Tópicos | Todo dia é o fim do mundo

Seis atrações pernambucanas fazem parte da lista de indicados ao 25° Prêmio da Música Brasileira, que anunciará os vencedores durante cerimônia a ser realizada no dia 14 de maio, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Quinteto Violado, SpokFrevo Orquestra, Lula Queiroga, Caju e Castanha, Maria da Paz e Ticuqueiros representam a terra dos altos coqueiros numa das maiores premiações musicais do país. 

Quinteto Violado (Melhor Álbum, com Canta Gonzagão, e Melhor Grupo), além de Maria da Paz (Melhor Cantora), Caju e Castanha (Melhor Dupla) e os Ticuqueiros (Grupo) concorrem na categoria Regional. “Não acreditávamos que podiamos ser indicados ao prêmio, cheio de trabalhos com muita qualidade. Agora que fomos indicados, vemos a força que a Mata Norte de Pernambuco tem. Se trouxermos o prêmio vai ser algo engrandecedor, tanto para nós quanto para nossa cidade. Assim esperamos, porque o CD Foto do Mundo tem muito da 'quentura' do nosso povo”, revela João Paulo, baterista e compositor dos Ticuqueiros, de Nazaré da Mata. 

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SpokFrevo Orquestra foi indicado duas vezes (Melhor Álbum e Melhor Grupo) na categoria Instrumental com o disco Ninho de vespa. Já Lula Queiroga concorre nas categorias Projeto Visual e Pop/Rock/Reggae/Hiphop/Funk (Melhor Álbum) com o CD Todo Dia é o Fim do Mundo, lançado pela primeira vez em 2011 e relançado pela gravadora Universal recentemente. 

“Como ele foi relançado no mercado, disseram que a gente podia participar de novo, e lá estamos nós no prêmio que catalisa a atenção da música brasileira”, brinca Lula Queiroga, que em 2012 foi premiado pela Associação dos Cantores e Intérpretes de Pernambuco com o mesmo trabalho. “Legal também estar concorrendo na categoria Projeto Visual, porque a capa do disco é a reprodução fiel de uma imagem que vi da janela de minha casa, em Casa Forte, depois de uma festa infantil que aconteceu por perto”, comenta o artista. 

Nesta terça-feira (17) a musicalidade pernambucana faz a festa no 22º Festival de Inverno de Garanhuns (FIG). Na Esplanada Guadalajara, às 21h30, sobe ao palco Maciel Salú, e, em seguida, Herbert Lucena, vencedor do Prêmio da Música Brasileira em três categorias pelo disco Não Me Peçam Jamais Que Eu Dê De Graça Tudo Aquilo Que Eu Tenho Para Vender. Às 22h30, o público confere Lula Queiroga, que vem fazendo sucesso com seu disco Todo dia é o fim do mundo. Para fechar a noite, o principal polo do festival recebe Renato Texeira, acompanhado de Xangai e Maciel Melo. Os pernambucanos também marcam presença no Palco Pop, que recebe Catarina Dee Jah, Rodrigo Caçapa e Junio Barreto, dividindo a noite com a cantora paulista Tiê.

No Palco Forró, Joãzinho de Exu, Clã Brasil e Liv Morais fazem a festa. O público ainda tem como opção a programação do Palco Instrumental, que começa às 17h. Duo Bass, Adelmo Arcoverde, Antônio de Pádua e Camarones  Orquestra Guitarrística compõem a grade de hoje. O 22º FIG segue até o próximo dia 21, com atividades que movimentam todas as áreas do universo cultural.

Programação terça-feira (17):

Palco Gudalajara

0h30 Rogério e os Cabra

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21h30 Maciel Salú

22h30 Herbert Lucena

23h30 Lula Queiroga

00h30 Renato Teixeira, Xangai e Maciel Melo

Palco Pop

18h Catarina Dee Jah

19h Tiê

20h Caçapa

21h Junio Barreto


Palco Forró

23h40 Nando Azevedo

00h40 Joãozinho de Exu

01h40 Clã Brasil

02h40 Liv Morais


Palco Instrumental

17h Duo Bass

18h Adelmo Arcoverde

19h Antônio de Pádua

20h Camarones  Orquestra Guitarrística

A programação completa do evento você também confere aqui no LeiaJá.

Não falar da geniosidade das letras do cantor e compositor pernambucano Lula Queiroga é como não destacar a irreverência do baiano Tom Zé, por exemplo, em cima dos palcos. Há de se convir que, de maneira mais tímida, o Lula é o nosso "Tom Zé pernambucano", ou amigo irmão de Lula Côrtes e Lenine, só para citar alguns dos expoentes da geração 1980.

Com muita tranquilidade e um esforço que durou cerca de um ano entre gravação, mixagem e finalização, a apresentação do disco “Todo o dia é o fim do mundo” foi algo de tirar o chapéu da plateia (semi-lotada), que esteve presente na noite de ontem (10), ocupando as poltronas do Teatro Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem.

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O aviso de “Podem usar seus celulares para filmar e reproduzir esse espetáculo à vontade” iniciou o show já com aplausos – foi um jeito de subverter a lógica do “preciosismo” da reprodução de massa, e assumir a era dos novos meios digitais diante do público. O show começou com a ótima "Se não for amor eu cegue (love)", parceria de Lula com o compositor Lenine, recém-lançada pelo "Leão do Norte" no disco "Chão" (2011), e seguiu com a homenagem ao multiartista Lula Côrtes, que faleceu em março deste ano, emocionando com a música "Dias assim", que foi aplaudida demoradamente pela plateia.

E Lula nos apresentou mais um dos seus discos com nomes enormes e irreverentes, seguindo a tradição de "Aboiando a vaca mecânica", 2001; "Azul invisível, vermelho cruel", 2004; e "Tem juízo mas não usa", 2009. “Vou parar com essa mania”, brincou o artista. Mas não precisa, nós gostamos desse seu jeito “biruta” de denominar as coisas. Bonito de se ver também o público cantando junto ao artista a letra de “Todo o dia é o fim do mundo”, música tema do show e de seu novo disco, que vinha sendo liberado aos poucos para ser escutado na internet. (Ressalva: saudosismos à parte, apesar de estar disponível no site oficial do artista, vale a pena adquirir o CD, como forma de respeito ao trabalho meticuloso do artista e de sua equipe, a Luni Produções, que está de parabéns pela execução do trabalho).

Impossível não falar também da proeza dos músicos experientes que acompanhavam Lula (entre eles, o percussionista Lucas do Prazeres, da banda Rivotrill, e o baixista Yuri Queiroga, sobrinho de Lula que co-produziu o disco junto ao tio), executando novos e antigos arranjos às músicas do novo CD e as de outrora. A iluminação, o cenário de nuvens suspensas e as participações mais que especiais do show deram o tom da importância da figura de Queiroga aqui na cidade - foram desde o jovem violonista Vinicius Sarmento, passando por Felipe S., da Mombojó e Del Rey, indo até o maestro Spok e a incrível "suave força" da voz feminina de Isaar. 

O samba "Unha e Carne", da parceria entre Lula e Vinicius Sarmento, é uma das canções mais belas do disco. Os versos da música narram a história de um amor, do início ao fim, de um casal que, supostamente, vai começar uma conversa através de um bate-papo pela internet. Destaque ainda para a música “Cano na cabeça”, que figurou como uma das versões mais rock 'n' roll da noite, tanto pela sua letra – uma poética reflexão sobre a violência urbana -, quanto pelos seus arranjos incisivos.

BRINCALHÃO - Durante o show, o artista ainda “tirou onda” com o nome do local da apresentação. “Salve, Dona Lindu!”, disse Lula, um dos integrantes do bloco carnavalesco Quanta Ladeira, famoso na cidade por “escrachar” e ironizar em versos músicas e situações políticas vivenciadas pela sociedade recifense, como foi o polêmico caso da construção deste “parque de concreto” (o Dona Lindu) pela Prefeitura da Cidade do Recife.

Conversando com o público pontualmente, via-se a agonia de Lula entre o cantar sério e o dançar meio esquizofrênico, como que quererendo uma resposta do público. Mas este o fez, e com bastante maestria e reconhecimento pelo próprio artista. “Que silêncio!”, disse Lula, “esse respeito que vocês estão tendo aí é lindo, ainda mais para um artista que não tem trabalho tocando na rádio”, disse. E tome mais aplausos. Momentos depois, entoou uma das músicas que ficaram conhecidas ao ser tocada na extinta e guerreira Rádio Cidade – “Roupas no varal”, um belo take para um curta-metragem em stop motion.

O que se pode deduzir é que Lula, além de cantor e compositor “biruta”, é também um ótimo regente da Luni Produções, produtora na qual é sócio fundador há mais de 10 anos, e que foi responsável pelo trabalho minucioso e incrível que foi visto ontem. Parabéns.

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