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Um dos compromissos de Thelma Assis, vencedora do BBB 20, nesta terça (19), foi uma visita à delegacia. Em seu Instagram, ela compartilhou o momento de sua ida ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), acompanhada da hashtag #fogonosracistas.

Thelminha, como é chamada, não especificou o motivo de sua ida à delegacia. No entanto, em maio de 2020, durante uma live com a repórter Luanda Vieira, as duas foram alvo de comentários racistas e acabaram  interrompendo a transmissão para comentar sobre a situação.

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Na postagem, além da hashtag #fogonosracistas, a campeã do BBB deixou um recado bem direto aos que se aproveitam do anonimato da internet para desferir discursos de ódio. “ Eu sempre disse que internet não era terra de ninguém. Grande dia”. 

A primeira bailarina negra do Staatsballett de Berlim, Chloé Lopes Gomes, afirma ter sofrido racismo dentro da companhia, uma acusação que levou a direção a ordenar uma investigação interna.

Um dia, a professora de balé da renomada companhia distribuiu um véu branco para as bailarinas usarem em uma cena de "La Bayadera", uma obra do repertório clássico do século XIX.

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Quando chegou a vez da francesa de 29 anos, a professora "soltou, rindo: 'Me recuso a te dar, porque este véu é branco e você é negra'", conta a bailarina à AFP.

Uma outra dançarina da companhia, que pediu anonimato, confirmou: a professora de balé "disse isso como se fosse uma piada (...). Fiquei muito chocada".

'Assédio moral'

Chloé Lopes Gomes, formada na escola de Bolshoi, sentiu-se humilhada, mas não surpresa. Desde que chegou em Berlim em 2018, ela afirma ser vítima de "assédio moral" por parte dessa professora.

"Durante o primeiro ensaio do 'Lago dos Cisnes', éramos seis novas bailarinas, mas todas as correções eram direcionadas a mim", insiste.

Os comentários duraram meses. "Ela me dizia: 'quando você não está na fila, só você é vista porque você é negra'". A outra bailarina também confirmou esse comentário.

A jovem, de mãe francesa e pai do Cabo Verde, seguiu em frente porque é uma "batalhadora" que quer provar "que merece seu lugar".

Mas o estresse cobrou seu preço. Ela acabou machucando o pé, o que provocou oito meses de descanso e um tratamento com antidepressivos.

Quando voltou, em fevereiro passado, a professora quis forçá-la a usar maquiagem branca mesmo depois de um co-diretor se opor a esta prática e ir embora.

"Branquear a minha pele era como renunciar à minha identidade", protesta a ex-bailarina da Ópera de Nice e do Béjart Ballet de Lausana.

Quando tomou ciência dos acontecimentos no outono, a direção da Staatsballett, que emprega pessoas de 30 nacionalidades diferentes, ficou atônita.

"Pela nossa diversidade simplesmente não pensávamos que pudéssemos ser afetados pelo racismo no dia a dia. Realmente nunca pensamos nisso. Mas estávamos equivocados", reconheceu a diretora interina, Christiane Theobald, em uma entrevista por telefone na qual se opôs a forçar os artistas negros a usar maquiagem branca.

Em dezembro, a Staatsballett criou uma célula de investigação interna. "Todos os funcionários podem apontar anonimamente todos os eventos de discriminação", afirmou Theobald.

A professora de balé se recusa a comentar o ocorrido e, por motivos legais, a direção não quis se pronunciar sobre possíveis medidas disciplinares.

Apesar de tudo, Chloé Lopes Gomes deixará a Staatsballett em julho porque seu contrato não foi estendido.

Neste ambiente "muito elitista e fechado", ela sabe que há vários obstáculos pelo caminho. Mesmo assim, quer acabar com o racismo sofrido por bailarinos pardos ou negros no balé clássico, quase exclusivamente branco.

Ela não é a única. Bailarinos da Ópera de Paris, incluindo seu irmão Isaac Lopes Gomes, reivindicam mais diversidade.

'Kirikú'

"Não conheço uma pessoa que não tenha que aguentar comentários racistas como: 'você tinha que alisar o cabelo porque tem uma juba de leão, tem que colocar sua bunda de negra para dentro, você pula como Kirikú (menino africano de um filme de desenho animado)".

Desde que calçou as primeiras sapatilhas de balé quando era pequena em Nice, Chloé Lopes Gomes sentiu que era diferente.

"Nunca tinha maquiagem adaptada para o meu tom de pele, eu tinha que levar a minha", explica. "Também era a única que tinha que fazer meus próprios penteados" porque as cabeleireiras não gostam de cabelos crespos.

Ela queria tanto se encaixar, que aceitava. "Mas são os detalhes que te fazem se sentir excluída", continua.

É uma batalha difícil. O balé romântico é regido por regras estritas que datam do século XIX e que foram projetadas para dar uma impressão de homogeneidade.

Chloé Lopes Gomes é contra isso. "Estou cansada de ouvir que não se pode contratar negros porque não temos os corpos para a dança clássica. É só um pretexto".

Os jogadores Gerson, do Flamengo, e Juan Pablo Ramírez, do Bahia, terão de prestar depoimento ao STJD em 3 de fevereiro. O camisa 8 do time carioca acusa o colombiano de tê-lo chamado de "negro" em tom pejorativo no duelo entre suas equipes no Maracanã. O tribunal quer ouvi-los, assim como as outras testemunhas, em depoimentos presenciais.

No meio da semana passada, o STJD havia aberto inquérito para investigar a acusação de injúria racial prestada contra Ramírez. Os flamenguistas Bruno Henrique e Natan já haviam prestado depoimento como testemunhas, mas sem necessidade de comparecimento ao tribunal. O ex-técnico do Bahia, Mano Menezes, não foi convocado.

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Gerson ficou bastante irritado com o rival em um bate-boca dentro de campo. O Bahia chegou a afastar Ramirez depois da acusação, mas após a instalação de uma sindicância própria não flagrar o insulto, o reintegrou. O meia já voltou a atuar, fez gols e diz que o caso "faz parte do passado" e evita declarações. Mas terá de se explicar ao tribunal.

O auditor nomeado para ser o relator do caso é Mauricio Neves Fonseca. Foi ele quem intimou Gerson, Natan e Bruno Henrique, além de Ramírez. A audiência será na sede do STJD, no Rio.

O depoimento dos jogadores cariocas acontecem a partir das 10h30. O atleta do Bahia dará sua versão do caso às 14h30. Acusação e defesa devem enviar todas as provas em vídeos e áudios até a sexta-feira. O auditor vai concluir o inquérito em até 30 dias.

O artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) fala em punir o atleta que: "praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência". A pena prevista é suspensão de 5 a 10 partidas e multa que varia de R$ 100 a R$ 100 mil.

Um homem negro divulgou no Twitter um vídeo mostrando ele e mais dois amigos, também negros, sendo constantemente monitorados por seguranças enquanto faziam compras em uma unidade do Assaí Atacadista, no Rio de Janeiro. "Eu estou me sentindo cercado", disse Yagoh Jesus em determinado momento da gravação.

Publicada na quinta-feira (14), a gravação teve expressivo alcance na rede social, com mais de 14 mil retuítes. No vídeo, Yagoh grava seguranças passando perto dele com frequência. "Está disfarçando e vindo atrás de mim", diz ao filmar um deles.

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Em determinado momento do vídeo, alguém critica o cliente por estar filmando. "Ele está seguindo, outro está seguindo. A gente vai gravar sim", ele rebate. "Olha que linda a notinha da nossa compra", comenta após pagar os produtos.

Na própria postagem no Twitter, o Assaí Atacadista respondeu sobre o ocorrido. A rede disse sentir muito pela experiência que o cliente teve. "Aproveitamos para informar que não compactuamos com quaisquer atitudes discriminatórias, pois temos o compromisso de promover a diversidade e combater todas as formas de discriminação", diz o texto.

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Entrou em vigor no Estado da Paraíba uma lei que prevê multas para clubes e torcedores que cometerem atos de racismo e LGBTfobia em eventos esportivos. A Lei N° 11.829, de autoria da deputada estadual Estela Bezerra (PSB), também responsabiliza os clubes em casos de omissão, contanto que eles tenham ciência do ocorrido.

Conforme publicado no Diário Oficial da Paraíba nesta quarta-feira, todos os equipamentos esportivos do Estado estão no raio de abrangência da Lei. Ou seja, atos de racismo, LGBTfobia, injúria racial ou injúria LGBTfóbica estão proibidos em estádios de futebol, ginásios poliesportivos, pistas de atletismo e outros espaços voltados à prática esportiva.

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Além disso, os responsáveis pelos equipamentos terão de instalar placas de conscientização em locais específicos que tenham boa visibilidade, como na entrada do recinto, ao lado da bilheteria e no placar ou painel eletrônico. Em casos de estádios, fica sujeita a obrigatoriedade placas na lateral do gramado.

VALORES DA MULTA - Caso o ato seja praticado por pessoas físicas, a lei prevê uma multa de R$ 2.655,50. Em caso de uma pessoa jurídica, R$ 26.555,00. Esses valores, contudo, não são fixos. Isso porque eles são norteados a partir das Unidades Fiscais de Referência da Paraíba (UFR-PB), que variam de mês em mês. Hoje, o valor de uma unidade equivale a R$ 53,11.

Todo valor arrecadado com a aplicação das multas será direcionado ao Fundo de Apoio ao Esporte e Lazer da Paraíba, que o utilizará para a criação de ações educativas de enfrentamento ao racismo e homotransfobia em espaços esportivos.

Dois jovens negros foram expulsos do Salvador Shopping, na capital baiana, em uma ação truculenta de seguranças, no fim da tarde dessa segunda-feira (28). Filmagens e o relato de testemunhas ao Correio 24horas indicaram que um deles foi enforcado e arrastado para fora aos gritos de socorro.

Os seguranças alegam que a dupla era violenta para tentar justificar a forma como a recolheu para os corredores internos. Segundo uma testemunha, os seguranças informaram que eles ameaçavam outros clientes e tentavam vender revistas dentro do centro de compras. “Me disseram que eles abordavam os clientes e xingavam os que não compravam as coisas que eles vendiam. Mas nada justifica a forma como eles agiram”, relatou. 

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Em um vídeo registrado por clientes, um dos jovens grita e tenta fugir dos seguranças. Ele cai no chão, o que não impede de continuar sendo empurrado. Após a detenção no shopping, eles foram levados à polícia, onde um foi liberado e o outro encaminhado para prestar depoimento na Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI).

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O menor que seguiu para esclarecimento já teria uma reclamação de violência no shopping. “O casal nos contou que os meninos não estavam machucados, que eles estavam bem. Disseram que a abordagem policial manteve distância, conferiram o bolso deles, mas não de forma truculenta. Eles não tinham sinais de violência aparentes”, relatou a estudante Júlia Magalhães.

Um grupo de pessoas que acompanhou toda a ação permaneceu no shopping para garantir a integridade da dupla. “Fiquei preocupada vendo essa situação de violência e racismo, por isso, fiquei esperando com outras pessoas para saber como estavam os meninos. Pedimos para ver eles na sala, mas os seguranças barraram a entrada. Depois de um tempo, um casal foi liberado para acompanhar a entrega dos meninos para a polícia”, acrescentou Júlia.

Em nota, o Salvador Shopping lamentou o caso e afirmou que a conduta dos colaboradores está em desacordo com o treinamento periódico na equipe. "O fato está sendo apurado internamente para a individualização das responsabilidades e aplicação das sanções cabíveis. Queremos reiterar que, em momento algum, concordamos com o que acontece nas imagens. O centro de compras reforça que vem dialogando com todos os órgãos competentes sobre o tema", concluiu.

A cantora Ivete Sangalo recebeu, no último domingo (27), o Troféu Mário Lago no programa Domingão do Faustão. Reconhecimento dado por sua contribuição cultural nos últimos anos. Durante o programa, Ivete aproveitou o seu momento de discurso para fazer uma crítica social ao país e levantou questionamentos sobre a desigualdade e preconceito sofrido por 'minorias'.

"Somos conhecidos por nossa alegria e agradeço demais por isso, mas há também de ter um reconhecimento de nossas falhas como sociedade. O nosso país é o que mais mata homossexuais no mundo. O Brasil é um país racista, homofóbico, de feminicídio e de ataques às minorias, que na verdade não são minoria", disse a cantora.

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"Agradeço muito pelo fato de ser uma pessoa famosa, mas sou mãe. O meu filho pode correr na rua sem camisa. Para mim, seria terrível não deixar meu filho andar na rua porque poderia ser alvejado por uma bala... Ou um filho meu ser homossexual e não poder ser feliz. Me perguntam muitas vezes o que eu vou ensinar para minhas filhas sobre esse mundo machista. Não ensino às minhas filhas, ensino ao meu filho que ele tem que entender o seu próprio poder, mas que também precisa respeitar o poder de existência do outro, de quem quer que seja", emendou Ivete.

O nome da artista alcançou os assuntos mais comentados do Twitter após seu discurso na atração, principalmente porque a cantora é conhecida por não se manifestar em assuntos de políticas sociais e é sempre discreta ao levantarem polêmicas com o seu nome.

O Bahia divulgou uma carta aberta no início da tarde desta quinta-feira para informar que os laudos das perícias contratadas pelo clube não comprovaram a denúncia de injúria racial feita contra o atleta Índio Ramírez e que, portanto, o jogador será reintegrado ao elenco. Além disso, o texto menciona diversas medidas estruturais adotadas para evitar e combater o racismo na instituição e no futebol, de maneira geral.

Índio Ramírez estava afastado de todas as atividades do Bahia desde o último domingo, quando o clube decidiu que abriria uma investigação interna para apurar se o meia-atacante realmente disse a frase "cala a boca, seu negro" para Gerson, do Flamengo, no duelo do último domingo, vencido pelo time rubro-negro por 4 a 3, no Maracanã. No dia seguinte à partida, o atleta colombiano se defendeu das acusações e afirmou que foi mal compreendido por Gerson.

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"O clube entende que, mesmo dando relevância à narrativa da vítima, não deve manter o afastamento do atleta Índio Ramírez ante a inexistência de provas e possíveis diferenças de comunicação entre interlocutores de idiomas diferentes", disse o clube. "O papel do Bahia é de formação e transformação, sempre preservando os direitos fundamentais e a ampla defesa. O atleta deverá ser reincorporado ao elenco tão logo os profissionais da comissão técnica e psicólogos entendam adequado", acrescentou o comunicado.

"O futebol é reflexo de uma sociedade que, quando não nega o racismo, adere a um populismo punitivista que finge resolver o problema apenas punindo o agressor. Atos de discriminação racial não são "casos isolados", avaliou o clube baiano, que destacou seis medidas tomadas para combater a discriminação racial e outros preconceitos, incluindo uma cláusula antirracista nos contratos dos jogadores, por "entender seu papel de entidade de interesse público".

Na carta, o Bahia também afirmou que "seguirá acompanhando os desdobramentos que ocorrerem fora das instâncias do clube, seja na Polícia Civil ou no Superior Tribunal de Justiça Desportiva". Vale ressaltar que Gerson já prestou depoimento na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância do Rio de Janeiro (Decradi), e que Ramírez, o técnico Mano Menezes, do Bahia, e o árbitro da partida, Flávio Rodrigues de Souza, também foram intimados a depor.

Confira as medidas adotadas pelo Bahia: inclusão de cláusula antitracista, xenofóbica e homofóbica no contrato dos atletas; proposta de criação de protocolo antidiscriminatório para jogos de futebol no Brasil; implantação do projeto "Dedo na Ferida" para o elenco na pré-temporada. Não haverá jogador ou jogadora que vista a camisa do Bahia sem que tenha antes a oportunidade de obter acesso a uma imersão sobre racismo estrutural; encaminhamento junto à mesa do Conselho Deliberativo do clube para incorporação de cotas raciais nas próximas eleições; inclusão de espaço no Museu do Bahia dedicado ao combate e debate do racismo, xenofobia, sexismo e LGBTfobia e demais formas de intolerância e apoio ao projeto de lei que Cria o Dia Nacional Da Luta Contra o Racismo no Futebol.

Na última quarta, o Bahia já tinha comunicado que um dos cinco especialistas consultados pelo clube negou que Ramírez tenha chamado Bruno Henrique de "negro" na partida, em outro bate-boca posterior à discussão com Gerson. O chileno Eduardo Llanos, que tem o espanhol como língua materna, considerou que Ramírez perguntou "tá quanto?" a Bruno Henrique. Já o Flamengo alega que três especialistas em leitura labial ouvidos pelo clube apontaram que o atleta do Bahia teria chamado Bruno Henrique de "negro" e que entregaria a prova à polícia e ao STJD.

Outro profissional contratado pelo Bahia, o perito argentino Roberto Niella, também emitiu laudo em que descarta que Ramírez tenha proferido a palavra "negro" durante bate-boca com Bruno Henrique. Essa também foi a avaliação do Instituto Brasileiro de Peritos (IBPTECH), do perito baiano Antonio César Morant Braid e do paulista Mauricio Raymundo de Cunto, todos procurados pelo time baiano.

Vale lembrar que o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) também deve analisar o caso. Ramírez está sujeito a duas punições. Ele pode ser obrigado a pagar multa de até R$ 100 mil e ficar afastado dos gramados por até dez jogos. Isso se for condenado por ato discriminatório, que está previsto no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).

Jovem e carismático, o rapper Emicida construiu um império cultural a partir da periferia de São Paulo, fundindo diferentes ritmos, realidades e perspectivas de um país polarizado com desigualdades abismais e um "racismo sofisticado e letal". Seu segredo? Ser o ponto de encontro dessas correntes e tensões.

"O que caracteriza a sociedade brasileira é o encontro: com todas suas tragédias, com toda sua barbárie, ainda assim é um encontro", revela em entrevista à AFP o artista, cuja trajetória - que inclui música, literatura, moda e televisão - acaba de ser relatada no documentário "AmarElo - É Tudo Pra Ontem", produzido pela Netflix.

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"Talvez os melhores cartões postais do Brasil sejam por causa do encontro entre samba, gastronomia, nossa arte como um todo. Eu me dedico a utilizar essa força do encontro para questionar todos esses pilares opressores que construíram nossa história", reflete o músico de 35 anos.

Leandro Roque de Oliveira, que ganhou fama como Emicida, conta que anos atrás tentou construir pontes por meio das palavras, mas agora faz isso através das emoções que suas histórias expressam.

"Diferente do racional, a emoção cria uma ponte antes da gente entender alguma coisa", explica.

Racismo "sofisticado e letal"

A temática racial é um eixo da obra do artista, negro e de origem pobre, embora seu repertório seja tão amplo e complexo quanto o Brasil, um país de 211,8 milhões de habitantes e o último da América a abolir a escravidão (1888).

Para Emicida, o Brasil criou "uma mitologia a respeito de si mesmo de que esse tipo de segregação não se reproduz no seu solo, porque só há racismo de fato em lugares como Estados Unidos ou na África do Sul, quando na verdade a especificidade do racismo brasileiro é muito sofisticada".

Os brasileiros se orgulham de sua miscigenação nas escolas de samba ou nas festas populares, "mas não se consideram na obrigação de reivindicar o reconhecimento dessa miscigenação quando observam, por exemplo, o retrato das pessoas que são aprovadas para ser os juízes e fazer parte do sistema judiciário no Brasil onde a gente só vê pessoas brancas".

"Esse tipo de paradoxo só pode ser produzido por uma sociedade que tem um racismo extremamente sofisticado e letal", afirma.

Nos últimos anos, "a sociedade brasileira baixou a guarda [...], mas quando você tem uma história colonial tão bárbara, a manutenção da liberdade exige vigilância constante", alerta.

No Brasil, 55% da população se define como negra ou parda, mas 75,7% das vítimas de homicídio correspondem a esse grupo, segundo o Atlas da Violência publicado em agosto pelo IPEA.

Ainda assim, o presidente Jair Bolsonaro e seu vice, Hamilton Mourão, afirmam que "não há racismo no Brasil".

Emicida analisa essas posições de uma perspectiva mais ampla e aborda, como exemplo, a constante negação de Bolsonaro da gravidade da pandemia de covid-19, que já deixou mais de 188 mil mortos no país.

"Se essas pessoas não conseguem ter uma análise sensível em cima de 180 mil corpos, como a gente vai ter a expectativa de que eles vão ser mais inteligentes na análise de uma situação mais complexa [como o racismo]?", questiona.

Existe "um movimento para tirar o país das pessoas, a cultura das pessoas. Não é à toa que a cultura tem sofrido tantos ataques na gestão do Bolsonaro, porque ele quer esvaziar nossa existência de sentido, nos cansar fazendo a manutenção do caos para que a gente chegue no final do dia acreditando que não há solução", diz Emicida.

O artista, porém, aponta que "o superpoder do brasileiro médio é chegar no final do dia e encontrar uma solução às vezes milagrosa".

Emicida conta que suas duas filhas, de 2 e 10 anos, o tornaram um homem mais esperançoso, que trabalha para deixar um mundo melhor do que o que ele encontrou.

E acredita que o desafio da sociedade é trabalhar para que o país real, aquele que ocorre nas ruas, floresça.

O filme "AmarElo - É Tudo Pra Ontem" narra um Brasil a partir de sua arte e sua música.

O lugar de confluência do passado e do futuro, de pendências e conquistas, é o Theatro Municipal de São Paulo, espaço da elite cultural, onde Emicida entrou pela primeira vez aos 30 anos, quando já era um artista consagrado.

O show que o rapper fez no teatro, em novembro de 2019, constitui o fio da narrativa do documentário e se torna um ato de inclusão e empoderamento.

"Quero convencer as pessoas de que tudo é possível, que precisam se conectar", insiste Emicida, que resume seus mandamentos como uma espécie de sermão que leva à reflexão e dá esperança: "falamos de amor, fé, sonho, comunhão, união e urgência porque no final das contas é tudo para ontem, a gente não tem tanto tempo quanto acha que tem".

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As redes sociais abriram grandes espaços na sociedade atual. Atores, cantores, chefs de cozinha, celebridades em geral ou anônimos, recorrem a essas mídias para se aproximarem de fãs ou conhecer pessoas. 

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Youtubers se tornaram os novos digitais influencers. Como eles, muita gente sonha em fazer carreira na internet.

Em Belém, no momento em que o debate sobre o racismo ganha o mundo, influenciadores pretos estão fazendo a diferença na internet. Amanda Campelo, jornalista e influenciadora digital, traz em seu instagram conteúdos sobre moda, jornalismo e cultura paraense. “Eu comecei a produzir conteúdo mais porque eu sentia uma falta de inspiração e principalmente de representatividade. Eu não me via nas outras meninas que eu já sabia que estavam produzindo conteúdo”, disse. “Eu comecei a produzir para a internet por volta de 2011 e 2012, já fui blogueira, com um blog, e nessa época a maioria das meninas eram do sudeste, do sul. O meu primeiro grande projeto foi muito nesse sentido de querer fazer algo que tivesse a cara de alguém que mora em Belém.”

A jornalista relatou também algumas dificuldades enfrentadas por influenciadores digitais no Brasil e na sua própria cidade. “Falando do Brasil, a dificuldade é que a gente do Norte é invisível, é muito raro ter uma campanha em que chamem alguém daqui. Além da questão de eu ser uma pessoa negra, tem também a questão da quantidade de seguidores. Isso acaba pesando para muitas empresas. Tem muito de as pessoas daqui ainda não entenderem a importância ou simplesmente não ligam para se ter uma proporção nos casts que elas fazem de influenciadores”, assinalou.   

“Essa questão das pessoas acompanharem o conteúdo é uma preocupação que eu sempre tive mesmo quando eu tinha cem seguidores ou mil seguidores, é uma responsabilidade”, comentou Amanda ao ser questionada sobre a influência que ela tem sobre seu público.

“Às vezes de forma mínima a gente tá influenciando as pessoas e servindo de modelo", observou Amanda. "Para mim, o Instagram foi uma mudança de chave nesse requisito, porque quando eu comecei com o blog eu não via muitas meninas negras fazendo isso, ainda mais se tratando de moda que é um ambiente que acaba sendo mais fechado pra gente que é preto.”

“Além dessa questão de ter responsabilidade, de tentar ser um bom exemplo, eu tento também fazer com que outras pessoas também entrem nesse grupo para que cada dia mais a gente tenha não só representatividade mas que a gente tenha proporção nesse meio da produção de conteúdo”, disse a influenciadora .

O jornalista e influenciador digital Kadu Alvorada fala em suas redes sobre sua rotina e vivência diária e viagens e curiosidades do Pará. "Comecei a produzir conteúdo sobre cabelo crespo porque não via nenhum menino paraense fazendo esse tipo de conteúdo. Com o passar dos anos e a minha entrada no mercado de trabalho, fui amadurecendo minhas produções, comecei a falar sobre raça e sexualidade e atualmente falo da minha rotina, vida etc. O que me motiva a continuar é ser inspiração para outras pessoas semelhantes a mim”, relatou.

"Como um produtor de conteúdo que não fala somente de raça, tenho vários recortes e muitas vivências que perpassam a minha pele. Sou jornalista formado, mostro mil cidades e culturas do Pará, mas muitas vezes só se lembram de mim quando falo sobre raça ou quando vêm me cobrar posicionamentos sobre”, disse Kadu acerca dos entraves encontrados por influenciadores pretos.

O jornalista discutiu também um pouco sobre o alcance de seu conteúdo. “Meu conteúdo vai ser sempre pautado nas minhas vivências, seja raça, comunicação, cultura, reforma de casa ou sexualidade”, comentou.

O influenciador relatou também como se sente ao ser considerado referência para outras pessoas. “Fico muito honrado e feliz por estar sendo útil pra alguém. A produção de conteúdo é uma troca de conhecimento e todo dia aprendo e compartilho muita coisa. Amo muito”, disse.

Almir Bekko, estudante de Letras e influenciador digital, aborda assuntos como veganismo, plantas e autocuidados. “Eu acho que tem várias coisas que a gente tem que prestar atenção, uma delas é o fato das redes sociais terem um algoritmo problemático claramente racista. Só que o Instagram é usado por pessoas e essas pessoas são racistas, então obviamente o algoritmo vai reproduzir isso”, disse.

“Outra questão que me incomoda bastante é que as pessoas enxergam conteúdos produzidos por pessoas negras como conteúdos nichados. Eu já vi algumas pessoas falando sobre isso, como uma youtuber chamada Camila De Luccas, ela é negra, ela fala sobre racismo, obviamente porque se a gente não fala, quem vai falar? Só que esse não é o conteúdo dela, ela não fala só sobre racismo, ela fala sobre maquiagem, sobre roupas, sobre cabelo, mas ela sente que as pessoas só estão ali pra ouvir ela de verdade se ela estiver falando sobre racismo. As pessoas preferem seguir uma pessoa branca falando sobre looks e cabelo. Isso é muito complicado, é bem desconfortável na verdade. A gente tem que lutar pra mudar isso no final das contas”, completou Almir.

“No meu Instagram eu quero basicamente falar não sobre mim, mas sobre o que eu gosto. Tanto que eu abordo várias coisas além de racismo. Até porque é muito doloroso falar sobre racismo, eu não quero, não é saudável para mim. Óbvio que eu falo quando necessário mas é doloroso, não é uma coisa que eu quero ficar sentindo toda hora. Eu falo sobre veganismo, é um dos meus focos principais porque é comida e a gente come todo dia. Mas eu falo também um pouco sobre plantas, além de mostrar meus pratos eu mostro as receitas, eu falo um pouco sobre moda porque é uma coisa que eu gosto muito. Eu gosto dessa pluralidade”, relatou.

Por Yasmin Seraphico e Julia Pontes.

 

 

 

Flávio Rodrigues de Souza, árbitro da partida de Flamengo x Bahia, domingo (21), no Maracanã, relatou na súmula não ter visto o suposto caso de racismo do atacante Índio Ramirez, do time baiano, com o meia Gerson, da equipe carioca.

"Aos 7 minutos do segundo tempo houve um conflito entre os jogadores sr. Gerson Santos da Silva, de número 8 da equipe do Flamengo e do atleta da equipe do Bahia de numero 15 sr. Juan Pablo Ramirez Velasquez, onde o jogador do Flamengo alega ter sido chamado de 'negro' por seu adversário mencionado. Informo que este suposto ato não foi percebido por nenhum membro da equipe de arbitragem no campo de jogo."

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O juiz também justificou a expulsão do atacante flamenguista Gabriel Barbosa, aos nove minutos de jogo. "Expulso por dirigir-se a mim de maneira ofensiva e ostensiva após a disputa de uma jogada, dizendo as seguintes palavras: 'Vai tomar no seu .... Após a expulsão o jogador retardou a sua saída do campo de jogo, contestando a decisão da arbitragem."

Segundo o árbitro, informado pelo delegado da partida, Marcelo Vianna, Gabriel seguiu com as reclamações no túnel que dá acesso aos vestiários. "Eu não falei nada disso, mas agora vou falar, vai tomar no..., vai tomar no ...", teria dito o jogador.

Flávio também explicou o motivo do cartão vermelho aplicado a Daniel, do Bahia, aos 45 minutos da etapa final. "Expulso por contestar a decisão da arbitragem de maneira ofensiva, dizendo as seguintes palavras: "Isso é uma vergonha, você é uma vergonha". O jogador deixou o campo de jogo normalmente".

A dançarina e mulher da cantora Ludmilla, Brunna Gonçalves, usou o Twitter na manhã deste sábado (19) para sair em defesa da companheira. A cantora excluiu suas redes sociais devido a ataques racistas.

"Vocês não tem noção de como eu fico vendo ela triste! Isso tem que acabar! Racismo é crime, c****. Parem com isso. Estamos com você Ludmilla", escreveu Brunna.

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Antes de deletar suas contas, Ludmilla afirmou que recebe ataques 24 horas por dia, mas que irá acionar a Justiça para punição dos responsáveis. Brunna saiu em apoio à mulher e afirmou que os responsáveis irão pagar pelas mensagens preconceituosas. 

"Não temos um dia de paz, todo dia ela é atacada por nada! Vocês vão pagar por tudo isso! Racistas não passarão!", escreveu Brunna

Ludmilla não está mais disponível nas redes sociais. Na última sexta (18), cansada de receber comentários de cunho racistas, a cantora decidiu deletar seus perfis e dar um tempo da internet. Indignada com o desrespeito, ela deixou um recado antes de deletar suas contas e prometeu tomar providências contra cada pessoa que a tenha ofendido. 

Antes de sair das redes, Ludmilla postou alguns prints de comentários racistas que ela costuma receber. "É daí pra pior. Vocês não têm noção do que eu passo com essas pessoas. São 24 horas por dia de comentários racistas em todas as minhas postagens, mas eu estou tirando print de tudo porque isso é crime e vai pagar um por um”, disse a artista. Em seguida, Lud deletou seus perfis no Twitter e Instagram; o perfil no Facebook segue ativo. 

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Na manhã deste sábado (19), o nome da cantora figurava entre os assuntos mais comentados do Twitter. O público manifestou solidariedade e apoio à cantora e a hashtag “Estamos com você Ludmilla” ficou no alto dos Trending Topics.

 

Uma acusação de racismo em um torneio de futebol para crianças virou caso de polícia em Goiás. Nesta semana, em vídeo, o garoto Luiz Eduardo Bertoldo Santiago, de 11 anos, da Uberlândia Academy, disse ter ouvido a frase "Fecha o preto aí" durante uma partida em Caldas Novas pelo torneio Caldas Cup, uma competição infantil de escolinhas de futebol. Após a abertura do Boletim de Ocorrência sobre o caso, os organizadores da competição decidiram suspender o técnico do time acusado de ser o autor da injúria.

O vídeo gravado depois da partida mostra Luiz Eduardo chorando enquanto reclama do que ouviu dentro de campo na partida contra o Instituto S.E.T. pela categoria sub-11. "O cara falava assim 'Fecha o preto aí, ó!'. Aí eu aguardei para falar no final com os pais. Falou um tantão de vezes", disse o menino.

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O perfil da rede social da Uberlândia Academy divulgou o vídeo, acompanhado do relato de que acionou a Polícia Militar e registrou Boletim de Ocorrência. "De antemão manifestamos que iremos até às últimas instâncias em defesa de nosso aluno e contra mais um ato deplorável que mancha a imagem do futebol", escreveu o time.

Segundo a publicação, o garoto saiu de campo chorando após o time ter vencido por 3 a 1 e relatou a adultos o que havia se passado. "Luiz Eduardo Bertoldo Santiago saiu de campo depois de mais uma vitória e, imediatamente começou a chorar. Preocupados com a situação, alguns pais foram conversar com ele. Em prantos, Luiz Eduardo disse aos pais que o técnico da equipe adversária se dirigiu a ele com palavras de cunho racista", relata o texto.

Nesta sexta, o técnico acusado gravou um vídeo para se explicar. Lásaro Caiana nega as acusações. "Como vou ofender um outro irmão de cor? Isso é impensável", afirmou. Ele afirma ter sido surpreendido pelo envolvimento do seu nome no caso. De acordo com o treinador, após a partida, ele foi questionado se sabia quem havia sido o autor da frase e nesse momento houve uma discussão.

"Quem foi injuriado racialmente foi a minha pessoa pelo presidente do clube, Adriano dos Santos, vulgo Adriano Futsal, que me ameaçou de morte e me chamou de 'preto safado'. Na delegacia foi tudo resolvido de forma pacífica. E eles postaram esse vídeo pra denegrir minha imagem e do meu clube", disse Caiana. "Ninguém tem prova de quem ofendeu, ninguém filmou nada, ninguém ouviu e sabe dizer quem foi", comentou.

Também nesta sexta foi a vez de o próprio torneio se manifestar. A página oficial da Caldas Cup comunicou que Caiana foi suspenso do torneio até que o caso seja esclarecido pela polícia. "A organização estará sempre presente para que os fatos sejam apurados pelas autoridades competentes para que a diferença de cor seja só na camisa", diz o texto.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) incluiu racismo na denúncia e acusou seis pessoas pelo homicídio de João Alberto Freitas, nesta quinta-feira (17). A vítima, um cliente negro de 40 anos, foi espancada e asfixiada até a morte no estacionamento da unidade de Passo D'Areia, no dia 19 de novembro, às vésperas do Dia da Consciência Negra.

O subprocurador do MP-RS, Marcelo Dornelles, ressaltou o conceito de racismo estrutural para repudiar a ação dos seguranças do supermercado. "Despreparo dos agentes de segurança, desprezo e desprestígio daquelas pessoas. Por isso, essa discussão fundamental do racismo estrutural. As pessoas esperam que, quando tenha racismo, as pessoas digam: 'estou te matando porque tu és negro'", criticou.

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Os seguranças terceirizados Giovane Gaspar da Silva e Magno Braz Borges, além dos funcionários do Carrefour, Adriana Alves Dutra, Paulo Francisco da Silva, Kleiton Silva Santos e Rafael Rezende, vão responder por homicídio triplamente qualificado com dolo eventual, por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. O preconceito racial foi incluso nas qualificações.

"Além do torpeza ligada ao preconceito racial, nós temos o uso do meio cruel que seria asfixia, além da agressão brutal e desnecessária, junto ao final com o recurso que dificultou a defesa, exatamente por essa superioridade numérica, sempre há impossibilidade de resistência da vítima, que vai a óbito após cinco minutos de manejo cruel por parte de seus agressores", explicou o promotor André Martinez.

Também foram instaurados mais três inquéritos civis pelo órgão. Um sobre danos morais coletivos, outro para apurar a política de direitos humanos do grupo Carrefour e mais um referente à postura da Brigada Militar na fiscalização de empresas privadas de segurança.

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A aprovação, na Câmara Federal, da adesão do Brasil à Convenção Interamericana contra o Racismo foi comemorada pelo deputado José Queiroz (PDT), em Reunião Plenária na Alepe. O compromisso internacional acatado pelos deputados federais na última quarta (9) exige que o Brasil aja para prevenir, eliminar, proibir e punir todos os atos e manifestações de racismo, discriminação racial e formas correlatas de intolerância.

“Foi uma votação histórica, em que a Câmara marcou posição em uma Sessão Plenária presidida por um negro, o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP)”, salientou Queiroz. A adesão foi proposta no Projeto de Decreto Legislativo nº 861/2017, aprovado com 417 votos a favor e 42 contrários, em Segunda Discussão. Se também receber aval do Senado com quórum equivalente ao de uma emenda constitucional (mais de 3/5 dos votos), o instrumento passará a ser considerado parte da Constituição Federal.

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A Convenção inclui um compromisso para combater “qualquer ação repressiva fundamentada em discriminação em vez de basear-se no comportamento da pessoa ou em informações objetivas que identifiquem seu envolvimento em atividades criminosas”. O documento também prevê que os países participantes devem se comprometer a garantir sistemas políticos e jurídicos que “reflitam adequadamente a diversidade de suas sociedades”.

“É preciso, porém, não apenas se declarar contra o racismo, mas ter práticas para combatê-lo dentro e fora dos parlamentos. Precisamos apoiar aqueles que mostram o racismo estrutural, revelam as manifestações de preconceito, apontam todos os crimes e mortes que são impostos à juventude negra”, ressaltou Queiroz.

Governo Federal – Na ocasião, o pedetista voltou a criticar a política do presidente Jair Bolsonaro em relação à pandemia. “Enquanto as medidas de todos os governos do mundo são para antecipar, ao máximo, a utilização das vacinas contra o novo coronavírus, o Governo brasileiro propõe apenas meros paliativos e não antecipa a criação de uma estrutura para proteger nossa população”, declarou.

Ele também repudiou um comentário de Bolsonaro sobre terapia com ozônio para tratar a doença. Registrado em 27 de novembro, o vídeo em que o governante gargalha ao falar do assunto foi exibido pelo deputado durante a sessão. “É um episódio triste, melancólico, de zombaria”, comentou Queiroz, salientando o saldo de 1,6 milhões de mortos no mundo pela Covid-19, dos quais mais de 179 mil no Brasil, com 848 mortes só nessa quarta. Ao fim do discurso, o parlamentar leu uma mensagem enviada por um cidadão: “Este presidente é um monstro, é a reencarnação de Hitler”, dizia.

A frase foi condenada pelo líder da Oposição, deputado Antonio Coelho (DEM). “É repulsiva a noção de que a gente possa igualar um um ditador totalitário de um regime fascista e racista com um presidente que governa um dos países mais heterogêneos e tolerantes do mundo, e que faz isso em diálogo constante com o Congresso, reiterando seu compromisso com as instituições estabelecidas e a democracia”, declarou. Ele pediu que o colega retirasse a declaração e que a presidência a removesse das notas taquigráficas.

Em resposta, Queiroz argumentou que o comentário não poderia ser retirado, pois não era dele, e sim de um terceiro. Após isso, o presidente da Alepe, deputado Eriberto Medeiros (PP), determinou que a frase fosse registrada entre aspas nos anais do Poder Legislativo Estadual, para deixar claro que não foi proferida, originalmente, por um parlamentar.

*Do site da Alepe

Seis pessoas foram indiciadas por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, asfixia e recurso que impossibilitou a defesa de João Alberto Silveira Freitas. Ele foi morto no último dia 19, após ser espancado por dois seguranças, dentro de um Carrefour de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Nesta sexta-feira (11), as autoridades apresentaram o resultado das investigações, que revelam que o cliente foi morto por asfixia.

"A investigação conseguiu verificar e trazer à tona, situação fáticas, jurídicas, como de racismo estrutural, a normalização de ações que passam a fazer parte do cotidiano normal das pessoas. Conjugamos com o que vimos e ouvimos nos depoimentos. Se a vítima fosse outra, se fosse alguém de condição social diferente, a situação poderia ser outra. Atos de discriminação foram feitos de forma desproporcionada. Seis pessoas sobre o domínio deste fato, então todas essas pessoas contribuíram para o desfecho final", ressaltou a delegada Roberta Bertoldo ao G1.

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Por meio das provas analisadas, o inquérito aponta um exagero nas agressões, que seriam por causa da fragilidade socioeconômica da vítima. Embora a família de Aberto indique que o assassinato foi decorrente de racismo, os indiciados não vão responder por injúria racial. "Seis indiciados por homicídio triplamente qualificado, três pessoas que já eram de conhecimento da imprensa, e que já estão presas, e outras três, que no final do relatório, são apontadas", informou a chefe da Polícia Civil, Nadine Anflor.

Os indiciados que já foram presos são os seguranças Giovane Gaspar da Silva, de 24 anos, e Magno Braz Borges, de 30, e a fiscal do mercado que tentou impedir a filmagem, Adriana Alves Dutra, de 51. Os novos indiciados são outros dois funcionários do mercado, Kleiton Silva Santos e Rafael Rezende, e um colaborador da empresa de segurança Vector, identificado como Paulo Francisco da Silva. "Depoimentos que denotam a indiferença dos funcionários vinculados à empresa Carrefour e à empresa Vector no tocante às ações que cometiam contra a vítima", interpretou a Polícia Civil.

Para tentar justificar a ação desproporcional no estacionamento do mercado, funcionários chegaram a alegar que o cliente era conhecido da segurança por recorrentes casos de importunação, em que aparentava estar alcoolizado. "Dois dias antes do fato João Alberto foi ao supermercado em ações de importunação a outros clientes, em outros episódios, seguranças o abordaram, dissuadiu do comportamento e deixou o supermercado. Mas eram outros funcionários e esse evento em nada implicou nesse desfecho depois no supermercado", complementou a delegada.

O Comitê Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos (USOPC) surpreendeu, nesta quinta-feira (10), ao anunciar que não vai punir atletas por eventuais protestos e demonstrações de apoio a causas de justiça social ou racial. Além disso, a entidade pediu mudanças na Regra 50 da Carta Olímpica, que impede este tipo de manifestações nos eventos esportivos.

"Tomamos a decisão de que os atletas do 'Team USA' não será punidos pelo USOPC por demonstrações pacíficas e respeitosas em apoio à justiça social e racial para todos os seres humanos", diz comunicado assinado pela CEO do Comitê, Sarah Hirshland.

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"O USOPC valoriza as vozes dos atletas americanos e acredita no direito deles de defender causas de justiça social e racial e que eles são uma força positiva para a mudança, totalmente alinhados com os valores fundamentais de igualdade que definem o 'Team USA' e os movimentos olímpicos e paralímpicos", completou a dirigente.

Além disso, a CEO pediu ao Comitê Olímpico Internacional (COI) para alterar a controversa Regra 50, que impede "qualquer demonstração de propaganda política, religiosa ou racial em qualquer área, local ou equipamento da competição olímpica". "Vamos continuar a trabalhar com o Comitê Olímpico Internacional e com o Comitê Paralímpico Internacional para que consideram a possibilidade de fazer uma emenda na Seção 2.2 da Regra 50 da Carta Olímpica."

Ela alega que a questão dos direitos humanos não se enquadram nesta regra. "É necessário afirmar inequivocadamente que os direitos humanos não são uma questão política e que pedidos pacíficos por igualdade e equidade não podem se confundir com demonstrações de divisão."

No mesmo comunicado, Hirshland pediu desculpas em nome da entidade por não ter apoiado atletas como John Carlos e Tommie Smith, que se tornaram famosos nos Jogos Olímpicos da Cidade do México, em 1968, quando protestaram contra a segregação racial nos EUA com os punhos apontados para o céu.

"Está claro agora que esta organização deveria ter apoiado, ao invés de ter condenado. Por isso, pedimos desculpas. E espero por um futuro onde as regras serão claras, onde as intenções serão melhor compreendidas e as vozes serão empoderadas", disse a dirigente.

Hirshland também lamentou por ter repreendido os atletas Gwen Berry, do lançamento do martelo, e Race Imboden, da esgrima, por terem violado a Regra 50 durante os Jogos Pan-Americanos de Lima, no ano passado. Na ocasião, Berry levantou o punho e Imboden se ajoelhou no pódio da competição.

Um dos líderes do movimento de jogadores de Paris Saint-Germain e Istanbul Basaksehir que deixaram o campo no começo do jogo entre as equipes nesta terça-feira (8) em protesto contra o racismo, pela Liga dos Campeões, o brasileiro Neymar falou sobre o caso e citou outro episódio ocorrido meses antes, no Campeonato Francês. As declarações do atacante vieram nesta quarta (9), após PSG e Basaksehir voltarem a campo para concluir o confronto.

"A gente tem que fazer isso. Fizemos muito bem. Foi o que deu na minha cabeça, foi o que eu deveria ter feito na primeira vez", disse Neymar à Telefoot. Na terça, jogadores dos dois times deixaram o campo após ofensa racista do quarto árbitro Sebastian Coltescu.

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O atacante se referiu ao caso vivido em setembro, quando acusou o zagueiro Álvaro González, do Olympique de Marselha, de proferir injúrias raciais. Na época, o brasileiro foi expulso por agredir o adversário e se revoltou antes de deixar o campo.

"É uma coisa muito séria, muito delicada. Infelizmente, ocorreu essa situação, que é bem chata. Aconteceu comigo no começo da temporada. Senti na pele e sei que não é legal sofrer qualquer ato ou insinuação por sua cor, por sua raça", afirmou Neymar nesta quarta.

Na partida retomada contra o Istanbul Basaksehir, o craque da seleção brasileira brilhou e marcou três na goleada francesa por 5 a 1, cerca de 24 horas depois de os atletas terem deixado o Parque dos Príncipes, em Paris, acusando Sebastian Coltescu de racismo.

O quarto árbitro foi acusado de injúria racial contra o camaronês Pierre Webó, membro da comissão do Basaksehir. Neymar e o atacante francês Kylian Mbappé, do PSG, disseram ao juiz Ovidiu Hategan que sairiam do jogo caso Coltescu não fosse retirado da partida.

O movimento ocorreu depois de Webó acusar o quarto árbitro de racismo e de o atacante senegalês Demba Ba liderar o movimento para que os atletas deixassem o gramado do estádio em protesto.

Além de comentar o caso desta terça, Neymar falou sobre seu futuro no PSG. "Estou muito feliz aqui em Paris, muito feliz no clube, com meus companheiros. Não passa pela minha cabeça sair daqui", disse o atacante brasileiro à RMC Sport.

"Mas as coisas têm que ser discutidas. Temos uma relação muito boa hoje, estou muito feliz e veremos o que acontece no futuro", ponderou o jogador, que declarou recentemente que gostaria de jogar com o atacante argentino Lionel Messi, do Barcelona, onde Neymar jogou.

De todo modo, o presidente do PSG, Nasser Al-Khelaifi, confirmou à RMC que as negociações estão no caminho certo tanto com Neymar quanto com Mbappé. O contrato dos dois atacantes se encerra em 2022.

"É algo confidencial, mas estamos muito confiantes. Os dois querem ficar", afirmou. "Respeitamos outros clubes e precisamos que outros nos respeitem. Para mim, Messi é um jogador do Barcelona, respeitamos o Barcelona, por isso não vamos falar sobre isso", disse.

Um dia depois de deixarem o campo revoltados por um episódio de racismo, Paris Saint-Germain e Istanbul Basaksehir retomaram a partida da Liga dos Campeões nesta quarta-feira com uma série de ações e protestos contra o preconceito. O jogo na capital francesa teve vitória do time da casa por 5 a 1 e grande atuação de Neymar, autor de três gols. A partida pouco mudou a situação dos dois times no torneio, mas mostrou um contundente posicionamento do futebol diante do racismo.

Na terça-feira o jogo foi interrompido aos 13 minutos depois de o quatro árbitro, o romeno Sebastien Coltescu, se dirigir de maneira ofensiva e preconceituosa ao camaronês Pierre Webó, ex-atacante e atual assistente técnico da equipe turca. Os times se recusaram a continuar a partida e deixaram o campo. A solução da Uefa foi retomar o jogo nesta quarta-feira com uma nova equipe de arbitragem.

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Os jogadores voltaram ao Parque dos Príncipes um dia depois da confusão da terça-feira e encontraram um ambiente bem diferente. O clube francês espalhou pelo estádio faixas de apoio ao camaronês Pierre Webó e com mensagens contra o racismo. Uma delas, inclusive, estava em posição prestigiada dentro do estádio, próxima ao meio-campo.

Os jogadores dos dois times levaram também esse mesmo recado nas camisas utilizadas no aquecimento. As peças na cor branca traziam o escudo das equipes junto com a expressão "Não ao racismo". Um dos que a utilizou foi justamente Webó. O camaronês que trabalha de assistente técnico da equipe turca vestiu a camisa e acompanhou de perto o trabalho de aquecimento junto com os atletas.

Antes do início do jogo, os atletas se reuniram no círculo central. Os dois times se uniram e os jogadores, de maneira intercalada, se posicionaram no meio-campo e se ajoelharam. Alguns até levantaram o punho cerrado, um símbolo da luta contra o racismo. Os novos árbitros designados para a partida também acompanharam o protesto. O conjunto romeno deu lugar a holandeses, italianos e poloneses no apito.

A partida foi retomada aos 13 minutos. Em vez de recomeçar no meio-campo, uma cobrança de falta do time turco selou o início. Com o Istanbul já eliminado da competição e o PSG garantido nas oitavas de final, restava saber apenas se o time francês passaria em primeiro lugar da chave ou não. Para confirmar a liderança, a equipe da casa precisava vencer e começou com um ritmo muito forte.

Aos 20 minutos, Neymar colocou a bola entre as pernas do zagueiro Ponck e chutou no ângulo para abrir o placar. O segundo gol veio também com o camisa 10, que finalizou um contra-ataque aos 38 minutos. Novamente o brasileiro foi protagonista ao sofrer um pênalti no fim do primeiro tempo. Mbappé cobrou, converteu e fez o PSG terminar o primeiro tempo com 3 a 0 o placar.

Depois do intervalo, Neymar marcou de novo, desta vez em um chute de fora da área aos 5 minutos. Topal diminuiu para os turcos na sequência. Porém, logo depois Mbappé voltou a marcar pelo time parisiense para fechar o placar em 5 a 1. O resultado, no entanto, pouco deve ser lembrado futuramente. O encontro entre os times ficará marcado pelas manifestações contra o racismo.

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