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A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que fabrica no Brasil as doses da vacina contra a covid-19 desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, vai interromper por ao menos dez dias a entrega de vacinas ao Programa Nacional de Imunização (PNI).

As entregas eram semanais.

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O atraso vai ocorrer porque, no mês de agosto, a Fiocruz não recebeu a quantidade esperada do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Bahia verificaram que a diabetes induz uma inflamação nas células circulantes do sistema imunológico com aumento da expressão dos genes ACE2 e ALOX5, tornando-as mais propensas à invasão do novo coronavírus, o Sars-CoV-2.

“Os pesquisadores também observaram o aumento do leucotrieno B4 (LTB4) nas células sanguíneas desses pacientes, um mediador lipídico associado a alterações como inflamação e comprometimento da cicatrização na diabetes, indicando que o LTB4 pode ser um mediador que aumenta o risco de covid-19 grave em indivíduos com a comorbidade e um dos causadores da resposta inflamatória sistêmica mais pronunciada. Estes pacientes requerem cuidados intensivos com mais frequência devido à lesão pulmonar”, diz a Fiocruz.

Os resultados da pesquisa foram publicados na Diabetes, uma das revistas científicas mais importantes do mundo sobre o tema.

No estudo, as taxas de mortalidade foram semelhantes entre pacientes com covid-19 com ou sem diabetes, mas a gravidade foi maior nos indivíduos com a doença, assim como a redução da saturação de oxigênio e o aumento significativo da duração da covid-19.

Para avaliar o papel da inflamação crônica de baixo grau no agravamento da covid-19 em pessoas com diabetes, os pesquisadores analisaram dados clínicos e amostras de sangue de pacientes com e sem diabetes internados com o Sars-CoV-2. Segundo a instituição de pesquisa, embora se saiba que a diabetes é um fator de risco para covid-19, ainda se desconhecem os mecanismos envolvidos na evolução da doença em indivíduos com esta comorbidade.

Os cientistas da Fiocruz ressaltaram que, levando em conta que cerca de 463 milhões no mundo vivem com a diabetes e que a covid-19 é altamente transmissível, é urgente a necessidade de identificação de mecanismos que previnam a infecção nesse grupo de pessoas.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) recebeu na manhã de hoje (30) mais um carregamento do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) usado para a a fabricação da vacina Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19.

A remessa chegou às 5h50 da manhã ao Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro e foi levada para a fábrica do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz). 

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A Fiocruz calcula que o IFA recebido hoje poderá ser usado para produzir 4,7 milhões de doses da vacina. Apesar disso, as instalações de Bio-Manguinhos devem continuar operando abaixo de sua capacidade total, já que a disponibilidade do insumo é menor que a capacidade produtiva do instituto.

Desde o início do ano, a fundação já entregou 91,9 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). Foram entregues 4 milhões de doses importadas da Índia e 87,9 milhões produzidas em Bio-Manguinhos.

Dois dos principais centros de ciência e pesquisa do país, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Butantan acabam de se tornar Patrimônio Nacional da Saúde Pública. Foi publicada nesta sexta-feira (27), no Diário Oficial da União, a Lei 14.196, de 2021, que cria o título a ser concedido a instituições públicas e privadas sem fins lucrativos prestadoras de relevantes e notórios serviços à saúde pública.

O título também poderá ser concedido, a partir de resolução do Congresso Nacional, a outras instituições que atuem há no mínimo 70 anos no desenvolvimento de atividades de cunho técnico, científico, educacional, assistencial e de participação social na promoção, proteção e recuperação da saúde, em âmbito público e comunitário. É necessário também que tenham “indiscutível e notório” reconhecimento público e social.

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A partir da concessão do título, as instituições homenageadas poderão ter preferência, conforme regulamento, em processos seletivos de compra de bens e serviços, em fomento social nas suas áreas de atuação e na obtenção de linhas de crédito público, tudo em igualdade de condições.

Da mesma forma, essas instituições terão preferência na liberação de emendas parlamentares que lhes tenham sido concedidas. Pela Lei 14.196, a dissolução das instituições intituladas Patrimônio Nacional da Saúde Pública só poderá ocorrer após audiência pública para discussão de sua necessidade e oportunidade.

O título foi criado por iniciativa do Congresso. Durante a tramitação do projeto de lei (PL 2.077/2019), de autoria do deputado federal Jorge Solla (PT-BA), a concessão dos títulos à Fiocruz e ao Butantan foi acrescentada por emendas.

Vacinas

Presente em dez estados, a Fiocruz comemorou em janeiro 121 anos. A instituição firmou em 2020 acordo com a biofarmacêutica AstraZeneca para produzir, no Brasil, a vacina contra o coronavírus desenvolvida pela Universidade de Oxford.

Considerado o principal produtor de imunobiológicos do Brasil, o Instituto Butantan, com 120 anos, tem acordo com a farmacêutica chinesa Sinovac para a fabricação da CoronaVac. O instituto trabalha também para a produção e desenvolvimento da vacina ButanVac.

Para a senadora Leila Barros (Cidadania-DF), relatora da matéria no Senado, a iniciativa é louvável e muito bem-vinda, ao reconhecer entidades que prestam relevantes serviços à saúde. Ela enfatizou que a Fiocruz e o Butantan representam patrimônios nacionais.

*Da Agência Senado

Uma nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta a interrupção da queda do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no País e sugere que há uma retomada do crescimento. Atualmente, 98% dos casos de SRAG são causados pela Covid-19. O boletim foi divulgado nesta quinta-feira, 26. É referente à semana epidemiológica de número 33, de 15 a 21 de agosto.

Segundo o levantamento, nove unidades da Federação apresentam tendência de crescimento do número de casos a longo prazo. São elas: São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. De acordo com o boletim, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Sergipe apresentam sinais fortes de crescimento. A situação se repete em onze capitais, entre elas Rio e São Paulo.

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Outros sete Estados apresentam sinal de crescimento a curto prazo. São eles Alagoas, Bahia, Ceará, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba e Tocantins.

"Nos Estados em que há sinal de crescimento apenas na tendência de curto prazo, deve-se interpretar como sinalização de possível interrupção de queda, com tendência de crescimento a ser reavaliada nas próximas semanas", disse o coordenador do InfoGripe, o pesquisador Marcelo Gomes.

O pesquisador pede "cautela em relação a medidas de flexibilização das recomendações de distanciamento para redução da transmissão da covid-19 enquanto a tendência de queda não tiver sido mantida por tempo suficiente para que o número de novos casos atinja valores significativamente baixos". Ele ressalta também a necessidade de "reavaliação das flexibilizações já implementadas em alguns Estados com sinal de retomada do crescimento ou estabilização ainda em patamares elevados".

O boletim revela também que os indicadores de transmissão comunitária do Sars-CoV2 encontram-se em nível alto ou superior em todas as capitais. Em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Campo Grande, Curitiba e Goiânia o nível é extremamente alto.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou nesta quarta-feira (25), que ao longo da última semana epidemiológica (de 15 a 21 de agosto) o Brasil manteve a queda de diversos indicadores da pandemia da Covid-19. Após o pico de casos e óbitos ocorrido de março a maio de 2021, a incidência do novo coronavírus vem caindo, acompanhada pela queda de mortalidade.

No entanto, a Fiocruz alerta que a alta taxa de positividades dos testes, somada ao crescimento da variante Delta, pode favorecer a formação de um patamar elevado de transmissão por um longo período no país, ainda com a redução de mortes com o avanço da vacinação. 

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A entidade alerta que a cobertura vacinal no Brasil caminha a passos lentos, com uma média de 1 milhão de doses aplicadas por dia. 

"Aliado a isto, há também uma retomada da circulação de pessoas nas ruas, em padrão próximo ao anterior à pandemia. A pandemia ainda persiste e um comportamento de atividades em níveis pré-pandêmicos, junto a um relaxamento das medidas de prevenção por parte de pessoas e gestores, contribui para a alta propagação do vírus", alerta. 

A fundação salienta que a vacinação completa é importante para evitar o aumento no número de pessoas acometidas pela Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), principalmente as pessoas mais idosas. Inclusive, está em discussão a necessidade de reforço da vacinação.

"Será muito importante acompanhar estudos clínicos e epidemiológicos, em andamento no Brasil e no mundo, bem como a necessidade de, simultaneamente, ampliar a cobertura vacinal aos grupos mais jovens, grávidas e puérperas", assevera a Fiocruz.

Indo de encontro ao que se vem sondando pelo Ministério da Saúde e, principalmente, pelo presidente Jair Bolsonaro - que reforça a intenção de desobrigar os cumprimentos dos protocolos sanitários -, a entidade alerta para a necessidade da manutenção da proteção.

"Permanecem como fundamentais o uso de máscaras, principalmente em ambientes fechados, a higienização das mãos com frequência e a manutenção de distanciamento físico, evitando-se completamente aglomerações. Esses cuidados são necessários para que se contenha a transmissão do vírus e se evite o surgimento e a circulação de novas variantes", pontua o boletim.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) entrega nesta sexta-feira (20) ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), mais 3,9 milhões de doses da vacina contra Covid-19 da AstraZeneca. O imunizante é produzido no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos).

Do total de doses, 308 mil são destinadas ao Rio de Janeiro e as demais serão distribuídas aos demais estados pelo Ministério da Saúde, de acordo com a Fiocruz.

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Com a remessa de hoje, a Fiocruz atinge a marca de 88,4 milhões de doses entregues ao PNI, das quais 84,4 milhões foram produzidas em Bio-Manguinhos e 4 milhões importadas do Instituto Serum, que fica na Índia.

De cada dez mortos pela Covid-19 no Brasil atualmente, quase sete são idosos, segundo novo boletim do Observatório Covid-19 da Fiocruz, divulgado na noite desta quinta-feira (19). O avanço da vacinação entre as pessoas mais jovens e o fato de o vírus continuar circulando intensamente no País explicam o fato de o segmento mais vulnerável da população voltar a representar a maior parte dos óbitos pela infecção, mesmo com duas doses de vacina. O texto também confirma que pela 8ª semana consecutiva foi observada redução do número de casos, internações e óbitos no País. O Rio, contudo, vai em direção inversa à tendência.

A proporção de idosos entre o total de internações pela covid já esteve em 27,1% na semana 23. entre 6 e 12 de junho. Agora, nas semanas 31 e 32, de 1º a 14 de agosto, o porcentual é de 43,6%. No caso dos óbitos, comparando com a mesma semana 23, o salto foi de 44,6% para 69,2%, mostrando claramente a reversão da tendência anterior, que era de rejuvenescimento da pandemia. "Com relação aos óbitos, a mudança é mais dramática: há novamente uma concentração de óbitos nas idades mais longevas, com completa reversão da transição da idade ocorrida nos meses anteriores", informa o novo boletim.

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Isso não quer dizer que os imunizantes não funcionem, como frisam sempre os especialistas. Pelo contrário, a vacinação reduz significativamente o número de casos graves e óbitos. Nenhuma vacina, porém, é 100% eficaz. Diante da alta circulação do vírus, é esperado que o número de casos e mortes aumente proporcionalmente na faixa etária mais vulnerável. Além disso, é natural que a imunidade caia após alguns meses da vacinação. Por isso, cientistas pedem mais atenção às medidas de prevenção.

O aumento de infecções e óbitos entre idosos já vacinados - como foi o caso do ator Tarcísio Meira, que morreu aos 85 anos na semana passada - levou o Ministério da Saúde a avaliar a aplicação de uma 3ª dose em grupos mais vulneráveis, como idosos. Na quarta-feira, 18, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou que o governo federal considere essa estratégia para quem tomou a Coronavac.

Em geral, em todo o País, os casos e óbitos pela covid vêm caindo de forma sustentada nas últimas oito semanas. A taxa de mortalidade geral do Brasil diminuiu 0,9% ao dia. A taxa de incidência de casos de covid foi reduzida em 1,5% diariamente. A exceção, no entanto, é o Rio, onde avança a variante Delta, que é mais transmissível. No Estado, a ocupação dos leitos hospitalares destinados à infecção está em 70%. E já chega a 92% na capital. "A sensação artificial de que a pandemia acabou é a responsável por um relaxamento das medidas de prevenção", alertam os pesquisadores.

O Boletim InfoGripe, da Fiocruz, divulgado nesta quarta-feira, 18, aponta um cenário de interrupção na queda do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e possível retomada do crescimento. Atualmente, quase todos os registros de Srag são causados pela covid-19. As capitais de São Paulo e Rio, entre outras, apresentam tendência de aumento a longo prazo.

O trabalho se refere à semana epidemiológica número 32, de 8 a 14 de agosto, e tem como base de dados o Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe). Segundo o levantamento, oito capitais apresentam tendência de aumento do número de casos a curto prazo. Elas são Belém, Boa Vista, Campo Grande, Cuiabá, Goiânia, Macapá, Maceió e Palmas. Outras quatro, além de Rio e São Paulo, têm tendência de crescimento a longo prazo. São Curitiba, Florianópolis, Fortaleza e Porto Alegre.

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Outro indicador do novo InfoGripe é o de transmissão comunitária. Além de apresentar sinais claros de interrupção de queda e começo de crescimento em diversos locais, os valores semanais em todo o País seguem elevados.

Todos os Estados apresentam pelo menos uma macrorregião com níveis de transmissão extremamente elevado, alto ou superior. As cidades de São Paulo e Rio de Janeiro estão na primeira classificação.

"Tal situação manterá o número de hospitalizações e óbitos em patamares altos, caso não haja nova mobilização por parte das autoridades e populações locais", alertou o coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes.

Segundo o especialista, diante dessa tendência de aumento em várias capitais, é preciso reavaliar a flexibilização das medidas de prevenção. Ele alertou ainda que as iniciativas contra a doença só devem ser adotadas quando a tendência de queda for generalizada. Ela também deverá se manter por tempo suficiente para que o número de novos casos atinja valores significativamente baixos. Só assim as ações preventivas deverão ser afrouxadas.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) anunciou, nesta segunda-feira (16), que vai produzir 60 milhões de testes de antígeno para o diagnóstico da Covid-19 no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a fundação, a iniciativa terá investimento de cerca de R$ 1,2 bilhão, e o montante de testes a ser fabricado poderá ser entregue ao Ministério da Saúde até o final deste ano.

Além de fabricar os testes, a Fiocruz será responsável por treinar equipes e prestar assistência técnica e científica nas localidades definidas pelo governo federal. A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, disse que a contribuição será mais uma forma de a instituição pôr sua capacidade tecnológica e de produção à disposição da saúde pública brasileira.

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A fundação já fornece testes moleculares (RT-PCR) ao SUS e continuará a produzi-los. Ao todo, a fundação entregou 11,7 milhões de testes RT-PCR em um primeiro contrato e firmou novo acordo para disponibilizar mais 13,7 milhões.

O teste RT-PCR é considerado o padrão ouro para a detecção do SARS-CoV-2, e suas amostras também são importantes para o monitoramento das variantes, uma vez que contêm o material genético do vírus e podem ser usadas para o sequenciamento. O teste precisa ser enviado a laboratórios especializados, onde o processamento pode levar algumas horas e depende de equipamentos sofisticados.

O teste de antígeno, por sua vez, pode ser processado no próprio local da coleta, em um procedimento que pode durar apenas 15 minutos para mostrar o resultado. A sensibilidade do teste é menor que a do RT-PCR, mas também é considerada alta, com potencial acima de 95%.

Em entrevista à Agência Fiocruz de Notícias, o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Krieger, explicou que ampliar a testagem no país permitirá identificar rapidamente os infectados e adotar uma estratégia de rastreamento de seus contatos.

"Com isso, as autoridades de saúde podem fazer uma intervenção mais efetiva e direcionada, detectando e isolando os infectados e interrompendo a cadeia de transmissão do vírus", disse Krieger.

Uma em cada três mortes causadas pela covid-19 em menores de 18 anos no Brasil em 2020 vitimou bebês de menos de 1 ano de idade. A conclusão é de um estudo de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que analisaram 1.207 óbitos provocados pela doença entre menores de idade no ano passado, tendo como base os dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade Infantil do Ministério da Saúde.

As mortes por covid-19 entre recém-nascidos (bebês com menos de 28 dias de vida) representaram 9% de todos os óbitos provocados pela doença entre crianças e adolescentes, enquanto bebês com idade entre 28 dias até menos de 1 ano responderam por 28% dessas mortes. 

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A faixa etária de 1 ano concentrou 8% das mortes entre crianças e adolescentes e a de 2 anos, 5%. Com isso, as mortes de bebês de até 2 anos representaram cerca de 45% de todos os óbitos entre crianças e adolescentes por covid-19 no Brasil em 2020.

A pesquisa foi coordenada por Cristiano Boccolini, integrante do Laboratório de Informação em Saúde do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fiocruz. Ele alerta que é mais comum que crianças e adolescentes tenham formas assintomáticas de covid-19, porém, eles não estão imunes a formas graves.

Boccolini ressalta que, para proteger as crianças, a vacinação de adultos deve ser acelerada, com prioridade para gestantes e lactantes. "Contudo, para conter a circulação do vírus e proteger nossas crianças, o uso de máscaras e o distanciamento social devem continuar, mesmo após a vacinação", afirma. 

O pesquisador recomenda que mães com covid-19 continuem a amamentar os filhos se ambos tiverem condições físicas para tal, já que os benefícios da amamentação superam em muito os riscos de contaminação. Para minimizar a chance de transmissão, é preciso reforçar os cuidados por meio do uso de máscaras PFF2 e N-95, além de higiene das mãos.

A Fiocruz reforça que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o uso universal de máscaras de proteção a partir dos 12 anos de idade. "Entre crianças menores, o uso deve ser supervisionado e avaliado caso a caso. Crianças com menos de 5 anos não devem ser obrigadas a usar máscaras", diz o texto.

 

A ocupação de leitos de UTI destinados a pacientes de covid-19 no Sistema Único de Saúde (SUS) está abaixo de 80% em todos os Estados pela primeira vez desde outubro de 2020, aponta edição extraordinária desta quarta-feira, 11, do Boletim Observatório Covid-19 Fiocruz. Reunidos na segunda-feira, 9, os dados indicam que se trata do melhor cenário desde quando o grupo começou a monitorar esse índice, em julho de 2020.

Segundo o boletim, 14 Estados apresentam taxas inferiores a 50%: Acre (13%), Pará (48%), Amapá (26%), Piauí (48%), Ceará (47%), Rio Grande do Norte (34%), Paraíba (22%), Pernambuco (41%), Alagoas (26%), Sergipe (35%), Bahia (43%), Minas (47%), Espírito Santo (42%) e São Paulo (46%).

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Por outro lado, cinco Estados estão na zona de alerta intermediário. Mato Grosso e Goiás, aponta a Fiocruz, registraram as maiores taxas de ocupação, com, respectivamente, 79% e 78% dos leitos de UTI covid para adultos ocupados.

Encontram-se ainda na zona de alerta Rondônia (64%) e Roraima (70%). A Fiocruz, no entanto, aponta que a elevação do indicador pode corresponder à redução de leitos de UTI para covid-19 para adultos no SUS, "provavelmente em um processo de gerenciamento de leitos frente à queda na demanda, e não ao aumento de leitos ocupados".

Na faixa entre 50% e 60% de ocupação, estão Amazonas (54%), Tocantins (58%), Maranhão (52%), Paraná (59%), Santa Catarina (56%), Rio Grande do Sul (57%), Mato Grosso do Sul (56%) e Distrito Federal (59%).

Delta em alta no Rio de Janeiro

Recordista no número de casos da variante Delta, com 206 registros, o Estado do Rio apresentou crescimento do indicador nas duas últimas semanas e registra agora taxa de 67%. Mais transmissível, a cepa identificada originalmente na Índia tem freado reaberturas econômicas pelo mundo e colocado autoridades em alerta.

Nas capitais, Rio e Goiânia têm taxas altas

Em relação às capitais, a cidade do Rio (97%) e Goiânia (92%) são as mais preocupantes, mantendo taxas críticas há semanas. Além delas, seis capitais estão na zona de alerta intermediário: Porto Velho (63%), Boa Vista (70%), São Luís (64%), Curitiba (65%), Campo Grande (65%) e Cuiabá (74%).

Por sua vez, 19 capitais estão fora da zona de alerta: Rio Branco (12%), Manaus (54%), Belém (44%), Macapá (29%), Palmas (53%), Teresina (39%), Fortaleza (53%), Natal (34%), João Pessoa (19%), Recife (39%), Maceió (25%), Aracaju (43%), Salvador (38%), Belo Horizonte (57%), Vitória (36%), São Paulo (43%), Florianópolis (31%), Porto Alegre (59%) e Brasília (59%).

Mudança reflete avanço da vacinação, dizem cientistas

Os pesquisadores da Fiocruz ressaltam que o resultado reflete os ganhos adquiridos com o avanço da vacinação no País. "Considerando que ainda são altos os níveis de transmissão de casos e óbitos, a vacinação deve ser ampliada e acelerada, além de combinada com o uso de máscaras e distanciamento físico, para manutenção e avanços nos resultados", orientam.

A análise aponta ainda que o quadro de melhora nas taxas de ocupação de leitos acontece simultaneamente ao processo de redução significativa dos leitos disponíveis à covid-19 no Distrito Federal e em muitos Estados. Ou seja, apesar de menos leitos estarem disponíveis, as taxas de ocupação seguem em declínio. Em relação à semana anterior, a análise constatou ainda que o número de óbitos reduziu 1,1%. Já a incidência de novos casos diminuiu 0,8% por dia.

"Ampliar a vacinação completa para todos os elegíveis torna-se fundamental neste momento, incluindo campanhas e busca ativa para os que ainda não tomaram a 2ª dose das vacinas que envolvem duas doses, como a Coronavac, a AstraZeneca e a Pfizer", destacam os pesquisadores do Observatório.

A circulação de novas variantes do vírus, observam os pesquisadores, tem aumentado as infecções, mas não necessariamente o número de casos graves. Isso acontece por causa da imunização de grupos populacionais mais vulneráveis, como os idosos e portadores de doenças crônicas.

Apesar dessa observação, os cientistas alertam que, por mais que as vacinas contribuam para a redução de casos graves, internações e óbitos, a possibilidade de surgimento e espalhamento de novas variantes de preocupação exige esforço para manter os serviços de vigilância em saúde em alerta, com ampla testagem, detecção de casos, isolamento e quarentena.

A nova edição do Boletim Observatório Covid-19, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indica que o surgimento e o crescimento de novas variantes do novo coronavírus, como a Delta, acendem um alerta. Conforme o estudo, a pandemia ainda não acabou e novos cenários de transmissão e de risco podem surgir.

De acordo com a Fiocruz, o elevado patamar de risco de transmissão do vírus Sars-CoV-2 pode ser agravado pela maior transmissibilidade da nova variante, por isso, é fundamental combinar vacinação com o uso de máscaras, incluindo campanhas de informação para a população e busca ativa de quem ainda não se vacinou.

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O boletim também confirma a reversão no processo de rejuvenescimento da pandemia no Brasil. “Novamente, as internações em leitos de UTI para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) e, principalmente, o número de óbitos concentram um maior número de idosos”, apontou.

A incidência da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) ainda permanece em níveis altos, muito altos ou extremamente altos no país, como indicaram os dados das semanas epidemiológicas 29 e 30,entre 18 e 31 de julho de 2021. Como a maior parte dos casos da doença é relacionada aos casos de infecção por covid-19, esses níveis indicam transmissão significativa do vírus Sars-CoV-2.

Os pesquisadores do Observatório, responsáveis pelo boletim, recomendaram entre as medidas de proteção a vacinação completa para evitar as mortes e casos graves causados pela doença. “É fundamental o esquema vacinal completo para todos os elegíveis, a fim de proteger contra os casos graves e óbitos por Covid-19, incluindo os relacionados à variante Delta, além da necessidade de ampliar e acelerar a vacinação”, disseram.

Perfil

A edição destacou que a proporção de casos de internações entre idosos, que atualmente é de 37,5%, ficou em 27,1% na semana 23, entre 6 e 12 de junho. Já a proporção do número de óbitos, que, na mesma semana era de 44,6%, agora está em 62,1%. O Boletim mostrou ainda uma redução importante da proporção de internações nas faixas etárias de 50 a 59 anos e uma diminuição discreta na faixa de 40 a 49 anos. Apesar disso, os cientistas alertaram que “qualquer conclusão sobre a mudança apontada no perfil da pandemia no Brasil ainda é precoce e deve ser acompanhada de perto nas próximas semanas”.

Segundo o trabalho, o perfil de mortalidade por idade em países de baixa e média renda, como é o caso do Brasil, é diferente do observado em países ricos. “Os mais jovens enfrentam um risco maior de morrer em países em desenvolvimento do que em países de alta renda. Isso ocorre porque as populações não idosas nesses países têm uma maior incidência de doenças preexistentes e menos acesso a tratamento e cuidados que potencialmente salvam vidas.”

Um agravante da situação são as taxas de emprego informal mais altas, transportes públicos superlotados e habitações precárias com muitas pessoas para poucos cômodos, que são características de países de baixa renda e colocam as pessoas em maior risco de exposição ao Sars-CoV-2. “Esses riscos parecem afetar desproporcionalmente adultos não idosos e reforça nossa impressão inicial de que a vulnerabilidade específica à idade na pandemia varia, o que é fundamental para determinar se e como a adaptação das políticas de distanciamento”, observaram.

Na avaliação dos pesquisadores, mesmo com números ainda preocupantes, a boa notícia do boletim é a queda de incidência e mortalidade por Covid-19. A taxa de mortalidade diminuiu 1,3% ao dia, enquanto a taxa de incidência de casos de Covid-19 foi reduzida em 0,3% por dia. “A maior redução da mortalidade e menor da incidência pode ser resultado das campanhas de vacinação, que seguramente reduzem os riscos de agravamento da doença, mas não impedem completamente a transmissão do vírus Sars-CoV-2”, apontaram.

A positividade dos testes, que ainda continua alta, indica que há intensa circulação do vírus. A taxa de letalidade está em torno de 2,8%, patamar elevado em relação a países que adotam medidas de proteção coletiva, testagem em massa e cuidados intensivos para doentes graves. “O elevado patamar de risco de transmissão do vírus Sars-CoV-2 pode ser agravado pela maior transmissibilidade da variante Delta, em paralelo ao lento avanço da imunização entre os grupos mais jovens e mais expostos, combinado com maior circulação de pessoas pelo retorno das atividades de trabalho e educação. Nesse sentido, é importante refutar a ideia de que a vacinação protege integralmente as pessoas de serem infectadas e transmitir o vírus, o que pode se tornar um risco adicional com a nova variante de preocupação Delta”, relataram os cientistas.

Ocupação de leitos

Uma boa notícia é que as taxas de ocupação de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) para Covid-19 em adulto, no Sistema Único de Saúde (SUS), seguem melhorando. Conforme o boletim, 19 estados registram taxas de ocupação inferiores a 60% e, por isso, estão fora da zona de alerta. Outros seis estados e o Distrito Federal estão na zona de alerta intermediário, que tem taxas de ocupação iguais ou superiores a 60% e inferiores a 80% e somente um estado, Goiás, na zona de alerta crítico com taxa superior a 80%.

Os destaques negativos entre 26 de julho e 2 de agosto, com expressiva elevação do indicador, foram Mato Grosso, que passou de 63% para 79%) e a capital Cuiabá, saindo de 55% para 74%. Houve aumentos ainda no estado do Rio de Janeiro (59% para 61%) e nas capitais Fortaleza (55% para 65%), Belo Horizonte (58% para 60%), Rio de Janeiro (90% para 94%) e Campo Grande (67% para 74%).

As quedas no indicador atingiram pelo menos cinco pontos percentuais em Roraima (68% para 58%), Pará (61% para 54%), Tocantins (71% para 64%), Maranhão (65% para 57%), Paraíba (34% para 26%), Alagoas (46% para 26%), Sergipe (45% para 37%), Minas Gerais (56% para 51%), São Paulo (55% para 49%), Paraná (64% para 59%), Rio Grande do Sul (65% para 60%) e Distrito Federal (83% para 61%).

Regiões

A Região Nordeste está fora da zona de alerta do indicador, onde também se somam o Norte, exceto por Tocantins, o Sudeste, com exceção do Rio de Janeiro, e o estado do Paraná, localizado na Região Sul.

Nas capitais, Rio de Janeiro (94%) e Goiânia (94%), as taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 são superiores a 80%. Já São Luis (69%), Fortaleza (65%), Belo Horizonte (60%), Curitiba (67%), Porto Alegre (66%), Campo Grande (74%), Cuiabá (74%) e Brasília (61%) estão na zona de alerta intermediário. Fora da zona de alerta estão Porto Velho (40%), Rio Branco (26%), Manaus (59%), Boa Vista (58%), Belém (49%), Macapá (33%), Palmas (49%), Teresina (50), Natal (39%), João Pessoa (23%), Recife (34%), Maceió (21%), Aracaju (46%), Salvador (44%), Vitória (46%), São Paulo (45%) e Florianópolis (36%).

Síndrome respiratória

São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Acre, Goiás, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal apresentaram taxas superiores a 10 casos por 100 mil habitantes em casos da Síndrome Respiratória Aguda Grave. Embora estejam com taxas inferiores, os outros estados possuem ainda níveis superiores a um caso por 100 mil habitantes. “Como os casos de SRAG são essencialmente severos, que demandam hospitalização, ou casos que vieram a óbito, as taxas preocupam, por impor demanda significativa ao sistema hospitalar”, alertaram os cientistas.

Projeto

Segundo a Fiocruz, o projeto InfoGripe indica estimativas para as semanas que colocam a maior parte do país em estabilidade nas taxas de incidência de SRAG. “Alguns estados como Mato Grosso do Sul, Pará e Acre estão com tendência de aumento na incidência. São Paulo, Espírito Santo, Paraíba, Bahia, Sergipe, Roraima, Tocantins e Maranhão têm tendência de redução nos casos. Os demais estados encontram-se em situação de estabilidade. Entretanto, tal cenário não é confortável para a saúde pública, uma vez que a transmissão permanece elevada”, informou.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou nesta terça-feira, 3, que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que já produz a vacina desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca, vai pedir à Anvisa autorização para testar um imunizante criado pela própria instituição. Ele também reafirmou que até setembro todos os brasileiros com 18 anos ou mais terão recebido a primeira dose da vacina contra a covid-19, e metade dessa população terá recebido também a segunda dose.

O ministro foi a um posto de vacinação na Vila dos Pinheiros, uma das favelas do complexo da Maré, na zona norte do Rio, para participar de mais um ato da campanha de vacinação em massa dos moradores do complexo de favelas. O conjunto de favelas, onde moram cerca de 140 mil pessoas, foi escolhido para sediar um estudo relacionado à vacinação contra a covid-19, para o qual toda a população de 18 anos ou mais foi vacinada - enquanto, no restante da cidade, a vacina segue sendo oferecida por faixa etária. Esse projeto vacinou com doses da AstraZeneca 33.774 moradores da Maré de quinta-feira, 29, até domingo, 1. A vacinação prossegue, e pesquisadores vão acompanhar os efeitos da imunização dessa população nos próximos meses.

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Ao chegar, na tarde desta terça-feira, Queiroga, que estava acompanhado do ministro do Turismo, Gilson Machado, vacinou moradores, fez um rápido pronunciamento e respondeu algumas perguntas.

Ele disse que a campanha de vacinação contra a covid-19 no Brasil "vai muito bem" e que os brasileiros confiam nele como ministro. "Nossa campanha (de vacinação) vai muito bem. Todas as narrativas que querem desqualificar a campanha nacional de imunização do Brasil estão batendo com a cabeça na parede, porque o Brasil já está incluído entre os países que mais distribuem doses entre os seus cidadãos. A sociedade brasileira sabe disso. Eu sei que a população confia em mim como ministro da Saúde, eu percebo isso muito facilmente, porque ando na rua e vejo. Não preciso fazer pesquisa nenhuma, eu estou vendo", disse Queiroga durante evento no Rio de Janeiro.

Queiroga negou que o Ministério da Saúde demore para distribuir as doses aos Estados. "O ministério não tem estoque. Essas doses chegam ao departamento de Logística do Ministério da Saúde, é necessária uma autorização da Anvisa (Agência Nacional de Saúde) e é necessário que o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde libere. Assim que libera, a gente dispensa para os Estados e municípios", afirmou.

Questionado sobre o pedido para que a secretária de Gestão do Trabalho e Educação em Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, seja afastada do cargo por defender o uso de cloroquina, feito na segunda-feira, 2, pelo presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), o ministro foi lacônico:"Eu não estou assistindo televisão não, essas questões tem que ser encaminhadas formalmente, e aí são decididas".

Em nota divulgada na noite desta terça-feira (13), a Fiocruz defendeu a manutenção do intervalo de 12 semanas entre a primeira e a segunda dose da vacina da AstraZeneca, que está sendo fabricada em BioManguinhos. O governador do Rio, Claudio Castro, anunciou nesta terça a autorização para que os 92 municípios do Estado adiantem a segunda aplicação para oito semanas.

"A Fundação esclarece que o intervalo de 12 semanas entre as duas doses recomendada pela Fiocruz e pela AstraZeneca considera dados que demonstram uma proteção significativa já com a primeira dose e a produção de uma resposta imunológica mais robusta quando aplicado o intervalo maior", sustenta a nota. "Adicionalmente, o regime de 12 semanas permite ainda acelerar a campanha de vacinação, garantindo a proteção de um maior número de pessoas."

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Na nota, a Fiocruz lembra ainda que "até o momento, a vacina produzida pela fundação tem se demonstrado efetiva na proteção contra as variantes em circulação no País já com a primeira dose. Adicionalmente, em relação à variante Delta, uma pesquisa da agência de saúde do governo britânico, publicada em junho, aponta que a vacina da AstraZeneca registrou 71% de efetividade após a primeira dose e 92% após a segunda para hospitalizações e casos graves".

Já há casos da variante Delta registrados no País, mas a variante predominante (que responde por mais de 70% dos casos) no Brasil é a Gama. Combater a variante Delta foi o argumento usado pelo governador Cláudio Castro para autorizar os municípios a anteciparem o intervalo para oito semanas.

Uma pesquisa feita pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) constatou que o esquema vacinal completo contra Covid-19 (duas doses) garante taxas de efetividade médias de 79,8% em pessoas com 60 a 80 anos e de 70,3% em idosos com mais de 80 anos.

Considerando-se uma média daqueles que receberam o esquema vacinal completo e aqueles que tomaram apenas a primeira dose, as taxas de efetividade ficam em 73,7% em idosos com até 79 anos e de 63% em pessoas com 80 anos ou mais.

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O estudo considerou os imunizados com CoronaVac e AstraZeneca e foi feito com base em registros de hospitalização e morte por síndrome respiratória aguda grave (SRAG), o que permitiu avaliar a efetividade em relação à redução de casos graves e óbitos.

As duas vacinas têm, no entanto, taxas diferentes. Na CoronaVac, por exemplo, a taxa de efetividade para pessoas com esquema vacinal completo é de 79,6% para pessoas com 60 a 79 anos e de 68,8% em idosos com 80 anos ou mais.

Se forem considerados todos os imunizados, ou seja, aqueles com esquema vacinal completo e os que tomaram apenas a primeira dose, as taxas são de 70,3% em pessoas com 60 a 79 anos e de 62,9% em idosos com 80 anos ou mais, no caso da CoronaVac.

Para a AstraZeneca, no entanto, não foi possível avaliar a efetividade com o esquema vacinal completo, já que a segunda dose só é aplicada três meses depois da primeira. Portanto, a Fiocruz trabalhou com estimativas.

A taxa de efetividade da AstraZeneca com aqueles que receberam pelo menos a primeira dose chegou a 81,7% para pessoas com 60 a 79 anos e de 62,8% naqueles com 80 anos ou mais.

“A efetividade da vacinação continuará a ser avaliada, buscando estimar os dados de efetividade das vacinas com sua utilização no mundo real, no contexto epidemiológico e das variantes circulantes. Nesse sentido, os dados obtidos até o momento refletem principalmente as evidências de proteção vacinal frente à variante gama, preponderante no país neste período”, informa nota técnica divulgada pela Fiocruz.

A nota destaca ainda que medidas restritivas e o uso de máscaras podem influenciar no aumento de infecções por covid-19. “O relaxamento de medidas não farmacológicas após a vacinação, como uso menos frequente de máscara e aumento nas interações sociais presenciais sem os devidos cuidados de distanciamento e ventilação, induzem a maior risco de infecção”.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) informou hoje (4) que aguarda remessas de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) da Índia para o Brasil, entretanto a fundação ainda aguarda a confirmação do voo que trará o IFA ao Brasil para divulgar a data e o quantitativo de insumo. De acordo com a Fiocruz, cada remessa de IFA contém insumo, em geral, para a produção de 5 milhões a 6 milhões de doses de vacina.

No dia 1º, a Fiocruz anunciou ter assumido com a AstraZeneca novo compromisso para aquisição de IFA adicional suficiente para a produção de mais 20 milhões de doses da vacina contra a Covid-19. A Fiocruz informou também que assinou com a farmacêutica contrato para aquisição de IFA adicional para produzir cerca de 50 milhões de doses, que farão parte das entregas do segundo semestre, juntamente com a produção nacional. 

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“Com o novo compromisso, a Fiocruz poderá então produzir 70 milhões de doses adicionais ao longo do segundo semestre, adicionalmente às doses que serão produzidas com o IFA produzido no Brasil”, informou a fundação.

Segundo o cronograma divulgado anteriormente pela Fiocruz, as remessas estavam previstas para agosto e setembro. O compromisso firmado com a AstraZeneca estabelecia que “as novas remessas de IFA para a produção de 20 milhões de doses têm previsão de serem enviadas ao longo dos meses de agosto e setembro”. Isso garantiria uma “produção contínua no segundo semestre”, eliminando risco de interrupção por falta de insumo, disse a fundação. Os demais lotes, necessários para a produção das 50 milhões de doses restantes, serão enviados nos meses seguintes, de outubro a dezembro.

No total, já foram entregues 65,9 milhões de doses da vacina AstraZeenca ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), incluindo 4 milhões de doses prontas da vacina do Instituto Serum, da Índia. Com o IFA disponível na fundação, estão garantidas entregas semanais até o dia 23 de julho. 

Nova edição do Boletim Observatório Covid-19/Fiocruz confirma a tendência de melhora nas taxas de ocupação de leitos de terapia intensiva (UTIs) no País. O avanço da vacinação, sobretudo nos grupos mais vulneráveis, explicaria o quadro. Nesta quinta-feira (1º), conforme os dados do consórcio da imprensa, que inclui o Estadão, o País alcançou 100 milhões de doses de vacinas aplicadas - do total, 26.580.585 completaram o esquema vacinal, com duas doses ou dose única (12,55% da população).

Além disso, os registros de vítimas estão em queda há 12 dias consecutivos. A média móvel é a mais baixa desde 8 de março e, em relação a 14 dias atrás, o dado apresentou redução de 24%, conforme o consórcio. Nesta quinta, foram relatados 1.943 óbitos e o total chegou a 520.189. O estudo da Fiocruz também indicou uma ligeira queda no número de casos (0,2%) e mortes (2,5%) por dia, ainda que a transmissão continue em patamares muito altos - superiores aos registrados no mesmo período do ano passado.

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Apenas três Estados apresentam taxas de ocupação de leitos iguais ou superiores a 90%: Tocantins, Paraná e Santa Catarina. Outros 15 (Amazonas, Mato Grosso, Pará, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, São Paulo, Maranhão, Ceará, Piauí, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Norte e Alagoas) estão na zona de alerta intermediário, com índices de ocupação variando entre 60% e 80%. Fora da zona de alerta estão Rondônia, Acre, Amapá e Paraíba, com ocupação de leitos de UTI inferior a 60%.

Desde abril, a curva de óbitos mostra uma trajetória levemente descendente, diferentemente do padrão observado nos índices de transmissão do vírus, que estão em alta desde fevereiro - o que faz com que a pandemia ainda seja considerada fora de controle.

De acordo com o boletim, a redução do número de mortes e de casos mais graves (internados em UTIs) estaria relacionada à vacinação, mais avançada, sobretudo, nas parcelas mais vulneráveis da população. "É importante confrontar o comportamento das taxas de ocupação de leitos de UTI com os indicadores de incidência e mortalidade por covid-19 nos Estados e no Distrito Federal e buscar entender eventuais movimentações divergentes", aponta o boletim. "A dissonância observada entre o aumento nos registros de novos casos e a diminuição da mortalidade é explicada pelo avanço da vacinação no País. Hoje, a cobertura vacinal dentro dos grupos de risco, ou dos grupos prioritários, é mais ampla em relação ao restante da população."

Um novo estudo da Fiocruz Pernambuco confirmou que os lugares com maior risco de contaminação da Covid-19 são os terminais de ônibus, seguido dos arredores dos hospitais. Para essa investigação, foram coletadas 400 amostras de superfícies muito tocadas por usuários do transporte público no Recife.

Leitores de biometria, catracas, corrimão de escadas e outras superfícies foram analisadas pela Fiocruz pernambucana. O órgão aponta que os lugares foram selecionados por atenderem a duas condições: grande fluxo e alta concentração de pessoas; e organizados em seis grupos: terminais de passageiros, unidades de saúde, parques públicos, mercados públicos, áreas de praia e centro de distribuição de alimentos. 

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As amostras foram submetidas ao exame padrão ouro para detecção do novo coronavírus, o RT-qPCR. Do total de amostras obtidas, foi confirmada a presença do SARS-CoV-2 em 97 (24%). Quase metade delas foram recolhidas em terminais integrados de ônibus (47 amostras positivas ou 48,7%), onde as superfícies com maior índice de contaminação foram os terminais de autoatendimento e os corrimões. 

O pesquisador da Fiocruz PE e coordenador do estudo, Lindomar Pena, ressalta que não foi detectado vírus ativo nos exames. "Porém em algum momento ele esteve ativo naquele local, o que demonstra serem ambientes onde há mais gente infectada circulando", explica.

As áreas próximas às unidades de saúde ficaram em segundo lugar, com 26,8 % das amostras positivas. Seguidas dos parques públicos (14,4%), mercados públicos (4,1%), praias (4,1%) e outros lugares (2,2%). O vírus foi encontrado predominantemente em banheiros, terminais de autoatendimento, corrimões, playgrounds e equipamentos de ginástica ao ar livre. Além disso, o vírus foi encontrado com maior frequência em superfícies metálicas (46,3%) e plásticas (18,5%).

O doutorando em Biociências e Biotecnologia em Saúde (BBS) na Fiocruz PE e autor principal do artigo, Severino Jefferson Ribeiro, ressalta a importância dos achados da pesquisa. "Além desses resultados servirem como subsídio para as autoridades de saúde, este trabalho permitiu observar que a população não está seguindo rigorosamente as medidas voltadas para prevenir a transmissão do vírus", pontua.

Um estudo desenvolvido em parceria entre a Fiocruz Pernambuco, a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e o Instituto Federal da Paraíba (IFPB) fez uma investigação sobre a evolução temporal dos números diários de óbitos pela Covid-19 considerando o panorama de 43 países.

Utilizando abordagens físicas e da teoria da informação, os investigadores chegaram a resultados que dão respaldo científico à eficiência de medidas como uso de máscaras faciais, distanciamento social, quarentena, uso massivo de testes na população e orientações higiênicas para limitar os impactos da doença.

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A pesquisa mostrou que países proativos na implementação dessas medidas sanitárias apresentaram maior previsibilidade (menor entropia) à letalidade pela Covid-19.

Em contraste, os países reativos na implementação dessas medidas tiveram menor previsibilidade (maior entropia).

“Diante disso, nossos achados esclarecem que essas medidas preventivas são eficientes no combate à letalidade do Covid-19”, dizem os cientistas no artigo Predictability of COVID-19 worldwide lethality using permutation information theory quantifiers, publicado na revista Results in Physics da plataforma Elservier.

Método da pesquisa

A metodologia adotada utilizou os quantificadores da teoria da informação, mais especificamente a entropia de permutação e a medida de informação de Fisher. Os dados cobrem o período aproximado de um ano, entre 19 de fevereiro de 2020 e 6 de janeiro de 2021.

“A utilização da entropia de permutação e da medida de informação de Fisher para quantificar a desordem em séries temporais de óbitos de Covid-19 é uma abordagem inovadora, aproximando a física dos fenômenos biológicos e trazendo luz ao entendimento da pandemia em curso. Essa abordagem põe nosso grupo na vanguarda do entendimento da dinâmica da Covid-19”, explica o pesquisador da Fiocruz Bartolomeu Acioli, coordenador do estudo.

“A partir de uma perspectiva de saúde pública, nossa metodologia é uma abordagem robusta para subsidiar a tomada de decisão por agentes públicos sobre medidas eficientes para lidar com a presente pandemia”, declara o professor da UFRPE Leonardo Fernandes, parceiro na pesquisa e autor principal do artigo. Integram também o grupo da pesquisa os professores do IFPB Fernando Araújo e Angélica Silva.

Ranking

Os nove países com melhores posições no ranking dessa pesquisa foram Taiwan, Vietnã, Nova Zelândia, Cingapura, Islândia, Tailândia, Chipre, Estônia e Noruega.

Ao longo de todo o período analisado esses locais apresentaram algumas características em comum, como menos de 25 mortes acumuladas por 100 habitantes e nenhum momento de explosão de mortes, que se poderia caracterizar como uma onda, como ocorreu em outros países.

Os países que apresentaram maior entropia, ou seja, ficaram com as piores posições nesse ranking, foram Argentina, África do Sul, Bélgica, Irã, República Tcheca, Índia, Peru, Colômbia e Itália.

Os autores explicam que todos esses países experimentaram algum momento de explosão do número de mortes, caracterizando-se por uma, duas ou até três ondas de contágio.

No caso da Itália, primeiro país do ocidente a vivenciar a epidemia do novo coronavírus e última colocada nesse ranking, o crescimento do número de casos e mortes foi exponencial, logo nos primeiros meses.

Os Estados Unidos e o Brasil, apesar do alto número de mortes por Covid-19 registrado no intervalo pesquisado, situaram-se numa posição intermediária nesse ranking, respectivamente na 15ª e 16ª posição.

Da assessoria da Fiocruz

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