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Agora na oposição e em enfrentamento direto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a bancada da bala está dividida. Dois deputados pleiteiam assumir o comando da Frente Parlamentar da Segurança Pública e trocam farpas entre si enquanto o governo avança com medidas a favor do desarmamento. A disputa expõe também a divisão entre as representações policiais e assim como ocorreu na Frente Parlamentar Evangélica, o grupo pode ter a liderança definida em votação.

De um lado está Alberto Fraga (PL-DF), ex-coronel da Polícia Militar do Distrito Federal, deputado por três mandatos e que retornou este ano a Câmara. De outro, Nicoletti (União-RR), policial rodoviário federal. Pelo comando da bancada da bala, os dois patrocinam cenas de duelo verbal.

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Fraga já chamou o colega de canalha e se diz irredutível em manter o seu nome para o posto. Nicoletti acusa o adversário de só pensar nas policiais militares e promete fazer diferente. "Hoje eu estou vendo é uma pessoa querendo aparecer, que é ele (Fraga)", diz Nicoletti, avisando que a Frente tem que cuidar das demais corporações e, por isso, fará uma gestão "ampla". "Agora, tem que ver se as classes querem ele", rebate Fraga.

Nicoletti também propõe espaço de representação a partidos do governo e até que seja possível que parlamentares ligados aos direitos humanos exponham seus argumentos na frente.

No início de fevereiro, com a posse na nova Legislatura, o deputado Capitão Augusto protocolou requerimento para a Frente ser reinstaurada. Mas abriu mão de ser seu presidente em nome de Alberto Fraga, um líder natural da bancada que ajudou a criar.

O deputado de Brasília foi um dos principais opositores do Estatuto do Desarmamento, editado no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e saiu vitorioso na campanha do referendo popular em 2005 que barrou a tentativa do governo petista de proibir a venda de armas no Brasil. Foi nessa época que Fraga criou a Frente.

Nicoletti (União-PR) fez o mesmo movimento. Apresentou um segundo requerimento para criar uma nova frente de segurança. Como existem duas propostas de mesmo tema, o caso foi parar na mão do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). A expectativa é que Lira tome alguma decisão em breve.

Nicoletti tinha a assinatura de 196 deputados e 2 dois senadores, somando os 198 congressistas necessários para a criação de uma frente parlamentar até o dia 15 de fevereiro. Três deputados, porém, retiraram a assinatura no dia seguinte. No total, cinco parlamentares formalizaram a retirada até então. "Estamos na frente parlamentar do deputado Fraga", disse Capitão Caveira (PL-PA), que retirou a assinatura. Eles alegam que ele é o sucessor natural da frente parlamentar e que ele é o candidato mais experiente.

Delegado da Cunha (PL-SP), que também protocolou a retirada, alega que foi procurado anteriormente por Nicoletti, que disse ser a única proposta para a frente naquele momento. Fraga alega ter 210 assinaturas para o seu requerimento. Seus apoiadores defendem que, caso necessário, seja definido o nome do presidente da bancada por votação. Até o presente momento, caberá a Lira decidir qual dos requerimentos avançará.

Parlamentares relataram à reportagem pouquíssimas reuniões da frente durante o governo passado, do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), quando baixava decretos para ampliar, por exemplo, o acesso às armas e munições. "Eu mesmo faço parte da frente e não fui chamado para uma reunião sequer nesses quatro anos", disse Nicoletti.

A criação de uma lei orgânica só para corporações das polícias militares também virou tema da disputa. No final do ano passado, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que cria a lei orgânica nacional que estabelece as normais gerais das polícias militares e dos corpos de bombeiros militares. O PL é de relatoria do Capitão Augusto (PL-SP), o então presidente da bancada da bala.

Grupos como o da Polícia Civil, bombeiros civis e a própria Polícia Rodoviária Federal, representada por Nicoletti, reclamam que também precisam de uma lei orgânica generalizada. O projeto ainda tramita no Senado.

"Até hoje, todas as discussões sobre legislação avançaram com uma categoria vetando o avanço da outra", disse Renato Sérgio de Lima, presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. "O debate é mais do mesmo, que todas as precisam ter suas normas, que a PM precisa ser beneficiada e que agora precisa olhar para todas as demais."

Por conta do embate na bancada, o deputado Sanderson (PL-RS) se voluntariou para mediar uma negociação. "Estou trabalhando para que haja uma composição, para que cada deputado tenha um espaço na frente. A bancada de segurança pública é uma bancada que tem que estar unida", disse. Ele é um dos coautores do requerimento de Nicoletti e será o nome indicado pelo PL para presidir a Comissão de Segurança Pública na Câmara.

Nenhum dos dois deputados diz que o outro lado foi procurado pessoalmente para resolver o impasse. "Até então, ele nunca me procurou. Se eu o vir, eu não sei quem é", diz Fraga. Nicoletti afirma ter enviado a proposta para Fraga assinar via online.

Decreto de Lula

Se a disputa pelo posto de comando os separa, o enfrentamento a um ato de Lula une Fraga e Nicoletti. Como mostrou o Estadão, o decreto antiarmas editado por Lula no dia da posse gerou pelo menos 17 projetos de lei ou de decreto legislativo já apresentados no Congresso. O texto do presidente suspende os registros para a aquisição e transferência de armas e de munições de uso restrito a colecionadores, atiradores e caçadores (CACs) e particulares. Na comparação com janeiro de 2022, o número de armas cadastradas comuns caiu 71%.

Ambos colocam a questão do desarmamento como pauta prioritária para o diálogo com o governo. Mas qualquer diálogo só pode avançar, dizem ambos, quando a divisão for resolvida. Nicoletti promete um espaço mais amplo de diálogo com diversos setores. "A maior parte da frente é contra o desarmamento. Mas discutiremos isso, assim como os CACs. Vamos ter que ouvir também na frente quem defende direitos humanos. Eu quero que haja diálogo, que tenha um consenso", afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de revezamento na presidência da bancada, Nicoletti disse estar aberto para conversar. "Eu acho que tem que haver diálogo para tudo. Mas estamos vendo Fraga falar e atacar", disse.

Fraga esperará por uma decisão do presidente da Câmara. "Aguardo Lira dar o despacho. Enquanto isso, continuaremos nesse imbróglio", afirmou.

Alvo da bancada evangélica na Câmara, o projeto que libera os jogos de azar no Brasil passou a sofrer resistência também de integrantes da bancada da bala, que tentam adiar a votação para o ano que vem. O grupo ligado ao setor de segurança pública defende ajustes no texto, que prevê regulamentar atividades hoje proibidas no País, como cassinos e o jogo do bicho. O problema para esses parlamentares, no entanto, são os bingos.

"O pessoal tem muita resistência (aos bingos) porque a experiência que tivemos foi desastrosa. Acabou não tendo uma transparência na arrecadação, acabou viciando muita gente da classe baixa", disse o coordenador da Frente Parlamentar da Segurança Pública, deputado Capitão Augusto (PL-SP). A pedido dele, que é policial militar reformado de São Paulo, uma audiência pública para discutir o tema vai acontecer no próximo dia 15. A data é a mesma que o relator do projeto, Felipe Carreras (PSB-PE), previa como limite para que o texto pudesse ser votado em plenário.

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Augusto disse não ser contra a ideia de liberar os jogos de azar, apenas pede alguns ajustes. Ele afirmou, por exemplo, que não vê problema em legalizar cassinos e jogo do bicho. "Os cassinos normalmente são para as classes A e B, é um outro ambiente, um custo muito mais alto. Essa classe A está indo jogar no Paraguai, Uruguai, Argentina, Las Vegas, em alto-mar, onde é liberado o jogo."

Hoje é proibida a exploração comercial dos bingos, sendo permitida apenas a prática recreativa. Quanto ao jogo do bicho, Augusto considera apenas mais uma modalidade similar às apostas reguladas hoje pela loteria. "A questão do jogo do bicho seria um jogo a mais para ser incluído na nossa Caixa Econômica Federal, nas loterias do Brasil. Tiraria uma parcela boa das facções criminosas que andam explorando isso aí sem que governo arrecade qualquer imposto."

O relator do projeto admitiu a possibilidade de retirar a liberação de bingos do texto, mas afirmou que ainda não há decisão tomada sobre o assunto. "O texto já está praticamente pronto, a gente está vendo alguns detalhes pontuais", disse Carreras. Ele argumentou que, caso o seu texto seja aprovado, haverá um aumento na arrecadação porque os jogos passarão a pagar impostos. "A gente pensa em ter uma Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre os jogos e um pedaço (da arrecadação) vai ser distribuído para cultura, esporte, Estados, saúde, Fundo Nacional de Segurança Pública e uma parte para financiar a Embratur, que não tem dinheiro para nada para fazer promoção turística no País", afirmou.

LOBBY. Dentro do Congresso, os principais articuladores da iniciativa são parlamentares do Centrão ligados ao setor de turismo ou de Estados litorâneos, que possuem infraestrutura compatível para abrigar cassinos integrados a resorts. Por outro lado, críticos afirmam que o vício nos jogos prejudica as famílias e vai de encontro a valores religiosos. Além dos evangélicos, a liberação dos jogos também enfrenta resistência dos auditores fiscais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A nova troca no comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública, formalizada na esteira na mini-reforma ministerial do presidente Jair Bolsonaro, que substituiu a chefia de seis pastas em uma tacada só nesta segunda-feira, 29, começou a provocar as primeiras reações à escolha do delegado da Polícia Federal Anderson Torres como substituto de André Mendonça - que foi remanejado de volta para a Advocacia Geral da União (AGU).

Em nota conjunta endereçada a Bolsonaro, deputados da chamada 'bancada da bala' se uniram a onze entidades representativas de profissionais da Segurança Pública para criticar a nomeação, já oficializada no Diário Oficial da União. O grupo diz que, enquanto foi secretário de Segurança Pública do governo do Distrito Federal e chefe de gabinete do ex-deputado do PSL Fernando Francischini na Câmara, o novo ministro demonstrou 'atuação parcial'.

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"Neste sensível momento de crise que o país e o mundo se encontram, a busca de uma gestão harmoniosa, valorizando inclusive as categorias que sempre estiveram em Vossa base de apoiamento, se faz uma medida necessária para a prevalência da boa ordem, e a busca do progresso", diz um trecho do texto.

O deputado Capitão Augusto (PL-SP), presidente do bloco parlamentar e um dos nomes que subscreve a nota, negou que a bancada tenha sido consultada sobre a indicação.

Em lado oposto, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), onde Torres foi diretor de assuntos legislativos, e a Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol) elogiaram o novo ministro.

"O delegado Anderson Torres reúne as qualidades necessárias para ocupar o cargo", disseram. "A experiência e conhecimento amealhado à frente de uma das principais secretarias de Segurança do País certamente ajudarão o novo ministro a alcançar também na área federal bons resultados, por meio de coordenação efetiva entre os membros da federação e com a adoção de medidas que fortaleçam e garantam a atuação republicana das instituições de Estado", acrescentaram.

Torres é próximo ao ex-secretário-geral da Presidência, Jorge Oliveira, nomeado por Bolsonaro para o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), e do ex-deputado federal Alberto Fraga, além de ter cultivado relações pessoais com os filhos do presidente, o senador Flávio (Republicanos-RJ) e o deputado Eduardo (PSL-SP). No final de 2019, chegou a ser cotado para assumir o comando da Polícia Federal no lugar de Maurício Valeixo, pivô da demissão de Sérgio Moro, mas teve o nome vetado pelo então ministro.

Parlamentares e internautas iniciaram uma campanha para que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) vete pontos do projeto de lei que versa sobre abuso de autoridade. A matéria foi aprovada pela Câmara dos Deputados nessa quarta-feira (14) e seguiu para a sanção presidencial. 

No Twitter, por exemplo, a hashtag Veta Bolsonaro é a mais mencionada no Brasil na manhã desta quinta-feira (15). Termo já foi citado quase 80 mil vezes no intuito de pressionar Bolsonaro a não deixar que pontos da matéria vire lei. 

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Entre os deputados, Carla Zambelli (PSL-SP) disse esperar que o povo impulsione o presidente a não deixar passar itens da proposta. Já a deputada Dayane Pimentel (PSL-BA) ressaltou que "o Congresso não representou o povo brasileiro, mas confio em nosso Presidente Bolsonaro. Creio que ainda mudaremos essa decisão". 

Além disso, parlamentares da chamada bancada da bala procuraram o Palácio do Planalto já na manhã de hoje para que sejam vetados principalmente os projetos que atingissem a atividade policial. 

Pelo projeto de lei, poderá ser considerado abuso de autoridade obter provas por meios ilícitos; executar mandado de busca e apreensão em imóvel, mobilizando veículos, pessoal ou armamento de forma ostensiva, para expor o investigado a vexame; impedir encontro reservado entre um preso e seu advogado; e decretar a condução coercitiva de testemunha ou investigado sem intimação prévia de comparecimento ao juízo.

O pacote anticrime apresentado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, já enfrenta resistências no Congresso. Desconfiados, até mesmo deputados da chamada "bancada da bala" querem que Moro deixe claro no projeto de lei que a criminalização do caixa 2 nas campanhas eleitorais não atingirá atos do passado. Além disso, não são poucos os que veem dificuldades para aprovação da proposta de Moro agora, sob o argumento de que ela pode "atropelar" a reforma da Previdência.

Nos bastidores, o ministro é alvo de críticas de congressistas que não têm intenção de dar protagonismo ao ex-juiz da Lava Jato, considerado algoz dos políticos. Após abrir o seu gabinete a deputados de vários partidos para explicar o pacote, que propõe a criminalização do caixa 2, a prisão após condenação em segunda instância e endurece penas para delitos violentos e crime organizado, Moro desembarcará nesta quarta-feira, 6, na Câmara. Sua meta é detalhar a proposta para a Frente Parlamentar de Segurança, até agora sua maior aliada.

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No Congresso, porém, a sobrevivência política fala mais alto e muitos temem ser pegos no contrapé com recebimento de recursos "por fora" em campanhas mais antigas. "Não há como retroagir na criminalização do caixa 2 porque seria uma aberração jurídica, mas isso tem de ficar claro no projeto", disse o deputado Capitão Augusto (PR-SP), que coordena a frente. Para ele, o texto precisa ser aperfeiçoado, ainda, no que diz respeito à execução da pena após julgamento em segundo grau. "Todo mundo é a favor disso. A questão é como amarrar melhor para que não fique a critério do Supremo Tribunal Federal decidir em nome do Congresso."

Após ser reconduzido à presidência da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) também destacou que já existe um projeto de lei tramitando na Casa, idealizado pelo ex-titular da Justiça Alexandre de Moraes, hoje ministro do STF, que trata do combate ao crime organizado, tráfico de drogas e armas. "Mandar outro (para a Câmara) seria vaidade do próprio ministro", afirmou Maia.

Na avaliação de interlocutores de Moraes, o projeto apresentado no governo Michel Temer era mais duro em relação às propostas para o sistema prisional e, além disso, abordava a possibilidade de interceptação de conversas por WhatsApp. Moro, no entanto, não quer entrar nessa polêmica e considera "natural" o debate. "O governo agora é um parceiro. Talvez antes não tenha sido, com todo respeito. É um novo momento político", insistiu o ministro. A reportagem apurou que Moro também vai tranquilizar os deputados nesta quarta, assegurando não haver como penalizar o caixa 2 praticado no passado.

Mesmo assim, para o deputado Julio Delgado (PSB-MG), algumas questões do pacote suscitam dúvidas no campo constitucional, como a da prisão após condenação em segunda instância - que será julgada pelo STF em abril -, e essa pauta pode acabar "atropelando" a reforma da Previdência. "Uma agenda é a da economia e a outra, da sociedade. É preciso ver qual vai se sobrepor porque elas podem ser conflitantes", argumentou.

Relator do projeto de reforma do Código de Processo Penal, o deputado João Campos (PRB-GO) disse apoiar as propostas de Moro, mas sugeriu que algumas medidas sejam incorporadas. "O Código de Processo Penal já venceu etapas, passou pelo Senado, está na Câmara. O que pode criar uma certa dificuldade no processo legislativo em relação ao projeto do Moro é que ele altera pontos em 14 leis e a maioria é sensível", observou Campos, integrante da frente de segurança.

Ministros do STF também apontaram falhas no pacote de Moro e um dos pontos mais polêmicos é o que permite até a isenção de pena do policial que matar em serviço. Pelo menos dois deles disseram à reportagem que as controvérsias serão levadas à própria Corte. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Deputados que integram a chamada bancada da bala, formada por parlamentares ligados às polícias militar e civil e às Forças Armadas, usaram uma sessão solene em homenagem aos 70 anos do encerramento da participação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial para criticar a decisão da presidente Dilma Rousseff de ter assinado um decreto que tira poder dos comandantes militares.

Na tribuna, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), que é capitão da reserva do Exército, chamou o decreto de "desfaçatez" e disse que ele complementa o objetivo da Comissão Nacional da Verdade, que "sempre foi mudar a história do Brasil". "A guerra hoje nos parece muito mais difícil porque o inimigo está no meio de nós", disse. Bolsonaro afirmou ainda que pretende apresentar ainda hoje um projeto de decreto legislativo para sustar o efeito do decreto presidencial.

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Bolsonaro ironizou e disse que o "presente" dado pela presidente por causa da semana da Independência aos militares é inaceitável. "Não posso admitir 'o presente' para as Forças Armadas que foi dado por meio deste decreto, onde nas entrelinhas revoga o regulamento das escolas e centros de formação de aperfeiçoamento da Marinha, do Exército e da Aeronáutica", disse.

Na quinta-feira da semana passada, Dilma assinou decreto 8.515, que estava na gaveta da Casa Civil há mais de três anos, tirando poderes dos comandantes militares e delegando ao ministro da Defesa competência para assinar atos relativos a pessoal militar, como transferência para a reserva remunerada de oficiais superiores, intermediários e subalternos, reforma de oficiais da ativa e da reserva, promoção aos postos de oficiais superiores e até nomeação de capelães militares, entre outros. Hoje, estes atos são assinados pelos comandantes militares.

Na tribuna, Bolsonaro aproveitou para fazer críticas à ausência do ministro da Defesa, Jaques Wagner, na solenidade e disse que Dilma não deveria repassar mais atribuições para ele. "A senhora Presidenta da República, chefa suprema das Forças Armadas, não pode continuar se metendo no que dá dando certo", afirmou.

O deputado Alberto Fraga (DEM-DF), que é coronel da Polícia Militar, também criticou o decreto e o ministro Jaques Wagner. "Se o decreto ficasse apenas nas medidas administrativas, eu até concordaria, mas ele revoga as atribuições e competência dos comandantes", disse. Segundo ele, é um erro "jogar a competência para o ministro da Defesa, que entende de militarismo que nem cavalo de tocar peão".

Fraga também disse temer que o decreto mude os currículos escolares e passe a agradar "somente quem está no poder". "Nós sabemos qual é a ideologia desse povo, portanto, fica aqui um alerta. Nosso receio é que venha mudança nos currículos nas nossas escolas militares, o que evidentemente só vai agradar a esse povo que está no poder."

Segundo ele, Dilma poderia "começar a retomar as rédeas do País valorizando os militares", disse. "Eu lembro que antigamente o sonho de todo jovem brasileiro era ser oficial das Forças Armadas. Hoje eu fico imaginando como está o nível salarial da tropa e isso é puro revanchismo", afirmou.

O deputado disse ainda que o governo tem sorte porque a disciplina dos comandantes impede que eles tomem o poder. "É a sorte dessa quadrilha que está ai", afirmou.

A chamada "bancada da bala" manobrou para que a votação do texto que trata da redução da maioridade penal na comissão especial criada para debater o tema na Câmara não fosse adiada nesta quarta-feira, 17. O deputado Alberto Fraga (DEM-DF), coronel da reserva da Polícia Militar, apresentou requerimento para retirar a votação da pauta.

Como sabia ter maioria na comissão para derrubar seu próprio requerimento, apresentou a proposta com a intenção de barrar a apresentação de outros requerimentos que pudessem realmente protelar a votação. O requerimento de Fraga foi propositalmente rejeitado por 21 dos 27 membros da comissão. A manobra é considerada regimentalmente legal.

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"O objetivo deste requerimento é para que se evitem os vários requerimentos que devem ter no sentido de protelar esta questão", justificou Fraga. Pela estratégia, os favoráveis à redução votariam contra o requerimento. "Numa democracia, vence quem tem o voto. O governo pode comprar quem quiser, mas não pode comprar a consciência de parlamentares que sabem que esta PEC (Proposta de Emenda à Constituição) vai trazer benefícios para a população", afirmou.

A deputada Maria do Rosário (PT-RS) reagiu. "O deputado Fraga opta e revela que apresenta o requerimento para impedir que os próximos requerimentos sejam apresentados à comissão", disse à deputada, protestando contra o requerimento. O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) aplaudiu ironicamente a deputada petista. Bolsonaro e Maria do Rosário já bateram boca diversas vezes e a deputada já chegou a processar o colega.

Houve novo tumulto quando deputados da "bancada da bala" identificaram a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral. O presidente da comissão, André Moura (PSC-SE), permitiu que ela ficasse na sala, desde que atrás do cordão de isolamento. Um dos deputados que pediu a saída da estudante foi o Delegado Éder Mauro (PSD-PA), favorável à redução da maioridade penal. "Prefiro ter que encher a prisão de bandido do que o cemitério de vítima inocente", disse o parlamentar.

A sessão acontece em um plenário pequeno, onde cabem apenas 80 pessoas. No entanto, o local foi superlotado, com dezenas de assessores em pé nos corredores da sala. O clima também era tenso do lado de fora do plenário. Impedidos de entrar, manifestantes fizeram um "apitaço" no corredor onde funcionam as comissões e gritavam "Não à redução" e "Fora Cunha", protestando contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), favorável à redução da maioridade penal.

Novo texto

Pouco antes do início da sessão da comissão especial criada na Câmara para discutir a redução da maioridade penal, o relator do parecer com as novas regras sobre o tema, Laerte Bessa (PR-DF), alterou seu texto e incluiu as propostas acordadas entre PMDB, PSDB e outros partidos. O texto acordado, que seria votado em separado, flexibiliza a redução da maioridade de 18 para 16 anos apenas para alguns tipos de crime. A votação acontece na tarde desta quarta-feira em um plenário aberto apenas a deputados, assessores e jornalistas.

Pela nova redação, maiores de 16 anos serão punidos como adultos quando praticarem crimes hediondos, homicídio doloso (com intenção de matar), lesão corporal grave, lesão corporal seguida de morte e roubo qualificado. No texto anterior, a redução da maioridade era linear, ou seja, valia para qualquer crime. O texto não menciona a necessidade de consultar o Ministério Público, assim como foi acordado.

O texto prevê que os maiores de 16 anos e menores de 18 anos cumprirão a pena em estabelecimento separado dos maiores de 18 anos e dos menores de 16. A nova redação também prevê que União e Estados terão que criar os estabelecimentos para o cumprimento das penas.

O governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) ganhou um importante reforço para a sua política linha dura na área da segurança pública nessas eleições. Cinco dos deputados estaduais eleitos defendem o endurecimento com os criminosos e já se colocam como fiéis aliados das medidas que Alckmin propuser e adotar para essa área.

Os eleitos com a bandeira da segurança pública foram o Coronel Telhada (PSDB), ex-comandante da Rota; o Coronel Camilo (PSD), ex-comandante da PM; Antonio de Olim, delegado da Polícia Civil; Coronel Edson Ferrarini (PTB), da reserva da PM; e Fernando Capez (PSDB), promotor de Justiça.

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O Coronel Camilo (PSD) deixa a Câmara Municipal em março para assumir pela primeira vez o cargo de deputado estadual e tem como meta priorizar a expansão da Operação Delegada para o interior paulista. O convênio entre Estado e prefeituras permite que PMs trabalhem para os governos municipais em dias de folga - o bico rende até R$ 2.000 mensais a mais para os policiais que fazem o chamado "bico oficial".

"A meta é lutar contra a desordem. Vamos espalhar a Operação Delegada pelo Estado e ajudar o Alckmin nas suas políticas de combate à violência", resumiu Camilo. Ele também quer proibir a realização de bailes funks em ruas residenciais de bairros da periferia.

Telhada, eleito com 254.074 votos - a segunda maior votação entre os concorrentes à Assembleia Legislativa - também já tem definido um objetivo para a área de segurança. "Vou trabalhar pela valorização da tropa da PM (140 mil policiais ativos e inativos). A minha preocupação é com a valorização profissional, e não só com equipamentos", declarou o ex-capitão da Rota.

A exemplo de Camilo, ele exercerá mandato como deputado estadual pela primeira vez. Telhada já matou 36 suspeitos em supostos confrontos durante quase três décadas na PM.

Após 22 anos como delegado da Polícia Civil, Antonio de Olim (PP) chega ao primeiro mandato como político. E se diz disposto a mostrar-se um defensor intransigente da segurança dos cidadãos. "Não dá mais para alguém sair com seu carro novo e ser assaltado por um criminoso que não responde às duras penas da lei", disse. Ferrarini e Capez não foram localizados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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