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O Comitê Técnico Assessor em Imunização - formado por especialistas recrutados pelo Ministério da Saúde - recomendou a realização de um novo estudo fase 4, desta vez com um grupo maior de voluntários, antes de o governo decidir sobre a incorporação da vacina contra a dengue produzida pela farmacêutica Sanofi Pasteur na rede pública. Dedicado a avaliar a necessidade e a segurança da adoção de vacinas, o grupo propôs a realização de uma nova pesquisa, agora com 100 mil pessoas.

A vacina da Sanofi Pasteur é a primeira validada para uso no Brasil. Ela foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro. Questionada sobre a proposta do comitê, a Sanofi Pasteur afirmou não ter sido oficialmente comunicada. A farmacêutica ainda informou, por meio de nota, que já foram feitos estudos clínicos em 15 países com 40 mil pessoas.

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A sugestão está sob a avaliação do ministério, também desde dezembro. "Dengue é uma doença complexa, há uma série de questões que precisam ser avaliadas antes de colocar uma vacina como essa no Programa Nacional de Imunização", afirmou o coordenador do Programa Nacional de Dengue, Giovanini Coelho.

São quatro os subtipos de vírus da dengue. Quando uma pessoa é infectada por uma das variações e se contamina em outro momento por outro subtipo, há um risco maior de haver agravamento da doença. "Estudos feitos até agora mostraram segurança, mas o grupo de especialistas acha necessário avaliar com mais cuidado, em um grupo maior de pessoas", disse o coordenador.

Coelho afirmou também que uma eventual exigência de mais uma fase de pesquisa da vacina contra a dengue não impediria o uso do produto em clínicas particulares. "Essa etapa seria necessária apenas para avaliar se o produto seria ou não incorporado ao SUS (Sistema Único de Saúde)", disse. Para a comercialização ter início no País, no entanto, é preciso que seja fixado o preço, tarefa ainda em avaliação na Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos.

Custo

A vacina da Sanofi Pasteur é indicada para proteção contra os sorotipos 1, 2, 3 e 4 da dengue na população com idade entre 9 e 45 anos. O ministro da Saúde, Marcelo Castro, já afirmou considerar difícil a adoção do produto no SUS, em razão de seu alto preço e pelo fato de ela não ser indicada para populações consideradas mais vulneráveis - crianças e idosos.

A vacina deve ser aplicada em três doses, ao longo de um ano. Calcula-se que cada dose custará em média ¤ 20. Castro vem dizendo que, para a população de 200 milhões de habitantes, o valor é inviável.

Outra esperança do governo é o imunizante em desenvolvimento pelo Instituto Butantã, de São Paulo, em parceria com o NIH (instituto americano de saúde, na sigla em inglês). A última etapa da pesquisa teve início em fevereiro deste ano. Nesta fase, serão imunizados 17 mil voluntários.

A vacina é considerada promissora, mas especialistas já afirmaram que os trabalhos não podem ser concluídos rapidamente. Uma das barreiras está no fato de, neste ano, circular no País predominantemente o subtipo 1 do vírus. Isso tornaria mais difícil, por exemplo, avaliar o efeito protetor do produto nos casos de contaminação provocadas pelos outros subtipos. O ideal, afirmam, seria que testes fossem feitos com a circulação dos quatro sorotipos.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou nesta quinta-feira (8) o uso da vacina contra dengue produzida pela empresa francesa Sanofi Pasteur. A decisão é indispensável para que o imunizante, caso liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), seja adotado no Brasil. "Foi um passo importante", afirmou a diretora médica da empresa, Sheila Homsani.

Desenvolvida a partir do vírus da febre amarela atenuado, a vacina foi desenhada para proteger contra os quatro vírus da dengue. Como ela é feita com organismos geneticamente modificados, foi preciso uma avaliação da CTNBio.

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Integrantes da comissão avaliaram a segurança do processo de produção do imunizante, incluindo o impacto no meio ambiente. Foram quatro meses entre o pedido de liberação e o julgamento. "O processo foi considerado prioritário, em razão da relevância do combate à dengue no Brasil", contou a integrante da CTNBio, Maria Sueli Soares Felipe.

A empresa aguarda também avaliação do pedido de registro da vacina no Brasil, apresentado em março para a Anvisa. A expectativa é a de que a decisão seja apresentada até o fim deste ano. Além do Brasil, a Sanofi Pasteur pediu o registro do medicamento na Malásia, México, Indonésia e Filipinas.

Mesmo sem a liberação do registro, a produção da vacina já começou. De acordo com Sheila, o produto está sendo armazenado na França. A expectativa é de que sejam produzidas 100 milhões de doses anualmente.

Esta é a segunda decisão da CTNBio sobre segurança de vacinas contra dengue produzidas a partir de organismos geneticamente modificados. Em agosto, a comissão deu aval para a vacina produzida pelo Instituto Butantan. A vacina do Butantan aguarda liberação da Anvisa para iniciar a fase 3 de pesquisas. Por se tratar de um item de interesse para saúde pública, tanto o pedido da Sanofi quanto o do Instituto Butantan estão sendo analisados em regime de prioridade.

A Sanofi afirma que a vacina é indicada para pessoas com mais de 9 anos. A eficácia do imunizante não é considerada alta por parte dos especialistas: 66% para os quatro sorotipos. Sheila, no entanto, discorda das críticas. "É preciso lembrar, por exemplo, que a varíola foi erradicada com uma vacina cuja eficácia era menor do que os 66%", argumenta. Ela lembra ainda que estudos demonstram uma redução significativa dos casos graves (93%) e nas hospitalizações (80,8%). "Há uma queda importante na mortalidade e nos gastos com internações", defendeu.

Embora a vacina produzida pelo Instituto Butantan ainda não tenha ingressado nem mesmo na fase 3, há uma expectativa de que ela possa apresentar resultados melhores. "É uma previsão, mas que pode ser também frustrada", confidencia um integrante do Ministério da Saúde. Dentro do governo, as duas vacinas são consideradas como promessas, cujas vantagens precisam ser cuidadosamente avaliadas. Há um consenso, por exemplo, de que o imunizante desenvolvido pela Sanofi Pasteur não seria eficaz para se controlar surtos da doença. Isso porque o desenho proposto pela empresa prevê três doses, que devem ser aplicadas ao longo de um ano. "O impacto viria depois disso. Mas tudo está em análise. Talvez ela tenha algum lugar para prevenir complicações da doença", completou.

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