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O papa Francisco publicou nesta quinta-feira (26) um artigo no jornal americano New York Times no qual fez uma extensa reflexão sobre o período de pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), que já matou mais de 1,4 milhão de pessoas e deixou 61 milhões infectados em todo o mundo, e comparou todos os profissionais da saúde que lutam para salvar vidas a "santos".

Segundo o Pontífice, neste último ano, ele pensa e reza, e às vezes chora, ao lembrar de tantas "pessoas que morreram sem se despedir daqueles que amavam, famílias em dificuldade, até mesmo passando fome, porque não há trabalho".

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O argentino recordou que existem diversos lugares de conflito no mundo, sofrimento e necessidade, mas são momentos na vida que podem servir para "mudança e conversão".

"Cada um de nós teve sua própria 'paralisação' ou, se ainda não o tivemos, algum dia teremos: doença, o fracasso de um casamento ou de um negócio, alguma grande decepção ou traição. Como no bloqueio da Covid-19, esses momentos geram uma tensão, uma crise que revela o que está em nossos corações", explicou ele, classificando cada frustração como uma "Covid pessoal".

No artigo, o Santo Padre lembrou de sua experiência de "limite, de dor e solidão", quando a maneira como via a vida mudou: ao ficar doente, aos 21 anos, em 13 de agosto de 1957. Na época, ele estava no segundo ano de preparação para o sacerdócio no seminário diocesano de Buenos Aires.

Jorge Bergoglio contou que não sabia quem era, se viveria ou morreria, e os médicos também não sabiam. Na época, ele fez uma cirurgia para retirar o lobo superior direito de um dos pulmões e só sobreviveu pela ajuda de duas enfermeiras que dobraram a dosagem de seus remédios e receitaram analgésicos extras: Irmã Cornelia Caraglio e Micaela.

"Tenho uma ideia de como as pessoas com Covid-19 se sentem enquanto lutam para respirar em um respirador", disse o religioso, lembrando que as profissionais lutaram por ele até o fim, até sua recuperação.

"Elas me ensinaram o que é usar a ciência, mas também a saber quando ir além dela para atender a necessidades específicas. E a doença grave que vivi me ensinou a depender da bondade e da sabedoria dos outros", acrescentou.

Francisco ressaltou que essa atitude de ajudar os outros permaneceu contigo principalmente nos últimos meses, durante o lockdown, quando muitas vezes rezou por aqueles que buscam todos os meios para salvar a vida de outras pessoas.

De acordo com o Papa, muitas enfermeiras, médicos e cuidadores estão pagando o "preço do amor", junto com padres, religiosos e pessoas comuns cujas vocações são o serviço. "É melhor viver uma vida mais curta servindo aos outros do que uma vida mais longa resistindo a esse chamado".

Em sua longa reflexão, o líder da Igreja Católica comparou os profissionais da saúde a "santos", pois despertaram algo importante nos corações das pessoas. Ele citou como exemplo o fato de diversos cidadãos, em muitos países, aplaudirem de suas janelas os médicos e enfermeiros "com gratidão e admiração".

"Eles são os anticorpos do vírus da indiferença. Eles nos lembram que nossa vida é uma dádiva e que crescemos dando de nós mesmos, não nos preservando, mas nos perdendo no serviço".

Apesar de exaltar os profissionais da saúde, o líder religioso criticou o negacionismo de alguns governos, que "ignoraram as dolorosas evidências de mortes crescentes, com consequências inevitáveis", e de parte da população mundial, que protestou contra as regras de proteção contra a Covid-19, "como se as medidas constituíssem algum tipo de ataque político à autonomia ou à liberdade pessoal".

Francisco, no entanto, enfatizou os líderes que têm feito grandes esforços para colocar o bem-estar de seu povo em primeiro lugar, agindo de forma decisiva para proteger a saúde e salvar vidas. "A maioria dos governos agiu com responsabilidade, impondo medidas rígidas para conter o surto", afirmou.

Para o Pontífice, "olhar para o bem comum é muito mais do que a soma do que é bom para os indivíduos. Significa ter consideração por todos os cidadãos e procurar responder eficazmente às necessidades dos mais desfavorecidos".

"A crise do coronavírus pode parecer especial porque afeta a maior parte da humanidade. Mas é especial apenas na forma como é visível. Existem milhares de outras crises que são igualmente terríveis, mas estão longe o suficiente de alguns de nós para que possamos agir como se elas não existissem", explicou.

Como exemplo, ele citou as guerras espalhadas por diferentes partes do mundo, da produção e comércio de armas; das centenas de milhares de refugiados que fogem da pobreza, fome e falta de oportunidades; das mudanças climáticas.

"Essas tragédias podem parecer distantes de nós, como parte do noticiário diário que, infelizmente, não nos leva a mudar nossas agendas e prioridades. Mas, como a crise da Covid-19, eles afetam toda a humanidade", lembrou.

Francisco também fez uma analogia com o uso das máscaras e questionou que atualmente a usamos para proteger a nós mesmos e aos outros de um vírus que não é possível ver, mas e os outros vírus invisíveis, de pandemias ocultas, como as de fome e violência e mudanças climáticas? "Como vamos lidar?".

"Se quisermos sair desta crise menos egoístas do que quando entramos, temos que nos deixar ser tocados pela dor dos outros", alertou.

De acordo com o argentino, "este é um momento de sonhar alto, de repensar prioridades - o que valorizamos, o que queremos, o que buscamos - e de se comprometer a atuar no dia a dia sobre tudo aquilo que sonhamos".

Além disso, ele fez um apelo sobre a necessidade de ter um sistema político e econômico decente depois da crise sanitária, porque não se pode voltar ao que tinha antes. "Precisamos de uma política que possa integrar e dialogar com os pobres, excluídos e vulneráveis, que dê voz às pessoas nas decisões que afetam suas vidas. Precisamos diminuir o ritmo, fazer um balanço e projetar melhores maneiras de vivermos juntos nesta terra".

Por fim, o papa Francisco lembrou que "a pandemia expôs o paradoxo de que, embora estejamos mais conectados, também estamos mais divididos". Conforme seu texto, "o consumismo febril quebra os laços de pertencimento. Faz com que nos concentremos em nossa autopreservação e nos deixa ansiosos. Nossos medos são exacerbados e explorados por um certo tipo de política populista que busca o poder sobre a sociedade".

"Para sair melhor desta crise, temos que recuperar o conhecimento de que, como povo, temos um destino comum. A pandemia nos lembrou que ninguém é salvo sozinho. O que nos liga uns aos outros é o que comumente chamamos de solidariedade", explicou, ressaltando que somente "sobre esta base sólida podemos construir um futuro humano melhor e diferente".

Da Ansa

O Vaticano revelou que o papa Francisco lembrou de Diego Maradona em suas orações após saber da morte da lenda do futebol nesta quarta-feira. O craque argentino faleceu na sua residência, em Tigre, na região metropolitana de Buenos Aires, após sofrer uma parada cardiorrespiratória.

O porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, disse que o papa, após ser informado do falecimento de Maradona, "relembrou com carinho dos momentos em que se encontraram nestes anos e lembrou-se dele em sua oração." Ele afirmou, ainda, que Francisco tinha rezado pelo compatriota nos últimos dias, quando soube dos seus problemas de saúde.

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O papa argentino, um fã de futebol e torcedor do San Lorenzo, se encontrou com Maradona no Vaticano em 1.º de setembro de 2014, durante uma audiência especial relacionada a uma partida de futebol beneficente, que foi disputada no Estádio Olímpico de Roma. Na ocasião, Maradona presenteou o pontífice com uma camisa de futebol, estampada com o nome "Francisco" e que tinha o seu autógrafo.

Os dois se encontraram novamente em 2015, ainda que Francisco não tenha estado na Argentina desde 2013, quando ele voou a Roma para o conclave que o elegeu como pontífice.

O Vaticano News, braço de mídia da Santa Sé, referiu-se a Maradona como o "poeta da

futebol." Além disso, classificou o craque argentino como um "jogador de futebol extraordinário, um frágil homem", dizendo que sua vida foi marcada em vários momentos pela praga das drogas."

O papa Francisco usou suas contas no Twitter nesta quarta-feira (25) para alertar que a sociedade precisa fazer "muito mais" para garantir a dignidade das mulheres no mundo.

A mensagem foi publicada por ocasião do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher, celebrado anualmente em 25 de novembro.

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"Muito frequentemente, as mulheres são ofendidas, maltratadas, violentadas, induzidas a se prostituir... Se quisermos um mundo melhor, que seja casa de paz e não pátio de guerra, devemos todos fazer muito mais pela dignidade de cada mulher", disse o Papa. 

Da Ansa

O papa Francisco recebeu nesta segunda-feira cinco jogadores da NBA, principal liga de basquete do mundo, para discutir a atuação dos atletas contra o racismo. Além dos atletas, membros da Associação Nacional de Jogadores de Basquete (NBPA, em inglês) também estiveram na reunião realizada no Vaticano.

A última temporada da NBA chegou a ser paralisada por causa de protesto dos jogadores contra o racismo. O movimento foi impulsionado principalmente pela morte de George Floyd, em maio, vítima da violência policial. A morte de Floyd deu novo impulso ao movimento "Black Lives Matter" (Vidas Negras Importam, em português).

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De acordo com informações divulgadas pelo Vaticano, todos os presentes na reunião realizaram testes para o novo coronavírus e tiveram diagnóstico negativo. Os jogadores que compareceram ao encontro foram Marco Belinelli, do San Antonio Spurs; Sterling Brown e Kyle Korver, do Milwaukee Bucks; Jonathan Isaac, do Orlando Magic; e Anthony Tolliver, do Memphis Grizzlies.

"Estamos extremamente honrados por esta oportunidade de vir ao Vaticano e compartilhar nossas experiências com o Papa Francisco. Sua franqueza e disposição para discutir essas questões foram inspiradoras e um lembrete de que nosso trabalho teve um impacto global e deve continuar avançando", disse Korver.

A reunião ocorreu por iniciativa do papa Francisco. Um intermediário dele entrou em contato com a Associação Nacional de Jogadores de Basquete para marcar o encontro no Vaticano. A próxima temporada da NBA terá início no dia 18 de janeiro.

O papa Francisco, defensor de corredores humanitários para acolher os migrantes na Europa, insistiu em um novo livro, divulgado nesta segunda-feira (23), que "a migração não é uma ameaça ao cristianismo".

"Rejeitar um migrante em dificuldades, seja de qual confissão religiosa for, por medo de diluir nossa cultura 'cristã' é uma falsificação grotesca tanto do cristianismo quanto da cultura", escreveu o papa no livro intitulado "Vamos sonhar juntos", amplamente inspirado em suas reflexões sobre a pandemia do novo coronavírus.

"A migração não é uma ameaça para o cristianismo, exceto na imaginação daqueles que se beneficiam simulando-o. Promover o Evangelho e não acolher o estrangeiro necessitado, nem afirmar sua humanidade como filho de Deus é querer fomentar uma cultura cristã apenas de nome; vazia de toda a sua novidade", reitera Francisco.

A insistência do sumo pontífice em repreender os países ricos, sobretudo na Europa, pelo tema dos migrantes, lhe rende às vezes críticas que o acusam de ingenuidade, inclusive entre os católicos.

Mas, o papa considera que estas críticas vêm frequentemente de cidadãos pouco praticantes.

"Uma fantasia do nacional-populismo em países de maioria cristã é defender a 'civilização cristã' de supostos inimigos, seja do islã, dos judeus, da União Europeia ou das Nações Unidas", afirma.

"Esta defesa é atraente para aqueles que com frequência não são mais crentes, mas que consideram o patrimônio de sua nação como uma identidade. Aumentam seus medos e sua perda de identidade, ao mesmo tempo em que diminui sua participação nas igrejas", ressalta.

Em seu novo livro, o papa insiste na precariedade dos migrantes, que vivem confinados em acampamentos insalubres em plena pandemia do novo coronavírus.

"Estes acampamentos de refugiados transformam o sonho de conquistar uma vida melhor em câmaras de tortura", escreveu, acrescentando: "se a covid entrar em um campo de refugiados, pode gerar uma verdadeira catástrofe".

Para Jorge Bergolgio, neto de migrantes italianos radicados na Argentina, "a dignidade dos nossos povos exige corredores seguros para migrantes e refugiados, de forma que possam se mudar sem medo de zonas de morte a outras mais seguras".

"É inaceitável deixar que centenas de migrantes morram em perigosas travessias marítimas ou em travessias pelo deserto", avaliou.

Nesta nova declaração, o papa lembrou que os migrantes "mal pagos" costumam constituir a mão de obra de sociedades mais desenvolvidas e continuam sendo "desprezados".

O papa Francisco telefonou nesta quinta-feira (12) para o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, para parabenizá-lo pela vitória nas eleições americanas de 3 de novembro. A informação foi revelada pela equipe do democrata.

Segundo comunicado, Biden agradeceu o Pontífice por lhe conceder sua "bênção" e "parabéns", ressaltando o "seu apreço pela liderança" do argentino "na promoção da paz, reconciliação e laços comuns da humanidade em todo o mundo".

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Durante a ligação, o futuro presidente dos Estados Unidos expressou seu desejo de trabalhar junto com Francisco para promover "uma crença compartilhada na dignidade e na igualdade de todos os seres humanos".

Entre os principais temas de interesse estão "o cuidado das pessoas marginalizadas e pobres, a crise das mudanças climáticas, o acolhimento e integração de imigrantes e refugiados nas comunidades".

Biden é o segundo católico a ser eleito presidente na história dos Estados Unidos, e o primeiro depois de John F. Kennedy. O democrata costuma falar abertamente sobre a importância da fé em sua vida, marcada por diversas tragédias pessoais.

Em seu primeiro discurso, o ex-vice de Barack Obama pregou a união e afirmou que é a fé que o sustenta. Ao longo de sua vida, ele conheceu pelo menos dois dos três últimos Papas.

Nos últimos dias, Biden tem conversado com diversos líderes internacionais, incluindo o presidente da França, Emmanuel Macron, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, marcando o início da transição de poder.

Da Ansa

O Vaticano explicou em uma nota interna a posição do papa Francisco sobre as uniões homossexuais após a controvérsia provocada pelo documentário "Francesco" e reiterou que o matrimônio católico acontece entre um homem e uma mulher, informaram fontes religiosas nesta segunda-feira.

Um documento, emitido pela Secretaria de Estado do Vaticano - comandada pelo número dois da Santa Sé, o cardeal Pietro Parolin - e enviado às nunciaturas ou embaixadas em todo o mundo, aborda o tema delicado após mais de uma semana de silêncio, devido ao escândalo provocado pelas palavras do pontífice no documentário do americano de origem russa Yevgeny Afineevsky.

Exibido em meados de outubro no Festival de Cinema de Roma, no documentário o papa argentino defende o direito dos casais homossexuais, "filhos de Deus", a contar com uma "lei de convivência civil", que os proteja legalmente.

"As pessoas homossexuais têm o direito de estar em uma família, são filhos de Deus, possuem direito a uma família. Não se pode expulsar ninguém de uma família, nem tornar sua vida impossível por isso. O que temos que fazer é uma lei de convivência civil, eles têm direito a estarem legalmente protegidos. Eu defendi isso", explica o papa no filme.

Uma frase que provocou a revolta dos setores mais conservadores da Igreja, incluindo vários bispos e cardeais, e elogios das associações de defesa dos homossexuais, que a consideraram histórica.

Frases retiradas de contexto

Para a Secretaria de Estado, as declarações do papa "geraram confusão" porque o diretor do documentário resumiu em apenas uma resposta as diferentes respostas dadas pelo pontífice em uma entrevista concedida à jornalista mexicana Valentina Alazraki em 2019.

"Há mais de um ano, durante uma entrevista, o papa Francisco respondeu duas perguntas distintas em dois momentos diferentes que, no mencionado documentário, foram editadas e publicadas como uma só resposta, sem a devida contextualização, o que gerou confusão", explica a nota interna do Vaticano, repassada à imprensa por várias nunciaturas.

Para o Vaticano trata-se de explicar o caso aos bispos e religiosos que fazem perguntas sobre as palavras surpreendente do papa e, ao mesmo tempo, evitar desmentir o cineasta, premiado por seu filme pelas mesmas autoridades da Santa Sé.

O documento interno do Vaticano, que não tem selo ou assinatura oficial, ao que parece foi enviado às nunciaturas a pedido do próprio pontífice.

O papa "se referia às leis adotadas pelos Estados", quando citou as leis civis e "não a doutrina da Igreja", ressalta a nota. O texto cita as palavras do papa em diversas ocasiões e recorda que em 2014 ele explicou que "o matrimônio é entre um homem e uma mulher".

"Os Estados laicos querem justificar as uniões civis para regulamentar diversas situações de convivência, movidos pela exigência de regulamentar aspectos econômicos entre as pessoas, como por exemplo assegurar a assistência de saúde", explicou na ocasião o pontífice.

Para a Secretaria de Estado "é evidente que o papa Francisco se referiu a determinados dispositivos estatais, certamente não à doutrina da Igreja, muitas vezes reafirmada no curso dos anos", destaca o texto.

O Vaticano anunciou nesta quinta-feira que o papa Francisco decidiu cancelar novamente as audiências gerais das quartas-feiras na presença de fiéis, devido à aceleração da pandemia de Covid-19 na Itália.

"A partir da próxima quarta-feira, 4 de novembro, as audiências gerais do Santo Padre recomeçarão a ser transmitidas da biblioteca do Palácio Apostólico. Esta decisão foi tomada porque se detectou um caso positivo de Covid-19 na audiência geral de 21 de outubro, e com o objetivo de evitar qualquer possível risco futuro para a saúde dos participantes", indicou o Vaticano em um comunicado.

É a mesma medida tomada em março após o primeiro surto de coronavírus na Itália, quando o Vaticano decidiu aplicar as mesmas restrições adotadas pelas autoridades da península.

Francisco realizava as audiências e oração do Angelus de domingo sozinho na biblioteca papal, no palácio apostólico, que eram transmitidas ao vivo para as televisões e páginas na internet.

No entanto, desde 2 de setembro, passou a admitir um grupo de fiéis nas audiências gerais, que passaram a ser realizadas primeiro no pátio de San Damaso e, há algumas semanas, na tradicional sala Paulo VI do Vaticano.

Devido à emergência de saúde pelo novo surto do coronavírus na Europa, o pontífice realizará agora as audiências de quarta-feira e a missa para os mortos de 2 de novembro de forma privada e sem público.

Temer "a senhora covid"

Francisco evitou na quarta-feira cumprimentar pessoalmente, como costuma fazer, alguns dos fiéis que assistiam a audiência geral na sala Paulo VI.

"Adoraria descer e cumprimentar todos, mas devemos manter a distância", explicou aos fiéis, todos com máscara.

"Se desço, as pessoas se agrupam e isso é contrário ao cuidado e às precauções que devemos ter diante desta senhora chamada covid e que nos faz tanto mal", explicou.

O papa e seus assistentes, que celebraram a audiência no palco, não usavam máscaras, enquanto os guardas suíços e os fotógrafos oficiais têm a obrigação de usá-las.

O Vaticano anunciou em 17 de outubro que registrou um caso de coronavírus na residência Santa Marta, onde vive o papa Francisco, destacando que a pessoa infectada "deixou temporariamente" o local.

No total, onze guardas suíços já resultaram positivo à Covid-19 em meados de outubro, segundo o comandante do corpo militar encarregado da segurança do papa e da Cidade do Vaticano.

O papa foi criticado por sua tendência de não usar a máscara e foi fotografado com ela em poucas ocasiões, apesar de ser obrigatória na Cidade do Vaticano.

O papa Francisco expressou, nesse domingo (11), sua solidariedade com as vítimas dos incêndios ocorridos na América Latina e se referiu também aos Estados Unidos.

"Quero expressar minha compaixão com os povos atingidos pelos incêndios que tem devastado várias regiões do mundo, assim como os voluntários e os bombeiros que arriscam suas vidas para apagar as chamas", disse ao final da oração dominical do Angelus.

"Me refiro à costa ocidental dos Estados Unidos, assim como as regiões centrais da América do Sul... o Paraguai... a Argentina", continuou o pontífice argentino.

"Vários incêndios são causados pelas secas contínuas, mas alguns são provocados pelo homem", denunciou.

"Que o Senhor ajude aqueles que sofrem as consequências destas catástrofes e nos faça estar atentos à proteção da criação", concluiu o papa, retomando um dos seus temas favoritos: a proteção do meio ambiente.

"A terra deve ser trabalhada, curada, cultivada e protegida. Não podemos seguir espremendo ela como uma laranja", declarou na noite de sábado em uma mensagem publicada na plataforma especializada de conferências TED.

O padre Júlio Lancellotti, conhecido pela atuação na Pastoral Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo, contou nas redes sociais que recebeu, na tarde deste sábado, 10, um telefonema do papa Francisco. A intenção do pontífice era se solidarizar com as dificuldades que o padre tem enfrentado. Recentemente, Júlio Lancellotti foi atacado pelo candidato à Prefeitura de São Paulo Arthur do Val, também conhecido como 'Mamãe Falei'.

O telefonema incomum - o papa costuma ligar para os cardeais - aconteceu às 14h15 deste sábado. "Sua santidade, o papa Francisco, falou comigo com toda simplicidade e proximidade, perguntando sobre a população de rua, como é nossa convivência com os irmãos de rua e quais as dificuldades que sentimos", relatou Lancellotti em comunicado.

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O padre afirmou, ainda, que o papa disse ter visto as fotos do atendimento realizado para a população de rua durante a pandemia e afirmou que, apesar das dificuldades, não se deve desanimar. "Façamos sempre como Jesus, estando junto dos mais pobres", disse Francisco, segundo relato de Lancellotti.

O papa Francisco pediu, então, para que ele transmitisse a todos os moradores de rua o seu amor e proximidade e, também, que todos rezem por ele.

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Alvo de ameaças

O padre foi ameaçado pelo candidato a prefeito da capital Arthur do Val (Patriota) há algumas semanas. O juiz Emílio Migliano Neto, da 2ª Zona Eleitoral de São Paulo, deferiu liminar no dia 1º determinando a suspensão de vídeos e postagens em que o candidato ataca o religioso por considerar que os posts caracterizam "propaganda eleitoral vedada".

Recentemente, o vigário sofreu ataque durante atendimento a moradores de rua, na região central de São Paulo. "Passou uma moto e o cara falou 'padre filho da p... que defende noia'. Depois dos ataques de alguns candidatos à Prefeitura contra mim, estou cada vez mais em risco", relatou o padre em vídeo postado numa rede social. "Se me acontecer alguma coisa, se alguém me atingir, se eu for atingido por alguém, vocês sabem de quem é a culpa, de quem cobrar. O risco que estou correndo é cada vez maior e a responsabilidade vocês sabem de quem é", completou.

Neste caso, o padre cita, indiretamente, Arthur do Val, que tem como principal meta acabar com a Cracolândia - local conhecido por reunir grande quantidade de usuários de drogas no centro de São Paulo.

Val critica o atendimento realizado por ONGs e setores da Igreja Católica - em especial, o trabalho realizado por Lancellotti. Para ele, as políticas públicas são ineficientes e, consequentemente, responsáveis pela degradação do centro da capital. Contudo, o candidato nega qualquer tipo de incitação à violência contra o padre, a quem apelida como "cafetão da miséria".

O papa Francisco voltou a cobrar que as vacinas devem ser sempre criadas para o bem comum e não apenas para o sucesso financeiro de um país específico em uma entrevista publicada nesta quarta-feira (7) pelo site "Vatican News".

"A vacina não pode ser propriedade do laboratório que a encontrou ou de um grupo de países aliados só por isso. A vacina é um patrimônio da humanidade, de toda a humanidade, é universal porque a saúde é um bem comum, como nos ensina a pandemia [do novo coronavírus]. É um patrimônio comum, pertence ao bem comum e esse deveria ser o critério", disse o líder católico.

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Ao falar sobre a pandemia, Francisco voltou a dizer que a humanidade "não vai sair como antes" da crise sanitária e econômica, ressaltando que "ou vamos sair melhores ou piores".

"A maneira com que sairemos disso depende das decisões que tomamos durante toda a crise", acrescentou.

Essa não é a primeira vez que o Pontífice se manifesta sobre a vacina anti-Covid e sua posterior distribuição. Em agosto, o religioso afirmou que "seria triste" se a imunização fosse primeiro para os ricos e não para os mais vulneráveis. Cerca de um mês depois, o líder católico alertou para o "surgimento de interesses particulares [...] para se apropriar de possíveis soluções, como no caso das vacinas, para depois vendê-las aos outros".

O Papa também foi questionado sobre a realização das celebrações e audiências religiosas sem a presença do público por conta da segurança dos fiéis, no ápice da pandemia.

"Foi como falar com fantasmas. Mas, compensei essa ausência física com o telefone e com as cartas. Isso me ajudou muito a medir sobre como as famílias e as comunidades estavam vivendo", disse ainda.

Da Ansa

O papa Francisco denunciou as desigualdades e o "vírus do individualismo" em sua nova encíclica, com o título "Fratelli tutti" (Todos irmãos) e divulgada neste domingo, na qual pede o fim "do dogma neoliberal" e defende a fraternidade "com atos e não apenas com palavras".

Em sua terceira encíclica, de 84 páginas, o pontífice argentino retoma os temas sociais abordados ao longo de sete anos e meio de pontificado e reflete sobre um mundo afetado pelas consequências da pandemia de coronavírus.

No documento, escrito em espanhol e que permanecerá com o título em italiano em todos os idiomas, Francisco condena o "dogma neoliberal", um "pensamento pobre, repetitivo, que propõe sempre as mesmas receitas diante de qualquer desafio que se apresente".

"A especulação financeira com o lucro fácil como objetivo fundamental continua provocando estragos", adverte, antes de acrescentar que "o vírus do individualismo radical é o vírus mais difícil de derrotar".

"É possível aceitar o desafio de sonhar e pensar em outra humanidade. É possível desejar um planeta que assegure terra, teto e trabalho para todos", destaca o pontífice, um pedido que fez em várias oportunidades durante suas viagens aos países mais pobres e esquecidos.

Um mundo fechado

Em sua nova encíclica, Francisco reivindica o direito de todo ser humano de viver "com dignidade e desenvolver-se plenamente" e recorda que a pandemia evidenciou a incapacidade dos dirigentes de atuar em conjunto em um mundo falsamente globalizado.

"A fragilidade dos sistemas mundiais diante das pandemias evidenciou que nem tudo se resolve com a liberdade de mercado", completa.

"Vimos o que aconteceu com as pessoas mais velhas em alguns lugares do mundo por causa do coronavírus. Não tinham que morrer assim (...) cruelmente descartados", lamenta o pontífice.

Em sua encíclica mais social, depois de reiterar sua oposição à "cultura dos muros", Francisco pede uma nova ética nas relações internacionais.

"Uma sociedade fraternal será aquela que conseguir promover a educação para o diálogo com o objetivo de derrotar o 'vírus do individualismo radical' e permitir que todos deem o melhor de si mesmos".

Reforma da ONU, oposição à pena de morte

"O mundo de hoje é, em sua maioria, um mundo surdo", escreve o papa, que também defende a reforma estrutural da Organização das Nações Unidas, reitera a total oposição da Igreja à pena de morte e comenta a questão da dívida externa dos países que "deve ser paga, mas sem prejuízo ao crescimento e subsistência dos países mais pobres".

"Hoje afirmamos com clareza que a pena de morte é inadmissível e a Igreja se compromete com determinação para propor que seja abolida em todo o mundo", escreveu.

No documento, o pontífice também pede o diálogo e defende novos caminhos para alcançar a reconciliação entre os povos.

"Não é possível decretar uma 'reconciliação geral' com a pretensão de fechar por decreto as feridas ou cobrir as injustiças com um manto de esquecimento", ressalta Francisco, que cita o Holocausto, os bombardeios em Hiroshima e Nagasaki, a perseguições, o tráfico de escravos e os massacres étnicos.

"Esta encíclica representa a síntese de seu pontificado e a apresentou sozinho, sem estar acompanhado por outras autoridades da Igreja, porque é o símbolo de sua autoridade", comentou o vaticanista Filippo di Giacomo ao canal italiano RaiNews24.

No texto, o papa afirma que "muitos ateus cumprem melhor a vontade de Deus que muitos crentes", em uma espécie de advertência aos muitos políticos de todos os continentes que se sentem “autorizados por sua fé a apoiar diversas formas de nacionalismos fechados e violentos, atitudes xenófobas, desprezos ou inclusive maus-tratos aos que são diferentes", lamenta.

"Com esta encíclica o papa argentino toma posições claras", declarou Carlo Petrini, fundador do movimento internacional Slow Food, ex-comunista, ecologista e autor de um livro sobre seus diálogos com o papa sobre a ecologia integral.

O Papa Francisco deu passos decisivos nesta semana para acelerar sua reforma das finanças do Vaticano, cenário de inúmeros escândalos por seus controversos investimentos. Escolhido em 2013, há sete anos, para mudar as estruturas econômicas e financeiras da Santa Sé e garantir sua transparência, Francisco deu esta semana mais um importante passo de sua ambiciosa missão.

Todos os fundos de todos os diferentes órgãos e ministérios da Santa Sé serão administrados por uma única entidade, a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (Apsa), que administra entre outros as milhares de propriedades imobiliárias do Vaticano em Roma, explicou o presidente da entidade, o bispo Nunzio Galantino, em entrevista ao jornal Il Corriere della Sera.

O objetivo do Papa é impedir que os dicastérios, isto é, ministérios, assim como a poderosa Secretaria de Estado, manejem fundos que em alguns casos chegam a várias dezenas de milhões de euros e centralizem sua gestão para garantir também seu controle e transparência ao monitorar as contas do Vaticano.

A ideia vem do prefeito para a Economia, o jesuíta espanhol Antonio Guerrero Alves, nomeado no ano passado para substituir o cardeal australiano George Pell, acusado e absolvido em seu país por um caso de abuso infantil.

"O sistema de controle das operações financeiras era insuficiente. Levamos sete anos trabalhando nisso", afirmou o cardeal hondurenho Oscar Rodríguez Maradiaga, coordenador do grupo de seis cardeais que assessora o papa em suas reformas econômicas.

Os inimigos internos

O maior obstáculo para a realização das reformas são os "inimigos internos" do papa, ressaltou Rodríguez Maradiaga ao jornal italiano La Stampa. Para o especialista em Vaticano, Marco Politi - autor de vários livros sobre o pontificado, incluindo "A solidão de Francisco" - o papa está sozinho nessa batalha.

Apesar de ter usado a "mão de ferro" na sexta-feira contra o cardeal italiano Angelo Becciu, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, ao retirar todos os seus direitos de cardeal por causa do uso irregular de fundos da Secretaria de Estado, Francisco não tem recebido manifestações públicas de apoio até ao momento.

"Com este terremoto você pode ver a solidão de Francisco. O Papa está sozinho: os conservadores estão felizes que os escândalos estourem, há outro setor que nunca fala, nem com ele nem contra ele, e a frente reformista, que deveria apoiá-lo, também não quer interferir sobre a má gestão do dinheiro da Igreja", explicou Politi à AFP.

Em meio ao clima marcado por investigações e suspeitas de manipulação dos fundos do Vaticano, o cardeal australiano George Pell retorna a Roma esta semana, o poderoso "ex-ministro da Economia".

Em sete anos de pontificado, uma série de etapas importantes foram concluídas na luta contra a lavagem de dinheiro, que tiveram a aprovação do órgão de controle europeu denominado Moneyval.

Em 2015, foram encerradas 5.000 contas suspeitas do banco do Vaticano, e foi introduzida uma lei que rege as licitações, assim como as despesas internas, com o objetivo de prevenir outros escândalos de corrupção e evitar a adjudicação de contratos a amigos ou familiares.

Em fevereiro de 2019, em viagem aos Emirados Árabes Unidos, o papa Francisco assinou conjuntamente com o grande imã de Al Aazhar, Ahmad Al-Tayyeb, uma histórica declaração de fraternidade, pedindo paz entre nações, religiões e raças. Um ano depois, com o mundo enfrentando a pandemia de Covid-19, o sumo pontífice viveu uma reclusão inédita e, portanto, teve tempo para observar os rumos do mundo e refletir. É o resultado disso que se espera quanto ao conteúdo da terceira encíclica de Francisco, Fratelli Tutti, que deve ser publicada no início de outubro.

Como sempre em termos de Vaticano, tudo é carregado de simbolismo. A carta será divulgada no dia de São Francisco de Assis (1182-1226), de quem o cardeal argentino Jorge Bergoglio emprestou o nome quando se tornou papa. Fratelli Tutti, ou "todos irmãos", é trecho de citação atribuída ao santo. Francisco, o papa, viajará até Assis no próximo dia 3, onde deve celebrar uma missa - com acesso restrito - e assinar a carta próximo ao túmulo de São Francisco. As expectativas, portanto, residem em um documento carregado da espiritualidade e do carisma franciscanos: fraternidade humana, tolerância entre todos, respeito à natureza.

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Com o planeta aturdido pelo coronavírus, contudo, esse contexto deve estar presente no documento, apostam especialistas ouvidos pelo Estadão. "Em várias ocasiões, o papa Francisco tentou delinear como o mundo deve se repensar depois da pandemia e uma chave de leitura será a de um mundo mais fraterno", diz o vaticanista italiano Andrea Gagliarducci, do grupo ACI-EWTN. "A fraternidade será a chave da compreensão, o centro de um raciocínio que deve trazer a base de um mundo mais unido e mais próximo dos marginalizados."

O vaticanista acredita que a essência do texto assinado com o grande imã de Al Azhar deve estar na encíclica. E o papa incluirá expressões recorrentes de seus discursos sobre o mundo pós-pandêmico, como a gravidade do "vírus da desigualdade" e a necessidade da "globalização da solidariedade". "E haverá referências franciscanas, como inspiração."

"Ele vai abordar a solidariedade tão urgente no mundo de hoje, pós-pandêmico", diz frei Marcelo Toyansk Guimarães, da Comissão Justiça, Paz e Integridade da Criação dos Frades Capuchinhos do Brasil. "O modo como nós, franciscanos, entendemos a ecologia é muito forte no papa Francisco. Mas a fraternidade também é algo central na espiritualidade franciscana. O papa caminha na esteira de São Francisco, inspirado por São Francisco."

Importância

Na hierarquia dos documentos católicos, a encíclica é a mais importante. Dirigida aos bispos do mundo todo - e, por conseguinte, aos fiéis de todas as dioceses -, traz o chamado magistério de um papa, ou seja, os pontos basilares de sua doutrina. "Diferente de uma exortação apostólica, de uma carta pastoral, de um pronunciamento, de uma homilia ou de um tuíte, a encíclica, mesmo que não traga nada de novo sobre o tema, tem o peso de se tornar ensinamento oficial da Igreja", esclarece o vaticanista Filipe Domingues. "Trata-se de um documento que tem uma base teológica, é mais sólido e tem peso histórico."

É de se esperar a inclusão de ideias como a dita por Francisco naquela histórica celebração em que ele rezou solitário na Praça São Pedro, em 28 de março, sob chuva. "Ele disse que 'estamos todos no mesmo barco', 'Jesus é quem nos guia nessa tempestade', 'temos de nos unir para tratar desses problemas que são problemas da humanidade'", recorda Domingues. "A mensagem é que não adianta a gente achar que com soluções locais vai ser possível responder a problemas globais - e a pandemia é só um deles."

Isolamento

O isolamento social de 2020 não foi fácil para ninguém. Mas, para o historiador italiano Alberto Melloni, a pandemia deve marcar o "começo do fim" do pontificado de Francisco. A frase é controversa. Mas o que vaticanistas concordam, contudo, é que o período solitário dentre os muros do Vaticano realmente mexeu com um papa conhecido por gostar de estar rodeado de pessoas. "Não podemos saber se esta é a fase final do pontificado de Francisco. Mas, certamente, estamos em uma nova etapa, oriunda de uma circunstância: a pandemia que parou tudo, colocou o mundo em espera e portanto, também o pontificado", define o vaticanista italiano Andrea Gagliarducci.

"A pandemia obrigou uma 'parada', foi um baque no pontificado de Francisco, que vinha num ritmo intenso até o Sínodo da Amazônia. Ele tinha viagens previstas para este ano e precisou suspender muita coisa", comenta o vaticanista Filipe Domingues. "Era de se esperar que, no meio disso tudo, ele dedicasse um tempo para escrever."

Já Domingues prefere cautela sobre dizer que seja a reta final do papado de Francisco. "Historicamente, é verdade que muitos pontificados terminam depois de um susto - eles fazem com que o dinamismo diminua e haja uma decadência. Em geral, são homens idosos", analisa. "Alguns historiadores estão dizendo que a pandemia é o baque que Francisco está sofrendo. Ele é social, ativo, sai, quer encontrar as pessoas, e foi obrigado a ficar no escritório, preso no Vaticano, sozinho, isolado do povo e das pessoas que o informam sobre o que está ocorrendo do mundo - não tem mais o trânsito de bispos, de pessoas que ele conhece."

Segundo tal ponto de vista, a gestão de Francisco entrará em um declínio. "Eu não acredito nisso. Ainda não acho que é o golpe final dele. Acho que ainda tem muita coisa para oferecer", completa o vaticanista.

Para o Domingues, a nova encíclica pode novamente pautar sua voz pelo mundo. E, assim que condições tornarem a ser seguras, ele deve voltar a viajar. "Claro, o papa não é jovem (fará 84 anos em dezembro), mas só Deus sabe se esta é a fase final", pontua Gagliarducci. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Um dia após o Vaticano ter divulgado uma carta na qual afirma que o aborto "corrompe a civilização humana", o papa Francisco cobrou nesta quarta-feira (23), durante sua audiência geral semanal, a aprovação de leis contra a interrupção voluntária da gravidez.

Dirigindo-se a fiéis poloneses, o líder católico disse que abençoaria uma campanha chamada "A voz dos não-nascidos", cujo objetivo é "recordar o valor da vida humana, da concepção à morte natural".

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"Que a sua voz desperte as consciências dos legisladores e de todos os homens de boa vontade na Polônia e no mundo", afirmou o Papa. No dia anterior, a Congregação para a Doutrina da Fé já havia publicado uma carta relacionada a questões do fim da vida.

O texto é voltado às práticas de eutanásia e suicídio assistido, mas também condena o aborto como instrumento de "corrupção da civilização humana" e como "desonra" para aqueles que o realizam.

Da Ansa

O papa Francisco, de 83 anos, é "constantemente monitorado" a nível médico, afirmou o secretário de Estado Pietro Parolin, seu braço direito, para tranquilizar a opinião pública depois de um encontro entre o pontífice e um cardeal que testou positivo para o novo coronavírus.

O cardeal filipino Luis Antonio Tagle foi diagnosticado com a Covid-19 quando chegou a Manila em 10 de setembro. O religioso, de 63 anos, teve uma audiência privada com o pontífice em 29 de agosto.

De acordo com a agência italiana Ansa, o cardeal Parolin expressou preocupação com o estado de saúde do cardeal filipino, que faz parte da Cúria Romana (governo da Igreja) e que retornou a seu país para o aniversário de sua mãe". "Esperamos que não seja nada", disse.

"O papa é constantemente monitorado", repetiu, para tranquilizar os fiéis sobre o estado de saúde do pontífice. O pontífice se reúne sem máscara com os interlocutores, que o visitam no palácio episcopal.

A Santa Sé já havia confirmado que Francisco foi submetido a vários exames de diagnóstico do coronavírus, depois que um religioso que vive na mesma residência testou positivo em março.

O papa Francisco pediu neste domingo aos manifestantes em todas as partes do mundo que sejam pacíficos e às autoridades que respeitem os direitos, sem mencionar nenhum país em particular, no momento em que seu "ministro das Relações Exteriores" está em Belarus.

"Nas últimas semanas assistimos manifestações populares de protesto em muitas partes do mundo, que expressam o aumento do mal-estar da sociedade civil ante circunstâncias políticas e sociais particularmente críticas", destacou após a tradicional oração dominical do Angelus, no Vaticano.

"Exorto os manifestantes a apresentar suas demandas de maneira pacífica, sem ceder à tentação de recorrer à violência, e peço a todos aqueles com responsabilidades públicas e governamentais que escutem a voz de seus concidadãos e a cumprir com suas justas aspirações, garantindo o pleno respeito dos direitos humanos e das liberdades civis", completou o pontífice.

O secretário de Relações com os Estados, ou seja o "ministro das Relações Exteriores" do papa, monsenhor Paul Gallagher, está em uma visita a Belarus, que começou na sexta-feira e prosseguirá até segunda-feira. Ele tinha encontros programados com autoridades, civis e funcionários da Igreja Católica, de acordo com o Vaticano.

No mês passado, Francisco afirmou que acompanhava com atenção a situação pós-eleitoral em Belarus. O pontífice defendeu o "diálogo, o repúdio à violência e o respeito à justiça e lei".

A polêmica reeleição de Alexander Lukashenko como presidente bielorrusso em agosto provocou um movimento de protesto sem precedentes no país, violentamente reprimido pelas forças de segurança.

O Papa Francisco chamou o prazer culinário e sexual de "simplesmente divino", em um livro de entrevistas publicado nesta quarta-feira (09) na Itália.

“A Igreja condenou os prazeres desumanos, grosseiros, vulgares, mas por outro lado sempre aceitou os prazeres humanos, sóbrios, morais”, estima o papa argentino quando questionado por Carlo Petrini, escritor e gourmet italiano.

“O prazer vem diretamente de Deus, não é católico, nem cristão, nem nada parecido, é simplesmente divino”, enfatiza o pontífice.

“O prazer de comer serve para manter uma boa saúde, da mesma forma que o prazer sexual serve para embelezar o amor e garantir a continuidade da espécie”, disse Francisco.

O papa se opõe categoricamente a uma "moralidade abençoada" que rejeita a noção de prazer, como aconteceu na história da Igreja Católica, porque "é uma interpretação errônea da mensagem cristã".

Esta visão “causou enormes danos, que ainda são perceptíveis em alguns casos”, acrescentou.

O papa também destaca sua admiração pelo filme "A Festa de Babette", que se passa em uma comunidade protestante dinamarquesa ultrapuritana do século XIX e que é uma homenagem à gastronomia.

“Para mim é um hino à caridade cristã, ao amor”, considera o Papa.

O papa Francisco foi visto de máscara em público, pela primeira vez, nesta quarta-feira (9), acessório que ele removeu rapidamente antes de sair do carro que o transportava para a audiência geral.

Após seis meses das tradicionais audiências das quartas-feiras gravadas ao vivo de sua biblioteca privada, o sumo pontífice retomou este encontro na presença dos fiéis.

A sessão foi realizada para uma multidão de cerca de 500 pessoas, ao ar livre, mas em um pátio fechado do palácio apostólico.

Depois de tirar a máscara, o papa evitou apertar mãos e beijar as crianças, como fazia antes na imensa Praça de São Pedro.

Adepto do contato humano direto, porém, ele se aproximou dos fiéis, que se aglomeravam ao longa barreira de proteção instalada, em vez de permanecerem nas cadeiras espalhadas no local.

Alguns dos presentes baixavam a máscara para cumprimentá-lo melhor, enquanto outros colocavam um presente em suas mãos.

Antes de iniciar sua catequese e após apertar as mãos das autoridades religiosas que participaram da audiência, Francisco recomendou à multidão, sorrindo, que "cada um voltasse para sua cadeira" para "evitar o contágio".

Desde o início da pandemia da Covid-19, o papa parece pouco preocupado com a própria saúde. Aparecendo sistematicamente sem máscara ao recepcionar seus visitantes dentro do palácio apostólico, embora receba muito menos grupos do que antes.

O papa Francisco advertiu fiéis que se aglomeravam durante sua audiência geral semanal no Vaticano, nesta quarta-feira (9).

Ao chegar ao Pátio San Damaso, novo local da celebração, o líder católico convidou os peregrinos a manterem o distanciamento interpessoal.

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"Não se aglomerem, tem cadeira para todos para evitar contágios", declarou o Pontífice antes do início da catequese.

As audiências semanais com público foram retomadas em 2 de setembro, após seis meses realizadas apenas via streaming devido à pandemia do novo coronavírus.

A celebração acontece agora no Pátio San Damaso, que tem capacidade menor que a da Praça São Pedro, palco costumeiro do evento. 

Da Ansa

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