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Nesta sexta-feira (29), o prefeito do Recife anunciou que em junho será possível flexibilizar alguns serviços econômicos no município. A medida mostra sintonia com o Governo de Pernambuco, que já havia informado que iniciaria a retomada, mas ainda sem data definida.

"No decorrer de junho, será possível a flexibilização de alguns setores da economia em nossa cidade", comunicou Geraldo Julio (PSB) em coletiva remota. "Todas as atividades foram avaliadas de acordo com a quantidade de empregos e a geração de renda. Também levamos em conta cada região da cidade", garantiu.

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Além da questão econômica, o prefeito disse que a liberação obedece ao risco de contágio entre regiões da cidade e, sobretudo, a saúde dos recifenses. Os critérios para a reabertura progressiva serão apontados pelo estudo encomendado ao Porto Digital.

Em coletiva online realizada na tarde desta quinta-feira (28), o secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Bruno Schwambach, anunciou que o Estado deve retomar gradativamente as suas atividades econômicas em um período de 11 semanas.

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Segundo o secretário, um grupo de técnicos, com apoio da consultoria externa, avaliou cada atividade econômica do Estado, considerando o risco sanitário para a saúde, assim como a sua relevância e essencialidade na economia de Pernambuco e na geração de empregos.

"Dentro do nosso plano, estabelecemos um cronograma que prevê a retomada gradativa e planejada das atividades econômicas e está atrelada aos dados de evolução da pandemia de Covid-19 em Pernambuco", explica.

Além disso, Schwambach aponta que foi apresentado aos setores produtivos um plano de horários diferenciados de trabalho para cada um deles, na tentativa de reduzir a quantidade de trabalhadores nos horários de pico no transporte público da Região Metropolitana do Recife.

“Sem vacina ou medicamento comprovadamente eficaz contra o coronavírus, todos teremos que conviver com a doença. Nosso plano pesa quais atividades têm menos impacto nas curvas de contaminação e a relevância econômica de cada setor para definir o cronograma de liberação”, detalhou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Bruno Schwambach.

Cada atividade econômica deve ter um protocolo de funcionamento específico com três eixos: o primeiro é com a regra do distanciamento social, segundo é sobre a higiene e o terceiro é a comunicação e monitoramento. 

 

A Caixa Econômica Federal anunciou que os beneficiários do auxílio emergencial já podem utilizar os recursos em pagamentos de compras em maquininhas de cartão a partir desta quinta-feira, 28. Participam do projeto, conforme o presidente do banco, Pedro Guimarães, todos as adquirentes que conseguiram preparar sua operação e ainda a bandeira de cartões Elo.

A Coluna do Broadcast antecipou com exclusividade, no dia 19 de abril, que a Caixa trabalhava no projeto em conjunto com Cielo, de Bradesco e Banco do Brasil, Rede, do Itaú Unibanco, e Getnet, do Santander Brasil.

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"Abrimos a possibilidade de pagamentos em supermercados, lanchonetes, redes de farmácias, em qualquer lugar via o celular", explicou Guimarães, em coletiva de imprensa, no período da tarde desta quinta-feira.

Mais de três milhões de estabelecimentos físicos já estão aptos a receberem pagamentos nas maquininhas com recursos do auxílio emergencial de R$ 600,00.

As transações serão feitas por meio da tecnologia QR Code, os quadradinhos que se popularizaram durante a pandemia, e o cartão de débito virtual de cada usuário.

Para que os recursos do auxílio emergencial possam ser utilizados em compras nas maquininhas de cartão, as contas poupanças, abertas pela Caixa para pagamento do benefício, foram transformadas em carteiras digitais.

Não será preciso colocar senha para efetuar as transações. O pagamento será feito por meio da leitura do QR Code com o celular e os beneficiários poderão acompanhar os gastos em seu extrato no aplicativo Caixa Tem. Os recursos serão debitados das contas por meio do cartão de débito.

O presidente da Caixa disse que a novidade, a qual chamou de 'revolução', ajudará a reduzir a ida dos beneficiários às agências do banco. "Será muito melhor para todos os brasileiros e vai permitir redução das idas nas agências porque os beneficiários poderão gastar sem precisar tirar dinheiro", avaliou.

De acordo com Guimarães, a primeira parcela do auxílio emergencial já foi paga a 57,9 mi de pessoas, em um total de R$ 40,8 bilhões. Quando acrescida ainda a segunda parcela, esse valor chega a R$ 74,6 bilhões.

Para o Nobel de Economia, o americano Robert Shiller, o mundo deveria se preparar para uma próxima pandemia. Ele explica que a intensidade da reação à crise da Covid-19, com o isolamento total e outras políticas de enfrentamento ao novo coronavírus, é uma situação real que afeta a economia mundial. Ao mesmo tempo, medo e ansiedade também está sendo uma realidade dessas pessoas.

Para o Nobel, esse estado mental ansioso é uma epidemia em si mesma. "Não é uma resposta racional às notícias, é por isso que digo que existem duas pandemias. Infelizmente, é um problema difícil, porque o governo não pode controlar a ansiedade do público. Isso é uma coisa de psicoterapia. Acho que todos nós poderíamos visitar o terapeuta - não sei se isso seria suficientes", relatou Robert ao site BBC News.

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O estudioso aponta na entrevista, que a não associação do que está acontecendo no mundo devido a pandemia do Covid-19 com a Grande Depressão, que foi uma crise econômica que persistiu ao longo de uma década (1929-1930), é aceito - mas não completamente.

Segundo Robert, as pessoas pensam que não há um paralelo porque a Grande Depressão foi causada por erro humano, e não por um evento externo. "Aceito essa ideia, mas não completamente, porque acho que o medo que temos neste evento (a pandemia) pode durar mais tempo, bem como seu impacto em nosso pensamento psicológico. Não é errado olhar para a Grande Depressão como um indicador", reforçou.

O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, afirmou nesta terça-feira, 26, que, até o momento, o banco já efetuou o pagamento do auxílio emergencial a 56,6 milhões de brasileiros. Todos receberam o pagamento da primeira parcela do benefício, no valor total de R$ 39,9 bilhões, enquanto 44,2 milhões de brasileiros também já receberam a segunda parcela, em um total de R$ 30,9 bilhões.

O auxílio emergencial, de R$ 600, está disponível para brasileiros de baixa renda.

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O programa é uma das iniciativas do governo federal para manter a renda de famílias durante a pandemia do novo coronavírus.

Os dados atualizados vêm de apresentação realizada por Guimarães no período da tarde desta terça por meio virtual.

Nesta sexta-feira (22), às 17h, o "Chega na Live" da Universidade Guarulhos (UNG) abordará o tema "Investimentos em Tempos de Pandemia". Será no Instagram da instituição.

O encontro terá a presença do economista e professor do curso de Administração da UNG Odair Salles e do consultor em finanças pessoais e professor da Universidade Mogi das Cruzes (UMC) Walmir Bello. "Vamos abordar a importância da reserva de emergência e o quanto ela se mostra necessária no momento atual para algumas das famílias", explica Salles.

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Os professores debaterão os impactos que a Covid-19 causou na economia, onde para muitos o investimento só será possível por meio de cortes de gastos e da preservação dos empregos. "Vamos forçar as ideias de reinventar-se na crise, tentar identificar oportunidades e sempre ter uma visão otimista, mesmo com as adversidades. Haverá um novo normal, que não será nunca mais como o de antes", diz Salles.

Sob efeito da pandemia do novo coronavírus, a arrecadação de impostos e contribuições federais teve forte queda em abril, quando somou R$ 101,154 bilhões, um recuo real (já descontada a inflação) de 28,95% na comparação com igual mês de 2019. Em relação a março deste ano, houve queda de 7,52%. O valor arrecadado foi o pior desempenho para meses de abril da série disponibilizada pela Receita Federal, que teve início em 2007.

O resultado veio acima da mediana das expectativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, do sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. calculada em R$ 99,350 bilhões, e dentro do intervalo das previsões, de R$ 84,100 bilhões a R$ 129,900 bilhões.

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No ano, a arrecadação federal somou R$ 502,293 bilhões, o pior desempenho para o período desde 2017. O montante ainda representa recuo de 7,45% na comparação com igual período do ano passado.

Um debate constantemente em voga durante o período de quarentena é a questão da economia. Empregos ameaçados, ou mesmo perdidos, empresas paradas, incertezas de futuro. Nesse cenário, torna-se de suma importância – mais do que em outras épocas – o planejamento financeiro. Isso vale para pessoas, famílias, empreendedores, empresas e até governos. Já que não sabemos até quando a crise vai durar e quais serão seus efeitos reais, estar preparado se faz ainda mais importante.

Antes de tudo, é preciso dizer que a quarentena pode ser uma boa oportunidade, se pensarmos na ótica do planejamento financeiro. Muitas vezes, pela correria da vida, não paramos para organizar gastos e receitas, equilibrar as contas. Com a desaceleração das atividades comerciais, depois das medidas impostas por administrações municipais e estaduais, necessárias para diminuir a velocidade de disseminação do novo coronavírus, muitas pessoas se viram com a renda sensivelmente comprometida, quase que da noite para o dia. Analisando essa realidade, comprovamos a relevância do planejamento financeiro, algo não usual para o brasileiro. Agora, no entanto, todos se veem forçados a fazer esse planejamento, a fim de equalizar as contas de casa e das empresas. E é preciso fazer isso com muito cuidado e atenção.

Segundo especialistas, para fazer um bom planejamento de gastos, dentro da realidade de quarentena, é preciso, antes de tudo, ter informação. Para as contas domésticas, deve-se levantar todos os gastos mensais da residência – alimentação, aluguel, contas, dívidas, enfim, os gastos obrigatórios e mesmo os supérfluos. Então, é hora de avaliar o que pode ser cortado – mesmo que temporariamente. Por exemplo, compras excessivas, etc. Essa lista vai das necessidades e possibilidades de cada um.

Uma dica bem interessante que serve para qualquer momento é a chamada “regra 50-30-20”: deve-se reservar 50% do orçamento para gastos essenciais; 30% para os gastos variáveis, supérfluos e do estilo de vida; e 20% para pagar dívidas e investir. Assim, é possível equalizar melhor as finanças pessoais.

Já para empreendimentos, é preciso fazer um rol de fornecedores, contratos, dívidas e pagamentos com estrutura e pessoal. Tudo isso, na ponta do lápis, mostra um panorama da real situação da empresa. A partir daí, vem a etapa de cortes e renegociações. A diminuição de jornada de trabalho e salário foi uma opção oferecida pelo Governo Federal, que se encarrega de completar o salário do colaborador proporcionalmente ao que ele teria direito a receber como seguro-desemprego. Renegociar contratos e dívidas com fornecedores e credores também é indicado, para conseguir um fôlego a mais.

O mais importante para empreendedores: é necessário pensar nos mais diversos cenários de futuro, desde uma retomada rápida da atividade econômica até uma demora maior e estar preparado para todos eles, traçando estratégias de atuação para cada caso.

Estamos vivendo uma realidade completamente nova e ainda muito incerta. Enquanto não se tem perspectivas reais e sólidas do que os próximos meses nos reservam, precaução e antecipação são as melhores armas para sofrer menos os impactos da crise econômica. No mais, é manter a fé de que um futuro melhor virá e, tão logo isso tudo passar, voltaremos a prosperar.

O presidente Jair Bolsonaro sancionou com vetos na segunda-feira (18) a lei que concede uma linha de crédito para pequenas e microempresas enfrentarem os efeitos da pandemia de coronavírus. O Palácio do Planalto barrou quatro dispositivos do projeto original (PL 1.282/2020), aprovado em abril pelo Congresso. Um dos vetos acaba com a carência de oito meses para que os empresários comecem a pagar o empréstimo.

O Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) prevê uma linha de crédito até o limite de 30% da receita bruta obtida em 2019. São R$ 15,9 bilhões, que devem ser usados para “o desenvolvimento e o fortalecimento dos pequenos negócios”. A lei sancionada é oriunda de um projeto do senador Jorginho Mello (PL-SC), relatado pela senadora Kátia Abreu (PP-TO).

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A lei assegura taxa de juros anual máxima igual à Selic mais 1,25% sobre o valor concedido, com prazo de 36 meses. Mas acaba com a carência de oito meses, período em que as parcelas seriam reajustadas apenas pela taxa Selic. Segundo o Palácio do Planalto, a carência “contraria interesse público e gera risco à própria política pública, ante a incapacidade dos bancos públicos de executarem o programa com as condições apresentadas pelo projeto”.

O presidente Jair Bolsonaro vetou ainda um capítulo inteiro que previa a prorrogação do parcelamento de dívidas com a Secretaria da Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. O projeto aprovado pelo Congresso estendia os prazos para pagamento das parcelas por 180 dias e estabelecia um regime especial para a liquidação dos débitos.

O contribuinte poderia optar por quitar o valor em parcela única, corrigida apenas pela Selic, ou em até 24 prestações corrigidas pela Selic mais 1% ao ano. Para o Palácio do Planalto, alterar prazos e alíquotas para o pagamento das parcelas “acaba por acarretar renúncia de receita, sem o cancelamento de outra despesa obrigatória e sem que esteja acompanhada de estimativa do seu impacto orçamentário e financeiro”.

Lei 13.999 foi publicada na edição desta terça-feira (19) do Diário Oficial da União.

Outros vetos

Jair Bolsonaro também vetou a previsão de que informações sobre as empresas optantes pelo Simples Nacional fossem encaminhadas da Receita Federal para o Banco Central. De acordo com o presidente, a proposta “gera insegurança jurídica por indeterminação de quais seriam essas informações objeto de compartilhamento, podendo gerar equívocos operacionais no curso da execução do programa”.

Um último dispositivo vetado proibia os bancos de negarem a contratação dos empréstimos com base em anotações em serviços de restrição de crédito. Para o Palácio do Planalto, a medida contraria “os princípios da seletividade, da liquidez e da diversificação de riscos, ao possibilitar que empresas que se encontrem em situação irregular perante os órgãos do Estado, bem como de insolvência iminente, tomem empréstimo, em potencial prejuízo aos cofres públicos”.

Ainda de acordo com as razões do veto, o dispositivo poderia abrir uma brecha para que os bancos direcionassem parte do dinheiro do Pronampe para a liquidação de prejuízo em suas próprias carteiras. Isso porque, segundo o Palácio do Planalto, eles não estariam obrigados a “observar as restrições de crédito dos clientes em seus próprios cadastros”.

Da Agência Senado

Nas últimas semanas, no rastro das demissões dos ex-ministros Sérgio Moro, da Justiça e Segurança Pública, e de Luiz Henrique Mandetta, da Saúde, ganharam intensidade no mercado os rumores sobre uma possível guinada na política econômica e a saída do ministro da Economia, Paulo Guedes, do governo, destaca o Estadão.

Apesar de o presidente Jair Bolsonaro ter reafirmado mais de uma vez que Guedes continua a ser o seu "Posto Ipiranga", as seguidas "bolas nas costas" que ele vem levando do chefe acabam por alimentar a percepção de que seus dias no governo podem estar contados. O desembarque do sucessor de Mandetta, Nelson Teich, anunciado na sexta-feira, 15, certamente não contribuirá para reduzir as incertezas sobre sua permanência no cargo.

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Na semana passada, Bolsonaro voltou a colocar Guedes numa saia justa, ao sugerir um recuo no compromisso de vetar a possibilidade de concessão de reajuste para certas categorias do funcionalismo em 2020 e 2021, embutida no pacote de auxílio a Estados e municípios aprovado pelo Congresso no início de maio.

Contrário à concessão do benefício, no momento em que o setor privado faz enormes sacrifícios para sobreviver à pandemia, Guedes pediu o veto após o próprio presidente ter liberado a base aliada para votar a favor das exclusões ao congelamento salarial dos servidores, como revelou o Major Vítor Hugo (PSL-GO), líder do governo na Câmara.

'Fritura'

Antes, Bolsonaro já havia criado um problemão para Guedes ao dar seu aval ao chamado Plano Pró-Brasil, também articulado à sua revelia. O plano, destinado a alavancar a economia após a pandemia, previa inicialmente o uso de recursos públicos que seriam viabilizados com a flexibilização do teto dos gastos - dispositivo que limita as despesas do governo ao valor do ano anterior corrigido pela inflação.

Mas, apesar dos sinais de que passa por um processo de "fritura", Guedes não parece convencido, segundo apurou o Estadão, de que chegou a hora de deixar o governo. Ao contrário de Moro, Mandetta e Teich, ele não faz de suas divergências com o presidente uma questão de vida ou morte.

Embora admita a amigos e auxiliares que ficará numa "situação difícil", caso Bolsonaro não vete os "furos" no congelamento salarial dos servidores, é grande a probabilidade de Guedes "engolir" mais este revés, se ele realmente se confirmar - o prazo para o presidente resolver a questão vence no dia 27.

Como já afirmou várias vezes, Guedes até admite deixar o governo se sentir que não consegue ajudar o presidente e as pessoas que confiam nele. De acordo com as fontes ouvidas pelo Estadão, porém, ele não vê a sua saída como "algo próximo". Na verdade, pelo que anda dizendo, sequer reconhece a "fragilidade" que lhe é atribuída por alguns analistas e continua a exaltar a confiança que acredita merecer de Bolsonaro.

Apesar das evidências em contrário, Guedes não atribui ao presidente as "facadas" que levou nos últimos tempos. Em sua visão, segundo relatos de interlocutores próximos, ele se tornou alvo do chamado "fogo amigo", disparado de trincheiras erguidas na Esplanada dos Ministérios e no Congresso.

A integrantes da equipe econômica que se abatem diante das adversidades, Guedes costuma afirmar que já ouviu vários "nãos" de Bolsonaro, mas não desistiu de ir atrás de seus objetivos, inclusive em relação ao próprio congelamento de salários do funcionalismo em casos de crise fiscal. "Quem me conhece sabe que sou duro na queda", diz a seus assistentes quando leva um tombo.

O dispositivo já estava previsto tanto na reforma administrativa preparada pela equipe econômica, que o presidente defenestrou no final do ano passado, como no chamado Pacto Federativo, que está em análise no Senado e ficou em stand by com a pandemia.

Legado liberal

Nem a aliança de Bolsonaro com o Centrão, para reforçar sua base no Congresso, nem os riscos que ela pode representar para a sua agenda reformista parecem levar Guedes a questionar sua permanência no governo. Ele parece determinado a deixar um legado, ao implementar o seu projeto liberal, com o controle de gastos do governo, a realização das reformas estruturantes, a privatização e a abertura econômica. Acredita que, com isso, lançará as bases que permitirão o crescimento sustentável do País.

Enquanto muito dos que apoiaram Bolsonaro nas urnas e antigos colaboradores se afastaram do presidente, Guedes se mantém leal a ele. Reage com indignação quando alguém fala sobre um possível processo de impeachment contra Bolsonaro no Congresso. Até no caso da manifestação em que se pedia uma intervenção militar e a volta do AI-5, realizada em 19 de abril, em Brasília, com a participação de Bolsonaro, Guedes fica ao lado do chefe, dizendo que ele nada falou contra a democracia no ato.

Mesmo com tudo isso, nada garante que amanhã ou depois de amanhã Guedes não possa mudar de ideia e romper o casamento com Bolsonaro ou que o próprio presidente peça o divórcio. É sempre uma possibilidade, para qualquer um que esteja ocupando um cargo de confiança, especialmente no primeiro escalão, como mostra o caso do ex-ministro Nelson Teich.

Retomada

Diante da pandemia do novo coronavírus, do número crescente de mortes e da discussão sobre a adoção de "lockdown" (bloqueio total) em grandes cidades do País, o Ministério da Economia diz que ainda não é o momento de discutir a retomada. Mas, nos bastidores, a equipe econômica já está traçando os cenários e fazendo estimativas preliminares para o "day after".

Segundo o Estadão apurou, os técnicos do ministério estão indo atrás dos protocolos de saída de "lockdown" em diversos países, para conhecer melhor as diferentes estratégias de retomada adotadas pelo mundo, avaliar as melhores práticas e selecionar aquelas que podem ser replicadas no Brasil.

A equipe econômica continua a apostar numa retomada em "V", com uma queda de no máximo 4% do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano e uma recuperação forte em 2021, com alta de cerca de 5% do PIB. De acordo com as previsões do ministério, a retomada em "V" é a que parece ter hoje a maior chance de acontecer, com 50% de probabilidade. Neste cenário mais favorável, dentro do que se pode considerar como tal no contexto atual, a crise na saúde começaria a diminuir dentro de três meses e a economia voltaria a crescer de forma acelerada.

Previsões sombrias

Nas projeções oficiais, há, também, uma grande chance de acontecer uma retomada em "U", com 40% de probabilidade, caso a pandemia se agrave. Isso ampliaria um pouco a recessão e retardaria o reaquecimento da economia. Para o ministério, a retomada em "L", que seria o cenário mais grave, com a pasmaceira da economia se prolongando ainda mais e a retomada ocorrendo lentamente, é a que tem menor chance de ocorrer, com apenas 10% de probabilidade.

Caso as previsões mais sombrias se confirmem e a taxa básica de juro caia para zero, para impulsionar a atividade econômica, o governo poderá recomprar títulos da dívida pública e emitir moeda, como já afirmou o ministro Paulo Guedes, seguindo estratégia adotada pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano. A lógica por trás deste movimento é a de que, com os títulos públicos rendendo zero, não faria sentido mantê-los no mercado, porque os indivíduos e as empresas vão preferir dinheiro vivo.

Acusado de "insensível" às demandas dos mais pobres e de "radical" por seus opositores, por insistir no equilíbrio fiscal e na contenção dos gastos públicos, Guedes tem dito que implementou "o maior programa social do mundo em três meses".

Interrompeu a agenda de reformas estruturantes, de caráter permanente, inspirada nos ensinamentos da Universidade de Chicago, templo global do liberalismo, e adotou um programa de perfil keynesiano, com medidas emergenciais e temporárias destinadas a amparar a população mais carente e as empresas na pandemia.

Segundo o Ministério da Economia, o governo já liberou o equivalente a 4,6% do PIB para combater os efeitos da crise, enquanto os países avançados liberaram, em média, 4,5% do PIB e os emergentes, 2,3%. Ao mesmo tempo, o País registrou uma alta no desemprego formal de cerca de um milhão de trabalhadores, enquanto nos Estados Unidos o desemprego alcançou 26 milhões de pessoas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Responsáveis por terem puxado os ganhos das locadoras nos últimos anos, cerca de 160 mil motoristas de aplicativos devolveram os carros alugados por causa do baixo movimento após a crise do coronavírus. Sem ter espaço, empresas estão alugando áreas de estacionamento. Para frear devoluções, o preço da locação foi reduzido à metade. E para quem insiste na entrega do carro são oferecidas tarifas de R$ 10 por semana para mantê-lo, ainda que parado.

"É como se a empresa alugasse minha garagem e eu ainda tenho de pagar", diz Daniel Marcílio, de 42 anos. Motorista do Uber desde outubro, ele aluga um modelo Fiat Argo da Localiza e pagava R$ 494 por semana, preço que caiu para R$ 247.

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Ainda assim Marcílio quis devolver o carro, pois estava fazendo em média cinco corridas por semana. Antes da crise eram dez por dia. "Me ofereceram ficar com o carro por R$ 10 e decidi esperar mais um pouco. Mas, se a situação não melhorar, vou devolver na próxima semana."

Paulo Miguel Junior, presidente do conselho da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla), confirma que os pátios estão lotados e muitas empresas tiveram de alugar pavilhões e fazer acordos com estacionamentos e supermercados que estão com áreas ociosas para guardar parte das frotas. O setor abriga cerca de 10 mil empresas, com 75 mil funcionários.

"Temos frota de 997 mil veículos que normalmente estão em circulação, e ninguém estava estruturado para essa situação inusitada", diz Miguel. Segundo ele, só para uso de aplicativos havia 200 mil carros alugados, e 80% foram devolvidos. A locação diária, para consumidores comuns, caiu 90%. Para frotas terceirizadas, a queda foi de 20%.

Segundo o executivo, cada empresa passou a adotar estratégias de acordo com seu fluxo de caixa, mas, mesmo com promoções como a de tarifas de R$ 15 a R$ 50 para locação diária o movimento segue fraco.

A Localiza informa apenas que "conta com estrutura logística robusta para alocar sua frota" e que "em sua rotina de atividades já utiliza espaços de terceiros para abrigar temporariamente parte de seus carros em função da sazonalidade de demandas". Em relação às tarifas, afirma que a média diária por carro caiu de R$ 69,22 no primeiro trimestre para R$ 47 em abril.

Freio

A pandemia de coronavírus também vai frear o crescimento das locadoras. O setor saltou de faturamento de R$ 13,8 bilhões em 2016 para R$ 21,8 bilhões no ano passado. Neste ano, o resultado deve, no máximo, repetir o de 2019. A previsão inicial era crescer até 10%, diz o presidente da Abla.

Maior locadora do País, com frota de 323,3 mil carros, a Localiza divulgou sexta-feira que obteve lucro de R$ 230,9 milhões no primeiro trimestre, 9,5% superior ao de igual período de 2019. Mas admite que abril já foi fortemente impactado pelos efeitos da pandemia. A frota média alugada no mês passado teve redução de 33% em relação à media do primeiro trimestre, caindo para 105,2 mil veículos. O número de carros seminovos vendidos baixou de 38,3 mil ao mês no primeiro trimestre para 2,46 mil em abril. No período, várias das 652 lojas do grupo ficaram fechadas.

"Em razão da queda nos volumes do aluguel e da venda de seminovos, a companhia vem adotando medidas de redução de custos, despesas e investimentos" informa a Localiza. Também efetuou suspensões de contratos de trabalho e redução de jornada e salários de funcionários, além de ajuste de quadro. O grupo informa, contudo, que mantém caixa de R$ 2 bilhões.

A Movida, que também divulgou balanço na semana passada, registrou seu primeiro prejuízo trimestral desde a abertura do capital, em fevereiro de 2017. O grupo teve perda de R$ 114,4 milhões, ante lucro de R$ 42 milhões em igual intervalo de 2019.

Segundo o diretor financeiro da Movida, Edmar Lopes, o prejuízo é resultado da previsão de depreciação do valor da frota de 119 mil veículos, em razão da crise e da demora na retomada do mercado. "Antes desse efeito, nosso resultado era de R$ 55 milhões de lucro", ressalta. A empresa tem R$ 1,1 bilhão de caixa.

Segundo Lopes, o número de carros devolvidos não é tão significativo, pois a empresa, logo no início da pandemia, reduziu preços e criou novas tarifas de acordo com a quilometragem rodada. Também lançou tarifas reduzidas para a locação diária e vendas de seminovos pela internet, com entrega na casa do cliente. Ele acredita que, no pós-pandemia, haverá demanda maior de serviços por aplicativos e de locação individual, pois a tendência é de que, por algum período, muitas pessoas vão evitar o transporte público. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Nesta sexta-feira (15), o cientista político Adriano Oliveira comenta em seu podcast sobre o que há por trás das opiniões e raciocínios de políticos, veículos de imprensa e autoridades sanitárias no que diz respeito à necessidade de continuar mantendo a população em quarentena para combater o Covid-19. Oliveira trata em sua fala do esforço em transformar pensamentos subjetivos em algo objetivo, considerando o isolamento social como uma vacina contra o coronavírus. Adriano apresenta sua visão sobre o tema e mostra que há, segundo ele, equívocos na formulação dessas premissas. O comentarista demonstra que o ponto fundamental é a de que o afastamento das pessoas é relevante para que haja uma diminuição do número de pessoas infectadas durante um espaço de tempo, o que salva vidas e reduz a procura pelos serviços de saúde. Porém, o outro lado da moeda é justamente a diminuição da produção e geração de renda, o que afeta de forma contundente a área econômica do país.        

Oliveira detalha o problema que está posto no Brasil, e em diversos países, e que precisa de solução urgente: salvar vidas X salvar a economia, e segundo o cientista político a variável Tempo precisa ser levada em consideração nesta equação. Adriano fala que com o endurecimento do isolamento, com medidas restritivas mais pesadas, a tendência é que haja uma inevitável quebra da economia. Ele questiona até que ponto o discurso de salvar vidas irá suportar a pressão dos problemas sociais e econômicos ligados ao isolamento mais rígido e prolongado. 

Adriano Oliveira conclui que é papel do analista decifrar os cenários e hipóteses que podem ocorrer no Brasil em um futuro próximo. Segundo ele aponta, a defesa da quarentena estendida pode começar a surtir efeito negativo na popularidade dos governadores, visto que o governo federal segue com a narrativa de que é preciso salvar os empregos e a economia, enquanto os estados precisam procurar formas de manter as pessoas em casa por tempo ainda indeterminado.         

O podcast de Adriano Oliveira tem duas edições, nas segundas e nas sextas-feiras. Além disso, também é apresentado em formato de vídeo, toda terça-feira, a partir das 15h, na fanpage do LeiaJá.

Confira esta análise a seguir:

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira, 12, que a possibilidade da prorrogação do pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 durante a pandemia de covid-19 é assunto para o Ministério da Economia. "Quem fala sobre Economia (prorrogação do auxílio) é o Paulo Guedes. Cada R$ 600 (a mais) significam R$ 30 bilhões (de gastos)", disse Bolsonaro a jornalistas no momento em que ele esteve na rampa do Palácio do Planalto.

Ele evitou comentar sobre quando irá sancionar o pacote de socorro a Estados e municípios aprovado no Congresso e se irá vetar ou não a permissão para reajuste salarial a várias categorias de funcionários públicos que teriam salários congelados até o final de 2021.

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A suspensão dos reajustes seria a contrapartida de governos para receberem os recursos, um total de R$ 60 bilhões do Tesouro, além da suspensão da dívida. Durante a tramitação da proposta no Congresso, no entanto, alguns setores foram excluídos do congelamento de salários.

Indagado sobre como avaliava o fato de o ministro da Saúde, Nelson Teich, ter sido informado pela imprensa da edição do decreto presidencial para que mais áreas - como salões de beleza, barbeiros e academias - fossem consideradas essenciais e autorizadas a funcionar durante a pandemia, Bolsonaro respondeu apenas que essa "ampliação é competência minha e do Executivo".

O presidente reafirmou que Estados e municípios que não quiserem cumprir a medida deverão buscar suporte na justiça ou no Congresso, por meio de um projeto.

O Ministério da Economia disse nesta terça-feira (12), por meio de nota, que o auxílio emergencial não pode ser permanente para não comprometer a política fiscal.

“Sobre as notícias de que o programa de auxílio emergencial pode ser permanente, o Ministério da Economia esclarece que tem tomado medidas de caráter temporário para combater os efeitos da pandemia. As despesas criadas neste momento de excepcionalidade não devem ser transformadas em permanentes para não comprometer a recuperação das contas públicas a partir de 2021 e nem a trajetória sustentável da dívida pública. O compromisso com o teto de gastos dá credibilidade e promove investimentos que criam empregos e faz com que o governo onere cada vez menos a sociedade”, diz a nota.

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Segundo a nota, neste momento, o governo está preocupado em preservar vidas e a atividade econômica. “Com medidas extraordinárias, foi possível socorrer os mais vulneráveis que perderam seu sustento. Essa crise trouxe, entretanto, uma oportunidade para avaliar a efetividade dos programas de transferência de renda e desenhar propostas de melhorias. Projetos para a reativação da economia estão em estudo e serão divulgados no momento oportuno”, finalizou o ministério.

Ontem, o secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, disse que o o auxílio emergencial de R$ 600 (R$ 1,2 mil para mães solteiras) poderá ser mantido após o fim da pandemia. Segundo Costa, o governo discute se o auxílio emergencial e outras medidas de socorro deverão durar os três meses inicialmente planejados ou se deverão ser desmontadas gradualmente, num processo de transição para um novo modelo econômico. “Não podemos virar a chave e desligar tudo de uma hora para outra”, disse, referindo-se à possibilidade de manutenção do benefício no segundo semestre deste ano.

Dependentes de aglomerações, as atividades ligadas ao lazer são as mais afetadas pela pandemia provocada pelo novo coronavírus. A constatação é de um levantamento feito pela startup [empresa emergente] de logística Cobli, que analisou a movimentação de veículos de pequenas e de médias empresas de todo o país.

O estudo considera o total de quilômetros rodados pelas frotas das empresas entre 23 de março – quando as medidas de restrição social entraram em vigor na maior parte dos estados e no Distrito Federal – e 19 de abril. A distância percorrida somou 13,88 milhões de quilômetros, queda de 25% em relação à semana anterior.

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A comparação por setores, no entanto, mostra que alguns segmentos são bem mais afetados que outros. A área de arte, cultura, esporte e recreação teve o maior impacto, com queda de 77% na movimentação dos empregados. 

Em segundo lugar, está o segmento de alojamento e de alimentação, com recuo de 41%, reflexo da queda nas hospedagens em hotéis e do fechamento de restaurantes e bares.

O setor de atividades administrativas e de serviços complementares vem em terceiro lugar, com retração de 40%. Esse dado está relacionado ao fechamento de escritórios e a possibilidade do trabalho remoto na maioria das empresas do tipo. Em quarto lugar, com redução de 39%, está a educação.

Segundo a startup responsável pelo levantamento, a digitalização das atividades é o caminho para alguns setores, permitindo a redução de custos no longo prazo. 

No caso da arte e da cultura, o diretor-executivo da Cobli, Rodrigo Mourad, acredita que a tecnologia pode ser uma aliada para ampliar o público dos espetáculos, à medida em que eles são transmitidos para mais pessoas.

Setores essenciais

O impacto da pandemia sobre setores essenciais varia conforme a atividade. Os setores de saúde humana e serviços sociais e de água e esgoto tiveram queda de 10% na movimentação das equipes. Segundo Mourad, existe a preocupação de que a falta de manutenção em equipamentos ou instalações ligadas a essas atividades eleve os custos no médio prazo e dificultem o retorno ao equilíbrio.

Os setores menos atingidos pela pandemia foram informação e comunicação, com queda de 6% na movimentação das equipes; administração pública, defesa e seguridade social (-4%) e atividades imobiliárias (-1%). O segmento de agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura foi o único a registrar aumento, com a movimentação de veículos das empresas subindo 3%.

Subcategorias

A startup dividiu cada setor por subcategorias. A desagregação dos dados revelou que alguns segmentos de setores bastante afetados registraram quedas menores ou até aumento na atividade. Na área da saúde, a assistência a idosos e pessoas com deficiência teve aumento de 32% na atividade. Em contrapartida, o atendimento hospitalar acusou queda de 14%. Mesmo com o aumento no fluxo de pacientes com a covid-19, outros setores das unidades de atendimentos podem estar atendendo menos.

Os subsetores mais atingidos pela pandemia foram o aluguel de equipamentos recreativos e esportivos e as agências de viagens, cuja movimentação de frotas caiu 86%, e a fabricação de móveis de madeira, com retração de 70%. 

Apesar de a doença estar se alastrando, o comércio varejista de produtos farmacêuticos para uso humano e veterinário vem em terceiro lugar, com recuo de 55%. Uma explicação pode ser o estoque de medicamentos que parte da população fez antes de a pandemia agravar-se.

Em contrapartida, a demanda por alimentos apresentou leve redução. As empresas ligadas à produção de carne tiveram redução de 7%. Os supermercados, hipermercados e as demais empresas de comércio varejista de alimentos tiveram queda de 5%. Na outra ponta, serviços ligados ao entretenimento doméstico aumentaram. O comércio varejista de livros, jornais, revistas e de papelarias subiu 6%. As atividades ligadas aos correios (em todas as etapas da logística) saltaram 7%.

Regiões

Em relação aos estados, o levantamento revela que  Tocantins liderou a retração, com queda de 60% na circulação de frotas. Em segundo lugar, Mato Grosso do Sul, com redução de 54%, seguido pela Bahia (-40%) e pelo Ceará e pelo Distrito Federal, empatados com diminuição de 33%. Quatro estados, no entanto, tiveram aumento na movimentação de veículos de empresas durante a pandemia: Rondônia (+2%), Rio Grande do Norte (+5%), Piauí (+15%) e Pará (+18%).

Para o diretor-executivo da Cobli, os efeitos da crise em cada estado dependem da matriz industrial. Estados agrícolas e exportadores sentiram impacto menor que as regiões mais dependentes de serviços. No caso do Pará, a alta pode estar relacionada à indústria de base, puxada pela mineração.

Os conselheiros do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defenderam neste domingo (10) a possibilidade de reativar a economia do país com segurança, apesar da propagação da pandemia, com vários casos de coronavírus na Casa Branca.

Nos últimos dias, dois funcionários da "ala oeste", onde fica o Salão Oval - um militar a serviço do presidente e a porta-voz do vice-presidente Mike Pence - apresentaram resultado positivo ao novo coronavírus, apesar das precauções adotadas.

Além disso, três membros da linha de frente da unidade de crise da presidência americana, responsável por coordenar a luta contra a COVID-19, decidiram entrar em quarentena preventiva por sua possível exposição ao vírus.

Entre eles está o epidemiologista Anthony Fauci, que aconselha diariamente Trump, assim como o diretor dos Centros para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Robert Redfield, e Stephen Hahn, diretor da Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA).

As pessoas que se aproximam do presidente e do vice-presidente são submetidas continuamente a exames.

O assunto domina os programas de notícias neste domingo nos canais americanos. Se nestas condições a presidência não ficou isenta, como um americano comum pode retomar o trabalho sem o temor de ser contaminado?

"A Casa Branca é um contexto enorme, de pelo menos 500 pessoas, provavelmente mais", disse Larry Kudlow, assessor econômico da presidência, ao canal ABC. "Os que apresentaram resultado positivo representam uma pequena parte", insistiu, sem revelar um número exato.

Ele defendeu a vontade do presidente de "reabrir a economia" para enfrentar os "horríveis" números do desemprego.

"Por quê não confiar nas empresas?", questionou Kudlow. "Elas sabem, de um lado, que as pessoas devem ser protegidas e, do outro, que é necessário recomeçar o mais rápido possível para enfrentar o problema econômico, a recessão pela pandemia", disse.

O secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, declarou à Fox que "há um risco considerável se a atividade econômica não for retomada".

"Estamos falando do que seria um dano econômico permanente para o povo americano. E vamos reabrir de uma forma muito refletida, que leve as pessoas de volta a seus trabalhos de forma segura", disse.

A pandemia do coronavírus, que forçou o fechamento de todas as fábricas de veículos do País, levou o setor a registrar em abril seu pior desempenho em produção em 63 anos, quando o dado começou a ser divulgado. Saíram das linhas de montagem apenas 1,8 mil unidades, volume que, em épocas normais, é muito próximo do que a Fiat produz em um dia na fábrica de Betim (MG).

O dado de abril representa queda de 99% em relação ao mesmo mês de 2019 e também ante março passado. "Nem em períodos de greve ou de outras crises tivemos uma produção tão baixa", diz o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Carlos Moraes.

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No acumulado dos quatro primeiros meses do ano foram produzidos 587,7 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, 39% menos na comparação com igual período de 2019. A exportação também teve o pior resultado das últimas duas décadas, com o embarque de 96,2 mil veículos, queda de 31% ante o primeiro quadrimestre do ano passado.

Mesmo com produção tão baixa, fábricas e revendas ainda têm 128 mil carros em estoques, suficientes para quatro meses de vendas de acordo com a atual média diária de negócios. As fabricantes estão apelando para promoções como pagamento da primeira parcela do financiamento só em janeiro de 2021 ou venda a preços de fábrica.

As vendas de veículos novos somaram 55,7 mil unidades, número 76% inferior ao de um ano atrás. No acumulado, os 613,8 mil veículos vendidos estão 27% abaixo do resultado de 2019. Só no Estado de São Paulo, que normalmente fica com 25% do total das vendas no País, a queda foi de quase 100% - de 58,7 mil unidades em abril do ano passado para 551 neste ano.

O segmento de carros usados reduziu as vendas em 84% - de 946 mil unidades em janeiro para 153 mil no mês passado. Moraes ressalta que, assim como as fábricas, a maioria das concessionárias está fechada. Várias marcas estão reforçando as vendas pela internet e entregando carros na casa do cliente.

Instabilidade política

A alta cambial é outro problema para as montadoras. Na opinião de Moraes, grande parte da "desvalorização exagerada" não é por problema econômico, mas político. "Agentes que deveriam estar trabalhando de forma coordenada para reduzir a crise estão prejudicando ainda mais a situação." Segundo ele, há políticos que ainda não perceberam a gravidade dessa crise.

O executivo faz um apelo aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para que trabalhem em conjunto para que o País tenha um achatamento da curva das contaminações pelo coronavírus e, assim, poder ajudar na retomada econômica. "Todo dia tem uma crise de manhã, de tarde e de noite", critica ele.

A instabilidade política pode inclusive prejudicar a manutenção de empregos. A maioria das empresas fez acordos de redução de jornada e salários com manutenção de empregos por cerca de três meses, mas, passado esse período, é difícil falar em garantias, diz Moraes. "Vai depender da gestão correta da crise para achatar a curva da recessão." As montadoras empregam hoje 125,3 mil trabalhadores, 4,9 mil a menos que há um ano.

A Anfavea tem negociado com o governo há 40 dias uma linha de financiamento para ajudar as empresas da cadeia automotiva que, segundo a entidade, estão sem liquidez de caixa e com dificuldades financeiras.

O setor propõe dar como garantia de empréstimos os R$ 25 bilhões em crédito de tributos federais e estaduais que deveriam ter sido devolvidos às empresas mas seguem nos cofres dos governos. "Não estamos pedindo nenhum subsídio", afirma Moraes. Ainda não há retorno por parte do Ministério da Economia. Bancos privados que participam das discussões queriam que as matrizes das empresas assumissem as garantias. Montadoras, autopeças e revendas precisam de R$ 40 a R$ 45 bilhões em capital de giro.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A Caixa Econômica Federal vai abrir 680 agências neste sábado, 9, para que os beneficiários do auxílio emergencial possam sacar os R$ 600 da Poupança Social Digital, criada para o recebimento do benefício. O horário de funcionamento será das 8 horas às 12 horas.

No Estado de São Paulo, serão 155 agências abertas para o pagamento do auxílio emergencial.

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Segundo o banco, todas as pessoas que chegarem às unidades durante o período de funcionamento (das 8 horas às 12 horas) serão atendidas.

A Caixa garante que, mesmo que a agência feche, o atendimento continua até o último cliente do dia, portanto não é preciso madrugar nas filas de espera, como tem acontecido nas últimas semanas.

A instituição afirma que está atuando para diminuir as aglomerações nas porta das agências gradualmente.

Segundo o banco, foram realocados mais de 3 mil funcionários para ampliar o atendimento das agências e mais 4,8 mil vigilantes e quase 900 recepcionistas foram contratados para auxiliar na organização das filas e na orientação do público.

A Caixa recomenda que a população apenas vá às agências em caso de extrema necessidade e, se possível, movimente os valores do benefício pelo aplicativo CAIXA Tem. Por ele, é possível pagar boletos e contas de água, luz, telefone, entre outras, assim como fazer transferências para contas de outros bancos.

Atendimento móvel para regiões de maior necessidade

O banco também informou que cinco caminhões-agência itinerantes vão atender em locais de maior necessidade seguindo um cronograma pré-determinado.

Veja abaixo:

- Alfredo Chaves (ES): atendimento até 8 de maio;

- Nova Xavantina (MT): de 7 a 16 de maio;

- São Felix do Xingu (PA): de 7 a 15 de maio;

- Buriticupu (MA): de 12 a 15 de maio;

- Viseu (PA): 14 a 29 de maio.

Segundo a Caixa, o maior esforço é para atender a população com mais qualidade e garantir que o auxílio emergencial chegue a quem mais precisa.

O dólar opera em baixa no mercado doméstico na manhã desta sexta-feira (8), em linha com a queda predominante no exterior e diante de uma realização de ganhos, após a moeda ter fechado ontem no recorde nominal, a R$ 5,8409 no mercado à vista. Lá fora, a redução de posições cambiais ocorre em meio ao alívio nas tensões comerciais entre Estados Unidos e China.

Os investidores monitoram ainda a queda das taxas de juros, na esteira da deflação de 0,31% do IPCA em abril, ante alta de 0,07% em março. O tombo do indicador no mês passado é maior que a mediana esperada pelo Projeções Broadcast (-0,25%) e dentro do intervalo (de -0,12% a -0,47%).

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Os ajustes por enquanto são moderados, com investidores à espera do relatório de emprego (payroll) dos Estados Unidos em abril. O documento deve mostrar eliminação de 21 milhões de empregos e um salto na taxa de desemprego de 4,4% para 15%, refletindo impacto severo da pandemia do coronavírus na economia, segundo as medianas das estimativas do Projeções Broadcast. Está no radar ainda o conturbado cenário político local, que pode exercer alguma pressão mais tarde em meio à chegada do fim de semana.

Mais cedo, o IGP-DI de abril mostrou alta de 0,05%, com forte desaceleração ante o avanço de 1,64% em março, ficando abaixo do piso das estimativas (+0,08% a 0,76%). Já o IPC-S teve deflação de 0,34%, de -0,18% em abril.

Às 9h26 desta sexta-feira, o dólar à vista caía 1,30%, a R$ 5,7651. O dólar para junho recuava 1,21%, a R$ 5,7755 (-0,90%).

A pandemia de coronavírus, que ultrapassou 300.000 casos na América Latina nesta quinta-feira (7), continua causando estragos na economia e no turismo mundial, levando vários países como a França a acelerar o fim do confinamento.

A pandemia causou mais de 268.000 mortes em todo o mundo, incluindo mais de 150.000 na Europa, onde os países mais afetados são: Reino Unido (30.615 óbitos), Itália (29.958), Espanha (26.070) e França (25.987) .

O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, anunciou nesta quinta que a fase de desconfinamento que começará em 11 de maio na França será mais rigorosa em Paris, fortemente atingida pela Covid-19.

"O país está dividido em dois", descreveu Philippe. Nas áreas "vermelhas", onde fica Paris, crianças acima de 11 anos não retornam à escola, enquanto bares, restaurantes e parques serão fechados e serão necessárias máscaras nos transportes públicos durante o mês de maio, além de que será proibido viajar para mais de 100 km.

Em todo o Canal da Mancha, o governo britânico deverá suspender algumas de suas medidas de quarentena neste fim de semana

A Itália, que foi o primeiro foco europeu da epidemia, também iniciou uma tímida abertura das medidas de confinamento, e nesta quinta a Igreja Católica e o governo assinaram um acordo para a celebração das missas a partir de 18 de maio.

Na Espanha, esperando o desconfinamento, o governo diz que permanece muito vigilante.E na Grécia, a icônica Acrópole de Atenas e todos os sítios arqueológicos do país serão reabertos em 18 de maio

Ao contrário desses países europeus, a Rússia (177.000 casos e cerca de 1.600 mortos) está em pleno andamento do surto. Moscou, o foco principal, estendeu o confinamento da população na quinta-feira até 31 de maio.

- "Empobrecimento geral" -

A pandemia também foi devastadora para a economia e atingiu de forma dura o turismo.

O volume de turistas internacionais pode cair entre 60% e 80% em 2020, "a pior crise" em "um dos setores da economia que emprega mais mão-de-obra", disse o secretário-geral da Organização Mundial de Turismo (OMT), Zurab Pololikashvili.

Como muitas outras potências, o Reino Unido verá sua economia entrar em colapso a níveis sem precedentes: o Banco da Inglaterra previu nesta quinta uma queda histórica de 14% do PIB este ano.

Na França, quase meio milhão de empregos evaporaram desde o início da crise, segundo o escritório nacional de estatística, e o primeiro-ministro disse que um "empobrecimento geral" é esperado no país.

E nos Estados Unidos, o país mais afetado pela doença, com mais de 75.500 mortes, cerca de 33,5 milhões de pessoas estão desempregadas desde o início da pandemia.

No geral, "os efeitos mais devastadores e desestabilizadores serão sentidos nos países mais pobres", onde os estados não podem sequer ajudar financeiramente a população, alertou a ONU na quinta-feira, buscando levantar 4,7 bilhões dólares para "proteger milhões de vidas".

"Se não agirmos agora, teremos que nos preparar para um aumento significativo de conflitos, fome e pobreza. O espectro de várias fomes está surgindo", disse o representante do órgão, Mark Lowcock.

- Desigualdades históricas -

A América Latina e o Caribe passaram na quinta-feira dos 319.000 casos do novo coronavírus, que matou mais de 17.000 pessoas na região, de acordo com um relatório da AFP com dados oficiais.

O Brasil, com 210 milhões de habitantes, é o país que mais registra casos, com 135.106 infectados e 9.146 mortes. O Peru segue com 58.526 infecções e 1.627 falecimentos.

A mortalidade no Brasil atinge especialmente os mais pobres, principalmente a população negra. "A pandemia aprofunda as desigualdades históricas herdadas da escravidão", disse Emanuelle Goes, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Rio de Janeiro.

Esperando que o pico da pandemia seja atingido nos próximos dias em diferentes partes da região, vários países vizinhos do Brasil estão observando com preocupação a evolução da doença no gigante latino-americano, enquanto o presidente Jair Bolsonaro incentiva a população a não respeitar as medidas de distanciamento social impostas pelos governadores em diferentes estados do país.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) instou os governos a serem "cautelosos" ao facilitar as medidas de contenção e alertou que a transmissão "ainda é muito alta" no Brasil, Equador, Peru, Chile e México.

- Imigrantes detidos -

Em meio a essa complexa situação internacional, milhares de imigrantes estão presos em todo o mundo, incapazes de se mover devido ao fechamento de fronteiras e barreiras, alertaram as Nações Unidas na quinta-feira.

A situação é especialmente difícil no sudeste da Ásia, na África Oriental e na América Latina, regiões onde milhares de pessoas não conseguem retornar ao seus países de origem, explicou a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Nos Estados Unidos, muitos imigrantes ilegais se recusam a ir ao hospital até o último minuto por medo de serem detidos ou receberem uma conta exorbitante.

As pessoas "têm medo de ir ao hospital por causa das políticas anti-imigração implementadas pelo governo Donald Trump desde o primeiro dia", disse Francisco Moya, legislador do Queens em Nova York.

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