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Nas redes sociais, Milton Ribeiro, ministro da Educação, fez um pronunciamento aos participantes do Exame Nacional do Ensino Médio. No vídeo, postado neste sábado (16), o comandante da pasta garante a realização da prova, menos no estado do Amazonas, por conta do agravamento da pandemia.

“Informo a todos que o Enem acontecerá neste domingo (17) em todo o Brasil, exceto no estado do Amazonas. Reforçamos a confiança nas medidas e protocolos de segurança que foram implantados pelo MEC para que todos os estudantes possam fazer a prova de maneira segura. Desejo uma boa prova a todos”, disse Milton Ribeiro.

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Confira o pronunciamento completo:

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A edição 2020 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 teve, ao todo, 52 mil solicitações de atendimento especializado. Os participantes que tiveram seus pedidos aprovados e realizaram neste domingo (17), e no próximo (24), a versão impressa do Enem, precisam ficar atentos às orientações para evitar contratempos durante a prova. 

Conforme o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pela aplicação do exame, os materiais próprios dos candidatos serão inspecionados visualmente pelo aplicador da sala respeitando os protocolos de proteção contra a Covid-19. Isso inclui máquina de escrever em braile, lâmina overlay, reglete, punção, sorobã ou cubaritmo, caneta de ponta grossa, tiposcópio, assinador, óculos especiais, lupa, telelupa, luminária, tábuas de apoio, multiplano, plano inclinado e quaisquer outros materiais que se fizerem necessários. Não será necessária a vistoria de cão-guia, medidor de glicose, bomba de insulina, além de aparelhos auditivos ou implantes cocleares. 

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As mães lactantes deverão levar, segundo o órgão, um acompanhante adulto, que ficará em sala reservada e será responsável pela guarda da criança. A participante que precisar amamentar não poderá entrar na sala de provas acompanhada do bebê, assim como o acompanhante também não poderá acessar a sala de aplicação com a criança. O contato entre a participante lactante e o acompanhante deverá ser presenciado por um aplicador.

Conforme o edital, as lactantes contarão com tempo adicional de 60 minutos, caso essa solicitação tenha sido feita e aprovada. O mesmo vale para participantes com transtornos funcionais específicos, como dislexia, discalculia e déficit de atenção. Já os inscritos que solicitaram atendimento para surdez ou deficiência auditiva e o recurso de videoprova em Língua Brasileira de Sinais (Libras), poderão terminar o exame até 120 minutos após o encerramento da aplicação regular, às 19h.

Este ano, o Enem contará com o leitor de tela para participantes com cegueira, surdocegueira, baixa visão ou visão monocular, além de três guias-intérpretes para atendimento ao participante surdocego. Autistas e surdocegos terão banca especial para correção de suas provas. Além disso, o participante que escrever sua redação em braille terá suas provas corrigidas no Sistema Braile. Confira mais detalhes sobre as orientações para os candidatos com atendimento especializado no site do Inep.

Faltando menos de 24 horas para a primeira parte do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), infectologistas pernambucanos voltaram a alertar para o risco de contaminação, principalmente, durante o trânsito aos locais de prova. Apesar de concordarem no que diz respeito aos cuidados necessários para evitar a disseminação da Covid-19, os especialistas em saúde divergem sobre o adiamento do exame, marcado para os dias 17 e 24 de janeiro. 

'O correto seria que o exame fosse adiado'

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"Essas provas devem ser adiadas por inúmeros motivos. Um deles é o fato de aumentar a exposição desses jovens, em um momento extremamente crítico da pandemia", afirma a infectologista Marcela Vieira Freire. "Ainda que existam inúmeras medidas, serão milhares de jovens que vão sair de suas casas, pegar transporte, aglomerar e depois retornar às suas casas podendo infectar suas famílias", explica, a especialista em saúde destacando que, com a pandemia em um de seus piores momentos, realizar o certame não seria uma decisão responsável.

“As medidas são uma tentativa de reduzir as chances de transmissão, mas não isentam que, se um jovem contaminado estiver na sala, ele possa contaminar vários outros. Mesmo que haja um distanciamento adequado, são muitas horas de prova. O uso da máscara ajuda a reduzir, mas o risco existe e não só na prova”, assevera.

'O Enem não deve deixar de ser realizado por conta da pandemia'

Porém, nem todos os profissionais concordam que adiar o exame seria uma medida eficaz para frear a disseminação do novo coronavírus. Para o infectologista e hepatologista, Lucas Caheté, com os cuidados necessários é possível realizar o Enem de forma segura. “É considerado um risco relativamente baixo se tiver as precauções de isolamento de contato. Uso de máscara obrigatório durante a prova toda, cada estudante deveria ter seu próprio álcool em gel e ter o cuidado do distanciamento na sala”.

Para ele, o risco maior é durante a entrada e saída da prova, onde há a maior probabilidade de aglomeração e o transporte público. Porém, com a ausência do Lockdown no Estado, a abertura das praias e do comércio, a prova teria um peso pequeno na rotina dos estudantes. “Essas pessoas não estão em isolamento completo. Elas estão saindo de casa, estão se encontrando, por isso estamos tendo um aumento de casos. O Enem não mudaria muito essa rotina, ao meu ver”.

Riscos infecciosos e psicológicos

Mas o problema do Enem não se resume apenas aos riscos de infecção. Para a infectologista Marcela Freire, o efeito psicológico também deveria ser levado na hora de adiar o exame. “Não é somente a questão da transmissibilidade, esses jovens estão sob uma pressão altíssima para fazer a prova, além de tudo com os riscos todos de poder infectar suas famílias, sem contar com o fato de que muitos jovens perderam familiares, estão abalados emocionalmente, estamos vivenciando uma semana terrível com todos esses casos. O aumento das lotações das UTIs no Brasil inteiro e a manutenção dessas provas para mim é hediondo”, pontua. 

Caso os estudantes ainda assim decidam realizar o exame, a médica alerta para os cuidados durante e após a prova. “As medidas continuam as mesmas: utilização de máscaras que precisam ser trocadas a cada duas horas, ao chegar ao prédio, ir direto realizar o exame e depois se deslocar sem formar grupinhos, como costuma acontecer. E ao chegar em casa colocar logo a roupa para lavar e evitar ao máximo contato com a família pelos próximos sete dias subsequentes à realização da prova”, indica.

Enem 2021

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), nesta edição, estão inscritos 5,8 milhões de participantes, sendo 5.687.271 de inscrições para o Enem impresso e 96.086 para o Enem Digital. 

A abertura dos portões será realizada às 11h30 e os participantes só podem sair dos locais de aplicação a partir das 15h30. Para as medidas de proteção, o texto do edital obriga os participantes a utilizar a máscara corretamente, ou seja, cobrir do nariz ao queixo. De acordo com a regra “o participante que não utilizar a máscara cobrindo totalmente o nariz e a boca, desde sua entrada até sua saída do local de provas, será eliminado do Exame”. 

Durante a prova os candidatos são autorizados a levar máscaras extras para realizar a troca durante o certame e, em caso de precisar descartar o equipamento de proteção, as lixeiras dos locais de prova deverão servir para este fim. Estudantes terão acesso a álcool em gel e deverão ficar distantes 1,5 metro um do outro, durante a realização do Enem.

O número de mortos por covid-19 superou os dois milhões no mundo e a OMS alertou sobre a situação catastrófica no Brasil, enquanto o laboratório Pfizer anuncia atrasos na entrega de vacinas.

A situação na região do Amazonas é pior que durante a primeira onda da pandemia, e pode provocar o colpso do sistema de saúde, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Se as coisas continuarem assim, claramente veremos uma onda que será pior que a onda catastrófica em abril e maio", alertou o diretor de emergências da organização, Michael Ryan.

Falta oxigênio, luvas e os profissionais de saúde estão adoecendo. Quando esses trabalhadores, e os funcionários de laboratórios, começam a adoecer em massa, "todo o sistema [de saúde] começa a colapsar", disse Ryan.

E os contágios na América do Sul, também em alta, não podem ser explicados exclusivamente pelas novas variantes da covid-19, que causam dores de cabeça em todo o mundo.

"Também foi tudo o que não fizemos que causou" esta nova onda, criticou o especialista, que pediu para não baixar a guarda com as restrições.

A Colômbia prolongou até 1o de março o fechamento de suas fronteiras terrestres e fluviais em uma tentativa de conter a pandemia.

- Europa supera os 30 milhões de contágios -

Dos 2.000.066 mortos desde a descoberta do vírus na China em dezembro de 2019, a Europa aparece como a região mais castigada com 650.560 mortes, seguida pela América Latina e Caribe (542.410) e Estados Unidos e Canadá (407.090), segundo uma contagem da AFP.

A Europa superou na sexta-feira os 30 milhões de casos e, entre os países que vivenciaram aumentos preocupantes nos últimos sete días, a Espanha se destaca, onde os casos aumentaram 168%.

Mas a situação também é grave na Alemanha, que superou os dois milhões de infectados na sexta-feira. O país soma 1.113 mortos nas últimas 24 horas e o número total de óbitos chega aos 45.000.

A França adiantou seu toque de recolher em duas horas, às 18h00, a partir deste sábado. E Portugal iniciou na sexta-feira um novo confinamento generalizado, embora com as escolas abertas.

- Atraso nas vacinas da Pfizer -

As esperanças no mundo para virar a página da pandemia estão voltadas para as vacinas, das quais já foram administradas ao menos 35,61 milhões de doses em 58 países e territórios, segundo uma contagem da AFP com base em fontes oficiais.

Essas campanhas de vacinação precisam se generalizar em todo o mundo, "nos próximos 100 dias", exigiu o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

"As vacinas estão chegando rapidamente aos países de alta renda, enquanto os mais pobres do mundo não têm nenhuma", alertou o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres.

Um dia depois de prometer um plano de estímulo financeiro de 1,9 milhão de dólares, o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, se comprometeu na sexta-feira a acelerar a campanha de vacinação estabelecendo "milhares" de centros comunitários.

O laboratório Pfizer diminuiu as esperanças na Europa, ao anunciar que suas entregas de vacinas atrasarão nas próximas semanas por alterações no processo de produção em sua fábrica de Puurs, na Bélgica.

"A Pfizer está trabalhando duro para entregar mais doses das inicialmente previstas neste ano com um novo objetivo declarado de 2 bilhões de doses em 2021", justificou o grupo em uma mensagm enviada à AFP.

A esperança por uma vacinação generalizada não evita as acusações políticas.

- Cooperação diante de novas cepas -

A preocupação com ritmo da vacinação na Europa se junta à inquietação sobre a aparição de novas cepas no mundo, do Reino Unido à África do Sul, passando pela Amazônia brasileira.

O comitê de emergência da OMS pediu à comunidade internacional para ampliar o sequenciamento genômico do vírus que provoca a doença covid-19 e para cooperar compartilhando os dados para combater as mutações.

A cepa brasileira já foi detectada no Japão, enquanto no país as imagens de pessoas levando tanques de oxigênio para os hospitais multiplicaram as críticas ao presidente Jair Bolsonaro pela gestão da pandemia.

"Fora Bolsonaro!", gritavam enfurecidos em suas janelas em diferentes bairros do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília inúmeros brasileiros, que não se manifestavam dessa forma desde meados do ano passado, quando o país enfrentava seu pior momento da primeira onda.

Mais de 207.000 pessoas morreram no Brasil, país que está atrás em números de mortos apenas dos Estados Unidos (389.581). É seguido plea Índia (151.918) e México (137.916).

A Índia começou neste sábado sua gigantesca campanha de vacinação, com a qual espera imunizar 300 milhões dos 1,3 bilhão de habitantes até julho.

No México, que registrou sua semana mais mortal com um total de 6.885 mortos pela pandemia segundo dados de quinta-feira, e na sexta registrou um novo recorde diário de contágios, a capital flexibilizou seu estado de alerta máximo e permitiu ontem o funcionamento de alguns restaurantes e comércios.

No entanto, o sistema de saúde está colapsando, especialmente na Cidade do México. Com uma ocupação hospitalar de 91%, a capital de nove milhões de habitantes é o epicentro da pandemia no país.

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A mãe da jornalista Marcela Valente Elias, Maria Auxiliadora Valente, de 64 anos, morreu, na tarde de quinta-feira (14), por falta de oxigênio na UTI do Hospital 28 de Agosto, em Manaus, sem qualquer aviso à família sobre a falta de cilindros. Até aquele dia ainda era possível comprar o material na rede particular. Nesta sexta-feira (15), os estoques estavam esgotados.

"Quem foi esse assassino? Que autoridade tem sob esse ato? Canalhas", escreveu a jornalista em texto forte no Facebook. Sua mãe estava internada há três dias, com Covid-19, esperando um leito na UTI. Nesta sexta-feira, pacientes com covid começaram a ser transferidos para outros unidades da federação. O governo do Amazonas pediu ajuda aos Estados de São Paulo e Maranhão para abrigar bebês prematuros que estão internados.

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Assim com Maria Auxiliadora, a tia do produtor cultural Fabricio Nunes, Maria Gorete Abreu, de 60 anos, morreu em uma maca comum, sem ter conseguido vaga na UTI do Serviço de Ponto Atendimento (SPA) do bairro Alvorada, zona centro-oeste da capital amazonense, onde estava internada havia dois dias com sintomas de covid. "Estamos transtornados na família, queremos saber o porquê de não termos sido avisados da possibilidade de faltar oxigênio", disse Fabricio.

Um médico que preferiu não ter o nome divulgado disse que 41 pacientes morreram nas 12 unidades de saúde que atendem casos de covid na capital do Amazonas por falta de oxigênio. O número nem a causa não são confirmados pela Secretaria da Saúde do Estado do Amazonas (Susam).

De acordo com a assessoria da Susam, ontem pela manhã a Força Aérea Brasileira (FAB) desembarcou 6 mil litros de oxigênio líquido da empresa White Martins. O material foi distribuído pelos hospitais da rede estadual. Questionada, a pasta não informou por quanto tempo esse suprimento durará. A Susam afirmou ainda que mais 22 mil metros cúbicos chegarão de Guarulhos até quarta-feira.

O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), afirmou ontem que Manaus tem oxigênio suficiente para atender a central do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a Maternidade Moura Tapajóz e a Fundação Dr. Thomas, e que estava esperava para ontem uma remessa de 6 mil metros cúbicos de oxigênio.

Transferências de pacientes

O Ministério da Saúde afirmou ontem que pacientes com a Covid-19 internados em Manaus começaram a ser transferidos para hospitais de oito capitais.

Conforme o ministério, as transferências ocorrerão por avião e estão garantidos 149 leitos: 40, em São Luís; 30, em Teresina; 15, em João Pessoa, 10, em Natal; 20, em Goiânia; 4, em Fortaleza; 10, no Recife, e 20; no Distrito Federal. A estimativa do governo do Amazonas é de que até 700 pacientes podem ser transferidos nos próximos dias.

Além da FAB, pacientes com Covid-19 têm usado aviões particulares para buscar atendimento em outras cidades. A reportagem registrou a chegada de um jatinho com um doente no aeroporto de Brasília, na manhã de ontem. O paciente, não identificado, foi transportado deitado de bruços na maca, técnica usada para facilitar a ventilação nos pulmões, e recebido por uma ambulância de uma rede particular de saúde.

O ministério afirma que a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), responsável pela gestão de hospitais universitários federais espalhados pelo País, também está oferecendo leitos aos pacientes.

Rede particular

Um médico de um hospital particular de Manaus disse que a situação é "gravíssima" também nos hospitais particulares, cinco na capital, todos com seus prontos-socorros fechados desde o início de janeiro, com capacidade esgotada. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Um grupo de jogadores da elite do tênis deve ficar confinado em seus quartos de hotel pelos próximos 14 dias, sem a possibilidade de treinar, depois que três pessoas que estavam em dois voos fretados para Melbourne para a disputa do Aberto da Austrália testaram positivo para o coronavírus.

Um total de 47 jogadores que estavam em dois voos fretados de Los Angeles e Abu Dabi já estão agora em quarentena antes da disputa do primeiro Grand Slam da temporada, que tem início no dia 8 de fevereiro.

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A Tennis Austrália informou que os dois casos positivos na aeronave vindo de Los Angeles envolveram um membro da tripulação e um passageiro que não é um jogador. O terceiro teste positivo, no percurso de Abu Dabi para Melbourne, também não é de um atleta. Os diagnósticos foram confirmados já em solo australiano.

A notícia do confinamento obrigatório nos quartos foi publicada nas redes sociais pelo tenista mexicano Santiago González, número 155 do ranking da ATP. Ele compartilhou o texto que todos que estavam no voo QR7493 vindo dos Estados Unidos receberam via e-mail.

De acordo com a imprensa europeia, o protocolo para evitar a propagação da doença impacta a preparação de nomes como a bielorrussa Victoria Azarenka, bicampeã do torneio australiano, a americana Sloane Stephens e o japonês Kei Nishikori. Os jogadores afetados estariam inconformados com a impossibilidade de deixarem seus quartos.

O diretor do Aberto da Austrália, Craig Tiley, emitiu um comunicado reforçando que os 24 tenistas que estavam no voo que partiu de Los Angeles não poderão deixar seus quartos no hotel por 14 dias, até que sejam liberados pelos médicos. No total, a aeronave levou 79 passageiros.

"Estamos nos comunicando com todos que estavam no voo, e particularmente com o

grupo de jogadores cujas condições mudaram, para garantir que suas necessidades sejam atendidas e que sejam avaliados", afirmou Tiley.

Mais tarde, a Tennis Australia disse que 23 jogadores estavam entre as 64 pessoas no voo de Abu Dabi, o EY8004, e que eles já estão confinados. Nesta viagem, houve um caso positivo de coronavírus. Segundo a imprensa espanhola, a pessoa em questão seria o técnico da tenista canadense Bianca Andreescu.

O isolamento no hotel impede que os atletas treinem nas quadras e permite apenas que eles façam exercícios físicos nas próximas duas semanas. Há uma bicicleta ergométrica e outros equipamentos no quarto de cada um. Os outros jogadores terão permissão para treinar sob condições restritas e por, no máximo, cinco horas diárias.

Os 15 voos fretados e as chegadas antecipadas fazem parte da tentativa da organização do torneio de realizar a competição apesar da proibição geral da entrada de estrangeiros na Austrália.

O país da Oceania foi uma das nações que melhor conduziu a pandemia de coronavírus. Até este sábado, foram registrados cerca de 28 mil casos da doença, com menos de mil mortes. O estado de Victoria, que tem como capital Melbourne, foi responsável por 820 óbitos durante uma segunda onda há três meses que resultou em toque de recolher noturno e outras medidas mais rígidas na cidade.

O Instituto Butantan e a Fiocruz já entregaram à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) 100% dos documentos necessários para liberação do uso emergencial das vacinas contra a Covid-19 no Brasil. A diretoria colegiada da Anvisa fará reunião neste domingo (17) para decidir sobre a liberação ou não da Coronavac e da vacina Oxford/AstraZeneca, cujos imunizantes serão distribuídos no País por Butantan e Fiocruz, respectivamente.

Nos últimos dias, a Anvisa ainda cobrava a apresentação completa de documentos para avaliação. Neste sábado (16), conforme dados atualizados do painel da agência sobre andamento da análise das vacinas, 44,86% dos documentos da Coronavac já haviam sido analisados, enquanto 55,14% estavam em análise. No caso da vacina de Oxford/AstraZeneca, 49,45% do processo estava concluído e 50,55% estava pendente.

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O Ministério da Saúde vem afirmando que, caso a Anvisa aprove o uso emergencial das vacinas neste domingo, a vacinação em todo o País começaria já na próxima quarta-feira (20). Como revelou o Estadão/Broadcast, o ministério planeja um evento, no Palácio do Planalto, para abrir oficialmente a campanha de vacinação.

Às vésperas do início da campanha, no entanto, houve um acirramento da guerra política em torno das vacinas. A Índia informou na sexta-feira (15) ao Brasil que não pretende atender agora o pedido para liberação de 2 milhões de doses de vacinas da AstraZeneca/Oxford. O país asiático alegou "problemas logísticos" para liberar a carga ao Brasil.

A notícia frustrou o governo de Jair Bolsonaro, que aposta na AstraZeneca/Oxford para se contrapor à Coronavac - vacina chinesa ligada ao Instituto Butantan, do Estado de São Paulo, comandado por João Doria (PSDB).

Bolsonaro e Dória são adversários políticos e miram a eleição presidencial de 2022. Ambos buscam aparecer como a primeira autoridade a viabilizar a vacinação no País.

Com a negativa dos indianos, o Ministério da Saúde solicitou a entrega "imediata" de 6 milhões de doses da Coronavac pelo Instituto Butantan. Em ofício, o ministério afirmou que não há "previsão contratual de distribuição das doses de vacina a ser realizada diretamente pela Fundação Butantã". E disse que é "sua responsabilidade" a "atualização e coordenação do plano nacional de operacionalização da vacinação contra a Covid-19".

O Butantan, por sua vez, questiona o Ministério da Saúde sobre a quantidade de doses que serão destinadas especificamente a São Paulo. O instituto afirma que poderia, assim, destinar as vacinas diretamente para a Secretaria Estadual de Saúde.

Mesmo diante de uma crise que culminou com desabastecimento de oxigênio em hospitais de Manaus, o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), disse em entrevista ao Estadão que não há possibilidade de decretar um lockdown no Estado. "Não tem isso vislumbrado no nosso horizonte. Não há condições de fazer um fechamento total", afirmou.

O Estado segue tentando se recuperar plenamente do desabastecimento de oxigênio, situação que surpreendeu o governo, segundo Lima. "A gente acabou sendo surpreendido porque há uma dificuldade de trazer oxigênio para o Amazonas", explicou, pontuando que os casos de Covid-19 subiram vertiginosamente no início de janeiro.

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Uma das razões cogitadas para explicar a alta nos casos é a nova variante do vírus, que foi detectada em pacientes do Estado. Com a decisão de transferir pessoas para receber tratamentos em outras partes do País, criou-se o receio de que a nova variante também chegue a essas localidades. Sobre isso, o governador disse que não há muito a ser feito. "Evitar que a cepa saia daqui é muito difícil, muito complicado. Só se a gente fechasse tudo e impedisse que as pessoas entrassem ou saíssem do Estado."

Confira a seguir a entrevista completa com o governador Wilson Lima.

Como o senhor descreveria a situação do Amazonas e de Manaus neste momento?

Hoje, a nossa situação é bem delicada. Os números aumentaram significativamente e já são muito superiores aos do mês de maio. Nós fizemos um plano de contingência levando em consideração o que havia acontecido nesse período. Hoje há o dobro de internações em unidades hospitalares e a gente tem esse problema do abastecimento do oxigênio. A elevação da curva de forma vertical acabou superlotando a nossa rede hospitalar.

No mês de maio nós tínhamos um consumo de 15 mil m³ de oxigênio e, em 30 dias, dobrou para 30 mil, mas nós conseguimos suportar o abastecimento.Desta vez, em menos de 15 dias saiu de 15 mil m³ para 75 mil m³, foi um aumento exponencial. A informação que a gente tem é de uma nova cepa, uma nova variante do vírus que está em circulação no Estado, que tem um poder de infecção muito maior, muito superior àquele primeiro vírus que foi identificado aqui.

Além da nova cepa, o que se pode dizer que levou a esse quadro? O senhor faz alguma mea culpa? O governo errou ao recuar de medidas restritivas no final do ano passado?

Todas as medidas que nós tomamos foram baseadas em avaliações técnicas, levando em consideração a dinâmica social. No ano passado, quando houve medidas mais restritivas, o nosso objetivo era evitar aglomerações. E isso teve um efeito contrário, porque as pessoas foram às ruas: comerciantes, trabalhadores, todo mundo ali defendendo seu emprego, sua atividade econômica, e com razão.

A gente teve de entrar em um consenso para tirar o máximo possível as pessoas das ruas. Então, o efeito era mais danoso naquele momento porque as aglomerações estavam se formando. E, aí, a gente reviu a decisão para encontrar um equilíbrio entre a proteção da vida e também o mínimo de atividade econômica em funcionamento.

Governador, o presidente Jair Bolsonaro disse que o governo federal ‘fez sua parte’ com ‘recursos imensos’. Houve mesmo coordenação de trabalhos com a União?

Há um mês, pelo menos, temos uma equipe do Ministério da Saúde aqui, juntamente com a Opas, além de técnicos do Sírio-Libanês. E nos ajudou com o envio de equipamentos, como monitores, respiradores, bombas de infusão, nos emprestando aqui experiências, nos ajudando a montar protocolos, práticas médicas, o manejo com o paciente. O governo federal tem sido decisivo, neste momento agora, para conseguir oxigênio com os transportes que têm sido feitos pelos aviões da Força Aérea Brasileira e também com a aquisição de mini usinas (para a produção de oxigênio) que devem ser instaladas em unidades hospitalares para ajudar a diminuir a pressão sobre a rede.

O senhor anunciou um pacote de medidas restritivas, como toque de recolher. A questão do lockdown, governador, permanece no horizonte ou é estratégia descartada?

Em nenhum momento, o Estado do Amazonas cogitou a possibilidade de fazer lockdown. Não tem isso vislumbrado no nosso horizonte. Não há condições de fazer um fechamento total, principalmente por conta da nossa dinâmica social. Seria ineficiente. Também pela limitação que nós temos das nossas forças armadas de fazer toda a fiscalização e todo o acompanhamento do fechamento. Essa possibilidade não passa pela nossa cabeça.

O que o Estado está fazendo para evitar que as transferências de pacientes espalhem a nova variante do coronavírus? Quais medidas estão sendo adotadas para que não se nacionalize o problema da nova cepa?

Evitar que a cepa saia daqui é muito difícil, muito complicado. Só se a gente fechasse tudo e impedisse que as pessoas entrassem ou saíssem do Estado. E muito provavelmente esta cepa já deve estar circulando em todo o País. A gente não tem informações se ela surgiu aqui ou se foi trazida de algum lugar, se veio da África, da China ou dos Estados Unidos. Com relação à transferência dos pacientes, está seguindo todos os critérios de isolamento e protocolos médicos para que não haja contaminação. Estamos tendo todo o cuidado, juntamente com o Ministério da Saúde, para que efetivamente essas viagens e internações sejam seguras.

Hoje, houve a informação de que bebês prematuros, que dependem de oxigênio hospitalar, já estavam sendo transferidos para outros Estados. Há algum protocolo de preferência de paciente que vai ser transferido?

No primeiro momento, estávamos transferindo pacientes moderados, que estavam conscientes. Agora, estamos trabalhando a possibilidade de transferência de recém-nascidos para que eles não corram o risco de, em algum momento, ficar sem oxigênio. Essas são tratativas já feitas com o Ministério da Saúde, que inclusive já garantiu leitos para esses recém-nascidos.

Como que o senhor viu a manifestação do Eduardo Pazuello que, ao visitar Manaus, sugeriu o "tratamento precoce" para covid-19?

Em relação à questão do tratamento precoce e medicação que será administrada no paciente nos primeiros dias de sintomas, isso depende da avaliação do médico. Ele que vai decidir como fazer esse tratamento precoce, levando em consideração o quadro clínico do paciente e em que dia ele está da doença. O paciente também decide se vai tomar aquela medicação ou não. Eu, enquanto governador, tenho que garantir que esses medicamentos estejam à disposição. Se é medicamento A, B ou C, ainda há muitas divergências. O que a gente tem que fazer é ter esses medicamentos à disposição para que o médico decida, juntamente com o paciente.

Em especial para cloroquina, ivermectina e outros medicamentos que já foram citados pelo presidente Bolsonaro, existe protocolo ou orientação do governo do Estado para uso e tratamento dos pacientes através desses medicamentos?

Há uma orientação do Ministério da Saúde neste sentido, nós vamos seguir a orientação do Ministério da Saúde, mas essa decisão de administrar essa medicação é do médico, do profissional que avalia o paciente. E eu tenho aqui hoje à disposição esses medicamentos. Hoje a nossa central está abastecida de todos aqueles outros insumos que são necessários para o tratamento da covid-19.

As equipes de saúde do Estado desenvolveram algum estudo para verificar se existe eficácia ou não para os pacientes tratados com esses medicamentos no Amazonas?

Esses estudos, naturalmente em sua maioria, são feitos pela Fiocruz. A gente tem se preocupado muito mais na questão da assistência, que é o que temos nos focado. E na prática médica de manejo do paciente para o atendimento inicial e na evolução dele quando está internado.

A Secretaria de Saúde do Amazonas tem desde 2016 um contrato com a White Martins para o fornecimento de oxigênio. No último aditivo, em novembro, a própria secretaria admite que o volume contratado não seria suficiente. Por que faltou oxigênio? Quais outras estratégias vocês usaram para evitar essa situação?

Nós tivemos a informação que teríamos problemas com o abastecimento de oxigênio na última quinta-feira, 7, quando começamos a nos mobilizar para que balsas e carretas viessem para o Amazonas trazendo esse quantitativo para que pudesse complementar a produção que é feita aqui no Estado.

Esse pico agora, essa onda que estamos enfrentando, é muito superior àquela que enfrentamos em maio. O que acontece: a usina que funciona aqui produz e entrega o oxigênio, ela não tem esse oxigênio armazenado. Ela não produz uma quantidade significativa porque há uma perda de oxigênio. Quanto mais tempo o oxigênio fica armazenado, mais perda tem, então acaba sendo um prejuízo para a empresa.

Eu imagino que a empresa não produz em grandes quantidades porque não havia consumo e não havia essa demanda. Inclusive, a empresa em algum momento chegou a cogitar a desativação de algumas estruturas porque não tinha demanda para isso. E, de repente, essa demanda subiu significativamente. Aí, a gente acabou sendo surpreendido porque há uma dificuldade de trazer oxigênio para o Amazonas. A maneira mais rápida de chegar aqui é através de grandes aeronaves e aeronaves despressurizadas. Há todo um procedimento para que efetivamente isso aconteça. Um avião Hércules, da FAB, traz algo em torno de 5,2 mil m³, o que é muito pouco diante da necessidade. Para se ter uma ideia da dificuldade, para se trazer de balsa, uma quantidade maior, 30 mil litros por exemplo, são cinco ou seis dias. Então, a partir de amanhã, começam a chegar as balsas que partiram de lugares onde tinham uma quantidade maior de oxigênio.

O último aditivo chegou ao limite de 25% e só contratou um volume de oxigênio que daria para abastecer por 10 dias, mesmo se a gente usar a referência de consumo de maio (30 mil m³/dia). Por que vocês não abriram uma nova licitação ou procuraram uma nova fonte?

Essas questões mais técnicas sobre aditivos, contratos e licitação, são questões que eu não trato. É pela nossa secretaria e eu os coloco, os técnicos da área da saúde, para lhe passarem mais informações sobre essas questões contratuais.

O Estado do Amazonas tem procurado ajuda de outros Estados. Como tem sido a resposta? Qual a perspectiva para normalizar a situação?

Eu já conversei hoje com pelo menos 15 governadores e todos eles muito solidários, oferecendo inclusive leitos clínicos, leitos de UTI, além da disponibilização de oxigênio. Há a mobilização de artistas, personalidades públicas, influenciadores digitais. Amanhã a gente recebe uma carga maior de oxigênio e a gente já começa a fazer essa normalidade de abastecimento.

O senhor sabe quantos pacientes já foram ou irão ser transferidos?

Já foram transferidos 40 pacientes (nesta sexta-feira, 15), 20 pela manhã e outros 20 pela tarde, para Teresina e São Luís. A gente tem uma oferta de até 750 leitos disponíveis para fazer essas transferências e vamos fazê-las à medida em que a gente sentir a necessidade.

Eu queria agradecer ao apoio da imprensa que é sempre importante neste momento. Nós estamos em uma guerra e só venceremos se houver a união de todos. Estamos diante de uma crise sanitária sem precedentes na história. De ontem para hoje nós vivemos os dias mais tristes do Amazonas. Nunca imaginei que fosse viver um momento como esse, ainda mais na condição de governador. É um momento bem difícil, bem complicado para o Estado do Amazonas. Nossas equipes estão muito exaustas, os profissionais da saúde estão exaustos, trabalhando muito para que a gente possa superar esse momento e estamos trabalhando praticamente 24 horas para que o mais rápido possível nós tenhamos de volta a nossa normalidade.

*Foto Diego Peres/Secom

Com a negativa da Índia em entregar dois milhões de doses de vacinas da AstraZeneca/Oxford ao Brasil, o governo decidiu dar um novo destino para a aeronave que iria a Mumbai.

Em nota oficial, o Ministério da Saúde informou que o avião da Azul, que está em Recife (PE), seria enviado ainda nesta sexta-feira (15), às 23h, até Campinas (SP), para carregamento de cilindros de oxigênio que serão transportados a Manaus (AM) no sábado (16).

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"A aeronave levará a capacidade máxima para esse tipo de carga. O pedido foi feito pelo Ministério da Saúde a fim de abastecer as unidades de saúde da região", informou a pasta.

"O voo será realizado pela mesma aeronave que partiria hoje para Mumbai, na Índia, uma vez que a missão foi reprogramada devido questões diplomáticas entre Brasil e Índia e deverá ocorrer nos próximos dias."

A decisão da Índia frustrou a expectativa do governo federal, que havia preparado um plano para que o imunizante chegasse ao País até domingo (17), a tempo de ser usado no início da vacinação em todo o País, prevista para quarta-feira (20).

Após a resposta dos indianos, o Ministério da Saúde solicitou nesta sexta-feira a entrega "imediata" de seis milhões de doses da Coronavac, produzidas pelo Instituto Butantã, em parceria com a chinesa Sinovac.

O Instituto Butantã, por sua vez, respondeu que vai liberar o imunizante assim que houve autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e questionou o quantitativo de vacinas que será destinado ao Estado de São Paulo, além da data e horário em que será iniciada a campanha de vacinação "simultaneamente" em todo o País.

Em novo ofício ao Butantã, o Ministério da Saúde não respondeu às perguntas e afirmou que é sua a responsabilidade pela elaboração, atualização e coordenação do Plano Nacional de Operacionalização da vacinação contra a Covid-19.

Mesmo com a recusa da Índia em enviar as doses, não está descartada a possibilidade de a vacinação começar apenas com a Coronavac, o que representaria um revés político a Bolsonaro.

A negociação pela vacina gerou crise entre os governos federal e de São Paulo. Bolsonaro chegou a forçar o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, a recuar da promessa de compra, em outubro. Bolsonaro disse também que não compraria a vacina "pela sua origem".

Por fim, o presidente recuou e acabou adquirindo a vacina, principal aposta do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), seu adversário político, para a vacinação no Estado. Ainda assim, Bolsonaro ironizou a eficácia de 50,4% da vacina, próximo do patamar mínimo exigido pela Anvisa.

Em entrevista ao programa Brasil Urgente, apresentado por José Luiz Datena, o presidente havia dito que o envio de doses pela Índia poderia atrasar "um ou dois dias", até o início da vacinação fosse iniciada no país asiático, prevista para este sábado. Na nota oficial, o governo não informou a nova data do voo para a Índia.

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, chegou a telefonar na noite de quinta-feira ao chanceler da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, e reiterou o pedido para importação das vacinas. A Índia, no entanto, alegou "problemas logísticos" para liberar as doses ao Brasil.

O governo federal comprou 46 milhões de doses da Coronavac neste mês. Há ainda a opção de adquirir mais 54 milhões de unidades.

A Anvisa deve decidir, neste domingo (17), se libera o uso emergencial da Coronavac e da vacina de Oxford. Antes deste aval, estes imunizantes deveriam ficar sob guarda do Butantã e da Fiocruz.

Pelo menos desde o dia 23 de novembro, a Secretaria de Saúde do Amazonas sabia que a quantidade de oxigênio hospitalar disponível seria insuficiente para atender a alta demanda provocada pela pandemia de Covid-19. A informação consta de projeto básico, que foi elaborado pela própria pasta, para a última compra extra do insumo, realizada no fim do ano passado. A White Martins informou que, se o contrato tivesse previsto um pedido maior na oportunidade, a empresa teria conseguido atendê-lo.

Nesta semana, o estoque de oxigênio chegou a acabar nos hospitais de Manaus e pacientes morreram asfixiados, segundo o relato de médicos. O contrato original para aquisição de gases medicinais do sistema de saúde é de 2016 e foi assinado com a White Martins, a principal fornecedora no Amazonas, com valor mensal informado de R$ 1,3 milhão. Inicialmente, o acordo previa o atendimento de até dois mil pacientes respiratórios.

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Em 2018, ainda antes da pandemia, a secretaria chegou a assinar dois aditivos que, juntos, representavam acréscimo de 3,1% do valor. Como o teto permitido é de até 25% (acumulado) em cada contrato, o Estado ainda tinha uma margem de 21,9% para adquirir insumos em 2020, sem a necessidade de abrir um novo processo de contratação.

Toda essa cota, no entanto, foi usada na última compra extra em novembro. Na ocasião, a pasta ainda informa a inclusão "com urgência" do Hospital Geraldo da Rocha, em Manaus, na lista de unidades atendidas.

O projeto para o aditivo é de 23 de novembro. No documento, a secretaria também admite que os casos do novo coronavírus já estavam em alta na época e que o volume de oxigênio contratado não seria suficiente para dar conta da demanda.

"No Estado do Amazonas os casos de Covid-19, no mês de setembro, vêm apresentando alta crescente de casos confirmados", diz o documento. "O percentual de 21,9152% disponível para aumento não atende as necessidades desta Secretaria, a alta crescente nos números de casos confirmados da Covid-19 e o pronunciamento até a presente data da Diretora da FVS (Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas) quanto a uma possível 2ª onda da pandemia."

Segundo o Portal da Transparência do Amazonas, os itens do aditivo incluíam um total de 307 mil m³ de oxigênio líquido e 6,1 mil m³, na forma de gás, que são usados para pacientes internados por coronavírus. Também foram comprados outros gases hospitalares para procedimentos médicos diversos.

Ao Estadão, o secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo, disse que o consumo de oxigênio no Amazonas saltou de 14 mil para 30 mil m³ por dia durante o 1º pico da doença, ainda em 2020. Se o índice for considerado como referência, o volume extra contratado daria para abastecer o Estado por menos de duas semanas. Nesta semana, o consumo estaria ainda maior: 76,5 mil m³ por dia e "com indicação de demanda crescente". Nesse cenário, o insumo contratado só duraria quatro dias.

No projeto, a secretaria ainda registrou que o Departamento de Logística foi favorável a fazer uma compra maior e extrapolar o aditivo para 46,9% - e não mais de 25%. O pedido, entretanto, foi negado em despacho da Secretaria de Gestão Administrativa do Amazonas, segundo o documento.

Desabastecimento

O Estadão submeteu o documento à Secretaria de Saúde do Amazonas e questionou quais as medidas tomadas para evitar o desabastecimento e se houve tentativa de novas compras emergenciais ou buscas por novos fornecedores no período. Na nota, a pasta não responde às perguntas e diz que "sempre contratou todo o insumo que a White Martins foi capaz de produzir".

A secretaria afirma, ainda, que "sempre trabalhou" com previsão de maior demanda por oxigênio nesse período por causa da pandemia e da sazonalidade de outras síndromes gripais. Também diz que, até o último dia 7, "desconhecia" que "a capacidade máxima produtiva na planta de Manaus da White Martins era de cerca de 25 mil m³ por dia" e que a empresa "teria dificuldade em seguir atendendo à demanda crescente".

O governo ainda diz que, desde que foi comunicado pela empresa sobre dificuldades com a demanda, iniciou mobilização, com o apoio das Forças Armadas, no transporte de oxigênio de plantas da White Martins em outros Estados para Manaus, além de requisitar toda a produção "de outras duas empresas que produzem na capital, mas que são de menor porte".

Ainda conforme a nota, em ofício enviado ao Comitê de Crise do governo, no último dia 9, a White Martins diz que sua planta operava no limite e classificou o momento como "sem precedentes".

O governo também disse ter iniciado "prospecção para contratação de mini usinas para os hospitais de Manaus, medida que foi assumida pelo Ministério da Saúde". A reportagem não conseguiu contato por telefone com o secretário da Saúde para perguntar sobre o contrato de compra de oxigênio.

Pedido maior em novembro teria sido atendido, diz White Martins

A reportagem questionou a empresa White Martins para entender se ela teria capacidade de atender um pedido maior por oxigênio se ele tivesse sido feito em novembro. "Sim. A empresa tinha capacidade de buscar formas de viabilizar o aumento da oferta em patamares mais elevados, como está fazendo nesse momento e no período da primeira onda da pandemia, quando atendeu até 150% do volume contratado. Na atual onda da pandemia, a companhia atendeu até 340% do volume contratado", respondeu.

Em nota, a White Martins explicou que ao longo de 2020 já havia passado por processos de ampliação para aumentar significativamente sua capacidade de produção local. "É importante esclarecer ainda que, na data de 01/01/21, a planta da White Martins tinha em estoque produto suficiente para abastecer os hospitais da região pelo período de sete a oito dias de acordo com o consumo diário de dezembro de 2020", detalhou.

"Até o dia 30 de dezembro, não havia indícios de aumento exponencial do consumo de oxigênio em Manaus. No dia 2 de janeiro, o consumo começou a indicar um crescimento anormal e foi iniciada a operação para trazer oxigênio de outros Estados. No dia 4 de janeiro, antes da escalada sem precedentes do consumo de oxigênio, a White Martins deslocou os primeiros carregamentos de equipamentos criogênicos a partir de Belém (PA) por transporte fluvial", acrescentou a empresa.

A White Martins disse ainda que 27 equipamentos criogênicos foram dedicados adicionalmente a esta operação, "o que representa 20% da frota de carretas criogênicas da White Martins que opera com oxigênio em todo o país". "Importante ressaltar que, mesmo na primeira onda da pandemia em 2020, o fornecimento foi realizado com recursos de distribuição regular da White Martins na região", pontuou.

Antes exemplo de resposta à pandemia da Covid-19, a Alemanha agora enfrenta um aumento inédito da taxa de mortalidade pela doença e o governo já planeja aumentar as medidas de restrição em todo o país, que incluiria até a obrigatoriedade do uso de máscaras profissionais por toda a população e a interrupção do transporte público.

Desde o início da pandemia, a taxa de mortes per capita na Alemanha era menor do que a dos Estados Unidos. No entanto, a partir de desde meados de dezembro, isso começou a mudar. Nesse período, diariamente, cerca de 15 a cada 1 milhão de alemães morreram por causa do novo coronavírus. Nos EUA, essa proporção é de 13 a cada 1 milhão.

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A chanceler alemã, Angela Merkel, quer implementar uma "megaquarentena", segundo o jornal Bild, fechando todo o território. Autoridades de saúde temem que o país tenha uma explosão de casos e mortes até a Páscoa por causa das duas novas cepas da Covid-19, detectadas no Reino Unido e na África do Sul - ambas 70% mais transmissíveis.

Segundo o jornal, entre as novas medidas avaliadas por Merkel estão a interrupção do serviço de transporte público para curta e longa distâncias, a reintrodução dos controles fronteiriços, a imposição generalizada do uso de máscaras FPP2, as mesmas utilizadas por profissionais de saúde, e a imposição do trabalho remoto

O bloqueio atual no país, sob o qual escolas e lojas e serviços não essenciais foram fechados, deveria durar até o dia 31. No entanto, a chanceler vem dizendo que o país precisaria de mais oito a dez semanas para conter a pandemia.

Nas últimas 24 horas foram registrados 25.164 novos casos e 1.244 mortes no país. No total, são mais de 45 mil óbitos e pouco mais de 2 milhões de infecções. O governo ainda considera que haja subnotificação por causa de mortes ainda não reportadas oficialmente que ocorreram durante os feriados do fim do ano.

Em novembro, com o avanço da segunda onda da pandemia, a Alemanha implementou uma quarentena parcial, permitindo que lojas e escolas ficassem abertas. Tudo foi fechado no mês seguinte. Em janeiro, o governo estendeu a quarentena até o fim deste mês.

Lothar Wieler, presidente do Instituto Robert Koch, a agência do governo responsável pelo controle e prevenção de doenças, disse que a segunda série de restrições não foi implementada de forma tão sólida como durante a primeira onda de contaminações. O instituto tem defendido a ampliação do confinamento em todo o país, alegando que as medidas atuais têm "muitas exceções".

Hospitais em 10 dos 16 Estados alemães estão com 85% dos leitos ocupados por pacientes com Covid-19, informou Wieler. O país tem registrado uma média de 540 novas internações de pacientes com Covid-19 ao dia - 31% deles tem morrido, de acordo com dados oficiais.

Com as mortes, aumentou muito a demanda nos crematórios. Em Meissen, cidade ao leste do país, há uma fila pelo serviço. "Atualmente, recebemos 400 (caixões) em uma semana para cremação", o dobro do número usual, disse Jörg Schaldac, diretor do crematório local.

Desde de 26 de dezembro, quando começou a vacinação, quase 900 mil pessoas foram imunizadas - o país tem por volta de 82 milhões de habitantes. Haverá uma reunião entre os líderes regionais no dia 25 para discutir novas restrições. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

A nova variante do coronavírus identificada em Manaus (a mesma detectada em viajantes japoneses que estiveram no Amazonas) tem maior potencial de transmissão e, segundo análises preliminares, pode já estar disseminada pela capital amazonense. É o que mostra um estudo conduzido por cientistas do Centro Brasil-Reino Unido de Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (grupo Cadde), que conta com pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP.

Na pesquisa, publicada no site virological.org e ainda sem a revisão de outros especialistas, foram sequenciados os genomas do vírus presente em 31 amostras recolhidas de pacientes infectados entre 15 e 23 de dezembro em Manaus.

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Dessas, 13 (ou 42%) correspondiam à nova variante, batizada pelos pesquisadores de P1. Nas amostras de pacientes da cidade analisadas anteriormente, até novembro, essa linhagem nunca havia sido identificada, o que reforça a hipótese que ela surgiu em dezembro.

A P1 é derivada de uma das variantes predominantes no País, a B.1.1.28. É provável que ela tenha maior poder de transmissão por causa da mutação N501Y, que provoca alterações na proteína spike do vírus. "A nova linhagem contém uma composição única de mutações definidoras de linhagem, principalmente três mutações de importância biológica conhecida, como E484K, K417N/T e N501Y. Estas mutações ocorrem na proteína spike, responsável pela entrada do vírus nas células humanas e poderiam causar um aumento de transmissão", disse Lucas Augusto Moyses Franco, pós-doutorando da Faculdade de Medicina da USP e colaborador do grupo Cadde.

A mesma mutação está presente nas variantes identificadas no Reino Unido e na África do Sul. "A gente ainda não pode afirmar o papel dessa variante na explosão de casos recente no Amazonas. Acredito que ela seja um dos fatores, junto com a temporada de vírus respiratórios, que começa em novembro, e o relaxamento das medidas de distanciamento", afirmou Felipe Naveca, virologista e pesquisador do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

Uma das mutações citadas por Franco, a E484K, gera preocupação por já ter sido associada em outros estudos a um potencial de escapar de anticorpos. Isso precisa ser melhor estudado, mas, segundo especialistas, é mais provável que esse escape favoreça reinfecções, mas não atrapalhe a ação das vacinas contra a covid.

"O que pode acontecer é os anticorpos produzidos pelo paciente numa primeira infecção não darem conta de impedir uma segunda. Mas os anticorpos produzidos pela vacina são diferentes. É uma imunidade mais robusta, mais abrangente e, provavelmente, mais duradoura", explicou a biomédica Mellanie Fontes-Dutra, coordenadora da Rede Análise Covid-19. Ela diz que já estão sendo feitos estudos para verificar se vacinas já lançadas têm eficácia contra as novas variantes.

Os especialistas alertam que, embora ainda não haja confirmação, a nova linhagem pode já estar em outros Estados brasileiros e ressaltam a importância das medidas de proteção. "A variante pode ser mais transmissível, mas não é só ela a responsável pelo aumento de casos. As medidas de contenção continuam as mesmas: máscara, distanciamento, lavagem das mãos, e os governos devem restringir as flexibilizações feitas", disse Mellanie.

Perda de controle

O colapso do sistema de saúde de Manaus e a morte de pessoas por asfixia pela falta de oxigênio foram mencionados ontem pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um chamado para que países não descuidem da prevenção à covid-19. "O que está acontecendo em Manaus é um alerta a muitos países. Não deixem que uma falsa sensação de segurança baixe a guarda de vocês. Se vocês construíram uma infraestrutura, com leitos de UTI, oxigênio, não desativem, a pandemia não acabou ainda", afirmou a diretora-geral assistente da OMS, Mariangela Simão.

O diretor executivo da entidade, Mike Ryan, disse que a situação na cidade se deteriorou significativamente e que todo o sistema parece estar implodindo. Ele ressaltou que essa não é uma condição somente de Manaus, mas também de outros Estados, como Amapá e Rondônia. E apontou que a maior parcela de responsabilidade ainda é do relaxamento da população. Nós precisamos ser capazes de aceitar, como indivíduos, como comunidades e governos, nossa parte da responsabilidade para o vírus sair do controle", enfatizou.

O mundo ultrapassou nessa sexta-feira os 2 milhões de mortos por Covid-19, segundo contagem da Universidade Johns Hopkins, um ano após a descoberta do novo coronavírus na China e em meio ao surgimento de mutações mais contagiosas do vírus. O primeiro milhão de vítimas do coronavírus foi atingido em 29 de setembro, mais de nove meses depois (274 dias) de os primeiros casos terem sido reportados na cidade de Wuhan, na China. Este segundo milhão foi atingido em pouco mais de três meses, ou exatos 108 dias.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) atribui essa aceleração de contágios e de mortes ao cansaço do isolamento social e do desrespeito ao distanciamento social.

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Segundo o levantamento, 2.000.905 pessoas morreram por causa do vírus SARS-CoV-2 e houve 93,4 milhões de casos. A atual taxa de letalidade da doença é de 2,1%. A nova marca é atingida em um momento em que vacinas estão sendo desenvolvidas a uma velocidade atípica e lançadas em todo o mundo em uma grande campanha para tentar vencer a ameaça.

Em setembro, os números mostravam desaceleração no Brasil, mas já havia sinais de uma nova onda da Covid-19 na Europa no fim do verão no Hemisfério Norte. A situação piorou rapidamente a partir de novembro, nos países mais afetados pela pandemia. Os EUA chegam a registrar mais de 4 mil mortes em um só dia e a Europa sente dificuldade para baixar os números diários de internações com a preocupante chegada de variantes mais contagiosas do coronavírus.

Novas cepas foram detectadas em países como Reino Unido, África do Sul e EUA. De acordo com a OMS, a variante descoberta no Reino Unido já foi detectada em 22 países europeus e os governos de todo o continente endurecem as restrições em resposta à ameaça.

As autoridades também estão tentando persuadir populações cansadas e ansiosas a continuar a seguir os protocolos de distanciamento social, algo mais difícil de vender agora do que há um ano, quando o vírus carregava o fator de medo pelo fato de ser algo novo e desconhecido.

O diretor de Emergências Sanitárias da OMS, Mike Ryan, disse que os altos números "podem ser atribuídos, em parte, à aparição das variantes (mais contagiosas) do coronavírus, mas a grande maioria ocorreu porque estamos reduzindo o distanciamento físico e social".

"Com nosso comportamento não estamos rompendo as cadeias de transmissão e o vírus está explorando nossa falta de compromisso e nossa fadiga", disse Ryan. Ele destacou que esse relaxamento está sendo visto tanto em países do Hemisfério Norte como da América Latina, caso do Brasil, que registra preocupantes aumentos em Estados como o Amazonas, onde se analisa o possível surgimento de uma nova variante do vírus.

Especialistas também dizem que o início das vacinações em muitos países (cerca de 50) pode acrescentar um excesso de confiança que pode ser prejudicial na atual fase da pandemia. "Já advertimos em 2020 que confiar excessivamente nas vacinas poderia fazer com que perdêssemos as medidas de controle e de certo modo isso está ocorrendo", disse Ryan.

Vacinação

Em países ricos, incluindo EUA, Reino Unido, Canadá e Alemanha, dezenas de milhões de cidadãos já foram vacinados, apesar de vários problemas, como de logística, falta de doses, distribuição desigual e questões burocráticas. Mas em outros lugares as iniciativas de imunização mal saíram do papel. Muitos especialistas em saúde estão prevendo mais um ano de perdas e dificuldades em lugares como Irã, Índia, México e Brasil. Esses quatro países são responsáveis por cerca de um quarto das mortes no mundo.

A OMS acredita ser pouco improvável que este ano se atinja a chamada imunidade de rebanho, que exigiria que pelo menos 70% das pessoas do mundo estejam vacinadas.

Segundo o monitoramento da Johns Hopkins, os EUA são o país mais atingido pela pandemia, com 389.581 mortes em 23,4 milhões de casos - em meados de setembro, tinha cerca de 100 mil mortes a menos. Em seguida, com mais de 207 mil mortes e 8,3 milhões de casos, está o Brasil, seguido por Índia (151.918 mortes em 10,5 milhões de casos), México (137.916 mortes em 1,6 milhões de casos) e Reino Unido (87.448 mortes em 3,3 milhões de casos).

Embora a contagem tenha como base números fornecidos por agências governamentais em todo o mundo, acredita-se que a soma real seja significativamente maior, em parte por causa de testes inadequados e a muitas mortes que foram atribuídas imprecisamente a outras causas, especialmente no início do surto.

Na China, onde o mercado no epicentro do surto permanece fechado, uma equipe de especialistas da OMS chegou esta semana para tentar detectar a fonte do patógeno e como ele deu o suposto salto dos animais para os humanos. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

O Twitter marcou como "enganosa" uma postagem do presidente Jair Bolsonaro que citava supostos estudos clínicos sobre tratamento precoce para Covid-19. Cientistas alertam que esse tipo de tratamento não tem eficácia comprovada.

A plataforma informou que a postagem "violou as regras do Twitter sobre a publicação de informações enganosas e potencialmente prejudiciais relacionadas à Covid-19". Apesar disso, o Twitter determinou que "pode ser do interesse público que esse Tweet continue acessível", e por isso, o post continua no ar.

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Em meio à revolta com o colapso em Manaus por falta de oxigênio para pacientes com Covid-19, Bolsonaro publicou nesta sexta-feira (15) um vídeo do jornalista Alexandre Garcia falando sobre o suposto tratamento precoce, acompanhado de um texto alegando que o uso de medicamentos pode "reduzir a progressão da doença, prevenir a hospitalização e estão associados à redução da mortalidade".

O presidente chegou a dizer que precisou intervir em Manaus porque a cidade não estava fazendo "tratamento precoce", defendendo o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que deu declarações nesse sentido, apesar da falta de evidências da eficácia desses medicamentos.

Essa não é a primeira vez que Bolsonaro tem publicações em redes sociais marcadas como falsas ou enganosas. Em abril do ano passado, em meio ao primeiro pico da doença no País, o Instagram marcou uma publicação do presidente, que continha informações erradas sobre o número de mortes por Covid-19 no Ceará, com um "alerta de fake news".

O Brasil registrou, nas últimas 24 horas, 1.151 mortes em decorrência da covid-19, elevando o total de óbitos a 208.246. No mesmo intervalo, foram notificados 69.198 novos casos da doença, quarta maior taxa diária, elevando o total de infectados no País para 8.393.492 infecções, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde nesta sexta, 15.

O País é o terceiro mais afetado pela covid-19 quando são levados em conta os números de casos - fica atrás dos EUA (23.193.703) e da Índia (10.527.683).

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O Brasil está em segundo lugar em número de mortes. Os EUA são os que mais vítimas têm: 387.255, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Por sua vez, os EUA também são o país com mais pessoas vacinadas até o momento (12.279.180 de doses administradas, dos mais de 35 milhões de imunizados no mundo). (Equipe AE)

A Prefeitura do Recife e o Governo de Pernambuco devem enviar 200 concentradores de oxigênio para auxiliar a cidade de Manaus, Amazonas, no enfrentamento à Covid-19. Serão 100 enviados pelo governo municipal e 100 pelo estadual.

O prefeito João Campos (PSB) afirmou que esses equipamentos estavam no estoque da cidade e eram provenientes dos hospitais de campanha que foram desativados. Esses aparelhos evitam, em muitos casos, a necessidade da utilização de um respirador.

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"Cada concentrador enviado representará uma vida com mais chance de superar esse que é o maior desafio das gerações vivas. A pandemia pede compromisso, urgência e humanidade", disse João Campos.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, informou na tarde desta quinta-feira (15), que vai encaminhar agora à tarde um pedido de convocação da Comissão Representativa para que possam discutir o colapso na saúde pública de Manaus.

Além disso, ele quer debater todo o processo que envolve a vacinação no Brasil. "É mais do que urgente que o Parlamento esteja de portas abertas, trabalhando para encontrar soluções para essa situação tão drástica e urgente. Não podemos nos omitir", revela.

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O presidente Jair Bolsonaro reagiu nesta sexta-feira, 15, a declarações de autoridades que o responsabilizam pela crise causada pela pandemia de covid-19 no País. Em entrevista ao apresentador José Luis Datena, da TV Band, o presidente atacou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), a quem chamou de "moleque", e disse que ele se aliou ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para o tirar do cargo.

"Eles querem essa cadeira (de presidente) para roubar, para fazer o que sempre fizeram. Estamos dois anos sem corrupção, isso incomoda Maia e Doria", afirmou Bolsonaro. "Esse inferno que querem impor na minha vida não vai colar. E eu vou continuar fazendo meu trabalho. Não tem do que me acusar. Tem 40 a 50 processos de impeachment, não valem nada."

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Mais cedo, em entrevista após almoço com Maia em São Paulo, Doria responsabilizou o governo federal pelo cenário de falta de tubo de oxigênio em Manaus, em que pacientes estão morrendo por asfixia. Segundo o governador de São Paulo, a postura do presidente é de "genocida". Desde o início da pandemia, Bolsonaro tem minimizado a doença, adotado posições contrárias a recomendações de autoridades sanitárias e já disse que não irá se vacinar.

Ao rebater a declaração de Doria, Bolsonaro voltou a distorcer uma decisão do Supremo que reconheceu a autonomia de Estados e municípios para adotar medidas de enfrentamento contra a doença, em parceria com o governo federal. Na versão do presidente, no entanto, a Corte o "proibiu" de fazer qualquer coisa.

"O Supremo me tirou esse direito em abril do ano passado. Eu não posso fazer nada no tocante ao combate ao coronavírus, segundo decisão do STF", afirmou Bolsonaro.

O presidente voltou a negar atraso da vacinação no País, o que só deve ocorrer a partir do próximo dia 20, enquanto os principais países do mundo já vacinam há semanas.

"E se daqui 10 a 15 dias tivermos problemas? Eu vou ser responsabilizado? Temos que ter responsabilidade", disse ele. Após dizer que o governo já fez a sua parte no enfrentamento à crise em Manaus (AM), o presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira, 15, em entrevista ao Brasil Urgente, da Band, que as ações não estão restritas a discurso.

"Mais do que discurso, o nosso governo está em Manaus, está no Amazonas para ajudar o povo. Mesmo proibidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) temos levado alento", disse.

Na manhã desta sexta-feira, em conversa com apoiadores, Bolsonaro declarou que "o problema em Manaus é terrível. Fizemos a nossa parte, com recursos e meios".

Com coordenação do Ministério da Saúde, uma rede de apoio está sendo criada em todo o Brasil para receber os pacientes de Manaus com Covid-19 que não encontram mais vagas para internação na capital amazonense. A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) disponibilizou 150 leitos, distribuídos em nove hospitais universitários federais do País, que fazem parte da rede administrada pela Ebserh, com o intuito de ajudar o estado do Amazonas. 

O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC-UFPE)/Ebserh é um deles e confirmou, nesta sexta-feira (15), que vai disponibilizar dez leitos para esses pacientes com Covid-19. A data em que esses dez pacientes irão chegar ainda não foi definida.

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Para recebê-los, uma força-tarefa foi montada para redefinir os fluxos, reorganizar as equipes e redistribuir os leitos. Os pacientes de Manaus irão ficar internados na enfermaria de Doenças Infecciosas e Parasitária do HC – espaço que, em julho do ano passado, passou por requalificação estrutural para garantir mais conforto e qualidade para os pacientes e profissionais.

“Nosso hospital está preparado para receber esses pacientes. Temos uma equipe multiprofissional altamente qualificada, além de infraestrutura física, equipamentos e insumos de qualidade”, garantiu o superintendente do HC-UFPE/Ebserh, Luiz Alberto Mattos.

Como os pacientes infectados pelo novo coronavírus não podem receber visitas devido ao alto risco de contágio, serão feitas visitas virtuais para diminuir a angústia e a distância entre os pacientes e seus familiares, por meio de tablets e outros instrumentos de comunicação.

O reitor da UFPE, Alfredo Gomes, disse que a Universidade se solidariza com o estado amazonense. “A Universidade cumpre sua função social e compromisso com a vida, colocando seu hospital escola a serviço do povo brasileiro. O HC é um patrimônio público. Só podemos dar a resposta necessária a essa pandemia com a união de profissionais da saúde, cientistas, governos, instituições e a sociedade. A UFPE esteve atuante no enfrentamento da pandemia e permanece à disposição”, afirmou o professor Alfredo Gomes.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), voltou a reforçar, nesta sexta-feira (15) críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e disse ter certeza de que "muitas vozes vão começar a se levantar em defesa do Brasil" e contrárias à atual atuação do Executivo. "Se não fizermos isso, Brasil estará em dois anos destruído pela inépcia", afirmou o governador.

Em coletiva no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, ao lado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do deputado federal e candidato à sucessão da Casa Baleia Rossi (MDB-SP), Doria repudiou as declarações do presidente de que o Brasil estaria quebrado, e de que não seria possível fazer mais pelo País. "Esse não é o Brasil que eu amo e gosto", disse.

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Apesar das críticas, Doria afirmou, sobre as manifestações convocadas para este domingo (17) contrárias ao presidente Jair Bolsonaro, que "não é o momento para aglomerações". No lugar, o governador de São Paulo sugeriu às pessoas que se manifestassem de suas janelas, por meio de panelaços, ou pelas redes sociais.

Mais cedo, durante coletiva de imprensa convocada para o almoço, Doria se exaltou ao comentar a falta de oxigênio em Manaus, capital do Amazonas, pela alta demanda, em razão do aumento de internações pela covid-19, que atinge, inclusive, bebês recém-nascidos. Para Dória, "não ter oxigênio disponível para bebês é uma irresponsabilidade do governo Bolsonaro".

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