Tópicos | Museu Nacional

Consumido por um incêndio há um ano, o Museu Nacional passa por um processo de restauração e deve ter algumas salas reabertas ao público em 2022 - e deve estar completamente pronto em 2025. A previsão é do diretor da instituição, Alexander Kellner. Ainda este ano, deve começar a restauração da fachada e do telhado. Em setembro do ano que vem, a expectativa é que comece a recuperação do interior do palácio.

Em 2 de setembro de 2018, um domingo, um curto-circuito num aparelho de ar condicionado no térreo do Palácio São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, no Rio, deflagrou um incêndio que consumiu durante seis horas boa parte do acervo do Museu Nacional. Instituição museológica e de pesquisa mais antiga do País, o Museu Nacional tinha acabado de completar 200 anos - o aniversário foi em junho de 2018.

##RECOMENDA##

As chamas consumiram pelo menos 80% do acervo, um dos mais importantes da América Latina nas áreas de ciências naturais e antropológicas. Algumas coleções foram completamente perdidas, como a que reunia 12 milhões de insetos. Os preciosos sarcófagos e múmias da coleção egípcia também foram destruídos pelas chamas, bem como uma parte significativa do material etnográfico de indígenas brasileiros. O icônico trono do rei africano de Daomé, um presente recebido por D. João VI em 1811, não sobreviveu.

"A perda foi muito alta, maior do que esperávamos", avalia Alexander Kellner, ao fazer um balanço do prejuízo um ano depois da tragédia. "Está todo mundo muito chateado, perdemos muita coisa."

Mas, em meio à devastação, houve também boas notícias. A peça mais preciosa do museu, o crânio de Luzia - o fóssil humano mais antigo das Américas, com 12 mil anos -, foi salva, com algumas escoriações passíveis de recuperação. Ossos das múmias egípcias foram recuperados, bem como amuletos feitos em metal que estavam nos sarcófagos. Cerâmicas indígenas foram resgatadas e também fósseis de animais pré-históricos e algumas peças de Pompeia e Herculano.

Os meteoritos que cruzaram a atmosfera para entrar na Terra também sobreviveram intactos às chamas e ao calor. Entre eles, o Bendegó, um dos maiores já encontrados no País, que faz parte do acervo do museu desde 1888, por iniciativa de dom Pedro II.

Algumas coleções, aproximadamente 15%, que não ficavam no Palácio São Cristóvão, foram inteiramente preservadas. É o caso da botânica, de peixes, de mamíferos, de répteis, de anfíbios e da de plantas. Além da biblioteca de obras raras, que também não foi atingida.

Os trabalhos de garimpo nos escombros do incêndio seguem em ritmo acelerado: 50 salas já foram completamente limpas; restando agora apenas 15 a serem garimpadas até o fim deste ano. O telhado provisório já foi instalado, para proteger o prédio das intempéries.

Recursos

Os R$ 16 milhões liberados em caráter de emergência pelo governo federal após o incêndio já foram aplicados: aproximadamente R$ 1 milhão foram para a fachada; R$ 10 milhões seguiram para o reforço da estrutura interna do prédio e da cobertura; e os demais R$ 5 milhões estão destinados à Unesco, para a elaboração do projeto executivo do restauro.

A doação mais substanciosa recebida pelo museu veio da Alemanha: um total de 230 mil euros (cerca de R$ 1 milhão). Outros R$ 350 mil vieram por meio de doações para o SOS Amigos do Museu. As doações foram todas aplicadas no garimpo e resgate das peças dos escombros, segundo Kellner.

Além disso, a Câmara dos Deputados aprovou uma emenda parlamentar apresentada pelos representantes do Rio, destinando R$ 55 milhões para a reconstrução do museu. Desse total, R$ 43 milhões já foram liberados e aguardam licitações por parte da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que é responsável pela administração do museu.

O Museu do Louvre, na França, poderá ceder peças de sua coleção egípcia ao Museu Nacional, do Rio, destruído por um incêndio em setembro. O diretor da instituição brasileira, Alexander Kellner, esteve reunido na terça-feira (4) em Paris com o presidente do museu francês, Jean-Luc Martinez, de quem ouviu a promessa do empréstimo de longo prazo de peças.

"Ele se interessou muito pela situação do museu e prometeu, inclusive, nos fazer uma visita no ano que vem. Ele está muito interessado em saber como anda a reconstrução do Museu Nacional", contou Kellner. "E uma vez que a gente estiver pronto, ele já acenou para a possibilidade de um empréstimo de material do Louvre por longo termo. Estamos muito animados com isso."

##RECOMENDA##

Uma das maiores perdas no incêndio que destruiu a instituição foi justamente parte da coleção egípcia, listada entre as mais importantes do mundo e a maior da América Latina. Grande parte dela foi trazida ao País pelo primeiro imperador do Brasil, d. Pedro I.

De acordo com o catálogo do Museu Nacional, a maior parte do acervo egípcio foi comprada em um leilão, em 1826, pelo monarca. Não há registro preciso sobre a procedência das peças, mas acredita-se que elas tenham vindo de Tebas - onde hoje fica a região de Luxor, no sul do país africano.

Três múmias desta coleção eram consideradas particularmente importantes e se perderam: a de Hori, um alto funcionário da hierarquia egípcia que viveu por volta de 1.000 a.C.; a Harsiese, que também teria um cargo importante e viveu por volta de 650 a.C.; e uma múmia feminina datada do século 1.º, sobre a qual se tem poucas informações. O que a tornava rara e preciosa era a técnica usada para enfaixá-la, envolvendo braços, pernas e dedos das mãos individualmente. A peça considerada a mais importante da coleção, no entanto, era o esquife (caixão) da dama Sha-amun-em-su, ricamente trabalhado. Em 1876, quando visitou o Egito, o imperador dom Pedro II o ganhou de presente e o manteve em seu gabinete até a proclamação da República, em 1889, quando a peça passou a integrar a coleção do Museu Nacional.

Mas nem tudo da civilização antiga se perdeu. Nos meses seguintes ao incêndio, pesquisadores localizaram cerca de 200 itens da coleção egípcia que puderam ser resgatados.

"O material que querem emprestar é variável: peças egípcias, mas também greco-romanas, além de outras coisas que possam interessar a gente", disse Kellner. "É muito legal."

Até abril, o Museu Nacional também havia recebido R$ 150 mil do British Council e cerca de R$ 800 mil - que podem chegar a R$ 4,4 milhões - do governo da Alemanha. A reconstrução do espaço está estimada em cerca de R$ 100 milhões.

Incêndio

O acervo de 12 mil peças do Museu Nacional, ligado à Universidade Federal do Rio, foi consumido pelo fogo em 2 de setembro. Era o mais antigo centro de ciência do País, com 200 anos. O local reunia algumas das mais importantes peças da história natural do País, como Luzia, o esqueleto mais antigo já achado nas Américas.

Em abril, a Polícia Federal apresentou o laudo da investigação do incêndio e apontou como causa mais provável das chamas um curto-circuito em um de ar-condicionado, localizado no auditório do térreo do edifício. A conclusão dos peritos servirá como base ao inquérito da PF para apontar possíveis responsáveis, que poderão responder criminalmente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O incêndio da Catedral de Notre-Dame criou uma onda imediata de solidariedade na França. A situação é bastante diferente do que ocorreu no Brasil, em setembro do ano passado, quando o Museu Nacional foi destruído pelo fogo. Até hoje, a Associação dos Amigos do Museu recebeu R$ 15 mil de pessoas jurídicas e R$ 142 mil de pessoas físicas no Brasil.

A maior doação individual foi de R$ 20 mil e possivelmente teria partido de um cientista ligado ao museu. Do exterior, o Museu Nacional recebeu R$ 150 mil do British Council e cerca de R$ 800 mil - que podem chegar a R$ 4,4 milhões -, do governo da Alemanha. A reconstrução do Museu Nacional está estimada em cerca de R$ 100 milhões.

##RECOMENDA##

"Essa onda de solidariedade na França me deixa agradavelmente surpreso e me dá esperança de que aqui também os milionários brasileiros façam doações. Estamos precisando muito", afirmou o diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner.

"O Brasil não se dá conta disso, mas o que perdemos aqui é muito maior do que o que foi perdido na Notre-Dame. Não estou falando do prédio, mas de uma coleção de 20 milhões de itens, dos mais diferentes países, biodiversidade, animais extintos, múmias, peças de tribos indígenas que não existem mais, é um acervo muito mais importante para a humanidade", disse.

Entre as preciosidades do acervo brasileiro estava o crânio de Luzia, ser humano mais antigo das Américas, com cerca de 11 mil anos, recuperado dos escombros após o fogo. Havia ainda toda uma coleção de múmias egípcias - inteiramente perdida no incêndio.

No caso do Brasil, doações como essas não podem ser deduzidas do Imposto de Renda, como ocorre em diversos países da Europa - a França entre eles.

"Essa é uma questão que o Brasil deveria rever", diz Kellner. "Fiz doutorado nos Estados Unidos e sempre me surpreendeu a vontade do americano de fazer filantropia. Mas eles têm o benefício fiscal." Na França, a isenção fiscal em casos de doações semelhantes pode chegar a 80%. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Uma equipe formada por alunos e recém formados do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPE venceu em 1º lugar o concurso sobre o Museu Nacional do Rio de Janeiro. O concurso, promovido pela Plataforma Modo, convocou projetos sobre um anexo ao Museu Nacional, destruído em um incêndio em setembro de 2018. Os vencedores, Adeiton Feitosa, Bárbara Barbosa, Esdras Alberto e Rafaela Teti, ganharam o prêmio de R$ 2,5 mil e um certificado.

##RECOMENDA##

 

Foto: UFPE/Divulgação

 

O anexo do Museu tem como objetivo ser uma estrutura que sirva de apoio para o desenvolvimento de atividades que eram realizadas pela comunidade científica no espaço do museu e, também, como depósito temporário e laboratório para recuperação dos artefatos.

A MODO é uma plataforma de concursos com iniciativas voltadas à estudantes e jovens arquitetos com até 3 anos de formação. O intuito da plataforma é de desenvolver competições sobre temáticas pertinentes que são representadas pelos participantes em forma de solução arquitetônica com a finalidade de estimular a criatividade e exercitar a habilidade de projeto.

 

Laudo pericial produzido pela Polícia Federal aponta que um curto-circuito causado pelo superaquecimento em um aparelho de ar-condicionado foi a causa do incêndio no Museu Nacional, no Rio, em setembro. O fogo destruiu a maior parte do acervo de 12 mil itens, danificando uma de suas principais peças, o crânio de Luzia. O fóssil, de 12 mil anos, é um dos mais antigos das Américas e mudou as teorias sobre o povoamento do continente. A investigação, até o momento, descarta incêndio criminoso.

O jornal O Estado de S. Paulo teve acesso a trechos do laudo que será um dos elementos que a PF vai levar em consideração para concluir o inquérito aberto sobre o caso. A expectativa é de que o relatório final seja entregue em até duas semanas. Além do laudo, o delegado responsável pela apuração levará em consideração outros tipos de provas colhidas, como depoimentos.

##RECOMENDA##

Para investigar os motivos do incêndio, a PF designou peritos de diferentes especialidades, entre eles um especialista em incêndios originários de instalações elétricas, três especialistas em incêndios de grandes proporções, dois peritos treinados para reconstituição em 3D e outros dois profissionais especializados em perícia em "local de crime", treinados para encontrar vestígios.

Os investigadores reconstruíram o local do incêndio em laboratório para interpretar todos os acontecimentos anteriores ao início do fogo e, também, a dinâmica que levou as chamas a destruir todo o prédio.

No caso do museu, ao reconstruir a cena, segundo uma fonte relatou à reportagem, peritos perceberam que um primeiro sinal de fumaça foi visto em uma sala no segundo andar do prédio onde ficava a reprodução do esqueleto do dinossauro Maxakalisaurus topai. A sala onde o esqueleto do réptil era exposto ficava no segundo andar do prédio. Exatamente abaixo dela ficava o auditório onde estava o ar-condicionado apontado pelo laudo como foco do incêndio.

Conclusão

A atuação dos peritos em casos de incêndio em que é aberta uma investigação criminal se baseia no que é estipulado pelo Código de Processo Penal (CPP). De acordo com a legislação, "os peritos verificarão a causa e o lugar em que houver começado, o perigo que dele tiver resultado para a vida ou para o patrimônio alheio, a extensão do dano e o seu valor e as demais circunstâncias que interessarem à elucidação do fato".

Com base nas informações da perícia e nos outros dados coletados ao longo da investigação, o delegado do caso vai decidir se o incêndio poderia ter sido evitado e se há algum responsável pela condições que resultaram no incêndio. Um dos fatos que serão analisados pelo delegado é se houve negligência por parte da administração.

Embora o incêndio não tenha resultado em mortes, os investigadores apuram se o local tinha condições mínimas de segurança, sinalização de rotas de fuga e extintores de incêndio. Fontes informaram ao Estado que até o momento os investigadores não encontraram nenhum indício de que o fogo possa ter origem em um ato criminoso.

De acordo com um envolvido no caso, não foram encontrados no local qualquer produto químico que pudesse ter sido utilizado para dar início as chamas que destruíram o prédio.

Segundo laudo pericial produzido pela Polícia Federal (PF), o incêndio ocorrido no Museu Nacional, no Rio de janeiro, em setembro de 2018, foi causado por um curto-circuito em um aparelho de ar-condicionado. O fogo destruiu a maior parte do acervo de 12 mil itens do equipamento cultural.

O jornal Estado de São Paulo teve acesso a trechos do laudo que será um dos elementos que a PF levará em consideração na conclusão do inquérito sobre o caso. A previsão é de que o relatório final seja entregue em até duas semanas. Além disso, serão usados outros tipos de prova, como depoimentos.

##RECOMENDA##

Os peritos designados para investigar os motivos do incêndio reconstruíram o local em laboratório para interpretar todos os acontecimentos anteriores ao início do fogo. Foi então que, após relatos de testemunhas, percebeu-se que um primeiro sinal de fumaça foi visto em uma sala no segundo andar do prédio do museu. Exatamente abaixo dessa ficava o ar-condicionado apontado pelo laudo como foco do incêndio. Até o momento, os investigadores não encontraram nenhum indício de que o fogo possa ter origens criminais.

O canal pago National Geography irá exibir um documentário dividido em três partes, chamado “Explore Investigation: O Incêndio no Museu Nacional”. O programa foi gravado nas cidades do Rio de Janeiro, Paraty, Brasília e São Paulo, e mostrará a criação do museu, alguns momentos e encontros históricos e os bastidores do incêndio que queimou a cultura e a história brasileira.

O documentário faz parte da série “Explore Investigation”, e será exibido no Brasil na próxima segunda (27) às 19h45. Depois passa a ser exibido em vários outros países.

##RECOMENDA##

Por Pietro Tenorio

A direção do Museu Nacional anunciou que encontrou o crânio de Luzia, o fóssil humano mais antigo das Américas, com cerca de 11 mil anos, nesta sexta-feira 19.

O anúncio foi feito pela arqueóloga Cláudia Rodrigues, que coordena a escavação dos escombros do museu, que pegou fogo no dia 2 de setembro.

##RECOMENDA##

Claudia informou que o crânio sofreu alterações em razão do incêndio, que consumiu a maior parte do acervo de 20 milhões de itens.

"Nós conseguimos recuperar o crânio de Luzia. É claro que, em virtude do acontecimento, ele sofreu alterações, tem alguns danos. Mas nós estamos comemorando", disse a arqueóloga. "O crânio foi encontrado fragmentado, e a gente vai trabalhar na reconstituição. Pelo menos 80% dos fragmentos foram identificados."

A reconstrução do Museu Nacional do Rio deverá custar de R$ 50 milhões a R$ 100 milhões, segundo o diretor da instituição, o paleontólogo Alexander Kellner. Nesta terça-feira (2), um mês depois do incêndio que destruiu boa parte do Palácio São Cristóvão e praticamente todo o acervo do museu, Kellner contou que já conseguiu entrar nos escombros e tem esperanças de conseguir recuperar intactas algumas peças preciosas que foram "protegidas" pelo colapso de partes do prédio.

"Estou muito esperançoso", afirmou Kellner. "Não sou particularmente otimista, mas acho que vai dar para recuperar muita coisa." Segundo o diretor, algumas áreas do museu foram parcialmente poupadas do fogo por conta de desabamentos. Com isso, acredita, materiais não inflamáveis, como ossos, por exemplo, podem ter resistido. O fóssil de Luzia, de 11 mil anos, o mais antigo das Américas, estava numa dessas áreas colapsadas. A chance de ossos maiores - como os da preguiça gigante - terem resistido é ainda maior.

##RECOMENDA##

O trabalho de escoramento do palácio começou no último dia 21 de setembro e tem por objetivo dar segurança para que agentes da Polícia Federal possam trabalhar na investigação das causas do incêndio e as equipes técnicas comecem a revirar os escombros em busca do que restou do acervo. Técnicas de arqueologia e paleontologia serão empregadas para recuperar os fragmentos.

"Conforme as áreas forem sendo isoladas, vamos entrando para fazer esse trabalho de recuperação do acervo", afirmou o diretor. "No momento, o mais importante é garantir a segurança."

O contrato assinado entre a UFRJ (responsável pela administração do museu) e a Concrejato no dia 21 de setembro para obras emergenciais tem prazo de 180 dias e inclui, além do escoramento do imóvel, a instalação de um teto provisório para proteger os escombros.

"Vamos escorar as paredes, colocar um teto provisório e retirar o entulho", explicou Kellner. "Mas para a recuperação do prédio, precisamos de uma dotação orçamentária, algo de pelo menos R$ 50 milhões." Para ele, em cerca de três anos, já será possível reabrir uma pequena parte do museu. "Talvez uma salinha", disse.

Para o novo acervo, Kellner quer receber doações internacionais. "Nos últimos trinta dias criamos uma comissão internacional para interagir com museus do mundo e buscar novos acervos e doações", contou o reitor da UFRJ Roberto Leher.

Segundo a Diretora da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil, Marlova Jovchelovitch Noleto, o Museu Nacional, que teve a maior parte da estrutura destruída por um incêndio neste mês, tem um backup atualizado em fevereiro de todo o acervo, o que permitirá que, mesmo que não seja possível de ser recuperado, possa ser reproduzido com a ajuda de novas tecnologias - como impressoras 3D.

A informação foi dada durante apresentação da missão oficial da Unesco, que veio ao Brasil em missão de emergência para auxiliar na recuperação do Museu Nacional. O grupo ainda visitará outros seis museus no Rio de Janeiro nesta semana para avaliar a situação de risco em que se encontram seus acervos. O objetivo é elaborar recomendações ao governo federal e às instituições responsáveis por eles para que sejam evitadas tragédias e degradação ou perda de objetos e documentos.

##RECOMENDA##

A missão visitará o Arquivo Nacional e a Biblioteca Nacional. As outras quatro instituições ainda serão selecionadas. "Outra parte da nossa missão inclui a investigação rápida de outros museus no Rio para averiguar riscos e para, eventualmente, lançar um projeto que seja mais inclusivo e para prevenir situações como esta", afirmou a chefe da Missão de Emergência da Unesco para o Museu Nacional, Cristina Menegazzi.

"A ideia é aplicar a metodologia de análise de riscos que a gente já vem aplicando no setor do patrimônio cultural e nos permite avaliar de forma abrangente os riscos que afligem o patrimônio cultural", completou o consultor do Centro Internacional de Estudos para a Conservação e Restauro de Bens Culturais (ICCROM), José Luiz Pedersoli Junior.

Ele e Menegazzi chefiam a missão de emergência no Brasil, que é composta ainda por dois especialistas alemães em recuperação de objetos em situações como a do Museu Nacional. A missão visitou o Museu Nacional na semana passada fez recomendações para ações prioritárias, como a cobertura do prédio para evitar que o sol e a chuva prejudiquem o que está sob os escombros.

Recuperação lenta

Menegazzi afirmou que a recuperação do museu deverá levar anos, principalmente pela complexidade do incêndio. A dificuldade é conseguir separar o que é escombro do que tem valor histórico e científico. "Será um trabalho praticamente de arqueologia", definiu Pedersoli. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O Museu Nacional exibiu hoje (16) uma pequena parte de seu acervo ao público na Quinta da Boa Vista, em tendas montadas em frente ao prédio centenário que foi parcialmente destruído por um grande incêndio há duas semanas. A exibição envolveu a chamada coleção didática, que antes do incêndio era usada em mostras itinerantes do museu e emprestada para escolas.

Essa foi a primeira vez que o Museu Nacional exibiu sua coleção didática ao público desde o incêndio ocorrido em 2 de setembro. Visitantes da Quinta da Boa Vista, parque municipal onde se localiza o museu, tiveram a oportunidade de ver e tocar em animais empalhados, ossos de animais, amostras de rochas e insetos.

##RECOMENDA##

“Nosso objetivo é estar aqui todo domingo e manter essa relação com a população, em permanente contato com o público que frequenta a Quinta da Boa Vista”, disse a educadora museal Andrea Costa.

Aline Souza, que mora perto da Quinta da Boa Vista, aproveitou a exibição para mostrar as peças ao filho de 5 anos, que não teve a oportunidade de conhecer o museu antes do incêndio. “Meu filho chorou quando soube do incêndio, porque ele nunca tinha vindo no museu. E a gente mora aqui do lado, deixou o museu queimar para depois vir”, lamentou.

“O Museu Nacional está vivo e, dentro das circunstâncias que vivemos, estamos nos adaptando para mostrar à população o que estamos fazendo e trazer a população para junto da instituição neste momento tão difícil”, disse o diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner. Ele informou que pretende instalar um contêiner em frente ao prédio para dar informações à população sobre a reconstrução da instituição.

Alexander Kellner afirmou também é preciso esperar a conclusão da estabilização estrutural do edifício atingido pelas chamas no último dia 2 para iniciar o trabalho de resgate do acervo que ainda está dentro do prédio. A garantia da estabilização das estruturas é importante também para que a Polícia Federal conclua sua perícia, segundo Kellner.

“Ainda tem acervo lá dentro que a gente não sabe como está. Mas estou com grandes esperanças [de encontrar itens não afetados pela tragédia]”, afirmou o diretor.

Ele espera que ainda seja possível incluir uma emenda parlamentar para o Museu Nacional no Orçamento da União de 2019. “Para que haja uma quantia vultosa e a gente possa reerguer pelo menos a parte estrutural, que a gente consiga fazer aquelas primeiras obras, como o teto permanente, tubos, cabos, enfim tudo aquilo que um prédio precisa”, disse.

Segundo o diretor, museus e governos de outros países têm entrado em contato com o Museu Nacional para oferecer ajuda. “O que a gente pede enquanto museu é: não nos deem dinheiro, nos deem acervos. Só que nós temos que merecer esse acervo, ter as condições não só dignas mas excepcionais para cuidar desse acervo e nunca mais uma tragédia dessa aconteça”, disse.

 

A Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil do Rio (Subpdec) desinterditou nesta sexta-feira, 14, o prédio do Museu Nacional, localizado na Quinta da Boa Vista, na zona norte do Rio de Janeiro, que foi atingido por um incêndio no início do mês. De acordo com a Subdec, uma equipe de engenheiros da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que tem a gestão do local, assumiu a responsabilidade técnica pelo prédio histórico.

A partir de agora, caberá à equipe de engenheiros da universidade a realização de serviços emergenciais, de prevenção e estabilização da edificação. O Museu Nacional foi cercado por tapumes nesta semana como forma de impedir o acesso ao local.

##RECOMENDA##

Nas próximas semanas, receberá serviços de escoramento e cobertura provisória. A previsão é de que as obras de reconstrução aconteçam apenas no ano que vem.

Alemães

Dois alemães especialistas em prevenção e gestão de desastres devem chegar ao Rio de Janeiro neste sábado, 15, para auxiliar nas pesquisas dos escombros do Museu Nacional.

Ulrich Fischer e Nadine Thiel lideraram os trabalhos de resgate e preservação de documentos e itens do Arquivo Público da cidade alemã de Colônia, que desabou em 2009. Em 3 de março daquele ano, o arquivo histórico, com seis andares, desabou em consequência de uma inundação subterrânea no túnel de uma linha de metrô em construção.

Após essa experiência, Fischer e Nadine fundaram juntos uma rede de apoio, voltada principalmente para a preservação de documentos, que hoje reúne 24 arquivos e bibliotecas de Colônia para discutir e implementar estratégias na gestão de riscos.

Os dois alemães vão se juntar à missão da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco, na sigla em inglês) que já está no Rio e é liderada pela italiana Cristina Menegazzi. O grupo vai atuar em cooperação estreita com as autoridades brasileiras na tentativa de recuperar alguma parte do acervo do Museu Nacional.

A viagem dos alemães ao Rio é financiada pelo Ministério Federal das Relações Externas da Alemanha e é parte da ajuda emergencial de até 1 milhão de euros (R$ 4,85 milhões) oferecida ao Brasil pelo governo alemão após o incêndio.

Unesco

O grupo da Unesco realizou na manhã de sexta sua segunda visita ao Museu Nacional. A primeira havia ocorrido na quinta-feira, 13. Eles analisaram o prédio sem ingressar nele.

A juíza 27ª Vara Federal do Rio, Geraldine Pinto Vidal de Castro, negou o fechamento de seis museus federais que, segundo o Ministério Público Federal, estão sem alvará expedido pelo Corpo de Bombeiros. A magistrada afirma ver "prejuízo maior" em "medida drástica" como as interdições "tanto para a população em geral quanto para os funcionários".

O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro (RJ) moveu ação para a interdição imediata do Museu da República, Museu Nacional de Belas Artes, Museu Histórico Nacional, Museu Villa-Lobos, Museu da Chácara do Céu e Museu do Açude até que medidas de prevenção contra incêndios e pânico sejam implementadas.

##RECOMENDA##

Segundo o MPF, o "objetivo da ação destina-se a promover a elaboração e a implementação de plano de segurança de incêndio e antipânico, contemplando todos os aspectos que garantam a segurança elétrica e hidráulica, a fim de salvaguardar a integridade física de visitantes e funcionários, bem como o patrimônio histórico e cultural integrantes das unidades museológicas".

No entanto, a juíza acolheu parcialmente o pedido liminar da Procuradoria. Ela determinou que o "Ibram - Instituto Brasileiro de Museus - comprove as ações já realizadas no Programa de Gestão de Riscos ao Patrimônio Musealizado Brasileiro, no tocante à preservação e segurança dos acervos dos museus a ele vinculados, notadamente quanto à implementação e resultado de medidas já adotadas, e cronograma de ações para a regularização do funcionamento de cada um dos museus".

E ainda determinou que os órgãos públicos federais "conjunta e solidariamente promovam e ultimem inspeções nas edificações em referência, com a elaboração de laudos técnicos conclusivos acerca das atuais condições das respectivas instalações elétricas e hidráulicas, por meio de instituições públicas ou empresas contratadas, com a adoção imediata das medidas necessárias emergenciais a garantir a adequação aos requisitos mínimos de segurança contra incêndio e pânico".

A instalação de tapumes no entorno do Palácio de São Cristóvão, sede do Museu Nacional, teve início na manhã de hoje (11), para garantir um perímetro de segurança na área. O palácio e a maior parte do acervo guardado nele foram destruídos por um incêndio no início do mês. A Polícia Federal investiga as causas da tragédia.

Segundo o diretor do museu, Alexander Kellner, a instalação deve demorar alguns dias e vai garantir que curiosos ou criminosos não invadam o interior do palácio. "Há uma preocupação com o acervo. Infelizmente, quando ocorrem catástrofes assim em outros países, pessoas que não têm sensibilidade querem entrar para ter algum ganho pecuniário".

##RECOMENDA##

Na manhã de hoje, um homem foi detido por pichar a estátua de Dom Pedro II, que fica em frente ao Palácio.

O diretor disse ainda que espera se reunir com a Prefeitura do Rio de Janeiro para discutir a segurança da Quinta da Boa Vista, parque municipal onde fica o Museu Nacional. Outro assunto que deverá estar na pauta é a elaboração de propostas de atividades externas para manter a proximidade com a população e visitantes, durante o período em que o Museu ficará fechado para obras.

Entre o acervo que ficaria em uma possível exposição externa, na Quinta, está parte das peças que já foi resgatada, além de outras que estavam guardadas em áreas não atingidas pelo incêndio.

Kellner disse ainda que já está em planejamento uma forma de cobrir o museu, cujas lajes desmoronaram com o incêndio. Sem essa cobertura, o acervo que está sob os escombros pode ser ainda mais danificado pela chuva.

O trabalho de resgate das peças que podem ser salvas dos escombros ainda depende da liberação pela Polícia Federal.

Agência dos Museus

O diretor do museu disse não ter se debruçado sobre a medida provisória, assinada ontem, que criou a Agência Brasileira de Museus (Abram). A decisão do presidente Michel Temer transferiu para a nova agência a gestão de 27 museus e delegou a ela a responsabilidade pela reconstrução do Museu Nacional.

"Neste momento, o paralelo que eu faço é o de uma mina que desabou sobre pessoas. Existem pessoas lá dentro que precisam ser resgatadas. O que eu preciso fazer? Concentrar esforços no resgate ou discutir o código da mineração?", disse Kellner, que afirmou não ser contra negociar parcerias com a iniciativa privada. "Vejo com bons olhos a iniciativa privada auxiliando instituições museais".

A reconstrução do Museu Nacional, que foi consumido por um incêndio há oito dias, deverá iniciar apenas no próximo ano. Equipes técnicas do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e da Unesco irão se reunir esta semana para começar a elaborar o projeto de restruturação. No entanto, até o fim do ano os trabalhos serão focados apenas na manutenção da estrutura que sobrou e no resgate do acervo que ficou sob os escombros.

"Este plano de reconstrução ainda tem várias questões técnicas a serem debatidas. É um prédio tombado pelo Iphan, então nada pode ser feito sem a concordância do instituto", ressalta Wagner Wilian Martins, diretor administrativo do Museu Nacional, completando: "Há questões bastante delicadas, se a gente vai reconstruir o prédio como ele era, se a gente vai fazer alguma coisa diferente, se a gente vai utilizar materiais modernos..."

##RECOMENDA##

Nesta segunda-feira, 10, terá início a instalação de tapumes no entorno do Museu Nacional, que fica na Quinta da Boa Vista, zona norte do Rio. A intenção é garantir o cercamento da área e impedir o acesso ao local de pessoas não autorizadas.

Nos próximos dias, uma empresa será escolhida para fazer o escoramento do prédio e colocar uma cobertura provisória. A medida é necessária para que equipes de arqueólogos e outros profissionais comecem os trabalhos em busca de recuperação do acervo que está debaixo dos escombros.

Na terça, técnicos do Iphan e do Ibram deverão se reunir para iniciar o planejamento de reconstrução do museu. Uma equipe da Unesco também deve chegar ao Rio para participar das discussões ainda nesta semana.

Martins diz que não há prazo para que o planejamento esteja pronto, mas ele acredita que ao menos um esboço esteja concluído em até duas semanas. A reconstrução do Museu Nacional, contudo, ficará apenas para o ano que vem.

"Não se consegue imaginar nada ainda este ano. Este ano vai ser focado na questão da estabilidade da estrutura, para evitar maiores danos, e na questão da recuperação de acervo, que é lenta. A própria perícia da Polícia Federal já tem aviso de que não vai ser rápida", afirma o diretor.

 O Museu Nacional do Rio de Janeiro, na Quinta da Boa Vista, começa a receber amanhã (10) tapumes em seu entorno para que sejam iniciadas as obras de contenção e outros procedimentos para manter a estrutura do palácio segura.

Há uma semana, o prédio foi atingido por um incêndio de grandes proporções que destruiu a maior parte de seu acervo de 20 milhões de itens. Neste domingo (9), o acesso aos jardins do palácio já estava fechado para a imprensa.

##RECOMENDA##

A vice-diretora do Museu Nacional Cristiana Serejo confirmou à Agência Brasil que, na próxima terça-feira (11), começam a chegar no Rio técnicos da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) que vão auxiliar nos trabalhos. De acordo com Roberto Leher, o reitor da UFRJ, instituição a qual o Museu é vinculado, a Unesco ofereceu especialistas que já trabalharam em tsunamis e outros desastres para ajudar na remoção dos escombros. 

Com a colocação dos tapumes, começam as obras de contenção e outros procedimentos para manter a estrutura do palácio segura e permitir mais buscas nos escombros na tentativa de localizar peças do acervo que tenham escapado do fogo. Uma equipe de especialistas, sob o comando de arqueólogos do museu realizará esse trabalho, com apoio de engenheiros contratados para garantir a segurança nos escombros.

De acordo com Cristiana, o grupo de especialistas é formado também por museólogos do Instituto Brasileiros de Museus (Ibram) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e já está trabalhando no interior do prédio.

Ela explicou que os trabalhos ocorrem em duas frentes: uma estrutural e uma de resgate do acervo. A expectativa é de que no decorrer dessa semana, sejam liberados R$ 10 milhões do Ministério da Educação para ações emergenciais na segurança do prédio. A UFRJ já está fazendo um termo de referência, com a relação dos serviços mais necessários nessa etapa emergencial.

Segundo Cristiana Serejo, o museu vai aceitar também doações de outras instituições. Contatos com essa finalidade já estão sendo feitos pela direção do museu. “O Museu Nacional está tentando se organizar”, afirmou a vice-diretora.

O dia de sol e ainda com feriado de 7 de setembro atraiu o público para a Quinta da Boa Vista, na zona norte do Rio, mas não apenas para fazer piquenique, andar de caiaque ou de pedalinho no lago, como de costume para muitas famílias que procuram o parque para se divertir. Nesta sexta-feira, muita gente foi ao local por causa do Museu Nacional, atingido por um incêndio que destruiu a maior parte do seu acervo de 20 milhões de peças.

Em frente à entrada do museu, uma manifestação denunciava a falta de investimentos do país em ciência e tecnologia. O diretor da Associação dos Institutos de Pesquisa do Ministério de Ciência, Tecnologia e Informação do Rio de Janeiro, José Benito disse que o ato foi organizado por um conjunto de entidades da área de educação, memória e ciência e tecnologia. Além da questão da falta de recursos para essas áreas, segundo ele, a manifestação também era para chamar a atenção para a ausência de concursos.

##RECOMENDA##

“A Ciência e a Tecnologia brasileiras estão morrendo por causa desses dois pés. A gente não tem verba e o que a gente viu aqui no Museu Nacional, apesar de tudo que está sendo dito, é isso e a falta de concursos públicos. Boa parte das pesquisas estão morrendo por causa disso. A gente já tinha algumas dessas instituições, principalmente, do Rio de Janeiro, reunidas em uma campanha chamada SOS Ciência e Tecnologia. Com a tragédia de domingo, procuramos companheiros do Museu Nacional e agregamos outras entidades e sindicatos e resolvemos fazer esse ato em solidariedade ao Museu Nacional e contra o projeto de destruição da Ciência e Tecnologia”, disse.

A professora da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisadora do CNPq Fernanda Sanches disse que é preciso transformar o luto em luta pela reconstrução da memória. Segundo a professora, é preciso ter o reconhecimento de um trabalho ético e importante da pesquisa no Brasil: “Considero muito bem-vindas as contribuições de pesquisadores e de museus de outros países, mas é absolutamente importante garantir o Museu Nacional como uma instituição de pesquisa e produção de conhecimento dentro da universidade pública em um projeto de ensino público e gratuito de qualidade”.

Integraram ainda o ato associações dos servidores do Arquivo Nacional, do Instituto Nacional do Câncer, de professores das universidades federais do Rio de Janeiro e Fluminense, Sindicato Nacional dos Funcionários da Fundação Oswaldo Cruz, associações e o coletivo Ocupa Baixada, entre outros.

Visita

A psicanalista Elzilaine da Silva, de 40 anos, recebeu logo cedo um convite da filha Cecília, de 5 anos. A menina queria ir à Quinta visitar o museu. Apesar de morarem em Duque de Caxias, na Baixada Fluminentes, a mãe contou que as duas vão, pelo menos uma vez por mês, se divertir no parque. Elzilaine repete com Cecília uma programação que costumava fazer junto da família, quando era criança, que incluía visitas ao Museu Nacional. “A gente fica muito mexida com o que aconteceu, porque o Museu é como se fosse um quintal de casa. Mesmo morando longe, a gente pega o trem e em 40 minutos está aqui. Estou muito sentida porque a minha infância toda eu passei aqui. Fazia piquenique com meus pais e meus irmãos e agora venho com a minha filha”, disse com a voz embargada.

Cecília, segundo a mãe, gostava muito de visitar o Museu. “Ela conhecia tudo aí dentro, cada cantinho. A gente tem várias fotos guardadas em casa”, revelou.

A menina disse que gostava de tudo que tinha dentro do museu, mas a sala com os móveis da família real chamava especial atenção, assim como a dos dinossauros que, mesmo muito grandes, ela achava “bonitinhos”. Cecília espera que o Museu seja reconstruído logo para que ela possa voltar a visitar o local.

Jeferson Oliveira, de 41 anos, mora em São Paulo e acompanhado da filha Maria Eduarda, de 11 anos, aproveitou o feriado para vir ao Rio e ver como ficou o Museu, que ele conheceu quando tinha 15 anos. “Foi uma judiação queimar tudo isso. É um lugar histórico para o Brasil”, contou, dizendo que viu em casa a notícia sobre o incêndio e ficou triste.

Maria Eduarda está na 5ª série e apesar de nunca ter ido ao Museu fez questão de conhecer o local. “Eu achei triste o incêndio porque a história do Brasil foi perdida”.

Missa

Em homenagem ao Museu, às 12h, foi celebrada uma missa na Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, no centro do Rio, em uma iniciativa do pároco Silmar Fernandes. A ideia foi chamar atenção para a instituição após o impacto do incêndio. Também hoje pela manha, equipes do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, voltaram ao prédio porque, segundo relatos, foram detectados alguns focos de fogo no local. Os bombeiros passaram cerca de 50 minutos no local e saíram, depois de constatarem que não havia mais sinais de fogo nos escombros.

O presidente Michel Temer estuda editar uma medida provisória para retirar o Museu Nacional da alçada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), depois que empresários e banqueiros demonstraram preocupação com a gestão da entidade. Na quarta-feira (5), em reunião com presidentes de empresas e representantes de bancos públicos e privados, Temer fez um apelo para que participem da composição de fundos a serem criados para a reconstrução do museu e manutenção do patrimônio histórico e cultural.

A ideia da MP foi discutida no encontro e os empresários reclamaram da governança e da gestão dos museus e das instituições culturais do País. A ideia de retirar o Museu Nacional da UFRJ foi apresentada como uma contrapartida. O governo, no entanto, ainda não definiu os termos da medida. A ideia é passar a gestão do museu para o governo federal, provavelmente sob os cuidados do Ministério da Educação.

##RECOMENDA##

Na terça-feira, os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, da Educação, Rossielli Soares, e da Cultura, Sérgio Sá Leitão, criticaram a gestão da UFRJ. Em entrevista coletiva depois da primeira reunião feita pela cúpula do governo após a tragédia, os ministros afirmaram que não faltaram recursos para a instituição e, por decisão da universidade, os repasses para o museu diminuíram ao longo dos anos.

A reitoria da universidade rebateu o governo e disse que houve falta de verbas para a manutenção adequada do prédio histórico, do século 19. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O incêndio no Museu Nacional, que aconteceu domingo na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, e destruiu cerca de 90% dos itens guardados, reforçou a importância da digitalização de acervos históricos, afirmam especialistas, tanto para fins de pesquisa quanto de preservação das informações - e até mesmo dos próprios artefatos, em versão virtual.

É o que vêm fazendo pesquisadores do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) com centenas de crânios, esqueletos e outros artefatos escavados da região de Lagoa Santa (MG), um dos principais sítios arqueológicos do Brasil. As peças são escaneadas em tomógrafos de alta resolução, para produzir réplicas virtuais tridimensionais, que podem ser estudadas online e até materializadas em impressoras 3D. "Hoje fazemos isso de forma sistemática; mesmo que não haja um projeto de pesquisa associado às peças", diz o arqueólogo André Strauss, professor do Museu de Arqueologia e Etnologia e pesquisador associado do Laboratório de Arqueologia e Antropologia Ambiental e Evolutiva (Laaae) do IB-USP. "A proposta inicial é fazer um backup virtual mesmo."

##RECOMENDA##

O trabalho começou em 2010 e veio bem a calhar dois anos depois, quando um crânio de Lagoa Santa se quebrou no laboratório e, graças à digitalização, foi possível imprimir uma réplica perfeita. As tomografias são feitas semanalmente na máquina do Hospital Universitário, com resolução de 0,6 milímetro. Peças menores, como dentes e anzóis, são escaneadas no tomógrafo do IB-USP, com resolução de 0,009 mm, que permite reproduzir cada detalhe em altíssima definição.

"A grande vantagem do digital é que o pesquisador não precisa ficar manuseando o material com tanta frequência", diz o dentista e bioantropólogo Rodrigo Elias, que coordena os trabalhos de digitalização no Laaae. "Para muitas pesquisas, só o digital é suficiente."

Os pesquisadores enfatizam, porém, que a digitalização não diminui a importância das peças originais, tanto pelo seu valor histórico quanto científico. "Algumas análises só podem ser feitas com o material original", diz Strauss. Por exemplo: análises de DNA que ele espera - ou esperava - poder realizar um dia no famoso crânio de Luzia, que pode ter sido destruído no incêndio do Rio.

O Museu Nacional guardava milhares de relíquias arqueológicas da pré-história brasileira, incluindo crânios e esqueletos de centenas de indivíduos de Lagoa Santa. Entre eles, Luzia, de 11,5 mil anos, um dos crânios humanos mais antigos das Américas. Ele estava digitalizado; mas o resto da coleção, não.

Procurado, o museu afirmou que vinha fazendo um esforço de digitalização de suas coleções, mas não havia uma estimativa consolidada do quanto já foi digitalizado.

Biodiversidade - Também no prédio destruído pelo incêndio estavam milhões de exemplares de insetos e outros animais, coletados por todo Brasil ao longo dos últimos dois séculos. Coleções como essas são a base de todo o conhecimento sobre a biodiversidade do planeta, usadas para a descrição de espécies e uma variedade de estudos ecológicos e evolutivos. Parte desses acervos nacionais vem sendo digitalizada há anos, por meio de grandes projetos como o speciesLink e o Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr).

O speciesLink, lançado em 2001, acumula mais de 9 milhões de registros digitais, de 480 coleções de fauna e flora. O SiBBr tem quase 10,5 milhões de registros, representando 155 mil espécies. Mas não é possível dizer o quanto isso representa do total de acervos biológicos no Brasil. "A maior parte das coleções está em situação precária. Muitas não têm curador", diz Carlos Joly, coordenador do Programa Biota Fapesp, que deu origem ao speciesLink. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A Polícia Federal (PF) continua nesta quinta-feira, 6, os trabalhos de perícia no Museu Nacional. A expectativa é de que a perícia seja concluída até domingo, dia 9. Na segunda-feira, 10, segundo a vice-diretora do museu, Cristiana Serejo, deve começar o trabalho de escavação e pesquisa dos escombros.

Nesta quinta-feira, o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher, se reuniu com técnicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para debater os trâmites da liberação de um financiamento de R$ 21,7 milhões contratado em 6 de junho para obras no Museu Nacional. Após o incêndio que destruiu o prédio no último domingo, 2, agora o dinheiro deve ser usado para a reconstrução também na recuperação de parte do acervo.

##RECOMENDA##

Em discurso durante uma plenária realizada na frente do museu, para comemorar os 98 anos da UFRJ, Leher criticou o que classificou como "politização do debate sobre o incêndio": "O museu não é um lugar de objetos interessantes, é um lugar de pesquisa e produção de conhecimento. Não se pode ter racionalidade mercantil (para administrá-lo), porque o museu é acadêmico", afirmou. "Argumenta-se que temos aversão a buscar recursos no setor privado, pela Lei Rouanet. Nós apresentamos projetos: prevenção de incêndio e pânico, reforma do telhado e outros. Pedimos R$ 17 milhões, conseguimos R$ 1 milhão. Não é verdade que o setor privado não teve oportunidade de ajudar o museu", afirmou.

"Queremos que (a reconstrução) entre no Orçamento da União, não vamos aguardar doações, isso tem que ser assegurado pelo Poder Público. Vamos ter apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram)", afirmou.

O diretor do Museu Nacional, Alex Kellner, também criticou a politização do debate sobre o museu. "A gênese do nosso País está aqui, neste prédio. Não é hora de discutir modelo de gestão, é hora de reconstruir", afirmou. "(Este momento) Está doendo muito", resumiu.

Na manhã desta quinta-feira, pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da UFRJ (Coppe-UFRJ) usaram drones para sobrevoar o prédio e até mesmo ingressar em salas, na tentativa de identificar peças que tenham resistido ao incêndio.

Páginas

Leianas redes sociaisAcompanhe-nos!

Facebook

Carregando