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Um ataque israelense em Damasco matou, neste sábado (20), cinco pessoas em um prédio onde estavam reunidos "líderes pró-iranianos", informou uma ONG síria.

"Um ataque israelense com míssil atingiu um edifício de quatro andares e matou cinco pessoas", reportou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), ressaltando que o bombardeio "destruiu o prédio inteiro, onde estavam reunidos líderes pró-iranianos".

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O OSDH é uma ONG com sede no Reino Unido e ampla rede de informantes na Síria.

Segundo a organização, o bairro em questão é conhecido por abrigar facções palestinas pró-iranianas e comandos dos Guardiões da Revolução iranianos, exército ideológico de Teerã.

"É certo que visavam altos comandos" destes grupos, disse o presidente do Observatório, Rami Abdel Rahman.

O ataque, executado pela manhã, também foi reportado pela imprensa oficial síria.

"Um ataque realizado por Israel atingiu um prédio residencial no bairro de Mazzeh, em Damasco", noticiou a agência estatal Sana, sem detalhar se houve vítimas.

Um jornalista da AFP pôde ver que o edifício desabou por completo. Perto dali, havia ambulâncias, bombeiros e socorristas em busca de pessoas debaixo dos escombros.

O bairro de Mazzeh também abriga escritórios das Nações Unidas, embaixadas e restaurantes.

"O barulho foi similar ao da explosão de um míssil e, minutos depois, ouvi as ambulâncias", disse à AFP um morador da região.

Desde que começou a guerra civil da Síria, em 2011, Israel lançou centenas de ataques aéreos contra seu território, dirigidos especialmente a forças alinhadas com o Irã, seu rival regional, mas também a posições do exército de Damasco.

Este tipo de ataques se intensificaram desde que teve início a guerra entre Israel e Hamas, em 7 de outubro, a partir do ataque surpresa do movimento islamista palestino em solo israelense.

Em dezembro, um alto comando dos Guardiões da Revolução iranianos, o general de brigada Razi Musavi, morreu em um ataque aéreo israelense na Síria, segundo Teerã.

No vizinho Líbano, o número dois do Hamas, Saleh al Aruri, morreu no começo do mês em um ataque israelense no sul de Beirute, reduto do Hezbollah, outro movimento pró-iraniano da região.

A Turquia intensificou ataques aéreos contra grupos curdos na Síria e no norte do Iraque em retaliação pela morte de 12 soldados turcos no Iraque no fim de semana. O ministério da Defesa da Turquia informou no domingo, 25, em um comunicado que 26 militantes curdos foram mortos durante as ações militares.

No nordeste da Síria, oito civis foram mortos, incluindo duas mulheres, apontou em mensagem no X, ex-Twitter, Farhad Shami, porta-voz das forças democráticas sírias, grupo liderado por curdos.

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O Observatório Sírio para Direitos Humanos, uma organização baseada no Reino Unido, destacou que 12 pessoas foram feridas na ação.

Segundo o Observatório, a Turquia realizou 128 ataques aéreos no nordeste da Síria em 2023, que mataram 94 pessoas. Fonte: Associated Press.

Muitas igrejas na Síria restringiram as celebrações de Natal e limitaram as atividades a orações em solidariedade aos palestinos que sofrem com a guerra entre Israel e Hamas em Gaza.

"As pessoas estão sofrendo na Palestina, o local de nascimento de Jesus Cristo", disse Dionysius Antoine Shahda, o arcebispo católico de Aleppo (nordeste da Síria), à AFP.

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Na cidade do sul de Azizia era comum colocar uma árvore de Natal e organizar um mercado natalino, mas este ano a praça central está vazia e não há decorações tradicionais.

"Na Síria, cancelamos todas as celebrações e eventos em nossas igrejas em solidariedade às vítimas dos bombardeios em Gaza pelo exército de Israel", explica Antoine Shahda.

A decisão da Igreja Católica Síria recebeu o apoio das instituições dos ortodoxos gregos e dos ortodoxos sírios (jacobitas), que também limitaram suas atividades natalinas.

"Dadas as circunstâncias atuais, especialmente em Gaza, os patriarcas sentem muito, mas não organizarão eventos natalinos", afirmaram em comunicado os líderes religiosos católicos, jacobitas e ortodoxos gregos.

O ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, anunciou no domingo que os bombardeios e incursões terrestres de Israel naquele território palestino causaram 20.424 mortes, a maioria de mulheres e menores de idade, desde 7 de outubro.

Quase 1.140 pessoas morreram em território israelense no ataque sem precedentes do Hamas que desencadeou a ofensiva israelense.

A situação no território palestino, totalmente cercado por Israel desde 9 de outubro, é catastrófica. A maioria dos hospitais está fora de serviço e a população enfrenta altos níveis de insegurança alimentar, de acordo com a ONU.

- "Não é hora para alegria" -

Antes do início da guerra civil na Síria em 2011, 1,2 milhão de pessoas de confissão cristã viviam no país do Oriente Médio.

Durante o longo conflito, as celebrações de Natal diminuíram, mas registraram uma recuperação nos últimos anos, à medida que os combates perderam intensidade e o governo de Damasco retomou o controle da maior parte do território.

Mas neste mês de dezembro paira um clima sombrio na capital síria, onde o espírito natalino se limita a um mercado. A catedral mariamita (ortodoxa) de Damasco colocou uma pequena árvore e decorações simples.

"Este ano estamos muito tristes. Começou com o terremoto e terminou com a guerra em Gaza", afirma Rachel Haddad, de 66 anos, moradora de Damasco, referindo-se ao terremoto de fevereiro que deixou um rastro de 55.000 mortos, principalmente na Turquia e na Síria.

Além disso, ela lamenta a fragilidade da situação econômica na Síria, onde há escassez de combustível e frequentes cortes de energia.

"Não há eletricidade. Como vocês esperam ver decorações e luzes em qualquer lugar?" pergunta de maneira retórica.

O exército israelense anunciou que atacou o que chamou de locais de infraestrutura terrorista na Síria no início da manhã deste domingo, em resposta aos lançamentos de foguetes do país vizinho no sábado. No ataque do sábado, os artefatos tinham como alvo o norte de Israel e caíram em áreas abertas, de acordo com as Forças de Defesa de Israel.

Ainda na manhã deste domingo, os ataques israelenses iniciados no sábado continuavam na cidade de Khan Yunis, em Gaza, perto do maior hospital do território. Autoridades de saúde afirmaram que milhares de médicos, pacientes e pessoas deslocadas estavam presos sem eletricidade e com suprimentos escassos no local.

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Moradores relataram intensos ataques aéreos e bombardeios durante a noite, incluindo ao redor do Hospital Shifa. Israel, sem fornecer evidências, acusou o Hamas de esconder um posto de comando dentro do complexo hospitalar, alegações negadas pelo Hamas e pela equipe do hospital.

O subsecretário do Ministério da Saúde, Munir al-Boursh, disse que atiradores israelenses se posicionaram ao redor de Shifa, atirando em qualquer movimento dentro do complexo. Ele afirmou que ataques aéreos destruíram várias casas ao lado do hospital, matando três pessoas, incluindo um médico.

O exército israelense afirmou que há um corredor seguro para a evacuação de civis de Shifa para o sul de Gaza, mas que as pessoas abrigadas no hospital disseram ter medo de sair. O exército informou que as tropas ajudariam a remover os bebês no domingo e que estava em contato com a equipe do hospital. Não foi possível verificar de forma independente a situação dentro e ao redor do hospital.

O Ministério da Saúde afirma que ainda há 1,5 mil pacientes em Shifa, juntamente com 1,5 mil profissionais médicos, além de entre 15 mil e 20 mil pessoas em busca de abrigo. O serviço de resgate Palestinian Red Crescent disse que outro hospital na cidade de Gaza, Al-Quds, "não está mais operacional" porque ficou sem energia.

Em um discurso televisionado no sábado, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu rejeitou os crescentes apelos internacionais por um cessar-fogo, a menos que inclua a libertação de todos os quase 240 reféns capturados pelo Hamas no ataque de 7 de outubro que desencadeou a guerra, afirmando que Israel estava trazendo sua "força total" para a batalha. Fonte: Associated Press e Dow Jones Newswires

Um ataque de drones dos Estados Unidos matou um líder do grupo Estado Islâmico na Síria horas depois que os mesmos drones MQ-9 Reaper foram perseguidos por jatos militares russos na parte ocidental do país, de acordo com o Departamento de Defesa.

Três Reapers voavam em busca do militante na sexta-feira, 07, disse uma autoridade de Defesa dos EUA, quando foram perseguidos por cerca de duas horas por aeronaves russas. Pouco depois, os drones atingiram e mataram Usamah Al-Muhajir, que andava de motocicleta na região de Alepo, no Noroeste da Síria, disse o oficial, que não estava autorizado a discutir publicamente o assunto e falou em condição de anonimato.

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O oficial disse que Al-Muhajir estava no Noroeste da Síria no momento do ataque, mas que normalmente operava no Leste.

Não ficou claro ainda como os militares dos EUA confirmaram que a pessoa morta era Al-Muhajir. Nenhum outro detalhe foi fornecido.

Em um comunicado no domingo, 09, o Comando Central dos EUA disse que não há indícios de que civis tenham sido mortos no ataque. Os militares estavam avaliando relatos de que um civil pode ter sido ferido.

Sexta-feira foi o terceiro dia consecutivo em que as autoridades americanas reclamaram que caças russos na região realizaram voos de maneira insegura e "assediaram" drones americanos.

O tenente-general Alex Grynkewich, chefe do Comando Central das Forças Aéreas dos EUA, disse em comunicado que, na sexta-feira, os aviões russos "fizeram 18 passagens não profissionais que fizeram com que os MQ-9s reagissem para evitar situações inseguras".

O primeiro atrito ocorreu na manhã de quarta-feira, quando aeronaves militares russas "se envolveram em comportamento inseguro e não profissional" enquanto três drones americanos MQ-9 conduziam uma missão contra o Estado Islâmico, disseram os militares dos EUA. Na quinta-feira, os militares dos EUA disseram que os caças russos voaram de maneira "incrivelmente insegura e não profissional" contra aeronaves francesas e americanas sobre a Síria.

O coronel Michael Andrews, porta-voz do Comando Central das Forças Aéreas, disse que o incidente de quinta-feira durou quase uma hora e incluiu sobrevoos de um SU-34 e um SU-35, e que eles lançaram sinalizadores diretamente no MQ-9.

Autoridades dos EUA disseram que os drones estavam desarmados nos voos anteriores, mas carregavam armas na sexta-feira, enquanto caçavam Al-Muhajir.

"Deixamos claro que continuamos comprometidos com a derrota do Isis (EI) em toda a região", disse o general Erik Kurilla, comandante do Comando Central dos EUA, no comunicado.

O contra-almirante Oleg Gurinov, chefe do Centro de Reconciliação da Rússia para a Síria, disse na semana passada que os militares russos e sírios iniciaram um treinamento conjunto de seis dias que termina na segunda-feira.

Gurinov acrescentou em comentários veiculados pela mídia estatal síria que Moscou está preocupada com os voos de drones da coalizão liderada pelos Estados Unidos sobre o Norte da Síria, chamando-os de "violações sistemáticas de protocolos" destinados a evitar confrontos entre as duas forças militares.

Fonte: Associated Press

Os ministros das Relações Exteriores dos países da Liga Árabe decidiram neste domingo (7) no Cairo reintegrar a Síria à organização, mais de 11 anos após a exclusão do regime de Damasco devido à repressão de uma revolta popular, que resultou em uma guerra longa e violenta.

"As delegações do governo da República Árabe Síria voltarão a participar nas reuniões da Liga Árabe", afirma o texto aprovado por unanimidade pelos ministros em uma reunião a portas fechadas na sede da organização no Cairo.

Em novembro de 2011, a entidade de 22 países membros suspendeu Damasco em consequência da violenta repressão aos protestos pacíficos que haviam começado no início daquele ano e resultaram em uma guerra: o conflito provocou 500.000 mortes, o deslocamento de milhões de pessoas e a destruição das infraestruturas e da indústria do país.

Apesar de uma redução nos combates, ao menos em sua maior parte, grandes áreas do norte do país continuam fora do controle do governo e ainda uma solução política para o conflito de 12 anos ainda não foi alcançada.

O Exército dos Estados Unidos anunciou, nesta segunda-feira (17), que realizou um ataque com helicópteros no norte da Síria contra um chefe do grupo extremista Estado Islâmico (EI), suspeito de planejar atentados na Europa e no Oriente Médio.

Segundo o Centcom, trata-se de um líder operacional "responsável de planejar atentados terroristas no Oriente Médio e na Europa".

A operação foi lançada a partir de uma informação de inteligência que "revelou um plano do [grupo] Estado Islâmico de sequestrar funcionários no exterior para usá-los como meio de pressão", acrescentou o comando militar americano.

Em um primeiro comunicado, publicado horas antes, o Centcom havia reportado a operação e afirmado que o indivíduo tinha "provavelmente" morrido.

O Centcom informou também sobre outras duas "operações" do grupo Estado Islâmico no ataque, sem revelar sua identidade.

Nenhum civil ou membro das forças americanas morreu ou ficou ferido durante a operação, acrescentou a fonte.

Esta nova incursão, que faz parte do dispositivo dos EUA para eliminar os líderes do EI após a derrota em 2019 na Síria, foi realizada em uma área controlada por grupos armados pró-turcos no norte do país.

Um grupo turco presente na região de Sweida, onde ocorreu o ataque, afirmou que dois de seus combatentes foram mortos.

Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), "violentos confrontos eclodiram em um ataque com dois projéteis contra um prédio onde se encontrava um membro do EI".

Este homem e dois outros combatentes morreram, afirmou o OSDH.

O Exército americano anunciou no início de abril que matou, na Síria, Khaled Aydd Ahmad Al Jaburi, líder do EI responsável por ataques na Europa.

Em seu apogeu, o EI reivindicou a responsabilidade por uma série de ataques mortais na Europa. Na época, o grupo controlava grande parte da Síria e do Iraque, onde havia proclamado um "califado".

O exército dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (17) que realizou um ataque com helicópteros no norte da Síria contra um chefe do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), responsável por ataques na Europa e no Oriente Médio, afirmando que ele "provavelmente" morreu.

Esta nova incursão, que faz parte do dispositivo dos EUA para eliminar os líderes do EI após a derrota em 2019 na Síria, foi realizada em uma área controlada por grupos armados pró-turcos no norte do país.

Dois outros "indivíduos armados" morreram no ataque, disse o Comando do Exército dos EUA para o Oriente Médio (Centcom) em comunicado, sem especificar a identidade de nenhum dos três homens mortos.

Nenhum civil ou membro das forças americanas foi morto ou ferido na operação, acrescentou a mesma fonte.

Um grupo turco presente na região de Sweida, onde ocorreu o ataque, afirmou que dois de seus combatentes foram mortos.

Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), "violentos confrontos eclodiram em um ataque com dois projéteis contra um prédio onde se encontrava um membro do EI".

Este homem e dois outros combatentes morreram, afirmou o OSDH.

O exército americano anunciou no início de abril que matou, na Síria, Khaled Aydd Ahmad Al Jaburi, líder do EI responsável por ataques na Europa.

Em seu apogeu, o EI reivindicou a responsabilidade por uma série de ataques mortais na Europa. Na época, o grupo controlava grande parte da Síria e do Iraque, onde havia proclamado um "califado".

Israel realizou ataques contra a Síria no início, deste domingo (9), visando um complexo militar e postos de radar e artilharia depois que seis foguetes foram lançados do país em direção ao norte do território israelense, abrindo um novo ponto de tensão em meio à crise doméstica. Na cidade velha de Jerusalém, a tensão entre israelenses e palestinos atingiram um pico durante as celebrações da Páscoa Judaica e do Ramadã.

Explosões foram ouvidas de Damasco, a capital síria, de acordo com a mídia estatal, e o Ministério da Defesa sírio informou que várias munições foram lançadas das Colinas do Golan, ocupadas por Israel, em direção ao sul da Síria. O ministério disse que registrou algumas perdas materiais, mas nenhuma vítima foi relatada.

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As Forças de Defesa de Israel (IDF) disseram que lançaram ataques de drones e artilharia em retaliação ao raro ataque vindo da Síria, e responsabilizaram o governo sírio por tudo o que ocorreu em seu território.

Na primeira leva de ataque da Síria, um foguete caiu em um campo nas Colinas do Golan. Fragmentos de outro míssil destruído caíram em território jordaniano perto da fronteira com a Síria, informaram militares da Jordânia. Na segunda rodada, dois dos foguetes cruzaram a fronteira com Israel, com um sendo interceptado e o segundo caindo em uma área aberta, disseram os militares israelenses.

Mais tarde, militares israelenses disseram que seus caças atacaram locais do exército sírio, incluindo um complexo da 4ª Divisão da Síria e postos de radar e artilharia.

Embora o episódio pareça ter sido contido, foi um lembrete das muitas frentes em que a crescente crise de Israel pode explodir. Desde que o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu voltou ao cargo no início do ano, o governo mais direitista e religiosamente conservador da história do país provocou protestos em massa nas cidades israelenses, aumentando a violência na Cisjordânia ocupada e aumentando a raiva no Oriente Médio.

Em um cenário regional já bastante tenso, Ismail Qaani, comandante da Força Quds da Guarda Revolucionária do Irã, chegou a Damasco, informou a mídia estatal iraniana no domingo.

Alerta máximo em Jerusalém

Este domingo marca a rara coincidência dos períodos da Páscoa judaica (Pessach), do Ramadã islâmico e da Páscoa cristã, e a polícia israelense estava em alerta máximo nos postos de controle e locais sagrados de Jerusalém. Incursões policiais na Mesquita de al-Aqsa na Cidade Velha de Jerusalém nesta semana provocaram disparos de foguetes da Faixa de Gaza ocupada e do vizinho Líbano e ataques aéreos de retaliação de Israel.

Milhares de fiéis judeus se reuniram no Muro das Lamentações da cidade, o lugar mais sagrado onde os judeus podem orar, para uma celebração durante o feriado de Pessach. No complexo da Mesquita Al-Aqsa, uma esplanada murada acima do Muro das Lamentações, centenas de palestinos realizaram orações como parte das observâncias durante o mês sagrado muçulmano do Ramadã. Centenas de judeus também visitaram o complexo de Al-Aqsa sob forte guarda policial, ao som de assobios e cânticos religiosos de palestinos protestando contra sua presença.

A Esplanada Sagrada é um poderoso símbolo de identidade religiosa e política para israelenses e palestinos.

Para os judeus, é conhecido como o Monte do Templo, onde ficavam o Primeiro e o Segundo Templos da fé; para os muçulmanos, é o Santuário Nobre, onde o profeta Maomé ascendeu aos céus. Regras informais que estabelecem quem pode orar onde - muçulmanos no topo da esplanada, judeus no Muro das Lamentações - foram testadas recentemente por um aumento na oração judaica na esplanada e ameaças de ativistas judeus messiânicos de realizar um sacrifício de animais durante a Páscoa.

As idas de judeus religiosos e nacionalistas aumentaram em tamanho e frequência ao longo dos anos e são vistas com desconfiança por muitos palestinos que temem que Israel planeje um dia assumir o controle do local ou dividi-lo. As autoridades israelenses dizem que não têm intenção de mudar os acordos de longa data que permitem que os judeus visitem, mas não rezem no local administrado pelos muçulmanos. No entanto, o país agora é governado pela coalizão mais direitista de sua história, com ultranacionalistas em cargos importantes.

Diplomatas israelenses pediram à Jordânia, que supervisiona o local desde que Israel ocupou Jerusalém Oriental em 1967, que retirasse alguns fiéis da mesquita novamente neste fim de semana, dizendo que eles estavam "planejando um tumulto". Mas no final da tarde, o ministro de Assuntos Estratégicos, Ron Dermer, retratou a história, informou a mídia israelense. "Felizmente hoje não tivemos que entrar, porque as pessoas que estavam lá dentro não foram, de acordo com nossa inteligência, para perpetrar violência", disse ele.

A Jordânia recusou o pedido, alertando sobre as consequências desastrosas se as forças israelenses invadirem a mesquita novamente. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, discutiu a violência em um telefonema com seu homólogo israelense, Isaac Herzog, no final do sábado, dizendo a Herzog que os muçulmanos não podiam ficar calados sobre as "provocações e ameaças" contra a Mesquita de Al-Aqsa, e disse que as hostilidades que se espalharam para Gaza e o Líbano não devem ser autorizados a escalar ainda mais.

O papa Francisco expressou sua "profunda preocupação com os ataques dos últimos dias" e pediu a criação de um "clima de confiança e respeito recíproco, necessário para a retomada do diálogo entre israelenses e palestinos", em sua tradicional bênção "Urbi et Orbi" após a missa de Páscoa.

Além dos combates na fronteira e as tensões em Jerusalém, três pessoas foram mortas no fim de semana em ataques palestinos em Israel e na Cisjordânia ocupada.

O funeral de duas irmãs anglo-israelenses, Maia e Rina Dee, mortas em um tiroteio, foi marcado para este domingo em um cemitério no assentamento judaico de Kfar Etzion, na Cisjordânia ocupada. Um turista italiano, Alessandro Parini, 35, foi morto na sexta-feira em um atropelamento no calçadão à beira-mar de Tel-Aviv.

Tudo isso em meio aos maiores protestos da história de Israel contra uma polêmica reforma judicial de Netanyahu, que neste sábado completaram 14 semanas. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

A aviação israelense atacou neste domingo (12) um depósito de armas no oeste da Síria, uma operação que matou um oficial do exército sírio e dois combatentes pró-Irã, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

"Os ataques israelenses atingiram um depósito de armas pertencente a forças pró-Irã, localizado entre as províncias de Tartus e Hama", afirmou Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH, uma ONG com sede no Reino Unido e que tem uma ampla rede de fontes na Síria.

Rahman disse que Israel também atacou uma posição da defesa aérea síria.

O exército israelense afirmou que "não comenta informações de meios de comunicação estrangeiros".

Desde o início do conflito na Síria em 2011, Israel executou centenas de ataques aéreos no país vizinho, tanto contra posições do regime como contra forças iranianas e o movimento xiita libanês Hezbollah, aliados de Damasco e inimigos do Estado hebreu.

Um homem declarado morto após ser encontrado nos escombros do terremoto na Síria voltou à vida em seu próprio funeral. Foi o que relatou o tablóide britânico Daily Star na última quarta (22).

Ahmed al-Maghribi não teria respondido a estímulos após ser retirado de um prédio que desabou na cidade de Atarib, na Síria, o que levou os médicos a acreditar que ele havia morrido. Seu corpo ficou em uma geladeira por dois dias enquanto esperavam que os familiares viessem identificá-lo.

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O Daily Star afirma que a imprensa local relatou que assim que sua família confirmou que era ele, Ahmed foi colocado em um saco para cadáveres e levado a um cemitério. Foi quando o "morto" começou a se mexer.

A surpresa deixou todos atordoados e Ahmed foi levado de volta ao hospital, onde está internado. A suspeita é de que se trate de um caso raro de coração de uma pessoa que voltou a bater após uma parada cardíaca provocada por um choque.

Três sobreviventes, incluindo um adolescente de 14 anos, foram retirados dos escombros em Antakya, sul da Turquia, mais de 10 dias após um terremoto que devastou a região, informaram nesta sexta-feira (17) as autoridades locais e a imprensa turca.

Mustafa, 33 anos, e Mehmet, 26, foram resgatados 261 horas depois do terremoto, informou no Twitter o ministro da Saúde, Fahrettin Koca.

O canal CNN Türk identificou os sobreviventes como Mustafa Avci e Mehmet Ali Sakiroglu.

Um pouco antes, um adolescente de 14 anos que passou 260 horas sob os escombros foi retirado das ruínas do edifício em que morava no centro da cidade de Antakya "após muitos esforços", informou o ministro.

Koca indicou que o adolescente, Osman, foi submetido a uma "cirurgia" em um hospital da província, mas não explicou a gravidade do quadro do resgatado. As autoridades divulgaram uma foto em que ele aparece consciente.

"Nosso irmão Mustafa lembrou o número de telefone de um parente e fez uma ligação", disse o ministro, que divulgou um vídeo do momento.

Nas imagens o jovem pergunta: "Você está bem, mãe?". Em seguida sorri quando a pessoa, chorando, responde: "Todos estão bem".

O balanço oficial mais recente do terremoto de 7,8 graus de magnitude que atingiu Turquia e Síria em 6 de fevereiro supera 41.000 mortes.

A ONU fez um apelo nesta quarta-feira por doações para ajudar a enfrentar as "imensas necessidades" de milhões de pessoas sem moradia ou alimentos após o terremoto que deixou quase 40.000 mortos na Turquia e na Síria.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu aos Estados membros da organização que contribuam "sem demora" com 397 milhões de dólares para assegurar "a ajuda humanitária da qual precisam desesperadamente quase cinco milhões de sírios", começando por "abrigo, atendimento médica e alimentos".

Guterres disse que em breve será apresentado um pedido similar para ajudar a Turquia.

"As necessidades são imensas e sabemos que a ajuda para salvar vidas não está chegando na velocidade e escala necessárias", insistiu Guterres.

"Uma semana depois dos terremotos devastadores, milhões de pessoas na região lutam para sobreviver, sem moradia e em temperaturas glaciais", acrescentou.

Na terça-feira à noite, o balanço da tragédia era de 39.106 mortos: 35.418 na Turquia e 3.688 na Síria.

A ONU já afirmou que os números devem aumentar de maneira expressiva.

"Estamos assistindo a pior catástrofe natural na região europeia da OMS em um século e a ainda estamos medindo a dimensão", afirmou uma fonte da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na terça-feira, as equipes de resgate encontraram quatro pessoas com vida nos escombros na Turquia.

Um casal sírio de Antakya, uma das cidades mais afetadas pelo terremoto, exclamou "Alahu akbar" (Alá é maior) depois do resgate. Eles passaram quase 210 horas nos escombros após o terremoto de 7,8 graus de 6 de fevereiro.

Dois irmãos foram resgatados depois de 198 horas sob os escombros.

Com 17 e 21 anos, os jovens afirmaram que sobreviveram consumindo proteína em pó.

"Estava tranquilo, sabia que seria salvo. Eu rezei. Conseguia respirar sob as ruínas", comentou um deles ao canal NTV.

Porém, apesar dos pequenos milagres, as possibilidades de encontrar sobreviventes nos edifícios que desabaram são quase nulas.

- Resignação -

"As equipes que vieram até aqui deixaram claro que procuram sobreviventes. Trabalharam durante dois dias e não encontraram nenhum", lamentou Cengiz, um soldado de 50 anos de Antakya com cinco parentes presos entre os escombros.

"Entendemos que a atenção está voltada para os sobreviventes, mas temos o direito de reclamar os corpos de nossos familiares", declarou, com resignação, Hussein, que esperava localizar a esposa de seu irmão e seus quatro filhos.

Nas atuais circunstâncias, a prioridade agora é a assistência para centenas de milhares - que podem chegar a milhões - de pessoas cujas casas foram destruídas pelos terremotos.

"Atendemos às necessidades de alojamento de 1,6 milhão de pessoas. Quase 2,2 milhões de pessoas foram retiradas ou abandonaram as províncias (atingidas)", afirmou o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, na terça-feira, após uma reunião do governo.

- Zonas rebeldes -

No lado sírio, pela primeira vez desde 2020 um comboio de ajuda entrou na terça-feira nas zonas rebeldes do norte do país depois de atravessar a passagem de fronteira de Bab al-Salama, no limite com a Turquia.

O comboio era integrado por 11 caminhões da Organização Internacional para as Migrações (OIM), carregados com barracas, colchões, cobertores, tapetes e outros produtos.

O posto de fronteira de Bab al-Salama liga o território turco ao norte da província de Aleppo, controlada por facções sírias leais a Ancara.

O local havia sido fechado à ajuda humanitária da ONU por pressão da Rússia, aliada do regime de Damasco.

As zonas fora de controle do governo sírio no norte de Aleppo e na província de Idleb (noroeste), onde moram quase três milhões de pessoas, estão entre as mais devastadas pelo terremoto na Síria.

A Síria anunciou a abertura de duas novas passagens de fronteira com a Turquia por um período inicial de três meses para acelerar a chegada de ajuda humanitária.

O número de mortos no terremoto que atingiu Turquia e Síria subiu nesta segunda-feira (13) para 35 mil. Em razão das poucas perspectivas de encontrar sobreviventes, os esforços agora se concentram em ajudar as centenas de milhares de pessoas que ficaram desabrigadas.

Apesar de cada vez mais difícil, equipes de resgate ainda conseguem retirar sobreviventes dos escombros. Ontem, um menino de 13 anos foi resgatado na Província de Hatay, 182 horas depois do terremoto, segundo jornais turcos.

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O resgate do pequeno Kaan, transmitido ao vivo pela emissora Halk TV, é um dos que continuam ocorrendo entre os milhares de prédios que desabaram, sob os quais alguns especialistas estimam que ainda possam existir até 155 mil corpos. Quatro horas antes, uma mulher de 70 anos e uma moça de 26 anos haviam sido resgatadas com vida, após aguentar por 178 horas, ambas em Antakya, capital da Província de Hatay.

Na Província de Adiyaman, uma menina de 6 anos também foi salva após 176 horas nos escombros. Segundo especialistas, as baixas temperaturas, que nos últimos dias estiveram próximas de zero, podem favorecer a sobrevivência por retardar a desidratação.

A maior parte dos resgates dos últimos dois dias, que a imprensa turca qualifica como "milagrosa", ocorreu em Hatay, uma das áreas mais atingidas por se situar sobre uma falha geológica, apesar da distância do epicentro.

O balanço torna a catástrofe a quinta com maior número de mortos desde o início do século 21. Na Síria, o número de mortos permanece estável há dias, principalmente em razão do reduzido trabalho de resgate, o que indica que o total de vítimas deve aumentar.

A ONU denuncia o fracasso no envio de ajuda à Síria, um país já devastado por mais de uma década de guerra. Em uma reunião a portas fechadas do Conselho de Segurança, convocada por Suíça e Brasil, o diretor de emergências da ONU, Martin Griffiths, que esteve ontem na cidade síria de Alepo, apresentou uma avaliação da situação.

Desabrigados

Na cidade turca de Kahramanmaras, perto do epicentro, foram montadas 30 mil barracas e há 48 mil pessoas vivendo em escolas e outras 11.500 alojadas em centros esportivos.

Antakya, cidade turca conhecida como Antioquia na antiguidade, foi devastada e o terremoto destruiu a mesquita mais antiga do país. "Era um lugar precioso para nós, turcos e muçulmanos. As pessoas costumavam vir aqui antes de fazer a peregrinação a Meca", disse Havva Pamukcu.

O vice-presidente turco, Fuat Oktay, disse no domingo, 12, que 108 mil prédios foram danificados na área atingida pelo terremoto, 1,2 milhão de pessoas estão alojadas em moradias estudantis e 400 mil foram retiradas da região.

O prejuízo financeiro do desastre pode passar de US$ 84 bilhões (R$ 435 bi), estimou ontem a federação de empresas Turkonfed. Na Turquia, cresce a indignação com a má qualidade dos edifícios e a resposta do governo. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Um avião da Arábia Saudita com ajuda para as vítimas do terremoto pousou nesta terça-feira (14) em Aleppo, norte da Síria, anunciou o ministério dos Transportes do governo de Damasco.

"É o primeiro avião da Arábia Saudita a pousar na Síria em mais de 10 anos", afirmou à AFP um funcionário do ministério.

O avião transporta 35 toneladas de mantimentos para as vítimas do terremoto, informou a agência oficial síria SANA.

Desde o terremoto de 7,8 graus de magnitude que atingiu na semana passada a Turquia e a Síria, com um balanço de mais de 35.000 mortos, vários aviões pousaram no território sírio, rompendo o isolamento político que afeta o país. Aleppo, segunda maior cidade síria, foi devastada.

O pouso anterior de um avião saudita na Síria havia acontecido em fevereiro de 2012, de acordo com a SANA.

A Síria foi expulsa da Liga Árabe no fim de 2011, após a repressão das manifestações que resultaram em uma guerra civil com interferência estrangeira.

A Arábia Saudita rompeu as relações com o presidente sírio, Bashar al Assad, em 2012 e expressou apoio aos rebeldes desde o início da guerra, que em poucos meses entrará no 12º ano.

A Arábia Saudita prometeu ajuda ao governo sírio, em particular às zonas controladas pelos rebeldes no noroeste, muito afetadas pelo terremoto que deixou mais de 3.600 mortos no país.

A região de Aleppo foi muito atingida pelo terremoto e mais de 200.000 pessoas ficaram desabrigadas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A guerra na Síria provocou mais de meio milhão de mortes e o deslocamento de mais da metade da população.

O chefe da ONU disse nesta segunda-feira (13) que o presidente sírio, Bashar al-Assad, concordou em abrir mais duas passagens fronteiriças para permitir a entrada de ajuda às vítimas do terremoto que deixou mais de 35 mil mortos na região.

Antes da tragédia, quase toda a ajuda humanitária crucial para os mais de quatro milhões de pessoas que vivem em áreas controladas por rebeldes no noroeste da Síria era entregue da Turquia, por meio do cruzamento de Bab al-Hawa.

“A abertura desses pontos de cruzamento, além de facilitar o acesso humanitário, acelerar as aprovações de vistos e facilitar as viagens entre os centros, permitirá que entre mais ajuda, mais rápido”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, em um comunicado.

Ele disse que Assad havia concordado em abrir os pontos de travessia de Bab al-Salam e Al-Rai, da Turquia ao noroeste da Síria, por um período inicial de três meses, para possibilitar a entrega oportuna de ajuda humanitária.

Guterres apontou que, dado que o número de vítimas do terremoto segue aumentando e que os sobreviventes estão expostos às duras condições de inverno na Síria devastada pela guerra, entregar “suprimentos vitais para todas as milhões de pessoas afetadas é de suma urgência”.

“Se o regime estiver disposto a colocar em prática essas palavras, isso seria algo bom para o povo sírio”, reagiu o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.

O anúncio ocorre um dia depois de o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, se reunir com Assad em Damasco para discutir a resposta ao terremoto de magnitude 7,8 que atingiu Síria e Turquia em 6 de fevereiro.

A situação é particularmente grave na área controlada por rebeldes no noroeste da Síria, que não pode receber ajuda de partes do país controladas pelo governo sem autorização de Damasco.

O único cruzamento fronteiriço aberto para suporte a partir da Turquia também teve suas operações interrompidas pelo abalo sísmico.

A ajuda nas zonas controladas pelos rebeldes na Síria costumam chegar através da Turquia por um mecanismo transfronteiriço criado em 2014 por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU.

Mas foi questionado por Damasco e seu aliado Moscou, que os veem como uma violação da soberania síria. Sob pressão da Rússia e China, o número de pontos de cruzamento caiu de quatro para um.

Uma menina de seis anos de idade foi resgatada com vida nesta segunda-feira (13), uma semana depois do terremoto devastador que matou mais de 35 mil pessoas na Turquia e na Síria.

Miray passou 178 horas nos escombros de um prédio em Adiyaman, uma das cidades mais atingidas pelo abalo sísmico de 7.8 na escala Richter, mas foi encontrada viva por socorristas, segundo a TV estatal TRT.

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Já em Antioquia, uma idosa de 70 anos, Nuray Gurbuz, também foi salva após ficar 178 horas presa nos destroços de um edifício. Geralmente, utiliza-se o prazo de 72 horas dentro do qual é mais provável encontrar sobreviventes de desmoronamentos.

A própria Organização das Nações Unidas (ONU) admitiu nesta segunda-feira que a busca por sobreviventes está chegando ao fim e que o foco deve passar para o auxílio aos feridos e desabrigados.

Da Ansa

O avião da Força Aérea Brasileira (FAB) que o governo federal usou para levar ajuda humanitária à Turquia regressou nesse domingo (12) ao Brasil. A aeronave trouxe  a bordo 17 pessoas que sobreviveram ao terremoto que atingiu parte da Turquia e da Síria na última segunda-feira (6).

Quatro crianças integram o grupo de nove brasileiros e oito estrangeiros que desembarcou nesta madrugada na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro. A repatriação dos brasileiros foi coordenada pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), que aproveitou o voo de volta do KC-30 da FAB.

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Equipe de resgate

Logo após os fortes tremores de terra que chegaram a atingir 7,8 na escala Richter, o governo brasileiro acionou a Aeronáutica para que levasse à Turquia uma equipe de brasileiros especializados em resgate urbano e socorro a vítimas de desastres naturais.

Os 42 profissionais brasileiros, incluindo bombeiros, agentes de saúde e da Defesa Civil, chegaram à capital turca, Ancara, na noite da última quarta-feira (9). Eles devem permanecer por ao menos duas semanas no país prestando apoio humanitário à população que, além das consequências do terremoto, enfrenta um inverno rigoroso, com temperaturas abaixo de zero.

Desespero e correria

Segundo a FAB, o resgate das 17 pessoas trazidas ao Brasil contou com a ajuda de outros cidadãos que permanecem na Turquia, incluindo brasileiros. Ainda de acordo com a Aeronáutica, entre os nove brasileiros, há uma mulher, grávida, identificada como Fernanda Lima.

“Quando eu entendi que aquela situação não era habitual, comecei a gritar para meu marido e meu filho acordarem. Então, arranquei o meu filho do berço, dei na mão do meu marido e falei: corre, que isso é um terremoto. Salva a vida dele! Me deixa, vai na frente com ele! E foi só o tempo da gente sair de casa. Quando saímos de casa, nós a vimos desabar. Perdemos tudo”, relatou Fernanda aos militares da FAB.

O professor Guilherme Brito, de 22 anos de idade, também integra a lista de brasileiros repatriados. Entrevistado por uma equipe da TV Brasil que viajou a Ancara a convite da FAB, Brito contou que tinha acabado de chegar à cidade de Adana para participar de um intercâmbio estudantil quando foi surpreendido pelo terremoto que, segundo fontes dos governos turcos e sírio, já matou ao menos 33 mil pessoas.

“Eu tinha acabado de chegar. Estava bem cansado, mas muito feliz. Jantei, fui dormir e, por volta de 4h da manhã, senti tudo tremer”, contou Brito. Segundo o estudante, pouco depois, houve um segundo tremor, ainda mais forte, que o fez correr para a rua. Brito lembra de, ao chegar na rua, olhar e ver ao menos três prédios próximos caídos e muitos outros com rachaduras graves. Além disso, segundo ele, fazia muito frio, o que pode ter causado a morte de muitas pessoas presas em meio aos escombros. Segundo Brito, os termômetros marcavam em torno de 3 graus Celsius (°C), mas a sensação térmica era de -1°C.

“Começamos a andar pelas ruas com um amigo turco, e ele nos alertou para que não andássemos por ali porque havia risco de demolir, de cair. Acabei decidindo não ficar [na Turquia] justamente por isso. Minha ideia era ajudar, mas percebi que aquela zona ainda era de risco, embora não fosse uma área tão afetada. O medo começou a tomar conta”, disse Brito sobre porque decidiu pedir ajuda das autoridades diplomáticas para deixar o país.

As equipes de emergência conseguiram resgatar mais sobreviventes dos escombros uma semana após o terremoto que deixou mais de 33.000 mortos na Turquia e na Síria.

No total, 33.186 pessoas morreram, 29.605 na Turquia e 3.581 na Síria, após o terremoto de 7,8 graus de magnitude, de acordo com fontes médicas e dos governos dos dois países.

Uma criança e uma mulher de 62 anos foram os mais recentes casos de resgates milagrosos, depois de quase sete dias presos entre os escombros de imóveis que desabaram no terremoto devastador de 6 de fevereiro.

Mustafa, de sete anos, foi resgatado na província turca de Hatay, enquanto Nafize Yilmaz foi encontrada com vida em Nurdagi, também em Hatay, informou nesta segunda-feira a agência estatal de notícias Anadolu. Ambos passaram 163 horas presos nos escombros antes dos resgates no domingo à noite.

Mais de 32.000 pessoas de organizações locais trabalham nos esforços de busca e resgate, ao lado de 8.294 voluntários do exterior, informou a Autoridade de Gestão de Desastres e Emergências (AFAD).

Um integrante de uma equipe britânica de resgate publicou no domingo no Twitter um vídeo que mostra um voluntário descendo por um túnel aberto nos escombros em Hatay, onde ele encontrou um turco que permaneceu preso por cinco dias entre a destruição.

As equipes trabalham contra o tempo, pois os especialistas advertem que a possibilidade de encontrar pessoas com vida diminui a cada dia.

Na cidade turca destruída de Kahramanmaras, próxima ao epicentro do terremoto, os voluntários cavaram entre montanhas de escombros e encontraram um corpo.

Mas as equipes de resgate reclamam da falta de sensores e equipamentos de busca avançados, o que significa que precisam cavar de maneira cuidadosamente entre os escombros com pás ou com as mãos.

"Se tivéssemos este tipo de equipamento, nós teríamos salvado centenas de vidas, ou mais", disse Alaa Moubarak, chefe da Defesa Civil em Jableh, no noroeste da Síria.

- Falta ajuda na Síria -

A ONU denunciou que não foi enviada toda a ajuda a Síria necessita de maneira desesperada.

Um comboio com suprimentos para o noroeste da Síria chegou via Turquia, mas o diretor de de emergências da ONU, Martin Griffiths, destacou que muito mais é necessário para milhões de pessoas que tiveram suas casas destruídas.

"Até agora falhamos com as pessoas do noroeste da Síria. Elas se sentem abandonadas. Buscam a ajuda internacional que não chega", afirmou Griffiths no Twitter.

Ao avaliar os danos no sábado no sul da Turquia, quando o balanço era de 28.000 mortos, Griffiths disse que o número poderia "dobrar ou ainda mais", porque a possibilidade de encontrar sobreviventes é cada vez menor.

A ajuda demorou a chegar à Síria, um país que enfrenta anos de guerra civil, um conflito que destruiu seu sistema de saúde. Algumas partes do país permanecem sob controle de rebeldes que lutam contra o o governo do presidente Bashar al Assad.

Um comboio de 10 caminhões da ONU entrou no noroeste da Síria pela passagem de fronteira de Bab al Hawa, segundo um correspondente da AFP.

Bab al Hawa é o único ponto através do qual a ajuda internacional pode entrar em áreas da Síria sob controle rebelde após quase 12 anos de guerra civil. Outros pontos foram fechados por pressão da China e da Rússia.

O diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, se reuniu no domingo com Assad em Damasco e disse que o presidente sírio afirmou estar disposto a abrir mais passagens de fronteira para permitir a entrada de ajuda nas zonas sob controle dos rebeldes.

- Conflito, covid, cólera -

"As crises combinadas de conflito, covid, cólera, declínio econômico e, agora, o terremoto, têm um custo insuportável", afirmou Tedros depois de visitar a cidade síria de Aleppo.

Damasco aprovou a entrada dos comboios de ajuda a partir de áreas sob controle do governo, mas Tedros disse que a OMS aguarda a autorização das áreas controladas por rebeldes para entrar em algumas regiões.

Assad espera mais "cooperação eficiente" com a agência da ONU para solucionar a falta de suprimentos, equipamentos e remédios, indicou a presidência síria.

Mas as preocupações de segurança na Turquia provocaram a suspensão de algumas operações de resgate. Muitas pessoas foram detidas por saques e por tentativas de fraudar as vítimas do terremoto, segundo a imprensa estatal.

Uma organização israelense de emergências anunciou no domingo que suspende as tarefas de resgate na Turquia por uma "significativa" ameaça para a segurança de sua equipe.

- Irritação -

Na Turquia aumenta a irritação com a qualidade ruim dos edifícios e com a resposta governamental ao maior desastre em quase um século no país.

Um total de 12.141 edifícios desabaram ou ficaram gravemente danificados no país.

Dez pessoas foram detidas como parte das investigações, incluindo duas que tentaram fugira para a Geórgia.

O número de mortos no terremoto na Turquia e na Síria passou de 33 mil neste domingo (12), enquanto a ONU lamentou a demora no envio de ajuda humanitária às zonas sírias devastadas e advertiu que o número final de vítima fatais pode ser mais do que o dobro do atual.

Os últimos balanços falam de 33.179 mortos (29.605 na Turquia, e 3.574, na Síria), pelo terremoto mais violento da região em 80 anos.

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Um novo comboio da ONU chegou ao noroeste da Síria neste domingo, procedente da Turquia, mas o chefe humanitário da ONU, Martin Griffiths, afirmou que é necessário mais apoio para as milhões de pessoas que perderam suas casas no terremoto de magnitude 7,8 há quase uma semana.

"Até agora, falhamos com o povo do noroeste da Síria. Eles têm direito de se sentirem abandonados, esperando por ajuda internacional que não chega", disse Griffiths, acrescentando que "meu dever e minha obrigação é corrigir essa falha o mais rápido possível".

A situação se agrava na Síria, cujo sistema de saúde e infraestrutura global estão sobrecarregados por mais de uma década de guerra civil.

Composto por uma dezena de caminhões com ferramentas de resgate, além de cobertores e colchões, o comboio deste domingo atravessou o posto fronteiriço de Bab al-Hawa, saindo da Turquia, observou um correspondente da AFP.

No sábado (11), falando direto de Kahramanmaras, perto do epicentro do terremoto na Turquia, Griffiths já havia advertido que o número de mortos ainda pode aumentar consideravelmente.

"É realmente difícil estimar de forma muito precisa, porque você tem que chegar debaixo dos escombros, mas tenho certeza de que vai dobrar, ou mais", afirmou Griffiths, no sábado (11), na cidade turca de Kahramanmaras, perto do epicentro do terremoto.

"Já lidamos com muitos conflitos no mundo todo (...) Mas perder 20, 30, ou 40 mil pessoas em uma noite, não vemos isso nem nesses conflitos", continuou Griffiths.

"É assustador", acrescentou.

Em meio a um cenário devastador e a um frio glacial, dezenas de milhares de socorristas locais e estrangeiros trabalham entre as ruínas, em busca de sinais de vida.

Temores pela segurança das equipes de resgate obrigaram, no entanto, que as operações fosse suspensas, e dezenas de pessoas foram presas na Turquia acusadas de cometerem saques após o terremoto, segundo a imprensa estatal.

Uma equipe israelense de voluntários anunciou, hoje, que se retirou, após ameaças "significativas" à sua segurança na Turquia.

- 26 milhões de afetados -

Apesar de todas as dificuldades, casos milagrosos de pessoas encontradas sob os escombros continuam a ser relatados, mas especialistas alertam que as esperanças de encontrar sobreviventes diminuem a cada dia que passa.

No sul da Turquia, um bebê de sete meses chamado Hamza foi resgatado com vida mais de 140 horas após o terremoto em Hatay, e uma adolescente de 13 anos, identificada como Esma Sultan, foi salva em Gaziantep, informou a imprensa pública.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou que 26 milhões de pessoas foram afetadas pelo terremoto e lançou um apelo urgente para arrecadar US$ 42,8 milhões para financiar necessidades urgentes de saúde.

Segundo a agência turca para situações de emergência e desastres naturais, cerca de 32.000 pessoas estão mobilizadas nas operações de resgate, além de mais de 8.000 socorristas estrangeiros. Em muitas áreas, porém, as equipes não têm sensores, o que significa que seu trabalho se reduz a escavar, com cuidado, prédios desabados, usando pás, ou mesmo as próprias mãos.

Alaa Moubarak, diretor da Defesa Civil de Jableh, no noroeste da Síria, disse que não recebe equipamentos novos há 12 anos.

"Se tivéssemos esse tipo de equipamento, teríamos salvado centenas de vidas, talvez mais", desabafa.

- Indignação cresce -

O governo da Síria anunciou que aprovou a entrega de ajuda humanitária para áreas rebeldes fora de seu controle na província de Idlib e que o comboio deveria partir no domingo, embora tenha sido adiado posteriormente.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu ao Conselho de Segurança que autorize a abertura de mais postos de fronteira para enviar ajuda para as áreas controladas pelos rebeldes na Síria, partindo da Turquia.

O passar dos dias também aumenta a busca de responsabilidades, especialmente na Turquia, onde a população se revolta com a lentidão da resposta do governo e com a má qualidade das edificações, após o pior desastre em quase um século no país.

As autoridades dizem que mais de 12.000 imóveis foram destruídos, ou gravemente afetados pelo terremoto. Até agora, a polícia prendeu 12 pessoas, incluindo alguns incorporadores imobiliários, pelo desabamento de edifícios.

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