Tópicos | Thiago André

A temporada internacional dos principais nomes do atletismo brasileiro começou neste domingo com mais um índice para os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Thiago André, de apenas 19 anos, tornou-se o 21º brasileiro a se classificar individualmente para a Olimpíada ao ser o quinto colocado do Meeting de Hengelo, na Holanda.

Na prova mais forte do ano até aqui, o atleta da BM&F Bovespa-SP entrou no ritmo dos primeiros colocados e completou em 3min35s90, baixando em dois segundos e meio o seu recorde pessoal. Como correu abaixo do índice de 3min36s20, classificou-se para os Jogos do Rio, em 2016, e para o Mundial de Pequim (China), em agosto deste ano.

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Quarto colocado no Mundial Juvenil do ano passado nos 1.500 metros e também nos 800 metros, Thiago agora vai poder se concentrar em buscar o índice na prova mais curta. Ele tem como recorde pessoal 1min45s99, um centésimo a menos do que o mínimo exigido tanto para o Mundial quanto para os Jogos do Rio.

OUTRAS PROVAS - Classificada para a Olimpíada no salto com vara depois de vencer o Troféu Brasil, Fabiana Murer não começou bem a temporada internacional. Em Hengelo, dividiu o bronze com a suíça Nicole Buchler após saltar apenas 4,55 metros, 10 centímetros a menos do que no domingo passado, em São Bernardo do Campo (SP). A campeã na Holanda foi a grega Nikoleta Kyriakopoulou, com 4,60 metros.

No salto em distância, Duda competiu com a responsabilidade de precisar passar de 8,13 metros para assumir um dos dois primeiros lugares do ranking nacional e se classificar para os Jogos Pan-Americanos de Toronto (Canadá). Com apenas 7,78 metros, entretanto, o bicampeão mundial indoor segue fora do Pan e sem índice para Mundial e Olimpíada. A lista do Pan fechará no próximo domingo e Duda tem previstas mais duas competições até lá.

Em Hengelo, o Brasil ainda fez sétimo lugar com Izabela Rodrigues no lançamento do disco (57,47 metros, enquanto que o índice olímpico é 61,00 metros) e com Eliane Martins no salto em distância, com 6,19 metros, a 51 centímetros de se classificar para a Olimpíada.

Já no Challenger de Dakar (Senegal) competiram outros três brasileiros. Leila Ferrer foi prata no dardo com 59,15 metros, enquanto que Jucilene Lima terminou em quarto, com 57,49 metros. Por enquanto só Jucilene tem o índice mundial (61,00 metros), mas não o olímpico - a distância necessária é a mesma, mas a tomada de marcas começou depois. Ronald Julião foi o quinto no disco, com 61,19 metros, a quase cinco metros do índice.

Em 6 de agosto de 1984, Joaquim Cruz ganhou a única medalha olímpica de ouro do atletismo brasileiro em provas de pista, nos 800 metros dos Jogos de Los Angeles, nos Estados Unidos. Passados 30 anos daquela conquista, o País volta a ter uma promessa no meio-fundo: o carioca Thiago do Rosario André, de 19 anos completados na última segunda-feira (4).

O esguio atleta, de 1,79m e 57 kg, disputou o Mundial Júnior de Eugene, nos Estados Unidos, no fim de julho. Saiu da competição com dois quartos lugares e impressionou pela capacidade de encarar os adversários africanos. Tanto que, segundo membros da delegação brasileira, ganhou a torcida dos norte-americanos, que lotaram o estádio da Universidade do Oregon, e até do locutor oficial da competição. Também foi cumprimentado por atletas e técnicos quenianos.

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Eugene, cidade em que Joaquim Cruz treinava, é um divisor de águas na carreira de Thiago. Até antes do Mundial, tinha os 1.500 metros como prova principal. Mas o resultado nos 800 metros deve colocar a prova mais curta também em sua programação.

Apesar de ele estar no último ano de juvenil, o técnico do corredor, Adauto Domingues, não descarta a possibilidade de vê-lo competir nos Jogos do Rio, em 2016. "O Joaquim foi campeão olímpico com 21 anos", lembrou. "O Thiago tem ambição. Ele sonha, é um cara vencedor, não gosta de perder. E essa é uma grande vantagem".

A ambição ficou latente no Mundial. Thiago estava na terceira posição faltando menos de 100 metros para o fim da prova dos 1.500 metros, mas foi ultrapassado pelo atleta do Djibuti, que acabou com a prata. Perdeu a medalha e chorou copiosamente, no ombro do técnico. "Mas sou teimoso e falei para o professor que iria correr os 800 metros", contou. "Eram três tiros (eliminatória, semifinal e final) e se não fosse para a final queria correr para bater o recorde pessoal".

Thiago, chamado pelo técnico de "moleque brigão e atrevido", conseguiu os dois objetivos na distância mais curta. "Foi um quarto lugar diferente. Nesse eu fiquei feliz, orgulhoso".

Natural de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Thiago começou a correr com 14 anos por influência de um amigo. No ano passado, deixou o Rio e transferiu-se para a equipe BM&F Bovespa-SP. Começou a trabalhar com Adauto, técnico de Marilson Gomes dos Santos, com o objetivo de passar das provas de rua para as de pista.

Os resultados de Thiago na temporada impressionam. Ele bateu o recorde sul-americano dos 1.500 metros duas vezes. Nos 800 metros, melhorou a sua marca pessoal na final do Mundial e repetiu a dose no Ibero-Americano - torneio adulto disputado no fim de semana, em que foi vice-campeão.

O técnico é otimista sobre o futuro, mas diz que tem o desafio de fazer o garoto correr, no adulto, marcas de relevância internacional. "Ele tem deficiências, mas é jovem. Os africanos dominam essas provas, mas tenho de me preocupar com ele, fazer com que o Thiago corra (no adulto) o que os caras estão correndo. Foi assim com o Joaquim: ele foi campeão olímpico porque correu 1min43. Se corresse 1min45, não seria".

O principal compromisso de Thiago no que resta da temporada é o Troféu Brasil, em outubro. Adauto diz que não se surpreenderá se ele for campeão nacional adulto. O trabalho para melhorar as marcas continua, com o objetivo de ver o "atrevido" corredor classificado para o Mundial de 2015, em Pequim, na China.

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