Tópicos | orquestra de frevo

Para quem tem o Carnaval como ofício, a festa é coisa séria de verdade. Sobretudo quando se tem como missão animar a folia em um de seus berços mais sagrados, Olinda. A cidade que tem um dos maiores Carnavais do mundo não se contenta em esperar até que o calendário oficial indique que o dia chegou. Carnavalizar faz parte do cotidiano de seus moradores, pessoas que se dividem entre ser 'gente normal' e artista, dedicando-se com esmero para fazer a folia ser memorável, todo ano.

É por isso que, mal esfriam as ladeiras das multidões que por lá passam atrás dos blocos e troças, já estão na ativa novamente os músicos, passistas e outros brincantes que se dedicam ao Carnaval. Muitos retomam os ensaios em questão de dias após a Quarta-Feira ingrata, mas é no mês de setembro que a preparação toma embalo e se transforma em um Carnaval antecipado na Marim dos Caetés.

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É no feriado de 7 de setembro, Dia da Independência, que um dos clubes mais tradicionais do Carnaval olindense inicia seus ensaios para o ano seguinte. A Pitombeira dos Quatro Cantos coloca o bloco na rua neste dia fazendo a alegria dos foliões mais impacientes. Em 2018, o falecimento de Hermes Cristo Cunha, ex-presidente da agremiação, um dia antes da saída do bloco, adiou o costumeiro início dos trabalhos. Mas, no próximo domingo (30), a Pitombeira estará nas ladeiras do Sítio Histórico de Olinda afinando seus integrantes e seu público.  

No Largo do Amparo, outro clube abre suas portas logo cedo para que o Carnaval possa ser preparado. No Vassourinhas, a orquestra do Maestro Carlos inicia seus ensaios também em setembro, sendo acompanhada pelos vizinhos e admiradores de seu frevo até que a festa, enfim, chegue. Lá também ensaiam os passistas do clube. São cerca de 120 que também integram a Cia. Brasil por Dança, da bailarina Adriana do Frevo (homenageada do Carnaval de Olinda em 2018).

A escolinha da companhia prepara alunos durante todo o ano, mas é em setembro que os ensaios se intensificam, nas noites de terça e quinta. O professor Douglas Silva - que além de dançar também atua na direção e no figurino do Vassourinhas - assegura: "Nunca é cedo (para começar), porque Olinda e Recife é Carnaval o ano todo. Nossa pausa são dias. A gente vai o ano todo seguindo no passo do frevo".

Além da participação dos moradores que assistem aos ensaios, os passistas e alunos da escola costumam ser majoritariamente dos bairros que circundam a sede do clube, comprovando a vocação natural da cidade para a folia: "O povo olindense faz a festa olindense acontecer. A vizinhança, toda a população se mobiliza. Todo mundo tem um bloco, enfeita suas casas, para sair na rua com as cores do seu bloco", diz Douglas.

Mas engana-se quem pensa que a rotina de ensaios acontecendo com tamanha antecedência, torna-se estressante ou cansativa para quem participa. Para o professor Douglas, esta parte é tão divertida quanto o Carnaval propriamente dito: "Neste período que a gente ensaia, a gente tá junto o tempo todo, se vendo, se comunicando, brincando. No Carnaval é aquela correria. A gente é um grupo de quase 120 passistas então temos que nos dividir. Fora a responsabilidade, porque a gente ensaia o ano todo para quando a gente fizer nosso desfile, fazê-lo em grande estilo".

Saindo do Vassourinhas e descendo pela Rua do Amparo, já é possível ouvir os acordes que saem do Grêmio Musical Henrique Dias. É lá que ensaiam algumas das orquestras de maior destaque na folia olindense, a que leva o nome do grêmio, comandada pelo Maestro Ivan do Espírito Santo; a Orquestra do Maestro Oséas; e a Mistura Fina, do Maestro Ícaro Alves. Esta última, com 24 anos de muita ‘frevança’, trabalha arduamente para fazer o melhor durante os dias de festa.

Com 20 músicos, a maioria de Olinda, a Mistura Fina ensaia nas noites de terça no Henrique Dias, e aos domingos na Pitombeira dos Quatro Cantos; alternando com a Orquestra do Maestro Lessa. O olindense Elias Gonçalves, que toca surdo, garante que começar os trabalhos tão cedo é divertido e "quem tem o frevo na veia" não corre o risco de ficar enjoado. "Nosso repertório tem quase 150 frevos, então quase não repetimos as músicas. Não dá para enjoar", avisa.

Já para o maestro Ivan, começar os ensaios logo é necessário para que este repertório fique bem afinado, pois sempre entram frevos novos na lista. Para ele, o retorno de tamanho esforço é ver a alegria dos foliões nas ladeiras: "É muito gratificante. Aqui é a terra do frevo, então, em Olinda o frevo não para, é o ano todo".

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