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A Procuradoria Geral do Trabalho (PGT), por meio da Comissão Nacional da Coordenadoria de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Coordinfância), anunciou os vencedores da etapa nacional do Prêmio MPT na Escola 2019. Os municípios paraenses de Abaetetuba, Juruti e Rondon do Pará concorreram nas cinco categorias do concurso.

As categorias premiadas foram Conto, Música, Poesia, Curta-metragem e Desenho, separadas de acordo com os anos de ensino em Grupo I (alunos do 4° e 5º ano do Ensino Fundamental) e Grupo II (alunos do 6° e 7° do Ensino Fundamental). O Pará teve representantes no pódio em dois momentos. O município de Juruti ficou em segundo lugar na categoria Poesia do Grupo 1 e Rondon do Pará venceu em terceiro lugar na categoria Conto do Grupo 2.

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O Pará também foi classificado em outras categorias do Grupo 1. Na categoria Conto, Abaetetuba dividiu o quarto lugar com o município de Paranaíba (Mato Grosso do Sul); na categoria Música, Abaetetuba ficou em quinto lugar e se classificou também na sétima posição na categoria Curta-metragem; Rondon do Pará ficou na quinta colocação na categoria Desenho.

Nas premiações referentes ao Grupo 2, o município de Juruti se classificou em quarto na categoria Curta-metragem e em oitavo na categoria Desenho; já na categoria Poesia, o quarto lugar ficou para os municípios de Rondon do Pará, Santa Gertrudes (São Paulo) e Corumbá (Mato Grosso do Sul).

O MPT na Escola consiste num conjunto de ações voltadas para a promoção de debates nas salas de aula de Ensino Fundamental dos temas relativos aos direitos da criança e do adolescente, especialmente a erradicação do trabalho infantil e proteção do trabalho na adolescência. Inicialmente, o Ministério Público do Trabalho no Pará propõe às Secretariais Municipais de Educação a assinatura de um termo de cooperação técnica para implementação do MPT na Escola, iniciativa integrante do eixo Educação, do projeto ministerial Resgate a Infância.

Da assessoria do MPT.

Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o Banco do Brasil será obrigado a realizar um concurso público voltado para profissionais com formação de nível superior. O ministro Marco Aurélio Mello negou um recurso do banco, que pedia a cassação de uma determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), obrigando a realização do certame.

A ação civil pública que levou à obrigatoriedade da realização do concurso foi iniciada pelo Ministério Público do Trabalho apontou a promoção de escriturários com formação de nível médio para o exercício de funções que exigiam nível superior. A decisão obrigando a realização do concurso foi dada pelo TRT, juntamente com a manutenção de nomeações já efetivadas. 

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O Banco se defendeu alegando que em um recurso extraordinário, o ministro Gilmar Mendes determinou a suspensão de processos, a nível nacional, sobre questões envolvendo seleções e admissão de pessoal, além de concurso público em casos envolvendo pessoas jurídicas integrantes da administração pública indireta. No entanto, Marco Aurélio julgou que não existe relação entre os dois processos, mantendo assim a obrigação da realização de um novo concurso para profissionais com formação de nível superior. 

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Na última sexta-feira (27), o Ministério Público do Trabalho PA/AP, em Belém, realizou a premiação estadual do projeto “MPT na escola”, que tem como objetivo conscientizar alunos, pais e professores sobre o combate ao trabalho infantil. As escolas vencedoras são dos municípios de Abaetetuba, localizado no Baixo Tocantins, Rondon do Pará, no sudoeste do Estado, e Juruti, na mesorregião do Baixo Amazonas. 

Oito municípios aderiram à iniciativa. Alunos e professores orientadores concorreram em cinco categorias: Música, Conto, Curta-metragem, Desenho e Poesia. A escola EMEF Comandante Germano, do município de Abaetetuba, ganhou na categoria Conto, juntamente com a escola EMEF Dom Pedro I, do município de Juruti.

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Na categoria Curta-metragem, os ganhadores foram as escolas EMEF Getúlio Vargas, de Juruti, e EMEF Francisco Leite Lopes, de Abaetetuba, que também levou o prêmio de melhor música. Na categoria Desenho, venceram as escolas EMEF Maria Leite Miranda Colares, de Rondon do Pará, e EMEF Mário Francisco Ribeiro, de Juruti. Já as poesias premiadas foram das escolas EMEF Adolfo Soares de Morais, de Rondon do Pará, e EMEF Professora Maria da Silva Pereira, do município de Juruti.

A procuradora do MPT, integrante da Coordenadoria Regional de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Coordinfância), Rejane Alves, fez um discurso emocionado na abertura do evento de premiação, ressaltando a importância do papel da educação: “Sempre que encontro um professor que tive, mesmo na minha infância, não consigo chamá-lo apenas pelo nome, ele será sempre professor. Ensinar é mais que um ofício, é um sacerdócio”, disse.

Participaram da solenidade o procurador do Trabalho José Carlos Azevedo, igualmente integrante da Coordinfância, e o vice procurador-chefe do MPT PA/AP, Allan de Miranda Bruno.

Além de pais, professores e alunos, estiveram presentes à premiação os prefeitos de Juruti, Manoel Henrique Gomes Costa, e Abaetetuba, Alcides Eufrásio da Conceição Negrão, os secretários municipais de educação Jonas Morais Cativo, de Juruti, Maria do Socorro Figueiró, de Abaetetuba, e Rosiane Alcântara de Rondon do Pará, além dos coordenadores municipais do projeto em cada localidade.

O MPT na Escola consiste num conjunto de ações voltadas para a promoção de debates nas escolas de Ensino Fundamental dos temas relativos aos direitos da criança e do adolescente, especialmente a erradicação do trabalho infantil e proteção do trabalho na adolescência. Inicialmente, o Ministério Público do Trabalho no Pará propõe às Secretariais Municipais de Educação a assinatura de um termo de cooperação técnica para implementação do MPT na Escola, iniciativa integrante do eixo Educação, do projeto ministerial Resgate a Infância.

A partir da adesão ao termo, profissionais da educação são capacitados pelo Ministério Público do Trabalho em oficinas e palestras, a fim de que se tornem multiplicadores em seus municípios. Ao final do período de execução do projeto nas escolas, são realizadas produções pelos estudantes, as quais podem ser inscritas no Prêmio MPT na Escola, dividido em duas fases: estadual e nacional. Na última semana, os prêmios da primeira etapa foram entregues em Belém. Já o resultado da etapa nacional sai no próximo dia 15 de outubro.

No Pará, além das premiações simbólicas, entregues a alunos, professores-orientadores, coordenadores e autoridades municipais, as escolas vencedoras também receberão bens e equipamentos para uso exclusivo das instituições de ensino, revertidos pelo MPT com recursos de acordos trabalhistas judiciais ou extrajudiciais.

Da assessoria do MPT.

O procurador do Trabalho Alberto Bastos Balazeiro foi nomeado pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, como o novo procurador-geral do Trabalho. Ele foi o primeiro colocado na votação da lista tríplice do Ministério Público do Trabalho (MPT), com 563 votos. A Portaria PGR/MPU 68, que nomeia o novo PGT será publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira, 9.

Alberto Balazeiro é procurador do Trabalho desde 2008. Foi procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho na Bahia, nos biênios 2013/2015 e 2015/2017. Atualmente, é o diretor-adjunto da Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU). O mandato de Balazeiro como PGT será de dois anos, e começará a ser exercido a partir de 22 de agosto próximo, quando terminará a gestão do atual PGT, Ronaldo Fleury.

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A Lista tríplice tinha em segundo lugar o nome de Carlos Eduardo de Azevedo de Lima, com 210 votos. Ele é procurador-chefe da Procuradoria Regional do Trabalho da Paraíba.

E, em terceiro, ficou subprocurador-geral Ricardo José Macedo de Britto Pereira obteve a terceira maior quantidade de votos: 152.

“Não relaxo mais no atual trabalho e qualquer crítica me coloca para baixo. Quanto mais me cobram, menos consigo produzir. Minha auto estima foi para o chão, eu ia para o antigo trabalho realmente infeliz”. As palavras de uma jovem profissional retomam a uma fase angustiante. Vítima de assédio moral no ambiente de trabalho, hoje, mesmo em outra empresa, ela arrasta efeitos da sua antiga função, em que recebia, constantemente, reclamações da chefia.

Em tom alto e diante de outros funcionários, a chefe insistia em reclamar da jovem durante o experiente. Por mais que a profissional se esforçasse para desempenhar as atividades, a gestora reprovava o trabalho, expondo as incorreções para os demais colaboradores. “Ela realmente reclamava sempre alto, e dizia coisas como ‘eu já falei isso muitas vezes’, por que você não aprende’? Eu me sentia humilhada”, relata a profissional, que preferiu preserva sua identidade em entrevista ao LeiaJá.

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De acordo com a trabalhadora, mesmo deixando o antigo trabalho e automaticamente cortando contato com a derradeira chefia, há traumas que, até hoje, persistem em sua rotina profissional. “Não fiquei mais de boa quando saí de lá. Meu chefe seguinte disse que eu parecia alerta sempre, como se ele fosse gritar comigo ou reclamar a qualquer instante”, revela.

Pesquisa realizada pelo site 'Vagas.com' apontou que 52% dos profissionais brasileiros já foram vítimas de assédio moral no ambiente de trabalho. Segundo o levantamento, e mesmo entre as pessoas que não sofreram esse tipo de opressão, 34% delas já presenciaram um companheiro de equipe ser assediado moralmente.

Documento publicado pelo Senado Federal, no âmbito do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, descreve em detalhes de que forma se configura o assédio moral no ambiente de trabalho: “O assédio moral consiste na repetição deliberada de gestos, palavras (orais ou escritas) e/ou comportamentos de natureza psicológica, os quais expõem o(a) servidor(a), o(a) empregado(a) ou o(a) estagiário(a) (ou grupo de servidores(as) e empregados(as) a situações humilhantes e constrangedoras, capazes de lhes causar ofensa à personalidade, à dignidade ou à integridade psíquica ou física, com o objetivo de excluí-los(as) das suas funções ou de deteriorar o ambiente de trabalho. A habitualidade da conduta e a intencionalidade (o fim discriminatório) são indispensáveis para a caracterização do assédio moral. Ainda que frequentemente a prática do assédio moral ocorra no local de trabalho, é possível que se verifique em outros ambientes, desde que o seu exercício esteja relacionado às relações de poder desenvolvidas na seara profissional”.

Saiba identificar e combater o assédio moral

A procuradora do Ministério Público do Trabalho (MPT) em Pernambuco, Melícia Carvalho, condena o assédio moral no ambiente corporativo, ao mesmo tempo em que alerta para as trágicas consequências dessa postura. “É uma conduta praticada de forma repetida e sistemática com a vontade de prejudicar o outro. Conduta abusiva; é uma perversão”, crava a procuradora.

De acordo com Melícia, o assédio causa consequências que maltratam as vítimas ao ponto de elas sentirem vontade de largar o emprego, bem como se tornam propícias a sofrer problemas psicológicos e até físicos. “O objetivo é tão danoso que, às vezes, no mundo trabalho, se deseja mesmo que aquela vítima saia daquele mundo, que ela peça demissão ou transferência, para você ver como é uma direção maléfica. São gestos, palavras, atitudes, são omissões quando você ignora uma pessoa. A vítima tem consequência de toda ordem. O assédio moral contamina a organização como um todo. As vítimas sofrem consequências físicas, elas acabam desenvolvendo crises de choro, depressão, se isolam dos grupos”, alerta.

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Um trabalhador, ao ser ver constrangido pelo assediador, precisa de imposição apesar das dificuldades. “No ambiente de trabalho, a gente diz que muitas das ações do assédio moral poderiam ser paradas por uma atitude da própria vítima. Se verificou que, nas situações em que a vítima se colocou frente ao agressor, 30% dos casos de assédio moral pararam ali. A vítima tem um papel fundamental na continuação ou não desse assédio, e o grupo também”, diz a procuradora.

Nos episódios em que as vítimas conseguiram conter a violência sistemática, elas expressaram para os opressores que as atitudes se tratavam de assédio moral, reiterando que não aceitavam tais ações. No entanto, também é fundamental que as pessoas ao redor das vítimas se posicionem conta o assédio, para não configurar o que a procuradora chama de “pacto nefasto da solidariedade e do silêncio”. “Você está sendo solidário ao agressor quando você faz silêncio”, alerta Melícia.

Segundo a procuradora, o grupo precisa intervir em prol das vítimas, pois, do contrário, o assédio moral espalhará consequências opressoras por outros profissionais. “O assédio é ruim para a corporação como um todo, porque se o grupo vê que uma pessoa está sendo vítima de assédio moral, ele entra em um sentimento de temor, de revolta, de indignação. A corporação adoece junto. Você não pode falar de assédio moral como se não fosse um problema seu”, orienta a representante do MPT.

Alarmante, um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU), mencionado pela procuradora Melícia Carvalho, revela dados assustadores sobre assédio moral. De acordo com o estudo, os casos de assédio levarão, até 2020, 40% dos trabalhadores à aposentadoria precoce, porque as vítimas querem se ver livres da violência corriqueira. Ainda conforme a pesquisa, 20% dessas pessoas poderão tentar suicídio.

Caminhos da denúncia e as consequências jurídicas

A procuradora do MPT em Pernambuco enfatiza que existem diversos meios para denúncias. Nos episódios em que há um problema coletivo, por exemplo, o site do Ministério Público do Trabalho pode receber as reclamações. Ouças as orientações no áudio a seguir:

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Segundo Melícia, hoje, o grupo LGBT, negros, mulheres, pessoas com deficiência ou diagnosticadas com algum problema de saúde são as que mais sofrem assédio moral no ambiente corporativo. Por meio da Justiça, as vítimas podem receber indenizações por danos morais, quando comprovado impacto psicológico em decorrência dos atos violentos, bem como há a possibilidade de danos materiais, uma vez que as vítimas também podem receber indenizações para suprir furos financeiros ocasionados pela violação.

Proposta - A Câmara dos Deputados aprovou, em março deste ano, projeto de lei que criminaliza o assédio moral no ambiente de trabalho. De autoria do deputado federal Marcos de Jesus (PL-PE), a proposta seguirá para o Senado.

"A pena estipulada será de detenção de um a dois anos e multa, aumentada de um terço se a vítima for menor de 18 anos. Isso sem prejuízo da pena correspondente à violência, se houver. A causa somente terá início se a vítima representar contra o ofensor. Essa representação é irretratável, ou seja, a pessoa não pode desistir dela posteriormente. O texto ressalta que, na ocorrência de transação penal, esta deve ter caráter educativo e moralizador. A transação penal é um mecanismo pelo qual, em crimes e contravenções de menor potencial ofensivo (pena máxima não superior a dois anos), o acusado aceita uma forma de acordo em que ele opta por não enfrentar um processo criminal para não correr o risco de sair condenado ao final, se considerado culpado", explica a Câmara dos Deputados, por meio da Agência Câmara de Notícias. Veja a proposta na íntegra.

Situações em que não há assédio

É importante lembramos que nem todos os embates no âmbito profissional são considerados assédio moral. Divergência de opiniões em uma reunião ou discussões, desde que respeitosas, fazem parte do universo corporativo.

“Nem tudo a gente pode colocar no caldeirão do assédio moral. A relação humana é uma relação de pessoas que pensam de forma diferente, então é natural que existam conflitos individuais. Não é assédio moral quando a gente não consegue identificar uma situação sistematizada”, finaliza a procuradora do Ministério Público do Trabalho.

Foi realizada no último dia 26 de abril a solenidade de formatura dos alunos do primeiro quadrimestre de 2019 do Polo Una do Projeto Escrevendo e Reescrevendo Nossa História (PERNOH), executado pela Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais – ADRA. Lançado em 2017 pelo Ministério Público do Trabalho PA/AP (MPT) com apoio de vários parceiros, o PERNOH já contabiliza mais de sete mil pessoas atendidas em aproximadamente nove polos no Estado do Pará.

A cerimônia do dia 26 marcou a entrega dos certificados a 767 alunos participantes do projeto, concluintes dos cursos de Informática, Cabeleireiro, Culinária, Manutenção de Celulares, Costura Industrial, Empreendedorismo, Manicure e Pedicure, Musicalização e Escola de Esportes.

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Estiveram presentes ao evento o procurador do Ministério Público do Trabalho Sandoval Silva, o diretor da Educação Adventista para os Estados do Pará, Maranhão e Amapá, Henilson Erthal, e o diretor da ADRA, Adriano Aureliano, além de representantes de entidades parceiras.

O PERNOH recebe alunos encaminhados pelo Ministério Público do Trabalho, Fasepa, Funpapa, CRAS, Conselhos Tutelares e moradores dos bairros onde há polos. Todos os cursos oferecidos são gratuitos à comunidade e visam prioritariamente promover a qualificação profissional para o mercado de trabalho, além de iniciação musical e esportes.

Lançado em 27 de março de 2017, o PERNOH possui duas vertentes: o “Escrevendo Nossa História”, direcionado ao público residente em áreas de risco ou em situação de vulnerabilidade social, com perspectiva de integração das famílias dos participantes, e o “Reescrevendo Nossa História”, direcionado a jovens e adultos egressos de medidas socioeducativas e sistema penal.

Atualmente, o projeto conta com apoio de várias instituições parceiras, porém sua execução é feita por 4 delas no Estado do Pará. A ADRA, que possui 2 polos em Belém (Una e Pratinha), 1 em Castanhal, 1 em Marituba e 1 em Jacundá; o Centro de Estudos e Memória da Juventude Amazônia – CEMJA, que possui polos em Belém nos bairros do Barreiro e Vila da Barca; a Fundação Carlos Gomes, dentro do projeto Música e Cidadania; e o Instituto Universidade Popular – UNIPOP.

Da assessoria do MPT. (Com informações de Eli Braga – Ascom PERNOH).

                       

Prestigiando a inauguração da nova sede do Ministério Público do Trabalho (MPT) em Pernambuco, o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) aproveitou para agradecer os mais de R$ 200 mil de reversões de multas trabalhistas que o MPT destinou à unidade. "Hoje a gente enquadra o Ministério Público do Trabalho como paizão", disse o tenente-coronel Câmara Júnior, comandante do Batalhão.

A destinação do dinheiro ao Bope começou com a investigação e o ajuizamento de uma ação civil pública, pela procuradora Janine Miranda. De acordo com o MPT, ela identificou uma série de irregularidades na empresa FMM Pernambuco Componentes Automotivos LTDA, do município de Goiana, Região Metropolitana do Recife, que vinha negando concessão de folgas semanais aos funcionários.

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Em fevereiro de 2018, com o processo já em fase de acordo sobre pagamento de multa, já que houve condenação da empresa, o procurador Gustavo Teixeira destinou o valor de R$ 200 mil ao Bope.

Ainda segundo o Ministério Público do Trabalho, o valor revertido serviu para restaurar a estrutura e o telhado do prédio do comando, situado no bairro do Jiquiá, Zona Oeste do Recife, contribuiu também para a realização das finalidades institucionais da unidade e para a melhoria do meio ambiente de trabalho dos policiais que trabalham no local.

O tenente-coronel Câmara Júnior acentua que o que o MPT fez por eles é coisa de pai e mãe. "Nós estávamos passando por dificuldades no que diz respeito às instalações da unidade, e o MPT, através de reversão de multas cobradas de empresas infratoras, conseguiu uma liberação de verbas bastante expressiva pra a gente".

Câmara complementa: “Estávamos esperando uma oportunidade para materializar esse nosso agradecimento, então hoje entregamos aos procuradores o símbolo-mor das operações especiais, por ocasião desta inauguração”, finaliza.  

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O Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), integrado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério da Economia, Defensoria Pública da União (DPU) e Batalhão de Polícia Ambiental do Pará (BPA), esteve em operação, entre o final de março e início de abril, no sudeste paraense. Durante o período, 17 trabalhadores foram encontrados em condições degradantes de trabalho em duas propriedades, nos municípios de Tucuruí e Novo Repartimento.

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No dia 27 de março, 11 pessoas foram resgatadas na Fazenda Marivete, em Tucuruí. A propriedade foi arrendada para a produção de carvão, porém o arrendatário não compareceu no dia ajustado perante os integrantes do grupo para resolver a situação trabalhista administrativamente. Os trabalhadores, que estavam submetidos a condições degradantes de trabalho, foram retirados do estabelecimento e atendidos pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social - CREAS da região e pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Guias do seguro-desemprego foram emitidas a cada um para o recebimento de três parcelas do benefício.

MPT e DPU ingressarão com ação civil pública contra o empregador, cobrando as verbas rescisórias dos trabalhadores resgatados além do pagamento de indenização por dano moral individual e coletivo. O Ministério Público do Trabalho também deve encaminhar denúncia ao Ministério Público Federal (MPF) para apuração criminal de redução de pessoa à condição análoga à de escravo.

Entre as irregularidades encontradas no local estão a ausência de fornecimento de Equipamento de Proteção Individual (EPI), que no caso da atividade em carvoaria requer equipamentos específicos; ausência de instalações sanitárias nas frentes de serviço, tampouco próximas dos barracões onde moravam os trabalhadores, o que os obrigava a fazer necessidades fisiológicas no mato; não fornecimento de água potável, nem materiais de primeiros socorros. O empregador também não promovia a avaliação de riscos ocupacionais, não havendo ações preventivas de segurança e saúde, exames periódicos e admissionais.

Nenhum dos trabalhadores tinha Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) assinada ou apresentava registro em livro, fichas ou sistema eletrônico. Eles também não recebiam salários dentro do prazo legal e do piso nacional, tampouco possuíam controle de jornada de trabalho.

A segunda inspeção, realizada em 30 de março, teve como alvo a Fazenda Três Irmãos, situada em Novo Repartimento. Lá foram encontrados seis trabalhadores alojados em dois barracões de lona. Em um deles, havia um casal com uma criança de 4 anos. O fazendeiro foi localizado e aceitou firmar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o MPT e a Defensoria Pública da União, comprometendo-se, entre outras coisas, a pagar a rescisão dos trabalhadores.

Além das verbas rescisórias a cada trabalhador, o fazendeiro também pagará indenização a título de dano moral individual, totalizando aproximadamente R$ 110 mil. Como reparação por dano moral coletivos, ele pagará R$ 200 mil, que serão revertidos à Organização Internacional do Trabalho (OIT). Além dos pagamentos, o fazendeiro também assumiu, extrajudicialmente, os compromissos de registrar seus empregados, assinar a Carteira de Trabalho e Previdência Social, depositar regularmente o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), quitar salários no prazo legal, não descontar dos empregados valores relativos a acessórios utilizados no local de trabalho e fornecer alojamentos adequados, dentre outras obrigações.

Da assessoria do MPT.

Equipe levou os três prêmios a que concorria no Prêmio MPT deste ano. (Divulgação)

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Na tarde desta terça (5), o especial “Trabalhador, herança escravista, pobreza e irregularidades”, veiculado pelo LeiaJá no dia 28 de maio de 2018, assinado pelos jornalistas Eduarda Esteves, Nathan Santos e Marília Parente, sagrou-se vencedor de mais duas categorias do Prêmio de Jornalismo do Ministério Público do Trabalho (MPT): a de melhor reportagem nacional em internet e o Grande Prêmio, em que concorreu com todas as reportagens participantes, inclusive as que foram publicadas em outras plataformas, como televisão e rádio. A equipe já havia sido reconhecida com a premiação de melhor reportagem regional em internet.

A reportagem revela os malefícios das “diferentes dores” dos trabalhadores brasileiros a partir da herança escravocrata no Brasil, expondo como a pobreza e a desigualdade social estão fortemente atreladas às condições de trabalho de muitos brasileiros. Em busca do sustento familiar, pessoas pobres são submetidas a atividades informais, que exigem extrema força corporal. “Discutir as dores dos brasileiros, em relação ao contexto histórico do trabalho no Brasil, foi um acerto muito grande do LeiaJá. Vivemos uma fase de incertezas que, ao meu ver, desmerece o trabalhador brasileiro. A equipe mereceu muito essa conquista. O leitor precisa entender as dores que atingem os trabalhadores desde a escravidão”, afirma Nathan Santos.

A repórter Eduarda Esteves representou a equipe na cerimônia de premiação em Brasília, Distrito Federal. (MPT/divulgação)

A repórter Eduarda Esteves representou a equipe na cerimônia de premiação na sede do MPT, em Brasília, Distrito Federal. “Essa premiação é um estímulo ao bom jornalismo- com verdade, humanizado- que infelizmente, na situação econômica das redações, tem sido pouco feito. A gente recorta os malefícios e consequências da reforma que o novo governo está tentando implementar e o mais importante é que a gente dá voz a pessoas que não teriam essa oportunidade”, comemora Eduarda. 

“Num contexto de escalada fascista e progressiva perda dos direitos dos trabalhadores, o núcleo de especiais do LeiaJá insiste em fazer jornalismo, profissão que se solidificou num contexto revolucionário em que o principal mote era ‘liberdade, igualdade e fraternidade’. Trazer a público a dor inerente à história do trabalho e dos trabalhadores no Brasil é escancarar a hipocrisia dos discursos conservadores, que seguem legitimando o açoite nas costas que carregam o país. Que jornalismo em sua essência lhes traga alteridade, empatia e humanidade em tempos de tanta cegueira, escuridão e desprezo pelos direitos humanos", ressalta a repórter Marília Parente.

Confira os vencedores regionais da categoria Webjornalismo:

Norte: “‘Se achasse negócio melhor, trocaria’, diz carregador que trabalha na zona portuária de Manaus e tem aposentadoria incerta” – Leandro Tapajós – Portal G1 Amazonas.

Nordeste: “Trabalhador, herança escravista, pobreza e irregularidades”, Nathan Santos, Marília Parente e Eduarda Esteves – Portal LeiaJá (vencedor nacional).

Centro-Oeste: “Aviação agrícola: perigo no céu e na terra” – Larissa Rodrigues e Douglas Carvalho – Portal Metrópoles.

Sudeste: “100 anos de servidão” – Thais Lazzeri – Portal Repórter Brasil.

Sul: “QueFazer . uma história sobre a labuta dos imigrantes” – Geórgia Santos – Portal Vós.

Vencedor na categoria Nacional Webjornalismo:

“Trabalhador, herança escravista, pobreza e irregularidades”- Nathan Santos, Marília Parente e Eduarda Esteves

Vencedor do Grande Prêmio MPT de Jornalismo (entre todas as plataformas, de todo o país)

“Trabalhador, herança escravista, pobreza e irregularidades”- Nathan Santos, Marília Parente e Eduarda Esteves

O ano de 2018 foi de intensas transformações no cenário trabalhista brasileiro, especialmente após a entrada em vigor da Lei 13.467/2017, em 11 de novembro de 2017, que alterou diversos artigos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Fazendo uma retrospectiva da atuação do Ministério Público do Trabalho (MPT) nacionalmente, é possível perceber uma queda no número de denúncias, que foram de aproximadamente 130 mil em 2017 para 106 mil em 2018. No entanto, a 8ª Região, que abarca os Estados do Pará e Amapá, contraria a ordem nacional, tendo registrado aumento no número de denúncias este ano.

Em 2017, o MPT PA/AP registrou 2.953 denúncias, já em 2018 os registros subiram para 3.078, o que equivale a 4,23 % de aumento. Também este ano, foram autuados na 8ª Região 550 procedimentos preparatórios (fase que precede a instauração de inquéritos), instaurados 988 inquéritos civis, expedidas 19 cartas precatórias, registrados 86 pedidos de mediação e abertos 27 procedimentos promocionais, que abarcam ações preventivas e educativas referentes a determinado tema.

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Em relação ao tempo de distribuição das denúncias, período decorrido entre o recebimento e análise da notícia de fato e sua atribuição a um procurador, o MPT PA/AP leva em média quatro dias. A Regional fica empatada na quarta posição com Campinas e Maranhão nesse quesito. Já em relação à duração média dos procedimentos extrajudiciais, a 8ª Região demanda cerca de 61 dias. Em 2018, o MPT PA/AP também ajuizou 413 ações judiciais e firmou 265 Termos de Ajuste de Conduta (TAC), acordos de natureza extrajudicial.

Quanto aos principais temas das denúncias apresentadas ao MPT na Regional, em 1° lugar aparece o "Meio ambiente de trabalho”, com 841 registros, em 2º surge o tema “liberdade sindical”, com 541 registros, seguido do tema “Igualdade de oportunidades e discriminação no trabalho”, com 324 registros. Na 4ª, 5ª, 6ª, 7ª e 8ª posições aparecem respectivamente “Trabalho na administração pública” (159), “Fraudes trabalhistas” (142), “Trabalho Infantil” (87), “Trabalho escravo” (75) e “Trabalho portuário e aquaviário” (48). Os assuntos não pertencentes às categorias referidas aparecem como “Temas gerais” no sistema do órgão.

Precatórios

Precatórios são requisições de pagamento feitas pelo Poder Judiciário a Municípios, Estados e a União, bem como autarquias e fundações, cobrando valores devidos em virtude de condenação judicial definitiva. De acordo com dados do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT8), entre 2017 e 2018, os entes públicos mais executados em ações judiciais foram o Estado do Amapá, o município de Macapá, o Estado do Pará e o município de Belém, em razão do descumprimento de TACs celebrados com o MPT PA/AP.

No TRT8, entre 2017 e 2018 foram realizadas 112 audiências e celebrados 18 acordos que culminaram no pagamento de R$ 4.388.497, 99 em precatórios. Desse valor, R$ 3. 409.884,40 decorrem do descumprimento de Termos de Ajuste de Conduta firmados com o Ministério Público do Trabalho e foram revertidos em prol dos próprios entes públicos executados, para construção de escolas, reformas de prédios e programas de assistência social.

Da assessoria do MPT.

O especial "Trabalhador" escancara os malefícios das "diferentes dores" dos trabalhadores brasileiros a partir da herança escravocrata no Brasil. Foto: Paulo Uchôa/LeiaJáImagens

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Pelo segundo ano consecutivo, o LeiaJá é finalista no Prêmio MPT de Jornalismo, promovido pelo Ministério Público do Trabalho. Nesta segunda-feira (7), o órgão anunciou os 27 trabalhos finalistas da edição 2018. O portal concorre nacionalmente na categoria "webjornalismo", representando o Nordeste, com o especial "Trabalhador - Herança escravista, pobreza e irregularidades.

Os grandes vencedores serão revelados durante a cerimônia de premiação que ocorrerá no dia 6 de fevereiro de 2019, na sede do Ministério Público do Trabalho, em Brasília.

A série de reportagens publicada pelo LeiaJá escancara os malefícios das "diferentes dores" dos trabalhadores brasileiros a partir da herança escravocrata no Brasil. Mostramos como pobreza e desigualdade social estão fortemente atreladas às condições de trabalho de muitos brasileiros; em busca do sustento familiar, pessoas pobres são submetidas a atividades informais que exigem extrema força corporal.

Os autores das reportagens são Nathan Santos, Marília Parente e Eduarda Esteves. Os vídeos e fotografias foram produzidos por Chico Peixoto, Paulo Uchôa e Rafael Bandeira. A pós-produção e arte são de Raphael Sagatio, enquanto que a montagem e edição dos vídeos são de Danilo Campello. A coordenação de web é de Thiago Azurém.

“Num contexto da progressiva perda dos direitos dos trabalhadores, o núcleo de especiais do LeiaJá insiste em fazer jornalismo, profissão que se solidificou num contexto revolucionário em que o principal mote era ‘liberdade, igualdade e fraternidade’. Publicizar a dor inerente à história do trabalho e dos trabalhadores no Brasil é escancarar a hipocrisia dos discursos conservadores, que seguem legitimando o açoite nas costas que carregam o país. Que jornalismo em sua essência lhes traga alteridade, empatia e humanidade em tempos de tanta cegueira, escuridão e desprezo pelos direitos humanos", ressaltou a repórter Marília Parente.

Com as feridas escravistas abertas no país, surgiram diferentes tipos de "dores" que, até então, assolam o trabalhador que luta para sobreviver e alimentar as esperanças de um futuro mais brando. Foto: Chico Peixoto/LeiaJáImagens

De acordo com o MPT, nesta edição, 395 reportagens de profissionais da imprensa de todo o país foram inscritas no principal concurso dedicado à valorização de peças jornalísticas que abordam irregularidades contra os trabalhadores brasileiros. Entre elas, 27 venceram a fase regional, sendo classificadas para a etapa nacional.

O Prêmio MPT de Jornalismo reconhece reportagens nas seguintes categorias: jornal e revista impressa, radiojornalismo, telejornalismo, webjornalismo, fotojornalismo e universitário. Com o propósito de informar a sociedade sobre a importância da proteção e da defesa dos direitos do trabalhador, as reportagens classificadas envolvem temas como trabalho infantil, discriminação de gênero, cor e pessoas com deficiência, condições inadequadas e precárias de trabalho, entre outros.

Conheça todos os finalistas:

Fotojornalismo

Nordeste - Alpinista do lixo 

Sudeste - Carteira de sangue 

Centro-Oeste - Os últimos dias do lixão sem fim 

Norte - Longe de Casa 

 Sul Consumidos pela escravidão

Jornal Impresso e Revista Impressa

Sul - Cicatrizes do Bahamas

Centro-Oeste - O desrespeito como obstáculo

Nordeste - Entre a terra e o mar

Sudeste - Vidas transformadas

Radiojornalismo

Sudeste - Vidas transformadasCentro-Oeste Agrotóxicos: a dor silenciosa das comunidades rurais

Norte - REESCREVENDO A HISTÓRIA LONGE DAS RUAS

Sul - Do abrigo à universidade: iniciativa do MPT permite ingresso de jovens carentes em cursos superiores

Sudeste - Correntes Invisíveis

Nordeste - Trans: o difícil caminho para a educação e o mercado de trabalho

Telejornalismo

Nordeste - CASAS DE FARINHA : o fim da tradição, o início da escravidão!

Sudeste - Infância Comprometida 

Sul - Oito de março: uma reflexão sobre assédio sexual 

Centro-Oeste - CATADORES DE SONHOS

Universitário

 Centro-Oeste - Amendoim fora de época Universitário

Nordeste - A relação dos ambientes de Call Center com o adoecimento no trabalho

Sul - Cinco anos da PEC que garantiu direitos aos domésticos 

Sudeste - Na Casa dos Outros – Histórias Vividas por Trabalhadoras Domésticas

Webjornalismo

Centro-Oeste - Aviação agrícola: perigo no céu e na terra 

Nordeste - Trabalhador – Herança escravista, pobreza e irregularidades

Norte - Se achasse negócio melhor, trocaria’, diz carregador que trabalha na zona portuária de Manaus e tem aposentadoria incerta

Sudeste - 100 anos de servidão

Sul - QUEFAZER . uma história sobre a labuta dos imigrantes

Uma ação nacional articulada pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) de fiscalização de hospitais psiquiátricos também teve desdobramento em Pernambuco. As inspeções realizadas até esta sexta-feira (7) ocorrem também nos seguintes estados: Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

Em Pernambuco, houve inspeção, na última quarta-feira (5), no Hospital de Custódia Colônia Vicente Gomes de Matos, na cidade de Barreiros, na Mata Sul. Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), a unidade é administrada pelo Governo do Estado e apresentou problemas, seja com relação ao tratamento dos pacientes, seja nas condições de trabalho dos empregados.

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Além do MPT, participaram da ação no estado a Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa), Conselhos Regionais de Enfermagem (Coren), Medicina (Cremepe) e Psicologia (CRP), Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e Superintendência Regional do Trabalho e Empregro (SRTE). Houve também apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

De acordo com as entidades, a situação encontrada merece atenção dos órgãos envolvidos. As condições apontam para violações aos direitos de saúde e trabalho digno. O MPT contabiliza que foram beneficiados com a fiscalização 90 pacientes e 120 profissionais da área de saúde, entre servidores públicos e terceirizados das empresas Adlim, Real e Soluções.

Hospital de Custódia Colônia Vicente Gomes de Matos

Segundo informações fornecidas em página do Governo do Estado, o Hospital Colônia Vicente Gomes de Matos dispõe de 122 leitos e abriga pacientes psiquiátricos crônicos do sexo masculino, que recebem todo o acompanhamento psicológico e de saúde. Dentro do processo terapêutico a longo prazo, eles são estimulados em atividades como passeios ou compras na cidade, num trabalho de reinserção social. A unidade não realiza marcação de consultas, pois o foco é o tratamento de pacientes internos.

Força-tarefa nacional

As inspeções, que terminam nesta sexta-feira, dia 7, alcançarão 40 unidades de internação psiquiátricas públicas e privadas, com leitos SUS (Sistema Único de Saúde) em funcionamento, em 17 estados e um universo de mais de 6,2 mil profissionais da saúde.

Essas visitas visam a identificar possíveis violações de direitos humanos e tratamentos cruéis, desumanos e degradantes praticados contra os pacientes internados em hospitais psiquiátricos e possíveis violações de direitos promovidos pelos trabalhadores dessas instituições ou contra eles.

A ação nacional objetiva ainda verificar as condições de infraestrutura e funcionamento dos hospitais psiquiátricos e condições de saúde e segurança dos profissionais de saúde. Além disso, busca a identificação de pacientes que permanecem internados indevidamente nas unidades, promovendo a desinstitucionalização e/ou encaminhamento a outros equipamentos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), conforme a Política Nacional de Saúde Mental do Ministério da Saúde, além de contribuir para o fortalecimento e ampliação dessa rede, onde ela se mostra insuficiente ou ineficiente.

O Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina (MPT-SC) entrou com uma ação judicial contra o dono da rede de lojas Havan, Luciano Hang, por  tentar coagir os seus funcionários a votar no candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL). Em vídeo divulgado internamente na empresa, que ganhou as redes sociais, Luciano afirma que “se a esquerda ganhar” fechará as lojas e demitirá os 15 mil funcionários

O MPT afirmou ter recebido cerca de 50 denúncias sobre o vídeo e a postura do empresário. O órgão fez um pedido de tutela antecipada, nessa terça-feira (2), para que a Justiça proíba o empresário de pedir votos aos funcionários. Cabe à Justiça do Trabalho conceder ou não a liminar. 

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Hang nega que tenha coagido funcionários. Em publicação no Twitter, ele diz que a denúncia é uma piada. “O Ministério Público do Trabalho já fez a denúncia contra mim e nossa empresa, já colocaram na imprensa agora só falta sermos notificados por falar a verdade para nossos colaboradores. Isto é uma piada vocês não acham?”, indaga Luciano Hang. 

Apesar da denúncia, o dono da Havan continua demonstrando nas redes sociais que vai seguir fazendo campanha para Bolsonaro. “Todos os trabalhadores e pessoas de bem estão com Bolsonaro.Todos querem mudanças. E você?”, questiona em outra publicação no Twitter.  

A decisão de dois grandes empresários do Sul do País de tentar mobilizar seus funcionários em favor da candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) levou o Ministério Público do Trabalho a se manifestar contra esse tipo de iniciativa. Em nota, a instituição federal disse que a tentativa de direcionar o voto do trabalhador é ilegal e pode virar alvo de ação civil pública.

Num vídeo que circula nas redes sociais, Luciano Hang, dono das lojas Havan, com sede em Santa Catarina, ameaça deixar o País e, consequentemente, demitir seus 15 mil funcionários, caso Bolsonaro não vença a eleição presidencial. Na gravação, ele diz ter feito uma pesquisa de intenção de voto com os colaboradores da empresa e descobriu que 30% deles pretendem votar nulo ou branco.

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Hang faz um alerta sobre o que esses votos dos funcionários poderiam acarretar: "Você está preparado para ganhar a conta da Havan? Você, que sonha em ser líder, gerente, crescer com a Havan, você já imaginou que tudo isso pode acabar no dia 7 de outubro e a Havan fechar as portas e demitir os 15 mil colaboradores?".

O empresário Pedro Zonta, dono da rede de supermercados Condor, com 48 unidades espalhadas pelo Paraná e Santa Catarina, também se manifestou. Ele distribuiu uma mensagem por WhatsApp e e-mail para os 12 mil empregados declarando voto a Bolsonaro, e explica os motivos pelos quais apoia o candidato e repudia o voto à "esquerda". Entre as 11 razões que o fazem apoiar o candidato do PSL, Zonta cita a "preservação da família", em primeiro lugar, e a "volta do crescimento econômico". Ao fim do comunicado, o empresário diz que garante o pagamento do 13.º salário e o abono de férias aos funcionários e pede que confiem "em mim e nele (Bolsonaro) para colocar o Brasil no rumo certo". Na terça-feira, 2, o vice de Bolsonaro, o general Hamilton Mourão, voltou a criticar o 13.º salário e o abono de férias. Na semana passada, ele havia dito que eram "jabuticabas": coisas que só existem no Brasil.

Na terça-feira, a Procuradoria Regional Eleitoral do Paraná instaurou procedimento preparatório eleitoral contra o Grupo Condor e seu presidente.

A procuradora do Trabalho Cristiane Sbalqueiro Lopes notificou na terça-feira a direção da rede para que Zonta esclareça informações contidas na mensagem encaminhada aos funcionários. Para o MPT, órgão federal encarregado de defender os direitos individuais e coletivos trabalhistas, o documento sugere que funcionários não receberão 13.º salário em caso de derrota do candidato do PSL.

Em nota, Hang, da Havan, afirmou que não tinha como intenção coagir os funcionários sobre em quem deveriam votar, que pretendia ajudar os indecisos.

Outro caso

A Coligação "O Povo Feliz de Novo" (PT/ PC do B/PROS) acionou na terça-feira, 2, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que seja aberta uma investigação por abuso de poder econômico contra a campanha de Bolsonaro, que envolve a empresa de ar-condicionado Komeco, na Grande Florianópolis (SC).

A coligação acusa o presidente da Komeco, Denisson Moura de Freitas, de ter gravado um áudio direcionado a funcionários solicitando que usassem adesivos e camisetas de apoio a Bolsonaro.

No áudio, diz o PT, Freitas afirma que a empresa vai contribuir para a compra dos materiais e que os funcionários da Komeco vão trabalhar durante a "semana Bolsonaro" uniformizados com a camiseta.

Procurada pela reportagem por e-mail, a Komeco não havia respondido até a publicação deste texto. A campanha de Bolsonaro também não se manifestou sobre o caso até a conclusão desta edição. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) em Pernambuco está com inscrições abertas para seleção de estagiários. Podem participar da disputa estudantes de nível superior das graduações de jornalismo, direito, secretariado e informática. De acordo com o órgão, será preenchida uma vaga para secretariado e haverá cadastro reserva para as demais áreas.

Segundo o MPT, o estágio oferecerá bolsa de R$ 850 mensais para jornada de trabalho de 20 horas por semana, além de auxílio diário de transporte no valor de R$ 7. Os interessados em participar do processo seletivo devem se inscrever gratuitamente até 4 de outubro por meio da internet.

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O processo seletivo terá prova de língua portuguesa e de conhecimentos específicos para cada área. O MPT adiantou que quando for solicitado o preenchimento da vaga, o universitário já deverá ter cursado, no mínimo, 40% da carga horária total da graduação. Também estão previstas cotas de 30% para pessoas negras.

Os aprovados poderão atuar em Recife, Petrolina ou Caruaru. Mais informações sobre a seleção devem ser obtidas no site do MPT.

Neste sábado, 18 de agosto, é celebrado o Dia do Estagiário como forma de conscientizar instituições de ensino, empresas e estudantes sobre as diferenças que o estágio tem em relação a empregos formais, quais os direitos dos estagiários, os deveres das empresas e as possíveis punições que são previstas em caso de irregularidades.

Para isso, o LeiaJá procurou uma agência intermediadora de estágios e o Ministério Público do Trabalho de Pernambuco (Procuradoria Regional do Trabalho da 6ª Região), além de ouvir pessoas que foram vítimas de fraudes trabalhistas no estágio.

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Regras

De acordo com a coordenadora da Agência Brasileira de Estágio e Emprego (Abre), Carla do Carmo, o estagiário não é um profissional de baixo custo e sim um aprendiz, sendo necessário, portanto, atentar para certas peculiaridades que têm o objetivo de salvaguardar o caráter pedagógico do estágio. “A carga horária máxima é de 30 horas semanais, seis por dia, não gera vínculo empregatício e tem que ser supervisionado por causa da condição de aprendizado do estágio”, explica. 

No que diz respeito às atividades que são permitidas, ela explica que é preciso atentar para tudo que está determinado no contrato, respeitando o que está lá. É importante lembrar que por ser proibido ultrapassar o limite de jornada de trabalho, estagiários não recebem hora extra.

Carla também esclarece que os estagiários têm direito a férias remuneradas de 15 ou 30 dias a cada seis meses ou um ano, respectivamente, sendo de dois anos o período máximo de permanência do estudante na mesma empresa. Ao final desse período (ou mesmo antes) é permitida a efetivação do estagiário como funcionário contratado com carteira assinada, mesmo que o estudante ainda não tenha se formado.

Irregularidades

A Lei 11.788 de 25 de setembro de 2008 determina todos os deveres legais de universidades, empresas e estagiários, mas não é raro ver estagiários se queixarem de diversas formas de exploração de sua mão de obra ao ponto de não apenas o estágio perder o caráter pedagógico como também prejudicar o rendimento do estudante na universidade. 

Os relatos de irregularidades que prejudicam os estudos e o futuro profissional de estudantes que fazem estágio também são tão comuns quanto as “brincadeiras” feitas com a condição de estagiário. E isso, infelizmente, não é uma novidade. 

Há 30 anos, Solange Araújo, que hoje é uma dona de casa com 48 anos de idade, sofreu com todo tipo de problema durante o seu estágio como técnica em contabilidade no Banco da Amazônia, em Brasília. 

O ano era 1988 quando ela foi sexualmente assediada pelo próprio chefe na saída do trabalho e repetiu de ano, perdendo o estágio em decorrência da reprovação, devido ao excesso de atividades e jornadas de trabalho exaustivas em seu estágio. 

“O pessoal mais antigo deixava todas as ordens de pagamento em cima de mim para ficar mais folgado para eles e eu tinha que fazer todas as coisas em um período só. Era difícil, era corrido e tinha dias em que eu saía depois do horário estabelecido. Acabei não passando de ano e perdi o estágio e, depois disso, eu mudei de colégio. Passei a estudar a noite em uma instituição particular e formei entre os primeiros de classe”, contou ela. 

O estudante de engenharia civil Leonardo Barbosa tem 23 anos, mora no Recife e relata problemas semelhantes. Além de ser pressionado a trabalhar mais horas do que o que o contrato previa e perder aulas, ele também recebia ligações do patrão a noite, em finais de semana e durante o horário em que estava na universidade. 

“Meu antigo chefe às vezes não podia ir à tarde, ligava e dizia que ia deixar a obra na minha mão pela tarde. O aprendizado era bom, mas eu perdia aula e depois de um tempo começou a ficar chato. A única coisa boa é que me pagava direito, no dia certo”, explicou ele. 

Devido aos problemas na condução do trabalho, o estudante de engenharia foi prejudicado nos estudos, chegando perto de ser reprovado na graduação porque o estágio estava pesado. 

“Eu tenho que trabalhar em dobro sem receber dobrado. Já contestei porque certas coisas aconteciam de um jeito se meu contrato previa algo diferente, mas não deu em nada. Vou conversar sobre esses problemas e se não resolver eu vou sair, avisando que buscarei meus direitos na justiça porque tenho como provar os atrasos e o dinheiro que a empresa me deve”, afirma o estagiário.

Subnotificação

O procurador José Adilson explica que o Ministério Público do Trabalho (MPT) atua no combate às fraudes de estágios intermediando a retirada do estudante da empresa ou pleiteando, junto à justiça, o reconhecimento do vínculo empregatício. No entanto ele aponta que o maior problema é a falta de denúncias dos casos de fraude, que geram uma forma de impunidade baseada na subnotificação. 

“Quase não se denuncia porque as [instituições] privadas não estão nem aí uma vez que a bolsa do estudante o faz pagar a mensalidade, aí a universidade se omite e o aluno que precisa [da bolsa] e tem medo de perder [o estágio] caso denuncie, também não fala. Ou simplesmente não sabe que está sendo explorado”, pontuou ele.

A formação de grupos de trabalho para fiscalização ativa e punição de universidades e empresas envolvidas em fraudes a estágios em Pernambuco, de acordo com o procurador, está sendo feita e já gerou resultados através da assinatura de Termos de Ajuste de Conduta (TAC) e da abertura de processos abertos na justiça. O próximo passo, segundo o procurador, será convocar representantes de universidades e das principais empresas de ramos áreas de atuação onde o MPT está percebendo cenários mais graves para buscar soluções.

Fiscalização e punição por fraude

José Adilson Pereira da Costa é procurador do Ministério Público do Trabalho em Caruaru - PE há 11 anos e, atualmente, também atua no Recife coordenando um grupo de trabalho que realiza fiscalizações e investigações a possíveis fraudes trabalhistas por descumprimento de contratos.

Ele explica que os estágios devem entendidos como um modo de as empresas ajudarem estudantes e instituições de ensino na formação prática e mercadológica desses estudantes e futuros profissionais graduados. Nesse sentido, temos dois tipos de estágios, o facultativo, pelo qual o estudante deve receber bolsa-auxílio e vale-transporte e que não é requisito para se formar, e o obrigatório, previsto na grade curricular da graduação e pelo qual a empresa não paga. 

Em ambos os casos, segundo José Adilson, a empresa está ganhando ao ajudar a universidade, que precisa fornecer experiências práticas, e o estudante, que aprende, se torna um profissional mais capacitado e, a depender do caso, é remunerado. Assim sendo, todas as partes são igualmente beneficiadas pelo estágio, mas é a universidade a maior responsável por zelar pelo caráter pedagógico do contrato de estágio, que é um ato educativo.

Cabe à instituição de ensino reconhecer a carga horária curricular cumprida nos estágios não-obrigatórios e supervisionar o estágio. Segundo o procurador, é necessário designar um professor orientador que deverá acompanhar as atividades dos estudantes e o contrato de estágio também deve ser assinado por um representante da instituição de ensino. 

A universidade também precisa verificar se as instalações da empresa, os horários e atividades condizem com a idade e o curso do estudante e exigir um relatório de atividades do estagiário na empresa a cada seis meses, pontuou José Adilson. Em caso de constatar alguma irregularidade, é dever da universidade informar ao órgão de fiscalização, no caso o Ministério de Trabalho e Emprego ou o Ministério Público do Trabalho, para que as devidas providências sejam adotadas. 

O procurador explica que a lei desonera o contrato de estágio para estimular as empresas a oferecer vagas. Ele explica que a entidade concedente do estágio, no caso a empresa, abre a porta para o estudante aprender e ganha mão de obra, mas como esta é limitada em termos de atividades e horários, a lei permite que o estágio seja feito sem criar vínculo empregatício, devido às peculiaridades que são destinadas a resguardar o caráter pedagógico do estágio. 

Apesar disso, caso a empresa desrespeite o contrato, o estágio passa a ser considerado como emprego, com vínculo empregatício, uma vez que a empresa está fazendo o estudante trabalhar como um profissional efetivo e pagando pouco, fazendo um instrumento pedagógico de forma de exploração de mão de obra barata, o que configura fraude com previsão de multa e proibição de contratar estagiários durante dois anos em caso de reincidência. 

José Adilson explicou o motivo de existir um entendimento legal de que um contrato mal executado significa a criação de vínculo: no estágio, há a subordinação do estagiário a seus chefes e supervisores, a escolha do estudante se faz através de uma seleção baseada em seu perfil, as atividades são prestadas de forma contínua e não eventual, além de gerar um custo para o empregador, tudo igual a um emprego.

Se não são observadas as particularidades que caracterizam o estágio, não há motivo para não reconhecer o estudante como profissional, uma vez que ele estaria trabalhando como um funcionário efetivo sem receber como tal.

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Nem Complexo Industrial, nem Porto. Suape, antes de tudo, significa “caminhos sinuosos”, em tupi-guarani. O termo foi cunhado pelos Caetés, em referência à constituição geomorfológica da região, que costumava ser marcada pelas exuberantes matas, mangues e rios. Embora dados de 2010 dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) denunciem que o Rio Ipojuca, por exemplo, é o terceiro mais poluído do país, a sabedoria dos povos originários parecia antever o destino atravancado de suas terras. 

No ano de 2014, Suape, localizado na cidade do Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife, assistiu à segunda maior desmobilização de trabalhadores da história do Brasil, com o desligamento de 42 mil funcionários, segundo dados do Governo do Pernambuco. Desses, a porcentagem de 42% é composta por pessoas de fora do Estado, que enxergaram na região uma espécie de Eldorado nordestina, onde lhes fora prometida, além de emprego com carteira assinada, a possibilidade de ocupar uma das áreas mais prósperas do país.

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 Estamos em 2018, onde o conto de fadas não chegou. No lugar da terra prometida, profissionais desempregados reuniram empréstimos e esforços desesperados para se aglutinarem em uma série de comunidades no entorno do Complexo Industrial. Em uma delas, batizada de Sítio Areal pelos próprios moradores, uma contagem informal estima a presença de cerca de mil pessoas. Desempregados e sem recursos para voltar aos locais de origem ou pagar aluguéis, eles avançaram para o interior do Parque Armando Holanda Cavalcanti, área de preservação histórica no Cabo de Santo Agostinho, que, segundo sua administração, é de propriedade de Suape. 

Há cerca de cinco anos, a comunidade cresce sem água, luz, saneamento ou qualquer infra-estrutura básica, e ainda tendo que enfrentar as investidas de Suape, que não permite a construção ou ampliação dos imóveis no perímetro do Parque. Com a maior parte de sua população composta por operários baianos demitidos pelo Complexo Industrial Portuário (CIP), privados da presença do Estado em todas as esferas, a comunidade parece reprisar a Canudos do início da república. Ao contrário dos conselheiristas, contudo, Areal tem cada dia menos fé.  

A terra  

Uma idosa e três adolescentes. O vão onde morava a aposentada Neusa Carvalho não tinha muito do que isso em seu interior quando, segundo ela, Suape, em ação conjunta com a Polícia Militar e a Prefeitura do Cabo, demoliram sua casa pela primeira vez. “Começaram a derrubar a estrutura comigo dentro, sem mandato, sem nada. Eu passei mal, uma de minhas filhas também e Suape disse que estávamos fazendo ‘manha’”, lembra. Em quatro anos, Neusa alega que já teve a casa demolida e reconstruída três vezes. A narrativa é sempre a mesma: após uma nova demolição, é tomado outro empréstimo e o imóvel levantado mais uma vez, com a mão-de-obra solidária dos vizinhos do Sítio Areal. Ex-funcionária do Complexo Industrial, Dona Neusa mora na comunidade desde que precisou se aposentar por invalidez, após um acidente no trabalho, e é uma das moradoras que denuncia a utilização arbitrária da lei do desforço imediato por parte dos agentes do Estado e da empresa. 

Dona de uma paz desconcertante, Neusa esconde no sorriso fácil o drama que compartilha com a maioria de seus novos vizinhos. Baiana de Camaçari, ela foi a Suape cheia de esperanças. Conseguiria em Pernambuco emprego de carteira assinada e o sonhado tratamento para o filho doente. O trabalho e a assistência médica de fato vieram, mas para marcar sua trajetória com duas tragédias. “De frente a uma porta de vidro do meu serviço, havia um batente de dois degraus que dava para uma porta de vidro. Tropecei e cortei uma parte do braço direito. Abriu artéria, nervos: tudo”, lembra. 

Neusa teve sua casa derrubada por três vezes. Três vezes o imóvel foi reconstruído. (Júlio Gomes/LeiaJáImagens)

Neusa perdeu completamente os movimentos do dedo mindinho e quase todo o domínio sob o anelar e o médio. “Me encostaram por três anos até que o INSS deu alta. Aí tive que trabalhar mais 11 meses na fábrica da Bacardi para poder pagar o tempo parada e me aposentar. O certo era me encostar e me dar um bom dinheiro. Ainda procurei advogados, mas não consegui”, lamenta. Se no trabalho as coisas não iam bem, em casa iam de mal a pior. Neusa precisou de toda a coragem que trouxe na mala quando o falecimento de seu filho veio acompanhado por novas demolições de sua casa. 

A assessora jurídica do Fórum Suape, Luísa Duque, que presta auxílio às famílias do Sítio Areal, afirma que, para realizar as demolições, Suape se vale de uma recomendação feita pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE). “Eles chegam e alegam que a população é invasora de uma área de preservação e precisa deixar o local, através da utilização da força, se necessário. Assim, avançam sobre as construções sem mandato judicial”, comenta. A advogada questiona ainda o posicionamento do MPPE diante da situação. “O desforço imediato só se aplica quando a construção ainda não foi acabada. No caso do Parque Armando Holanda, a gente tem a destruição de casas que já estão consolidadas há mais de cinco anos. É Suape se utilizando de um documento questionável para expandir seu alcance”, completa. 

Na recomendação a que se refere a advogada, um ofício de outubro de 2013, o Ministério Público, além de legitimar a utilização do desforço imediato por parte de Suape, aconselha a empresa a promover “a identificação dos dos invasores que já residem na área do PMAHC (Parque Armando Holanda Cavalcanti), ingressando com as ações judiciais necessárias para reaver as áreas invadidas”. Através de sua assessoria de imprensa, o MPPE comentou que sua “maior preocupação é evitar que mais pessoas construam no local”.

O Parque Armando Holanda Cavalcanti

Acontece que o Sítio Areal é uma das comunidades localizadas dentro dos 270 hectares do Parque Armando Holanda Cavalcanti, inaugurado no ano de 1979, a partir de um conjunto de desapropriações de populações nativas do Cabo promovidas pelo Governo do Estado, com o objetivo de “preservar os bens culturais, artísticos e históricos” da cidade. Sua área inclui a Vila Nazaré, uma pequena vila colonial datada do século XVI, onde estão localizados a Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, o Farol Novo, além das ruínas do Convento Carmelita, antigo do Quartel e da Casa do Faroleiro. Embora guarde relevantíssimo patrimônio histórico e seu Plano Diretor exista há mais de vinte anos, “o Parque encontra-se em situação de abandono”,  segundo relatório da Agência Estadual do Meio Ambiente (CPRH).

De acordo com o documento, ainda na década de 1980, com sua expansão, o Complexo Industrial e Portuário de Suape (CIP) tornou-se responsável pelo Parque. Pouco tempo após ser iniciado seu período de administração da área, contudo, Suape apressou-se em ceder, a título de cessão de uso oneroso, 117 hectares ao fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal, a FUNCEF, onde foi construído um suntuoso resort, denominado Vila Galé. A contrapartida da FUNCEF seria tomar a responsabilidade de promover a manutenção dos monumentos históricos presentes no parque. Em posse da terra, contudo, a FUNCEF exigiu novo Plano Diretor, pois considerou desatualizado aquele que já existia há 20 anos. Estava criado o impasse administrativo da área. 

No ano de 1999, a FIDEM chegou a elaborar um Plano Estratégico contendo as indicações dos custos e prazos necessários para a implementação do Parque, mas quando “a FUNCEF foi acionada para implantar as ações que faltavam e iniciar o processo de gerenciamento, procurou destratar essa responsabilidade alegando não ter mais interesse em gerenciar o Parque, que entrou numa situação de abandono, com impactos aparentes nas praias de Calhetas e Paraíso, assim como na área do sítio histórico”, registrou a CPRH. 

O Resort Vila Galé visto de uma das casas de Areal. (Júlio Gomes/LeiaJáImagens)

Apesar da generosidade na concessão de terreno para o resort, Suape estabeleceu como prática a derrubada de qualquer novo vão residencial no perímetro do Parque Armando Holanda. Nem a sede da ONG Ame a Mãe Terra, fundada em 2009, escapou dos tratores da empresa. Utilizada como um Centro de Vivência Ecológica e Cultural, a estrutura era espaço de sensibilização e conscientização ambiental de adolescentes e jovens residentes nas comunidades do entorno e estava fechada, sem nenhum de seus responsáveis presente, quando foi derrubada. 

À reportagem, a população do Sítio Areal denunciou a presença quase diária de agentes de Suape no entorno da comunidade, fotografando e filmando as residências das famílias. “Eles monitoram as construções. Se virem alguém fazendo um novo cômodo, derrubam”, comenta uma moradora que prefere não se identificar. Para executar as derrubadas, alguns moradores afirmam que há serviço de policiais de outras cidades, fora do horário de expediente.

Através da assessoria de imprensa da empresa, o Diretor de Gestão Fundiária e Patrimônio de Suape, Luciano Monteiro, comunicou que “por se tratar de uma área de preservação é terminantemente proibida a construção de moradias no local (o Parque Armando Holanda Cavalcanti). A nota de Suape frisa ainda que a empresa promove fiscalizações mensais na área do Parque, em conjunto com a Prefeitura Municipal do Cabo de Santo Agostinho e a Companhia Independente de Policiamento Independente (Cipoma), “com o objetivo de coibir invasões nesta área que necessita de preservação e proteção”. O gestor informa ainda que “Suape está aberta ao diálogo e pode receber qualquer cidadão para mais esclarecimentos”. 

As mulheres e a luta

Patrícia foi atraída a Pernambuco pelo sonho de conseguir melhores condições de vida. (Júlio Gomes/LeiaJáImagens)

Patrícia Trindade resolveu vender tudo o que tinha na Bahia quando o marido, Ubaraí de Carvalho, conhecido em Areal por “Bira”, recebeu a primeira proposta para trabalhar em Suape. Era 2009, e ele finalmente conseguira garantir sua carteira assinada, além de plano de saúde e moradia para a família. “Aí perdeu o emprego pela primeira vez, porque as obras tinham acabado. Falaram que era muito tempo de serviço, mas acabei voltando para o meu Estado grávida, com as passagens pagas pela dona da casa onde a gente morava”, conta. Com uma nova oportunidade do companheiro na Petronave, o casal fez a viagem de volta a Pernambuco, onde passou a viver no aluguel. Veio uma nova demissão, sem que houvesse pagamento das rescisões trabalhistas, e, com ela, a impossibilidade de arcar com as despesas familiares. “Se não fosse a comunidade, que cedeu esse terreno, a gente tinha ido morar na rua. Todo mundo fazia um mutirão e levantava a casa. Só das mãos do meu marido subiu mais de dez casas”, afirma. 

Sem emprego, Patrícia e Bira foram à luta. “Todo mundo no Sítio Areal é trabalhador, tem experiência em obra e tudo. Pela necessidade, fomos vender coxinha e Cremosinho na praia. Enquanto os trabalhadores estavam aqui, o movimento era bom, mas agora só a misericórdia de Deus”, relata. À medida que a casa deixava de ser apenas o vão inicial e ganhava quartos, sala e cozinha, Patrícia transformava-se, de dona de casa, em liderança comunitária, a denunciar as demolições rotineiras na comunidade. “São ações irregulares. Quando vem, não vem com mandato nenhum. Em quatro anos aqui, nunca vi apresentarem nenhum documento, só dizem que a gente está em área imprópria”, expõe. 

Na dependência do Bolsa Família e da ajuda de uma igreja, Bira se vira com bicos e relata preconceito do mercado de trabalho pernambucano com a mão-de-obra baiana. “Estou há dois anos procurando, mas sem perspectiva de emprego. Os que surgem, funcionam na base da panelinha e, quando sobra vaga, é muito difícil colocarem alguém de fora, principalmente quando sabem que é da Bahia. Já ouvi alguns dizendo que baiano não presta, é preguiçoso e gosta de fazer greve”, queixa-se. 

Bira relata preconceito contra profissionais baianos no mercado de trabalho pernambucano. (Júlio Gomes/LeiaJáImagens)

Apharteid? 

Não bastasse a dificuldade de garantir o sustento da família, Patrícia e Bira ainda precisam dedicar atenção redobrada ao filho, que sofre de rinite alérgica. A doença demanda acompanhamento médico mensal, mas o posto de saúde mais próximo, em Gaibu, só reserva, segundo Patrícia, dez fichas diárias de atendimento para as comunidades não registradas. “Meu filho pode sufocar com inchaços da rinite e morrer. Preciso dar a medicação dele, mas ela só pode ser comprada com receita, porque depende de coisas como o peso, então tem que ter acompanhamento de um pediatra”, protesta. 

Como nunca consegue as fichas, Patrícia precisa assistir às crises mais fortes da criança para conduzi-lo à emergência e reclamar o atendimento. “Toda vez a atendente fala a mesma coisa, que eu sei que eles não atendem esses casos. Aí tenho que explicar de novo que não consigo atendimento”, completa. 

Por meio de nota, a Prefeitura do Cabo negou que haja limite de senhas para áreas descobertas. “Não procede este número limite de fichas para o atendimento de moradores Sítio Areal. O fato é que, o Ministério estabelece critérios para a instalação/criação de novas unidades de saúde. Um deles é que a área tenha a partir de 4 mil habitantes”, escreveu a assessoria de imprensa. A Prefeitura garante ainda que “os moradores da região contam com o acompanhamento dos agentes de saúde, regularmente, e quando há uma necessidade de consulta de rotina, são encaminhados para a Unidade de Saúde da Família, ou para o Centro do Cabo, a depender do tipo de atendimento”. De acordo com a instituição, “os casos de urgências são atendidos pelo SPA de Gaibu”. 

Falta de luz

De braços cruzados, comunidade exibe protocolo da Celpe com solicitação de posteamento, feita há três anos. (Júlio Gomes/LeiaJáImagens)

A narrativa de Patrícia se repete nos discursos de inúmeras outras mulheres do Sítio Areal, comandado majoritariamente por elas. Outra liderança da comunidade, a paraense Marcicléia Medeiros também veio ao Cabo no ano de 2012, a pedido do marido, que atuou como caldeireiro industrial de uma das empresas ligadas ao CIP. Inconformada com a falta de luz, água e saneamento básico da comunidade, que nem sequer teve as casas numeradas pela Prefeitura, ela batalha para criar a Associação de Moradores do Sítio Areal, da qual exibe orgulhosa o Estatuto Social redigido pelos moradores. Com a instituição, a população espera ser reconhecida pelo Cabo. 

Marcicleia relata o corte da energia elétrica clandestina efetuado no Sítio Areal, pela Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), em operação conjunta com Suape, a Prefeitura do Cabo e a Polícia Militar, no dia 28 de junho deste ano. Com o protocolo da Celpe de número 9100595752, datado de 14/09/2015, solicitando a extensão da rede trifásica nas mãos, ela conta que a companhia chegou a instalar postes em metade do Sítio Areal. “Como a comunidade surgiu de dentro para fora, é possível visualizar que os postes começaram a ser colocados nesse sentido, ou seja, a rede atende a metade da comunidade, a outra está fora. A gente entende que a Celpe começou a ‘postear’ escondido e quando Suape viu, embargou o serviço”, comenta.

Ao lado do protocolo da Celpe, documento da Associação de Moradores, uma tentativa da população de ser reconhecida pelo Cabo. (Júlio Gomes/LeiaJáImagens)

Nem Marcicleia nem os demais moradores de Areal sabem ao certo dentro de quais prerrogativas o acordo entre Celpe e Suape se deu. “A gente não tem acesso a nenhum tipo de documento, não sabemos como Suape conseguiu o embargo, nem se foi embargado mesmo ou só uma ordem de boca”, completa.

Sem o prosseguimento do posteamento e com o protocolo ignorado há três anos, a comunidade se viu obrigada a instalar uma rede clandestina. Bambus, troncos e paus: a população pegou o material que pôde para construir os próprios postes. Em alguns deles, as linhas correm para mais de quatro casas diferentes, oferecendo grande perigo de curto-circuito e incêndio. “Se a Celpe vier aqui, exigir um padrão e fizer toda a parte de transmissão e iluminação pública, estamos dispostos a pagar as contas, porque não queremos ficar correndo risco. Não entendo porque a empresa se omite de nos atender. Um eletrodoméstico nosso queimando, nem temos como entrar na justiça, porque não estamos legalizados.”, protesta.

Precariedade dos postes "artesanais" oferece grande perigo à população. (Júlio Gomes/LeiaJáImagens)

Questionada pela reportagem a respeito da incompletude da instalação da rede, a Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) argumentou que o MPPE, por meio de ofício expedido em outubro de 2013, recomendou à concessionária que se abstivesse de realizar novas ligações de energia elétrica na área de reserva de Mata Atlântica e Mangue. No referido documento, o MPPE se refere a Suape como legítima proprietária da área e, embora reitere que se trata de uma área de preservação ambiental, permite que a Celpe volte a instalar novas ligações no perímetro do Parque Armando Holanda Cavalcanti caso seja de interesse de Suape.  

“Por medida de segurança, inspeções técnicas rotineiras promovidas pela empresa identificam e removem ligações clandestinas de energia na localidade. A prática ilegal, além de prejudicar o fornecimento regular de energia, coloca em risco a vida de pessoas”, completa o comunicado da Celpe. 

Crianças com dores de cabeça para estudar

Com os olhos em busca de algum movimento na ruazinha pacata, Valéria de Almeida aguarda que alguém precise de lençóis, picolés, cigarros ou isqueiros. O dinheiro que o marido recebeu das rescisões contratuais, investiu em material para construir uma pequena casa com uma espécie de bodega na frente. A exemplo de boa parte dos moradores de Areal, a família tenta sobreviver de uma atividade que possa ser celebrada no único recurso do qual dispõem: uma casa. 

Natural de Belém de São Francisco, no sertão de Pernambuco, Valéria conheceu o companheiro baiano, ex-funcionário da refinaria, no Recife. Gosta do sotaque dele e dos novos vizinhos. “É muito bom. Essa aqui mesmo tem um sotaque bem diferente (aponta para Marcicleia). A gente quer ficar aqui, essa casa é minha”, frisa. A convivência por lá é tão boa que ela garante  já ter recebido até cesta básica de morador de Areal quando passou necessidade. Apesar disso, reconhece a dificuldade trazida pela falta de infra-estrutura mínima enfrentada pelos três filhos pequenos.

“Meu filho mais velho é muito estudioso, mas faz a tarefa à luz de velas. Por isso, ele sente muita dor de cabeça, força muito a vista. É muito triste para uma mãe ver isso”, lamenta. Outros moradores, improvisam uma engenhoca colocando uma lanterna dentro de uma lata de alumínio de leite em pó e reiteram a dificuldade das crianças em estabelecer um horário de estudo. “Queria dizer aos gestores de Suape que amoleçam seus corações, porque somos pais e mães de família e só queremos uma moradia digna para criar nossos filhos e uma sociedade boa”, apela Valéria.  

Quem tem medo do bicho papão?

"Decididamente era indispensável que a campanha de Canudos tivesse um objetivo superior à função estúpida e bem pouco gloriosa de destruir um povoado dos sertões. Havia um inimigo mais sério a combater, em guerra mais demorada e digna. Toda aquela campanha seria um crime inútil e bárbaro, se não se aproveitassem os caminhos abertos à artilharia para uma propaganda tenaz, contínua e persistente, visando trazer para o nosso tempo e incorporar à nossa existência aqueles rudes compatriotas retardatários. Mas, sob a pressão de dificuldades exigindo solução imediata e segura, não havia lugar para essas visões longínquas do futuro",

Os Sertões, Euclides da Cunha. 

Téo* tem apenas sete anos de idade e, embora conheça praticamente toda vizinhança, não arrisca brincar em outra rua que não seja a de sua casa. “Porque chega Suape com a Polícia e ficam fazendo medo a todo mundo”, explica. Em caso de aproximação do agentes de ambas as instituições, são as crianças que costumam dar a notícia aos adultos. A mãe de Téo, que prefere não se identificar, conta que o garoto já presenciou várias operações nas quais a Polícia Militar entrou na comunidade fortemente armada. “Aquele Major Félix veio aqui querer entrar na minha casa, invadir de tudo que é jeito, aí abri a porta para ele ver que a gente morava aqui. Meu filho ficou desesperado, pedindo para não derrubarem. Nunca demoliram minha casa, mas vieram tirar fotos várias vezes ”, lembra. 

O “Major Félix” a que se refere a moradora é como se apresenta o Superintendente de Controle Urbano da Prefeitura do Cabo, João José Félix Júnior. Oficial aposentado da Polícia Militar de Pernambuco, ele é uma espécie de comandante tanto das ações de demolição executada pela Polícia Militar e Suape na comunidade quanto na recente operação em conjunto com a Celpe, em que o equipamento clandestino foi arrancado. 

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 “Eu disse que não era certo e que os fios foram comprados pelos moradores a partir de uma vaquinha, que ele deixasse, mas me respondeu que não”, conta Patrícia Trindade.  

A moradora relata ainda que, após a negativa, Félix agrediu um morador. “Dobrou, apertando com força, o dedo do menino e tomou um fio da mão dele”, completa. Bira também afirma ter presenciado o momento em que o major teria dado ordem de prisão a outro homem, que “saiu correndo para não ser preso”.

Quando assumiu o atual cargo, Félix já tinha sido alvo de procedimento da Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social, que submeteu o oficial a Conselho de Justificação, considerando que ele, em tese, “procedeu incorretamente, teve conduta irregular e praticou ato que feriu a honra pessoal, o pundonor militar e o decoro da classe”. A reportagem não teve acesso ao processo, que não está disponível para consulta popular.

Boletim da Corregedoria que aponta possível "conduta irregular" do Major Félix. (Clique AQUI

Em um vídeo gravado durante a operação, é possível assistir ao momento em que a população solicita a apresentação de uma “ordem”. O superintendente responde: “‘Existe’ várias ligações clandestinas aqui. Você só pode construir em área que você tenha propriedade. Tá todo mundo irregular aqui”, sem apresentar a documentação solicitada. 

A reportagem entrou em contato com o Major Félix, que argumentou não ser necessária a apresentação de mandato para demolições de imóveis que não tenham caracterização de moradia ou cortes de energia em Areal. “Um dos atributos da administração pública é o poder de polícia administrativo, que tem os atributos da discricionariedade, coercibilidade e autoexecutoriedade, você não precisa provocar o poder judiciário para tomar as providências naquela área”, comentou o superintendente. Ele nega, no entanto, que ocorreram derrubadas de casas com imóveis ou com moradores em seu interior, como no caso da aposentada Neusa Carvalho. “Claro que não. Nós estamos movendo processo administrativo para aquelas residências que já tem moradores, ou seja, a gente notifica, dá um auto de infração com multa e um prazo de oito dias para se defender por escrito. Quando a gente fecha esse processo, encaminha para a procuradoria do município que encaminha à Vara da Fazenda, para que a Justiça tome providência”, completou.

 

Recomendação do Ministério Público a respeito das comunidades do Parque Armando Holanda Cavalcanti. (MPPE/Cortesia).

Félix frisou ainda que é seu dever funcional, com base na recomendação do MPPE, executar as derrubadas e que a Celpe sempre o acompanha quando ele localiza construções irregulares, onde “sempre há clandestinidade na ligação”. Segundo ele, um relatório com cada ação é feito e encaminhado ao Ministério Público, de forma transparente. O Superintendente também se diz aberto a receber a comunidade na Prefeitura do Cabo, às segundas, quartas e sextas, das 8 às 13 horas, mas também declarou que não há interesse da população de Areal de compor o Conselho Gestor do Parque, grupo de instituições que rege sua administração, especificados no Termo de Ajustamento de Conduta de 2006. “Tem cadeira lá vaga para um representante da comunidade, já foram convidados. As pessoas não querem participar do processo democrático, não querem se comprometer com as decisões do Conselho”, opina.

O LeiaJá teve acesso ao TAC, que institui como membros do Conselho: a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe); CPRH; Condepe-FIDEM; Suape; FUNCEF; PMSCA e um representante das comunidades residentes no Parque. Diferentemente dos demais integrantes, o morador nem sequer tem suas atribuições especificadas pelo documento.  

O MPT avisou

Antevendo a vindoura desmobilização em massa dos trabalhadores de Suape, o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) chegaram a criar o Fórum da Recolocação da Mão-de-Obra de Suape e questões afins (REMOS), com o objetivo de discutir políticas públicas que pudessem atender à população desempregada. 

Em uma tentativa preventiva de reduzir os impactos sócio-econômicos, o MPT fez recomendações às empresas, municípios e ao Estado de Pernambuco. A procuradora Débora Tito lamenta que o estado e os municípios não tenham atendido às suas reivindicações. “O estado se fez de morto”, resume. Em artigo publicado em março de 2014, no Jornal do Commercio, ela escreveu: “Meses depois de funcionamento do Fórum REMOS (cujo nome poético traduz sigla para Recolocação da Mão de Obra de Suape), ao invés de evoluirmos para a efetiva realocação dos obreiros em outros postos de trabalho, incrementando a empregabilidade dos mesmos, estamos às voltas com atrasos e não pagamentos generalizados de comezinhos direitos básicos, numa evidente involução”. 

Alguns das recomendações do MPT às empresas envolvidas nas desmobilizações.  (MPT/Cortesia).

Recomendações do MPT 

Aos municípios de Recife, Escada, Ipojuca, Cabo de Santo Agostinho, Jaboatão dos Guararapes, Sirinhaém e Ribeirão: 

-Criar, preferencialmente em parceria com Sintepav-PE e o Sinicon, com foco principal na recolocação de trabalhadores desmobilizados ou dispensados das obras de Suape.

Ao Estado de Pernambuco:

1) Manter e ampliar o funcionamento das agências de trabalho no municípios da região de Suape;

2) Criar políticas públicas que garantam a continuação do crescimento do estado, devendo apresentar ao MPT, mensalmente, listas das obras a serem iniciadas ou em andamento e a previsão do número de trabalhadores demandado para executá-las;

3) Apresentar, em conjunto com a Petrobrás, projeto de desmobilização no entorno de Suape, com alternativas viáveis de manutenção da empregabilidade dos cidadãos envolvidos;

Às empresas: 

1) Fazer todo o necessário para manter os contratos de trabalho existentes. Caso não fosse possível, encaminhar os trabalhadores dispensados a novos postos de labor, ao sindicato da categoria ou aos Centros Municipais de emprego;

2) Garantir a manutenção do alojamento, alimentação e demais condições de saúde e segurança aos trabalhadores migrantes até seu desligamento e concessão de passagens para seu retorno;

3) Pagar verbas rescisórias;

4) Monitorar o desligamento de trabalhadores e pagamento das verbas rescisórias pelas empresas terceirizadas.

“Similar a Belo Monte”, diz relator da DHESCA sobre Suape

Segundo relator da DHESCA, 116 Boletins de Ocorrência acusam abuso de autoridade de funcionários de Suape. (Júlio Gomes/LeiaJáImagens)

Preocupada com as violações aos direitos humanos em Suape, a plataforma Brasil DHESCA visitou os municípios que circundam o Complexo. Um dos relatores da missão, Guilherme Zagallo destaca a falta de diálogo com as comunidades nativas durante as obras. “O momento dos estudos de impacto ambiental foi muito pobre no sentido de oitiva da comunidade. Dois mais de setenta empreendimentos instalados em Suape, apenas um teve audiência pública, o que mostra a baixa participação da comunidade”, comenta. 

Zagallo também chama atenção para a existência de 116 Boletins de Ocorrência acusando abuso de autoridade dos funcionários de Suape nas cidades do Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca. “O volume de denúncias fez com que o Ministério Público abrisse inquérito para investigar a questão, mas ele logo foi arquivado”, afirma o relator. Em audiência celebrada com a polícia e o MPPE, em maio deste ano, a DHESCA ouviu ainda que a Secretaria de Segurança de Pernambuco designou um delegado para dar um tratamento uniformizado à questão. “Esse conjunto de denúncias tramitava separadamente, em diversas delegacias“, explica Zagallo.  

A DHESCA já investiu em uma missão nos mesmos moldes em Belo Monte, com a qual, para Zagallo, o mega empreendimento pernambucano cultiva várias similaridades. “As populações tradicionais são invisibilizadas e o discurso oficial é o de levar desenvolvimento desconhecendo-lhes. A construção mobiliza contingentes muito elevados de mão de obra, mas fica pouca gente na operação, o que aumenta a violência e causa uma série de desarranjos no tecido social", compara Zagallo.

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A data de 28 de agosto é registrada como o Dia Nacional de Combate e Prevenção ao Escalpelamento. Para chamar a atenção ao tema, o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) lançaram este mês uma campanha nacional com o intuito de conscientizar e dar visibilidade à realidade de exclusão e violência enfrentadas pelas vítimas de escalpelamento.

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Desde o dia 3, a campanha está nos perfis do MPT nas redes sociais, onde também será publicado, no próximo dia 28, um vídeo promocional com participação da atriz paraense Dira Paes.

O escalpelamento (escalpo – nome científico do couro cabeludo) é o arrancamento brusco e acidental do couro cabeludo de diversas formas, entre elas a partir do enrolamento dos cabelos nos eixos e partes móveis dos motores dos barcos. Esse tipo de acidente é bastante comum na Amazônia, onde as embarcações de pequeno porte (“rabetas” e “popopôs”) muitas vezes não possuem proteção nos motores, possibilitando o puxamento de cabelos de passageiros quando próximos. As consequências do acidente podem ser, além do arrancamento do couro cabeludo, a mutilação de orelhas, sobrancelhas e de parte da pele do rosto e pescoço, levando a deformações graves e até a morte.

Segundo dados da Capitania dos Portos da Amazônia Oriental (CPAOR), órgão pertencente à Marinha do Brasil, responsável pela segurança dos rios amazônicos, a maioria das vítimas de escalpelamento são do sexo feminino (93% dos casos), especialmente crianças (65% dos casos). As consequências do acidente são muito graves e variam conforme as áreas afetadas na ocorrência, como crânio, pálpebras, orelhas e face.

As principais sequelas incluem dores de cabeça ou cervicais crônicas, dificuldade na audição, fala e visão. Essas disfunções comprometem a qualidade de vida, o lazer e o emprego das vítimas, que muitas vezes ficam impossibilitadas de trabalhar.

Em novembro do ano passado, o MPT em Macapá realizou uma audiência coletiva sobre a inserção das vítimas de escalpelamento no mercado de trabalho amapaense. O evento, realizado na sede do Ministério Público do Estado, contou ainda com a presença da Associação das Mulheres Ribeirinhas e Vítimas de Escalpelamento da Amazônia e de várias associadas, cujos depoimentos ajudaram a mostrar a realidade dessas mulheres.

Na ocasião, foram debatidas questões referentes às dificuldades enfrentadas pelas vítimas do acidente no atendimento junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), bem como o preconceito que sofrem para admissão e permanência nos empregos. Uma carta compromisso foi assinada pelas entidades presentes, que se comprometeram a promover ou viabilizar o acesso ao mercado de trabalho, a qualificação profissional e admissão empregatícia das vítimas de escalpelamento, além de apoiar ações de prevenção e erradicação desse tipo de acidente, por meio da conscientização da população ribeirinha e da instalação de protetores nos motores, eixos e partes móveis de embarcações.

Da assessoria do MPT.

Entre os anos de 2012 e 2017, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) teve que gastar um total de R$ 67 bilhões para pagar despesas com acidentes de trabalho, de acordo com dados levantados pelo Observatório Digital de Saúde e Segurança no Trabalho.

No último mês de março, já havia sido registrado um total de R$ 26 bilhões em pagamentos de benefícios a acidentados. No entanto, como pontuou o procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT), Luís Fabiano de Assis, que coordena o Observatório, a esse montante foram somados para o novo cálculo os pagamentos iniciados em anos anteriores e que se estenderam aos anos de 2012 a 2017. 

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O objetivo de realizar o cálculo com dados mais abrangentes, para o MPT e a Secretaria de Previdência Social, que é um órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, é analisar massas de dados de pagamentos de benefícios concedidos em anos anteriores. 

“Se considerarmos a projeção de gastos nos primeiros meses de 2018, o montante chega a R$ 73 bilhões. A magnitude deste montante fica ainda mais relevante quando se observa que, no ano de 2015, em dez estados brasileiros, o valor do PIB estadual era inferior ao valor de R$ 73 bilhões”, destaca o procurador.

Para o procurador-geral do MPT, Ronaldo Curado Fleury, a não aplicação de correção monetária e a subnotificação de acidentes e doenças faz com que o número divulgado seja menor do que a realidade, dado o panorama de acidentes de trabalho no Brasil. Ele também aponta que a omissão de casos de acidentes passa de 50%. 

““Queremos produzir estimativas consistentes e transparentes dos custos econômicos e sociais dessas ocorrências para contribuir com as discussões importantes da agenda de proteção ao trabalho decente no Brasil, favorecendo a implementação da Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável pactuada no âmbito das Nações Unidas”, acrescentou Fleury.

Com o objetivo de punir os responsáveis por causar acidentes de trabalho e ressarcir o erário público, a Advocacia Geral da União tem ajuizado ações regressivas em face dos responsáveis pelos acidentes no ambiente de trabalho. De acordo com o procurador-federal Fernando Maciel, que coordena esses trabalhos na AGU, “nos casos de acidentes fatais, há indícios de uma subnotificação ainda mais elevada, pois de cada 100 ações regressivas ajuizadas pela AGU em casos de acidentes com mortes, 85 dizem respeito a benefícios concedidos sob a pensão por morte comum, sendo que o correto seria o enquadramento na modalidade acidentária".

"A Previdência e, em última instância, toda a sociedade brasileira, responsável pelo financiamento da Seguridade Social, vêm suportando essa despesa, que ainda não está sendo mapeada em toda a sua extensão", acrescenta o procurador. 

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Na próxima quarta-feira (20), às 10h, o Ministério Público do Trabalho (MPT) em Pernambuco promove audiência pública em Fernando de Noronha. O objetivo é tratar das condições de trabalho nas empresas da ilha que empregam mais de cinco funcionários. Ao todo, foram expedidas 103 notificações. A audiência ocorre no auditório da Escola de Referência em Ensino Médio Arquipélago de Fernando de Noronha.

A realização da audiência pública é motivada por procedimento promocional (623.2018), iniciado após a criação de grupo de trabalho específico, em março deste ano. Nele, são tratados dos problemas trabalhistas relacionados à ilha, com destaque para os temas de jornada, registro de carteira de trabalho, condições sanitárias e de conforto nos locais de trabalho e assédio moral. A maioria das empresas notificadas para participar da audiência empreende no ramo de serviços relacionados ao turismo. Entre elas, pousadas, serviços de locação, terceirizadas, restaurantes e bares.

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“É fato que o arquipélago, pelas condições geográficas, impõe a nós – e a todo o Estado – uma série de dificuldades de cumprirmos as missões institucionais. Diante disso, o procedimento e, em especial, esta primeira ação, a audiência pública, é uma boa maneira de falarmos com empregadores e empregados sobre a legislação trabalhista”, explicou a coordenadora da ação e procuradora do MPT, Maria Roberta Komuro. Também participam da audiência o Ministério Público Estadual (MPPE) e a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE).

Pagamento de Taxa de Preservação Ambiental

O pagamento da taxa de preservação ambiental (TPA) também um dos problemas que o MPT vai tratar na audiência pública. Antes, no entanto, faz uma reunião prévia com a assessoria jurídica de Fernando de Noronha, na terça-feira (19), às 16h, no controle de migração.

De acordo com a procuradora Maria Roberta, o MPT recebeu denúncia recentemente que dizia que cinco empregados de uma empresa estavam sem poder sair da ilha porque estavam devendo três mil reais de taxa cada um. Os valores não foram assumidos pelo empregador. “Se o trabalhador estiver registrado, ele fica isento de pagamento da TPA. Se estiverem clandestinos, precisarão pagar. Então, esse é um ponto central para a nossa audiência pública”, disse.

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