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O jornalista pernambucano Álvaro Filho vai aproveitar as suas férias em agosto para escrever o romance policial intitulado 'O Diário de Viagem do Sr. A'. As cidades pelas quais Álvaro passará (Lisboa, Roma, Paris e Londres) serão utilizadas como cenários para a trama, numa obra inteiramente escrita através de um iPhone e publicada numa página no Facebook.  A viagem literária está marcada para acontecer de 1° a 20 de agosto e durante o percurso serão captadas fotos e vídeos através do celular, assim como a redação dos textos, com direito a falas, músicas e outras intervenções audiovisuais. A trama contará a história de um detetive particular é contratado por um milionário para viajar até Lisboa e recuperar um livro dado como perdido desde a Segunda Guerra, chamado O Diário de Viagem do Sr. A. Mas no meio do caminho a missão se complica quando o diário se extravia e o detetive particular percebe que há outras pessoas interessadas em colocar as mãos no livro. O LeiaJá conversou com o jornalista para saber mais detalhes sobre esta empreitada, como surgiu a ideia e quais os desafios e expectativas que ele encontrará pela frente, como o convite da Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto) para falar sobra a experiência. Confira:

Insight do projeto

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Há um ano comecei a trabalhar com vídeo, na TV Pernambuco. Cheguei a ir também no ano passado para a Europa com meus pais, e filmei toda a viagem. Hoje eu faço muita coisa pelo iPhone, uma técnica que eu batizei de ‘reportátil’. 

Primeiro eu pensei em escrever um livro mesmo. Tenho quatro publicações lançadas e sei do trabalho que é correr atrás de editora, essas coisas. Daí pensei: Por que não levar essa ideia para o Facebook? O projeto conta também com imagens e vídeos, os quais eu farei seguindo o roteiro das minhas férias.

É bom salientar que não se trata de um livro. É uma experiência literária que pouco provavelmente se transformará em livro, porque ele só fará sentido durante essa temporada. Muito dificilmente uma pessoa vai acessar a fanpage para ler todo o trabalho posteriormente. A proposta é que o leitor acompanhe dia a dia. Vale tanto pela leitura como pra entender essa proposta.

Roteiro de O Diário de Viagem do Sr. A 

O projeto acompanha as minhas férias, as quais passarão por quatro cidades da Europa (Lisboa, Roma, Paris e Londres).  Aqui no Brasil a gente escreve muitas histórias com cenários locais, e eu quero aproveitar essas férias para fazer uma história com viés internacional.

O nome do personagem principal da trama ainda não está definido, mas fatalmente começará com a letra A. Pensei em Arturo Angel, mas ainda vou ver isso porque fico com receio do corretor ortográfico me atrapalhar com esse nome. Quando o criei, pensei primeiro em determinar que a profissão dele fosse de professor de História. Mas ai eu teria que fazer uma pesquisa mais aprofundada e não tenho tempo pra isso. Pensei em seguida em escolher a profissão de jornalista para o personagem, mas ai as pessoas poderiam pensar que eu estava contando a minha história. Por fim, decidi que ele fosse um detetive mesmo, que é algo mais simples de se construir. Mas a ideia é que ele não mande nas minhas férias, e sim seja meu companheiro de viagens.

Desafios e expectativas

Na última quarta-feira (30), fiquei surpreso com uma ligação do pessoal da Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto), que me convidou para falar sobre essa experiência na próxima edição do evento. Vai ser uma boa oportunidade porque as pessoas reclamam que a juventude de hoje em dia lê de forma fragmentada. Acho que a minha proposta será uma forma da literatura atingir essas pessoas. Minha luta é mostrar que a literatura pode existir em outros planos. Vou entender bem se qualquer teórico literário me esculhambar, contanto que ele me leia (risos).

Mas o grande desafio vai ser levar toda a história pro Facebook. É um diário de viagem, mas não é o meu diário de viagem e o é ao mesmo tempo. Eu que fiz a capa do livro, a fanpage e vou escrever os posts. Acho que serão de dois a três posts por dia. E o meu pior inimigo será o corretor ortográfico do iPhone. Vai ser um exercício lidar com essa ferramenta. 

Processo de postagens e atualizações

O roteiro tem uma logística que segue a linha do Facebook. Nesta rede social as pessoas postam fotos, vídeos, contam curiosidades sobre os locais que passam, só que neste projeto tudo isso será determinado pela trama. E eu tenho a história todinha na cabeça. Acho que cada post será um capítulo. Minha esposa, que é fotógrafa, vai comigo e tem coisas que ela vai querer ver durante a viagem. Isso com certeza vai interferir no processo.

Todo dia de manhã vou situar meu texto e postar uma foto do dia de algum, do mesmo jeito que Fidel Castro faz para provar que está vivo. Fiquei meio na dúvida se colocaria essa ideia em prática mesmo, mas agora admito que estou bastante excitado com esse projeto. O que me deixa tranquilo é que as cidades que eu passarei fazem parte de um roteiro que eu já conheço. Se eu quiser achar restaurante, um bar, uma feira ao ar livre, vou saber onde encontrar. E se os leitores comentarem nos posts que eu fizer com sugestões? Pode ser que eu siga, pode ser que não. Mas existe a possibilidade do próprio público interferir na construção.

O Governo de Pernambuco já está edital disponível do II Prêmio Pernambuco de Literatura. O intuito da ação é fomentar a produção literária em todas as macroregiões do Estado, incentivando o acesso ao livro e promovendo a distribuição e circulação da literatura contemporânea.

De acordo com a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fudarpe) – instituição responsável pela seleção -, além das publicações dos títulos vencedores pela Companhia Editora de Pernambuco, com tiragem de mil exemplares, serão dados até cinco prêmios no valor de R$ 5 mil para cada um dos vencedores em cada macroregião e um prêmio especial de R$ 15 mil para um dos cinco finalistas ganhador do Grande Prêmio. As inscrições poderão ser feitas do dia 2 de janeiro a 2 de março, conforme orientações do edital.   

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Fortalecer uma política de leitura como agenda estratégica para o desenvolvimento da América Latina e do Caribe é um dos objetivos do escritor Fabiano dos Santos Piúba, o primeiro brasileiro a ocupar uma das quatro subdiretorias do Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e Caribe (Cerlalc) da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Criado em 1971, o Cerlalc é responsável por estimular a leitura, a produção literária, a criação de bibliotecas e proteger a criação intelectual em toda a região – além de Espanha e Portugal.  Piúba, que chefiava a diretoria de Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura, assumiu no último dia 23 de fevereiro a Subdiretoria de Leitura, Escrita e Biblioteca do Cerlalc, em Bogotá, na Colômbia. O conselho do centro atualmente é presidido pelo representante brasileiro no órgão – o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Galeno Amorim.

Além de oferecer assistência técnica para que os 21 países-membros desenvolvam políticas públicas de estímulo à leitura, o centro também realiza pesquisas e estudos que servem de subsídio aos governos e ao setor privado. Entre os exemplos de ações locais desenvolvidas com o apoio do Cerlalc estão um projeto para estimular a leitura entre jovens uruguaios que vivem em condições de vulnerabilidade social e o fortalecimento dos sistemas nacionais de bibliotecas públicas de países latino-americanos e caribenhos.

“Ao longo de seus 40 anos, o centro estabeleceu uma trajetória importante, apoiando os países-membros a formular e desenvolver políticas públicas voltadas ao desenvolvimento da leitura, do livro e de bibliotecas”, disse Piúba a Agência Brasil, citando o Plano Nacional do Livro e da Leitura, de 2005, como exemplo das iniciativas brasileiras desenvolvidas a partir da colaboração institucional com o Cerlalc.

Escritor, Piúba tem doutorado em educação pela Universidade Federal do Ceará e é mestre em história pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. Em 2006, quando coordenava o  setor de Políticas de Livros e Acervos da Secretaria de Cultura do Ceará, criou o projeto Agentes de Leitura. O programa, que emprega jovens para atuar como agentes culturais em comunidades de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), logo foi adotado pelo Ministério da Cultura.

Segundo Piúba, poucos países latino-americanos e caribenhos possuem uma política específica para o livro, leitura e bibliotecas. “As ações de estímulo à leitura não podem ser eventuais. Elas precisam ser institucionalizada por meio de leis, de uma política de Estado, de maneira a não ficarem ao sabor deste ou daquele governo”.

Para a presidenta do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, Sônia Machado Jardim, o convite a Piúba é um sinal de que, além da maior projeção internacional, o Brasil vem ocupando novos espaços. Para ela, a nomeação de um brasileiro pode possibilitar uma maior troca de informações a respeito das experiências de outros países.

“O Cerlalc tem uma grande importância por agregar e disponibilizar informações de toda a região sobre leitura e literatura, o que permite comparar a situação dos diversos países a partir de dados obtidos através de uma metodologia única.”

A presidenta da Câmara Brasileira do Livro, Karine Gonçalves Pansa, também considera a nomeação positiva para o Brasil. Segundo ela, embora receba pouca atenção da imprensa em geral, o Cerlalc desempenha um papel importante para o mercado editorial.

“Estamos sempre trabalhando em conjunto com o centro, obtendo orientação para a formulação de políticas e aplicação de pesquisas, por exemplo. A própria pesquisa Retratos da Leitura no Brasil é feita a partir da metodologia proposta pelo Cerlalc.”

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