Incentivo ao turismo: um caminho para Ananindeua

Candidato do PT à prefeitura do segundo município mais populoso do Pará, Pedro Soares apresenta propostas para ativar a economia com obras de infraestrutura. Veja mais uma entrevista da série.

sab, 14/11/2020 - 10:24
Divulgação Candidato Pedro Soares, do PT, apresenta planos para governar Ananindeua Divulgação

Em entrevista pelo WhatsApp, Pedro Soares, candidato pelo PT à prefeitura de Ananindeua, defende o bilhete único no transporte público da cidade e obras de infraestrutura para incentivar o turismo. Secretário de Cultura em Ananindeua na primeira gestão do governo Hélder Barbalho, em 2005, Paulo Soares propõe a criação do primeiro Teatro Municipal e a construção de uma orla e porto na cidade pelo iio Maguari.

Quem é Pedro Soares?

Eu sou pai, sou avô, sou empreendedor. Estou há 26 anos trabalhando no Curuçambá, como padeiro e na área de minimercado, e sou um sonhador. Eu acredito que através da política podemos transformar o mundo. É a partir da participação efetiva das pessoas que podemos transformar aquilo que está em volta da gente. Esse é Pedro Soares: um sonhador com a participação de todos na política.

Qual é o maior desafio que você vai levar para gestão em Ananindeua?

O principal desafio é a participação. Nós precisamos criar um hábito nas pessoas de participar da atividade política, de cobrar aquele que foi eleito, mas acima de tudo acompanhar execução dos projetos, os custos etc. Então, o principal desafio que vou levar pra minha gestão é a participação do cidadão.

Quais serão os planos da sua gestão para estimular a cultura?

Na verdade, o movimento cultural precisa de uma atenção diferenciada. Eu defendo que nós tenhamos no orçamento um valor fixo pra cuidar da cultura como primeira tarefa. Nós precisamos de um Teatro Municipal na cidade de Ananindeua. O município precisa melhorar a sua capacidade de arrecadação. Existe recurso nacional e estadual pra isso. Nós precisamos ajudar na qualificação do movimento cultural e precisamos recriar a Fundação Municipal de Cultura, que é o órgão que nos ajuda a acompanhar as organizações sociais e o movimento cultural para que haja captação de recursos.

Ananindeua carece de espaços públicos de lazer e turísticos. O Parque Ambiental Antônio Danúbio está abandonado e sem reformas há oito anos. O mesmo acontece em outras áreas da cidade. Quais seriam os investimentos da sua gestão para o turismo no município?

Dois registros importantes: o primeiro, fomos nós do PT que dirigimos a Secretaria de Cultura e Turismo no período em que ela foi fundada. O parque Antônio Danúbio na BR-316 foi instituído pelo secretário Felipe Bastos, do PT. O projeto do bosque seringal foi iniciciado na gestão de Felipe Bastos quando era secretário. Além do que já fizemos, estamos propondo a orla do município de Ananindeua, o projeto Ver-O-Rio. Precisamos ver um melhor local para restituir e construir a orla no município: Curuçambá, Distrito Industrial, Maguari, Icuí, 40 horas. São todos banhados pelo rio Maguari. Precisamos desse local apropriado para construção do porto, para que tenhamos um contato com a natureza.

Quais são as suas propostas para saúde no município, visto que há postos de saúde em que há pouco ou nenhum atendimento, onde faltam médicos e equipamentos?

Primeiro desafio da saúde é a transparência. Nós precisamos saber de forma clara quais os critérios que a atual gestão tem usado para distribuir o orçamento da saúde. Por que que o orçamento está sendo distribuído para hospitais vinculados a políticos? Essa transparência é importante ser dada. Segundo desafio é criar equipamentos públicos. Ananindeua precisa de um hospital de pronto atendimento para evitar que nossa população se desloque para Belém no PSM do Guamá ou PSM da 14. Quem necessita de um atendimento de emergência precisa ir para Belém. Nós precisamos de um hospital de referência, de um hospital materno-infantil para que nossas crianças possam nascer e serem cuidadas dentro do município de Ananindeua. E nós precisamos mais do que tudo utilizar a tecnologia em prol dos atendimentos. Não é justo que um pai ou uma mãe tenham que se deslocar de madrugada para filas se hoje tem opção de boleto bancário para pagar, tem a opção da internet e dos apps de smartphones para realizar questões simples como marcar uma consulta. Isso facilita a vida das pessoas. Um governo mais digital é necessário na área da saúde, mas também na gestão como um todo.

Sua gestão terá políticas públicas voltadas às mulheres, principalmente na saúde feminina?

Nós vamos criar a Secretaria Municipal de Promoção de Políticas Públicas para as Mulheres e com as Mulheres. É muito importante que tenha um empoderamento político feminino nessa secretaria. Passaremos a ter um planejamento a médio e a longo prazos de políticas públicas voltadas para elas. Estamos propondo as creches para o município e a criação do Banco do Povo para as mulheres que são chefes de família. Estamos propondo o aumento do Bolsa Família que passará a ser, a partir da participação do município, de R$ 600,00 e, com isso, as mulheres que chefiam a família e que precisam cuidar de seus lares sozinhas terão um suporte extra.

Ananindeua está ranqueado como uma das cidades com o pior índice de saneamento básico do país, de acordo com a pesquisa do Instituto Trata Brasil em 2019. Quais são os seus planos para mudar esse cenário?

O nosso desafio com o saneamento básico tem muito a ver com a estrutura do município e da forma como ele acabou sendo ocupado. Nós precisamos de um planejamento habitacional, como retomar o programa Minha Casa, Minha Vida, que já beneficiou 20 mil famílias no município. Sem déficit habitacional e com uma legislação mais clara sobre as áreas que podem ser destinadas à habitação, nós cessamos a irregularidade habitacional no município. Resolvido o problema habitacional no município, nós teremos condições de cuidar da infraestrutura e zerar o déficit histórico e vergonhoso. Superar o atual modelo de jogar asfalto na lama para ganhar voto é essencial. Precisamos cuidar da macrodrenagem e da estrutura como um todo, para que só depois possamos pensar em pavimentação asfáltica. A prefeitura precisa criar o programa municipal de água, porque nós precisamos de água tratada nos bairros. Não podemos ficar esperando decisões somente da Cosanpa. O município precisa trabalhar com microssistemas de água por conjunto, por bairros, por áreas afins para que, com uma água de qualidade, um gerenciamento local pela própria comunidade com o apoio do poder público não possamos superar esse desafio do fornecimento de água.

A coleta de lixo também é um dos grandes problemas do município. Em muitas áreas da cidade, não é difícil encontrar grandes depósitos de lixo, ou falta de lixeiras ou caçambas para o descarte adequado, e isso pode implicar num início de um impacto ambiental. Quais são as suas propostas para isso?

Nós precisamos mudar o atual modelo para criar uma educação ambiental para reduzir a produção de resíduos. Além disso, precisamos criar um sistema de cooperativas por bairros para valorizar o trabalho daqueles que trabalham com reciclagem. O apoio na industrialização daquilo que pode ser reutilizado é essencial para que se veja uma redução significativa de lixo na cidade.

Quais são as propostas da sua gestão para o descarte e o tratamento de lixo do município, já que o Aterro Sanitário de Marituba será fechado em maio de 2021, por meio de decisão do Ministério Público em acordo com a empresa Guamá Tratamento de Resíduos Sólidos e as prefeituras de Belém, Ananindeua e Marituba?

A questão do aterro sanitário depende da decisão metropolitana, porque é um consórcio de municípios. Eu falei recentemente com o candidato à prefeitura de Belém, Edmilson Rodrigues, em reunião sobre esse tema. Nós precisamos que os municípios possam pensar em conjunto em uma solução a médio e a longo prazos. A redução da produção do lixo é o grande desafio para que se reduza, também, a necessidade de grandes áreas para destinação desses resíduos. Então, o desafio é duplo, unificar a região metropolitana e reduzir a produção do lixo. A decisão não precisa ser somente dos prefeitos, mas também do governador.

Quais são as suas propostas para estimular a geração de novos empregos, sem perder terreno para a vizinha Belém?

A questão do desemprego não é somente local. O país estava em pleno emprego, tinha menos de 5% de desempregados. O período de 2003 a 2014 foi o melhor período para nossa economia. (Infelizmente, nós vivenciamos uma crise a partir do golpe de 2014, o país entrou em declínio na geração de emprego e renda). O que o município pode fazer hoje é ajudar na qualificação profissional de jovens para que eles possam ter um melhor acesso ao mercado de trabalho, e uma política local de financiamento. O Banco do Povo se tornaria uma ferramenta importante para gerar renda e emprego. Além disso, nós precisamos observar com mais atenção os grupos empresariais que vêm ao nosso município, exigindo uma contrapartida com a ocupação de mão de obra do nosso município. Por fim, a revitalização do Distrito Industrial, para que a infraestrutura, o acesso e o transporte possam ser facilitados, e também a criação de um porto e orla em Ananindeua para que possamos receber matéria-prima e exportar nossos produtos, porque o rio pode ajudar o desenvolvimento da cidade, e consequentemente na criação de emprego e renda.

Em agosto de 2019, Ananindeua foi reforçada com agentes da Força Nacional de Segurança e outras forças policiais, a partir do projeto "Em Frente, Brasil" do governo federal no enfrentamento da criminalidade violenta. O município foi um dos locais pilotos na implantação do projeto. Quais são as propostas da sua gestão para a segurança pública?

O PT assumiu a primeira Secretaria Municipal de Segurança Pública sob o comando do secretário Luís Freitas, que atualmente é o nosso coordenador geral de campanha. Foi na gestão dele que foi feito o primeiro concurso para compor a Guarda Municipal, e também foi implantado o sistema de vídeo monitoramento, portanto já temos acúmulo e experiência na atividade. Mas além da questão da força, temos que ter um registro importante, a partir do momento em que o governo do Manoel Pioneiro reduziu o serviço de vídeo monitoramento e congelou o sistema de concurso sem aumento da equipe de segurança pública acabou contribuindo para que o município se tornasse o mais violento da região Norte. Por isso o município foi selecionado para ser uma das cidades piloto do projeto, não por uma homenagem, mas por uma situação emergencial. Entendo que segurança pública não é somente o uso da força policial, precisamos investir em educação, melhorar a infraestrutura da cidade e a iluminação pública, implantar áreas de lazer e de esporte. Precisamos ter espaço para juventude. A partir do momento em que se faz um investimento integral em um ser humano, e a juventude se percebe como parte do esforço do município como um todo, automaticamente os índices de violência vão reduzindo.

No momento da pandemia, há uma necessidade da inclusão digital da população.  Quais as suas propostas para essa questão?

Tivemos recentemente, durante o governo do PT no Estado do Pará, um grande avanço em redes digitais, de torres, por exemplo, tivemos internet gratuita em praças públicas, em infocentros e em escolas públicas. Precisamos retomar esse projeto do Pará Digital, iniciado pela ex-governadora Ana Júlia Carepa, e fazer desse nível no município. O governo digital não é só possível, é uma necessidade para nos ajudar na transparência, na agilidade de serviços, de obras públicas, na educação, na saúde. O governo digital é uma necessidade e é um compromisso nosso.

Quais são os outros projetos da sua gestão para a educação no município de Ananindeua?

Universalizar o ensino fundamental, criar redes de escolas de tempo integral e ampliar o número de creches no município. Também pretendo desvincular a gestão das unidades de educação do município com os políticos. A idéia é manter o mérito e as capacidades técnicas para além das indicações políticas, e democratizar, de forma transparente, a gestão de recursos de cada unidade escolar com a participação direta dos pais e técnicos da educação.

O BRT Metropolitano está em andamento na BR-316, e com isso poderia movimentar políticas públicas para outros tipos de mobilidade urbana. Quais são as propostas da sua gestão para melhorar o transporte público dentro da cidade? 

A construção de uma via, a partir do viaduto do Coqueiro, na Guanabara, até a Alça Viária, passando pelos bairros Águas Lindas, Júlia Seffer, Águas Brancas e Aurá, é uma de nossas propostas para integrar o lado direito da Rodovia BR-316. Precisamos trabalhar um preço diferenciado para os nossos ônibus em Ananindeua. A distância entre os bairros é menor do que a distância dos ônibus que saem daqui de Ananindeua para Belém. Então, o município precisa de um tarifa própria, e hoje a integração do cartão é complicado, pois o usuário tem que ter um passe para andar em Ananindeua, outro para andar em Belém. Precisamos integrar esses dois sistemas de cobrança para que possamos ter uma tarifa proporcional à distância que o usuário percorrer, porque não é justo que alguém que vai percorrer pequenas distâncias pague o mesmo valor de alguém que percorre longas distâncias. E também temos como proposta implantar o ar-condicionado nos ônibus, isso não é um luxo, é uma necessidade do nosso município. Nós precisamos dos ônibus confortáveis para que o usuário tenha desejo e confiança no transporte público, ao invés de um desejo de mais carros, o que acaba piorando ainda mais o sistema de trânsito.

Quais serão os projetos para acabar com a informalidade e estimular o empreendedorismo? 

O empreendedorismo é um dom muito forte na nossa cidade de Ananindeua, faz parte de nossa cultura, então não vamos acabar com ela integralmente. O Banco do Povo é uma ferramenta importante, porque ele organiza e financia o empreendedor, dá qualificação e formação. Esse projeto pode auxiliar nossos empreendedores. A ideia é pegar a capacitação, a organização e o crédito do Banco do Povo, associando e dando atenção aos beneficiários do Bolsa Família. Ampliar esse programa para que o valor suba para R$ 600,00, e com isso pegar essa pessoa que está no programa social e elevá-lo ao empreendedorismo. 

Falando do Auxílio Emergencial, qual será o seu compromisso com os benefícios sociais, a fim de dar oportunidade às pessoas mais carentes do município?

Temos um compromisso com quem recebe Bolsa Família. Vamos fazer a alteração do valor da bolsa para R$ 600,00 para que o recurso possa possibilitar uma dedicação melhor para quem recebe uma qualificação, e o segundo compromisso é encaminhar essas pessoas para que, a partir da política de organização e de qualificação do Banco do Povo, nós possamos ter o financiamento dos empreendimentos e da capacidade, de acordo com o perfil de cada um, tanto individual, quanto empreendimentos coletivos, cooperativas para que um período curto de tempo, essas pessoas não precisem mais da ajuda emergencial da Bolsa Família.

Qual a mensagem que você pode transmitir para os eleitores?

A nossa mensagem para o próximo domingo é a expectativa e a fé que temos no povo. A fé de que nós merecemos uma mudança de gestão de um mesmo grupo que está governando nossa cidade há três décadas, e que nesse período de governo não deram conta, nem respostas para necessidade da nossa população. Então, é uma esperança de que a fé seja maior que a corrupção, os interesses pessoais, e que possa nos ajudar a assumir o nosso destino e assumir a nossa cidade. O futuro depende do voto de cada um de nós. 

Por Cristian Corrêa. Com apoio de Ana Caroline Barboza.

 

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