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"Com racismo não tem jogo." Sob o lema antirracista, que moldou o cenário do amistoso deste sábado, a seleção brasileira venceu Guiné por 4 a 1, no vazio Estádio Cornellà-El Prat, em Barcelona, na Espanha. Durante o primeiro tempo, o Brasil atuou com um uniforme preto pela primeira vez em sua história. O jogo ainda ficou marcado por manifestação dos jogadores, cartazes da torcida em homenagem a Vinícius Júnior, que marcou um dos gols, e um caso de racismo contra um amigo do atacante do Real Madrid nas dependências do estádio antes de a bola rolar.

Joelinton, Rodrygo e Éder Militão também balançaram as redes pela seleção brasileira. Os comandados de Ramon Menezes não apresentaram um futebol vistoso e tiveram dificuldade para controlar efetivamente o modesto adversário. Vini Jr., que tinha os holofotes voltados para si e vestindo a camisa 10, fez um jogo discreto. Melhorou a atuação no segundo tempo, com jogadas plásticas, adornada pelo gol de pênalti nos minutos finais.

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O Brasil volta a atuar na próxima terça-feira, em Lisboa, no Estádio José Alvalade, casa do Sporting, às 16h. O adversário será mais poderoso: Senegal, que chegou às oitavas de final da última Copa do Mundo e tem jogadores de relevo internacional.

Assim que o árbitro letão autorizou o início do jogo, jogadores de Brasil e Guiné se ajoelharam e sentaram no chão em protesto contra o racismo por um minuto. Apesar do estádio com muitos lugares desocupados, a torcida fazia barulho a casa vez que Vini Jr. tocava na bola. Nas arquibancadas, torcedores exibiam cartazes e faixas com menção ao brasileiro e em combate aos racismo.

Guiné não se intimidou no primeiro jogo contra uma seleção campeã mundial e seus jogadores não facilitaram a vida dos brasileiros, que demoraram a se encontrar no jogo. O ritmo da equipe guineana não era nada amistoso.

O oportunismo falou mais alto aos 27 minutos em favor da seleção brasileira. Guiné cometeu uma falta infantil na lateral da grande área. Na cobrança de Danilo, Richarlison desviou o cruzamento, o goleiro Koné fez boa defesa, mas o estreante Joelinton - que não perdeu o faro de gol, apesar de deixar a posição de atacante - apareceu para empurrar para a rede.

Com o placar inaugurado, o Brasil entendeu que o lado esquerdo era o ponto fraco da defesa de Guiné. Por lá, Rodrygo foi valente, recuperou a posse de bola e chutou para estufar a rede e ampliar o marcador. Guiné, porém, não esmoreceu e mostrou vontade para aproveitar qualquer brecha. Guirassy aproveitou indecisão da defesa brasileira e cabeceou para as redes após cruzamento no limite da linha de fundo, descontando o placar aos 36 minutos.

O primeiro tempo mostrou um Brasil sem padrão de jogo, com dificuldade de articulação. A diferença notória da qualidade técnica deu vantagem ao time brasileiro, que soube aproveitar as raras oportunidades que teve, especialmente pelos vacilos guineanos na lateral esquerda.

Na volta do intervalo, o Brasil trocou o uniforme pelo tradicional, com camisas amarelas, calções azuis e meiões brancos. Não demorou para a seleção engatar uma pressão sobre Guiné. Lucas Paquetá alçou a bola para a grande área, novamente do lado canhoto da defesa da seleção africana, Éder Militão apareceu e desviou para o fundo do gol.

Com a partida controlada, a seleção brasileira passou a arriscar em lances que exigem habilidade, como dribles, e precisão, com chutes de fora da área. Vini Jr. se sentiu mais à vontade e começou a aparecer mais.

Com alterações, Guiné ganhou fôlego novo e se lançou ao ataque. Ederson se mostrou decisivo, como na final da Champions League no último sábado, e fez boa defesa. Richarlison pegou um gol impressionante, saindo cara a cara com o gol. O atacante do Tottenham se atrapalhou com a bola, exagerou nas tentativas de dribles e ficou no quase.

Aos 40 minutos, Malcom, que entrou no lugar de Rodrygo, balançou para cima da marcação e foi derrubado. O juiz assinalou pênalti e Vini Jr. foi para a cobrança. O atacante cobrou com categoria, buscando o canto inferior direito e fazendo a festa da torcida, para coroar um amistoso feito em torno da causa antirracista da qual ele se tornou a voz mais destacada no futebol. Pouco depois, ele foi substituído por Rony, do Palmeiras, e ganhou mais aplausos da torcida.

FICHA TÉCNICA

BRASIL 4 x 1 GUINÉ

BRASIL - Ederson; Danilo (Vanderson), Éder Militão, Marquinhos e Ayrton Lucas; Casemiro, Joelinton (Bruno Guimarães) e Lucas Paquetá (Raphael Veiga); Vini Jr. (Rony), Rodrygo (Malcom) e Richarlison (Pedro). Técnico: Ramon Menezes.

GUINÉ - Ibrahim Koné; Antoine Conté (Dembo Sylla), Sow, Mouctar Diakhaby e Issiaga Sylla; Diawara, Moriba (Aguibou Camara), Guilavogui (Morlaye Sylla) e Naby Keïta (Cissé); Kamano (Diaby) e Guirassy (José Kanté). Técnico: Kaba Diawara.

GOLS - Joelinton, aos 27, Rodrygo aos 30, Guirassy, aos 36 minutos do primeiro tempo; Éder Militão aos 2, Vini Jr., aos 43 do segundo tempo.

CARTÕES AMARELOS - Lucas Paquetá, Casemiro, Sylla.

ÁRBITRO - Andris Treimanis (LET).

PÚBLICO E RENDA - Não disponíveis.

LOCAL - Estádio Cornellà-El Prat, em Barcelona.

A seleção brasileira vai ter um importante desfalque no amistoso contra Guiné, neste sábado, em Barcelona. O experiente goleiro Alisson deixou as atividades de sexta-feira após sofrer uma pancada na mão esquerda, acordou com dores e acabou cortado do jogo. Não deve ser problema, contudo, para terça-feira, quando a equipe nacional encara Senegal, em Portugal.

Alisson se machucou já no fim das atividades de sexta. Ele deixou o campo para a entrada do palmeirense Weverton, que deve ser o escolhido para encarar Guiné nesta tarde. Ederson, campeão da Liga dos Campeões com o Manchester City deve ficar na reserva.

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"O goleiro Alisson sofreu um pequeno trauma no dedo mindinho da mão esquerda durante o treino de sexta-feira (16) da seleção brasileira. Por isso, não terá condições de enfrentar a seleção de Guiné, neste sábado, em Barcelona. Ele acordou com um pouco de dor no local", informou a CBF.

O goleiro não será cortado, porém, e já teve a viagem com o grupo para Lisboa confirmada pela entidade. Na terça-feira, o Brasil encara Senegal no Estádio Alvalade, e Alisson tem tudo para retomar a condição de titular caso não sinta mais dores.

Sem Alisson, a seleção deve ir a campo com Weverton; Danilo, Éder Militão, Marquinhos e Ayrton Lucas; Casemiro, Joelinton e Lucas Paquetá; Rodrygo, Vin Júnior e Richarlison. A tarja de capitão estará no braço do volante do Manchester United e o amistoso servirá de alerta contra o racismo.

Pouco se fala sobre Neymar na seleção brasileira. Muito se fala sobre Vinicius Junior. Sem o astro do Paris Saint-Germain, ainda em recuperação de lesão, a referência técnica do Brasil passou a ser o craque do Real Madrid, cujo protagonismo na equipe cresce na mesma proporção em que ele amplia sua voz contra o racismo de que é vítima sistematicamente na Espanha.

Com Vini Jr protagonista em campo e fora dele, o Brasil enfrenta Guiné neste sábado, às 16h30 (de Brasília) em Barcelona. O jogo terá transmissão da Globo e do SporTV, além do Globoplay no streaming. Trata-se do segundo amistoso da seleção depois da fracassada campanha na Copa do Mundo do Catar, na qual caiu nas quartas de final com revés nos pênaltis para a Croácia.

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"Eu quero seguir isso por todos aqueles jovens, por todas aquelas pessoas que sofrem, que não tem a voz que eu tenho", disse o jovem atacante de 22 anos, personalidade mais buscada da história do Google Brasil um dia depois de ter sido chamado de "macaco" por boa parte da torcida do Valencia, no mês passado.

Na seleção, Vini Jr. foi acolhido, encontrou respaldo da CBF que não vinha tendo no Real Madrid e passou a ser o rosto e a voz contra o racismo da Fifa em força-tarefa a ser criada pela entidade, segundo anunciou nesta semana o presidente Gianni Infantino. O brasileiro trabalha de forma bem-sucedida para construir imagem de atleta vencedor e mantê-la sem arranhões, com valores bem definidos.

Os frequentes insultos racistas direcionados ao jogador em diferentes estádios da Espanha motivaram ações coordenadas pela CBF. Foi marcado um amistoso contra a Espanha no Santiago Bernabéu, em 2024, com temática antirracista e o atacante como principal personagem dessa cruzada contra a discriminação. O duelo deste sábado diante da Guiné também faz parte desse pacote de medidas que a entidade diz adotar.

Uma delas é o uniforme todo preto com o qual a seleção vai jogar pela primeira vez em 109 anos de história. Todos os atletas usarão preto durante o primeiro tempo. No segundo, voltarão do vestiário com a tradicional camisa amarela, que também terá uma alusão à luta contra o racismo.

"É uma manifestação muito importante, não só pelo caso do Vinicius, mas por todos os casos. A gente sabe que muita gente passa por isso e as vezes não tem voz", comentou Rodrygo, companheiro de Vini Jr. No Real Madrid.

"Quando a gente fala de jogadores experientes que são referências, o Vinicius é uma referência do que é ser brasileiro. Grandíssimo jogador, tenho a honra de ser o treinador dele neste momento", definiu o técnico interino Ramon Menezes.

ESCALAÇÃO COM 9 REMANESCENTES DA COPA

Ramon continua no comando de forma interina até Ednaldo Rodrigues encontrar um substituto para Tite. O presidente cogita esperar até 2024 por sua prioridade, o italiano Carlo Ancelotti. Técnico da seleção sub-20, Ramon prefere não comentar as negociações da CBF por um novo comandante.

"Vamos esperar o que vai acontecer. Estou concentrado para fazer estes dois jogos. Para fazer com que o Brasil volte a vencer", limitou-se a dizer na véspera do jogo o comandante provisório da seleção, que considera Ancelotti um "grandíssimo treinador". "Vamos fazer um ótimo jogo e todos os 23 podem entrar e jogar. São todos de altíssimo nível técnico. Olho e vejo o prazer por estarem aqui e vestindo a camisa da seleção".

Ramon manteve Casemiro com a braçadeira e capitão e não confirmou os titulares que enfrentarão o rival africano. A tendência é de que as principais novidades em relação ao último jogo, a derrota por 1 a 0 para Marrocos em amistoso em março, sejam Ayrton Lucas, do Flamengo, na lateral esquerda e Joelinton, do Newcastle, no meio de campo.

Os dois devem ser os únicos não titulares que não disputaram a Copa do Catar. Weverton será titular no gol caso Alisson não possa jogar. O goleiro do Liverpool deixou o último treino mais cedo com um problema no dedo.

Alex Telles foi o primeiro a se apresentar em Barcelona, ainda no domingo, e nesta segunda-feira o técnico Ramón Menezes começou a ver a seleção brasileira ganhar corpo com a chegada de outros jogadores que atuam na Europa, casos de Danilo, Eder Militão, Rodrygo, Vini Júnior, Casemiro, Ibañez, Malcom, Rycharlison, Vanderson, Joelinton e Alisson. Até o fim do dia deve ter a maioria dos 23 convocados à disposição. O goleiro aproveitou para projetar os amistosos contra Guiné e Senegal e quer que sirvam para o time começar a ganhar cara para novo ciclo, já visando a Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, México e Canadá.

"Muito bom estar de volta na seleção. São duas partidas importantes para a gente, de olho nos desafios que tem adiante. As Eliminatórias da Copa estão chegando, é um novo ciclo, e nós jogadores estamos focados em dar nosso melhor e se preparar da melhor maneira para encarar esses dois adversários", afirmou Alisson. "São duas equipes muito qualificadas e que vêm jogando em alto nível no futebol mundial.

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A seleção brasileira enfrentará Guiné no sábado (16h30 de Brasília), no estádio Cornellà-El Prat, casa do Espanyol, em Barcelona. Este jogo será o primeiro da campanha "Com racismo não tem jogo", imposta pela CBF para alertar o mundo sobre os constantes ataques a jogadores. Vini Jr., por exemplo, virou alvo da ira dos torcedores rivais na Espanha.

A segunda partida desta Data Fifa será em Lisboa, em Portugal, no dia 20, contra Senegal, no estádio Alvalade, às 16 horas (de Brasília). Depois de perder para Marrocos no primeiro jogo do ano, por 2 a 1, a ordem é recuperar o bom futebol.

Vanderson, Nino, Joelinton e Ayrton Lucas são as novidades na convocação, que ainda tem o retorno de Rycharlison após ser desfalque no Marrocos por causa de um problema muscular. "Muito bom rever o grupo na seleção, eu já estava com saudades. Quero desfrutar desse momento." disse o atacante do Tottenham.

A seleção brasileira vai deixar de lado o tradicional verde-amarelo para utilizar um uniforme inteiramente preto no amistoso do próximo dia 17, contra Guiné, no Estádio Cornellà-El Prat, em Barcelona, na Espanha. Trata-se de mais uma ação da CBF contra o racismo após os seguidos insultos racistas contra Vinícius Júnior, do Real Madrid, no futebol espanhol. A informação foi divulgada originalmente pelo Uol e confirmada pelo Estadão.

A uniforme que será usado pelos jogadores de linha é o mesmo que a Nike, patrocinadora da seleção, produziu para os goleiros na atual coleção. Será a a primeira vez na história que a o Brasil vai entrar em campo usando camisas, shorts e meiões pretos. Em sua origem, a seleção adotava a cor branca como predominante no uniforme.

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Segundo apurado pelo Estadão, o Brasil jogará de preto somente o primeiro tempo, voltando para a etapa final com a camisa amarela. O anúncio oficial da ação ocorrerá na próxima semana, quando a seleção desembarca em Barcelona. Além de Guiné, a seleção enfrenta Senegal, em Portugal, no dia 20. Sem treinador desde a saída de Tite, em janeiro, o combinado brasileiro será novamente comandado pelo interino Ramon Menezes, treinador do sub-20

A CBF adotou uma postura mais combativa depois que Vini Jr. foi vítima de um novo ataque racista, durante a derrota por 1 a 0 do Real Madrid para o Valencia, dia 21 de maio. As cobranças públicas do atleta fizeram até a LaLiga, associação responsável pela organização do Campeonato Espanhol, se movimentar para pedir a mudança de uma lei para ter mais autonomia na punição para racismo. O governo brasileiro, inclusive, chegou a questionar o assunto com a embaixada espanhola.

Na segunda-feira, a CBF anunciou que a seleção brasileira fará um amistoso com a Espanha em março de 2024 para promover uma campanha contra o racismo no futebol. A partida será em um estádio espanhol, durante a Data Fifa entre 18 e 26 de março do ano que vem, mas ainda sem definição exata de data e local. O amistoso marcará o reencontro das seleções em uma partida de futebol masculino após mais de dez anos. A última vez que as duas equipes se enfrentaram foi na final da Copa das Confederações de 2013, quando a seleção brasileira, então comandada por Felipão, venceu os espanhóis por 3 a 0, com dois gols de Fred e um de Neymar.

O ex-ditador da Guiné, Moussa Dadis Camara, negou, em um aguardado julgamento nesta terça-feira (13), ter dado a ordem para um massacre em 2009 que deixou centenas de vítimas.

Camara está sendo julgado junto com outros dez oficiais que fizeram parte de seu governo por um massacre no qual 156 pessoas morreram e um total de 109 mulheres foram estupradas, durante a repressão de um comício da oposição.

O militar voltou a depor na terça-feira pelo segundo dia consecutivo no processo iniciado em 28 de setembro, 13 anos após o massacre perpetrado por agentes do regime.

"Eu não dei nenhuma ordem a ninguém, senhor imperador da Promotoria", respondeu Camara com sarcasmo.

Camara afirmou no entanto que membros dos Boinas Vermelhas, uma unidade de elite das forças armadas, participaram do massacre.

O ex-ditador negou na segunda-feira qualquer responsabilidade pelos eventos e disse ser vítima de uma conspiração, em um longo monólogo que incluiu referências a filósofos como Heráclito e Immanuel Kant e aos faraós egípcios.

Camara, que era um capitão desconhecido, chegou ao poder em dezembro de 2008, logo após a morte de Lansana Conte, o segundo líder do país desde a independência, que governou durante 24 anos.

Os golpistas em Guiné, que capturaram o presidente Alpha Condé e anunciaram a dissolução das instituições, convocaram nesta segunda-feira (6) os ministros do governo derrubado, após um golpe de Estado condenado pela comunidade internacional mas celebrado na capital, Conacri.

Os militares que lideraram o golpe convocaram os ministros e presidentes das instituições que para uma reunião nesta segunda-feira (6) no Palácio do Povo, sede do Parlamento. "Qualquer recusa a comparecer será considerada uma rebelião", alertaram.

As forças especiais guineanas, lideradas por seu comandante, o tenente-coronel Mamady Dumbuya, afirmaram no domingo, com um vídeo como prova, que capturaram o chefe de Estado para acabar com o que chamaram de "desperdício financeiro, pobreza e corrupção endêmica", assim como "a instrumentalização da justiça e o desprezo dos direitos dos cidadãos".

Os golpistas divulgaram um vídeo do presidente Condé, de 83 anos, vestido com jeans e camisa, sentado em um sofá. Eles afirmaram que o chefe de Estado deposto está bem de saúde e é tratado corretamente.

No domingo, os militares proclamaram a dissolução do governo, das instituições e da Constituição, que Condé promulgou em 2020 e utilizou para disputar no mesmo ano o terceiro mandato, apesar de meses de protestos.

Os golpistas prometeram um período de transição, ao estilo do vizinho Mali. Ao mesmo tempo, no entanto, anunciaram um toque de recolher e fecharam as fronteiras aéreas e terrestres.

Durante a noite, eles anunciaram na televisão a substituição dos ministros pelos secretários-gerais de cada pasta, assim como de prefeitos, subprefeitos e governadores regionais por militares. E pediram aos funcionários públicos que retornem ao trabalho na segunda-feira".

- Condenações internacionais -

O golpe de Estado aconteceu após meses de grave crise econômica e política neste país do oeste da África, de 12 milhões de habitantes, governado desde 2010 pelo presidente Condé, cada vez mais isolado.

Durante décadas, esta nação pobre, apesar dos recursos minerais e hidrológicos, foi governada desde sua independência em 1958 por regimes autoritários ou ditatoriais.

Este é o terceiro golpe de Estado na região da África subsaariana no período de um ano, depois do Mali ainda em 2020 e do Chade em 2021.

Até o momento não foram registradas mortes, apesar dos tiros ouvidos na manhã de domingo na capital. E nenhum incidente grave foi registrado na madrugada de segunda-feira.

O golpe, que representa o fim de uma década do regime de Condé, provocou cenas de comemoração em vários pontos da capital, principalmente nos bairros favoráveis à oposição.

No plano internacional, o golpe recebeu ampla condenação, do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, à União Africana, passando pela Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e a União Europeia.

O governo dos Estados Unidos também criticou o golpe e advertiu que poderia "limitar" a capacidade americana de ajudar Guiné.

As forças de elite da Guiné afirmaram neste domingo (5) que "capturaram" o presidente Alpha Condé e "dissolveram" as instituições, em um vídeo enviado para um jornalista da AFP, enquanto o Ministério da Defesa garante ter conseguido frustrar a tentativa de golpe.

"Decidimos, depois de prender o presidente, que atualmente está conosco (...), suprimir a Constituição em vigor, dissolver as instituições, e também o governo, assim como fechar fronteiras terrestres e aéreas", declarou um dos golpistas, em um comunicado publicado nas redes sociais, não transmitido em cadeia nacional.

Os golpistas, cuja procedência das imagens foi confirmada pelo repórter da AFP, transmitiram um vídeo do presidente preso. Ao ser questionado sobre se foi maltratado, Alpha Condé, de jeans e camisa, sentado em um sofá, nega-se a responder.

Em um comunicado, o Ministério da Defesa declarou que "os insurgentes espalharam o medo" em Conakri antes de tomarem o palácio presidencial, mas que "a guarda presidencial, apoiada por forças de defesa e segurança, leais e republicanos, contiveram a ameaça e repeliram o grupo agressor".

Não durou nem 24 horas a decisão de Guiné em desistir da disputa dos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020. Horas depois de alegar que não estaria na competição para preservar a saúde de seus atletas, o país africano voltou atrás ao "receber garantias" do Comitê Olímpico Internacional (COI) e agora vai mandar a delegação para o Japão.

Jornalistas do país da África Ocidental acusaram, porém, que a medida vinha por problemas financeiros e não havia nenhuma relação com o medo da pandemia de covid-19.

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O primeiro ministro dos Esportes de Guiné, Sanoussy Bantama Sow, não entrou em polêmica e apenas divulgou uma nota para informar a mudança repentina de decisão. Na madrugada desta quinta-feira do Brasil, tarde no Japão, o país estava fora da Olimpíada. Agora, madrugada na Ásia, a delegação se prepara novamente para participar de seu 12.º Jogos Olímpicos da história.

"O governo, após obter garantias das autoridades sanitárias, deu um parecer favorável à participação dos nossos atletas nas Olimpíadas de Tóquio", escreveu Sow em um comunicado oficial.

Antes, havia comunicado com tristeza a ausência na competição. "Preocupado em proteger a saúde dos atletas guineenses, o governo decidiu com pesar cancelar a participação de Guiné nas Olimpíadas de Tóquio", havia escrito Sow.

A expectativa, agora, é que o país consiga buscar a primeira medalha de sua história. Serão cinco atletas na disputa de quatro modalidades: luta livre, judô, natação e atletismo.

A República da Guiné, que deveria enviar uma pequena delegação de cinco atletas às Olimpíadas de Tóquio, decidiu cancelar sua participação no evento devido à pandemia de Covid-19, anunciou na quarta-feira (21) o ministro do Esporte do país africano.

Uma fonte próxima do governo local indicou problemas financeiros para justificar a desistência deste país da África Ocidental dois dias antes da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos.

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"Devido ao recrudescimento das variantes da Covid-19", o governo, "preocupado em proteger a saúde dos atletas guineenses, decidiu com pesar cancelar a participação de Guiné" nos Jogos de Tóquio, escreveu o ministro do Esporte, Sanoussy Bantama Sow, em carta dirigida ao presidente do Comitê Olímpico da Guiné (CNOSG) .

“Surgiu um custo extra para o envio da delegação, e o ministério não tem como pagar”, disse à AFP a fonte próxima ao governo, que preferiu manter o anonimato, sem dar mais detalhes.

Já a imprensa do país indicou que haveria um impasse em relação ao pagamento de prêmios.

A Guiné participou de 11 edições das Olimpíadas, mas nunca conquistou uma medalha. Os atletas que vão ficar fora da competição são Fatoumata Yarie Camara (luta livre), Mamadou Samba Bah (judô), Fatoumata Lamarana Touré e Mamadou Tahirou Bah (natação) e Aïssata Deen Conté (atletismo, 100m feminino).

Antes do país africano, a Coreia do Norte já havia anunciado em abril que não participaria dos Jogos de Tóquio para proteger seus atletas de todos os riscos ligados à pandemia do coronavírus. A mesma decisão foi adotada por Samoa, pequeno país da Oceania.

Mais de 11 mil doses de vacinas contra a febre hemorrágica Ebola chegaram de avião nesta segunda-feira (22) à noite na Guiné, país da África Ocidental onde a doença reapareceu, verificou a AFP.

As 11.300 doses da vacina Merck fornecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) deveriam chegar no domingo (21), mas a aeronave que saiu de Genebra não conseguiu pousar por conta de nuvens de poeira e foi desviado para o Senegal.

Então, um avião da United Mining Supply, empresa de transporte e logística especializada em mineração na Guiné, chegou ao Senegal para assumir o transporte das vacinas.

As caixas com o logotipo da OMS foram descarregadas na Guiné depois das 20h locais (17h no horário de Brasília), informou um correspondente da AFP.

Algumas serão transportados para Gouecké e Nzérékoré, uma região que faz fronteira com Serra Leoa, Libéria e Costa do Marfim, onde o Ebola causou recentemente cinco mortes. A vacinação está marcada para começar na terça-feira.

É o primeiro surto de Ebola na África Ocidental desde a epidemia de 2013-2016, que causou mais de 11.300 mortes, principalmente na Guiné, Libéria e Serra Leoa.

O Ebola também reapareceu recentemente na República Democrática do Congo. Espera-se que mais 8.700 doses cheguem dos Estados Unidos à Guiné na quarta-feira.

O vírus Ebola é transmitido aos humanos por meio de animais infectados. O contágio entre as pessoas ocorre por meio de fluidos corporais e seus principais sintomas são febre, vômito, sangramento e diarreia.

O governo de Guiné declarou neste domingo (14) o retorno da epidemia de ebola no país após quatro mortes terem sido confirmadas. Há ainda três pessoas internadas em estado grave.

Segundo o chefe da Agência Sanitária da Guiné, Sakoba Keita, a primeira vítima em cinco anos foi uma enfermeira, que se sentiu mal e foi enterrada no dia 1º de fevereiro. Do funeral, oito pessoas foram infectadas, apresentando sintomas como vômito, diarreia e febre. Tanto as outras três mortes como as internações estão relacionadas ao enterro.

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"Nesta manhã, muito rapidamente, o laboratório de Conakry confirmou a presença do vírus ebola", acrescentou Keita.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) informou que está acompanhando a situação e assegurou uma "rápida assistência" a Guiné para conter a crise sanitária. O país africano havia erradicado a doença em 2016, após três anos de um surto que deixou mais de 11,3 mil mortes. 

Da Ansa

O surto de Ebola na Guiné acabou, anunciou nesta quarta-feira (1°) a Organização Mundial da Saúde (OMS), destacando que aquele país entra, agora, em uma fase de "vigilância reforçada" de 90 dias.

Em um comunicado, a agência da ONU declara o "fim da transmissão do vírus Ebola" na Guiné, depois que o país superou 42 dias - o dobro do período máximo de incubação - sem nenhum caso novo desde o segundo exame com resultado negativo do último paciente.

A origem exata da infecção do último surto não foi determinada, mas de acordo com a OMS parece "provavelmente" relacionado com a exposição aos fluidos corporais infectados de um sobrevivente. Mas ainda existe o risco de novos casos, advertiu a OMS.

"Temos que seguir vigiando para assegurar a detecção rápida dos novos casos", afirmou Abu Beckr Gaye, representante da OMS no país.

A epidemia de Ebola na África ocidental, a mais grave desde a identificação do vírus em 1976, começou em dezembro de 2013 na Guiné, antes de atingir Libéria e Serra Leoa. Os três países concentraram mais de 99% dos casos.

Duas pessoas foram confirmadas com Ebola na Guiné, meses após o surto ter sido declarado como erradicado, informou o governo, horas depois de Serra Leoa anunciar o fim do surto mais recente em sua região.

Os dois casos na Guiné surgiram em pessoas da mesma família na cidade de N Zerekore, que fica cerca de 1.000 quilômetros da capital do país, Conakry, disse Ibrahima Sylla, porta-voz da coordenação nacional da luta contra o Ebola.

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Sylla disse que há outros três casos prováveis e que as autoridades de saúde estão tomando medidas adequadas para evitar a propagação. Uma reunião de emergência será realizada na sexta-feira (18) com o Ministério da Saúde, disse Sakoba Keita, coordenador nacional da luta contra o Ebola.

Na quinta-feira, o vice-diretor geral do hospital regional de N Zerekore, Zoba Guilavogui, disse que um homem e uma mulher da mesma família morreram de uma doença com os sintomas parecidos aos do Ebola, mas os exames ainda não foram concluídos.

Guiné foi declarada livre do Ebola no dia 29 de dezembro e o período de vigilância terminaria no fim de março. O mais mortal surto de Ebola na história já matou mais de 11.300 pessoas, principalmente em Serra Leoa, Libéria e Guiné.

Em Serra Leoa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o fim da doença 42 dias, que compreende dois ciclos de 21 dias de incubação do vírus, desde a última paciente confirmada com o vírus.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que a Guiné está livre do vírus ebola e elogiou a população e o governo pelo feito. Uma cerimônia está sendo realizada nesta terça-feira (29) para celebrar o progresso do país do oeste africano, onde a pior epidemia de ebola da história começou, em dezembro de 2013.

O ebola causou a morte de mais de 2,5 mil pessoas na Guiné e mais 11,3 mil em todo o mundo, principalmente na Libéria e em Serra Leoa. Segundo Matshidiso Moeti, diretor regional da OMS para a África, essa é a primeira vez em que os três países pararam de transmitir o vírus.

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Serra Leoa foi declarada livre do ebola em 7 de novembro. Já a Libéria recebeu esse status duas vezes, mas entrou em uma terceira fase de alerta.

Guiné e Serra Leoa experimentaram um forte aumento dos casos de Ebola na semana passada, informou nesta quarta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS), minando as esperanças de uma regressão da epidemia mortal.

A semana que terminou no domingo "teve o maior total semanal de casos confirmados de Ebola no período de um mês", afirmou a agência da ONU em seu último relatório.

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Trinta e cinco novos casos foram reportados durante a semana na Guiné e em Serra Leoa, contra apenas nove ao longo na semana precedente.

O vírus, segundo os últimos números, infectou um total de 26.933 pessoas e deixou 11.120 mortos, principalmente na Guiné e em Serra Leoa, mas também na Libéria vizinha, declarada livre da epidemia no último 9 de maio.

A Guiné, onde a epidemia começou no final de 2013, foi o país mais afetado na semana passada, com 27 casos registrados, contra sete na semana anterior.

Serra Leoa, que parece se orientar na mesma direção que a Libéria, também viu o número de casos novamente passar de dez para oito.

A progressão no país colocou fim a três semanas consecutivas de diminuição do número de novos casos registrados, segundo a OMS.

Pela primeira vez em cinco semanas um profissional da saúde, que trabalhava num centro de tratamento de Ebola perto de Freetown, foi testado positivo para o vírus da febre hemorrágica, informou a agência.

Desde o início da epidemia 869 profissionais da área de saúde foram atingidos pelo vírus, e 507 entre eles morreram, segundo dados oficiais da OMS.

A Guiné enviou forças de segurança ao sudoeste do país em resposta ao grande fluxo de Serra Leoa, que estariam cruzando a fronteira para fugir do toque de recolher estabelecido no país vizinho para erradicar o ebola, afirmou o governo guineano.

As forças, encabeçadas pelo diretor da Guarda Civil nacional, se mobilizaram na sexta-feira à noite em direção ao povoado de Forecariah, informou o porta-voz do órgão, Mamadou Alpha Barry, que disse ainda que as autoridades já restabeleceram a segurança da área.

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A população local reportou uma situação de tensão na fronteira entre os dois países devido a um fluxo massivo de serra-leoneses dias antes do estabelecimento do toque de recolher, que entrou em vigor na sexta-feira e durará até domingo.

"Nos rebelamos contra a chegada massiva de serra-leoneses através da fronteira depois que as autoridades anunciaram o toque de recolher", disse Mamadou Kolibe, morador do povoado de Forecariah. "Por que eles fogem de seu país se não têm ebola?", questionou.

O sudoeste da Guiné faz fronteira com distritos no norte de Serra Leoa, uma das áreas onde o toque de recolher foi imposto.

Em Freetown, capital de Serra Leoa, as autoridades informaram que a maioria dos residentes permaneceram em suas casas na sexta-feira e neste sábado, com exceção das equipes em busca de possíveis casos de ebola e muçulmanos que foram orar em mesquitas. O toque de recolher não vale para serviços religiosos.

Serra Leoa efetuou uma operação similar a nível nacional em setembro do ano passado quando as taxas de transmissão do vírus eram muito maiores. O ebola atinge quase 12 mil pessoas em Serra Leoa, mais que em qualquer outro país, porém o mais recente total semanal de casos confirmados (33, ao todo) é o menor desde junho.

Ainda que o toque de recolher anterior tenha incluído uma campanha de educação pública, desta vez a população está a par do perigo do ebola, o que significa que as equipes podem se concentrar em identificar pacientes, disse Samuel Turay, um funcionário do Centro Nacional de Resposta ao Ebola.

"Estou seguro que depois deste toque de recolher teremos controle total sobre o vírus", afirmou Turay. Fonte: Associated Press.

A primeira vacina contra o Ebola, a VSV-EBOV, em fase de testes na Guiné, foi administrada a cerca de 50 pessoas - informaram nesta terça-feira (10) fontes oficiais e a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Cerca de 20 voluntários foram vacinados nesta terça durante uma apresentação dos testes num centro médico na periferia de Conacri, segundo constatou a reportagem da AFP.

Ao todo, desde o início dos testes em 7 de março, cerca de 50 pessoas foram vacinadas na Guiné, entre elas o ministro da Saúde, Rémy Lamah, e o coordenador nacional de combate ao Ebola, Sakoba Keita, informou a Organização Mundial de Saúde (OMS).

"Os testes têm por objetivo verificar a eficácia e a inocuidade da vacina contra o Ebola", no grupo de voluntários, declarou à AFP o médico Aboubacar Soumah, da MSF. "Qualquer pessoa vacinada é submetida a uma observação de 30 minutos para ver se não há reações", acompanhada em intervalos predeterminados, informou.

Sakoba Keita, vacinado no último dia 7, relatou se "sentir bem" e não ter verificado efeitos colaterais, comemorando o fato de que os primeiros voluntários foram dar seus depoimentos.

A VSV-EBOV, uma das duas vacinas mais avançadas contra o vírus, foi disponibilizada pela Agência de Saúde Pública do Canadá.

A outra vacina, desenvolvida pela farmacêutica britânica GSK (GlaxoSmithKline) com o Instituto Americano de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID) está sendo testada desde fevereiro na Libéria.

A epidemia de Ebola na África Ocidental, a mais grave desde a identificação do vírus na áfrica Central, em 1976, começou em dezembro de 2013 no sul da Guiné antes de se propagar para a Libéria e Serra Leoa.

A onda de Ebola matou cerca de 10.000 pessoas, um número subestimado - segundo a própria OMS. Na Guiné, foram mais de 2.100 vítimas fatais do vírus para quase 24.000 casos registrados.

A Construtora Noberto Odebrecht (CNO) divulgou nota na manhã desta quinta-feira em que nega ter patrocinado o polêmico desfile com que a Beija-Flor de Nilópolis, campeã do carnaval carioca de 2015, homenageou a Guiné Equatorial. Sob o comando da ditadura de Teodoro Obiang Nguema Mbasogo desde 1979, o pequeno país africano foi apontado como patrocinador do enredo. Nega oficialmente, porém, ter dado dinheiro - de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões - para a agremiação exaltá-la na Sapucaí. A Beija-Flor apontou empreiteiras brasileiras que atuam no país como responsáveis pelo financiamento. Mas a CNO desmente ter sido uma delas e mesmo ter negócios na Guiné Equatorial.

"A Odebrecht não patrocinou o desfile do Grêmio Recreativo Escola de Samba Beija-Flor, do Rio de Janeiro", diz o texto divulgado pela empreiteira. "A Odebrecht esclarece ainda que nunca realizou obras na Guiné Equatorial. A empresa chegou a manter um pequeno escritório de representação no país africano, mas ele foi desativado em 2014."

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A vitória da Beija-Flor, décimo-terceiro campeonato conquistado pela escola no atual Grupo Especial, foi cercada de controvérsia. Uma delegação de autoridades da Guiné Equatorial esteve em um camarote na Passarela do Samba. Um dos integrantes da comitiva era o vice-presidente do país e filho de Obiang, Teodoro Obiang Mangue, conhecido como Teodorin. O governo, que alugou suítes no Hotel Copacabana Palace para seus integrantes que vieram ao Brasil acompanhar o desfile, nega, porém, que o presidente estivesse no grupo. O presidente, informou por nota oficial o governo da Guiné Equatorial, estava na República de Camarões em 16 de fevereiro, segunda-feira de Carnaval, quando a escola desfilou. Era uma reunião do Conselho de Paz e Segurança da África Central, para discutir o enfrentamento do grupo terrorista Boko Haram.

Uma foto dos chefes de Estado e de governo, entre os quais está Obiang pai, foi postada no site da Comunidade Econômica dos Estados da África Central. O presidente da Guiné Equatorial é o segundo na primeira fila, da esquerda para a direita. A data aparece em um banner, ao fundo.

A vitória da Beija-Flor no carnaval do Rio de Janeiro com um tema polêmico em homenagem à Guiné Equatorial repercutiu pelo mundo. Menos na imprensa do país africano. Jornais e meios de comunicação como a BBC, The Wall Street Journal e outros europeus indicaram como a escola de samba teria sido financiada pelo ditador Teodoro Obiang, algo negado pela direção da Beija-Flor e pelo embaixador da Guiné.

Segundo a imprensa estrangeira, a escolha do enredo foi atacada por defensores de direitos humanos e criou uma saia-justa para a escola.

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Na rede BBC, a manchete dava o tom: "Beija-Flor vence carnaval apesar de ligação com Obiang". Segundo a entidade, a Anistia Internacional atacou a decisão e pediu transparência no financiamento dos desfiles.

Mas, em Malabo, capital da Guiné, nenhuma referência foi feita sobre a vitória da Beija-Flor na imprensa estatal desta quinta-feira, 19. Na Asonga, agência oficial do governo e praticamente o único meio de comunicação do país, o leitor não encontra nenhuma referência ao fato de o carnaval do Rio ter homenageado o país.

Na televisão nacional, o programa da manhã falou do tempo, pediu uma oração a todos no país e trouxe outras reportagens como doenças. Mas nenhuma referência ao fato de o vice-presidente do país, Teodorin Obiang, ter visitado o Rio de Janeiro e se hospedado em um dos hotéis mais caros do Brasil, o Copacabana Palace, na zona sul da capital fluminense. Na Gaceta de Guine Ecuatorial, apenas uma reportagem sobre o Ebola.

Exílio

As únicas referências foram citadas em jornais da oposição e que precisam registrar seus sites fora da Guiné, como na Espanha. No Diario Rombe, reportagens mostram como a comitiva da Guiné viveu no luxo no Brasil, enquanto a população passa fome.

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