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A eleição do presidente da República italiana por parte do Parlamento desencadeou, nesta sexta-feira (28), um duro confronto entre os blocos, que não conseguem encontrar um candidato de consenso após cinco dias de votações.

Com a esperança de que finalmente surja uma personalidade que obtenha o apoio necessário, o Parlamento estabeleceu duas rodadas de votação, em vez de uma só.

Devido às restrições pelo coronavírus, foi programado inicialmente apenas uma rodada de votação por dia.

No entanto, a votação dupla não resolveu a situação, já que a maioria dos legisladores anunciou que vai votar em branco ou na abstenção devido ao fato de não terem chegado a um acordo sobre o candidato que vai suceder Sergio Mattarella, cujo mandato termina em 3 de fevereiro.

Apesar de todos os partidos políticos com representação no Parlamento, com exceção o Irmãos da Itália de extrema-direita, fazerem parte da coalizão do governo liderado por Mario Draghi, a direita, esquerda e o Movimento 5 Estrelas (M5E), a divisão reina, o que deixa a eleição em ponto morto.

Para a quinta rodada desta sexta-feira, iniciada às 11h hora local (07h00 em Brasília), o bloco de direita (Liga de Matteo Salvini, Força Itália de Silvio Berlusconi e o partido de extrema-direita Irmãos da Itália) apresentou como candidata a atual presidente do Senado, Elisabetta Casellati, simpatizante de Berlusconi.

Como a direita não possui maioria absoluta, a senadora, católica anti-aborto de 75 anos, não obteve os votos da esquerda nem dos antissistema do M5E.

"Poderia ser a primeira mulher presidente. É a melhor candidata possível e atualmente é o segundo cargo mais importante do país depois do presidente a República (...). É curioso que a esquerda tenha optado por se abster", afirmou Salvini com tom de provocação em uma entrevista coletiva.

A proposta de Salvini, feita sem consultar os rivais políticos, gerou ruptura com o Movimento 5 Estrelas.

"Estão forçando a situação. Queremos um candidato com um grande perfil, acima das partes, compartilhado e não imposto", disse irritado o líder dos antissistema, Giuseppe Conte.

O resultado das eleições presidenciais italianas, sem candidatos oficiais e com votações secretas, é notoriamente difícil de prever.

O presidente é eleito para um mandato de sete anos por voto indireto por uma assembleia formada por membros dos dois ramos do Parlamento, além de representantes das regiões. No total, mais de mil "grandes eleitores".

Seis foguetes foram disparados na madrugada desta sexta-feira (28) contra o aeroporto de Bagdá, sem causar vítimas, mas sim danos a um avião civil, no mais recente de uma série de ataques que os Estados Unidos costumam atribuir a facções pró-iranianas.

Esses atos, que nunca são reivindicados, são geralmente direcionados aos interesses dos Estados Unidos e das tropas da coalizão internacional antijihadista no Iraque, cuja saída é exigida por grupos armados favoráveis ao Irã.

Os seis foguetes caíram no estacionamento e nas pistas. Um avião civil, que estava vazio, foi atingido e danificado.

Uma fonte confirmou que o ataque foi executado com seis drones contra as instalações civis do aeroporto.

A aeronave atingida é um Boeing 767 da companhia aérea iraquiana Iraqi Airways que passava por reparos, segundo outra fonte do aeroporto.

A companhia aérea postou nas redes sociais fotos do avião danificado, que apresentava um enorme buraco perto da cabine. Segundo a empresa, o avião já estava "fora de serviço" e imobilizado em terra. A empresa informou ainda que os voos não serão afetados.

Nenhum grupo assumiu a autoria do ataque até o momento.

Nas últimas semanas, os lançamentos de foguetes, ou ataques com drones, atingiram a denominada e superprotegida "Zona Verde", onde fica a embaixada dos Estados Unidos.

De acordo com uma fonte da coalizão, em 3 de janeiro, os militares dos EUA derrubaram dois drones armados. Estes artefatos teriam como alvo uma zona diplomática americana instalada no aeroporto de Bagdá e bases onde as tropas da coalizão estão estacionadas.

Em 13 de janeiro, três pessoas - incluindo duas crianças - ficaram feridas por um foguete que atingiu uma escola na "Zona Verde".

Ao mesmo tempo, outros dois foguetes caíram no complexo da embaixada dos Estados Unidos, sem deixar feridos.

Em 9 de dezembro, o Iraque anunciou o "fim da missão de combate" da coalizão, que, no entanto, mantém tropas em território iraquiano para tarefas de treinamento e assessoria.

Na prática, cerca de 2.500 soldados americanos e outros mil soldados dos países-membros da coalizão estão mobilizados no Iraque, distribuídos em três bases administradas pelas Forças Armadas iraquianas.

A onda de ataques se intensificou desde o início do ano, com o Irã e vários grupos aliados marcando o segundo aniversário do assassinato do general iraniano Qassem Soleimani e de seu braço direito iraquiano Abu Mehdi al-Muhandis. Ambos foram abatidos por um drone dos EUA no Iraque, em 3 de janeiro de 2020.

Esta sequência de ofensivas também se dá em um tenso contexto pós-eleitoral, caracterizado por negociações intermináveis para formar uma coalizão parlamentar, nomear um primeiro-ministro e compor um novo governo.

Na última terça-feira (25), três foguetes caíram perto da casa do presidente do Parlamento iraquiano, Mohamed al-Halbusi, que renovou seu cargo para um segundo mandato.

A Coreia do Norte confirmou dois testes de mísseis esta semana, parte de uma intensa série de lançamentos desde o início do ano, e anunciou a visita do líder Kim Jong Un a uma "importante" fábrica de munições.

Pyongyang executou seis testes durante o mês, incluindo lançamentos de mísseis hipersônicos, parte do plano de Kim de acelerar o programa armamentista, ao mesmo tempo que ignora as ofertas do governo dos Estados Unidos para um diálogo.

A agência oficial norte-coreana KCNA informou que na terça-feira o país testou mísseis de cruzeiro de longo alcance que atingiram "uma ilha alvo a 1.800 km de distância" no Mar do Leste, também conhecido como Mar do Japão.

E na quinta-feira, o regime comunista, que possui armamento nuclear, lançou "dois mísseis táticos guiados" que atingiram outra "ilha alvo", em uma demonstração de que "poder explosivo das ogivas convencionais cumprem os requisitos de design", afirmou a KCNA.

A série de lançamentos, uma das mais intensas registradas em um mês, acontece depois de Kim ter ratificado o compromisso com o desenvolvimento militar durante um discurso em dezembro.

Washington respondeu com novas sanções, mas a reação de Pyongyang foi intensificar o programa e insinuar na semana passada uma possível retomada dos testes de armas nucleares e intercontinentais, após uma moratória de vários anos.

Nesta sexta-feira, a KCNA publicou imagens de Kim durante uma inspeção a uma fábrica de munições, que segundo a agência produz "um importante sistema armamentista". O dirigente aparece ao lado de outros oficiais que tiveram os rostos pixelados.

Kim disse que "aprecia muito" o papel da fábrica em seu programa de armas, afirmou a agência. "A fábrica tem uma posição muito importante e um dever na modernização das Forças Armadas do país", acrescentou.

A agência não informou se Kim compareceu a algum teste esta semana, mas outro meio de comunicação estatal afirmou que ele visitou uma fazenda próxima ao local de lançamento dos mísseis na quinta-feira.

- Melhorar o arsenal -

Os testes de janeiro fazem parte do plano quinquenal para "melhorar o arsenal estratégico", disse à AFP Hong Min, do Instituto Coreano para a Unificação Nacional em Seul.

"Os mísseis de cruzeiro disparados na terça-feira são uma extensão do mesmo tipo de mísseis lançados desde o final de setembro, com melhorias em alcance e velocidade", acrescentou.

O analista indica que os testes também respondem ao avanço do arsenal da Coreia do Sul, que em 2021 testou mísseis supersônicos e lançados de submarinos.

"O Norte demonstra que também desenvolve mísseis para contra-atacar o que o Sul tem em seu poder", disse Hong Min.

Os testes ocorrem em um momento delicado para a região, com a China, o único grande aliado da Coreia do Norte, se preparando para sediar os Jogos Olímpicos de Inverno em fevereiro e a Coreia do Sul organizando as eleições presidenciais de março.

A nível interno, a Coreia do Norte se prepara para comemorar o 80º aniversário de nascimento do pai de Kim, o falecido Kim Jong Il, em fevereiro, e o 110º aniversário de seu avô, o fundador do país, Kim Il Sung, em abril.

A necessidade de celebrar "tantos aniversários importantes" ajuda a explicar os testes, disse o analista Ankit Panda. "Devemos esperar um primeiro semestre turbulento", acrescentou.

Panda também afirma que Pyongyang busca "propaganda positiva" entre seus cidadãos, que sofrem as consequências da severa crise econômica provocada pelas sanções internacionais e o bloqueio autoimposto pela pandemia.

Um juiz ordenou nesta quinta-feira (28) a deportação de Juan Reyna, um mexicano que vive há 25 anos nos Estados em condição ilegal - anunciou sua equipe de defesa.

"Hoje se ordenou oficialmente a deportação de Juan Reyna", afirma Erika Andiola, chefe do escritório de defesa da ONG Raices, que assumiu a defesa legal do mexicano, em um comunicado enviado à AFP.

Juan, de 48 anos, chegou aos Estados Unidos em 1996. Agora, ele tem 30 dias para recorrer novamente desta decisão judicial. Esta última ratifica uma anterior, de 3 de dezembro, na qual um juiz ordenou sua expulsão para o México.

Juan Reyna está detido há mais de um ano em um centro do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) perto de Austin, no Texas, à espera de sua deportação.

"Não sou um perigo para a sociedade. Não sou uma ameaça para este país", disse ele por telefone, recentemente, à AFP.

Reyna recebeu o apoio dos congressistas pelo estado do Texas Lloyd Doggett e Joaquín Castro para que o ICE deixe-o em liberdade, de modo que ele possa ficar com sua mulher, Guadalupe Martínez, que tem problemas de saúde, e seus dois filhos.

De acordo com as últimas disposições do governo de Joe Biden, Juan Reyna não deveria estar detido.

Em 30 de setembro, o secretário de Segurança Interna, Alejandro Mayorkas, de origem cubana, instruiu as autoridades de imigração e policiais a se concentrarem na expulsão de pessoas suspeitas de terrorismo, que tenham cometido crimes graves, ou que tenham cruzado a fronteira, recentemente, de forma ilegal.

As ciberdefesas dos sistemas de abastecimento de água potável dos Estados Unidos são "absolutamente inadequadas" e vulneráveis a ataques de hackers em larga escala de hackers, disse um funcionário de alto escalão do governo americano, nesta quinta-feira (27), pedindo para não ser identificado.

"Há uma resistência inadequada para igualar (as capacidades) do setor criminal", disse o funcionário.

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O governo tentou atender a cibersegurança da infraestrutura, mas há limitações pelo fato de a grande maioria destes serviços ser oferecida por empresas privadas.

O tamanho do desafio ficou claro em maio do ano passado, quando um ataque deixou temporariamente fora de serviço o importante oleoduto Colonial Pipeline.

Funcionários que falaram com os repórteres sob condição de anonimato mostraram um plano para que as empresas de água cooperem com o governo para tentar selar as falhas de segurança. Como acontece em outros existentes nos setores elétrico e de gás, o programa é, no entanto, de adesão voluntária.

Outro problema é que existem cerca de 150.000 fornecedores de água diferentes para atender 300 milhões de americanos, segundo o funcionário ouvido pela AFP. Também aumenta a vulnerabilidade o fato de se tratar de sistemas cada vez mais automatizados, com computadores que gerenciam o tratamento, o armazenamento e a distribuição.

"Esses processos, quero destacar, podem ser vulneráveis a ciberataques (...) Estamos particularmente preocupados que se lance um ciberataque para, por exemplo, manipular processos de tratamento e produzir água insegura, ou também para danificar infraestrutura hídrica, ou mesmo parar o fluxo de água", completou esta fonte.

Seis jovens japoneses apresentaram nesta quinta-feira (27) uma ação coletiva contra a central nuclear de Fukushima, alegando um vínculo entre o câncer de tireoide que sofrem e sua exposição à radiação, após a catástrofe de março de 2011.

Hoje com idades entre 17 e 27 anos, os demandantes eram menores à época e moravam na região de Fukushima, quando um forte terremoto no nordeste do Japão provocou um gigantesco tsunami que resultou no desastre nuclear.

Os advogados do grupo compareceram nesta quinta-feira a um tribunal de Tóquio para apresentar a ação coletiva, a primeira do tipo iniciada pelos habitantes da região. Dezenas de simpatizantes da causa se reuniram na frente da corte para manifestar seu apoio.

No total, eles pedem à empresa Tokyo Electric Power Company (TEPCO), operadora da central, uma indenização de 616 milhões de ienes (5,4 milhões de dólares), afirmou Kenichi Ido, um dos advogados.

As autoridades não reconhecem a existência de um vínculo entre a exposição à radiação de Fukushima e o câncer de tireoide.

Um relatório da ONU publicado no ano passado afirma que, uma década depois do desastre nuclear, "não foi documentado qualquer efeito nefasto para a saúde dos habitantes".

O aumento dos casos de câncer de tireiode entre crianças expostas à radiação pode ser resultado de melhores diagnósticos, destacou o Comitê Científico da ONU sobre os Efeitos da Radiação Atômica.

Os advogados dos jovens alegam, contudo, que nenhum caso de câncer entre o grupo é hereditário e que é muito provável que a doença tenha sido causada pela exposição à radiação.

"Alguns demandantes têm dificuldades de avançar no ensino superior e de encontrar empregos e até desistiram dos sonhos para o futuro", disse Ido.

- Medo -

"Demoramos dez anos para apresentar a ação, porque tínhamos medo de discriminação", caso levantássemos nossa voz, disse uma das demandantes.

"Era uma criança quando me disseram que tinha câncer e não tinha dinheiro para os gastos judiciais", acrescentou.

Sem conter as lágrimas, a jovem recordou o dia em que recebeu o diagnóstico: "Disseram claramente que não havia qualquer vínculo com o acidente".

Os demandantes tinham entre seis e 16 anos no momento do acidente nuclear e foram diagnosticados com câncer de tireoide entre 2012 e 2018.

Quatro foram submetidos a uma ablação total desta glândula e devem seguir um tratamento de reposição hormonal por toda vida, informou o advogado Ido. Os outros dois passaram por uma ablação parcial da tireoide.

Em 11 de março de 2011, um potente terremoto desencadeou um gigantesco tsunami que provocou a fusão dos núcleos dos três reatores da central Fukushima Daiichi, liberando importantes quantidades de radiação no ar que depois vazaram para o solo e para a água.

A tragédia deixou 18.500 mortos, ou desaparecidos, a maioria por causa do tsunami. Foi o pior desastre nuclear desde Chernobyl em 1986, depois do qual foram detectados muitos casos de câncer de tireoide.

Até junho de 2021, o departamento de Fukushima registrou 266 casos, ou suspeitos, de câncer de tireoide infantil.

"Quando o documento do processo chegar, vamos examinar com sinceridade depois de ler com atenção os detalhes", declarou à AFP o porta-voz da empresa TEPCO, Takahiro Yamato.

"Seguimos expressando nossas sinceras desculpas pelos problemas causados à população pelo acidente", completou.

A Inglaterra abandonou, nesta quinta-feira (27), quase todas as últimas restrições impostas contra a variante Ômicron do coronavírus, com um governo esperançoso de que a população convida com a Covid-19 como com a gripe.

Esta liberdade chega em bom momento para o primeiro-ministro Boris Johnson, mais do que nunca enfraquecido à frente do governo pelo escândalo das festas em Downing Street que violaram as regras anticovid.

Ele comemorou no Twitter a nova etapa, alertando, porém, que "a pandemia não acabou": "Todos devem permanecer cuidadosos, e peço a todos aqueles que ainda não receberam a vacina que se manifestem".

Depois de retirar, há uma semana, a recomendação de trabalhar em casa, a Inglaterra se livra agora de outras restrições - entre as mais leves da Europa - introduzidas em dezembro diante da onda de casos da Ômicron: obrigação de usar máscara em ambientes fechados ou locais públicos e passaporte de vacinação para eventos com grande público.

O governo também anunciou que os moradores de casas de repouso - 86,5% dos quais receberam a dose de reforço da vacina - poderão receber um número ilimitado de visitantes a partir de segunda-feira. Se testarem positivo para coronavírus, terão que se isolar por menos tempo.

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, anunciou que continuará sendo obrigatório o uso de máscara nos transportes públicos da capital. Algumas cadeias de supermercados como Sainsbury's, Waitrose ou Morrisons também pedem aos seus clientes que sigam a medida.

"Parece que estamos de volta a Londres como antes", comemorava Elizabeth Hynes, de 71 anos, entrevistada pela AFP no centro da capital britânica. "É agora que nos damos conta do quanto sentíamos falta do teatro e dos shows". "As coisas precisam voltar ao normal", acrescenta.

- Fim do isolamento -

Lewis Colbyn, bartender de 39 anos que já teve covid-19 e não está preocupado em pegá-la novamente, aborda a nova fase com otimismo e cautela: "Pode ser cedo demais, pode ser tarde demais, eu não sei".

Ele continuará usando máscara nos transportes e lojas.

Mais relutante do que o resto do Reino Unido (Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) em implementar restrições, a Inglaterra suspendeu quase totalmente as restrições em 19 de julho do ano passado.

Mas o surgimento da ômicron, ainda mais contagiosa que a delta, levou o governo de Boris Johnson a lançar seu “plano B”.

As medidas visavam fortalecer a proteção da população com uma campanha de vacinação de reforço e continuar tentando convencer os hesitantes a serem vacinados. Foram assim administradas 37 milhões de doses de reforço, permitindo, segundo o governo, reduzir os casos graves e internações e diminuir a pressão sobre o sistema de saúde.

De acordo com os números mais recentes, 64% da população com mais de 12 anos recebeu uma terceira dose. À medida que o número de casos explodiu durante as festas de fim de ano, Boris Johnson resistiu aos pedidos para endurecer ainda mais as restrições em vigor.

Ele acredita que os fatos provaram que estava certo: os hospitais resistiram, o número de pacientes com respiradores não disparou e os casos caíram consideravelmente. No entanto, o Reino Unido, entre os países mais atingidos pela pandemia, com quase 155.000 mortes, ainda registra quase 100.000 novos casos diariamente.

De acordo com um estudo publicado pelo Imperial College London, o nível de infecção continua alto, principalmente entre crianças e adolescentes. Dos 3.500 participantes deste grande estudo que testaram positivo entre 5 e 20 de janeiro, dois terços já haviam contraído o vírus antes.

O primeiro-ministro espera poder suspender em março a obrigação de se isolar em caso de teste positivo, “assim como não há obrigação legal para as pessoas que estão gripadas se isolarem”.

A governadora do Novo México se ofereceu para dar aulas como professora substituta, em meio à falta de funcionários nas escolas americanas por causa do aumento dos casos de Covid-19.

A democrata Michelle Lujan Grisham, formada em direito, iniciou nessa quarta-feira (27) seu voluntariado, assumindo uma turma de jardim de infância de uma escola pública. "Talvez tenha sido um dos melhores dias da minha carreira", declarou em entrevista coletiva, após terminar a aula

A ação se insere na iniciativa "Apoiando Professores e Famílias", lançada por Michelle na semana passada, para enfrentar a falta de pessoal em escolas e creches do Novo México, em meio ao ressurgimento da pandemia. "Conhecer essas crianças te mostra como essas relações entre professores e estudantes são cruciais", declarou hoje a governadora.

Com a chegada da variante ômicron, os Estados Unidos enfrentam uma disparada de casos que tem reflexos na força de trabalho no país. Quase 5 milhões de diagnósticos positivos foram confirmados nos últimos sete dias, segundo as autoridades sanitárias, sendo o Novo México um dos estados com maior número de novos contágios em termos proporcionais.

Quase metade dos distritos escolares do estado foram forçados a voltar às aulas virtuais nas últimas semanas, com professores e membros da equipe acadêmica obrigados a ficar em isolamento em caso de infecção ou contato com alguém que testou positivo para covid.

Michelle Lujan Grisham quer "incentivar" os que cumprem com os requisitos a se inscrever no programa para que sejam certificados como professores substitutos, "mantendo as escolas do Novo México abertas de forma segura". Para isso, os candidatos precisam ser maiores de idade e ter um diploma universitário, além de se submeter a uma checagem de antecedentes criminais.

Com amplo acesso às vacinas, a sociedade americana está dividida sobre manter ou não as escolas abertas com o agravamento da pandemia, assim como acontece em relação às vacinas e à adoção de medidas de proteção contra o vírus.

O laboratório americano Moderna anunciou nesta quarta-feira (26) que iniciou os ensaios clínicos de uma dose de reforço da vacina projetada especificamente para agir contra a variante ômicron.

Participarão dos testes 600 adultos. Metade deles já recebeu duas doses da vacina Moderna há pelo menos seis meses e a outra metade recebeu as duas doses iniciais mais o reforço já autorizado.

Assim, o reforço voltado para a ômicron será avaliado tanto como uma terceira quanto uma quarta dose.

A empresa também relatou resultados sobre a eficácia de seu reforço geral: seis meses após a injeção, os níveis de anticorpos neutralizantes contra a nova cepa caíram seis vezes em relação ao pico observado 29 dias após a vacinação, mas permaneceram detectáveis em todos os participantes.

Esta informação foi obtida pela observação do sangue de 20 pessoas que receberam um reforço de 50 microgramas, metade da quantidade das duas primeiras doses.

“Estamos tranquilos com a persistência de anticorpos contra a ômicron seis meses após o reforço atualmente autorizado”, afirmou o diretor executivo da Moderna, Stephane Bancel, em um comunicado.

“No entanto, dada a ameaça de longo prazo demonstrada pelo escape imunológico da ômicron, estamos adiantando em nossa vacina candidata de reforço específica para a variante”, continuou ele.

O anúncio da Moderna chega um dia depois que suas rivais Pfizer e BioNTech disseram que começaram a fase de testes clínicos para um imunizante direcionado à ômicron.

Ambas as vacinas são baseadas na tecnologia de RNA mensageiro, o que as torna relativamente fáceis de atualizar diante das mutações das novas variantes.

Diversos países, incluindo os Estados Unidos, começaram a ver uma queda nos casos associados à onda de infecções causada pela ômicron, a variante mais transmissível detectada até agora, mas o número de casos segue aumentando em nível mundial.

As ruas de Israel, a Cisjordânia e os lugares santos de Jerusalém apareceram cobertas de branco, nesta quinta-feira (27), após uma nevasca incomum nesta região.

A tempestade excepcional, que já havia caído sobre Atenas e Istambul, atingiu Jerusalém na noite de quarta-feira (26). Segundo os serviços meteorológicos, deixou cerca de 20 centímetros de neve.

Na manhã desta quinta, ainda havia vestígios dela em vários lugares para o deleite de seus habitantes, que desafiaram as temperaturas nórdicas e saíram às ruas para ver a neve.

A tempestade bloqueou estradas no centro e no norte de Israel. Causou o fechamento de escolas e a suspensão dos transportes públicos para evitar acidentes. A polícia mobilizou limpa-neves para liberar as estradas.

Na Cisjordânia ocupada, também tingida de branco em algumas partes, a Autoridade Palestina anunciou o fechamento de escolas e alguns serviços para evitar acidentes nas vias.

O Vaticano defendeu nesta quarta-feira (26) o papa emérito Bento XVI, acusado em um relatório de não ter feito nada para impedir que vários padres abusassem de menores na diocese que ele liderou nos anos 1970-80 na Alemanha e lembrou sua luta contra a pedofilia.

O diretor de comunicação da Santa Sé, Andrea Tornielli, veterano vaticanista, lembrou as medidas tomadas por Bento XVI durante seu mandato papal, além de sua luta contra a pedofilia desde que era cardeal, responsável pela Congregação para a Doutrina da Fé, o antigo Santo Ofício.

Depois de "combater esse fenômeno como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé", Joseph Ratzinger promulgou como pontífice "normas muito duras contra os abusadores do clero, verdadeiras leis especiais para combater a pedofilia", escreveu Tornielli em um editorial publicado no porta de notícias do Vaticano, o Vatican News.

“Bento XVI deu testemunho, com o seu exemplo concreto, da urgência de uma mudança de mentalidade, importante para combater o fenômeno dos abusos, escutando e estando perto das vítimas a quem deve sempre pedir perdão”, sublinhou.

“Foi precisamente Joseph Ratzinger o primeiro papa a se encontrar várias vezes com vítimas de abuso durante suas viagens apostólicas”, lembrou Tornielli, que ressaltou que o relatório alemão “não é uma investigação judicial, muito menos um julgamento final”.

As reconstruções contidas no relatório alemão devem “ajudar a combater a pedofilia na Igreja se não forem reduzidas à busca de bodes expiatórios fáceis e julgamentos sumários”, alertou.

"Só evitando estes riscos poderão contribuir para a busca da justiça na verdade e para um exame colectivo de consciência sobre os erros do passado", destacou.

Bento XVI corrigiu na segunda-feira as declarações dadas aos autores do relatório sobre uma reunião em 1980 dedicada a um padre pedófilo, esclarecendo que o pedido de acomodação durante sua terapia foi aceito e ressaltando que não foi tomada nenhuma decisão sobre a atribuição de uma missão pastoral.

Tanto o Vaticano quanto o papa emérito expressaram "vergonha" e "proximidade" às vítimas de abuso sexual após a publicação do relatório na Alemanha.

Da disseminação de teorias da conspiração a ameaças de morte: o aplicativo de mensagens criptografadas Telegram, particularmente popular entre os movimentos antivacinas, está na mira das autoridades alemãs, que o acusam de passividade diante da disseminação de discursos de ódio.

Os opositores da vacinação contra a Covid-19 estão se mobilizando há várias semanas na Alemanha, onde se reúnem regularmente para protestos, às vezes acompanhados de incidentes com as forças de ordem.

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É muito provável que as tensões atinjam outro nível após a iniciativa de vacinação obrigatória, apoiada pelo chanceler Olaf Scholz, mas que divide claramente a sociedade, apresentada ao Bundestag (parlamento) na tarde desta quarta-feira.

Nesse contexto, os "disseminadores de ódio" são alvos do governo e, em particular, o Telegram.

"Nossa legislação também se aplica ao Telegram", sob pena de multas milionárias, alertou o ministro da Justiça, Marco Buschmann.

Já a ministra do Interior, Nancy Faeser, quer apresentar antes da Páscoa um plano que obrigue esta plataforma digital a eliminar mensagens de ódio, bem como a identificar os seus autores.

Alguns grupos de discussão antivacinas na rede atraem até 200.000 pessoas, de acordo com uma contagem da AFP.

Na ausência de cooperação, Faeser não descarta a proibição total deste aplicativo na Alemanha.

Mas antes de chegar a isso, "todas as opções devem ter sido esgotadas", disse, reconhecendo que a cooperação europeia é necessária nesta questão sensível.

Em meados de dezembro, a polícia alemã realizou uma batida em Dresden (oeste), onde apreendeu armas após a divulgação de ameaças de morte contra o ministro-presidente do Land, identificadas em um grupo do Telegram.

Desde então, o chanceler alemão Olaf Scholz prometeu liderar uma luta implacável contra uma "minoria de extremistas".

A Alemanha promulgou uma lei controversa em 2017 que fortalece seu arsenal contra ameaças lançadas na Internet, exigindo que redes sociais, como Facebook e Twitter, removam conteúdo criminoso e o denunciem à polícia para possíveis indiciamentos.

Assim, o Facebook anunciou em setembro a eliminação de várias contas, páginas e grupos ligados ao grupo de "livres pensadores" na Alemanha, hostil às medidas de combate à covid-19.

"Como consequência do fato de que as grandes plataformas não permitem mais conteúdo racista, antissemitista ou de extrema-direita, como a negação do Holocausto, aqueles que o divulgam buscam novas ferramentas, na Alemanha é o Telegram", disse à AFP Simone Rafael, gerente digital da Fundação 'Amadeu Antonio' para a luta contra o racismo.

Enquanto o Facebook colabora com as autoridades respeitando a lei, não é o caso do Telegram, segundo esta pesquisadora, que aponta que a maioria de seus usuários não está ligada a movimentos antivacinas.

Numerosos pedidos da Polícia Criminal Federal Alemã (BKA) para remover conteúdo nesta plataforma foram deixados no limbo.

Há também a possibilidade de exigir que o Google ou a Apple o removam de suas listas de downloads. Mas, isso não afetaria os usuários que já possuem o aplicativo.

Para Rafael, a única maneira de superar os obstáculos é bani-lo completamente na Alemanha.

Assim, se tornaria o primeiro país do Ocidente a tomar tal medida radical contra o serviço de mensagens, criado em 2013 pelos irmãos Nikolai e Pavel Durov, dois opositores do Kremlin, cujo objetivo era evitar o controle pelo serviço secreto russo.

Já existem proibições e regulamentos que afetam o Telegram na China, Índia e Rússia.

Um grupo de cerca de 100 mulheres com véu foi às ruas de Cabul, nesta quarta-feira (26), expressar seu apoio ao regime talibã e exigir a liberação dos ativos nacionais congelados por países ocidentais, em um momento de profunda crise humanitária no Afeganistão.

Neste protesto, organizado pelos talibãs, a maioria das manifestantes usava burca, um véu integral com uma rede na altura dos olhos, ou um niqab, que também cobre o rosto, mas permite ver os olhos, observou um jornalista da AFP no local.

Reunidas em frente à antiga embaixada dos Estados Unidos, levantaram cartazes em inglês, pashtun e dari, para afirmar seu "apoio ao emirado islâmico", nome dado pelos talibãs ao seu regime, e exigir "o desbloqueio do dinheiro congelado".

Desde que voltou ao poder em agosto passado, os talibãs dominaram um Afeganistão que enfrenta uma grave crise humanitária.

A ajuda internacional, que representava cerca de 80% do orçamento, foi subitamente interrompida, e os Estados Unidos congelaram US$ 9,5 bilhões em ativos do Banco Central do Afeganistão.

De acordo com a ONU, hoje, a fome ameaça 55% da população.

"Os Estados Unidos deveriam liberar imediatamente o dinheiro do Afeganistão", disse Basri Deedar, diretora de uma escola particular que liderava o manifesto.

"A comunidade internacional não deve usar os direitos das mulheres como desculpa para perseguir os afegãos", acrescentou.

Casada à força aos 15 anos, Merline fugiu de Camarões iniciando uma odisseia migratória de quatro anos até a França, passando pelo deserto e o oceano Atlântico e marcada pela violência sexual.

"Me obrigaram a casar com um senhor (...) de 45 anos", explica essa mulher de 30 anos, com tranças de cor preta, dourada e vermelha, que em dezembro conseguiu chegar à França saindo da Espanha.

Com este homem teve seu primeiro filho, o qual deixou em Camarões.

"Agredida e maltratada", Merline, que prefere não fornecer seu sobrenome, ficou "destruída" com esse casamento e foi obrigada a se casar com o irmão de seu marido quando ele morreu em 2016.

"Fugi" no final de 2017, conta à AFP. Ameaçada pela família de seu marido, fugiu primeiro para a casa de sua mãe e depois para a de uma amiga que deu a ela 60 euros para pagar os contrabandistas para entrar na Nigéria.

- Diante de um estupro, "não se pode fugir" -

Trabalhou lá durante três meses em um restaurante para arrecadar os 350 euros exigidos por outros contrabandistas para levá-la à Argélia através do Níger, pelo deserto.

Então "começa o mais difícil", porque no deserto "você não pode fugir" dos estupros, acompanhados de "chantagem" dos traficantes, que ameaçam abandonar suas vítimas.

O caminho para a Argélia é marcado por "abandonos", "mortes" e água que "cheira a combustível" distribuída em latas de gasolina, relata.

Ao chegar em Tamanrasset, no sul da Argélia, passou vários dias trancada em uma casa sem sair, com medo da polícia.

Os traficantes levam as "mulheres novas" recém-chegadas a "pequenos bares", onde muitas se veem "obrigadas" a se prostituir para pagar o resto de sua viagem à Europa. Ela escapou por pouco deste destino graças à ajuda de outro emigrante, do Camarões, o pai de seu segundo filho, que agora tem dois anos, e do terceiro, do qual está grávida.

Juntos foram levados ao Marrocos. Ela acabou partindo sozinha para o Saara Ocidental para depois tentar chegar ao arquipélago espanhol das ilhas Canárias, porque seu acompanhante carecia de recursos para pagar a travessia, mas espera poder se reunir com ela na França algum dia.

- "Educar meu filho em francês" -

Na península de Dajla, no oceano Atlântico, Merline pagou 2.500 euros aos traficantes para levá-la junto ao seu filho.

Entrou no mar com um barco de pesca que compartilhou com cerca de sessenta pessoas, um terço delas mulheres e cerca de dez crianças.

"Lá você está nas mãos de Deus", porque, "no menor erro, você está na água, e não há ninguém que arrisque sua vida para vir te buscar".

Após dois dias no mar, chegou à ilha espanhola de Gran Canaria, onde passou dois meses antes de ser enviada pelas autoridades para um centro de acolhida de imigrantes em Sevilha (sul da Espanha).

Mas queria ir para a França para "educar meu filho em francês" e economizou para continuar sua viagem para a cidade fronteiriça de Irún, no País Basco, onde decidiu -- como muitos migrantes -- pagar 100 euros para cruzar a fronteira com um "táxi-máfia".

Se hoje Merline consegue contar sua história, é "para ajudar os que ficaram para trás e os que estão pensando em empreender neste caminho", diz essa "entusiasta de cabeleireiro", que também se vê cuidando de "pessoas idosas ou crianças".

O papa Francisco, de 85 anos, anunciou nesta quarta-feira (26) que está com uma inflamação no joelho que o impediu de caminhar para a tradicional saudação aos fiéis, ao término da audiência geral semanal no Vaticano.

"Hoje não vou passar entre vocês para cumprimentá-los, porque estou com um problema na perna direita. Estou com um ligamento do joelho inflamado", explicou o pontífice argentino aos fiéis que assistiam à audiência.

"É temporário. Parece que é algo que acontece com os idosos, então, não sei por que aconteceu comigo", brincou, provocando risos dos fiéis presentes na sala Paulo VI.

O papa se limitou a dar a bênção aos fiéis sentado de uma cadeira e evitou caminhar entre os presentes para cumprimentá-los, como tem o hábito de fazer.

Francisco, que em março completa nove anos de pontificado, tem problemas no nervo ciático, algo que lhe causa fortes dores. Em julho passado, foi submetido a uma delicada operação no cólon.

Seu estado de saúde costuma ser alvo de rumores no Vaticano, sobretudo, de seus críticos.

Durante a audiência, o sumo pontífice também rezou pela paz na Ucrânia e pediu que as crianças não sejam condenadas por sua orientação sexual.

"Aos pais que descobrem diferentes orientações sexuais de seus filhos", o papa convidou-os a "ajudá-los e a não se refugiar em uma atitude de condenação".

A tempestade que parecia ter ficado para trás ganhou novos capítulos em 2022. Pelo menos no início do ano, a inflação continuará pressionada por uma combinação de fatores domésticos e externos, segundo especialistas e o próprio Banco Central (BC).

Tensões geopolíticas internacionais, como a ameaça de conflito militar entre Rússia e Ucrânia, e fatores internos, como problemas climáticos e as incertezas políticas deste ano, puxarão os índices de preços pelo menos no primeiro trimestre.

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Em parte, o fenômeno da inflação tem origem externa e aflige inclusive países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, a inflação ao consumidor atingiu 7% em 2021, o nível mais alto desde 1982.

Na zona do euro, a inflação chegou a 5%, alcançando o maior valor desde a criação da moeda única no continente europeu. Esse cenário ocorreu mesmo com o desemprego elevado em vários países.

A reabertura das economias após a fase mais aguda das restrições sociais provocada pela pandemia fez o preço internacional do barril de petróleo subir para US$ 80, quatro vezes acima do que na fase mais aguda da pandemia, quando a cotação chegou a cair para US$ 19.

O problema não ocorreu apenas com o petróleo. Fontes de energia como carvão e urânio também ficaram mais caras.

As tensões entre Rússia e Ucrânia agravaram e um bombardeio a caminhões de combustível nos Emirados Árabes Unidos, perpetrado por rebeldes financiados pelo Irã, agravaram a situação.

Com o barril caminhando para US$ 90, a Petrobras anunciou o primeiro aumento de combustíveis em três meses. O reajuste terá impacto no bolso dos brasileiros nas próximas semanas, com a decisão dos governadores de descongelar o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis.

Outro fator que pressionou a inflação mundialmente foi o gargalo nas cadeias de produção após a reabertura da economia em diversos países. Além do aumento da demanda global, a política de lockdowns em zonas industriais e portuárias da China para conter o avanço da covid-19 provocou escassez de insumos e de mercadorias importadas.

Produtos industrializados passaram a ficar mais caros, com filas de duas a três semanas em vários portos para descarregar mercadorias. Os fretes quadruplicaram ou quintuplicaram, dependendo do produto.

Banco Central

O próprio presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reconheceu recentemente os desafios para a segurar a inflação no início de 2022. Na semana passada, ele admitiu que a seca no Sul e as enchentes em Minas Gerais e no Nordeste estão afetando a inflação no início de ano.

“A inflação em 12 meses no Brasil está perto do pico, mas ainda vemos aumento de preços do petróleo e altas provocadas por problemas climáticos. Regiões do país com muita chuva ou seca já tiveram a colheita prejudicada, e isso já afeta o preço da comida”, disse Campos Neto num evento virtual promovido por um banco.

Para o presidente do BC, a crise energética global e a desvalorização do real estão contribuindo para que o Brasil importe inflação de outros países. “Se imaginarmos que a inflação energética do Brasil estivesse na média dos demais países, a inflação total do Brasil seria menor que a dos Estados Unidos”, comparou.

Depois de alcançar 10,06% em 2021, o maior nível desde 2015, a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deverá cair pela metade neste ano, mas permanecerá acima do teto da meta.

Segundo o boletim Focus, pesquisa com instituições financeiras divulgadas toda semana pelo Banco Central (BC), a inflação deverá ficar em 5,15% neste ano.

Para 2022, o Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou uma meta de inflação de 3,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O indicador terá de ficar entre 2% e 5%, para o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, não ser obrigado a escrever uma carta justificando o estouro da meta, como ocorreu com a inflação de 2021.

No documento, Campos Neto disse que a pandemia de covid-19 e a crise hídrica, que diminuiu o nível dos reservatórios, foram os principais fatores que impulsionaram a inflação no ano passado. Ele também atribuiu o repique nos preços ao aumento no preço de várias commodities (bens primários com cotação internacional).

Mesmo com as pressões internacionais, existem peculiaridades na economia brasileira que influenciam a inflação. No ano passado, a seca no centro-sul provocou a quebra de safras como a de milho e cana-de açúcar.

Usado na alimentação de gado, o milho teve impacto no preço da carne. A redução da colheita de cana afetou o preço da gasolina, que contém 27% de etanol na composição. O inverno forte em 2021 provocou geadas que queimaram plantações de café. O grão acumula alta de 46% nos últimos seis meses.

Incertezas

O professor de Economia do Ibmec Gilberto Braga aponta outro fator que complicará a inflação neste ano: a incerteza política e as pressões para aumento de gastos em ano de eleições. Para ele, a imprevisibilidade gerada pelo processo eleitoral pressionará os preços, à medida que inibirá investimentos do setor produtivo:

“Acho que a inflação é uma combinação de fatores internos e externos. Os fatores externos certamente contribuem, mas os fatores internos são mais relevantes no momento. O fato de este ser um ano eleitoral aumenta a pressão por mais gastos públicos, diversas categorias de servidores públicos estão pressionando por reajustes, sem contar que o Ministério da Economia cedeu parte da gestão do Orçamento à Casa Civil. Isso gera uma imprevisibilidade que atrasa investimentos, a geração de empregos e desestimula o empreendedorismo”.

Segundo Braga, a inflação deve cair por causa dos aumentos de juros promovidos pelo Banco Central, mas isso só ocorrerá no segundo trimestre. “A inflação deve cair por causa de respostas aos juros mais altos ainda esperados para o início de 2022. Os índices devem começar a cair no meio do ano, mas se mantendo em torno de 5% anualizados, acima do teto da meta”, estima o professor de economia.

A rapper Cardi B receberá quase US$ 4 milhões, após ganhar um processo por difamação nos Estados Unidos contra uma blogueira que a chamou de "prostituta" e disse que ela tinha herpes e usava cocaína.

Em 2019, a cantora, de 29 anos, nascida Belcalis Almanzar, processou a youtuber Tasha K por publicar "boatos" e afirmações "degradantes" em 20 vídeos, de acordo com a ação movida no distrito norte da Geórgia.

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Cardi B receberá cerca de US$ 2,75 milhões - por danos e despesas médicas - e mais US$ 1,3 milhão para os honorários dos advogados, de acordo com documentos judiciais apresentados segunda (24) e terça-feira (25).

A youtuber, nascida Latasha Kebe, alegou que a rapper tinha herpes oral e que seus filhos nasceriam com deficiência intelectual, declarações que lhe renderam milhões de visualizações no YouTube.

Segundo os documentos do processo, eles causaram a Cardi B "vergonha, humilhação, angústia mental e angústia emocional". Nascida no Bronx, Nova York, Cardi B é conhecida por sucessos como "Bodak Yellow", "I Like It" e "Money".

Um navio australiano com casos de coronavírus atracou nesta quarta-feira (26) em Tonga para entregar ajuda urgente à ilha afetada por uma erupção vulcânica e um tsunami, apesar do risco para sua população, atualmente livre da Covid-19.

O ministro da Saúde de Tonga, Saia Piukala, afirmou que a tripulação do HMAS Adelaide seguirá regras sanitárias rígidas para garantir que o país do Pacífico, de 100.000 habitantes, permaneça sem contágio.

"O navio atracará e não haverá contatos. Os australianos do navio vão descarregar a carga e sair do porto", declarou o ministro

Com 80 toneladas de produtos de primeira necessidade, como água, equipamentos médicos e material de engenharia, o "HMAS Adelaide" foi enviado como parte do esforço internacional de emergência após a erupção de 15 de janeiro, que provocou um tsunami que atingiu a ilha e cobriu o território com cinzas tóxicas.

Os tripulantes testaram negativo para covid-19 antes do início da viagem em Brisbane, mas autoridades australianas informaram na terça-feira que foram detectados 23 casos de coronavírus a bordo do navio.

Piukala afirmou que o número de casos subiu para 29 nesta quarta-feira.

Os mais de 600 tripulantes estão com a vacinação completa e as Forças de Defesa da Austrália informaram que os primeiros 23 infectados estava assintomáticos ou com sinto

O navio tem 40 leitos de hospital, alas cirúrgicas e UTI.

O ministro de Tonga disse que todos os produtos descarregados de aviões e navios humanitários são deixados em isolamento durante três dias, antes que os moradores tenham contato com eles.

Tonga fechou as fronteiras no início de 2020 devido à pandemia do coronavírus. Desde então, o arquipélago registrou apenas um caso de Covid-19: um homem que retornou da Nova Zelândia em outubro do ano passado e já está recuperado.

Mas as restrições dificultam a chegada da ajuda internacional enviada por países como Nova Zelândia, China, Japão e França.

O Japão anunciou a interrupção da ponte aéreo entre Austrália e Tonga após a detecção de quatro pessoas infectadas ma missão.

A Polinésia Francesa anunciou na sexta-feira o envio de alimentos, água potável e roupas. "Estou tentando obter do primeiro-ministro Siaosi Sovaleni (permissão para) para descermos por uma hora, mas eles não abrem exceções para ninguém", disse à AFP o coordenador da missão, Manuel Terai.

Dois barcos de patrulha franceses do Taiti e da Nova Caledônia estão transportando 50 toneladas de material para Tonga. Os produtos serão deixados em uma ilha do arquipélago antes que o governo local possa recuperá-los.

A erupção do vulcão Hunga Tonga-Hunga Ha'apai, 65 km ao norte da capital Nuku'alofa, provocou um "desastre sem precedentes", segundo o governo.

Apenas três mortes foram registradas pela erupção, que provocou um tsunami que arrasou cidades inteiras. As cinzas vulcânicas poluíram a água e destruíram plantações.

O Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA) informou que suas equipes começaram a chegar ao local para avaliar os danos. As tarefas prioritárias são retirar as cinzas e permitir que a população tenha acesso à água potável e comida.

Uma alemã que viajou para a Síria quando adolescente para se juntar ao grupo jihadista Estado Islâmico (EI) começou a ser julgada por um tribunal de Halle, no leste da Alemanha, nesta terça-feira (25), acusada de cumplicidade em crimes contra a humanidade.

Agora com 22 anos, Leonora Messing está sendo processada por suspeita de que ela e seu marido, membro do EI, escravizaram uma mulher yazidi em 2015, na Síria.

Neste julgamento, que transcorrerá a portas e deve durar até meados de maio, Messing também é acusada de ter-se integrado a uma organização terrorista e de violação de leis sobre armas.

O caso gerou debate na Alemanha sobre como uma garota de 15 anos, de uma pequena localidade, conseguiu se radicalizar e se juntar à causa islâmica.

Messing fugiu de casa em março de 2015 e seguiu para a parte da Síria controlada pelo EI. Ao chegar a Raqa, então "capital" de facto do EI na Síria, tornou-se a terceira esposa de um alemão de sua região.

O pai de Messing, um padeiro da cidade alemã de Breitenbach, soube que sua filha havia se juntado ao islamismo radical ao abrir seu computador e ler seu diário, após seu desaparecimento.

Seis dias depois que ela partiu, seu pai recebeu uma mensagem, informando que sua filha "escolheu Alá e o Islã" e que "chegou ao califado".

- "Boa aluna" -

"Era uma boa aluna", disse seu pai, Maik Messing, à rádio NDR, em 2019. "Ia para um lar para idosos para ler para eles", contou.

A jovem levava uma vida dupla e frequentava, aparentemente sem o conhecimento dos pais, uma mesquita em Frankfurt.

Messing está entre os mais de 1.150 islâmicos que deixaram a Alemanha desde 2011, rumo à Síria e ao Iraque, segundo o governo alemão.

Seu caso despertou especial atenção por sua idade e porque seu pai concordou em colaborar com uma equipe da televisão e da rádio pública regional NDR.

O homem tornou públicas as milhares de mensagens trocadas com a filha, revelando que a jovem tentava, desesperadamente, fugir do "califado".

A Justiça alemã acusa-a de ter trabalhado durante três meses em um hospital do EI em Raqa e de ter "espionado" as esposas de combatentes para os serviços de Inteligência do grupo.

Ela também é acusada de envolvimento em crimes de tráfico de pessoas, pois seu marido "comprou" uma mulher yazidi de 33 anos e depois a vendeu. Após dar à luz duas meninas, Messing acabou detida em um acampamento controlado pelos curdos no norte da Síria.

Seu marido, Martin Lemke, foi capturado em 2019 pelas Forças Democráticas Sírias (FDS), dominadas pelos curdos, contaram Leonora Messing e outra de suas esposas à AFP.

A jovem foi repatriada em dezembro de 2020 e detida ao chegar ao aeroporto de Frankfurt. Depois, foi liberada.

A Polônia iniciou nesta terça-feira (25) a construção de uma nova cerca na fronteira com Belarus para impedir a chegada de migrantes ilegais, após a crise entre Varsóvia e Minsk no ano passado.

Com 186 quilômetros de comprimento, quase metade do tamanho total da fronteira de 418 quilômetros, a barreira metálica de cinco metros e meio de altura custará cerca de 353 milhões de euros (407 milhões de dólares) e deve ser concluída em junho.

O projeto gera preocupação entre os defensores dos direitos humanos e os ativistas ambientalistas. Os primeiros temem que os migrantes que fogem de situações de conflito não poderão apresentar pedidos de asilo. Os segundos acreditam que terá efeitos nefastos para a fauna e a flora das florestas dessa área fronteiriça.

A União Europeia (UE) forneceu seu apoio à Polônia e criticou energicamente Belarus.

Por sua vez, o governo polonês rejeitou a proposta de Bruxelas de participação da agência europeia do Frontex na vigilância da fronteira. Além disso, votou uma lei que permite expulsar os migrantes ilegais sem esperar que apresentem sua solicitação de asilo.

"Temos a intenção de reduzir os danos ao máximo", declarou a porta-voz da guarda fronteiriça polonesa, Anna Michalska, citada pela agência PAP.

"A derrubada de árvores será limitada ao mínimo possível. O muro será construído ao longo da estrada fronteiriça", acrescentou, destacando que utilizará apenas as estradas já existentes.

Milhares de migrantes, procedentes do Oriente Médio, principalmente do Curdistão iraquiano, Síria, Líbano e Afeganistão, tentaram no ano passado cruzar a fronteira polonesa para entrar no território da UE. Alguns deles conseguiram passar e seguiram seu percurso.

Polônia e os países ocidentais acusam o governo bielorrusso de incentivar, inclusive de planejar e ajudar, este fluxo de migrantes, prometendo a eles um acesso fácil à UE.

O governo do presidente bielorrusso Alexander Lukashenko rejeita essas acusações e critica a Polônia por tratamento desumano aos migrantes.

Essas medidas de bloqueio, além da morte por frio e fome de uma dezena de migrantes nas florestas polonesas, provocaram um debate intenso na Polônia entre os defensores da fronteira nacional, que também é um dos limites da UE, e os defensores dos direitos humanos. Esses últimos exigem que os migrantes tenham a opção de solicitar o asilo e que não sejam expulsos enquanto o pedido está sendo analisado.

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