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O México espera receber da Argentina, na madrugada de quarta-feira (20), o princípio ativo para elaborar a vacina desenvolvida pelo laboratório britânico AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford - informou o subsecretário da Saúde, Hugo López-Gatell.

"Esta quarta-feira teremos o prazer de receber o primeiro desses embarques a granel, é um granel para aproximadamente um milhão de doses", disse o funcionário em entrevista coletiva.

O número de doses é inferior ao reportado anteriormente pelo chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, em mensagem via Twitter.

Horas antes, Ebrard considerou "verídicas" as informações veiculadas por uma mídia argentina sobre o embarque do insumo para fabricar seis milhões de doses.

O órgão regulador mexicano de saúde, Cofepris, autorizou em 4 de janeiro o uso emergencial da vacina, que estaria disponível em março.

O princípio ativo da vacina AstraZeneca/Oxford é produzido na Argentina pelo centro de biotecnologia mAbxience e será estabilizado e embalado no México pelo laboratório Liomont.

López-Gatell explicou ainda que os dois laboratórios vão produzir entre Argentina e México cerca de 200 milhões de doses para atender a demanda da América Latina, número inferior aos 250 milhões informados semanas atrás pelo governo mexicano.

No início de dezembro, o México assinou um acordo de pré-compra com a AstraZeneca para adquirir 77,4 milhões de doses.

- Vacina da Pfizer atrasada -

Os preparativos para desenvolver a vacina AstraZeneca/Oxford ocorrem depois que o governo mexicano anunciou um corte no fornecimento da vacina Pfizer-BioNTech, que acordou, em resposta a um pedido da ONU, que os países ricos compartilhem as doses extras que compraram com as nações mais pobres.

López-Gatell explicou que o México receberá nesta terça-feira a metade de um embarque previsto de 439.725 doses e que as entregas previstas para 25 de janeiro, 2 e 9 de fevereiro - entre 440 mil e 550 mil doses - chegarão somente em 15 de fevereiro.

Ele antecipou, porém, que a reposição das doses pendentes poderá ser antecipada, a depender de uma negociação entre o diretor da Pfizer e o secretário da Fazenda, Arturo Herrera, que ocorrerá nesta terça-feira.

A demora na entrega da Pfizer pode prejudicar a aplicação da segunda dose da vacina para quem já recebeu a primeira, reconheceu López-Gatell. Ele ressaltou, porém, que estudos recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelecem que a segunda dose pode ser administrada entre 21 e 28 dias depois, sem prejuízo de seu efeito protetor.

O México também tem acordos de compra com o projeto sino-canadense CanSinoBio, por 35 milhões de doses, e faz parte do mecanismo internacional COVAX. Este último lhe permite comprar 51,6 milhões de vacinas adicionais.

Na semana passada, o governo também anunciou um plano para comprar 24 milhões de unidades da vacina russa Sputnik V, assim que o Cofepris autorizar seu uso emergencial.

Com 128 milhões de habitantes, o México é o quarto país com mais mortes no mundo, devido à pandemia, com 141.248 óbitos, embora ocupe o 18o lugar em vítimas fatais por 100.000 habitantes, de acordo com dados da AFP baseados em fontes oficiais.

Um terremoto de 6,8 de magnitude, ocorrido a oito quilômetros de profundidade, atingiu a Argentina na madrugada desta terça-feira (19). O epicentro foi registrado na província de San Juan (ao oeste do país, na fronteira com o Chile), mas o tremor também foi sentido na vizinha Mendoza e, em menor escala, em muitas outras áreas do país. O terremoto foi seguido por pelo menos outros sete tremores secundários.

"Até o momento não há mortes, apenas duas crianças com traumatismo moderado e um idoso com traumatismo grave que está sendo transferido para o hospital", disse o governador de San Juan, Sergio Uñac, em entrevista coletiva na qual detalhou os danos materiais mais proeminentes deixados pelo terremoto em várias partes da província.

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Nas redes sociais, moradores de São Paulo e do Rio Grande do Sul afirmaram que também sentiram os tremores. "Tava quase dormindo, me senti um pouco mareada. Olhei pro lado e a cortina do quarto estava num vaivém. Reflexos do terremoto argentino aqui em SP", escreveu, no Twitter a apresentadora Rita Lobo. O abalo se espalhou ainda para o Chile. "Estou em Santiago (no Chile) e foi horrível (...) Estou no 20º andar e por um momento eu achei que ia desabar tudo", publicou outra usuária do Twitter.

De acordo com o Instituto Nacional de Prevenção Sísmica da Argentina, o terremoto ocorreu às 23h46 perto da cidade de San Juan de Media Agua. Em seguida, nas duas horas seguintes, foram registrados sete tremores secundários menos intensos, entre 3,2 e 4,9 graus pela escala Richter e com 8 a 15 quilômetros de profundidade.

Depois do terremoto mais forte, os cidadãos não demoraram muito para relatar na mídia e nas redes sociais cortes de energia, danos a casas e lojas e rachaduras em estradas.

Miguel Castro, do centro sismológico de Mendoza, disse ao canal TN que o tremor foi percebido em outras áreas do país porque "a magnitude foi grande e a profundidade pequena", já que "as ondas sísmicas viajam muitos quilômetros, ainda mais quando se trata de uma magnitude dessa envergadura".

O especialista acrescentou que o terremoto o fez lembrar o de 23 de novembro de 1977 na cidade de Caucete, que teve magnitude de 7,4, com 65 mortos e mais de 300 feridos. "Mas desta vez o epicentro estava localizado a cerca de 47 quilômetros a sudoeste da cidade de San Juan, onde há uma série de falhas ativas que pertencem ao vale Pie de Palo. E uma falha que surge à superfície no rio San Juan também está muito próxima", disse ele.

Usuários de redes sociais em San Juan e outras partes do país, como Córdoba (centro) e até mesmo em Buenos Aires, a mais de mil quilômetros do epicentro, disseram ter sentido o terremoto e alguns postaram vídeos mostrando episódios do tremor.

San Juan é uma das áreas com maior incidência sísmica na Argentina e é lá que em 1944 foi registrado o pior terremoto do país, que causou a morte de cerca de 10 mil pessoas. Por isso, possui edificações preparadas para resistir a esse tipo de evento natural. (Com agências internacionais).

A Argentina detectou o primeiro caso da nova variante do coronavírus em um homem que reside no Reino Unido e chegou ao país no final de dezembro, informou neste sábado (16) o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Roberto Salvarezza.

O Consórcio Interinstitucional de Sequenciamento do genoma e estudos genomivos do SARS-COV-2, criado pelo Ministério da Ciência, "detectou a variante de SARS-CoV-2 surgida no Reino Unido em um viajante do exterior. Ele já foi relatado para autoridades de saúde", escreveu o ministro no Twitter.

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Se trata de “um argentino residente no Reino Unido, com histórico de viagens à Áustria e Alemanha por motivos de trabalho, que chega assintomático de Frankfurt à Argentina no final de dezembro de 2020 e em (no aeroporto internacional de) Ezeiza testa positivo para antígenos SARS CoV 2 ", afirma o relatório.

“O resultado foi confirmado por PCR em laboratório e o sequenciamento do gene S confirmou a presença da variante VOC202012/01 (Reino Unido) (linhagem B.1.1.7), sendo a primeira vez que foi detectada no país”, acrescenta.

O homem está em quarentena em um endereço na cidade de Buenos Aires, disse o partido.

A variante britânica do coronavírus é a segunda a ser registrada na Argentina, depois da do Rio de Janeiro. O país iniciou sua campanha de vacinação em 29 de dezembro com 300 mil doses da vacina Sputnik V.

As outras 300 mil doses, que contêm o segundo componente para completar a vacina do laboratório russo Gamaleya, chegam neste sábado de Moscou em avião fretado pelo governo.

Numa primeira fase, são vacinados os profissionais de saúde mais expostos entre os 18 e os 59 anos. Já foram aplicadas 200.759 doses em todo o país, informou a secretária de Acesso à Saúde, Carla Vizzotti, nesta sexta-feira.

A Argentina também aprovou a vacina Pfizer-BioNTech e a vacina AstraZeneca/Oxford. O governo de Alberto Fernández planeja adquirir um total de 51 milhões de doses.

A Argentina, com 44 milhões de habitantes, registrou mais de 1,78 milhão de infecções desde março do ano passado, com 45.227 mortes e 1,56 milhão recuperadas.

A ocupação de leitos de terapia intensiva (UTI) em todo o país é de 53,7%, em média, mas sobe para 58,9% em Buenos Aires e sua periferia, segundo o Ministério da Saúde.

Na semana passada, as autoridades alertaram para um aumento acentuado de casos em pleno verão do sul, para os quais as atividades noturnas foram restringidas com o fechamento de lojas de 1h às 6h da manhã e as confraternizações foram novamente limitadas a 10 pessoas.

As fronteiras estão fechadas até 1º de fevereiro para estrangeiros não residentes e a chegada de voos diretos do Reino Unido foi proibida.

A Argentina dá, nesta quinta-feira (14), o passo final para a entrada em vigor da lei do aborto eletivo até a 14ª semana de gestação, com a promulgação da norma aprovada em 30 de dezembro em um histórico debate no Congresso.

O país sul-americano se torna, assim, o maior da América Latina onde o aborto é legal, depois de Cuba, Uruguai e Guiana. No México, é permitido no estado de Oaxaca e na Cidade do México.

O presidente de centro-esquerda Alberto Fernández, promotor do projeto, vai promulgar a norma no fim desta tarde, em uma cerimônia no Museu do Bicentenário de Buenos Aires.

Com esta lei, a Argentina retoma a vanguarda das conquistas sociais na América Latina. Em 2010, aprovou o casamento igualitário e, em 2012, uma lei sobre identidade de gênero.

A norma representa "a compreensão, por parte do Estado, do que significa a autonomia reprodutiva na vida das mulheres", disse à AFP a presidente da Católicas por el Derecho da Decidir, María Teresa Bosio.

Há mais de uma década, a organização lidera a campanha nacional pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito.

A mobilização de milhares de jovens e coletivos de mulheres da chamada "maré verde" foi crucial para que a lei fosse aprovada no Senado, depois de a Casa ter rejeitado um projeto similar em 2018.

A lei cruzou, de forma transversal, as forças políticas e a sociedade, onde também ganhou força um movimento anti-aborto apoiado pelas igrejas evangélica e católica no país natal do papa Francisco.

- Novos desafios -

Até agora, o aborto na Argentina era permitido apenas em caso de estupro, ou de perigo para a vida da mulher, de acordo com uma lei de 1921.

O governo estima que, desde 1983, mais de 3.000 mulheres morreram nos 370.000 a 520.000 abortos praticados a cada ano em um país de 45 milhões de habitantes.

"Nosso trabalho gerou uma forte incidência nas instituições para construir uma legitimidade do aborto com o apoio da juventude, que nos deu uma massividade que no início do movimento nós não tínhamos", avaliou Bosio.

Prevendo a objeção de consciência, a lei apresenta, porém, novos desafios ao movimento feminista.

"Vamos ter que continuar lutando para garantir o acesso a esse direito em um território tão heterogêneo com atores conservadores que também cresceram em força e poder", disse Bosio.

"Como católicas, acreditamos que a lei é um reconhecimento da ideia de que a mulher não nasce apenas para ser mãe e que a sexualidade não tem que estar ligada apenas à reprodução, mas ao prazer. Que deixe de ser o oculto para ser uma aspecto fundamental da vida", completou a líder feminista.

Um terremoto de 6,1 graus foi registrado às 00h54 (horário local) deste domingo (10) na cidade de San Antonio de Los Cobres, no noroeste da Argentina, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês).

A cidade, próxima da fronteira com o Chile, fica a 1.623 quilômetros da capital do país, Buenos Aires. O tremor ocorreu a uma profundidade de 217 quilômetros e teve epicentro a 37 quilômetros a noroeste da cidade. Não há até o momento informações sobre danos materiais ou feridos.

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Outros terremotos de menor intensidade foram registrados no Chile, também na madrugada deste domingo. Um deles, com 4,5 graus, foi a 79 quilômetros ao leste de Arica, na região norte do país e a 2.035 quilômetros da capital, Santiago. O abali aconteceu a 118,5 quilômetros de profundidade e foi registrado, de acordo com o USGS, às 00h27, também pelo horário local.

Um segundo terremoto, com 4,7 graus, teve epicentro a 41 quilômetros ao oeste da cidade de Santa Cruz, a 182 quilômetros ao Sul da capital chilena. O tremor teve profundidade de 41,5 quilômetros, e foi registrado às 5h15, também pelo horário local. Nos dois casos, também não há registros de danos ou feridos.

O elenco do Palmeiras teve poucas horas de folga para comemorar a vitória por 3 a 0 sobre o River Plate, na Argentina, pelo jogo de ida da semifinal da Copa Libertadores. Ainda pela manhã desta quarta-feira o elenco realizou um trabalho no CT do San Lorenzo, em Buenos Aires, e iniciou a preparação para o compromisso do fim de semana. No sábado, o time pega o Sport, no Recife, pelo Campeonato Brasileiro.

Apenas participaram do trabalho atletas que entraram no segundo tempo da vitória sobre o River ou quem não foi utilizado. A única exceção foi o goleiro Weverton, que foi titular e trabalhou normalmente. O técnico Abel Ferreira e os auxiliares comandaram uma atividade de cerca de uma hora de duração com ênfase em trabalhos técnicos, passes e finalização a gol.

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Quem atuou por mais tempo diante do time argentino ficou apenas no hotel. Fisioterapeutas e médicos do clube comandaram atividades regenerativas na academia e em exercícios de musculação. Um dos focos principais foi o tratamento do zagueiro Luan. O defensor foi baixa de última hora no jogo contra o River por sentir dores na lombar e ser substituído por Alan Empereur.

O elenco volta ao Brasil na tarde desta quarta-feira, em voo fretado. Os jogadores serão dispensados após o desembarque em São Paulo e só se reapresentam ao clube na tarde desta quinta, quando o time tem treinamento marcado na Academia de Futebol.

Quatrocentas doses da vacina Sputnik V contra o novo coronavírus, com a qual a Argentina iniciou a imunização, tiveram que ser descartadas após perder a cadeia de frio, informaram nesta segunda-feira (4) autoridades de saúde, que denunciaram uma suposta sabotagem.

"Na madrugada desta segunda-feira foi registrada uma sabotagem no Hospital provincial de Oncologia Luciano Fortabat, da cidade de Olavarría, devido à perda da cadeia de frio de 400 doses da vacina Sputnik V por fatos de extrema gravidade", destacou o ministério da Saúde da província de Buenos Aires em um comunicado de imprensa.

O episódio ocorreu na cidade de Olavarría, 350 km a sudoeste da capital argentina.

"Ficou em evidência uma série de fatos irregulares graves: foi cortada a transmissão da câmara de segurança que enfoca o freezer às 02H50 da madrugada e não voltou a ter conexão. Também houve movimentos estranhos ao redor do hospital", disse Ramiro Borzi, diretor da Região Sanitária IX, com jurisdição em Olavarría.

Borzi disse não descartar "que tenha sido uma ação intencional".

"Estávamos com muitíssima expectativa e nos deparamos com isto que não sabemos bem o que foi, se é uma sabotagem ou um boicote, mas estamos acionando judicialmente para avançar na investigação", disse.

A Argentina começou na terça-feira da semana passada sua campanha de vacinação contra a Covid-19 com a aplicação da vacina Sputnik V, elaborada pelo Centro de Epidemiologia e Microbiologia Nikolai Gamaleya, da Rússia.

A campanha começou simultaneamente em todo o país e tem como prioridade a vacinação voluntária do pessoal sanitário.

Em 24 de dezembro, chegaram ao país as primeiras 300.000 doses da vacina, autorizada "com caráter de emergência" pelo ministério da Saúde.

Destas doses, 123.000 foram distribuídas na província de Buenos Aires, o maior distrito, onde vivem 17 milhões dos 44 milhões de argentinos e que não inclui a cidade autônoma de Buenos Aires.

O acordo com a Rússia compreende outras 19,7 milhões de doses entre janeiro e fevereiro, com opção de compra de mais cinco milhões. A Sputnik V prevê uma segunda dose, a ser aplicada 21 dias após a primeira.

Em meio a uma polêmica sobre o uso de uma vacina que está na fase 3 de pesquisa, circulam informações falsas sobre supostos efeitos adversos graves da vacina e inclusive lhe foi atribuída a morte de um cabo do Exército, que não foi inoculado, segundo verificou a AFP Factual.

A Argentina registra desde março passado mais de 1,6 milhão de contágios e superou as 43.600 mortes por Covid-19.

Apaixonado por futebol, o papa Francisco revelou suas memórias sobre o esporte em uma entrevista ao jornal italiano Gazzetta dello Sport, feita no início de dezembro do ano passado e publicada neste sábado (2). O argentino Jorge Bergoglio contou que, com uma bola feita de pano, deu seus primeiros retoques na bola em um momento em que os jovens tiveram que recorrer à criatividade para jogar futebol na rua e enalteceu Diego Maradona, a quem chamou de "poeta".

"Conheci Diego Armando Maradona durante um jogo pela paz, em 2014. Lembro com prazer tudo o que Diego fez pela 'Scholas Occurrentes', a fundação que cuida dos mais necessitados em todo o mundo. Na quadra ele era um poeta, um grande campeão que dava alegria a milhões de pessoas, tanto na Argentina quanto em Nápoles. Ele também era um homem muito frágil", disse o primeiro papa latino-americano.

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Quando soube que Maradona havia morrido, aos 60 anos, em 25 de novembro do ano passado, Francisco orou por ele e enviou um rosário para sua família, juntamente com algumas palavras de conforto. "Eu tenho uma memória pessoal ligada à Copa do Mundo de 1986, que a Argentina ganhou graças ao Maradona. Eu estava em Frankfurt, foi um momento difícil para mim, eu estava estudando a língua e coletando material para minha tese. Eu não tinha sido capaz de ver o jogo final e só no dia seguinte soube da vitória da Argentina sobre a Alemanha, quando uma colega japonesa escreveu 'Viva Argentina' no quadro, durante uma aula de alemão. Lembro-me disso, pessoalmente, como a vitória da solidão porque eu não tinha ninguém para compartilhar a alegria dessa vitória esportiva. A solidão faz você se sentir sozinho, enquanto o que embeleza a alegria é poder compartilhá-la", lembrou.

Na entrevista, Francisco, aos 84 anos, fiel torcedor do San Lorenzo, revê as suas primeiras memórias futebolísticas em Buenos Aires. "Lembro-me muito bem e com alegria, quando pequeno, minha família ia ao estádio El Gasómetro (o primeiro estádio de San Lorenzo). Lembro-me, em particular, do campeonato de 1946, que ganhou o meu San Lorenzo. Lembro-me daqueles dias que passei vendo aqueles jogadores jogarem e a alegria das crianças quando chegamos em casa. Alegria, alegria na cara das pessoas, adrenalina no sangue", afirmou.

"Tenho também outra memória, a da bola de pano. O couro era caro e nós éramos pobres. Uma bola de pano foi o suficiente para nos divertirmos e quase fazermos milagres jogando na pequena praça perto de casa. Quando criança eu gostava de futebol, mas não era um dos melhores, pelo contrário, era o que na Argentina era chamado de 'perna dura'. É por isso que eles sempre me fizeram jogar como goleiro", acrescentou. "Ser arqueiro foi uma ótima escola de vida para mim. Nessa posição, você deve estar preparado para responder aos perigos que podem surgir, que vêm de todos os lugares", resumiu, acrescentando que também jogou basquete.

O papa também alertou para os perigos do doping no esporte. "Nenhum campeão é construído no laboratório. Às vezes aconteceu e não podemos ter certeza que não acontecerá de novo. Vamos esperar que não, embora o tempo mostre os talentos que são originais e aqueles que são construídos. Um campeão nasce e se fortalece com o treinamento. O doping no esporte não é apenas um golpe, é também um atalho que anula a dignidade", disse. "Talento é um presente recebido, mas por si só não é suficiente. Temos que trabalhá-lo. Treinar é cuidar desse talento, tentar amadurecer essas possibilidades".

Francisco falou também de seus desejos para 2021. "Meu desejo é muito simples, digo com as palavras que escreveram em uma camiseta que me deram: 'Melhor uma derrota limpa do que uma vitória suja'. Desejo isso a todos, não apenas ao esporte. É a maneira mais bonita de jogar na sua vida, de cabeça erguida", finalizou.

LeiaJá: A aprovação do aborto na Argentina tem o potencial de gerar impactos no Brasil?

Dr. Olímpio: Claro que sim. É interessante que se coloca em contexto histórico, desde o fim das ditaduras na américa latina o brasil era visto como um país que estava na frente, exemplo a ser seguido da década de 80 até recentemente. Colocamos abortamento como assunto de saúde pública, isso caminhou muito bem até e agora é o contrário, outros que estavam atrás estão avançando, como é o caso da Argentina, Uruguai, da Colômbia, a Bolívia está para mudar sua legislação a qualquer momento e o Brasil está ficando cada vez mais isolado em relação aos direitos humanos. Lembrando que direitos reprodutivos fazem parte dos direitos humanos.

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LeiaJá: Com o resultado da votação um dos termos mais citados no Twitter foi “assassinato”, fenômeno muito motivado por questões político-religiosas.

Dr. Olímpio: Quem está ao lado de que aborto seja crime por causa do feto, do embrião, é uma falácia. Primeiro que lei não é efetiva, como já foi comprovado, ela na verdade aumenta o número de abortos. Outra coisa é que essas pessoas não vão fazer protesto nem querem que feche clínicas de reprodução, que descartam embriões. Usam um percentual mínimo e os demais são descartados, mas as pessoas não pedem o fechamento dessas clínicas porque o problema não são os embriões, o problema é o corpo da mulher, é o machismo, o ódio contra as mulheres usado como força política.

Eu sempre coloco para minhas amigas, colegas religiosas, que o direito de não fazer o aborto é garantido em todos os países. Se você não quer, em qualquer situação, ninguém vai obrigar um aborto para uma pessoa que segue sua religião. Mas a religião não pode pautar o Estado. A diferença de pensamento numa democracia sempre existe, mas eu acredito que esse assunto é trabalhado de forma errada. A gente tem discursos religiosos dando informação errada para a população. A pergunta não é se você é a favor ou contra o aborto, mundo é contra. Eu sou contra o aborto. A ciência, a OMS, não quer que as mulheres sofram, que o aborto é um sofrimento, o que a gente tem que fazer é tratar o assunto à luz da ciência. Não querer matar as mulheres ou achar que elas devem sofrer, é acolher elas. Existem duas maneiras de se olhar o problema: uma é à luz da ciência, outra é com o preconceito, misoginia, que é ineficiente, aumenta o número de abortos e mata mulheres. Vemos uma política negacionista, de deboche dos direitos humanos.

Não sei o que aconteceu com as pessoas nesse ódio que estamos vivendo. O que a gente vê que esses pensamentos estão amparados, esse pensamento está no poder. Mas é minoria. A pergunta que se faz não é se é contra o abortamento, é se a pessoa é a favor que uma mulher que faz um abortamento seja presa por no mínimo 3 anos. Se conhece alguém que já fez um aborto. Essa pessoa merece ser presa? Devemos prender 20% das mulheres brasileiras?

LeiaJá: Seguindo essa mesma linha de pensamento, muitas pessoas que se opõem ao aborto se dizem “a favor da vida”. Porque, na sua visão, essa é uma maneira falaciosa de se expressar?

Dr. Olímpio: A ciência é muito clara ao mostrar que se você é a favor da vida, tem que ser a favor da descriminalização do aborto, porque ela evita a morte das mulheres e diminui o número de abortos. Em todos os países que mudaram a lei o número de aborto caiu, não aumenta. Quando elas procuram ajuda, o sistema de saúde pode fazer suas ações. E a mulher que procura o serviço não quer abortar, ela quer ajuda. A mulher que procura fazer um abortamento de forma segura com apoio do Estado não volta a abortar, porque ela recebe acesso a um método contraceptivo seguro de longa duração, geralmente o DIU. Quando o aborto é ilegal ela não tem ajuda, faz sozinha no segredo e volta a abortar porque lhe é negado o acesso ao método contraceptivo, o que mostra que as duas coisas, contraceptivos e descriminalização, caminham juntos. Todas as democracias do mundo onde respeitam a ciência, respeitam o estado laico, qualquer país em que falamos “é um país legal” já mudou a sua lei. As leis do Brasil estão se aproximando das teocracias islâmicas onde a mulher é tratada com muita misoginia. O Brasil está cada vez mais longe das democracias ocidentais.

LeiaJá: Com a diversidade de métodos contraceptivos que existem, é comum que muitas pessoas tratem a gravidez como algo que só acontece por vontade ou irresponsabilidade da mulher, ignorando as dificuldades de acesso e informação. Como você avalia essa questão?

Dr. Olímpio: No Brasil, os métodos mais seguros não acontecem como política pública. O DIU seria 18, 20 vezes mais seguro que a pílula, que depende da pessoa, depende se tomou e vomitou, se tomou outros remédios, se esqueceu. A mulher pode engravidar muito mais fácil com pílula do que com DIU, mas poucas mulheres têm acesso. Acredita-se que com o DIU a gente poderia diminuir muito o número de abortos porque não existe aborto sem gravidez indesejada. Precisamos de educação sexual nas escolas, discutir gênero, a participação do homem nessas coisas, nos casais. Ter acesso a falar sobre isso, sobre métodos contraceptivos, sobre as consequências da gravidez na adolescência. São ações da sociedade e políticas públicas. Acesso ao DIU, a implantes de progesterona que também é muito mais seguro que a pílula. Vamos ver para o ano com uma tristeza muito grande o aumento de mortes maternas no Brasil.

LeiaJá: A morte por aborto é muito comum, mas pouco percebida e muitas vezes ignorada. Como costuma ocorrer o abortamento ilegal e porque tantas mulheres morrem?

Dr. Olímpio: Eu fui ao Supremo Tribunal Federal (STF) e contei lá a rota do aborto inseguro que termina com morte no Brasil. Acontece a gravidez indesejada e o abortamento ilegal inviabiliza a ação médica da saúde. A relação médico-paciente é uma relação de verdade e empatia, mas é muito difícil, principalmente no SUS, uma mulher procurar orientação médica para uma gravidez indesejada.

Quando chega no SUS, ela tem medo de contar que provocou o aborto, porque  ela tem medo de que possam quebrar seu sigilo e pessoas próximas a ela saibam, que conste no prontuário, que seja comentado no hospital. Ou de sofrer uma outra violência como uma lição de moral, uma violência obstétrica, discriminação. É proibido pelo código de ética médica.

Ela chega com dor abdominal e ela sem falar que está grávida ou que provocou o aborto, o médico pode ser levado a achar que se trata de uma infecção intestinal, urinária ou virose quando ela tem um quadro de infecção. Essa mulher retorna para casa com um tratamento de antibiótico ou sintomático quando na verdade deveria estar na maternidade recebendo antibiótico venoso, fazendo esvaziamento uterino, quem sabe cirurgia. Quando ela retorna, o estado já é muito grave que não dá mais para salvar a sua vida. Ocupa a UTI, aumenta o custo do SUS e ela termina morrendo.

LeiaJá: Na Argentina, em 2019, houve uma tentativa mal sucedida de aprovar o aborto, com um forte movimento que deu certo agora. Apesar de um perfil de sociedade muito semelhante, até hoje nenhum projeto do tipo prosperou ou mesmo tramitou no Brasil. Porque?

Dr. Olímpio: Na Colômbia foi a suprema corte deles que considerou que proibir o abortamento é inconstitucional pois fere direito humano. É possível que aconteça isso no Brasil pelo jurídico pois está na Constituição o direito à saúde. Aqui acho que nosso congresso é muito pior que o da Argentina, a turma da Bíblia, bala e boi, essa força política no Brasil é mais forte que no Brasil, a quantidade de igrejas e políticos pastores e aparelhamento do conselho tutelar por essas forças conservadoras.

A gente tem um processo que chegou ao poder com forças antidemocráticas que não acreditam no estado laico e foram eleitos. Na Argentina não tivemos eleição de extrema direita. Na América Latina se elegeu um governo de direita que disse que n vai mexer no aborto porque é um direito. Mas aqui essa direita homofóbica racista machista é no Brasil. A gente achava que o momento político mudou e parou.

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--> Deputados aprovam legalização do aborto na Argentina

 

A deputada estadual Clarissa de Tércio (PSC), que é evangélica, não aprovou a legalização do aborto na Argentina. "Nem dá para acreditar nessa celebração pela morte de bebês inocentes", afirmou a parlamentar.

A publicação de Clarissa foi feita nesta quinta-feira (31), por meio de sua conta no Instagram. Os seus seguidores também comentaram a publicação desaprovando a legalizaçação. "Impedir o desenvolvimento de uma vida em qualquer faze constitui crime e pecado contra as ordenanças divinas", comentou um seguidor. "Precisamos trabalhar com o nosso povo para que isso não aconteça aqui", escreveu uma outra seguidora da deputada. 

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A legalização do aborto, aprovada nessa quarta-feira (30), é um projeto do presidente de centro-esquerda Alberto Fernández, que já havia sido aprovado na Câmara dos Deputados em 11 de dezembro e nesta quarta-feira recebeu os votos favoráveis de 38 senadores, 29 votos contrários e uma abstenção.

"Se converte em lei e segue para o Poder Executivo", anunciou a presidente do Senado e vice-presidente do país, Cristina Kirchner. O projeto permite a interrupção da gravidez até a 14ª semana de gestação.

O Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, criticou a decisão que legalizou o aborto na Argentina, aprovada pelo Senado do país vizinho na madrugada desta quarta-feira, 30. Em sua conta pessoal no Twitter, o chanceler chamou a prática de "barbárie" e afirmou que o Brasil "permanecerá na vanguarda do direito à vida".

"O Brasil permanecerá na vanguarda do direito à vida e na defesa dos indefesos, não importa quantos países legalizem a barbárie do aborto indiscriminado, disfarçado de 'saúde reprodutiva' ou 'direitos sociais' ou como quer que seja", escreveu, compartilhando uma reprodução de uma matéria do jornal El País.

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O projeto aprovado nesta madrugada autoriza a interrupção voluntária da gravidez até a 14ª semana de gestação. A sessão durou 12 horas e terminou em 38 votos a favor, 29 contra e 1 abstenção. Milhares de pessoas se concentraram ao redor do Congresso para comemorar, mas vários grupos criticaram o resultado.

Com a aprovação, a Argentina se torna o primeiro grande país da região a permitir o procedimento, que até então era autorizado em Cuba, no Uruguai, na Guiana e em partes do México - antes disso, o aborto legal só era permitido se a mulher sofresse estupro ou estivesse em perigo de vida.

O projeto foi uma iniciativa do presidente Alberto Fernández, com quem o governo Bolsonaro tem uma relação conflituosa. O presidente brasileiro lamentou publicamente a eleição do colega argentino. Foram necessárias intensas negociações diplomáticas para que os presidentes travassem diálogo pela primeira vez, o que aconteceu em uma videoconferência no dia 30 de novembro. Na ocasião, Bolsonaro estava acompanhado de Araújo.

A Argentina concedeu nesta quarta-feira autorização para a vacina contra a covid-19 desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca e a Universidade de Oxford, tornando-se o segundo país a dar sinal verde a esse imunizante, depois do Reino Unido, anunciou a Administração Nacional de Medicamentos (Anmat).

O produto, para o qual a Argentina fechou acordo de fabricação, foi inscrito no "registro de vacinas de interesse sanitário em emergências", pelo prazo de um ano, informou o órgão em sua resolução. "A vacina apresenta um balanço risco-benefício aceitável, permitindo sustentar a incrição."

O órgão assinalou que "deverá ser cumprido o Plano de Gestão de Riscos (PGR) estabelecido para o acompanhamento estreito da segurança e eficácia do medicamento, e deverão ser apresentados os relatórios de avanço e as modificações correspondentes ao Instituto Nacional de Medicamentos".

Argentina e México têm acordo para produzir a vacina Oxford/AstraZeneca e distribuí-la na América Latina. O imunizante é o terceiro contra a doença aprovado pelo governo argentino. O país, de 44 milhões de habitantes, soma 1,6 milhões de infectados e mais de 43 mil mortos.

O governo de Alberto Fernández contempla adquirir 51 milhões de doses de diferentes vacinas.

O Senado da Argentina aprovou nesta quarta-feira (30) a legalização do aborto, uma decisão celebrada por milhares de ativistas feministas que aguardaram a votação durante mais de 12 horas nas proximidades do Congresso.

A legalização do aborto, um projeto do presidente de centro-esquerda Alberto Fernández, já havia sido aprovado na Câmara dos Deputados em 11 de dezembro e nesta quarta-feira recebeu os votos favoráveis de 38 senadores, 29 votos contrários e uma abstenção.

"Se converte em lei e segue para o Poder Executivo", anunciou a presidente do Senado e vice-presidente do país, Cristina Kirchner. O projeto permite a interrupção da gravidez até a 14ª semana de gestação.

A votação durante a madrugada foi acompanhada por milhares de militantes feministas, que celebraram e choraram de emoção com o resultado. Além das mulheres que estavam na praça diante do Congresso, muitas saíram às janelas e varandas para comemorar a notícia.

"Depois de tantas tentativas e anos de luta que nos custaram sangue e vidas, hoje finalmente fizemos história. Hoje deixamos um lugar melhor para nossos filhos e nossas filhas", disse à AFP Sandra Luján, uma psicóloga de 41 anos que participou na vigília ao lado de milhares de jovens com lenços verdes, o símbolo da campanha a favor da legalização do aborto.

Um projeto para legalizar o aborto havia sido aprovado em 2018 pela Câmara dos Deputados, mas foi rejeitado pelo Senado.

Com a aprovação desta quarta-feira, a Argentina, país natal do papa Francisco, se torna a maior nação da América Latina a legalizar a interrupção da gravidez, o que também está permitido no Uruguai, Cuba e Guiana, assim como na Cidade do México.

A aprovação da lei não seguiu linhas partidárias. Embora a governante Frente de Todos apoiasse o projeto, nem todos os congressistas do grupo aprovaram a medida.

E alguns senadores votaram a favor da legalização, apesar de sua fé religiosa.

"Por quê queremos impor por lei o que não podemos impedir com nossa religião?", questionou a senadora Gladys González, do grupo opositor Juntos Pela Mudança e católica praticante, ao anunciar apoio ao projeto.

O governo calcula que sejam realizados entre 370.000 e 520.000 abortos clandestinos por ano no país, de 45 milhões de habitantes. Desde a restauração da democracia, em 1983, mais de 3 mil mulheres morreram devido a abortos feitos sem segurança.

- Vigília -

A oposição à interrupção voluntária da gravidez, que adotou a cor azul, teve como representantes a Igreja Católica e a Aliança Cristã de Igrejas Evangélicas, que promoveram grandes manifestações nas ruas.

Do lado de fora do Congresso, muitas pessoas contrárias à aprovação da lei aguardaram de joelhos o resultado da votação, recebido com grande decepção.

Também havia crucifixos e instalações que simulavam túmulo, ao redor de uma imagem gigante de um bebê manchado de sangue.

Até agora, o aborto era permitido na Argentina apenas em caso de estupro ou de risco de vida para a mulher, legislação em vigor desde 1921.

A iniciativa prevê a objeção de consciência individual ou de um estabelecimento de saúde, mas os objetores terão a obrigação de enviar a paciente para outro centro médico.

O Congresso também aprovou a Lei dos 1.000 dias, para dar apoio material e de saúde às mulheres de setores vulneráveis que desejam levar adiante a gravidez, de modo que as dificuldades econômicas não representem um motivo para abortar.

O Senado da Argentina instaurou nesta terça-feira a sessão em que irá discutir um projeto de legalização do aborto até a 14ª semana de gestação, dois anos depois que uma iniciativa semelhante foi rejeitada nessa câmera.

A sessão, que transcorre com alguns congressistas presentes e outros participando de forma remota, teve início às 16h locais, com a assistência de 67 senadores, informou a presidente da câmara, Cristina Kirchner.

Há 58 oradores inscritos e estima-se que a votação aconteça de madrugada. Milhares de manifestantes favoráveis e contrários à proposta ocuparam as ruas vizinhas ao Congresso, exibindo cartazes e agitando bandeiras.

Um projeto para legalizar o aborto foi rejeitado em agosto de 2018 no Senado, mas, desta vez, a disputa se mostra mais acirrada e o resultado é incerto. O promotor da iniciativa foi o presidente de centro-esquerda Alberto Fernández, inspirado nos princípios da organização Campanha pelo Aborto Legal, Seguro e Gratuito, identificada com o verde, cor que marcou manifestações gigantescas.

"Sou católico, mas tenho que legislar para todos. Todos os anos, cerca de 38.000 mulheres são hospitalizadas por abortos e, desde a recuperação da democracia (em 1983), mais de 3.000 mulheres morreram por esta causa", apontou Fernández. O governo calcula que sejam realizados entre 370.000 e 520.000 abortos clandestinos por ano, em um país de 45 milhões de habitantes.

A oposição à interrupção voluntária da gravidez, que adotou a cor azul, tem como representantes a Igreja Católica e a Aliança Cristã de Igrejas Evangélicas, também promotoras de grandes manifestações nas ruas. O Papa Francisco, antigo arcebispo de Buenos Aires, publicou hoje no Twitter que "o Filho de Deus nasceu descartado para dizer a nós que toda pessoa descartada é um filho de Deus. Veio ao mundo como uma criança vem ao mundo, fraca e frágil, para que possamos acolher nossas fragilidades com ternura", uma mensagem interpretada pela imprensa como de rejeição à lei.

- Votos indefinidos -

Os apoiadores convocaram uma mobilização na praça do Congresso para uma vigília até a hora da votação, apesar das medidas de distanciamento social, devido à pandemia de coronavírus que deixa mais de 42.000 mortes e quase 1,6 milhão de casos na Argentina.

A aliança do governo Frente de Todos possui 41 das 72 cadeiras no Senado, mas nem todos os oficialistas apoiam o projeto. A oposição de centro-direita se enquadra majoritariamente contra, embora conte com proeminentes defensores.

"No Senado, há muitos votos que ainda não estão definidos. Serão conhecidos apenas no final", reconheceu a senadora da bancada governista Nancy González.

As especulações sobre o resultado da sessão contemplam a ausência de dois senadores declarados contrários à legalização da IVE. Um deles está de licença após ser denunciado por assédio sexual e o outro, o ex-presidente Carlos Menem, de 90 anos, está internado em estado grave, com problemas cardíaco e renal.

Em caso de empate, o regulamento confere o desempate à titular do órgão, Cristina Kirchner, que se declarava antilegalização até 2018, quando mudou sua postura. A proposta chega ao Senado após a aprovação por parte dos deputados em 11 de dezembro, alcançada com 131 votos positivos, 117 negativos e seis abstenções.

Até agora, o aborto é permitido na Argentina apenas em caso de estupro, ou de risco de vida para a mulher, legislação em vigor desde 1921. Na América Latina, o aborto é legal somente em Cuba, Uruguai e Guiana, assim como na Cidade do México.

Após receber as primeiras 300 mil doses da vacina russa Sputnik V, a Argentina iniciou nesta segunda (28) a distribuição para que o programa de imunização em massa comece hoje nas províncias. O Fundo de Investimento Direto Russo, que financiou o desenvolvimento da vacina, planeja enviar mais 10 milhões de doses ao país em 2021.

"Recebemos as primeiras 300 mil doses para iniciar este grande desafio que é a campanha de vacinação mais importante da história da Argentina", disse a secretária de Saúde, Carla Vizzotti, parte da delegação que viajou à Rússia para receber informações técnicas sobre a Sputnik V - ela voltou no mesmo avião que transportou as primeiras doses. A Rússia alega que a eficácia de sua vacina, vista com desconfiança por parte da comunidade científica ocidental, é de 91,4%.

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A segunda leva do imunizante será enviada à Argentina nas próximas três semanas, segundo o diretor do Centro Gamaleya, criador da Sputnik V, Alexander Gintsburg. Ele afirmou que os fabricantes conseguiram eliminar um desequilíbrio na produção do primeiro e do segundo componentes, que são inoculados com um hiato de 21 dias.

A vacinação começará às 9 horas (horário local), segundo informou o presidente argentino, Alberto Fernández, no fim de semana. Na primeira fase, a vacinação será destinada aos profissionais de saúde de grandes centros urbanos, onde a pandemia teve um impacto maior e o risco de uma segunda onda é mais elevado.

O coordenador do setor de logística do Ministério da Saúde, Juan Pablo Saulle, afirmou que "todo o calendário foi elaborado para fazer a entrega a cada ponto em cada província, para chegar ao mesmo tempo, com uma diferença de apenas 3 a 4 horas".

O plano de vacinação estima um total de 54,4 milhões de doses, considerando um esquema de duas doses e calculando uma taxa de perda estimada em 15%, que atingiria entre 23 e 24 milhões de pessoas de uma população de 45 milhões.

O contrato de aquisição da Sputnik V é o terceiro assinado pela Argentina: o primeiro foi com a AstraZeneca e a Universidade de Oxford - vacina que será aplicada em março - e o segundo com a aliança internacional Covax, da ONU, embora outros acordos ainda estejam sendo negociados. "A ideia é que, quando chegar o outono, já tenhamos vacinado todas as pessoas em grupos de risco", disse Fernández. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O presidente argentino Alberto Fernández anunciou pelo Twitter, que a campanha de vacinação contra o novo coronavírus começará na terça-feira (29) no país, a partir das 9h da manhã, horário de Brasília, simultaneamente em todas as províncias.

O imunizante a ser aplicado será a vacina Sputnik V, desenvolvida pelo instituto russo Gamaleya. A Argentina, ao lado do Chile, está entre os primeiros países da América do Sul a iniciar a vacinação de seus cidadãos contra a Covid-19.

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Na sexta-feira (25), o governo da Argentina havia anunciado que cidadãos de nações limítrofes - incluindo o Brasil - não poderiam retornar ao país até o dia 8 de janeiro, quando serão revistas as regras.

"Seguimos trabalhando unidos, porque nossa única preocupação é a saúde dos argentinos e argentinas", disse Fernández pelo Twitter.

Diante do crescente número de casos de infecção da Covid-19 no Brasil, a Argentina decidiu vetar a entrada de turistas brasileiros no país até, pelo menos, 8 de janeiro. Caso os números continuem crescendo por aqui, a medida poderá ser prorrogada por mais um período. A medida também abrangeu países como Uruguai, Chile, Bolívia e Paraguai.

De acordo com o jornal argentino Lá Nación, com a nova regra, até o início de janeiro está suspenso o teste-piloto que autorizava a entrada de turistas estrangeiros de países vizinhos, entre eles o Brasil, pelos aeroportos de Ezeiza, San Fernando e Buquebus, em Buenos Aires.

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Além disso, a Argentina também impôs novos requisitos para a entrada de argentinos e estrangeiros residentes no país, que precisarão apresentar o exame PCR negativo, além de permanecer sete dias em isolamento.

A Argentina recebeu seu primeiro lote de 300 mil doses da vacina contra a covid-19 Sputnik V, elaborada pelo Centro de Epidemiologia e Microbiologia Nikolai Gamaleya, na Rússia. Com o a primeira leva do imunizante, o país deve iniciar em breve seu plano de vacinação. O acordo assinado pelo governo argentino prevê o fornecimento de 25 milhões de doses.

A Sputnik V foi aprovada "em caráter de emergência" pelo Ministério da Saúde argentino na quarta-feira (23). É a primeira autorização que o imunizante russo recebe na América Latina, informou um comunicado do Fundo de Investimento Direto da Rússia, que participou do financiamento do desenvolvimento da vacina.

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Ainda na quarta-feira, o órgão regulador de alimentos e medicamentos da Argentina (ANMAT) autorizou o uso da vacina contra a Covid-19 da Pfizer/BioNtech, enquanto o governo negocia um acordo com a empresa.

O país também já tem convênios para fornecimento de vacinas com a Universidade de Oxford associada à farmacêutica AstraZeneca, e faz parte do mecanismo Covax da Organização Mundial de Saúde (OMS).

A Argentina tem mais de 1,5 milhão de casos confirmados do novo coronavírus e contabiliza mais de 42 mil mortes. (Com agências internacionais)

O chamamé, tradicional música e dança do nordeste argentino, foi declarado nesta quarta-feira (16) Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Reunido por videoconferência, o Comitê do Patrimônio da Unesco, sob a presidência da Jamaica, aprovou o expediente proposto pelo Estado argentino.

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"O chamamé põe em destaque toda uma série de valores essenciais: o amor à terra onde se nasceu e sua flora e fauna; a devoção religiosa; e a ñande reko guarani, quer dizer, a 'forma de ser e de estar' dos humanos em harmonia com a natureza e a espiritualidade", diz a descrição desta manifestação cultural na página do organismo na internet.

A música e a dança, comuns nas celebrações comunitárias, festivas e religiosas na província argentina de Corrientes (nordeste) concorreu com 39 expressões culturais de vários países, entre eles o reggae da Jamaica, as parrandas cubanas, as tamboradas espanholas e o Mwinoghe, dança festiva do Malauí.

"Hoje ressoa em todo o mundo o sapucay de Corrientes, flui pelo (rio) Paraná e no sangue de todo o seu povo. O Chamamé é Patrimônio da Humanidade!", comemorou em um tuíte o governo argentino, postando um vídeo de um casal dançando ao ritmo desta música festiva, cujo instrumento principal é o acordeão.

O sapucay - palavra em guarani que significa som ardente, que manifesta emoções intensas - é um grito prolongado e agudo, característico do chamamé, que pode significar alegria ou raiva, vitória ou rebeldia.

"Para todos os que amamos o chamamé, hoje é um dia de comemoração e júbilo", comemorou o ministro da Cultura, Tristán Bauer, em um comunicado.

Raúl Barboza, Ramona Galarza, Chango Spasiuk, Teresa Parodi, Peteco Carabajal, Antonio Tarrago Ross são alguns músicos 'chamameceros' de destaque.

Gabriel Romero, presidente do Instituto Provincial de Cultura de Corrientes, disse que o chamamé é "uma manifestação cultural que não distingue classes sociais e que tem celebração própria: a Festa Nacional do Chamamé", comemorada entre 15 e 24 de janeiro próximos.

"O chamamé tem a mensagem da fraternidade e da integração. Nos une em uma grande nação 'chamamecera' com parte do Brasil, Paraguai e Uruguai. O chamamé é patrimônio vivo que nos enlaça e nos identifica", disse Romero.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta sexta-feira (11) a legalização do aborto na Argentina, mas o projeto de lei ainda deve ser enviado ao Senado, Casa que rejeitou uma iniciativa similar há dois anos.

A aprovação foi recebida com alegria por milhares de jovens com lenços verdes, símbolo da campanha a favor da legalização do aborto. A multidão passou a noite diante do Congresso, em Buenos Aires, à espera da votação neste país de maioria católica e berço do papa Francisco.

Separadas por uma barreira, manifestantes com lenços da cor azul, contrários à iniciativa, também aguardaram o resultado da votação, que receberam com frustração.

O projeto de lei, que permitirá o aborto até a 14ª semana de gestação, recebeu 131 votos a favor, 117 contrários e seis abstenções, anunciou a secretaria da Câmara dos Deputados após uma sessão de 20 horas.

A expectativa é que o Senado examine o texto até o fim do ano.

A legalização do aborto foi discutida pela primeira vez no Parlamento argentino em 2018, durante o governo do liberal Mauricio Macri (2015-19), quando foi aprovada pelos deputados, mas rejeitada no Senado em meio a grandes manifestações de mulheres.

Este ano, a iniciativa de Interrupção Voluntária da Gravidez (IVE) foi apresentada pelo presidente de centro-esquerda Alberto Fernández como um modo de "garantir que todas as mulheres tenham acesso ao direito à saúde integral".

Durante a sessão, a deputada Ana Carolina Gaillard, da governista Frente de Todos, enfatizou que o "debate não é sobre aborto sim, ou aborto não, mas sobre aborto seguro, ou aborto inseguro", ao mencionar as mortes provocadas por interrupções clandestinas da gravidez, quase 3.000 desde 1983, segundo o presidente Fernández.

"Sou católico, mas tenho que legislar para todos. É um tema de saúde pública muito sério", declarou o presidente Fernández na quinta-feira.

Analistas de saúde calculam que a Argentina registra entre 370.000 e 520.000 abortos clandestinos por ano, com 39.000 internações a cada ano em centros de saúde pública.

- Verdes contra azuis -

"Acreditamos que as mulheres têm o direito a decidir sobre seu corpo. É importante que o Estado nos proteja. Que os legisladores que votam contra saibam que carregarão em suas mãos o sangue das mulheres que morrem por abortos clandestinos", disse à AFP Melisa Ramos, de 21 anos, diante do Congresso.

"Aborto legal já, gratuito e no hospital!", afirmam os cartazes.

Do outro lado de uma cerca, as azuis protestaram com o lema "Salvem as duas vidas!". Elas exibiram bonecos que representavam bebês com sangue.

"Toda vida conta", afirmavam os cartazes do grupo, com jovens tão entusiasmadas quanto as do lado verde.

Na Argentina, o aborto é permitido apenas em caso de estupro, ou de risco de vida para a mulher, segundo uma legislação vigente desde 1921.

Se aprovar o aborto legal em definitivo, o país se unirá a Cuba, Uruguai, Guiana e Cidade do México, como lugares que permitem o aborto na América Latina.

- Acompanhamento por mil dias -

O governo fez gestos políticos para somar votos. O principal deles foi o envio de outro projeto de lei, o Plano de 1.000 dias, destinado a apoiar economicamente mulheres de setores vulneráveis que desejam levar adiante a gravidez.

O projeto de legalização do aborto prevê a objeção de consciência individual e também de um estabelecimento de saúde, caso todos os médicos se posicionem contra. Haverá, porém, a obrigação de encaminhar a paciente para atendimento em outro hospital.

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