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O Canal do Panamá está desesperado em busca de água para não morrer, pois a diminuição das chuvas por conta da mudança climática e do fenômeno El Niño ameaçam secar a via que movimenta quase 6% do comércio marítimo mundial.

"A grande desvantagem que tem o Canal do Panamá, como rota marítima, é o fato de que nós operamos com água doce, enquanto as outras rotas marítimas [como o Canal de Suez] utilizam água do mar", disse o administrador do canal, Ricaurte Vásquez, nesta quinta-feira (3).

Devido à escassez de chuvas, o Canal restringiu o calado, a distância da lâmina d'água até a quilha do navio, o que causará uma perda de 200 milhões de dólares (R$ 975 milhões, na cotação atual) em sua receita em 2024. Segundo Vásquez, a projeção para este ano está estimada em 4,9 bilhões de dólares (R$ 24 bilhões).

"Temos que encontrar soluções para poder continuarmos sendo uma rota relevante para o serviço do comércio internacional. Se não nos adaptamos, então vamos morrer", indicou, em uma apresentação à imprensa.

- 'Crise atípica' -

Há alguns meses, o calado foi restringido a 43 pés (13,11 metros), dois a menos que o permitido anteriormente nesta via inaugurada pelos Estados Unidos em 1914, e controlada pelo Panamá desde 31 de dezembro de 1999.

"A severidade desta crise é atípica, muito alta. Assim que vamos pensar que nós, daqui até 30 de setembro do próximo ano, devemos estar operando com restrições de calado", disse Vásquez.

Dos 40 navios em média que passavam por dia pelo canal em 2022, agora passam 32 para economizar água, a fonte de energia que move as embarcações nas eclusas. Por cada uma, são lançados 200 milhões de litros no mar.

Desde 1914, mais de um milhão de embarcações atravessaram o canal, cujos principais usuários são Estados Unidos, China, Japão e Chile.

Devido ao menor calado, alguns mercantes descarregam centenas de contêineres no porto de Balboa, no Pacífico, e voltam a carregá-los em Colón, no Caribe, após a travessia.

Os contêineres são levados por trem de uma costa a outra do Panamá, o que implica demoras, mas não necessariamente custos maiores às empresas, pois, embora tenham que pagar pelo transporte ferroviário, o custo do pedágio no canal diminui porque levam menos carga.

Vásquez disse que o navio-mercante "Ever Max", com bandeira de Singapura, usou essa modalidade esta semana, o que não impediu que obtivesse o recorde de embarcação com mais carga que já cruzou a via: 17.000 contêineres, com tarifa de pedágio de 1,5 milhão de dólares (R$ 7,3 milhões).

- Rotas alternativas -

O administrador expressou que "a falta de água, mensurada apenas em termos de tarifas de pedágio, já dá um preço de 200 milhões de balboas" (dólares) a menos em receita em 2024.

Se a seca se prolongar e o limite de calado aumentar, o canal corre o risco de perder clientes, porque as empresas "podem optar por outras rotas, sabemos que esse risco existe", assinalou.

"Mas acreditamos que se encontrarmos uma solução relativamente cedo, não necessariamente que se construa imediatamente [a solução], mas que o mercado saiba que efetivamente algo está sendo feito, isso deve aliviar a preocupação de longo prazo", acrescentou.

- Três cidades -

A falta de chuva também provocou um aumento da salinidade nas águas da via interoceânica, o que causa outros inconvenientes.

A bacia hidrográfica do canal, formada pelos lagos Gatún e Alhajuela e vários rios, também fornece água para três cidades, entre elas a capital, onde vive metade da população do país.

"Cada vez que abrimos a comporta que dá para o mar, a água do mar se mistura com a água doce e, quanto maior a comporta [...], maior o volume de água salgada que entra no sistema", indicou Vásquez.

"Esse nível de água salgada temos que manter dentro de certa faixa, porque as usinas potabilizadoras não têm capacidade de dessalinização", acrescentou.

- Opção descartada -

Nas eclusas, as embarcações são elevadas 26 metros sobre o nível do mar para cruzar o istmo e depois são baixadas ao chegarem ao outro oceano. A água entra e sai das enormes tinas por gravidade.

Apesar da escassez de água doce, está descartada a opção de o canal utilizar água do mar, pois isso implicaria grandes escavações.

"O Suez era muito mais plano e era areia. No nosso caso, é rocha e existe uma cordilheira não muito alta, mas existe uma cordilheira e este é o desafio", explicou Vásquez.

Em 1881 houve a primeira tentativa de abrir um canal a nível do mar no Panamá, a cargo do francês Ferdinand de Lesseps, o construtor de Suez. A obra ficou paralisada por problemas técnicos, financeiros e doenças tropicais que mataram milhares de operários.

Um quarto de século depois, a construção foi retomada pelos Estados Unidos, que acrescentou as eclusas e levou 10 anos para concluir a empreitada.

A Jamaica venceu o Panamá por 1 a 0 pela segunda rodada da Copa do Mundo feminina na manhã deste sábado, em confronto válido pelo Grupo F, o mesmo do Brasil. O triunfo leva a seleção jamaicana a quatro pontos, ultrapassando a seleção brasileira, que precisará vencer o confronto direto contra o país caribenho na última rodada para se classificar às oitavas de final. Mais cedo neste sábado, o Brasil perdeu por 2 a 1 para a França e caiu para a terceira posição da chave, com três pontos.

Depois do início animador da seleção brasileira, a segunda rodada da Copa do Mundo feminina terminou com uma combinação de resultados ruim para o time de Pia Sundhage. França e Jamaica, que haviam empatado na estreia, alcançaram os quatro pontos e o Brasil ficou com três. O Panamá, após duas derrotas, está eliminado da Copa do Mundo feminina.

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A definição do grupo acontecerá na próxima quarta-feira. Às 7h, Brasil e Jamaica se enfrentam em Melbourne, na Austrália. No mesmo dia e horário, a França entra em campo contra o Panamá em Sydney, na Austrália, para confirmar a classificação para o mata-mata. O Brasil segue dependendo apenas de si para se classificar, mas para isso precisará vencer a Jamaica. Em caso de empate, somente uma combinação improvável de resultados, com derrota da França para o Panamá, classificaria o time de Pia Sundhage.

As melhores chances do primeiro tempo foram da Jamaica, que ainda assim não conseguiu fazer seu melhor jogo. Apesar das tentativas, a seleção jamaicana não conseguiu furar a defesa adversária, chegando até a acertar uma bola na trave em cobrança de falta. Já o Panamá teve uma boa chance no primeiro tempo, defendida pela goleira da Jamaica.

O Panamá voltou melhor para o segundo tempo e até ocupou mais espaços no campo de ataque. Apesar da melhora no desempenho do rival, a Jamaica abriu o placar aos 11 minutos com gol de cabeça marcado por Allyson Swaby. A seleção panamenha melhorou após o gol, mas encontrou dificuldades no setor de criação e não conseguiu buscar o empate.

VEJA O GOL AQUI.

Suécia se classifica

Na madrugada deste sábado, a Suécia, terra da treinadora Pia Sundhage, foi mais uma seleção a confirmar classificação para as oitavas de final. A vaga veio em grande estilo, com goleada por 5 a 0 sobre a Itália. Grande nome da partida, Amanda Ilestedt marcou dois gols. Os demais gols foram marcados por Fridolina Rolfo, Stina Blackstenius e Rebecka Blomqvist.

A Suécia mantém 100% de aproveitamento, na liderança do Grupo G, com seis pontos. A Itália tem três e está em segundo, enquanto África do Sul e Argentina somam apenas um ponto e sonham com a última vaga da chave na última rodada.

A seleção brasileira feminina de futebol começou com goleada a sua trajetória na Copa do Mundo da Austrália e da Nova Zelândia, mantendo a escrita de sempre vencer na estreia em Mundiais. A equipe comandada pela treinadora sueca Pia Sundhage confirmou o favoritismo e bateu o Panamá por 4 a 0, nesta segunda-feira, com show de Ary Borges, autora de três gols. Bia Zaneratto também marcou para o Brasil.

O resultado faz o Brasil largar na frente do Grupo F, com três pontos. França e Jamaica, pela mesma chave, empataram nesta primeira rodada e estão com um ponto cada. O próximo compromisso das brasileiras será contra a seleção francesa, uma das candidatas ao título do Mundial, no sábado, às 7h (horário de Brasília), em Brisbane.

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Favorita para a partida, a seleção pressionou desde os primeiros minutos diante do Panamá, e a dificuldade do adversário, estreante em Copas, em ficar com a bola fez o gol parecer apenas uma questão de tempo. O time de Pia Sundhage mostrou força pelo lado esquerdo, com jogadas individuais de Debinha e as escapadas em velocidade de Tamires. Aos 18 do primeiro tempo, Ary Borges recebeu ótimo cruzamento e cabeceou livre de marcação para fazer 1 a 0 para o Brasil.

O gol deu tranquilidade ao Brasil, que passou a valorizar a posse de bola e a definir as jogadas com mais precisão. O Panamá até tentava sair jogando, mas mal passou do meio-campo, onde Luana foi soberana nas interceptações, e a goleira Lelê foi mera espectadora. O lado esquerdo voltou a funcionar aos 38 minutos, quando Tamires invadiu a área e cruzou para Ary Borges cabecear e, no rebote, fazer o segundo.

A etapa final teve a mesma tônica do primeiro tempo, com o Brasil indo para cima e não dando chances ao Panamá. Logo aos três minutos, Ary Borges recebeu livre na grande área e só rolou para Bia Zaneratto fazer 3 a 0.

Foi o primeiro gol da atacante em três Mundiais pela seleção. A jogada teve início novamente em boa trama de Tamires e Debinha, duas das melhores jogadoras na partida. O Panamá finalizou pela primeira vez somente aos 12, mas sem perigo.

O Brasil continuou com ampla posse de bola, ultrapassando a marca de 30 finalizações e mal vendo o Panamá se assanhar no jogo. A estrela de Ary Borges voltou a brilhar aos 24 minutos do segundo tempo. Novamente de cabeça, a meia fez o seu terceiro gol, ampliando o placar para 4 a 0.

A estreia em Copas do Mundo com um hat-trick fez a jogadora igualar Pretinha e Sissi (1999) e Cristiane (2019), as únicas a marcarem três gols no primeiro jogo de um Mundial. A meio-campista saiu ovacionada ao ser substituída por Marta, que, longe de suas melhores condições físicas, teve atuação discreta na reta final da partida.

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FICHA TÉCNICA:

BRASIL 4 X 0 PANAMÁ

BRASIL - Lelê; Antonia (Bruninha), Lauren, Rafaelle e Tamires; Luana Bertolucci (Duda Sampaio), Ary Borges (Marta), Adriana e Kerolin; Debinha (Geyse) e Bia Zaneratto (Gabi Nunes). Técnica: Pia Sundhage.

PANAMÁ - Bailey; Castillo, Vargas (Montenegro), Pinzón, Baltrip-Reyes e Jaén (Natis); Quintero (Salazar), González, Cox (Lineth Cedño) e Mills (Emily Cedeño); Riley (Tanner). Técnico: Ignacio Quintana.

GOLS - Ary Borges, aos 18 e aos 38 minutos do primeiro tempo. Bia Zaneratto, aos 3, e Ary Borges, aos 24 minutos do segundo tempo.

CARTÃO AMARELO - Não houve.

ÁRBITRO - Cheryl Foster (GAL).

RENDA E PÚBLICO - Não divulgados.

LOCAL - Hindmarsh Stadium, em Adelaide, na Austrália.

Fotos: Thais Magalhães/CBF

Diante de 84 mil pessoas, no Monumental de Núñez, em Buenos Aires, nesta quinta-feita (23) à noite, a seleção argentina se apresentou pela primeira vez após a conquista da Copa do Mundo do Catar. O técnico Lionel Scaloni escalou o time campeão, com Dibu Martínez; Tagliafico, Otamendi, Romero, Molina; Mac Allister, Enzo Fernández, De Paul; Messi, Julián Álvarez e Di María. Mas o que se viu em campo foi um time sem muita inspiração, que concentrou a responsabilidade em Messi e só foi conseguir o placar de 2 a 0 no fim do segundo tempo frente ao fraquíssimo adversário.

Antes do jogo, uma festa impressionante da torcida argentina na hora do Hino Nacional emocionou todo o elenco argentino. Foi possível ver Messi, Martínez, Di Maria e Scaloni com lágrimas nos olhos, tomados pela emoção, ainda festejando a conquista do terceiro título mundial, depois de 36 anos.

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O primeiro tempo foi todo dominado pelos campeões mundiais. Os panamenhos adotaram um postura defensiva, posicionados em um espaço de 30 metros. Um alinha de cinco atletas na linha da grande área, outra e quatro na intermediária e um jogador ainda antes do meio de campo.

Com o campo ofensivo bastante congestionado, a Argentina apostou nas jogadas laterais, principalmente pelo lado direito com Molina. Sem sucesso e com Messi muito marcado, a alternativa foi tentar os chutes de longa distância.

Aos 15 minutos, o lance de maior apreensão, quando Galván cometeu falta violenta sobre Messi. O camisa 10, com o joelho direito sangrando, bateu a falta na intermediária e acertou a trave.

Di Maria e Enzo Rodríguez também arriscaram de longe, mas não tiveram sucesso. Em uma dessas jogadas, o goleiro José Guerra fez bela defesa.

Messi, aparentemente ansioso por fazer o gol 800 da carreira, perdeu duas grandes oportunidades para marcar, ao demorar para finalizar, propiciando a chegada da marcação.

Os dez primeiros minutos da etapa final foram de duelo de Messi com José Guerra. O craque finalizou três vezes, duas em faltas e uma no escanteio, e em todas as vezes o goleiro impediu o gol argentino.

A pressão e a apreensão foi ficando cada vez maior com o passar do tempo. Aos 27 minutos, Messi, desta vez, de cabeça, errou o alvo. Aos 32 minutos não teve jeito. Messi cobrou falta mais uma vez na trave, no rebote Paredes furou, mas Almada converteu: 1 a 0,

De tanto tentar e com o pé na forma, Messi fez o seu aos 43 minutos, em cobrança espetacular de falta. Foi o gol 800 na carreira do astro e o 99º com a camisa da seleção. Festa completa, apesar da apresentação sem brilho.

Ao menos 33 pessoas morreram na madrugada desta quarta-feira (15), quando o ônibus em que viajavam, junto com outros migrantes, rumo aos Estados Unidos, colidiu com outro veículo em uma estrada do Panamá — informaram as autoridades.

"Temos informação de 33 pessoas que morreram neste momento", disse ao canal Telemetro a diretora nacional de Migrações, Samira Gozaine, atualizando o balanço preliminar de 15 mortes divulgado anteriormente pelo presidente panamenho, Laurentino Cortizo.

"Com muita tristeza recebo a notícia do acidente de estrada em Gualaca, Chiriquí (400 km ao oeste da capital)", tuitou o presidente. Os migrantes "perderam a vida enquanto eram transportados de Darién para um abrigo localizado neste local", acrescentou.

O ônibus transportava os migrantes de Darién, área florestal fronteiriça com a Colômbia, até a fronteira com a Costa Rica para que prosseguissem a viagem em busca de uma vida melhor.

O veículo tinha 66 pessoas, incluindo o motorista e um ajudante, afirmou o chefe de operações de trânsito da polícia, comissário Emiliano Otero.

As autoridades não divulgaram as causas exatas do acidente nem as nacionalidades dos passageiros.

"Estamos investigando neste momento", disse Gozaine por telefone à AFP.

Vários feridos foram levados em ambulâncias para o hospital da cidade de David, na província de Chiriquí, segundo as autoridades.

Por engano, o motorista do ônibus não parou no abrigo perto de Gualaca, onde os viajantes deveriam descansar antes de seguir para a fronteira com a Costa Rica. Após perceber e dar meia-volta para ir até o local, o ônibus colidiu com um micro-ônibus, segundo a imprensa local.

- Recorde de migrantes -

Milhares de migrantes em situação irregular chegam da Colômbia, caminhando pela floresta, onde um trecho da rodovia Pan-Americana que faltava nunca foi construído devido à vegetação, aos rios e pântanos. Muitos morrem nessa jornada.

Esta fronteira de 266 km de floresta e 575.000 hectares é uma rota repleta de perigos, como animais selvagens, rios caudalosos e grupos criminosos.

Apesar disso, e segundo dados do governo panamenho, 248.000 pessoas entraram no Panamá por Darién em 2022. Esse número pulverizou os registros do ano anterior, quando 133.000 migrantes fizeram a travessia.

São, em sua maioria, venezuelanos, embora também haja equatorianos, haitianos e cubanos, além de africanos e asiáticos.

- "Faz parte do risco" -

Para ajudar os viajantes, o governo panamenho, juntamente com diferentes agências das Nações Unidas e de outras organizações internacionais, montou vários acampamentos de assistência humanitária para os migrantes.

As autoridades panamenhas facilitam a transferência de migrantes em ônibus privados para Paso Canoas, fronteira da rota interamericana com a Costa Rica.

"Este acidente de estrada é lamentável. São pessoas que procuram melhores condições de vida [...], mas faz parte do risco" de fazer esta travessia, disse Samira Gozaine à Telemetro.

Ela acrescentou que os ônibus com migrantes para Paso Canoas "viajam à noite, porque há menos trânsito", então a viagem costuma ser mais segura, rápida e "mais fresca".

Uma mulher colombiana foi detida nesta sexta-feira (3) no aeroporto internacional de Tocumen, no Panamá, com embalagens contendo o que parece ser cocaína debaixo de uma peruca, informou a promotora panamenha especializada no combate às drogas, Xiomara Rodríguez.

A detida, procedente de um voo da Colômbia com destino a Madri, Espanha, foi abordada por um policial no terminal aéreo, que suspeitou do seu penteado.

Após submetê-la a um escâner, os agentes observaram que em meio às tranças entre seu cabelo natural e uma peruca que usava estavam escondidos comprimidos de droga presos em sua cabeça.

Segundo Rodríguez, a mulher, sobre quem não foram dados maiores detalhes, levava debaixo da peruca "68 envoltórios pretos cilíndricos com pó branco (dentro)".

Esta modalidade de tráfico de drogas é "inédita" no Panamá, acrescentou Rodríguez, em um vídeo publicado na conta do Twitter do Ministério Público do Panamá.

Segundo a promotora, a mulher será levada perante um tribunal por suposto tráfico internacional de drogas.

A polícia panamenha publicou em sua conta do Twitter uma foto onde dois agentes aparecem segurando uma pessoa, todos de costas, atrás de uma mesa com as embalagens da suposta droga.

Entre as modalidades curiosas de tráfico de drogas, em 2021 a polícia panamenha apreendeu, no perímetro de uma prisão, o "narcogato", um felino que levava cocaína, crack e maconha amarradas no pescoço, supostamente para introduzir as drogas no presídio.

O Panamá é a entrada na América Central das drogas procedentes da América do Sul, principalmente da Colômbia, o maior produtor mundial de cocaína, para os Estados Unidos, maior consumidor global desta droga.

No entanto, autoridades centro-americanas têm advertido para um aumento significativo do tráfico de drogas para a Europa através, principalmente, dos portos caribenhos da região.

A Procuradoria do Panamá informou na sexta-feira (24) a descoberta de dez corpos, incluindo os de duas crianças, possivelmente migrantes haitianos que perderam a vida durante sua jornada a pé pela perigosa selva de Darien, na Colômbia, a caminho dos Estados Unidos.

"Eram provavelmente migrantes, porque durante as investigações um cidadão haitiano mencionou que no rio Tuquesa houve uma enchente devido às chuvas que arrastou nove pessoas", explicou o procurador de Darien, Julio Vergara.

"Presumimos que os cadáveres que encontramos estejam relacionados com o que foi contado por este migrante", apontou.

A ossada de uma décima pessoa também foi encontrada na mesma região.

Os corpos foram descobertos pelas autoridades nas proximidades dos rios Tuquesa e Canaán Membrillo, em uma região indígena Emberá Wounaán, no sul do Panamá. Nenhum tinha documentos.

Até o momento, este ano, 41 corpos de migrantes foram encontrados nas margens dos rios, ao longo do trajeto para cruzar a fronteira entre o Panamá e a Colômbia. As causas das mortes foram por afogamento e insolação, informou a Procuradoria.

Desde o início do mês, as autoridades panamenhas e colombianas validam o acesso diário controlado de no máximo 650 migrantes, em sua maioria haitianos, que fugiram de um país atingido na última década por uma severa crise econômica e política.

A maioria vem da América do Sul, para onde migraram há vários anos, mas não conseguiram legalizar sua permanência ou estavam desempregados pela pandemia de Covid-19.

Eles viajam pela América Central para chegar ao México e depois aos Estados Unidos, em busca de melhores condições de vida. Washington já avisou que não permitirá sua entrada e deportou centenas deles.

Atualmente, cerca de 19 mil migrantes estão em um porto no norte da Colômbia, à espera de embarcar em barcos que os levarão à fronteira com o Panamá.

Os viajantes devem, em seguida, cruzar o Golfo do Urabá, um trecho marítimo de cerca de 60 quilômetros.

Uma vez no Panamá, precisam cruzar a perigosa selva de Darien a pé, uma jornada que leva pelo menos cinco dias, expostos a estupros, assaltos e animais selvagens.

Entre janeiro e agosto, mais de 70 mil pessoas fizeram essa jornada.

A primeira cidade que eles encontram é a aldeia indígena de Bajo Chiquito. Em seguida, eles continuam para a Costa Rica.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública deflagrou, nesta quarta-feira (9), a Operação Luz na Infância 8. A operação tem como objetivo identificar autores de crimes de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes praticados na internet.

Os policiais cumprem 176 mandados de busca e apreensão no Brasil e em mais cinco países: Argentina, Estados Unidos, Paraguai, Panamá e Equador.

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No Brasil, a operação conta com a participação da Polícia Civil de 18 estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Espírito Santo, Rondônia, Mato Grosso, Paraná, Ceará, Goiás, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Alagoas, Piauí, Bahia, Maranhão, Rio Grande do Sul e Amazonas, além de agentes de aplicação da lei dos países envolvidos.

Um gato foi preso nesta sexta-feira (16) quando tentava entrar em uma prisão panamenha com drogas embrulhadas em seu corpo, informaram as autoridades do país centro-americano.

O felino foi surpreendido por guardas e unidades policiais do lado de fora do presídio Nueva Esperanza, na província caribenha de Colón, cerca de 80 quilômetros ao norte da Cidade do Panamá.

De acordo com as investigações, o gato foi interceptado enquanto se dirigia à cerca do perímetro do centro penitenciário, que abriga mais de 1.700 presos.

“O animal tinha um pano amarrado no pescoço que continha duas embalagens” com “material vegetal, quatro embalagens com pó branco forradas com plástico transparente e outra com folhas”, explicou Andrés Gutiérrez, diretor-geral do Sistema Penitenciário do Panamá.

O procurador do setor de tráfico de drogas de Colón e Guna Yala, Eduardo Rodríguez, disse ao canal Telemetro que o gato possivelmente transportava cocaína, crack e maconha.

As autoridades suspeitam que, para transportar drogas, os animais são enganados com alimentos nos presídios para que voltem com as substâncias ilícitas. A mercadoria é colocada em seus corpos fora da cadeia ou nos pavilhões dos complexos penitenciários, segundo os especialistas.

Depois da captura do gato, a Procuradoria Antidrogas de Colón e Guna Yala anunciou no Twitter que havia iniciado "investigações sobre o uso de animais para a transferência de substâncias ilícitas para o Centro Penitenciário Nueva Esperanza".

Na mensagem, a promotoria acrescenta duas fotos, uma das quais mostra vários pacotes com um suposto pó branco em seu interior, enquanto a outra mostra um gato, também branco, com um pedaço de pano amarrado ao corpo.

O Ministério do Governo informou que, assim que as provas foram recolhidas, o gato foi entregue a uma fundação de defesa dos animais. No Panamá, há mais de 18 mil presos distribuídos em 23 prisões, a maioria delas superlotadas.

Anteriormente, as autoridades panamenhas já haviam identificado tentativas de narcotraficantes de introduzir drogas nos centros penitenciários por meio de alimentos, roupas, pombos e até drones.

Em 2020, o Panamá apreendeu 84 toneladas de drogas, principalmente cocaína, enquanto em 2019 confiscou seu número recorde: 90 toneladas.

O suposto abuso de crianças em mais de uma dezena de abrigos estaduais no Panamá é "um grito que clama aos céus", afirmou o arcebispo do Panamá, José Domingo Ulloa, nesta quarta-feira (17).

“Como sociedade, devemos lutar para que esse tipo de flagelo não se repita em lugar nenhum”, disse Ulloa.

“O problema é grave e não podemos ignorá-lo, muito menos olhar para outro lugar”, continuou Ulloa durante a missa da Quarta-feira de Cinzas na Basílica Menor Dom Bosco, na Cidade do Panamá.

As declarações de Ulloa vêm após uma investigação de uma subcomissão da Assembleia Nacional do Panamá.

De acordo com as investigações, desde 2017 dezenas de crianças sofreram supostos abusos sexuais, agressões físicas e verbais, abortos forçados e más condições de vida em pelo menos 14 abrigos. Entre os afetados estariam pessoas com deficiência intelectual.

Cerca de 1.000 crianças vivem no Panamá nesses centros destinados a atenção, proteção e cuidado de menores órfãos ou de famílias com alto risco social.

Os abrigos são supervisionados pela Secretaria Nacional da Criança, do Adolescente e da Família (Senniaf), órgão público descentralizado e com diretoria de diversos ministros. Alguns são administrados por várias organizações civis e religiosas.

"Nos enche de profunda tristeza saber de possíveis maus-tratos e abusos" nesses abrigos, disse Ulloa. É "inaceitável", "repreensível" e "um grito que clama ao céu e a toda a sociedade", acrescentou.

A promotoria panamenha já abriu uma investigação sobre o escândalo, que gerou protestos e chocou o país centro-americano.

“É uma situação muito grave”, lamentou o promotor-chefe do Panamá, Eduardo Ulloa, esta semana, após receber o relatório de 700 páginas com as denúncias.

“Estamos falando de pessoas que afetaram e violaram menores”, lembrou a deputada Kayra Harding.

Há dias, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) expressou "sua profunda preocupação" com as denúncias e instou as autoridades panamenhas a "realizar as investigações pertinentes o quanto antes".

O Panamá, país centro-americano com mais infectados pelo novo coronavírus, anunciou nesta terça-feira (15) que aprovou o uso emergencial da vacina da Pfizer contra a Covid-19, embora a mesma não vá estar disponível antes de 2021 no país, que irá instaurar uma quarentena de fim de ano para conter a pandemia.

"Recebemos a chamada dos diretores da Pfizer perguntando se estávamos prontos para implementar a vacina e, com orgulho, comunicamos que sim", informou a vice-ministra da Saúde, Ivette Berrio. O Ministério da Saúde detalhou em comunicado que "aprovou-se o uso emergencial da vacina da Pfizer", amparando-se em leis locais que lhe permitem acelerar a burocracia.

"O Estado adiantou os trâmites para a sua aquisição, levando em conta que a Pfizer, após receber o aval da americana FDA para a comercialização de sua vacina, dará prioridade aos países que estejam preparados e assinarem o acordo de aquisição", explica o texto. Segundo a vice-ministra, o país espera receber o primeiro lote de vacinas no primeiro trimestre do ano que vem.

No mês passado, o Panamá, país de 4,2 milhões de habitantes, havia anunciado negociações para a compra de 3 milhões de doses da vacina da Pfizer e mais de 1 milhão de doses do imunizante da AstraZeneca.

O governo panamenho também anunciou uma quarentena total entre 25 e 28 de dezembro e entre 1º e 4 de janeiro. O acesso às praias será bloqueado entre 23 de dezembro e 4 de janeiro, o toque de recolher foi ampliado de 19h até as 5h e foi decretada uma lei seca noturna a partir da próxima semana, até a primeira semana de janeiro.

O longa-metragem "A Vida Invisível", do brasileiro Karim Aïnouz, venceu a nona edição do Festival Internacional de Cinema do Panamá, realizado virtualmente devido à pandemia do novo coronavírus.

O filme de Aïnouz foi o mais votado pelo público, que teve que assistir às projeções através de uma plataforma online, anunciou a organização do festival pelo Twitter.

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A fita, uma produção de 2019 entre o Brasil e a Alemanha, conta a história de duas irmãs que tentam se encontrar após sua separação no Brasil dos anos 1950.

A obra, protagonizada por Carol Duarte e Julia Stockler, ganhou em 2019 um dos prêmios de melhor filme do Festival de Cannes.

A mostra original com público e salas estava prevista de 26 de março a 1º de abril, mas foi cancelada devido às medidas decretadas para conter a pandemia.

O festival foi, então, celebrado virtualmente entre 22 e 26 de maio, com 13 produções de 16 países.

"A resposta do público foi muito boa se levarmos em conta os momentos que vivemos. Mas conseguimos, as pessoas responderam solidariamente porque sentia falta do seu festival", disse à AFP a diretora do evento, Pituka Ortega.

Na organização do festival havia temor da resposta do público, dada a enorme oferta das plataformas digitais para assistir a filmes nos últimos dois meses.

"Nossa aposta era que trazíamos um cinema fresco, novo, que a maioria das pessoas não pudessem ver em outras plataformas, pelo menos na região centro-americana", disse Ortega.

Além de "A Vida Invisível", participaram do festival "Sorry We Missed You", do inglês Ken Loach; "Araña", do chileno Andrés Wood; "Así habló el cambista", do uruguaio Federico Veiroj; e a produção coletiva centro-americana "Días de Luz", entre outros.

Na corrida pela erradicação do coronavírus, líderes de todos os países no mundo estão arquitetando maneiras de coibir o avanço da pandemia. O Panamá, onde a quarentena obrigatória está em vigor desde o dia 25 de março,  instituiu uma nova estratégia um tanto inusitada para diminuir a circulação de pessoas nas ruas. Foi implementado um sistema de rodízio entre homens e mulheres que terão dias específicos para poderem deixar suas casas. 

A medida entra  em vigor a partir desta quarta (1º). A partir dessa data, mulheres só poderão circular pelas ruas às segundas, quartas e sextas. Homens estão liberados para ir Às ruas nas terças, quintas e sábados. Aos domingos, está proibida a circulação de qualquer pessoa e todos deverão permanecer em suas casas. Além disso, as pessoas só poderão sair às ruas por duas horas por dia para comprar alimentos e remédios.

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A estratégia de restrição de mobilidade tem como objetivo estimular o isolamento social e assim frear o aumento de casos de contaminação -até o momento já foram contabilizados mil casos no país.. A novidade foi anunciada pelo próprio presidente panamenho, Laurentino Cortizo, através do Twitter. Segundo o chefe de estado, a medida foi tomada porque, apesar da quarentena, os cidadãos do Panamá continuam mantendo suas atividades cotidianas. 

A rave que não acaba nunca mais pode parecer um sonho para quem gosta de música eletrônica, no entanto, um grande festival do segmento, o Gathering Festival, acabou se transformando em um verdadeiro pesadelo em sua edição de 2020. Por conta da pandemia do coronavírus, 300 pessoas que participavam do evento este ano estão proibidas de deixar o local, próximo de Playa Chiquita, no Panamá. 

Dois dias antes do encerramento do festival, na última sexta (13), o Panamá entrou em estado de emergência por conta da pandemia. Sendo assim, o público participante do Gathering festival foi ordenado a permanecer no local por 14 dias. O objetivo é controlar a propagação do vírus no país. A polícia militar panamenha cercou o lugar e as pessoas só podem sair de lá no dia 23 de março. 

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Segundo a Vice, algumas pessoas conseguiram sair do evento quando o fechamento foi decretado, outras tentaram escapar durante o bloqueio mas não conseguiram. A organizadora do festival, Luu Carretero Sierra, disse em entrevista à publicação que a população local doou um caminhão de comida para ajudar na quarentena e que o governo panamenho não está dando suporte algum. "O governo do Panamá não está dando nenhuma assistência. Eles só nos deixaram aqui". 

 

O governo do Panamá proibirá a partir desta segunda-feira (16) a entrada de estrangeiros que não tenham visto de residência no país.

"A partir das 23h59 de 16 de março, será proibida a entrada no país de estrangeiros e não residentes no Panamá", anunciou no Twitter o presidente do país, Laurentino Cortizo. Segundo ele, todo passageiro panamenho ou estrangeiro residente terá que cumprir isolamento domiciliar por 14 dias.

O governo do Panamá endureceu neste domingo as medidas para conter o avanço do novo coronavírus, e anunciou que o número de infectados subiu para 55, com um morto.

O Ministério Público do Panamá acusou nesta quinta-feira membros de uma seita de torturar e sacrificar seis crianças e uma grávida, cujos corpos foram encontrados em uma fossa comum em área indígena.

"Nove cidadãos serão denunciados nas próximas horas como supostos responsáveis pela morte de sete pessoas, que foram torturadas e sacrificadas", informou o MP em comunicado.

O Ministério de Segurança Pública revelou que o grupo se chamava "La Nueva Luz de Dios".

Rafael Baloyes, promotor da província caribenha de Bocas del Toro, afirmou em comunicado que "ao que parece se trata de membros de uma seita religiosa que fazia rituais, e que supostamente praticaram isso".

Os restos pertencem a seis menores de idade com entre um e 17 anos, além de uma mulher, que estava grávida há entre quatro a seis meses, e que era mãe de cinco das crianças encontradas.

As autoridades tinham informado na última quarta-feira (15) a liberação de 15 pessoas que estavam amarradas em um cárcere da seita na comunidade de Terrón, na comarca de Ngäbe Buglé, uma zona indígena de difícil acesso no caribe panamenho, a cerca de 250 km da Cidade de Panamá.

O diretor-geral da Polícia Nacional, Alexis Muñoz, indicou que os resgatados apresentavam lesões corporais por golpes.

"Queriam doutriná-los", ressaltou Muñoz.

Na operação policial foram detidos 10 supostos membros da seita, um deles menor de idade.

"A intervenção das Forças Especiais da Polícia Nacional evitou que outras 15 pessoas fossem assassinadas", afirmou a promotoria.

O governador Paulo Câmara (PSB) cumpre agenda no Panamá nesta quarta-feira (11) e tem buscado fortalecer Pernambuco como um hub logítistico do Brasil. Nessa terça-feira (10), o primeiro dia em missão na capital do Panamá - com a comitiva composta pelos secretários Bruno Schwambach (Desenvolvimento Econômico) e Rodrigo Novaes (Turismo e Lazer), além do presidente de Suape, Leonardo Cerquinho -  o governador reforçou as relações do Governo de Pernambuco com a administração pública panamenha e com setores da economia local.

“Começamos nesta terça-feira uma importante agenda no Panamá. O Recife tem duas conexões semanais diretas com a Cidade do Panamá, via Copa Airlines. Queremos aproveitar essa facilidade e estreitar as relações com esse país, que ocupa uma posição geográfica e comercial estratégica na América Central”, explicou Paulo Câmara. Ele foi recebido, ainda, pelo ministro das Relações Exteriores, Alejandro Ferrer, que ressaltou o interesse dos panamenhos em parcerias nas áreas de logística, turismo, cultura e educação. “Um passo decisivo para abrir portas, que vão resultar em oportunidades para os pernambucanos”, concluiu o governador.

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Paulo Câmara também participou de uma reunião com Peter Corfitsen, vice-presidente da Maersk, conglomerado de negócios dinamarquês com atividades comerciais em diversos setores, principalmente nos mercados de logística e energia.

SUAPE - A comitiva comandada pelo governador objetiva ainda, durante a visita, estreitar o vínculo comercial marítimo entre o Complexo Industrial Portuário de Suape e o mundo. O Canal do Panamá é um dos equipamentos mais importantes nesse movimento e, pela conectividade direta que garante entre os oceanos Pacífico e Atlântico, passa a integrar acordos comerciais importantes entre Europa, Ásia e América. A ideia é fortalecer os acordos e ampliar as tratativas entre os países para colocar Suape como opção estratégica do Brasil na rota marítima do comércio exterior, inclusive abrindo mercados para impulsionar as cadeias produtivas do Estado.

Na programação, coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e pelo Complexo Industrial Portuário de Suape, está o desdobramento do acordo de cooperação técnica assinado entre o Canal do Panamá e Suape, em junho; a participação em três importantes eventos direcionados ao setor logístico portuário, que reunirão líderes de várias partes do mundo; além de reuniões com empresas, operadores portuários e instituições, tratando de oportunidades de negócios e investimentos.

O ACORDO - A expansão do Canal do Panamá foi inaugurada em 26 de junho de 2016 e, desde então, houve um impacto nos padrões de negócios em todo o mundo. O alargamento do Canal mudou a navegação pelas rotas internacionais que ligam o Pacífico, o Atlântico e o Golfo do México, alterando a lógica do tráfego marítimo e atingindo os mercados nas Américas Central e do Sul.

No acordo firmado com Suape - com validade de dois anos - as partes se comprometem a empreender iniciativas conjuntas para propagar os benefícios da expansão e da interconexão com o porto pernambucano, além do intercâmbio de informações no desenvolvimento de estratégias de comercialização; realização de estudos conjuntos sobre áreas de interesses; partilha de informações sobre melhorias e/ou esforços de modernização com o objetivo de aumentar a demanda ou evolução dos serviços de transporte; além de compartilhar experiências de sustentabilidade.

*Da assessoria de imprensa

Duas ações dos protagonistas do “Itaipu Gate” são decisivas para a montagem do quebra-cabeças no escândalo que envolve os governos do Brasil e Paraguai.

Sempre juntos nas rodadas de negociações com o país vizinho, Alexandre Giordano, (suplente do senador Major Olímpio-PSL-SP), e os sócios do Grupo Léros, realizaram movimentações societárias em épocas próximas. E sempre próximas ao calendário das eleições de 2018.

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Figura central do “Itaipu Gate”, Alexandre Giordano se desincompatibilizou da participação em uma empresa que tinha entre as atividades registradas na Receita Federal o “comércio atacadista de energia elétrica”.

A retirada do nome na sociedade ocorre em 16 de abril de 2018, dez dias depois da filiação no PSL, onde viria a ocupar o lugar em que segue, suplente de senador do Major Olímpio(PSL-SP). A filiação é feita na véspera do 7 de abril, último dia permitido no pleito que passou. No lugar de Alexandre Giordano na “Enfermade Empresa Brasileira de Bioenergia” ficou como único sócio o filho Lucca Giordano, então com 17 anos, emancipado pelo pai em registro no cartório. O endereço da empresa é o mesmo do diretório do PSL na capital paulista.

As outras peças fundamentais na engrenagem do “Itaipu Gate” são os empresários Kléber Ferreira da Silva e Adriano Tadeu Deguirmendjian, sócios do Grupo Léros, que comercializa energia. Teoricamente, seriam concorrentes do negócio do qual Alexandre Giordano se retirou e deixou o filho. Mas estão inseparavelmente unidos na empreitada paraguaia.

De acordo com os documentos obtidos pela Agência Sportlight de Jornalismo Investigativo na Junta Comercial do Panamá, os sócios do Grupo Léros abriram a empresa Novel Industries Inc naquele país em 3 de outubro de 2018. Exatos 4 dias antes do primeiro turno de 2018, quando o Major Olímpio foi eleito senador por São Paulo e carregou na primeira suplência Alexandre Giordano. Os dois tem ainda como sócio na empreitada no conhecido paraíso fiscal Celso Bispo dos Reis.

Kléber Ferreira e Adriano Tadeu Deguirmendjian aparecem no documento da junta panamenha com o endereço paulistano do Grupo Léros. Já Celso Bispo dos Reis forneceu como endereço um local no Butantã (SP), onde na verdade consta o “Spa Della Rosa”, cabelereiro, manicure e pedicure, que está em nome de Larissa Deguirmendjian, também acionista do grupo Léros.

Não é crime ter empresa no exterior, desde que declarada a Receita Federal. A reportagem tentou contato com Kléber Ferreira para saber a situação da Novel Industries mas não obteve resposta. (Ver “outro lado” ao fim da reportagem).

Quando utilizadas para fins ilícitos, empresas offshores servem para ocultação de patrimônio, de sócios eventuais, ficando em nome de parceiros ou laranjas, sonegar tributos, enviar para o exterior bens de origens ilícitas, fazer com que capital ganho em transações ilícitas no exterior nem passe pelo Brasil. Nesses casos, são chamadas de “empresas de prateleiras”, por só existirem no papel e serem constituídas anteriormente, com os novos sócios comprando elas já montadas. A Novel foi aberta em 2013 e os sócios da Léros entraram em 2018, como está na reportagem.

Os sócios do Léros foram levados a tiracolo por Alexandre Giordano na mesa com os representantes paraguaios da hidrelétrica de Itaipu e indicados pelo político para serem os beneficiários de um acordo comercial na “Ata Bilateral” entre os dois países, como mostra uma série de reportagens publicadas no Jornal ABC, do Paraguai, feitas pela repórter Mabel Rehnfeldt. As matérias revelam conversas via WhatsApp de autoridades paraguaias que falam em negócios privilegiados para a Léros por indicação de Alexandre Giordano e citam a “família Bolsonaro por trás” dos atos que indicam a Léros.

CRONOLOGIA:

6 de abril de 2018: Alexandre Giordano se filia ao PSL

7 de abril de 2018: encerra o prazo de filiações para a eleição

16 de abril de 2018: Os registros da Junta Comercial de SP apontam a saída de Giordano da empresa “Enfermade”

16 de abril de 2018: No mesmo dia, o filho de Giordano, Lucca, de apenas 17 anos, aparece como único sócio

3 de outubro de 2018: os sócios do Grupo Léros abrem uma offshore no paraíso fiscal do Panamá

7 de outubro de 2018: o Major Olímpio é eleito senador por São Paulo e Alexandre Giordano fica com a suplência

28 de outubro de 2018: Jair Bolsonaro (PSL) ganha a eleição presidencial

12 de março de 2019: Jair Bolsonaro se encontra com o presidente paraguaio Mario Abdo Benitez para discutirem a revisão do “Acordo Bilateral” entre os dois países. O Brasil pressiona para que cláusula que impede a venda de energia para uma empresa privada brasileira a preço de custo seja retirada. Para essa empresa depois revender a preço de mercado no Brasil.

9 de abril de 2019: em voo privado, o suplente de senador do PSL, Alexandre Luiz Giordano chega ao Paraguai acompanhado de Adriano Tadeu Deguirmendijian, sócio da Léros e mais dois

10 de maio de 2019: exatas duas semanas antes da assinatura do Acordo Bilateral, Alexandre Luiz Giordano (PSL) se encontra na Tríplice Fronteira com Pedro Ferreira (então presidente da ANDE, a estatal de energia paraguaia) e com Joselo Rodriguez (asessor jurídico do vice-presidente Hugo Velásquez)

24 de maio de 2019: O Acordo Bilateral é assinado pelos dois presidentes

25 de junho de 2019: Nova viagem em voo fretado de Alexandre Giordano junto com Adriano Tadeu Deguirmendijan, da Léros, para encontrar os representantes paraguaios

24 de julho de 2019: Pedro Ferreira, presidente da Administração Nacional de Eletricidade (Ande, a estatal paraguaia do setor), renuncia por discordar dos termos e se recusar a assinar acordo

27 de julho de 2019: O Grupo Léros oficializa em documento proposta de compra de energia ao governo paraguaio:

29 de julho de 2019: outras autoridades paraguaias ligadas ao “Itaipu Gate” renunciam

31 de julho de 2019: os partidos de oposição anunciam o pedido de impeachment do presidente paraguaio.

1º de agosto: para escapar do impeachment, o presidente do Paraguai anula o acordo. Contrariando o que deveria se esperar do chefe de estado brasileiro diante de decisão unilateral prejudicial ao país, Bolsonaro aceita a anulação

Nos documentos vazados na série de reportagens de Mabel Rehnfeldt, um envelope enviado pelo correio por parte de representantes da estatal paraguaia tinha o nome de Alexandre Luiz Giordano como destinatário. O endereço, rua General Ataliba Leonel 1205 (bairro de Santana), além de constar com sala da empresa do suplente de senador, também é do diretório do PSL.

A Agência Sportlight constatou que um outro endereço da empresa de Alexandre Giordano, na mesma rua só que no 1223, 6º andar, também é usada como sede do PSL, como mostra a intimação da comissão de ética do partido para a líder do governo Joice Hasselmann feita em junho de 2018.

Outro lado:

Alexandre Giordano, suplente de senador do PSL-SP: A reportagem tentou contato com Alexandre Giordano, sem êxito. Caso seja feito contato, as respostas serão aqui publicadas.

Grupo Léros: A reportagem enviou e-mail para o sócio Kléber Ferreira da Silva mas não obteve resposta. Caso seja feito contato pela outra parte, as respostas serão aqui publicadas.

Por Lúcio de Castro, da Agência Sportlight

Um terremoto atingiu uma área pouco povoada do Panamá, perto da fronteira com a Costa Rica. Não há relatos imediatos de feridos ou prejuízos.

Segundo o Serviço Geológico dos EUA (USGS), o terremoto teve uma magnitude preliminar de 6,1 e epicentro sete quilômetros a sudeste da cidade de Plaza de Caisan. O tremor ocorreu a uma profundidade de cerca de 37 quilômetros. Fonte: Associated Press.

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O ex-ministro da oposição Laurentino Cortizo se proclamou ganhador das eleições presidenciais no Panamá, que ocorreram neste domingo (5). "Eu me sinto muito feliz, se vencemos, vencemos. O que temos que fazer é unir forças como país", afirmou Cortizo.

Ricardo Lombana, cujo movimento independente entusiasmou muitos em meio à repulsa de escândalos de corrupção e tédio pela velha política, ficou para trás em terceiro lugar com 19,4%.

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Roux anunciou que não reconhecerá nenhum resultado. Ele disse que tinha informações de irregularidades que afetaram sua candidatura. "Temos que garantir a proteção do processo eleitoral e da democracia. Neste momento (a eleição) está em dúvida", disse Roux sem fornecer provas e em meio a seguidores que gritaram "não à fraude".

Cortizo, por sua vez, disse aos repórteres ter certeza que venceu e aguardava a comunicação do Tribunal Eleitoral. Os magistrados não fizeram nenhum anúncio preliminar, como ocorreu em outras eleições. Se os resultados se confirmarem, Cortizo colocaria no poder o PRD, de tendência social democrata, pela terceira vez.

O partido perdeu as eleições de 2009 e 2014. A última vez que o partido governou o Panamá foi com Martin Torrijos, que exerceu mandato entre 2004 e 2009. Fonte: Associated Press.

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