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Os palestinos da Cisjordânia ocupada começaram a votar neste sábado (11) em eleições municipais marcadas pelo boicote do principal partido opositor Hamas, no poder em Gaza, como protesto pelo adiamento indefinido das eleições parlamentares e presidenciais.

As eleições presidenciais ou legislativas não são celebradas nos territórios palestinos há 15 anos. As últimas eleições municipais aconteceram em 2017 e também foram boicotadas pelo Hamas.

Das 367 cidades da Cisjordânia que vão às urnas, 60 não possuem nenhum candidato e em outras 162 só foi apresentada uma lista. Sendo assim, haverá uma eleição propriamente dita apenas em 154 municípios.

A eleição municipal acontece em duas fases e em março de 2022 acontecerá a segunda para as cidades.

O porta-voz da Comissão Eleitoral Central Palestina, Fareed Taam Allah, disse à AFP que as urnas abriram em todas as cidades previstas.

As urnas estarão abertas até as 19h00 locais, com um censo potencial de 405.000 eleitores, segundo o comitê eleitoral.

As eleições são "irrelevantes politicamente porque ocorrem em pequenas cidades e não nas grandes" e são "fúteis" na ausência do Hamas, segundo o analista político Jihad Harb.

O grupo armado, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, boicota a votação como protesto ao presidente Mahmud Abas que adiou indefinidamente as eleições parlamentares e presidenciais programadas para este ano.

Um homem armado matou uma pessoa e deixou quatro outras feridas antes de ser morto a tiros pela força de segurança israelense, perto da entrada de um local sagrado na Cidade Velha de Jerusalém, neste domingo (21), conforme informou a polícia de Israel. De acordo com os policiais, o atirador era palestino.

A polícia disse que o ataque ocorreu perto da entrada de um santuário contestado por judeus, que o chamam de Monte do Templo, e mulçumanos, que conhecem o local como Santuário Nobre. A violência em torno do espaço sagrado desencadeou confrontos anteriores entre israelenses e palestinos.

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As autoridades policiais também disseram que o atirador era um palestino, residente de Jerusalém Oriental, na casa dos 40 anos. O Ministro da Segurança Pública, Omer Bar Lev, disse a repórteres que o homem era membro do braço político do grupo militante Hamas e que a esposa dele havia deixado o país três dias antes.

Sem assumir a autoria do ataque, o Hamas elogiou o atirador, chamando o incidente de uma "operação heroica". "A resistência de nosso povo continuará sendo legítima por todos os meios e ferramentas contra os ocupantes sionistas até que nossos objetivos sejam alcançados e a ocupação seja expulsa de nossos locais sagrados e de todas as nossas terras", disse o porta-voz Abdel Latif al-Qanou.

No Twitter, o embaixador da União Europeia em Israel, Dimiter Tzantchev, disse que seus pensamentos estavam "com as vítimas do ataque covarde na Cidade Velha de Jerusalém" e condenou o ataque. "Violência nunca é a resposta."

O incidente foi o segundo desse tipo no local nos últimos dias. Na quarta-feira, 17, um adolescente palestino, de 16 anos, foi morto a tiros depois de esfaquear dois policiais israelenses.

A queda do premiê Binyamin Netanyahu não significa um avanço da paz com os palestinos. O novo governo israelense, liderado por Naftali Bennett, um defensor dos colonos, é tão ruim quanto o anterior, disse nesta segunta, 14, o primeiro-ministro palestino, Mohamed Shtayeh. "Este novo governo é igual ao anterior. Nós condenamos os anúncios do novo primeiro-ministro, Naftali Bennett, em apoio aos assentamentos israelenses", disse Shtayeh. "O novo governo não tem futuro se não levar em consideração o povo palestino e seus direitos legítimos."

Ontem, a frase que mais se ouvia entre os palestinos para definir o novo governo, seja em Jerusalém Oriental, na Cisjordânia ocupada ou na Faixa de Gaza, era: "Mais do mesmo". Para o analista palestino Hamada Haber, a diversidade de ideologias do novo governo e a mínima maioria que possui no Parlamento impedirão qualquer reaproximação com as autoridades palestinas, o que ele acredita que causaria o colapso do gabinete.

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Além disso, de acordo com Haber, a Autoridade Palestina, que governa a Cisjordânia, está muito enfraquecida após os 11 dias de conflitos em maio, liderados pelo Hamas, na Faixa de Gaza, que teria se transformado no principal interlocutor dos palestinos. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O aplicativo de mensagens WhatsApp bloqueou as contas de dezenas de jornalistas palestinos, após os recentes confrontos entre Israel e o movimento islâmico Hamas, que governa a Faixa de Gaza - disseram repórteres.

Pouco depois da entrada em vigor do cessar-fogo, às 2h da última sexta-feira (21), que encerrou 11 dias de um intenso conflito, dois jornalistas da redação da AFP em Gaza receberam anúncios do WhatsApp em árabe, informando que suas contas estavam bloqueadas.

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Outros jornalistas, em Jerusalém, Gaza e na Cisjordânia ocupada, também relataram que suas contas foram bloqueadas. Uma equipe do canal de notícias do Catar Al Jazeera afirmou que suas contas foram reabertas depois de reclamarem com o Facebook, proprietário do WhatsApp.

O vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas Palestinos, Tahseen al-Astall, observou que "cerca de 100 jornalistas" em Gaza tiveram a conta bloqueada.

O Centro Árabe de Desenvolvimento de Redes Sociais disse que o bloqueio de contas do WhatsApp não é um incidente isolado. Em um novo relatório, o grupo baseado em Haifa documentou 500 casos, nos quais os "direitos digitais" dos palestinos foram violados entre 6 e 19 de maio.

O presidente dos EUA, Joe Biden, telefonou nesta segunda-feira (17) para o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e defendeu um cessar-fogo na Faixa de Gaza. Na ligação, Biden demonstrou preocupação com o conflito, mas não exigiu uma trégua imediata, como quer a ala progressista do Partido Democrata.

Como sempre, Israel vem contando com o socorro diplomático do governo americano e Biden ainda não deu sinais de que pretende mudar a posição histórica dos EUA. No entanto, a proteção inabalável da Casa Branca vem colocando em risco o apoio de parte da base democrata, especialmente da ala progressista do partido.

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A violência completou ontem uma semana, com mais de 200 palestinos mortos em ataques aéreos de Israel, deflagrados em resposta a milhares de foguetes lançados pelo Hamas, que mataram 10 israelenses. Biden e seu secretário de Estado, Antony Blinken, disseram que o governo israelense "tem direito de se defender", mas evitaram ao máximo críticas ao aliado e até agora não fizeram nenhum pedido de moderação nos bombardeios.

A posição vem deixando Biden exposto às críticas crescentes dos eleitores progressistas e de congressistas de seu partido, que exigem uma política mais dura com relação a Israel - uma mudança gradual, mas perceptível, na disposição dos democratas.

O senador Bob Menendez, presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, considerado pró-israelense, disse estar "profundamente preocupado" com os ataques a Gaza, exigindo uma completa "prestação de contas" por parte de Israel. Bernie Sanders, também senador e porta-voz informal da juventude do partido, chamou a situação de "inconcebível" e disse que os Estados Unidos deveriam reavaliar os US$ 4 bilhões anuais em ajuda militar a Israel.

Sanders, que é judeu, e outros progressistas veem o conflito cada vez mais sob o prisma da justiça social, especialmente porque o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu se apega ao poder por meio de uma aliança com a extrema direita e abordou o problema de maneira ideológica, especialmente durante a presidência de Donald Trump.

Em artigo no New York Times, Sanders escreveu que Netanyahu "cultivou um tipo cada vez mais intolerante e autoritário de nacionalismo racista". A deputada hispânica Alexandria Ocasio-Cortez, uma das estrelas do Partido Democrata, pediu uma ação da Casa Branca contra o "apartheid" israelense, um termo que enfurece Israel, mas que foi recentemente endossado pela ONG Human Rights Watch, que lamentou que o governo israelense adote "uma política de domínio" sobre os palestinos.

Logan Bayroff, diretor de comunicação do grupo pró-Israel J Street, disse que há uma percepção crescente de que a ação israelense, incluindo a expulsão de famílias palestinas de Jerusalém Oriental, contribui para a crise. "Existe mais disposição dentro do Partido Democrata de criticar não apenas os foguetes do Hamas, mas também a política do governo israelense", disse Bayroff. "Isso cria um grande contraste com o governo Biden."

Apoio

Do outro lado, os republicanos acusam Biden de não dar apoio suficiente a Israel e afirmam que a ala esquerda democrata se aliou ao Hamas. "Não há equivalência moral entre Israel e Hamas", afirmou o líder republicano da Câmara dos Deputados, Kevin McCarthy. "Os EUA deveriam apoiar inequivocamente nosso aliado Israel e o povo judeu."

Segundo o Washington Post, alguns senadores democratas demonstraram insatisfação com um acordo de US$ 735 milhões para a venda de armas de precisão para Israel, aprovado no dia 5, menos de uma semana antes de o conflito começar. "Permitir que esta venda de bombas inteligentes siga sem pressionar Israel a concordar com um cessar-fogo abre caminho para mais carnificina", afirmo ao jornal um deputado do partido, membro do Comitê de Relações Exteriores da Câmara.

Os esforços diplomáticos por um cessar-fogo, apoiados por Biden, são liderados pelo presidente egípcio, Abdel Fatah al-Sissi, e pelo rei da Jordânia, Abdullah II. De acordo com diplomatas ouvidos pelo Washington Post, no entanto, o governo israelense até agora recusou a mediação. Eles disseram que o comando militar e político de Israel pretendem causar o máximo de danos à infraestrutura do Hamas antes de aceitar uma trégua. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Ataques aéreos de Israel na cidade de Gaza derrubaram três edifícios e mataram ao menos 33 pessoas neste domingo, 16, marcando o dia mais violento desde que o conflito entre o país e o grupo terrorista Hamas começou, há quase uma semana. Autoridades de saúde no território dizem que pelo menos dez mulheres e oito crianças estão entre os mortos, com outros 50 feridos nos bombardeios.

Militares israelenses disseram que destruíram a casa do líder do Hamas em Gaza, Yahiyeh Sinwar, em um ataque separado na cidade de Khan Younis, no sul. O ataque atingiu a casa de Sinwar e de seu irmão Muhammad, outro membro sênior do Hamas.

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No sábado, 15, os bombardeios israelenses na região mataram outras dez pessoas de uma mesma família palestina, entre elas oito crianças e duas mulheres. Um bebê de cinco meses sobreviveu.

No mesmo dia, os ataques aéreos também destruíram o edifício al-Jalaa, de 12 andares, onde ficavam apartamentos residenciais e escritórios de meios de comunicação, como da agência de notícias Associated Press (AP) e da rede de TV Al-Jazeera.

Também houve protestos palestinos na sexta-feira, 14, na Cisjordânia, em que as forças israelenses atiraram e mataram 11 pessoas, segundo os palestinos.

Nos últimos dias, Israel intensificou ataques para causar o maior dano possível no Hamas enquanto mediadores internacionais tentam negociar um cessar-fogo. Um diplomata norte-americano, Hady Amr, está na região para apaziguar as tensões desde sexta-feira.

Neste domingo, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) irá se reunir para discutir a situação. Israel já rejeitou uma proposta egípcia de uma trégua de um ano -- o Hamas havia concordado.

A violência entre israelenses e palestinos começou no início do mês, em Jerusalém, quando moradores árabes do bairro Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, protestaram contra tentativas de serem retirados de suas casas e também após a polícia de Israel impedir a entrada na Mesquita de Al-Aqsa nos últimos dias do Ramadan, local e mês sagrados para os muçulmanos.

Na segunda-feira, o Hamas lançou mísseis contra o território israelense. Desde então, 181 palestinos foram mortos em Gaza, incluindo 52 crianças e 31 mulheres, além de 1.225 feridos.

Do lado israelense, oito pessoas morreram - entre elas, um menino de 5 anos e um soldado.

Aos 16 anos, Muhammad Najib é um adolescente como qualquer outro, um fã de videogames. Mas esse jovem palestino da Faixa de Gaza há alguns dias tem a impressão de que vive dentro de um jogo de guerra, rodeado por prédios destruídos pelo exército israelense.

Grandes buracos na rua, casas reduzidas a pó, escombros: os habitantes de Gaza acordaram nesta sexta-feira em um enclave devastado por bombardeios israelenses noturnos.

Segundo vários habitantes, é como se seu território sofresse um "terremoto contínuo", já que Israel decidiu intensificar sua ofensiva contra grupos armados em Gaza, liderados pelo movimento islâmico Hamas no poder, que lançou centenas de foguetes contra Israel, causando nove mortes.

Desde o início de uma nova escalada de violência na segunda-feira, mais de 100 palestinos foram mortos em bombardeios israelenses. Essas vítimas incluem 31 crianças, de acordo com as autoridades locais.

"Esses bombardeios caem sem parar como em um videogames", comparou Muhammad Najib, que mora na cidade de Gaza, muito perto da torre Al-Shoruk, que foi pulverizada e se transformou em uma enorme nuvem negra na quarta-feira. "Foi assustador", relembra.

Em Beit Hanun, ao norte do enclave de dois milhões de habitantes, localizado entre Israel, Egito e o Mar Mediterrâneo, Jassar Fayyad não tem mais casa. Na quinta à noite, “de repente ouvimos barulho de explosões (...) Bombardearam cerca de 10 vezes sem avisar”, lamenta.

"A eletricidade foi cortada e não podíamos nos ver, corremos para o hospital. Meu pai perdeu os dois pés, minha tia perdeu um olho e dois de meus parentes ficaram gravemente feridos", relata à AFP este jovem, que veste uma camisa toda ensanguentada.

“Costumo ficar acordado até tarde, agora odeio a noite”, admite Dima Talal, uma estudante de 17 anos do ensino médio. "Nestes últimos quatro dias, só dormi quatro horas por causa do medo".

“Estou mais assustada hoje do que em todos os outros dias de tensão, porque o barulho dos mísseis israelenses é muito alto, terrível, louco”, reitera a jovem moradora da Cidade de Gaza.

- "Eu não sei porque ele faz isso" -

Tiroteios entre o Hamas e o exército israelense são frequentes, e os dois inimigos travaram três guerras no enclave em menos de 15 anos (2008, 2012, 2014).

Para Ahmed Fatum, de 16 anos, não há "escalada" sobre o que os habitantes de Gaza vivem hoje. “É uma verdadeira guerra”, afirma.

“Israel destrói tudo: casas, edifícios e até terras agrícolas à nossa frente”, critica o jovem. No entanto, "não somos culpados de nada", acrescenta.

Aos 73, sua avó, Um Jallal Fatum, não está vivendo seus primeiros bombardeios, mas garante nunca ter visto ataques tão "violentos" em Gaza.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, alertou que os bombardeios em Gaza "ainda não acabaram".

“Ele é um criminoso porque mata crianças e destrói casas. Não sei por que ele faz isso”, lamenta Um Jallal Fatum.

O novo ciclo de violência começou na segunda-feira após dias de confrontos entre palestinos e policiais israelenses em Jerusalém Oriental, a porção palestina da Cidade Santa ocupada e anexada por Israel, que causou centenas de feridos.

As imagens da polícia israelense jogando granadas ensurdecedoras ou balas de borracha na Esplanada das Mesquitas para dispersar os palestinos, que revidaram com objetos e projéteis, causaram comoção.

O Hamas havia ameaçado lançar foguetes contra Israel se suas forças não se retirassem da Esplanada, o terceiro local mais sagrado do Islã e o local mais sagrado do judaísmo.

“Ele (Netanyahu) fez mal a Jerusalém e é por isso que os palestinos dispararam foguetes. Ele deve ir embora”, pede Um Jallal Fatum, acrescentando que esta é a única solução para a "paz" pela qual anseia.

Atrás de uma parede de pedra perfurada onde uma porta foi colocada, figuram alguns quartos estofados com almofadas: o palestino Ahmed Amarneh vive com sua família em uma caverna na Cisjordânia há mais de um ano, mas estão ameaçados de expulsão.

Engenheiro civil de 30 anos, ele vive com sua esposa grávida de cinco meses e sua filha em Farasin, uma aldeia no noroeste da Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel, onde a construção de uma casa às vezes deve ser aprovada pelas autoridades israelenses.

Em alguns setores da Cisjordânia, essas autoridades emitem avisos de demolição de estruturas julgadas ilegais. Farasin não é uma exceção, o que incluiria a caverna. "Tentei construir duas vezes, mas as autoridades de ocupação me disseram que é proibido construir nesta área", disse à AFP.

Diante das rejeições, Amarneh decidiu instalar sua morada em uma caverna formada ao pé de uma colina, que do alto domina a aldeia. Ao refletir sobre o assunto, ele chegou à conclusão de que viver em uma caverna não requer nenhuma autorização oficial, por se tratar de uma formação natural muito antiga, além de estar localizada em um terreno registrado com seu nome pelas autoridades palestinas. A família mora lá há um ano e meio, comenta.

Permissão para uma caverna? -

No entanto, em julho ele recebeu um aviso de demolição por parte das autoridades israelenses, assim como cerca de vinte famílias desta aldeia que é alvo de uma disputa de Israel com seus pares palestinos. O órgão israelense responsável pelas operações civis nos Territórios Palestinos (Cogat) disse à AFP que esses avisos de demolição foram emitidos porque essas casas foram construídas "ilegalmente", "sem os autorizações necessárias".

"Fiquei surpreso!", porque "eu não criei a gruta. Ela existe desde a Antiguidade", suspira Amarneh. Segundo Mahmud Ahmad Naser, chefe do Conselho da aldeia, Farasin foi criada em 1920, mas foi abandonada durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Mas seus antigos habitantes retornaram partir de 1980 e atualmente cerca de 200 pessoas povoam o local.

Farasin, na verdade, não parece uma aldeia. Em vez disso, assemelha-se a uma constelação de pequenas casas separadas umas das outras, sem estradas pavimentadas e sem rede elétrica.

A Autoridade Palestina lhe concedeu um status oficial em março mas, segundo o Conselho, a pandemia de COVID-19 impediu a implementação de medidas concretas de desenvolvimento, como por exemplo o acesso à eletricidade.

De acordo com a ONG israelense anticolonização B'Tselem, apesar da pandemia, Israel demoliu 63 casas de palestinos devido ao plano Trump para a região, que inclui a anexação de partes da Cisjordânia.

Os palestinos anunciaram ontem uma "contraproposta" ao plano americano para o Oriente Médio e pediram aos europeus que pressionem Israel para evitar uma anexação de partes da Cisjordânia ocupada. A partir de 1º de julho, a coalizão liderada pelo primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, e pelo ministro da Defesa, Benny Gantz, deve apresentar sua estratégia para implementar o plano de Donald Trump, apontado pelos israelenses como uma "oportunidade histórica".

Anunciada em janeiro, a proposta dos EUA prevê a anexação por Israel de colônias israelenses e de partes do vale do Jordão na Cisjordânia, ocupada desde 1967. O acordo também prevê a criação de um Estado palestino em um território reduzido e sem Jerusalém Oriental como capital, ao contrário do que os palestinos exigem.

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Ontem, o primeiro-ministro palestino, Mohamed Shtayyeh, disse que, se a anexação ocorrer, a Autoridade Palestina vai declarar sua soberania sobre a Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental, de maneira unilateral, aguardando o reconhecimento de países aliados. Shtayyeh também disse que qualquer troca compensatória de territórios será feita "de igual para igual" em termos de "tamanho e valor".

Durante a última década, a população das colônias israelenses na Cisjordânia aumentou em 50%, ultrapassando os 450 mil habitantes. Mais de 2,7 milhões de palestinos também vivem no território.

O secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erakat, afirmou ontem que se reuniu com representantes de Rússia, União Europeia e ONU para discutir a anexação - não havia representantes dos EUA. Os palestinos romperam relações com os americanos desde que Trump reconheceu Jerusalém como capital de Israel, em 2017.

Erakat disse ter entregado uma carta do presidente palestino Mahmoud Abbas "que exige a formação de uma coalizão internacional contra a anexação e uma reunião de todos os países que se opõem a ela". Embora a UE seja contra a anexação, o bloco ainda não anunciou nenhuma medida contra o plano. "Queremos que Israel sinta a pressão internacional", afirmou Shtayyeh. (Com agências internacionais)

 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Israel decretou neste domingo (9) o bloqueio das exportações agrícolas palestinas, no contexto de uma disputa comercial que se intensifica desde o anúncio de um plano controverso dos Estados Unidos para resolver o conflito entre israelenses e palestinos.

"A partir de hoje a exportação de produtos agrícolas palestinos não será autorizada pela passagem de Allenby (fronteira)", disse a Cogat, unidade do Ministério da Defesa de Israel responsável por supervisionar as atividades civis nos territórios palestinos.

Controlada por Israel, a passagem de Allenby une a Cisjordânia ocupada à Jordânia, de onde as mercadorias palestinas podem ser enviadas para o resto do mundo.

Ao fechar essa passagem, Israel bloqueia automaticamente todas as exportações agrícolas palestinas porque as autoridades já haviam impedido o acesso desses produtos a Israel de onde poderiam ser enviados para a Europa.

Segundo a Cogat, a medida é uma resposta ao "boicote palestino aos bezerros, que prejudicou seriamente os fazendeiros israelenses".

Os palestinos suspenderam as importações de bezerros de Israel há cinco meses, sob uma política de "desconexão" progressiva econômica com Israel, que ocupa a Cisjordânia e Jerusalém Oriental.

Na semana passada, alguns dias após o anúncio pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de seu plano de paz para a região, rejeitado pelos palestinos que o consideram favorável demais para Israel, o ministro da Defesa de Israel suspendeu a importação de produtos agrícolas da Cisjordânia.

Segundo o Ministério da Economia da Palestina, as vendas agrícolas a Israel representaram 88 milhões de dólares em 2018, cerca de dois terços do total das exportações agrícolas palestinas.

Em retaliação, os palestinos bloquearam a entrada de legumes, frutas, refrigerantes, sucos e água mineral em Israel, confirmou o porta-voz do governo palestino Ibrahim Melhem à AFP.

As importações de produtos agrícolas israelenses nos territórios palestinos foram de cerca de US $ 600 milhões em 2018, segundo dados palestinos.

A Cogat informou neste domingo que sua decisão de bloquear as exportações da Cisjordânia terminaria "assim que a Autoridade Palestina parar de prejudicar o comércio de gado e o mercado livre".

Dois jovens palestinos atacaram um policial israelense com facas na cidade velha de Jerusalém nesta quinta-feira (15) antes de serem baleados pela polícia. Um deles morreu, informaram as autoridades.

O palestino ferido foi levado em estado grave para um hospital israelense. A Meia Lua Vermelha palestina e a polícia de Israel informaram que um terceiro palestino foi ferido na perna, mas ele não fazia parte do ataque

Segundo a polícia, o ataque ocorreu em uma das portas de acesso para a esplanada das mesquitas, na Cidade Velha de Jerusalém.

O acesso a essa área é proibido para homens com menos de 50 anos para a oração da tarde, de acordo com o porta-voz do Waqf, um órgão muçulmano que administra esse local.

A esplanada das mesquitas, terceiro lugar sagrado do Islã, fica em Jerusalém Oriental, um setor palestino da cidade ocupado desde 1967 por Israel, que mais tarde o anexou sem ter o reconhecimento da comunidade internacional. Neste local sempre ocorrem conflitos entre palestinos e agentes de segurança israelenses.

O conselheiro da Casa Branca Jared Kushner propôs nesta terça-feira aos palestinos a "oportunidade do século", caso aceitem os termos econômicos de seu plano de paz, em uma conferência no Bahrein.

Em seu discurso de abertura na conferência "Da paz à prosperidade", o genro do presidente Donald Trump afirmou que seu plano econômico para o Oriente Médio é "a oportunidade do século" para os palestinos, mas que sua aceitação é uma "condição prévia para a paz".

"Os Estados Unidos não abandonaram vocês", disse Kushner, dirigindo-se aos palestinos ao inaugurar a reunião de dois dias no Bahrein que foi boicoteada pela Autoridade Palestina.

"Aceitar um caminho econômico é um condição prévia para resolver as questões políticas sem solução até o momento", afirmou Kushner.

"Mas devemos ser claros: o crescimento econômico e a prosperidade para o povo palestino não podem ser alcançados sem uma solução política justa e duradoura que garanta a segurança de Israel e respeite a dignidade do povo palestino".

Kushner rejeitou a descrição pejorativa de "acordo do século", como alguns se referem à proposta. "A este esforço é melhor nos referirmos como a oportunidade do século, caso os líderes tenham a valentia de persegui-la".

Os palestinos consideram a abordagem econômica totalmente inoportuna sem uma solução das questões políticas.

Para isso, os palestinos pedem o fim da ocupação israelense para formar um Estado independente.

Embora as questões políticas não devam ser abordadas durante os dois dias de trabalho em Manama, Kushner reconheceu que deveriam ser tratadas posteriormente.

Ele disse ainda aos palestinos que eles estavam em desvantagem em acordos de paz anteriores.

"Minha mensagem direta ao povo palestino é que, apesar do que aqueles que o abandonaram no passado disseram, o presidente Trump e os Estados Unidos não o abandonaram", insistiu.

O encontro começará com um jantar em um hotel de luxo no Bahrein que, juntamente com outros países árabes do Golfo Árabe, pede a formação de uma frente comum com Israel por causa de sua hostilidade compartilhada em relação ao Irã.

O governo americano espera levantar mais de 50 bilhões de dólares em projetos de infraestrutura, educação, turismo e comércio para os palestinos.

Os convidados incluem ministros das finanças dos países árabes do Golfo, o secretário do Tesouro americano Steven Manuchin e a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Christine Lagarde.

A Autoridade Palestina decidiu boicotar a reunião e seu primeiro-ministro, Mohamed Shtayeh, criticou a ausência de uma menção ao fim da ocupação israelense.

Centenas de palestinos protestaram na segunda-feira na Cisjordânia ocupada contra a conferência do Bahrein. Perto de Hebron, alguns deles sentaram-se em torno de um caixão com a inscrição "Não ao acordo do século", uma expressão pejorativa que faz referência às propostas de paz de Donald Trump.

A administração americana diz que pretende aplicar uma nova abordagem para acabar com o conflito, com um plano que pode ser revelado em novembro, depois das legislativas em Israel.

Segundo autoridades americanas, o plano não mencionará a solução de "dois Estados", um israelense e outro palestino.

Israel, que estará presente no Bahrein, criticou a liderança palestina. "Eu não entendo como os palestinos rejeitaram o plano antes mesmo de saber o que ele contém", disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu nesta terça-feira aos membros das Nações Unidas que continuem financiando a Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (UNRWA), na abertura de outra conferência de arrecadação de fundos para essa entidade do organismo internacional.

A Autoridade Palestina enfrenta sérias dificuldades financeiras. Israel congelou parte dos impostos alfandegários que deve aos palestinos, justificando que a soma congelada corresponde à quantidade de ajuda dada pela Autoridade às famílias de palestinos presos ou mortos por terem cometido ataques contra Israel.

Antes da reunião no Bahrein, a Liga Árabe reiterou seu compromisso de entregar 100 milhões de dólares por mês aos palestinos, mas não especificou de que maneira.

A promessa de grandes investimentos em favor dos palestinos veio depois que Washington congelou mais de 500 milhões de ajuda, parou de financiar a Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (UNRWA) e tomou inúmeras decisões em favor de Israel.

Em meio a grande ceticismo, a administração Trump começou a discutir nesta terça-feira, 25, seu plano econômico de US$ 50 bilhões que prevê até incentivo ao turismo para tentar alcançar a paz entre israelenses e palestinos. Mas ele não esclarece os detalhes políticos para torná-lo real.

O plano foi apresentado pelo genro e conselheiro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, a um grupo reunido em Manama, capital do Bahrein, em uma conferência marcada pela ausência de líderes israelenses e palestinos.

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Em linhas gerais, o plano prevê o investimento de doadores nacionais e investidores de cerca de US$ 50 bilhões. Mais da metade desse montante seria colocado nos territórios palestinos nos próximos dez anos. O restante seria dividido entre Líbano, Egito e Jordânia - país que mais tem absorvido palestinos e teme que eles se estabeleçam em seu território para sempre.

O dinheiro seria investido em áreas palestinas ligadas à infraestrutura, comércio e turismo, mas é vago sobre como solucionar os entraves políticos a eles. Há uma seção dedicada ao turismo no plano de Kushner. "Para o desenvolvimento total da indústria do turismo palestina, novos investimentos são necessários para a criação de acomodações e atrações próximas dos locais turísticos mais populares", afirma o texto.

Um dos empecilhos que não responde o plano trata-se do bloqueio israelense e egípcio à Faixa de Gaza há mais de uma década, controlando a entrada de vários produtos e, principalmente, proibindo o acesso a materiais de construção, que Israel teme que o Hamas, grupo que controla o território, utilize para fins militares.

O plano também não cita a ocupação israelense da Cisjordânia, o que impõe um enorme obstáculo a qualquer projeto de desenvolvimento econômico palestino.

Entre os 179 projetos de infraestrutura e negócio para os palestinos, o plano de Kushner prevê um corredor de transporte de US$ 5 bilhões para conectar a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, distantes 115 km um do outro. A proposta não é exatamente uma novidade e já foi apresentada no passado, mas emperrou na falta de acordos políticos e de segurança para viabilizá-la.

De acordo com o analista de Oriente Médio do jornal Jerusalém Post, algumas partes do plano "mostram que Israel ou não foi consultado, ou não tinha nada a dizer ou os autores do texto não são familiarizados com o papel desempenhado pelo país nas fronteiras e nas telecomunicações palestinas".

O plano fala, por exemplo, em viabilizar serviços de dados de alta velocidade. O analista lembra que o veto de Israel à tecnologia wireless 3G para serviços móveis aos palestinos somente foi derrubado em 2018.

A Autoridade Palestina, que alega que não há saída sem uma solução política, boicotou o evento de dois dias. O governo israelense não foi convidado. Diante da ausência dos palestinos, várias nações árabes concordaram em ir, mas sem enviar representantes de alto escalão.

"Não sei dizer quantas vezes eu li propostas de 'planos Marshall' para o Oriente Médio em um período de 20 anos. Mas a realidade é que, na sequência, é muito problemático usar incentivos econômicos - desenvolvimento, comércio, assistência e até a construção de instituições - sem primeiro alcançar as necessidades e exigências políticas das pessoas no conflito", afirmou Aaron David Miller, ex-negociador para o Oriente Médio de administrações republicanas e democráticas.

Centenas de palestinos protestaram na segunda-feira na Cisjordânia ocupada contra a conferência. Perto de Hebron, alguns deles sentaram-se em torno de um caixão com a inscrição "Não ao acordo do século", uma expressão pejorativa que faz referência às propostas de paz de Trump.

Os palestinos cortaram os laços com a Casa Branca após Trump reconhecer em 2017 Jerusalém como capital de Israel e transferir a embaixada americana de Tel-Aviv. Para eles, a proposta de paz da administração republicana é pró-Israel. A equipe de Oriente Médio de Trump assinalou recentemente que aceitará a anexação por Israel de partes da Cisjordânia, coração do Estado Palestino, aprofundando ainda mais as suspeitas palestinas. (Com agências internacionais)

O governo palestino denunciou uma política americana feita por "extremistas" sem "maturidade política" e condenou as declarações do embaixador dos Estados Unidos em Israel, segundo as quais o Estado hebreu tem direito a anexar "uma parte" da Cisjordânia ocupada.

"Sob algumas circunstâncias (...) acho que Israel tem direito a conservar uma parte da Cisjordânia, mas não toda", disse ontem em entrevista ao jornal "The New York Times" o embaixador americano no Estado hebreu, David Friedman.

Em um comunicado publicado no sábado (8) à noite, o porta-voz do governo palestino, Ibrahim Melhem, condenou as declarações de Friedman e denunciou uma política estrangeira dirigida por "um grupo onde alguns não têm a maturidade política necessária e entre os quais há extremistas".

No Twitter, o número dois da Organização para Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat, classificou Friedman de "embaixador extremista dos colonos" israelenses. E acrescentou: "sua visão consiste em anexar um território ocupado, um crime de guerra segundo o Direito Internacional".

Considerada ilegal segundo o Direito Internacional, a colonização da Cisjordânia ocupada e de Jerusalém Oriental anexada continuou sob os governos israelenses desde 1967.

Mais de 600.000 colonos israelenses mantêm uma coexistência, às vezes conflitiva, com cerca de três milhões de palestinos.

Palestinos e policiais israelenses se enfrentaram neste domingo (2) na Esplanada das Mesquitas, após a visita de nacionalistas judeus ao local, em um contexto de celebração, por parte de Israel, da tomada por seu Exército de Jerusalém Oriental.

A Esplanada das Mesquitas, terceiro lugar santo do Islã e considerado um espaço sagrado também pelos judeus, fica em Jerusalém Oriental, a parte palestina da cidade ocupada desde 1967 por Israel, que foi anexada.

As forças israelenses controlam todos os seus acessos e entram nela em caso de distúrbios.

Os judeus estão autorizados a ir ao local em horários específicos, mas não podem orar ali, para evitar tensões.

Cerca de 1.200 nacionalistas judeus estavam no local, segundo o diretor da mesquita de Al Aqsa. A polícia israelense, que normalmente proíbe a entrada de judeus na esplanada durante os dez últimos dias do ramadã, desta vez autorizou excepcionalmente.

Isso provocou a cólera dos fiéis palestinos, que se fecharam na mesquita de Al Aqsa, de onde lançaram pedras e cadeiras contra as forças de segurança, antes de serem dispersados, informou a polícia israelense em um comunicado.

Segundo o diretor da mesquita de Al Aqsa, Omar Kaswani, 45 pessoas ficaram feridas, uma delas em gravemente, e sete foram presas.

Neste domingo, os israelenses celebram o "Dia de Jerusalém", que comemora a tomada da cidade por seu Exército, após a Guerra dos Seis Dias em 1967, da Cidade Velha, então sob controle jordano.

Milhares de palestinos se reuniram, neste sábado (30), perto da fronteira israelense na Faixa de Gaza, onde já foram registrados confrontos, para protestar, correndo o risco de uma escalada com o Estado judeu, dez dias antes das eleições israelenses.

Os manifestantes desejam marcar o primeiro aniversário de uma mobilização chamada de "as grandes marchas do retorno", que mantém a fronteira sob tensão há um ano.

Entre os vários pontos de encontro, milhares de moradores do enclave espremido entre Israel, Egito e o Mediterrâneo, caminharam em direção à fronteira com bandeiras palestinas.

Em Malaka, a leste da cidade de Gaza, a maioria dos manifestantes se manteve longe da cerca para ficar fora do alcance dos atiradores israelenses. Mas alguns palestinos se aproximaram a algumas dezenas de metros, queimaram pneus para atrapalhar a visibilidade dos atiradores e jogaram pedras nos soldados antes de voltar correndo.

O Exército israelense respondeu, disparando gás lacrimogêneo e abrindo fogo. Imagens de vídeo da AFP mostram um palestino atingido por um tiro de retaliação israelense.

- Palestino morto -

Evidência do perigo perto da fronteira, um palestino de 20 anos foi morto por tiros israelenses durante uma manifestação noturna a mais de 100 metros da cerca antes do início da grande mobilização.

As chamadas se multiplicaram em favor de um protesto não violento. O espectro de uma nova guerra ressurgiu nas últimas semanas entre Israel e o Hamas, que seria a quarta desde que o movimento islâmico, que nega a existência de Israel, assumiu o poder em Gaza em 2007.

A questão é se o Hamas tentará conter a violência contra os soldados israelenses ou se dará liberdade total aos manifestantes.

Apesar dos apelos dos organizadores, "vamos para a fronteira, mesmo que tenhamos que morrer", disse Yousef Ziyada, 21 anos, com um rosto pintado nas cores palestinas.

"Estamos aqui em Abu Safia, a leste de Jabaliya, para expulsar os judeus de nossa terra", afirmou. "Vamos voltar para a nossa terra".

Desde 30 de março de 2018, milhares de moradores de Gaza protestam toda semana para exigir o levantamento do bloqueio estrito que Israel impõe há mais de dez anos a Gaza e pelo direito de retornar às terras que eles ou seus pais fugiram ou foram expulsos na criação de Israel em 1948.

Pelo menos 259 palestinos foram mortos desde então, a maioria deles em "marchas do retorno", o restante em ataques israelenses de retaliação a atos hostis. Dois soldados israelenses foram mortos.

Palestinos e defensores dos direitos humanos acusam Israel de uso excessivo da força. Israel diz que está apenas defendendo sua fronteira.

- Dezenas de atiradores de elite -

O Exército israelense mobilizou milhares de soldados, dezenas de atiradores de elite, tanques e artilharia no caso de grupos armados lançarem foguetes contra Israel.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu alertou que seu país está pronto para realizar uma operação "em grande escala", se necessário. Mas ele também insinuou que pretendia dar uma chance à mediação egípcia.

Negociações aconteceram na sexta-feira sob mediação do Egito, um intermediário tradicional entre o Hamas e Israel. Uma delegação egípcia visitou neste sábado o local da mobilização.

O Hamas busca nas negociações aliviar o bloqueio israelense que sufoca a Faixa de Gaza. Israel justifica o bloqueio pela necessidade de conter o Hamas.

O Hamas e Netanyahu estão sob pressão.

O primeiro enfrentou recentemente manifestações contra a profunda recessão econômica, que ele reprimiu severamente. O segundo, diante da forte competição nas eleições, é acusado por seus oponentes de fraqueza contra o Hamas.

As forças israelenses mataram, nesta segunda-feira (4), dois palestinos depois que seu veículo atingiu um grupo de soldados israelenses na Cisjordânia ocupada, ferindo um soldado e um policial, informaram o Exército e a Polícia israelenses.

Segundo o Exército, as forças de segurança abriram fogo contra três "agressores" palestinos, dois dos quais foram "neutralizados e o terceiro ligeiramente ferido".

O porta-voz da polícia Micky Rosenfeld confirmou que dois palestinos foram mortos.

"Os agressores atropelaram um grupo de soldados que havia parado em uma estrada na saída do vilarejo" de Kafr Nama, ao noroeste de Ramallah, informou o Exército em um comunicado.

"Um oficial do Exército foi gravemente ferido e um guarda de fronteira sofreu ferimentos leves", acrescentou o comunicado, indicando que "os primeiros elementos da investigação apontam que se tratou de um ataque terrorista".

Segundo Rosenfeld, o policial ferido já deixou o hospital.

O Ministério palestino da Saúde identificou os dois palestinos mortos como Amir Mahmud Darraj e Yusef Anqwawi, ambos com 20 anos de idade.

O prefeito de Kafr Nama declarou que o incidente ocorreu quando os soldados deixavam o vilarejo depois de uma operação para prender um jovem palestino.

O Exército israelense informou que prendeu 11 membros ativos do movimento islâmico Hamas neste setor de Ramallah durante a noite.

Os dois palestinos mortos são considerados suspeitos de lançar artefatos explosivos mais cedo na noite de domingo, segundo o Exército israelense. Esses dispositivos foram encontrados no veículo utilizado para atropelar o grupo de agentes israelenses.

Em um comunicado, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que deu instruções para acelerar o processo de demolição das casas dos dois palestinos mortos.

Israel destrói regularmente as casas de cidadãos palestinos responsáveis por ataques contra as forças israelenses. O governo israelense defende o efeito dissuasivo dessas operações de demolição para aqueles que pretendem realizar ataques.

Enquanto isso, os críticos dessa prática apontam para ela como uma das causas da indignação coletiva que afeta um número crescente de famílias obrigadas a viver nas ruas.

A Cisjordânia, um território ocupado há mais de 50 anos por Israel, foi, como o próprio território israelense, palco, a partir de outubro de 2015 e durante meses, de uma onda de ataques anti-israelenses.

Os ataques costumam ser praticados por palestinos sozinhos e armados com facas, mas também, em alguns casos, utilizando carros e, em menor escala, armas de fogo. A violência diminuiu significativamente, mas permanece esporádica.

Um palestino morreu nesta quinta-feira (8) por disparos israelenses na Faixa de Gaza, perto da barreira que separa o enclave de Israel, indicou o Ministério da Saúde desse território.

O homem morreu durante confrontos a leste de Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza, afirmou o porta-voz da pasta em comunicado.

O Exército israelense, questionado pela AFP, explicou que estava investigando as circunstâncias dessa morte.

Segundo uma contagem da AFP, pelo menos 220 palestinos morreram desde o início desta nova onda de protestos, em 30 de março, contra o bloqueio israelense imposto há mais de 10 anos ao enclave palestino. Um soldado israelense morreu com os disparos de um franco-atirador palestino.

Os palestinos reclamam também o direito de voltar às terras que perderam durante a guerra que seguiu a criação de Israel em 1948.

Três israelenses foram feridos nesta quinta-feira em um ataque com arma branca contra uma casa em uma colônia próxima a Ramallah, na Cisjordânia ocupada, informou o Exército hebreu.

"Um terrorista se infiltrou" na colônia Adam e "apunhalou três civis". "O terrorista foi baleado e morreu" declarou o Exército.

Segundo os serviços de emergência, duas vítimas estão gravemente feridas e foram levadas a um hospital de Jerusalém.

Os ataques de palestinos contra cidadãos israelenses, utilizando facas, armas de fogo e veículos, têm sido frequentes nos últimos anos.

O Alto Comissário de Direitos Humanos da ONU, Zeid Ra'ad Al Hussein, pediu nesta segunda-feira a Israel que liberte ou julgue imediatamente as crianças palestinas detidas no país.

A solicitação foi feita durante uma reunião das Nações Unidas sobre os direitos dos palestinos.

No total, "várias centenas de crianças palestinas estão detidas por Israel - algumas sem acusações sob o sistema de 'prisão administrativa', em violação aos direitos fundamentais", informou Zeid Ra'ad Al Hussein.

"Deveria ficar absolutamente claro que o direito internacional apenas permite a detenção de crianças como último recurso". "Que tanto no caso de crianças como de adultos a detenção sem julgar, sobre a base de provas mantidas frequentemente em sigilo, mantendo ordens de prisão indefinidamente renováveis, se contrapõe ao direito internacional, que Israel deve respeitar" e "deve pôr fim a essa prática", apontou o alto comissariado, baseado em Genebra.

O diplomata chamou atenção para o tema durante uma reunião para tratar os últimos atos de violência em Gaza, que terão que ser discutidos também na terça-feira pelo Conselho de Segurança durante uma sessão mensal sobre o Oriente Médio.

Zeid Ra'ad Al Hussein criticou ainda as "prisões e detenções arbitrárias", segundo ele, "de defensores de direitos humanos pelas autoridades israelenses".

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