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A embaixada da Rússia em Ancara condenou nesta terça-feira a decisão do World Press Photo de premiar a fotografia mostrando o assassino de seu embaixador em pé perto do corpo da vítima.

Em uma mensagem postada em sua página no Facebook, a embaixada protestou contra uma decisão "desmoralizante", dizendo que refletia uma "completa decadência da ética e valores morais". Fazer "propaganda do horror terrorista é inaceitável", acrescentou.

O júri da competição elogiou a coragem de Burhan Ozbilici, fotojornalista da agência Associated Press (AP), que fez a foto em 19 de dezembro no momento em que Mevlüt Mert Altintas, um policial de 22 anos, atirou nove vezes contra o embaixador da Rússia em Ancara, Andreï Karlov, durante a inauguração de uma exposição.

O policial foi morto logo após o ataque, durante o qual gritou "Allah Akbar" (Deus é grande) e afirmou que queria vingar a cidade síria de Aleppo. "Foi uma decisão muito, muito difícil, mas, no final, sentimos que a imagem do ano era uma imagem explosiva que realmente reflete o ódio de nossa época", explicou Mary F. Calvert, membro do júri, citado em um comunicado.

Contudo, a escolha da foto provocou polêmica entre os membros do júri, segundo revelou o seu presidente, Stuart Franklin, em um artigo publicado pelo jornal britânico The Guardian. "Esta é a foto de um assassinato, o assassino e a vítima, os dois na mesma imagem, moralmente, isso é tão problemático quanto publicar uma decapitação terrorista", escreveu.

O presidente da Comissão de Assuntos Internacionais do Parlamento russo, Konstantin Kosachev, afirmou que a escolha estava "à margem da moralidade" e questionou "quantos terroristas poderiam ser inspirados por esta foto".

Uma foto de um homem e um bebê sob uma cerca de arame farpado na fronteira Sérvia-Hungria, tirada pelo australiano Warren Richardson, venceu o World Press Photo, um dos prêmios de maior prestígio do fotojornalismo.

A imagem em preto e branco, com o título "Esperança de uma nova vida", foi feita pelo fotógrafo independente na noite de 28 de agosto de 2015, quando alguns refugiados tentavam entrar na Hungria. O bebê passa de mão em mão sob a cerca de arame farpado instalada entre Horgos, na Sérvia, e Roszke, na Hungria.

A foto de Warren Richardson é "poderosa por sua simplicidade", disse o presidente do júri e diretor de fotografia da AFP, Francis Kohn. "Vimos esta foto cedo (no processo de seleção) e soubemos que era uma imagem importante", completou.

Para Huang Wen, membro do júri e diretor de desenvolvimento de novas mídias da agência chinesa Xinhua, a foto é "perturbadora". "Você observa a ansiedade e a tensão de forma sutil. A imagem mostra a emoção e os sentimentos de um pai que tenta introduzir o filho no mundo ao qual deseja pertencer".

Na noite da foto, depois de passar cinco dias acampado com os refugiados, Warren Richardson viu a chegada de quase 200 pessoas que se deslocavam escondidas entre as árvores, ao longo da linha de fronteira. Primeiro fizeram passar as mulheres e as crianças, depois os pais de família e os idosos.

"Brincamos de gato e rato com a polícia a noite toda", disse o fotógrafo, citado no comunicado da World Press Photo. "Eram três da manhã quando fiz a foto. Não podia usar o flash, porque a polícia tentava encontrar estas pessoas. Aproveitei apenas a luz da lua", explicou o australiano.

Quatro fotógrafos da Agência France-Presse (AFP) também foram premiados. Sameer Al-Doumy, Roberto Schmidt e Bulent Kilic receberam o primeiro, segundo e terceiro prêmios na categoria "Notícias Locais", por imagens na Síria, Nepal e Turquia. Abd Doumany ficou em segundo lugar na categoria "Notícias Gerais" por uma fotografia na cidade de Duma, sul da Síria.

Na categoria "Notícias Gerais", o grande vencedor foi o brasileiro Mauricio Lima, que trabalha como freelancer para o jornal New York Times, com uma fotografia que mostra um combatente do grupo Estado Islâmico de 16 anos, gravemente queimado e durante o atendimento em um hospital curdo da Síria.

O júri examinou 82.951 fotos, apresentadas por 5.775 fotógrafos de 128 países. O júri, composto por 18 pessoas, premiou 41 fotógrafos de 21 nacionalidades em sete categorias.

O concurso de maior prestígio do fotojornalismo, o World Press Photo, anunciou na noite desta quarta-feira que irá retirar o prêmio do italiano Giovanni Troilo, por ter recebido informações enganosas a respeito de sua reportagem sobre a cidade belga de Charleroi. "A World Press Photo soube que a imagem de um pintor trabalhando com modelos vivos foi tirada em Molenbeek", na região de Bruxelas, afirma a organização.

O fotógrafo confirmou a informação ao júri, ao contrário do que afirmou ao inscrever a foto. A série de dez fotos intitulada "A cidade negra" recebeu em fevereiro o primeiro prêmio na categoria "Problemáticas contemporâneas", e descreve uma cidade corroída pela pobreza.

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O fotógrafo sueco Paul Hansen ganhou o prêmio World Press Photo por uma imagem que mostra um grupo de homens carregando os cadáveres de dois meninos em Gaza, anunciaram nesta sexta-feira em Amsterdã os organizadores do concurso mais prestigioso do fotojornalismo. Dois fotógrafos da Agência France-Presse (AFP), o italiano Fabio Bucciarelli e o americano Javier Manzano, ficaram com o segundo e terceiro prêmios no gênero Reportagens da categoria Atualidades.

A foto de Hansen, feita em 20 de novembro de 2012 na cidade de Gaza, foi publicada no jornal sueco Dagens Nyheter. Ela mostra um grupo de indivíduos que levavam até uma mesquita os corpos de dois sobrinhos de 2 e 3 anos de idade, mortos em seu domicílio por um míssil israelense.

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"A força desta foto está no contraste entre a revolta e o sofrimento dos adultos com a inocência das crianças", declarou Mayu Mohanna, membro do júri, citado em um comunicado. "É uma foto que nunca esquecerei", disse.

O italiano Bucciarelli, de 32 anos, foi recompensado por uma reportagem chamada "Batalha contra a morte", feita em outubro, sobre os rebeldes sírios da cidade de Aleppo. O americano Manzano também fez sua reportagem, "O cerco de Aleppo", em outubro, na mesma região.

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