Tópicos | Nestor Cerveró

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, negou nesta terça-feira, 28, pedido de liberdade do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, preso preventivamente desde janeiro na Operação Lava Jato.

Ao analisar habeas corpus levado ao STF pelos advogados do ex-diretor, Lewandowski entendeu que não há urgência no pedido e, portanto, não concedeu liberdade em caráter liminar (provisório). O mérito do caso será analisado na volta do recesso do Judiciário, em agosto, pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato na Corte.

##RECOMENDA##

Lewandowski apontou que o habeas corpus questiona decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de mais de um mês. A decisão negou seguimento ao pedido de liberdade de Cerveró. Para o ministro, o tempo levado para recorrer ao Supremo "indubitavelmente retira a alegada urgência na apreciação da matéria".

Ao recorrer ao STF, os advogados alegaram que o ex-diretor deve responder à ação penal que tramita na 13ª Vara Federal Criminal em Curitiba em liberdade, pois a decisão judicial que o mantém preso é "desprovida de fundamentação legal". Na peça, os advogados inserem imagens de capas de revista e fotos do juiz Sérgio Moro em momento em que o magistrado é aclamado pela população ao visitar uma livraria. "A sensação que se tem na operação Lava Jato é o surgimento de super-heróis tupiniquins voltados ao combate da criminalidade no País", escrevem os advogados sobre a condução da Lava Jato.

Reclamação

A defesa de Cerveró entrou também com outra ação no STF: uma reclamação para solicitar que a ação penal que corre em Curitiba, na qual o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é citado, seja encaminhada para a Corte. Neste processo são réus Cerveró, os lobistas Fernando Soares e Júlio Camargo e o doleiro Alberto Youssef. Em depoimento no caso, Camargo acusou Cunha de exigir US$ 5 milhões para manter contratos sobre compra de navios-sonda na Petrobras. O envolvimento de Cunha no processo, de acordo com os advogados de Cerveró, deveria atrair o caso para o Supremo.

Para defender que a competência para o julgamento da ação é do STF, a defesa de Cerveró compara a Operação Lava Jato ao mensalão. Na ocasião, o Supremo não desmembrou o processo, como ocorre nas ações relativas ao esquema de corrupção na Petrobras.

"A operação Lava Jato não é diferente do Mensalão: agentes públicos e privados, ignorando a própria definição de 'república', agiram com se fossem donos da coisa pública: a eterna confusão entre o público e o privado existente no Brasil herdada de uma maldita colonização aventureira. Existe, em tese, um conluio entre congressistas e empresários com o fito de desviar receita pública a favor de campanhas políticas. Esta é, inegavelmente, a essência da operação Lava Jato", escrevem os advogados de Cerveró ao STF.

Ministério Público Federal apontou a vida de alto padrão e os presentes de luxo, como uma Land Rover avaliada em R$ 200 mil dada para o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró (Internacional), como forma e o suposto operador de propinas do PMDB Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, ocultar dinheiro desviado da Petrobras.

"Expediente utilizado por Fernando Soares para a ocultação/dissimulação da origem criminosa dos valores que repassava à Nestor Cerveró era o oferecimento de 'presentes' ao ex-diretor da estatal", sustenta a força-tarefa da Operação Lava Jato, nas alegações finais da ação penal em que o ex-diretor e o operador, supostos elos do PMDB na estatal, respondem pelo recebimento de US$ 40 milhões, por dois contratos de navios-sonda da Petrobrás.

##RECOMENDA##

"Em 27 de julho de 2012 o acusado Fernando Soares, para encobrir o pagamento de vantagem indevida devida a Nestor Cerveró, fruto dos crimes acima mencionados, negociou e comprou em favor de Nestor Cerveró e de sua esposa, Patrícia Cerveró, o veículo Land Rover Evoque Dynamic 5D", informa o Ministério Público Federal.

Para a força-tarefa não há dúvidas de que o veículo nunca foi pago pela mulher de Cerveró, como sustentou a defesa do casal, quando ele foi preso em janeiro. O ex-diretor está detido em Curitiba.

Para ocultar e dissimular a origem criminosa dos valores relativos a esse bem, tal automóvel foi registrado em nome da mulher do ex-diretor da Petrobrás. "Mesmo tendo sido Fernando Soares o responsável pelo pagamento", diz o MPF, no pedido de condenação dos acusados por corrupção e lavagem de dinheiro.

Ele mesmo utilizava, segundo o pedido de condenação do MPF, quatro camionetes de luxo: três Land Rover e uma Toyota Hilux.

Empresas de fachada

Para tentar ocultar a origem e propriedade dos valores movimentados para Cerveró e para seu próprio patrimônio, a Procuradoria da República informa que existem "diversas provas que indicam a utilização" de duas empresas de fachada, a Hawk Eyes e a Technis, por Fernando Baiano.

"Ambas empresas eram utilizadas para ocultar e dissimular o imenso patrimônio que Fernando constituiu após a intermediação da propina das sondas", escrevem os nove procuradores da força-tarefa da Lava Jato.

A própria residência de Fernando Baiano, no Rio, é citada dado como exemplo do conforto do operador. "Trata-se de uma cobertura do bloco 1 do Condomínio Parque Atlântico Sul (antigo Edifício Vieira Souto), localizado na Av. Lúcio Costa, 3600, Barra da Tijuca, um dos mais luxuosos da cidade."

A cobertura de luxo do operador do PMDB está em nome da Hawk Eyes. As empresas foram usadas também para compra da Evoque de Cerveró, as outras três caminhonetes que ele mesmo utilizava, bem como para o recebimento de parte dos US$ 40 milhões recebidos do lobista Julio Gerin Camargo, em nome do estaleiro coreano Samsung Heavey Industries.

A Hawk Eyes, que era uma empresa de papel como a Technis, também serviu para registro da uma lancha de 55 pés, chamada "Cruela 1". "A qual possui dois motores de 800 HP e capacidade para 18 passageiros, e que custa em média R$ 4,5 milhões", diz a Procuradoria.

"Por 'coincidência' esta lancha foi adquirida de Otávio Marques de Azevedo, ex-presidente do grupo Andrade Gutierrez, que atualmente encontra-se preso preventivamente na Polícia Federal em Curitiba", afirma o Ministério Público Federal em alegações finais no processo.

Os procuradores apontaram, além do imóvel "de altíssimo padrão" em que Fernando Baiano morava, a compra de "uma mansão de veraneio" no condomínio Vale do Segredo, na Praia de Trancoso/Arraial D’ Ajuda, em Porto Seguro (BA) - em nome da empresa Technis.

Lavagem moderna

A prática de ocultação de valores e bens em carros de luxo, imóveis e presentes como quadros, auxiliam a compreender o esquema criminoso desbaratado na Petrobrás, por meio do qual partidos e políticos desviavam de 1% a 3% do valor dos contratos, em conluio com empreiteiras.

"Como próprio nestes tipos de crime, complexos por natureza, foram empregados pelos réus várias tipologias de lavagem de dinheiro reconhecidamente utilizadas nesse tipo de delito. Isso é sinal do alto nível de sofisticação dos instrumentos usados, com a combinação de várias técnicas de lavagem, em especial, a técnica do trade based money laudering, de offshore (técnica de uso de terceiros) e de estruturação", afirmam os procuradores da Lava Jato.

As alegações finais do MPF no processo representam a etapa derradeira da ação penal, que será julgada nas próximas semanas pelo juiz federal Sérgio Moro.

Foi nesse processo em primeiro grau que o lobista Julio Camargo, após ser reintimado a pedido do operador de propina do PMDB Fernando Baiano, afirmou que pelo menos US$ 5 milhões dos US$ 40 milhões de propina tiveram como beneficiário o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Por causa da citação, a defesa de Cunha pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que impeça o juiz Sérgio Moro de julgar a ação penal e que ela seja levada para a Corte máxima do Judiciário, por envolver seu nome - como parlamentar, o presidente da Câmara só pode ser julgado pelo Supremo.

Para o MPF, "são vários os elementos que indicam a prática, por parte de Júlio Camargo, Fernando Soares, Nestor Cerveró e Alberto Youssef, todos em conluio e com unidade de desígnios, de atos de ocultação e dissimulação da natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, das infrações penais por eles praticadas em face da Petrobrás".

O Ministério Público Federal (MPF) reforçou o pedido, feito à Justiça Federal, de condenação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, do empresário Fernando Soares (o Fernando Baiano), do consultor Júlio Camargo e o doleiro Alberto Youssef pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Investigados na Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), por suspeita de envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras, os quatro estão presos preventivamente e, para o MP, não há motivos para que sejam liberados.

Nas alegações finais, os procuradores da República pedem que os denunciados sejam condenados a devolver R$ 296,8 milhões aos cofres públicos – valor estimado do prejuízo causado à petrolífera pelo “gigantesco esquema criminoso” montado por “empresários que pagavam propina a altos funcionários da estatal a fim de garantir contratos para a execução de projetos e empreendimentos de seus interesses”. Para garantir a restituição do prejuízo, o Ministério Público defende que sejam usados inclusive os valores bloqueados em contas e investimentos bancários em nome dos acusados, além do dinheiro apreendido durante as ações das PF.

##RECOMENDA##

Segundo os procuradores, os cargos de comando de diretorias da Petrobras eram preenchidos por meio de indicações políticas para garantir o repasse das propinas a agentes políticos. Um núcleo financeiro, do qual Fernando Baiano é acusado de fazer parte, encarregava-se de repassar os valores desviados aos destinatários. Para isso, simulavam contratos de serviços de consultoria e emitiam notas fiscais fraudulentas para que o esquema não fosse detectado pelos sistemas de controle.

No mesmo processo, o MPF já havia acusado Cerveró pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro; Fernando Baiano, como coautor da corrupção passiva e por lavagem de dinheiro; Júlio Camargo, por corrupção ativa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e fraudes em contrato de câmbio, e Alberto Youssef, pelo crime de lavagem de dinheiro. A denúncia foi integralmente recebida pela Justiça em dezembro de 2014.

Na ocasião, a defesa de Cerveró alegou que seu cliente não teve oportunidade de se defender, pois não teve acesso à íntegra dos depoimentos do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Alegando que Júlio Camargo foi constrangido, os advogados questionavam o valor legal de seu acordo de delação premiada e apontava, entre outras falhas, a ausência de justa causa para ação penal por ausência de provas. A defesa pediu a absolvição sumária de Cerveró.

O advogado de Júlio Camargo disse que, ao assinar acordo de delação premiada, Camargo confirmou o pagamento de US$ 30 milhões de propina. O MPF fala em US$ 40 milhões. A defesa pediu o perdão judicial para Camargo ou, alternativamente, que as eventuais penas que lhe forem aplicadas estejam em conformidade com os termos do acordo de delação premiada.

A defesa de Fernando Baiano também questionou a ação penal, afirmando que esta está “lastreada em denúncia inepta e sem justa causa, bem como tramitada em Juízo incompetente, suspeito ou impedido”. Os advogados pediram a nulidade de acordos de colaboração premiada obtidos, “meio de prova imoral, colhido mediante a atuação de advogados de delatores com interesses conflitantes e contendo cláusulas ilegais”. O advogado de Baiano também pediu a absolvição do empresário.

O advogado de Alberto Youssef pediu que algumas das provas incluídas nos autos fossem anuladas e também questionou a legalidade dos acordos de colaboração, negando que uma empresa de Youssef tenha sido utilizada para qualquer fim irregular.

A Agência Brasil não conseguiu entrar em contato com os advogados de Cerveró, Soares, Camargo e Youssef para falar sobre o novo pedido de condenação feito pelo MPF.

 

A Procuradoria Pública Federal de Berna, na Suíça, comunicou a força-tarefa da Operação Lava Jato sobre a existência de duas contas no país que seriam controladas pelo ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró - que negou em juízo ter contas fora do Brasil.

Em uma delas foi rastreado um depósito de US$ 78 mil, em setembro de 2008, originário de conta do operador de propina do PMDB Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano. Os dois estão presos em Curitiba, acusados de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no esquema que desvio pelo menos R$ 6,2 bilhões da estatal entre 2004 e 2014.

##RECOMENDA##

O documento da Suíça, em que o procurador Stefan Lenz comunica a apuração local, foi encaminhado ao Ministério Público Federal do Brasil no início do mês, dentro de um acordo de cooperação internacional entre os dois países. Nele, os procuradores transmitem oficialmente os dados levantados na Suíça sobre as duas contas de Cerveró e solicitam que a força-tarefa assuma a responsabilidade de buscar na Justiça a condenação criminal do ex-diretor.

É a primeira prova da existência de contas de Cerveró no exterior com indícios de recebimentos de valores suspeitos.

Caminho do dinheiro

Cerveró e Fernando Baiano são réus em processo aberto em 14 de dezembro de 2014, a pedido da força-tarefa da Lava Jato, envolvendo propina de US$ 30 milhões da coreana Samsung Heavey Industries para construção e operação de duas sondas de perfuração marítima para exploração de petróleo no Golfo do México e na África.

Representada no Brasil pelo lobista Julio Gerin Camargo, a Samsung teria pago propina para o operador do PMDB para obter o contrato na Diretoria de Internacional - contratos assinados em 2006 e 2007. O negócio envolveu o pagamento Piamonte Investment Corp., controlada por Camargo, em conta bancária em Uruguai, por meio de "contratos fictícios de assessoria".

Cerveró já foi condenado a cinco anos de prisão no final de maio em processo em que foi acusado por lavagem de dinheiro na compra do apartamento em que morava, no Rio, avaliado em US$ 7,5 milhões, em nome de laranjas. O que a Lava Jato buscava eram mais elementos do recebimento de vantagens por Cerveró no esquema de corrupção da Petrobras, que teriam permitido a compra de bens de maneira oculta, como o imóvel.

Os documentos serão usados na ação penal em que ele responde ao lado de Fernando Baiano, sobre os negócios das sondas - em fase final.

Defesa

O advogado Edson Ribeiro, que defende o ex-diretor da Petrobras, não foi encontrado para comentar o caso. Ele tem sustentando que seu cliente não recebeu propinas e nem lavou dinheiro ilícito. Fernando Baiano também nega ser operador de propina e envolvimento em esquema de corrupção na Petrobras.

O ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró pediu à Justiça na segunda-feira (1) para ser transferido para o Complexo Médico Penal do Paraná. Ele está preso desde janeiro deste ano na Polícia Federal, em Curitiba, base das investigações da Operação Lava Jato.

"O pedido se justifica ante as reiteradas manifestações do Departamento de Polícia Federal de Curitiba - Paraná nesse sentido, com as quais anui o peticionário", diz o documento subscrito pelo advogado Edson Ribeiro, que defende o ex-diretor.

##RECOMENDA##

Nas últimas semanas, o juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato, mandou transferir muitos outros acusados para o Complexo Médico Penal, situado na região metropolitana de Curitiba. O juiz atendeu pedido da Polícia Federal, que alegou não ter espaço suficiente para alojar todos os réus da Lava Jato.

Cerveró respondia a dois processos no âmbito da Lava Jato. Na semana passada, ele foi condenado pela Justiça Federal em uma das ações, a cinco anos de prisão pelo crime de lavagem de dinheiro na compra de apartamento de luxo em Ipanema, zona Sul do Rio, hoje avaliado em R$ 7,5 milhões.

A sentença é do juiz Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato. Moro decretou também confisco do imóvel que, segundo o Ministério Público Federal foi adquirido "com produto de crimes de corrupção" na Petrobras.

Para ocultar "a origem e natureza criminosa dos valores envolvidos na aquisição, bem como o real titular dos valores e do imóvel", Nestor Cerveró constituiu, de acordo com a denúncia da força tarefa da Lava Jato, em 12 de abril de 2007, a empresa Jolmey Sociedad Anonima no Uruguai.

Em 7 de novembro de 2008, o ex-diretor da estatal montou uma subsidiária da Jolmey no Brasil, a Jolmey do Brasil Administradora de Bens Ltda. O capital da empresa brasileira foi constituído por investimento direto da Jolmey, ingressando cerca de R$ 2,6 milhões do exterior. Desse total, R$ 1,53 milhão foram utilizados para aquisição do imóvel e o restante para reforma do imóvel e pagamentos de tributos e honorários advocatícios.

O juiz federal Sérgio Moro deu até o final desta quinta-feira, 21, prazo para que a defesa do ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró - preso preventivamente desde janeiro pela Operação Lava Jato, em Curitiba - para que apresente suas alegações finais em processo penal em que é acusado.

"Diante da omissão do defensor, qualquer que seja o motivo, intime-se novamente o defensor, por telefone e por meio eletrônico, para apresentação imediata da peça, até o final deste dia 21", registrou Moro em despacho publicado nesta quinta-feira.

##RECOMENDA##

"Persistindo a omissão, imporei multa ao advogado de 10 a 100 salários mínimos por abandono injustificado do processo."

A medida foi adotada após a defesa final de Cerveró não ser apresentada dentro do prazo. Essa é uma etapa crucial do processo criminal. Segundo Moro, a defesa havia sido intimada pessoalmente para apresentar alegações finais no processo por escrito até o dia 19. "O prazo transcorreu in albis."

Ontem, 20, Moro determinou nova intimação por telefone para que o criminalista Edson de Siqueira Ribeiro Filho, que representa Cerveró, justificasse o ocorrido e apresentasse as alegações.

Sem sucesso, após diversas tentativas de contato com o escritório do defensor, em telefone fixo e no celular, o juiz federal registrou em despacho de hoje que "concomitantemente, observa-se intensa corrida do causídico em questão junto aos Tribunais Superiores, buscando obter habeas corpus liberatório para seu cliente".

No despacho, o magistrado registra que ontem foi negada uma liminar pelo Superior Tribunal de Justiça. Um novo habeas corpus foi apresentado ontem pela defesa no Supremo Tribunal Federal.

"Não existe problema no Impetrante impugnar a prisão cautelar perante as cortes recursais ou superiores", afirma Moro "Reprovável, porém, que o faça, utilizando aparentemente como estratégia retardar o julgamento da ação penal, pela falta de apresentação de peça de defesa obrigatória, as alegações finais.

Observo que foi intimado pessoalmente do prazo para apresentação e a recusa em atender aos contatos telefônicos da Secretaria desta Vara evidenciam a estratégia profissional questionável."

Atraso

Moro criticou no despacho o atraso provocado pela não apresentação da defesa. "Não cabe, no contexto, reclamar de excesso de prazo para julgamento quando é o defensor quem deliberadamente dá causa ao atraso."

Moro determinou ainda que fosse intimado "com urgência, Nestor Cerveró informando-lhe da omissão de seu defensor constituído para apresentar as alegações finais".

"Diante disso, para que nomeie outro advogado para apresentar a peça em três dias contados da intimação pessoal do acusado. Caso a peça das alegações finais pelo atual defensor venha até o final deste dia 21, revogarei esta determinação."

O ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró não respondeu aos questionamentos dos deputados da CPI da Petrobras, nesta segunda-feira, 11, em Curitiba - sede da Operação Lava Jato onde a Comissão Parlamentar de Inquérito se instalou para ouvir pelo menos 13 alvos da investigação sobre corrupção na estatal petrolífera.

Um grupo de parlamentares desembarcou na capital do Paraná para dois dias de interrogatórios. Cerveró é acusado de controlar a diretoria de Internacional, cota do PMDB no esquema de cartel e corrupção na Petrobras.

##RECOMENDA##

O operador de propina do PMDB Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano, também não vai falar.

"Vou recorrer ao direito de permanecer em silêncio atendendo às orientações dos meus advogados de defesa", afirmou Fernando Baiano.

Cerveró e Baiano são dois alvos centrais no susposto recebimento de propinas por parte do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) - referente a contratos de aluguel de sondas de perfuração em águas profundas.

O deputado Onix Lorenzoni (DEM-RS) foi interrompido pelo advogado David Teixeira de Azevedo, que defende o operador de propina do PMDB Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano.

"O senhor não me dirija a palavra. O senhor pode falar com o seu cliente, não com os parlamentares", advertiu Lorenzoni.

O criminalista interrompeu o deputado para que ele não "exortasse" a figura de Baiano em suas falas. O deputado alertou o investigado que uma delação premiada poderia dar a ele situação mais confortável do que a que ele se encontrava. Alguns parlamentares chegaram advertir o advogado que ele poderia ser preso por desacato.

Góes

Acusado de ser um dos 11 operadores de propina na Diretoria de Serviços - cota do PT no esquema de corrupção da Petrobras -, Mário Frederico Góes vai permanecer calado diante dos deputados da CPI.

Góes foi sócio em uma lavanderia e na compra de um jato do ex-gerente de Engenharia da Petrobras Pedro Barusco. Ele é acusado de operar propina para sete empreiteiras do cartel alvo da Lava Jato: Andrade Gutierrez, Mendes Júnior, MPE, OAS, Odebrecht, Setal e UTC.

Pelo menos R$ 39,7 milhões foram pagos por essas empresas para a firma de consultoria do lobista, entre 2008 e 2014, por supostos serviços de consultoria, a Riomarine Empreendimentos Marítimos. A empresa foi aberta em 1987 quando era presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia Naval (Sobena). Ele foi sócio de Barusco - um dos delatores da Lava Jato que recebeu US$ 97 milhões em propinas - a JPA Lavanderia Industrial Ltda, com sede no Rio, entre 2006 e dezembro de 2014, formalmente até 2009 e, depois, por meio da família.

Mesmo diante do silêncio do interrogado, os deputados da CPI da Petrobras, que ficarão em Curitiba - sede da Lava Jato - decidiram fazer perguntas ao alvo.

O ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró afirmou na terça-feira, 5, à Justiça Federal, em Curitiba, que morou dois anos sem pagar aluguel em um apartamento de R$ 7,5 milhões, localizado na praia de Ipanema (RJ) - um dos metros quadrados mais caros do Brasil. O duplex de luxo está registrado em nome da Jolmey do Brasil Administradora de Bens Ltda, uma filial da uruguaia Jolmey S/A, aberta pelo advogado Oscar Enrique Algorta Rachetti, no Uruguai.

Para a força-tarefa da Operação Lava Jato, Cerveró é o verdadeiro dono do imóvel. "O senhor não acha estranho o senhor morar dois anos de graça em um apartamento?", questionou o juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato. "Mas eu não acho", respondeu. "Foi uma compensação."

##RECOMENDA##

Cerveró foi interrogado pelo juiz na ação penal em que é réu ao lado do advogado uruguaio Algorta e do lobista Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano - acusados por crime de lavagem de dinheiro envolvendo a compra do apartamento, em 2009.

A Jolmey teria sido usada por Cerveró para ocultar o patrimônio, originado de propina operada por Fernando Baiano, em nome do PMDB, na Diretoria de Internacional. Os recursos e a operação de lavagem teriam sido feitas por Algorta.

"Parte dos valores voltou ao Brasil em simulação de investimentos na empresa Jolmey do Brasil Administradora de Bens Ltda, uma filial da uruguaia Jolmey S/A". A denúncia do MPF aponta que as duas empresas eram de Cerveró, apesar de registradas em nome de terceiros.

A Jolmey do Brasil Administração de Bens Ltda foi aberta em novembro de 2008, em nome do advogado Marcelo Oliveira Mello - ex-jurídico da Petrobras que trabalhou com Cerveró.

Segundo Cerveró, a Jolmey era de Algorta que, em 2008, propôs que ele intermediasse negócios no Brasil no mercado imobiliário. "Ele disse que representava clientes no Uruguai que queriam investir em imóveis no Rio."

"Assumi compromisso com Algorta, ele conversou com um cliente dele e fizemos esse acordo, ele comprou o apartamento por R$ 1,5 milhão", declarou Cerveró.

Denúncia do Ministério Público Federal informa que o apartamento no bairro de Ipanema, no Rio, foi adquirido pela Jolmey do Brasil por R$ 1,532 milhão e depois reformado com R$ 700 mil. O imóvel está avaliado atualmente em R$ 7,5 milhões.

Segundo o MPF, desde o início o apartamento pertencia a Cerveró. Depois da reforma, a propriedade foi alugada ao ex-presidente da estatal por R$ 3.650, valor abaixo do de mercado. Relatório da Receita Federal aponta que o apartamento teria sido alugado da Jolmey do Brasil entre 2009 e 2011.

"A locação teria iniciado em junho de 2009, pelo valor de R$ 3,5 mil mensais." Em 2011, o último aluguel registrado foi de R$ 4 mil. "Nos anos de 2012 e 2013, segundo Declaração de Imposto de Renda de Cerveró, mesmo pagou à locadora o montante total de, respectivamente, R$ 9,8 mil e R$ 9 mil."

O ex-diretor afirmou que foi feito um acordo verbal, sem registro, de que ao final da reforma ele poderia comprar ou morar no imóvel pagando aluguel com preço de mercado - a ação cita o valor de R$ 18 mil mensais.

Cerveró argumentou que o pagamento de aluguel era baixo, segundo ele, porque ele administrava as outras despesas do imóvel e que havia um acordo comercial de que ao final ele ou compraria o duplex ou passaria a locá-lo pelo preço de mercado.

"Não tinha dia certo para pagar aluguel, era uma relação diferenciada, era uma relação de investimentos", explicou o ex-diretor.

Ex-advogado da Petrobras

Cerveró confirmou que indicou o ex-advogado da Petrobras para Algorta para que fosse efetivado o negócio. Foi em seu nome que foi registrada a filial da Jolmey no Brasil. "Eu indiquei Marcelo, porque a ideia do Algorta era essa, criar uma empresa no Uruguai e uma subsidiária no Brasil que seria proprietária do imóvel desse cliente."

No papel Algorta era o presidente do Conselho de Administração da Jolmey S/A e, segundo o MPF, o "mentor intelectual" da operação que beneficiou o ex-diretor da Petrobras.

Mello foi ouvido pela Polícia Federal e confirmou que foi procurado há sete anos por Cerveró e pelo advogado uruguaio Algorta para montar uma subsidiária brasileira da Jolmey. Segundo ele, o ex-diretor "tratou pessoalmente do assunto".

Numa troca de e-mail em poder da Lava Jato, há registro de mensagem entre um funcionário do escritório de Mello, de 2010, em que ele pede uma reunião com Cerveró, a quem trata de "dono da Jolmey" para que "a melhor estratégia seja tomada para mitigar o risco de exposição fiscal do cliente".

Suspeita

As declarações de Cerveró em seu interrogatório foram consideradas suspeitas pelos investigadores da Lava Jato. No ano passado, pouco depois de ser deflagrada a Operaçõa Lava Jato, um substituto foi colocado no lugar de Mello, como sócio da Jolmey Brasil, e a família de Cerveró deixou o duplex em que moravam sem pagar aluguel desde 2011.

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu aplicar censura ética ao ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, por sonegação de dados relevantes ao Conselho de Administração da Petrobrás, sobre a aquisição da Refinaria de Pasadena, nos EUA. Com a censura, ele pode ser impedido de assumir cargos públicos.

A decisão da Comissão, que administra a aplicação do Código de Conduta da Alta Administração Federal, foi divulgada na terça-feira, 28. O relator do caso Marcello Alencar de Araújo afirmou em seu voto que o executivo 'não atuou com transparência e lealdade à Petrobrás ao deixar de informar fatos relevantes' ao Conselho.

##RECOMENDA##

Cerveró está preso na Polícia Federal em Curitiba (PR), base da Lava Jato, desde 14 de janeiro. O Ministério Público Federal o acusa formalmente por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele teria recebido US$ 30 milhões em propinas na contratação de navios sonda pela Petrobras, na ocasião em que dirigia a área de Internacional da estatal. O ex-diretor responde a duas ações penais na Justiça Federal - é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, em uma delas, e lavagem em outra.

Sua participação na compra da refinaria Pasadena, analisada pela Comissão de Ética da Presidência, foi iniciada em 2005. O negócio, que começou por um valor de US$ 359 milhões e terminou em US$ 1,2 bilhão, causou prejuízo de US$ 793 milhões à estatal, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU). A presidente Dilma Rousseff presidia o Conselho da estatal petrolífera na época da compra, em 2006.

Nestor Cerveró foi apontado pela Comissão Interna de Apuração da Petrobras como o responsável pelo encaminhamento da proposição de compra da refinaria à Diretoria Executiva da estatal petrolífera. No documento, porém, não constava a avaliação da refinaria em condição e com cláusulas consideradas fundamentais.

A administração de sociedades como a Petrobras, de acordo com a Comissão de Ética, cabe ao Conselho de Administração e à Diretoria. O Conselho é um órgão de deliberação colegiada e tem como função principal fixar as diretrizes e orientações gerais para os negócios da companhia.

O ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, primeiro delator da Lava Jato, confessou à Polícia Federal que recebeu US$ 1,5 milhão para "não atrapalhar" a compra da Refinaria de Pasadena. Segundo ele, o negócio pode ter envolvido uma propina de US$ 20 milhões a US$ 30 milhões - valor supostamente pago pela Astra Oil, antiga sócia do empreendimento, a Cerveró e ao lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontados como braços do PMDB no esquema.

Ética

O Código de Conduta estabelece um conjunto de normas às quais se sujeitam as pessoas nomeadas pelo Presidente da República para ocupar qualquer dos cargos nele previstos. A transgressão dessas normas não implicará, necessariamente, violação de lei, mas, principalmente, descumprimento de um compromisso moral e dos padrões qualitativos estabelecidos para a conduta da Alta Administração.

As punições previstas são de caráter político: advertência e censura ética. Há ainda a possibilidade de exoneração, dependendo da gravidade da transgressão.

"A conduta dessas autoridades, ocupantes dos mais elevados postos da estrutura do Estado, servirá como exemplo a ser seguido pelos demais servidores públicos, que, não obstante sujeitos às diversas normas fixadoras de condutas exigíveis, tais como o Estatuto do Servidor Público Civil, a Lei de Improbidade e o próprio Código Penal Brasileiro, além de outras de menor hierarquia, ainda assim, sempre se sentirão estimulados por demonstrações e exemplos de seus superiores", diz o Código de Conduta.

A Operação Zelotes investiga o envolvimento do ex-diretor Internacional da Petrobras Nestor Cerveró com o grupo acusado de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), espécie de "tribunal" que julga recursos de grandes contribuintes em débito com a Receita Federal.

Os investigadores suspeitam que Cerveró atuou perante advogados e conselheiros investigados como representante de fornecedores da estatal endividados com a Receita. Cerveró também é alvo da Operação Lava Jato, que investiga corrupção na Petrobras. Ele está preso, acusado de cobrar propina de empreiteiras em troca de contratos na diretoria que comandava na petroleira.

##RECOMENDA##

E-mails

Uma das evidências colhidas na Operação Zelotes são e-mails trocados entre advogados e empresários com Edison Pereira Rodrigues, apontado pelos investigadores como um dos mentores do esquema. Ele presidiu o 1º Conselho de Contribuintes - órgão que antecedeu ao Carf -, deixando as funções em 2005.

Cerveró aparece como destinatário de algumas dessas mensagens, de 2010, quando era diretor da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras. Os responsáveis pela Zelotes estão em contato com a força-tarefa encarregada da Lava Jato para aprofundar as investigações sobre a ligação do ex-diretor com o esquema.

Edison Rodrigues é descrito como um gênio na área tributária e atuaria em parceria com a filha, Meigan Sack Rodrigues, conselheira do Carf e dona de um escritório. Rodrigues seria procurado pelas grandes empresas por causa das relações que mantém no órgão e de seu amplo conhecimento.

Procurado pela reportagem, o advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, disse que a suspeita de envolvimento de seu cliente em fraudes no Carf não passa de uma "ilação fantasiosa", despida de elementos probatórios. Ele afirmou que não pode se pronunciar com base em "hipóteses", mas adiantou que falará com o ex-diretor a respeito, em visita marcada para a próxima semana no Complexo Médico Penal em Curitiba.

A reportagem telefonou ainda para o escritório Sack Rodrigues ontem, mas a atendente, que não se identificou, disse que tanto Meigan quanto o pai estavam viajando e não poderiam dar entrevista. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A direção do Complexo Médico-Penal de Pinhais, no Paraná, afirmou ao juiz federal Sérgio Moro, responsável por conduzir processos decorrentes da Operação Lava Jato, que tem condições de receber o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró, que está preso na carceragem da Polícia Federal (PF) em Curitiba e passa por tratamento psicológico.

A consulta sobre Cerveró foi feita por Moro nessa quarta-feira (25). Nesta semana, o juiz autorizou a transferência de 12 presos da Lava Jato da carceragem da PF para a instalação mantida pelo governo estadual. A Polícia Federal solicitou a transferência alegando que já não podia mais comportar os presos em seu prédio. Na ocasião, Moro não havia autorizado a transferência de Cerveró.

##RECOMENDA##

O operador de propina do PMDB na Petrobras Fernando Soares, o Fernando Baiano, deu de presente a Range Rover Evoque para o ex-diretor de Internacional da estatal Nestor Cerveró. O carro de luxo custou R$ 220 mil e foi negociado e pago em dinheiro vivo pelo lobista. Os dois estão presos em Curitiba, base da Operação Lava Jato, e são réus por corrupção e lavagem de dinheiro na compra de duas sondas de perfuração marítimas da estatal.

Braço do PMDB no esquema de loteamento de diretorias da Petrobras, Cerveró é acusado de ter recebido US$ 30 milhões de propina.

##RECOMENDA##

O presente de luxo foi comprado em 2012, na mesma loja em que o doleiro Alberto Youssef - alvo central da Operação Lava Jato - adquiriu um carro do mesmo modelo para o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, um ano depois. A Range Rover Evoque de Cerveró foi confiscada pela Justiça Federal.

Para o juiz federal Sérgio Moro - que conduz todas as ações da Lava Jato - "há provas de que a aquisição do veículo teria sido intermediada por Fernando Soares em benefício de Nestor Cerveró, com a participação da esposa deste, Patricia Anne Cunat Cervero".

Os dois carros de luxo dos ex-diretores foram adquiridos na mesma loja, a Autostar São Paulo. O Ministério Público Federal obteve na concessionária informações sobre a aquisição da Ranger de Cerveró, a nota fiscal emitida em 27 de julho de 2012 e a proposta de venda.

"A nota fiscal encontra-se em nome da esposa de Nestor Cerveró, Patrícia Anne Cunat Cerveró. Entretanto, na proposta de compra é apontado o endereço eletrônico fsoares@hawkeyespar.com.br como contato para Patrícia."

O endereço eletrônico registrado no documento em nome da mulher de Cerveró é na verdade "de titularidade de Fernando Soares e da empresa dele, Hawk Eyes Administração de Bens Ltda", assinala a Procuradoria.

"Ouvida, a vendedora da AutoStar declarou que Fernando Soares é quem fez todo o contato com a AutoStar para a compra do veículo."

A Autostar também forneceu ao MPF extrato bancário que revela que o veículo foi pago por depósito em dinheiro de R$ 220 mil".

"A realização do pagamento do preço do veículo em espécie não é, por si só crime, mas transação de R$ 220 mil em espécie não é nada usual. A realização de elevada transação em espécie, sem aparente justificativa econômica, gera fundada suspeita de que o objetivo dela seria dificultar o rastreamento da origem do dinheiro, a real titularidade dos recursos, e acobertar pagamento de propina ou lavagem de dinheiro, suspeita essa reforçada pela participação de Fernando Soares na aquisição do veículo em questão, ele que é acusado pelo MPF exatamente como intermediador de propinas para Nestor Cerveró", registra o juiz.

Denúncia

Cerveró e Baiano respondem ação penal na Lava Jato. O ex-diretor teria recebido vantagem indevida de milhões de dólares para favorecer a contratação, em 2006 e em 2007, da empresa Samsung Heavy Industries Co para fornecimento de navios sondas de perfuração de águas profundas. Fernando Antônio Falcão Soares teria atuado como intermediador da propina.

A ordem de bloqueio da fortuna que o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque mantinha na Suíça e transferiu para Mônaco, no final de 2014, atingiu também uma conta do ex-diretor de Internacional da estatal Jorge Luiz Zelada, sucessor de Nestor Cerveró.

Carta Rogatória Internacional, datada de 3 de fevereiro deste ano, assinado pelo procurador da República Deltan Dallagnol - coordenador da força-tarefa da Lava Jato, listou uma conta de Zelada entre aquelas a serem bloqueadas no banco Julius Baer Mômica, instituição financeira no Principado.

##RECOMENDA##

A ordem de prisão de Duque traz os pedidos brasileiros e as determinações das autoridades internacionais. Quem determinou o bloqueio foi o juiz Pierre Kuentz, juiz de instrução do Tribunal de Primeira Instância de Mônaco datada de 10 de fevereiro.

Foram alvos dos pedidos de bloqueio duas contas em nome da Rockfiel Internacional, com 11,5 milhões de euros, uma conta em nome de Zelada, com 32,3 mil euros, uma conta em nome da Milzarte Overseas Holdings Inc, com 10,2 milhões de euros, e uma em nome de Pamore Assets Inc - controladas por Duque, tinha 10,2 milhões, segundo a Lava Jato.

Banco-julius

Em 2011, Duque acionou a Internacinal Corporate Structuingt para alterar offshores abertas no Panamá, a Milzart Overseas Holdings Inc, "cujo beneficiado econômico é ele".

Mônaco é uma cidade-Estado, paraíso-fiscal situado no sul da França. Em setembro de 2007, o ex-banqueiro italiano Salvatore Cacciola, protagonista do escândalo do Banco Marka, foi preso pela Interpol no Principado. Condenado a 13 anos de prisão no Brasil por desvio de dinheiro público e gestão fraudulenta de instituição financeira, o ex-dono do banco Marka estava foragido da Justiça brasileira ficou 7 anos foragido, desde o ano 2000.

A força-tarefa da Lava Jato pediu à Justiça Federal acesso a todos os e-mails do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, inclusive correspondências trocadas por ele no período em que exerceu a função e até quando ocupava o cargo de diretor financeiro da BR Distribuidora, braço da estatal petrolífera.

A solicitação engloba desde 2003, quando Cerveró assumiu o comando da Internacional, até 2014, quando ele foi demitido do posto na BR Distribuidora por suspeita de seu envolvimento nas irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, nos EUA.

##RECOMENDA##

Os procuradores federais que investigam malfeitos na Petrobras querem identificar com quem Cerveró mantinha contatos no âmbito da própria estatal e de fora também. Eles buscam pistas de negócios suspeitos que o ex-diretor teria conduzido, por isso pretendem encontrar suas ligações, inclusive com empreiteiros.

O pedido dos procuradores foi feito em um aditamento ao requerimento de bloqueio de bens do executivo, que foi acatado pelo juiz Sérgio Moro no dia 21 de janeiro. Na ocasião, o magistrado determinou que o ex-diretor tenha bloqueados ativos no valor de R$ 106 milhões, correspondente à propina de US$ 40 milhões que ele teria recebido na contratação de navios sondas.

Cerveró está preso na Custódia da Polícia Federal desde janeiro de 2015. Ele já é réu em duas ações penais, uma por corrupção passiva, outra por lavagem de dinheiro.

No documento a força-tarefa pede também a quebra de sigilo da offshore Jolmey Sociedad Anônima e Jolmey do Brasil (subsidiária da empresa aberta no País) a partir de 7 de novembro de 2008, quando foi instalada a subsidiária brasileira da empresa.

Com parte da propina, segundo a Procuradoria da República, ele adquiriu um apartamento no bairro de Ipanema, zona Sul do Rio, declaradamente por R$ 1,5 milhão - o valor de mercado do imóvel bate em R$ 7,5 milhões. A Justiça já decretou o sequestro do apartamento.

O advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, nega que seu cliente tenha recebido propinas e nem lavado dinheiro ilícito. Para o defensor, o Supremo Tribunal Federal "vai anular toda a Operação Lava Jato".

A Justiça Federal decretou o bloqueio de R$ 106 milhões do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Nestor Cerveró, acusado de receber propinas na contratação de navios-sonda para uso em águas profundas no Golfo do México e na África. A medida, datada de 21 de janeiro, acolheu pedido da força-tarefa da Operação Lava Jato, que investiga esquema de corrupção na estatal petrolífera.

O valor confiscado corresponde à conversão de US$ 40 milhões, pelo câmbio daquele dia, R$ 2,65, atingindo R$ 106 milhões. Cerveró está preso desde janeiro. Ele já é réu em duas ações criminais da Lava Jato, uma por corrupção passiva, a outra, instaurada nesta quarta feira, 25, por lavagem de dinheiro.

##RECOMENDA##

Com parte da propina, segundo a Procuradoria da República, ele adquiriu um apartamento no bairro de Ipanema, zona Sul do Rio, declaradamente por R$ 1,5 milhão - o valor de mercado do imóvel bate em R$ 7,5 milhões. A Justiça já decretou o sequestro do apartamento.

Para ocultar a compra, a Procuradoria aponta que ele usou a empresa Jolmey do Brasil Administração de Bens, filial brasileira da offshore Jolmey, aberta no Uruguai. Nos autos da Lava Jato foi anexado o documento cartorial com a compra do apartamento.

Ele agia em nome de empreiteiras do cartel que se instalou na Petrobras. Camargo afirmou que Cerveró e o lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano - suposto operador do PMDB na estatal petrolífera - receberam os US$ 40 milhões. Depois, com base na conferência de extratos bancários, o delator refez as contas e comunicou a Justiça Federal no Paraná, base da investigação, que o montante da propina foi de US$ 30 milhões.

A decisão judicial levou em conta a primeira informação. "Quanto ao bloqueio de ativos, reputo, por ora, razoável limitar o valor no correspondente à suposta vantagem indevida repassada a Fernando Soares e a Nestor Cerveró, de US$ 40 milhões, convertendo-os pelo câmbio de R$ 2,65 como constante na denúncia, o que chega a R$ 106 milhões", decidiu o juiz Sérgio Moro, que conduz todas as ações da Lava Jato.

No mesmo despacho, Moro ordenou a quebra do sigilo fiscal de Cerveró, no período de 2004 a 2014. "A quebra de sigilo fiscal abrange todos os dados disponíveis à Receita Federal." O Ministério Público Federal requereu o bloqueio de ativos no valor "suficiente à recuperação do produto do crime e reparação dos danos decorrentes do crime em relação a Nestor Cunat Cerveró".

Segundo a denúncia Cerveró, na condição de Diretor Internacional da Petrobrás, teria "recebido vantagem indevida de milhões de dólares para favorecer a contratação, em 14 de junho de 2006 e em 9 de fevereiro de 2007, pela empresa estatal da empresa Samsung Heavy Industries Co para fornecimento de navios sondas para perfuração de águas profundas".

"A vantagem indevida, de cerca de quarenta milhões de dólares, foi intermediada pelos coacusados Fernando Antônio Falcão Soares, vulgo Fernando Baiano, e Júlio Gerin de Almeida Camargo, tendo ainda sido objeto de complexas transações financeiras destinadas a lavar o produto do crime", assinala o juiz Sérgio Moro.

"Entre essas transações, transferências financeiras internacionais, com emprego de contas no exterior em nome de off-shores."

O advogado Edson Ribeiro, que defende o ex-diretor de Internacional da Petrobrás, disse na quarta feira, 25, que a nova denúncia contra Cerveró, por lavagem de dinheiro, "é inepta". Ele afirmou que seu cliente não recebeu propinas e nem lavou dinheiro ilícito. Para Edson Ribeiro, o Supremo Tribunal Federal "vai anular toda a Operação Lava Jato".

O juiz Sérgio Moro, que conduz as ações derivadas da Operação Lava Jato, acatou denúncia do Ministério Público Federal por lavagem de dinheiro contra o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró e determinou o sequestro de um apartamento no Rio de Janeiro que seria dele. Cerveró passou imóveis para parentes com medo de ter bens bloqueados.

De acordo com as investigações, Cerveró teria constituído no Uruguai, com ajuda do empresário local Oscar Algorta, também denunciado pelo MPF, a empresa offshore Jolmey, além de uma subsidiária dela no Brasil, por meio da qual teria comprado o imóvel, avaliado em R$ 7,5 milhões. O ex-diretor, então, teria simulado um contrato de aluguel do apartamento por valores abaixo do preço de mercado para justificar a ocupação do bem.

##RECOMENDA##

Moro afirmou, na decisão, que, em janeiro deste ano, ao decretar a prisão preventiva do ex-diretor, já havia "consignado a presença de elementos que apontavam a aparente inconsistência da versão dos fatos apresentada por Nestor Cerveró para justificar a ocupação do imóvel."

Na terça, o Ministério Público Federal também ofereceu denúncia por lavagem de dinheiro contra Fernando Soares, apontado como operador do PMDB no esquema de desvios da Petrobras, e contra os três citados por formação de quadrilha.

No documento desta quarta, 25, Moro recebeu a denúncia contra Cerveró e Algorta por crime de lavagem de dinheiro, mas orientou o MPF a oferecer denúncia separada no caso de imputação por associação criminosa, já que ela não tem relação direta com a primeira e não se refere a Soares.

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa foi ouvido nesta sexta-feira, 13, pela Justiça Federal, em Curitiba. Durante duas horas, ele prestou depoimento e ficou cara a cara com ex-diretor da área Internacional da estatal Nestor Cerveró e com o lobista Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano - ambos apontados como elos do PMDB na arrecadação de propina na companhia.

Costa e o doleiro Alberto Youssef, dois delatores da Operação Lava Jato, que desbaratou um bilionário esquema de corrupção da Petrobras, são testemunhas de acusação no processo criminal em que foram denunciados Cerveró e Baiano. A outra testemunha, o advogado Carlos Alberto Costa, que trabalhava para Youssef, falou durante 15 minutos.

##RECOMENDA##

Youssef apenas acompanhou um dos depoimentos previstos para esta sexta. Costa - que admitiu ser parte do esquema que arrecadava de 1% a 3% de propina em contratos da Petrobras a partir de 2004 - vai confrontar Cerveró e Fernando Baiano, que até agora negaram integrarem a organização criminosa denunciada pela força-tarefada da Lava Jato. Ele deve voltar para o Rio, onde cumpre prisão domiciliar, ainda nesta sexta. Cerveró está preso na Custódia da PF em Curitiba, base da Lava Jato.

Em parecer encaminhado à Justiça Federal no Paraná, os procuradores da força-tarefa da Lava Jato se manifestaram a favor do tratamento psicológico do ex-diretor de área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, onde ele está preso.

"A partir da análise dos autos, o MPF não se opõe que o investigado Nestor Cerveró receba acompanhamento psicológico dentro da custódia, desde que previamente autorizado judicialmente, devendo informar periodicamente ao juízo a evolução do tratamento", assinala o documento da Procuradoria da República no Paraná.

##RECOMENDA##

A iniciativa do Ministério Público Federal atende à decisão do juiz Sérgio Moro que pediu a manifestação dos procuradores após receber a solicitação da defesa de Cerveró pedindo que o ex-diretor tenha direito a consultas semanais com psicólogo na prisão.

A solicitação foi encaminhada à Justiça Federal na semana passada, após o ex-diretor da Petrobras passar mal na carceragem da PF e ser socorrido pelo Samu. Sua defesa afirmou à Justiça Federal que ele sofre de ansiedade e depressão e pediu que o executivo tenha direito a consultas semanais com psicólogo na prisão. Segundo a psicóloga que cuida do ex-diretor, seu quadro depressivo se agravou em abril de 2014, um mês após a deflagração da Lava Jato.

Segundo a defesa, o executivo já vem sendo medicado na carceragem da PF, mas ainda assim precisa de consultas com um psicólogo. "Em decorrência do seu transtorno psicótico (depressão maior), o indiciado precisa de acompanhamento médico para dar continuidade ao seu tratamento, especialmente, de consultas semanais com psicólogo", assinala o advogado Ricardo Ribeiro, que defende o ex-diretor, em petição encaminhada à Justiça Federal no Paraná.

O documento é acompanhado de atestados da psicóloga Elizabeth Carneiro, da Santa Casa do Rio de Janeiro, que afirma que Cerveró é seu paciente há três anos. "(Cerveró) faz tratamento psicoterápico desde esta época para um quadro de transtorno de ansiedade com sintomas de angustia e inquietação", assinala a psicóloga.

"Desde o mês de abril de 2014, vem apresentando claramente sintomas depressivos severos, necessitando assim de tratamento psicológico para esta patologia", continua Elizabeth que afirma que, atualmente, Cerveró sofre de "depressão maior".

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato, pediu parecer ao Ministério Público Federal (MPF) sobre o pedido de tratamento psicológico feito pela defesa do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Na quarta-feira (4), o investigado foi atendido por uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), após apresentar um quadro clínico de ansiedade, com alta de pressão arterial, segundo os advogados.

No pedido feito ao juiz, a defesa de Cerveró anexou laudo assinado pela psicóloga Elizabeth Carneiro, que pede autorização para começar o tratamento dentro da prisão. Os advogados chegaram a pedir a internação dele, mas desistiram.

##RECOMENDA##

"Declaro, para os devidos fins, que Nestor Cerveró é meu paciente há três anos e faz tratamento psicoterápico desde essa época para um quadro de transtorno de ansiedade. Desde o mês de abril de 2014, vem apresentando sintomas depressivos severos, necessitando assim de tratamento psicológico também para essa patologia. Apresenta-se atualmente com depressão maior, sendo extremamente danosa a interrupção do tratamento psíquico", diz a médica no laudo.

Cerveró está na carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba desde 14 de janeiro, em função dos desdobramentos da Operação Lava Jato. Ele foi preso sob a acusação de tentar ocultar seus bens.

De acordo com relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), no dia 16 de dezembro Cerveró sacou R$ 500 mil de um fundo de previdência privada e transferiu o valor para a filha, mesmo tendo sido alertado pela gerente do banco de que perderia 20% do valor. Em junho do ano passado, o ex-diretor da Petrobras havia transferido imóveis para seus filhos, com valores abaixo dos de mercado. Na intepretação do MPF, Cerveró tentou blindar o patrimônio e, por isso, a prisão foi requerida. A defesa nega que os saques tiveram a intenção de se desfazer do patrimônio.

A defesa do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, preso na Operação Lava Jato, pediu à Justiça Federal internação hospitalar. Na petição, os advogados alegam que o médico particular de Cerveró se mostrou preocupado com a saúde do investigado, que tem diabetes e é hipertenso. A internação imediata chegou a ser pedida a um delegado da Polícia Federal (PF), mas o entendimento foi o de que exames preliminares devem ser feitos.

Cerveró está na carceragem da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, e foi atendido na quarta-feira (4) por uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), após apresentar um quadro clínico de ansiedade, com alta de pressão arterial, segundo os advogados.

##RECOMENDA##

Em outro pedido apresentado à Justiça nesta semana, a defesa requereu que o juiz federal Sérgio Moro autorize Cerveró a iniciar um tratamento contra a depressão. Segundo laudo de uma psicóloga particular, ele apresenta sintomas depressivos severos, necessitando de tratamento psicológico.

De acordo com relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), no dia 16 de dezembro, Cerveró sacou R$ 500 mil de um fundo de previdência privada e transferiu o valor para a filha, mesmo tendo sido alertado pela gerente do banco de que perderia 20% do valor. Em junho do ano passado, o ex-diretor da Petrobras havia transferido imóveis para seus filhos, com valores abaixo dos de mercado. Na intepretação do Ministério Público Federal, Cerveró tentou blindar seu patrimônio e, por isso, a prisão foi requerida.

Páginas

Leianas redes sociaisAcompanhe-nos!

Facebook

Carregando