Tópicos | perfil

Do auge - quando chegou a ser considerado a sétima pessoa mais rica do mundo, em 2012, com fortuna avaliada em US$ 34,5 bilhões - ao fundo do poço - após virar alvo da Operação Lava Jato, ser condenado por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado, ser preso e firmar acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) -, Eike Batista deixou um rastro de dívidas bilionárias, mesmo que se pondere que alguns negócios deram certo, nas mãos de outros donos.

Diante das dívidas, buscar a proteção contra credores, pedindo recuperação judicial, foi o caminho natural, iniciado em 2013. A petroleira OGX - criada, nos planos faraônicos de Eike, para ser uma "mini-Petrobras" - puxou a fila, já que foi a primeira a não entregar o desempenho prometido. Foi seguida pelo estaleiro OSX e a mineradora MMX.

##RECOMENDA##

Os pedidos de recuperação judicial do conglomerado se destacaram pelo tamanho das dívidas, colocando à prova a então recente Lei de Falências, aprovada em 2005. Alguns processos permitiram a reestruturação de parte dos débitos. O caso da OGX, por exemplo, serviu de modelo para situações que envolvem empresas e credores sediados no exterior, diz Juliana Bumachar, sócia do escritório Bumachar Advogados Associados.

Outros processos se arrastaram. É o caso da mineradora MMX, criada para ser uma "mini-Vale" e protagonista dos últimos capítulos da novela de Eike. O pedido de recuperação judicial da empresa já começou complicado. Em parte por causa do emaranhado de firmas por trás da composição acionária, típico no Grupo X. A companhia entrou com dois processos no Judiciário, que correm em paralelo, um no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), outro no Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ).

Nos dois, o grupo minerador teve a falência decretada. As dívidas somam em torno de R$ 1,2 bilhão no processo de Minas, segundo o administrador judicial, Bernardo Bicalho. O valor do processo do Rio é menor, mas eles se sobrepõem, já que as dívidas são praticamente as mesmas - a operadora ferroviária MRS Logística é quem tem mais a receber. O objetivo, agora, é levantar o máximo de recursos com o leilão de debêntures que será realizado nesta terça-feira, 16, para pagar os credores.

Interesses conflitantes

Nos processos das empresas do Grupo X, as polêmicas já tradicionais em processos de falência são turbinadas pela personalidade icônica e midiática de Eike. O processo da MMX no TJ-MG se destacou porque, em maio 2017, o administrador judicial conseguiu autorização para "desconsiderar a personalidade jurídica" da mineradora. Em outras palavras, o TJ-MG autorizou que bens do patrimônio pessoal de Eike e de outras empresas pelas quais o empresário detinha sua participação na companhia fossem incluídos no processo, servindo para, uma vez vendidos, ressarcir os credores.

De acordo com Bumachar, essa saída tem sido mais usada nos processos de recuperação judicial. A atualização da Lei de Falências, aprovada em dezembro de 2020, deixou mais clara a possibilidade de fazer esse acesso ao patrimônio pessoal dos sócios das empresas. A ideia é que, se o dono de uma empresa usa a pessoa jurídica de forma abusiva ou fraudulenta, a segregação legal que existe entre a pessoa física do empresário e a jurídica da firma é "desconsiderada", trazendo para o processo o patrimônio pessoal.

O acesso ao patrimônio pessoal de Eike se combinou a um esforço de localização de ativos. Ainda conforme Bumachar, esse trabalho tem se sofisticado nestes pouco mais de 15 anos da legislação, com prestadores de serviços se especializando na procura de bens que possam ter sido desviados das empresas num contexto de pedido de recuperação.

No emaranhado de firmas que o ex-bilionário usa para gerir seus bens - ou ocultá-los, dependendo de quem conta a estória - foi encontrado um lote de "debêntures participativas", título de dívida com características financeiras especiais, da mineradora britânica Anglo American, uma das gigantes do setor no mundo, que disputa com a Vale, a BHB Billiton e a Rio Tinto.

Os papéis são da subsidiária brasileira da Anglo que toca o projeto Minas-Rio, complexo de produção de minério de ferro. Em 2008, a mineradora britânica desembolsou US$ 5,5 bilhões para comprar o projeto desenvolvido pela MMX, que inclui uma mina, em Conceição do Mato Dentro (MG), um mineroduto e um terminal exportador no Porto do Açu, litoral norte do Rio. O projeto deu muita dor de cabeça para a Anglo, até começar a produzir, com anos de atraso.

Alvo da deferência de assaltantes que devolveram seu telefone celular e o dinheiro desviado de sua conta via Pix após ser roubada, Cynthia Giglioli Herbas Camacho se casou com o chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, em 2007, após sete anos de namoro. A cerimônia foi realizada dentro da Penitenciária de Segurança Máxima de Presidente Bernardes, no interior de São Paulo.

À época, de acordo com funcionários do presídio, onde funciona o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), que não permite regalias nem visita íntima, Marcola e Cynthia não se tocaram. Apenas trocaram olhares pelo vidro à prova de bala instalado no parlatório, local onde os presos recebem as visitas e se comunicam por interfone, aparelho pelo qual os noivos disseram o sim.

##RECOMENDA##

Antes de se casar com Cynthia, Marcola havia ficado viúvo em 2003, quando Ana Maria Olivatto Camacho foi executada na disputa pelo comando da facção.

De acordo com o que Cynthia relatou ao marido, em conversa de novembro do ano passado, revelada neste domingo, 14, pelo programa Fantástico, da TV Globo, ela foi assaltada dentro de seu carro. "O trânsito parou, tomei um susto tão grande. Demorei uns segundos para voltar ao normal", afirmou Cynthia no Parlatório da cadeia. "Aí devolveram porque viram meu nome. Mandaram entregar lá no salão." Marcola, então, riu da situação. Ela ainda afirmou que o caso aconteceu "na Marginal, via expressa", sem especificar se estava se referindo à do Tietê ou Pinheiros.

Em março deste ano, Marcola, que tem mais de 300 anos de pena para cumprir, foi transferido de Brasília para o presídio de Porto Velho, em Rondônia. Na semana passada, a mulher de Marcola foi alvo da Justiça. Batizada de operação Anjos da Guarda, a Polícia Federal frustrou um plano de resgate de Marcola e de outros lideres da facção criminosa. A operação mirou não só líderes do grupo, mas uma série de advogados que representam os criminosos.

Entre as 13 ordens de busca e apreensão cumpridas pela PF no Distrito Federal (Brasília), em Mato Grosso do Sul (Campo Grande e Três Lagoas) e em São Paulo (São Paulo, Santos e Presidente Prudente), o juiz da 15ª Vara Federal de Brasília listou a mulher de Marcola. Ela é apontada pelos investigadores como a pessoa que repassa informações de forma codificada a respeito da situação das pessoas que estão envolvidas no plano de resgate.

Este não é o primeiro problema de Cynthia com a Justiça. Ela esteve detida em 2005, acusada de colaborar com o PCC, do qual recebia mesada de R$ 15 mil. Os problemas com a Justiça não pararam por aí. Um ano após se casar, Cynthia foi condenada a oito anos de prisão por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha pelo 6º Grupo de Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Em 2020, uma nova operação, feita por policiais da 6ª Delegacia de Investigações sobre Facções Criminosas e Lavagem de Dinheiro do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), teve Cynthia como um dos alvos; além dela também foram alvos seus pais, Marivaldo da Silva Sobrinho e Maria do Carmo Giglioli da Silva, e Camila Giglioli da Silva, Christiano Giglioli da Silva e Francisca Alves da Silva, cunhados do traficante.

A apuração que levou às buscas mirou a evolução patrimonial do grupo que, segundo as autoridades, era incompatível com a renda. O ponto de partida foi a compra de um imóvel de luxo em um condomínio em Carapicuíba, na Grande São Paulo. Depois disso, os investigadores rastrearam transações imobiliárias milionárias entre os investigados e conseguiram a quebra dos sigilos fiscal e bancário. A suspeita é que as movimentações sejam simuladas e tenham sido subfaturadas como estratégia para ocultar pelo menos R$ 1,9 milhão.

"É certo que a facção criminosa PCC tem proporcionado às lideranças e familiares uma vida de luxo", disse o Grupo de Atuação Especial de Combate do Crime Organização (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo. "De modo geral, verificou-se um grande descompasso entre o acervo patrimonial (imóveis, veículos, etc.) e a movimentação financeira que justificasse as aquisições", completou o Ministério Público.

Até aquele ano, Cynthia, por exemplo, vivia em um condomínio em Alphaville, na Grande São Paulo. Entre 2017 e 2019, ela teria feito viagens para a Europa, Colômbia, Peru, Paraguai e Panamá. Como fonte de renda, tem um salão de beleza no bairro de Casa Verde, na zona norte da capital paulista, onde seu celular teria sido devolvido.

O brasileiro está a cada dia com a corda mais apertada ao pescoço. Isso porque, além de a inflação ter corroído a renda das pessoas, também está mais difícil conseguir um financiamento, mesmo a juros exorbitantes. Mas qual é a "cara" do endividado brasileiro? Hoje, 68% dos endividados têm entre 25 e 51 anos, com as contas acumuladas essencialmente no cartão de crédito e em financiamentos. E outro dado chama a atenção: 70% desse contingente são mulheres, conforme levantamento feito pela Paschoalotto, empresa especializada em cobrança de dívidas, a pedido do Estadão.

"O número de mulheres que chefiam seus lares cresceu nos últimos anos e alguns fatores explicam a inadimplência mais frequente entre elas", explica o economista-chefe da empresa, que tem e que tem os grandes bancos e varejistas como clientes, Reinaldo Cafeo. Segundo ele, como muitas vezes a renda é insuficiente para arcar com todos os gastos, isso leva a uma priorização das contas a se pagar e das que serão adiadas ou deixadas de lado.

##RECOMENDA##

Com isso, a ênfase fica nas contas do dia a dia, com carnês, cartão de crédito e financiamentos ficando de lado. Outro ponto que prejudica é falta de educação financeira, que faz com que muitas pessoas aceitem juros abusivos. Segundo o especialista, é a chave para que as contas acabem saindo do controle, diz.

Os números consideram os mais de 5,5 milhões de devedores que passam pelo sistema da Paschoalotto mensalmente. O levantamento mostra ainda que o endividamento atinge, em grande parte, as famílias com uma renda mensal de até dez salários mínimos, que respondem por 76% do total.

Responsável pela área de Pesquisa do Grupo Consumoteca, Marina Roale explica que a situação financeira entre a população feminina no Brasil também foi deteriorada ao longo da pandemia de covid-19. "Vivemos em um País onde a informalidade de trabalho está muito presente entre as mulheres. Com isso, elas têm renda mais incerta. Este momento está sendo chamado de recessão feminina, onde as conquistas que as mulheres tiveram no mercado de trabalho retrocederam muito nos últimos dois anos", diz.

Sonho que virou pesadelo

No caso da bibliotecária Ana Maria Pereira Silva, 38 anos, a vida financeira acabou saindo dos trilhos depois de comprar um imóvel, já que em 2020 deixou o emprego em São Paulo e decidiu voltar para sua cidade natal, em Turmalina, Minas Gerais.

A bibliotecária esperava utilizar o saldo do seu Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para quitar os R$ 17 mil de dívida restante da casa. No entanto, por uma mudança na regra, acabou sendo obrigada a contrair um empréstimo no banco, o que agravou seu problema financeiro - situação piorada com o juro alto. "Eu nunca fui muito boa com essas questões de administração financeira", admite. Com a taxa contratada na instituição, o valor final da dívida duplicou.

De volta a São Paulo, a bibliotecária encontrou um emprego em uma rede de supermercados para pagar as contas, mas, por causa do salário menor, acabou acumulando mais dívidas. "Não quero nem olhar o valor total. Meu medo é ficar com o nome sujo na praça", afirma.

Comportamentos distintos

O estudo da Paschoalotto mostra ainda que o comportamento do endividado não é uniforme. Há o grupo daqueles que deixam a vida de lado e seguem com a rotina, não ligando se o nome está sujo na praça. Já outro perfil de devedor prefere vender algum bem, como o carro, para resolver a questão de inadimplência, comenta o economista da empresa.

"Há aqueles que, ainda tendo crédito na praça, trocam de modalidade de crédito, buscam dinheiro no crédito consignado, penhor de joias. E depois de esgotar o crédito nas instituições bancárias, se valem de financeiras. Este perfil, muito por falta de educação financeira, acerta as dívidas, mas volta a ficar inadimplente em pouco tempo", conta Cafeo.

O que fazer para sair do buraco financeiro?

O cartão de crédito é uma forma já utilizada por muita gente para driblar a falta de dinheiro no fim do mês, mas que cobra juros muito altos quando não é pago em dia. Muitas vezes uma só pessoa tem mais de um cartão, emitidos por bancos e fintechs, que são tirados da carteira para dar conta dos gastos. Para especialistas, trocar a dívida por outra pode ser uma saída, desde que as taxas sejam realmente vantajosas.

"Buscar alternativas é o melhor jeito do cliente evitar o efeito bola de neve. Quase metade dos que nos solicitam crédito tem como objetivo amortizar dívida, para ganhar um fluxo para o pagamento. A situação macroeconômica está muito desafiadora, com a inflação correndo muito a renda do trabalhador médio", afirma o presidente da financeira Focus, Leonardo Grapeia.

Para o educador financeiro Flávio Pretti, da Planejar, além de um cenário econômico já complicado do País, a situação de inadimplência crônica do brasileiro é agravada devido ao seu baixo nível de educação financeira. "Para quem não é controlado, o cartão de crédito é um inimigo", afirma. "Nós só deveríamos tomar crédito emprestado quando fosse absolutamente imperativo para a vida, quando acontecer algum imprevisto, não para usar no dia a dia".

Para quem quer sair de um ciclo vicioso de inadimplência, na avaliação de Pretti, o primeiro passo é sentar e calcular os rendimentos e gastos mensais, para encontrar possíveis "penduricalhos" que podem ser cortados. O segundo passo é renegociar dívidas já tomadas, para evitar o efeito "bola de neve". "Dever na praça deixa as pessoas doentes, elas ficam com a capacidade intelectual reduzida de tanta preocupação."

Escolhida para concorrer à Presidência pelo União Brasil em 2022, a senadora Soraya Thronicke (MS) vai disputar com o presidente Jair Bolsonaro (PL) o voto do eleitor de direita. Parlamentar de primeiro mandato e ex-aliada de Bolsonaro, tornou-se candidata ao Palácio do Planalto de última hora, depois que o presidente do partido, deputado Luciano Bivar (PE), desistiu de concorrer e, com apoio do PT, tentará a reeleição para a Câmara.

A parlamentar tem 49 anos, é advogada, empresária e começou a se envolver em política em 2013, quando participou dos protestos contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Concorreu pela primeira vez em uma eleição em 2018, quando teve 373 mil votos e conquistou a segunda vaga do Senado daquele Estado. O primeiro lugar na disputa foi o senador Nelsinho Trad (PSD), com 424 mil votos.

##RECOMENDA##

De acordo com Soraya, confirmada como candidata nesta sexta-feira, 5, Bolsonaro não cumpriu totalmente as bandeiras que o elegeram em 2018. "Nós continuamos pensando da mesma forma que em 2018. Quem não pensa mais, quem não carrega as bandeiras, saiu. Nós permanecemos. Quem saiu e quem abandonou não fomos nós", afirmou ao Estadão. "Aquelas bandeiras que nos elegeram: liberal na economia, anticorrupção, tudo isso nos mantemos absolutamente fiéis", disse. "Direito dele (Bolsonaro), se ele não coaduna mais com os mesmos princípios que o elegeram, se ele mudou de opinião, beleza, tranquilo", completou.

O União Brasil foi formado com a fusão entre o PSL, partido que elegeu Bolsonaro em 2018, e o DEM. Individualmente, a legenda é a dona do maior tempo de propaganda e do maior fundo desta eleição. Mesmo sozinho, o partido fará com que Soraya perca apenas para Lula e Bolsonaro em questão de estrutura formal de campanha.

Bolsonaro se desfiliou do antigo PSL no final de 2019, após uma disputa de poder com Bivar. Durante a queda de braço entre Bolsonaro e o dirigente partidário, a senadora adotou uma postura mais próxima do presidente da legenda, mas, ao mesmo tempo, evitou críticas a Bolsonaro e preferiu se afastar das discussões públicas do conflito.

Segundo a senadora, Bolsonaro se desfiliou por "por livre e espontânea vontade". Contrariando o discurso liberal e anticorrupção, o presidente tem acumulado episódios de intervenção política na economia e se cercou de aliados protagonistas de casos de corrupção.

Apesar disso, a parlamentar afirmou que vai dosar as críticas tanto a Bolsonaro, quanto a Lula durante a campanha eleitoral. "A campanha vai criticar tudo que tiver que ser criticado, mas acima de tudo vai ser uma campanha propositiva, não vamos perder todo o nosso tempo. Nosso tempo de TV é sagrado, nosso recurso é sagrado e vamos falar com todos, não falamos com bolhas".

Além de disputar o mesmo eleitor de Bolsonaro, a candidata do União Brasil guarda uma série de similaridades com Simone Tebet, candidata do MDB. As duas têm com proximidade com a centro-direita e de Mato Grosso do Sul. Soraya inclusive conhece Simone antes de ter entrado na política, pois foi aluna da emedebista no curso de direito do Centro Universitário de Campo Grande (UNAES), do grupo Anhanguera. A candidata também tem MBA em Direito Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas. A parlamentar e a família têm a propriedade de motéis em Campo Grande.

A senadora nega que a desistência de Bivar represente uma ajuda ao ex-presidente, mas admite que busca os eleitores que hoje pensam em votar em Bolsonaro, assim como também os do petista. "Estou focada em todos os brasileiros, no eleitor que eu não tenho. Estou focada sim no eleitor de Bolsonaro, quero falar para o eleitor do Lula, vou falar para todo mundo porque nossa proposta interessa a todos os brasileiros, sejam eles de direita, esquerda, centro, conservadores ou liberais", disse.

Em 2021, Soraya participou da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid pelo rodízio da bancada feminina. Mesmo sendo vice-líder do governo, a parlamentar se distanciou dos colegas governistas e criticou a atuação do governo na pandemia. "Eu defendo a ciência, aquilo que a gente tem condições de ter um critério. Os números me diziam que esse tratamento precoce não estava funcionando, que nós precisávamos de vacina e assim se comprovou", disse.

Apesar disso, segundo ela, não houve críticas do Planalto à sua atuação. "Sempre fui independente de uma maneira educada, porém firme. Ali eu mostrei minha independência e eles tiveram que aceitar, tanto que eu continuei na vice-liderança do governo no Congresso".

Mesmo com uma candidatura presidencial, em alguns Estados o União prefere apoiar Bolsonaro, como no Amazonas, Rio, Mato Grosso, Distrito Federal e Acre. A parlamentar não vê problema em dividir os palanques. "O palanque vai ficar aberto e vai ter duplo palanque se alguém quiser, é da vontade de cada um", minimizou.

Ela também admite que uma das principais preocupações da legenda é a formação de uma grande bancada no Congresso. O número de deputados federais é importante porque é o critério que determina os fundos eleitoral e partidário, além do tempo de propaganda dos partidos e candidatos. "Algumas questões mudaram, chapas nos Estados e nós também estamos focados nas candidaturas proporcionais, é óbvio. Houve esse chamado para Bivar ir para Pernambuco e eles me fizeram a proposta", disse ela ao comentar sobre o processo que a levou ser candidata.

Preso nesta sexta-feira, 22, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Ivan Rejane Fonte Boa Pinto mantém um canal no YouTube no qual se apresenta como "terapeuta" para dependentes químicos. Seus vídeos são repletos de xingamentos e palavras de baixo calão. Ele diz que sua "guerra" é "contra o tráfico de drogas", mas seus alvos preferenciais são políticos de esquerda, a quem ele associa a existência do narcotráfico, e os ministros do Supremo, que, segundo ele, "mandam soltar esses vagabundos".

"A minha vontade é meter uma bala na cabeça desses juízes e desembargadores, a minha vontade é tacar fogo neles", afirma, em um vídeo publicado no dia 9 de julho.

##RECOMENDA##

Ivan diz oferecer tratamento on-line para dependentes químicos e seus familiares. Em seus vídeos no YouTube, ele trata o tema de forma incisiva e não convencional: "Se você é viciado em substâncias ou pessoas, sua vida é infeliz, sua vida é uma bosta, uma merda, um lixo, está na hora de mudar essa parada; me procura! Meu nome é Ivan Pinto, sou terapeuta e comigo o papo é reto", afirma.

Ele diz, ainda, ministrar cursos e comandar grupos de ajuda mútua, além de oferecer atendimento de maneira "personalizada". Além dos produtos vendidos pela internet, Ivan trabalha presencialmente no centro de reabilitação Centradeq, em Esmeralda (MG), onde ocorreu a busca e apreensão pela Polícia Federal.

A clínica confirmou ao Estadão que Ivan Pinto trabalha lá. A atendente do local, que não quis se identificar, afirmou que a Centradeq ainda não decidiu se vai afastá-lo e que o advogado de Ivan a orientou a não dar informações à imprensa.

Segundo a clínica, a busca e apreensão contra Ivan ocorreu de forma "tranquila e profissional". "Vieram, fizeram busca e apreensão, mas tudo muito tranquilo e super profissional, tanto da polícia e o Ivan também ficou muito tranquilo. Não teve algema, não teve reação, não teve nada", afirmou a atendente.

Ao decretar a prisão temporária, Alexandre de Moraes considerou que as declarações de Ivan Pinto nas redes sociais consistem em "discursos de ódio e incitação à violência" e se destinam a "corroer as estruturas do regime democrático e a estrutura do Estado de Direito". Em uma publicação recente, o "terapeuta" afirmou que o próximo 7 de Setembro será a "culminância da indignação popular brasileira". "Está na hora de invadir o STF", disse.

"Eu vou dizer uma coisa para vocês, togados vagabundos (...) Nós não vamos só invadir o STF, não. Nós vamos pendurar vocês de cabeça para baixo", disse no dia 8 de julho.

Ele também faz ameaças a políticos de esquerda, sobretudo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Eu vou dar um recado para a esquerda brasileira, principalmente para o Lula. Desgraçado, bota o pé na rua, que nós vamos te mostrar o que nós vamos fazer com você, seu vagabundo. Anda de segurança até o talo, que nós, da direita, vamos começar a caçar você, essa Gleisi Hoffmann, esse (Marcelo) Freixo frouxo, todos esses que te cercam", afirma, em vídeo de 8 de julho.

Em vídeo publicado no dia 13 de julho, Ivan diz que vai passar em cima de esquerdistas "com um rolo compressor" e mandá-los para "a vala". Ele divulga fake news sobre o processo eleitoral, dizendo que o Exército vai auditar "cada urna eletrônica" dentro da "sala secreta do TSE", e faz ofensas homofóbicas a apoiadores da esquerda.

"Cambada de colorido, arco-íris, 'tchutchuquinhas', podem tremer, nós, da direita, vamos passar o carro, o rolo compressor over you. Se prepara, o terror está só começando", diz.

Ivan foi candidato a vereador em Belo Horizonte pelo PSL nas eleições de 2020. Ele teve 189 votos e não foi eleito.

De acordo com o levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), apenas 5% das vagas de home office são preenchidas por pessoas sem o ensino médio completo. A pesquisa foi realizada com dados da Pesquisa por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e com informações de Produto Interno Bruto (PIB) per capita das Contas Nacionais.

Segundo a análise, cerca de 20,4 milhões de brasileiros podem desempenhar sua função de forma remota, ou seja, 24,1% de toda a população empregada. Esses trabalhadores possuem 40% da massa de rendimentos total, de modo que é possível verificar que as profissões que podem ser desempenhadas de forma remota possuem um ganho financeiro maior do que a média.

##RECOMENDA##

Assim, por ter um maior remuneração, o perfil do profissional home office é geralmente mais escolarizado, além de que as profissões mais operacionais são difíceis de serem desempenhadas por meio do teletrabalho. De acordo com o IPEA, 95% dessas vagas são preenchidas por pessoas que possuem ao menos o ensino médio completo, o que deixa de fora 50% da população do Brasil.

Entrando mais afundo no perfil do profissional home office do País, o Instituto levantou que 62,6% possuem ensino superior completo ou pós-graduação, 58,3% dessas ocupações são preenchidas por mulheres, 60% é de cor branca e 71,8% tem entre 20 a 39 anos. Desta maneira, fica claro que poucas pessoas são elegíveis para essas vagas, principalmente, a população com baixa escolaridade.

Além disso, há uma influência geográfica no trabalho remoto. Por essas vagas terem um caráter mais técnico, a maioria é preenchida por profissionais das regiões Sul e Sudeste que, juntas, possuem os maiores índices de pessoas com ensino superior completo. Segundo os dados, 27,7% são da região Sudeste, 25,7% do Sul, 23,5% do Centro-Oeste, 18,5% do Nordeste e 17,4% do Norte.

O Tik Tok removeu mais de 20 milhões de perfis suspeitos de pertencerem a menores de 13 anos no primeiro trimestre deste ano. De janeiro a março de 2022, um total de 20.219.476 contas atribuídas a crianças e pré-adolescentes foram eliminadas da plataforma por conteúdo inapropriado.  

O Brasil está na lista com quatro milhões de vídeos retirados do Tik Tok. A rede social também retirou 20.890.519 perfis falsos, além de outras 3.328.993 por outros motivos. Foi o período com maior número de contas removidas do Tik Tok desde que a empresa iniciou o levantamento, em julho de 2020. No primeiro trimestre de 2020, a plataforma retirou quase 21 milhões de contas falsas, além de três milhões por outros motivos  

##RECOMENDA##

“Além de remover contas por violação das nossas Diretrizes da Comunidade, removemos contas que identificamos como spam, assim como vídeos de spam postados por essas contas. Também tomamos medidas proativas para prevenir a criação automatizada de contas de spam”, explicou a plataforma.

Do total de vídeos removidos por violação de política, 41,7% corresponde à “segurança de menores”. Faz parte da categoria: conteúdos com nudez e atividade sexual envolvendo menores, atividades prejudiciais, danos físicos e psicológicos e outros conteúdos retirados.  

“O objetivo das nossas políticas referentes a violações de segurança à menores é promover o padrão de segurança mais elevado e bem-estar para os adolescentes. A nossa subpolítica proíbe uma gama de conteúdos, inclusive ‘menores com roupas mínimas’ e ‘dança sexualmente explícita’; estas duas categorias representam a maioria dos conteúdos removidos com base nessa subpolítica. Materiais de abuso sexual infantil são contabilizados separadamente”, definiu o Tik Tok.  

Nomeada para assumir o comando da Caixa Econômica Federal no lugar de Pedro Guimarães - que perdeu o posto por conta de denúncias de assédio sexual, que motivaram a abertura de investigação no Ministério Público Federal -, Daniella Marques é uma espécie de "braço direito" do ministro da Economia, Paulo Guedes, desde os tempos em que Guedes atuava na iniciativa privada.

Ela estava no comando da Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade do ministério desde o começo do ano. Na função, vinha liderando projetos voltados para o público feminino, no qual o presidente Jair Bolsonaro amarga forte rejeição na sua campanha à reeleição.

##RECOMENDA##

Formada em Administração pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro e com MBA em Finanças pelo Ibmec/RJ, a nova presidente do banco estatal atuou antes por 20 anos no mercado financeiro. Ela foi sócia de Guedes na Bozano Investimentos, no Rio de Janeiro, e deixou a gestora em 2019 para trabalhar com o ministro como assessora especial.

Presente desde a campanha de 2018, Daniella tem a confiança do presidente Bolsonaro, e já chegou a participar das tradicionais lives de quinta-feira organizadas pelo chefe do Executivo - justamente para divulgar ações do Ministério da Economia voltadas às mulheres.

Programa de crédito

Daniella foi responsável por costurar o programa "Brasil Pra Elas", uma política de crédito voltada para estimular o empreendedorismo feminino no País. A medida, que faz parte de um pacote que pretende movimentar entre R$ 82 bilhões e R$ 100 bilhões em operações de crédito, foi lançada em março passado, no último Dia Internacional das Mulheres.

Pouco depois, ela passou a comandar o comitê nacional do programa, que tem como parceiros o Sebrae, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o Banco do Brasil e governos estaduais e municipais, além da própria Caixa. No último fim de semana, Daniella tinha, por exemplo, viagem marcada a Belo Horizonte com a "Caravana Brasil Pra Elas", em que se promoveram cursos de capacitação e palestras para "alavancar a participação feminina nos negócios", de acordo com informações divulgadas no site do Ministério da Economia.

Em abril, em um encontro com empresários, ela acompanhou o tom das falas do ministro da Economia ao minimizar as projeções do mercado para a economia em 2022, como estagnação do Produto Interno Bruto (PIB) no ano e risco de descontrole da agenda fiscal.

Segundo afirmou à época, os resultados de novos leilões e a trajetória de recuperação dos empregos formais são os pontos que sustentam o otimismo do governo. Daniella cutucou ainda governos estaduais e locais ao dizer que "bondades" como aumentos de salário para o funcionalismo só foram possíveis graças ao governo federal. "Assim, todos os prefeitos e governadores ficaram bons gestores", destacou no evento.

Pela primeira vez na história da Colômbia uma mulher negra será a vice-presidente do país. Francia Márquez, uma ativista ambiental do Departamento de Cauca, no sudoeste da Colômbia, tornou-se um fenômeno nacional, mobilizando as bases eleitorais da esquerda e cavando espaço na chapa de Gustavo Petro.

Márquez, de 40 anos, escolheu concorrer ao cargo "porque nossos governos deram as costas ao povo, à justiça e à paz". Ela cresceu dormindo no chão de terra batida em uma região castigada pela violência relacionada ao longo conflito interno do país. Engravidou aos 16 anos, foi trabalhar nas minas de ouro locais. Em 2019, sobreviveu a um ataque com granadas e tiros de fuzil. Queriam matá-la por sua defesa diante do avanço da mineração ilegal.

##RECOMENDA##

Críticos a consideram "divisiva", alguém que tem dificuldade para forjar alianças. Ela também nunca ocupou um cargo político. Para Sergio Guzmán, diretor da Colombia Risk Analysis, "há muitas dúvidas sobre se Francia seria capaz de ela gerenciar a política econômica, ou política externa, de forma a dar continuidade ao país". (Com agências internacionais)

 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Uma mudança no perfil dos pacientes hospitalizados com covid-19 neste ano é o destaque do último boletim epidemiológico feito pelo Núcleo de Inteligência Médica do HCor (antigo Hospital do Coração), obtido com exclusividade pelo Estadão.

A análise comparou o total de 2.277 internados entre 2020 e 2021 com os 423 pacientes hospitalizados em 2022. O resultado aponta o aumento da idade média e da proporção de comorbidades apresentadas pelos doentes.

##RECOMENDA##

Do início da pandemia até o ano passado, a idade média dos pacientes hospitalizados era de 61,7. Em 2022, houve o acréscimo de uma década (71 anos). Ao mesmo tempo, a grande maioria (91,9%) dos internados apresenta três ou mais comorbidades. Até o ano passado, esse índice era de 64,4%.

"Podemos inferir que a vacina cumpriu o papel de reduzir os casos graves de covid-19 porque as pessoas com menos comorbidades praticamente desapareceram do hospital", diz a epidemiologista Suzana Alves da Silva, coordenadora do Núcleo de Inteligência Médica do Hcor.

Apesar do perfil de maior risco da maioria dos internados em 2022, a necessidade de UTI diminuiu de 37,1% para 29,1%, enquanto a de ventilação mecânica caiu de 8,3% para 5,2%.

"Essa tendência mostra que as vacinas continuam tendo um bom efeito protetor contra a covid-19, mesmo na onda Ômicron", afirma Esper Kallás, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). "Estudos recentes indicam que as vacinas também reduzem sequelas da infecção pela atual variante".

SEM VACINA

Entre os hospitalizados no HCor neste ano, 31,8% não haviam recebido uma dose sequer da vacina. A taxa de letalidade foi de 5,5% entre os vacinados e de 9,9% entre os não vacinados. "Minha percepção pessoal é a de que boa parte da população ainda tem grande desconfiança em relação aos eventos adversos", afirma a médica. "As pessoas precisam entender que a mortalidade e a taxa de internação despencaram depois da vacinação. Essa é uma ótima notícia. O benefício da imunização supera em muito qualquer risco que ela possa trazer", ressalta Suzana.

Ainda segundo a médica, é fundamental que pacientes de risco e seus familiares entendam a importância da vacinação. Um exemplo da proteção conferida pelas doses é que os óbitos no hospital praticamente zeraram entre os pacientes acima de 40 anos com uma ou duas comorbidades. Atualmente, as mortes na instituição ocorrem em pacientes com múltiplas doenças e acima de 80 anos. "Em 2022, tivemos um aumento expressivo de mortes de pessoas que estavam em cuidados paliativos. Até o ano passado, esse grupo representava 12% dos óbitos. Agora ele é de 19%", salienta a médica.

PRONTO-SOCORRO

Nas últimas duas semanas, a covid-19 e outras doenças respiratórias aumentaram a procura pelos serviços de urgência e emergência na capital e no interior de São Paulo. No HCor não foi diferente. A taxa de positividade para covid-19 das pessoas testadas no hospital aumentou de 32% em abril para 62% em junho. Dos pacientes atendidos no pronto-socorro gripário em abril, 7% precisaram ser internados. Em junho, o índice subiu para 9%.

Embora a Ômicron pareça causar doença menos grave nas pessoas, a transmissibilidade é alta. A médica, dessa maneira, aconselha que as pessoas não descuidem das medidas de prevenção: lavagem das mãos e uso de máscara em ambientes fechados e também em locais abertos, em caso de aglomeração.

 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A foto com uniforme do Exército diante de uma fila de motocicletas é a primeira imagem da conta do Instagram do major João Paulo Costa Araújo. Ela mostra a conclusão de um curso em 2018. Um ano depois, as imagens da vida militar e da família foram trocadas por vídeos e fotos político-partidários. Militar da ativa, paraquedista e guerreiro de selva, ele virou seguidor de Jair Bolsonaro.

A estreia foi em 26 de maio de 2019, na primeira mobilização para apoiar o presidente. Em sua conversão ao bolsonarismo, o major - um católico conservador - chegou até a compartilhar as ofensas à República e ao marechal Deodoro da Fonseca, publicadas pelo então ministro da Educação Abraham Weintraub.

##RECOMENDA##

A prova de tudo continua na internet. Ali estão as imagens de livros de Olavo de Carvalho, as fotos dele em manifestações em Brasília ao lado do blogueiro Allan Santos, a defesa da cloroquina e da ivermectina e as críticas às vacinas e à oposição. Nas redes, o major pôs em dúvida as urnas eletrônicas. E compartilhou imagem em que os ministros do STF Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes são retratados com o bigode de Adolf Hitler.

Foi ali que ele lançou o desafio aos superiores que o levou a ter a prisão preventiva decretada pela 10ª Circunscrição Judiciária Militar por desobediência. O apoiador do presidente, que se dizia pré-candidato a deputado federal pelo PL, recusou-se a cumprir a ordem de apagar as publicações políticas de suas redes sociais. Desde então, ocupa uma cela no 25º Batalhão de Caçadores, em Teresina.

Dois colegas disseram à reportagem reprovar seus modos, considerando-o um tanto rude. Calado e de poucos amigos, Costa Araújo é visto no Exército como pessoa complicada. É alvo de três procedimentos disciplinares e dois inquéritos. Um general disse que o major procurou confusão para ter palanque.

Costa Araújo é casado e tem uma filha e uma enteada. Nasceu em Campo Maior (Piauí), onde o pai, João Alves, participa da política local há 46 anos. Ele está no Exercito desde 2003 e pertence à Infantaria. O Estadão analisou 411 publicações do militar no YouTube, no Instagram e no Twitter. Localizou 258 bolsonaristas e partidárias.

Sua defesa pediu ao Superior Tribunal Militar a concessão de habeas corpus. Ao Estadão, seu advogado, Otoniel d’Oliveira Chagas Bisneto fez um apelo: "Faço um apelo ao presidente para que tome conhecimento do caso. Sei que ele não pode intervir, mas uma manifestação dele a favor de quem sempre o defendeu seria importante".

REAÇÃO

A prisão dele foi pedida pelos seus superiores da 10ª Região Militar. Em 21 de março, a 10ª Região recebeu a Recomendação 2/2022 da Procuradoria Militar. O documento orientava os militares sobre atividade político-partidária, elegibilidade e crimes em razão da violação da Constituição. No dia 28, a 10ª Região determinou que a ordem fosse lida nas unidades.

Um dia depois, o 2º Batalhão de Engenharia de Construção, em Teresina, onde o major servia, promoveu, em formatura, a leitura do documento na presença dos oficiais, subtenentes e sargentos. Costa Araújo estava presente. Ouviu tudo. Mas continuou com as publicações. Só no Twitter, fez mais 25. E desafiou os superiores a puni-lo. Ele escreveu: "Posso ser punido novamente por comemorar o dia 31 de março. Se eu for punido novamente esse ano, serei punido todos os anos até me afastar do @exercitooficial".

Diante disso, ao decretar a prisão do acusado, o juiz Rodolfo Rosa Menezes escreveu: "Saliente-se que o indiciado ocupa o posto de Oficial Superior, o que causa um agravamento no seu comportamento, pois as suas condutas representam um enorme desrespeito à hierarquia e disciplina, quando, em verdade, deveriam representar um exemplo para a tropa".

Para o advogado, o major está sendo usado para servir de exemplo aos militares. "Mas ele é pré-candidato e tem o direito de expor suas ideias. Criaram agora no Brasil o crime de opinião." Para ele, não houve ofensa à cadeia hierárquica. "Acredito que o caso é parecido com o do deputado Daniel Silveira (PTB-RJ)." ( Colaborou Robert Pedrosa, especial para o Estadão)

O Instagram testa alterar o atual modelo dos Stories para perfis que publicam muito, como os de influenciadores. Para visualizar todo conteúdo postado por determinada conta, o usuário pode ter que habilitar manualmente a função.

Apenas três Stories ficarão expostos, independente de quantos foram feitos pelo perfil. Assim como já ocorre em conteúdos patrocinados, o usuário vai precisar clicar na função "Mostra Tudo", abaixo do nome da conta, para assistir a todo conteúdo. Outra barra vai indicar a quantidade de publicações feitas e que ainda podem ser vistas.

##RECOMENDA##

Em fase de testes, o recurso teria a intenção de equilibrar o tempo gasto na rede a ainda não tem previsão para ser expandido. “Está em fase inicial de desenvolvimento e sendo testado com uma pequena porcentagem de pessoas na plataforma", apontou a empresa em comunicado.

 

O novo ministro da Educação, Victor Godoy, chegou à pasta em julho de 2020, mesmo mês em que foi nomeado seu antecessor, Milton Ribeiro. Ele ocupou o cargo de secretário-executivo do MEC por pouco menos de dois anos, até ser oficializado como titular nesta segunda-feira, 18. Antes, passou 16 anos na Controladoria-Geral da União (CGU), onde começou sua carreira como auditor federal.

Godoy possui uma graduação e duas especializações, nenhuma delas na área da Educação. Segundo informações do ministério, ele é formado em Engenharia de Redes de Comunicação de Dados pela Universidade de Brasília (UnB). Concluiu o curso em 2003, um ano antes de ingressar na CGU.

##RECOMENDA##

O ministro tem especialização em Defesa Nacional pela Escola Superior de Guerra. O tema de sua monografia nessa formação é a "competência dos órgãos públicos no combate à corrupção". Vale destacar que o ex-ministro Milton Ribeiro, seu antecessor, foi afastado após denúncias de corrupção reveladas pelo Estadão, envolvendo o gabinete paralelo de pastores que interferiam no empenho de verbas da pasta.

Ao anunciar Godoy como seu número 2, em 2020, Ribeiro destacou que o novo secretário-executivo trabalhava na área da CGU que auditava o Ministério da Educação. Uma de suas primeiras ações na pasta foi exonerar quatro ex-assessores especiais do ex-ministro Abraham Weintraub.

Em 13 de janeiro de 2021, Godoy participou de reunião do MEC com os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos, a dupla que compunha o gabinete paralelo da pasta. A agenda foi um café da manhã com diversos prefeitos. Entre eles, estavam alguns dos que relataram ao Estadão só ter conseguido acesso ao ministério por meio dos pastores, como Nilson Caffer (PTB), Adelícia Moura (PSC), Laerte Dourado (PP) e Fabiano Moreti (MDB). A pauta do encontro foi "alinhamento político".

Godoy também tem especialização em Globalização, Justiça e Segurança Humana pela Escola Superior do Ministério Público. Segundo seu currículo na plataforma Lattes, o ministro tem somente um artigo publicado em periódico científico. Ele é coautor de um estudo sobre acordos de leniência.

Até 2020, sua experiência profissional também não esteve relacionada ao campo da educação. Na Controladoria, foi chefe de divisão, coordenador-geral de auditoria e chefe da Diretoria de Acordos de Leniência. Fez carreira em funções administrativas, como a que ocupou no Ministério a partir de 2020.

Quase três anos após o ex-ministro Sérgio Moro, hoje pré-candidato a presidente, ter o celular invadido em um ataque cibernético, sua mulher, Rosangela Moro, também foi alvo de um crime virtual nesta segunda-feira (28). Os perfis da advogada no Instagram e no WhatsApp foram hackeados.

Em mensagem publicada após recuperar o acesso ao perfil no Instagram, Rosangela informou que as redes socais foram invadidas para "aplicar golpes, lesar outras pessoas ou mesmo para se passar por mim". "Pelo visto ninguém está imune", escreveu.

##RECOMENDA##

No período em que assumiu o controle dos perfis, o hacker anunciou a venda de eletrodomésticos e eletrônicos. O objetivo, segundo a mensagem publicada, seria "ajudar uma prima" que está de mudança e passa por "problemas pessoais".

O próprio Sergio Moro foi alvo de um grupo hacker em junho de 2019, quando ainda era ministro da Justiça no governo do presidente Jair Bolsonaro (PL). O ataque atingiu o perfil de Moro no Telegram. O material obtido na invasão, cuja autenticidade é contestada pelo ex-ministro, inflamou os pedidos para que ele fosse declarado suspeito nos processos da Lava Jato envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que foi reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado.

Um perfil no Instagram, intitulado ex.posed_sizenando e criado na última quarta-feira (23), reúne denúncias de assédio ocorrido na Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Sizenando Silveira, localizada na área central do Recife. De acordo com as publicações, os casos envolvem professores da instituição de ensino e um porteiro e seriam abafados pela gestão.

"Essa não é a primeira vez que algo do tipo acontece, levando em consideração que outras vezes já foram ocultados casos de assédio dentro do colégio, como o caso de Enilton, entre outros. O crime foi deportado para a direção pelas mães das vítimas, mas a atual diretora as convenceu de que estava tudo bem, além de mandar os professores não falarem sobre o assunto em sala de aula assim diminuindo a gravidade do crime", afirma o perfil.

##RECOMENDA##

A reportagem iniciou contato com a página que, em um primeiro momento, aceitou responder aos questionamentos. No entanto, até o fechamento da matéria não recebemos nenhuma resposta. O LeiaJá também tentou contato com a EREM Sizenando Silveira por telefone, mas a gestora da unidade afirmou que não falaria sobre o assunto e nos direcionou à Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco (SEE).

Por meio de nota, enviada à reportagem pela assessoria, a SEE esclarece que a escola convocou a família das estudantes envolvidas no “suposto caso de assédio para uma reunião com o suposto autor, um professor, onde a situação foi esclarecida”, diz trecho do comunicado.

Ainda de acordo com a secretaria, a gestão da unidade de ensino registrou um boletim de ocorrência, nesta quinta-feira (24), contra o perfil ex.posed_sizenando por calúnia e difamação. Segundo a nota, o caso será investigado pela Polícia Civil. Confira o comunicado na íntegra:  

“A Secretaria de Educação e Esportes (SEE) esclarece que a Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Sizenando Silveira, situada no Centro do Recife, convocou, na última semana, as famílias das estudantes envolvidas no suposto caso de assédio para uma reunião com o suposto autor, um professor, onde a situação foi esclarecida. A gestão da unidade de ensino registrou um boletim de ocorrência nesta quinta-feira (24) contra o perfil no Instagram por calúnia e difamação. O caso será investigado pela Polícia Civil de Pernambuco".

A autoria de um estupro de uma mulher em Roraima, ocorrido em 2019, foi desvendada graças ao cruzamento de DNA. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o perfil genético do acusado já estava inserido no Banco Nacional de Perfis Genéticos por meio do Instituto de Criminalística do Maranhão. O estado faz parte da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG).

Na investigação, os peritos de Roraima coletaram os vestígios na vítima de agressão sexual e trouxeram para processamento em conjunto com peritos federais, por meio do Centro Multiusuário de Processamento Automatizado de Vestígios Sexuais, no Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, em Brasília. Após análise e inserção do material no Banco Nacional, foi detectada a coincidência com os dados do Maranhão. O acusado, que não teve a identidade revelada, já estava preso no estado. Ele responde a mais de 20 processos por diversos crimes, pelo menos dois deles já haviam sido detectados pelo banco estadual de perfis genéticos.

##RECOMENDA##

A Rede

Desde o início do projeto de fortalecimento da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG), em 2019, o número de perfis no Banco Nacional de Perfis Genéticos aumentou mais de 700%, chegando a mais de 130 mil, incluindo perfis genéticos de condenados criminalmente, vestígios criminais, restos mortais não identificados, familiares de pessoas desaparecidas, dentre outros. A RIBPG já auxiliou em mais de 3,4 mil investigações criminais no Brasil. Atualmente, todas as 27 unidades da federação contam com laboratório de genética forense em suas instituições de perícia oficial. 

O perfil oficial da Câmara dos Deputados curtiu uma publicação no Twitter que brincava com a morte do astrólogo e influenciador bolsonarista Olavo de Carvalho. A postagem, feita pela conta "@RealMORTE", diz: "Olavo de Carvalho Check".

Depois de algumas horas, o perfil da Câmara retirou a curtida. A atividade, contudo, irritou alguns usuários da rede social, que pedem que o responsável seja punido.

##RECOMENDA##

[@#video#@]

Aos 74 anos, Olavo de Carvalho morreu na última segunda (24), nos Estados Unidos. O influenciador estava com Covid-19, mas a causa de sua morte não foi divulgada pela família. Natural de Campinas, em São Paulo, ele deixa a esposa, Roxane, oito filhos e 18 netos.

Pedido de desculpas

A conta oficial da Câmara dos Deputados pediu desculpas pela curtida e publicou uma nota. "Detectado às 8h11, o erro foi imediatamente corrigido. Reiteramos nossos sentimentos à família e sinceras desculpas, não somente como empatia humanitária, mas especialmente respeitosa ao Dr. Olavo de Carvalho", escreve.

[@#podcast#@]

Após dois mandatos em sua estreia política como Prefeito do Recife, a ordem natural de sucessão apontava Geraldo Julio como candidato do PSB ao Governo de Pernambuco em 2022. Afastado dos perfis nas redes sociais, Geraldo e o PSB veem uma página no Instagram construir um ambiente de campanha para o atual secretário de Desenvolvimento Econômico.

Sem tanta participação nas redes sociais, ele vem sendo blindado pelo partido desde o fim do mandato em 2020.

##RECOMENDA##

O governador Paulo Câmara disse que o próprio ex-prefeito recusou participar da disputa. Sem prazo para anunciar o candidato, Câmara frisou que perfil escolhido será da política e com capacidade de gestão, características que se encaixam a Geraldo.

No Instagram, a página @soumaisgeraldojulio rasga elogios a seus feitos de gestão e pavimenta a campanha ao Governo. 

A primeira publicação é de novembro de 2015. Até hoje, o perfil com orientação de fã clube compartilha conteúdos para exaltar o gestor e agora vem se esforçando por sua candidatura ao Governo.

Diferente de Geraldo, a página preza por uma maior frequência para alimentar o feed com conteúdo. Após garantir que o ex-prefeito está pronto para ser lançado pelo partido e construir a candidatura nos 184 municípios do Estado, nesta terça-feira (18), o perfil publicou uma bandeira de Pernambuco com a legenda: "Eu já escuto os teus sinais. Simbora, Geraldo! Simbora, Pernambuco!".

São 53 mil seguidores, entre eles o atual prefeito João Campos, o perfil oficial do PSB no Estado e o presidente local da sigla, Sileno Guedes, que não respondeu às tentativas de contato do LeiaJá para confirmar a participação do atual secretário nas eleições.

O ano de 2022 reserva grandes mudanças na política brasileira e já deu as caras carregando toda a tensão criada em 2021. A pandemia, a crise econômica, os escândalos envolvendo a vacinação e as pautas polêmicas no Congresso Nacional inflaram ainda mais o senso de polarização existente no cenário atual. Em todas essas manifestações, existiram mulheres, do Legislativo e do Executivo, fazendo algumas das principais jogadas políticas, ainda que em menor número. 

Na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, no Senado, na Câmara dos Deputados ou mesmo a nível regional, a atuação feminina tem feito parte das decisões mais relevantes no Brasil. Conheça abaixo 22 mulheres da política para ficar de olho em 2022: 

##RECOMENDA##

Simone Tebet (MDB-MS) 

A senadora é a aposta do MDB para a presidência e já teve pré-candidatura oficializada pela sigla em dezembro do ano passado. Até o momento, Simone Tebet é a primeira mulher a anunciar que vai disputar o Palácio do Planalto este ano. Ela foi aposta do presidente nacional da sigla, o deputado federal Baleia Rossi, que considera Tebet um nome de peso da “terceira via”, como é chamado o grupo que se opõe à polarização Lula vs. Bolsonaro. 

Na CPI da Covid, a parlamentar foi uma das mais ativas a defender a vacinação e o impeachment do presidente Jair Bolsonaro (PL). Foi bastante elogiada por sua atuação na Comissão e protagonizou o episódio da “deputada descontrolada”, que repercutiu bastante nas mídias, o que motivou denúncias por sexismo no ambiente do Senado, predominantemente masculino. Em setembro de 2021, durante sessão da CPI, Tebet foi chamada de “descontrolada” pelo ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, durante discussão sobre o escândalo da Covaxin. 

Eliziane Gama (Cidadania-MA) 

Jornalista e senadora, Gama foi um dos destaques da CPI da Covid em 2021. Vencedora do prêmio Congresso em Foco 2020 como “Melhor Parlamentar”, foi também a primeira mulher a relatar uma indicação de ministro ao Supremo Tribunal Federal, na sabatina de André Mendonça. Seu protagonismo político e a agenda pela sustentabilidade são alguns dos aspectos que irão manter a senadora nos holofotes também no ano de 2022. 

Outra forte bandeira de Eliziane é a desigualdade de gênero: ela é uma das 11 mulheres no Senado - contra 70 homens - e também a única mulher da Casa a liderar uma bancada partidária. 

Marília Arraes (PT-PE) 

A petista pernambucana foi um dos nomes com maior destaque na Câmara dos Deputados em 2021, não apenas pela sua participação política e coautoria de projetos ativos, mas, sobretudo, pelo Projeto de Lei 4968/2019, que ficou conhecido como “PL dos Absorventes” e rendeu discussões por todo o país. Marília já era um nome quente em Pernambuco, sendo parte do clã Arraes-Campos e tendo entrado para a política no ano em que seu avô, o ex-governador do Estado, Miguel Arraes, faleceu, em 2005.  

Iniciou sua trajetória no PSB, partido para o qual estabelece oposição, a nível local. Nas últimas eleições municipais, disputou o pleito com o primo, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), tendo sido derrotada. É fortemente cotada para o Governo de Pernambuco nas eleições deste ano, mas a tese vai ficando cada vez mais distante, desde que o Partido dos Trabalhadores anunciou o senador Humberto Costa como pré-candidato. 

Como é comum em Pernambuco, a prefeita também faz parte de outro clã político influente no estado, a família Lyra. A advogada e ex-delegada da Polícia Federal é filha de João Lyra Neto, ex-prefeito de Caruaru e ex-governador de Pernambuco, e Mércia Lyra, neta do ex-prefeito de Caruaru, João Lyra Filho, e sobrinha do ex-ministro da Justiça Fernando Lyra.  

Luana Rolim (PP-RS) 

Rolim, de 27 anos, já era conhecida por ser a primeira fisioterapeuta com Síndrome de Down do Brasil. Em março de 2021, ela tornou-se também a primeira suplente a vereadora de Santo Ângelo, com a conquista de 633 votos na eleição de 2020. Apesar da cidade gaúcha não estar no centro das discussões políticas de maior peso no Brasil, por sua posição única e histórica, a parlamentar pode representar avanços lentos e união de forças a outras frentes que já lutam pelos direitos de pessoas com deficiência física e/ou intelectual.  

Joenia Wapichana (Rede-RO) 

Ativista ambiental e primeira indígena a ocupar um assento no Parlamento em mais de 190 anos de histórica, Wapichana se destacou em 2021 pela presença durante as audiências envolvendo o Marco Temporal, a demarcação de terras indígenas e a mineração ilegal. Conforme essas pautas ganham mais visibilidade a níveis nacional e internacional, é esperado que em 2022, a deputada federal tenha mais espaço para debater os temas. 

Em 2018, Joênia Wapichana (Rede) recebeu 8.491 votos e foi eleita deputada federal pelo estado de Roraima. A decisão de concorrer ao pleito eleitoral, segundo Joenia, ocorreu durante a 47ª Assembleia Geral dos Povos Indígenas de Roraima, após análise política sobre a situação dos povos indígenas no Brasil. Ela foi indicada pelo movimento indígena de Roraima e hoje une-se ao feito histórico de Mario Juruna, primeiro indígena a conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados (1983-1987). Desde a saída do Xavante do Congresso, em 1986, nenhum indígena havia ocupado vaga no legislativo. 

Erika Hilton (Psol-SP) 

A paulista nascida em Franco da Rocha fez história ao ser eleita a primeira vereadora trans e negra em São Paulo, nas eleições municipais de novembro de 2020; e a mulher mais votada no Brasil naquelas eleições, com 50.508 votos. Em 24 de março, foi nomeada presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Vereadores de São Paulo, a maior cidade do Brasil. Erika também criou um curso pré-vestibular na Universidade Federal de São Carlos para pessoas trans. Expoente da luta trans no Brasil, Hilton também chama atenção pela atuação parlamentar, com mais de 130 projetos protocolados e promoção de audiências públicas do interesse de minorias sociais. 

Tabata Amaral (PDT-SP) 

Recém-filiada ao PSB, Tabata tem trajetória política recente e iniciada no PDT, de Ciro Gomes. A paulista de 28 anos foi eleita em 2020, ou seja, está em seu primeiro mandato, mas se destaca pelo currículo excelente, bem como por ser vocal diante da agenda feminista. No entanto, a parlamentar é também conhecida por desagradar tanto os núcleos de esquerda quanto os de direita, apesar de se colocar como progressista. O perfil da deputada federal se assemelha ao de muitos políticos do Centrão, sobretudo no campo econômico, com o diferencial de que ela sempre fez uso da plataforma de esquerda para se estabilizar. 

Em 2019, no mês de maio, Tabata se envolveu em uma situação que foi definitiva para a sua saída do PDT, ao contrariar o próprio partido e votar a favor da reforma da Previdência. A sigla suspendeu as atividades da parlamentar, retirou dela a vice-liderança na Câmara, a proibindo, inclusive, de ocupar assentos em comissões ou votar nas assembleias. A divergência virou uma batalha judicial e somente em 2021 Amaral pôde sair do PDT sem perder o mandato. Hoje, é um dos nomes mais em alta na política brasileira e divide a sigla socialista com o namorado, o prefeito do Recife, João Campos. 

Raquel Lyra e Eliziane Gama. Fotos: Arthur Souza/LeiaJá Imagens e Geraldo Magela/Agência Senado

Raquel Lyra (PSDB-PE) 

Em Pernambuco, Lyra é vista como uma das opções mais fortes para o governo estadual. Atualmente, a tucana é prefeita da cidade de Caruaru, a mais populosa do Agreste pernambucano. Apesar de ainda precisar de viabilidade nas regiões vizinhas, como o Sertão e o Grande Recife, Raquel já possui diálogo político com diversas frentes e é bem avaliada pela população que a garantiu o seu segundo mandato à frente da gestão caruaruense. 

Mônica Calazans (MDB) 

A enfermeira Mônica Calazans, de 55 anos, primeira pessoa no Brasil a ser vacinada contra a Covid-19, filiou-se ao MDB em São Paulo na última quarta-feira (6). Segundo Rossi, a filiação de Mônica ocorreu em São Paulo e foi indicação de Baleia Rossi ao partido. Ela é pré-candidata a deputada federal. 

A profissional do Hospital das Clínicas foi imunizada com a primeira dose de CoronaVac no dia 17 de janeiro, minutos após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar o uso emergencial da vacina no país. 

Erika Kokay (PT-DF) 

A cearense esteve ao lado de Wapichana e Fernanda Melchionna representando contra o Marco Temporal, no Congresso. Apesar de ter atuação mais tímida, tem uma carreira política de certa data e deve se firmar como destaque da oposição do governo Bolsonaro este ano, o que já vem fazendo desde 2018. Filiada ao PT desde 1989, elegeu-se deputada federal, em 2010, com a quinta maior votação (de oito vagas disponíveis), quando obteve 72.651 votos. Em 2014, foi reeleita para seu segundo mandato. Em 2018, foi reeleita para o terceiro mandato, sendo a segunda candidata mais votada no Distrito Federal. 

Renata Abreu (Podemos) 

A presidente nacional do Podemos será responsável por movimentos importantes na política este ano, sobretudo diante das eleições presidenciais. Tem o ex-juiz Sérgio Moro como opção de presidenciável pela “terceira via” e está fazendo mudanças na legenda, se antecipando ao período de janela partidária. Atualmente, é a única mulher no Colégio de Líderes da Câmara Federal. 

Carla Zambelli (PSL-SP)  

Tendo ascendido junto à carreira política de Jair Bolsonaro - como parte do Executivo -, a deputada federal é uma forte aliada do presidente da República e atuou, durante a pandemia, como uma negacionista em tempo integral. Zambelli é protagonista de muitas das declarações falsas relacionadas à vacinação contra a Covid-19, mas também de teorias da conspiração e picuinhas com pautas de esquerda versus direita. Já mentiu ter contraído o coronavírus e se tratado com hidroxicloroquina, mas o hospital onde se internou, à época, desmentiu a informação, afirmando que ela foi tratar endometriose. Outra pauta, tipicamente bolsonarista, abraçada por Carla, é a contrariedade ao poder exercido pelo STF. 

Segundo o levantamento do Aos Fatos de maio de 2020, Carla Zambeli e um grupo de sete deputados investigados no inquérito das fake news publicaram em média duas postagens por dia em rede social em um período de três meses, com desinformação ou mencionando o STF de forma crítica. 

Fernanda Melchionna (Psol-RS) 

Melchionna se destacou, ao lado de companheiras da política, pela luta antissexista e contra o Marco Temporal no Congresso Nacional, em 2021. A psolista, que também já foi vereadora, foi eleita deputada federal pelo Rio Grande do Sul em 2018, com 114.302 votos, a maior votação entre as mulheres eleitas. Em abril de 2019, tomou posse no Parlamento do Mercosul. Melchionna foi confirmada pré-candidata pelo Psol em novembro de 2019 em reunião ampliada da executiva municipal e também foi a líder da bancada do PSOL na Câmara dos Deputados em 2020. 

Natália Bonavides (PT-RN) 

Bonavides foi a vereadora petista mais votada da história do PT no Rio Grande do Norte e a primeira mulher petista a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal de Natal. Em 2018 foi eleita a segunda deputada federal mais votada com 112.998 votos. 

Desde 2009 participa de projetos de educação popular, através dos quais atuou em assentamentos rurais e em comunidades como Leningrado e Mãe Luiza. Tem como destaque a assessoria a lutas em favelas e vilas sob vulnerabilidade social e deverá advogar pelo lulismo com força em 2022, na eventual candidatura do patrono da legenda. 

Paula Belmonte (Cidadania-SP) 

Atualmente, a empresária exerce seu primeiro mandato de deputada federal pelo Distrito Federal, tendo já ocupado a vice-liderança da bancada. Ela é membro das Frentes Parlamentares Evangélica (FPE), Agropecuarista (FPA), Ambientalista e Contra a Legalização do Aborto. Apesar de conservadora, costuma se manter "em cima do muro" ao opinar sobre o governo Bolsonaro.  

Em abril de 2020, Paula criou um projeto de lei para autorizar o uso da ozonioterapia como tratamento complementar para Covid-19, mesmo sem comprovações científicas de eficácia. Em junho de 2020, Luís Felipe Belmonte (PSDB), marido de Paula, foi alvo de investigações da Polícia Federal no inquérito das fake news. Ele e Jair Bolsonaro são coordenadores do Aliança pelo Brasil, partido político ainda não legalizado. O casal também é alvo de um inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga o uso de caixa 2. 

Talíria Petrone (Psol-RJ) 

A professora psolista é também uma ativista dos direitos humanos, da mulher, LGBT e do movimento negro. Além da militância a nível local, no Rio de Janeiro, se destaca pela oposição constante ao governo Bolsonaro e pelos projetos que propõe à frente da bancada do Psol na Câmara dos Vereadores fluminense. Desde 2018, quando foi eleita para exercer mandato como deputada federal com 107.317 votos, a nona mais votada no estado, recebe ameaças de morte associadas à sua área de atuação. Talíria é bem vocal diante das suas pautas e é acompanhada pela Polícia Civil do Estado, sob proteção. 

Dilma Rousseff (PT-MG) 

A ex-presidente do Brasil e primeira mulher a chegar ao Planalto passa por um período mais ofuscado de sua vida política, estando afastada dos holofotes e passando mais tempo em família. No entanto, ainda é sondada pelo Partido dos Trabalhadores para participar da frente contra Bolsonaro este ano. Recentemente se encontrou com Lula para falar das eleições e possíveis caminhos até outubro. 

Manuela D'Ávila (PT-RS) 

A comunista foi deputada federal pelo Rio Grande do Sul entre 2007 a 2015, deputada estadual de 2015 a 2019 e candidata a vice-presidente da República na chapa do petista Fernando Haddad, na eleição de 2018. Tem como principais bandeiras o feminismo e as causas trabalhistas, diante da proposta do próprio partido, no qual já atua há 15 anos. Oposição ao governo Bolsonaro, também deve fazer parte da Frente Ampla este ano.  

Concorreu à prefeitura da capital gaúcha três vezes. Na primeira vez, em 2008, ficou na terceira colocação. Na segunda tentativa, em 2012, ficou na segunda colocação, sendo derrotada ainda no primeiro turno por José Fortunati. Na terceira, em 2020, foi derrotada no segundo turno por Sebastião Melo, que foi vice de Fortunati. Em 2014, foi eleita deputada estadual com a maior votação para o cargo naquele ano. 

Bia Kicis (PSL-DF) 

Bolsonarista convicta, a deputada Bia Kicis foi indicada por Arthur Lira (Progressistas-AL), presidente da Câmara, para presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante da Casa. Como boa parte da cúpula bolsonarista, na pandemia, adotou o negacionismo científico como discurso. Kicis é um dos nomes investigados no chamado inquérito das fake news, investigação iniciada em 2019 para apurar ataques contra o STF (Supremo Tribunal Federal) e seus ministros por meio de notícias falsas, calúnias e ameaças. Recentemente, tornou-se alvo de representação da bancada do PT no Conselho de Ética da Câmara por causa da divulgação dos dados de médicos favoráveis à vacinação infantil. 

Janja (PT) 

A paulista Rosângela da Silva, a 'Janja', de 55 anos, é formada em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e filiada ao Partido dos Trabalhadores desde 1983. "Petista de carteirinha", assumiu namoro  com Lula em 2019. Ela começou a ganhar destaque quando foi à carceragem da Polícia Federal em Curitiba para receber Lula, que saía da prisão. Acompanhou o presidenciável do PT em eventos este ano, inclusive na viagem que ele fez à Europa.  

Janaína Paschoal (PSL-SP) 

A polêmica deputada estadual já busca se alinhar com nomes de peso da política este ano, para garantir sua pré-candidatura ao Senado, informação já confirmada pela própria parlamentar. Atualmente no PSL, Paschoal pode estar migrando para o PRTB em breve. Nos próximos dias, ela deve se reunir com integrantes da sigla para arranjar a filiação e os caminhos da sua candidatura. Apesar de ter negado que irá formar chapa com o ministro bolsonarista Tarcísio Freitas, da Infraestrutura, a possibilidade é defendida por muitos membros do Centrão. 

Atualmente, não defende a gestão Bolsonaro com tanta força, mas dá passos de aproximação consideráveis. Voltou a adotar a agenda antipetista e antivacina como tom para a próxima campanha. 

Erica Malunguinho (Psol-SP) 

Apesar de recifense, a ativista antirracista e ferrenhamente anti-Bolsonaro atua pela Assembleia Legislativa de São Paulo e deve marcar presença como oposição na maior Casa Legislativa do país. Elegeu-se deputada estadual em 2018, sendo a primeira mulher transexual da Alesp, hoje na segunda metade do primeiro mandato. Erica é mestra em estética e história da arte pela Universidade de São Paulo (USP) e criadora da Aparelha Luzia, um espaço para fomentar produções artísticas e intelectuais na capital paulista. O sobrenome “Malunguinho” refere-se ao culto a Jurema Sagrada, uma entidade das florestas de Pernambuco em Catucá. O termo “Malungo” é usado por descendentes de africanos da família Bantu para significar “camarada” ou “companheiro”. 

 

A cantora Marília Mendonça, morta ontem, aos 26 anos, em um desastre aéreo a bordo de um avião de pequeno porte em Caratinga, interior de Minas Gerais, deixou um legado relevante para a representação feminina no gênero musical sertanejo, além do filho pequeno Léo, de pouco menos de 2 anos.

Goiana de Cristianópolis, Marília começou sua carreira musical como compositora, escrevendo sucessos para duplas como Henrique & Juliano, João Neto & Frederico, Matheus & Kauan e Jorge e Matheus, além dos cantores Wesley Safadão e Cristiano Araújo, também morto prematuramente em um acidente automobilístico ocorrido em 2015.

##RECOMENDA##

Foi apenas a partir de 2014, após emplacar várias músicas como Até Você Voltar, Cuida Bem Dela e É com Ela que Eu Estou, na voz de outros artistas, que Marília Mendonça se lançou como cantora em carreira solo. Em 2015, a cantora despontou com o sucesso Infiel, uma das músicas mais executadas nas rádios brasileiras e que tem mais que um aspecto autoral, algo de familiar. "Minha tia foi casada por muitos anos e, de repente, descobriu que o marido estava traindo ela. Só que além de ele estar traindo ela, ele arrumou um filho fora do casamento. E aí, eu fiquei com muita raiva, fiz a música e fui mostrar pra minha tia. Mas não adiantou nada, ela está com ele até hoje", contou em entrevista a Tatá Werneck.

Para justificar a sofrência de suas composições - que a cantora dizia serem mais de 300 apenas em 2017 -, a cantora alegava em entrevistas experiências próprias, como um relacionamento que teve ainda muito jovem. "Tudo na minha vida foi precoce, meu primeiro chifre foi aos 12 anos de idade", disse no programa Lady Night, do Multishow. "Eu namorava de pegar na mão, só que eu namorava um menino mais velho, e como eu gostava dele, minha mãe falava, pode namorar."

Se suas letras, mesmo aquelas compostas para vozes masculinas, já haviam dado indícios de uma postura mais feminina no sertanejo, foi em 2016, com Agora É Que São Elas, parceria de Marília Mendonça com Maiara & Maraisa, que ela se firmou como uma das principais vozes femininas do estilo. O trio continuaria lançando músicas em conjunto até recentemente.

MAIS OUVIDA

Depois disso, Marília chegou a figurar, em 2019, como a artista brasileira mais ouvida em um ranking do YouTube, e a 13.ª em todo o mundo. Nesse mesmo ano, Marília venceu o Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Sertaneja por Todos os Cantos, uma das principais premiações da carreira.

Neste ano de 2021, a cantora já havia lançado Nosso Amor Envelheceu, seu mais recente álbum solo. No dia do acidente, Marília havia estreado a música Fã Clube, parceria com Maiara & Maraisa.

Páginas

Leianas redes sociaisAcompanhe-nos!

Facebook

Carregando