Tópicos | Livroteca Brincante do Pina

Para frear os impactos decorrentes da pandemia na comunidade do Bode, localizada no Pina, Zona Sul do Recife, uma iniciativa popular uniu-se aos comerciantes em defesa da economia local e mantive o tradicional mercado de sururu ativo. Para garantir alimento aos moradores, e clientes aos pescadores e comerciantes em geral, a Livroteca Brincante do Pina distribuiu um vale gratuito.  

Por meio de arrecadação online e editais, a Livroteca Brincante do Pina angariou recursos e comprou mercadorias de produtores locais, sejam costureiras, pescadores ou feirantes. Com o produto pago, os voluntários repassaram o poder de compra aos moradores por meio de vales, de R$ 20 para alimentos e R$ 50 para gás, o que estimulou o comércio da região. “As famílias tinham seu alimento e retiravam com o próprio produtor. Todo mundo saiu ganhando”, pontua o voluntário Bruno Medeiros.

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“A gente foi vendo também que esse sistema do vale era muito mais organizado pra gente e bom para o produtor, que tinha parte da produção comprada e era um dinheiro que ficava com ele”, complementou o voluntário, que estima que mais de 100 famílias sobrevivem da pesca de marisco e sururu no Pina.

Para proteger a tradição dos pescadores, a iniciativa adquiriu os moluscos por um preço acima do mercado. Mesmo com o preço do quilo de sururu em torno de R$ 13, a Livroteca Brincante preferiu pagar R$ 15 para tranquilizar os profissionais.

Preocupados com a saúde dos moradores, os voluntários iniciaram a campanha emergencial popular no início da pandemia e distribuíram 600 cestas básicas, além de mais de 1000 kits de limpeza. Uma bicicleta de som também percorre a comunidade emitindo informações sobre como se prevenir da Covid-19. 

A Livroteca Brincante pretende entregar mais vales nas próximas semanas e usa as redes sociais como contato para arrecadar alimentos não perecíveis, materiais de higiene pessoal e limpeza, e equipamentos de proteção individual. Aos que pretendem apoiar o projeto com dinheiro, a organização disponibiliza doações através do site www.livrotecabrincantedopina.siteo.one e da conta:

José Ricardo Gomes Ferraz

CPF.: 763.608.814-20

Caixa Economica Federal

Agência: 2193

Conta POUPANÇA: 9339-2

Operação: 013

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Encravadas nas periferias das grandes cidades, as bibliotecas populares resistem ao avanço da tecnologia e atuam onde as políticas educacionais e sociais não atendem às necessidades da população. Para além do incentivo a leitura e as artes, esses espaços funcionam, muitas vezes, como mediadores de conflitos familiares e, aos poucos, transformam a realidade de crianças, jovens e adultos.

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As bibliotecas comunitárias têm como combustível o voluntariado e muitas se mantêm por meio de doações ou parcerias com órgãos públicos ou empresas privadas. Cada espaço reúne histórias de resistência e dedicação.

O LeiaJá foi conhecer alguns espaços que fomentam a leitura, dando um novo olhar às comunidades que os cercam. Conheça algumas bibliotecas comunitárias que atendem a população mais carente com cultura e educação, todas na Região Metropolitana do Recife:

Biblioteca Comunitária Caranguejo Tabaiares

Localizado na Comunidade Caranguejo Tabaiares, na casa de número 92, no bairro da Ilha do Retiro, Zona Oeste do Recife, o espaço surgiu da iniciativa de Cleonice da Silva e Reginaldo Pereira, líderes comunitários, e um grupo de moradores formado, em sua maioria, por jovens da localidade, no ano de 2015.

Com um vasto acervo, a biblioteca promove ações de incentivo à leitura, as artes cênicas e promove ensino de idiomas. Além disso, o projeto viabiliza o protagonismo juvenil na gestão de um espaço coletivo.

Para manter as atividades, oferecidas gratuitamente aos moradores da comunidade, a biblioteca iniciou, em 2016, um financiamento coletivo pela internet. Ao todo, o projeto pretende arrecadar, até dezembro de 2019, R$ 15 mil.

Biblioteca Multicultural Nascedouro

Ponto de resistência, a Biblioteca Multicultural Nascedouro (BMN), em Olinda,
funciona como espaço cultural e pedagógico desde 2000. A iniciativa é de responsabilidade do Movimento Cultural Boca do Lixo e tem como objetivo viabilizar a interação dos moradores das comunidades vizinhas ao espaço com os livros.

Com sede no Nascedouro de Peixinhos, antigo matadouro, é espaço para articulação de movimentos culturais e sociais no bairro de Peixinhos. Entre as atividade realizadas no local estão ‘Bibliobôca Mambembe’, evento itinerante de mediação e leitura e atividades culturais em diversos espaços públicos do bairro e outras localidades, ‘Quintas D’Leitura’, com roda de leitura com crianças, e o ‘Ouvir, ler e contar histórias’, que é executado em parceria com a Escola Municipal Recanto da Arte e do Saber e visa o resgate da contação de histórias da tradição oral.

A Biblioteca Multicultural Nascedouro funciona de segunda a sexta, das 8h30 às 17h, e está localizada na Avenida Jardim Brasília, s/n, em Peixinhos.

Livroteca Brincante do Pina

Após encontrar uma sacola de livros às margens da Bacia do Pina, Zona Sul do Recife, Kcal Gomes, conhecido também como ‘traficante de livros’, iniciou o projeto da Livroteca na Comunidade do Bode. Inicialmente, o espaço funcionava em uma palafita que, com o peso dos livros, chegou a desmoronar duas vezes. No entanto, as dificuldades iniciais não diminuíram a vontade de Kcal em passar adiante a paixão pela leitura e pelas artes.

O responsável pelo projeto relata que após alguns anos pagando aluguel, um prédio abandonado, há dez anos, chamou sua atenção e a ‘Brincante do Pina’ ganhou uma nova sede. “Este espaço ficou abandonado por dez anos. Era ponto de consumo de drogas, o lixão da comunidade e resolvemos ocupá-lo com a Livroteca. Através do coletivo, iniciamos a limpeza e revitalização do local, em 2013. É aqui que realizamos as nossas ações de leitura, arte circense, cinema, música e esportes. Aos poucos, transformamos o espaço”, contou em entrevista ao LeiaJá.

Kcal comenta que a relação com os moradores do Bode, inicialmente, foi marcada por desconfiança, devido à ‘fama’ do local. “No começo, muitos pais não queria deixar os filhos frequentarem a biblioteca. Muitos tinham receio, por conhecer a história do local. A relação entre o espaço e os moradores foi se estreitando com o tempo”, relembra.

Atualmente, além de Kcal, a manutenção da biblioteca e realização das atividades para jovens e crianças, que são maioria na ‘Brincante do Pina’, são promovidas por voluntários de diversas partes do  mundo.

Biblioteca Popular do Coque

Com dez anos de existência e nova sede, a Biblioteca Popular do Coque, no bairro da Ilha de Joana Bezerra, área central do Recife, funciona de segunda a sexta e possui um acervo de mais de dois mil livros de literatura infantil, juvenil e adulta. O local é mantido, desde 2007, pela resistência e dedicação de Rafael Andrade e Maria Betânea.

No início, mãe e filho não tinham a dimensão do quanto a biblioteca iria crescer, conquistar os moradores do Coque e as dificuldades que enfrentariam para manter a iniciativa. “No início foi muito difícil, porque a comunidade não tinha esse hábito da leitura, nunca teve uma biblioteca aqui. Antes, as crianças que frequentavam o espaço não tinham tanto cuidado com o livro, com o espaço. Aos poucos, a gente foi mostrando isso para a comunidade, a partir do momento que começamos a chamá-la para ocupar esse espaço”, relembra Rafael.

Em 2017,  a Biblioteca Popular do Coque enfrentou dificuldades financeiras para prosseguir com o projeto. Para angariar fundos, Rafael e Betânea lançaram uma ‘vaquinha’ online. Durante oito meses, mãe e filho tentaram arrecadar R$ 50 mil para não precisar entregar a casa onde funcionava a biblioteca. Ao final do financiamento coletivo, eles só conseguiram o equivalente a R$ 750. Assim, não tiveram outra alternativa, a não ser devolver a casa para a proprietária.

“Passamos um bom tempo tentando achar uma casa próxima da sede antiga, porque era uma cobrança dos moradores da área. Teve um momento, que cogitamos em deixar a comunidade. Um dia, eu estava deixando o local e uma mãe me abordou para dizer que havia uma espaço para alugar e aqui estamos”, relata.

Consolidada no bairro e assumindo a função de incentivadora educacional, a biblioteca ainda necessita de ajuda. Mais do que doações de livros, os responsáveis pedem a presença de pessoas para contação de histórias, oficinas, minicursos e na organização do espaço. Os interessados em promover alguma ação na Biblioteca Popular do Coque podem se dirigir à sede que está localizada na Rua Centenário do Sul, 58, Ilha de Joana Bezerra.

Biblioteca Comunitária Josué de Castro

Incentivando o hábito da leitura desde 2015, o Coletivo Beco Cultural iniciou suas ações na cidade de Olinda a partir do projeto ‘Geladoteca’, que consiste em transformar geladeira em bibliotecas distribuídas por bairros do município Patrimônio Cultural da Humanidade. Porém, a ausência de parcerias inviabilizou a continuidade do projeto. “Muitas pessoas viam a ‘geladoteca’ como um depósito de livros. Além disso, com o tempo, o custo de manutenção pesaram e, diante da falta de parcerias,  decidimos dar uma pausa no projeto”, explica Igor Belchior, um dos idealizadores da iniciativa.

Para dar continuidade a disseminação da educação e cultura, o Coletivo, atualmente, ocupa, desde 2017, o Centro Social Urbano (CSU), localizado no bairro de Ouro Preto. No local, nasceu a Biblioteca Comunitária Josué de Castro, inaugurada com um sarau literário que, aos poucos, estreita a relação com os moradores da localidade. “Como qualquer novidade, esse espaço está construindo uma relação com os moradores do bairro. Para isso, a gente faz o chamamento diretamente com os nossos vizinhos e mostramos quais atividades executamos aqui”, explica Igor.

Diante do tamanho do CSU, os integrantes do ‘Beco Cultural’ começaram a oferecer atividades esportivas, como o judô, realização de festas, que são responsáveis por captar recursos para o sustento do projeto, e cineclube. Questionado sobre o diálogo com o poder público, o presidente do Coletivo expõe que ainda é pouco, mas, em breve, alguns representantes da iniciativa vão se reunir com a Prefeitura de Olinda. 

Em entrevista ao LeiaJá, os responsáveis pelas Bibliotecas Popular do Coque e Josué de Castro falaram sobre as ações, dificuldades e histórias desses espaços. Confira: 

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