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Foi lançada oficialmente nesta terça-feira (15), através de um evento virtual, a rede europeia para pesquisas em inteligência artificial. Chamada de Ellis, um acrônimo para European Laboratory for Learning and Intelligent Systems (Laboratório Europeu de Aprendizagem e Sistemas Inteligentes, em tradução livre), a iniciativa conta com 30 laboratórios espalhados por 14 países.

A Itália participa da ação com três unidades de pesquisas: uma formada pelo Instituto Italiano de Tecnologia e a Universidade de Gênova, com o laboratório do Politécnico de Turim e o terceiro é o da Universidade de Modena.

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"Hoje, celebramos o início da parceria Ellis, nascida há dois anos. Unindo as forças, todos darão a sua contribuição até que a Europa possa competir no campo da inteligência artificial, sobretudo com a China e com os EUA", destacou o cofundador da rede e diretor do Instituto Max Planck da Alemanha, Bernhard Scholkopf.

Para o alemão, a Ellis permitirá que sejam criadas "novas oportunidades de colaboração entre os cientistas de toda a Europa" e também vai "fundamentar o desenvolvimento de uma inteligência artificial em linha com valores das sociedades abertas europeias".

A nova rede já colocou à disposição um financiamento comum de cerca de 300 milhões de euros para um período de cinco anos. As atividades de pesquisas vão desde o desenvolvimento das máquinas à programação dos equipamentos e a criação de uma linguagem natural da robótica.

Da Ansa

A relevância da inteligência artificial (IA) e os riscos da sua adoção vêm ensejando movimentos por governos para implantar ações ou regular essa tecnologia. Nos últimos anos, diversos países lançaram estratégias, políticas nacionais ou legislações que atingem de forma geral ou parcial tais soluções técnicas. No Brasil, o governo colocou em consulta pública uma proposta de estratégia, que após receber contribuições deverá ser publicada em breve.

Parte dos países possui políticas mais amplas que incluem IA, em geral, focadas em indústria 4.0. É o caso da Iniciativa Digital da Dinamarca, do Programa Holandês para Empresas Inteligentes e da Plataforma Indústria 4.0 da Áustria. Contudo, com o crescimento da IA e a aposta nesses equipamentos em áreas diversas, da economia à política, os Estados passaram a debater políticas específicas sobre o tema.

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Um dos pioneiros foi a China. O governo do país lançou em 2017 o “Plano de Desenvolvimento da Inteligência Artificial da Próxima Geração”. A meta era que o país se equiparasse ao líder global na área, os Estados Unidos, em 2020 e chegasse em 2030 dominando o campo. Um órgão foi criado para coordenar a implementação (Escritório de Promoção do Plano de IA) e um comitê de aconselhamento. A integração com o setor privado conta com uma “Aliança para o Desenvolvimento da IA”.

O plano indica a necessidade de elaborar uma “nova geração de teoria básica sobre a IA no mundo”, além de construir uma tecnologia de IA de forma cooperativa, elevando a capacidade técnica do país em relação ao restante do mundo, envolvendo soluções em realidade virtual, microprocessadores, processamento em linguagem natural. Uma plataforma integrada foi elencada como base para dar apoio a aplicações e soluções a serem desenvolvidas por atores públicos e privados no país. Entre as metas está a aceleração da formação de talentos em ocupações de ponta na construção de sistemas de IA e o fomento a bens e serviços como hardware inteligentes (a exemplo de robôs), carros autônomos, realidade virtual e aumentada e componentes da Internet das Coisas.

Europa e EUA

Em 2018, a Comissão Europeia lançou sua estratégia e um plano coordenado para o tema, visando orientar a construção de políticas nacionais dos estados-membros e fortalecer seu esforço de consolidar um mercado digital único. Sua abordagem foi afirmada como “centrada nos humanos”. A estratégia é focada em quatro frentes: ampliar os investimentos na área, preparação para impactos socioeconômicos, desenvolvimento de um arcabouço ético e de um modelo regulatório adequado.

O plano assume que o bloco precisa ampliar investimentos para não perder a corrida global pelo domínio da tecnologia, instituindo uma meta de aportes de empresas e instituições públicas na casa dos US$ 20 bilhões por ano. Entre os focos estão repasses para startups inovadoras e tecnologias de ponta. Para incentivar o desenvolvimento, a Europa atua para robustecer e integrar centros de pesquisa com estudos sobre o assunto, bem como promove projetos-piloto para testar as soluções propostas, no âmbito da criação de “hubs” de inovação digital no bloco.

As iniciativas de preparação envolvem a mitigação dos riscos trazidos por essas tecnologias. É o caso das mudanças no trabalho e das habilidades necessárias para as atividades produtivas. Uma das medidas será a ampliação de mestrados e doutorados em IA. Outro eixo é a construção da confiança por meio de um ambiente seguro de fluxo de dados.

Em 2018, entrou em vigor o Regulamento Geral de Proteção de Dados do bloco, considerado modelo de legislação protetiva. Contudo, o fato dos dados serem matéria-prima da IA demanda o uso de muitos registros, criando desafio de facilitar o fluxo de informações sem descuidar do respeito aos direitos dos titulares. Para além dos dados, são necessários computadores para operar o processamento. A Europa possui uma iniciativa de computação de alta performance visando avançar na sofisticação de sua estrutura informatizada com redução do consumo de energia. No plano regulatório, o intuito é construir modelos “flexíveis o suficiente para promover inovação enquanto garantam altos níveis de proteção e segurança”.

Já os Estados Unidos divulgaram sua estratégia nacional “IA para o Povo Americano” baseada em cinco pilares:

» Promover pesquisa e desenvolvimento sustentáveis no tema;

» Liberar recursos para o campo;

» Remover barreiras para a inovação em IA;

» Empoderar os trabalhadores americanos com educação focada em IA e oportunidades de treinamento, e;

» Promover um ambiente internacional que dê suporte da inovação e uso responsável da IA pelos EUA.

O plano estabelece ações para fomento da tecnologia na indústria, focando em alguns setores: transporte, saúde, manufatura, finanças, agricultura, previsão do tempo, segurança e defesa nacionais. Entre iniciativas estão a facilitação dos procedimentos para a operação de carros autônomos em estradas do país, aceleração de autorização de equipamentos de IA no sistema de saúde e atuação específica do escritório de patentes para viabilizar novos registros de soluções em IA.

Brasil

No Brasil, há legislações que tratam de temas relacionados à IA, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O governo lançou uma consulta pública no fim de 2019 sinalizando diretrizes e apresentando indagações aos participantes sobre os caminhos que uma estratégia nacional deveria seguir. Segundo o texto da consulta, a estratégia deve ter por objetivo “potencializar o desenvolvimento e a utilização da tecnologia para promover o avanço científico e solucionar problemas concretos do país, identificando áreas prioritárias nas quais há maior potencial de obtenção de benefícios”.

A sondagem busca colher subsídios sobre determinados temas que são comuns às políticas nacionais, como incentivo à pesquisa e desenvolvimento e iniciativas para a requalificação da força de trabalho. 

Um dos desafios colocados pela consulta é a identificação dos segmentos econômicos com potencial de gerar ganhos econômicos ao país e obter protagonismo na concorrência global. “Essas áreas possibilitam dar visibilidade para o país em termos internacionais, gerar empregos com maiores salários, atrair grandes empresas da área de TI[tecnologia da informação], gerar produtos e aplicações da IA para as diversas necessidades dos setores público e privado e, também, preparar o país para a necessidade de requalificação que a tecnologia vem impondo em nível global”, pontua o texto.

Na segurança pública, área objeto de intensas polêmicas no campo, a consulta reconhece os questionamentos internacionais no tocante a aplicações como reconhecimento facial e técnicas como policiamento preditivo, evitando adotar uma posição e questionando os participantes acerca das melhores respostas.

O texto indica a necessidade de instituir um ecossistema de governança de IA tanto no setor público quanto no privado para observar critérios como a explicabilidade, o combate aos vieses e a inclusão de parâmetros de privacidade, segurança e direitos humanos no desenvolvimento dos sistemas. Tomando o debate internacional sobre valores, princípios éticos e abordagens de direitos humanos aplicadas à IA, a consulta indaga os participantes sobre quais mecanismos são os mais adequados à concretização desses princípios e ao estabelecimento de salvaguardas, questionando se seria o caso de uma lei geral para o assunto.

Para pesquisadores, empresários e ativistas consultados pela Agência Brasil, o tema é complexo e enseja distintos mecanismos de políticas públicas e regulação para promover soluções adequadas e evitar consequências prejudiciais a indivíduos e grupos sociais.

O cientista de dados da startup Semantix, que comercializa aplicações de IA, defende que as políticas públicas limitem-se ao apoio às empresas atuando na área. “É importante fazer alinhamento com o estímulo à inovação, dar estímulo para startup que adota IA. Assegurar que essas empresas tenham incentivo fiscal ou incentivo a fundo perdido. Hoje estamos distantes do que ocorre nos outros países. Precisamos diminuir essa diferença para atingir inovação”, recomenda.

Um dos aspectos é o da garantia da concorrência neste mercado. Na avaliação do coordenador da Associação de Pesquisa Data Privacy Brasil, Rafael Zanatta, um eixo importante da regulação é o tratamento dos dados como ativo econômico. Uma vez que grandes conglomerados se utilizam de grandes bases de dados como vantagens competitivas (como redes sociais e mecanismos de busca), em outros países vem crescendo a discussão sobre o tratamento dos dados como uma infraestrutura pública.

“Organizações internacionais como OCDE, FMI e Banco Mundial têm relatórios dizendo que um dos maiores problemas é a alta concentração econômica, com grupos entrincheirados com grandes bases de dados. Uma das modalidades é aplicar regulações que delimitem conjuntos de dados obrigatoriamente compartilhados. Descentralizar o acesso, mas protegendo dados pessoais”, argumenta Zanatta.

O pesquisador da Fundação Konrad Adenauer e autor de livros sobre o tema Eduardo Magrani acredita que em breve será preciso dar resposta à emergência das máquinas inteligentes como agentes. “Quais as características que nos fazem humanos e em que ponto as máquinas vão ser merecedoras destes direitos? Minha opinião é que no estágio atual a gente ainda não precisa atribuir uma personalidade eletrônica. Mas precisamos preparar terreno porque a IA pode dobrar a cada 18, 24 meses. A medida que for ganhando autonomia a gente vai precisar atribuir alguns direitos e eventualmente até uma personalidade eletrônica”, sugere.

Legislação

Para além da Estratégia Nacional, projetos de lei já foram apresentados no Congresso Nacional visando regular o campo. O PL 5051 de 2019, do senador Styvenson Valentim (PODEMOS/RN) estabelece princípios ao uso da IA no país, como respeito à dignidade humana e aos direitos humanos, transparência e auditoria dos sistemas, garantia da privacidade e supervisão humana. Além disso, responsabiliza os criadores ou proprietários dos sistemas por danos causados por eles.

O PL 2120 de 2020, do deputado Eduardo Bismack (PDT/CE) também estabelece fundamentos e princípios, como desenvolvimento tecnológico, proteção de dados, livre concorrência, respeito aos direitos humanos, não discriminação, explicabilidade, centralidade do ser humano, segurança, transparência e fiscalização do cumprimento das normas legais. As partes afetadas por um sistema passam a ter direitos, como informações claras sobre os critérios adotados e sobre uso de dados sensíveis. Para o deputado, diante do cenário da relevância da IA e de seu potencial, “torna-se apropriada a edição de legislação sobre a matéria, tornando obrigatórios os princípios consagrados no âmbito internacional e disciplinando direitos e deveres”.

Na avaliação do coordenador do Centro de Pesquisa em IA da Universidade de São Paulo e professor da Escola Politécnica da instituição, Fábio Gozman, medidas devem ser específicas em relação aos potenciais prejuízos sob risco de prejudicar a inovação no campo. “É preciso identificar problemas e atuar sobre eles. Seria importante definir claramente o que é uma violação de privacidade, um deepfake [vídeo alterado artificialmente para parecer real]. Isso não significa só proibir coisas, o que pode dificultar ter bônus na sua economia”, observa.

O diretor de relações governamentais da IBM no Brasil, Andriei Gutierrez, vai em sentido semelhante. “Hoje o país não está maduro para você avançar em qualquer regulação geral. Com uma lei geral corre risco de afetar aplicações das quais nossa sociedade depende. Se obrigar revisão de decisões automatizadas por humano, o risco é você ter sérias consequências". Já para a analista de políticas para América Latina da organização internacional Eletronic Frontier Foundation Veridina Alimonti, a ausência de mecanismos que assegurem a revisão humana pode tornar esse recurso figurativo.

Para o professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília Sivaldo Pereira, a regulação do tema passa por um amplo debate sobre temas como regras sobre o poder de tomada de decisão das máquinas; níveis de autonomia; mecanismos de controle dos sistemas que podem subverter os seus autores; limites no uso de IA para algumas questões sensíveis, passando ainda por diretrizes sobre a criação de códigos (como necessidade de diversidade étnica, cultural, de classe etc. tanto nas equipes que escrevem códigos quanto no público por meio do qual o algoritmo é treinado, pois isso reflete diretamente nas características do produto final). “É preciso criar uma política regulatória centrada no elemento humano e não apenas deficiência técnica do sistema”, defende o docente.

Com o crescimento da importância e visibilidade da inteligência artificial (IA) estão aumentando também as preocupações com as consequências negativas da utilização dessas tecnologias. Diante dos riscos e efeitos prejudiciais, governos, pesquisadores, associações civis e até mesmo empresas vêm discutindo os cuidados e medidas necessários para mitigar esses resultados prejudiciais.

O arco de riscos e perigos é diverso. Para além do tema mais notório do futuro do trabalho, possíveis complicações vão da discriminação de determinados segmentos até a própria mudança da noção de humanidade e da prevalência desta sobre as máquinas, passando por ameaças à privacidade e danos na organização de mercados e abusos no emprego de armas.

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A inteligência artificial envolve processamento complexo que demanda uma grande quantidade de dados para sua eficácia. Por isso, o funcionamento adequado destes sistemas, e eventuais ganhos advindos, pressiona por uma coleta crescente de informações. Tais soluções podem amplificar a já forte preocupação com a proteção de dados pessoais.

Em agosto do ano passado, foi tornado público que o Google trabalhava em um projeto (Project Nightingale) pelo qual coletava dados de milhões de pacientes dos Estados Unidos por meio de acordos com empresas sem que essas pessoas soubessem. O Google é uma das empresas de ponta nesse campo, utilizando inteligência artificial em diversos produtos, do mecanismo de busca ao tradutor, entre outros.

O Facebook, outro conglomerado importante no emprego de aplicações com inteligência artificial, também vem historicamente aprofundando formas de coleta de informações de usuários. Em depoimento ao Congresso dos Estados Unidos em abril de 2018, o diretor-executivo, Mark Zuckerberg, admitiu que a empresa coleta dados inclusive de quem não é seu usuário.

Pesquisa do Pew Research Center divulgada em 2019 com cidadãos norte-americanos apontou que cerca de 80% dos ouvidos estavam preocupados com sua privacidade e sentiam-se sem controle de suas informações pessoais frente a empresas e aos governos. Já outro estudo, da Unysis, colocou o Brasil como sexto país em que os cidadãos estão mais receosos em relação ao acesso às suas informações online.

Essas preocupações vêm ensejando a aprovação de leis em diversos países, como o regulamento geral da União Europeia, cuja vigência iniciou em 2018, e a Lei Geral de Proteção de Dados ( lei brasileira Nº 13.709), que entrará em vigor em agosto deste ano. Mais de 100 países já possuem legislações deste tipo, um mapa global pode ser visto no levantamento da consultoria DLA Piper.

Discriminação

Uma vez que os sistemas de inteligência artificial vem ganhando espaço em análises e decisões diversas, essas opções passam a afetar diretamente as vidas das pessoas, inclusive discriminando determinados grupos em processos diversos, como em contratações de empregados, concessão de empréstimos, acesso a direitos e benefícios e policiamento. Uma das aplicações mais polêmicas são os mecanismos de reconhecimento facial, que podem determinar se uma pessoa pode receber um auxílio, fazer check in ou até mesmo ir para a cadeia.

Na China, uma ferramenta chamada SenseVideo passou a ser vendida no ano passado com funcionalidades de reconhecimento de faces e de objetos. Mas a iniciativa mais polêmica tem sido o uso de câmeras para monitorar atos e movimentações de cidadãos com o intuito de estabelecer notas sociais para cada pessoa, que podem ser usadas para finalidades diversas, inclusive diferenciar acesso a serviços ou até mesmo gerar sanções.

No Brasil, soluções deste tipo vêm sendo utilizadas tanto para empresas como o Sistema de Proteção ao Crédito (SPC) como para monitoramento de segurança por câmeras, como nos estados do Ceará, Bahia e Rio de Janeiro. Neste último, no segundo dia de funcionamento, uma mulher foi presa por engano, confundida com uma fugitiva.

Em fevereiro de 2018, dois pesquisadores do renomado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, sigla em inglês) e da Universidade de Stanford, Joy Buolamwini e Timnit Gebru, testaram sistemas e constataram que as margens de erro eram bastante diferentes de acordo com a cor da pele: 0,8% no caso de homens brancos e de 20% a 34% no caso de mulheres negras. Estudo do governo dos Estados Unidos, publicado no ano passado, avaliou 189 ferramentas deste tipo, descobrindo que as taxas de falsos positivos eram entre 10 e 100 vezes maior para negros e asiáticos do que para brancos.

Os questionamentos levaram estados e cidades a banir a tecnologia, inclusive São Francisco, a sede das maiores corporações de tecnologia do mundo; e Cambridge, onde fica o Instituto de Tecnologia de Massachusetts. A Comissão Europeia anunciou, no início do ano, a possibilidade de banir o reconhecimento facial, tema que está em debate no bloco. No Brasil, ao contrário, há dois projetos de lei obrigando o reconhecimento facial em determinadas situações, como em presídios.

Projetos de inteligência artificial podem promover a discriminação também em políticas públicas. Na província de Saltas, na Argentina, a administração local lançou uma plataforma tecnológica de intervenção social em parceria com a Microsoft com o intuito de identificar meninas com potencial de gravidez precoce a partir da análise de dados pessoas, como nome e endereço.

“Além dos métodos estatísticos serem malfeitos, a iniciativa tem presunções sexistas, racistas e classistas sobre determinado bairro ou segmento da população. O trabalho é focado em meninas, somente, presumindo que os garotos não precisam aprender sobre direitos sexuais e reprodutivos. Temos que tomar cuidado para que segmentos já segregados não sejam mais discriminados sob uma máscara de opções neutras da tecnologia”, observa a diretora da organização Coding Rights e pesquisadora do Berkman Klein Center da Universidade de Harvard, Joana Varón, que elaborou um artigo sobre a experiência.

A analista de políticas para América Latina da organização internacional Eletronic Frontier Foundation, Veridiana Alimonti, ressalta questões a serem observadas nas decisões automatizadas. Os parâmetros dos modelos são construídos por um humano, que tem concepções e objetivos determinados. E seu emprego em larga escala traz riscos ao devido processo em decisões que afetam a vida das pessoas a partir de sistemas que muitas vezes não possuem transparência tanto no seu desenvolvimento quanto na sua aplicação.

“É preciso que haja resposta a medida em relação a esse tipo de decisão. É preciso ter dimensão do impacto que isso tem e salvaguardas de direitos que precisam ser protegidos, seja antes na escolha da ferramenta ou para ter pessoa específica que possa ter condição de revisão e que seja efetiva, e não que simplesmente se crie um processo em que essa reclamação leve a uma nova análise pelo sistema”, argumenta.

Concentração

A capacidade de influência a partir dessa gama variada de decisões é ainda maior quando um determinado agente possui poder de mercado. Na área de tecnologia, grandes conglomerados dominam seus nichos de mercado e lideram a adoção de inteligência artificial, como Microsoft, Amazon, Google, Apple e Facebook nos Estados Unidos; e Tencent e Alibaba na China.

O Google possui mais de 90% do mercado de buscas e mais de 70% do mercado de navegadores, bem como controla a maior plataforma audiovisual do mundo, o Youtube. O Facebook alcançou 2,5 bilhões de usuários e controla os três principais aplicativos do mundo: Facebook, FB Messenger e Whatsapp, além do Instagram.

Quanto mais participação de mercado e mais usuários, mais dados são coletados. E se essas informações pessoais são consideradas por entidades internacionais como a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o Fórum Econômico Mundial (FEM) um ativo econômico chave, quem controla amplas bases passa a deter uma vantagem competitiva chave, podendo reforçar seu domínio e prejudicar concorrentes.

“Essa nova economia parece muito mais tendente à concentração e centralização. É muito mais difícil vencer barreiras monopolistas neste setor do que em outro. Essa monopolização dos dados significa uma monopolização da capacidade de monetizá-los e gerar novos avanços tecnológicos com base neles. A disputa pelos dados é uma disputa central e parte considerável destes serviços está fazendo pelo mundo todo”, analisa o professor de sociologia econômica da Universidade Federal do Ceará Edemilson Paraná.

Armas autônomas

Um dos riscos objeto de atenção mais forte tem sido o crescimento de armas inteligentes, como drones e tanques autônomos, descritas como a terceira revolução das guerras após a pólvora e as armas nucleares. Entre 2000 e 2017, eles subiram de 2 para mais de 50 em todo o mundo. Os países que mais desenvolvem essas máquinas são Estados Unidos, Israel, Rússia, França e China. Tais aparelhos elevam os riscos das decisões autônomas, uma vez que essas passam a envolver a decisão sobre vida e morte de indivíduos.

Em 2015, mais de mil pesquisadores da área de inteligência artificial e especialistas como o falecido físico Stephen Hawking, o co-fundador da Apple Steve Wozniak e o cérebro por trás da Tesla e da SpaceX Elon Musk assinaram uma carta aberta cobrando que as Nações Unidas banissem o uso de armas autônomas como drones. Uma campanha foi criada para essa finalidade, chamada Parem os Robôs Assassinos, advogando pela proibição da produção e do uso de armas totalmente automatizadas. Em fóruns internacionais e nas Nações Unidas, governos discutem a regulação ou o veto ao emprego dessas tecnologias, ainda sem conclusão.

Esse conjunto de riscos, contudo, vem provocando uma atenção relativa das empresas que lidam com inteligência artificial. Levantamento da McKinsey de novembro de 2019 apontou também que 40% das companhias ouvidas identificam e priorizam os riscos relacionados a essa tecnologia. Os impactos negativos que mobilizam maior atenção das empresas ouvidas foram a cibersegurança (62%), cumprimento da lei (50%), privacidade (45%), explicabilidade (39%), reposição de força de trabalho (35%), reputação organizacional (34%) e tratamento justo (26%). Na comparação entre utilizadores intensos de inteligência artificial e demais setores, a preocupação com parâmetros no uso de dados ocorre em 76% dos primeiros e 18% dos segundos. A garantia de mecanismos de explicação foi relatada por 54% dos primeiros, contra 17% do segundos.

Princípios éticos

Esse amplo conjunto de riscos e polêmicas ensejou a ampliação do debate sobre os cuidados e medidas a serem tomadas para mitigar tais ameaças e potencializar o uso de máquinas inteligentes para finalidades adequadas. Centenas de pesquisadores subscreveram um documento chamado Princípios de Asilomar, em referência ao local onde uma conferência foi realizada sobre o tema, na Califórnia em 2017.

O texto afirma princípios como segurança, responsabilidade, privacidade e benefício da sociedade. Pontua também cuidados como explicação e capacidade de auditoria em caso de decisões, falhas e desvios (inclusive no campo jurídico), respeito aos valores e direitos humanos, compartilhamento dos benefícios e ganhos econômicos promovidos por máquinas inteligentes, controle humano e não-subversão das dinâmicas humanas.

Nos últimos anos, empresas de tecnologia também apresentaram suas balizas. A Microsoft, por exemplo, lançou seus princípios: imparcialidade, confiabilidade, transparência, privacidade e segurança, inclusão e responsabilidade. O Google também anunciou valores e diretrizes para o desenvolvimento dessas tecnologias: benefício social, mitigação do reforço de vieses, segurança, transparência, incorporação de princípios de segurança no seu desenho técnico, expressar parâmetros científicos de ponta e ser disponibilizada para usos de acordo com esses princípios.

O principal relatório sobre inteligência artificial no mundo (AI Index, elaborado pela Universidade de Stanford) registrou em sua edição de 2019 que 19% das empresas ouvidas pelo levantamento relataram alguma medida para promover a explicabilidade dos seus algoritmos. Outras 13% informaram atuar para lidar com problemas como vieses e discriminação, buscando formas de amplificar a equidade e o tratamento justo de seus sistemas.

Governos e organismos internacionais também entraram na discussão. Em abril do ano passado, a Comissão Europeia divulgou diretrizes para uma inteligência artificial centrada nas pessoas. Elas reforçam a relevância da participação e o controle dos seres humanos, com objetos técnicos que promovam o papel e os direitos das pessoas, e não prejudiquem estes.

Uma orientação complementar é a garantia de que os sistemas considerem a diversidade de segmentos e representações humanas (incluindo gênero, raça e etnia, orientação sexual e classe social, entre outros) evitando atuações que gerem discriminação.

Segundo o documento, os sistemas de inteligência artificial devem ser robustos e seguros, de modo a evitar erros ou a terem condição de lidar com estes, corrigindo eventuais inconsistências.

Ao mesmo tempo, o texto destaca a necessidade de assegurar a transparência dos sistemas, bem como a garantia de sua rastreabilidade e explicabilidade, para que não haja dificuldades na compreensão de sua atuação. Essas soluções técnicas devem assegurar a privacidade e o controle dos cidadãos sobre seus dados. As informações coletadas sobre um indivíduo não podem ser utilizadas para prejudicá-lo, como em decisões automatizadas que o discriminam em relação a alguém.

Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) defende que a inteligência artificial deve beneficiar as pessoas e o planeta ao promover crescimento inclusivo, desenvolvimento sustentável e bem-estar. O desenvolvimento deve respeitar as legislações e os direitos humanos, valores democráticos e a diversidade, com salvaguardas como permitir a intervenção humana quando necessário.

A OCDE reforça a importância da transparência e da explicabilidade de modo que pessoas possam entender o funcionamento e as decisões tomadas e questioná-las se desejarem. Tais tecnologias devem ser seguras e não oferecer riscos para as pessoas; e os indivíduos, as empresas e as organizações por trás deles devem ser responsabilizados se for o caso.

Joana Varon, da Coding Rights, contudo, pondera que muitas empresas pautam uma agenda de ética e inteligência artificial de modo que tais diretrizes não atrapalhem seus negócios.

“Este debate de ética e inteligência artificial acaba levando a uma interpretação de que a simples autorregulação das empresas seria suficiente. Devemos falar é de direitos humanos e nas relações de poder existentes na sociedade”, advoga.

Uma abordagem mais forte emerge também nas discussões sobre políticas públicas e regulação do tema, objeto de outra reportagem desta série.

A Inteligência Artificial (IA) vem ganhando força como tecnologia já bastante utilizada no presente e com potencial de transformar atividades produtivas e do cotidiano no futuro próximo. Mas na corrida pelo domínio desse campo, o Brasil está atrasado em relação a outros países, tanto na área da pesquisa quanto na das aplicações práticas e do mercado envolvendo tais soluções.

A IA é considerada por especialistas e na economia não somente como um segmento com grande potencial econômico, mas também como um elemento gerador de receitas em diversos segmentos produtivos. Neste sentido, seu desenvolvimento não está relacionado apenas a um setor de tecnologia de ponta, mas a um elemento base da chamada transformação digital, que já atinge agricultura, indústria, finanças e atividades cotidianas.

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Reconhecendo essa importância, Estados Unidos e China travam uma disputa pela liderança global. Os Estados Unidos são o lar das maiores empresas de tecnologia do mundo, como Amazon, Google, Microsoft, Apple, Facebook e IBM. Mas os rivais asiáticos vêm galgando postos nos rankings com grandes conglomerados digitais. Em seu plano para o tema, a meta é igualar os americanos até este ano.

Na lista das 100 maiores empresas de 2019 da consultoria Price Waterhouse Coopers, as quatro primeiras são companhias de tecnologia estadunidenses: Microsoft, Apple, Amazon e Alphabet (Google), com o Facebook em 6º. Mas no ranking das 10 primeiras, já aparecem duas concorrentes chinesas, Alibaba e Tencent. A primeira é um megagrupo de comércio eletrônico com atuação global. Já a segunda possui algumas das maiores redes sociais do planeta, como QQ e WeChat.

Um exemplo dos ganhos com a adoção de IA é o grupo de serviços financeiros chinês Ant. Controlado pelo conglomerado Alibaba, tornou-se a maior fintech [firma que oferece serviços financeiros por meio de plataformas tecnológicas] do mundo e já atinge um bilhão de clientes em todo o planeta. A empresa utiliza IA para diferentes tipos de serviços, como concessão de empréstimos, gestão de finanças e seguros. A tecnologia é empregada, por exemplo, no exame dos riscos de crédito dos candidatos.

O Brasil não possui firmas de tecnologia no ranking, aparecendo apenas com a Petrobras na 97a posição. Entretanto, o Brasil ficou em terceiro na criação de “unicórnios”, empresas com valor de mercado acima de US$ 1 bilhão, atrás apenas de EUA e China e empatado com Alemanha. Como base de comparação, os americanos criaram 78 unicórnios em 2019, enquanto os asiáticos tiveram 22 companhias nessa condição no ano passado.

A disputa entre Estados Unidos e China se mostra em aspectos distintos. Na pesquisa, por exemplo, a China ultrapassou os Estados Unidos neste quesito em 2006 e publica mais do que os americanos e a União Europeia, conforme dados do principal relatório internacional sobre o assunto, o AI Index, elaborado pela Universidade de Stanford, nos EUA.

Por outro lado, a América do Norte foi responsável por 60% das patentes nesta área no período entre 2014 e 2018. No ranking de publicações em periódicos científicos em números absolutos, o Brasil aparece em 15ª. Quando considerado este desempenho em relação à população, o país cai para a 36ª posição. Já no ranking de patentes, o Brasil não figura no grupo dos 24 principais países analisados.

"O Brasil tem potencial imenso em termos científicos. Temos excelentes pesquisadores e ótimo público, pois nossa população em geral é muito conectada. Só que me preocupa essa fuga de cérebros que tem ocorrido, a gente vê profissionais e pesquisadores saindo do Brasil por inúmeras questões, além de fracos incentivos na área de pesquisa. Apesar o potencial, vejo Brasil perdendo fôlego nessa corrida de IA", pontua a professora do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Jonice Oliveira.

“A IA capacidade e possibilidade de impacto transversal na economia, mas isso depende de vários fatores, como capacidade de investimento das empresas, disponibilidade de profissionais, ecossistema que formação e apoio governamental e público, financiamento público e privado. Se a gente olha para essas necessidades, vemos que o Brasil está radicalmente atrás deste processo”, reforça o professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e integrante de uma rede internacional de pesquisa sobre o tema Edemilson Paraná.

Investimentos

No tocante aos investimentos, o desempenho de cada país evidencia uma distribuição bastante desigual. Segundo o IA Index, a partir de bases como Crunchbase e Capiq, do total aportado em projetos envolvendo essas soluções técnicas entre 2018 e 2019, mais de US$ 30 bilhões foram em iniciativas nos Estados Unidos.

Outros US$ 25 bilhões apoiaram empresas e instituições chinesas. Em terceiro lugar aparece o Reino Unido, com menos de US$ 5 bilhões. O ranking é dominado por nações da América do Norte, Europa e Ásia. Do grupo de 27 países, o Brasil aparece em último, com desempenho próximo do zero.

Segundo relatório da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação (Brasscom) sobre perspectivas de investimento do setor entre 2018 e 2022, dos R$ 345 bilhões previstos em tecnologia de transformação digital, apenas R$ 2,5 bi seriam direcionados para essas aplicações. “Estes números comparados parecem muito modestos”, observa Sérgio Galindo, diretor executivo da entidade.

Força de trabalho

De acordo com o AI Index, o Brasil foi o segundo país com maior crescimento na contratação de profissionais lidando com a tecnologia no período entre 2015 e 2019, atrás apenas de Cingapura. Em seguida vêm Austrália, Canadá e Índia. “Talvez a gente não tenha a formação suficiente, número de pessoas suficiente para atender à demanda”, pontua o cientista de dados da startup Semantix Alexandre Lopes.

Segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação (Brasscom), o setor de tecnologia da informação deve demandar 420 mil novos empregos entre 2018 e 2022. Deste total, contudo, apenas 1,8% seriam em projetos de IA. A prioridade atual no mercado, conforme indicou a pesquisa, é a contratação de programadores de aplicativos em dispositivos móveis, como smartphones.

Experiências

Um dos segmentos com adoção mais avançada da IA é na relação com clientes. Serviços de atendimento de diversas empresas passaram a funcionar com robôs de conversa, ou chat bots, para receber as demandas, fornecer respostas e somente repassar a um atendente em casos em que os sistemas não conseguiram resolver. Diversos bancos lançaram assistentes virtuais, como o Bradesco (Bia), Itaú (AVI), Inter (Babi), Banco Central (Din). De acordo com o Bradesco, seu assistente virtual possuía em 2019 uma taxa de resolução de 95%.

Na saúde, a IA vem permitindo avanços na área de diagnóstico e na realização de procedimentos médicos. Em 2016, o Brasil tinha 30 robôs auxiliando cirurgias no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Há óculos que podem projetar uma imagem de cirurgia e com isso um médico participar de uma mesma cirurgia. Há luvas que já evitam que um médico trema por um motivo ou por outro. Tem análise de imagem já feita de forma automática. A máquina analisa com bons resultados para tratamento de câncer”, elenca a professora Rosa Vicari, da UFRGS.

Outra área em que a IA vem crescendo é no direito. Partindo da capacidade de compreensão de textos escritos, sistemas passaram a ser utilizados em análises de processos. O Supremo Tribunal Federal (STF) criou um projeto denominado Victor para exame de casos de repercussão geral, como parte de seu programa de transformação digital. Segundo a corte, verificações que levavam cerca de 45 minutos por funcionários do Tribunal passaram a ser processadas em cinco segundos pelo sistema.

“Essa ferramenta promete trazer maior eficiência na análise dos processos com economia de tempo e recursos humanos, além de ter potencial de atuação em todo o Judiciário brasileiro”, declarou o presidente do STF, Dias Toffoli, em palestra sobre o tema realizada em Brasília, em outubro de 2019.

A Petrobras contratou a Microsoft para utilizar IA nos programas de segurança no trabalho, para funcionários atuando em navios-sonda ou em plataformas. Por meio de análise de imagens, o sistema identifica se equipamentos de proteção estão tendo uso adequado. O programa também consegue por meio de imagens conferir se há algum tipo de obstrução de rotas de fuga. “São ambientes críticos e qualquer acidente que ocorrer pode causar risco. Se a gente tiver qualquer rota de fuga, por carga mal posicionada. Isso pode impactar vida de pessoas”, comenta João Thiago Poço, da Microsoft.

As companhias oferecendo soluções no mercado podem tanto ser segmentadas quanto trabalhar com aplicações diversas. No primeiro grupo está a startup Car10. A plataforma dela permite que o cliente tire foto de uma batida de carro, enviando uma estimativa de orçamento. Caso a pessoa fique interessada, pode solicitar uma proposta oficial, que será enviada em até 30 minutos, sem a necessidade de ir até o local para uma avaliação.

No segundo grupo está a Semantix, startup criada a partir do polo tecnológico da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Entre os produtos comercializados está um sistema para padronizar laudos médicos, corrigindo erros, outro para organizar rotas de transporte de cargas em rodovias para otimizar o tempo e os gastos com combustível, uma plataforma para gerir a parte de análise de dados (big data) com segurança e uma solução de detecção de fraudes em vídeo.

“Quando uma pessoa vai abrir uma conta no banco, você precisa mandar um vídeo para eles mostrando seu documento. Nós automatizamos este processo, conseguindo fazer identificação se a pessoa é ela, se o áudio condiz com o texto proposto e se o vídeo é gravação de outro vídeo ou está usando uma máscara”, explica Alexandre Lopes, cientista de dados da Semantix.

Pesquisa

Desde o último ano, novos centros de pesquisa vêm sendo criados a partir do incentivo do governo federal. O maior será o da Universidade de São Paulo, em parceria com a IBM e com outras organizações, como o Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA), a PUC SP e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O laboratório receberá R$ 4 milhões por ano para financiar estudos a serem desenvolvidos por mais de 120 pesquisadores.

Entre as linhas de pesquisa estão o processamento de linguagem natural em português e métodos de aprendizado de máquina. Mas também haverá investigações relacionadas à área de humanidades. “Vamos procurar fundamentos para avaliar políticas públicas”, conta o coordenador, Fábio Cozman, professor titular da Escola Politécnica da USP. Entre as pesquisas, haverá aplicações direcionadas a setores considerados prioritários em razão do contexto socioeconômico brasileiro: saúde, agronegócio e meio ambiente.

A empresa Israel Aerospace Industries divulgou a criação de tanques de guerra que serão controlado por um joystick de Xbox 360. De acordo com o comunicado à imprensa, os novos modelos foram solicitados pelas Forças Armadas a fim de facilitar o acesso de jovens cadetes.

Os veículos têm como referência os tanques M113 norte-americanos, mas substituem as escotilhas por monitores. Os controles de Xbox 360 vão então auxiliar na escolha de armamentos para diferentes situações de combates.

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Os novatos vão praticar em simuladores 3D, inspirados em jogos como "Fortnite" (Epic Games) e "Apex Legends" (Respawn Entertainment). Além disso, o novo blindado contará com inteligência artificial, que facilitará a locomoção.

O tanque comporta quatro pessoas e está em fase de testes.

Pepper já sabia fazer ligações e dar aulas de ginástica. Porém, com a pandemia da COVID-19 esse robô tem sido programado para ajudar pessoas em isolamento, como parte de um experimento sobre inteligência artificial realizado por uma universidade escocesa.

Assim como o caso de Pepper, os cientistas da universidade Heriot-Watt, situada em Edimburgo, têm programado robôs desenvolvidos no Japão em 2014 para efetuar tarefas normalmente feitas por cuidadores ou pessoas que prestam serviços em casas.

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"Buscamos compreender quais são as necessidades das pessoas mais vulneráveis neste momento, e quais tecnologias podem ser usadas para facilitar a vida delas", explica Mauro Dragone, cientista responsável pelo projeto.

Trata-se também de "aliviar a pressão atual sobre os serviços sociais e de saúde", acrescenta o pesquisador.

O projeto busca soluções para grupos considerados prioritários, que se tornaram ainda mais vulneráveis por causa das medidas de isolamento adotadas na pandemia.

No contexto desta pesquisa, Pepper e outros robôs realizam exercícios em um laboratório universitário que recria um apartamento, com quarto, banheiro, cozinha e sala de estar.

- Confidencialidade -

Trata-se de programar robôs para realizar tarefas domésticas básicas e ajudar pessoas com deficiência visual ou auditiva, ou as que sofrem de demência.

Os robôs também podem detectar problemas de saúde e transmitir uma mensagem de alerta em caso de emergência, permitindo que os serviços de saúde tenham uma resposta rápida.

Segundo Dragone, o laboratório usa tecnologia de detecção "invisível".

"Mais do que conectar sensores, usamos tecnologias como o sinal wi-fi para perceber a presença e as atividades das pessoas em sua casa", explica ele.

Isso geralmente permite que o sistema funcione sem hardware específico para ser instalado ou levado até o local.

Os pesquisadores afirmam estar conscientes dos problemas de confidencialidade e ética que esse projeto poderia causar, ressalta o pesquisador.

Um grupo internacional de especialistas em ética em inteligência artificial monitora o experimento, e informou que realizará avaliações "constantes" sobre os riscos dessa tecnologia, à medida que ela for desenvolvida e colocada em prática.

A universidade convidou pesquisadores, prestadores de serviços e usuários dos sistemas de ajuda domiciliar para participar do projeto de forma remota.

"Estamos transformando esse laboratório em um local com acesso remoto aberto a distância, para que possamos continuar trabalhando juntos, apesar da distância física", acrescenta Mauro Dragone.

A Coalizão de Prestadores de Cuidados e Apoio da Escócia, que representa cerca de 80 assistentes voluntários que prestam cuidados a cerca de 200.000 pessoas, incentivou seus membros a colaborar com o projeto.

O novo coronavírus tornou urgente a necessidade de implementar "soluções digitais" no setor de saúde, segundo Emma Donnelly, diretora do programa digital do grupo.

Para ela, o projeto foi recebido "de forma muito positiva" até agora.

"Os profissionais da saúde sabem que o projeto os ajudará a facilitar um pouco a vida cotidiana", explica ela.

Alunos de escolas públicas ou particulares podem participar do Desafio SESI de Robótica Covid-19. O Serviço Social da Indústria (SESI) lançou um campeonato para estimular os estudantes de todo o Brasil a buscarem soluções de enfrentamento aos danos causados pela epidemia do coronavírus. O objetivo é que os estudantes criem à distância, projetos que minimizem os impactos causados pela doença.

O campeonato será feito de forma totalmente virtual e podem participar do campeonato, alunos de 9 a 18 anos em equipes de quatro a 10 estudantes, além de um técnico maior de 18 anos. Na primeira fase do torneio, os participantes terão que escolher uma área impactada pela Covid-19 e elaborar soluções que utilizem a robótica para combater e prevenir os danos causados pela pandemia. 

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Serão avaliados critérios como pesquisa, criatividade e inovação, empreendedorismo e impacto social. Além disso, a equipe deve enviar um vídeo de até dois minutos que será analisado pela banca julgadora. A segunda etapa, marcada para começar no dia 19 de agosto, permitirá que os times escolhidos detalhem a solução do projeto, enviando um vídeo de dois minutos defendendo a ideia. 

Por fim, no dia 25 de setembro, serão divulgados os três primeiros colocados na classificação geral e os que se destacaram nas categorias “Melhor Projeto de Pesquisa”, “Melhor Projeto em Criatividade e Inovação”, “Melhor Proposta de Empreendedorismo” e “Melhor Proposta de Impacto Social”. As inscrições estão abertas no site do torneiro e podem ser feitas até o dia 30 de junho.

Quando os pacientes belgas que temem ter sido contaminados pelo coronavírus comparecem ao hospital universitário da cidade da Antuérpia, o primeiro rosto que observam não é o de uma enfermeira de máscara, e sim o de um robô.

O aparelho, construído pela empresa belga Zorabots, saúda os recém-chegados e lê os dados do paciente proporcionados por um questionário preenchido pelo potencial enfermo.

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O robô mede a temperatura da pessoa e assegura que ela usa a máscara de maneira correta, antes de avaliar a probabilidade e a gravidade da infecção, com o envio para o local apropriado da clínica.

O processo não é um diagnóstico, mas uma etapa útil que reduz os contatos da equipe médica com pacientes potencialmente infectados antes de serem internados no hospital.

"Se o paciente tem uma temperatura elevada ou não usa a máscara corretamente, na tela aparece a mensagem: 'você tem um problema, não pode entrar diretamente no hospital'", explica o médico Michael Vanmechelen.

"Então, a pessoa deve ser examinada. O robô nunca trabalha sozinho, sempre atua em apoio a um funcionário do hospital", completou.

No período de progressivo retorno à normalidade, após um longo confinamento da população, "muitas pessoas deverão ser submetidas a testes", disse Fabrice Goffin, um dos diretores da Zorabots.

Com mais de 9.000 mortes, a Bélgica tem uma das taxas de letalidade mais elevadas do mundo por número de habitantes.

Mas o número deve ser examinado com cautela porque a Bélgica inclui em seu balanço casos não confirmados com teste, apenas suspeitos, quando uma pessoa morre em uma casa de repouso na qual foram detectados casos de coronavírus.

Sem boca, sem nariz e sem mãos, o risco de contágio é nulo. O garçom do Gitana Loca, em Sevilha, é perfeito para servir cervejas durante a pandemia, embora os clientes possam sentir falta do afeto, já que é um robô.

Localizada na entrada do bar, a máquina consiste em um longo braço articulado de cor branca com uma pinça na ponta, ao estilo Capitão Gancho.

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O braço pega o copo de plástico de um dispensador, o coloca meio inclinado sob a torneira de cerveja e o enche até a borda. A cerveja, com vários dedos de espuma, é então depositada em cima do balcão, onde o cliente pode pegá-la.

No coração da capital andaluz, o bar conta com o reforço deste robô desde 11 de maio, quando começou o prudente e gradual desconfinamento da Espanha, um dos países mais castigados pela epidemia com mais de 27.700 mortes.

Sevilha está na primeira das três fases de desconfinamento, na qual os terraços dos bares podem abrir com uma capacidade reduzida e inúmeras medidas de higiene e distanciamento social.

O proprietário do Gitana Loca, um local de baixo custo onde a cerveja custa 70 centavos de euros (0,77 dólar) e as bebidas são recolhidas no balcão, já havia planejado equipar outro de seus estabelecimentos muito antes do confinamento, para agilizar as vendas.

Mas o estado de emergência declarado em meados de março impediu seu plano.

Então, "vimos que seria ideal quando começasse a fase um" do desconfinamento, explica à AFP o proprietário da franquia, Alberto Martínez.

"Como tudo era para evitar o contato entre os clientes e todos os elementos (...), o robô serve muito bem para que no copo de plástico também evitemos o contato e seja fácil de usar e jogar fora, tudo muito focado no autosserviço", explica.

"Agora não é lucrativo estar aberto, por conta das poucas cadeiras que temos. Mas temos que competir com os outros bares e fazer algo diferente", confessa Martínez.

No entanto, há os românticos que preferem o método tradicional.

"Acredito que o tratamento entre cliente e barman, o olho no olho, ver a cerveja caindo quando é servida e tudo o mais, tem um atrativo que está se perdendo com essa máquina robô", opina Manuel Fernández, um jurista de 33 anos sentado no terraço do bar.

"Não sou a favor desse tipo de máquina. Prefiro correr o risco e que sirvam minha cervejinha como foi feito durante toda a minha vida", conclui.

Cientistas de Singapura criaram um robô que imita os gestos humanos para ajudar os profissionais do serviço de limpeza na crise do coronavírus.

O "XDBOT" (Robô de extrema desinfecção) tem a forma de uma caixa retangular montada sobre rodas e dispõe de um braço articulado, movimentado por controle remoto. O equipamento chega a locais difíceis de limpar, como debaixo das camas ou das mesas de um escritório.

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Criado por cientistas da Universidade Tecnológica de Nanyang (NTU), o robô também contém um tubo para higienizar grandes superfícies.

O robô é comandado por um computador ou tablet, o que reduz o risco de uma infecção pelo vírus que já matou mais de 140.000 pessoas no mundo.

"Ao controlar o novo robô à distância, um operador humano pode manejar com precisão o processo de desinfecção, sem nenhum contato com as superfícies", explica Chen I-Ming, cientista da NTU que coordenou o projeto.

O XDBOT foi testado em um campus universitário e seus criadores desejam testá-lo em locais públicos e hospitais.

Singapura enfrenta uma segunda onda de contágios de Covid-19. Na quinta-feira (16) registrou um aumento recorde de infecções em 24 horas, com 728 novos casos, sobretudo em locais de grande população ou que abrigam trabalhadores estrangeiros, numerosos na cidade-Estado.

O ministério da Saúde informou até o momento 4.427 casos de coronavírus, incluindo 10 mortes.

Um técnico de informática poderia dar melhores explicações, porém não é novidade que máquinas superaquecem quando são muito exigidas, o que, com o tempo, pode comprometer seu funcionamento. Com robôs funciona da mesma forma.

Pensando nisso, cientistas da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, desenvolveram uma espécie de "músculo" robótico que é capaz de suar, diminuindo sua própria temperatura. Batizado de garra-robô, porque é usada para acondicionar objetos, o equipamento foi feito de hidrogel no formato de dedos e impresso em uma impressora 3D.

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O material serve como sensor térmico, dentro desses "dedos" há um pequeno reservatório que acumula água e em sua superfície há inúmeros microporos por onde o “suor” é expelido. Em dias mais frios, esse mecanismo se fecha. Temperaturas acima de 30°C fazem o hidrogel dilatar, causando a expansão dos pequenos buracos. Em testes, o robô conseguiu refrescar 21 graus centígrados em 30 segundos, três vezes mais rápido do que a pele humana.

 

Por Junior Coneglian

Seis equipes pernambucanas saíram classificadas para a etapa nacional do Torneio SESI de Robótica FIRST LEGO League (FLL). Após dois dias de disputas, em Pernambuco, as equipes formadas por estudantes de 9 a 16 anos e times de garagem de estados do Nordeste, saíram campeãs do desafio regional.

As equipes deveriam criar e programar robôs autônomos feitos com peças da LEGO, além de apresentar projetos de pesquisa sobre assuntos que permeiam o tema da temporada, City Shaper (cidades inteligentes e sustentáveis). Uma das propostas, criada pela Unity, identificava as dificuldades que os deficientes visuais enfrentam nos supermercados. Os estudantes desenvolveram o BlindMap, aplicativo que auxilia os deficientes visuais na hora de fazer compras e que funciona por controle de voz localizando e identificando os produtos. 

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 Na cerimônia de encerramento, todos os times foram premiados com medalhas de participação e as três primeiras equipes no ranking geral ganharam um troféu LEGO. A próxima fase será entre os dias 6 e 8 de março, na Fundação Bienal, em São Paulo.

Começa na próxima sexta-feira (7), a etapa regional do Torneio SESI de Robótica FIRST LEGO League (FLL). A competição desafiará estudantes entre 9 e 16 anos a pesquisar e propor soluções que possam contribuir para o desenvolvimento das cidades, bem como construir e programar robôs autônomos. Ao todo, 40 equipes participarão da etapa regional, que acontecerá no SESI Paulista. Quem for classificado irá para a fase nacional, em São Paulo.

 Os estudantes terão que trabalhar com o tema da temporada 2019/2020, City Shaper. A ideia é ajudar a construir e a desenvolver cidades melhores para as próximas gerações. Serão levados em consideração os projetos que visem melhorar os problemas atuais do meio ambiente, da mobilidade, da acessibilidade e de desastres naturais.

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Os competidores também terão que criar e programar robôs para cumprir 14 missões sugeridas no tapete FIRST LEGO League da temporada, capturando, transportando ou entregando objetos em uma arena. Os times terão direito a três rounds, de dois minutos e 30 segundos cada, para execução das tarefas. Cada equipe deverá ter entre dois e 10 estudantes.

O evento, que vai até sábado (8), terá quatro categorias avaliativas: desafio do robô, design do robô, projeto de inovação e valores. Os vencedores seguirão para a etapa nacional, em São Paulo, e os destaques serão classificados para a mundial. Além de Pernambuco, outros 13 estados também sediarão as etapas regionais: Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

Começa nesta segunda-feira (13) a Feira de Robótica e Exposição de Projetos, com oficinas gratuitas no Shopping Guararapes, em Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife (RMR). Alunos do Instituto Peró, que fizeram o curso de robótica da Softex, produziram seus próprios robôs em setembro do ano passado e vão expor o resultado no centro de compras.

Além dos projetos criados pelos alunos, que vão desde objetos para uma casa inteligente, carro seguro até bengala inteligente, crianças e jovens que forem conferir a feira poderão participar de oficinas de robótica. As atividades acontecerão das 10h às 12h e das 14h às 16h, no corredor da Riachuelo. 

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A feira vai até a próxima sexta-feira (17), das 9h às 18h. O evento é gratuito e aberto para todos que quiserem passar pelo local. Nos dias 14 e 15, acontecem também oficinas de Fundamentos da Modelagem 3D, 14h às 16h, e Oficina de Desenvolvimento de Jogos com Scratch, 10h30 às 12h30.

Gigantes da eletrônica e do setor automobilístico apresentam desde a segunda-feira (6) em Las Vegas suas últimas inovações e projetos no CES 2020 (Salão Anual de Tecnologias de Grande Consumo).

- Robô assistente-

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Criado com a função de administrar o lar, o pequeno robô Ballie tem o formato de uma bola de tênis a alguns centímetros de altura. Desenvolvido pela Samsung, o assistente acompanha o dono em suas atividades diárias e o incentiva a fazer exercícios.

O robô também tem a capacidade de comandar os aparelhos conectados à casa, como o aspirador, caso os donos estejam fora.

"Ballie pode tirar fotos. Ajuda os mais velhos a manterem contato e pode ser um novo amigo para os filhos e os animais de estimação", contou H.S. Kim, diretor de eletrônica da Samsung.

Durante a feira, a empresa também apresentou o protótipo de um óculos de realidade virtual que permitiria ao usuário ver um 'personal trainer' contando as flexões executadas durante uma rotina de exercícios.

- Cidade conectada -

A montadora japonesa Toyota, por sua vez, tem a intenção de criar uma cidade protótipo chamada "Woven City" ("Cidade de Tecido"). O projeto ocupará 70 hectares ao pé do monte Fuji e terá energia gerada por pilhas de combustível, utilizando células de hidrogênio. O objetivo é testar e comprovar o uso de tecnologias variadas, entre elas a dos carros autônomos.

"Construir uma cidade do nada, ainda que seja pequena, parece uma ótima oportunidade para desenvolver tecnologias, como um sistema digital de gestão das infraestruturas", disse o presidente do grupo, Akio Toyoda.

Estima-se que cerca de duas mil pessoas viverão no local, incluindo funcionários da Toyota e pesquisadores convidados.

O escritório dinamarquês de arquitetura Bjarke Ingels colaborará com o projeto, principalmente na construção de casas com materiais sustentáveis, que terão aparelhos integrados e robôs, além de sensores para monitorar a saúde dos habitantes.

Para a mobilidade, os cidadãos da "Woven City" poderão se deslocar usando carros autônomos variados, patinetes e bicicletas.

- Sony apresenta um carro elétrico -

A japonesa Sony exibiu o Vision-S, um protótipo de carro elétrico. Equipado com 33 sensores e câmeras para auxiliar na direção, o veículo poderá alcançar os 100 km/h em menos de cinco segundos e pode chegar à velocidade máxima de 240 km/h.

O que ainda não se sabe é se a empresa pretende comercializar esses automóveis, ou apenas venderá as tecnologias desenvolvidas aos fabricantes do setor automotivo.

- Compras pela televisão -

A partir deste ano, os donos de TVs LG conectadas a webOS poderão fazer compras em programas associados a partir do que estiver ofertado nas telas dos seus aparelhos, segundo a empresa TheTake.

Os usuários também conseguirão fazer perguntas e obter respostas em tempo real sobre o que está acontecendo na tela, sejam programas de esportes, notícias ou filmes.

- 5G por menos de 500 dólares -

No mundo, aproximadamente 50 operadoras já oferecem redes 5G, mas para usá-la é preciso ter um celular compatível para desfrutar da nova tecnologia.

A gigante chinesa TCL apresentou novos smartphones, incluindo um desenvolvido especificamente para a nova rede de telefones móveis. O grupo prometeu que todos custarão menos de US$ 500 (cerca de R$ 2 mil).

- Televisores com câmeras -

O grupo chinês Skyworth exibiu os seus novos modelos de TV, que estarão disponíveis nos Estados Unidos e na Europa, com tecnologias integradas, como inteligência artificial e câmeras frontais para o telespectador.

A inteligência artificial e as câmeras permitirão aos usuários fazer videochamadas, tirar fotos e até mesmo o mapeamento dos movimentos do corpo para jogos e aplicativos esportivos.

- Decolagem iminente -

O grupo sul-coreano Hyundai anunciou nesta terça-feira (07) que fabricará carros voadores para a empresa americana Uber, que pretende lançar uma rede de táxis aéreos compartilhados em 2023.

Em comunicado, a Hyundai informou que produzirá em escala industrial os veículos 100% elétricos, com capacidade para até 4 pessoas.

A Samsung apresentou nesta terça-feira (7) seus novos "seres humanos virtuais", que, segundo a empresa, podem falar e sentir emoções como se fossem uma pessoa real.

Os seres virtuais foram apresentados no primeiro dia da edição 2020 da Consumer Electronics Show, em Las Vegas, um dos mais importantes salões de tecnologia do mundo. Eles são chamados NEON e foram criados pelo Star Labs, uma unidade na Califórnia da gigante sul-coreana de eletrônicos Samsung.

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Segundo a empresa, são seres digitais personalizados que podem aparecer em dispositivos, ou videogames, e podem atuar como "apresentadores de televisão, porta-vozes, ou atores de cinema", ou mesmo como amigos, ou parceiros pessoais.

"Os NEONs serão nossos amigos, nossos colaboradores e parceiros, aprendendo continuamente, evoluindo e criando memórias de suas interações", disse o diretor-executivo do laboratório, Pranav Mistry.

De acordo com o Star Labs, os NEONs são inspirados nas "complexidades rítmicas da natureza e são amplamente treinados para saber como os humanos aparentam, se comportam e interagem".

Embora os personagens virtuais já existam e apareçam, por exemplo, nos videogames, os NEONs permitem interagir com humanos e são capazes de incorporar emoções, de acordo com seus criadores.

"Cada NEON tem uma personalidade única e pode mostrar expressões, movimentos e diálogos", afirmou a empresa.

O anúncio chega em um contexto de multiplicação de vídeos criados com Inteligência Artificial que fingem ser pessoas reais, os chamados "deepfakes", que permitem manipular de maneira realista as palavras de uma personalidade pública, por exemplo.

Alguns analistas temem que esses seres virtuais sejam usados durante as campanhas eleitorais para manipular votos, ou exacerbar as tensões políticas.

Segundo Jack Gold, analista da J. Gold Associates, a Samsung pode liderar esse novo mercado de seres virtuais, se conseguir demonstrar expressividade e emoções. "Teremos que esperar para saber do que se trata", completou Gold.

"De qualquer forma, haverá grandes implicações em domínios como atendimento ao cliente, assistência, ou funções de treinamento. E, é claro, poderão ser usados para fingir ser um ser humano", disse ele. Avi Greengart, da consultoria Techsponential, assegura que eles podem ser realistas e "sinistros".

De acordo com a Samsung e com o Star Labs, os NEONs apresentam uma tal semelhança com pessoas reais que não podem ser distinguidos "além da percepção normal". A empresa espera que seus seres virtuais sirvam como representantes comerciais, consultores financeiros, ou pessoais.

"Sempre sonhamos com seres virtuais, tanto na ficção científica quanto nos filmes", disse Mistry. "Os NEONs se integrarão ao nosso mundo e servirão como novos laços com um futuro melhor, um mundo em que humanos são humanos, e máquinas são humanas", estimou.

O laboratório Star Labs foi criado em 2019 por Mistry, que foi vice-presidente-executivo da Samsung e chefe de inovação da Samsung Mobile. Até agora, era conhecido por desenvolver o Sixth Sense, um sistema para interagir com a tecnologia baseada em gestos, desenvolvido no Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Nascido na Índia, Mistry também trabalhou em vários projetos do Google e da NASA.

Para marcar o centenário de Isaac Asimov (1920 - 1992), escritor de ficção científica responsável pelas três leis fundamentais da robótica, 2020 não poderia ser mais certeiro. Assim como o pai dos robôs inteligentes sonhou - um futuro repleto de máquinas capazes de fazer as tarefas que realizamos diariamente, a Huawei resolveu botar em prática o que, até pouco tempo, era apenas ficção. Isso porque a gigante chinesa abriu, no dia 1º de janeiro, a primeira loja varejista de dispositivos da marca com um total de zero funcionários humanos.

A companhia abriu sua primeira loja inteligente não tripulada e oficial, na China. Ela está localizada no Centro Internacional de Novo Desenvolvimento de Wuhan Optics Valley e foi projetada em formato cilíndrico com a parte frontal feita de vidro transparente à prova de balas. É possível fazer pedidos on-line e compras no local, onde há três braços robóticos, capazes de girar 360 graus (sendo um grande e dois pequenos), para atender os pedidos.

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É possível comprar smartphones e acessórios a qualquer momento do dia, uma vez que a loja fica aberta, ininterruptamente, por 24 horas. Entre os serviços oferecidos além das vendas, que não precisam de intervenção humana direta, estão armazenamento inteligente 24 horas, inventário automático de robôs e gerenciamento inteligente de agendamento.

Quem for experimentar os serviços do local deve comprar os produtos da Huawei através de uma grande tela colocada na área do cliente. Depois do pedido finalizado, o grande braço robô pega o dispositivo e o coloca na área de entrega, onde o pequeno bracinho robô o empurra para o comprador. Agora é torcer para que, ao contrário dos personagens de Asimov, os robôs permaneçam apenas ajudando a humanidade.

A Samsung começou a divulgar - durante a última semana - algumas peças publicitárias que parecem representar sua nova assistente virtual. A gigante sul-coreana liberou apenas alguns pôsteres do que pode ser a nova substituta da Bixby, sua antiga assistente - que vem sendo chamada de NEON. 

O software, que usará de Inteligência Artificial (IA) para se comunicar com os clientes da marca, é originário do Samsung STAR Labs, que desenvolve e protege as tecnologias e plataformas de ponta de IA. Apesar de ter sido feita pelo mesmo laboratório de inovação a Bixby nunca alcançou a popularidade das outras assistentes virtuais e essa deve ser um recomeço de jornada para a empresa;

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No site feito especialmente para o projeto, a única informação publicada pela Samsung indica que a NEON será revelada em janeiro de 2020, um dia antes do início da CES 2020, o mais importante evento de tecnologia do mundo, que acontecerá em Las Vegas. A expectativa é que a apresentação da NEON seja feita com mais detalhes durante a feira. 

Nesta quinta-feira (12), acontece a CIn Innovation Expo, feira de projetos de inovação do Centro de Informática (CIn) da Universidade Federal de Pernambuco, O evento, que está na sua quinta edição, reúne e expõe 22 projetos de inovação desenvolvidos pelos alunos do Centro que foram destaque durante 2019. Além da feira, a programação da CIn Innovation Expo vai contar com duas palestras e um workshop. 

Entre as áreas contempladas estão saúde, meio-ambiente, agricultura e pecuária, segurança e resgate, reciclagem, educação, mobilidade, cultura, robótica, entre outras. Para conferir de perto cada projeto basta ir ao segundo andar do Bloco E do CIn-UFPE. O evento é gratuito. 

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Confira mais sobre os projetos participantes:

CattleDMS

O CattleDMS é um sistema para monitoramento e controle de rebanhos de gado. Seu objetivo é introduzir a Internet das Coisas na pecuária brasileira, algo ainda pouco explorado no país, para ajudar a solucionar importantes problemas da área como o roubo e fuga de gado. O sistema consiste em coleiras e cercas inteligentes usando uma proposta diferenciada para rastreio do gado, por meio de tecnologias como Radiofrequência e LoRa MESH.

Fisheye

O projeto Fisheye é um sistema de monitoramento em tempo real da qualidade da água dos rios. O sistema é implementado com uma rede mesh de nós de monitoramento que fornecem dados sobre temperatura, oxigênio dissolvido, pH e turbidez da água, e os envia para um gateway que disponibiliza os dados em uma página web.

Autecla

O AuTecla é um projeto que visa ajudar no processo de aprendizagem e na assistência de crianças com autismo, envolvendo as crianças, pais, médicos e terapeutas no tratamento. O objetivo é reproduzir as atividades desses tratamentos facilitando no assessoramento do médico e na continuação dos estímulos feitos no consultório em casa junto com o apoio dos pais.

WODA

O WODA visa auxiliar as equipe de busca e salvamento por meio de um sistema de localização de vítimas de naufrágio, restringindo a área de busca. O sistema de bordo da equipe de busca localiza as vítimas com auxílio de um algoritmo de trilateração, que estima a posição do náufrago de acordo com sinais de rádio recebidos do colete salva-vidas e de uma boia da embarcação naufragada.

Beholder

O Beholder visa auxiliar na identificação de acidentes e infrações que possam ocorrer em trechos de vias, possibilitando a diminuição do custo de armazenamento e análise de imagens em centrais de monitoramento. O dispositivo analisa um trecho de uma via (seja ela uma rua, rodovia ou avenida), de forma local e pode identificar algumas situações críticas e situações de risco.

Curupira

O sistema Cururpira é uma ferramenta de monitoramento e análise em tempo real capaz de classificar o potencial de incêndio em uma determinada área, além de alertar a ocorrência de um incêndio. O projeto visa monitorar áreas rurais, como por exemplo, fazendas de cana de açúcar, trigo e soja ou áreas florestais. 

NOMU

Nomu é um projeto voltado para a medição da qualidade, volume e predição de consumo de água em tanques, cisternas e caixas d'água disponibilizando estes dados através de interfaces mobile e web.

LORAX

Lorax é um sistema que visa potencializar a fiscalização das Unidades de Conservação, ajudando no monitoramento destas unidades. Isto é feito a partir da identificação de sons de motosserra e tiro, com posterior envio de alertas em tempo real às autoridades responsáveis a fim de dar a elas o poder de tomar decisões mais rápidas no combate de crimes ambientais como desmatamento e caça ilegais.

NeuralALPR

O projeto consiste em um sistema que realiza reconhecimento de placas de veículos brasileiros em tempo real. Todo sistema é executado em uma plataforma embarcada e utiliza redes neurais convolucionais para realizar a detecção e o reconhecimento das placas. O módulo conta com uma câmera para obter as imagens e possui um co-processador de propósito específico capaz de realizar os cálculos das redes neurais de maneira ágil fazendo com que o sistema funcione em tempo real.

GROOT

O GROOT é um sistema para o monitoramento e análise do solo para agricultura de precisão. O sistema coleta dados físico-químicos do solo em tempo real, seguido da análise desses dados para sugerir correções quando necessário, a fim de melhorar a produção.

R4

Sistema para solução do problema do descarte incorreto do lixo reciclável no Recife.

Journi

Site para ajudar alunos de ensino médio a escolher uma universidade onde terá melhor aproveitamento do curso escolhido para realizar o vestibular. 

Indiquo

É uma comunidade com o propósito de revolucionar a maneira como profissionais, empresas e headhunters se relacionam. Com base na indicação, ela realiza um processo seletivo mais assertivo e rápido, conectando e selecionando os melhores profissionais.

Biciflow

Biciflow é uma startup de impacto social que ajuda, através de um aplicativo gratuito, ciclistas a encontrarem companhia para seus percursos cotidianos, visando aumentar a segurança dos mesmos. 

Vestigare

Jogo mobile que proporciona uma experiência divertida em espaços culturais através de uma narrativa que mistura ficção e o contexto do local, e que utiliza de realidade aumentada para a interação do jogador com o ambiente.

MamuLEDs

Sistema de simulação de bonecos de luva controlados por rastreamento de pose de mãos em tempo-real.

PCM Tool

Ferramenta web desenvolvida para facilitar a utilização do Privacy Criteria Method (PCM), uma abordagem que auxilia o desenvolvedor de software a lidar com a engenharia de requisitos de produtos intensivos de software que lidam com informações sensíveis à privacidade.

BalletVR

Sistema para treinamento das posições básicas de braço do ballet clássico de acordo com o Método Francês

Visun

Tecnologia que permite a visualização e interação direta com modelos 3D no formato BIM (Building Information Modeling), no campo da arquitetura e engenharia civil para integrar dados de gerenciamento de obras com os dados geométricos da construção. Visun associa os dados de gestão e de estrutura em uma única interface de Realidade Aumentada, disponibilizando modelos 3D complexos em tempo real em óculos (como o Hololens) para que engenheiros e arquitetos acompanhem as obras de forma transparente.

Willow

Ferramenta para visualização de programas voltada para ensino de algoritmos e estruturas de dados. Oferece recursos para manipulação das visualizações geradas, que podem ser usados para tornar exemplos de algoritmos mais intuitivos. 

Lovecrypto

Plataforma de anúncios ou tarefas incentivadas que premia os usuários em criptomoedas ao fazerem atividades ou verem anúncios pagos por empresas.

RobôCIn

Projeto que trabalha com robótica autônoma desde 2015 no Centro de Informática da UFPE. Já participou de quatro competições Latino Americanas e uma RoboCup Mundial. Em todas competições levou seus sistemas de robôs que jogam futebol sem ajuda humana, que é todo construído e programado pelos alunos para jogar futebol sozinho. Na CInExpo o RobôCIn vai levar seus 4 projetos, demonstrar e explicar para o público cada tecnologia desenvolvida pelos alunos e compartilhar as experiência que tivemos em cada competição.

Cada vez o desafio das escolas e dos educadores cresce com tantos estímulos que disputam as atenções dos alunos, tão conectados a tudo. A tecnologia possibilita novos desafios aos jovens, como os meninos e meninas de Belém que estão se preparando para disputar o maior torneio de robótica educacional do país, em dezembro, na cidade de Garulhos, em São Paulo.

Daria Montenegro Goulart, João Pedro Mendes Fonseca, José Vitor Matos Monteiro Seabra, Luize Souza Barata, Marcelo Yan de Jesus Furtado, Marcos Gama Bengtson e Rodrigo Marques Matos da Silva são os sete jovens que estão dando o seu melhor na programação do NXT – o robô -, execução de projetos e desenvolvimentos de habilidades lógicas. Eles formam a equipe Open Your Mind, vencedora da etapa estadual do Torneio Brasil de Robótica (TBR), disputada em outubro. Em dezembro a equipe ruma na direção de um objetivo maior: o troféu de campeão nacional na categoria middle 2.

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Os sete jovens são alunos da Zoom Pará, fundada em 2016, na cidade de Belém, após uma experiência exitosa em todo o país de ensino tecnológico para crianças e adolescentes. Segundo Alan Raiol, coordenador da equipe e técnico, a Zoom Pará vem preparando equipes para o TBR desde 2017, com suporte metodológico. “No TBR podemos avaliar o desenvolvimento cognitivo e sócio-metodologico dos alunos e como eles são capazes de solucionar problemas e exercitar o espírito colaborativo em sua plenitude. É uma experiência que vai acompanhá-los por toda a vida”, acrescenta o professor de robótica.

Luize Barata, 12 anos, uma das mais experientes da equipe, vai disputar seu segundo torneio nacional. Ela diz que utilizar o tapete e colocar o NXT no ringue para realizar movimentos configura um momento inesquecível.

A energia positiva e a união da equipe, dos pais dos integrantes e dos colaboradores da Zoom é algo que deixa Carmen Raquel Matos Monteiro, mãe de José Vitor, muito realizada. José Vitor diz que vai levar consigo as amizades que fez, as missões que vivenciou e os desafios superados.

A equipe de Belém finaliza os treinos para afinar tudo. Também trabalha para arrecadar mais fundos para a viagem até São Paulo, por meio de uma vaquinha virtual (veja aqui).

Metodologia pioneira lançada em 2002, em São Paulo, a franquia Zoom education for life e o seu método do aprender fazendo utiliza os componentes e conjuntos de peças da LEGO, a gigante dinamarquesa que tem um braço educacional e desenvolve produtos e módulos de robótica – o chamado Lego Mindstorms NXT – aplicados na educação de jovens e adultos. O método engloba materiais didáticos, os conjuntos LEGO Education e o suporte pedagógico.

Da assessoria da equipe.

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