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 É com ele que a trabalhadora rural Maria Francilene, de 25 anos, garante fraldas, frango no mercadinho e roupas para o Marcelo, seu filho de quase três anos na pequena Garrafão do Norte, município de 26 mil habitantes no nordeste do Pará. É nele que a mãe solo Adrielly Pereira Silva, de 19 anos, confia para variar o cardápio da Pérola, de dois anos e 11 meses, na cidade mineira de Jequitinhonha.  

A certeza do mínimo de R$ 600 e dos R$ 150 a mais por criança de até seis anos é sinônimo de segurança e dignidade para Francilene, Adrielly e para outros 21,2 milhões de beneficiários do Bolsa Família. O programa de transferência de renda do Governo Federal iniciou o pagamento de maio, que segue até o dia 31 (veja abaixo).

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RECORDES – Neste mês, o valor médio pago em todo o país no Bolsa Família é o mais alto de todos os tempos. São R$ 672,45, acima dos R$ 670,49 registrados em abril. O programa está nos 5.570 municípios do país e, neste mês, o valor total pago pelo Governo Federal soma R$ 14,1 bilhões: é o maior da história do programa de transferência de renda.

1 MILHÃO DE INCLUÍDOS – Desde o relançamento em março, o Bolsa Família incluiu mais de 1 milhão de famílias. São pessoas que preenchem os requisitos para estar na lista e estavam fora até então. Entre março e abril, 808 mil famílias foram incluídas. Em maio, mais 200 mil.

R$ 150 PARA 9 MILHÕES — O Bolsa Família garante o mínimo de R$ 600 e mais R$ 150 para cada criança de zero a seis anos na família. Em maio, são mais de 9 milhões de crianças de zero a seis anos com direito aos R$ 150, como a Pérola e o Marcelo.

“Significa um extra para garantir algo a mais para a minha filha. São carnes de melhor qualidade e uma diversidade de frutas”, conta Adrielly. “Os R$ 150 deixo para pagar coisinhas dele. Os R$ 600 vão para luz e despesas de casa”, explica Francilene, enquanto visita um mercadinho ao lado de casa para comprar peito de frango.

ESSENCIAL — Moradora de Manaus (AM), Jéssica Lesses é mãe de duas filhas e vive com a mãe numa residência alugada. Ela se desdobra entre um emprego temporário como analista comercial, o estudo para buscar melhores oportunidades e o cuidado com as meninas. Para ela, o Bolsa Família é um essencial complemento. “Depois dessa atualização, a renda aumentou e a gente consegue comprar aqueles itens que precisava tirar do carrinho. As necessidades nunca acabam: precisamos comer, vestir, alimentar, morar. Sem o Bolsa Família, seria bem difícil”.

Infográfico 1 - Distribuição de recursos do Programa Bolsa Família no Brasil
Distribuição de recursos do Programa Bolsa Família no Brasil / Divulgação (Secom) 

REGIÕES — O Nordeste é a região com mais integrantes no Bolsa Família. São mais de 9,7 milhões de famílias nos nove estados. Para isso, o investimento do Governo Federal é de R$ 6,3 bilhões. O benefício médio pago na região é de R$ 664,38. O Sudeste vem em seguida. São 6,33 milhões de famílias. Os repasses superam R$ 4,25 bilhões e o valor médio nos quatro estados é de R$ 672,32. Na sequência aparecem o Norte (2,59 milhões de famílias nos sete estados), o Sul (1,43 milhão nos três estados) e o Centro-Oeste (1,13 milhão nos três estados e no Distrito Federal).

ESTADOS — São Paulo lidera a lista de beneficiários do Bolsa Família. São mais de 2,579 milhões no estado, com benefício médio de R$ 678,25 e investimento de R$ 1,74 bilhão. Na sequência vêm sete estados com mais de um milhão de famílias contempladas: Bahia (2,5 milhões), Rio de Janeiro (1,82 milhão), Pernambuco (1,67 milhão), Minas Gerais (1,62 milhão), Ceará (1,49 milhão), Pará (1,35 milhão) e Maranhão (1,23 milhão). 

Da assessoria

A Caixa Econômica Federal divulgou que, a partir desta quarta-feira (30), os beneficiários do auxílio emergencial que receberam o pagamento da primeira parcela do benefício já em abril, começarão a receber a primeira parcela da extensão. Os beneficiários do Bolsa Família já começaram a receber o auxílio emergencial estendido no dia 17 de setembro e finalizam o primeiro ciclo na quarta 30), com o pagamento dos beneficiários de final de NIS 0.

O Auxílio Emergencial Extensão será pago em até quatro parcelas de R$ 300 cada e, no caso das mães chefes de família monoparental, o valor é de R$ 600. Não há necessidade de novo requerimento para receber a extensão do auxílio. Somente aqueles que já foram beneficiados e, a partir de agora, se enquadram nos novos requisitos estabelecidos na Medida Provisória nº 100, terão direito a continuar recebendo o benefício.

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Nascidos em janeiro terão o dinheiro creditado no Caixa Tem a partir de quarta-feira (30). Já os nascidos em fevereiro só terão o valor do auxílio creditado na segunda-feira (5). Confira abaixo o calendário do Ciclo 3 estabelecido pela estatal.

O Ciclo 3 também contempla o público que tenha feito o procedimento de contestação por meio da plataforma digital entre os dias 20 de julho e 25 de agosto e tenha sido considerado elegível receberá o crédito da primeira parcela do auxílio emergencial.

No Ciclo 4, será a vez de começar a receber a parcela do benefício aqueles que receberam o auxílio pela primeira vez no mês de maio. 

Os nascidos em janeiro, que tiveram o crédito do valor no CAIXA Tem no dia 30 de setembro, só poderão sacar ou transferir esse dinheiro para uma outra conta no dia 7 de novembro. Confira o calendário do saque em dinheiro para os Ciclos 3 e 4:





 

A presença dos alunos beneficiários do Programa Bolsa Família dentro das salas de aula registrou, nos meses de abril e maio deste ano, o segundo melhor resultado da história. Neste período, 87,16% compareceram às aulas regularmente. Segundo o Ministério da Educação, esse número só é inferior ao mesmo período de 2014, que registrou 89,22%.

Em abril e maio de 2007, primeiro ano da série histórica, apenas 68,94% dos alunos cujas famílias eram beneficiárias do Bolsa Família frequentavam diariamente as salas de aula. “Nós temos um problema muito sério no Brasil que é a desigualdade educacional. Esse acompanhamento da frequência escolar é essencial para apoiar a trajetória escolar do aluno. É um esforço que temos que fazer para vermos nossas crianças terminando o ensino fundamental e o ensino médio. Essa iniciativa apoia fortemente isso”, explica o diretor de Políticas de Educação em Direitos Humanos e Cidadania, Daniel Ximenes.

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Ao analisar os resultados do período, por estado, os números mostram que das 27 unidades da federação, dez apresentaram frequência escolar acima da média nacional, de 85%. Destaque para São Paulo (94,42%), Rio Grande do Sul (92,51%), Paraná (92,49%), Espírito Santo (92,20%), Santa Catarina (91,11%) e Tocantins (91,09%).

No mesmo período, 13 capitais registraram dados acima da média. Porto Alegre chegou próximo de 100% (99,6%). Teresina (98,7%) e Palmas (97,5%) também obtiveram números expressivos. Dos mais de 15 milhões de estudantes beneficiários do Bolsa Família, 12.407.722 (93,80%) cumpriram o percentual mínimo exigido pelo programa, que é de 85%, e 820 mil (6,20%) descumpriram a condicionalidade.

Diante dos números positivos, Daniel Ximenes destaca a importância da família na questão da frequência escolar e confirma que o acompanhamento não tem caráter punitivo em relação ao Bolsa Família. “Não podemos, em hipótese alguma, dar essa característica punitiva. Temos que trabalhar junto a essas famílias de vulnerabilidade econômica para que as próximas gerações tenham a melhor condição possível de escolarização”, esclarece o diretor.

O terceiro período de acompanhamento, referente aos meses de junho e julho, será aberto na próxima terça-feira (18), para a impressão de formulários, e de 1º a 25 de agosto, para registro da frequência escolar.

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Em passagem por Recife para participar do encontro do PT-PE nesta sexta-feira (15), o prefeito de Serra Talhada (PT), Luciano Duque (PT), fez críticas ao modelo atual de distribuição de renda aos municípios. Em entrevista ao Portal LeiaJá, o petista reconheceu alguns avanços do Governo Federal, mas pontuou sem ressalvas, que existe um equívoco na maneira do repasse de recursos aos municípios. 

“A gente entende que o governo avançou, mas é preciso que haja um novo reordenamento, principalmente na questão do pacto federativo. Nós que governamos as células bases que são aos municípios, nós sentimos muito hoje, desde a Constituição de 88”, criticou. Para Duque as políticas anunciadas trazem mais gastos as cidades. “Houve um acúmulo de obrigação para os municípios com a não contrapartida de recursos, e o governo tem sido muito bom na reformulação de novas políticas, mas infelizmente, isso tem onerado muito, e na maioria das vezes, os municípios menores não têm conseguido tocar essas políticas. Esse é um dos grandes problemas”, avaliou.

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O gestor municipal acredita que a fórmula de repartição “do bolo federativo”, é equivocada em vários aspectos. “Primeiro eu acho que tem que ser revisto e usar outros instrumentos de mensuração. Não basta colocar população e distribuir por habitantes, tem que ser levado em conta a renda da região, indicadores sociais, de saúde, de educação, senão, você continua aprofundando o fosso, porque quanto menor o município, você tem mais dificuldade de gerenciamento”, analisou.

Duque frisou o subfinanciamento das políticas públicas nas áreas de saúde e educação e contabilizou gastos atuais. “Quando eu comecei a governar, os 100% do Fundeb dava para pagar a folha, mas hoje não dá mais! Hoje eu estou com 160% só com pagamento de folha. Então, acho que é um equívoco, é preciso que se reveja este modelo na repartição do bolo e acho que os instrumentos tem que ser revistos”, reforçou. 

Para o prefeito da cidade de Sertão, o Congresso Nacional também pode ajudar no planejamento de distribuição para evitar a desigualdade. “Tem que repensar para que essas distorções que existem neste modelo, onde aprofunda o fosso dos pobres, cada vez mais pobres”, alfinetou. 

Questionado sobre a solução, Luciano Duque sugeriu a criação de políticas que corrijam as desigualdades. “Você trata um município médio de 100 mil habitantes do Rio Grande do Sul, igual ao de Pernambuco, da Paraíba que tem uma renda efetivamente menor? A metade da população está abaixo da linha da pobreza, lá você tem 20% e aqui você tem 50%, então, como você pode ter o mesmo tratamento do bolo tributário? Este é o grande equívoco: a forma da distribuição da renda é que está errado, este modelo FPM (Fundo de Participação dos Municípios), ele está extremamente ultrapassado, acho que tem que ter um olhar com outros indicadores para que a gente possa melhorar e distribuir melhor a riqueza e consequentemente você promover um desenvolvimento mais igual”, cravou. 

“Meu habitante, eu só posso gastar R$ 1.500 e a média nacional é R$3.500, isso não cabe na cabeça de ninguém. Temos que fazer um exercício enorme para governar”, desabafou o gestor. 

FPM - O Fundo de Participação dos Municípios é uma transferência constitucional da União para os Estados e o Distrito Federal, composto de 22,5% da arrecadação do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

A distribuição dos recursos aos Municípios é feita de acordo com o número de habitantes, onde são fixadas faixas populacionais, cabendo a cada uma delas um coeficiente individual.

Thomas Piketty provocou um alvoroço no debate mundial sobre concentração de renda. Autor do livro O Capital no Século 21, o economista francês colocou a desigualdade social no centro do debate ao prever a concentração de renda nas grandes economias.

A análise do livro de Piketty não leva em conta a economia brasileira nem os demais países emergentes, mas o Brasil tem algumas certezas diante dessa discussão: o caminho é longo para que o País se torne mais igualitário e essa melhora vai passar inevitavelmente pela educação. O Brasil também pode se vangloriar de não ter fugido desse debate nos últimos anos. E não faria sentido se fosse diferente: a economia brasileira sempre foi uma das mais desiguais do mundo.

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A boa notícia é que os indicadores dos últimos 20 anos mostram que algo está mudando. A fotografia ainda é muito ruim, mas o Brasil ficou menos desigual. Os números mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) indicam, por exemplo, que a renda anual média per capita dos 10% mais pobres cresceu 5,4% entre 1992 e 2012. No outro topo, entre os 10% mais ricos, a renda avançou 2,6% no período.

As classificações internacionais também capturaram essa melhora. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil aumentou de 0,522 para 0,730 entre 1980 e 2012. O índice de Gini, que mede a desigualdade e vai de 0 a 1 - quanto menor, menos desigual é a sociedade - recuou de 0,566, em 2001, para 0,499, em 2012.

A melhora da desigualdade pode ser atribuída a diversos fatores. A criação do Plano Real deu sustentação para uma economia mais estável e previsível, o que foi uma precondição determinante para o processo de queda na concentração de renda. Recentemente, os principais fatores que ajudaram foram o aumento da escolaridade do brasileiro, programas de transferência de renda e ganhos reais do salário mínimo e sobretudo o fortalecimento do mercado de trabalho.

"A principal queda da desigualdade é o trabalho e por detrás disso está a educação", diz Marcelo Neri, ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE/PR). Na área educacional, o Brasil conseguiu elevar de 5,7 para 8,8 a média de anos de estudo.

"Um dos fatores que mais explica a desigualdade no mundo é a educação. No Brasil, qualquer que fosse o governo, a educação nunca foi uma prioridade muito relevante nem na quantidade nem na qualidade", diz Marcos Lisboa, vice-presidente do Insper e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. "A partir do fim da década de 80 e início dos anos 90, a educação começa a ter um papel no País e a ser mais valorizada", afirma Lisboa.

A economia brasileira também foi impactada positivamente pela política de aumento do salário mínimo. Como boa parte das pensões e aposentadorias são indexadas pelo mínimo, os reajustes reais - ou sejam aqueles acima da inflação - acabaram se espalhando tendo um efeito positivo na geração de renda na economia. "Esse ganho ajudou na redução substancial da diferença de renda de parte da população", diz José Márcio Camargo, professor da PUC-Rio e economista da Opus Gestão de Recurso.

Nesse ciclo virtuoso, o Brasil ainda avançou nos programas sociais. Com o Bolsa Família, o governo criou um cadastro único com base nos beneficiários de programas antigos, como o Bolsa Escola e Vale Gás, e "deu uma cara para a pobreza", segundo Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco e um dos formuladores do programa. "Ao ter um programa só, o governo aumentou a capacidade de foco e conseguiu ser mais efetivo na gestão do programa", afirma. "O programa tem duas âncoras: a de curto prazo, que é a transferência de renda, que tem um impacto sobre a pobreza. A âncora de longo prazo dá atenção para saúde e educação, com a perspectiva de mudança geracional."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A presidente Dilma Rousseff citou o período do regime militar e destacou na noite desta quarta-feira que a sociedade brasileira lutou para restabelecer a democracia no País. Dilma aproveitou para falar que a sociedade foi vencedora nesta batalha, mas disse que "mesmo assim, durante muito tempo" o Brasil foi um "país de oportunidades para poucos". "Lutamos para tornar esse País um país democrático. Agora estamos lutando para tornar um País mais inclusivo, mais igual, com maior distribuição de renda", afirmou Dilma, durante participação em formatura de alunos do Instituto Rio Branco, em Brasília.

Dilma afirmou que os ganhos com a distribuição de renda e o crescimento sustentável fazem parte de um processo. "A partir de agora, exige muito mais de nós, porque exige posicionamentos claros que a fome e a miséria encobriam por completo", disse. O caminho, disse Dilma, passa por educação de qualidade, melhoria do atendimento médico e investimentos e realização de obras de infraestrutura, logística e melhoria dos serviços públicos.

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"Requer uma profissionalização cada vez maior dos agentes públicos, em especial deste que é a nossa representação no exterior", disse a presidente. Ela afirmou ainda que a presença do Brasil no cenário mundial foi fortalecida pelas transformações internas. "Ninguém respeita um País que não respeita seu povo, que aceita pacificamente, passivamente, uma parte expressiva da sua população estar excluída", afirmou.

Ela destacou que o Brasil é uma nação de "vocação universalista, sem preconceitos nas relações exteriores". Dilma aproveitou para afirmar que o Brasil sente-se hoje "mais do que nunca" parte da América Latina e do Caribe e destacou as relações do Mercosul e da Unasul. "É importante sinalizar que tanto a Unasul quanto o Mercosul demonstraram imensa maturidade diante de conflitos e situações ocorridas em nossa comunidade", afirmou.

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