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Para impedir a disseminação do coronavírus, a Organização Mundial da Saúde (OMS) orientou a população a ficar em casa, o que obrigou muitos trabalhadores a mudarem suas rotinas. Nessa nova realidade, muitas profissionais que também são mães tiveram de se adaptar ao home office, dispensar as babás ou domésticas e conciliar as tarefas do emprego com o cuidado dos filhos e da casa.

Antes da pandemia, o horário de trabalho da personal trainer, Daphine Santana, 34 anos, era o mesmo em que o pequeno Lorenzo Cruz, 3 anos, estava na escola. "Eu tinha o restante do dia para cuidar do meu filho, que é autista. Agora, tento planejar minhas aulas um dia antes, no período em que ele está dormindo", diz ela que, para tentar adaptar o menino à nova rotina, optou por seguir os horários com os quais ele estava acostumado. "O almoço, por exemplo, ofereço no mesmo horário que seria o da escola e com o mesmo cardápio", complementa.

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Daphine Santana e o filho Lorenzo | Foto: Arquivo Pessoal

O isolamento social não altera apenas o cotidiano das mães, os filhos também precisam se adequar ao ensino online, por exemplo. É o caso da empresaria Sandra Turchi, mãe de Lucca Memoli, 9 anos. Além do home office, ela precisa prestar suporte ao filho, acessar as aulas e compreender os conteúdos para dar-lhe auxílio. "Minha mãe mora conosco e me ajuda bastante. Também temos um cachorro que o distrai, além dos jogos online e dos vídeos do YouTube", conta.

Já a vendedora de softwares, Nathalia Soares, 33 anos, mãe de Mariah Soares, 1 ano, conta que dispensou a babá durante o período de quarentena, e que o marido também está de home office, o que dificulta conciliar os horários de trabalho, as tarefas domésticas e os cuidados com a filha. "A pequena está na fase de querer atenção, e por conta disso, precisei organizar melhor as reuniões para sempre ter tempo de brincar com ela. Durante o dia, ela dorme por uma hora. Quando isso acontece, aproveito para dar um 'gás' na casa, comida e nas roupas", conta.

Nathalia Soares é mãe da pequena Mariah | Foto: Arquivo Pessoal

Para distrair a filha, Nathalia tem sido criativa e coloca Mariah para interagir com as tarefas domésticas. "Dou as roupas sujas para ela colocar na máquina, e quando estou cozinhando dou uma panela para ela brincar", diz a vendedora, que encontra felicidade mesmo diante de tantas obrigações. "O lado bom de tudo isso é que todos dias estamos almoçando juntos", finaliza.

Tradição cristã, o consumo de peixe durante a Semana Santa é uma hábito que muitos brasileiros preservam. Às vésperas da Sexta-feira da Paixão, o ato de comprar o alimento para manter a mesa farta e reunir a família ganhou outro significado. O pescado estará lá, mas a partilha terá de ficar para o próximo ano, por conta do isolamento social necessário no combate ao novo coronavírus. Pernambucanos arriscam-se em mercados, furando a quarentena para garantir a proteína, mas afirmam que - dessa vez - é para comer cada um em sua casa.

A prova disso é no popular Mercado da Carne, em Jaboatão dos Guararapes, Região metropolitana do Recife. Por lá, os comerciantes observam corredores vazios, mas não a falta de interesse dos clientes. Para não deixar de ganhar o peixe de cada dia, muita gente tem pedido para que as barracas façam entregas em casa. O delivery improvisado tem funcionado e aumentado a esperança de quem depende do feriado para garantir o sustento do mês.

“As vendas vêm crescendo. A gente pensava que ia ter uma caída, mas continua normal e teve um 'acrescimozinho' do ano passado para esse ano", afirma Adriano Lima, de 36 anos, que trabalha como vendedor no mercado.  "Algumas pessoas estão se resguardando. Quem é grupo de risco está ficando em casa. Estão mandando os mais novos. E a gente também está fazendo entregas", afirma.

Para ele, os preços têm ajudado. "O ano passado o camarão estava sendo vendido a R$ 40 e esse ano está R$ 20, R$ 25", diz comerciante, apontando uma queda de 50% no valor do insumo. E foi essa queda que chamou a atenção de seu Alfredo Clemente de Lima, de 66 anos. Aposentado, ele sabe dos riscos que enfrenta ao sair casa, principalmente, por fazer parte do grupo considerado de risco para a doença. 

“O valor para mim está bom e eu só saí porque era para comprar o peixe, mas não é para eu sair de casa não”, afirma. Sobre a reunião familiar o aposentado é taxativo. “Em casa sou só eu e a mulher. Aí só ficamos eu e ela e não vamos para casa de família, não. Só saí hoje porque foi o jeito. E saí com medo”, desabafa.

O peixe é garantido, a Páscoa, nem tanto

A auxiliar de serviços gerais, Gislene Tavares, de 45 anos, critica a saída de idosos, como seu Alfredo, durante a quarentena. “Tem pouca gente no mercado de peixe, mas o povo está saindo muito. O que eu vejo são os jovens tão dentro de casa e os idosos na rua. Muita gente está achando que é brincadeira [a quarentena], mas não é”, reclama. E afirma que, apesar de garantir o peixe, os ovos de chocolate terão que ficar para uma outra oportunidade. “Nada de visita, nada de comemoração. Ovo de Páscoa, esse ano eu acho que é zero”, diz.

Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE), atualizados na manhã desta quinta-feira (9), os números relativos à pandemia do coronavírus no estado somam 555 infectados e 56 mortes em decorrência da Covid-19. Entre os últimos registros de falecidos, estão pacientes com idades entre 49 e 93 anos, sendo quatro mulheres e seis homens.

*Colaboração Arthur Souza

Mesmo com o isolamento social recomendado pelas autoridades de saúde durante o período de pandemia, causada pelo novo coronavírus (Covid-19), há trabalhadores que não podem parar. Seja por atuar em serviços essenciais ou pela necessidade de levar o sustento para casa, muita gente se torna obrigada a encarar de frente a pandemia. 

É o caso de quem ganha a vida sobre duas rodas acelerando as motocicletas pelas ruas dos grandes centros. Só na região metropolitana de São Paulo, as motogirls e os motoboys são mais de 220 mil, segundo o Sindicato dos Mensageiros, Motociclistas, Ciclistas e Mototaxistas (Sindimoto). Com uma boa carteira de clientes e há duas décadas na profissão, o motoboy Marcio da Costa, 41 anos, não sentiu os impactos do isolamento social e segue firme na atividade. "A gente tem que trabalhar para honrar os compromissos, levar o alimento para os nossos filhos", declara Costa. Mais conhecido como Lapão, o morador do bairro Parque Alto, na zona sul da capital paulista, descarta a alcunha de herói por estar exercendo sua função em tempos de pandemia. "Vejo até alguns meios taxando a gente como herói e não me considero e nem gostaria desse rótulo. Trabalho porque eu preciso", complementa.

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Para o motoboy, além da pandemia, uma preocupação latente com as ruas mais vazias está relacionada ao abuso de velocidade pelos companheiros de profissão. "Isso se torna mais perigoso, se por ventura ocorrer um acidente, os ferimentos se tornam mais graves", alerta. Segundo Costa, apenas um de seus clientes diários disponibilizou produtos como máscaras e álcool em gel para auxiliar na prevenção contra a Covid-19.

Moradora da cidade de Guarulhos, a motogirl Patrícia Mesquita, 31 anos, é outra que ganha a vida nos corredores da região metropolitana de São Paulo. Desde 2010 na profissão e mais conhecida como Paty, ela afirma que a pandemia aumentou o volume de serviço, mas a concorrência acabou por equiparar o valor dos ganhos. "Acho que estamos trabalhando mais, pelo excesso de motoqueiros na rua, mas os rendimentos diminuíram por muito", comenta. Preocupada com a disseminação do vírus, a motociclista conta que as empresas para as quais presta serviços de entrega não disponibilizaram produtos para assepsia nem máscaras cirúrgicas descartáveis. A solução é a solidariedade entre os próprios "motocas", como se tratam os colegas de profissão. "As empresas não forneceram nada. Nós tivemos que comprar e vamos ajudando um ao outro", complementa.

A motogirl Patrícia Mesquita | Foto: Arquivo pessoal

Outro que segue acelerando pelas ruas em tempos de isolamento social é o motoboy Mauro Santos, 45 anos. "Continuo trabalhando com entregas todos os dias, inclusive aos finais de semana, em que a demanda de entregas de comidas em geral aumenta", ressalta. Morador do bairro da Vila Formosa, zona leste de São Paulo, Santos também reforça que há um descaso de empresas que não se preocuparam com a não disseminação do vírus na pandemia. "Nenhuma empresa de aplicativo forneceu qualquer material para nos protegermos do vírus Covid-19", destaca o profissional.

Para Santos, o fluxo reduzido do trafego é um fator positivo. "O trânsito na cidade está uma maravilha para rodar", observa. Mais conhecido como Maurão ou Barba, o motoboy, que atua na área há pouco menos de 18 meses, considera que os ganhos seguem sendo os mesmos do tempo comum. "No meu caso nada mudou, continuo ganhando o mesmo, porém desse valor é preciso tirar todos os custos gastos como combustível e manutenção", explica.

O motoboy Mauro Santos | Foto: Arquivo pessoal

O motociclista tem receio com um dos segmentos que atende. "Agora estou indo fazer entrega de peças automotivas, mas o serviço para este setor caiu 80%", finaliza.

 

Marília Mendonça mobilizou muita gente na última quarta-feira, dia 8, ao fazer um show ao vivo com seus maiores sucessos. No entanto, nem todo mundo assistiu à live e esse foi o caso de Fernanda Paes Leme!

Recém recuperada após ter contraído o novo coronavírus, a atriz contou que segue isolada por conta da pandemia e, em seu Twitter, brincou que preferiu não ser alvo da sofrência com as canções românticas da sertaneja.

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"Gente, fiquei quase 30 dias em casa sozinha, fiquei doente, recuperei, sei nem o que é beijar na boca desde antes de me isolar e vocês me perguntam por que não to na live da Marília Mendonça?", escreveu ela.

Em suas redes sociais, Fernanda compartilhou com os seguidores seu processo de recuperação da doença. A atriz foi uma das primeiras celebridades brasileiras a testar positivo.

"Me desesperei", diz a pediatra cubana Amarilis Taquechel, de 58 anos, sobre o momento em que descobriu que estava com Covid-19. A médica mora em Pernambuco há 24 anos. Ela está em isolamento em sua casa em Boa Viagem, Zona Sul do Recife, e nota, finalmente, que está melhorando.

Taquechel conta que sentiu dores abdominais e diarreia. "Eu desconfiei porque sei que a doença pode iniciar de forma gastrointestinal", ela conta. Na semana seguinte, surgiram a tosse e a dor de garganta.

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A médica passou a se medicar com azitromicina. A tosse foi piorando ao longo dos dias. "Era uma tosse diferente das que já senti. Tosse seca, persistente, como se fosse coqueluche", relata a cubana. Ela também sentiu indisposição, mas não teve registro de febre ou dificuldade respiratória.

No dia 31 de março a pediatra foi afastada. Ela atende em uma unidade hospitalar pública e possui um consultório em Vitória de Santo Antão.

No sábado (4) ela fez o teste e recebeu o resultado na última segunda-feira (6). "Uma coisa é você suspeitar, outra é ter a certeza", diz, explicando por que se desesperou ao saber o resultado.

Taquechel tem se sentido melhor nesta quinta-feira (9), mas ainda tem medo. "Estou me observando. Você sempre fica naquela expectativa porque é um vírus novo."

A pediatra continua sendo medicada com azitromicina, além de vitaminas e expectorante. Ela questionou a colegas se deveria usar cloroquina e preferiu não arriscar por já ter arritmia benigna. "É um medicamento também que a gente ainda não sabe se é o indicado."

Outro desafio enfrentado por ela e por outras pessoas diagnosticadas com o novo coronavírus é o isolamento - Taquechel pediu que levassem até o seu cachorro. "É muito difícil estar isolada do mundo. Ninguém quer falar com você. Estou lavando roupa, pedindo comida. Mas sou defensora total do isolamento social. Fique em casa", diz a médica.

O Instituto Êxito de Empreendedorismo, instituição sem fins lucrativos, realizou, nessa quarta-feira (8), a entrega das primeiras cestas básicas arrecadadas na campanha ‘Êxito Solidário’. A ação foi iniciada na última sexta-feira (3), e já contabiliza mais de 1.600 cestas.

As doações estão sendo entregues para famílias de micro e pequenos empreendedores e profissionais informais, assistidas pela Fundação Amor Horizontal, no Estado de São Paulo, pelo projeto Transforma Brasil, que tem abrangência nacional, além da Ação Social Trade Turístico de Porto de Galinhas, em Ipojuca, Pernambuco. 

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A campanha do Instituto pretende arrecadar 50 mil cestas básicas. Para quem tiver interesse em contribuir com a ação social, as doações podem ser feitas através do site da unidade. No endereço, o doador escolhe com quantas cestas quer contribuir, cada kit custa R$ 50, e realiza o pagamento online, por meio de cartão de crédito ou boleto bancário.

“É muito satisfatório ver que a nossa ação já está se materializando e indo, literalmente, para a mesa das pessoas. Ainda estamos no início, afinal a nossa meta é arrecadar 50 mil cestas, mas não vamos parar de lutar para ajudar aqueles que mais precisam neste momento”, destaca o presidente do Instituto Êxito, Janguiê Diniz. 

As primeiras instituições beneficiadas foram a Creche Bela Vista, que atende uma média de 200 crianças da região central de São Paulo, e o Grupo de Assistência ao Tratamento e Hospedagem Infantil (Grathi), casa de apoio localizada na Zona Sul da capital paulista, que recebe mães com seus filhos, de todo o Brasil, para fazerem tratamento médico pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Essas instituições são filiadas à Fundação Amor Horizontal, entidade sem fins lucrativos que trabalha para atender as necessidades emergenciais de crianças em situação de vulnerabilidade social.

 “A alimentação e os cuidados são essenciais para o desenvolvimento saudável de uma criança. Com as doações de cestas básicas na campanha, iremos apoiar milhares de crianças e famílias que dependiam da refeição nos projetos sociais que tiveram que ser fechados", explica Carol Celico, fundadora e presidente da Fundação. Além disso, as iniciativas assistidas pelo projeto Transforma Brasil, também foram contempladas neste primeiro momento.

O infectologista David Uip, coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, voltou a rebater as críticas sobre sua decisão de não revelar se fez ou não o uso de cloroquina em seu tratamento contra o novo coronavírus e afirmou que sigilo é para proteger a sociedade.

Uip foi questionado pelo presidente Jair Bolsonaro sobre a utilização do medicamento que tem sido utilizado em pacientes com a doença, mas que ainda não foi validado cientificamente com forma de combater o vírus, e passou a ser alvo de ataques virtuais.

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A afirmação foi dada na manhã desta quinta-feira (9), em uma apresentação virtual sobre a doença que o infectologista fez a empresários, onde também relatou sua experiência sobre a infecção.

"Fiquei no limite entre ser internado ou não. Daí, vem a polêmica: como você foi tratado? Em hipótese alguma, eticamente, eu posso falar. Seja lá qual for a minha resposta, causa um grande dano para a sociedade. É que, qualquer coisa que eu fale neste momento, cria uma ida ou não ida que ninguém controla. Esse sigilo que eu me impus e impus que as pessoas respeitassem é para proteção da sociedade. Se eu falo que tomei um determinado medicamento, seja lá qual for, vai haver uma corrida às farmácias porque eu estou vivo. Se eu falo que não tomei, eu desacredito as pessoas que acreditam. Sigilo não foi falta de transparência, foi preservação da sociedade."

Politização

O infectologista criticou a politização da discussão e afirmou que foi "vítima de um massacre na internet". Ele disse que não se opõe aos testes com a substância. "Tenho um inimigo, que é o vírus. A cloroquina é uma perspectiva, porque não tem qualquer trabalho com evidências científicas que conclua se ela é efetiva ou não. Eu nunca me pus contra, desde que o médico prescreva e que se saiba dos efeitos colaterais para o coração, visão, sistema de coagulação e hepático."

O médico não quis comentar a possibilidade de redução do isolamento social em regiões que não tiveram comprometimento em mais do que metade da capacidade de atendimento a partir do próximo dia 13, uma proposta do governo federal. Mas demonstrou preocupação com o avanço da doença.

"Estamos no ponto crescente de uma curva que vai se estabilizar, mas ainda não sabemos se estamos enfrentando o Everest ou uma montanha menos íngreme. Havia uma perspectiva de curva para baixo, mas estamos em uma tendência de ascensão."

Ainda de acordo com Uip, a desmobilização do isolamento social durante a quarentena é uma realidade em São Paulo. "Há quatro grupos de epidemiologistas estudando essa movimentação e geolocalização. O distanciamento social evitou que o número de infectados fosse dez vezes maior. Se isso não fosse feito, em maio, estaríamos com os hospitais sobrecarregados. Temos as informações de 80 milhões de celulares e sabemos onde está a movimentação. O índice de distanciamento está em 52% e atingimos o pico de 56%. Temos de chegar a 70%. E a área metropolitana está mais envolvida do que o interior", afirmou.

O Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo da Fiocruz ( Instituto Oswaldo Cruz) passa a ser referência nas Américas para o combate do novo coronavírus. A oficialização foi feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS), nesta quarta-feira (8).

Diante disso, a unidade poderá receber amostras da Covid-19 de outros países, para realizar o seqüenciamento genético, localizar mutações e seguir os estudos que possam levar ao desenvolvimento de uma vacina e testes de medicamentos, além das confirmações de óbitos e apoio a países com menos estrutura, como o Equador, que vive um avanço de casos e uma sobrecarga do seu sistema de saúde.

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Vale pontuar, que o laboratório já estava encarregado pelo Governo Federal de testar amostras e auxiliar outras instituições do país para também realizarem testes do novo coronavírus.

O governador Paulo Câmara (PSB) gravou um vídeo, nesta quinta-feira (9), fazendo um apelo para que os pernambucanos fiquem em casa durante o feriadão da Páscoa - que inicia nesta sexta-feira (10). Segundo o pessebista, do último dia 2 até hoje o número de infectados pelo coronavírus se multiplicou por cinco e, por isso, a necessidade de cumprir o isolamento social.

“Na última semana, vimos o número de casos e mortes da covid-19 aumentarem significativamente. Com os dados desta quinta-feira, saímos de 106 casos confirmados no último dia 2 para 555 no dia de hoje, ou seja, multiplicamos por cinco o número de infectados. O comportamentos é ainda mais acentuado em relação ao número de mortes, há uma semana havia 9 e hoje são 56”, detalha o governador na gravação. 

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Logo em seguida, Paulo Câmara ressalta: “Não viagem neste fim de semana, neste feriado de Páscoa. O maior ato de responsabilidade que pode ser feito neste momento é permanecer em casa”. 

Para reduzir as consequências do isolamento, o governador sugere que as confraternizações entre amigos e familiares nesta época aconteça por meio de videoconferências. “Não vamos diminuir o isolamento social. Agradeço aqueles que já estão colaborando com o isolamento social e apelo aos demais: fiquem em casa”, finaliza. 

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Com pressa pelo avanço da pandemia do novo coronavírus, o governo prepara uma "operação de guerra" para trazer, de forma mais rápida, as 240 milhões de máscaras que o Ministério da Saúde está comprando na China. Poderão ser contratados de 20 a 50 voos em aviões comerciais para buscar os produtos.

De acordo com fontes do governo, seriam necessárias de 15 a 20 aeronaves distintas para a operação que, em volume, é considerada a maior compra governamental do exterior da história - são 4 mil metros cúbicos e 960 toneladas.

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Outra opção seria usar aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), mas a avaliação é de que as aeronaves da Força são menores e demandariam mais voos, o que custaria mais aos cofres públicos. Mesmo em aviões comerciais, as viagens poderiam ganhar status de "voo de Estado", o que implicaria maior segurança e menos burocracia no transporte da carga.

A operação é encabeçada pelo Ministério da Infraestrutura com o envolvimento de vários órgãos, incluindo a Controladoria-Geral da União (CGU). A pasta da Infraestrutura já começou a fazer cotações com empresas aéreas. Uma das interessadas é a Latam, que poderá ter preferência, por ser brasileira.

Itinerário

O Itamaraty estuda agora onde seria o melhor local para que as aeronaves façam escalas. Israel, Dubai e Nova Zelândia são os destinos mais prováveis para os pousos no momento. Os aviões precisam parar para reabastecer, mas a maior dificuldade é que a carga transportada é cobiçada por vários países neste momento e poderia ser interceptada.

A preocupação aumentou depois de uma carga de respiradores comprada pelo governo da Bahia ter ficado retida em Miami (EUA). O negócio foi cancelado pela empresa fornecedora e a suspeita é de que o material tenha sido destinado para uso norte-americano.

Por causa disso, os aviões brasileiros devem evitar paradas nos Estados Unidos e também na Europa, que foi fortemente afetada pela pandemia. A expectativa é de que cada voo leve cerca de 40 horas. Usualmente, uma carga com esse volume seria transportada por navio, mas isso levaria até 45 dias, um prazo que o governo não pode esperar no momento.

Compras

Na sexta-feira, o governo publicou no Diário Oficial da União o extrato de dispensa de licitação, informando a compra de 200 milhões de máscaras cirúrgicas e 40 milhões de máscaras N95 com filtro, no valor de R$ 694,320 milhões. O produto é essencial para proteger profissionais de saúde no atendimento a suspeitos e infectados por coronavírus.

A compra já foi publicada no Diário Oficial da União, mas ainda não foi confirmada pelo fornecedor. O contrato foi firmado com uma empresa de Wuhan, justamente a cidade onde a epidemia do novo coronavírus teve início, no fim de 2019. O embarque da mercadoria será no Seroporto de Guangzhou.

Apesar dos contratos, não há a certeza de que os produtos chegarão. Em entrevista coletiva na semana passada, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que a pasta fez a compra e espera a China "pacificar o mercado" para começar a buscar os produtos. "Quando o mundo acabar com essa epidemia, eu espero que nunca mais cometa o desatino de fazer 95% da produção de insumos que decidem a vida das pessoas em um único país", declarou o ministro.

Até agora, contratos para a compra de medicamentos e insumos de saúde eram feitos já com o frete incluído. Com a pandemia do novo coronavírus, no entanto, os países passaram a ser responsáveis por buscar os produtos na China, o principal fabricante mundial. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Uma campanha pela indicação do presidente Jair Bolsonaro ao prêmio Nobel da Paz tornou-se, no começo da tarde desta quinta-feira (9), o assunto mais relevante do Twitter brasileiro. A #JairNobeldaPaz acumulava até as 12h30 mais de 40 mil menções, dividindo usuários entre os que defendem que o entusiasmo do presidente com a medicação hidroxicloroquina é digno de um Nobel e os que ironizam a campanha promovida pelos bolsonaristas.

Entre os defensores do presidente, provocações do tipo "a esquerda está surtada" aparecem ao lado de piadas que reforçam a ligação entre o presidente Bolsonaro e a administração da cloroquina aos doentes da covid-19. A frase "sou a favor de mudar o nome do medicamento para bolsofato de hidroxicloromito" tem sido tuitada muitas vezes.

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Jejum

Os bolsonaristas compartilham da crença do presidente de que a cloroquina pode ser parte da solução do problema gerado pelo coronavírus. Para um dos usuários, "Deus se agradou do nosso jejum, e haverá prosperidade no Brasil e nós iremos liderar o mundo através do nosso presidente Jair Bolsonaro", em referência ao dia de jejum e oração que aconteceu no último domingo (5), incentivado pelo presidente.

Os críticos se referiram à campanha com sarcasmo. "Não tem como levar a sério uma rede social em que o trend é "JairNobeldaPaz", escreveu um usuário. Outra usuária chamou a campanha de "piada do ano". "Só se for o Nobel da Paz do mundo invertido", tuitou.

Um embate político entre o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), impediu a construção de um hospital de campanha, com capacidade para cerca de 500 leitos, destinado ao tratamento de pacientes com covid-19.

Até esta quarta-feira (8), Minas tinha 14 mortes confirmadas por coronavírus e outros 97 óbitos sob investigação. Ao todo, foram 614 casos confirmados para a doença, de acordo com informações da Secretaria Estadual de Saúde.

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O hospital seria construído na esplanada do estádio Mineirão. A estrutura seria bancada pela prefeitura em parceria com empresa do setor de mineração. A concessionária que administra o estádio já havia autorizado a obra e, segundo o prefeito, foi acertado com Zema.

Porém, na segunda-feira passada, Kalil informou que o hospital não seria mais construído depois do que classificou de proposta "imoral, indecorosa e politiqueira" por parte do Estado, que é o dono do Mineirão. A proposta citada pelo prefeito foi apresentada pelo secretário estadual de Infraestrutura e Mobilidade, Marco Aurélio Barcelos, segundo a qual Kalil e Zema deveriam aparecer juntos em apresentações públicas que envolvessem o hospital.

"O Estado não cedeu a esplanada para a prefeitura de Belo Horizonte, infelizmente, apesar de que eu já tinha combinado pessoalmente com o governador. E, depois, um secretário, Marco Aurélio Barcelos, que é um garotinho, acho que tem 39 anos, fez uma proposta imoral, indecorosa e politiqueira para ceder o espaço", disse Kalil, em entrevista coletiva na segunda-feira. "Quero dizer a esse rapaz que isso não é hora de promover o governador, de promover governos. É hora de salvar vidas", acrescentou.

A reportagem procurou a assessoria de comunicação do governador, que encaminhou nota da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade. A Secretaria afirmou, em nota, que ofereceu na semana passada o espaço para a montagem do hospital de campanha pela prefeitura "sem qualquer custo". Mas, "por se tratar de um equipamento administrado por empresa privada, contratada pelo Estado de Minas Gerais, informou-se que seria necessária a atuação conjunta de ambos os entes para a realização do empreendimento, tendo sido a Secretaria Municipal de Saúde comunicada de que as equipes da Seinfra estavam de prontidão para dar andamento a todas as medidas jurídicas e operacionais necessárias".

A nota diz ainda que "a oportunidade de atuar em conjunto com as autoridades municipais neste momento de crise independe de preferências ou de qualquer contexto eleitoral".

Kalil afirmou ter resolvido o problema em acerto feito entre as secretarias estadual e municipal de Saúde e os hospitais Santa Casa de Misericórdia, São Francisco e São José. Conforme o prefeito, houve um remanejamento que tornou possível oferecer mil leitos especificamente para atendimento a pacientes acometidos pela covid-19. Segundo a assessoria da prefeitura, os leitos serão montados na medida em que for identificada demanda pelo sistema de saúde na cidade.

Isolamento

Zema e Kalil já haviam se estranhado no início da adoção de medidas de isolamento social como forma de reduzir a velocidade do contágio do novo coronavírus. O prefeito, no dia 18 de março, disse que o governador não havia adotado medidas necessárias em relação ao comércio nas cidades.

Ao mesmo tempo, decretou o fechamento de lojas consideradas não essenciais e regras sanitárias para o funcionamento de estabelecimentos como lanchonetes, que não podem permitir a entrada de clientes, e restaurantes, que só podem funcionar com entregas em casa.

Zema retrucou afirmando que essas decisões deveriam ser tomadas pelos prefeitos e que o momento "não era para bate-boca". 

O Rio de Janeiro só tem 400 respiradores de um total de 1.400 que seriam necessários para enfrentar a epidemia de covid-19 no Estado. O número corresponde a apenas 28,5% da quantidade ideal. A informação foi dada pelo próprio governador, Wilson Witzel, em entrevista ao vivo na manhã desta quinta-feira, 9, ao Bom Dia Rio, da TV Globo.

Segundo Witzel, há uma escassez de respiradores no mercado mundial e, por isso, o governo do Estado não consegue comprá-los. O equipamento é essencial no tratamento dos casos mais graves da infecção pelo novo coronavírus.

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"Temos 400 respiradores e isso é muito pouco, muito longe do necessário", disse Witzel. "Por isso, é importante alertar que não vamos ter condições de atender uma quantidade muito grande de pacientes. Faço o apelo para as pessoas não irem para a rua, não se aglomerarem. A população ainda não entendeu a gravidade do problema", afirmou.

O governador explicou que está tentando comprar mais respiradores, mas não consegue. "Estes equipamentos não existem no Brasil, têm que ser importados. A grande maioria dos respiradores vem da China, que está tendo dificuldade de fornecer para o mundo todo", disse. "Está havendo um leilão para ver quem paga mais pelos respiradores."

Wilson Witzel disse que tentou conversar com empresas no Estado para avaliar a possibilidade de os respiradores serem produzidos aqui. No entanto, explicou, as peças necessárias para a montagem do equipamento também são importadas da China e há dificuldade para trazê-las.

"A única solução que temos hoje é conscientizar a população a ficar em casa, a obedecer as regras de isolamento social para não termos um pico muito rápido da doença", ressaltou. "Quem está na rua está levando o risco para toda a sociedade. A morte pode brotar ao lado da sua porta, levar um parente, um avô, uma avó, uma mãe, um pai."

O governador confirmou a entrega de 3.300 leitos hospitalares extras no Estado, em hospitais de campanha, até o fim deste mês. Sem o número necessário de respiradores, no entanto, eles podem se revelar ineficazes.

Witzel lembrou que as populações das comunidades mais pobres do Rio são especialmente vulneráveis, sobretudo devido à alta incidência de outras doenças graves, como a tuberculose. Na quarta-feira foram registradas as primeiras seis mortes em favelas do Rio, especificamente em Rocinha (2), Vigário Geral (2), Manguinhos (1) e Complexo da Maré (1). O comércio tem funcionado nessas comunidades, onde há muita gente circulando.

O governador afirmou que já conversou com o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, e que os locais da cidade onde as concentrações de pessoas forem muito grandes devem ser isolados.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) declarou que não é a favor de um possível impeachment de Jair Bolsonaro. Apesar de já ter admitido publicamente que não é favor do chefe de Estado, FHC acredita que, mesmo com a crise na saúde por conta do novo coronavírus e a falta de estratégias confiáveis do atual presidente, pedir a saída do governante seria oportunismo.

"Não sou a favor do Bolsonaro, mas pedir impeachment agora, é oportunismo”, declarou em entrevista ao Jornal da Manhã. Fernando Henrique ressaltou que para depor um presidente democraticamente ele teria "que ter feito algo contra a Lei maior, tem que deixar de governar por pressão do Congresso e o povo precisa ir às ruas pedir". "Não é isso o que está acontecendo", afirma.

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Durante a entrevista, FHC chegou a chamar o desejo por um impeachment de “sonho de uma noite de verão” de quem é contra Bolsonaro e disse esperar que o presidente aprenda, no exercício do cargo, a tomar as decisões com mais atenção e falar com menor intolerância.

Ao mesmo tempo, Fernando Henrique parece esperançoso com a oposição. "Deve ter alguma reação de alguma liderança porque o que temos hoje não é conservador, é retrógrado", pontuou.

Por fim, o ex-presidente afirmou que defende uma liderança centro progressista. “Centro porque extremismo leva a discussão polarizada entre agentes que não entendem. E progressista porque o povo ainda é desigual, ainda tem miséria. Precisamos de mais igualdade, democracia, respeito a lei e ordem". 

Os deputados estaduais se reuniram, na noite dessa quarta-feira (8), com o governador Paulo Câmara (PSB) e representantes do Governo do Estado, por videoconferência, para discutir as medidas de enfrentamento ao coronavírus em Pernambuco. Na ocasião, os parlamentares puderam avaliar as ações tomadas diante de um possível aumento na contaminação, previsto para o fim do mês de abril.

O governador Paulo Câmara destacou a importância do apoio da Assembleia Legislativa na construção desse cronograma de ações onde o poder público luta contra o tempo para salvar vidas. “Estamos nos preparando para o pico da infecção com medidas estratégicas para conter o vírus, para garantir o atendimento. Gostaria de agradecer o trabalho da Alepe pela celeridade em aprovar os projetos necessários ao nosso trabalho”, afirmou Câmara.

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Os secretários de Planejamento e Gestão, Alexandre Rebêlo, e de Saúde, André Longo, detalharam o cenário de enfrentamento à Covid-19, que hoje está concentrada na Região Metropolitana do Recife (RMR), mas inicia um movimento de interiorização, o que demanda maiores cuidados. Hoje o nível de distância social em Pernambuco, cumprindo medidas do Governo, está em 56,7%, acima da média nacional que é de 54%.

Segundo André Longo, está havendo uma demanda maior de hospitalização, pelo agravamento dos casos, contudo o Estado vem trabalhando para ampliar a quantidade de leitos, equipamentos e profissionais para dar conta desse crescimento. Hoje Pernambuco é o terceiro estado do Nordeste em números absolutos de casos confirmados da Covid-19. “Estamos cumprindo as orientações do Ministério da Saúde no tocante à testagem. Nossos diagnósticos estão acontecendo ente 24h a 48h, agilizando os tratamentos”, afirmou o titular da pasta de Saúde.

Rebêlo explicou que o Governo tem priorizado a oferta de tele-atendimentos, a ampliação dos leitos, a aquisição de equipamentos, especialmente os ventiladores pulmonares e de proteção individual. 

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eriberto Medeiros (PP), fez um reconhecimento dos esforços dos servidores públicos estaduais no combate ao coronavírus. “Somos testemunhas dos esforços empreendidos pelo Governo do Estado em preservar a saúde dos pernambucanos. Seguimos trabalhando com presteza para darmos respostas rápidas às demandas da sociedade”, enfatizou o presidente. 

Após a explanação dos secretários, os deputados fizeram uso da palavra, dando sugestões, opiniões, fazendo críticas construtivas no tocante às ações no âmbito da saúde, assistência social e apoio financeiro. A reunião teve adesão maciça dos deputados, durante cinco horas de videoconferência.

*Da assessoria de imprensa

Entre a última semana de março e os primeiros dias de abril, a diminuição no isolamento da população foi o padrão para todas as capitais brasileiras. Mesmo em casos onde a variação foi pequena, houve algum aumento na circulação de pessoas. Nenhuma capital viu suas ruas ficarem mais vazias durante a semana passada.

A variação foi identificada com base na localização de 60 milhões de telefones celulares no País, compilada pela empresa In Loco, e tem sido analisada por pesquisadores brasileiros para determinar a relação do movimento nas ruas com o grau de contágio pelo novo coronavírus. A equipe de cientistas - que reúne representantes de Ministério da Saúde, Universidade de Brasília (UnB), Universidade de São Paulo (USP) e Instituto Oswaldo Cruz - já confirmou que o aumento da reclusão no fim de março evitou infecções e internações. Resta saber o quanto a queda recente do isolamento vai influenciar no número de casos nas próximas semanas.

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Entre as dez maiores capitais do País, a que apresentou maior proporção de pessoas circulando nas últimas semanas foi Manaus. A capital do Amazonas é uma das mais atingidas do País pela covid-19. Menos da metade da população se manteve em casa durante a última semana - a média nos dias de semana ficou abaixo dos 48% de isolamento. Anteontem, a Secretaria de Saúde amazonense admitiu que espera um colapso no sistema de saúde para os próximos dias, considerando intensidade do contágio e o número reduzido de leitos na cidade.

Os pesquisadores acreditam que a movimentação identificada pela base de geolocalização, com os celulares, é muito próxima da movimentação real dos 220 milhões de brasileiros. "Como estamos trabalhando com uma base de 60 milhões de usuários, provavelmente essa queda que você está vendo de 2%, 3% (entre uma semana e outra ) é uma queda real", diz o pesquisador Júlio Croda, que participou do estudo.

No Rio, por exemplo, a diferença de quatro pontos porcentuais de uma semana para outra pode significar, portanto, ao menos 252 mil pessoas a mais nas ruas. Em Manaus, a variação pode significar um aumento de apenas 17 mil, mas o que preocupa especialistas é que a cidade manteve um patamar baixo de isolamento em relação ao restante do País, além da baixa quantidade de leitos em relação à população. Manaus é a única metrópole que se manteve com mais da metade da população circulando na rua mesmo quando considerados os índices do último fim de semana, período em que a reclusão tende a aumentar.

Entre as cidades mais atingidas, um dos maiores aumentos na circulação de pessoas ocorreu na capital do Ceará, Fortaleza. Cerca de 59% da população manteve-se em casa durante a última semana de março. Na semana passada o índice caiu seis pontos porcentuais, para 53%. Isso pode representar cerca de 158 mil pessoas a mais nas ruas.

Entre as maiores capitais do País, Goiânia, Belém, Salvador e Curitiba vêm logo em seguida, com os menores níveis de isolamento. O motivo pode estar nas alternativas de renda para a população mais pobre. "Para conseguir segurar essas pessoas em casa, precisaríamos de acesso à renda. É nisso que demoramos muito (para fazer)", diz o infectologista Eliseu Waldman, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP. "Ficar dentro de uma casa nessas condições em Manaus, na temperatura e umidade que têm na cidade, é muito difícil."

Variação

Variações maiores ocorreram em capitais com populações menores. Florianópolis, em Santa Catarina, foi o local com o maior aumento na circulação de pessoas. Durante os dias de semana, entre 23 e 27 de março, a cidade chegou a ter 65% da população dentro de casa. Na semana seguinte, a média caiu para 55%.

Mas há quem se mantenha confinado. Faz 21 dias que o aposentado Sebastião França, de 61 anos, não encontra os amigos nas mesas de dominós, antes disputadas, no centro de Florianópolis. "Eu não aguento, preciso sair, falar com as pessoas, mas não aparece ninguém. Todos estão confinados", contou.

Na terça-feira, a prefeitura de Florianópolis emitiu as duas primeiras multas por descumprimento do isolamento social na cidade. As duas pessoas estão entre os casos considerados suspeitos e, segundo informou o município, um deles se recusou a assinar termo de isolamento domiciliar e outro se recusou a coletar exames. A multa para cada um foi de R$ 500. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE), atualizou, na manhã desta quinta (9), os números relativos à pandemia do coronavírus no estado. Foram confirmados 154 novos casos da covid-19 em solo pernambucano. Além disso, há o registro de outros 10 óbitos em decorrência da doença. 

Com as novas confirmações, o estado chega à marca de 555 casos. Já entre o último domingo (5) e terça (7), foram registrados mais 10 óbitos totalizando 56 mortes em decorrência da doença em Pernambuco. Entre os últimos registros de falecidos, estão pacientes com idades entre 49 e 93 anos, sendo quatro mulheres e seis homens. Na tarde desta quinta (9), será emitido um novo boletim com mais detalhes epidemiológicos dos novos números.  

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O presidente Jair Bolsonaro disse, nessa quarta-feira (8), ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que a economia do País vai para o "beleléu" neste ano por causa do coronavírus. Bolsonaro cobrou medidas rápidas para amenizar o impacto da crise e uma mensagem otimista por parte do ministro. Isolado e sem apoio, ele começou a se reaproximar do Centrão.

No pós-crise, Bolsonaro planeja fazer uma reforma na equipe. Em recente conversa com pelo menos dois aliados, o presidente confidenciou que, passada a tormenta, pretende dispensar não apenas Mandetta como "mexer" em outros "dois ou três" auxiliares. Não citou nomes.

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A reunião de ontem com o ministro da Saúde serviu para Bolsonaro estabelecer com ele um pacto de convivência até o fim do estado de calamidade pública em que vive o País. Na prática, porém, Mandetta se tornou um fio desencapado para Bolsonaro e sua demissão é vista nos bastidores da política como questão de tempo.

De um lado, o presidente exige o fim da política de isolamento social para todos e diz que precisa "reabrir o Brasil" para salvar os empregos. De outro, o ministro afirma que uma atitude assim equivale a "navegar sem instrumentos" e pode levar o País ao colapso na Saúde. Há, ainda, a polêmica relativa ao uso amplo da cloroquina no tratamento de pacientes com covid-19. Bolsonaro é a favor, como deixou claro em seu pronunciamento de ontem. Mandetta faz restrições.

Nos últimos dias, Bolsonaro também se queixou do ministro da Justiça, Sérgio Moro. Disse que Moro é "egoísta" e "não está fazendo nada" para defendê-lo na batalha contra as medidas restritivas de circulação, adotadas por governadores e prefeitos. Uma alternativa em estudo pelo presidente prevê a transferência do ex-juiz da Lava Jato para o Supremo Tribunal Federal (STF). O decano do STF, ministro Celso de Mello, deixará a Corte em novembro, quando completará 75 anos.

Antes da reunião de ontem com Mandetta, no Palácio do Planalto, o próprio presidente já dizia que havia gente "se achando" em sua equipe, falando "pelos cotovelos". A frase foi para o ministro da Saúde, mas a "bronca" e a ameaça de usar a caneta atingem outros integrantes da Esplanada que, na avaliação de Bolsonaro, viraram "estrelas".

Centrão

Bolsonaro recebeu ontem o vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira (SP), que comanda o Republicanos. E conversou, recentemente, com líderes do PP e do PL, que também compõem o Centrão. A todos, pediu ajuda para enfrentar a crise, já que sua relação com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), anda estremecida. "Bolsonaro ouve mais as redes sociais do que o Congresso", resumiu Maia. Mandetta é do DEM, mesmo partido dos presidentes da Câmara e do Senado.

Alvo do chamado "gabinete do ódio", comandado pelo vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), o ministro da Saúde só permanece até hoje na equipe porque seu apoio popular ultrapassa o do presidente.

A crise do novo coronavírus ainda acirrou o confronto entre os militares do governo e a ala ideológica. Na tentativa de evitar um novo embate, o chefe da Casa Civil, general Braga Netto, pediu a Mandetta que evite expor divergências com o presidente. O ministro prometeu não olhar pelo retrovisor. "Daqui a pouco eu sou passado", admitiu. 

Pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Municípios (CMN) mostra que, sem conseguir articulação com o governo federal, prefeituras de todo o País têm adotado ações de combate à pandemia do coronavírus com administrações vizinhas e governos estaduais. Além disso, 1.789 cidades disseram não ter estrutura de saúde adequada para enfrentar a crise.

De acordo com o levantamento, 1.533 prefeitos disseram que estão se articulando com os governos estaduais (56% dos que responderam), 1.445 (47% das respostas) têm feito políticas conjuntas com outras cidades da mesma região e apenas 508 (16% dos retornos) afirmaram ter algum tipo de articulação com o governo federal.

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A pesquisa foi feita entre os dias 18 e 31 de março com todos os 5.568 municípios do Brasil, dos quais 2.601 (46,7%) do total responderam os questionários. Na conclusão do estudo, a CNM cobra maior interação entre as três esferas de Poder para otimizar as ações de combate à pandemia.

"Por se tratar de um cenário novo e pelo histórico mundial do dinamismo do novo coronavírus, esses números alertam para a necessidade de intersetorialidade das ações de gestão nos três níveis de governo e para a necessidade de envolvimento ativo da população e da sociedade civil quanto às medidas essenciais de prevenção e quebra da cadeia de transmissão", diz o texto da CNM.

Nas últimas duas semanas, o presidente Jair Bolsonaro e os governadores da maioria dos Estados da federação têm travado uma disputa política em torno das medidas de contenção da pandemia.

Bolsonaro chegou a acusar governadores de exagerar nas medidas de isolamento com intenções eleitorais, o que poderia acentuar os efeitos negativos sobre a economia pós-pandemia. Os governadores rebateram o presidente dizendo que estão seguindo as orientações de médicos, cientistas e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O pano de fundo dessa disputa é a eleição presidencial de 2022. Bolsonaro identificou entre os governadores possíveis adversários no campo da centro-direita como João Doria (PSDB-SP) e Wilson Witzel (PSC-RJ) e também na esquerda, a exemplo de Flávio Dino (PCdoB-MA) e Rui Costa (PT-BA).

A pesquisa mostra ainda um número relevante de prefeituras que decidiram tomar medidas mais brandas em relação ao vírus. Segundo o levantamento, ao menos 682 cidades não decretaram estado de emergência ou calamidade pública, 555 não têm plano de contingência para frear a pandemia, 1.133 não fizeram previsão orçamentária específica para o combate à covid-19 e 1.789 disseram não ter estrutura de saúde adequada para enfrentar a crise.

Segundo a entidade, o resultado do levantamento mostra a necessidade de regulamentação da legislação que define as competências de cada esfera de poder na área da saúde e o financiamento destes serviços.

"Existem dois problemas históricos relacionados à definição de competências e ao financiamento do SUS, apontados há mais de uma década pela confederação, que alertam para a necessidade de regulamentação do artigo 23 da Constituição Federal, com a definição clara das competências dos Entes e da política de (sub)financiamento. Esses dois macroproblemas são responsáveis pela sobrecarga administrativa, técnica, financeira e de responsabilização dos entes municipais", diz a CNM.

A Prefeitura do Recife anunciou, nesta quinta-feira (9), a abertura do terceiro hospital de campanha na cidade. O espaço foi instalado na Policlínica Arnaldo Marques, no bairro do Ibura, Zona Sul do Recife, e conta com 38 leitos.

Com o novo hospital de campanha, Recife passa a ter 186 leitos para atendimento de casos suspeitos ou confirmados da Covid-19. O local conta com dois respiradores, além de concentradores de oxigênio e condição de fazer exames de raio.

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Os outros dois hospitais de campanha funcionam nos bairros de Casa Amarela e Campina do Barreto, na Zona Norte do Recife. Foram investidos R$ 186 milhões no combate ao coronavírus na capital. "Todos esses hospitais de campanha, todos esses investimentos, são feitos com recursos exclusivos da Prefeitura do Recife", afirmou o prefeito Geraldo Julio (PSB).

O gestor também pediu que a população mantenha o isolamento social durante a Páscoa. "Será uma Páscoa diferente. Evitem encontrar os seus familiares pessoalmente. Façam isso por vídeo, por telefonema, por mensagem, por pensamento. Não vamos fazer aglomerações nessa Páscoa", disse. 

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