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O manuscrito do escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986) usado para o famoso conto 'A Biblioteca de Babel', encontrado no Brasil, começou a ser exibido em Buenos Aires, revelou o escritor Alberto Manguel, diretor da Biblioteca Nacional argentina.

"O documento estava em um ambiente lotado de papéis, quadros, fotos, mapas, cartas de rainhas e próceres como San Martín e Rivadavia. Me surpreendeu que, em uma pasta suja, tenha aparecido algo de tanto valor. Fiquei com a voz trêmula, foi uma emoção muito grande", disse Manguel à imprensa.

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O original está escrito em letra minúscula. A obra pode ser observada na Biblioteca Nacional, que é dirigida há alguns meses por Manguel, um escritor que desenvolveu grande parte de sua carreira fora do país.

Borges foi autor de obras lidas e estudadas em todo o mundo como 'O Aleph'. É considerado o maior escritor argentino da história e um dos grandes da literatura do século XX, mas não recebeu o Nobel.

Manguel trabalhava em uma livraria quando conheceu Borges e iniciaram uma amizade. O autor de 'História Universal da Infâmia', afetado pela cegueira, pediu a Manguel que lesse para ele em seu apartamento e isto aconteceu por quatro anos na década de 1960. Borges também foi diretor da Biblioteca Nacional.

Manguel levou o manuscrito para Buenos Aires como um empréstimo. Ele o encontrou quase ao acaso com um colecionador particular em São Paulo.

'A Biblioteca de Babel' foi um dos contos incluídos no livro 'Ficções' (1944), um dos pilares da obra borgeana. A ideia apresentada por Borges é a de um universo com uma biblioteca que contém todos os livros. É considerado uma metáfora sobre o infinito e foi objeto de estudos, inclusive do ponto de vista científico.

"É um autêntico tesouro. Estes papéis têm um valor material indiscutível e, por outro ladom um valor simbólico. Há poucos elementos que formam a simbologia universal e devemos a Borges um destes elementos: o conceito da biblioteca de Babel, que hoje podemos associar a Internet", disse Manguel.

O valor material do manuscrito é avaliado em 500.000 dólares.

Os leitores pernambucanos já podem conhecer o processo criativo de diversos autores por meio do livro Ficcionais - Escritores revelam o ato de forjar seus mundos, recém-lançado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). A publicação comemora os cinco anos do suplemente Pernambuco, editado pelo jornalista Schneider Carpeggiani, que também assina a organização do livro.

Ficcionais reproduz textos de 32 autores, entre eles, Rubens Figueiredo, José Castello, Ana Maria Machado, Santiago Nazarian e Marcelino Freire. Os textos, publicados na coluna Bastidores do suplemento, entre 2009 e 2012, trazem à tona os motivos que levam esses escritores a desenvolverem uma história. O livro também trata da diferença entre mentira e ficção, fazendo referência e prestando homenagem ao escritor argentino Jorge Luis Borges.

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Schneider explica que o homenageado é "o homem que nos ensinou que tudo, com exceção da mentira, pode ser ficção". A obra também inclui imagens coloridas e sobrepostas de vários elementos artísticos, além de pequenas biografias dos autores.

O suplemento Pernambuco pertence ao Diário Oficial do Estado de Pernambuco, e tem caráter cultural, com foco na produção literária. O jornal é editado por Schneider Carpeggiani e Raimundo Carrero e tem circulação mensal, sendo vendido em bancas e encartado na revista Continente, além de poder ser acessado pelo site.

Ficcionais - Escritores revelam o ato de forjar seus mundos está sendo vendido na Livraria Cultura a R$ 15.

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