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Já se sabia que ter um cérebro grande não é, necessariamente, uma garantia de inteligência, e pode estar relacionado a uma maior probabilidade de extinção - de acordo com um estudo que aparece nesta quarta-feira no periódico Proceedings B, da Royal Society britânica.

Ter um cérebro grande pode ser uma desvantagem, afirma o professor Eric Abelson, do Departamento de Biologia da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

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Esse pesquisador calculou o tamanho do cérebro de 1.679 animais de 160 espécies diferentes e comparou essas medidas com os dados da União Internacional para a Conservação da Natureza. Esta instituição avalia o risco de extinção de milhares de espécies e subespécies.

De acordo com Abelson, há uma correlação entre o quociente de encefalização (que mede o tamanho do cérebro em relação ao restante do corpo) e o risco de extinção.

Essa correlação é ainda maior nos animais pequenos, acrescenta.

De fato, manter um cérebro grande tem um custo metabólico significativo. Implica um consumo de energia mais importante sem que, ao que parece, isso implique maiores capacidades de adaptação.

Para Eric Abelson, os custos de um forte quociente de encefalização superam as vantagens nas espécies pequenas.

Quando o assunto é saúde, o corpo humano não economiza em criatividade. Da mesma forma que diversos mecanismos trabalham entre si para manter o organismo funcionando, outros mecanismos fisiológicos provocam doenças, síndromes e condições especiais de saúde. Conheça algumas síndromes assustadoras que, felizmente, são bastante raras. Vale sempre lembrar que todo portador de síndrome, assim como qualquer outra pessoa, merece respeito, sempre, em primeiro lugar.

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Em agosto deste ano, autoridades e médicos brasileiros depararam com o aumento inesperado do nascimento de crianças com microcefalia, uma malformação irreversível no cérebro. Até o final de novembro, quando o Ministério da Saúde confirmou a relação entre as ocorrências e a chegada do vírus Zika ao Brasil, não se sabia ao certo a origem dos casos, pois não se encaixavam nos diagnósticos já conhecidos pela literatura médica. Perguntado sobre uma situação comparável a essa, o presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva, Gastão Wagner Campos, relembrou as deformidades causadas pela talidomida nos anos 50 e 60.

Em 1959, médicos alemães começaram a relatar o aumento da incidência de nascimento de crianças com um tipo peculiar de malformação congênita, com deformidades no esqueleto, nas pernas e ausência de alguns ossos nos braços. Dois anos depois, pediatras começaram a relacionar os casos ao uso da talidomida (substância tranquilizante e anti-inflamatória, usada para controlar enjoos durante a gravidez) por gestantes. No Brasil, pelo menos 700 pessoas nasceram com malformação genética devido ao uso da talidomida. No mundo todo, foram cerca de 10 mil casos.

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Substância“Surgiu essa droga barata e muito efetiva, usada em larga escala pela indústria farmacêutica e começaram a nascer milhares de crianças com sequelas graves, sem braço, com deformidades. Demoraram a fazer essa relação”, lembrou Campos.

A talidomida circulou como produto livre de efeitos adversos no Brasil até 1962, quando foi banida no país. O remédio voltou a circular no país em 1966, quando começou a nascer a chamada “segunda geração talidomida”. Em 2006, ainda houve registro de uma gestante que teve filhas gêmeas com deformidades, depois de ter tomado o medicamento da mãe, sem indicação médica.

Atualmente, a prescrição de medicamentos à base de talidomida deve ser feita com receita específica e mediante assinatura de termo de responsabilidade e esclarecimento. O remédio é usado para tratamento de hanseníase, de lupus e da aids. “Não era um vírus, mas assim como a talidomida, a situação com a microcefalia também é inesperada e exige muita pesquisa e ação intensa do governo”, ressaltou Campos. 

Até o dia 5 deste mês, 1.761 casos suspeitos de microcefalia foram notificados em 422 municípios brasileiros. Os números foram divulgados hoje (8) pelo Ministério da Saúde. Até o momento, de acordo com o novo balanço, 14 unidades federativas registram casos suspeitos da malformação, que, na maior parte dos casos, causa comprometimento intelectual, que pode vir acompanhado de surdez, cegueira, entre outras alterações no organismo.

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O ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter, de 91 anos, disse neste domingo aos fiéis da igreja de sua localidade natal de Plains, no estado da Geórgia, que está livre do câncer que o afligia - informou a imprensa americana.

Recentemente, o Prêmio Nobel da Paz anunciou a descoberta de quatro melanomas no cérebro.

"Em uma ressonância magnética realizada na semana passada, eles (os médicos) não encontraram câncer no cérebro", disse Carter aos fiéis, com os quais compartilha as aulas de catequese, de acordo com a rede NBC News.

Um amigo de Carter disse ao jornal "Atlanta Local Constitution" que Carter confirmou aos cerca de 350 presentes que o exame mostrou que o câncer havia "ido embora".

"Todo mundo na Igreja explodiu em aplausos", acrescentou.

No mês passado, o Carter Center, instituição fundada pelo próprio, anunciou que o ex-presidente respondia bem ao tratamento e que não havia indícios de um novo crescimento do tumor.

O ex-presidente democrata foi ovacionado quando falou de sua doença, publicamente, em agosto passado.

Um estudante californiano se queixava de violentas enxaquecas e os médicos finalmente descobriram a razão: uma tênia alojada em seu cérebro, que quase lhe custou a vida. Luis Ortiz, estudante de Sacramento (Califórnia, oeste dos Estados Unidos), contou à rede de televisão CBS que consultou um médico após sofrer dores de cabeça e vômitos.

Radiografias de seu cérebro revelaram assim a presença do intruso, que se instalou num cisto. "Tem um parasita na sua cabeça. Vamos operar você e rápido, caso contrário, você vai morrer", disseram os médicos ao jovem rapaz.

Como a solitária, que em geral opta por se alojar no intestino, chegou a este lugar, ainda é um mistério tanto para os médicos como para Ortiz, que agora diz estar "feliz por estar vivo".

O Vaticano negou nesta quarta-feira (21) a notícia divulgada no jornal italiano Quatodiano Nazionale de que o papa Francisco possui um tumor benigno do cérebro, dizendo que a informação é "completamente infundada". "A divulgação de notícias infundadas é gravemente irresponsável e não merece atenção", disse o porta-voz do Vaticano, o padre Federico Lombardi.

Citando fontes não identificadas do setor de enfermagem, o Quatodiano Nazionale disse que o papa, de 78 anos, tinha viajado de helicóptero para a clínica San Rossore di Barbaricina perto da cidade de Pisa nos últimos meses para ver um especialista em câncer de cérebro, o japonês Dr. Takanori Fukishima. O jornal disse que o médico determinou que o pequeno ponto escuro no cérebro de Francisco "poderia ser tratado sem cirurgia".

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Lombardi disse à Associated Press que o papa não viajou de helicóptero para a Toscana e repetiu que "tudo isso não tem fundamento". Ele não respondeu a pergunta sobre se Fukushima tinha examinado Francisco em qualquer outro lugar.

A agência de notícias Ansa, citando fontes não identificadas em Pisa, posteriormente relatou que o médico tinha viajado para o Vaticano em janeiro e que o diagnóstico de Francisco tinha sido feito naquele momento.

O editor do jornal, Andrea Cangini, disse que manteve a sua história. O diretor do hospital não comentou sobre o assunto imediatamente. Cangini disse que o jornal havia deliberado um longo tempo antes de publicar a notícia. Fonte: Associated Press.

O estudante de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Vitor Hazin, desenvolveu o protótipo de um braço robótico controlado pelo cérebro, capaz de ajudar pessoas que perderam o movimento do membro. O projeto foi pensado e posto em prática durante o intercâmbio do aluno na Universidade de Reading, na Inglaterra, onde passou um ano como bolsista do Programa Ciência sem Fronteiras (CsF).

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O equipamento, diferente de outras próteses que são comandadas por estímulo muscular, funciona através de sinais cerebrais. “Para fechar a mão, basta fazer um gesto de concentração e, ao imaginar que estou movendo minha mão, consigo detectar e enviar o sinal para o braço ir para a esquerda ou para a direita”, explica Hazin, que gastou cerca de R$ 1,9 mil no equipamento.

Até o momento, o braço robótico foi testado apenas com o próprio inventor e ainda deve passar por melhorias antes de chegar ao mercado. “O braço ainda não tem força suficiente para sustentar alguns objetos, além de outras alterações que preciso fazer para tornar acessível”, complementa o estudante.

A ideia surgiu quando Vitor Hazin cursou uma disciplina de mestrado, na Universidade de Reading, em que aprendeu a controlar um jogo com o piscar dos olhos com uso do eletroencefalograma - equipamento utilizado para detectar sinais cerebrais. Com o término da disciplina, ele comprou um equipamento desse tipo com o intuito de fazer algum projeto controlado pelo cérebro, nascendo, assim, o braço robótico.

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No aeroporto desde as 9h da manhã da última quinta (29), Maria das Dores Cândido (à esquerda) saiu de Águas Belas, no Agreste pernambucano, para receber a filha que chegaria ao Recife somente sete horas depois. Entre caminhadas ansiosas no saguão de desembarque e olhares atentos ao monitor que anuncia o horário dos voos, a mãe contou como foi passar 40 dias longe da menina. “É um desgosto, sabe? Não consegui dormir direito e perdi quatro quilos nesse tempo. A gente se falava por internet e pelo telefone, mas toda vez que eu desligava, caía no choro”, lembra. 

Difícil de traduzir e explicar, mas fácil de sentir. Seja de alguém quem está longe, de quem já se foi ou da terra natal, a saudade parece ser difícil para qualquer pessoa. Entretanto, a ciência explica que o sentimento é vivenciado de formas distintas por cada indivíduo e também pode diferir de acordo com o que a pessoa sente falta. “As saudades são diferentes e podem desencadear outros sentimentos no indivíduo, como a tristeza, a melancolia – uma tristeza crônica – e até mesmo raiva. Além disso, a saudade de uma pessoa não é a mesma saudade de um lugar”, explica Aline Lacerda, Doutora em Neurociência pela Universidade de São Paulo. 

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Morando há exatos quatro anos em Fortaleza, no Ceará, Suzana Cunha deixou irmãos, cunhados e sobrinhos no Recife para acompanhar o marido. Apesar de se comunicar com a família por telefone, a pernambucana explica que, além da saudade das pessoas, a terra natal também faz falta. “Outro dia mostrei a alguns amigos aqui de Fortaleza o Hino do Elefante. É de deixar a pessoa arrepiada”, conta, referindo-se a uma das músicas mais representativas do Carnaval de Pernambuco. “Acho que quando você está longe, consegue sentir mais a cultura do lugar”, conta.

A especialista Aline Lacerda explica que, no cérebro, o sentimento tem origem a partir do sistema límbico, regulado pelo córtex pré-frontal. “Essa é a área relacionada às lembranças, às memórias. Ganho ou perda de peso são consequências consideradas normais, devido à influência dos sentimentos nos hábitos alimentares”, afirma. “O hipocampo, outra região do cérebro, também faz parte do desenvolvimento da saudade, porque é a área que transforma a memória curta em memória de longo prazo”, pontua. Por ser um sentimento complexo, a saudade pode desencadear outras sensações, como alegria, tristeza e até mesmo raiva. 

No caso de Rosângela Monteiro (à direita), angústia e saudade surgiram quase que simultaneamente. “Minha filha passou dois meses em Xangai, na China. Ela ia justamente para uma praça onde houve um acidente no fim do ano passado. Fiquei preocupada e pedi pra ela adiar a viagem, cheguei até a ligar para a embaixada”, conta, segurando as lágrimas. Apesar de aparentar calma, o pai, Cícero Monteiro, explica que o sentimento é parecido. “A gente tenta parecer forte, mas por dentro, não dá pra segurar”, brinca. 

Apesar de uma mesma pessoa conseguir desenvolver “saudades diferentes”, a neuropsiquiatra explica que, até agora, não há como medir o sentimento cientificamente. “Existem métodos capazes de verificar a ansiedade, que é uma consequência da saudade, mas não há nenhum inventário criado para medir esse sentimento propriamente dito”, diz Lacerda. A especialista comenta que há teorias divergentes na Psicologia quanto à idade em que a saudade começa a ser desenvolvida. Em alguns casos, fala-se em primeira infância e até mesmo pré-disposição genética, mas também há correntes que defendem o processo de aprendizado natural do ser humano como a chave para a sensação. 

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São 16h da quinta-feira (29) e o monitor indica que o voo que saiu de Campinas está confirmado. Cinco minutos depois, o avião está aterrissando. Logo depois, o letreiro indica que a aeronave está no pátio. Maria das Dores sente pressa, cruza os dedos em sinal de oração, tenta encontrar a filha por trás das portas automáticas. Ao avistá-la, os acenos se destacam em meio ao aglomerado. Antes mesmo de a menina sair da fila de desembarque, é surpreendida com um longo abraço da mãe. “Agora o aperto passou”, sorri, entre lágrimas e abraços. A partir de agora, mãe e filha têm 314 quilômetros até Águas Belas para anularem todos os efeitos da distância. 

Cientistas apresentaram nesta quinta-feira (7) um chip do tamanho de um selo dos correios, que opera como um supercomputador que imita o funcionamento do cérebro humano. O chamado chip "neurossináptico" abre todo um leque de possibilidades na computação, de carros que se dirigem sozinhos a sistemas de inteligência artificial que podem ser instalados em celulares inteligentes, explicaram seus criadores.

Cientistas de IBM, Cornell Tech e colaboradores de todo o mundo disseram que foi preciso adotar um novo conceito de design em comparação com arquiteturas de computação prévias, avançando para um sistema chamado de "computação cognitiva".

"Nós nos inspiramos no córtex cerebral para desenhar esse chip", afirmou Dharmendra Mohda, diretor científico da IBM para a computação inspirada no cérebro. Mohda explicou que a linhagem dos computadores atuais remonta a máquinas criadas nos anos 1940, que são, essencialmente "calculadoras de números sequenciais", que agem de forma matemática, ou que executam tarefas próprias da parte esquerda do cérebro, porém um pouco mais.

Já o novo chip, também chamado "TrueNorth", opera imitando o lado "direito do cérebro", onde estão as funções que processam a informação percebida pelos sentidos, razão pela qual pode responder a imagens, aromas e informações do entorno para "aprender" a agir em diferentes situações.

O sistema consegue fazer isso usando uma grande rede de "neurônios e sinapses", similares às que o cérebro humano utiliza para usar informação compilada dos sentidos. Os cientistas projetaram TrueNorth com um milhão de neurônios programáveis e 256 milhões de sinapses programáveis em um chip com 4.096 núcleos e 5,4 bilhões de transistores.

Outro fator-chave desse chip é seu baixo consumo, pois é capaz de funcionar com uma pequena bateria como as utilizadas nos fones de ouvido, razão pela qual pode ser instalada em carros, ou celulares inteligentes.

Seus inventores acreditam que ainda levará anos para que o chip esteja disponível em aplicativos comerciais, mas destacam que tem o potencial de "transformar a sociedade" - sobretudo, quando "computadores híbridos" combinarem, no futuro, as capacidades do lado esquerdo e direito do nosso cérebro.

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Para obter um bom rendimento nos estudos há diversas estratégias. Porém, uma em especial está conquistando crianças, jovens, adultos e idosos. A novidade é a "ginástica para o cérebro". No Recife, o público pode encontrar a atividade no Curso Supera.

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Através do método Ábaco - instrumento de cálculo milenar de origem oriental-, são realizados cálculo mental e jogos educativos, fazendo com que os alunos desenvolvem várias habilidades, como memorização, raciocínio rápido e concentração. Para o aluno Hugo Espíndola, de 22 anos, a metodologia está o ajudando na memorização e no aprendizado mais dinâmico. “Estou estudando para concurso há dois anos e depois que iniciei o curso, há dois meses, percebo que memorizo as aulas com mais facilidade. Anteriormente, quando chegava em casa, após a aula, não me recordava bem do assunto, agora ele está menos preguiçoso”, relata o estudante.

Segundo a psicóloga e instrutora Mabel Negreiros, a metodologia também é ideal para desenvolver as habilidades cognitivas das crianças. “Aqui conseguimos identificar as dificuldades dos alunos e trabalhar as necessidades cognitivas de cada um”, explica. A instrutora ainda relata que as atividades aplicadas pela instituição também auxilia na desenvoltura dos pequenos. “Os estudantes de menor idade, como de quatro a sete anos, chegam mais retraídos, porém, esse cenário muda após o início das atividades”, afirma.

Em entrevista ao Portal LeiaJá, a educadora relatou como é realizada a ginástica para o cérebro, assista ao vídeo abaixo:

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A técnica de enfermagem Renata Mardock, que colocou sua filha Letícia, de sete anos, no curso, diz que a metodologia está ajudando a pequena no aprendizado da disciplina de matemática. “O raciocínio e a desenvoltura dela melhoraram bastante. Esses são os principais aspectos que observo até o momento”, fala.

Além das crianças e jovens estudantes, a metodologia está auxiliando também o público da terceira idade. Para a aposentada Júlia Galvão, de 80 anos, após o curso, ela está conseguindo resolver os problemas da vida com mais rapidez e leveza. “Hoje em dia faço tudo com mais facilidade! Até a minha motivação melhorou e percebo que consigo acordar, levantar e ter um objetivo novo todos os dias”, conclui.

Para conhecer o método, o Curso Supera dispões de duas unidades, uma no bairro de Boa Viagem e outra na Madalena. O curso tem duração de 18 meses e as aulas são ministradas uma vez na semana, durante duas horas.   

Unidade Madalena

Rua Real da Torre, 1036 – Madalena

Telefone: 3246.2907

Unidade Boa Viagem

Rua Francisco Barros Barreto, - Boa Viagem

Telefone: 3033. 1695

Horário de funcionamento: Segunda a sábado, das 08h às 18h / Sábados, das 08h às 12h

 

Homens que passam muito tempo vendo pornografia na internet parecem ter menos matéria cinzenta em certas partes do cérebro e sofrem redução de sua atividade cerebral, revelou um estudo alemão publicado nesta quinta-feira (29) nos Estados Unidos.

"Encontramos um importante vínculo negativo entre o ato de ver pornografia durante várias horas por semana e o volume de matéria cinzenta no lóbulo direito do cérebro", assim como a atividade do córtex pré-frontal, escrevem os cientistas do Instituto Max Planck para o Desenvolvimento Humano em Berlim.

"Estes efeitos poderiam incluir mudanças na plasticidade neuronal resultante de intensa estimulação no centro do prazer", acrescentou o estudo, publicado na edição online da revista "Psychiatry", da Associação Médica Americana.

Os autores, no entanto, não puderam provar que estes fenômenos sejam causados diretamente pelo consumo de pornografia e, por isso, afirmam que é necessário continuar com as pesquisas. Mas, segundo eles, o estudo já fornece um primeiro indício da existência de uma relação entre o ato de assistir pornografia e a redução do tamanho e da atividade do cérebro como reação ao estímulo sexual.

Para realizar a pesquisa, os autores recrutaram 64 homens saudáveis com idades de 21 a 45 anos, aos quais pediram para responder a um questionário sobre o tempo que dedicavam a assistir a vídeos pornográficos. O resultado foi, em média, de quatro horas semanais.

Os voluntários também foram submetidos a tomografias computadorizadas (MRI) do cérebro para medir seu volume e observar como ele reagia às imagens pornográficas. Na maioria dos casos, quanto mais pornografia os indivíduos viam, mais diminuía o corpo estriado do cérebro, uma pequena estrutura nervosa bem abaixo do córtex cerebral.

Os cientistas também observaram que, quanto maior o consumo de imagens pornográficas, mais se deterioravam as conexões entre o corpo estriado e o córtex pré-frontal, que é a camada externa do cérebro encarregada do comportamento e da tomada de decisões.

Olhar no espelho para observar, em tempo real, a atividade do próprio cérebro através do crânio. Esta cena, digna de um filme de ficção científica, virou realidade no laboratório de pesquisadores franceses, ao combinar um eletroencefalograma (EEG) clássico com técnicas de realidade aumentada.

Denominado "Mind Mirror" (Espelho da Mente), este protótipo capta a atividade elétrica do cérebro, com a ajuda de um capacete de eletrodos, como o utilizado em um EEG médico, e a retranscreve sob a forma de imagens. Esta cartografia cerebral "é, em seguida, projetada numa tela, em superposição com o rosto do indivíduo", resumiu Anatole Lécuyer, diretor científico do Instituto Nacional de Pesquisas em Informática e Automática da França (INRIA), que apresentou à imprensa sua invenção nesta terça-feira.

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"A ideia inicial foi muito simples, porque as tecnologias já existem, mas desenvolver a técnica, sobretudo para a visualização, exigiu tempo", afirmou. Patenteado dentro de alguns meses, o dispositivo precisa apenas de um equipamento leve e de custo relativamente baixo: um capacete com eletrodos, uma tela de computador equipada com uma webcam (ou melhor ainda, um filme semitransparente posicionado sobre a tela, que permite obter um verdadeiro "efeito espelho" ao se olhar nos olhos) e uma câmera 3D, do mesmo tipo que a utilizada por alguns consoles de videogame para acompanhar a orientação do rosto do indivíduo.

"Podemos virar a cabeça para a esquerda ou para a direita para ver melhor as zonas cerebrais que estão ativas. E para a parte de trás do crânio, colocamos um 'retrovisor'", que retransmite a imagem filmada por uma segunda câmera, destacou Lécuyer.

Atualmente, o dispositivo é capaz de analisar os picos de atividade elétrica gerados pelos neurônios e afixá-los em degradês de cor segundo sua intensidade. Após a calibragem, pode, também, distinguir se o indivíduo está relaxado ou em esforço, mental ou muscular.

Mas qual seria a aplicação deste espelho cerebral virtual, desenvolvido pelo INRIA e o Instituto Nacional de Ciências Aplicadas (INSA) de Rennes? Os cientistas veem aplicações destinadas ao ensino de ciências, às atividades lúdicas. Porém, a mais longo prazo, eles querem aplicá-lo no domínio médico, onde poderia contribuir a tratar certos problemas neurológicos, graças, por exemplo, ao "neurofeedback" ou "retorno neuronal".

Esta técnica consiste em visualizar em tempo real para o paciente sua atividade cerebral para melhor conscientizá-lo e, em alguns casos, modificá-la. Ela já é utilizada para tratar problemas de atenção, do sono ou na restauração motora após acidentes vasculares cerebrais.

Segundo os criadores do "Mind Mirror", o efeito espelho dado pela realidade aumentada poderia impulsionar o aprendizado por neurofeedback, ao dar uma melhor visualização da atividade do cérebro, um pouco como um esportista observa seu corpo em funcionamento.

Cientistas anunciaram ter usado uma corrente elétrica inofensiva para modificar o sono de forma que um indivíduo tivesse "sonhos lúcidos", uma forma particularmente poderosa de sonho. A descoberta fornece pistas sobre o mecanismo do sonho - uma área que fascina os pensadores há milênios - e pode, um dia, ajudar a tratar doenças mentais e pesadelos pós-traumáticos, garantiram.

Sonhos lúcidos são considerados por muitos psicólogos um estágio intermediário entre duas formas de consciência. Eles se situam entre os sonhos que ocorrem durante a fase do sono chamada de movimento rápido dos olhos (REM, na sigla em inglês) - que se referem ao presente imediato e não têm acesso a memórias passadas ou a eventos antecipados no futuro - e a vigília, que inclui o pensamento abstrato e outras funções cognitivas.

Nos sonhos lúcidos, um estado que se acredita só acontecer em humanos, elementos de uma consciência secundária combinam-se com os sonhos de REM. Uma característica é que a pessoa se torna consciente que está sonhando e, algumas vezes, consegue controlar o enredo do sonho.

Ela pode, por exemplo, sonhar que afugenta um agressor ou que evita um acidente catastrófico. Pesquisadores chefiados por Ursula Voss, da Universidade J.W. Goethe, de Frankfurt (Alemanha), usaram uma técnica chamada estimulação transcraniana de corrente alternada (tACS) para explorar as causas dos sonhos lúcidos.

O dispositivo consiste de duas caixas pequenas com eletrodos, que são colocados perto do crânio e enviam um sinal elétrico muito fraco, de baixa frequência, através do cérebro. A equipe de cientistas recrutou 15 mulheres e 12 homens com idades entre 18 e 26 anos, que passaram até quatro noites em um laboratório de sono.

Depois que os voluntários experimentaram entre dois e três minutos de sono REM, os cientistas aplicaram ora o procedimento tACS, ora outro "falso", que não produziu corrente, durante cerca de 30 segundos. A corrente se manteve abaixo do limite sensorial, portanto os indivíduos não acordaram. Eles, então, despertaram os voluntários e perguntaram com o que tinham sonhado.

No controle dos sonhos

"Os sonhos reportados foram similares, a maioria dos indivíduos reportou 'ver a mim mesmo do lado de fora' e que o sonho era visto do exterior, como se fosse exibido em uma tela", contou Voss à AFP. "Eles também contaram saber que estavam sonhando", continuou.

Os voluntários foram submetidos a testes nas frequências de 2 Hertz (Hz), 6 Hz, 12 Hz, 25 Hz, 60 Hz e 100 Hz. "O efeito só foi observado em 25 e 40 Hz, ambas na faixa de frequência gama, a de menor amplitude", afirmou Voss. "Esta faixa se vincula à percepção consciente, mas até agora uma relação causal não tinha sido estabelecida. Agora, foi", prosseguiu.

Quando os voluntários foram estimulados a 25 HZ, "tivemos classificações maiores de controle do enredo do sonho, o que significa que eles conseguiram mudar a ação segundo sua vontade", acrescentou.

"Estou dirigindo meu carro por muito tempo", contou um voluntário. "Então, eu chego a este local onde nunca tinha estado antes. Tem muita gente lá. Acho que talvez conheça alguns deles, mas estão todos de mau humor, então eu vou para um quarto diferente, completamente sozinho", revelou o estudo publicado este domingo na revista Nature Neuroscience.

Operado por bateria, o tACS foi aplicado de forma que a corrente fluísse entre as regiões frontal e temporal, situadas, respectivamente, na parte superior dianteira e na lateral do cérebro.O estudo sugere que os tACS frontotemporais podem ajudar a restaurar redes cerebrais disfuncionais que são relacionadas com a esquizofrenia e o distúrbio obsessivo compulsivo.

Aplicado durante o sono REM, também poderia, um dia, ajudar as vítimas de distúrbios de estresse pós-traumático a superar os pesadelos frequentes ao colocá-las no comando do enredo do sonho, prosseguiu o artigo.Sozinho, o dispositivo tACS é uma invenção médica reconhecida, projetada para ser usada apenas para fins de pesquisa.

Voss disse, no entanto, que parece inevitável que um dispositivo similar seja, algum dia, inventado para os consumidores, possibilitando aos sonhadores mergulhar no sonho lúcido, para o bem ou para o mal."Embora isto não seja algo que me interesse pessoalmente, estou certa de que não vai demorar até que dispositivos como este apareçam. Mas o estímulo cerebral deve sempre ser cautelosamente monitorado por um médico", advertiu.

Alunos da Faculdade Maurício de Nassau e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte participam, nos dias 10 a 16 deste mês, da III Semana do Cérebro. Cem 100 vagas serão disponibilizadas  para alunos de todos os cursos da instituição. 

As inscrições podem ser realizadas junto à coordenação da faculdade e são feitas por meio da doação de uma lata de leite em pó. Os estudantes conhecerão as tendências e tecnologias mais recentes ligadas à neurociência, além de entender temas relacionados ao estímulo do raciocínio e capacidade cerebral.

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Programação – Terça-feira (11) – Sala 201

13h40 - Palestra: Utilização de Animais Experimentais.

Palestrante: Professora Doutora Celina Dore.

14h20 - Palestra: Contribuições da Neuropsicologia para Educação.

Palestrante: Professora e Mestra Rosália Freire

15h - Palestra: Neuroplasticidade do Sistema Sensorial.

Palestrante: Professora e Doutora Renata Figueiredo

15h40 - Palestra: Estratégias de Hidratação e Resposta Cognitiva em Atletas.

Palestrante: Professora e Especialista Lawrence Borba

16h20 - Palestra: Estimulação cerebral para melhoria do desempenho físico.

Palestrante: Professora Mestre Leônidas Neto

17h - Palestra: Neurociências Aplicada a Psicologia.

Palestrante: Professor e Doutor Lídio França

Os cérebros dos homens e das mulheres estão conectados de forma muito diferente, revelou nesta segunda-feira (2) um estudo feito com escâner, que parece confirmar certos estereótipos sobre atitudes e comportamentos próprios de cada sexo.

"Estes mapas da conectividade cerebral mostram diferenças impactantes, embora também complementares, na arquitetura do cérebro humano, que ajudam a elaborar uma potencial base neuronal que explique porque os homens são brilhantes em algumas tarefas, e as mulheres, em outras", afirmou Ragini Verma, professora de Radiologia da Faculdade de Medicina da Universidade da Pensilvânia (leste) e principal autora desses trabalhos, publicados nas Atas da Academia Americana de Ciências (PNAS, na sigla em inglês).

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O estudo, realizado com 949 pessoas saudáveis (521 mulheres e 428 homens) com idades entre 9 e 22 anos, revela no homem uma quantidade maior de conexões na parte dianteira do cérebro, centro de coordenação das ações, e a traseira, onde fica o cerebelo, importante para a intuição. As imagens mostram também uma grande quantidade de conexões dentro de cada um dos hemisférios do cérebro.

Semelhante conectividade sugere que o cérebro masculino está estruturado para facilitar a troca de informações entre o centro da percepção e o da ação, segundo Ragini Verma. Quanto às mulheres, essas conexões unem o hemisfério direito, onde se encontra a capacidade de análise e tratamento da informação, até o hemisfério esquerdo, centro de intuição, explicou.

A cientista explica que os homens são, em média, mais aptos a aprender e executar uma única tarefa, como andar de bicicleta, esquiar ou navegar, enquanto as mulheres têm uma memória melhor e uma inteligência social maior, que as torna mais aptas a executar multitarefas e encontrar soluções para o grupo.

Cérebros 'realmente complementares' - Estudos feitos no passado já tinham mostrado diferenças entre os cérebros masculino e feminino, afirmaram os autores. Mas, acrescentam, essa conectividade neuronal de regiões no conjunto do cérebro nunca tinha sido vinculada a aptidões cognitivas em um grupo tão grande.

"Também é impactante constatar quanto os cérebros da mulher e do homem são realmente complementares", afirmou Ruben Gur, professor de Psicologia na Faculdade de Medicina da Universidade da Pensilvânia, um dos principais autores destes trabalhos.

"Os mapas detalhados do conectoma (mapa completo das conexões cerebrais) no cérebro não vão só nos ajudar a entender melhor as diferenças na forma como homens e mulheres pensam, mas também compreendermos melhor as causas dos distúrbios neurológicos, frequentemente vinculados ao sexo da pessoa", afirmou.

As próximas pesquisas deverão identificar com mais precisão quais conexões neuronais são próprias de um único sexo e quais compartilham as duas, explicou o psicólogo. Os autores observaram poucas diferenças de conectividade cerebral entre os sexos em crianças com menos de 13 anos. Em troca, as diferenças eram mais notáveis entre adolescentes de 14 a 17 anos, e jovens adultos com mais de 17 anos.

As observações publicadas neste trabalho correspondem aos resultados de um estudo sobre os comportamentos feito pela Universidade da Pensilvânia, que deixou em evidência as diferenças pronunciadas entre os dois sexos. A pesquisa revelou, assim, que as mulheres são superiores aos homens quanto à sua capacidade de atenção, memória das palavras e rostos, além das provas de inteligência social, mas os homens as superam em capacidade e velocidade do tratamento da informação.

Dormir permite ao cérebro limpar os resíduos acumulados no dia anterior graças a um mecanismo descoberto recentemente e que é ativo sobretudo durante o sono, demonstra um estudo publicado esta quinta-feira (17) na revista Science. Como um zelador que varre os corredores depois que as luzes se apagam, no cérebro ocorrem grandes mudanças quando dormimos que lhe permitem tirar o lixo e manter as doenças longe.

A descoberta pode fazer avançar a compreensão das funções biológicas do sono, explicaria porque passamos um terço da vida dormindo e permitiria encontrar tratamentos contra doenças neurológicas como o mal de Alzheimer, afirmam os cientistas autores deste estudo. "Esta pesquisa mostra que o cérebro tem diferentes estados de funcionamento durante os períodos de vigília e de sono", explicou o doutor Maiken Nedergaard, da faculdade de Medicina da Universidade de Rochester (Nova York, nordeste), principal autor do estudo.

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"De fato, a natureza reparadora do sono resultaria da eliminação destes resíduos produzidos pela atividade neuronal que se acumulam no período de vigília", acrescentou. O mecanismo integrado no sistema sanguíneo impulsiona o fluido cérebro-espinhal através dos tecidos e o devolve purificado.

Em experimentos de laboratório feitos em ratos, os cientistas viram como o lixo celular era jogado para fora do cérebro através de vasos sanguíneos para o sistema circulatório do corpo e, finalmente, para o fígado, onde são eliminados. A eliminação das toxinas no cérebro é essencial, visto que seu acúmulo na forma de proteínas tóxicas pode provocar doenças. Segundo os cientistas, quase todas as patologias neurodegenerativas estão vinculadas a um acúmulo de dejetos celulares.

Entre os dejetos eliminados nas cobaias de laboratório estavam a proteína beta amiloide, que quando se acumula é um gatilho para o aparecimento do mal de Alzheimer. O processo é acelerado durante o sono porque as células do cérebro se retraem cerca de 60%, permitindo ao fluxo se mover mais rápido e mais livremente pelo cérebro, permitindo que os dejetos sejam eliminados mais facilmente.

Toda a operação acontece no que os cientistas chamam de 'glinfático', que parece ser 10 vezes mais ativo durante o sono do que durante a vigília e permite limpar a maior parte das toxinas responsáveis pelo mal de Alzheimer e outras doenças neurológicas. "O cérebro tem energia limitada à sua disposição", afirmou Nedergaard. "É como organizar uma festa em casa. Você pode entreter os convidados ou limpar a casa, mas realmente não pode fazer as duas coisas ao mesmo tempo", explicou.

Uma equipe de 49 pesquisadores liderada pelo neuropsiquiatra João Ricardo de Oliveira, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), descobriu o terceiro gene (PDGF-B) ligado à formação de calcificações no cérebro. A anomalia atinge apenas 1% dos jovens no mundo, mas chega a 20% entre as pessoas com mais de 80 anos. 

A doença ocorre a partir da formação de material ósseo dentro do cérebro, onde o tecido não deveria existir. Essas calcificações começam a se formar no cerebelo e nos núcleos da base, que são estruturas relacionadas a várias funções. Apesar dos estudos avançados, não se descobriu as causas exatas ligadas a esse fenômeno.

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“O que dificulta é o fato dos sintomas das calcificações serem semelhantes aos da esquizofrenia, mal de parkinson e até mesmo ao da enxaqueca. Quando se estuda amostra de sangue e de urina desses pacientes não se detecta nenhuma alteração bioquímica e hormonal. Somente uma tomografia é capaz de identificar a anomalia”, explica Oliveira.

Ao longo dos anos de pesquisa os estudiosos descobriram que a deficiência ocorre através da transmissão genética, mas também pode estar relacionada a outros fatores. Os três primeiro genes explicam apenas metade das famílias com essa doença e por isso ainda é necessário buscar novos genes.

“São achados importantes para descobrir a origem das causas dessas calcificações. Isso é fundamental para definir estratégias como aconselhamento genético, onde se diminui a chance da doença ser transmitida e planejar novos tratamentos”, afirmou.

O grupo internacional encabeçado pelo professor pernambucano também desenvolveu um modelo animal para estudar os efeitos e medicamentos para a doença. Atualmente não existem tratamentos específicos para as calcificações do cérebro, somente remédios que tratam os sintomas e não as causas.

“Nós utilizamos camundongos que simulam a doença em humanos. Neles o estudo e a triagem de medicações serão feitas de forma mais rápida. Nós já desenvolvemos um ensaio clinico para pacientes brasileiros que fazem uso de medicamentos prescritos para doenças com outros tipos de calcificação e acreditamos que essa medicação pode beneficiar outros pacientes”, concluiu.

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Uma mulher de 65 anos já falecida forneceu aos cientistas o material para o primeiro modelo tridimensional do cérebro humano em super alta resolução, anunciaram os cientistas responsáveis pela façanha esta quinta-feira.

O mapa da mente foi meticulosamente criado por cientistas de Alemanha e Canadá e é 50 vezes mais detalhado do que a última tentativa já feita, contendo 100 mil vezes mais dados do que uma ressonância magnética tradicional, afirmaram.

O mapa tridimensional, descrito na revista científica americana Science, visa a oferecer uma nova perspectiva para cientistas que quiserem estudar distúrbios cerebrais, tais como mal de Alzheimer, Parkinson, entre outras doenças.

Conhecido como BigBrain, este é "o primeiro modelo cerebral já feito em 3D que realmente apresenta um cérebro humano realista com todas as células e estruturas do cérebro humano", disse o autor-sênior Karl Zilles, professor do Centro de Pesquisas de Julich, em Aachen, Alemanha.

Foi feito a partir de 7.400 seções de um cérebro humano, cuidadosamente fatiados com uma espessura de 20 micrômetros. Os segmentos foram dispostos em lâminas e tingidos para revelar estruturas cerebrais e digitalizadas com um escâner de alta resolução.

O resultado é um esqueleto anatômico das estruturas do cérebro, no qual os cientistas podem inserir informações adicionais sobre as condições da vida humana para um estudo detalhado.

"Nós elevamos o nível de ordens de percepção com uma magnitude além do que era possível na virada do século XX", afirmou Alan Evans, professor do Instituto Neurológico de Montreal na Universidade McGill, no Canadá.

"Este conjunto de dados vai revolucionar nossa habilidade para compreender a organização interna cerebral", acrescentou.

Mais informações estão disponíveis no site BigBrain.Loris.ca.

O projeto é o primeiro a criar imagens tão avançadas. Outras iniciativas de mapeamento cerebral foram lançadas nos Estados Unidos e na China.

Pesquisadores desenvolveram uma forma de tornar um cérebro completamente transparente, para poder estudar, em três dimensões, sem dissecção e com todos os neurônios e estruturas moleculares, o que acontece em seu interior.

"Nós usamos processos químicos para transformar os tecidos biológicos e preservar sua integridade, tornando-os transparentes e permeáveis a macromoléculas", resumiu em um comunicado Kwanghun Chung, principal autor do estudo.

Esta técnica, batizada de "Clarity" por seus inventores da Universidade de Stanford, foi utilizada no cérebro de um rato morto e também em um cérebro humano preservado por mais de seis anos. Poderá ainda ser aplicada a outros órgãos, de acordo com pesquisa publicada nesta quarta-feira na revista científica britânica Nature.

Desenvolvida sob a liderança de Karl Deisseroth, psiquiatra e especialista em bioengenharia, esta nova técnica pode revolucionar a compreensão da função cerebral, suas doenças e como afetam o nosso comportamento.

Formado por uma massa de matéria cinzenta e circuitos aninhados, o cérebro é como uma misteriosa caixa preta cheia de circunvoluções. Os cientistas têm procurado há muito tempo desvendar seus mistérios, a fim de entender como ele funciona e porque às vezes não funciona.

Para ver mais claramente, a equipe de Karl Deisseroth procurou simplesmente uma maneira de se livrar de elementos opacos do cérebro. Mas, o que faz o cérebro "opaco", impermeável a substâncias químicas e a luminosidade, são os lipídios, ou seja, as gorduras.

O problema é que estas gorduras ajudam a formar as membranas celulares e dão estrutura ao cérebro. E se forem removidas, os tecidos remanescentes se desmancham como um pudim muito aguado. Os pesquisadores de Stanford conseguiram, pela primeira vez, substituir esses lipídios por hidrogel, um gel composto principalmente por água.

A receita parece simples: mergulhar o cérebro intacto na solução de hidrogel e dar tempo para que suas pequenas moléculas penetrem nos tecidos. Em seguida, é só aquecer a 37 °C - a temperatura do corpo humano - por três horas para endurecer a mistura.

Nesta fase, o cérebro e o hidrogel formam uma "estrutura híbrida" que mantém os lipídios no lugar, mas não os aprisiona. Resta extrair os lípidos por meio de uma corrente eléctrica "eletroforese").

O que resta? Um cérebro transparente mantendo todas as suas estruturas: neurônios, fibras nervosas, interruptores e conexões entre os neurônios, proteínas, etc. "Acreditávamos que se pudéssemos remover os lipídios de maneira não destrutiva, poderíamos fazer penetrar luz e macromoléculas nos tecidos, o que permitiria realizar imagens em 3D, bem como uma análise molecular em 3D de um cérebro intacto", explica Karl Deisseroth.

Acertaram na aposta, porque, a partir do cérebro de rato "clarificado", os pesquisadores conseguiram criar um mapa de todos os circuitos do cérebro, globalmente ou de forma local. Melhor ainda, a equipe de Stanford mostrou que injetando e depois apagando marcadores fluorescentes no cérebro, pôde exibir informações que seriam impossíveis de recolher por outros meios: as interações físicas e químicas entre os vários componentes cerebrais.

Uma massa de informações, que deverá ser trabalhada por especialistas em computação de modelagem e de imagens médicas para o desenvolvimento de novas abordagens, a fim de explorá-la, assegura Deisseroth.

"O processo Clarity poderia ser aplicado a qualquer sistema biológico, e vai ser interessante ver como os outros ramos da biologia vão usá-lo", concluiu.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, saiu nesta terça-feira (2) em defesa de um esforço para mapear a atividade do cérebro humano em um grau sem precedente de detalhamento, numa tentativa de se encontrar melhores maneiras de tratar problemas como o mal de Alzheimer, o autismo, derrames e traumas cerebrais.

Em um evento na Casa Branca, Obama pediu ao Congresso que reserve US$ 100 milhões no ano que vem para dar início a um projeto, chamado de Iniciativa BRAIN, que irá explorar os detalhes do cérebro, que contém 100 bilhões de células e trilhões de conexões.

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Obama argumentou que a Iniciativa BRAIN tem potencial de geração de empregos e disse a cientistas reunidos na Casa Branca que a pesquisa tem potencial para melhorar as vidas de bilhões de pessoas pelo mundo.

"Como seres humanos, nós somos capazes de identificar galáxias a anos-luz de distância", disse Obama. "Somos capazes de estudar partículas menores que um átomo, mas ainda não desvendemos o mistério desse quilo e meio de matéria que fica entre nossas orelhas", observou.

Trata-se de um investimento relativamente pequeno dentro do Orçamento federal norte-americano - equivale a menos de um quinto do que a agência aeroespacial dos EUA (Nasa, por suas iniciais em inglês) gasta ao ano só para estudar o sol -, mas ainda não é possível determinar como o Congresso reagirá ao apelo de Obama.

As informações são da Associated Press.

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