. As informações são da Dow Jones.

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