Tópicos | PL 4330

O Partido dos Trabalhadores de Pernambuco (PT-PE) aderiu à manifestação das Centrais Sindicais marcado para esta sexta-feira (29). Em nota, a legenda também convida os militantes e filiados para participarem. O ato público é contra a aprovação das Medidas Provisórias 664 e 665 e do Projeto de lei 4330.

“A Classe trabalhadora é chamada, mais uma vez, para defender seus direitos, conquistados através das lutas e mobilizações. O Partido dos Trabalhadores (PT), como fruto destas lutas, reitera seu apoio aos trabalhadores e trabalhadoras de todo país que seguem para mais um ato em prol de melhores condições de trabalho e contra a aprovação do PL 4330”, diz o PT em nota.

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No texto, o partido também frisa estar em defesa dos direitos dos trabalhadores. “E, para o ato do dia 29 de maio, o PT-PE convida todos os seus militantes, dirigentes, parlamentares e gestores, para participar das paralisações e manifestações convocadas pelas Centrais Sindicais e demais movimentos sociais contra a aprovação do 'PL da Terceirização', a favor dos direitos da classe trabalhadora e pelo fortalecimento da democracia”, pontuou a legenda.

Sete Centrais Sindicais de Pernambuco voltarão às ruas da capital pernambucana nesta sexta-feira (29) para protestarem contra as Medidas Provisórias (MPs) 664 e 665, aprovadas pela Câmara dos Deputados e o Senado Federal e o Projeto de Lei 4330. A paralização tem cunho nacional e no Recife a concentração está marcada para as 14h, em frente à sede da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), em Santo Amaro. 

Participarão da manifestação a CUT, CTB, UGT, CGTB, Força Sindical, Intersindical e Nova Central. De acordo com movimento sindical, a reivindicação continuará até a aprovação total das medidas que ainda precisam ser sancionadas pela presidenta Dilma Rousseff (PT), por isso,  os movimentos sindical e social esperam que haja vetos. 

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O presidente da CUT-PE, Carlos Veras, ressaltou que, no dia 6 de maio, por 252 a 227 votos, os deputados aprovaram a MP 665, que aumenta o tempo de trabalho para que os/as trabalhadores/as possam solicitar, pela primeira vez, o seguro-desemprego. O governo queria elevar esse período de seis para 18 meses, mas o parlamento reduziu o prazo para 12 meses. 

"Essa MP estabelece também um tempo mínimo de seis meses de trabalho para o/a trabalhadora/a ter acesso ao abono-salarial, que passa a ser proporcional aos meses trabalhados. Antes, todos recebiam um salário mínimo, independentemente do número de meses trabalhado com carteira assinada", observou o sindicalista.

Segundo ele, as MPs 664 e 665 fazem parte do pacote de ajuste fiscal elaborado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy e foram anunciadas pelo governo no dia 30 de dezembro do ano passado, sem qualquer debate com a CUT nem com as demais centrais sindicais. "As medidas mudam as regras de concessão e dificultam o acesso a benefícios como seguro-desemprego, abono salarial, seguro-defeso, pensão por morte e auxílio-doença", acentuou.

Para as Centrais Sindicais de Pernambuco, as medidas, assim como a aprovação do PL 4330, penalizam os trabalhadores mais fragilizados, em especial os que são o público alvo do sistema de seguro-desemprego e pensão por morte.  No último dia 15 de abril, as Centrais Sindicais também promoveram um ato semelhante nas ruas do Recife.

 

O ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, se colocou contra a terceirização das atividades-fim no País. Em discurso feito na tarde desta terça-feira, 19, em sessão temática no Senado, ele disse que a generalização da terceirização pode precarizar o trabalho.

O texto aprovado pela Câmara e que agora será analisado pelo Senado libera a terceirização das atividades-fim nas empresas. "Nós do Ministério do Trabalho estamos nos aliando na linha de que realmente, na medida em que não houver construção de garantias que possam impedir esta generalização da terceirização, entendemos que ela pode precarizar o trabalho", disse.

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Para o ministro, a aprovação do texto nesse formato pode fazer com que a profissão de 12 milhões de terceirizados seja regulamentada, mas que os outro 40 milhões de trabalhadores com contrato direto corram risco de caírem na informalidade. "Nós temos preocupação, achamos que nos moldes em que está posta esta lei, nós teremos que construir garantias, construir instrumentos que impeçam a precarização para nós não invertermos a ordem", afirmou.

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), encaminhou manifestação do Supremo Tribunal Federal (STF) com informações sobre os procedimentos adotados durante a votação do projeto de lei 4330, de 2004, que regulamenta a terceirização. O documento é uma resposta ao mandado de segurança levado ao Tribunal pelo líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC), que pedia a anulação de todo o trâmite da votação do projeto, alegando que uma medida provisória estaria trancando a pauta de votações desde o último dia 7 e, portanto, a terceirização não poderia ter sido colocada em pauta.

O relator do caso no STF, ministro Gilmar Mendes, solicitou que Cunha prestasse informações sobre o assunto. A petição, na qual o presidente da Câmara sustenta que os procedimentos são constitucionais e permitidos pelo regimento, foi apresentada pelo peemedebista na noite dessa segunda, 4. "É nossa convicção que, tanto a decisão tomada pela Presidência da Câmara dos Deputados, quanto todos os procedimentos adotados na espécie, foram constitucional e regimentalmente corretos e juridicamente inatacáveis", escreveu o parlamentar a Gilmar Mendes.

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Para colocar o PL da terceirização em pauta, o presidente da Câmara superou uma questão de ordem, decidindo que há um intervalo existente entre o protocolo da medida provisória no Congresso e o momento a partir do qual o texto tranca a pauta de votações. Por este entendimento, a votação da terceirização ficou liberada na Casa.

"Parece óbvio e plausível que, ao contrário do que pretendem os impetrantes (liderança do PT), haja um interregno entre o protocolo da medida provisória nesta Casa e o sobrestamento da pauta, visto ser necessário um lapso temporal dentro dos princípios da razoabilidade para a adoção de providências preparatórias que visem, inclusive, a necessária publicidade para a discussão e votação das matérias", escreveu Cunha ao STF.

Além disso, Cunha sustenta que o projeto de lei 4330 poderia ser analisado em todo o caso, pois trata de tema que não pode ser objeto de medida provisória. O entendimento, sustenta Cunha, foi dado pelo vice-presidente Michel Temer, quando ocupou a presidência da Câmara.

O texto sobre a terceirização foi colocado em pauta no início de abril mesmo à revelia do PT. Na noite do dia 8, o texto-base do projeto foi aprovado pela Casa e, no dia 22, as emendas foram votadas pelos deputados. Agora o projeto precisa passar pelo Senado. Se o ministro do Supremo entender que de fato os trâmites adotados na Câmara violaram o dispositivo da Constituição que prevê que medidas provisórias podem trancar a pauta no Congresso, a votação do projeto de lei pode ser anulada. Mendes deve decidir o caso após analisar a manifestação enviada por Cunha.

Nesta sexta-feira (1°), centenas de trabalhadores saíram as ruas do Recife para protestar contra a aprovação do Projeto de Lei 4330, que regulamenta a terceirização no país. O ato foi organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e contou com a participação da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape), do Movimento Sem Terra (MST), da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e de partidos políticos. Veja a galeria: 

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Pauta de manifestações em várias cidades brasileiras e alvo de embates políticos no Congresso Nacional, o Portal LeiaJá traz nesta sexta-feira (1º) – Dia do Trabalhador, os avanços e retrocessos do Projeto de Lei 4.330/04, sobre terceirização e relações de trabalho. Aprovada na Câmara dos Deputados, a norma seguiu para ser avaliada no Senado, mas divide opiniões de pessoas em todo o Brasil.

De autoria do ex-deputado federal Sandro Mabel (PMDB-GO), o PL causou nos últimos meses entraves que saíram de Brasília e percorreram as ruas de todo o país com protestos e atos públicos. De um lado, os aliados ao governo garantem ser contra e até ameaçam votar desfavorável no Senado. Já outras alas independentes como alguns membros do PSB e o PMDB de Eduardo Cunha (PMDB) defendem a ideia. 

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Tanto a nível local como nacional, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) é uma das instituições desfavoráveis ao projeto. “Ele terceiriza a atividade fim, amplia o número de terceirizados, precariza a relação de trabalho, acaba com direitos conquistados como férias, FGTS e acaba com concurso público”, descreveu o presidente da CUT-PE, Carlos Veras. 

Para o dirigente pernambucano nem os advogados conseguem mensurar o tamanho das pessoas que sofrerá com o projeto. “Ele agride os trabalhadores. Reduz muito as condições de trabalho e é um ataque feroz, além de cair a renda dos trabalhadores e dificultar a sociedade como um todo”, pontuou. Veras comparou a proposta com épocas menos desenvolvidas do país. “Gera um impacto na economia como um todo. Aprovar este projeto é retroagir ao Brasil antes Getúlio Vargas. É levar o país a um retrocesso”, criticou.

Diferente do presidente da CUT-PE, o representante da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) e conselheiro da comissão de Relações de Trabalho da Conferência Nacional das Indústrias, Érico Furtado, vê o projeto como uma regularização para a terceirização. “Precisa de uma lei que acabe com essas dúvidas que hoje existe. O que é atividade meio? o que é atividade fim? Essas dúvidas existem pela ausência desta legislação e acaba desaguando no judiciário. E a gente vai ficar o resto da vida deixe jeito? Isso gera insegurança”, questionou. 

Furtado fez questão de explicar que o PL não tem poder de mexer na CLT. “Não prejudica em nada, traz mais garantia entre o empregador e o empregado, apesar deste projeto regulamentar as relações entre pessoas jurídicas”, disse, exemplificando a Constituição Federal. “Os direitos dos trabalhadores celetistas estão na Constituição Federal e este substitutivo é um PL e não pode alterar a Constituição Federal e não mexe em nenhum direito, não é uma PEC”, pontuou. 

Na visão política o assunto também traz divergências. Para o líder do PT no Senado, Humberto Costa, a proposta não é aceita. “A terceirização institui um regime paralelo de emprego precarizado, que dispersa a organização sindical, inviabilizando acordos e convenções coletivas”, avaliou. O petista também deixou claro que não votará a favor do PL no Senado. “Não há qualquer negociação que possamos abrir relativa à terceirização da atividade-fim das empresas. Ou ela sai do texto do projeto ou nós votaremos contra ele”, prometeu. 

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Já o deputado federal Fernando Filho (PSB) afirmou ter aprovado o Projeto de Lei e citou o artigo 5º que trata da reserva de 4% da empresa que fornece os serviços ou produtos a outras empresas, para garantir o cumprimento dos direitos trabalhistas e previdenciários dos terceirizados. “Há as férias e uma série de questões que estão escritas na lei e que poderão assegurar o direito do trabalhador. Vai aumentar a terceirização? Vai, porque quando você tem algo regulamentado às empresas vão contratar mais e gerar mais empregos”, justificou. 

Fernando Filho também ressaltou a importância de um diálogo mais aberto e detalhado. “Esse debate tem que ser feito de forma clara, mostrando que queremos construir um ambiente que o Brasil seja atrativo, porque hoje as pessoas não mudam de empresa, mudam de país, vão para o Uruguai vão para outros lugares, e a gente vê os países discutindo esses grandes capitais de investimentos que são geradores de empregos e é o que estamos precisando”, defendeu. 

Para o PhD em economista e analista político, Maurício Romão, é difícil separar as vantagens e desvantagens da proposta sem levar em conta as questões políticas.  “Na verdade, a grande discussão tem haver com a atual política. A base aliada está meio revoltada, sem obedecer “aos reis do Palácio”. O PMDB bastante protagônico, e tudo isso prejudica. O processo político está contaminado a avaliação do projeto”, analisou. 

Romão também detalhou os pontos positivos, segundo seus defensores. “O projeto foi apresentando numa perspectiva de melhorar as classes como forma de imprimir maior produtividade ao trabalho, maior agilidade entre relação ao padrão e empregado. (...) Do ponto de vista da classe produtora haveria, segundo eles, mais empregos, porque você teria possibilidade de apelar para a terceirização na medida em que as suas atividades essenciais não sejam o foco da empresa. A classe produtora entende que isso é um avanço porque simplifica as relações”, explicou.

Apesar de pontuar esses aspectos, o economista mostrou as questões negativas. “Por outro lado é uma agressão ao CLT, promove o desemprego, não mantém o empregado, mas também tem a parte da empresa. Neste contexto, minha expectativa é que o projeto avance com discussões de modo que possam aprimorá-los e avançar em pontos que haja divergência, mas que melhorem as relações de trabalho”, anseia Maurício Romão. 

*Com a colaboração de Giselly Santos

O Projeto de Lei 4.330/2004, que regulamenta a terceirização de trabalhadores, deve chegar ao Senado nesta segunda-feira (26). Depois de ter recebido mais de 200 emendas, o texto foi aprovado na noite de quarta-feira (22) na Câmara, onde está sendo concluída a redação final.

Polêmica, a proposta deve receber alterações. O presidente do Senado, Renan Calheiros, e os líderes das duas maiores bancadas, Eunício de Oliveira (PMDB-CE) e Humberto Costa (PT-PE), já disseram que não concordam com alguns pontos. Além disso, outros senadores já foram à tribuna criticar o projeto.

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Renan decidiu convocar uma sessão temática em Plenário para debater a proposição com os senadores e chegou a dizer que a terceirização não poderia ser “ampla, geral e irrestrita” e não permitiria um drible contra o trabalhador.

“Vamos fazer uma discussão criteriosa no Senado. O que não vamos permitir é pedalada contra o trabalhador. O projeto tramitou 12 anos na Câmara. No Senado, terá uma tramitação normal”, disse.

Assim como o presidente Renan Calheiros, o líder petista Humberto Costa mostrou-se contrário à mudança central feita pelo projeto, que permite às empresas contratar trabalhadores terceirizados para suas atividades-fim. Ele garantiu que, se depender do PT, a proposta não passará no Senado do jeito que foi aprovada pela Câmara.

“Não há qualquer negociação que possamos abrir sobre atividade-fim das empresas. Ou ela sai do projeto, ou votaremos contra”, advertiu.

Longa tramitação

O PL 4.330 foi apresentado em 2004 pelo deputado por Goiás Sandro Mabel, filiado na época ao Partido Liberal. E só teve a tramitação acelerada em 2015.

A proposição libera a terceirização de todas as atividades de uma empresa, cria regras de sindicalização dos terceirizados e prevê a responsabilidade solidária da empresa contratante e da contratada nas obrigações trabalhistas.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), insinuou, no início da noite desta quinta-feira (23) que poderá retaliar o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), em votações de matéria de interesse dos senadores. Mais cedo, o Broadcast Político, serviço em tempo real da Agência Estado, revelou que Renan tem discutido com interlocutores próximos a possibilidade de "engavetar" o projeto que regulamenta a terceirização no País.

Renan tem dito que não concorda com o texto aprovado na quarta-feira, 22, pelos deputados em plenário e, diante da ameaça de Cunha de restabelecer o que passou na Câmara, deve segurar a votação da proposta pela Casa ao menos durante a sua gestão, que se encerra em janeiro de 2017.

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Como o projeto original, apresentado em 2004, é de autoria de um deputado federal, a Câmara tem a prerrogativa regimental de dar a palavra final sobre o teor da proposta. Isso significa que, mesmo se os senadores aprovarem mudanças ao texto, os deputados podem retornar ao teor que foi aprovado ontem pela Câmara que a matéria seguirá para a sanção presidencial.

"Se o Senado pode segurar (projetos), a Câmara pode segurar também", ameaçou Eduardo Cunha, em entrevista ao Broadcast Político. Perguntado sobre se isso significa chumbo trocado, Cunha respondeu: "Não sei ainda, isso dependerá do conjunto, não só de mim, mas óbvio que a Câmara tem o que segurar."

Também em entrevista ao Broadcast Político, Renan Calheiros não quis fazer uma tréplica à fala do colega da Câmara. "Eu não vou discutir isso", afirmou. "Essa polêmica não faz bem não", completou. Renan reafirmou que a proposta tramitará em "tempo normal" na Casa e passará por comissões e ainda será realizada uma sessão temática para discutir o projeto. "Não vamos votar com sofreguidão porque isso é ruim", disse.

O presidente do Senado defendeu que a regulamentação da terceirização não pode atingir a atividade fim das empresas, conforme aprovado pela Câmara. Segundo ele, essa medida precariza e desqualifica a relação de trabalho.

A proposta de terceirização, aprovada na quarta-feira, 22, pela Câmara dos Deputados, é positiva, mas traz uma preocupação: não permite a terceirização da atividade-fim nas empresas públicas. A avaliação é do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes.

Antes de assumir como ministro do TCU em 2005, Nardes era deputado federal pelo PP. Assistiu, portanto, ao surgimento de toda discussão na Câmara dos Deputados, em 2004. Na avaliação do ministro, a proposta avançou ao longo desses 11 anos, mas não o suficiente. "O contexto global exige maior competitividade, que as empresas estatais não têm", diz o ministro. Um dos motivos é não contarem com a flexibilização trabalhista que será permitida pelo projeto da terceirização.

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Nardes defende o "equilíbrio que beneficie o trabalhador e também a empresa". A maioria dos deputados federais do PP votou a favor da terceirização ontem. Apoiaram a emenda do PMDB, junto com deputados do PTB, DEM, SD, PPS e PSDB. "Hoje, para competir com a Índia e a China, é difícil", disse o ministro em entrevista por telefone ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

Nesta quinta-feira, 23, o ministro esteve na Faesp Senar em São Paulo para debater, entre outros temas, a proposta de terceirização. O ex-deputado esteve à frente de várias representações do agronegócio e vem de uma família de produtores rurais do interior do Rio Grande do Sul.

O ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, criticou, na tarde desta quinta-feira (23) a aprovação na Câmara do Projeto de Lei que regulamenta a terceirização de mão de obra, o PL 4.330. Segundo ele, seu partido, o PTB, tinha a intenção de melhorar as condições do terceirizado com o debate do projeto, mas o texto foi alterado e pode precarizar a situação do trabalhador.

"Esperamos que o Senado venha a corrigir (o texto)", disse. A matéria foi aprovada na quarta-feira, 22, na Câmara com a permissão de terceirização para atividades-meio e atividades-fim, além da redução de 24 para 12 no número mínimo de meses que uma pessoa deve esperar entre o desligamento de uma empresa e a recontratação como terceirizada.

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O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou na tarde desta quinta-feira, 23, que pode propor normas específicas para que empresas estatais e órgãos públicos possam contratar trabalhadores terceirizados. Ele não detalhou quais mudanças poderia sugerir, se entre elas estaria a criação de um teto para contratação de terceirizados por estatais, por exemplo, mas manifestou disposição para discutir o tema na comissão especial que elabora modificações na Lei de Licitações (8.666/1993).

Uma proposta final para apreciação no plenário da Câmara, segundo Cunha, poderia ser apresentada entre 30 e 60 dias. "Como os serviços terceirizados de empresas estatais e da administração direta têm de ser contratados por licitação, eu entendo que lá (lei 8.666) é o instrumento adequado para fazer essa alteração e é lá que eu gostaria de colocar", disse.

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No Projeto de Lei 4.330/2004, aprovado na quarta-feira, 22, pelos deputados, ficou estabelecido que na área pública a terceirização poderia valer apenas para atividades-meio, ou seja, aquelas que são acessórias ao funcionamento da empresa ou do órgão público. Com isso, a Petrobras, por exemplo, não pode terceirizar a exploração de petróleo. A terceirização foi liberada irrestritamente para todas as empresas do setor privado.

A votação em plenário da Câmara de emendas que podem alterar o texto-base do projeto de lei regulamentando a terceirização começou nesta noite de quarta-feira, 22, com sinais de derrota para o Palácio do Planalto. "O PT é contra, o PMDB é favorável (à terceirização)", disse ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, após reunião com o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Ele e os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e da Aviação Civil, Eliseu Padilha (PMDB-RS)), tentaram durante cerca de uma hora e meia convencer o relator do Projeto de Lei 4.330/2004, deputado Arthur Maia (SD-BA), e Cunha a mudarem trechos do texto-base aprovado há duas semanas.

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Berzoini, que integra o núcleo de articulação política do governo, deixou o Legislativo neste início de noite minimizando o posicionamento contrário da maioria dos partidos da base ao pedido do Planalto. O ministro indicou, assim, que o governo deve tentar mudar o texto final durante a tramitação no Senado. "O governo não tem razão para sair derrotado, o processo termina no Senado Federal ou na Câmara, se voltar para Câmara se for alterado no Senado", disse.

Indecente

O relator do PL 4330 deixou o encontro chamando de "proposta indecente" o pedido da equipe econômica para mudar a contribuição previdenciária incidente sobre empresas terceirizadas com baixa intensidade de mão de obra a uma alíquota de 5,5% sobre a receita ao INSS - hoje, essa categoria paga 20% sobre a folha de pagamento, enquanto setores com uso intensivo de pessoal recolhem 11% da receita.

O impasse ocorreu, segundo Maia, porque o PT não retrocedeu em relação à emenda apresentada sobre atividade-fim e atividade-meio. "Acredito que a proposta que o governo fez hoje é indecente na medida em que fazem um apelo para a oposição ajudar o governo e o PT a ficar fora do acordo. Isso é inaceitável. Eles querem que a oposição faça um sacrifício e assuma uma mudança na lei da terceirização, a meu ver com um consequente aumento da carga tributária", disse Maia.

Maia frisou ainda que a equipe econômica não tratou da diferenciação entre atividade-fim e atividade-meio, indicando divisão entre o PT e o Palácio do Planalto. "Na reunião que tivemos hoje, em que estiveram representando o governo o ministro da Fazenda, o secretário da Receita Federal (Jorge Rachid) e o ministro Padilha, o assunto trazido foi exclusivamente de natureza fiscal. O único assunto foi o pedido para que mude a alíquota da contribuição previdenciária", disse.

Berzoini deixou o prédio afirmando que houve "dificuldade de aproximar (a base) nessa reta final, aí vai para o voto" no plenário. "Os 5,5% é um dos pontos centrais do ponto de vista fiscal. Na questão da tese, a posição da base é dividida, tem gente contra e gente favorável", observou.

O ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, disse nesta quarta-feira, 22, ao deixar reunião do núcleo de coordenação política do governo com líderes de partidos da base, que é preciso "perseverança" para chegar a um acordo sobre o projeto de lei que regulamenta a terceirização no País. "Se não houver perseverança e firmeza dos líderes, nós podemos não chegar a um acordo para votar", disse.

A Câmara retoma hoje a votação de emendas que podem mudar substancialmente o texto-base do projeto, já aprovado pela Casa há duas semanas, à revelia da vontade do Palácio do Planalto. Berzoini avaliou que é preciso avançar em pontos que o PMDB e outros aliados divergem da orientação do Palácio do Planalto antes do início da votação das emendas.

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Segundo ele, o encontro serviu para tentar "organizar as divergências" que o Projeto de Lei 4.330/2004 gerou na base. "Há uma tentativa de pelo menos organizar as divergência. A medida que algumas medidas são questão de princípios para alguns partidos e as posições são divergentes na base e na oposição, organizar as divergências seria um avanço para a gente poder caminhar para uma votação que pelo menos possa trazer algum entendimento sobre o mérito da matéria", afirmou.

Berzoini disse que ainda há conflito sobre o pedido do Ministério da Fazenda para que empresas bom baixo uso de mão de obra como na sua atividade terceirizada recolham uma alíquota de 5,5% sobre a receita como contribuição ao INSS - hoje, essa categoria paga 20% sobe a folha de pagamento, enquanto setores com uso intensivo de pessoal recolhe 11% da receita.

Outro ponto de divergência está na definição de atividade-fim e atividade-meio. O governo defende que apenas a atividade-meio seja permitida. "A questão da atividade-fim e atividade-meio é fundamental para a organização da negociação coletiva no Brasil. Então são dois temas centrais (junto com o INSS) que se desdobram em quatro ou cinco outros temas cada um", disse.

O líder do PMDB, Leonardo Pisciani (RJ), deixou a reunião afirmando que o PT precisa retirar uma emenda definindo a terceirização apenas nas atividades-meio. Caso contrário, o governo pode perder na votação os pontos que tenta mudar no texto-base do projeto da terceirização. "É um sentimento que tenho do que tenho visto na Câmara", disse. "Eu diria que o governo para ver a sua proposta aprovada precisa convencer o PT", afirmou.

Já o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, que integra a coordenação política do governo, disse que há dois pontos de consenso na base: a responsabilidade solidária que obriga a empresa contratante a responder no caso de a terceirizada não pagar diretos trabalhistas; e a regra para que ex-funcionários só prestem serviço como terceirizados à sua antiga empregadora após 12 meses do fim do vínculo empregatício - no texto-base do projeto da terceirização esse prazo era de 24 meses.

"No processo de negociação política tudo é possível. Temos a missão de tentar construir o consenso, tentar fazer com que a base do governo possa ser preservada como base. Não pode de nenhuma forma sair daqui com fracionamento, com todo mundo pensando que tem razão ou pensando que não tem razão", disse Padilha.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e líderes da base na Câmara estão reunidos nesta quarta-feira (22) no Palácio do Planalto, para tentar costurar um acordo em torno do projeto de terceirização, depois de um impasse na semana passada que levou ao adiamento da votação. Os deputados devem retomar nesta quarta a apreciação do texto que regulamenta e amplia a terceirização no mercado de trabalho do Brasil.

"Nas matérias previdenciárias e tributárias estamos avançando (na discussão)", disse o líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC). "Sobre atividade meio e atividade fim, isso não tem conversa que consiga convencer mais ninguém. É um assunto ideológico", afirmou.

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Os ministros da Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha, e das Comunicações, Ricardo Berzoini, também participam da audiência, que ocorre na ala da Vice Presidência no Palácio do Planalto. O vice-presidente Michel Temer, que assumiu a articulação política do governo, não participa das discussões por estar cumprindo agenda na Espanha.

Consenso

O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), afirmou nesta terça-feira, 21, à reportagem que há acordo entre partidos da base e parte da oposição para concluir a votação do projeto. De acordo com Guimarães, os partidos estão fechando consenso sobre emendas para mudar trechos do texto-base já aprovado em plenário.

O acerto envolve três pontos: a responsabilidade solidária que obriga empresas contratantes a responderem pelo pagamento de direitos trabalhistas a funcionários da terceirizada; a redução de 24 para 12 meses no tempo mínimo para ex-funcionário de empresa contratante prestar serviço como terceirizado; e cobrança de 5,5% da receita de terceirizada não especializada em fornecer mão de obra como INSS - hoje, a categoria recolhe 20% sobre a folha de pagamento.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou nesta quarta-feira (22) que a Casa vai analisar o projeto que trata da regulamentação dos funcionários terceirizados com "maturidade". Segundo ele, tal regulamentação não pode ser "ampla, geral e irrestrita". "Se ela (a terceirização) atingir 100% da atividade-fim, estará condenando essas pessoas todas à supressão de direitos trabalhistas e sociais", disse ele, ao ressaltar que foi o PMDB quem incluiu na Constituição o artigo 5º, que trata, entre outros assuntos, do direito ao trabalho.

A proposta de regulamentação deve ter sua tramitação concluída pela Câmara esta semana. Os deputados devem analisar, entre outros pontos, destaques sobre a extensão da terceirização às atividades-fim - a principal atividade da empresa.

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Para Renan, o PMDB não pode evidentemente concordar com uma regulamentação da prática ampliada. Segundo ele, a medida tem que aumentar a segurança jurídica e precisa ter um limitador ou um porcentual para que as empresas realizem esse tipo de contratação. "Ela (a terceirização) tem que caracterizar muito bem o que significa atividade-fim", completou.

A manifestação contra o Projeto de Lei (PL) 433 que regulamenta a terceirização chegou ao Palácio do Campo das Princesas por volta das 17h30 desta quarta-feira (15). Após caminharem durante toda a tarde por ruas do Recife, agora os manifestantes se concentram nas imediações da sede do Governo do Estado.

Do lado de fora, uma comissão dos educadores de Pernambuco espera ser recebida por representantes da gestão estadual. O grupo é composto por centrais sindicais, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) e a deputada Tereza Leitão. Eles pretendem entregar uma pauta de reivindicações sobre a greve da categoria.

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“Estamos reivindicando as ações de repressão ao movimento, como transferência e corte de ponto, para que elas cessem imediatamente. Precisamos priorizar o canal de diálogo e debate para uma saída negociável. A radicalização de um lado ou do outro só vai complicar o movimento de um termo geral”, afirmou o presidente do Sintepe, Fernando Melo.

Segundo a assessoria de comunicação do Estado o grupo vai ser recebido, mas não pelo governador Paulo Câmara que está viajando. O grupo será atendido pelo secretário da Casa Civil, Marcelo Canuto.

Suspensão - O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) concedeu uma liminar, nesta quarta-feira (15), determinando a suspensão da greve dos professores estaduais e o imediato retorno as atividades. A decisão foi concedida pelo desembargador Jovaldo Nunes. Além disso, a Corte também negou o pedido do PSOL para suspender os efeitos da Portaria nº 28/2015, que determina medidas punitivas aos servidores que aderiram à paralisação.

Mas de acordo com Fernando Melo, o Sindicato ainda não foi notificado pessoalmente. “Quando isso acontecer a nossa assessoria vai analisar o teor, se posicionar juridicamente e nos orientar para tomarmos uma decisão política”, afirmou.

Até lá, Melo garante que a greve continua. “Amanhã estaremos discutindo nos locais de trabalho a adesão da paralisação. Até está quarta-feira tínhamos 70% da categoria parada, não houve mudança, e é uma adesão satisfatória. Na sexta-feira teremos uma assembleia, às 9h, no auditório do Centro de Convenções”, concluiu.

Com informações de Élida Maria

Em reunião com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto, nesta quarta-feira, 15, o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alberto Broch, pediu que fosse vetado o projeto de lei que regulamenta a terceirização em empresas públicas e privadas.

"Somos contra esse projeto e não admitimos, desta forma que ele está, que ele seja sancionado. Dissemos à presidente que esperamos que, se ele for aprovado pela Câmara, melhore no Senado. Pedimos, enfim, que a presidenta vete o projeto", disse Broch depois de audiência com Dilma e os ministros do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, da Secretaria-Geral, Miguel Rossetto, e da Previdência Social, Carlos Gabas.

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"Ela (Dilma) ouviu com muita atenção, mas não se pronunciou. Ela pediu informações aos ministros, eles disseram a ela que os destaques serão votados hoje (quarta-feira) no Congresso, mas ela não disse nem que sim nem que não (vai vetar o projeto)", disse Broch.

Sem acordo entre governo e o relator para resolver o problema de arrecadação, os deputados retomaram na terça-feira, 14, a votação do projeto de lei que trata da terceirização. Um destaque aprovado por ampla maioria proíbe a ampliação de setores terceirizados em empresas estatais. Questionado sobre a polêmica em torno do projeto, o ministro Patrus Ananias disse que só iria comentar a pauta apresentada pela Contag e questões ligadas à agricultura familiar.

Reivindicações

Durante entrevista, Broch destacou que, a partir de 11 de maio, uma caravana de negociadores de todos os Estados brasileiros irá a Brasília. "Vamos negociar até o dia 21 de maio - 21 de maio é o dia D, o dia em que a Contag realiza as grandes mobilizações", comentou o presidente da Confederação. A entidade pede a liberação de R$ 30 bilhões, sendo R$ 15 bilhões para custeio e R$ 15 bilhões para investimentos. A Contag também quer que a próxima edição do plano safra do governo não altere os juros para a agricultura familiar.

"A presidente reafirmou o compromisso do governo com a implantação do plano nacional de reforma agrária e reafirmou o seu compromisso com a agricultura familiar, colocando três aspectos que são importantes: o cooperativismo, a questão da agroecologia, e a importância da agroindústria familiar", disse Patrus Ananias.

De acordo com o ministro, as reivindicações da Contag serão "processadas" dentro do governo e analisadas dentro de suas "possibilidades orçamentárias".

O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), propôs, nesta quarta-feira (15), que o presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ) realizasse a votação do projeto da terceirização (PL 4330/04) apenas no próximo dia 27. O projeto está na pauta de votações desta tarde. Na semana passada, os deputados aprovaram o texto-base da proposta. Hoje eles devem votar os destaques apresentados ao texto.

Guimarães sugeriu fazer uma mesa de negociação entre empresários, trabalhadores, governo e Congresso Nacional a fim de se chegar a um acordo. Para o líder, o assunto não está maduro, o que explica as manifestações que estão acontecendo no País contra a proposta, além do fato de muitos deputados quererem conhecer melhor o projeto.

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Cunha, no entanto, não concordou com a solicitação e manteve a proposta na pauta. "Os temas têm de ser enfrentados, têm de ser votados. O adiamento significa que querem evitar que eles sejam votados”, declarou Eduardo Cunha. “Não tenho compromisso, nem interesse com qualquer dos resultados. Eu tenho interesse que vote. Não tem isso de ficar enrolando votação”, disparou o presidente. 

Um dos pontos mais polêmicos do texto é sobre a terceirização ou não da atividade-fim. Para o líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE), a possibilidade de terceirizar a atividade-fim é o próprio objetivo do projeto, uma vez que a atividade-meio já pode ser terceirizada. O projeto, na opinião de Mendonça Filho, vem regulamentar e assegurar direitos, além de modernizar as relações produtivas no País.

Nessa terça (14), os deputados aprovaram a retirada de empresas públicas, sociedades de economia mista e suas subsidiárias da proposta. Na prática, empresas como Banco do Brasil e Petrobras terão de fazer concurso público para atividade-fim, mas poderão terceirizar áreas como segurança e limpeza.

Uma caminhada reunindo trabalhadores de diversas categorias na manhã desta quarta-feira (15), no centro de Fortaleza (CE), marcou o protesto do Dia Nacional de Paralisação contra o projeto da terceirização. No Ceará, sindicatos e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) organizaram atos na capital e em outras cidades do estado.

A CUT calculou que a mobilização reuniu 8 mil pessoas no centro da capital. A Polícia Militar não fez estimativa de público e informou que não foi registrado nenhum incidente durante o ato.

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Segundo a presidenta do diretório da CUT no Ceará, Joana D'Arc, setores como os da educação, saúde e construção civil aderiram à paralisação. Alguns trabalhadores do transporte alternativo pararam vans na rua em apoio a manifestação.

“Diversas categorias aderiram ao protesto contra o projeto que não regulamenta a terceirização, mas abre espaço para precarizar o trabalho. Uma de nossas reivindicações é que seja retirada a liberação da terceirização para a atividade-fim”, disse Joana D'Arc.

O Dia Nacional de Paralisação contra o projeto da terceirização foi organizado também nos estados de São Paulo, Santa Catarina, do Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

O texto-base do Projeto de Lei 4.330/2004, que regulamenta a terceirização, foi aprovado no dia 8 deste mês. O ponto mais polêmico autoriza a terceirização total das atividades das empresas privadas, inclusive da chamada atividade-fim – que identifica a área de atuação de uma companhia. Atualmente, apenas atividades-meio - limpeza e segurança - podem ser ocupadas por trabalhadores terceirizados.

Nesta terça-feira (14), a Câmara dos Deputados voltou a analisar os destaques apresentados à proposta.

O Plenário da Câmara dos Deputados retirou as empresas públicas, as sociedades de economia mista e suas subsidiárias da proposta que amplia a terceirização para todas as áreas das empresas (PL 4330/04). O projeto valerá apenas para a iniciativa privada.

Assim, no caso das empresas públicas e sociedades de economia mista, como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Petrobras, valerá o concurso público para as carreiras de atividade-fim e fica autorizada a terceirização para serviços especializados e atividades de segurança, limpeza e manutenção. Esse é o entendimento atual da Justiça do Trabalho.

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A retirada das empresas públicas e sociedades de economia mista foi aprovada por 360 votos a 47, a pedido do PSDB, mas com apoio da base governista. O deputado Domingos Sávio (PSDB-MG) explicou que o partido apresentou o destaque para manter o concurso público como principal forma de ingresso na carreira das empresas públicas e sociedades de economia mista, sem permitir a terceirização de todas as áreas dessas empresas. "Temos de manter o concurso para as carreiras, para não dar espaço para apadrinhamento", disse.

A exclusão das empresas públicas foi apoiada pelo relator da proposta, deputado Arthur Oliveira Maia (SD-BA). Ele explicou que a inclusão foi um pedido do governo, não dele. "Se o PT, que tem mais compromisso com o governo, encaminha contra a medida, mudo de posição", disse.

Adiamento

Um acordo entre líderes partidários adiou para esta quarta-feira (15), às 14 horas, a votação de grande parte dos destaques apresentados ao projeto. A proposta teve o texto-base aprovado na semana passada, mas, como os destaques só foram divulgados no começo da tarde desta terça, os líderes pediram o adiamento para reunir as bancadas e analisar os pontos a serem discutidos.

“Como queremos terminar a votação do projeto e não atropelarmos a votação, vou acatar a sugestão e adiar para amanhã”, disse o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. A proposta recebeu 27 destaques e 6 emendas aglutinativas, que unem outros destaques em um só texto.

Tipo de atividade

As maiores polêmicas ficaram para esta quarta-feira. Entre elas está o destaque do PT que pretende proibir a terceirização em todas as áreas da empresa, principal mudança feita pelo projeto.

Hoje, uma súmula do Tribunal Superior do Trabalho (TST) limita as terceirizações a atividades-meio, como segurança, vigilância e serviços especializados. A emenda coloca na lei o entendimento da Justiça do Trabalho.

O líder do PT, deputado Sibá Machado (AC), disse que vê com muita preocupação a liberação das terceirizações para qualquer área da empresa. “O empregado de um banco não pode ser colocado em risco de ser demitido amanhã para ser contratado por uma empresa terceirizada”, disse.

Para o líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), este é o cerne do projeto. O deputado disse ser contra o dispositivo, mas reconheceu que esta não é a posição de toda a base governista. “A base tem posições diferentes, a minha opinião é apenas de se limitar a terceirização a atividades-meio”, disse.

O líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE), defendeu a ampliação do alcance da terceirização. Retirar este ponto, segundo ele, seria “ferir de morte” a proposta.

O relator do projeto, Arthur Oliveira Maia, também defende a terceirização em todas as áreas. “O entendimento do Supremo Tribunal Federal já declarado é de que esta distinção entre atividade-meio e atividade-fim feita pela Justiça do Trabalho é uma intromissão indevida na livre iniciativa e, para mim, esta é a interpretação jurídica mais correta”, argumentou.

Responsabilidade

Outro ponto controverso, já discutido pelos líderes nesta terça-feira, trata da responsabilidade das empresas no recolhimento de tributos e direitos trabalhistas devidos aos trabalhadores. Hoje, a responsabilidade é subsidiária, ou seja, o empregado só pode acionar a empresa que contrata a mão de obra depois de processar a terceirizada.

Pelo projeto, a responsabilidade será subsidiária se a empresa contratada fiscalizar o recolhimento de tributos pela terceirizada. Caso contrário, poderá ser acionado antes da terceirizada (responsabilidade solidária).

Há destaque para que a responsabilidade seja solidária em todos os casos. Os líderes do PCdoB, deputada Jandira Feghali (RJ); e do PR, deputado Maurício Quintella Lessa (AL), já declararam voto favorável ao destaque. “Somos a favor da responsabilidade solidária porque não podemos deixar o trabalhador com o risco de não ter seus direitos trabalhistas pagos”, disse Quintella Lessa.

Acordo

Arthur Oliveira Maia disse que aceitou mudar alguns pontos do seu relatório depois de reunião com o governo na manhã desta terça-feira. O relator vai apoiar uma emenda que aceita algumas reivindicações do Executivo: impedir que cooperativas e entidades sem fins lucrativos terceirizem mão de obra; obrigar o recolhimento de alguns tributos pela empresa contratante; e alterar a regra sobre uso de créditos tributários.

Não houve acordo sobre o pagamento de contribuição previdenciária, segundo Maia. O governo pretendia incluir todas as empresas na regra de contribuição sobre o faturamento, mas as discussões não avançaram.

*Com informações da Agência Câmara

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