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José Adilson Rodrigues dos Santos, mais conhecido como Maguila, vem sofrendo a anos por uma doença bem comum de boxeadores, encefalopatia traumática crônica. E recentemente descobriu uma nova forma para tratar a doença: medicina canábica.

Com pequenas doses diárias da popular planta conhecida como maconha o tratamento vem dando resultado e o ex-boxeador vem voltando a ter qualidade de vida. A doença é crônica, degenerativa, progressiva e irreversível, causada geralmente por repetidos golpes na cabeça e também é conhecida como Síndrome Boxer, tendo como sintomas perda de memória, mudanças de personalidade e alterações motoras semelhantes a doença de Parkinson, onde há um tremor das mãos por exemplo.

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A doença começou a se manifestar em Maguila a partir da agressividade, fora dos ringues, o boxeador sempre foi muito risonho e estava deixando de ser e com o passar dos anos, se tornou ausente, lento, esquecido e preguiçoso. Mas por ter momentos de pico, hora estava bem, hora estava o inverso. Por conta desses fatores, seu médico, o neurologista Renato Anghinah, sugeriu optar pelo canabidiol, para tentar trazer benefícios no sentido da qualidade de vida, pois deixa uma sensação de bem-estar maior. Desde então, Maguila diariamente consome algumas gotas do óleo de canabidiol isolado, excluindo as moléculas de THC (tetrahidrocanabinol) que é o que faz a pessoa “viajar” com o uso da canabis.

A maconha já é utilizada no tratamento de outras doenças, epilepsia, autismo e até ansiedade, por exemplo.

 

A Justiça determinou que o governo do Distrito Federal forneça gratuitamente um medicamento de canabidiol, substância encontrada na maconha, a um paciente que sofre de epilepsia e atraso do desenvolvimento psicomotor. Com base nas resoluções da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de janeiro de 2015 e março deste ano, que autorizaram a manipulação, prescrição e comercialização de medicamentos fabricados com cannabis, o juiz Jansen Fialho de Almeida, da 3ª Vara da Fazenda Pública, decidiu que o Estado deve garantir o direito constitucional à saúde, fornecendo o medicamento para o tratamento, estimado em R$ 10,4 mil.

Apesar das regulamentações da Anvisa, o governo do DF alegou que não pode fornecer o medicamento por não ser registrado no Brasil e não existir fundamento jurídico para a distribuição. No site da Anvisa há um formulário em que o paciente pode requerer a importação de medicamentos que contenham canabidiol e tetraidrocanabinol, desde que sejam utilizadas exclusivamente para tratamento de saúde. Experiências conduzidas pela Escola Paulista de Medicina nos anos 80 avaliaram o efeito dessas substâncias no tratamento de doenças neurológicas, atestando a eficácia, porém não concluindo definitivamente que os medicamentos pudessem ser liberados para prescrição.

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Atualmente, a USP (Universidade de São Paulo) desenvolve uma pesquisa sobre o uso de canabidiol no tratamento de doenças inflamatórias, como a artrite, e aprofunda os estudos sobre o efeito da substância no tratamento de problemas neurológicos, como a esclerose, com resultados bastante satisfatórios.

Por Wagner Silva

Intitulado de modelo “antiproibicionista”, o I Encontro Nacional de Coletivos Ativistas Antiproibicionistas (ENCAA) será realizado no Recife e tem o intuito de formular um projeto de lei com iniciativas populares que servirão de modelo para a sociedade brasileira. O evento é realizado pela Rede Nacional de Coletivos e Ativistas Antiproibicionistas (RENCAA) e ocorrerá do próximo dia 24 a 26 de junho, no Centro de Ciências Sociais Aplicadas, Campus Recife da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Além do uso da maconha, o ENCAA busca debater a liberdade de consumo de quaisquer substâncias. O ativista Fernando Ribamar, do coletivo Coletivo Antiproibicionista de Pernambuco, ressalta a importância do debate.“O ENCAA vai ser muito importante para a sociedade em geral porque a guerra às drogas é um problema que atinge a todos, custa vidas e muito dinheiro. Essa proibição de certas substâncias em detrimento de outras gera uma guerra contra a população negra, periférica e gera lucro para pouquíssimas pessoas. Os efeitos nocivos da guerra sempre recaem sobre essa parcela mais fragilizada da população. Se esse paradigma fosse quebrado e essas substâncias passassem a ser regularizadas, todo esse recurso humano e material poderia ter destinos mais construtivos para todos.”, argumenta Ribamar.

Além da programação composta por mesas de debates e palestras abertas ao público, o evento terá encerramento no domingo (22) com a Marcha da Maconha Unificada, com saída na Praça do Derby, às 16h20, e o Festival de Cultura Canábica, às 22h, na Praça da Várzea. Confira a programação completa abaixo.

Serviço

I Encontro Nacional de Coletivos Ativistas Antiproibicionistas- ENCAA

Local: Centro de Ciências Sociais Aplicadas da UFPE

Gratuito

Sexta (24)

16h20- Abertura do Credenciamento e encontro entre os pares

18h- Apresentação da Comissão Organizadora

18h20- Abertura do Encontro

19h30- Mesa1: Da guerra à domesticação – Quais os caminhos Antiproibicionistas?

Henrique Carneiro (Historiador, Professor da USP), Nadja Carvalho (Advogada, Ativista Marcha da Maconha PI)

Debate – Mediação: Andrew Costa

22h- Jantar (vegetariano)

22h30- Apresentação do Maracatu Tambores de La Revolución

Sábado (25)

9h- Café-da-Manhã

10h- Mesa 2: Antiproibicionismo: quem somos? O que queremos?

Rodrigo Mattei (Marcha RJ), Tamara Silva (Marcha CE), Priscila Gadelha (Marcha PE), Roberta Marcondes (Coletivo DAR, Marcha SP)

11h-  Grupos de Discussão:

G1 – Do Judiciário à Segurança Pública, quais os caminhos Antiproibicionistas?

Luciana Zaffalon (advogada, mestre e doutoranda em administração pública, coordena o núcleo de atuação política do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM)

Cristhovão Golçalves (advogado, mestre em Direito, Coletivo Antiproibicionista de Pernambuco)

GT2 – Antiproibicionismo e Feminismo, quais os caminhos para reforma da política de drogas que leve em conta Gênero?

Luciana Boiteux (Professora de Direito da UFRJ) e Constança Baharona (Mestra em Filosofia, Ativista Feminista da Marcha RJ), Lucia Stokas (ITTC)

G3 – Reforma de Drogas e racismo, quais os caminhos Antiproibicionistas?

Eduardo Ribeiro (Coordenador da Iniciativa Negra por uma Nova Política de Drogas) e Rafael Moyses (Graduando Ciências Sociais pela UFMG, e Ativista da Marcha MG)

G4 – Antiproibicionismo e Classe, quais impactos e os caminhos?

Michel Zaidan (Cientista Social, e Professor da UFPE) e Eduardo Nunes (Historiador, Pós-Graduado em Educação)

G5 – Saúde, Redução de Danos e Autonomia, quais os caminhos Antiproibicionistas?

Rafael Baquit (Psiquiatra, Redutor de Danos, Coletivo Balanceará e Aborda-CE), Denis Petuco (Sociólogo, redutor de danos, militante antiproibicionista, professor-pesquisador da Fiocruz) e Ana Ferraz (Psicóloga, Servidora Pública Federal, e coordenação geral de prevenção da Senad)

G6 – Antiproibicionismo e Diversidade, quais os caminhos?

Leiliane Assunção (Professora Doutora da UFRN) e Diego Lemos (Mestrando e Graduado em Direito pela UFPE, advogado, membro do Asa Branca Criminologia, Movimento Zoada)

G7 – Antiproibicionismo e Juventude, quais os caminhos?

Pierre Ferraz (Representante da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids) e Nara Santos (Representante da UNODC)

G8 – Antiproibicionismo e Economia, quais os caminhos?

Marcilio Brandão (Membro do Coletivo Antiproibicionista de Pernambuco, Cientista Social e Doutorando em sociologia pela EHESS, UFPE) e Taciana Dias (Doutorando pela UNICAMP)

13h-Almoço

14h- ELOs (Espaços de Livre Organização)

TENDA 1 – Oficinas de ZINE, Estêncil e Grafite (Ativistas: Ferramenta Sinistra e OcupeEstelita) e Mídia Alternativa (Guilherme Sorti)

TENDA 2 – Culinária e Uso Medicinal (Natália Mesquita e o pessoal da Paraíba)

TENDA 3 – Apresentação de Trabalhos Acadêmicos

TENDA 4 – Batucada Canábica – Marcha RJ (Rodrigo Mattei)

TENDA 5 – Tenda da Fechação (Travestis, trans e prostitutas – Juma e Zoada)

TENDA 6 – Práticas Integrativas, Redução de Danos e uso de entéogenos – Luana Malheiros (Balance/Balanceará – Angélica e CAPE-Arturo)

TENDA 7 – Partidos políticos e candidaturas

TENDA 8 – Feminismo (Comitê de Mulheres pela Democracia, Pri, Ingrid, Luana)

TENDA 9 – Raça (INNPUD – Dudu Ribeiro e Natália Oliveira)

TENDA 10 – Economia Criativa (CUT, Unisol)

18h- Intervalo/Lanche coletivo

19h -Mesa - Qual modelo de legalização que queremos (Projeto Lei Iniciativa Popular)

Julio Calzada (Ex, Secretario da Junta de Drogas do Uruguai), Ingrid Farias (Membra da LANPUD, Secretaria Executiva da ABORDA, Representante da RENCA), Emilio Nabas (advogado, pós-graduado em Terceiro Setor e Responsabilidade Social pelo Instituto de Economia da UFRJ. Assessor e consultor jurídico com atuação em assuntos relacionados à reforma da política de drogas).

19h40- Debate com mediação de Luana Malheiros (Representante da LANPUD, Articuladora da Aborda, Pesquisadora da ABESUP)

21h30- Jantar

22h- III Festival de Cultura Canábica

Domingo (26)

10h - Café da Manhã

11h - Plenária Final. Apresentação das Propostas dos GTS, encaminhamentos e documento final do Encontro.

Condução da Mesa Thati Nicácio (Marcha AL),

14h- Almoço

16h20- Marcha da Maconha Unificada

 

 

 

 

 

 

O uso terapêutico da Cannabis Sativa, mas popularmente conhecida como Maconha, será debatido na manhã desta quinta-feira (6) na Câmara Municipal do Recife. A audiência pública, promovida pelo vereador Osmar Ricardo (PT), pretende ouvir a opinião de vários setores da sociedade sobre o tema e iniciará às 9h.

A discussão tinha sido marcada mês passado, mas acabou sendo adiada para junho porque muitos dos convidados não chegaram a confirmar a presença. Para o vereador que marcou a audiência pública, é importante trazer o assunto para a sociedade porque segundo ele, alguns especialistas dizem que a Canabis Sativa auxilia dependentes de crack a se livrarem da droga. 

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“É um debate que a sociedade precisa participar. Alguns assuntos como a célula-tronco, por exemplo, era levantado pela Igreja, mas hoje isso veio para aprimorar. É um momento que Recife e Pernambuco têm que enxergar isso. Inclusive, alguns especialistas defendem que aqueles que usam o crack, possam usar a maconha porque é menos agressiva e isso já ocorre na Inglaterra e Alemanha”, defende.

Ricardo também apoia a marcha da maconha que é realizada tanto em Pernambuco, quanto no Brasil e compara a Canabis Sativa com a bebida alcoólica. “Temos que acabar com a hipocrisia do uso da maconha. A bebida alcoólica também é uma droga, mas como as pessoas não têm coragem de acabar com a bebida restringe como a lei seca. Temos que ter a clareza. Defendemos o uso da maconha, mas iremos discutir o assunto com os órgãos competentes”, frisou o petista. 

Convidados - Para a audiência foram convidados, o Procurador Geral do MPPE, Aguinaldo Fenelon; o gestor do Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) da Polícia Civil, delegado Renato Rocha; o Secretário de Saúde de PE, Antônio Carlos Figueira; o Secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia, e a Secretária de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Recife, Ana Rita Suassuna.

Outros órgãos também foram chamados como representantes do Fórum de Juventude Negra de PE, Anderson Barbosa; DCE – Unicap, Pedro Josephi; Marcilio Dantas Brandão, Doutor em Política de Drogas; Ingrid Farias, coordenadora da Marcha da Maconha; Gilberto Bezerra Luna Borges, da Associação dos Usuários e ex-usuários de Álcool e Outras Drogas de PE - SE LIGA e Rodrigo Cariri, Médico e Professor da UFPE.

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