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Alison dos Santos confirmou o favoritismo na disputa da final dos 400 metros com barreiras do Mundial de Atletismo de Eugene, nos Estados Unidos, e fez história no final da noite desta terça-feira (horário de Brasília). O Piu, como é chamado o brasileiro de 22 anos, conquistou a medalha de ouro ao completar a prova em 46s29, novo recorde da história do campeonato e melhor marca de um atleta da modalidade neste ano, superando os 46s80 anotados por ele mesmo na etapa de Eugene da Diamond League. Os americanos Rai Benjamin, com 46s89, e Trevor Bassitt, com 47s39, ficaram com a prata e o bronze, respectivamente.

O velocista paulista é o segundo representante do Brasil a conseguir uma medalha de ouro em um Mundial de Atletismo. Antes dele, apenas Fabiana Murer, do salto com vara, conseguiu o feito. O país tem agora 14 medalhas na história do campeonato, seis delas de prata e outras seis de bronze, além dos ouros de Piu e Murer.

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Na prova desta terça, Alison viu o norueguês Karsten Warholm, que ostenta o recorde mundial por sua vitória em Tóquio-2021 com o tempo de 45s94, terminar em sétimo lugar, após anotar apenas 48s42. Rai Benjamin, o segundo colocado, detém a segunda melhor marca do mundo, um 46s17 também registrado nos Jogos Olímpicos japoneses. Em terceiro, agora com seus 46s29, Piu mostrou que está em plena evolução, apto para buscar o recorde no futuro.

"Sabe quando você sonha, você pensa o que precisa para alcançar este momento?. Sou eu com este resultado. A gente estava conversando muito, treinando muito bem. Essa medalha que estou carregando no peito é de todos que estavam comigo neste momento. Queria dedicar a vitória para minha equipe, minha família, minha sobrinha que acabou de chegar. É indescrítivel", disse o medalhista de ouro em entrevista ao SporTV. Competição é parte mais fácil, não tem nervoso, não tem nada. Eu fico nervoso nos treinos. Quando eu estou aqui, eu me sinto em casa", completou.

Alison dos Santos chegou ao Mundial como dono da primeira posição do ranking dos 400 metros com barreiras da World Athletics, a federação internacional de atletismo, e ocupando o quarto lugar do ranking geral, formado por atletas de todas as modalidades. Medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em agosto de 2021, emplacou uma incrível sequência de vitórias nos últimos dois meses e acumulou quatro medalhas de ouro na Diamond League, principal circuito da World Athletics. Entre maio e junho, venceu as etapas de Oslo, Doha, Eugene e Estocolmo. Na última, fez 46s80, até então o melhor tempo da temporada.

MAIS ATLETAS

Também nesta terça-feira, o Brasil teve duas representantes competindo em Eugene. Chayenne dos Santos fez o sétimo lugar da primeira bateria das classificatórias dos 400 metros com barreira feminino, com a marca de 59s46, e foi eliminada. Já Vitoria Rosa disputou as semifinais dos 200 metros, ficou em quarto lugar em sua bateria, ao completar a prova em 22s47 e não conseguiu a vaga na final, mas saiu da pista de cabeça erguida, até porque quebrou o recorde sul-americano. "Só Deus sabe o quanto eu lutei, o quanto foi difícil chegar até aqui. Eu quero muito mais. Diante de tanta dificuldade, de tantas coisas que aconteceram, eu sou isso, eu respiro isso", disse Vitória, emocionada, ao canal SporTV.

A primeira medalha do País em um Mundial de Atletismo na modalidade de marcha atlética veio com a conquista do bronze por Caio Bonfim na competição deste ano, disputada em Londres, na Inglaterra.

Bonfim foi o terceiro a concluir o percurso de 20 quilômetros, com o tempo de 1h19m04, o melhor da sua carreira e novo recorde brasileiro. “É difícil explicar esse sentimento de conquistar essa medalha. Mas estou muito feliz de realizar um sonho que é estar entre os melhores do mundo e subir no pódio, graças a Deus eu consegui”, comemorou o atleta de Sobradinho (DF).

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Na Olimpíada do ano passado, no Rio de Janeiro, o atleta concluiu a competição na quarta colocação, quando completou a prova em 1h19m42, o recorde brasileiro anterior. “Quando você consegue ser medalhista em um campeonato mundial, o patamar é muito alto. Significa que agora eu tenho mais responsabilidade ainda de levar a marcha atlética e de representar o esporte brasileiro, então isso pra mim é gratificante”, afirmou.

Cerca de 2000 atletas de mais de 200 países competiram no Estádio Olímpico de Londres, de 4 a 13 de agosto. 

Em uma prova dominada por atletas negras, uma holandesa loira colocou seu nome na história nesta sexta-feira, em Pequim. Dafne Schippers, de apenas 23 anos, bronze no Mundial de Atletismo de 2013 no heptatlo, ganhou o ouro nos 200m com a incrível marca de 21s63. Ela bateu o recorde do campeonato e assumiu o terceiro lugar do ranking histórico da distância.

Schippers é a grande surpresa das provas de velocidade neste ciclo olímpico. Contra todos os prognósticos, ganhou a prata nos 100m e agora o ouro nos 200m em uma prova fortíssima. A holandesa não teve boa largada, entrou na reta aparentando não tendo chance de vitória, mas cresceu de forma impressionante.

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Só na última passada ela passou à frente da jamaicana Elaine Thompson, que ganhou a prata com 21s66, melhor marca da carreira. O bronze ficou com a veterana Veronica Campbell-Brown (21s97), de 32 anos, bicampeã olímpica (2004 e 2008). A norte-americana Allyson Felix, que liderava o ranking mundial e é a atual campeã olímpica, optou por não competir nos 200m em Pequim, priorizando os 400m rasos, prova que ela venceu.

Sem ela, os EUA sequer foram ao pódio dos 200m. De qualquer forma, seria bastante difícil superar Schippers e Thompson. A holandesa fez a quarta prova mais rápida da história, atrás apenas do que fez a norte-americana Florence Griffith-Joyner nos Jogos Olímpicos de Seoul, em 1988 (21s56 na semifinal e 21s34 na final) e da também americana Marion Jones, que correu em 21s62 em 1998.

Thompson, por sua vez, fez a sexta melhor prova da história. Só não bateu o recorde jamaicano porque Marlene Ottey correu para 21s64 na temporada de 1991. Allyson tem 21s69 como melhor marca da carreira.

A medalha de ouro nos 100m deu fortes indícios de que Usain Bolt voltou a ser o maior velocista da atualidade. O tetracampeonato nos 200m, obtido nesta quinta-feira no Mundial de Pequim, deixou claro que não existe a menor dúvida disso. Não há e talvez nunca haverá um atleta como Bolt.

Justin Gatlin é um rival de respeito, pelo menos no cronômetro. O norte-americano, que tem seis anos de suspensões por doping no currículo, chegou ao Mundial como líder do ranking nos 100m e nos 200m e vai voltar de Pequim sem nenhuma medalha de ouro individual. Sua única esperança é vencer o revezamento 4x100m.

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Nos 200m, chegou a Pequim gabaritado pela quinta melhor marca da história - 19s57, que fez na etapa de Eugene da Diamond League. Bolt, por sua vez, fez temporada ruim, prejudicado por lesão. Em teoria, era zebra. Mas, na prática, é imbatível.

Na final desta quinta-feira, no Ninho do Pássaro, Bolt largou mal (como sempre) e entrou na reta pouquíssimo à frente de Gatlin. O norte-americano chegou a dar a impressão de que poderia passar, mas era o jamaicano que estava em aceleração maior. A cada passada a vantagem ficava maior.

Quando faltavam cerca de 20 metros para a linha de chegada, Bolt já relaxava. Antes de completar a prova, já batia no peito para comemorar o tetracampeonato, com o tempo de 19s55, melhor da temporada e o quinto melhor resultado dele na carreira nesta prova.

Gatlin completou em 19s74 - também quinta melhor marca da carreira -, atrás o suficiente para Bolt relaxar nos metros finais e, mais uma vez, deixar a impressão de que poderia fazer mais. Mas, como nunca, desta vez o jamaicano cansou a ponto de sentar em uma cadeira em meio à comemoração. Também o sul-africano Anaso Jobodwana fez festa, com bronze e recorde nacional: 19s87.

Aos 29 anos recém-completados, Bolt é tetracampeão mundial dos 200m (2009 a 2015), tri dos 100m (2009, 2013 e 2015) e do revezamento 4x100m (2009 a 2013). Também é bicampeão olímpico dessas três provas. Em grandes competições, só não venceu os 200m e o revezamento 4x100m no Mundial de Osaka, em 2007 (faturou a prata) e os 100m em Daegu, em 2011 - queimou a largada.

É verdade que não havia expectativa de uma grande campanha do Brasil no Mundial de Atletismo de Pequim, mas o que a maioria dos brasileiros está fazendo na China ofende a história da modalidade no Pais. No salto em distância, Keila Costa foi 26.ª colocada, com um resultado que a deixaria apenas em sexto no Troféu Brasil. E ela foi a melhor de três brasileiras que participaram dessa prova em Pequim. As outras foram ainda pior.

Na fase de classificação das provas de saltos horizontais (e também nas de campo), o atleta tem direito a três tentativas. Em finais, são seis. Mas isso não justifica o resultado ruim no Mundial. No Troféu Brasil, realizado em maio em São Bernardo do Campo (SP), Keila passou de 6,50m duas vezes nos três primeiros saltos - ganhou com 6,70m. No Mundial, fez 6,32m.

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Tânia Ferreira fez 6,18m em Pequim, mas 6,68m na competição nacional - exatamente a marca mínima necessária para ir à final do Mundial. Já Eliane Martins, que também tem 6,68m na temporada, não acertou nenhum salto em Pequim. Todas foram eliminadas.

Nos 110m com barreiras, também na sessão matinal desta quinta-feira, Adelly Santos fez a 30.ª melhor marca (13s29), enquanto Fabiana Moraes ficou duas posições abaixo (13s35). No Troféu Brasil, elas fizeram 13s06 e 13s21, respectivamente. Até nas fracas semifinais da competição nacional, aliás, Adelly foi mais rápida do que no Mundial - 13s16.

Por fim, no lançamento do disco, Ronald Julião não conseguiu repetir o bom desempenho que lhe valeu medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Toronto e terminou na 21.ª colocação, com 61,02m. Também ele foi melhor no Troféu Brasil (61,55m) do que no Mundial.

DECEPÇÃO NOS EUA - Mas não é só o Brasil que vai mal no Mundial. Os Estados Unidos, guardando as devidas proporções, também estão com resultados muito aquém do que se esperava. Nesta quinta-feira, a tricampeã mundial do salto em distância, Brittney Reese, foi eliminada com apenas 6,39m. Ela sofreu cirurgia no quadril em 2013 e, nas últimas duas temporadas, não superou os 7 metros nenhuma vez.

O Brasil voltou a dar vexame nas eliminatórias do Mundial de Atletismo, nesta quarta-feira, em Pequim. Dos cinco brasileiros que competiram nesta manhã no Ninho do Pássaro (início da madrugada pelo horário de Brasília), só um avançou à semifinais: João Vitor Oliveira, nos 110m com barreiras. Outros quatro atletas foram eliminados com resultados muito aquém dos necessários para se classificareem à semifinal ou final.

As eliminatórias dos 110m com barreiras tiveram a participação de três brasileiros. João Vitor Oliveira ficou em quinto na sua bateria, mas, com 13s57, entrou na semifinal como um dos melhores tempos entre os que não se classificaram diretamente. Éder Souza fez 13s96 e, Jonathan Mendes, 13s86. Com esses tempos, seriam sexto e sétimo colocados das eliminatórias do Campeonato Paulista.

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No salto triplo, mais um resultado vergonhoso do atletismo brasileiro. Jean Casemiro Rosa foi o penúltimo colocado entre 27 competidores, com um salto de míseros 15,97m. Tal resultado não seria suficiente para coloca-lo no pódio nem do Campeonato Paulista. No Troféu Brasil, seria o sexto colocado.

Nos 800m, Flávia de Lima foi sexta colocada da bateria dela, com 2min01s76 - foi mais rápida do que no Troféu Brasil, ao menos. A brasileira fez o 32.º melhor tempo das eliminatórias e não conseguiu vaga na semifinal. Aos 22 anos, ela só teve seus primeiros bons resultados no adulto nesta temporada.

A maior parte da delegação brasileira já desembarcou em Pequim para o Mundial de Atletismo que começará no dia 22, no Estádio Ninho do Pássaro. Neste sábado (15) chegaram os atletas do revezamento 4x400 metros masculino, que estavam em camping de treinamento em Waco, no Texas, Estados Unidos. "O camping foi muito produtivo, estamos com boas expectativas", disse Ricardo D'Angelo, coordenador da equipe e treinador-chefe da seleção em Pequim.

Os corredores e saltadores treinam em dois períodos no Chao yang Sports Center, estádio onde foi disputado o Mundial Juvenil em 2006. Os arremessadores e lançadores fazem seus exercícios em um campo no mesmo conjunto esportivo. Os maratonistas correm perto do estádio. Os marchadores treinam no parque próximo do Kun Tai Hotel, onde a delegação nacional está hospedada sob supervisão do treinador João Sena Bonfim.

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Também já chegaram e estão no mesmo hotel a equipe de Trinidad e Tobago e a estrela da competição, o jamaicano Usain Bolt. "O grupo chegou no devido tempo para a aclimatação e para adaptação ao fuso horário (em Pequim são 11 horas a mais que Brasília)", explicou Antonio Carlos Gomes, superintendente de Alto Rendimento da Confederação Brasileira de Atletismo.

Em Pequim, a delegação brasileira tentará encerrar o jejum de pódios no Mundial de Atletismo. Desde 2011, quando Fabiana Murer conquistou o título no salto com vara que o País não obtém medalhas. A brasileira ainda é a principal esperança de vitória. Terceira no ranking Mundial, ela vem de uma medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Toronto. Thiago Braz também pode conquistar um bom resultado já que está entre os melhores atletas do salto com vara nesta temporada.

Quinto colocado no Campeonato Jamaicano, Rusheed Dwyer não conseguiu se classificar para o Mundial de Atletismo de Pequim (China). Foi relegado a disputar os Jogos Pan-Americanos, brilhou em Toronto com o segundo melhor tempo do mundo nos 200m e, como prêmio, acabou sendo convocado para defender a Jamaica no Mundial.

Com Dwyer, de acordo com a Associação das Federações Internacionais de Atletismo (IAAF), a Jamaica terá cinco representantes nos 200m, dois a mais do que o limite de inscrições por país por prova. Uma dessa vagas extras é garantida porque Usain Bolt é o atual campeão mundial e recebe convite. A IAAF não explicou, entretanto, as razões do outro convite.

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Bolt, aliás, vai tentar repetir o resultado do Mundial de Moscou, em 2013, quando ganhou os 100m, os 200m e o revezamento 4x100m - está inscrito nas três competições. Na competição por equipe, terá a companhia de Nickel Ashmeade, Kemar Bailey-Cole, Nesta Carter, Asafa Powell e Tyquendo Tracey.

A grande ausência da delegação jamaicana será Yohan Blake, segundo homem mais rápido da história nos 100m - empatado com o americano Justin Gatlin - e nos 200m. O velocista, de 26 anos, não fez índice.

No feminino, a equipe será liderada por Shelly-Ann Fraser-Pryce que, assim como Bolt, venceu os 100m, os 200m e o revezamento 4x100m em Moscou. Depois de ganhar nove medalhas no último Mundial (seis de ouro, três de prata, uma de bronze), a Jamaica quer ampliar sua área de atuação em Pequim, indo ao pódio não apenas nas provas de velocidade. Para tanto, confia em Fedrick Dacres e Jason Morgan, do disco. A delegação terá 53 atletas.

A Federação de Atletismo dos EUA (USA Track and Field) anunciou nesta segunda-feira a sua lista de 130 convocados para buscar mais um título geral do Mundial de Atletismo. A competição começa no próximo dia 22 e segue até o dia 30 no mesmo Ninho do Pássaro que recebeu os Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim (China).

Cada país tem direito a inscrever três atletas por prova, mais aqueles que são os atuais campeões mundiais e/ou venceram a Diamond League na temporada passada. É o caso, por exemplo, de Justin Gatlin, que ganhou a liga em 2014 e deve disputar o título dos 100m contra Usain Bolt.

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Gatlin vai correr também os 200m e o revezamento 4x100m, prova na qual terá a companhia de Tyson Gay. Os outros velocistas dos EUA em Pequim serão Trayvon Bromell e Michael Rodgers. No feminino, o destaque é Allyson Felix, inscrita para correr quatro provas: 4x100m, 4x400m, 200m e 400m.

POLÊMICA - Ao divulgar a lista, a USA Track and Field confirmou a ausência de Nick Symmonds, vice-campeão mundial em 2013, em Moscou, nos 800m. O fundista se recusou a assinar contrato com a Nike, fornecedora de material esportivo da delegação norte-americana, alegando que possuiu acordo particular com uma concorrente, a Brooks.

"Você simplesmente não pode dar um monopólio a uma empresa e esperar que haja um esporte saudável, viável. Isso nunca vai mudar, a menos que alguém tome uma posição. É lamentável, mas terá que ser eu", alegou o fundista.

A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) anunciou nesta quarta-feira a convocação da equipe que vai defender o País no Mundial de Pequim, a partir de 22 de agosto, e a grande novidade é a ausência de Marilson Gomes dos Santos. O maratonista, líder do ranking nacional, não se recuperou de uma lesão muscular na panturrilha esquerda.

Além dele, o time vai ter outros três desfalques por contusão: Anderson Henriques (finalista do Mundial de 2013 nos 400m), Ana Cláudia Lemos (líder do ranking nacional nos 100m) e Joelma Souza (dos 400m). Os três integrariam os revezamentos nas respectivas distâncias.

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Na lista de convocados também não consta o nome de Thiago André, que tinha índice nos 1.500m. Adriana Aparecida não poderia ser convocada porque correu a maratona do Pan. De resto, o grupo de 45 atletas é praticamente o mesmo que deverá ir para a Olimpíada - atualmente o Brasil tem direito a exatas 45 credenciais.

Apesar de classificado para a Olimpíada, o Brasil não vai correr o revezamento 4x400m feminino, prova no qual foi finalista no Mundial de Revezamentos, em maio. A lesão de Ana Cláudia Lemos também fez a CBAt optar por não levar uma segunda reserva para o revezamento 4x100m feminino.

De resto, o Brasil vai levar o que tem de melhor a Pequim. As chances de medalha, entretanto, são restritas às provas de revezamento e ao salto com vara: Fabiana Murer, Augusto Dutra, Thiago Braz e Fábio Gomes.

CONFIRA A LISTA DE CONVOCADOS:

Masculino

Vitor Hugo dos Santos (Brasil Food-RJ) - 4x100 m

José Carlos Gomes Moreira (CT Piauí-PI - 4x100 m

Gustavo Machado dos Santos (Orcampi) - 4x100 m

Rodrigo Pereira do Nascimento (FCTE-SP) - 4x100 m

Aldemir Gomes da Silva Junior (AEFV-RJ) - 200 m - 4x100 m

Bruno Lins (FCTE-SP) - 200 m - 4x100 m

Hugo Balduíno de Sousa (BM&FBovespa) - 400 m - 4x400 m

Hederson Estefani (Pinheiros) - 400 m - 400m c/barreiras - 4x400 m

Pedro Burmann (Sogipa) - 4x400 m

Jonathan Henrique Ferreira da Silva (Orcampi) -4x400 m

Wagner Francisco Cardoso (BM&FBovespa) - 4x400 m

Peterson dos Santos (Rezende) - 4x400 m

Cleiton Cezario Abrão (BM&FBovespa) - 800 m

Eder Antonio de Souza (Orcampi) - 110 m c/barreiras

Joao Vitor de Oliveira (AAARP-SP) - 110 m c/barreiras

Darlan Romani (BM&FBovespa) - arremesso do peso

Talles Frederico Sousa Silva (Pinheiros) - salto em altura

Thiago Braz (Orcampi) - salto com vara

Augusto Dutra (BM&FBovespa) - salto com vara

Fabio Gomes (BM&FBovespa) - salto com vara

Higor Silva Alves (BM&FBovespa) - salto em distância

Alexsandro Nascimento Melo (Orcampi) - salto em distância

Luiz Alberto de Araújo (BM&FBovespa) - decatlo

Júlio Cesar de Oliveira (BM&FBovespa) - lançamento do dardo

Caio Bonfim (CASO-DF) - 20 km marcha

Mário José dos Santos Júnior (BM&FBovespa) - 50 km marcha

Solonei Rocha da Silva (Orcampi) - maratona

Gilberto Silvestre Lopes (Pé de Vento) - maratona

Edmilson dos Reis Santana (Clã-Delfos-MG) - maratona

Feminino

Rosângela Santos (Pinheiros) - 100 m - 200 m - 4x100 m

Vitória Cristina Rosa (EMFCA-RJ) - 200 m - 4x100 m

Vanusa Henrique dos Santos (BM&FBovespa) - 4x100 m

Bruna Farias (Pinheiros) - 4x100 m

Franciela Krasucki (Pinheiros) - 4x100 m

Geisa Coutinho (Orcampi) - 400 m

Flávia Maria de Lima (ARPA-SP) - 800 m

Fabiana Murer (BM&FBovespa) - salto com vara

Keila Costa (BM&FBovespa) - salto em distância

Núbia Soares (BM&FBovespa) - salto triplo

Geisa Arcanjo (Pinheiros) - arremesso do peso

Andressa Oliveira de Morais (Pinheiros) - lançamento do disco

Fernanda Borges (BM&FBovespa) - lançamento do disco

Jucilene Lima (BM&FBovespa) - lançamento do dardo

Vanessa Chefer Spinola (Pinheiros) - heptatlo

Erica Rocha de Sena (Orcampi) - 20 Km marcha

Cisiane Dutra Lopes (AASD-PE) - 20 Km marcha

Michele Chagas de Lima (Pinheiros) - maratona

Roselaine Souza Ramos Benites (ICB-RJ) - maratonaS

A noite de sexta-feira teve alguns dos homens mais rápidos do mundo brigando por vagas no Mundial de Pequim (China), que vai acontecer em agosto. Em Eugene, nos Estados Unidos, Tyson Gay foi o vencedor do Campeonato Norte-Americano nos 100m. Já Asafa Powell venceu a seletiva jamaicana, em Kingston. Ambos não foram ao Mundial de 2013, em Moscou (Rússia), porque estavam suspensos por doping.

Usain Bolt até estava inscrito para participar dos 100m em Kingston, mas foi retirado da prova horas antes da bateria de quartas de final, quinta-feira. Como atual campeão mundial, tem classificação assegurada a Pequim. O mesmo vale para Justin Gatlin, que venceu a Diamond League do ano passado.

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A prova de Eugene foi mais fraca do que a de Kingston. Tyson Gay ganhou com 9s87, seguido do júnior Trayvon Bromell (9s96) e de Michael Rodgers (9s97). Os três se classificaram para o Mundial. Bromell, de 19 anos, fez 9s84 na fase eliminatória e se tornou o quarto norte-americano mais rápido de todos os tempos, empatado no décimo lugar do ranking histórico.

Bromell chegou a correr a semifinal em incríveis 9s76, o equivalente à sexta melhor marca de todos os tempos, mas o resultado não foi homologado porque o vento estava acima do permitido. Sempre contando com auxílio do vento, 10 norte-americanos correram abaixo dos 10s nas semifinais.

Já em Kingston, a semifinal teve uma surpresa porque Yohan Blake, campeão mundial de 2011 (ano em que Bolt queimou largada), sequer avançou para a final. Com 10s36, fez só o nono tempo. Na final, foram quatro sub10, com destaque para Powell, que venceu com 9s84. Também vão ao Mundial Nickel Ashmeade (9s91) e Kemar Bailey-Cole (9s97).

OUTRAS PROVAS - Entre as mulheres, Tori Bowie venceu com 10s81 e se igualou momentaneamente a Shelly-Ann Fraser-Pryce como melhor do ano. A jamaicana, entretanto, desempatou a disputa pouco depois, vencendo em Kingston com 10s79. A atual campeã olímpica fez o único sub11 do campeonato jamaicano, enquanto seis norte-americanas correram na casa dos 10 segundos.

Campeã mundial dos 100m em 2011, Carmelita Jeter, de 35 anos, foi só a sétima colocada em Eugene e não se classificou a Pequim. Além de Bowie, vão ao Mundial English Gardner e Jasmine Todd. Outra que falhou na tentativa de ir à China foi a campeã olímpica dos 400m, Sanya Richards-Ross.

O erro na passagem do último bastão do revezamento feminino 4x100m na final do Mundial de Moscou vai custar caro a Vanda Gomes, Evelyn dos Santos e Rosângela Santos. Por conta desse erro, as três atletas ficaram fora da relação de atletas contempladas pela Bolsa Pódio, do governo federal, que paga até R$ 15 mil mensais aos atletas com chances reais de medalha nos Jogos do Rio/2016 e ainda garante o investimento em equipe multidisciplinar para atuar ao lado do esportista.

Isso porque o Plano Brasil Medalhas estipula que têm direito à bolsa todos os atletas que constarem entre os 20 melhores do ranking mundial. No caso do atletismo, a CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) negociou com o Ministério do Esporte para conceder a bolsa também aos revezamentos que terminassem o Mundial de Moscou entre os oito primeiros colocados.

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O erro na passagem do último bastão, de Franciela Krasucki para Vanda Gomes, fez a equipe brasileira ser desclassifica. Assim, oficialmente, o Brasil não teve uma posição específica na final do Mundial. Terminou como desclassificada, mesmo terminando entre as oito primeiras. E as atletas do revezamento, sétimo melhor do ranking mundial, acabaram fora da lista passada pela CBAt ao Ministério do Esporte nesta quinta-feira.

"O programa prevê atletas entre os 20 primeiros no ranking mundial nas provas individuais. Excepcionalmente a CBAt conseguiu junto ao Ministério que os revezamentos que ficassem entre os oito primeiros no Mundial de Moscou também entrariam. O 4x400m masculino obteve isto, mas o 4x100m feminino foi desclassificado. Portanto, não obteve classificação, infelizmente", explicou a CBAt, em nota.

Assim, as cinco atletas que compuseram o revezamento no Mundial (Rosângela correu as eliminatórias) não terão direito a esta bolsa por conta do 4x100m. Mas Ana Cláudia Lemos e Franciela Krasucki acabaram contempladas por estarem entre as 20 primeiras do ranking dos 100m após o Mundial, respectivamente no 12º e no 16º lugares.

A lista de indicados pela CBAt - que ainda deverão ser aprovados pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Caixa Econômica Federal (patrocinadora da CBAt) e Ministério do Esporte - tem 18 nomes. Entre os contemplados estão Bruno Lins (200m), Anderson Henriques (400m), Thiago Braz, Augusto Dutra e Fabiana Murer (salto com vara), Duda (salto em distância), Carlos Chinin (decatlo) e Keila Costa (salto triplo).

O Plano Brasil Medalhas, anunciado em setembro do ano passado, pretende gastar R$ 1 bilhão durante o ciclo olímpico para investir nos atletas com chance de pódio nos Jogos do Rio. Além de bolsa de R$ 15 mil, com validade de um ano, os atletas também têm direito a R$ 20 mil para compra de equipamentos e participação em competições e treinamentos. Ainda ganham uma equipe multidisciplinar, formada por profissionais como preparador físico e nutricionista, com salários individuais de até R$ 5 mil pagos pelo governo.

Mauro Vinícius da Silva, o Duda, disputa na madrugada desta quarta-feira, a partir das 3h25 (de Brasília), a qualificação do salto em distância. O saltador, campeão mundial indoor em 2012 e sétimo na Olimpíada de Londres, é apontado como principal candidato brasileiro à medalha no Mundial de Moscou. Duda é o quinto melhor saltador do ano, e tem como marca 8,31m, recorde pessoal que conseguiu no Troféu Brasil, em junho.

O brasileiro pretende inverter, em Moscou, no seu primeiro Mundial, a campanha que realizou nos Jogos de Londres. Em sua segunda participação olímpica, ele passou à final como o melhor saltador. Mas, na briga por medalhas, não conseguiu superar a sétima colocação.

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Além de se dizer mais maduro, Duda afirmou que construirá sua prova de maneira diferente em Moscou. Antes, queria resolver a prova no primeiro salto. Agora, a estratégia é ir melhorando dentro da disputa, passo a passo.

Na sua última competição antes do Mundial, Duda foi terceiro na etapa de Londres da Diamond League, com 8 metros. Nesta quarta, pretende saltar pelo menos 8,10 m. "Estou confiante, meus treinos estão bons. A temperatura, o clima, tudo está ajudando. A pista é rápida, o que favorece minha corrida, porque preciso chegar veloz para saltar longe."

O principal adversário de Duda no Mundial é um russo, Aleksander Menkov. O líder do ranking, porém, é o mexicano Luis Rivera, com 8,46 m, saltador sem grande constância de resultados acima de 8 metros. O campeão olímpico, Greg Rutherford, da Grã-Bretanha, é uma incógnita. Ele sofreu uma lesão este ano e quase não conseguiu se recuperar a tempo de viajar para Moscou.

Fabiana Murer foi até onde podia no Mundial de Moscou. Defendendo o título do salto com vara conquistado em 2011, ela chegou à Rússia tendo 4,73m como melhor salto. Na busca pelo bicampeonato, parou quando o sarrafo chegou a 4,75m, terminando no quinto lugar. Mas ela não aceitou muito bem o resultado. Ficou um longo tempo quieta, sozinha, e demorou para subir à zona mista. Falando ao SporTV, chorou.

Já quase no fim da entrevista, questionada sobre o sentimento de deixar a competição e como esperava que a opinião pública reagiria a mais um fracasso, ela não se conteve. "Eu só posso falar que fiz tudo que eu pude", disse enquanto a voz ficava embargada. Na sequência se calou e deixou as lágrimas escorrem, tentando escondê-las das câmeras. "Estou feliz com o que eu fiz aqui. Gostei dos meus saltos, mas não foi o suficiente para a medalha. Agora é pensar para frente", completou, sem parecer segura com o que afirmava.

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Murer entrou na prova quando o sarrafo já estava a 4,55m, altura que ultrapassou na primeira tentativa. Depois também passou de primeira em 4,65m, mas não conseguiu repetir o sucesso quando o sarrafo subiu mais 10cm. A frustração veio principalmente porque na última tentativa jogou o corpo bem acima de 4,75m, mas bateu o peito no sarrafo na queda.

"Foi uma boa prova. As três primeiras competiram super bem. Fiz tudo que eu pude. Infelizmente não foi suficiente para uma medalha. Foi por muito pouco que não passei. Faltou muito pouco. Por isso que eu fiquei um pouco chateada", explicou ela ao SporTV.

"A segunda tentativa deu muito perto do encaixe. Depois coloquei (a marca de largada) um pouquinho para trás. Foi um salto muito bom. No final tive um desequilíbrio para o lado. Meu peito acabou caindo e batendo no sarrafo. Talvez se o sarrafo estivesse mais perto de mim eu teria passado", comentou a varista, que segue na Europa para disputar duas etapas da Diamond League. "O último salto foi muito alto. Dava para ter passado mais. Pela condição que eu estou posso saltar mais alto ainda esse ano".

A delegação brasileira, que conta com 32 atletas no Campeonato Mundial de Atletismo vem conquistando bons resultados na competição. Nesta segunda-feira (12), Ronald Julião, medalha de ouro no lançamento de disco na Universíade 2013, terminou com 12ª colocação na etapa de qualificação da prova. Mahau Sugimati, nos 400m com barreiras, terminou com a quinta colocação nas eliminatórias e avançou para as semifinais da prova.

A competição que segue até o dia 18 de agosto, já conta com a atleta Fabiana Murer na final no salto com vara, que acontece nesta terça-feira (13). Augusto Dutra, também do salto com vara, alcançou a vaga para representar o país na final do masculino. No decatlo, Carlos Chinin ficou com o sexto lugar e garantiu a melhor participação de um brasileiro na história dos mundiais de atletismo. 

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Recorde

O atleta Carlos Chinin melhorou seu recorde pessoal em quatro das dez provas do decatlo e deu ao Brasil a melhor classificação da modalidade na história dos Mundiais de Atletismo. Ele foi o sexto colocado, com 8.388 pontos. As atletas brasileiras do 100m Ana Cláudia Lemos e Franciela Krasucki também foram destaque no final de semana. Elas avançaram para a semifinal depois de passarem pela rodada de classificação no segundo dia do Campeonato. Ana Cláudia foi a segunda na série 5 e quarta no geral, com 11.08, segundo melhor tempo de sua carreira. 

Com informações da assessoria 

Carlos Chinin precisou despencar da altura de 5 metros para perceber que sua carreira de atleta precisava ser redirecionada. Do choque pelo acidente que sofreu ano passado em Gotzis, na Áustria, enquanto disputava o salto com vara do decatlo, veio a força necessária para que, com um novo técnico e um novo grupo de trabalho, ele conseguisse a vaga no Mundial de Moscou e o recorde sul-americano da prova. "Eu achei que minha carreira iria acabar (por causa do acidente), estava vivo, então precisava fazer alguma coisa diferente."

Chinin, de 28 anos, é um dos primeiros brasileiros a pisar na pista azul do Estádio Luzhniki, na capital russa. Fará, neste sábado, as cinco provas do decatlo (100 metros, salto em distância, arremesso do peso, salto em altura e 400 metros), a partir das 2h30 (horário de Brasília). No domingo, encara as disputas restantes: 110 metros com barreiras, lançamento do disco, salto com vara, lançamento do dardo e 1.500 metros.

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O decatleta surgiu no cenário do atletismo brasileiro em 2007, quando foi bronze no Pan do Rio. De lá para cá, conquistou bons resultados, mas inúmeras desventuras. Classificou-se ao Mundial daquele ano, em Osaka, mas teve de abandonar a competição, lesionado. O mesmo aconteceu na Olimpíada de Pequim, em 2008.

Em seguida, ele conseguiu índice para outro Mundial, o de Berlim, mas se machucou antes e nem viajou. Perdeu a temporada de 2010 por duas cirurgias. Em 2011, machucou-se no Troféu Brasil - perdeu o Pan de Guadalajara. E, quando estava em Gotzis em busca do índice para a Olimpíada de Londres, sofreu o acidente mais assustador de sua vida.

Chinin chegou a ultrapassar o sarrafo mas, na hora da queda, viu que estava fora do colchão. A queda no chão era inevitável. "Foi tudo muito rápido, mas eu consegui virar o corpo, como um gato, para evitar uma lesão na coluna. Quando me virei totalmente, o chão estava próximo. Caí de cara, quebrei o braço direito e desmaiei." Ele foi retirado da pista de helicóptero e levado para o hospital, onde passou por uma grande bateria de exames. Mas o medo da morte permaneceu. "Fiquei dois dias sem dormir."

No retorno da Áustria, o decatleta decidiu mudar de técnico. Foi aceito no grupo de Edemar Alves, que orienta apenas atletas das provas combinadas - antes, Chinin treinava com um grupo voltado aos saltos horizontais. "Isso fez toda a diferença, porque passei a treinar especificamente para minha prova. Virei um decatleta de verdade." Suas principais dificuldades eram com as provas de campo e o salto vertical.

A pior delas, conta Alves, era justamente o salto com vara. "Mas foi nessa prova a que ele mais evoluiu", explica. "Trabalhamos rápido para que ele não ficasse com traumas do acidente. Começamos treinando com marcas baixas, de forma bem segura e educativa. Isso ajudou no processo e ele melhorou seu resultado, que era de 4,70 m, para 5 metros."

Com o trabalho de melhora nas provas em que tinha dificuldade, Chinin viu suas marcas evoluírem. Ele tinha sido, em 2011, o segundo brasileiro a quebrar a barreira dos 8 mil pontos. Mas perdeu muito tempo na carreira por causa das lesões. Este ano, graças ao trabalho direcionado e à ausência de lesões, melhorou suas marcas e bateu o recorde sul-americano no Troféu Brasil, com 8.393 pontos.

Para o Mundial, o brasileiro mostra confiança e diz que está em Moscou para superar seu melhor resultado, que o coloca hoje na terceira posição do ranking da temporada. Alves afirma que, para sonhar com medalha, é preciso fazer pelo menos 8.500 pontos. O que conta a favor de Chinin, diz o técnico, é a motivação - afinal, além da boa jornada, é o retorno do decatleta às grandes competições desde a Olimpíada de Pequim. "Um atleta motivado é mais perigoso que um atleta bem preparado", aposta Edemar Alves.

O Mundial de Atletismo começa na madrugada deste sábado pelo horário de Brasília e o Brasil já inicia a competição numa das suas provas mais fortes: o salto com vara masculino. Quatro atletas fizeram índice, mas Fábio Gomes rompeu o tendão de Aquiles e não foi para Moscou.

Assim, o País estará representado por Augusto Dutra, Thiago Braz e João Gabriel Souza Santos. Os dois primeiros têm grandes chances de avançar à final, uma vez que a marca de corte é 5,70m, altura que os dois já ultrapassaram na temporada - Augusto é sétimo e Thiago o quinto do ranking. Caso menos do que 12 atletas cheguem a 5,70m, o corte também diminui.

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"São 40 atletas e só 12 vão para a final", alerta o técnico Elson Miranda. "A coisa mais importante para os dois é estar na final. Daí, vão para a competição", destacou o treinador de Thiago e Augusto no equipe da BM&F Bovespa. João Gabriel também já fez parte do time de Elson, mas rompeu em 2009, quando foi pego no doping. Atualmente está no Pinheiros.

A qualificação da prova, no Estádio de Moscou, será às 3h15 (horário de Brasília) na madrugada de sábado. As finais terão início às 10h15. O grande favorito é o francês Renaud Lavillenie, campeão olímpico e líder do ranking, com 6,02 m.

DECATLO - Outro brasileiro que compete com boas esperanças é Carlos Chinin. Recuperado de uma lesão que o afastou das competições por quase um ano, ele chega a Moscou com a terceira melhor marca do ranking mundial. O decatlo começa às 2h35 de Brasília.

Ele nega favoritismo. "Quem tem de se preocupar com resultado é o campeão mundial, os atletas que brigaram por medalha na última Olimpíada. A intenção é melhorar minha marca e, se eu melhorar, posso dar um sustinho neles", diz Chinin.

O Mundial de Atletismo começa apenas no próximo sábado, dia 10, mas 29 dos 32 brasileiros inscritos já estão em Moscou, sede da competição. A equipe vai realizar na Rússia a última etapa de preparação para o torneio e, para tanto, tem que fugir da chuva, constante naquele país nesta época do ano.

Nesta segunda pela manhã, parte dos brasileiros treinou em instalações indoor para fugir da chuva, casos de Fabiana Murer, Keila Costa e Anderson Henriques, entre outros. À tarde voltou a chover e fez novamente alguns atletas, como Duda e Caio Bonfim, treinarem em ginásio. "Nada que não seja resolvido", explicou o delegado técnico e superintendente de alto rendimento da CBAt, Antonio Carlos Gomes.

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De acordo com a CBAt, os treinamentos são sempre em dois períodos e em locais diferentes. Os lançadores, por exemplo, têm um campo especialmente reservado para eles. Por isso, os médicos da seleção, fisioterapeutas e massagistas se dividem para que todos os atletas estejam acompanhados.

"Neste nível, os atletas precisam de acompanhamento porque se houver um problema o atendimento tem que ser rápido. A rapidez no atendimento pode significar a presença do atleta na competição", explica um dos gols da médico da delegação, Cristiano Laurino.

Usain Bolt voltará a defender a condição de maior velocista de todos os tempos no Mundial de Atletismo de 2013, que será disputado entre os próximos dias 10 e 18, em Moscou. Na Rússia, o jamaicano espera apagar a má impressão deixada na edição anterior da competição, realizada em 2011, em Daegu, na Coreia do Sul, onde queimou a largada da final dos 100 metros e acabou eliminado enquanto grande favorito ao ouro.

Antes de embarcar para Moscou neste final de semana, Bolt falou sobre as suas perspectivas para este Mundial e garantiu ter superado definitivamente aquele episódio negativo.

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"Eu não penso mais nisso. Na época foi decepcionante, porque sabia que estava em ótima forma e se tivesse saído bem ganharia a medalha de ouro. Mas já deixei isso pra trás, aprendi e segui em frente. Agora estou focado em Moscou e em me preparar bem até lá", disse o jamaicano, em entrevista distribuída nesta sexta-feira pela assessoria de um dos seus patrocinadores, a Puma.

Recordista mundial dos 100 e dos 200 metros, Bolt também exaltou o peso de recuperar o título da prova mais veloz do atletismo. "Sem dúvida que é muito importante. Quero continuar ganhando todas as corridas que competir, e os 100 e 200 metros em Moscou serão as provas mais importantes do ano para mim. Por isso estou trabalhando duro com meu treinador, para dar a mim mesmo a chance de fazer isso", enfatizou.

Bolt chegará a Moscou como grande favorito ao ouro nos 100 metros também por causa da ausência de três de seus principais adversários. Um deles é o seu compatriota Asafa Powell, flagrado recentemente no doping. O mesmo ocorre com o norte-americano Tyson Gay, que também testou positivo para uma substância proibida. Para completar, ele também não terá a concorrência do também jamaicano Yohan Blake, que desistiu de ir ao Mundial por causa de uma lesão na coxa direita.

O favoritismo ao ouro de Bolt nos 100 metros se acentuou ainda mais depois de o astro ter cravado o melhor tempo do ano na distância na etapa de Londres da Diamond League, na qual garantiu o ouro com a marca de 9s85. Ele, porém, garante deixar esse favoritismo em segundo plano. "Eu nunca penso em somente um atleta. Terão outros sete caras nos blocos ao meu lado, e vou estar correndo contra todos eles", lembrou.

Bolt também evitou projetar uma briga particular com o norte-americano Justin Gatlin, único que parece oferecer alguma ameaça ao seu ouro nos 100 metros deste Mundial. "Como eu disse, não estou preocupado com uma pessoa só. Todos os outros caras tentarão me bater e provar isso a eles mesmos. Eu não posso pensar sobre a ameaça de uma pessoa, tenho que focar em mim, meu treino e minha preparação", completou.

Já ao ser questionado sobre a possibilidade de quebrar o seu recorde mundial dos 100 metros, de 9s58, cravado no Mundial de 2009, em Berlim, ele disse estar convicto de que "é claro que há essa possibilidade", mas sublinhou que para conseguir isso teria de fazer uma "corrida tecnicamente quase perfeita" e que a mesma fosse realizada sob condições climáticas favoráveis.

"Estou focado em manter um condicionamento físico em que esteja capaz de fazer isso. O recorde mundial dos 200 metros seria um que eu realmente amaria quebrar novamente, para saber se ainda é possível abaixar dos 19 segundos. Isso seria realmente especial", admitiu a estrela maior do atletismo, que cravou a marca mundial de 19s19 nos 200 metros, também em Berlim há quatro anos.

O Mundial de Moscou, em agosto, vai marcar o fim da carreira de Yelena Isinbayeva, um dos maiores nomes do atletismo feminino neste século. A russa anunciou nesta terça-feira, à imprensa do seu país, que decidiu se aposentar logo depois de disputar, em casa, o último Mundial da sua vitoriosa história.

"Minha carreira vai terminar 100% no Mundial. Para mim será um momento nostálgico, e eu quero aproveitar essa chance e vou tentar mostrar o melhor que eu posso fazer", disse Ysinbayeva, que já havia deixado no ar a possibilidade de se aposentar ainda este ano, com 31 anos.

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Nesta terça, ela revelou que já conversou com outras saltadoras da equipe russa sobre a decisão. "Elas disseram: 'mas o que aconteceu? Você disse quer iria até (os Jogos do) Rio!'. E eu disse: 'não. Eu serei 10 anos mais velha que qualquer outra, então vocês mesmas têm que fazer isso. Continuem meu trabalho'", contou Isinbayeva.

Poucas atletas no mundo têm tantas medalhas de ouro quanto a russa que colocou o salto com vara num outro patamar, fazendo da modalidade uma das mais importantes dentro do atletismo. Antes dela, o recorde mundial era 4,81m. Atualmente, está em 5,06m. Neste período, ela melhorou a marca nada menos do que 17 vezes. Os 11 melhores saltos da história são dela - também 17 dos 19 melhores.

Isinbayeva conquistou o ouro olímpico em Atenas/2004 e Pequim/2008, terminando apenas com o bronze em Londres/2012. Apesar do amplo domínio na modalidade, ela não conseguiu o título nos dois últimos Mundiais e vai buscar o tri em casa. Em Mundiais Indoor a russa tem quatro conquistas.

Entre as diversas honrarias, Isinbayeva ganhou o título o prêmio Príncipe das Astúrias de 2009 como principal esportista daquele ano. O Laurens, considerado o 'Oscar do Esporte' ela venceu duas vezes: em 2007 e 2009 - também concorreu em 2008 e 2005.

Para encerrar a carreira com chave de ouro e o título mundial, porém, Isinbayeva terá que se superar. O grande nome da modalidade hoje é a cubana Yarisley Silva, que tem 4,90m como melhor salto do ano e já saltou quatro vezes acima de 4,80 em 2013 - a russa não supera essa marca desde 2009. Isinbayeva é a terceira do ranking, com 4,78m, seguida de Fabiana Murer (4,73m).

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