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Prever a expectativa de vida ou o futuro das relações sociais de um indivíduo é possível, conforme demonstrado pelo algoritmo desenvolvido por Sune Lehmann, da Universidade Técnica da Dinamarca em Lyngby, e descrito na revista Nature Computational Science.

Este sistema de Inteligência Artificial aprendeu a fazer previsões sobre indivíduos após ser treinado com dados relativos a seis milhões de pessoas, tornando-se uma ferramenta útil para prever o comportamento humano, mas também levanta novas questões éticas.

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"É uma evolução muito interessante, uma aplicação em um contexto importante, de uma das coisas que a IA faz melhor: prever, analisar grandes quantidades de dados e identificar padrões e repetições", disse o jurista especialista em robótica e interação homem-máquina Andrea Bertolini, da Escola Superior Sant'Anna de Pisa, à ANSA.

Nos últimos anos, a IA tem mostrado que, usando algoritmos sofisticados, é possível imitar quase perfeitamente algumas de nossas capacidades consideradas até recentemente uma prerrogativa humana, como a escrita, a linguagem ou a expressão artística.

Agora, utilizando os mesmos algoritmos usados para emular a linguagem humana, pesquisadores dinamarqueses tentaram verificar se a IA também pode prever alguns aspectos da vida humana.

Assim como as relações entre palavras são codificadas na linguagem, os pesquisadores codificaram relações entre aspectos da vida cotidiana relacionados à saúde, renda ou local de residência.

A partir dos dados, relativos a seis milhões de dinamarqueses, o algoritmo tentou prever alguns aspectos futuros, principalmente a mortalidade prematura, em particular a sobrevivência superior a quatro anos entre pessoas de 35 a 65 anos, e determinar algumas características de personalidade vinculadas à situação social, como a duração de relacionamentos românticos.

"Em termos de pesquisa puramente científica, o trabalho dos pesquisadores dinamarqueses não representa uma mudança de paradigma tecnológico, mas sim uma aplicação em um novo setor dos modelos linguísticos tradicionais que agora estamos aprendendo a conhecer em muitos campos", acrescentou Bertolini.

Além dos resultados, que, segundo os pesquisadores, foram bastante precisos, o estudo destaca principalmente a necessidade de discutir abertamente o uso desse tipo de aplicativo no mundo real e seus possíveis impactos nos direitos individuais.

Muitas aplicações podem ser imaginadas para um modelo de previsão desse tipo, como a possibilidade de ter uma espécie de oráculo personalizado (eticamente semelhante a previsões do tarô, mas cientificamente preciso), ferramentas mais confiáveis para planejar gastos com aposentadorias ou para determinar o valor de um imóvel.

"Do ponto de vista jurídico será importante avaliar verdadeiramente a capacidade preditiva desses modelos e, consequentemente, definir com maior precisão o contexto de uso, é claro que também será importante definir como e quais dados pessoais podem ser usados", concluiu o pesquisador italiano.

Por Leonardo De Cosmo, da Ansa

Ineficaz no tratamento da covid-19 e contraindicada por autoridades sanitárias, a ivermectina foi tomada por 79,5% dos brasileiros que tiveram sintomas da doença. A informação faz parte de um levantamento conduzido pelo Instituto Global de Saúde de Barcelona (ISGlobal), que analisou dados de 23 países, entre eles o Brasil, que representam mais de 60% da população mundial. O trabalho foi publicado na revista científica Nature.

Globalmente, 27% das pessoas disseram ter tomado ivermectina ao primeiro sintoma da doença. As principais agências sanitárias de todo o mundo não recomendam o uso do remédio no tratamento da covid-19. Diversos estudos científicos já comprovaram que o medicamento, indicado em caso de infecções parasitárias, é ineficaz contra a doença.

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"Maiores esforços são necessários para desencorajar o uso de ivermectina e outros remédios sem eficácia comprovada e potencial efeitos tóxicos", escreveu o chefe do Grupo de Pesquisa em Sistemas de Saúde da ISGlobal, Jeffrey V. Lazarus, principal autor do levantamento.

O trabalho revelou ainda que 40% das pessoas entrevistadas disseram que estão prestando menos atenção às novas informações sobre a pandemia. Ao todo, foram ouvidas 23 mil pessoas (mil em cada país), entre 29 de junho e 10 de julho de 2022; todos com mais de 18 anos de idade.

O trabalho foi feito na África do Sul, Alemanha, Brasil, Canadá, Cingapura, China, Coreia do Sul, Equador, Espanha, Estados Unidos, França, Gana, Índia, Itália, Quênia, México, Nigéria, Peru, Polônia, Rússia, Suécia, Turquia e Reino Unido.

Milton Tiago de Mello acaba de completar 107 anos com ótima saúde. Ao longo de toda a sua (longa) vida, o doutor em veterinária nunca teve nenhuma doença que requeresse internação hospitalar. Passou incólume por toda a pandemia de Covid-19, embora várias pessoas em sua casa, inclusive sua mulher, ainda antes da vacina estar disponível, tenham tido a doença.

Tamanha resiliência chamou a atenção da geneticista Mayana Zatz, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL), da Universidade de São Paulo (USP). Ela estuda os centenários em busca dos segredos genéticos para a sua longevidade e resistência à Covid-19.

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Em um novo estudo publicado na Nature, a pesquisadora descobriu que três super idosos que apresentaram formas muito leves da doença ou assintomáticas, entre eles Mello, têm uma frequência duas vezes maior de algumas variantes do gene MUC22 - ligado à produção de muco, responsável pela lubrificação e proteção das vias respiratórias. Outros estudos já tinham relacionado a baixa presença dessas variantes a casos mais graves da doença.

Os resultados não impressionaram muito o pesquisado. "A dra. Mayana quer acreditar que a minha longevidade está relacionada à questão genética", afirmou Mello, em entrevista por telefone.

Ele destaca a convivência com a mulher, a médica psiquiatra Angela, de 90 anos, com quem está casado há 60, e com os demais parentes e amigos que o cercam. Nas paredes da casa em que vive, no Distrito Federal, Mello coleciona os troféus adquiridos ao longo de mais de um século de vida. Entre os mais caros ao veterinário, o encontro com a rainha Elizabeth, do Reino Unido, 20 anos atrás, quando foi eleito membro honorário da Sociedade Zoológica de Londres, patrocinada pela monarca. Em outra parede, uma foto com João Paulo II, no Vaticano.

"Não é pouca porcaria não", disse, às gargalhadas. "Mas quando você tiver a minha idade, vai ter acumulado tudo isso também."

Peso

"Quanto mais idosa a pessoa fica, maior o peso da genética", afirma Mayana Zatz. "Porque isso significa que ela já enfrentou todo tipo de intempérie ambiental e continua firme. Ou seja, tem uma genética forte. Mas é óbvio que vida social e as conexões são muito importantes."

Embora os idosos em geral sejam os mais vulneráveis a casos graves de Covid-19, alguns centenários que não tinham sido vacinados apresentaram casos muito leves da infecção ou assintomáticos, como Milton Thiago de Mello.

O grupo da geneticista Mayana Zatz, da USP, estudou os casos de três centenários, com mais de 105 anos, com essas características. O trabalho revelou que, a despeito da idade avançada, os três indivíduos apresentaram uma resposta imunológica robusta. Além disso, constatou ela, nenhum deles apresentava variantes genéticas conhecidas por enfraquecer o sistema imunológico.

Linhagens

Em outro estudo realizado pelo mesmo grupo de cientistas, foram investigados 87 indivíduos com mais de 90 anos que tiveram Covid-19 assintomática ou com sintomas leves e 55 indivíduos com menos de 60 anos que tiveram uma forma grave da doença ou morreram. Todas as amostras foram coletadas no início de 2020, antes do início da vacinação.

Os especialistas constataram que os idosos que tiveram a versão mais leve da doença apresentaram as mesmas variantes do MUC22 que os supercentenários.

"Conseguimos células reprogramadas dos centenários, derivadas em laboratório para células pulmonares, cardíacas, musculares e neurônios", contou Mayana. "Vamos infectar essas linhagens com as duas variantes do vírus, a delta e a ômicron, para entender melhor como esses genes protetores atuam nos diferentes tecidos."

Os primeiros testes de uma vacina contra a covid-19 que aposta em um tipo diferente de imunidade em relação aos imunizantes clássicos apresentaram resultados promissores, diz um estudo publicado nesta terça-feira (23) na revista científica Nature.

Os ensaios de fase 1 do projeto de vacina contra o coronavírus denominado CoVac-1, realizados na Alemanha, mostraram uma resposta imunológica relacionada com os linfócitos T, segundo a pesquisa.

Os linfócitos T são um tipo de glóbulo branco, responsáveis pela segunda etapa da resposta imunológica, a imunidade celular, que completa a ação dos anticorpos através do ataque direto às células infectadas, e não somente contra os vírus que circulam no organismo.

Para a primeira avaliação clínica desta vacina participaram 36 pessoas de 18 a 80 anos de idade, que receberam uma só dose do imunizante experimental.

A CoVac-1 tem como objetivo provocar uma imunidade duradoura contra o SARS-CoV2, produzida através dos linfócitos T, para reproduzir, na medida do possível, a imunidade adquirida através de uma infecção natural.

Esta imunidade induzida pelas células T é uma "resposta importante para o controle dos vírus e poderia ser utilizada para as pessoas com imunodeficiência", segundo o artigo da Nature.

Todos os participantes mostraram uma reação "específica" ao SARS-CoV2 através dos linfócitos T "28 dias depois da vacina, uma reação que persistiu durante ao menos três meses".

Essa resposta superou a provocada pela infecção natural de coronavírus. E não foi "alterada" por nenhuma variante atual (alfa, beta, gama e delta).

Esses resultados são, contudo, muito embrionários e somente testes mais amplos poderão confirmar a viabilidade real desta vacina para proteger contra a covid-19.

Uma vacina clássica provoca no corpo humano a criação de anticorpos após a inoculação de um vírus. Os linfócitos T permitem uma resposta potencialmente mais ampla, mas seu papel na luta contra a covid-19 ainda é pouco conhecido.

Em todo caso, eles podem ser uma ajuda decisiva para os pacientes com câncer que não conseguem desenvolver uma imunidade clássica, diz o estudo.

Além disso, as células T podem facilitar "a produção de anticorpos protetores através das células B", que são outro tipo de glóbulo branco, lembra o artigo publicado na Nature.

Uma equipe de astrofísicos identificou um magnetar, uma variedade entre estrelas de nêutrons, como a fonte das misteriosas explosões rápidas de rádio originadas na Via Láctea, de acordo com vários estudos publicados nesta quarta-feira (4) na revista Nature.

Desde sua primeira detecção, em 2007, os cientistas tentaram encontrar uma explicação para essas explosões de ondas eletromagnéticas, também conhecidas pela sigla em inglês FRB (Fast Radio Burst).

Sua origem é especialmente difícil de determinar porque o evento dura apenas um milésimo de segundo. Além disso, até agora acreditava-se que eles só tinham origem em outras galáxias.

Em 2016, a detecção mais precisa até agora teve como alvo uma galáxia anã localizada a mais de 3 bilhões de anos-luz da Terra.

Em 28 de abril, os observatórios canadenses CHIME e US STARE2 detectaram esse fenômeno em uma mesma região do céu. Ambos o atribuíram ao magnetar SGR 1935 + 2154, localizado na Via Láctea, segundo estudos publicados na Nature.

"É a primeira explosão rápida de rádio que atribuímos a um objeto conhecido", disse Christopher Bochenek, astrofísico do US Caltech Institute e chefe do STARE2, em entrevista coletiva.

O magnetar - uma contração dos termos em inglês "estrela magnética" - é um "tipo de estrela de nêutrons com um campo magnético tão poderoso que deforma o núcleo de um átomo", explicou.

Este corpo celeste, pequeno em tamanho, mas com uma massa significativa - uma colher de chá de matéria pesaria vários bilhões de toneladas - gira sobre si mesmo no espaço de vários segundos.

O FRB detectado emitiu "em um milissegundo a mesma energia em ondas de rádio que o Sol durante 30 segundos", de acordo com Bochenek. Um sinal poderoso o suficiente para deixar uma marca em um receptor de celular depois de cruzar metade da galáxia, em uma jornada que durou 30 mil anos, acrescentou.

A descoberta é fruto de um esforço internacional, incluindo o telescópio canadense CHIME, a pequena rede americana de estações de rádio STARE2 e o radiotelescópio chinês FAST.

Os dados deste último, cujo estudo foi conduzido pelo Dr. Bing Zhang, da Universidade de Las Vegas, também serviram para entender melhor como funciona um magnetar, uma estrela nascida da implosão de uma estrela.

Além de seu forte campo magnético, esses objetos são conhecidos por produzir explosões de raios gama (GRB), que são as explosões de mais alta energia conhecidas no universo. A equipe do Dr. Bing detectou que o magnetar havia emitido 29, quase ao mesmo tempo que o FRB.

Para Bing, uma hipótese "prudente" é que todas as rajadas rápidas de rádio no Universo são emitidas por magnetares.

Uma teoria compartilhada por Daniele Michilli, uma astrofísica e membro do CHIME, que disse ter "detectado várias centenas de FRBs" e os estava "analisando" para confirmar sua origem.

A revista científica Nature anunciou, nesta quarta-feira (14), seu apoio a Joe Biden na disputa pela Casa Branca e atacou o presidente Donald Trump duramente em um editorial, acusando-o de ter-se dedicado a "destruir um sistema" destinado a proteger os cidadãos.

"Nenhum outro presidente na história recente chegou ao ponto de politizar as agências governamentais e removê-las do trabalho científico. As ações do governo Trump aceleram as mudanças climáticas, destroem a natureza, poluem o ar e matam a vida selvagem, assim como os seres humanos", escreveu a renomada revista britânica.

A Nature lamenta especialmente o anúncio da retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas e de instituições internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Denuncia também as "interferências" do governo "nas agências científicas e de saúde (...), essenciais para a segurança da população" e o "desprezo" pelos "fatos e pela verdade, presentes em sua desastrosa resposta à pandemia de covid-19".

Com mais de 215.000 mortos por coronavírus nos Estados Unidos, "Trump fracassou de forma catastrófica no momento mais importante", afirma a revista, que se recusa a "não fazer nada enquanto a ciência é destruída".

"Donald Trump se tornou um ícone para aqueles que buscam semear o ódio e a divisão", continuou.

"A confiança de Joe Biden na verdade, nas evidências, na ciência e na democracia fazem dele a única opção possível nas eleições americanas", insiste a Nature, que pede aos eleitores que votem no candidato democrata em 3 de novembro.

A Nature já expressou seu apoio a um candidato presidencial em 2012 (Barack Obama) e em 2016 (Hillary Clinton).

Em setembro, pela primeira vez em 175 anos de existência, a revista científica Scientific American também anunciou seu apoio a Biden, acusando Trump de se opor à ciência e de "negar" as mudanças climáticas.

Sem apoiar explicitamente o democrata, o New England Journal of Medicine denunciou na semana passada o "fracasso" das autoridades americanas em sua gestão da crise de covid-19: "Não devemos apoiá-los e tolerar a morte de outros milhares de americanos, permitindo que se mantenham em seus cargos".

O físico Ricardo Galvão, ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que protagonizou o principal embate entre a ciência e o governo Jair Bolsonaro neste ano, foi escolhido pela revista Nature, uma das mais prestigiosas do mundo, uma das dez pessoas que foram mais importantes para a ciência neste ano.

A informação estava embargada até terça-feira, 17, quando será distribuída a revista, mas vazou mais cedo. Procurado pelo jornal O Estado de S. Paulo, Galvão confirmou a homenagem e se disse "surpreso". "Fui procurado pela Nature há mais de três semanas para uma longa entrevista e fiquei surpreso com a escolha", afirmou. "Essa lista geralmente é feita com personalidades que possuem publicações com resultados científicos importantes. Eu não tenho uma publicação, mas eles consideraram importante a minha posição de defesa da ciência perante a comunidade internacional em um momento de obscurantismo", disse.

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Galvão chamou a atenção de todo o mundo depois de responder às acusações sem prova do presidente Jair Bolsonaro, que disse que dados do Inpe que apontavam para um pico de desmatamento em julho eram mentirosos e acusou o cientista de estar "a serviço de alguma ONG" em um café da manhã com a imprensa estrangeira.

Galvão decidiu no dia seguinte se manifestar. Deu sua primeira entrevista ao Estado, quando afirmou a atitude do presidente tinha sido "pusilânime e covarde".

Ricardo Galvão foi exonerado do cargo no começo de agosto. Em novembro, o sistema Prodes, que aponta a taxa oficial de desmatamento da Amazônia, confirmou que houve um aumento de quase 30% na perda da floresta entre agosto do ano passado e julho deste ano, na comparação com os 12 meses anteriores.

Ricardo Galvão estava no Inpe desde 1970. Ele, que dirigiu o órgão por três anos, desde 2016, teria um mandato à frente do órgão até 2020. Galvão fez doutorado em Física de Plasmas Aplicada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e é livre-docente em Física Experimental na USP desde 1983. Depois de sair da direção do Inpe, voltou pra USP, para o Instituto de Estudos Avançados.

Após a exoneração, Galvão começou a dar palestras e participar de eventos no Brasil e no exterior. Em meados de agosto, ao voltar para a USP, Galvão deu um depoimento emocionado. "Sempre que a ciência for atacada temos de nos levantar. As autoridades sempre se incomodam quando escutam o que não querem", disse. "Mas será que esse seria um momento de volta às trevas?", questionou em referência à ditadura. Ele mesmo sentenciou: "Não. Porque a comunidade acadêmica e científica e o povo brasileiro não se calarão."

Galvão, porém, rejeitou a ideia de ser herói. "Não usem a palavra herói ou mito. Não existe salvador da pátria", disse. Em setembro, foi homenageado pela Academia Brasileira de Ciências (ABC).

Uma nova "superterra" foi descoberta na órbita de uma estrela vizinha do sistema solar: um mundo "frio e escuro", não adequado à vida como a conhecemos, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira na revista Nature.

Este planeta, batizado provisoriamente "Estrela de Barnard b", foi detectado na constelação de Ofiúco, em volta da estrela de Barnard, que fica a apenas seis anos-luz da Terra (um ano-luz equivale a 9,46 trilhões de km).

"É nossa vizinha", declarou à AFP o coautor do estudo Ignasi Ribas, do Instituto de Estudos Espaciais da Catalunha e do Instituto Espanhol de Ciências do Espaço.

Esta proximidade poderia permitir estudá-la com a chegada próxima de instrumentos de observação mais modernos.

O planeta, que completa uma volta em sua estrela em 233 dias, foi detectado graças aos espectrômetros HARPS e UVES, caçadores de planetas do Observatório Europeu Austral (ESO), instalado no Chile.

Segundo os pesquisadores, a Estrela de Barnard b tem uma massa 3,2 vezes superior à da Terra e portanto é chamada de "superterra".

Para os astrônomos, trata-se de um "mundo frio e escuro", iluminado apenas por sua estrela, uma anã vermelha provavelmente duas vezes mais antiga que o sol.

Mesmo sendo próxima a sua estrela (0,4 vezes a distância que separa a Terra do Sol), os cientistas acreditam que só recebe 2% da energia que a Terra recebe de sua estrela.

Sua temperatura de superfície não superaria -170ºC, o que exclui a existência de água em estado líquido e portanto, a vida como a conhecemos.

Os pesquisadores conseguiram detectar este novo mundo utilizando "mais de 20 anos de dados" e sete instrumentos de observação que permitem determinar as variações de velocidade da estrela gerados pela presença de um exoplaneta.

A Estrela de Barnard b é o exoplaneta mais próximo à Terra depois de Proxima b, cuja descoberta foi amplamente noticiada em 2016. Este se encontra na órbita da estrela Proxima Centauri, a 4,2 anos-luz.

Um grupo de pesquisadores italianos que atua na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, descobriu nesta quarta-feira (3) a "droga" que possivelmente alimenta os "motores" dos tumores que dão vida a ele. Essa droga, segundo o estudo que foi publicado na revista "Nature", é a fusão de duas proteínas chamadas FGFR 3 e TACC 3.

Ambas em conjunto aceleram a produção de energia do tumor, fazendo-o aparecer em humanos. "Agora sabemos que este gene de fusão é um dos mais comum em todas as formas de câncer", explicou à ANSA Antonio Iavarone, líder da pesquisa.

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Ainda de acordo com o cientista, a nova descoberta possibilita a exploração de "novos objetivos terapêuticos para um tratamento mais eficaz do câncer". Os pesquisadores notaram a presença dessas proteínas que alimentam o no tumor cerebral mais agressivo, o glioblastoma. O grupo suspeita que elas também agem em tumores nas mamas, útero, pescoço e em outras diversas partes do corpo.

Os primeiros indícios da existência destas proteínas começaram em 2012, quando o mesmo grupo de pesquisadores percebeu que a junção da FGFR 3 e TACC 3 era a causa de 3% dos casos de glioblastoma.

Da Ansa

Um novo planeta entrou nesta quarta-feira no restrito círculo de astros capazes de abrigar sinais de vida fora do sistema solar.

"Não poderíamos sonhar com um candidato melhor para iniciar uma das maiores investigações da ciência: a busca de provas de vida fora da Terra", afirmou Jason Dittmann, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics de Cambridge (Estados Unidos), coautor de um estudo publicado na revista científica Nature.

O exoplaneta, batizado LHS 1140b, foi descoberto em volta de uma estrela da constelação Cetus, situada a cerca de 40 anos-luz da Terra (um ano-luz equivale a 9,460 trilhões de km).

Apesar de não ser o primeiro "primo" da Terra que os astrônomos descobrem, o LHS 1140b "tem vantagens", segundo Xavier Bonfils, astrônomo do CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica) francês no Observatório de Ciências do Universo de Grenoble (leste).

O exoplaneta orbita na zona habitável da sua estrela, ou seja, está "a uma distância da sua estrela que permite a presença de água líquida na sua superfície, o que é indispensável para a vida", explica Jason Dittmann.

Dos milhares de exoplanetas detectados até agora, apenas algumas dezenas se encontram, como o LHS 1140b, em uma zona habitável.

Outra vantagem do LHS 1140b é que sua estrela anfitriã é muito luminosa e sua órbita está corretamente inclinada no céu em relação a nós. A cada 25 dias, ao transitar diante da sua estrela, projeta uma sombra que pode ser bem observada a partir da Terra.

Os astrônomos, que se basearam nas observações do espectógrafo Harps, instalado em um telescópio do ESO (Observatório Europeu Austral) no Chile, puderam definir o raio e a massa do LHS 1140b.

Seu raio mede quase uma vez e meia o da Terra, e sua massa é seis vezes maior que a do nosso planeta. Os astrônomos deduziram que o exoplaneta é rochoso, como o nosso.

Para encontrar vida, os cientistas procuram planetas similares à Terra.

Em fevereiro, cientistas anunciaram a descoberta de sete planetas do tamanho da Terra, dos quais três poderiam abrigar oceanos de água líquida, orbitando uma estrela-anã TRAPPIST-1.

Os cientistas aguardam impacientes o lançamento, previsto para outubro de 2018, do telescópio espacial James Webb (JWST), cem vezes mais potente que o Hubble, que permitirá estudar esses exoplanetas e descobrir se possuem atmosfera.

Depois, deverão definir se estas atmosferas contêm rastros de oxigênio, outro elemento essencial para a vida como a conhecemos.

Pesquisadores anunciaram a descoberta de microorganismos fósseis que teriam entre 3,77 e 4,29 bilhões de anos, o que seria a mais antiga evidência de vida na Terra. O estudo foi divulgado nesta quarta-feira (1º).

Os cientistas descobriram os microfósseis em camadas de quartzo no sítio arqueológico do Cinturão Nuvvuagittuq, nordeste do Quebec, Canadá. A região tem algumas das rochas sedimentares mais conhecidas do planeta. 

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"Graças a imagens a laser das amostras coletadas, nós identificamos microorganismos fósseis, que são os mais antigos conhecidos no mundo", disse Matthw Dodd, da UCL (University College London), no vídeo postado no site da revista Nature.

Antes desta descoberta, os microfósseis mais antigos relatados haviam sido encontrados na Austrália, com cerca de 3,4 bilhões de anos de idade. "O fato de nós termos descoberto os microfósseis de uma das formações rochosas mais antigas conhecidas sugere que nós encontramos evidências diretas de uma das formas de vida mais antigas da Terra", afirmou Dominic Papineau, líder do time de pesquisas UCL.

A descoberta de sete planetas rochosos com massas semelhantes à da Terra em um mesmo sistema planetário, publicada na quarta-feira (22), na revista Nature, indica que esse tipo de astro pode ser mais comum do que pensavam os cientistas.

"Certamente esse estudo indica que os planetas rochosos podem ser bem mais numerosos do que se imagina - e grande parte deles pode estar na zona habitável", disse ao Estado o astrônomo Jorge Melendez, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP). Em novembro do ano passado, um grupo liderado por Melendez anunciou a descoberta de dois exoplanetas - uma "super-Terra" e um "super-Netuno" a 300 anos-luz da Terra.

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Segundo Melendez, a maior parte dos exoplanetas descobertos até hoje são grandes planetas como Júpiter ou Netuno. Os planetas rochosos são menores e muito mais difíceis de detectar. No entanto, com base nas descobertas já realizadas, os astrônomos estimavam que deveria existir pelo menos um planeta rochoso para cada estrela, de acordo com Melendez.

"Essa nova descoberta mostra que pode haver muito mais planetas rochosos do que se previa, considerando que em um só sistema observado a fundo foram descobertos sete desses planetas, a maior parte na zona habitável", disse o astrônomo.

Segundo Melendez, embora apenas três dos sete novos planetas estejam com certeza na zona habitável, outros dois estão praticamente em seus limites - como ocorre com Vênus e Marte no Sistema Solar.

Abundância. Sugerida pelo estudo, a abundância dos planetas rochosos também foi destacada pelo astrônomo Ignas Snellen, do Observatório de Leiden, na Holanda, que publicou também na edição de quarta-feira, da Nature um artigo comentando a novidade. Segundo Snellen, a descoberta reforça a ideia de que os planetas de massa semelhante à da Terra são comuns na Via Láctea - e talvez no Universo.

"Nos últimos anos, cresceram as evidências de que planetas do tamanho da Terra são abundantes na galáxia. Mas a nova descoberta indica que esses planetas são ainda mais comuns do que se pensava", escreveu o astrônomo holandês.

Snellen acredita que a quantidade de exoplanetas rochosos pode ser até 100 vezes maior que a prevista, por conta de limitações do método usado para detectar exoplanetas, com base na detecção de "trânsitos". Quando um planeta passa diante de uma estrela (o trânsito), ele bloqueia uma ínfima parte de sua luz, que é suficiente para que os cientistas detectem sua existência e calculem sua massa. Quando a estrela é pequena, o trabalho fica mais fácil, porque a fração de sua luz bloqueada pelo planeta é maior. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Cientistas anunciaram nesta quarta-feira, 22, a descoberta de um sistema composto por sete planetas de tamanho comparável ao da Terra, na órbita de uma estrela "vizinha" do Sistema Solar. De acordo com um estudo publicado na revista Nature, que descreve a descoberta, os seis planetas mais próximos têm temperaturas entre 0ºC e 100ºC - uma característica considerada indispensável para a eventual existência de vida.

"É a primeira vez que tantos exoplanetas desse tamanho são encontrados em um sistema planetário. Eles estão em órbita muito estreita entre si e muito próximas à sua estrela, mas ela é tão pequena que é fria, o que faz com que os planetas sejam temperados", disse o autor principal do estudo, o astrofísico belga Michaël Gillon, da Universidade de Liège, na Bélgica.

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Os cientistas consideram que um determinado planeta está na "zona habitável" quando ele fica a uma distância de sua estrela que permitiria, teoricamente, a existência de água líquida em sua superfície. Quanto mais a estrela é quente, mais distante fica a zona habitável.

Segundo o estudo, o novo sistema planetário fica a 39 anos-luz da Terra - uma distância pequena para os padrões astronômicos. Os novos exoplanetas - como são chamados os planetas existentes fora do Sistema Solar - têm massa semelhante à da Terra e provavelmente também sejam rochosos, segundo os autores.

A descoberta partiu de estudos liderados por Gillon, cuja equipe relatou, em maio do ano passado, a detecção de três exoplanetas que orbitavam uma estrela anã extremamente fria, chamada Trappist-1 - uma estrela é tão pequena que não chega a ser muito maior que Júpiter e seu brilho é cerca de mil vezes mais fraco que o do Sol.

A partir de então, os autores conduziram um projeto de monitoramento intenso da Trappist-1, que permitiu identificar mais quatro exoplanetas.

Para a detecção e o estudo dos planetas do Sistema Trappist-1, foram usados o telescópio espacial Spitzer, da Nasa, e o Telescópio Liverpool, da Universidade John Moore de Liverpool, no Reino Unido.

Os cientistas concluíram que pelo menos três dos planetas podem ter oceanos de água em suas superfícies, o que aumentaria a possibilidade de que o novo sistema planetário possa abrigar vida. De acordo com Gillon, no entanto, será preciso fazer novos estudos para caracterizar cada um dos planetas.

"Conseguimos obter medidas e dados de seis dos sete planetas. Em relação ao planeta mais distante da estrela, porém, ainda desconhecemos seu período orbital e sua interação com os outros seis planetas", disse Gillon.

De acordo com ele, os seis planetas mais próximos da estrelas têm períodos orbitais - isto é, o tempo que o planeta leva para dar uma volta completa em sua estrela -, que vão de 1,5 a 13 dias. O fato de um "ano" nesses planetas durar apenas alguns dias ocorre porque eles estão muito próximos de sua estrela, que é muito pequena.

O planeta mais próximo da estrela é o mais rápido de todos: quando ele completa oito órbitas, o segundo, o terceiro e o quarto planetas perfazem, respectivamente, cinco, três e duas voltas ao redor da estrela. Com essa configuração, segundo os astrônomos, cada um dos planetas tem influência gravitacional nos outros.

Abundância

Na mesma edição da Nature, o estudo foi comentado pelo astrônomo Ignas Snellen, do Observatório de Leiden, na Holanda. Segundo Snellen, a descoberta feita pela equipe de Gillon reforça a ideia de que os planetas de masssa semelhante à da Terra são abundantes na Via Láctea.

"Nos últimos anos, cresceram as evidêncais de que planetas do tamanho da Terra são abundantes na Galáxia. Mas a descoberta de Gillon e sua equipe indicam que esses planetas são ainda mais comuns do que se pensava", escreveu Snellen.

Snellen acredita que a quantidade de exoplanetas rochosos possa ser até 100 vezes maior que a prevista. Segundo ele, isso acontece por causa do método usado para detectar exoplanetas, que se baseia na detecção de "trânsitos".

Quando um planeta passa diante de uma estrela (o trânsito), ele bloqueia uma ínfima parte de sua luz, mas o suficiente para que os cientistas detectem sua existência e calculem sua massa. Quando a estrela é pequena, o trabalho se torna mais fácil, porque a fração de sua luz bloqueada pelo planeta é maior.

"Estimamos que para cada planeta observado em trânsito, devam existir de 20 a 100 planetas que, da perspectiva da Terra, nunca passam diante de sua estrela-mãe - e por isso não podem ser observados", disse Snellen.

A brasileira Celina Turchi, especialista em doenças infecciosas da Fiocruz Pernambuco, foi escolhida como uma das dez cientistas mais importantes de 2016 pela revista britânica Nature, por causa da pesquisa que descobriu a relação entre a microcefalia e o vírus da zika. Para realizar o estudo, Celina entrou em contatos com cientistas de todo o mundo para pedir ajuda. Ela formou uma força-tarefa de epidemiologistas, especialistas em doenças infecciosas, pediatras, neurologistas e biólogos especializados em reprodução.

"Nem no meu pior pesadelo eu imaginei uma epidemia de microcefalia em bebês", lembrou a pesquisadora em entrevista à Nature, dizendo acreditar que o Brasil estava vivendo uma emergência de saúde pública com o surto da doença.

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Celina disse que o trabalho foi um desafio por não haver testes confiáveis sobre o vírus e nenhum consenso em relação à definição de microcefalia. Mas o intenso contato dentro da rede de especialistas formada por ela permitiu obter evidências suficientes para ligar a infecção por zika e a doença no primeiro trimestre da gravidez.

Outros citados foram a argentina Gabriela González, por uma pesquisa inovadora sobre ondas gravitacionais, e o espanhol Anglada Defendi, que entrou na lista por ter descoberto um planeta parecido com a Terra próximo da estrela Alpha Centauri. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Seis anos depois de um acidente que o deixou completamente paralisado, um americano pode agora utilizar a mão para agitar o seu café ou pegar um objeto, graças a um software, relata um estudo publicado nesta quarta-feira na revista Nature, um avanço que dá esperança a milhões de pessoas em todo o mundo.

"Esta é a primeira vez que uma pessoa completamente paralisada consegue realizar um movimento usando apenas seus próprios pensamentos", declarou em uma coletiva de imprensa Chad Bouton do Feinstein Institute for Medical Research nos Estados Unidos, co-autor do estudo.

Chad Bouton e uma equipe de cientistas americanos criaram um sistema chamado NeuroLife que é capaz de restaurar a comunicação entre o cérebro e os músculos sem passar pela medula espinhal.

Ian Burkhart, um americano de 24 anos, é tetraplégico há seis anos, desde um acidente de natação que danificou sua medula espinhal.

"Os médicos me disseram que a melhor coisa que eu poderia fazer seria mover meus ombros, e nada mais pelo resto da minha vida", explicou Ian Burkhart na mesma entrevista coletiva organizada na terça-feira, um dia antes do anúncio oficial.

Em abril de 2014, os médicos transplantaram um chip de computador (menor que uma ervilha) no córtex motor do cérebro.

Este chip transmite os pensamentos do paciente para um computador que decodifica e envia os comandos do cérebro para uma série de pulseiras que estimulam eletricamente os músculos do braço.

Os cientistas trabalham há mais de 25 anos na tradução do pensamento em ação através de softwares: eles mostraram que seria possível, sem sequer piscar, escrever em uma tela, ou mover um robô em forma de braço articulado para beber café, como o fez em 2012 uma mulher que ficou tetraplégica após um acidente vascular cerebral (AVC).

Em 2014, provaram que um macaco podia, através do pensamento transmitido a eletrodos, mecherr o braço de um outro primata temporariamente paralisado por anestesia.

15 meses de reeducação

"Nós procuramos decifrar os sinais no cérebro que são especificamente associados aos movimentos da mão", explicou Chad Bouton. "As áreas do cérebro responsáveis ​​pelo movimento estão intactas, mas os sinais chegam a uma medula espinhal lesada, sendo completamente bloqueados e impedidos de alcançar os músculos".

Em junho de 2014, dois meses após o implante do chip, Ian Burkhart já era capaz de abrir e fechar a mão apenas pensando neste movimento, mesmo com os músculos enfraquecidos porque não terem sido usados por um longo período de tempo.

Após 15 meses de reabilitação, com três sessões semanais, o paciente já era capaz de pegar uma garrafa e despejar o seu conteúdo em um frasco. Também podia segurar um telefone ao ouvido, mexer o café, pegar uma colher. Ele agora toca guitarra através de um videogame.

"Isso realmente abre muitas portas para movimentos mais complexos", indicou Chad Bouton. "O que tentamos fazer é ajudar as pessoas a recuperar o controle sobre seu corpo".

Os pesquisadores também esperam passar a um sistema sem fim para que o paciente não fique coberto de cabos que, por agora, ligam as pulseiras de seu braço ao computador e ao chip de seu cérebro.

"Para mim, estar em uma cadeira de rodas e ser incapaz de andar não é o pior", disse Ian Burkhart. "O pior é a perda de independência, o fato de precisar de outras pessoas". Uma autonomia que os tetraplégicos poderiam encontrar para gestos cotidianos.

"Por agora, estamos na fase clínica (...), mas é um sistema que pode ser usado fora do hospital, em casa, no exterior, e que poderá realmente melhorar a minha qualidade de vida", comemorou o jovem.

Ferramentas de pedra de pelo menos 118.000 anos foram descobertos na ilha de Sulawesi na Indonésia, prova de que os primeiros humanos colonizaram a região muito antes do que se pensava - segundo estudo publicado nesta quarta-feira na revista Nature.

Gerrit van den Bergh, da Universidade de Wollongong, na Austrália, e seus colegas, relatam novas escavações feitas entre 2007 e 2012. Elas permitiram a descoberta de quatro novos locais contendo ferramentas de pedra que datariam de 118.000 a 194.000 anos, segundo os autores.

Os humanos modernos, o 'Homo Sapiens', chegaram à ilha de Sulawesi tardiamente, há 40.000 anos. "Este fato foi demonstrado recentemente, em 2014, com a descoberta de artes rupestres que parecem datadas de 40.000 anos", explica à AFP Gert van den Bergh.

E apenas o homem de Flores descoberto em 2003 na ilha indonésia de mesmo nome, perto da ilha de Sulawesi, parecia até agora ter atingido a região antes do Homo Sapiens. A ilha de Sulawesi é um ambiente natural muito isolado, perdido no oceano pacífico.

"Nossos resultados parecem indicar que Flores não foi a única ilha a ter sido habitada por humanos arcaicos, antes da chegada do Homo Sapiens", informa o pesquisador.

Mas nenhum fóssil humano datando desta época foi encontrado na ilha de Sulawesi. E as ferramentas são muito velhas para terem sido fabricadas pelo Homo Sapiens. A identidade dos fabricantes desses utensílios continua sendo um mistério.

As primeiras pessoas que chegaram na Austrália e seus descendentes tem uma pequena proporção de seu DNA herdada de um enigmático grupo de humanos chamado Homem de Denisova. Uma espécie primitiva que teria desaparecido há pelo menos 30.000 anos.

"Nós não sabemos com o que o hominídeo de Denisova parecia, porque os restos fósseis são muito fragmentados", nota Gert van den Bergh. Mas o DNA de um fragmento de osso descoberto na Sibéria revelou que os primeiros australianos herdaram uma parte de seu material genético.

Nós sabemos que a troca genética entre os ancestrais dos australianos modernos e os Danisovanos ocorreu em algum lugar do sudeste da Ásia.

"É possível que os Danisovanos sejam os fabricantes dessas ferramentas de pedra descobertos recentemente na ilha de Sulawesi", sugere o pesquisador.

O oeste do Saara, hoje coberto de areia, foi no passado uma imensa área verdejante coberta por uma vasta rede de rios. A conclusão é de um novo estudo publicado nesta terça-feira (10) na revista Nature Communications.

Há anos os cientistas descobriram no Oceano Atlântico, na costa da Mauritânia, a oeste do deserto, resíduos e canais submarinos que indicavam a existência, em algum momento do passado, de grandes rios desaguando na região.

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Agora, usando uma técnica de imageamento por satélite capaz de detectar o que há no subsolo, pesquisadores conseguiram a primeira prova direta de que havia mesmo uma bacia de rios de 520 quilômetros de extensão onde hoje só existe deserto.

De acordo com a autora principal do estudo, Charlotte Skonieczny, do Instituto Francês de Pesquisa sobre Exploração do Mar (Ifremer, na sigla em francês), a vasta rede de rios do Saara existiu - e voltou a desaparecer - em vários períodos ao longo dos últimos 245 mil anos.

As imagens de radar obtidas com um satélite japonês revelou partes do antigo sistema fluvial em camadas rasas da superfície arenosa da Mauritânia.

Esses canais enterrados, entretanto, provavelmente faziam parte do Tamanrasett, um rio hipotético que os cientistas acreditam ter se estendido por 500 quilômetros através do Saara ocidental, com nascente nas montanhas Atlas e no planalto de Hoggar, na atual Argélia.

Segundo os pesquisadores, o sistema fluvial era reativado a cada vez que ocorria um dos chamados Períodos Úmidos Africanos. Nesses períodos, todo o norte da África - atualmente desértico - adquiria um clima semelhante ao do Quênia atual, com zebras, leões e girafas circulando por savanas e pastagens.

De acordo com os cientistas, a água deve ter corrido pelo rio Tamanrasett pela última vez há cerca de 5 mil anos. "Se ainda existisse atualmente, o rio Tamanrasett seria o 12º maior da Terra", escreveram os cientistas.

Os leitos de rios localizados pelos satélites sob as dunas do deserto alinham-se quase perfeitamente com um grande cânion submarino - descoberto em 2003 e batizado de Cânion do Cabo Timiris -, que se estende a partir da costa da Mauritânia por três quilômetros oceano adentro, com cerca de 2,5 quilômetros de largura e um quilômetro de profundidade em alguns pontos.

Os cientistas também haviam descoberto no oceano profundo, na região do Cânion do Cabo Timiris, a presença de material granulado fino, provavelmente originário de rios, além de um grande canal submarino escavado na plataforma continental da costa do Saara Ocidental.

Tudo levava a crer que já houve uma rede fluvial considerável desaguando na região, mas até agora não havia nenhuma prova direta de sua existência. O alinhamento dos antigos leitos de rios sob a areia com a região do cânion demonstra pela primeira vez que o Tamanrasett não era só uma especulação.

Há 150 anos, em "Viagem ao Centro da Terra", o escritor francês de ficção científica Júlio Verne descreveu um amplo oceano existente nas profundezas da superfície terrestre. Hoje, essa estranha e assombrosa imagem encontrou eco inesperado em um estudo científico.

Em artigo publicado na conceituada revista "Nature" nesta quarta-feira, cientistas disseram ter encontrado um pequeno diamante que aponta para a existência de um vasto reservatório abaixo do manto da Terra, cerca de 400-600 quilômetros abaixo dos nossos pés. "Essa amostra fornece, de fato, confirmações extremamente fortes de que há pontos locais úmidos profundos na Terra nessa área", declarou o principal autor do estudo, Graham Pearson, da Universidade de Alberta, no Canadá.

"Essa zona particular da Terra, a zona de transição, pode conter tanta água quanto todos os oceanos juntos", explicou Pearson. "Uma das razões, pelas quais a Terra é um planeta tão dinâmico, é a presença de água em seu interior. A água muda tudo sobre a maneira como o planeta funciona", completou.

A prova vem de um mineral raro que absorve água chamado ringwoodite, procedente da zona de transição espremida entre as camadas superior e inferior do manto terrestre, explicam os especialistas. A análise do material revelou que a rocha contém uma quantidade significativa de moléculas de água, da ordem de 1,5% de seu peso.

O manto se situa sob a crosta terrestre, até o núcleo da Terra, a uma profundidade de 2.900 quilômetros. Entre as duas grandes partes do manto - o superior e o inferior -, encontra-se uma zona chamada de "transição", entre 410 km e 660 km de profundidade.

O principal mineral do manto superior é a olivina. Quando a profundidade e, consequentemente, a pressão aumentam, a olivina se transforma, mudando de estado. Entre 410 km e 520 km, ela vira wadsleyite e, entre 520 km e 660 km, chega a ringwoodite, um mineral que contém água.

Essa variedade de olivina já foi encontrada em meteoritos, mas nunca oriunda da Terra, justamente por se encontrar a uma profundidade inacessível.

"Até hoje, ninguém nunca viu ringwoodite do manto da Terra, ainda que os geólogos estejam convencidos de sua existência", destacou o geólogo Hans Keppler, da Universidade de Bayreuth, na Alemanha, no editorial publicado na "Nature".

O mineral ringwoodite foi descoberto pela equipe de Graham Pearson quase por acaso, em 2009, quando os pesquisadores examinavam um diamante marrom sem valor comercial, de apenas três milímetros, procedente da cidade brasileira de Juína, no estado do Mato Grosso.

A amostra foi submetida à análise por espectroscopia e difração por raio X durante vários anos até ser oficialmente confirmada como ringwoodite, tornando-se a primeira prova terrestre dessa rocha super-rara.

O grupo acredita que o diamante tenha chegado à superfície da Terra durante uma erupção vulcânica. A equipe de Graham Pearson não fala, porém, em água na forma líquida, e sim, contida nesse mineral bem particular.

Ainda falta determinar, como ressaltou Hans Keppler, se a amostra de ringwoodite analisada é representativa do conjunto da zona de transição do manto terrestre. O nome Ringwoodite vem do geólogo australiano Ted Ringwood, segundo o qual um mineral especial criaria uma zona de transição devido às altas pressões e temperaturas nessa área.

Pearson defendeu que as implicações dessa descoberta são profundas. Se existe água, em grande volume, abaixo da crosta terrestre, isso implica um possível impacto significativo nos mecanismos dos vulcões e no movimento das placas tectônicas.

Um estudante do ensino médio de Estrasburgo (leste da França), de 15 anos, é o co-autor de um estudo de astrofísica publicado esta semana na capa da prestigiada revista científica britânica "Nature".

"Principal autor da publicação, Rodrigo Ibata, trouxe seu filho, Neil Ibata, ao Observatório Astronômico de Estrasburgo, onde trabalha, para que fizesse um estágio sobre a linguagem de programação Python, utilizada para este estudo" sobre a evolução das galáxias ao redor de Andrômeda, disse o CNRS em um comunicado.

"Neil foi o primeiro a colocar em evidência a rotação de um disco de galáxias anãs ao redor da galáxia de Andrômeda no âmbito deste projeto", ressalta o CNRS.

Por sua participação na descoberta, Neil Ibata teve o privilégio de ver seu nome junto ao de seu pai e de outros quinze astrônomos e físicos.

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