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Em uma sala, localizada no primeiro andar da Avenida Manoel Borba, na área central do Recife, Jaqueline Pinheiro prova que serviços que envolvem elétrica, hidráulica ou manuseio de ferramentas, como furadeira, independem de gênero. Desde 2016, Jaqueconserta, como a empreendedora é conhecida, realiza serviços de manutenção residencial, destinada ao público feminino e LGBTQIA+, e incentiva outras mulheres a busca pela autonomia na realização desses serviços, através de oficinas.

Ao LeiaJá, Jaqueline conta que as formações são promovidas em alguns sábados, com duas turmas de até seis alunas, pela manhã e à tarde [das 9h às 12h30 e das 14h às 17h30]. O investimento é R$ 110. Na ocasião, as participantes aprendem elétrica básica, hidráulica básica e manuseio de ferramentas de forma teórica e prática. À reportagem, Jaqueconserta explica que as oficinas são pontuais, ou seja, em datas específicas, para evitar uma sobrecarga de trabalho.

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“Além das oficinas, eu realizo serviços de manutenção residencial durante a semana. Como todo trabalho braçal, exige esforço. Preciso de momentos de descanso. Mas, está nos planos que as oficinas se tornem mais rotineiras, como também pleitear editais para que elas sejam ofertadas para mulheres das comunidades do Recife”, comenta.

A oficina de manutenção residencial para mulheres é realizada por Jaqueline Pinheiro na área central do Recife. Foto: Elaine Guimarães/LeiaJá

Nas aulas, não existe certo ou errado. O que há são momentos de trocas, incentivo e acolhimento. Para Jaqueline Pinheiro, o afastamento das mulheres dos serviços de reparos residenciais é reflexo do machismo e de uma sociedade patriarcal, que ainda enxerga essas habilidades ligadas ao masculino e tolhe o público feminino nessa busca pela autonomia. Nesse contexto, a capacidade feminina para a realização dessas atividades é, muitas vezes, colocada em xeque e transformada em medo.

“O meu trabalho foi a forma que eu achei de aliar minha militância e sobrevivência, geração de renda. A premissa principal do meu trabalho é ajudar nesse processo de autonomia dessas mulheres. A gente é deixada de fora disso [serviços de manutenção] por uma questão cultural e é importantíssimo você saber, pelo menos, o básico para ser uma pessoa autônoma. As oficinas são espaços para as mulheres se sentirem seguras, sem se sentir idiotas porque os homens têm esse costume de fazer a gente se sentir idiota quando a gente se aventura a ocupar algum espaço que eles se consideram como um Deus”, ressalta.

A formação promove autonomia nas mulheres na realização de manutenções e manuseio de ferramentas. Foto: Elaine Guimarães/LeiaJá

Jaqueconserta desde cedo

As habilidades de Jaqueline Pinheiro com as ferramentas começou ainda na infância. Ao LeiaJá, ela relembra que quando criança costumava passar as férias na loja de materiais de construção da avó paterna. "Minha brincadeira preferida era montar carrinho de mão", relata. Ela ressalta ainda que esse universo nunca "foi um bicho de sete cabeças". 

O nome Jaqueconserta, segundo a empreendedora, foi dado pelo irmão mais novo. "Tenho um irmão, que é 10 anos mais novo que eu. Na época, eu tinha 13 [anos] e ele três [anos] e acretitava que eu, realmente, consertava qualquer coisa. Uma vez ele acordou e viu minha mãe chorando, com uma pinha na mão. Ele olhou para mim e disse 'Jaque conserta, Jaque conserta tudo'", disse aos risos. 

Anos depois, Jaqueline começou a divulgar os serviços na internet. "Em duas horas, o card teve 200 compartilhamentos. Muita gente me procurou. Vi que era uma necessidade esse serviço direcionado para as mulheres e feito por uma mulher. Acaba que meu trabalho preenche uma lacuna bem importante". 

Jaqueline Pinheiro durante a realização da oficina. Foto: Elaine Guimarães/LeiaJá

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