Tópicos | sequenciamento genético

Um novo sequenciamento genético realizado pelo Instituto Aggeu Magalhães e disponibilizado nesta sexta-feira (15), pela Secretaria Estadual de Saúde, confirmou que de 176 amostras biológicas, 154 pacientes que testaram positivo para a Covid-19 apresentaram a variante Delta.

As coletas desses pacientes foram realizadas entre os meses de agosto e setembro deste ano. Eles são residentes dos municípios de Amaraji, Araripina, Caruaru, Cupira, Escada, Gravatá, Jataúba, Lagoa Grande, Moreno, Paudalho, Petrolina, Recife, Santa Cruz do Capibaribe, São Caetano, São Lourenço da Mata, Serra Talhada, Taquaritinga do Norte, Terra Nova, Carnaúba dos Dantas (RN), Juazeiro (BA) e São Paulo (SP).

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"Já tínhamos apresentado rodadas anteriores com a predominância da variante delta, mas o quantitativo de amostras era menor. Essa é a primeira vez que temos uma amostragem acima de 100 com a maior parte sendo da variante originária na Índia. Felizmente, não notamos um aumento de casos e uma maior procura por internação nos dois últimos meses, o que pode ser um reflexo do avanço da vacinação em nosso Estado", diz o secretário André Longo.

A Variante Gama (P.1), continua prevalecendo em Pernambuco, segundo novos sequenciamentos genéticos feitos pelo Instituto Aggeu Magalhães. Das 176 amostras estudadas, 174 (98,8%) tinham a presença da variante da Covid-19. As coletas são de pacientes de 62 municípios e foram realizadas entre os meses de maio e julho deste ano.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, as outras duas amostras eram de tripulantes filipinos do navio cargueiro Shoveler, de bandeira do Chipre, que já não está mais no Estado. Em ambas foram detectadas a variante Delta. Uma delas foi do paciente de 50 anos que veio a óbito no dia 18 de julho.

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O outro caso estudado foi de um tripulante de 22 anos que permaneceu na embarcação e evoluiu para cura. Com isso, o Estado totaliza cinco casos importados da variante Delta, todas relacionadas aos tripulantes dessa embarcação.

"Com esses novos sequenciamentos, chegamos a quase 1 mil amostras analisadas tanto no Aggeu Magalhães quanto no Lika. Desde o início, a variante Gama vem se mostrando a mais presente, confirmando a sua predominante circulação", afirma o secretário estadual de Saúde André Longo.

Apesar de não ter encontrado caso de Delta de ocorrência no Estado, o secretário mantém o alerta para os cuidados. 

"Outros Estados brasileiros já confirmaram casos da variante Delta, conhecida por ter um maior poder de contágio. Por isso precisamos intensificar a vacinação daqueles que já estão sendo contemplados pelos municípios, a busca pela segunda dose por aqueles que já estão no tempo preconizado para finalizar o esquema vacinal e também a manutenção de todas as medidas não farmacológicas, como o uso constante e correto da máscara e a higienização das mãos", reforça Longo.

Na próxima sexta-feira (13), a doutora Jaqueline Góes de Jesus, cientista que coordenou a equipe responsável por sequenciar o genoma do novo coronavírus em menos de 48 horas, realizará uma palestra gratuita. O evento será realizado na UNINASSAU - Centro Universitário Maurício de Nassau. 

O iniciará às 10h, no Auditório Roque de Brito do bloco B da unidade do bairro das Graças, localizada na Rua Osvaldo Lima, 130, Zona Norte do Recife. São disponibilizadas 450 vagas. Os interessados em participar devem realizar uma inscrição online através do site da UNINASSAU até o preenchimento das vagas.

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Uma pesquisa da Fiocruz e da Universidade de Glasgow, do Reino Unido, sequenciou pela primeira vez o genoma do vírus zika que circula em Pernambuco. A expectativa é que o sequenciamento contribua no desenvolvimento de vacinas usando técnicas de engenharia genética e kits de diagnóstico.

O estudo revela que o zika produz uma molécula inibidora de parte do sistema imunológico do doente, dificultando a defesa do organismo – o mesmo ocorre com a dengue e a febre amarela. O vírus utilizado no estudo foi coletado de um paciente em 2015. Os ascendentes do vírus são semelhantes ao circulante no continente asiático e no Sudeste do Brasil.

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Segundo a Fiocruz Pernambuco, a inibição do sistema imunológico do paciente é provocada pela partícula do vírus denominada sfRNA (RNA subgenomico de Flavivirus, um pequeno RNA produzido durante a infecção pelo vírus Zika) e pode ser a chave para a compreensão de como o vírus causa a doença. “Sabendo como o vírus subverte o sistema imunológico podemos testar drogas já existentes ou novas para evitar esse tipo de mecanismo e usar como terapia da infecção”, conta o pesquisador Rafael França. Comparando-se o bloqueio imunológico causado pela dengue e pelo zika, o estudo revela que o poder de inibição é maior para zika vírus.

França acredita que o vírus sequenciado, por ter sido coletado de um paciente com a doença, representa melhor o que está na natureza do que um vírus replicado em laboratório, que sofre mutação com o tempo. A intenção do grupo de pesquisa é caracterizar dezenas de genomas para verificar a evolução do vírus.

Além da Fiocruz de Pernambuco, assinam o artigo profissionais das universidades de Glasgow, Yale (EUA), Oxford (Inglaterra), University South Bohemia (República Tcheca) e Instituto Pasteur de Dakar (Senegal). As constatações estão relatadas em Full Genome Sequence and sfRNA Interferon Antagonist Activity of Zika Virus from Recife, Brazil (Sequência completa do genoma e caracterização da atividade de interferon do vírus Zika do Recife, Brasil), publicação na edição de outubro da revista PLoS Neglected Tropical Diseases. 

O sequenciamento genético de cinco peixes africanos - incluindo a Tilápia do Nilo - revelou os mecanismos genômicos que estão por trás da incrível capacidade de adaptação desses animais aos mais variados tipos de ambientes. O trabalho, realizado por uma equipe de mais de 70 cientistas sob liderança do Broad Institute do MIT e Harvard, foi publicado na edição desta quinta-feira, 4, da revista Nature.

A alta capacidade adaptativa da tilápia é neste momento uma grande preocupação da comunidade científica brasileira: a Câmara dos Deputados acaba de aprovar e enviar ao Senado o Projeto de Lei 5989/09, que libera a criação de espécies exóticas - como a tilápia - nos reservatórios de represas brasileiras.

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Segundo o artigo da Nature, peixes como a tilápia são verdadeiros "mutantes naturais", por isso conseguiram se diversificar amplamente em um tempo relativamente curto nos rios e lagos africanos. A comparação dos genomas das cinco espécies da família Cichlidae mostrou uma surpreendente gama de modificações genéticas. "Não detectamos apenas uma grande mudança genética, mas inúmeros mecanismos moleculares que a natureza usou para levar esses peixes a um incrível grau de adaptação", disse Federica Di Palma, uma das autoras.

Segundo Mário Orsi, do Laboratório de Ecologia de Peixes e Invasões Biológicas da Universidade Estadual de Londrina, o estudo reforça os argumentos da comunidade científica contra o projeto de lei. "Caso o Senado aprove o projeto, teremos uma verdadeira tragédia ecológica. A tilápia tem capacidade para se adaptar nos mais variados ambientes, mesmo em águas extremamente degradadas", afirmou. De acordo com Orsi, embora já seja encontrada em diversos biomas, a tilápia não se estabeleceu completamente no Brasil. "A tilápia é extremamente agressiva e domina os ambientes onde se estabelece", disse. De acordo com o cientista, o projeto libera o cultivo de peixes exóticos em tanques-rede. "A tilápia deveria ser cultivada apenas em tanques escavados. Nos tanques-rede é praticamente impossível impedir que os peixes escapem e se espalhem pelos biomas."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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