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Nesta segunda-feira (27) é celebrado o Dia Mundial da Mulher Muçulmana. Neste ano, a data coincide com o Ramadã, mês que obedece ao calendário lunar. No período, a comunidade islâmica faz jejum diariamente. A prática é considerada um dos cinco pilares do islã.

Os  demais são a Shahada, uma afirmação que se repete a cada oração; as orações, feitas cinco vezes por dia; o Zakat, que consiste em uma doação; e o Hajj, peregrinação a Meca, que deve ser feita pelo menos uma vez na vida, por quem tem condições financeiras.

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De acordo com o Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no país, apenas 35 mil pessoas declararam ser muçulmanas, quantidade bastante inferior ao número de católicos apostólicos romanos (123 milhões), evangélicos (42 milhões), outras religiões cristãs (1,4 milhão) e testemunhas de Jeová (1,3 milhão). Em todo o mundo, há, pelo menos, em torno de 2 bilhões de muçulmanos.

Independentemente de os muçulmanos estarem em um país no qual, em relação à quantidade, são minoria ou maioria, a islamofobia os acompanha. Por esse motivo, a Organização das Nações Unidas (ONU) realizou evento para marcar, no início deste mês, pela primeira vez, o Dia Internacional contra a Islamofobia. Quando se trata de mulheres que seguem o Alcorão, as reações contra muçulmanos são ainda piores.

Uma das tradições básicas e que mais causam estranhamento é o uso do lenço, que pode reforçar, entre quem não busca entender a religião, o estereótipo de que toda mulher muçulmana sofre forte repressão. A professora e antropóloga Francirosy Campos Barbosa comenta que há uma contradição em certas perspectivas em torno das muçulmanas, como o fato de que outras mulheres se consideram completamente livres de opressão, na comparação com elas, o que não é verdade. Ela completa 25 anos de pesquisa sobre o tema, também este mês.

Francirosy foi a responsável por coordenar os estudos que resultaram no Primeiro Relatório de Islamofobia no Brasil e foram desenvolvidos ao longo de uma década, aproximadamente. A obra foi disponibilizada no formato de e-book gratuito, pela editora Ambigrama.

"O que acontece com os ocidentais? Só conseguem olhar pra quem não é da sua cultura. Então, quando você vê uma muçulmana vestida, liga uma chavinha na cabeça das pessoa, que diz, bom, se você está vestida desse jeito, só pode ser oprimida, só pode apanhar do marido, só pode estar em sofrimento. Então, preciso salvá-la. Essa é uma ideia imediata, porque o Ocidente construiu a ideia de liberdade a partir da ideia de você estar vestido como você quer, você estar nu, queimar sutiã", diz.

"Você tem toda uma retórica que foi construída de forma positiva, em alguns pontos, mas que acaba anulando outros grupos sociais. Não é a vestimenta, eu tenho repetido isso há muito tempo, que vai definir se a pessoa tem mais ou menos liberdade, se está mais ou menos protegida", completa a docente, que coordena o Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicos (Gracias), da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto.

"Eu posso ter uma mulher muçulmana, toda coberta e que sofre agressões, eu posso estar de biquíni e sofrer agressões. O que perpassa aí não é a questão da religião, porque as pessoas gostam muito de atrelar a violência contra a mulher à religião islâmica", acrescenta a professora, que, em seu perfil do Twitter, explica as diferenças entre burca, niqab, hijab e xador. 

Com respostas de 653 pessoas muçulmanas, o estudo do Gracias mostra que a maioria das vítimas de islamofobia é do gênero feminino (68%). Embora também sofram intolerância e discriminação, os homens relatam mais casos de resistência quanto a se reconhecerem como os agentes que promovem tal preconceito. As mulheres, por sua vez, descrevem mais situações de agressões físicas, sexualização, perda de oportunidades e sofrimento psíquico que deriva das hostilidades.

Algo que atinge homens e mulheres, quase indistintamente, são as agressões verbais. No total, 82% dos homens e 92% das mulheres já foram vítimas desse tipo de violência, sendo a rua o principal local onde os casos aconteceram: 54,5% quando os agredidos eram homens e 72% entre as mulheres. O fato de a rua concentrar tantos episódios pode indicar que os agressores se sentiram à vontade para cometer a violência.

Os ambientes de trabalho e estudo também são aparecem no levantamento. Quase metade dos homens (46,4%) contou ter sofrido violências no trabalho e 42,7% na escola ou universidade. Já os percentuais das mulheres são, respectivamente, de 39,9% e 31,8%.

Reação ao preconceito

A policial civil Haudrey Aparecida Ferragonio, que adotou o nome islâmico Yasmine, diz que, logo que começou a usar hijab, colegas de trabalho viram fotos suas com o acessório, postadas nas redes sociais. De cara, fizeram brincadeiras, que ela deixou de lado. 

Ela é a única muçulmana de sua família, que segue a linha católica. Já foi evangélica e se interessou pelo islamismo quando pesquisou mais a fundo a relação entre as mulheres da religião e violência de gênero. "Via bastante esses enganos, a questão de terrorismo, maus-tratos com mulheres", comenta.  Para Haudrey, é preciso que as vítimas de preconceito ergam a cabeça e deixem claro que não aceitam ofensas.

"As pessoas mais próximas, que trabalham comigo, sabem da minha religião, mas isso nunca foi tema de discussão. até porque eu não dou espaço para discussão. Eu não permito brincadeiras. Não digo que as vítimas são culpadas, não é isso, mas acho que, para não ser vítima, você tem que pegar força de algum lugar e se impor", declara ela, que também valoriza a imprensa como um dos principais aliados contra equívocos que existem em torno do tema.

Outro aspecto suscitado pela policial é a formalização de denúncias de islamofobia. Como exemplo, ela destaca a Associação Nacional de Juristas Islâmicos, que oferece, atualmente, um canal com essa finalidade, que pode ser acessado por meio do perfil que mantém no Instagram.

Mãos cruzadas, olhos fixamente fechados e Ahmed parece não se abalar com nenhum barulho. Foto: Chico Peixoto/LeiaJáImagens

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Faltam quinze minutos para o meio-dia e a preparação sagrada tem início. É preciso deixar o ofício de lado e preparar os ajustes necessários para a purificação do corpo. Ahmed Mahmoud, 34, avisa ao companheiro de trabalho que vai se ausentar e leva com ele uma garrafa de água sanitária e um par de chinelos. Ele se encaminha ao banheiro e poucos minutos depois retorna ao local de trabalho. O tênis deu lugar a sandália limpa e seu corpo tem cheiro de sabonete. Rapidamente, ele recolhe um pedaço de papelão de dentro de um caixote e o alinha no chão em um local já pré-determinado com uma bússola. Descalço e com os joelhos apoiados na superfície do material e o rosto virado para o leste, na direção de Meca, Ahmed inicia pontualmente, 12h, a segunda oração (Salát Addohr) das cinco que deve realizar ao longo de seu dia. Mãos cruzadas, olhos fixamente fechados e Ahmed parece não se abalar com nenhum barulho.

A circulação de pessoas aumenta com a chegada do horário de almoço, o ruído dos carros é intenso, o anúncio de preços mais baixos e promoções não param de ser ditas pelos comerciantes; os olhares se arregalam de estranhamento quando visualizam a oração islâmica em público. Cochichos, comentários e pouca sutileza dos novatos que circulam pela área. Por outro lado, quem trabalha por lá já se acostumou com o momento de oração de Ahmed. O cenário é o famoso Mercado de Prazeres, na cidade de Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife.

A mais de oito mil quilômetros de distância da sua terra natal, a cidade de Ismaília, localizada na margem ocidental do Canal de Suez, no Egito, o vendedor de frutas Ahmed Mahmoud Abo Elmgd chegou ao Brasil há quatro anos e desembarcou em Pernambuco. Quem conversa alguns minutos com o imigrante percebe que o português ainda escorrega e parece um trava-língua para quem falou árabe por toda a vida. O sotaque carregado ainda é muito forte e o aplicativo da traduções simultâneas instalado em seu celular é o companheiro de todas as horas. “Ajuda demais quando estou sem saber como falar uma palavra que só nordestino sabe”, diz.

Arte: Chico Peixoto/LeiaJáImagens

Conhecido pela clientela da feira como o homem das uvas mais doces e saborosas, o egípcio, que apesar de ser mais contido, gosta de conversar e falar principalmente da cultura de seu país. Ele contou que veio ao Brasil por causa de uma história de amizade e amor no Facebook. Em meados de 2012, Ahmed conheceu a esposa Daniela Carvalho, 34, no site e os dois foram bons amigos por cerca de um ano. “Eu não sabia falar português, mas usava o tradutor e a gente conseguia conversar bem”, explica. A amizade se tornou um relacionamento sério e o egípcio decidiu que era a hora de mandar uma passagem para a amada ir ao seu encontro no Egito. “Eu fui até o Cairo e fiquei esperando ela no aeroporto. Aquilo era comum para mim porque na minha terra a gente gosta muito de viajar e conhecer outras culturas. Se você procurar, tem egípcios em todos os cantos do mundo”.

Daniela e Ahmed viveram por cerca de um ano em Ismaília, antes de retornarem ao Brasil. No início, ele conta que a companheira morava junto com a família dele, mas não podiam dormir no mesmo quarto, já que a cultura islâmica é diferente e é preciso o casamento antes de qualquer relação amorosa ou carnal. “É a nossa lei e durante o processo em que ela esteve lá, fomos dar entrada em todas as documentações para casar. Embaixada do Egito, do Brasil e muitos papéis. A gente podia ir preso se ela dormisse comigo antes do casamento”, revela o egípcio. A papelada para a união dos dois demorou porque o Egito não faz parte da Convenção de Haia. Então, todos os documentos que serão usados no território egípcio precisam ser consularizados no Ministério das Relações Exteriores para terem validade fora do Brasil.

“Daniela teve que se converter ao islamismo para que a gente pudesse ficar junto. Fico muito feliz que ela é muçulmana e tento ensinar para ela todos os dias um pouco da religião e de como se portar”. Em 2014, o casal voltou ao Brasil e passou a viver em Prazeres. Ele conseguiu um trabalho em uma empresa privada no ramo deborracharia, mas as dificuldades clássicas que muitos imigrantes enfrentam no país logo apareceram. “Eu não tinha carteira assinada e há muita burocracia para conseguir emprego assim. Trabalhava muito com as mãos o dia todo e recebia pouco”, relembra Ahmed.

O filho Adam Ahmed Mahmoud Abo Elmgd Mahmoud, 2, o pai Ahmed Mahmoud e a esposa pernambucana Daniela Carvalho. Fotos: Arquivo Pessoal

Em meados de 2015, Daniela e Ahmed descobriram que estavam esperando um bebê e um tempo depois, ela deixou de trabalhar para cuidar da criança. O egípcio assumiu seu lugar na Feira de Prazeres, onde ela trabalhava desde a infância no negócio da família. Na sua barraca, há muitos caixotes. O egípcio afirma que aprendeu a trabalhar na feira com facilidade.

Laranja, abacaxi, manga, mamão e outras frutas que Ahmed nunca tinha ouvido falar agora são o seu ganha pão. Porém, o que mais vende é a uva sem semente. Desde então, há quase três anos, o egípcio trabalha de domingo a domingo em um expediente que se inicia às 6h e só tem fim por volta das 19h. O único dia que ele precisa se ausentar da feira é nas manhãs das sextas-feiras. Ele participa das orações coletivas no Centro Islâmico do Recife, localizado no bairro da Boa Vista. “Alguns dias da semana também acordo mais cedo ainda para ir na Ceasa comprar os produtos de qualidade”, conta.

Quando vivia no Egito com a família, ele trabalhava no ramo gastronômico, era cozinheiro. “Aqui é muito difícil oportunidade de carteira assinada para imigrante. Eu também não sei falar a língua muito bem e por enquanto o comércio é o meu trabalho. Aprendi a me comunicar aqui e sou grato a Deus por isso. O problema é que se eu ficar doente, não tenho como levar dinheiro para casa e pagar o aluguel”, lamenta. Um de seus sonhos é montar o seu negócio de comida árabe em Pernambuco para dar melhores condições a sua família e fazer o que mais gosta.

Laranja, abacaxi, manga, mamão e outras frutas que Ahmed nunca tinha ouvido falar agora são o seu ganha pão. Foto: Chico Peixoto/LeiaJáImagens

No Egito, a maioria da população é muçulmana com uma porcentagem que varia de 80% a 90% conforme diferentes fontes. O restante é - 10% a 20% - em grande parte cristãos, a maioria pertencente à Igreja Ortodoxa Copta. Ahmed adora falar de seu país e de como as diferenças podem ser explicadas e traduzidas para os brasileiros sem o uso de violência ou intolerância. “Já sofri muito preconceito no Brasil porque não conhecem a minha cultura e minha religião. Chamam de homem bomba, que sou terrorista e vou explodir alguma coisa”, lamenta.

Apesar das piadas, da islamofobia e da falta de conhecimento e acolhimento de muitos brasileiros, o egípcio faz a ressalva de que não revida o preconceito que sofre de alguns. O choque de cultura é forte, confessa o egípcio, mas para ele isso não pode justificar a falta de tolerância. “Eu sempre fui ensinado na minha família que tenho de dar o exemplo para o outro. Muçulmanos são pessoas da paz e não de briga. Não posso ficar tratando ninguém mal porque ele não conhece minha cultura, sabe? Então eu explico, apresento e mostro tudo como é de verdade. Não somos terroristas”, complementa.

"Já sofri muito preconceito no Brasil. Chamam de homem bomba, que sou terrorista e vou explodir alguma coisa. Não revido, mas procuro explicar". Foto: Chico Peixoto/LeiaJáImagens

Ao falar sobre os conflitos no Egito, em 2011, conhecidos como “Primavera Árabe”, em que manifestações populares pediam a saída do presidente ditador Mohammed Hosni Mubarak, que se encontrava há 30 anos no poder do país, o imigrante egípcio diz que não participou dos movimentos e protestos. “Isso aconteceu em Cairo, eu moro um pouco mais afastado a cerca de 120 quilômetros. Trabalhava muito na época e minha família ficava em casa. Somos mais tradicionais porque a polícia é muito severa”, afirma. Para ele, a saída do Mubarak trouxe melhorias para o seu país e os conflitos diminuíram. O presidente do Egito, Abdel Fatah Al Sissi, foi reeleito para um segundo mandato com 97% dos votos.

“Lá não tem muita guerra, mas as pessoas espalham muitas coisas que não sabem. A situação está bem melhor e o turismo melhorou. O problema é que o jornal só mostra as coisas ruins”, comenta. Entre o atendimento de um cliente e outro, Ahmed lembra que nunca foi roubado na sua terra natal e que a violência é muito menor em comparação com Pernambuco. “Ladrão lá não rouba na luz do dia. As pessoas vendem ouro na rua, os bancos ficam abertos sem muita segurança. Aqui já fui roubado de bicicleta. Levaram o meu celular”. O Brasil foi o país com o maior número de cidades entre as 50 mais violentas do mundo em 2016, segundo a lista divulgada pela ONG mexicana Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal.

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Para o vendedor, todos os egípcios são bons por natureza porque bebem da água do Rio Nilo. Foto: Chico Peixoto/LeiaJáImagens

O imigrante, que já vive em Pernambuco há quatro anos, diz que trabalha muito e não tem tanto tempo para lazer, mas gosta da praia e dos shoppings. Saudoso, ele diz que existem pontos no Brasil que o lembram de seu país. A relação de amor do brasileiro pelo futebol é semelhante. Ahmed conta que, apesar do futebol africano não ter tanto status como o da Europa ou América do Sul, a disputa lá é acirrada e todos dão o sangue dentro de campo. “O time da minha cidade é muito bom, já ganhou a Copa da África algumas vezes”, orgulha-se. Mas, o ponto alto da conversa sobre o esporte mais querido dos dois países vem à tona quando falamos do ponta-direita e jogador do Liverpool, Mohamed Salah.

Craque da seleção egípcia e finalista da última Liga dos Campeões da UEFA, Salah é endeusado não só por Ahmed, mas por boa parte dos egípcios. “Ele faz muito por nós, na nossa terra. Constrói escolas, hospitais, paga salários e faz tudo o que pode para ter um Egito melhor a cada dia. Salah não faz isso porque ele tem dinheiro, sabe? Ele faz porque ele é bom, porque ele é egípcio. Nós temos isso em nosso sangue”, crava. Para o vendedor, todos os egípcios são bons por natureza porque bebem da água do Rio Nilo. “Quem come da nossa terra sagrada citada na Bíblia, é bom”, diz emocionado. Em Pernambuco, ele calcula que já conheceu quatro conterrâneos e são todos "irmãos de sangue". De acordo com dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, são mais de 3 mil egípcios vivendo no país. A estimativa é que em 2018 o número seja maior.

Ahmed diz que não sabe de seu futuro, se será no Brasil ou na terra amada, mas sente muita saudade da família e da cultura, principalmente. “Brasil me acolheu bem, as pessoas gostam de mim e não sei se ainda consigo voltar a morar longe porque tenho família aqui agora. Mas quero visitar meus pais ano que vem, levar meu filho e minha esposa”, conta. Ele também procura ensinar árabe para o pequeno filho; dessa forma, quando o menino estiver mais velho, poderá escolher onde quer morar. “Ele é muito esperto. Eu ensinei a ele todos os animais e o garoto aprendeu tudo já”.

O imigrante de traços fortes e espontaneidade leve espera que financeiramente a vida melhore, mas entrega nas mãos da fé o seu futuro. Os sonhos ainda são muitos, entre eles visitar a cidade de Meca, na Arábia Saudita, considerada a mais sagrada no mundo para os muçulmanos. A peregrinação é um dos cinco pilares do Islã que todo fiel deve cumprir pelo menos uma vez em sua vida se tiver meios para isso. Caso continue morando em Pernambuco, Ahmed Mahmoud quer abrir um restaurante próprio para trabalhar no ramo da comida árabe e continuar apresentando um pouco de sua cultura aos brasileiros. “Um dia quem sabe eu consigo ter meu próprio negócio e trabalhar com o que amo”, finaliza.

O Senado enviou oficialmente para o Palácio do Planalto o projeto da nova Lei de Migração. A proposta foi aprovada no dia 18. Agora, o texto deve ser analisado pela Casa Civil e pelos ministérios envolvidos com o tema nos próximos dias. A lei deve sofrer poucos vetos.

Um dos trechos que pode ser vetado é o que revoga todas as expulsões de estrangeiros feitas até 5 de outubro de 1988, data da Constituição Brasileira. O motivo, segundo apurou o Estado, é que o governo teme um grande movimento de estrangeiros em busca de indenizações. Para evitar esse problema, o tema deve ser regulamentado por decreto, limitando os estrangeiros que teriam esse benefício aos que não cometeram nenhum crime, por exemplo.

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Uma das principais novidades da lei é o estabelecimento de incentivos ao retorno de brasileiros que vivem no exterior. Eles terão direito a trazer bens novos e usados sem pagar taxas aduaneiras e direitos de importação. A vantagem abrange bens de uso pessoal e profissional, tais como equipamentos e instrumentos musicais, por exemplo.

Ataques

Ainda nessa quinta-feira (5), o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, disse que o protesto de grupos contrários à sanção da Lei de Migração é absurdo e chocante. Alvo de ataques nas redes sociais pela autoria do projeto, o ministro diz que essas críticas partem de fascistas e de pessoas contaminadas por uma propaganda islamofóbica, que assimila os imigrantes a ações terroristas. "Ataque de fascista para mim é elogio", afirmou.

"Infelizmente, fascismo também existe no Brasil. São grupos turbulentos, embora extremamente minoritários. Claro que há pessoas iludidas por caricaturas que esses indivíduos fazem da lei."

O ministro ressaltou que os imigrantes que estão no Brasil vieram para trabalhar e buscam os mesmos direitos pelos quais os brasileiros lutam no exterior, como acesso a serviços sociais, documentação e escolas para os filhos. O ministro disse ainda que a regularização dos imigrantes é uma forma de combater a exploração de mão de obra barata, submetida a condições de trabalho degradantes. Segundo o ministro, há hoje no Brasil um contingente de cerca de 700 mil imigrantes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O candidato que lidera as preferências dos republicanos para as eleições presidenciais de 2016, Donald Trump, pediu nesta segunda-feira a proibição da entrada de muçulmanos nos Estados Unidos.

"Donald Trump pede a suspensão total e completa da entrada de muçulmanos nos Estados Unidos até que os legisladores do nosso país compreendam o que está ocorrendo", escreveu a equipe de campanha do candidato em um comunicado intitulado "Comunicado de Donald Trump para impedir a imigração muçulmana".

A proposta não detalha se estão incluídos os muçulmanos americanos. Contudo, ao citar uma pesquisa realizada entre muçulmanos que vivem neste país, Trump afirmou que muitos deles sentem "ódio" por todos os americanos.

"De onde vem este ódio e por que, devemos determiná-lo. Até que sejamos capazes de estabelecê-lo e de compreender este problema e a ameaça que representa, nosso país não pode ser vítima de ataques hostis por parte de pessoas que só acreditam na jihad e não têm respeito algum pela vida humana", declarou o candidato no comunicado.

O magnata, favorito de aproximadamente um a cada três republicanos para as primárias que começarão em fevereiro, tem empreendido cada vez mais contra os muçulmanos desde os atentados de Paris. Seu anúncio motivou uma onda de reações adversas no Twitter.

"Donald Trump acaba com todas as dúvidas: faz campanha para a presidência enquanto demagogo fascista", escreveu Marton O'Malley, um candidato democrata.

O senador Cristóvam Buarque (PDT-DF) comandará, nesta quinta-feira (15), um ato público contra o terrorismo e a islamofobia. A mobilização vai acontecer no auditório do Interlegis, no Senado, e deve contar com a participação de políticos, jornalistas, diplomatas e representantes da sociedade civil brasileira. O evento será chamado de Somos Charlie, em homenagem ao jornal francês Charlie Hebdo, que teve a sede invadida por terroristas islâmicos que assassinaram 12 pessoas, entre jornalistas, chargistas e policiais.

Entre os convidados estão o ministro conselheiro da Embaixada da França no Brasil, Gael de Maisonneuve; os presidentes da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Ricardo Pedreira; da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Slavieiro; e da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Augusto Schroder; mais o representante do Centro Islâmico de Brasília, xeque Muhammad Zidan.

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O ato, que será realizado das 11h às 13h, vai lembrar os atentados ocorridos em Paris na semana passada e debater as liberdades de expressão e de culto religioso. Depois do massacre, mais dois episódios de tensão ocorreram em Paris, simultaneamente. Os dois terroristas foram encurralados pela polícia francesa em uma fábrica ao norte da cidade, fazendo inicialmente alguns reféns.Outro extremista invadiu um mercado de produtos judaicos, também na capital francesa, fazendo reféns para exigir que os responsáveis pelas mortes no Charlie Hebdo fossem liberados. A polícia invadiu os dois lugares e matou os terroristas. Quatro reféns judeus morreram e a mulher que acompanhava o extremista do mercado judaico fugiu.

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