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Representantes da luta popular em Pernambuco, tendo à frente o Movimento De Luta em Bairros, Vilas e Favelas (MLB-PE), realizaram na manhã desta terça-feira (22) um protesto em uma unidade do Carrefour na Torre, na Zona Norte do Recife. A ação ‘Natal Sem Fome’, realizada anualmente para conseguir a entrega de cestas básicas às famílias assessoradas em estado de vulnerabilidade social, foi acompanhada de denúncias contra os altos preços dos alimentos.

O grupo também protestou contra a suposta conduta racista da rede, em decorrência do assassinato do trabalhador João Alberto Freitas, de 40 anos, assassinado pelos seguranças de uma unidade do Carrefour em Porto Alegre.

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Também fizeram parte da articulação os a União da Juventude Rebelião (UJR-PE), a União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (UESPE), o Movimento Olga Benário Pernambuco e o Movimento Luta de Classes (MLC). Segundo a coordenadora do núcleo estadual do MLB, Natalia Lucia foram reunidas cerca de 300 pessoas na ocasião, a maior parte delas famílias de ocupações assessoradas pelo movimento.

Como a ação ocorre todos os anos, passando por diferentes estabelecimentos comerciais, o LeiaJá perguntou à coordenadora se a escolha de 2020 teve algum motivo especial. 

“Primeiro, pela questão do assassinato do jovem trabalhador (em Porto Alegre). Todo ano a gente organiza essa atividade, já fizemos em shoppings, em Recife e Olinda. Esse ano foi especificamente no Carrefour porque a gente quis denunciar a questão do racismo. A maioria das famílias com quem a gente trabalha são negras e aí vimos a necessidade de fazer uma atividade simbólica, com um peso maior”, explicou a militante.

Um ofício solicitando a entrega de 1000 cestas básicas a famílias pobres do Recife já havia sido enviado com antecedência, mas não se obteve resposta.

A visita ao supermercado passou por momentos tensos. Começando por volta das 9h30, a reunião foi interrompida por equipes do Grupo de Apoio Tático Itinerante (Gati) da Polícia Militar de Pernambuco. Segundo Natalia, os agentes foram acionados pelo estabelecimento e a princípio quiseram intimidar os manifestantes.

Em vídeo, os policiais estão sem identificação nos uniformes, mas é possível identificar seus rostos e o que é conversado com um outro coordenador do MLB, Davi Meira. Os PMs argumentam que foram chamados porque a situação se tratava de agitação em um local privado, e a rede teria o direito de recorrer.

Após algumas horas sem chance de diálogo, o gerente da loja aceitou conversar com os movimentos presentes. Em um acordo na presença de um advogado, o Carrefour aceitou a submissão do ofício à matriz no estado de São Paulo. Nesse novo documento, foram solicitadas apenas 300 cestas básicas, que devem contemplar as famílias presentes no ato.

O LeiaJá tentou entrar em contato com a unidade em questão, mas não obteve sucesso. O Carrefour tem até o fim da tarde desta terça, conforme acordo, para dar um retorno sobre a participação no ‘Natal Sem Fome’. O MLB-PE informa que, caso não haja confirmação das entregas, realizará um outro protesto sem aviso prévio na mesma loja no Grande Recife.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) incluiu racismo na denúncia e acusou seis pessoas pelo homicídio de João Alberto Freitas, nesta quinta-feira (17). A vítima, um cliente negro de 40 anos, foi espancada e asfixiada até a morte no estacionamento da unidade de Passo D'Areia, no dia 19 de novembro, às vésperas do Dia da Consciência Negra.

O subprocurador do MP-RS, Marcelo Dornelles, ressaltou o conceito de racismo estrutural para repudiar a ação dos seguranças do supermercado. "Despreparo dos agentes de segurança, desprezo e desprestígio daquelas pessoas. Por isso, essa discussão fundamental do racismo estrutural. As pessoas esperam que, quando tenha racismo, as pessoas digam: 'estou te matando porque tu és negro'", criticou.

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Os seguranças terceirizados Giovane Gaspar da Silva e Magno Braz Borges, além dos funcionários do Carrefour, Adriana Alves Dutra, Paulo Francisco da Silva, Kleiton Silva Santos e Rafael Rezende, vão responder por homicídio triplamente qualificado com dolo eventual, por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. O preconceito racial foi incluso nas qualificações.

"Além do torpeza ligada ao preconceito racial, nós temos o uso do meio cruel que seria asfixia, além da agressão brutal e desnecessária, junto ao final com o recurso que dificultou a defesa, exatamente por essa superioridade numérica, sempre há impossibilidade de resistência da vítima, que vai a óbito após cinco minutos de manejo cruel por parte de seus agressores", explicou o promotor André Martinez.

Também foram instaurados mais três inquéritos civis pelo órgão. Um sobre danos morais coletivos, outro para apurar a política de direitos humanos do grupo Carrefour e mais um referente à postura da Brigada Militar na fiscalização de empresas privadas de segurança.

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Seis pessoas foram indiciadas por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, asfixia e recurso que impossibilitou a defesa de João Alberto Silveira Freitas. Ele foi morto no último dia 19, após ser espancado por dois seguranças, dentro de um Carrefour de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Nesta sexta-feira (11), as autoridades apresentaram o resultado das investigações, que revelam que o cliente foi morto por asfixia.

"A investigação conseguiu verificar e trazer à tona, situação fáticas, jurídicas, como de racismo estrutural, a normalização de ações que passam a fazer parte do cotidiano normal das pessoas. Conjugamos com o que vimos e ouvimos nos depoimentos. Se a vítima fosse outra, se fosse alguém de condição social diferente, a situação poderia ser outra. Atos de discriminação foram feitos de forma desproporcionada. Seis pessoas sobre o domínio deste fato, então todas essas pessoas contribuíram para o desfecho final", ressaltou a delegada Roberta Bertoldo ao G1.

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Por meio das provas analisadas, o inquérito aponta um exagero nas agressões, que seriam por causa da fragilidade socioeconômica da vítima. Embora a família de Aberto indique que o assassinato foi decorrente de racismo, os indiciados não vão responder por injúria racial. "Seis indiciados por homicídio triplamente qualificado, três pessoas que já eram de conhecimento da imprensa, e que já estão presas, e outras três, que no final do relatório, são apontadas", informou a chefe da Polícia Civil, Nadine Anflor.

Os indiciados que já foram presos são os seguranças Giovane Gaspar da Silva, de 24 anos, e Magno Braz Borges, de 30, e a fiscal do mercado que tentou impedir a filmagem, Adriana Alves Dutra, de 51. Os novos indiciados são outros dois funcionários do mercado, Kleiton Silva Santos e Rafael Rezende, e um colaborador da empresa de segurança Vector, identificado como Paulo Francisco da Silva. "Depoimentos que denotam a indiferença dos funcionários vinculados à empresa Carrefour e à empresa Vector no tocante às ações que cometiam contra a vítima", interpretou a Polícia Civil.

Para tentar justificar a ação desproporcional no estacionamento do mercado, funcionários chegaram a alegar que o cliente era conhecido da segurança por recorrentes casos de importunação, em que aparentava estar alcoolizado. "Dois dias antes do fato João Alberto foi ao supermercado em ações de importunação a outros clientes, em outros episódios, seguranças o abordaram, dissuadiu do comportamento e deixou o supermercado. Mas eram outros funcionários e esse evento em nada implicou nesse desfecho depois no supermercado", complementou a delegada.

O policial militar temporário Giovane Gaspar da Silva, 24 anos, foi desligado da PM do Rio Grande do Sul após ser preso em flagrante pela morte de Beto Freitas, 40 anos. A vítima foi espancada até a morte no Carrefour de Porto Alegre e o PM, que fazia a segurança do local é um dos acusados.

No dia do assassinato de Beto, Giovane estava de folga e fazia um "bico" na unidade do Carrefour pela primeira vez. A decisão do desligamento de Silva ocorreu na última quinta-feira (3) - ele está preso desde o dia 19 de novembro.

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Segundo a Folha de São Paulo, o órgão considerou que ele cometeu transgressão disciplinar grave.

Os advogados de defesa do PM afirmaram que o desligamento já era esperado e, no momento, o maior problema é que ele foi transferido paga uma prisão comum "onde a sua integridade física não fica garantida", revelam.

Beto Freitas morreu após ser asfixiado por quase quatro minutos. O PM Silva e o segurança Magno Braz são apontados como principais responsáveis pelo assassinato.

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Em comunicado divulgado à imprensa nesta sexta-feira, 4, o Grupo Carrefour anunciou o fim da terceirização dos serviços de segurança nas unidades do conglomerado. A decisão foi tomada na esteira do assassinato de João Alberto Silveira Freitas, 40, espancado por dois seguranças em uma filial do supermercado na zona norte de Porto Alegre.

A internalização dos serviços segue um plano gradual elaborado a partir das proposições apresentadas por um comitê externo e prevê a instituição de um projeto piloto em quatro unidades da capital gaúcha. Os profissionais contratados serão preparados por empreendedores negros e receberão um treinamento sobre práticas antirracistas e voltado ao desenvolvimento de uma cultura de respeito aos direitos humanos.

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Enquanto tenta reformar a política interna contra a discriminação racial, o Grupo Carrefour é alvo de uma série de investigações e de uma ação judicial. A Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos de Porto Alegre abriu dois inquéritos civis para buscar reparação e investigar a política de direitos humanos no supermercado. Há ainda duas frentes de investigação criminais relacionadas ao episódio em curso no Ministério Público Federal.

Enquanto a Procuradoria do Rio Grande do Sul apura o funcionamento de mecanismos de fiscalização de empresas de segurança privada pela Polícia Federal, os procuradores do Rio de Janeiro investigam medidas adotadas pela PF e também por supermercados, shopping centers e bancos para enfrentamento do racismo estrutural nos serviços de vigilância.

Na Justiça, o grupo foi acionado pela Defensoria Pública do Rio Grande do Sul, que entrou com uma ação civil pública cobrando da rede de supermercados uma indenização de R$ 200 milhões por danos morais coletivos e sociais.

COM A PALAVRA, O CARREFOUR

"Após ouvir as proposições do Comitê Externo e Independente originadas de demandas históricas de organizações negras, o Carrefour, a partir do dia 14 de dezembro, inicia a internalização dos serviços de segurança. O processo de internalização começará pelos quatro hipermercados no Rio Grande do Sul, em um projeto piloto, incluindo a loja Passo D’Areia, em Porto Alegre. O novo modelo é o ponto inicial para transformação do seu modelo de segurança e faz parte dos compromissos anunciados pela rede. O processo de recrutamento e o treinamento dos profissionais para as lojas contará com associação que reúne empreendedores negros da região de Porto Alegre. Todo o processo de internalização da segurança terá como foco a implementação de práticas antirracistas e de uma cultura de respeito aos direitos humanos, além de considerar a representatividade da população brasileira (50% de mulheres e 56% de negros) como um compromisso. A data de admissão dos novos colaboradores está prevista para o dia 14 de dezembro em todas as lojas Carrefour da região, seguindo as etapas de contratação."

A defesa de Giovane Gaspar da Silva, de 24 anos, ingressou com um pedido de liberdade provisória na quinta-feira (3). O policial temporário é um dos presos pela morte de João Alberto Silveira de Freitas, o homem negro de 40 anos, espancado e morto no estacionamento de uma unidade do Carrefour, no dia 19 de novembro, em Porto Alegre. Segundo o advogado, David Leal, a vida do seu cliente corre perigo. As informações são do UOL.

Silva está preso em uma unidade prisional da Brigada Militar. Ele é um dos três detidos pela morte de Beto, como era conhecida a vítima. Na ocasião, estavam também o segurança Magno Braz Borges, preso junto ao PM, e a agente de fiscalização Adriana Alves Dutra, detida cinco dias depois. 

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O pedido argumenta que o réu é primário, não tendo histórico policial, e não apresenta risco à ordem pública ou ao andamento do inquérito. O documento é assinado também  pela advogada Raiza Feltrin Hoffmeister, que compõe a defesa do acusado.

Os advogados defendem que "não mais subsistem as circunstâncias" para mantê-lo preso, já que "praticamente todos os atos da investigação policial já foram cumpridos". Além disso, Leal e Hoffmeister, prevendo o desligamento do PM ainda esta semana, afirmam que a transferência de unidade prisional pode representar riscos à integridade física de Silva, que seria considerado um preso comum.

"Os presos comuns terão grande dificuldade de aceitar a convivência com um policial militar, sendo indiferente o fato de ser temporário. Para o preso comum, polícia é polícia, e qualquer policial é visto como inimigo na realidade prisional", seguem os advogados no pedido.

O investigado tem interesse em continuar estudando e em se dedicar ao seu projeto de vida junto à esposa, segundo os defensores, que apontam ainda a posse de residência fixa por parte do segurança, facilitando a possível aceitação de liberdade provisória.

Os advogados também dizem que as causas da morte não estão claras, afirmam que não houve tentativa de assassinato e insinuam que a morte de João Alberto pode ter “relação direta” com o suposto uso de drogas.

"Sendo essas as prováveis causas do óbito de João Alberto, é bem possível que a morte do vitimado tenha relação com o seu próprio comportamento, pois ao que indica, a conduta de Giovane (desferimento de socos), segundo relataram os peritos, apenas causaram escoriações na face da vítima, ou seja, lesões superficiais que não teriam relação direta com a morte. Por isso, as imagens da violência levam ao erro”, complementaram.

Como alternativa, David Leal e Raiza Feltrin Hoffmeister sugerem o uso de tornozeleira eletrônica, permanecer em casa durante à noite e comparecer na justiça mensalmente. O pedido agora vai ser analisado.

A comissão externa que acompanha a investigação do falecimento de João Alberto Silveira Freitas, cliente negro espancado até a morte em uma unidade do Carrefour em Porto Alegre (RS), ouvirá nesta quinta-feira (3), às 10 horas, o vice-presidente da rede de supermercados no Brasil, Stephane Engelhard. A audiência ocorrerá por videoconferência.

O episódio que vitimou João Alberto, de 40 anos, aconteceu em 19 de novembro, véspera do Dia da Consciência Negra.

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Os dois seguranças envolvidos no caso – o vigilante Magno Braz Borges e o policial militar temporário Giovane Gaspar da Silva – foram presos em flagrante no dia do crime. Já a agente de fiscalização do Carrefour Adriana Alves Dutra foi presa temporariamente cinco dias após a morte de Beto, como era conhecida a vítima.

A comissão
A comissão externa é coordenada pelo deputado Damião Feliciano (PDT-PB). Também integram o colegiado os deputados Benedita da Silva (PT-RJ), Bira do Pindaré (PSB-MA), Silvia Cristina (PDT-RO), Áurea Carolina (Psol-MG) e Orlando Silva (PCdoB-SP).

*Da Agência Câmara de Notícias

 

O policial militar temporário Giovane Gaspar prestou depoimento à Polícia Civil gaúcha nesta sexta-feira (27) sobre o assassinato de João Alberto Freitas, o Beto, homem negro morto após ser espancado por seguranças do supermercado Carrefour em Porto Alegre. Gaspar é o homem que aparece nas imagens desferindo diversos socos contra a vítima. Em seu depoimento, ele alegou que não teve intenção de matar Beto, afirmando que tentava apenas conter a vítima. Durante a oitiva, que durou cerca de quatro horas, Gaspar negou qualquer motivação racista para as agressões.

A Brigada Militar do Rio Grande do Sul comunicou nesta sexta o desligamento de Gaspar da corporação, mas ainda há prazo para que ele recorra da decisão. A defesa do policial também pretende apresentar um pedido de liberdade.

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Gaspar prestou depoimento no quartel da Brigada, onde está preso. Segundo a delegada Roberta Bertoldo, responsável pelas investigações, o segurança escutou no rádio que era preciso apoio no caixa 25, onde estaria Beto. Chegando ao local, Gaspar alegou que viu Beto com uma "cara brava" olhando para uma fiscal. O segurança também contou que perguntou a Beto se tinha algum problema e ouviu a resposta de que estava tudo certo.

Logo após o breve diálogo, Beto teria começado a caminhar rumo à saída. Gaspar contou à polícia que decidiu seguir Beto pois temia uma ocorrência mais grave. O segurança garantiu que não houve troca de palavras entre eles no caminho. Quando chegaram na portaria, Beto desferiu um soco contra Gaspar, que reagiu imediatamente com vários golpes contra o rosto do cliente, enquanto o seu colega Magno Braz Borges, também segurança do mercado, segurava as mãos da vítima.

De acordo com a delegada, o segurança disse ter ficado assustado com a força física de Beto. Ele também admitiu todas as agressões, mas negou qualquer intenção de matar. No depoimento, disse que, ao ver Beto desacordado, ele e o colega acreditavam que era apenas um desmaio. Sobre a participação da fiscal Adriana Alves Dutra, também presa, o segurança deu poucos detalhes e afirmou que não recebeu qualquer ordem, embora ela fosse sua superior naquele momento.

Sem vínculo com a empresa

Em relação ao vínculo empregatício, a defesa de Gaspar apresentou um nova versão. Segundo os advogados, o segurança não tinha qualquer vínculo com a Vector, empresa terceirizada contratada para fazer a segurança do Carrefour. O Grupo Vector já declarou que ele era registrado.

De acordo com os advogados David Leal e Raiza Hoffmeister, Gaspar teria sido contratado informalmente para cobrir as folgas de um amigo, quem faria o pagamento pelo trabalho. A própria Vector reconheceu Gaspar como um de seus funcionários, anunciando inclusive a sua demissão por justa causa.

Desligado da Brigada Militar

Nesta sexta-feira, Gaspar foi comunicado oficialmente de seu desligamento da Brigada Militar. A decisão foi tomada pelo comando da corporação na quinta-feira, 26. Gaspar ingressou na Brigada em 2018, na condição de Policial Militar Temporário. Ele tem três dias para entrar com recurso contra a decisão.

O Carrefour anunciou nesta sexta que segue em contato com a família de João Beto. A empresa afirmou que, enquanto as negociações seguem, a rede varejista oferecerá dois apoios imediatos: ajuda emergencial à família da vítima, com assistente social para dar apoio psicológico à viúva, Milena Borges, à filha mais velha, Thaís, de 22 anos, e à ex-mulher de João Alberto, com a qual ele teve outros três filhos.

"O Carrefour sabe que nada trará a vida do senhor João Alberto de volta, mas espera poder ajudar a família neste momento de dor irreparável. E continua avançando para implementar as medidas que ajudarão a contribuir para o combate à discriminação racial no Brasil", diz trecho da nota.

O comunicado ainda ressalta que "como ponto inicial da transformação radial de seu modelo de segurança", a empresa está em processo de contratação de pessoas para a loja Passo D'Areia em até uma semana. Outras duas unidades da rede na cidade de Porto Alegre também vão passar por mudanças.

A rede de supermercados Carrefour vem tentando limpar sua imagem após o assassinato de João Alberto Silveira Freitas - homem negro morto por espancamento em uma das unidades da franquia em Porto Alegre (RS), na última semana. Além de criar um comitê para discutir diversidade e inclusão na rede, a marca também tem procurado personalidades para falar em seu nome sobre a luta antiracista. Um deles foi o humorista Youri Marçal, que prontamente recusou o convite em um email bastante desaforado. 

O assassinato de João Alberto motivou protestos nas redes sociais e fora delas desde que chegou ao conhecimento do público. Manifestantes, em diversas cidades do país, chegaram a depredar algumas lojas da rede e personalidades se posicionaram através de seus perfis na internet. O humorista Yuri Marçal foi um dos famosos que usou seus canais para lamentar o ocorrido. Em seu perfil, ele postou: “Beto. Esse é o homem negro que foi morto no Carrefour. Todo mundo conhece um Beto né?! Todo Beto é cheio de papo, brincalhão, cheio de ideia... Provavelmente esse também era. Mas os seguranças do Carrefour espancaram o Beto até a morte”.

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Na última quarta (25), o humorista voltou a falar sobre o mercado. Dessa vez, para contar aos seguidores que foi chamado pela rede para estampar uma campanha  como nota de esclarecimento ao caso ocorrido no RS. “Carrefour acabou de entrar em contato comigo pra fazer uma publicidade, uma nota de esclarecimento. Primeira vez que eu respondo um e-mail mandando tomar no c*”. 

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Nas suas plataformas digitais, o Carrefour vem publicando algumas medidas que vem implementando para tentar reverter a mancha que se instalou em sua imagem. Além de criar um “Comitê Externo de Livre Expressão sobre Diversidade e Inclusão”, a rede decidiu manter suas lojas fechadas até às 14h desta quinta (26) e promover um minuto de silêncio em respeito à memória de Alberto.

As iniciativas, no entanto, não parecem estar convencendo parte do público que vem reagindo com comentários como: “Quero saber como está a ONG dos cachorros, eles só fizeram isso para abafar o caso”; “Agora é tarde”; “Espero que depois do doguinho e do homem negro os seguranças de vocês não matem crianças ou idosos para só depois darem respostas prontas e criarem comitês de treinamento”. 

A Defensoria Pública do Rio Grande do Sul entrou nesta quarta-feira, 25, com uma ação civil pública coletiva contra o Carrefour e a empresa de segurança Vector pelo assassinato de João Alberto Silveira Freitas, 40, espancado por dois seguranças em uma unidade do supermercado na zona norte de Porto Alegre.

A ação, ajuizada na Vara de Tutelas Coletivas da capital gaúcha, cobra indenização de R$ 200 milhões da rede de supermercados por danos morais coletivos e sociais. Segundo a Defensoria, o valor será destinado a fundos de combate à discriminação e defesa do consumidor.

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A Defensoria pede ainda que a rede Carrefour crie em Porto Alegre, em até 10 dias, um plano de combate ao racismo e ao tratamento discriminatório voltado aos funcionários do grupo. Também solicita a adoção de campanhas de conscientização em redes sociais e na mídia. Requer ainda a afixação de ao menos dez cartazes, em cada unidade do conglomerado no Brasil, destacando que discriminação é crime e que denúncias podem ser encaminhadas ao canal "Disque 100".

Há ainda um pedido para que o grupo Carrefour e a Vector custeiem o aparelhamento material da Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância (DPCI), anunciada pelo Governo do Estado. Também exige que eles cubram os gastos da Brigada Militar com ações de segurança nos locais onde ocorreram manifestações após a morte de João Alberto.

A Defensoria Pública também requer a interdição da unidade onde ocorreu o crime por cinco dias, 'com o objetivo de diminuir os riscos de possíveis atos hostis que poderão ocorrer em decorrência de manifestações'.

Além das empresas, a fiscal do Carrefour Adriana Alves, que filmou as agressões de perto e ameaçou uma testemunha, e os dois seguranças Giovane Gaspar da Silva e Magno Braz Borges, flagrados espancando o homem negro até a morte, também foram incluídos na ação.

Mais cedo, a Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos de Porto Alegre anunciou que abriu dois inquéritos civis para buscar reparação e investigar a política de direitos humanos no supermercado. Há ainda duas frentes de investigação criminais relacionadas ao episódio em curso no Ministério Público Federal. Enquanto a Procuradoria do Rio Grande do Sul apura o funcionamento de mecanismos de fiscalização de empresas de segurança privada pela Polícia Federal, os procuradores do Rio de Janeiro investigam medidas adotadas pela PF e também por supermercados, shopping centers e bancos para enfrentamento do racismo estrutural nos serviços de vigilância.

A Polícia Civil prendeu, na tarde desta terça-feira, 24, a fiscal do Carrefour Adriana Alves por envolvimento na morte de João Alberto Silveira de Freitas, ocorrida na noite da última quinta-feira, 19, nas dependências do supermercado. Com mandado de prisão expedido pela Justiça, ela se apresentou ao Palácio da Polícia na companhia de seu advogado. Durante as agressões, a fiscal ameaçou uma testemunha que gravou o espancamento.

No vídeo, a funcionária de camisa branca, calça preta e crachá pede para a testemunha interromper a gravação. "Não faz isso, não faz isso senão vou te queimar na loja", disse. Em nota, o Carrefour confirmou que ela foi afastada do cargo. "Está presa temporariamente pelo prazo de 30 dias para que possa esclarecer todas as circunstâncias", confirmou a delegada responsável pelo caso Roberta Bertoldo.

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A delegada Roberta afirmou que Adriana tinha autonomia sobre os seguranças para impedir as agressões. "O Departamento de Homicídios entende, a partir das imagens que foram captadas e dos testemunhos colhidos, que Adriana tinha sim o poder, naquele momento, de cessar as agressões, a partir do fato de ser ali superior imediata dos indivíduos que exerciam a segurança", explicou a delegada.

Além dela, já foram presos os dois seguranças Giovane Gaspar da Silva e Magno Braz Borges, que foram flagrados espancado Freitas até a morte. A Justiça decretou a prisão preventiva dos dois. A Polícia Civil já tinha adiantado que outras pessoas, flagradas na cena do crime, estavam sendo investigadas para apurar se houve omissão de socorro.

"Estamos tentando identificar a conduta de cada um deles para ver se houve conduta omissiva. Além disso, buscamos elucidar a motivação do crime e estabelecer uma dinâmica dos fatos", afirmou a chefe da Polícia Civil, delegada Nadine Anflor.

Na sexta-feira, vence o prazo de dez dias para conclusão do inquérito. A Polícia Civil pode pedir prorrogação por mais 15 dias para concluir investigação. Um dia depois do crime, na sexta-feira, a investigação informou que o laudo preliminar do Instituto Geral de Perícias (IGP) apontou a asfixia como causa da morte.

Polícia amplia investigações

A Polícia Civil ampliou as investigações e busca esclarecer se houve omissão de socorro das demais pessoas que assistiram aos dois seguranças brancos espancarem até a morte João Alberto Silveira Freitas.

Enquanto João Beto, como era conhecido, era agredido, outras pessoas acompanhavam o crime. Uma delas é uma fiscal do Carrefour, que ameaçou uma testemunha que gravou o espancamento. Além dela, um outro funcionário do mercado também tem a conduta investigada. Outros possíveis envolvidos também podem ser implicados, afirmou a chefe da Polícia Civil, delegada Nadine Anflor.

Além disso, a delegada Roberta Bertoldo, responsável pela investigação, pediu autorização da Justiça para ouvir os seguranças presos. "Pretendemos ouvir os dois. O inquérito será concluído somente quando concluirmos esta etapa e tivermos o laudo pericial", afirmou. A dupla vai responder por homicídio triplamente qualificado. O inquérito também apura o crime de injúria racial.

O advogado David Leal assegurou que o cliente dele, Giovane, que é policial militar temporário, prestará todos os esclarecimentos. Na quinta-feira, 19, quando foram detidos, os vigias ficaram em silêncio. Na segunda, 23, Leal confirmou que Silva estava fazendo um "bico" no dia da agressão, sem vínculo trabalhista. O Grupo Vector, responsável pela fiscalização do hipermercado, refutou a informação. A reportagem não conseguiu contato com o defensor de Magno Braz Borges.

A Polícia Civil está investigando se uma funcionária do Carrefour mentiu em depoimento sobre a morte de João Alberto de Freitas, que foi espancado por seguranças do supermercado Carrefour, em Porto Alegre, na última quinta-feira (19).

Em depoimento, a responsável pelos seguranças da loja, Adriana Alves Dutra, afirmou que o policial militar temporário, Geovane Gaspar da Silva, que foi preso após a morte de João Alberto, era cliente da loja e não um funcionário da empresa de segurança.

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De acordo com a apuração já realizada pela investigação, Geovane Gaspar era funcionário da empresa de segurança contratada pelo Carrefour.

"O que nós observamos é que houve declarações contraditórias. Resta até o final do inquérito [saber] se essas contradições foram motivadas por algo que se queria encobrir ou não", declarou a delegada Roberta Bertoldo, citada pelo G1.

Adriana Alves Dutra teria declarado também que pediu várias vezes para que João Alberto de Freitas fosse solto pelos homens, o que não foi registrado nos arquivos de vídeo apurados na investigação.

"Inicialmente se apontou que João havia agredido fisicamente uma mulher no interior do estabelecimento, mas as câmeras de segurança mostraram que não houve essa agressão, que, na verdade, houve um certo mal entendido entre um gesto que ele teria feito a uma fiscal que decorre dessa situação, então inúmeras questões vêm sendo ditas, ou desditas, ou não comprovadas", acrescentou a delegada.

A Polícia Civil informa que está aguardando a autorização da Justiça para ter o depoimento dos dois seguranças envolvidos na morte de João Alberto, Geovane Gaspar da Silva e Magno Braz Borges, presos desde a noite de quinta-feira (19). Eles ainda não se pronunciaram à polícia sobre o caso.

Da Sputnik Brasil

A ONU declarou nesta terça-feira (24) que o espancamento mortal de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro, por parte de seguranças brancos no supermercado Carrefour de Porto Alegre é um exemplo do "racismo estrutural" do país e pediu uma investigação independente e reformas urgentes.

Porto Alegre, no sul do país, enfrenta vários dias de protesto após a publicação de um vídeo na semana passada em que João Alberto, de 40 anos, era agredido no rosto e na cabeça por um segurança de supermercado enquanto outro guarda o segurava.

Ravina Shamdasani, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, disse à imprensa em Genebra que a morte foi "um exemplo extremo, mas infelizmente muito comum, da violência sofrida pelos negros no Brasil".

"Oferece uma clara ilustração da persistente discriminação estrutural e do racismo enfrentados pelas pessoas de ascendência africana", afirmou, destacando que os funcionários do governo têm a responsabilidade de reconhecer o problema do racismo persistente para conseguir resolvê-lo.

O presidente Jair Bolsonaro minimizou o racismo estrutural no Brasil, um país em que cerca de 55% de uma população de 212 milhões de pessoas se identifica como negra ou parda.

Bolsonaro disse que ele mesmo é "daltônico" nesta questão, enquanto seu vice-presidente Hamilton Mourão gerou indignação na sexta-feira quando afirmou que "não existe racismo" no Brasil.

Segundo a porta-voz do Alto Comissariado da ONU, "o racismo estrutural, a discriminação e a violência que os afrodescendentes enfrentam no Brasil estão documentadas por dados oficiais".

Ravina Shamdasani citou estatísticas que mostram que "o número de vítimas afrobrasileiras de homicídio é desproporcionalmente mais alto do que outros grupos".

"Os brasileiros negros sofrem racismo estrutural e institucional, exclusão, marginalização e violência com, em muitos casos, consequências mortais", destacou.

Embora o Brasil tenha aberto uma investigação sobre a morte de Freitas, Shamdasani pediu que seja "rápida, exaustiva, independente, imparcial e transparente" e insistiu que deve-se analisar se "os preconceitos raciais desempenharam um papel" em sua morte.

Preso após matar João Alberto Freitas, de 40 anos, o policial militar temporário Giovane Gaspar da Silva, de 24 anos, trabalhava pela 1ª vez como segurança terceirizado do Carrefour no dia do crime. Ele foi contratado para suprir a falta de outro vigia, em jornada de 12 horas. Silva e o outro segurança foram filmados durante o espancamento e afastados do Carrefour. A empresa informou ontem ter afastado também a funcionária de blusa branca, que aparece no vídeo com cenas da agressão e não interfere.

"Aquele tinha sido o primeiro dia dele (Silva) no mercado e o pior, faltava apenas uma hora para ele ir embora. Na verdade, ele foi contratado por um outro colega, que iria realizar o pagamento do serviço diretamente para ele", disse o advogado do PM temporário, David Leal.

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Embora seja vedada atuação de PMs no horário de folga, Silva aceitou o serviço para ampliar a renda familiar, afirmou o advogado. "Ele viu que o bico não servia para ele, mas quis complementar a renda. Ficou com receio de aceitar o trabalho, que acaba sendo mal visto. Ele estudava para concurso e tinha o sonho de ser policial rodoviário federal. Foi no primeiro dia que ocorreu aquela grande fatalidade", disse.

Ele afirma que Silva não tinha vínculo empregatício com o Grupo Vector, empresa responsável pela fiscalização na unidade do Carrefour. Já o Grupo Vector disse que ele havia sido contratado no dia 19, estava devidamente registrado e teve o vínculo rescindido no dia seguinte ao assassinato.

Leal diz que o caso é uma "fatalidade" e diverge da prisão em flagrante. Os dois seguranças vão responder por homicídio triplamente qualificado - por motivo fútil, asfixia e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Na noite de quinta, eles ficaram em silêncio durante a detenção. "Houve homicídio culposo, provavelmente, pela pressão exercida quando ele foi imobilizado. Meu cliente atuou para conter a agressão. Não teve nenhum cunho racial."

A reportagem não conseguiu contato com a defesa do outro vigia, Magno Braz Borges. O Carrefour não informou a identidade da outra funcionária afastada. A Polícia Civil já havia dito que pode investigar as outras pessoas vistas na cena do crime por omissão de socorro.

"Já ouvimos mais de vinte pessoas no inquérito e vamos seguir realizando as diligências. ", disse Roberta Bertoldo, a delegada responsável pelo caso. A investigação tem prazo de 10 dias para concluir o inquérito a partir da instauração. Caso contrário, os trabalhos podem ser estendidos por mais 15 dias.

Reabertura

A loja do Carrefour onde João Alberto foi morto reabriu ontem em Porto Alegre, após três dias fechada. No local, era possível ver rastros da manifestação de sexta, em que houve invasão e depredação do estabelecimento. Lojistas e frequentadores do supermercado relatam que já flagraram excessos dos vigilantes.

Pichações, cartazes e flores em homenagem à vítima eram visíveis nas grades do Carrefour. Na parte interna, o clima era de tensão; funcionários com semblante preocupado trocavam poucas palavras e o movimento era bastante abaixo do normal. Ênio Dagoberto de Lima, de 67, é ambulante monta sua barraca com chapéus e camisetas na parte externa da loja. Segundo ele, o comportamento agressivo dos seguranças já era perceptível. "Sempre tinha umas mulheres que vendiam macela (planta). Eu vi vezes em que esses dois seguranças colocaram elas para rua com as crianças e tudo", diz.

Em nota, o Carrefour disse dar assistência aos lojistas. Para as lojas com avarias, disse estar em contato com os responsáveis para avaliar medidas.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O Grupo Carrefour Brasil anunciou nesta segunda-feira, 24, a criação de um fundo para promover inclusão racial e combater o racismo. O aporte inicial será de R$ 25 milhões. O valor é adicional à doação anunciada pela empresa, que reverterá o resultado das vendas realizadas nos hipermercados da rede no país no dia 20 de novembro.

"Sabemos que não podemos reparar a perda da vida do senhor João Alberto. Este movimento é o primeiro passo da empresa para que o combate ao preconceito e racismo estrutural, que é urgente no Brasil, ganhe ainda mais força e apoio da sociedade. Acreditamos que poderemos evoluir e contribuir para a construção de uma sociedade mais inclusiva e igualitária", afirma Noël Prioux, CEO do Grupo Carrefour Brasil no comunicado.

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A empresa afirma que tem se reunindo com entidades representativas da causa e com especialistas que atuam nesta frente.

Além disso, a partir das reivindicações, a empresa diz que anunciará na quarta-feira, 25 de novembro, os compromissos e o plano de ação do trabalho, que nortearão este fundo. As iniciativas compreenderão ações internas e projetos de âmbito externo, visando promover ações que envolvam seus milhares de colaboradores e também seus públicos externos.

Manifestantes promovem um protesto, na tarde deste domingo (22), em frente a uma filial da rede de supermercados Carrefour, dentro de um shopping na zona norte do Rio de Janeiro. O ato começou enquanto o supermercado funcionava com parte das portas fechadas, mas o estabelecimento acabou encerrando suas atividades conforme o movimento foi ganhando adesão de mais manifestantes, informou a rede de televisão por assinatura GloboNews.

O protesto reúne ativistas de diferentes coletivos e organizações da sociedade civil em repúdio ao assassinato do soldador negro João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, por dois seguranças brancos de um supermercado da rede em Porto Alegre, na noite de quinta-feira, 19. Desde então, diversos protestos ocorrem pelo País.

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Os manifestantes percorreram neste domingo os corredores do shopping com faixas e discursos pedindo o fim do racismo estrutural na sociedade brasileira e da violência que vitima negros no Brasil.

Passadas mais de 24 horas da morte de João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, o Grupo Vector, empresa terceirizada do hipermercado Carrefour, anunciou que rescindiu por justa causa os contratos de trabalho dos dois vigilantes envolvidos no espancamento do cliente negro na noite de quinta-feira, 19. A morte gerou revolta e protestos em todo o país. O laudo médico apontou que a vítima morreu por asfixia.

Em comunicado, a empresa informou lamentar "profundamente os fatos ocorridos e se sensibiliza com os familiares da vítima". Em nota divulgada na noite passada, a companhia garantiu não ser responsável pela vigilância do prédio, mas sim do setor de prevenção e perdas.

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O Grupo Vector também assegurou que irá auxiliar a Polícia Civil na elucidação dos fatos "estando à disposição das autoridades e colaborando com as investigações para apuração da verdade" e que "submete seus colaboradores a treinamento adequado inerente às suas atividades, especialmente quanto à prática do respeito às diversidades, dignidade humana, garantias legais, liberdade de pensamento, bem como à diversidade racial e étnica".

Os vigias Magno Braz Borges e Giovane Gaspar da Silva, policial militar temporário, foram flagrados pelas câmeras de segurança espancando João Alberto até a morte. Os dois tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça. Eles foram autuados em flagrante por homicídio triplamente qualificado por motivo fútil, asfixia e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Na sexta-feira (20), uma grande manifestação foi realizada em frente à unidade do Carrefour, situada na zona norte de Porto Alegre. O protesto terminou em confronto entre manifestantes e a Brigada Militar. Cinco pessoas ficaram feridas, três manifestantes e dois PMs. Outras duas foram presas. Palco do confronto na noite passada, o Carrefour amanheceu novamente com as portas fechadas, sem previsão de reabertura. O estacionamento do hipermercado foi depredado.

O assassinato de João Alberto, que foi espancado no estacionamento de uma loja do Carrefour em Porto Alegre-RS, ganhou as páginas do mundo e, neste sábado (21), foi lembrado campeão mundial de Fórmula 1, Lewis Hamilton. Ele lamentou o crime e endereçou condolências à familia por meio do Instagram. 

O assassinato de João alberto, após ser espancado por um segurança e um policial militar, aconteceu um dia antes da data que marca o Dia da Consciência Negra, 20 de novembro. Não por acaso, o tema foi abordado pelo piloto negro, que costuma se posicionar sobre temas raciais. 

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“Estou devastado ao ouvir essa notícia, outra vida preta perdida mais uma vez. Segue acontecendo e nós temos que lutar para que isso não continue. Encaminho meus pensamentos e orações para o Brasil. Descanse em paz João Alberto Silveira Freitas”, disse o piloto. 

Campeão mundial de Fórmula 1 endereçou condolências pela rede social. Foto: Reprodução/Instagram

Hamilton definitivamente é o personagem com maior engajamento pela causa que passou pela Fórmula 1, esporte genuinamente elitista e predominantemente branco. Além de ser o primeiro negro campeão, ele vem dizimando recordes, mas sem nunca deixar de usar sua influência em prol da igualdade racial. Nesta temporada, ele pediu uma mudança no uniforme e no carro Mercedes que passaram a ser pretos. A mudança se deu em meio a protestos pela morte de George Floyd nos Estados Unidos. Hamilton se aliou ao movimento Black Lives Matter e tem sido crítico quanto à pouca presença de pretos no automobilismo.

A fabricante de bebidas Ambev publicou em sua conta oficial no LinkedIn uma nota na qual cobra do Carrefour "medidas imediatas e efetivas" que impeçam novos episódios de discriminação como o que levou ao assassinato de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, ocorrido na noite de quinta-feira (19) em uma unidade do Carrefour de Porto Alegre-RS.

"Na Ambev não toleramos qualquer ato de racismo ou violência. Estamos em luto pelo assassinato brutal de João Alberto Silveira Freitas. Para todos nós, nossos funcionários e a comunidade negra, a tristeza, frustração e medo gerados por atos recorrentes de violência como este são profundos e pessoais", diz a nota da Ambev publicada na sexta-feira (20).

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João Alberto Silveira Freitas foi espancado e morto por dois homens brancos que integravam a equipe de segurança da unidade do Carrefour Passo D'areia, na capital gaúcha. Os suspeitos, um de 24 anos e outro de 30 anos, foram presos em flagrante, sendo que um deles foi levado a um presídio militar por integrar a Brigada Militar do Rio Grande do Sul. A Polícia Civil trata o caso como homicídio qualificado.

Após ser detida pela Polícia Militar, no início da tarde deste sábado (20), uma ativista que fazia parte do protesto foi liberada. Ao final do ato que reuniu um grupo de manifestantes em frente ao Carrefour de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, por conta da morte de um homem negro, espancado até ser morto na porta de um supermercado da rede em Porto Alegre, a ativista foi levada para prestar esclarecimentos.

Ao fim da manifestação, por volta das 12h30, o grupo que seguia de forma pacífica, chegou a entrar no estacionamento do Carrefour de Boa Viagem, mas foi expulso pela PM. Na confusão, uma cancela foi quebrada. Os agentes apontaram essa ativista como a pessoa que estaria incitando a violência contra o supermercado, por portar um megafone. Ela chegou a ser levada para a segunda Delegacia de Polícia de Boa Viagem, mas foi liberada em seguida.

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