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Os advogados do governador do Rio, Wilson Witzel, entraram na noite desta quinta-feira, 28, com um pedido no Superior Tribunal de Justiça (STJ) no qual solicitam o agendamento do depoimento do mandatário fluminense. Ao autorizar a operação da última terça-feira, o ministro Benedito Gonçalves determinou a "oitiva imediata" de Witzel, mas ela depende de intimação da Polícia Federal.

"Os advogados do requerente passaram o dia (quinta-feira) tentando estabelecer contato com a d. Autoridade Policial, por meio de telefone e e-mail, para ajustar dia e hora para seu depoimento. Como o contato não foi possível, serve a presente para ratificar que o requerente segue à disposição da d. Autoridade Policial (sic)", escreve a defesa no pedido.

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O governador foi alvo de mandado de busca e apreensão e teve três celulares e três computadores levados pela PF. A investigação apura a suposta relação de Witzel com o esquema de corrupção na Saúde em meio à pandemia.

Em meio ao cenário de preocupação jurídica, o governador vive também uma crise política. Ele exonerou na noite desta quinta-feira os secretários André Moura, de Casa Civil, e Luiz Cláudio Rodrigues de Carvalho, da Fazenda. Ambos eram tidos como adversários internos do secretário de Desenvolvimento Econômico, Lucas Tristão. Na esteira desse movimento, o líder do governo na Assembleia Legislativa, Márcio Pacheco (PSC), entregou o cargo.

O desembargador Murilo Kieling, da 23ª Câmara Cível do Rio de Janeiro, manteve nesta quarta-feira a suspensão da audiência pública que iria discutir o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) do projeto de construção do novo autódromo do Rio. O novo circuito é cotado para receber o GP do Brasil de Fórmula 1 a partir de 2021.

Kieling rejeitou recurso do Estado do Rio que pretendia anular decisão anterior, da juíza Neusa Regina Larsen, da 14ª Vara da Fazenda Pública. Na quarta passada, ela havia suspendido a realização da audiência virtual, marcada para esta quinta-feira, dia 28, ao atender ação civil demandada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).

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"Em vista do exposto, indefiro, rebus sic stantibus, o pedido de efeito suspensivo. Ademais, as razões declinadas pelo ente público Agravante não demonstram que a imediata e integral produção de efeitos da decisão agravada irá acarretar risco de dano grave, de difícil ou impossível reparação, e sendo assim, eis que necessária a integração do contraditório e da ampla defesa", escreveu o desembargador em sua decisão.

Mesmo sem caráter decisório, a audiência pública é um dos passos para que o EIA/Rima do projeto de construção do autódromo receba autorização ambiental para ser erguido. No encontro, agora suspenso, as entidades e pessoas interessadas no caso poderiam debater e discutir os possíveis efeitos ambientais das obras do circuito, no bairro de Deodoro.

A decisão do desembargador afeta diretamente o cronograma da construção do autódromo definido pela Rio Motorpark, liderada pelo empresário JR Pereira. Isso porque a audiência é essencial para os seguintes passos na tramitação do relatório ambiental no Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

É a partir da audiência que são contados 10 dias para que interessados apresentem questionamentos quanto ao projeto, que podem ser incorporados ao processo de licenciamento. "Em seguida, a equipe técnica do Inea avaliará todas as manifestações apresentadas para, então, emitir parecer técnico final com vistas à Procuradoria do Inea", explicou o Instituto, em nota recente ao Estadão. Somente após o parecer técnico final, em caso de aprovação, é que a Rio Motorpark poderá iniciar as obras.

Na semana passada, a juíza Neusa Regina Larsen alegou que a realização da audiência pública não era essencial neste momento de pandemia e crise na saúde pública do Rio. "É fato notório a situação de emergência na saúde pública do estado do Rio de Janeiro e que somente apresenta-se razoável a prática de atos efetivamente necessários", alegou a juíza.

"No que pese o objetivo da audiência pública por meio eletrônico ser o estudo do impacto ambiental, tal ato gerará despesa que, no momento, apresenta-se desnecessária, principalmente para o fim a que se destina, que é a construção de espaço esportivo que não beneficiará a população em suas necessidades prioritárias. (...) O Estado não tem conseguido, sequer, comprar os medicamentos objeto de sentença transitada em julgado e, no caso de sequestro de verba, na conta indicada pelo próprio ente estadual para esta finalidade, as ordens judiciais têm retornado negativas."

O Rio de Janeiro disputa com São Paulo pelo direito de sediar o GP do Brasil de Fórmula 1 a partir de 2021. O atual contrato da capital paulista com a F-1 se encerra neste ano. Em razão da pandemia e das mudanças no calendário do campeonato deste ano, São Paulo corre até o risco de não receber a prova desta temporada.

Ao mesmo tempo, o Rio vem tendo dificuldades em obter a aprovação da licença ambiental para iniciar a construção do novo autódromo. Apesar destes obstáculos, ambas as cidades dizem estar em situação avançada em suas negociações com a cúpula da F-1. Inicialmente, a categoria havia colocado o mês de agosto deste ano como prazo para tomar sua decisão quanto ao futuro do GP brasileiro. Mas o adiamento do campeonato deste ano, em razão do novo coronavírus, deve adiar ainda mais a definição sobre o GP nacional de 2021.

O Estado do Rio de Janeiro registrou 244 mortes por covid-19 entre terça e quarta-feira, 27, e com isso chegou a 4.605 óbitos pela doença desde o início da pandemia. Outros 1.193 mortes estão sob investigação. Ao todo, 42.398 pessoas já foram diagnosticadas com a doença no estado.

Epicentro do novo coronavírus no Rio de Janeiro, a capital fluminense contabiliza 3.135 óbitos por covid-19. No Rio, 24.750 já foram infectadas.

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Um levantamento feito pela ONG Redes da Maré aponta indícios de subnotificação de infecções e mortes pelo novo coronavírus na comunidade da zona norte carioca, onde vivem mais de 140 mil pessoas. Segundo a organização, até 18 de maio foram registrados na região 193% mais doentes e 65% mais óbitos do que a contagem da Prefeitura. A Secretaria Municipal de Saúde afirma desconhecer a metodologia do trabalho.

Os números da Redes reforçam a suspeita de que nas áreas mais pobres do Rio a doença tem dinâmica peculiar. Impulsionada por más condições sanitárias e pela descrença da população, o vírus pode ter avançado mais do que se supõe oficialmente. "Não há testagem", disse Eliana Sousa, diretora e fundadora da ONG.

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"Pode ser que algumas pessoas estejam morrendo e o diagnóstico não seja conclusivo. Muitas mostram (o atestado de óbito e dizem): 'Olha, não está dito que foi covid, porque não houve testagem, mas está dizendo que a pessoa morreu por complicação respiratória.'"

Segundo dados oficiais, na Maré, até a segunda-feira da semana passada, havia 89 infectados e 23 mortos. A Redes contrapôs a contagem que apurou até então no bairro: 261 infectados e 38 mortos. Nos dois casos, considerou tanto confirmados por testagem como casos suspeitos. O levantamento apontou que 47% dos óbitos estavam sob investigação, e 80% dos pacientes com sintomas não foram testados. Os dados foram compilados a partir de informações passadas pelas redes sociais e checadas por equipes da ONG, que foram às casas de moradores com sintomas. "Alguns moradores que também apresentaram sintomas sequer buscaram atendimento, pois foram orientados a ficar em isolamento em caso de sintomas leves", indica boletim da Redes.

Moradora da comunidade Marcílio Dias, uma das 16 da Maré, Valdineide Bernardo foi uma das pacientes sintomáticas que buscou ajuda médica e recebeu orientação para voltar para casa. Ela contou que a filha Gabriela, grávida e com 17 anos, teve tosse por três dias. Depois, quem começou a tossir foi Valdineide, diabética. Vieram febre, dor de garganta. Ela foi ao Centro Municipal de Saúde João Cândido, onde a médica receitou um antibiótico. Não houve encaminhamento para exame. Na pequena casa, o pai de Valdineide também adoeceu.

"Aqui é um cubículo: um quarto, uma sala, um banheiro. Então, provavelmente deve ser (covid-19). E não mandaram fazer o teste", queixou-se. Ela reclamou que levou o pai, idoso e diabético, que tinha sintomas, três vezes para ser examinado. Mas disseram que ele estava bem, sem nada na garganta. "E meu pai piorando." Sem ambulância, levou-o em um carro de aplicativo ao Hospital Getúlio Vargas, onde foi internado e aguarda resultado do teste.

Eliana diz que orientações sobre a covid-19 - como ficar em casa se sintomas forem leves - foram inadequadas para moradores de comunidades. Ela também reclamou do que chamou de "sucateamento" das unidades de saúde e da falta de recursos. "Não tem oxímetro (aparelho que mede oxigenação) nas Clínicas da Família." Erros de endereço - a Maré é bairro desde 1994 - também estariam engordando números dos vizinhos Bonsucesso e Ramos.

Dados oficiais

A Secretaria Municipal de Saúde ressaltou que "os dados que divulga são de casos confirmados por exames laboratoriais". Também informou que o registro por bairros considera a notificação com o endereço informado pelo paciente. A pasta ainda negou sucateamento das unidades de atenção primária nas comunidades do Rio.

A secretaria afirmou que pacientes internados com suspeita de Síndrome Respiratória Aguda Grave "são testados logo nas primeiras 24 horas da internação ou até antes". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), solicitou ao Ministério Público Federal, na manhã desta quarta-feira, 27, a apuração sobre o suposto vazamento de diligências de busca e apreensão realizadas ontem no Rio de Janeiro em ação que tem entre seus investigados o governador do Estado, Wilson Witzel.

Segundo o ministro, caso seja confirmado o vazamento, será necessário responsabilizar penalmente o autor da conduta ilícita, como forma de não prejudicar a integridade das instituições.

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A Operação Placebo, que incluiu busca e apreensão em endereços ligados ao governo fluminense, como o Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador Witzel, o Palácio da Guanabara, sede do Executivo do Rio, e ainda na casa em que o mandatário do Rio morava antes de assumir o governo, tem origem em investigação que apura desvios de recursos para atender emergência da covid-19 no Estado - e foi comemorada no Palácio do Planalto e vista como um "troco" ao adversário político do presidente.

A deputada federal bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP), em entrevista à Rádio Gaúcha, indicou, na segunda-feira, que a PF estava prestes a deflagrar operações para investigar irregularidades cometidas por governadores durante a pandemia. "A gente já teve algumas operações da Polícia Federal que estavam ali, na agulha, para sair, mas não saíam. E a gente deve ter, nos próximos meses, o que a gente vai chamar, talvez, de Covidão ou de não sei qual vai ser o nome que eles vão dar mas já tem alguns governadores sendo investigados pela Polícia Federal", disse a parlamentar.

Witzel classificou a operação como um ato de perseguição política do presidente Jair Bolsonaro por meio da Polícia Federal.

O município do Rio de Janeiro modificou a forma de calcular as mortes causadas por covid-19. Agora, em vez de registrar os casos depois do resultado dos exames, a Secretaria Municipal de Saúde usará a certidão de óbito no momento do sepultamento para confirmar a causa da morte.

Por isso, só serão registradas mortes por covid-19 caso a certidão de óbito aponte a doença como causa do óbito. A justificativa da Secretaria é fornecer dados mais fidedignos. A nova metodologia não registra, no entanto, confirmações feitas depois de sepultamentos nos casos em que as certidões de óbito não foram corrigidas para conter a nova informação.

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Com a nova metodologia, a cidade do Rio de Janeiro passou a registrar cerca de mil casos a menos. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a capital fluminense tem 1.801 óbitos por covid-19. Já de acordo com os dados de ontem da Secretaria Estadual de Saúde, o número de mortes da cidade chega a 2.978.

O cumprimento de mandados de busca e apreensão contra o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), foi comemorado no Palácio do Planalto. Na Presidência, a operação é vista como uma resposta a Witzel em duas frentes.

A primeira delas reforça o discurso de Bolsonaro de que governadores fazem o uso político do coronavírus e promovem o "pânico" com medidas de isolamento, que ele rechaça. A busca em endereços ligados ao governador, que teve celulares e computadores apreendidos, também é encarada como uma resposta no âmbito policial.

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Bolsonaro acusa Witzel de manipular investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes para implicá-lo. O presidente também atribui ao governador fluminense vazamento de informações do processo para atingi-lo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou, nesta terça, 24, notícia-crime apresentada por parlamentares do PT contra a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Mais de trinta políticos petistas entraram com a representação, junto ao STF, pedindo que seja aberto inquérito para apurar supostos crimes de tráfico de influência e advocacia administrativa cometidos pela deputada.

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O requerimento foi protocolado no final de abril, dias dias após o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, ter divulgado mensagens nas quais a deputada tenta convencê-lo a permanecer no cargo. Moro deixou o governo alegando que o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir politicamente na Polícia Federal. As conversas com Carla Zambelli foram incluídas como provas da investigação, que também conta com depoimentos do próprio ex-ministro e da deputada.

Ao tomar conhecimento do pedido de demissão eminente, Zambelli tenta demover Moro da decisão e se prontifica a falar com o presidente para indicá-lo a uma vaga no STF. "Vá em setembro para o STF. Eu me comprometo a ajudar. A fazer o JB prometer", escreveu Zambelli em mensagem de WhatsApp. "Prezada, não estou à venda", responde Moro.

Caberá ao procurador-geral da República, Augusto Aras, analisar a notícias-crime e se manifestar sobre o pedido de abertura de investigação. A decisão sobre permitir ou não o início de um inquérito contra a deputada será do decano.

Apesar da quarentena e do menor movimento nas ruas em função da pandemia de covid-19, 177 pessoas foram mortas pelas polícias Civil e Militar do Estado do Rio de Janeiro durante o mês de abril, segundo dados oficiais divulgados nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), órgão subordinado ao governo do Estado do Rio. Isso corresponde a quase seis pessoas mortas por dia, ou uma pessoa morta pela polícia a cada 4 horas. É o segundo maior número de mortos na série histórica iniciada em 1998. O recorde é de 195 mortes, registradas em julho de 2019, quando o movimento de pessoas pelas ruas era normal.

De janeiro a abril de 2020, as polícias Civil e Militar do Rio mataram 606 pessoas, 46 a mais do que no mesmo período de 2019, ano em que se registrou o recorde de mortes, com 1.810 ao longo dos 12 meses. Se essa tendência se mantiver, será estabelecido um novo recorde.

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A polícia matou 152 pessoas em janeiro e 164 em fevereiro deste ano. Em março, mês em que começaram as medidas de isolamento devido ao coronavírus, os policiais mataram 113 pessoas, o menor número da gestão do governador Wilson Witzel (PSC), iniciada em 2019. Witzel defende a morte de pessoas que estejam carregando fuzis - "a polícia vai mirar na cabecinha e... fogo", afirmou ao Estadão, logo após ser eleito.

Em relação a março, o número de mortos aumentou 56,6% em abril. Em relação a abril de 2019, quando foram mortas 124 pessoas, o aumento foi de 42,7%.

Consultadas pela reportagem, as polícias Civil e Militar do Estado do Rio de Janeiro não haviam se manifestado até a publicação desta reportagem.

Outros números

Os roubos de cargas, de veículos e os roubos de rua (que incluem roubo a transeunte, roubo de aparelho celular e roubo em coletivo) caíram em abril em relação ao mês anterior e ao mesmo mês de 2019, no Estado do Rio.

Segundo o ISP, foram 337 roubos de carga em abril, contra 366 em março e 667 em abril de 2019. Os roubos de veículo foram 1.847 em abril, contra 2.450 em março e 3.755 em abril de 2019. Os roubos de rua foram 4.021, contra 6.941 em março e 11.040 em abril de 2019.

Após o governador Wilson Witzel dizer nesta terça-feira, 26, que o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) deveria estar preso, o filho do presidente rebateu os ataques e afirmou que tem muita coisa para vir à tona contra o governante. O senador, que negou ter acesso a informações privilegiadas, disse que faz tempo que escuta sobre possíveis desvios feitos no governo do Estado.

"Tem tanta coisa errada no seu governo e é por isso que me afastei desde o início", disse o senador durante transmissão ao vivo em seu perfil em uma rede social. "Isso não é nada perto do tsunami que pode chegar contra você. Pelo menos meia dúzia de secretarias vai ter problema."

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O governador do RJ foi alvo de mandado de busca e apreensão da Polícia Federal na manhã desta terça-feira, 26. Batizada de Placebo, a operação investiga desvios de recursos públicos destinados ao atendimento do estado de emergência de saúde pública decorrente da pandemia do novo coronavírus.

O senador rebateu Witzel e negou que a operação tenha tido suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, a investigação começou na Polícia Civil do Rio de Janeiro e que a Polícia Federal cumpriu decisão do Superior Tribunal de Justiça. "Você deveria pedir desculpas para a PF, para o ministro."

Flávio afirmou que o governador precisa "baixar sua bola" e cuidar da sua defesa pois terá muito o que explicar. "De repente quer dar uma de maluco para, em vez de ir para Bangu 8, ir para um hospital psiquiátrico".

O parlamentar disse ainda que se arrepende de "ter elegido" Witzel para o governo do Estado ao se referir à autorização para que o então candidato usasse suas imagens durante a campanha eleitoral em 2018. "Jamais ia imaginar que ia ser mais um desses traidores."

Alvo de mandado de busca e apreensão na manhã desta terça-feira, 26, o governador do Rio, Wilson Witzel, classificou a operação como um ato de perseguição política do presidente Jair Bolsonaro por meio da Polícia Federal. Em pronunciamento no Palácio Laranjeiras, sua residência oficial, ele chamou o presidente de fascista e disse que o senador Flávio Bolsonaro deveria estar preso.

Ao afirmar que é inocente e que está indignado com a operação - que apreendeu, por exemplo, seus celulares -, Witzel disse que o País é governado por um presidente que, além de ignorar o perigo do coronavírus, inicia perseguição política contra aqueles que considera inimigos. "Não abaixarei minha cabeça, não desistirei do Estado do Rio e continuarei trabalhando para uma democracia melhor, continuarei lutando contra esse fascismo que está se instalando no País, contra essa ditadura de perseguição."

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Numa atitude rara - relacionar sua eleição em 2018 com a de Bolsonaro -, afirmou ainda que o presidente pretende ser um ditador. "Não permitirei que esse presidente que ajudei a eleger se torne mais um ditador na América Latina."

Segundo Witzel, a PF engaveta inquéritos contrários ao presidente e age com celeridade em casos que investigam adversários políticos dele. Foi neste contexto que o governador alegou que Flávio Bolsonaro deveria estar preso.

"O senador Flávio, com todas as provas que já temos contra ele - dinheiro em espécie depositado em conta corrente, lavagem de dinheiro, bens injustificáveis -, já deveria estar preso", disse. " A PF deveria fazer o seu trabalho com a mesma celeridade que faz aqui no Rio porque o presidente acredita que estou perseguindo a família dele. E ele só tem essa alternativa de me perseguir politicamente."

O governador fez um comentário que tem referência indireta ao ex-governador Sérgio Cabral, ao alegar que não foram encontrados dinheiro e joias no Palácio Laranjeiras, um dos locais alvos da operação. Ao todo, foram cumpridos mandados em 12 endereços, que incluem ainda a casa pessoal do mandatário e o escritório da primeira-dama Helena Witzel.

Essas "narrativas fantasiosas, investigações precipitadas", apontou Witzel, serão desmentidas no Superior Tribunal de Justiça, que teria sido induzido ao erro quando autorizou os mandados. "O que aconteceu comigo vai acontecer com outros governadores considerados inimigos", disse.

O presidente Jair Bolsonaro parabenizou nesta terça-feira (26) a Polícia Federal (PF) pelas buscas realizadas pela manhã no Palácio das Laranjeiras, residência oficial do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), adversário político do presidente. "Parabéns para Polícia Federal", respondeu Bolsonaro, com um sorriso no rosto, quando questionado por um apoiador sobre a operação.

"A coisa está preta lá no Rio", disse o apoiador. O presidente, então, aponta para a máscara preta que estava usando e disse que tinha sido informado há pouco sobre a operação. A ação foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e mira um suposto esquema de desvios de recursos públicos destinados ao combate ao coronavírus.

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Segundo investigadores, a PF também busca provas em outros três endereços: no Palácio da Guanabara, onde o chefe do Executivo fluminense despacha; em sua antiga casa, usada antes de se eleger; e em um escritório da mulher dele.

A operação, batizada de Placebo, busca provas de um possível esquema de corrupção envolvendo uma organização social contratada para a instalação de hospitais de campanha e "servidores da cúpula da gestão do sistema de saúde do Estado do Rio de Janeiro", diz a PF.

Witzel é desafeto de Bolsonaro, que recentemente mudou a cúpula da Polícia Federal, gesto que motivou a saída do então ministro da Justiça, Sérgio Moro, do governo.

A ação desta terça-feira foi deflagrada um dia após ser nomeado o novo superintendente da corporação no Rio, Tácio Muzzi. A representação da PF no Estado está no centro de uma investigação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que apura se o presidente busca interferir politicamente em investigações da corporação.

A investigação da PF no Rio apura fraudes na contratação da organização social Iabas para a montagem de hospitais de campanha. O inquérito contra Witzel foi aberto a partir de um depoimento de Gabriell Neves, ex-subsecretário de Saúde preso sob suspeita de fraudes na compra de respiradores.

Neves mencionou o nome do governador ao Ministério Público do Rio de Janeiro. Estão sendo cumpridos 12 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e São Paulo.

A operação se baseia em apurações iniciadas no Rio de Janeiro pela Polícia Civil, pelo Ministério Público Estadual e pelo Ministério Público Federal. Os dados obtidos foram compartilhados com a Procuradoria-Geral da República, que conduz a investigação perante o STJ.

Carla Zambelli

Nesta segunda-feira, em entrevista à Rádio Gaúcha, a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), aliada de Bolsonaro, falou de um suposto represamento de operações contra governadores, que passariam a ser deflagradas a partir de agora.

"A gente já teve algumas operações da PF que estavam na agulha para sair, mas não saíam. A gente deve ter nos próximos meses o que a gente vai chamar de 'covidão' ou não sei qual vai ser o nome que eles vão dar. Mas já tem alguns governadores sendo investigados pela PF", comentou.

Quando um jornalista, de longe, questionou hoje Bolsonaro se Zambelli tinha informações sobre as investigações da PF, ele respondeu: "Pergunta para ela, pergunta para ela".

Na semana passada, perguntado em entrevista à youtuber Bárbara Destefani sobre uma possível 'covidão', Bolsonaro disse: "já começou a estourar acusações da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Dando minha opinião, porque eu nunca procurei saber inquéritos na Polícia Federal. Nunca procurei saber de inquéritos na Polícia Federal. Acho que tem metástase: vai pegar um Estado vizinho e mais gente pelo Brasil, tá? É isso que está parecendo."

A Operação Placebo, desencadeada nesta terça-feira para apurar indícios de desvios de recursos públicos destinados ao atendimento do estado de emergência de saúde pública do coronavírus no Rio, também tem como alvo o escritório de advocacia da primeira-dama Helena Witzel.

A Polícia Federal cumpre, na manhã desta terça, 26, no Palácio Laranjeiras, mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao governo estadual do Rio de Janeiro. Agentes estão no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador Wilson Witzel, na zona sul da capital fluminense, na casa em que o mandatário morava antes de assumir o governo Rio, no Grajaú, zona norte, e ainda no Palácio da Guanabara, sede oficial do governo fluminense.

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Segundo a PF, há indícios de um esquema de corrupção envolvendo uma organização social contratada para a instalação de hospitais de campanha e servidores da cúpula da gestão do sistema de saúde do Estado do Rio de Janeiro.

Agentes cumprem 12 mandados de busca e apreensão em endereços de São Paulo e no Rio de Janeiro. Já em São Paulo, os agentes vasculham a sede da Organização Social IABAS, que celebrou contrato de R$ 850 milhões com o governo do Rio para implantação de hospitais de campanha no Estado.

As ordens foram expedidas pelo Superior Tribunal de Justiça - em razão das menções a Witzel, que tem foro privilegiado. Em nota, a Polícia federal informou que foram compartilhadas com a Procuradoria-Geral da República, dentro da investigação em curso no STJ, provas obtidas durante as investigações iniciadas no Rio de Janeiro pela Polícia Civil, pelo Ministério Público Estadual e pelo Ministério Público Federal.

Até a publicação desta matéria, a reportagem não havia obtido o posicionamento dos citados. O espaço está aberto para manifestações.

Depois de agentes da Polícia Federal (PF) terem cumprido mandados de busca e apreensão em suas residências, o governador do Rio, Wilson Witzel, afirmou nesta terça-feira que a operação comprova a interferência do presidente Jair Bolsonaro no órgão. "A interferência anunciada pelo presidente da República está devidamente oficializada", disse, em nota, o mandatário fluminense.

A acusação foi feita num contexto em que a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), por exemplo, deu a entender que sabia que a PF preparava operações contra governadores. "Estranha-me e indigna-me sobremaneira o fato absolutamente claro de que deputados bolsonaristas tenham anunciado em redes sociais nos últimos dias uma operação da Polícia Federal direcionada a mim, o que demonstra limpidamente que houve vazamento, com a construção de uma narrativa que jamais se confirmará", apontou Witzel.

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O governador foi alvo da operação Placebo, que cumpriu 12 mandados nesta manhã - incluindo buscas no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador, sua casa pessoal, o escritório de advocacia de sua mulher, Helena Witzel, e o Palácio Guanabara, onde ele despacha. O foco são desvios em contratos na Saúde durante a pandemia do novo coronavírus - que já levaram dois ex-subsecretários executivos e outras três pessoas à prisão.

Witzel negou que tenha qualquer envolvimento com os atos de corrupção. "Não há absolutamente nenhuma participação ou autoria minha em nenhum tipo de irregularidade nas questões que envolvem as denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal", alegou. "Estou à disposição da Justiça, meus sigilos abertos e estou tranquilo sobre o desdobramento dos fatos. Sigo em alinhamento com a Justiça para que se apure rapidamente os fatos. Não abandonarei meus princípios e muito menos o Estado do Rio de Janeiro."

Em entrevista exclusiva ao Estadão no final de abril, no dia da demissão do ex-ministro Sergio Moro, Witzel já havia comentado que, enquanto desafeto de Bolsonaro, "não se sente seguro" com possíveis interferências do presidente na PF.

O Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), amanheceu nesta terça-feira (26) com quatro veículos da Polícia Federal (PF). Este é um dos 12 mandados de busca e apreensão da Operação Placebo, responsável pela investigação de supostos desvios na Saúde do Estado para ações em combate ao novo coronavírus.

As autoridades apuram os crimes de peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Há 15 dias, o Ministério Público informou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que Witzel havia sido citado nas investigações. Desde então, ele e a esposa Helena tornaram-se alvos da PF. Outras viaturas deslocaram-se para a casa onde o governador morava antes de ser eleito, no Grajaú, e no seu escritório de advocacia. 

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O Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas), contratado pela gestão para construir sete hospitais de campanha, também teve a sede localizada em São Paulo movimentada por policiais.

Seis dos sete hospitais acordados estão com as obras atrasadas em quase um mês, mesmo com o pagamento de R$ 836 milhões a Iabas, dos R$ 1 bilhão investidos pelo governo para conter os impactos da Covid-19. Mesmo com um terço do valor pago, o secretário estadual de Saúde, Fernando Ferry, afirmou que algumas unidades podem não ser entregues, mas garantiu que o recurso seria devolvido.

De acordo com apuração do G1, antes mesmo de ter recebido o primeiro leito de toda rede hospitalar temporária, o Estado já havia adiantado R$ 256 milhões, em quatro parcelas. Entre os dias 13 e 15 de abril, R$ 60 milhões foi pago em duas vezes sem que fosse explicitado onde o valor seria usado. Outra parcela de R$ 68 foi entregue para pagar respiradores e finalizar a montagem dos hospitais, e a última parcela custou R$ 128,5 milhões.

O Instituto Vital Brazil, empresa de ciência e tecnologia do governo do Rio, começará a testar na próxima quarta-feira (27) um soro contra o novo coronavírus. O estudo será feito em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A ideia é a criação de um soro hiperimune, como os usados contra a raiva, que também é um vírus, ou contra os venenos de animais peçonhentos, por exemplo, feitos a partir do plasma de cavalos.

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Ao contrário do que acontece nos soros antiofídicos, nos soros contra vírus, a matéria-prima não é extraída de um animal. No estudo com o novo coronavírus, o instituto vai isolar e inativar o vírus, para que a inoculação no cavalo seja feita de forma segura para o animal.

Os cavalos começarão a ser imunizados na quarta-feira recebendo pequenas doses do vírus para que criem anticorpos. Os testes serão feitos em uma unidade em Cachoeiras de Macacu, na Região Metropolitana do Rio.

A previsão é que em cerca de quatro meses o medicamento já esteja disponível para testes clínicos, que incluem testes em humanos. O Instituto possui capacidade para produzir o suficiente para 100 mil tratamentos por ano e espera que em até seis meses o soro esteja disponível para uso em larga escala.

Paralelamente o Vital Brazil fará estudos em anticorpos e DNA de lhamas, uma versão que deve demandar mais tempo para sair da bancada.

A Polícia Civil do Rio vai ouvir mais testemunhas sobre a operação que resultou na morte do adolescente João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, em São Gonçalo (Região Metropolitana do Rio), na última segunda-feira, 18. Além do bombeiro socorrista, serão ouvidos policiais e familiares da vítima. Uma reprodução simulada está prevista para ser realizada após a conclusão dos depoimentos e dos laudos periciais.

A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI) convidou o Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública, que está assistindo a família do menino, e o Ministério Público para acompanharem a simulação.

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A Polícia Civil já ouviu os policiais que participaram da ação, os pilotos da aeronave, além de duas testemunhas, e oficiou a Polícia Federal para prestar informações sobre o planejamento operacional e objetivos da operação. Os agentes analisam agora os laudos de perícia do local e de necropsia e aguardam o de confronto balístico.

A Corregedoria Geral de Polícia Civil (CGPOL) informou que três policiais civis da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) que participaram da operação no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, foram afastados do serviço operacional provisoriamente. Os agentes continuarão na CORE, exercendo atividades administrativas.

A CGPOL instaurou uma sindicância administrativa disciplinar para apurar a conduta dos policiais civis que participaram da ação.

A apuração corre em paralelo ao inquérito policial instaurado pela Delegacia de Homicídios de Niterói.

O Estado do Rio de Janeiro confirmou 248 novas mortes por covid-19, novo recorde em um intervalo de 24 horas. Segundo o boletim divulgado neste sábado, 23, pela Secretaria Estadual de Saúde, já são 3.905 óbitos pela doença e 34.533 casos confirmados - 944 a mais em relação ao dia anterior - desde o início da pandemia.

O Estado de São Paulo, que neste sábado confirmou 272 novos óbitos em 24 horas, ultrapassou o total de 6 mil mortos e já soma 80.558 casos confirmados - 3.687 a mais em apenas um dia.

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No Rio, 976 mortes estão sendo investigadas, sob suspeita de terem sido causadas pela covid-19, e 26.843 vítimas da doença se recuperaram.

As mortes no Rio de Janeiro estão concentradas no Rio (2.702), Duque de Caxias (180), Nova Iguaçu (133), São Gonçalo (90), Niterói (89), Magé (75), Belford Roxo (73), São João de Meriti (66) e Itaboraí (49).

O maior número de casos no Estado do Rio estão na capital (21.043), Niterói (1983), Nova Iguaçu (1202), Duque de Caxias (1.183), São Gonçalo (871), São João de Meriti (615), Volta Redonda (546), Itaboraí (534), Belford Roxo (512) e Mesquita (413).

Principal foco de infecção pelo novo coronavírus no Estado, com quase 19 mil casos confirmados, o Rio segue com a curva de contaminação ascendente e deve dobrar o total de casos em até dez dias. É o que aponta o Painel Rio Covid-19, mantido pela própria prefeitura e que monitora os casos na capital fluminense. A cidade contabiliza 2,3 mil mortes por Covid-19.

Até essa quinta-feira (21), o Rio registrava 18.743 casos confirmados, acima dos 16.302 que previa a projeção do Instituto de Matemática da UFRJ, responsável pelos cálculos estatísticos que sustentam o painel. Baseado nos dados efetivos, a nova projeção prevê que a capital atingirá 37,5 mil casos no próximo dia 1º, e ultrapassará a marca de 40 mil entre os dias 2 e 3 de junho.

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Apesar disso, já há uma movimentação política para reabrir gradativamente o comércio e os serviços a partir das próximas semanas. O prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) sustenta que os números no município apontam para perspectivas de melhora. Esta semana, o governo estadual anunciou um plano de retomada que será baseado nos índices de infecção e ocupação de leitos. A ideia é fazer avaliações semanais.

O pefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, fará reunião nesta sexta-feira (22) com um comitê científico para decidir sobre uma flexibilização, nos próximos dias, do isolamento social no município, imposto pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19). A decisão foi tomada depois de um encontro com o presidente Jair Bolsonaro, nessa quinta-feira (21).

A ideia é fazer uma reabertura gradual da economia carioca. “Estou submetendo ao meu conselho científico todo o plano que elaborei com os empresários de todos os setores que tiveram paralisação, sobretudo o comércio e parte do setor de serviços, para, diante dos leitos que estamos abrindo e também da diminuição da curva de velocidade de contágio, nós podermos retomar as atividades no Rio”, disse Crivella.

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O prefeito destaca que, no município, houve diminuição de 80% nas aglomerações e no trânsito de pessoas na rua e foram abertos 899 leitos para Covid-19. O prefeito concede entrevista coletiva às 11h de hoje.

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