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Uma explosão em um prédio na Piazzale Libia, em Milão, deixou pelo menos seis pessoas feridas, sendo uma em estado em grave, na manhã deste sábado (12).

A causa do incidente ainda não foi identificada, mas as autoridades suspeitam de um possível vazamento de gás, de acordo com a procuradora-adjunta Tiziana Siciliano.

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"Eu estava passando quando houve a explosão, a onda de choque me moveu um metro", afirmou umas das testemunhas da explosão.

Segundo a polícia local, o caso mais grave é um homem de 30 anos, cuja identidade não foi revelada, que sofreu queimaduras de segundo e terceiro graus em todo o corpo. Ele foi levado para o hospital Niguarda.

Pelo menos 50 pessoas estavam no edifício durante a explosão, que provavelmente ocorreu no primeiro andar. Ao todo, nove ambulâncias estão no local prestando os primeiros socorros, bem como policiais, bombeiros e outras autoridades.

No interior do edifício houve uma série de desabamentos de paredes internas. As equipes de emergência procuram algumas pessoas desaparecidas. Acredita-se que elas provavelmente deixaram a área no momento do desespero.

"Acordei há alguns minutos e eu estava prestes a servir o café, por causa do estrondo fiquei com tanto medo que a cafeteira escorregou das minhas mãos", contou à ANSA Maddalena, uma estudante que mora em um dos prédios em frente à praça.

Entre as pessoas resgatadas está uma menina de 15 anos com trauma no tornozelo. Três outras mulheres também foram recuperadas e levadas para os hospitais da região.

As autoridades milanesas abriram uma investigação para identificar a origem do vazamento. "Provavelmente é gás metano, teremos que investigar a origem do vazamento. Fizemos o corte do gás em todo o prédio que foi evacuado", explicou Maurizio Pendini, diretor do comando da Brigada de Bombeiros de Milão. 

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Da Ansa

Na fornalha em chamas de uma fábrica de vidro no Líbano, um trabalhador recolhe grandes pás de vidro quebrado. Toneladas de vidro pulverizado pela explosão no porto de Beirute serão recicladas para a produção de jarras e garrafas.

Uma vez derretido nesta fábrica na cidade de Trípoli, o vidro será transformado nesses utensílios, graças a uma iniciativa lançada por associações e voluntários encarregados de limpar os entulhos após a explosão de 4 de agosto, que devastou bairros inteiros na capital do Líbano. Naquele dia, janelas e vitrines explodiram em milhares de pedaços por toda a cidade.

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“Decidimos que uma parte de todo esse vidro pulverizado (...) vai para as indústrias locais para servir de matéria-prima”, explica Ziad Abi Chaker, um ativista ambiental que dirige a empresa de reciclagem Cedar Environmental e se mobilizou junto com outros voluntários da sociedade civil libanesa.

Um mês após a tragédia que causou mais de 190 mortos e 6.500 feridos, caminhões carregados com cacos de vidro coletados nos bairros devastados continuam fornecendo material para empresas familiares em Trípoli.

Reciclar 24 horas por dia

"Trabalhamos 24 horas por dia", disse à AFP Wissam Hammoud, vice-presidente da United Glass Production Company (Uniglass), uma empresa de vidro fundada por seu avô em Trípoli. “Aqui temos os vidros da explosão de Beirute”, continua o jovem, enquanto aponta para os altos montes que se acumulam no pátio e são selecionados pelos trabalhadores.

Com as mãos protegidas por luvas de borracha, os funcionários separam o vidro das pedras e da areia, antes de levá-lo ao forno. A pasta elástica resultante é então usada por um soprador de vidro para dar forma a jarras ou garrafas de gargalo comprido e estreito, típicas do artesanato libanês.

No total, as duas fábricas de Trípoli já receberam cerca de 58 toneladas de vidro, segundo Abi Chaker, que, com recursos adequados, espera poder enviar até 250 toneladas. De acordo com suas estimativas, a explosão teria estilhaçado mais de 5 mil toneladas de vidro.

O objetivo é que todo esse material não acabe nos aterros sanitários do país. Por décadas, as autoridades libanesas falharam em adotar políticas eficazes de gestão de resíduos. Apesar de várias tentativas população, a reciclagem só é aplicada a 10% do tratamento de resíduos, segundo estatísticas oficiais.

Escombros

Nos bairros destruídos Mar Mikhael, Gemmayzeh ou Karantina, os voluntários continuam a limpar os escombros e varrer pequenos pedaços de vidro do chão de cozinhas e quartos abandonados, onde fazem uma primeira seleção para isolar o vidro.

“Temos montanhas de entulho acumulados em Beirute”, alerta Anthony Abdel Karim, um dos voluntários encarregados de coordenar a coleta dos vidros. “Tem vidro, entulho e metal, que se misturam ao lixo orgânico. Não é algo saudável”, acrescenta. “No Líbano, não há reciclagem digna dessa designação”.

Há algumas semanas, ele lançou sua própria iniciativa de reciclagem, chamada Annine Fadye (garrafa vazia, em árabe). Abdel Karim, profissional do setor de serviços em uma cidade conhecida por sua vida noturna, se envolveu com a difícil questão da reciclagem ao ver a grande quantidade de garrafas vazias geradas nas noites de festa.

O vidro enviado a Trípoli "é apenas a parte visível do iceberg", diz Abdel Karim. Também existem fragmentos que não podem ser reciclados. Para eles, talvez seja necessário encontrar outra fórmula, talvez triturá-los com cimento ou outros materiais. “Precisamos de tempo, isso é algo que sabemos”, reconhece o jovem voluntário.

O número de mortos na explosão de gás na sexta-feira (4) em uma mesquita em Bangladesh subiu para 24, informaram as autoridades neste domingo.

Os fiéis estavam na oração noturna quando a explosão provocou uma bola de fogo na mesquita localizada no distrito de Narayanganj, segundo os serviços de emergência, que inicialmente relataram 16 mortos.

Oito outras pessoas - incluindo o imã e o muezim, que lideravam a oração - morreram nas últimas horas, elevando o número total de vítimas fatais para 24, disse Samantha Lal Sen, porta-voz do hospital de queimados de Daca.

"O estado de 13 feridos é crítico. Algumas vítimas têm queimaduras em 70-80% do corpo", disse à AFP antes de informar que o número de mortes pode aumentar.

No total, 45 pessoas ficaram feridas, segundo a polícia.

Os investigadores suspeitam que a explosão foi causada por uma faísca no ar condicionado após uma queda de energia.

O presidente do comitê de investigação, Abdul Gafur, disse à AFP que a mesquita tinha problemas de canalização de gás há dias.

Em Bangladesh, os edifícios muitas vezes violam as normas de segurança, com centenas de pessoas morrendo a cada ano neste país de 168 milhões de habitantes.

Equipes de resgate escavavam nesta quinta-feira (3) escombros em um bairro de Beirute, capital do Líbano, em busca de sobreviventes das duas explosões que, em 4 de agosto, destruíram parte da cidade e mataram 190 pessoas. Havia uma pequena esperança: bombeiros relataram a detecção de um fraco batimento cardíaco cerca de 2 metros abaixo dos destroços. "Pode haver sobreviventes", afirmou o governador da cidade, Marwan Abboud. Sete pessoas continuam desaparecidas, segundo o exército libanês.

Um mês depois da tragédia, autoridades ainda não conseguiram determinar a causa das explosões - embora tenham ordenado a prisão de alguns dos possíveis responsáveis. Parte das vítimas ainda não se recuperou e as consequências econômicas, que devem perdurar no país, que já vivia uma crise, começaram a ser sentidas.

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Até agora, 21 pessoas, a maioria delas funcionárias portuárias ou alfandegárias, foram presas por algum tipo de envolvimento no incidente. Na última segunda-feira, 31, o juiz Fadi Sawwan, responsável pelas investigações, expediu dois mandados de prisão contra o diretor de transporte marítimo do Ministério dos Transportes e um alto funcionário, informou a agência estatal de notícias National News.

Apesar das prisões, as circunstâncias exatas da explosão ainda não são totalmente conhecidas. Nenhuma evidência conclusiva foi encontrada na primeira fase dos interrogatórios, afirmou Sawwan.

Uma das linhas de investigação trabalha com a possibilidade de que o incidente tenha se originado durante a soldagem de uma porta quebrada no armazém número 12. Três trabalhadores, todos atualmente sob custódia, teriam gerado faíscas que causaram o incêndio - que, por sua vez, causou a explosão.

Documentos que surgiram após a tragédia indicam que algumas autoridades tinham conhecimento há meses de que 2.750 toneladas de nitrato de amônio estavam sendo incorretamente armazenadas em um depósito do porto.

Oficiais franceses, russos e americanos colaboram com a investigação. O caso deve ser transferido para a mais alta corte do país, e não caberá recurso.

Vítimas

A explosão deixou 190 mortos e feriu mais de 6,5 mil pessoas. Entre elas, ao menos 150 devem ficar permanentemente incapacitadas, segundo uma contagem do Ministério da Saúde do país. "O número pode ser ainda maior, mas ainda estamos no processo de vasculhar os casos em vários hospitais antes de chegar a uma contagem exata", disse Joseph al-Hilw, diretor de assistência médica do Ministério, segundo a Al Jazeera. A maioria dessas 150 pessoas teve perda de visão e/ou de membros.

Além disso, muitas pessoas enfrentam agora o transtorno de estresse pós-traumático, que deve levar muito tempo para ser superado, segundo as autoridades. O Ministério se responsabilizou pelo tratamento vitalício dos sobreviventes; no caso de refugiados, agências da ONU precisarão arcar com os custos.

Consequências econômicas

A explosão causou até US$ 4,6 bilhões em danos físicos, disse o Banco Mundial em um relatório divulgado na segunda-feira. Ela deixou quase 300 mil pessoas desabrigadas, destruiu grande parte do porto e danificou bairros inteiros.

Os setores social, de habitação e de cultura foram os mais afetados, sofrendo danos substanciais que totalizam entre US$ 1,9 bilhão e US$ 2,3 bilhões e US$ 1 bilhão e US$ 1,2 bilhão, respectivamente, acrescentou o órgão.

O Líbano está atolado na pior crise econômica e financeira de sua história moderna, com uma dívida externa girando em torno de 170% do PIB. Juntas, a crise, a pandemia e a explosão elevaram a taxa de pobreza de 28%, em 2019, para 55% em 2020.

Prevê-se que a fome piore, com mais de 50% da população sob risco de não ter acesso a alimentos básicos até o final de 2020. Entre US$ 35 e US$ 40 milhões serão necessários nos próximos três meses para atender às necessidades básicas de 90 mil pessoas afetadas pela explosão.

Para muitos libaneses,a explosão foi a tragédia que fez o copo transbordar. Alguns começaram a deixar o país, com uma empresa de pesquisa relatando um aumento de 36% nas partidas diárias de passageiros. De acordo com dados do Google, a busca no país pela palavra "imigração" atingiu seu maior pico nos últimos dez anos.

Relembre o caso

No dia 4 de agosto, duas fortes explosões atingiram a região do porto de Beirute. Registradas em vídeos que rapidamente tomaram as redes sociais, elas foram sentidas em cidades vizinhas e até no Chipre, ilha que fica a 240 quilômetros de distância. Testemunhas relataram tremor e janelas quebradas em várias partes da capital do Líbano.

O primeiro choque, segundo a TV Al-Manar, veículo oficial do Hezbollah, aconteceu pouco antes das 18 horas (12 horas em Brasília). Ele teria provocado um incêndio em um depósito de fogos de artifício. Philip Boulos, que governa a região de Beirute, disse que uma equipe de bombeiros foi enviada para conter o fogo. Alguns minutos depois, veio a segunda explosão.

De acordo com o governo, o choque mais violento aconteceu após o fogo atingir 2,7 mil toneladas de nitrato de amônio que estavam incorretamente armazenados no local.

O nitrato de amônio é um fertilizante amplamente usado na agricultura - e já esteve ligado a outras explosões no passado. O composto, por si só, é relativamente pouco explosivo, mas tem grande potencial para causar estragos.

A carga havia chegado ao Líbano em setembro de 2013 a bordo de um navio de carga de propriedade russa com uma bandeira da Moldávia e descarregada e colocada no armazém 12 do porto. (Com agências internacionais).

O Exército libanês informou na quinta-feira (3) que encontrou outras 4,35 toneladas de nitrato de amônio perto da entrada 9 do porto de Beirute, local de uma grande explosão causada pelo mesmo produto há exatamente um mês. A tragédia matou cerca de 190 pessoas e deixou 6,5 mil feridos. O governo estima que os prejuízos cheguem a US$ 15 bilhões.

A explosão de 4 de agosto foi sentida em cidades vizinhas e até no Chipre, ilha que fica a mais de 250 quilômetros de distância do Líbano. As autoridades disseram que o acidente foi causado por cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amônio armazenadas de forma irregular por anos no porto da capital.

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Na quinta-feira, o presidente libanês, Michel Aoun, ordenou que fossem feitos reparos na velha infraestrutura de reabastecimento do aeroporto de Beirute e pediu uma investigação após um relatório indicar que milhares de litros de combustível vazaram do sistema. A notícia aumentou o temor de que o país possa enfrentar outra tragédia. "Nenhuma explosão nos espera", disse o responsável pelo aeroporto, Fadi el-Hassan, em uma tentativa de acalmar a população.

O Exército não esclareceu a origem das 4,35 toneladas de nitrato de amônio, nem como elas foram parar no porto, mas disse que o material foi levado para um local seguro.

As 2.750 toneladas que explodiram há um mês tinham sido apreendidas em 2013 de um navio russo com bandeira da Moldávia, que havia feito uma parada de emergência por problemas técnicos. A carga havia sido armazenada em um galpão do porto da capital do Líbano.

Apesar de o diretor-geral da alfândega, Badri Daher, e do gerente do porto, Hassan Koraytem, alertarem repetidamente sobre o perigo de se manter o nitrato de amônio sem as medidas de segurança exigidas, os alertas foram ignorados.

Na terça-feira (1°), as autoridades judiciais libanesas emitiram ordens de prisão para mais quatro suspeitos acusados pela explosão. Já haviam sido emitidos mandados para 21 suspeitos. Segundo uma fonte, os quatro novos suspeitos seriam o chefe dos serviços de inteligência militar do porto, um oficial de segurança do Estado e dois membros da segurança geral.

As circunstâncias exatas da explosão ainda não são conhecidas, mas as suspeitas recaem sobre determinados trabalhos de soldagem realizados no armazém, que teriam desencadeado um incêndio que, por sua vez, provocou a explosão.

Reforma

Os Estados Unidos pediram que os líderes libaneses promovam reformas profundas nos sistema político após a explosão, garantindo que sua mensagem seja consistente com a do presidente francês, Emmanuel Macron, que visitou o país nesta semana.

"Este governo precisa realizar reformas, os libaneses exigem uma mudança real e os EUA usarão seu peso diplomático e recursos para garanti-la", disse o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo. "A situação não pode mais continuar como antes, é simplesmente inaceitável. Acho que o presidente Macron disse o mesmo."

Pressão externa

Desde a explosão no porto de Beirute, o presidente francês tem pressionado as autoridades libanesas para reformar o país. Durante sua segunda visita ao Líbano em um mês, Macron conseguiu, na terça-feira, que os líderes políticos se comprometessem a formar um novo governo em 15 dias para realizar as mudanças exigidas pela população.

Macron deu ao Líbano até o final de outubro para começar a realizar as reformas, ou então a ajuda financeira enviada ao país será retida. Ele também alertou que sanções serão impostas se ficar comprovado algum caso de corrupção.

Ontem, Pompeo questionou a participação no governo libanês do movimento xiita Hezbollah, aliado do Irã e considerado uma organização terrorista por Washington. "Conhecemos a história do Líbano: todos entregam suas armas, exceto o Hezbollah. É o desafio atual", afirmou Pompeo.

O novo primeiro-ministro libanês, Mustapha Adib, ex-embaixador na Alemanha, nomeado na segunda-feira, vem mantendo consultas parlamentares para formar um novo governo o mais rápido possível.

Normalmente, o processo de formação pode demorar meses, em razão de artimanhas políticas. No entanto, a pressão internacional, especialmente da França, e também dos libaneses, amplificada pela explosão, tornou mais urgentes as mudanças para tirar o país da pior crise econômica em décadas.

Na quarta-feira, o papa Francisco disse que o Líbano enfrenta um "perigo extremo" e não pode ser "deixado por conta própria". Em uma longa mensagem dedicada aos libaneses, o papa pediu aos crentes do mundo "um dia universal de jejum e oração pelo Líbano hoje, quando se completa um mês da terrível explosão no porto de Beirute". (Com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

As autoridades libanesas emitiram ordens de prisão para 25 suspeitos acusados pela grande explosão no porto de Beirute, informou uma fonte judicial à AFP quatro semanas após a tragédia. Até agora, as autoridades judiciais emitiram mandados de prisão para 21 suspeitos ligados à explosão de 4 de agosto, que matou pelo menos 188 pessoas, feriu mais de 6.500 e devastou bairros inteiros da capital libanesa.

Nesta terça-feira, o juiz instrução responsável pela investigação, Fadi Sawan, emitiu mandados de prisão para quatro novos suspeitos após o interrogatório, segundo uma fonte judicial. Segundo a fonte, seriam o chefe dos serviços de inteligência militar do porto, um oficial de segurança do estado e dois membros da segurança geral.

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A explosão, que abalou a capital libanesa, havia sido explicada pelas autoridades como causada pelo armazenamento por seis anos sem as devidas medidas de segurança de uma enorme quantidade de nitrato de amônio em um armazém no porto de Beirute.

No entanto, as circunstâncias exatas da explosão ainda não são conhecidas.

Segundo fontes de segurança, determinados trabalhos de soldadura realizados no armazém provocaram um incêndio que, por sua vez, provocou a explosão.

Por volta das 13h30 deste domingo (30), uma lancha explodiu e deixou cinco feridos em Marinha Farinha, na Região Metropolitana do Recife. Equipes de resgate foram acionadas às pressas para a MF Marina Clube e as vítimas foram encaminhadas para receber atendimento hospitalar.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, uma das cinco vítimas perdeu a sensibilidade das pernas e foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).

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As outras quatro vítimas não tiveram as identidades reveladas, mas tratam-se de duas mulheres, com 40 e 56 anos, que apresentaram queimaduras nas pernas e braços. As demais foram homens, de 54 e 56, que também sofreram queimaduras nos membros inferiores e uma lesão na boca. Todos foram conduzidos ao Hospital da Restauração, na área Central do Recife.

Desde que a explosão de agosto destruiu estruturas da casa de sua família em Beirute, Basam Basila tem resistido à pressão de um proprietário de um edifício próximo que tenta comprar esse imóvel histórico, passado de pai para filho.

"Ele quer que eu venda a casa para demolir" e construir outro prédio, conta o homem de 68 anos, em sua casa no bairro de Monot. A explosão, causada por uma grande quantidade de nitrato de amônio armazenada no porto de Beirute, causou 188 mortes e devastou áreas inteiras da capital libanesa, aguçando o apetite dos tubarões imobiliários.

De acordo com o último balanço das autoridades neste sábado, sete pessoas ainda estão desaparecidas há mais de três semanas após a gigantesca explosão.

Como Basila, outros habitantes das ruas atingidas - especialmente nos bairros de Mar Mikhael, Gemmayzé e Monot - e autoridades locais lamentam a ganância de quem quer se "aproveitar" da tragédia para prosperar nos negócios.

O mesmo possível comprador, que comprou o andar térreo da casa na esperança de adquirir o restante, já havia feito uma oferta tentadora a Basila. "Ele me disse 'você vai acabar cedendo'", relata o motorista de táxi.

Para incentivá-lo a sair, o investidor agora se abstém - segundo ele - de "recuperar o andar térreo", fragilizado pela explosão. Mas "eu nasci nesta casa e meu pai nasceu nela (...) Não posso morar em outro lugar", ressalta Basila, que critica o Estado: "Sem ajuda não dá para restaurar nada!".

Dos 576 edifícios históricos de Beirute inspecionados pelo Ministério da Cultura, 44 têm risco de desabamento e 41 estão expostos ao risco de desabamento parcial.

Após a explosão, quando os cidadãos vieram relatar os danos em suas casas, Bechara Ghulam, o prefeito do distrito de Rmeil, no norte de Beirute, contou ter recebido a visita de um desses "corretores", que se propôs a comprar os imóveis para pessoas físicas que não queriam se identificar.

"Ele mostrou sua vontade de comprar casas danificadas pela explosão e sua disposição para 'pagar qualquer quantia' que os proprietários quisessem". "Eu respondi que não venderíamos", explicou Ghulam.

A tentação é forte em um contexto de grave crise econômica no Líbano, que vive uma desvalorização da libra libanesa, uma inflação galopante e uma escassez de dólares. Muitos libaneses vivem na pobreza.

Órgãos políticos e religiosos alertaram contra esses "abutres" rondando a capital libanesa, e os ministérios da Cultura e da Economia proibiram a venda de propriedades danificadas até que o trabalho de restauração seja concluído.

Em Beirute, dias após a fatídica explosão de 4 de agosto, grupos de manifestantes indignados ergueram forcas fictícias com silhuetas de papelão representando os principais líderes, com a corda em volta do pescoço, incluindo o chefe do Hezbollah, outrora considerado intocável.

Essa cena inédita derrubou um velho tabu e foi seguida pela acusação, por parte de um tribunal internacional, de um membro do Hezbollah no assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafic Hariri, há quinze anos. Um novo golpe para o partido xiita aliado do Irã e da Síria.

"Nas horas que se seguiram à explosão, muitos acusaram o Hezbollah", afirma Fares al Halabi, um organizador das manifestações em massa contra o governo em outubro passado.

Muitos libaneses viram nesta explosão, que devastou bairros inteiros da capital e matou pelo menos 181 pessoas, uma prova flagrante de que a corrupção mata e responsabilizaram seus líderes pela tragédia.

Um sentimento de raiva que se fez presente nas redes sociais, como demonstrado em uma imagem da grande fumaça provocada pela explosão, em forma de cogumelo, coberta com um turbante preto com a mensagem "Sabemos que foi você", em alusão ao chefe do Hezbollah, Hasán Nasralá.

Vários libaneses consideram que a responsabilidade da explosão deve recair em todos os partidos no poder, principalmente no Hezbollah, que domina a vida política.

Alguns acusam o movimento xiita de ter guardado a enorme quantidade de nitrato de amônio que causou a catástrofe, e que estava armazenada no porto, para usá-la na guerra da Síria, onde apoia o governo. Uma acusação que o Hezbollah negou firmemente.

Caem os tabus

A tragédia ocorreu em meio a um Líbano afundado em uma grave crise política, econômica e social, e acentuou a rejeição das ruas aos líderes e ao Hezbollah, que também está na mira da justiça internacional.

Na terça-feira, o Tribunal Especial para o Líbano (TSL), com sede em Haia, declarou culpado um suposto membro do partido, Salim Ayash, pelo atentado que matou Rafic Hariri em 2005.

A investigação não estabeleceu nenhum vínculo direto com os líderes do Hezbollah ou com o governo sírio, mas reconheceu o caráter "político" do crime. Depois disso, o lema "Hezbollah terrorista" não demorou a se espalhar pela rede libanesa.

Um partido "como qualquer outro"

O envolvimento do Hezbollah no conflito sírio, oficialmente desde 2013, também manchou a imagem do movimento, construída durante décadas como "resistência" contra Israel.

No entanto, ao se envolver com a política libanesa, o Hezbollah se expôs ao risco de ser responsabilizado pelas decisões do Estado, das quais a explosão de 4 de agosto é um exemplo palpável.

Por muitos anos, "o Hezbollah conseguiu se apresentar como um partido anti-establishment", lembrou Naji Abou Khalil, militante do Bloco Nacional, partido que participou nos protestos.

Segundo ele, hoje o Hezbollah é visto mais como um "partido como qualquer outro" do que como um partido da resistência.

Primeiro veio a fumaça branca, seguida por uma explosão laranja e, pouco depois, uma nuvem preta. Essas são as últimas imagens de Rony Mecattaf antes de acordar com apenas um olho e uma Beirute destruída pela explosão.

"Perdi toda a visão lateral e talvez a imagem de mim mesmo. Quando me olho no espelho, não vejo a percepção que tinha de mim com os dois olhos", afirma este psicoterapeuta de 59 anos.

A explosão brutal de 4 de agosto no porto da capital libanesa causou pelo menos 177 mortes e mais de 6.500 feridos, a maioria deles por cacos de vidro.

Dessas pessoas, pelo menos 400 sofreram lesões oculares, mais de 50 precisaram de cirurgia e ao menos 15 ficaram com apenas um olho, segundo dados dos hospitais da região de Beirute.

Dez dias após a tragédia, Mecattaf ainda enxuga o sangue que às vezes emana de uma grande cicatriz que atravessa verticalmente sua pálpebra direita.

- "Intervenções angelicais" -

Mecattaf estava na varanda de um amigo, com vista para o porto, quando a explosão o jogou para a porta de entrada como "um grão de poeira". Ele ainda não sabe se foi a porta ou um pedaço de vidro que mutilou seu olho.

Seus médicos afirmaram que poderia ter sido simplesmente a onda da explosão, o que tornaria difícil repará-lo.

Ele sobreviveu graças a uma "série de intervenções angelicais" nas horas seguintes ao drama, com a ajuda de desconhecidos que o levaram a dois hospitais - já que o primeiro estava completamente danificado pela explosão.

"A cidade era uma visão do inferno", lembra Mecattaf, que finalmente conseguiu ser operado em Sidon, no sul do Líbano, graças a um amigo. Mas, após duas horas de esforços, os médicos não conseguiram salvar seu olho.

- "Meio cego" -

Em um hospital ao norte de Beirute, Maroun Dagher faz sua revisão semanal. Para este cientista da computação de 34 anos, a explosão "mudou tudo".

Seu rosto ficou colado a uma janela em uma rua muito próxima do porto e um caco de vidro de dois centímetros perfurou seu olho esquerdo.

Nos primeiros dias após a explosão, a dor "era apenas física". Mas a agonia não parou por aí. Alguns dias depois, ele soube que sua visão provavelmente foi afetada de forma permanente.

"Tenho sonhos em que consigo ver tudo, mas depois acordo", conta. "Nesse momento sinto emoções ruins [...] Você simplesmente acorda meio cego", lamenta.

- "O lugar mais seguro" -

Makhoul al Hamad, de 43 anos, vivia na cidade de Manbij, no norte da Síria. Este operário, que mora em Beirute desde 1995, achava que seu bairro, Mar Mikhael, era "o lugar mais seguro do Líbano" e definitivamente mais seguro do que seu país em guerra.

Por esse motivo, em 2016 ele levou a esposa e quatro filhos para Beirute, entre eles sua filha Sama, nascida em Manbij.

Sama estava sentada a poucos metros de uma janela no dia da explosão. Cacos de vidro atravessaram seu olho e a menina de cinco anos começou a sangrar absurdamente.

Uma semana depois, no telhado de sua casa danificada, Sama sorri com o olho coberto por uma bandagem. Ao longe, é possível ver o porto, praticamente devastado.

Sua retina foi rompida e os médicos disseram aos pais que seria necessário uma cirurgia restauradora no exterior. Mas eles não têm condições de bancar.

"Teria preferido que todo o sofrimento [...] recaísse sobre mim, se isso permitisse salvar Sama", confessa Hamad enquanto abraça a filha.

O número três da diplomacia dos Estados Unidos, David Hale, pediu neste sábado uma investigação "transparente" sobre a explosão do porto de Beirute, onde funcionários do FBI são aguardados para auxiliar as autoridades libanesas na questão.

"Devemos garantir que aconteça uma investigação transparente, completa e confiável", afirmou Hale durante uma visita ao porto da capital do Líbano.

"Não podemos recuar e voltar a uma época em que qualquer coisa poderia entrar pelo porto ou atravessar as fronteiras do Líbano", destacou em uma entrevista aos jornalistas.

No dia 4 de agosto um incêndio provocou uma forte explosão em um depósito do porto onde estavam armazenadas, segundo as autoridades, 2.750 toneladas de nitrato de amônio há seis anos, "sem medidas de proteção", como admitiu o primeiro-ministro Hassan Diab, que depois renunciou ao cargo.

A tragédia destruiu bairros inteiros de Beirute, com um balanço de pelo menos 177 mortos e 6.500 feridos.

As autoridades estavam a par, há anos, da presença das toneladas de nitrato de amônio, como admitiram algumas autoridades e fontes das forças de segurança.

O governo e a classe política do Líbano rejeitam uma investigação internacional, apesar das vozes no país e no exterior que defendem a medida.

David Hale anunciou na quinta-feira que a Polícia Federal (FBI) dos Estados Unidos deve se unir aos investigadores "a convite" das autoridades libanesas.

Ao mesmo tempo, a justiça da França abriu uma investigação: dois franceses morreram na tragédia.

O poderoso e influente movimento xiita libanês Hezbollah é acusado com frequência de ter suas entradas no porto de Beirute e administrar uma rede de contrabando na fronteira com a Síria, país vizinho que está em guerra.

Após a explosão, algumas pessoas acusaram o Hezbollah, considerado uma "organização terrorista" pelo governo dos Estados Unidos, de armazenar armas no porto, algo que o líder do movimento, Hassan Nasrallah, negou com veemência.

Hale pediu neste sábado às autoridades que retomem o controle da situação.

O FBI se unirá a outros especialistas internacionais que já estão no país, alguns deles procedentes da França.

As autoridades libanesas também abriram uma investigação, apesar das críticas sobre a credibilidade de seus resultados.

Em sua primeira sessão desde a explosão que arrasou Beirute, na semana passada, o Parlamento do Líbano aprovou a declaração de estado de emergência que dá mais poderes ao Exército em meio a protestos contra a classe política, apontada como responsável pela tragédia. Para grupos de direitos humanos, a medida representa uma ameaça às liberdades no país.

O estado de emergência com duração de duas semanas havia sido declarado pela primeira vez pelo presidente libanês, Michel Aoun, no dia da explosão, na terça-feira (4), mas precisava da aprovação parlamentar para torná-lo oficial.

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A partir de agora, o Exército poderá impor toques de recolher, ordenar o fim de assembleias ou reuniões e censurar publicações na imprensa que considere uma ameaça à segurança nacional. A medida também estende a capacidade de oficiais de julgar civis em tribunais militares e deve durar até 21 de agosto - com possibilidade de ampliação.

A decisão do Parlamento veio em um momento de fortes protestos - as autoridades são acusadas de negligência ao manter, por 6 anos, 2.750 toneladas de nitrato de amônio em condições inadequadas no porto de Beirute. O governo sabia da existência do material e dos perigos de deixá-lo no local.

A turbulência derrubou, na segunda-feira, o primeiro-ministro Hassan Diab, mas muitos ministros permaneceram alegando que uma saída em massa colocaria o país de volta ao impasse que enfrentou no ano passado, quando protestos forçaram a renúncia de outro primeiro-ministro Saad Hariri.

Karim Makdisi, professor associado de política internacional da Universidade Americana de Beirute, classificou a aprovação das medida como "um passo muito perigoso que pode levar ao abuso do poder do exército sem recurso para os cidadãos".

A sessão do Parlamento teve de ocorrer no teatro do Palácio da Unesco, em Beirute, pois os prédios do Legislativo foram atingidos pela explosão.

Karim Nammour, advogado e membro do conselho do The Legal Agenda, um grupo que monitora as políticas públicas no Líbano, disse que a declaração do estado de emergência seguiu uma "abordagem repressiva" semelhante à de emergências anteriores. "A lei realmente não especifica o que constitui uma ameaça à segurança, então isso pode ser interpretado sem critério para incluir outras atividades que não são necessariamente ameaçadoras, mas não são compatíveis com o regime ou visão dos poderes sobre como as coisas deveriam ser", disse.

Karim também afirma que permitir que as autoridades militares proíbam qualquer publicação de conteúdo que considerarem uma ameaça à segurança é o aspecto mais alarmante da medida de emergência, pois a imprensa tem desempenhado um papel importante ao responsabilizar as autoridades pelo desastre.

Os esforços de recuperação ainda estão em seus estágios iniciais na cidade, onde a explosão causou cerca de US$ 15 bilhões (R$ 80,4 bilhões) em danos, de acordo com o governo de Beirute. Grupos internacionais e organizações não governamentais assumiram a liderança nos esforços de ajuda.

Investigação

Ontem, David Hale, diplomata americano número três na hierarquia do Departamento de Estado dos EUA, visitou Beirute e disse que o FBI, o Departamento Federal de Investigação, participaria de uma apuração sobre a causa da explosão. "O FBI vai juntar forças com investigadores libaneses e estrangeiros, depois de receber um convite do Líbano", disse. Ao todo, 171 pessoas morreram 6,5 mil ficaram feridas na explosão no porto, que devastou metade de Beirute.

Autoridades francesas também abriram uma investigação por causa da presença de vítimas do país na tragédia.

Hale, que se encontrará com líderes libaneses e representantes da sociedade civil hoje, também lembrou que Washington apoia a formação de um governo "que responda à vontade de seu povo e esteja verdadeiramente comprometido e aja para adotar reformas". "Estamos a caminho de restaurar o que acredito que todos os libaneses querem ver: um Líbano liderado pelo povo libanês." (Com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O FBI trabalhará com investigadores libaneses e internacionais para esclarecer as causas da explosão que devastou o porto de Beirute na semana passada, anunciou David Hale, número três na diplomacia americana, nesta quinta-feira na capital libanesa.

"Quero anunciar que o FBI vai juntar forças com investigadores libaneses e estrangeiros muito em breve, depois de receber um convite do Líbano" para tentar esclarecer as causas da explosão que matou mais de 171 pessoas e deixou pelo menos 6.500 feridos, anunciou o oficial, ao visitar as áreas destruídas.

As autoridades libanesas anunciaram o início de uma investigação sobre a explosão causada por toneladas de nitrato de amônio armazenadas em um armazém no porto da capital.

O presidente Michel Aoun se opôs, entretanto, a uma investigação internacional.

As autoridades francesas também abriram uma investigação devido à presença de vítimas francesas e forneceram apoio logístico ao Líbano para esclarecer as causas da deflagração.

Hale, que se encontrará com líderes libaneses e representantes da sociedade civil na sexta-feira, também lembrou que Washington apoia a formação de um governo "que responda à vontade de seu povo e esteja verdadeiramente comprometido e aja para adotar reformas".

A explosão acentuou a agitação popular em relação a uma classe política acusada de corrupção e incompetência e forçou a renúncia na segunda-feira do executivo presidido por Hassan Diab.

No último dia 4 de agosto, o mundo acompanhou com perplexidade às imagens da explosão na região portuária de Beirute, capital do Líbano. O acidente causado pelo armazenamento de 2,75 mil toneladas de nitrato de amônio (NH4NO3), matou 160 pessoas, deixou mais de 5 mil feridos e desabrigou a população que vivia em um raio de 10 km do local da tragédia.

De acordo com as autoridades libanesas, o nitrato de amônio estava estocado há mais de seis anos no porto de Beirute. O produto, utilizado na composição de insumos agrícolas, inseticidas e aplicado na confecção de explosivos, é considerado seguro, mas pode se tornar ameaça se não armazenado de maneira correta, como explica o químico e pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas João Paulo Amorim de Lacerda.

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“O nitrato de amônio é uma substância estável em condições normais, ou seja, temperatura e pressão ambiente. O risco existe quando se mistura com outras substâncias químicas como compostos orgânicos, ácidos, alguns metais, liberando muito calor e gases que, dentro de um espaço confinado, podem levar às explosões”, destaca o especialista.

No mercado brasileiro, o produto representa 3% do que o país utiliza como fertilizantes na agricultura. Dados da consultoria especializada em agronegócio StoneX mostram que foram importadas cerca de 1,2 milhão de toneladas de nitrato de amônio em 2019.

Entretanto, com o incidente ocorrido no Líbano, a atenção dos profissionais especialistas no assunto foi posta em alerta ao redor do mundo. No Brasil, o Conselho Federal de Química (CFQ) reiterou, por meio de nota à imprensa, a importância do papel dos estudiosos do setor em relação à preservação da vida e da saúde da população.

“Considerando a responsabilidade pública do Sistema CFQ e os Conselhos Regionais de Química (CRQs) de proteger a sociedade brasileira, vimos reforçar a importância do envolvimento do profissional da Química no armazenamento de produtos químicos, especialmente os perigosos, por apresentarem potencial risco à saúde humana, ao meio ambiente e/ou às propriedades públicas ou privadas”, cita o comunicado.

Para Lacerda, é essencial que o manejo e o transporte desse tipo de composto químico tenham o acompanhamento de pessoas qualificadas. “O manuseio de um produto desse tipo exige a presença de um profissional capacitado e que conheça as características do produto, pois assim será apto a tomar providências para manter os riscos o mais baixo possível”, ressalta o pesquisador.

Ainda segundo ele, a tragédia do Líbano deve servir de exemplo para que os países reforcem os protocolos de segurança relacionados a produtos químicos tidos como perigosos.

“Os avanços na química e nas ciências em geral tornam a vida mais prática e por vezes resolvem questões cruciais para a humanidade, mas cada substância apresenta seus riscos se usada de maneira errada”, completa.

Mais da metade dos 55 hospitais avaliados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em Beirute, entre eles três dos mais importantes, não funcionam, alertou o diretor regional de emergências da instituição nesta quarta-feira (12), Richard Brennan, uma semana depois da violenta explosão que destruiu parte da capital libanesa.

Após avaliar o estado de 55 clínicas e centros de saúde na capital libanesa, "sabemos que pouco mais de 50% não funcionam", disse Brennan em uma coletiva de imprensa virtual no Cairo, onde destacou que três dos principais hospitais estão fora de serviço e outros três não funcionam em sua capacidade total. "Isso significa que perdemos 500 leitos", diz Brennan.

Brennan pediu às autoridades e a seus parceiros que "restabeleçam a capacidade desses centros o quanto antes possível" para responder às necessidades do país, afetado também pela pandemia de coronavírus.

A explosão de 4 de agosto deixou 171 mortos e mais de 650 mil feridos em um país já afetado por uma crise econômica sem precedentes e com os hospitais já saturados. Além dos hospitais que não funcionam, muitos foram seriamente atingidos pela explosão e perderam profissionais.

Segundo Iman Shankiti, representante da OMS para o Líbano, as unidades de terapia intensiva (UTI) e os leitos que se salvaram estão ocupados com pacientes feridos gravemente. A explosão, combinada com a pandemia, terá um "impacto na capacidade de hospitalização do Líbano", especialmente nos serviços de reanimação, disse a representante.

Nesta terça-feira, o Líbano registrou um recorde de casos diários por coronavírus com 309 casos e sete mortes. No total, o país registrou 7.121 casos e 87 mortos desde fevereiro, segundo o último balanço oficial.

O ex-presidente Michel Temer disse que ficou surpreso e honrado com o convite do presidente Jair Bolsonaro para que coordenasse a ajuda humanitária do Brasil ao Líbano. Temer acredita que a missão ajudará a melhorar a imagem internacional do País. Em entrevista ao Estadão, ele disse que o convite representa uma mudança na política externa do governo Bolsonaro, que estaria finalmente caminhando para uma diplomacia multilateral.

Como o sr. recebeu o convite do presidente Bolsonaro para coordenar a missão brasileira?

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Fiquei surpreendido, mas muito honrado. Tenho relações familiares com o Líbano. Meus pais nasceram e cresceram lá, casaram-se no Líbano, tiveram os três primeiros filhos lá e mais cinco depois. Eu sou o último. Portanto, tenho uma ligação umbilical com o país. Quando estive duas vezes lá, sempre fui muito bem recebido, como presidente da Câmara dos Deputados e como vice-presidente. No domingo (9), o presidente Bolsonaro fez o anúncio na reunião com os presidentes Donald Trump (EUA) e Emmanuel Macron (França). O pessoal que ouviu me conhece. Então, recebi entre surpreendido, honrado e emocionado em face das minhas origens.

O sr. tem contatos com sua família libanesa?

Fui visitar a terra em que meus pais nasceram, uma cidade pequena nas montanhas. No dia em que cheguei, quando era vice-presidente, inauguraram uma avenida modesta na cidade com o meu nome. Tenho primos nessa cidade e em Trípoli (80 km de Beirute). Não falo com eles mensalmente, mas mantenho contato.

Os libaneses querem apoio econômico e investimentos. Até onde vai a margem para o sr. tratar disso?

Posso dizer que, além das 6 toneladas (de mantimentos) no avião e das 4 mil toneladas de arroz por via marítima, em todo o Brasil tem gente querendo contribuir. Além daquilo que está chegando, poderá ir um novo carregamento. O outro ponto é que, como tenho boas relações com as autoridades, vou ver se converso um pouco sobre a possibilidade de o Brasil ajudar diplomaticamente na intermediação de acordos. Está muito tumultuada a política lá. Brasil e França são os que mais têm vínculos com o Líbano e talvez pudessem ajudar no diálogo.

O sr. e o presidente Bolsonaro parecem mais próximos. Como está a relação de vocês?

O presidente Bolsonaro nunca criticou o meu governo, pelo contrário. Em várias oportunidades, eu o via dizendo: 'Se não fosse o Temer ter feito a reforma trabalhista, ter enfrentado a previdência'. Então, ele sempre fez referências elogiosas ao meu governo. Segundo ponto: não tenho tanto contato com ele. Tive uns três contatos ao longo do tempo. Ele deve ter ouvido entrevistas em que dou palpites. Digo: 'Olha, aquela coisa de falar na saída (do Alvorada) não é boa, porque é a palavra do presidente faz a pauta do dia'. Creio que, às vezes, ele possa ter levado isso em conta. Mas é um contato cordial, tanto que ele me convidou. Aliás, é uma coisa muito típica nos EUA. Não é incomum que presidentes peçam para ex-presidentes realizarem missões humanitárias.

Em entrevistas, o sr. sempre evitou fazer críticas a Bolsonaro e adotou um tom diplomático.

Tenho como método fazer observações com cautela. Ex-presidentes, ao meu modo de ver, devem ser discretos com relação ao presidente. Se não você não ajuda o País. Eu faço observações, críticas, muitas vezes, mas a título de colaboração, não de oposição.

O sr. acredita que Bolsonaro mudou um pouco sua posição com relação ao início do governo? Esse convite para o sr. é uma sinalização nesse sentido?

Pode ter sido. Certamente, deve ter passado por ele a ideia de que fui um ex-presidente que teve boa relação com o Congresso, com o Judiciário e sou descendente de libaneses.

Como o sr. avalia a política externa do governo?

O gesto do presidente Bolsonaro designando um ex-presidente e dando ajuda humanitária ao Líbano é uma mudança na política externa, convenhamos. Especialmente voltada para um país árabe. Segundo ponto: eu sempre sustentei a necessidade do multilateralismo. Precisamos nos dar bem com todos os países. Veja que nossos principais parceiros são China e EUA. Eu fazia na ONU aqueles discursos de abertura (da Assembleia-Geral) e sempre enfatizava a ideia do multilateralismo, nunca do isolacionismo. Tenho a impressão de que o presidente Bolsonaro está começando a trilhar esse caminho.

O sr. acredita que essa ação no Líbano melhora a imagem externa do Brasil?

Acho que contribui muito. Mas é preciso que o governo libanês esteja de acordo com isso, para fazermos essa intermediação. É um mero oferecimento, nada mais do que isso. O Brasil tem de descendentes o dobro de habitantes do Líbano. Então, temos toda a razão para imaginar um Líbano pacificado. Se pudermos colaborar com isso, muito bem. Teria um efeito externo positivo.

Como recebeu a decisão do juiz Marcelo Bretas, que o liberou para a viagem?

Eu tinha certeza que ele autorizaria imediatamente, como autorizou. Nas vezes anteriores, fui convidado para falar em Oxford. Ele negou em um primeiro momento, mas o tribunal deu autorização. Depois, fui falar em Salamanca e em Madri. Ele também negou, mas o tribunal autorizou. Quando vou, falo bem do Brasil, divulgo o país. Nessa hipótese, como se tratava de uma situação humanitária e politicamente importante, ele deferiu imediatamente.

A explosão de um posto de gasolina na Rússia ganhou grande repercussão nas redes sociais e o vídeo viralizou rapidamente nas redes sociais. O caso aconteceu nesta segunda-feira (10), na cidade de Volgograd.

As imagens mostram uma grande bola de fogo. Informações preliminares da imprensa na região detalham que um tanque de gás deu início à situação. Sem relatos de mortes, 13 pessoas ficaram feridas com a explosão. Entre os atingidos, pessoas que tentaram ajudar no início de incêndio, um deles em estado grave. 

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A repercussão da explosão acontece dias depois de outra cena que tomou conta do mundo todo. No Líbano, um acidente com uma carga de nitrato de amônio matou 158 pessoas no porto de Beirute. 

Confira a explosão na Rússia

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O primeiro-ministro do Líbano, Hassan Diab, anunciou nesta segunda-feira (10) sua renúncia ao posto. Em meio a uma crise econômica, Diab ficou ainda mais fragilizado no cargo após a grande explosão ocorrida há alguns dias no porto de Beirute, que provocou uma onda de protestos e insatisfação popular.

Em seu discurso de despedida, Diab atribuiu a explosão à corrupção e disse esperar uma investigação do fato. A explosão da semana passada deixou mais de 150 mortos e milhares de feridos. (FONTE: DOW JONES NEWSWIRES)

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O Líbano convive com uma enorme quantidade de refugiados. As explosões da semana passada terão um impacto forte sobre eles, explica a porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no Líbano, Rona al-Halabi.

Como está a situação dos refugiados que vivem no Líbano?

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O Líbano acolhe a maior proporção de refugiados por número de habitantes e eles vivem em condições terríveis. As explosões afetaram todos que vivem aqui, especialmente porque o país enfrenta uma crise econômica e a luta para combater o coronavírus. A destruição do porto pode ter um impacto devastador na população refugiada por causa da capacidade de importar itens de primeira necessidade, como comida. Terá também um impacto grande na distribuição de ajuda humanitária, incluindo nosso trabalho aqui e na Síria.

Como estão as pessoas que chegam até vocês?

Cerca de 250 mil pessoas perderam tudo e estão sem onde morar. As casas agora são abrigos e, com a economia prejudicada, as famílias terão dificuldade para reconstruir seus lares e alimentar seus parentes. Nossa equipe realizou algumas viagens por Beirute para encontrar esses deslocados e entender suas necessidades.

Como foi o trabalho do CICV?

Logo após as explosões, entramos em contato com os hospitais e centros de atendimento para fornecer materiais. Levamos suprimentos médicos, cadeiras de rodas e muletas a 12 hospitais em Beirute e nos arredores. Alguns pacientes foram levados para o Hospital Rafic Hariri, do qual somos parceiros desde 2016 e atende pessoas mais vulneráveis.

Onde a senhora estava no momento da explosão?

Eu estava dirigindo, a caminho de casa. Havia passado pelo local das explosões 15 minutos antes, mas graças a Deus nem eu e nem minha família ficamos feridos. Mas o país ficou em chamas.

Qual é a maior dificuldade neste momento?

Ver as famílias que não sabem o que ocorreu com os parentes desaparecidos. Infelizmente, há centenas de pessoas desaparecidas. Socorristas trabalham dia e noite, incluindo integrantes da Cruz Vermelha do Líbano, com o apoio do CICV. Mas, infelizmente, conforme o tempo vai passando, as chances de encontrar sobreviventes diminuem bastante. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

"Não quero morrer no Líbano. Eles não vão mandar meu cadáver para minha família, vão nos jogar no mar." Hana, uma mulher bengali, de 30 anos, começou a chorar enquanto falava, explicando o que sentiu quando Beirute explodiu, no dia 4 de agosto, levando pelos ares metade da cidade, matando 150 pessoas e deixando 300 mil desabrigados - ela, inclusive.

Mãe de dois filhos, Hana deixou sua terra natal para fugir da pobreza. "Não fiz faculdade e não encontrava trabalho. Achava que aqui no Líbano conseguiria ganhar algum dinheiro para alimentar meus filhos, minha família." Ela veio para o Líbano com um contrato para fazer faxina em casas, mas sofreu com um sistema que a privava dos direitos mínimos, disse ela.

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Sua história é a mesma de milhares de pessoas que vivem no país. O Líbano tem aproximadamente 6,8 milhões de habitantes e quase 1,6 milhão de refugiados.

O país tem a maior população de refugiados per capita do mundo, segundo a ONU: um em cada seis habitantes. No total, o país abriga mais de 925 mil registrados, a maior parte (98%) chegou da Síria.

Vem sendo assim por anos. Os refugiados marcaram o país. A primeira onda em 1915, com a imigração armênia, fugindo do genocídio Otomano. À partir dos anos 1940 e 1950 os refugiados palestinos tomaram conta do país e seu acolhimento teve papel na guerra civil libanesa, entre 1975 e 1990.

Os refugiados no Líbano não têm status legal, o que significa que um quarto da população do país vive com acesso limitado a emprego remunerado, moradia, educação e saúde. Os refugiados precisam de uma autorização para trabalhar legalmente. Os que não a obtém costuma arranjar subempregos.

"Para onde vou agora, o que vou fazer? Até quando ainda vou dormir ao relento com meu filho?", pergunta Hana, relembrando seus primeiros pensamentos ao ouvir o estrondo da explosão. Ela agora vive com a família na escada do prédio onde era sua casa, esperando ajuda local e internacional para continuar viva.

"Estamos dormindo do lado de fora porque a construção pode desabar." Ela também disse que está recebendo água e comida dos voluntários que ajudam em Gemmayze e Mar Mikhael, as áreas mais afetadas pela explosão.

"Quem destruiu minha terra?", questiona o filho de Hana de 2 anos a todo momento. "Se você perguntar a ele qual é a sua terra, ele vai dizer que é o Líbano. Não sabe nada sobre Bangladesh, nasceu e foi criado nas ruas que agora estão em ruínas", explicou Hana.

Ela e sua família viviam com as mesmas dificuldades fundamentais que todos os libaneses sofrem, como cortes no abastecimento de água e de eletricidade, crise econômica e questões de segurança. Sete meses atrás, o contratante de Hana parou de pagar em dólares americanos, por causa da crise econômica pela qual o Líbano está passando.

Desde o fim do ano passado, ó país vinha passando por problemas: havia limitações para sacar dinheiro nos bancos e escassez de dólares. Em poucos meses, a libra libanesa perdeu 85% de seu valor. O Líbano importa cerca de 80% do que consome - e as importações são cotadas em dólar. Toda vez que há uma desvalorização da libra libanesa, os preços da comida sobem quase automaticamente.

Caminhando pelas ruas da cidade em ruínas, é possível se sentir dentro de um romance trágico. De um segundo para o próximo, os cidadãos de Beirute se viram juntando o que restava de suas memórias e pertences e atrás de parentes mortos.

Aluuel Biyar, do Sudão do Sul, por acaso estava no centro da explosão. Ela e sua família vieram para o Líbano em busca de refúgio, depois que a guerra civil do Sudão do Sul começou em 2013. Aluuel e a família estavam visitando amigos em Ashrafieh, uma área próxima à explosão.

"Não acredito que estou viva", foram as poucas palavras que Aluuel proferiu antes de cair no choro. "Eu estava sentada no sofá quando ouvimos a primeira explosão. Naquele momento, pensamos que era só um terremoto. Levei meu filho ao banheiro e ouvi a segunda explosão. Quando fugi do lugar onde estava, vi todos os cacos de vidro no sofá, a janela caída. Eu ainda estaria sentada lá se não fosse pelo meu filho".

Aluuel, que fugiu de seu país por causa da guerra, se viu em outro lugar sem segurança, bem ali onde esperava que sua nova cidade pudesse ser um pouco mais tranquila. "Não consigo descrever a sensação quando veio a explosão. Sinto que queria voltar para o Sudão do Sul, porque era mais seguro. Lá você sabe que as pessoas estão lutando com armas de fogo e evita sair de casa. O que aconteceu aqui é que a explosão atingiu todas as casas. Ninguém estava seguro!".

A história que levou à trágica explosão no porto de Beirute na terça-feira começou há mais de 6 anos, a 1.300 quilômetros da capital libanesa. O navio Rhosus, de bandeira moldava, deixou o porto de Batumi, na Geórgia, com 2.750 toneladas de nitrato de amônio a bordo. Nunca chegou a seu destino, Moçambique, onde a carga deveria ser vendida a uma fábrica de explosivos para uso civil.

A carga ficou estocada de maneira inapropriada em um armazém portuário. Inúmeras autoridades tentaram alertar para o risco. Reportagens da rede de TV Al-Jazira mostraram que autoridades portuárias escreveram ao menos seis cartas alertando sobre o perigo desde 2014.

No dia 4, o telhado do armazém pegou fogo e houve uma grande explosão, seguida por uma série de explosões menores que, segundo algumas testemunhas, soaram como fogos de artifício. Trinta segundos depois, houve uma explosão colossal, que soltou uma nuvem em forma de cogumelo para o ar.

Essa onda pôs no chão os edifícios próximos ao porto e provocou danos imensuráveis em grande parte do resto da capital, que abriga 2 milhões de pessoas.

Quando Aluuel voltou para casa, em Sin El Fil, ela descobriu que a explosão atingira a área com tanta força quanto à casa de sua amiga. Os vidros estavam estilhaçados, as portas, quebradas e os móveis, cobertos de cacos e sujeira. Ela ajudou a amiga a se mudar para sua casa e juntas limparam e consertaram tanto quanto puderam.

(TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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