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Não houve, nesta terça-feira (5), um novo incidente com tubarão na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife (RMR). A informação falsa começou a circular em grupos de WhatsApp, recuperando um vídeo registrado em 10 de julho de 2021, quando um homem de 51 anos morreu após ser atacado por um tubarão, próximo à Igrejinha do bairro, ponto já conhecido pelo histórico de incidentes com animais marinhos.

A ocorrência foi descartada tanto pelo Corpo de Bombeiros, como pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). No vídeo que é compartilhado nas redes sociais com a sinalização de "Encaminhada com frequência" é possível ver um grupo de pessoas cercando um homem deitado de bruços na areia, despido, já sem vida e com uma lesão gravíssima na perna direita. 

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A vítima foi da ocorrência em 2021 foi Marcelo Rocha dos Santos, de 51 anos, que estava bebendo com os amigos na faixa de areia, pouco antes do ataque. Ele entrou no mar por volta das 14h, sob tempo nublado e maré enchendo, e foi atacado em poucos segundos. No local, há posto de guarda-vidas e sinalização de perigos. 

A Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha de Pernambuco (Semas-PE) também desmentiu a informação de ataque nesta manhã. A pasta orienta que, antes de compartilhar uma inmformação, imagem ou vídeo, o internauta se certifique que a notícia é verdadeira. A secretaria reforça que o banho de mar no trecho de 2,2 km em frente à Igrejinha de Piedade é proibido através do decreto municipal 79/2021, de Jaboatão dos Guararapes.

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Em um vídeo dirigido aos diretores dos presídios de Pernambuco, o deputado estadual Joel da Harpa (PL) sugere que os presos entrem no mar próximo à Igrejinha, em Piedade, para "um dia de lazer".  A área é proibida para banho por ter a maior incidência de ataques de tubarão.

No conteúdo publicado nas redes sociais, nesse domingo (19), Joel menciona levar "o pessoal que estuprou, que matou, que dá em mulher" para tomar um banho de mar e fazer um "dia de lazer". 

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Conforme o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), desde 1992, foram registrados 77 incidentes envolvendo tubarão em Pernambuco, sendo 67 no continente e 10 na Ilha de Fernando de Noronha. No último mês, três pessoas foram atacadas no mar de Pernambuco, as duas últimas na praia de Piedade. 

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Neste primeiro fim de semana após os incidentes com tubarão no Grande Recife, o LeiaJá realizou uma ronda entre as praias de Piedade, Boa Viagem e Pina para verificar a fiscalização e orientações prestadas nesses locais. As ocorrências com mordidas de tubarão já registradas este ano não resultaram em morte, mas em lesões graves e perdas irreparáveis, como a amputação de membros das vítimas.

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Nos trechos do Dorisol-Golden Beach, em Piedade, Jaboatão dos Guararapes, onde houve um incidente com tubarão na última segunda-feira (6), ainda não há placas sinalizando perigo de ataque.

Apesar de estar a menos de um quilômetro da Igrejinha de Piedade, local com maior número de ocorrências com tubarão em todo o estado de Pernambuco desde 1992, a região dos tradicionais hóteis na orla de Piedade não possui histórico de ocorrências até a última semana. Marcada pelos arrecifes e piscinas naturais, a área ter sido cenário de um caso grave chocou os frequentadores.

"Só tomo banho na frente dos arrecifes. Quando a maré está cheia, não entro na água. Moro aqui há mais de 20 anos e meu procedimento sempre foi esse. Fiquei surpresa porque os ataques sempre aconteciam na área da Igrejinha, então fiquei sem entender o que houve. Ainda tenho receio de entrar na água, porque sempre tive. Se a água está turva eu não entro de forma alguma, mesmo com os arrecifes. A sensação aumenta depois dos ocorridos recentes, mas não deixo de molhar meus pés e nem de sentar na beira do mar", disse a banhista Adriana Reis, de 56 anos, que estava acompanhada do marido, Paulo Tavares, de 53.

O casal é natural de Salvador, na Bahia, mas mora em Pernambuco desde 2001, sempre no bairro de Piedade. Paulo acredita que a população tende sempre a confrontar as medidas implementadas pelos governos, mas que os gestores deixam a desejar tanto em orientação e conscientização, como ao fiscalizar os locais.

“O maior problema é a população, que sabe que existe uma questão na praia. Tudo bem que o último caso foi algo que a gente nunca tinha visto aqui e nem ouvido falar, só lá na Igrejinha. Mas lá a população sabe a afronta. Porém, há muitas coisas que podem ser feitas pelo poder público para melhorar os acessos e colocar redes de proteção, como fazem em outros países com problemas com tubarão. É um misto de mais consciência da população com mais ação dos governos. A gente está no habitat natural dos peixes, algo tem que ser feito para não promover mais desequilíbrio ambiental”, acrescentou Paulo. 

Perguntado sobre a ausência de placas no local, o casal confessou esperar que, após os últimos incidentes, a região já estivesse sinalizada. Durante a visita, também não havia salva-vidas ou fiscalização da Guarda Municipal na área. Paulo e Adriana também acreditam que conscientizar e proibir poderia funcionar melhor do que punir. Já o vendedor ambulante Valdir Batista, de 34 anos, acredita que a multa deveria ser o caminho. Ele é do Recife, mas trabalha vendendo caldinhos em Jaboatão há quatro anos.

"Isolar a área eu já acho demais, porque vai atrapalhar a gente que trabalha com o comércio na praia, mas poderia haver mais fiscalização. Essa área não é perigosa como a da igreja, então fiquei um pouco surpreso, porque aqui não tem tanto mar aberto. Há erro dos dois lados, da população e prefeitura. Era para ter multa, porque quando mexe no bolso, o pessoal leva mais a sério e se conscientiza", disse o trabalhador.

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- - > 'Piedade: banhista é preso após ser retirado do mar três vezes'

A Igrejinha de Piedade

Na manhã deste sábado (11), a fiscalização na Igreja de Nossa Senhora da Piedade foi intensa. O trecho tem o maior histórico de incidentes com tubarão em todo o estado: desde 1992, quando o monitoramento do Governo de Pernambuco foi iniciado, um em cada cinco incidentes registrados no estado aconteceram na Igrejinha. O pico já foi o mais frequentado de Jaboatão entre os anos 1990 e 2000, mas aumento de ataques e violência nos arredores assustaram banhistas.

Desde 2021, o trecho está proibido para banho, por ordem decretada no município. A decisão foi do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) e da prefeitura de Jaboatão, e foi publicada, à época, no Diário Municipal Oficial. A interdição abrange uma área de 2,2 quilômetros, que vai desde a Igrejinha de Piedade até o Hotel Barramares, localizado ao lado do Hospital da Aeronáutica do Recife, no limite com a capital pernambucana. 

Boa Viagem e Pina

O decreto encerra no limite entre as cidades por questões territoriais, já que é uma decisão municipal, mas isso não significa que o perigo acaba ali. Do Hotel Barramares em diante, já na praia de Boa Viagem, a sinalização é intensa e já antiga. O risco não é apenas de incidentes com tubarão, mas também de afogamento, devido às fortes correntezas em mar aberto. Apesar disso, banhistas ainda frequentam o local, que está quase sempre deserto.

Da Praça de Boa Viagem em diante, a movimentação começa a crescer. Durante a visita neste sábado (11), o LeiaJá presenciou uma visitação usual para os fins de semana. Muitas bandeiras vermelhas estavam marcando a areia em trechos de mar aberto lotados de banhista. A sinalização significa risco alto de afogamento, ainda que a área seja marcada sobretudo pelas visitas de grupos grandes e famílias.

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Um homem de 39 anos foi preso, na tarde deste sábado (11), na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife (RMR), após ser retirado compulsoriamente do mar três vezes. Os bombeiros fizeram a orientação e acompanharam o detido para fora do mar nas duas primeiras tentativas, mas na terceira a voz de prisão se fez necessária, por desobediência e resistência à abordagem. 

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A ocorrência aconteceu por volta das 12h40, no trecho da Igrejinha de Nossa Senhora da Piedade, um dos pontos mais críticos do litoral do Grande Recife, se tratando de ocorrências com tubarões. Desde a década de 1990, um em cada cinco incidentes com tubarão notificados em Pernambuco ocorreram perto da Igrejinha.  

O homem preso foi identificado como Israel Ferreira da Silva, conhecido como “Negão”, morador de Cajueiro Seco. De acordo com a ex-esposa, Adriana Silva, com quem ele tem uma filha de oito anos, Ferreira é alcoólatra e faz uso de medicação controlada para transtornos psiquiátricos desenvolvidos em decorrência da dependência química. 

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“Outro dia foi o Samu e os policiais tendo que segurar ele, porque ele tem uma força enorme quando está em surto. Ele não tem mãe, só tem pai, que já é um idoso. Basicamente ele não tem ninguém, só eu, mas tem hora que eu não consigo mais cuidar. Ele leva cerveja na cara aqui, que o pessoal joga. A população não entende, aí ele aperreia e o pessoal xinga, quer bater”, disse Adriana, que é barraqueira na praia, ao LeiaJá. Ela não tinha conhecimento de que o ex-marido estava na praia e foi avisada por uma colega sobre o episódio. 

A ex-companheira chegou a acompanhar o fim da ocorrência, mas não foi reconhecida por Israel à ocasião. Segundo Silva, ele estava sem os remédios e costuma suspender a medicação para poder beber. 

Fiscalização 

A detenção de Israel Ferreira gerou comoção no local, que estava sob fiscalização intensa desde o começo da manhã. Na Igrejinha, há um posto de salva-vidas ao lado do ponto turístico, mas havia também bombeiros na areia, viaturas da Guarda Municipal realizando rondas, policiais militares no calçadão e a polícia ambiental monitorando o movimento na área, que também está sinalizada com placas sobre a presença de tartarugas marinhas. 

Às 13h20 deste sábado (11), o homem foi levado à uma Delegacia de Polícia Civil, onde deve prestar esclarecimentos às autoridades. Ele não foi acompanhado por pessoas próximas. A condução foi realizada pela Guarda Municipal.

Proibição do banho de mar

Desde 2021, o trecho da Igrejinha de Piedade está proibido para banho. A decisão foi do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) e da prefeitura de Jaboatão, e foi publicada, à época, no Diário Municipal Oficial. A interdição abrange uma área de 2,2 quilômetros, que vai desde a Igrejinha de Piedade até o Hotel Barramares, localizado ao lado do Hospital da Aeronáutica do Recife, no limite com a capital pernambucana. 

Na última semana, dois incidentes com tubarão ocorreram na região em 24 horas. No domingo, 5 de março, um adolescente de 14 anos teve a perna amputada após sofrer um ataque em frente à igreja. No dia seguinte, uma adolescente de 15 anos também sofreu lesões graves e precisou amputar o braço, após um incidente com tubarão em Piedade, na altura do Hotel Golden Beach, ponto de referência na praia. 

O trecho fica a menos de um quilômetro da Igrejinha, mas é considerado apropriado para banho e não possui sinalização, nem histórico com incidentes. Depois do ataque em Olinda, em fevereiro, Pernambuco acumulou três incidentes com tubarão apenas em 2023. 

As áreas da praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, onde houve os ataques de tubarão no último fim de semana, em frente a Igrejinha e nas proximidades do edifício Vila Alda, cerca de 500 metros da Igrejinha, trechos interditados, terão um aumento de fiscalização e orientação aos banhistas, segundo anúncio feito pelo prefeito Mano Medeiros (PL), nesta quinta-feira (9). 

A reunião aconteceu no Palácio do Campo das Princesas com o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), reitores e pesquisadores das universidades públicas de Pernambuco, prefeitos da área costeira da Região Metropolitana do Recife e representantes do governo federal.

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O aumento da fiscalização será feito com a renovação de placas de sinalização, ação de orientação aos banhistas para que não entrem no trecho interditado, referente a área em frente à Igrejinha, e nem no trecho onde ocorreu o novo ataque. Além disso, o local também irá contar, a partir do sábado (11), com o reforço de guardas municipais para fazer o monitoramento do acesso dos banhistas ao trecho interditado, informou o prefeito. “Nunca deixamos de monitorar a praia e nem de fiscalizar. Tínhamos 12 guardas permanentes na área e vamos ampliar para 24 a partir de sábado”, disse. 

Ainda de acordo com Medeiros, será realizada uma conversa com os comerciantes do local na segunda-feira (13), para que eles contribuam com as orientações aos banhistas. “Eles estão sendo grandes parceiros neste momento. Teremos uma reunião na próxima segunda-feira no sentido de eles também serem elementos orientadores à nossa população, inclusive distribuindo panfletos, colocando adesivos nos seus equipamentos, para que a população se conscientize. Temos que trabalhar para que não haja uma perda econômica em relação a utilização daquele espaço por parte dos comerciantes e dos banhistas”, afirmou. 

Olinda

O prefeito de Olinda Professor Lupércio (Solidariedade), cidade onde um surfista de 31 anos foi atacado por um tubarão no último dia 20, na praia de Del Chifre, informou que irá fazer o monitoramento no local, que já tem um decreto de proibição de banho de mar. “Já estamos conversando com os Bombeiros, Guarda Municipal, Secretaria de Meio Ambiente e Polícia Militar para dar todo esse suporte. Vamos fazer todo o sobrevoo com drone e, com isso, poder fazer um trabalho educativo, preventivo. Mas, se for preciso, iremos tirar qualquer pessoa que esteja tomando banho, principalmente naquela área onde houve o ataque de tubarão”. 

Segundo Lupércio, a Prefeitura de Olinda começou a colocar as bandeiras de sinalização de perigo de tubarão ainda nesta quinta-feira, “sinalizando que é uma área que não é permitida para banho, principalmente a prática de surf”. “Esse final de semana iremos dar uma intensificada ainda maior com trabalho educativo”, disse, ao reforçar o apoio da governadora Raquel Lyra (PSDB) caso a cidade precise. 

O objetivo do gestor da Marim dos Caetés é colocar mais de 40 profissionais no sábado (11), às 9h, para fazer o reforço. Ele explicou, ainda, que a sinalização da praia de Del Chifre foi se deteriorando com o tempo e não houve manutenção. “Tinha [fiscalização], mas não tão eficaz, mas agora a gente vai justamente engrossar esse caldo no sentido de poder realmente aumentar ainda mais a fiscalização, somente daquele trecho que eu tô falando ali de Del Chifre”. 

Recife 

Sem ataques recentes no Recife, o representante do prefeito João Campos (PSB), o secretário de governo Aldemar Santos afirmou que a capital pernambucana se colocou à disposição para contribuir com o Cemit e o Governo de Pernambuco para auxiliar no que for preciso no que se refere ao combate aos ataques de tubarões na RMR.

“A nossa função hoje é muito mais de informação, de instrução pedagógica. Estamos hoje começando com o serviço de informação e de educação com o pessoal dos quiosques [da praia de Boa Viagem] e do serviço de praia. Aqueles vendedores que trabalham na Orla, de início, vão ser multiplicadores dessa informação, cuidado e atenção”, informou. 

A Secretaria de Ciência e Tecnologia de Pernambuco anunciou o investimento inicial de R$ 500 mil para pesquisas e monitoramento sobre os ataques de tubarão na Região Metropolitana do Recife, que pode alavancar o R$ 1,5 milhão já investido pelo Porto de Suape sobre o tema, o que totaliza R$ 2 milhões. O anúncio ocorreu nesta quinta-feira (9),  no Palácio do Campo das Princesas, pela secretária de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Fernando de Noronha, Ana Luiza Gonçalves, após o registro de três ataques de tubarão em menos de 15 dias em Pernambuco. 

De acordo com a secretária, em reunião com Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), reitores e pesquisadores das universidades públicas de Pernambuco, prefeitos da área costeira da Região Metropolitana do Recife e representantes do governo federal, foram colocadas outras oito ações iniciais de implementação e efeito de curtíssimo, curto, médio e longo prazo, além das 24 já existentes.

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Ana Luiza ressaltou que o governo federal, que estava representado pelos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Pesca e Aquicultura, propuseram construir um efital junto à Fiepe, CNPQ e Facepe para estimular pesquisas na área. 

“A gente acredita que esse volume pode, inclusive, ser alavancado. Além disso, Suape anunciou aproximadamente R$ 1,5 milhões de reais de pesquisas direcionadas ao tema. Suape já tinha tido uma primeira fase do projeto Megamar, que tinha R$ 1 milhão em investimentos, mas a área do projeto Megamar inicialmente era limitada àquela região de Suape”, disse. 

A segunda etapa da pesquisa conta com a ampliação do número e de locais de equipamentos sonoros que serão instalados na Região Metropolitana para acompanhar a movimentação dos animais marítimos. “Ao invés de a gente ter somente a área de Suape, vai ser ampliado para a Região Metropolitana do Recife. Suape já contava com 20 equipamentos sonoros e agora vai ser ampliado: serão mais 10 que vão ser espalhadas pela Região Metropolitana. Essas ações foram muito pontuais e bem-vindas”, afirmou.

O aumento do efetivo dos sobrevoos de helicópteros e a indicação de um maior número de guarda-vidas são ações de urgência que já estarão valendo a partir da sexta-feira (10), em todos os municípios de área litorânea da Região Metropolitana. “Criamos um comitê centralizado de educação ambiental para que essas ações fossem otimizadas. Temos um ponto focal hoje que vai estar na CPRH, e diversas instituições com ações de educação ambiental podem se comunicar para otimizar. Já tem muito material, inclusive na UFPE e UFRPE. Elas já tinham um acervo muito bom direcionado para crianças e adolescentes, e tudo isso pode ser aproveitado”, indicou. 

Ana Luiza fez questão de ressaltar a importância e necessidade da ciência para que haja um avanço na temática do ataque de tubarões em Pernambuco, com registros desde 1992, e entender o motivo da maior intensidade de ataques nos últimos dias. 

Por sua vez, o coronel Robson Roberto do Cemit informou as ações que já começaram a ser feitas com a tentativa de evitar que o banhista entre nas que estão proibidas, sobretudo a área de Jaboatão dos Guararapes, na praia em Piedade, em frente à conhecida “Igrejinha”.

“Hoje já foram feitas as trocas das placas da Igrejinha. Também fizemos a reposição, como já foi determinada à Secretaria-Executiva do Cemit para que fizesse próximo àquela área onde aconteceu o novo ataque”. Não havia risco de ataque no local até a segunda-feira (6), quando a jovem de 15 anos foi atacada e teve o braço amputado. 

De acordo com Robson Roberto, o monitoramento das placas de aviso de risco de tubarão que estão deterioradas também já foram determinadas pela governadora Raquel Lyra (PSDB), e deu orientações iniciais.

“A praia continua sendo item de lazer e inclusão. Porém, nesses 33 quilômetros que existem essas restrições, a gente pede à população para que respeite as sinalizações, respeite o poder de polícia de guarda-vidas e as orientações. Não é negócio do Corpo de Bombeiros entrar em atrito com banhistas, surfistas. Então, se ele for convidado a sair da água, é porque o guarda-vidas tem conhecimento técnico para pedir que ele se retire, porque está colocando em risco a vida dele e do próprio guarda-vidas”, orientou. 

 

O adolescente de 14 anos, que foi mordido por um tubarão na manhã deste domingo (5), passou por cirurgia e segue internado em estado grave no Hospital da Restauração (HR), na área Central do Recife. O ataque ocorreu em frente à Igrejinha, na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. 

 O jovem foi socorrido por volta das 10h, com um ferimento na perna direita. De acordo com a unidade, ele foi submetido a um procedimento feito por especialistas de Traumatologia e Cirurgia Vascular e, em seguida, foi alocado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O quadro atual é grave, mas estável, complementou o HR. 

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Histórico - No último dia 20, um surfista de 32 anos foi mordido por um tubarão na praia dos Milagres, em Olinda. Conforme o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), este é o 76 incidente envolvendo tubarão registrado em Pernambuco, sendo 66 no continente e 10 na Ilha de Fernando de Noronha.

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O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) confirmou que um tubarão mordeu um adolescente de 14 anos neste domingo (5), na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. A espécie do animal será identificada após análise do ferimento.

O ataque ocorreu por volta das 11h20, em frente à Igrejinha. A área faz parte do trecho de 2,2 quilômetros proibido para banho desde julho de 2021. 

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A vítima sofreu um ferimento grave na perna direita e foi atendida ainda na praia por guarda-vidas do Corpo de Bombeiros. Em seguida, o adolescente foi transportado de helicóptero até o quartel do Derby, de onde foi encaminhado ao Hospital da Restauração (HR). 

Histórico - No último dia 20, um surfista de 32 anos foi mordido por um tubarão na praia dos Milagres, em Olinda. Desde 1992, este é o 76 incidente envolvendo tubarão no estado, sendo 66 no continente e outras 10 na Ilha de Fernando de Noronha, segundo o Cemit.

 

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Por volta das 11h20 deste domingo (5), um adolescente foi atacado por um tubarão na praia de Piedade, próximo à Igrejinha, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. A vítima foi socorrida de helicóptero pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o bairro do Derby, no Recife, e em seguida, será encaminhada ao Hospital da Restauração, também na capital.

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O Corpo de Bombeiros e o Samu ainda não repassaram detalhes sobre a identidade e o estado de saúde da vítima. O local faz parte do trecho de 2,2 quilômetros proibido para banho por ser o mais passível a ataques dessa natureza. Informações oficiais sobre o incidente serão compartilhadas pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit).

A Prefeitura do Jaboatão explicou que o adolescente foi mordido na coxa direita, no momento em que bombeiros se dirigiam para orientá-lo a deixar o mar. "A Prefeitura lamenta o ocorrido, reforça a necessidade de a população respeitar a sinalização de interdição do trecho e informa que uma equipe está acompanhando o atendimento da vítima, encaminhada ao Hospital da Restauração, por helicóptero", complementou em nota.

Histórico

O ataque ocorre menos de duas semanas após o último registro no litoral pernambucano. No dia 20, um surfista de 32 anos foi mordido na perna por um tubarão na praia dos Milagres, em Olinda. Desde 1992, quando se registrou o primeiro ataque de tubarão em Pernambuco, houve 75 ocorrências, sendo 65 no continente e as demais em Fernando de Noronha.

A Prefeitura de Igrejinha (RS) exonerou três servidores que gravaram um vídeo de dança no ambiente de trabalho. O conteúdo foi postado na rede social TikTok durante o horário de expediente e viralizou na cidade. O desligamento ocorreu na última quarta (30).

Os profissionais penalizados atuavam no Sine Municipal. Dois ocupavam cargos de confiança e o terceiro deles era terceirizado. No vídeo, eles dançaram a música 'Vontade de Morder', da dupla Simone e Simaria em parceria com Zé Felipe, usando o ambiente de trabalho, bem como o horário de expediente para gravação e postagem do conteúdo.

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Reprodução

Através de nota oficial, a Prefeitura de Igrejinha declarou que "prima pela atuação profissional" de suas equipes, por isso, desaprovou a atitude dos servidores e tomou "as providências cabíveis desligando" os três. Confira na íntegra.

"No final da tarde de ontem (29/03/2022) tomamos conhecimento de um vídeo filmado por servidores públicos em ambiente de trabalho, dançando/coreografando uma música, vídeo este publicado em horário de expediente nas redes sociais de um dos envolvidos.

Esta Administração Pública prima sempre pela atuação profissional das equipes de trabalho, visando o bem servir para a população e a observância dos deveres do servidor público, bem por isso que não referendamos nem aprovamos a postura de tais servidores, pois o local de trabalho deve ser utilizado exclusivamente para fins profissionais, além de que o horário de expediente deve destinar-se ao atendimento da população. 

O vídeo em questão não possui qualquer relação com as atividades desenvolvidas no setor, nem os servidores estavam autorizados a utilizar do espaço para fins pessoais. Portanto, informamos que foram tomadas as providências cabíveis, desligando de seu quadro de pessoal os servidores envolvidos no episódio". 

Nesta sexta-feira (27), completa um mês que o banho de mar está proibido nas proximidades da igrejinha, na praia de Piedade, Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife. O trecho de 2,2 quilômetros está interditado por tempo indeterminado para evitar novos incidentes com tubarões.

Esta medida foi adotada depois que dois homens foram atacados, em apenas duas semanas. Marcelo Rocha Santos, 51 anos, foi morto no dia 10 de julho. Quinze dias depois, Everton dos Reis Guimarães, de 32 anos, sobreviveu ao ataque do tubarão depois de ser mordido na coxa esquerda e nas nádegas.

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Estudos estão sendo feitos por uma equipe de oceanólogos e biólogos para determinar como é possível evitar - ou diminuir os riscos - de ataques dos tubarões no local, que é considerado o mais perigoso para banho do Litoral pernambucano. Enquanto nada avança, quem sofre são os comerciantes que dependem da movimentação de banhistas para conseguir vender as suas mercadorias.

Laércio Francisco da Silva, 63 anos, trabalha nas proximidades da igrejinha há 22 anos e revela que está tentando “se virar” para conseguir sustentar a sua família. “Cada vez mais tem poucas pessoas aqui na praia e a gente não está podendo fazer mais nada. Vai chegar uma hora que a gente vai ter que desistir daqui porque não dá para aguentar isso”, aponta.

O comerciante revela que a Prefeitura de Jaboatão está ajudando com um auxílio emergencial no valor de R$ 180, que deve durar três meses. “Não é fácil. Na pandemia a gente recebia cesta básica e tinha uma certeza que iria voltar a trabalhar, mas agora estamos aqui com a incerteza de quando tudo isso vai passar. Parou tudo e a gente não tem certeza de nada, não sabemos como vai ficar. É um pesadelo”, diz Laércio.

José Augusto, 23 anos, trabalha no local há três anos. Ele revela que os recorrentes ataques de tubarão e a proibição do banho de mar fez com que quatro de seus colegas fossem dispensados do serviço, já que o dono da barraca não tem dinheiro para pagar a diária de todos. 

“A gente teve uma queda de 80% no movimento. Hoje a gente consegue contar nos dedos quantos clientes estão nas mesas. Mas a gente que é trabalhador, pai de família, não pode parar, estamos aqui arriscando pra ver se os clientes vão chegar para conseguir desenrolar a nossa diária”, pontua.

Diante das dificuldades, José Augusto tenta agradar os clientes da forma que dá. “Já que não pode tomar banho de mar a gente favorece uma piscina, um chuveirinho de água doce, tentando atrair a galera pra cá”, assegura. 

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O secretário executivo de Turismo de Jaboatão, Andre Trajano, explica que por conta das fortes chuvas e ventania de agosto, os estudos que estão sendo realizados no local dos ataques dos tubarões teve o andamento um pouco prejudicado, mas garantiu que na próxima segunda-feira (30), a prefeitura deve se reunir com o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (CEMIT) para definirem quais vão ser os próximos passos diante do que já foi observado.

“A gente está fazendo um trabalho de formiguinha, de sensibilizar os banhistas, os próprios comerciantes, que são a ponta da lança”, diz o secretário. No último domingo (15), um banhista que desobedeceu o decreto e desacatou um bombeiro precisou ser conduzido até a delegacia. 

André detalha que durante este primeiro mês, 57 pessoas foram flagradas descumprindo a proibição de entrar no mar. “Por mais que a gente faça esse trabalho educativo explicando para eles a preocupação, o pessoal ainda teima de entrar no mar”, aponta.

Interdição

Desde o dia 27 de julho que cerca de 65 comerciantes estão tendo que conviver com a interdição - por tempo indeterminado - de 2,2 quilômetros da praia de Piedade. O trecho vai das proximidades da Igrejinha até a divisa com o Recife.

A fiscalização na área está sendo realizada por um efetivo de 80 pessoas da Guarda Municipal, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Secretaria Municipal de Gestão Urbana e Meio Ambiente, Secretaria Executiva de Turismo e Cultura, e fiscais da orla. Quadriciclos, barcos, jet-skis, viaturas e ônibus de videomonitoramento também estão sendo utilizados na operação.

Além disso, mais bandeiras de alerta foram instaladas ao longo do trecho interditado. Quem infringir o decreto está sendo orientado pelos guardas-vidas e agentes de fiscalização. Caso insista em tomar banho de mar, o banhista será detido pela Polícia Militar, conduzido a uma delegacia e responderá pelo crime de desacato.

Registros de ataques de tubarão

Segundo dados do CEMIT, Dos 66 incidentes, e 26 óbitos, com tubarão em Pernambuco notificados nos últimos 29 anos, 13 ocorreram nas imediações da igrejinha, em Piedade. O principal risco da área é a falta de barreiras naturais que impeçam a proximidade do animal com os banhistas.

Internado no Hospital da Restauração (HR), área Central do Recife, após ser atacado por um tubarão no último domingo (25), Everton dos Reis Guimarães ainda não tem expectativa para receber alta. Ele foi mordido na posterior da coxa esquerda e nos glúteos na região mais perigosa da praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife.

O despachante de 32 anos segue consciente na enfermaria da unidade após passar por uma cirurgia geral de emergência com apoio da equipe de procedimento vascular. De acordo com a assessoria do HR, o quadro permanece estável.

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Everton foi a segunda vítima do predador na área da igrejinha só neste mês, em um intervalo de 15 dias. No dia 10, o auxiliar de serviços gerais Marcelo Costa, de 51, morreu após sofrer lesões na coxa e na mão.

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As informações repassadas pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) é que agentes do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) chegaram a retirar o despachante do mar duas vezes antes do incidente. Para evitar novos casos, o trecho entre a igrejinha e a divisa com Recife foi interditado para o banho de mar por tempo indeterminado.

Histórico de incidentes com tubarão

Dos 64 incidentes registrados no Litoral de Pernambuco desde 1992, 14 ocorreram nas imediações da igrejinha, considerado o local mais perigoso para banho no Estado. Pernambuco é o quarto lugar mais suscetível à ataques de tubarão no mundo.

Banhistas e comerciantes da orla de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, lamentam a proibição do banho de mar por tempo indeterminado após recentes ataques de tubarão. Considerado o local mais propício a ataques de tubarão em Pernambuco, o trecho entre a igrejinha e a divisa com o Recife foi interditado nesta terça-feira (27) após dois incidentes em um intervalo de 15 dias.

Cartão postal do município e fonte de rende para centenas de trabalhadores, a intensa movimentação dos predadores em Piedade afugenta visitantes. Segundo especialistas, a presença do animal no raso se dá pela falta de arrecifes e por um canal submarino que atravessa a área.

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De frente para o mar, o operador logístico Rinaldo Gerônimo, radicado há 30 anos em São Paulo, veio curtir as férias na terra natal e ficou desapontado em ter que ficar na areia. Contudo, entende as medidas preventivas adotadas.

"Na minha época não existia isso aí, mas nem entro, já conheço, então não tem porquê entrar", comentou ao lado de uma das dezenas de bandeiras que alertam sobre o alto risco.

"A gente nascido e criado aqui, sai e volta para curtir uma praia onde você nasceu e não pode entrar na praia, aí você fica meio chateado, mas tem outras praias para tomar banho", lembrou.

De acordo com o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarão (Cemit), as chances de ataque aumentam entre os meses maio a agosto, quando o inverno é mais intenso e as chuvas costumam deixar o mar turvo.

Para evitar que banhistas entrem na água para suportar o calor, a Prefeitura instalou um chuveiro público na igrejinha e pretende colocar, ao todo, 10 banheiros e 10 chuveiros no trecho interditado.

"A gente tá perdendo um lazer", lamenta o barraqueiro José Augusto Alves.

Mesmo ciente do risco e após presenciar quatro ataques, ele conta que entrava no mar constantemente. No entanto, garante que é melhor ficar na faixa de areia e foi um dos primeiros a usar o novo equipamento.

"Melhor um banhozinho de chuveiro para evitar qualquer risco, não tem como ele chegar até mim", reiterou.

Praia monitorada

A fiscalização para cumprir o bloqueio de 2,2 quilômetros do mar de Jaboatão conta com apoio da Secretaria de Defesa Social (SDS), que pode prender quem entrar na água por desacato.

Ataques de tubarão

Em relação a ataques de tubarão, Pernambuco é o quarto lugar mais perigoso do mundo. Desde 1992, 64 incidentes foram registrados no Estado, desses, 14 foram nas imediações da igrejinha.

Após os dois incidentes com tubarão em 15 dias, na manhã desta terça-feira (27) a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife (RMR), proibiu o banho de mar em 2,2 quilômetros da praia de Piedade, entre o Barramares Hotel e a igrejinha, ponto mais perigoso do Litoral pernambucano. Quem se recusar a obedecer a medida pode ser preso por desacato.

A fiscalização para o cumprimento da nova medida preventiva fica a cargo da Guarda Municipal, do Corpo de Bombeiros, que estará no mar com jet-skis, e de agentes ambientais com quadriciclos motorizados na faixa de areia.

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"Esses últimos ataques foram de pessoas que desobedeceram aquelas medidas de segurança que a gente vem alertando à população dia a dia", apontou o presidente do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), coronel Valdy Oliveira.

Ele que lembra que a vítima do último domingo (25) chegou a ser retirada duas vezes do mar pelos agentes do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar), que chegaram a retirar 200 pessoas da água nesse fim de semana.

O presidente do Cemit reforçou que a intenção segue carater educativo para conscientizar a população sobre os riscos do banho. O gestor esclareceu que, a princípio, "as pessoas serão orientadas a sair da água e, se assim desobedecerem, serão detidas e encaminhadas para à delegacia pelo crime de desacato".

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Sem prazo definido para a liberação do banho, a proibição nos 2,2 quilômetros de Piedade segue até agosto, quando haverá uma reavaliação das medidas vigentes. Sobre a instalação de uma rede de contenção para bloquear o acesso dos predadores ao raso, coronel Valdy informou que as condições locais não são adequadas ao equipamento.

"Nossa Costa não e propícia a esse tipo de rede. Quando a maré seca, seca demais, quando enche, enche demais. Então vai dar uma sensação de segurança à população dizendo que ali é seguro e pode ter um animal dentro da rede", explica.

Por isso, orienta os banhistas a buscarem regiões mais seguras, sem descartar a probabilidade de novos incidentes nos locais de menor risco. "Procure os locais represados, nao tome banho em mar aberto. Tem muitas piscinas naturais em nossa Costa, então use essas piscinas", instruiu.

Dos 64 incidentes com o predador registrados no Litoral de Pernambuco desde 1992, 14 ocorreram no trecho em Piedade que foi bloqueado pelas autoridades de Segurança. O Estado é o quarto lugar mais suscetível à ataques de tubarão no mundo.

Frente ao mar mais perigoso do Litoral de Pernambuco, comerciantes e barraqueiros próximos à igrejinha, na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife (RMR), já sentem o prejuízo após o ataque de tubarão do último dia 10, que resultou na morte de um banhista de 51 anos. Após meses sem clientes por conta dos decretos restritivos da Covid-19, a incerteza dos trabalhadores se intensifica diante das mesas vazias que voltaram a tomar a faixa de areia. 

"Quando não tem ataque, uma hora dessa os bares já estão todos cheios", lamenta Marli Alves, em uma manhã de trabalho pouco movimentada. Barraqueira há 30 anos na região, a trabalhadora tem experiência para contornar os impactos causados pelo predador: ela estima o prazo de aproximadamente 30 dias "até a poeira baixar" e os consumidores "esquecerem" do ocorrido.

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Dos 66 incidentes - e 26 óbitos - com tubarão em Pernambuco notificados pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (CEMIT) nos últimos 29 anos, 13 ocorreram no local. O principal risco da área é a falta de barreiras naturais que impeçam a proximidade do animal com os banhistas. Contudo, o fator mais agravante relacionado aos ataques em Piedade é o desrespeito dos próprios frequentadores às placas de sinalização e aos alertas dos agentes do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar).

Após dois anos como barraqueiro, Fábio do Nascimento desistiu da função e investe em piscinas infláveis para que os visitantes evitem entrar no banho de mar. Ele aponta que a alta da maré costuma potencializar os aluguéis. "Quando o mar enche é que eu consigo mais clientes. Com a maré baixa, as crianças ainda descem, mas quando a maré está cheia, a gente vende mais um pouquinho", comentou.

O fato é que a maré cheia, aliada ao período de inverno, quando as águas ficam mais turvas, facilita a presença de tubarões no raso. O vendedor de espetinho Laércio Silva tem um ponto na praia há 22 anos e ressalta que o período que vai até meados de setembro é o de menor clientela.

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Para os comerciantes, faltam políticas públicas para controlar a incidência de tubarões no região. Porém, o mar é o habitat natural do predador, que passou a migrar com mais frequência para as praias mais movimentadas da RMR após o início das construções do Porto de Suape, no Cabo de Santo Agostinho, em 1983.

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Procurada pelo LeiaJá, a Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes calcula que, pelo menos, 335 comerciantes cadastrados sobrevivem da movimentação na orla do município. A administração acrescenta que atua junto tanto dos trabalhadores registrados, quanto dos autônomos, na conscientização dos riscos do banho de mar na localidade. Em nota, a gestão reiterou que conta com apoio do Corpo de Bombeiros na fiscalização e intervenções preventivas. 

Bandeirolas alertam para o perigo do mar de Piedade, mas a morte de Marcelo Rocha Santos, de 51 anos, no último sábado (10), parece que não amedronta o banho dos frequentadores da área da igrejinha, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife (RMR). O local concentra a maioria dos ataques de tubarão registrados em Pernambuco, que acumula 66 incidentes e 26 mortes relacionadas ao predador nos últimos 29 anos.

O engenheiro de pesca e curador do Museu dos Tubarões, Leonardo Veras, explica que a configuração geográfica de Piedade permite que os animais cheguem mais perto dos humanos. "É uma área aberta, sem proteção dos recifes e isso dá acesso a animais de grande porte com mais facilidade à beira da praia", justificou.

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Mesmo com cerca de 19,35% do total de incidentes do Estado notificados nessa região pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (CEMIT), vinculado à Secretaria de Defesa Social (SDS), banhistas mais incrédulos teimam em pôr a vida em risco em troca de um mergulho. Já os que respeitam os alertas do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) apelam para os chuveirões instalados por barraqueiros para suportar o calor.

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Há três anos, não era registrado ataque de tubarão na RMR. Entretanto, o caso fatal do último sábado reacendeu o medo da presença de predadores na localidade. "A intensidade do ataque caracteriza com duas espécies que existem na região, que são o cabeça chata e o tigre. Para saber qual das duas foram, teria que ter uma investigação da mordida com fotografias ampliadas. São dentes diferentes", sugere Leonardo Veras, que recomenda uma análise mais aprofundada do prejuízo à vítima.

Além da falta de barreiras naturais, o CEMIT lembra que estamos no pior período para o banho de mar, já que a água costuma ficar turva e propícia para uma maior frequência de ataques. "Entre maio e agosto aumentam as chuvas e o vento e, com eles, a probabilidade de incidentes", advertiu em nota.

"A melhor prevenção é não entrar no mar", ressalta o especialista, que pede mais educação da população e um reforço no efetivo de fiscalização na área. O Comitê informou que as praias consideradas de risco possuem mar aberto, canal submarino e uma incidência de animais marinhos. Por isso, aproximadamente 33km do litoral pernambucano recebeu 110 placas de orientação e bandeirolas de alerta.

Placas deterioradas próximas ao local do último ataque na praia de Piedade. Foto: Júlio Gomes/LeiaJáImagens

O perigo de entrar no mar entre as praias de Del Chifre, em Olinda, e do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, fez com que o nado e outros esportes náuticos como surfe e body boarding fossem proibidos por meio de decreto em 1999, quando houve o 30º incidente, que vitimou o 23º surfista em Pernambuco.

A restrição do decreto 21.402/99 foi reiterada em julho de 2014, com a publicação da determinação estadual 40.923. Desse modo, em caso de desobediência, o infrator pode ser conduzido pelos bombeiros à delegacia e, caso desrespeite a ordem, pode ser autuado por desacato.

A reportagem do LeiaJá também procurou a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes para saber se há a intenção de propor novas medidas para reduzir a frequência de incidentes no município. Em nota, a gestão respondeu que “mantém sinalização nas áreas identificadas como de alto risco de ataque de tubarões, bem como atua junto aos comerciantes e ambulantes cadastrados no sentido de massificar as informações sobre os riscos junto a banhistas e consumidores". "Além disso, a orla do município conta com o apoio do Corpo de Bombeiros na fiscalização e intervenções preventivas", acrescenta a nota.

Na manhã deste sábado (16), a equipe de reportagem do LeiaJá foi até a praia de Piedade, mais precisamente no trecho em frente à Igreja de Nossa Senhora de Piedade, onde aconteceram os dois últimos ataques de tubarão que deixou Pablo Diego Inácio de Melo, de 34 anos, sem a mão e perna direita, e que tirou a vida de José Ernesto Ferreira e Silva, 18 anos.

Com o local praticamente vazio, o medo de novos ataques e vítimas é o que impera na praia. Sem banhista, sem clientela, e isso está deixando também os barraqueiros preocupados com o futuro financeiro.

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O casal Jéssica Gomes, 26 anos, e Claudison Alberto, 28, moradores do bairro de Jardim Piedade, Jaboatão dos Guararapes, afirmam que, por morarem próximo, sempre tiveram o costume de ir à praia, mas depois dos últimos ataques ficaram mais receosos de entrar no mar. “Eu mesmo vou só para me molhar, mas não fico nem cinco minutos”, salienta Jéssica. Claudison pontua: “Sempre soube que aqui poderia acontecer ataques, por isso todas as vezes que eu vou à praia fico só na areia”.

Sebastião Florêncio, 66 anos, que trabalha no local há 3 anos, é um dos barraqueiros que teme pela queda no número dos banhistas. “Depois do ataque o movimento cai, mas as pessoas esquecem e tudo volta ao normal. No entanto, por conta desse último, hoje, em pleno sábado, a praia está desse jeito, vazia”, lamenta. Maria Luiza Alves, 72 anos, aposentada, moradora do Engenho Velho, Jaboatão dos Guararapes, estava com medo de entrar no mar e preferiu ficar tomando banho só usando uma cumbuca. "Eu venho sempre à praia, mas agora a gente fica com medo, neh?! Acompanhei pela televisão os ataques que aconteceram aqui. Eu mesmo prefiro ficar na beira do mar, me molhando", informa.

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O 2º Sargento do Corpo dos Bombeiros Santana, 34 anos, salienta que os últimos ataques aconteceram porque os banhistas foram 'imprudentes', tendo em vista que eles sabiam que o local era propício aos ataques do animal marinho. “Essa aqui é uma parte da orla que é mais sinalizada, com quatro placas, dois guarda-vidas, bandeiras de aviso”, aponta. Só agora, depois de dois ataques seguidos (num intervalo de 2 meses) que a população parece estar seguindo piamente as recomendações dos agentes.

Cada posto guarda-vida deve responder pela proteção de 250 metros a sua esquerda e direita. Após o último ataque, o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarão (CEMIT) estendeu a presença do Corpo de Bombeiro nas praias.

Aos sábados, domingos e feriados, os agentes ficam das 8h até às 18h na Igrejinha de Piedade, onde ocorreu o último ataque de tubarão. Em Boa Viagem, Zona Sul do Recife, as ampliações acontecem em frente ao Edifício Acaiaca, no 2º Jardim e Castelinho - já que  são nessas localidades que se concentram 27, dos 65 casos de ataques registrados desde 1992, segundo a CMIT.

Sobre a diminuição de pessoas naquela área, o 2º Sargento informa que isso pode ser, sim, um efeito dos últimos ataques, mas também pode ser porque estamos em plena época de vento e chuva. “Nesse período de junho, julho e agosto venta muito na praia, e, com o que aconteceu por aqui a procura do local pela população para lazer tende a diminuir", finaliza.

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