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Carregada com as velas que pretende acender no santuário de Fátima, em Portugal, Rosalina Barros é uma entre os muitos peregrinos que nesta quinta-feira (13) dedicaram suas orações às vítimas do coronavírus.

Como todos os anos, Rosalina viajou para esta cidade, 130 km ao norte de Lisboa, da Madeira, um arquipélago português no Oceano Atlântico. Nesta ocasião, para cumprir uma promessa relacionada à Covid-19.

"Este ano, venho agradecer à Virgem Maria por salvar vários de meus parentes que foram infectados com o coronavírus", explica a mulher de 61 anos à AFP, com seu forte sotaque insular.

Esta é a primeira romaria do ano, ato que não pôde ser realizado em 2020 por conta da pandemia, e seus organizadores estabeleceram um limito máximo de 7.500 fiéis, para garantir o respeito ao distanciamento dentro do recinto - ao ar livre - que, em geral, pode acomodar até 300.000 pessoas.

Este limite fez com que durante os dois dias de festa vários grupos de fiéis se reunissem nas diversas entradas do santuário, onde não puderam entrar por terem chegado muito tarde.

Com máscaras e espalhados por toda a esplanada, de várias centenas de metros de extensão, em frente à Basílica de Nossa Senhora do Rosário, os milhares de peregrinos tiveram que se revezar para expressar sua fé acendendo velas ou rezando em frente à Capela das Aparições, erguida no local onde três jovens pastores afirmaram ter visto a Virgem em 1917.

Segundo a tradição católica, Maria teria aparecido a eles seis vezes naquele ano, entre 13 de maio e 13 de outubro.

- "Sonhar com um mundo melhor" -

"Os tempos estão difíceis com esta pandemia", diz Elsa Pacheco, uma bancária de 51 anos.

"[A pandemia] tem que acabar e como a peregrinação foi cancelada no ano passado, este ano queríamos muito fazer, pedir", diz a peregrina, visivelmente emocionada, na companhia de outros 17 fiéis que percorreram 130 km por três dias até chegar ao santuário.

Ao cair da noite, a esplanada é iluminada pela multidão de velas que os fiéis carregam silenciosamente, em pé ou sentados em cadeiras dobráveis, durante a tradicional procissão de velas, culminação das celebrações de maio, que se realiza na noite do primeiro dia.

Devido às restrições, os peregrinos tiveram que ocupar círculos pintados no chão, separados uns dos outros, em grupos de não mais de quatro pessoas.

"O mundo, cansado da pandemia que ainda dura, precisa que corramos o risco de sonhar [...] que ousemos sonhar um mundo melhor", declarou na homilia o cardeal português José Tolentino Mendonça, que presidiu à missa da manhã de quinta-feira, regada pela chuva, do altar erguido na esplanada.

O de Fátima é um dos santuários marianos mais frequentados do mundo, como o de Lourdes, na França.

Após seis meses de um estado de emergência sanitária durante várias semanas no último inverno, Portugal iniciou no dia 1 de maio a última fase de um desconfinamento gradual que, por enquanto, não causou nenhuma repercussão na pandemia no país de 10 milhões de habitantes.

O bilionário japonês Yusaku Maezawa e seu assistente Yozo Hirano serão os próximos turistas a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS), anunciou nesta quinta-feira (13)  a agência espacial russa Roscosmos, que prevê a viagem para 8 de dezembro.

"A duração da viagem espacial será de 12 dias", informa a agência em seu site oficial. O treinamento da tripulação começará em junho.

Além disso, o excêntrico bilionário japonês, que fez fortuna com a moda na internet, prevê que oito pessoas o acompanhem em uma viagem de turismo espacial ao redor da Lua, programada para 2023 com a SpaceX, a empresa aeroespacial de Elon Musk.

"Tenho muita curiosidade para ver como é a vida no espaço, então planejei descobrir por mim mesmo e compartilhar com o mundo em meu canal do YouTube", comentou Yusaku Maezawa em um comunicado da Space Adventures.

A retomada das viagens turísticas para a ISS organizadas pela Roscosmos acontece depois que, em 2020, a agência espacial russa perdeu o monopólio dos voos tripulados com o sucesso da SpaceX, o que a privou de uma parte importante de receita gerada pela compra de assentos por parte das agências espaciais americana e europeia.

A polícia italiana interrompeu na madrugada desta quinta-feira (13) uma festa de aniversário do atacante Romelu Lukaku, da Internazionale, que estava sendo realizada em um hotel na região central de Milão.

A celebração contou com a participação de cerca de 23 pessoas, entre elas outros jogadores dos nerazzurri.

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Todos os presentes na festa de aniversário de Lukaku serão punidos pelas autoridades por violar as normas anti-Covid.

Os agentes foram ao hotel depois de uma denúncia anônima, que provavelmente reclamou do barulho da celebração.

Um dos participantes da festa era o gerente do restaurante do hotel, um dos principais responsáveis pela organização do evento.

Lukaku, um dos grandes nomes do atual elenco dos nerazzurri, completou 28 anos de idade nesta quinta. O jogador, que também tem passagens por Chelsea, Everton e Manchester United, é natural de Antuérpia, na Bélgica.

A já campeã italiana Inter de Milão jogou nesta quarta-feira (12) e venceu a Roma por 3 a 1, com gols de Marcelo Brozovic, Matías Vecino e Lukaku.

Da Ansa

Giovanni Torres e a mulher, Ángela, voaram da Colômbia para os Estados Unidos com o objetivo de se vacinarem contra a Covid-19, assim como turistas de México, Honduras, Equador, El Salvador e Venezuela entrevistados pela AFP enquanto aguardavam sua dose em Miami.

Para a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), no entanto, viajar até outros países para se vacinar não resolve a crise da Covid, apenas comprova a desigualdade no acesso aos imunizantes no continente. "Não temos dados para confirmar quantos latinos estão viajando até os Estados Unidos. Permitam-me dizer que o turismo da vacina não é a solução, e sim um sintoma da desigualdade", declarou nesta quarta-feira Carissa Etienne, diretora da Opas, departamento regional da Organização Mundial da Saúde (OMS).

No continente americano, onde vivem mais de 1 bilhão de pessoas, 384 milhões receberam uma dose de vacina, 258 milhões delas nos Estados Unidos, apontou a Opas. Carissa considerou inaceitável que aqueles que não possam pagar uma viagem internacional, ou seja, "a grande maioria das pessoas da nossa região", não possam ser imunizados. "A vacina não deveria ser um privilégio dos países ou pessoas ricas, e sim um direito de todos. Em última instância, o turismo da vacina agrava a desigualdade", criticou.

Para combater esse movimento, disse Carissa, a Opas trabalha com o mecanismo global Covax, promovido pela OMS, e com fornecedores, para agilizar as entregas. Também incentiva doações e a capacidade de fabricação regional. "Devido à carga epidemiológica em nossa região e à alta mortalidade da Covid em muitos países, a América Latina e o Caribe devem ser prioridade na imunização, para ajudar a salvar vidas e prevenir futuros surtos", advertiu.

- Variante da Índia em seis países -

Apesar da redução do número de casos nos Estados Unidos e no Brasil, países com mais óbitos causados pelo novo coronavírus, o contágio aumentou em grande parte das Américas, onde ocorreram quase 40% das mortes globais pela doença reportadas na semana passada, "um sinal claro de que a transmissão está longe de ser controlada na nossa região", assinalou Carissa.

Na América do Sul, a diretora destacou o aumento dos casos em Bolívia e Guiana, bem como na Colômbia, sacudida nos últimos dias por manifestações em massa contra o governo. Ela também apontou as altas taxas de contágio no Canadá, principalmente em regiões de população indígena, e disse que Cuba "continua impulsionando a maioria das novas infecções no Caribe".

Na América Central, Carissa citou o aumento dos casos nas áreas de Costa Rica e Honduras que fazem fronteira com a Nicarágua, e nas regiões fronteiriças de Guatemala e El Salvador.

A possibilidade de alcançar a imunidade de rebanho se torna mais incerta diante da circulação de mutações preocupantes do vírus pela região, advertiu a diretora da Opas. Seis países das Américas confirmaram casos da variante B.1.617, detectada na Índia, disse Sylvain Aldighieri, gerente da organização.

- Escassez de oxigênio -

Carissa Etienne citou ainda a ocupação de 80% dos leitos de UTI nas Américas. No Chile e no Peru, 95% deles estão em uso, a maioria por pacientes com Covid. Ela descreveu um panorama preocupante em algumas regiões do Brasil, onde há lista de espera, e em Buenos Aires, que registra 96% de ocupação.

"Não é surpresa que o aumento das internações em nossa região esteja causando um desafio de abastecimento de oxigênio sem precedentes no continente americano", comentou Carissa, apontando Bolívia e Antígua e Barbuda como "locais muito afetados".

Ciro Ugarte, diretor de Emergências Sanitárias da Opas, explicou que a escassez de oxigênio é significativa em lugares onde o número de casos aumentou em um espaço de tempo muito curto. "Temos testemunhado longas filas em vários países. Em alguns casos, as pessoas abandonam a fila porque são informadas sobre a morte de seu familiar."

Dois alpinistas, um americano e um suíço, morreram no Monte Everest, as primeiras vítimas da temporada de 2021 - anunciaram nesta quinta-feira (13) os organizadores da expedição no Nepal.

Os dois faleceram na quarta-feira (12), informou à AFP Mingma Sherpa, da agência Seven Summit Treks.

O alpinista suíço Abdul Waraich, de 40 anos, "sofreu uma exaustão" depois de alcançar o cume (8.848,86 metros), relatou Chhang Dawa Sherpa, da mesma empresa.

"Enviamos dois sherpas adicionais com oxigênio e alimentos, mas infelizmente não conseguiram salvá-lo", declarou.

O alpinista americano Puwei Liu, de 55 anos, conseguiu chegar ao escalão Hillary, mas foi vítima da cegueira da neve e de exaustão. Ele recebeu ajuda para continuar a descida, segundo os organizadores. Alcançou o campo 4, onde faleceu pouco depois.

O tempo ruim impede no momento a recuperação dos corpos dos alpinistas para sua repatriação, informou Thaneshwor Guragain, da Seven Summit Treks.

Durante as últimas temporadas, o Everest registrou um número crescente de alpinistas que tentaram alcançar o topo, uma situação que provocou uma superlotação que seria a culpada por várias mortes.

O Ministério nepalês do Turismo decretou novas regras para limitar o número de alpinistas que tentam alcançar o "teto do mundo".

A pandemia acabou com a temporada passada. Este ano, no entanto, apesar dos riscos de contrair covid-19 durante a expedição, o Nepal flexibilizou as regras de quarentena com o objetivo de atrair mais alpinistas.

Desde os primeiros casos de Covid-19 detectados em dezembro de 2019 na China até a publicação, nesta quarta-feira (12), do relatório do grupo independente sobre a preparação e a resposta à pandemia, esta é uma breve cronologia da gestão da Organização Mundial da Saúde (OMS) da maior epidemia no mundo desde o início do século XX:

- Primeiro foco em Wuhan -

Em 31 de dezembro de 2019, o escritório da Organização Mundial da Saúde (OMS) na China notifica a unidade regional sobre casos de "pneumonia viral", depois que o site da comissão de saúde da prefeitura de Wuhan publica uma declaração à imprensa sobre o tema.

No mesmo dia, o serviço de informação sobre epidemias da OMS toma conhecimento de outra informação da imprensa, veiculada pelo sistema internacional de alerta, de surtos epidêmicos ProMED sobre o mesmo grupo de casos de "pneumonia de origem desconhecida" em Wuhan.

- Transmissão entre seres humanos -

Em 14 de janeiro de 2020, a OMS fala de uma possível "transmissão entre humanos limitada", uma observação baseada em 41 casos confirmados.

No dia 21, após uma breve visita de especialistas da OMS da China a Wuhan, o escritório regional da instituição indica que "agora está muito claro, segundo as últimas informações, que existe uma certa transmissão entre humanos".

- Declaração de emergência -

Em 30 de janeiro de 2020, a OMS declara a situação uma "emergência de saúde pública de importância internacional" e, em 11 de fevereiro, dá um nome para a doença: Covid-19.

De 16 a 24 de fevereiro, uma missão científica que inclui 25 especialistas de Estados Unidos, China, Alemanha, Japão, Coreia do Sul, Nigéria, Rússia, Singapura, Canadá e da OMS viaja para Wuhan.

- A pandemia -

No dia 11 de março, a OMS declara a Covid-19 uma "pandemia", o que provoca grande comoção e uma tomada de consciência ao redor do mundo. A agência da ONU destaca que vários países demonstraram que o vírus, que já havia provocado mais de 4.500 mortes, principalmente na China, poderia ser "suprimido, ou controlado".

- Acelerador ACT -

No dia 24 de abril, a OMS lança o ACT Accelerator, um dispositivo internacional que tem como objetivo acelerar a produção de vacinas, tratamentos e mecanismos de diagnóstico contra a Covid, para ajudar os países mais pobres a enfrentarem a crise de saúde.

- Uso de máscara -

No dia 5 de junho, a OMS recomenda o uso de máscaras em locais de grande circulação nas regiões mais afetadas pelo vírus. Em 21 de agosto, recomenda o uso de máscaras a partir dos 12 anos, nas mesmas condições que os adultos.

- Transmissão aérea -

Em 7 de julho, a OMS reconhece que começam a surgir evidências sobre a transmissão do coronavírus pelo ar.

- Homologação das primeiras vacinas -

Em 31 de dezembro, a OMS autoriza a vacina da Pfizer/BioNTech para uso emergencial. Em 15 de fevereiro de 2021, o mesmo ocorre com o medicamento da AstraZeneca; em 12 de março, com o imunizante da Johnson & Johnson; em 30 de abril, com o fármaco da Moderna; e, uma semana depois, com o da Sinopharm.

- Estudo sobre a origem da Covid -

Em 29 de março, o relatório conjunto de especialistas internacionais designados pela OMS e de cientistas chineses conclui que a transmissão aos seres humanos por um animal intermediário é uma hipótese "entre provável e altamente provável", enquanto um incidente em um laboratório permanece "extremamente improvável".

- Avaliação da gestão da pandemia -

Em 12 de maio, o grupo independente sobre a preparação e a resposta à pandemia publica suas conclusões, depois de oito meses de investigação, e afirma que a pandemia "poderia ter sido evitada". Denuncia atrasos na China, na OMS e em outros lugares, má coordenação e decisões ruins. Além disso, pede aos países ricos que forneçam um bilhão de doses de vacinas até setembro.

Geopolítica nas profundezas: do apetite insaciável das gigantes americanas da Internet às "novas rotas digitais da seda" chinesas, os cabos de telecomunicações submarinos simbolizam a luta entre as potências para controlar infraestruturas estratégicas.

"Paz", "Amizade"... Superficialmente, os nomes dos diferentes cabos soam como uma ode à diplomacia e à harmonia comercial entre os países.

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Embaixo d'água, os 420 cabos implantados ao redor do mundo, por onde passam 99% do tráfego total da Internet, costumam revelar a competição entre potências nesse setor.

Neste contexto, os Estados Unidos são os que apresentam a maior "concentração", destaca Camille Morel, pesquisadora vinculada ao Centro de Estudos de Segurança e Defesa Internacional (CLESID), da Universidade de Lyon III, em entrevista à AFP.

É o principal novo vetor de poder? É evidente o crescente apetite das gigantes americanas da Internet, designadas pela sigla "Gafam", por cabos desde o final da década de 2010, devido à expansão dos fluxos de dados que transitam principalmente entre Europa e Estados Unidos.

Se a colocação e a exploração de cabos submarinos foram, por muito tempo, domínio exclusivo das grandes - muitas vezes europeias - operadoras de telecomunicações, hoje são Google, Facebook e outros que estão se tornando os principais "desenvolvedores".

"Há quatro anos, os Gafam não tinham capacidade própria no Atlântico, alugavam serviços das operadoras tradicionais. Há dois anos, já controlavam 50%. Hoje, estão em 80% e, em dois anos, estarão em 95%", disse à AFP o diretor de redes internacionais da Orange, Jean-Luc Vuillemin.

- Novas rotas digitais da seda -

Enquanto a Europa se encontra em uma situação de "forte dependência" em matéria de ecossistemas de transmissão e de operação da Internet em relação aos Estados Unidos, não é o caso de países como a China, onde é "nula".

"Se, amanhã de manhã, todos os cabos submarinos que ligam a China ao restante do mundo forem cortados, para 99% da população daquele país não vai acontecer absolutamente nada", afirma Vuillemin.

No início de março, por exemplo, Facebook e Google tiveram de interromper o lançamento de um cabo submarino que ligaria a Califórnia a Hong Kong, devido às fortes tensões diplomáticas entre Estados Unidos e China.

"Não é mais possível estabelecer um cabo direto entre os dois países. De certa forma, são como as discussões sobre 5G", confirma Alain Biston, CEO da Alcatel Submarine Networks (ASN), líder mundial em implantação de cabos submarinos.

Para afirmar sua soberania neste campo, a China está tecendo sua própria teia no fundo do oceano com suas "Novas rotas digitais da seda", setor tecnológico de um vasto programa de infraestrutura para projetar seu poder econômico além das fronteiras.

Algo revelador: o cabo Peace, financiado por operadoras chinesas e lançado em 2018, não atende a Índia, grande rival, mas conecta o aliado Paquistão com a Europa, partindo de Marselha, e também o Quênia.

Embora a ASN francesa, a americana TE SubCom e a japonesa NEC dominem um mercado de instalação de cabos avaliado em 2 bilhões de euros (em torno de US$ 2,43 bilhões), a China também pretende fortalecer sua própria holding, graças à recente fusão da Huawei Marine Networks com a Hengtong Optic-Electric.

- Barcos russos e espionagem -

Um novo ator capaz de alterar o atual "oligopólio"?

"Quando vemos a rapidez com que atuam no mercado, podemos nos fazer essa pergunta. Pode não ser de imediato, mas será em cinco anos", estima Morel.

Infraestruturas geoestrategicamente sensíveis, os cabos submarinos não escapam dos riscos de espionagem e de sabotagem.

A tal ponto que sua proteção esteve na pauta de uma reunião de ministros da Defesa da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), no final de outubro, quando as Marinhas ocidentais detectaram um grande interesse de navios russos pelos cabos dos países da aliança, sem saber seus motivos.

No final de março, o Ministério britânico da Defesa anunciou que, até 2024, um navio de vigilância entrará em serviço para proteger seus cabos submarinos e outras infraestruturas.

Sinal de uma ameaça real? "Em tese, é possível emendar uma ponte espiã com uma fibra óptica em profundidade. Mas, com tantas suposições (...), ainda parece mais do que improvável", diz Vuillemin.

O papa Francisco recordou, nesta quarta-feira (12), ao término da audiência geral no Vaticano, o atentado contra João Paulo II cometido 40 anos atrás.

"Nos torna conscientes de que nossa vida e a história do mundo estão nas mãos de Deus", disse o pontífice, ao se referir à tentativa de assassinato do primeiro papa polonês da história, em 13 de maio de 1981, em plena praça de São Pedro.

"Amanhã é o memorial litúrgico da Santíssima Virgem Maria de Fátima e do 40º aniversário do atentado a São João Paulo II aqui na praça", comentou Francisco.

"Ele mesmo ressaltava, com convicção, que devia sua vida à Senhora de Fátima", acrescentou o pontífice argentino, recordando que João Paulo II tinha uma devoção especial à Virgem de Fátima.

O então papa tinha certeza de que a Virgem salvou sua vida naquele dia, data do 64º aniversário de sua suposta aparição para os pastorinhos no centro de Portugal.

Um ano depois do ataque, ofereceu ao santuário de Fátima a bala que o atingiu, agora embutida na coroa da estátua da Virgem.

"Ao Imaculado Coração de Maria confiamos a Igreja, nós mesmos e o mundo inteiro. Rezemos pela paz, pelo fim da pandemia, pelo espírito de penitência e por nossa conversão", clamou Francisco.

Em entrevista publicada nesta quarta-feira pelo jornal italiano La Repubblica, o secretário particular de João Paulo II e seu colaborador mais próximo, o atual cardeal polonês Stanislao Dziwisz, recordou este momento dramático, quando o extremista turco Ali Agca atirou no pontífice, ferindo-o no abdômen, na mão esquerda e no braço direito.

"O primeiro tiro provocou a revoada de um bando de pombos. Voavam feito loucos. Imediatamente depois, o segundo tiro. O papa caiu de lado, em cima de mim. Tentei segurá-lo, enquanto via, na multidão, alguém tentando fugir", relata.

"Nestes momentos agitados, diante da gravidade do que se passava, pensei apenas em não deixá-lo cair no chão. O papa estava morrendo. Sofria muito, mas estava lúcido. Não desanimei. Rezava e pensava apenas em salvá-lo. O restante os médicos o fizeram com a ajuda da Virgem", acrescentou o religioso, que acompanhava o então sumo pontífice no papamóvel.

A prisão de Mehmet Ali Agca foi rápida, enquanto seu suposto cúmplice, Oral Celik, fugiu e só foi preso alguns anos depois na França por tráfico de drogas antes de ser extraditado para a Itália.

Aos investigadores, Ali Agca disse apenas: "Não me importo de morrer".

Assim que o ataque foi anunciado, os fiéis de todo o mundo começaram a rezar pelo "fenômeno Wojtyla", o primeiro papa eslavo da história, que deixou sua marca no mundo católico desde sua eleição em 16 de outubro de 1978.

A Índia ultrapassou oficialmente nesta quarta-feira (12) as 250.000 mortes por Covid-19 desde o início da pandemia, mas os dados anunciados oficialmente neste país de 1,3 bilhão de pessoas apontam para um balanço muito maior.

De acordo com o ministério da Saúde indiano, 4.205 pessoas morreram nas últimas 24 horas, elevando o balanço total de mortos para 254.197. As infecções ultrapassam 23,3 milhões, depois de somar quase 350.000 a mais.

A nova onda sobrecarregou hospitais, crematórios e cemitérios. E embora a incidência do vírus pareça estar diminuindo nas grandes cidades, atinge duramente áreas rurais no interior, onde vivem dois terços da população.

"As mortes são muito mais numerosas do que revelam nossos dados oficiais", disse à AFP o pesquisador independente em Políticas de Saúde e Bioética Anant Bhan, para quem "mesmo um número três ou quatro vezes maior seria uma estimativa subestimada".

Os números não batem, especialmente em Gujarat (oeste), o estado natal do primeiro-ministro indiano, o nacionalista hindu Narendra Modi, e governado pelo Bharatiya Janata Party (BJP).

Em Rajkot, por exemplo, 154 mortes foram oficialmente reportadas entre 1º e 23 de abril, embora as autoridades de saúde da cidade tenham registrado 723.

No mesmo período, Bharuch declarou oficialmente 23 mortos, mas, de acordo com funcionários de crematórios e cemitérios, 600 funerais foram realizados no total.

- Sem coveiros suficientes -

O chefe de Governo regional de Gujarat, Vijay Rupani, garantiu que estavam seguindo as orientações do Conselho Indiano de Pesquisa Médica, estipulando que apenas mortes "diretamente provocadas" pela covid-19 podem ser registradas como tal.

Em contrapartida, os óbitos relacionados à coexistência de duas ou mais doenças no mesmo indivíduo (comorbidade) não são considerados.

Em Lucknow, capital do estado de Uttar Pradesh (norte), no cemitério muçulmano de Aishbagh, o coveiro Hafiz Abdul Matee lembra que, antes da pandemia, aconteciam entre quatro a cinco enterros por dia.

"Hoje, 45 corpos de vítimas da covid foram enterrados aqui", disse à AFP. "Aumentamos o número de coveiros, mas não é o suficiente, porque os homens se cansam e adoecem", explicou.

Os números oficiais em outros estados, como Haryana (norte), também não batem com o número de enterros. De acordo com a imprensa local, o mesmo ocorre em Nova Delhi.

- "Batalha de dados" -

"Nossa estimativa é que o governo não registra 50% das mortes por covid-19", disse à AFP Jitender Singh Shanty, chefe de um dos 26 crematórios da capital.

Contactado pela AFP, o porta-voz do partido de Modi, R.P. Singh, rejeita que os números sejam subestimados e atribui a diferença às manobras políticas. "Ninguém pode esconder cifras hoje em dia".

"Na Índia, não estamos apenas lutando contra uma pandemia, mas também uma séria batalha de dados, compartilhamento de dados e transparência", comentou à AFP Rijo M. John, economista e pesquisador em saúde pública.

Para Anant Bhan, dados imprecisos tornam difícil para a população e o governo entender a pandemia. "Se os dados não são bem conhecidos, não é possível lançar uma resposta eficaz", acrescenta.

Sonalika Sahay, uma estudante universitária de 22 anos, questiona os dados oficiais: "O governo diz que (...) a situação está melhorando. Como é possível então que os corpos sejam jogados aos rios às dezenas?"

A pandemia de Covid-19, que matou mais de 3,3 milhões de pessoas e devastou a economia mundial, "poderia ter sido evitada", afirmam especialistas independentes de um painel estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em um relatório publicado nesta quarta-feira (12), eles denunciam o verdadeiro "Chernobyl do século XXI" e pedem de maneira urgente amplas reformas dos sistemas de alerta e prevenção.

"A situação em que nos encontramos hoje poderia ter sido evitada", afirmou uma da copresidentes do painel, Ellen Johnson Sirleaf, ex-presidente da Libéria.

Apesar de severo, o relatório não aponta nenhum culpado. O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump acusou a China e a OMS, que ele considerava uma instituição que se submeteu a Pequim, as únicas responsáveis pelo desastre sanitário e econômico no planeta.

Pelo contrário, "a situação se deve a uma miríade de fracassos, lacunas e atrasos na preparação e resposta à pandemia", destacou Sirleaf, em uma entrevista coletiva.

"É evidente que a combinação de más decisões estratégicas, de falta de vontade para abordar as desigualdades e de um sistema mal coordenado criou um coquetel tóxico que permitiu à pandemia virar uma crise humana catastrófica", destaca o texto.

- "Atrasos em todos os lugares" -

Estabelecido pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em aplicação a uma resolução aprovada em maio de 2020 pelos Estados-membros da organização, o grupo independente, formado por 13 especialistas, passou os últimos oito meses examinando a propagação da pandemia e as medidas adotadas pelo organismo e os países para enfrentar a doença.

Desde o início, a OMS foi criticada por suas respostas à crise, principalmente pela demora a recomendar o uso de máscara. A organização foi acusada pelos Estados Unidos de ter sido extremamente complacente com a China, onde surgiu o novo coronavírus, e por ter demorado a declarar estado de emergência de saúde mundial. O governo chinês, por sua parte, foi acusado de tentar camuflar a epidemia.

"Com certeza podemos dizer que aconteceram atrasos na China, mas aconteceram atrasos em todos os lugares", disse a ex-primeira-ministra da Nova Zelândia Helen Clark, que é copresidente do painel de especialistas.

"Passou muito tempo", destaca o grupo, entre a notificação de um foco epidêmico de pneumonia de origem desconhecida na segunda quinzena de dezembro de 2019 e a declaração, em 30 de janeiro pela OMS, de uma emergência de saúde pública de alcance internacional, o mais elevado nível de alerta.

De acordo com os especialistas, esta declaração poderia ter sido feita desde a primeira reunião do Comitê de Emergência da OMS em 22 de janeiro.

Porém, mesmo que a OMS tivesse declarado emergência sanitária uma semana antes, as coisas não teriam mudado muito diante da "inação de tantos países", reconheceu Clark.

Porque apenas em 11 de março, quando o diretor-geral da OMS classificou a situação como pandemia, os governos compreenderam realmente o perigo.

- Fevereiro de 2020, um "mês perdido" -

Neste sentido, fevereiro de 2020 foi um "mês perdido", durante o qual muitos países poderiam ter adotado medidas para deter a propagação do vírus.

"Atrasos, hesitações e negacionismo" permitiram a explosão da epidemia e depois pandemia, concluiu o relatório.

O grupo de especialistas recomenda aos governos e à comunidade internacional adoção, sem demora, de um conjunto de reformas para transformar o sistema mundial de preparação, alerta e resposta às pandemias.

Para isto, o relatório propõe várias medidas, incluindo a criação de um Conselho Mundial de Luta contra as Ameaças Sanitárias, assim como um novo sistema mundial de vigilância baseado na "transparência total".

Este sistema daria à OMS o poder de publicar de maneira imediata informações sobre epidemias que podem virar pandemias, sem a necessidade de solicitar a aprovação dos países.

O relatório também faz uma série de recomendações de aplicação imediata para acabar com a propagação da covid, com pedidos em particular aos países ricos para que distribuam mais de dois bilhões de doses até meados de 2022, com pelo menos um bilhão antes de setembro.

"Idade é apenas um número", diz Sang Xiuzhu, de 76 anos, uma aposentada moderna que ganha dinheiro nas redes sociais chinesas graças a seus vídeos vistos por milhares de espectadores.

Usando óculos escuros, a septuagenária, que parece dez anos mais jovem em um elegante vestido preto, atravessa a pista de dança de uma sala de ensaios em Pequim.

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De grande elegância, seus movimentos estão perfeitamente sincronizados com os das demais aposentadas que a acompanham.

Juntas, elas formam o grupo "Avós da Moda", muito popular graças aos vídeos curtos que contam a vida dos idosos com originalidade.

"Ao ver avós como nós que seguem a moda e que se sentem bem com elas mesmas, nossos fãs mais jovens não têm medo de envelhecer", afirma Sang, em um vestido tradicional longo e elegante.

As "Avós da Moda" têm 23 membros. A mais jovem está na casa dos cinquenta anos.

A fama do grupo despertou o interesse de marcas, que o consideram uma forma de atingir um público mais velho.

Quando essas avós 2.0 testam produtos online e se filmam ao vivo nas redes sociais, "elas podem vender 200 em um minuto", diz seu agente, He Daling.

Em troca, recebem uma comissão sobre as vendas.

Também transmitem valores positivos, como "os jovens não têm o monopólio da beleza". O que não as impede de abordar assuntos de maior substância.

- Canto, dança, kung-fu -

Em um vídeo que mostra um homem levantando a mão para sua companheira, uma mulher de certa idade intervém para denunciar a violência familiar.

À medida que a China envelhece e a expectativa de vida aumenta, os maiores de 60 anos representarão um terço da população chinesa em 2050.

Uma ótima situação para Bian Changyong, executivo de uma empresa que ajuda idosos a se valorizarem nas redes sociais.

Na China, "o setor da internet ganhou dinheiro com todos os grupos": homens, mulheres, jovens e famílias, diz Bian. "Mas não com os idosos", afirma, farejando uma "oportunidade".

Os "cabelos grisalhos" representam um mercado considerável que já responde por centenas de bilhões de dólares.

A empresa de Bian oferece cursos online de música, dança e até kung-fu.

E com a pandemia, os aposentados têm passado mais tempo online para se divertir ou fazer compras, entusiasma-se Bian.

Essa geração é a primeira a ter se beneficiado do ensino superior, após o caos da Revolução Cultural (1966-1976).

- "Muito instruídos" -

Durante a dolorosa década, o presidente Mao Tsé-Tung enviou milhões de "jovens intelectuais" para instruir-se com os camponeses, às vezes em condições difíceis.

As universidades do país ficaram fechadas por 10 anos.

Atualmente, os idosos "são mais ricos" do que as gerações anteriores e "altamente instruídos", garante Bian, dono da Beijing Dama Technology, uma empresa que gerencia a imagem de influenciadores digitais mais velhos.

Como Ruan Yaqing, de 58 anos, que tem sua própria rede de vídeo, seguida por mais de 6 milhões de pessoas.

Seu segredo? Contar a história e a cultura de Pequim. A sua apresentação é bem pensada, as imagens gravadas com o telefone são montadas por um profissional.

Uma nova paixão que permite a sra. Ruan não ser muito "invasiva" em casa, ela brinca.

Aparecer nas redes sociais também é para ela uma pequena vingança contra a juventude.

"Muitas vezes, os jovens pensam que os mais velhos não sabem de nada", reclama.

Nauru, uma pequena ilha do Pacífico, celebrou um 'recorde mundial' de vacinação contra a Covid-19, depois que toda sua população adulta recebeu a primeira dose.

Este pequeno Estado, que é um dos poucos países do mundo que não registrou casos de coronavírus, anunciou que a campanha de vacinação superou as expectativas.

No período de um mês, 7.392 pessoas receberam a primeira dose, o que representa 108% da população adulta registrada no censo - o número de vacinados inclui estrangeiros.

"A força tarefa responsável pela luta contra o coronavírus celebra este recorde mundial e agradece a todos os habitantes que contribuíram para que Nauru continue sendo um lugar livre de covid-19", afirmou o governo em um comunicado.

O presidente da força tarefa, Kieren Keke, reconheceu que o menor Estado insular do mundo teve a sorte de ter doses suficientes para vacinar toda a população adulta, ao mesmo tempo que os moradores continuarão sendo submetidos a testes.

"Na chegada de qualquer viajante, existe o risco de o coronavírus entrar em Nauru e os recentes acontecimentos em Papua Nova Guiné, Fiji e Índia demonstraram a rapidez com que a situação pode evoluir ", afirmou.

Nauru recebeu doses da vacina AstraZeneca por meio do programa Covax, a iniciativa para garantir o acesso equitativo à vacinação contra a covid-19 em 200 países.

Cidade do México e Lima - Um anúncio de uma agência de viagens oferece promoções para que mexicanos viajem aos Estados Unidos (EUA) a fim de receber a vacina contra a Covid-19. "Quer a vacina contra a Covid-19? Tem um visto para entrar nos Estados Unidos? Entre em contato com a gente", diz o anúncio. 

Do México até a Argentina, milhares de latino-americanos estão reservando voos para os Estados Unidos a fim de se beneficiar de uma das mais bem-sucedidas campanhas de vacinação do mundo, enquanto o andamento da vacinação em seus países caminha lentamente. 

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A América Latina é uma das regiões mais afetadas pela pandemia de Covid-19, com o número de mortos próximo de superar 1 milhão neste mês, e muitos não querem esperar tanto por sua vez na fila da vacina.

Algumas pessoas estão fazendo os trâmites sozinhas, enquanto outras utilizam agências de viagem, que responderam oferecendo pacotes que disponibilizam um compromisso para a vacinação, voos, estadia em hotel e até alguns extras como passeios pela cidade e tours de compras.

Glória Sánchez, de 66 anos, e seu marido, Angel Menendez, de 69, viajaram no final de abril para Las Vegas, com o objetivo de tomar a dose única da vacina da Johnson & Johnson's.

"Nós não confiamos nos serviços de saúde pública neste país", disse Sánchez, agora de volta ao México. "Se não tivéssemos viajado para os Estados Unidos, onde eu me senti um pouco mais confortável, eu não teria me vacinado aqui".

Um agente de viagens na Cidade do México organizou a viagem e um associado em Las Vegas conduziu o processo no lado norte-americano, disse Sánchez. 

O associado nos Estados Unidos arranjou um horário para que eles fossem vacinados, e então os conduziu a um centro de convenções em Las Vegas, onde apresentaram seus passaportes mexicanos e receberam as doses.

"Decidimos transformar a viagem em um passeio de férias e ficamos por uma semana, andamos como loucos, comemos uma comida muito cara, porém boa, e também fizemos compras", disse. 

Enquanto a demanda dispara, os preços de voos do México para os Estados Unidos cresceram em média de 30% a 40% desde meados de março, disse Rey Sanchez, que dirige a agência de viagens RSC Travel World. 

"Há milhares de mexicanos e milhares de latino-americanos que foram para os Estados Unidos se vacinar", disse o agente de viagens, acrescentando que os principais destinos têm sido Houston, Dallas, Miami e Las Vegas.

A Reuters não conseguiu encontrar dados oficiais sobre o número de latino-americanos que estão viajando aos EUA em busca de vacina. Os viajantes normalmente não declaram "vacinação" como motivo para a viagem.

A Embaixada dos Estados Unidos no Peru informou recentemente no Twitter que as pessoas podem visitar os EUA para tratamento médico, incluindo vacinas.

Na Argentina, um anúncio em Buenos Aires detalha o custo estimado para se vacinar em Miami: passagem aérea US$ 2 mil, hotel por uma semana US$ 550, comida US$ 350, aluguel de carro US$ 500, vacina US$ 0, totalizando cerca US$ 3.400.

Os latino-americanos que viajaram com visto de turista aos EUA, com quem a Reuters falou, disseram que conseguiram ser vacinados com documentos de identidade de seus países de origem.

*Com informações de Anthony Esposito, Cassandra Garrison e Marco Aquino - Repórteres da Reuters

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta quarta-feira (12) (noite de terça, 11, no Brasil) que a variante do novo coronavírus que causou a explosão recente de contágios na Índia está presente em pelo menos 44 países.

A autoridade mundial em matéria de saúde informou que a variante B.1.617, detectada na Índia em outubro passado, foi identificada "em 44 países, nas seis regiões da OMS", e acrescentou ter recebido "informes de que também foi detectada em outros cinco países".

Fora da Índia, foi no Reino Unido onde foi detectado o maior número de casos da B.1.617.

A OMS qualificou esta semana esta variante como "preocupante". É uma das razões, embora não a única, que explica a explosão de casos de covid na Índia, atualmente o epicentro da pandemia no mundo.

Ela se soma, assim, à lista de outras variantes surgidas em Reino Unido, Brasil e África do Sul, consideradas mais perigosas do que a versão original do coronavírus, seja porque são mais contagiosas, letais ou resistentes a algumas vacinas.

No que diz respeito à variante indiana, ela foi somada à lista porque é mais contagiosa.

Segundo estatísticas oficiais, cerca de 4.000 pessoas morrem diariamente de covid-19 na Índia, onde o balanço total da epidemia beira os 250.000 mortos.

O Egito descobriu cerca de 250 tumbas de 4,2 mil anos na província de Sohag, sul do país, anunciou nesta terça-feira o Ministério de Antiguidades. "Algumas contam com uma ou várias fossas funerárias. Outras, com um corredor que termina em uma câmara funerária", detalhou o ministério.

As tumbas foram criadas em um período compreendido "do fim do Antigo Império até o fim do período ptolomaico", acrescentou. O secretário-geral do Conselho Geral de Antiguidades egípcio, Mostafa Waziri, informou que uma das tumbas do Antigo Império apresenta leves traços de inscrições hieroglíficas e uma câmara para "os sacrifícios".

Segundo Mohamed Abdel-Badie, representante da área de Antiguidades e que comandou as escavações, foram encontrados objetos de cerâmica e dedicados às divindades egípcias, assim como pequenos vasos de alabastro, ossos humanos e de animais e relíquias de calcário que poderiam ser "monólitos funerários da 6ª dinastia".

Autoridades egípcias fizeram várias descobertas arqueológicas nos últimos meses, e têm esperança de relançar o turismo, fortemente golpeado desde a revolução de 2011, que tirou do poder o presidente Hosni Mubarak, e pela pandemia do novo coronavírus.

O Tribunal de Apelação de Paris ordenou nesta quarta-feira (12) que as empresas Air France e Airbus sejam julgadas por "homicídio culposo" por sua responsabilidade indireta no acidente de 2009 do voo Rio-Paris, no qual morreram 228 pessoas.

A decisão, que era solicitada pela Procuradoria-Geral e as famílias das vítimas, invalida o arquivamento anunciado em 2019 a favor da companhia aérea franco-holandesa e da fabricante europeia de aviões ao final das investigações.

Os advogados da Airbus anunciaram de maneira imediata que pretendem recorrer ao Tribunal Supremo e denunciaram uma "decisão injustificável".

"A Air France nega ter cometido uma falha penal que tenha provocado este acidente terrível", declarou o advogado da companhia aérea, Francois Saint-Pierre.

Os parentes das vítimas receberam a notícia com emoção.

"É uma grande satisfação ter a sensação de que finalmente fomos ouvidos pela justiça", afirmou, emocionada, Danièle Lamy, presidente da associação 'Entraide et Solidarité AF447'.

No dia 1º de junho de 2009, um Airbus A330 que viajava entre Rio de Janeiro e Paris caiu no Oceano Atlântico. Todos os passageiros e integrantes da tripulação - 228 pessoas de 34 nacionalidades diferentes - morreram no acidente, o pior da história da companhia aérea francesa.

As caixas-pretas foram encontradas dois anos depois, a quase 4.000 metros de profundidade.

- Uma década de batalha judicial -

Em 2019, após uma década de batalhas entre especialistas e a acusação contra a companhia aérea e a fabricante europeia por "homicídio culposo", o MP de Paris pediu um julgamento apenas contra a Air France, por considerar que a empresa "cometeu negligência e imprudência" na formação de seus pilotos.

Mas os juízes de instrução não seguiram a recomendação e pronunciaram um arquivamento geral. Para eles, o acidente foi provocado por uma "combinação de elementos que nunca antes havia acontecido e que, portanto, também revelaram perigos nunca antes percebidos".

As investigações "não levaram à caracterização de uma falha que pode ser atribuída a Airbus ou Air France em relação (...) aos erros de pilotagem (...) na origem do acidente", avaliaram.

Indignados, os parentes das vítimas e os sindicatos de pilotos apelaram, assim como a Promotoria.

Em apoio às partes civis, a Procuradoria-Geral foi ainda mais longe que as exigências do MP de Paris, do qual é superior, ao solicitar o julgamento não apenas da Air France, mas também da Airbus.

Sem minimizar a "causa direta imputável à tripulação", a Procuradoria-Geral considera que é necessário buscar as causas indiretas do acidente em erros cometidos pelas duas empresas: os executivos da Air France "não forneceram a formação e as informações necessárias para as tripulações", enquanto a Airbus "subestimou a gravidade das falhas das sondas de velocidade Pitot" e não atuou de maneira suficiente para corrigir esta falha perigosa.

Nos meses anteriores ao acidente foram registrados vários incidentes do mesmo tipo.

De acordo com as informações dos peritos, o congelamento em voo das sondas de velocidade Pitot provocaram uma perturbação nas medições de velocidade do Airbus A330, o que desorientou os pilotos e eles perderam o controle do avião em menos de quatro minutos.

A Índia superou nesta quarta-feira (12) a marca de 250.000 mortes por covid-19 desde o início da pandemia, que atualmente afeta com força o país de 1,3 bilhão de pessoas.

De acordo com os números do ministério da Saúde, 4.205 pessoas morreram nas últimas 24 horas, o que eleva o balanço total de vítimas fatais a 254.197 desde o início da pandemia.

O país registrou quase 350.000 novos casos em apenas dia e o total de contágios acumulados alcança 23,3 milhões.

A pandemia parece estar diminuindo nas grandes cidades, mas o vírus está fora de controle no vasto interior rural da Índia, onde vivem dois terços da população.

Muitos especialistas acreditam que os números reais estão provavelmente subnotificados.

"O número de mortes é muito maior do que revelam os dados oficiais", declarou à AFP Anant Bhan, pesquisador independente de Política de Saúde e Bioética.

"Mesmo um número três ou quatro vezes maior estaria subestimado", completou.

Ao menos 26 palestinos, incluindo nove crianças, morreram na madrugada desta terça-feira (11) em bombardeios israelenses em Gaza, uma resposta aos foguetes lançados por movimentos armados palestinos, que provocaram duas vítimas fatais no sul de Israel, em uma escalada provocada por uma onda de violência em Jerusalém Oriental.

Mais de 120 pessoas ficaram feridas na Faixa de Gaza, território palestino controlado pelo movimento islamita Hamas, informaram as autoridades de saúde locais.

Desde segunda-feira, militantes palestinos lançaram mais de 300 foguetes contra Israel. O sistema antimísseis israelense Cúpula de Ferro interceptou mais de 90% dos projéteis, afirmou o porta-voz do Exército, Jonathan Conricus. Ao menos seis israelenses ficaram feridos.

O Estado hebreu respondeu ao lançamento de foguetes com 130 ataques de aviões de combate e de helicópteros contra alvos militares no território palestino. Segundo Conricus, as ações mataram 15 comandantes do Hamas e da Jihad Islâmica. Este último grupo armado confirmou as mortes de dois de seus líderes.

Nesta terça-feira, foram lançados mais foguetes a partir do enclave palestino, enquanto o braço armado das brigadas Qassam, vinculadas ao Hamas, prometeu que transformaria a cidade israelense de Ashkelon, ao sul, em "um inferno".

Nesta cidade, duas mulheres, uma de 65 anos e outra de 40, morreram vítimas dos disparos de foguetes palestinos, afirmou o Magen, equivalente da Cruz Vermelha em Israel.

Nas últimas horas, foram ouvidas explosões na cidade, onde um foguete abriu uma cratera na lateral de um bloco de apartamentos.

Conricus disse que Israel não tem confirmação de que seus ataques afetaram civis em Gaza, ou se as vítimas foram provocadas por enganos no lançamento de foguetes palestinos.

O ministro israelense da Defesa, Benny Gantz, autorizou um pedido do Exército para mobilizar 5.000 reservistas em caso de necessidade.

Israel vai "intensificar" seus ataques contra o Hamas, advertiu o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

"Desde ontem (segunda-feira), o Exército lançou centenas de ataques contra o Hamas e a Jihad Islâmica em Gaza (...) e vamos intensificar ainda mais a força dos nossos ataques", garantiu o chefe de Governo em uma mensagem de vídeo, acrescentando que o Hamas "será golpeado de uma maneira que não se espera".

- Preocupação internacional -

As tensões dos últimos dias em Jerusalém se transformaram nos piores confrontos na cidade desde 2017.

A violência começou na sexta-feira (7) com os confrontos entre policiais do Batalhão de Choque israelense e os fiéis palestinos na Esplanada das Mesquitas, onde fica a mesquita de Al-Aqsa, o terceiro lugar mais sagrado do Islã.

Desde então, os distúrbios noturnos em Jerusalém Oriental deixaram centenas de palestinos feridos e provocaram apelos internacionais por uma desescalada. A ONU afirmou que está "profundamente preocupada" e condenou "qualquer incitação à violência".

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, condenou os ataques com foguetes do Hamas, afirmando que eles "devem parar imediatamente".

O secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit, condenou os ataques a Gaza como "indiscriminados e irresponsáveis (...) e uma demonstração miserável de força ao custo do sangue de crianças".

Na segunda-feira (10), o Hamas deu um ultimato a Israel para que retirasse todas as suas forças da Esplanada das Mesquitas e do distrito de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, onde os próximos despejos de famílias palestinas estão gerando protestos.

As sirenes soaram em toda Jerusalém logo após as 18h locais (12h em Brasília), o horário-limite do ultimato do Hamas. Foguetes começaram a cair, e os moradores de Jerusalém fugiram para bunkers pela primeira vez desde o conflito de Gaza de 2014.

As brigadas Qassam disseram que os ataques com foguetes são uma resposta às ações israelenses em Sheikh Jarrah e ao redor da mesquita de Al-Aqsa.

"Esta é uma mensagem que o inimigo deve entender bem: se eles responderem, responderemos. E se escalarem, escalaremos", frisaram.

Na segunda à noite, assim como nas noites anteriores desde sexta-feira, os palestinos atiraram pedras na tropa de choque israelense. Os agentes responderam com balas de borracha, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo.

"Atiraram em todo mundo, nos jovens e nos idosos", relatou Siraj, um palestino de 24 anos, internado no hospital Makassed, em Jerusalém Oriental, depois de sofrer uma lesão no baço por uma bala de borracha.

A Anistia Internacional afirmou que as "forças israelenses usaram repetidamente força desproporcional e ilegal para dispersar os manifestantes".

A polícia israelense não respondeu a acusações específicas, mas disse à AFP que não permitirá "que se altere a ordem, nem que se incite a provocar danos às forças de segurança".

Nanci González levou o irmão doente de Covid-19 para um hospital da rede pública, em Assunção, mas o local estava tão lotado que seguiram para uma clínica particular, onde ele ficou internado na UTI e conseguiu se recuperar. Agora, a dívida da família é enorme.

"Nós o levamos para o IPS (Instituto de Previdência Social), mas como estava lotado, e ele não estava bem para esperar, nós o levamos para outro hospital. Entramos e colocaram oxigênio imediatamente, porque não estava com boa saturação. No dia seguinte, foi entubado", conta González à AFP.

No total, seu irmão Rosalino, de 37 anos e sem comorbidades, passou 16 dias na Unidade de Terapia Intensiva. Para retirá-lo da clínica, a família recorreu à Justiça, pois deve o equivalente a US$ 50.000.

Nanci, que trabalha em casa como costureira e quase não recebeu encomendas desde o início da pandemia, decidiu criar uma rifa de seu automóvel para conseguir um pouco do dinheiro que precisa para pagar a internação, com a sorte de que a pessoa que venceu optou por devolver o carro.

"No Paraguai, é quase uma tradição que, se tem alguém internado, o sistema de financiamento é a solidariedade social. As pessoas organizam rifas, comidas, festivais, qualquer atividade social de colaboração para que as pessoas consigam enfrentar os gastos", diz à AFP Esperanza Martínez, senadora e ex-ministra da Saúde.

O sistema de saúde no Paraguai inclui os serviços de seguridade social, acessados por cerca de 20% da população graças a um emprego formal, além de centros de atendimento público, onde são atendidos 60%, e um pequeno setor privado.

"O sistema público de saúde nunca foi gratuito, sempre teve tarifas de baixo custo", explica Martínez.

"Mas, em tempos de covid, os custos são os de UTI, que sempre são catastróficos. A isto se soma a pobreza e a situação de desamparo de muitas famílias pelas condições econômicas que também são impostas pela pandemia com o isolamento, o fechamento de empresas e as demissões em massa", completa.

O Paraguai enfrenta uma aceleração de casos que provoca o colapso dos hospitais. Muitos pacientes são atendidos com oxigênio e soro em cadeiras, ou macas, posicionadas nos corredores.

Vanessa Morinigo, de 32 anos, teve de internar o pai em condições precárias. Pouco depois foi a vez de sua mãe.

"O caos é impressionante. Não há vaga. É um milagre conseguir uma cadeira com oxigênio. Meu pai passou oito dias sentado em uma cadeira com o pé todo inchado. Pneumonia bilateral nele, e pneumonia bilateral, na minha mãe", relata.

Ela conta que os dois estão em condição melhor, pois foram transferidos para uma instalação militar preparada para o atendimento intermediário de pessoas que saem da UTI.

Ter um parente internado exige muita dedicação, inclusive para conseguir os tratamentos. Nas imediações dos hospitais, é possível observar diversas barracas improvisadas por familiares que acompanham pacientes.

Para Morinigo, uma das coisas mais difíceis foi comprar os medicamentos necessários. Ela conta que gastava o equivalente a US$ 50 por dia com os remédios para os pais.

"Tive que fechar meu negócio. Meu marido é o único que trabalha", contou.

Com pouco mais de sete milhões de habitantes, o Paraguai registra 299.684 casos e 7.209 mortes por covid-19. A campanha de vacinação acontece de maneira lenta. O governo culpa o não cumprimento de prazos pelo sistema Covax e contratos "leoninos e abusivos" impostos por fornecedores privados.

O corpo de uma mulher brasileira foi encontrado nesta terça-feira (11) na beira de uma rua de Piacenza, na região da Emilia-Romagna, na Itália, informaram as autoridades locais.

Segundo as primeiras informações, alguns pedestres ligaram para a polícia ao ver o corpo próximo a um canteiro de flores na via Caorsana. O jornal "Gazzetta di Parma" afirma que trata-se de uma transexual, mas as autoridades não confirmaram.

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A polícia científica foi ao local para iniciar a investigação. A princípio, não foram encontrados sinais evidentes de violência, mas os agentes informaram à imprensa que não descartam "nenhuma hipótese".

Da Ansa

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