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Dominic Cummings, o polêmico ex-assessor especial de Boris Johnson, fez nesta terça-feira (20) um novo ataque ao primeiro-ministro britânico, ao afirmar que ele não queria decretar o segundo confinamento no ano passado, porque as vítimas fatais da Covid-19 tinham mais de 80 anos.

Cummings, que deixou o cargo de maneira repentina em novembro depois de ter sido um dos homens mais poderosos e temidos de Downing Street, concedeu uma longa entrevista à rede BBC, que será exibida na terça-feira à noite.

Há alguns meses, ele lançou um feroz ataque contra Johnson em seu blog, ao chamar o primeiro-ministro de inepto na gestão da pandemia. Ele detalhou suas acusações em sete horas de audiências em uma comissão parlamentar em maio deste ano.

Agora, em um trecho da entrevista exibido de maneira antecipada, ele afirma que, no outono do ano passado (primavera no Brasil), Johnson resistiu a seguir o conselho dos cientistas de ordenar um segundo confinamento nacional, porque considerava que "os confinamentos não funcionam".

E argumentou que "as pessoas que estão morrendo são todas essencialmente acima de 80 anos, e não se pode matar a economia apenas porque as pessoas com mais de 80 anos estão morrendo".

O ex-assessor cita mensagens de WhatsApp de seu ex-chefe, nas quais ele afirma que a idade média das vítimas de covid-19, "82-81 anos para os homens, 85 para as mulheres", estava "acima da expectativa de vida".

Johnson acabou ordenando um segundo confinamento de quatro semanas em novembro passado, seguido de um terceiro de mais de três meses em janeiro deste ano, devido à explosão de casos provocados pela variante Alfa.

Cummings afirma ainda que o primeiro-ministro queria fazer a visita semanal à rainha Elizabeth II, de 95 anos, em 18 de março de 2020, cinco dias antes do primeiro confinamento, apesar de o governo ter recomendado evitar o contato com os idosos.

"Eu disse: 'há pessoas neste gabinete que estão em quarentena, você pode ter o coronavírus, eu posso ter o coronavírus, não pode encontrar a rainha'", relatou Cummings à BBC.

"Eu disse: 'se você infectá-la com o coronavírus e ela morrer, o que... Você não pode fazer isso, não pode correr esse risco, é uma insanidade completa'", completou.

Johnson teve covid-19 no fim de março de 2020 e ficou internado por três dias na UTI, onde disse ter temido por sua vida.

Downing Street negou à BBC que tais conversas tenham acontecido e afirmou que, "desde o início da pandemia, o primeiro-ministro adotou medidas necessárias para proteger vidas" com base na "melhor assessoria científica".

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, decidiu neste domingo manter seu conselheiro mais próximo, Dominic Cummings, acusado de violar medidas de confinamento para combater a propagação do novo coronavírus.

Até agora, o governo britânico rejeitou pedidos para demitir Cummings, acusado de viajar pelo país com sua esposa, apesar do fato de ela ter sintomas da Covid-19.

Mesmo dentro do próprio partido conservador do primeiro-ministro, muitos pediram a renúncia do poderoso conselheiro. Mas o chefe do governo afirmou neste domingo que seu consultor agiu de "maneira responsável, legal e honesta".

Cummings foi visto com o filho próximo à casa de seus pais na cidade de Durham, no nordeste da Inglaterra, a cerca de 400 quilômetros de Londres em 31 de março, um dia depois que ele próprio anunciou que apresentava sintomas do novo coronavírus.

Os jornais Observer e Sunday Mirror informaram que testemunhas o viram novamente em 19 de abril no norte, cinco dias após seu retorno a Londres para retomar o trabalho após sua recuperação.

"Não perderemos tempo respondendo a uma cascata de falsas acusações sobre o Sr. Cummings de jornais militantes", disse Downing Street, sede do primeiro-ministro, na noite de sábado.

Segundo a imprensa, outra testemunha especificou que viu Cummings na cidade de Barnard Castle, a 50 quilômetros de Durham, em 12 de abril. Questionado neste domingo pela BBC, o ministro dos Transportes, Grant Shapps, afirmou que Cummings não vai deixar o cargo.

No dia anterior, Shapps assegurou que o conselheiro tinha o "apoio total" do primeiro-ministro. No Reino Unido, o segundo país mais atingido pelo coronavírus, com 36.793 mortes, esse assunto atinge primeiro-ministro, que já é alvo de críticas por sua gestão da crise.

Cummings, idealizador da campanha de 2016 para a saída do Reino Unido da União Europeia, é frequentemente visto como uma companhia prejudicial para Johnson.

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