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O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Bruno Dantas, autorizou viagem de auditores do órgão aos Estados Unidos para investigar compras realizadas por unidades militares das Forças Armadas, em Washington, de 2018 a 2022, totalizando R$ 20 bilhões. O período engloba os governos de Michel Temer (2018) e de Jair Bolsonaro (2019 a 2022).

Ao longo de cinco anos, foram contabilizadas 57.640 transações pelas unidades da Marinha, do Exército e da Aeronáutica na capital americana. A inspeção nas unidades militares brasileiras nos Estados Unidos foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo. O Estadão teve acesso ao despacho do TCU ontem.

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A previsão é de que os auditores do TCU fiquem nos Estados Unidos de 12 a 20 de abril. Em Washington, eles farão vistorias na Comissão Naval Brasileira (CNBW), na Comissão do Exército (CEBW) e na Comissão Aeronáutica (CABW). A última auditoria realizada pelo TCU nas comissões militares sediadas nos Estados Unidos, com a aplicação de procedimentos presenciais, foi em 1997, no governo de Fernando Henrique Cardoso.

SEM ACESSO

Entre as justificativas apresentadas pelo TCU para a investigação in loco agora está o fato de que "foi detectada a ausência de dados usualmente armazenados em um sistema de compras". Os auditores chegaram a solicitar acesso ao sistema às Forças Armadas, mas a autorização não foi concedida, sob a alegação de existência de informações sigilosas. O TCU ainda argumentou aos militares que a equipe de auditores tinha competência legal para analisar as informações e os dados requeridos eram públicos, por não envolver compras estratégicas da Defesa.

As comissões do Exército e da Aeronáutica em Washington possuem depósitos próprios para a guarda de materiais adquiridos no exterior. Na Europa, ainda estão as sedes da Comissão Naval Brasileira na Europa (CNBE) e da Comissão Aeronáutica Brasileira na Europa (CABE), mas ambas não possuem depósitos próprios ou alugados.

Nos Estados Unidos, os auditores farão exame documental (para verificar se as transações realizadas estão documentadas), inspeção física (para constatar a existência ou não dos objetos), observação direta (para averiguar se processos estão sendo executados corretamente), entrevistas e análises de conteúdo (conferência dos bancos de dados).

A auditoria é baseada em artigo do regimento interno do TCU para verificar "economicidade, eficiência e eficácia" das compras.

FALTA DE TRANSPARÊNCIA

O Estadão revelou na última quinta-feira, dia 16, documento produzido durante a transição da gestão de Jair Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva que responsabiliza as Forças Armadas por um apagão da transparência no governo federal. Foram mapeados pelo grupo técnico de Transparência, Integridade e Controle casos de reiterado descumprimento da Lei de Acesso à Informação. De contratos a notas fiscais, passando por informações sobre a vida funcional de oficiais, os militares se negaram a tornar públicos documentos requeridos por cidadãos entre 2019 e 2022.

O relatório obtido pelo Estadão afirma que, nos últimos anos, foram colocados inúmeros obstáculos para se garantir a transparência e o acesso à informação. Especificamente sobre as Forças Armadas, aponta uma "forte tendência de sempre ou quase sempre se considerar 'pessoais' informações sobre integrantes do Exército que não seriam informações pessoais para servidores civis".

Como exemplos, o documento relata que o Exército negou acesso a notas fiscais de compras públicas, documentos de pregões eletrônicos, salários de servidores, lista de empresas que firmaram contratos com a Força, pareceres, notas técnicas, processos disciplinares e outros dados básicos. Em relação ao Comando da Aeronáutica, o grupo técnico critica a negativa de acesso à lista de passageiros e ao custo de voos oficiais. Por fim, relata que a Marinha mantém mais de 77 mil documentos em sigilo.

Procurados pelo Estadão para se manifestarem sobre a apuração do TCU nas unidades localizadas nos EUA, os comandos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica e o Ministério da Defesa não responderam até a noite de ontem.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O novo presidente do Superior Tribunal Militar (STM), tenente-brigadeiro Francisco Joseli Parente Camelo, afirmou ontem que as Forças Armadas brasileiras "não têm poder" moderador. "Não está na Constituição que nós temos de manter os Poderes sob a nossa tutela, não está em lugar nenhum", disse o oficial, durante entrevista à GloboNews.

Camelo reiterou nesta quinta-feira, 16, ainda que a Garantia da Lei e da Ordem (GLO), prevista no artigo 142 da Constituição Federal, não cabe apenas às Forças Armadas e que a medida deve ser usada de forma excepcional, e apenas em situações extremas. O artigo trata do papel das Forças Armadas, mas é distorcido por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como justificativa para defender uma intervenção militar no País.

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O PT articula a elaboração de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para reformular o artigo 142, para proibir a participação de militares da ativa em cargos públicos e acabar com operações de GLO. O Palácio do Planalto, entretanto, resiste à ideia, sob o argumento de que não é hora de comprar nova briga. Na quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com a cúpula da Marinha e pretende se encontrar também com os comandos do Exército e da Aeronáutica, numa tentativa de aproximação com os militares.

Supremo

Na entrevista, o presidente do STM também avaliou que qualquer questão jurídica no País deve passar pela avaliação do Supremo Tribunal Federal (STF), de maneira a garantir a manutenção do estado de direito.

Camelo assumiu o cargo anteontem, diante de um cenário de questionamento sobre o papel dos militares na política brasileira, sobretudo após o governo Bolsonaro, que se encerrou no ano passado, no qual oficiais da ativa integraram o primeiro escalão.

"Concordo com o Ministério da Defesa de que os militares que querem atuar na política passem para a reserva. Acho que os militares têm de se dedicar à sua atividade", disse. Ele afirmou ser a favor da PEC que trata da proibição de candidaturas de militares.

Questionado sobre o posicionamento político de militares da ativa nas redes sociais, o presidente do STM frisou que o comportamento se caracteriza por uma "transgressão disciplinar", cabível de punição.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Documento produzido durante a transição e até agora mantido restrito responsabiliza as Forças Armadas pela ausência de transparência no governo federal na gestão de Jair Bolsonaro (PL). Foram mapeados casos de reiterado descumprimento da Lei de Acesso à Informação (LAI). De contratos a notas fiscais, passando por informações sobre a vida funcional de oficiais, os militares se negaram a tornar públicos documentos requeridos por cidadãos entre 2019 e 2022.

"Houve significativo retrocesso no cumprimento da LAI pelas Forças Armadas durante o governo Bolsonaro. Questões básicas como contratos, notas fiscais e relatórios de licitação são denegadas sob argumentos muito questionáveis, algumas vezes fundamentadas em portarias internas que não poderiam ou não deveriam se sobrepor à lei de acesso", diz o documento.

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O relatório foi produzido pelo grupo técnico da Transparência, Integridade e Controle e obtido pelo Estadão por meio da LAI. As críticas à atuação das Forças Armadas foram omitidas do relatório geral, único documento oficial divulgado pela equipe de transição em dezembro passado.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva tenta distensionar a relação com os militares. O petista trocou o comandante do Exército, e o ministro da Defesa, José Múcio, atua para vencer resistências ao PT na caserna. Ao liberar o acesso ao relatório, a Controladoria-Geral da União informou que o documento não expressa necessariamente a opinião do órgão.

O grupo técnico da Transparência foi chefiado pelo atual ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias. O relatório afirma que "autoridades burocráticas" do governo Bolsonaro conseguiram "encurtar em muito o potencial da política de transparência pública". E aponta "forte tendência de sempre ou quase sempre se considerar 'pessoais' informações sobre integrantes do Exército que não seriam pessoais para servidores civis".

Dados

Como exemplos, o documento relata que o Exército negou acesso a notas fiscais de compras públicas, documentos de pregões eletrônicos e salários de servidores. Critica também o sigilo de cem anos imposto ao processo do Exército sobre o general Eduardo Pazuello. Esse sigilo foi revogado pelo atual governo.

Em nota, a Marinha informou que "cumpre rigorosamente" a LAI" e reiterou o "propósito no cumprimento aos preceitos legais". A Aeronáutica disse que "eventuais informações podem ser preservadas, sempre com fundamento na legislação". O Exército afirmou que os pedidos negados têm amparo legal e que mantém "compromisso com a transparência pública".

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) elogiou a participação das Forças Armadas nas ações de resgate e auxílio à população de São Sebastião, Litoral Norte de São Paulo, atingida pelas fortes chuvas no último fim de semana, que vitimou ao menos 57 pessoas. 

“Nota 11. Toda diferença. Impressionante o profissionalismo, tecnologia, time”, disse Alckmin neste sábado (25), sobre a atuação das Forças. 

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Ao tecer elogios às Forças, o vice-presidente mencionou que nunca havia entrado num navio tão grande quanto o novo-capitânia Atlântico, o maior da frota, que ancorou no litoral paulista. 

O governador de São Paulo Tarcísio Freitas (Republicanos) pediu ajuda do Exército Brasileiro para resgatar as vítimas após o temporal. Ele se reuniu com o presidente Lula (PT) no início da semana e, hoje, acompanha Alckmin na visita aos locais afetados por deslizamentos e pela enxurrada. 

“É só ver aqui, num caso específico, o Exército com mais de 300 militares, toda parte de engenharia e logística. Aeronáutica, equipamento mais moderno, transportando vítimas, socorrendo, trazendo alimento. Você tem a Marinha. Eu não tinha entrado num navio daquele tamanho. É impressionante esse navio. É uma cidade verdadeira”, disse o vice-presidente. 

Reconciliação

O governo federal passa por um momento de reconstrução de laços com as Forças Armadas depois de um início de mandato conturbado. O vice-presidente Geraldo Alckmin é visto como um dos responsáveis pelo processo de restauração dos laços com os militares. 

A desarmonia entre Força e governo se deu depois de suspeitas de inação militar durante os atos golpistas de 8 de janeiro, que bolsonaristas depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília. 

O perfil do Exército Brasileiro no Twitter tem sido bombardeado por comentários reacionários de contas bolsonaristas, após a comunicação da Força divulgar alguns dos envios feitos à população yanomami, em Roraima, frente à crise humanitária na terra indígena, nessa segunda-feira (23).

Antes associados ao uso das Forças Armadas, a quem recorreram na tentativa de validar um golpe de Estado, bolsonaristas radicais agora alimentam um discurso de abandono e traição por parte do Exército. 

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O povo yanomami, uma das mais tradicionais etnias indígenas do Brasil, passa pela pior crise de sua história. Balanços recentes mostram que, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), pelo menos 500 crianças yanomami morreram por fome ou falta de assistência sanitária. O Governo Federal decretou emergência para acelerar o envio de socorro. 

“Nossa tropa do Comando Militar da Amazônia está atuando na missão de apoio às ações interministeriais para atendimento às comunidades da Terra Indígena Yanomami, em Roraima”, escreveu o perfil. As Forças lançaram 1,2 toneladas de alimentos e 95 quilos de material médico em direção ao território.  

Nos comentários, bolsonaristas ironizam a fome do povo yanomami, com um disparo de mensagens pedindo para “fazer o L”, associando a crise do último governo ao recém-empossado Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

Há também críticas referentes aos pedidos de socorro dos “patriotas”, que por quase dois meses questionaram as eleições e pediram apoio institucional dos militares para anular os resultados. Os radicais parecem se sentir traídos e acreditam que o Exército se vendeu ao comunismo e aos pedidos de Lula, que é presidente. 

Mensagens como “Frouxos”, a imagem de uma lápide do Exército escrito “Morreu por falta de coragem”, “iFood” e “Quero ver quando virar Venezuela e não ter nada para entregar”, fazem parte das mais de mil respostas à publicação. 

Bolsonaristas investem também no disparo de mais uma notícia falsa: a de que os yanomami mortos e em situação de desnutrição seriam, na verdade, venezuelanos, plantados no território “pela esquerda”, para diminuir as ações do Governo Bolsonaro. Apesar da etnia não estar presente apenas no Brasil, o território yanomami brasileiro é reconhecido e mapeado desde 1992. 

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O cientista político Eliezer Rizzo de Oliveira avalia que os militares tentam preservar, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os direitos e vantagens, como elevação de salários e condições de aposentadoria, obtidos quando o presidente era Jair Bolsonaro. Para o pesquisador, a desconfiança de Lula nos militares, expressa pelo mandatário em palavras e gestos recentes, é correspondida. Também fardados não confiam no petista, a quem enxergam como "encarnação do mal". Segundo ele, Lula acertou ao não decretar uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para enfrentar os atos golpistas de bolsonaristas radicais. Assim, avalia, preservou sua autoridade.

Após a fracassada tentativa de golpe de bolsonaristas no dia 8, o governo Lula tem dado demonstrações públicas de desconfiança nos militares. De onde vem isso?

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O presidente Lula expressou sua desconfiança nas Forças Armadas, no Exército em particular, em razão da militância por Bolsonaro nos quartéis e do apoio ao movimento bolsonarista contra a sua posse na Presidência. Até agora (Lula) ficou naquilo que não quer dos militares, mas ainda não determinou sua orientação geral para a Defesa Nacional.

O sentimento é mútuo?

Sim, veja-se a militância de militares da ativa e da reserva contra o retorno de Lula: Lula seria a encarnação do mal e da antissoberania nacional. Há militares que enxergam no presidente, no PT e aliados o avanço gramscista do comunismo.

Quando o ato golpista estava em curso, falou-se na decretação de uma operação de Garantia da Lei e da Ordem, mas Lula recusou. Como analisa esse episódio?

O presidente agiu bem ao intervir na segurança do DF, pois preservou intacta sua autoridade num momento de profunda insegurança. Ele enunciou seus motivos ao criticar a atuação da PM, da inteligência e da defesa militar do Planalto.

O que o presidente Lula pretende quando, por exemplo, diz que os militares não são poder moderador?

O presidente Lula pretendeu esclarecer que exerce a autoridade constitucional de chefe de Estado e comandante supremo e não reconhece espaço para a autonomia militar. Pois a tese do poder moderador - correspondendo ao direito das Forças Armadas à intervenção militar e à direção do País - é tese falsa e antidemocrática.

E os militares?

Os militares pretendem a preservação de direitos e vantagens negociados generosamente com Bolsonaro, dentre eles a elevação dos valores dos vencimentos e as condições de aposentadoria. Esperam que não haja mudança forçada em sua formação. Já Lula iniciou a retirada de militares dos milhares de funções da administração civil que exerceram em razão da natureza ultraconservadora e militarista de Bolsonaro.

Como o bolsonarismo afeta as Forças Armadas?

Simples assim: o bolsonarismo considera as Forças Armadas como instituições de governo, à disposição de um ex-presidente despreparado, ideologicamente retrógrado, que enxerga nos adversários inimigos a serem abatidos. O ambiente militar é altamente mobilizado do ponto de vista ideológico conservador.

Um golpe de Estado dos militares é um risco real?

Faço votos de que o ministro da Defesa, os comandantes militares, os Estados-maiores e os corpos de oficiais da Aeronáutica, do Exército e da Marinha voltem-se com reverência para a Constituição e a cumpram sob a autoridade suprema do presidente Lula. Nesta hipótese, não haverá riscos reais de golpe de Estado.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (Serin), Alexandre Padilha, afirmou que os comandantes das Forças Armadas "ficaram impressionados com a dedicação" e tiveram debate "muito positivo" com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião nesta sexta-feira, 20, no Palácio do Planalto.

Padilha repetiu a versão do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, de que o envolvimento de militares nos atos golpistas de 8 de janeiro não foi tratado e que o assunto principal do encontro foi uma política de investimentos em projetos das Forças.

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"Os comandantes ficaram muito bem impressionados com a dedicação de Lula durante a reunião, de dialogar sobre os temas, discutir sobre os temas, relembrar investimentos que fez quando foi presidente da República e foram paralisados", afirmou Padilha, ao destacar que a reunião "foi produtiva".

O titular da Serin disse ainda que os investimentos na área da Defesa podem vir por meio de Parcerias Público-Privadas (PPPs). "Você tem PPPs, parte dos investimentos em inovação tecnológica, fortalecimento da capacidade produtiva do País. Não é um plano que tem recursos apenas do Orçamento Geral da União, é um plano que tem uma combinação de investimentos. O Brasil vai voltar a ter um plano de Defesa", garantiu.

Após almoço com militares na terça-feira, 17, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, também falou na possibilidade de realização de PPPs para projetos da Defesa que envolvem produção de tecnologia e conhecimento.

Montagem do governo

Padilha reiterou que deve ser publicado na próxima semana um decreto com remanejamento de cargos do governo para os ministérios recriados e criados por Lula. "Temos remanejamento de cargos sem aumentar custos e sem aumentar criação de cargos. Estruturas que foram destruídas pelo governo Bolsonaro foram recriadas", destacou. A previsão é de que o decreto seja publicado no dia 24 ou 25.

As investigações que correm no Supremo Tribunal Federal (STF) sob o comando do ministro Alexandre de Moraes indicam que o antigo gabinete do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) colocam suspeitas sobre a existência de um possível caixa 2 dentro do Palácio do Planalto, de acordo com a coluna Rodrigo Rangel, do Metrópoles. Além disso, a coluna diz que o gabinete do ex-mandatário está diretamente ligado à mobilização dos atos antidemocráticos.

Sobre o possível caixa 2, o site afirma que havia dinheiro vivo, inclusive proveniente de saques feitos pelos cartões corporativos da Presidência e de quartéis das Forças Armadas. O veículo coloca o tenente-coronel do Exército Mauro Cesar Barbosa Cid, conhecido como “coronel Cid”, como ajudante de praticamente todas as ordens de Bolsonaro até os últimos dias de governo.

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O militar o acompanhava em tempo quase integral dentro e fora dos palácios, era o guardião do telefone do ex-presidente e respondia ligações em nome do mesmo, além de cuidar de tarefas da família Bolsonaro, como pagar as contas, por exemplo.

Pagamentos com dinheiro do possível caixa 2 gerenciado pelo oficial, faturas de um cartão de crédito no nome de uma amiga de Michelle Bolsonaro que era utilizado para custear as despesas da ex-primeira-dama fazem parte dos achados da investigação. 

De acordo com a coluna, as primeiras análises do material já apontavam que Cid centralizava recursos que eram sacados de cartões corporativos, ao mesmo tempo que tinha a tarefa de cuidar do pagamento, em dinheiro vivo, de diversas despesas do clã.  Os investigadores vêm fortes indícios de lavagem de dinheiro e chamou atenção a origem de parte dos recursos que Cid e seus homens manejavam.

 

O governo Lula (PT) ampliou a lista de militares das Forças Armadas exonerados das funções de segurança da Presidência da República para 84 até o momento. Até a quinta-feira (18), havia sido publicada no Diário Oficial a exoneração de 46 integrantes das Forças Armadas que atuavam no Gabinete de Segurança Institucional (GSI), responsável pela segurança do presidente, vice-presidente, do Palácio do Planalto e das residências oficiais.

Outros 38 militares também chegaram a ser dispensados pelo presidente Lula ao longo da última semana. Eles cuidavam da segurança e administração do Palácio da Alvorada e da Granja do Torto. A decisão da série de exonerações feitas pelo petista se dá pela “perda de confiança” em parte dos militares, o que já foi assumido publicamente pelo presidente.

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“Eu perdi a confiança. Na hora de recuperar a confiança, eu volto à normalidade”, confessou ao jornal Estado de S.Paulo, comentar sobre a sensação de ameaça após a invasão e destruição física e patrimonial dos Três Poderes, em Brasília. No entanto, de acordo com o ministro da Casa Civil Rui Costa, mais demissões estão por vir, a maior parte deve ocorrer a partir do dia 23 de janeiro.

“O grosso das nomeações e exonerações será feito a partir do dia 23 até o fim do mês. Tem muita gente para sair e entrar. O governo que saiu tem pouca ou nenhuma sintonia com o que entrou, o pensamento em todas as áreas é muito diferente, portanto não poderíamos conviver com os mesmos assessores”, pontuou.  Encontro com Forças Armadas O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu-se nesta sexta-feira (20), no Palácio do Planalto, com o ministro da Defesa José Múcio, e comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica.

No encontro, o petista disse que quer renovar a confiança nas Forças Armadas, segundo Múcio. “Ele [Lula] tem consciência, e as Forças Armadas também, da atenção que deu às Forças Armadas. E quis renovar essa confiança. Evidentemente não poderíamos ficar nessa agenda última, temos que pensar para a frente, pacificar esse País e governar”, afirmou o ministro.

Múcio contou, ainda, que os comandantes concordaram em abrir processos para apurar e punir casos de militares que insubordinariam, em manifestações nas redes sociais, ou que tiveram envolvimento nos atos terroristas de 8 de janeiro. Para ele, não houve envolvimento das Forças nos ataques. “Eu entendo que não houve envolvimento direto das Forças Armadas. Se algum elemento individualmente teve participação, ele vai responder como cidadão”, disse.

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscava recuperar a confiança nas Forças Armadas, com a reunião de trabalho realizada nesta sexta-feira, dia 20, no Palácio do Planalto. A reunião com os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica ocorreu uma semana depois de o presidente admitir ao Estadão que "perdeu a confiança" em militares da ativa.

"Ele (Lula) tem consciência, e as Forças Armadas também, da atenção que deu às Forças Armadas. E quis renovar essa confiança. Evidentemente não poderíamos ficar nessa agenda última, temos que pensar para a frente, pacificar esse País e governar", afirmo Múcio, ao sair da audiência.

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Múcio afirmou que os comandantes concordaram em abrir processos para apurar e punir casos de militares que se insubordinaram, em manifestações nas redes sociais, ou que tiveram envolvimento nos atos extremistas de 8 de janeiro. Lula afirmou que cobraria providências dos comandantes-gerais, a despeito da patente de quem estivesse sob averiguação.

"Os militares estão cientes e concordam que vamos tomar essas providências. Evidentemente, no calor da emoção a gente precisa ter cuidado para que acusações e penas sejam justas. Tudo será providenciado em seu tempo", afirmou o titular da Defesa.

Para o ministro, não houve envolvimento direto das forças nos atos cometidos por extremistas, durante o ataque às sedes dos três poderes. Múcio negou que Lula tenha tratado com os comandantes militares, diante de empresários convidados para o encontro, de punições relacionadas aos atos golpistas de 8 de janeiro.

"Eu entendo que não houve envolvimento direto das Forças Armadas. Agora, se algum elemento individualmente teve participação, ele vai responder como cidadão", disse o ministro.

Múcio afirmou que o presidente precisava de uma conversa para "virar a página" sobre os atos de indisciplina e politização nas Forças Armadas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou os comandantes das Forças Armadas para uma reunião, nesta sexta-feira (20), às 10 horas, no Palácio do Planalto. Será o segundo encontro entre eles na sede da Presidência da República, desde a invasão golpista promovida por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, há 12 dias.

O encontro faz parte de uma movimento de aproximação política entre a cúpula militar brasileira e o Planalto.

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De forma direta, Lula vai cobrar dos comandantes Julio Cesar de Arruda (Exército), Marcos Sampaio Olsen (Marinha) e Marcelo Kanitz Damasceno (Aeronáutica) que apliquem as regras e não permitam casos de politização na tropa. O presidente exige punição a episódios de indisciplina e aos militares que participaram dos ataques em 8 de janeiro.

Base industrial

Além de Lula, do ministro da Defesa, José Múcio, e dos comandantes das Forças, o presidente da Fiesp, Josué Gomes, participará da reunião. Josué foi chamado por Lula para apresentar aos comandantes um projeto de modernização da base industrial de defesa.

A pedido de Lula, a Defesa vai levar um documento com o andamento e as necessidades orçamentárias do Exército, Marinha e Aeronáutica. O foco são os projetos estratégicos. Todos tiveram impulsionamento inicial nos primeiros mandatos de Lula.

O presidente esse histórico como trunfo e pauta a questão orçamentária, que sabe ser de interesse dos comandantes. O presidente falou em modernizar as Forças Armadas e a base industrial de Defesa. Há interessem dos três comandos, por exemplo, no desenvolvimento de drones.

Após relatar desconfiança, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula uma reunião com os comandantes das Forças Armadas, em meio a uma crise nas relações com os militares.

O encontro é costurado pelo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e deve acontecer até a próxima sexta-feira, 20, segundo o chefe da Casa Civil, Rui Costa. Na reunião, Lula deve conversar sobre projetos estratégicos da Marinha, Aeronáutica e Exército que demandam investimentos do governo, além de abordar a postura de militares na invasão ao Palácio do Planalto.

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Nesta terça, 17, Costa participou de um almoço com Monteiro e os comandantes, em uma tentativa inicial de aproximar o governo da caserna. A reunião aconteceu após Lula assumir ao Estadão que perdeu a confiança nos militares e dizer que as Forças "não são poder moderador que pensam que são". O governo também exonerou hoje mais de 40 militares que atuavam no Palácio da Alvorada e na Granja do Torto.

Em conversa com a imprensa, Costa negou que o encontro tenha sido um "afago" às Forças Armadas e negou que a relação com Lula tenha sido tratada no almoço. Ele pregou, no entanto, que as instituições não podem continuar "contaminadas".

O ministro ainda minimizou a exoneração de militares, que classificou como "natural"." Nós trocamos os comandantes. É natural que todos os assessores, mesmo dentro das Forças Armadas, você haja um rodízio entre as pessoas. Não há nenhum mistério nisso. Ou alguém achava que nós íamos entrar no governo e manter os assessores do governo anterior? Se mudou filosofia (do governo), tem que mudar quem está implementando", defendeu Costa.

Diante da convocação de novo protesto bolsonarista para "retomada do poder" por meio de mensagens em redes sociais, autoridades do governo Lula já admitem pedir auxílio às Forças Armadas na proteção de prédios públicos em Brasília. Os militares devem atuar na Esplanada dos Ministérios e Praça dos Três Poderes, com envio de soldados e equipamentos militares, como viaturas e blindados do Exército.

Essa é uma previsão já tratada em reuniões prévias por ministros Lula e comandantes das Forças Armadas. O decreto de intervenção federal na segurança pública do Distrito Federal, editado por Lula no domingo e vigente ao menos até o fim de janeiro, prevê que o interventor Ricardo Capelli "poderá requisitar a quaisquer órgãos, civis e militares, da administração pública federal, os meios necessários para consecução do objetivo da intervenção". No entendimento de oficiais do Exército, esse artigo abarca o envolvimento de militares.

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As Forças Armadas já desempenham, rotineiramente, a segurança de alguns edifícios da Esplanada, como o Palácio Itamaraty, o Ministério da Defesa e o Palácio do Planalto. No último, além de militares do Gabinete de Segurança Institucional, o Batalhão de Guarda Presidencial (BGP) atua na proteção. No domingo, 8, esse efetivo não estava presente para assegurar a proteção do Planalto e isso gerou críticas sobre a atuação do BGP no episódio.

O Exército chegou a colocar de prontidão no domingo, 8, 2,5 mil soldados subordinados ao Comando Militar do Planalto. Dois blindados Guarani foram às ruas pela primeira vez, mas ficaram no limite do Setor Militar Urbano, área de segurança militar onde fica o Quartel-General do Exército, em frente ao qual acampavam por dois meses extremistas e intervencionistas.

Sem um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), no entanto, não há respaldo legal para que militares das Forças Armadas atuem em atividades de segurança pública de forma mais ampla e com poder de polícia. Mesmo que houvesse uma GLO em curso, ela deveria ter um período e zona específica de atuação, não sendo aplicada de forma indiscriminada.

Quando autorizadas, as GLOs ativam os comandos operacionais das Forças Armadas, que passam a desempenhar ações preventivas e repressivas para "preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio". O controle operacional das forças de segurança passa a uma autoridade militar formalmente designada.

A GLO é prevista constitucionalmente e autoriza, a pedido de um dos poderes, o emprego das Forças Armadas. Ela é considerada um segundo passo na escala de resposta aos distúrbios, aplicada em casos de esgotamento dos instrumentos das forças de segurança pública, mais dura que a intervenção federal e menos grave do que o Estado de Defesa.

Desde 1992, as GLOs já foram aplicadas 145 vezes, conforme dados do Exército, da Marinha e do Ministério da Defesa.

Em maio de 2017, o então presidente Michel Temer usou a GLO para escalar militares das Forças Armadas na Esplanada dos Ministérios, após atos de vandalismo e depredação ao fim de uma greve geral organizada por centrais sindicais e movimentos de esquerda contra a reforma trabalhista e a favor de sua saída do cargo. O decreto ocorreu a pedido do então presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Na ocasião, houve dura repressão por parte da PM à greve geral, mas mesmo assim sedes de ministérios como, os da Agricultura e da Cultura, foram depredadas, inclusive com tentativas de incêndio.

O decreto de GLO na Esplanada durou menos de 24 horas. Ele foi revogado por Temer na manhã seguinte à sua edição, diante da retomada da ordem. Inicialmente, duraria por 15 dias. O Ministério da Defesa delimitou a ação das Forças Armadas à proteção de prédios.

O governo federal publicou em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira (5) a troca do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas do Ministério da Defesa. Foi nomeado para o posto o almirante de Esquadra Renato Rodrigues de Aguiar Freire, no lugar do general de Exército Laerte de Souza Santos.

A mudança será efetiva somente a partir de 9 de janeiro de 2023, conforme indica a publicação oficial. Também foi formalizada ontem a nomeação dos secretários executivos dos ministérios da Agricultura e Pecuária e das Comunicações, que são Irajá Rezende de Lacerda e Sonia Faustino Mendes, respectivamente.

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Após a cerimônia de transmissão de cargo nessa segunda-feira (2), sem a presença da cúpula do governo Jair Bolsonaro, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou que as Forças Armadas brasileiras "sempre se posicionaram a favor da democracia". Segundo ele, os militares têm senso de responsabilidade.

Múcio disse ter amigos e parentes em acampamentos de apoiadores de Bolsonaro, contrários ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no entorno de quartéis pelo País. Ele afirmou que nem todos os participantes são radicais e disse considerar a manifestação legítima, mas entende que vão se esvaziar.

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"Eu acho que aquilo vai se esvair. Na hora em que o ex-presidente da República (Bolsonaro) entregou seu cargo, saiu do cargo, que o general Mourão (ex-vice-presidente) fez um pronunciamento falando que todos voltassem a seus lares", afirmou Múcio, em entrevista.

"Aquelas manifestações no acampamento, falo com autoridade porque tenho parentes lá, no do Recife, tenho alguns amigos aqui, é uma manifestação da democracia. Aos pouquinhos aquilo vai se esvair e vai chegar ao lugar que todos nós queremos", afirmou.

O tom de José Múcio destoa, em público, de outros ministros do governo Lula. A desmobilização dessas concentrações era um desejo de Lula confidenciado a parlamentares, como revelou o Estadão.

Apuração

Investigações policiais apontaram frequentadores do acampamento do Quartel-General do Exército como autores de uma tentativa de atentado a bomba e de cometer atos de vandalismo na capital federal, com incêndios de veículos e ônibus. Questionado se os parentes estavam ainda aglomerados nos quartéis, o ministro esquivou-se, dizendo que iria telefonar para eles.

"Nosso País possui tradições pacíficas. Apesar de sua relevante dimensão geopolítica, o Brasil e nossas Forças Armadas sempre se posicionaram a serviço da paz, da democracia, do respeito às instituições e da cooperação com seus vizinhos. Nossa história, rica em exemplos, mostra que a Marinha, o Exército e a Aeronáutica são instituições de Estado, respeitáveis e ciosas de seus papéis constitucionais, regidas pelos princípios da hierarquia e da disciplina, nelas profundamente arraigados", afirmou.

Dos três comandos, só a Marinha tem cerimônia pendente de passagem de cargo, que deve ocorrer na quinta-feira (5), quando Marcos Olsen assumirá. A do Exército ocorreu na sexta-feira passada (30), quando, com a posse do general Júlio César Arruda.

O brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno recebeu ontem o cargo de novo comandante da Força Aérea Brasileira (FAB). Ele disse que "não fugiria à luta" nem se "furtaria à nobre missão", mesmo diante de descontentamentos. "Que a incompreensão de alguns mais próximos se reverta em futuro entendimento", afirmou Damasceno.

A vice-procuradora-geral da República Lindôra Araújo defendeu ao Supremo Tribunal Federal a rejeição de pedido para incluir a deputada Carla Zambelli (PL-SP) e o pastor Silas Malafaia como investigados no inquérito das milícias digitais. A solicitação partiu da bancada do PSOL na Câmara, que viu 'intentona antidemocrática' dos aliados do presidente Jair Bolsonaro em vídeos em que 'convocam' as Forças Armadas a não reconhecerem a vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas e a promoverem 'intervenção'.

Braço-direto do procurador-geral da República Augusto Aras, Lindôra argumentou que as imputações feitas pelos parlamentares da oposição contra os bolsonaristas 'não veiculam elementos concretos e reais de inserção em uma organização criminosa que atenta contra a Democracia e o Estado de Direito' e assim não devem ser apuradas no inquérito das milícias digitais.

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Os parlamentares do PSOL pediam investigação sobre o vídeo em que Zambelli questiona se os generais das Forças Armadas 'vão querer prestar continência a um bandido' no dia 1º de janeiro, data da posse do presidente eleito. "Dia 1º de janeiro, senhores generais quatro estrelas, vão querer prestar continência a um bandido ou à nação brasileira? Não é hora de responder com carta se dizendo apartidário. É hora de se posicionar. De que lado da história vocês vão ficar?", afirma.

Com relação a Malafaia, os parlamentares do PSOL impugnaram gravação que cobra uma reação do presidente Jair Bolsonaro (PL) contra decisões de Alexandre. "Senhor presidente Jair Messias Bolsonaro, o senhor é o presidente em exercício, o senhor tem poder de convocar as Forças Armadas para colocar ordem na bagunça que esse ditador fez", disse, em referência a Alexandre. "Presidente Bolsonaro, como o senhor vai passar para a história? Omisso? Covarde? Ou como alguém que usa o seu poder legal", completou.

Ao Supremo, a bancada do PSOL na Câmara sustentou que as "intenções de ruptura democrática" são "nítidas" e que as manifestações extrapolam a liberdade de expressão.

No parecer enviado à Corte máxima na quarta-feira, 7, a vice-PGR sustentou que já há um procedimento em tramite na Corte que trata do vídeo em que Zambelli incitou generais a não reconhecerem o governo de Lula. A petição é sigilosa e foi autuada no STF no dia 11 de novembro.

Lindôra ainda argumentou que é 'inadmissível a intervenção parlamentar' no inquérito. "Portanto, dada a ausência de legitimidade processual dos parlamentares peticionantes, a falta de conexão das notícias-crimes com o objeto da presente apuração e, no caso das autoridades com prerrogativa de foro, a existência de outros procedimentos acerca dos mesmos fatos relatados, cumpre seja negado seguimento às petições incidentais, com o consequente desentranhamento dos autos", argumentou.

O pedido de arquivamento feito pela vice-PGR também abarca um pedido do deputado Marcelo Calero para que fosse aberta investigação em face do ministro do Tribunal de Contas da União João Augusto Ribeiro Nardes em razão de áudio atribuído ao magistrado com 'declarações incompatíveis com o Estado Democrático de Direito'.

Assim como no caso de Zambelli, Lindôra sustentou que já há uma petição em tramite no Supremo que versa sobre os mesmos fatos. O pedido de investigação em questão partiu do senador Randolfe Rodrigues e foi apresentado no bojo do inquérito das milícias digital. A Procuradoria-Geral da República pediu a redistribuição do caso ao ministro André Mendonça, sob a alegação de que não há 'elementos concretos de conexão' para que a solicitação fosse apresentada no âmbito da apuração sobre ataques aos ministros do STF.

O ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, determinou a reativação de contas de mais três deputados bolsonaristas que divulgaram 'mensagens atentatórias à Justiça Eleitoral e ao Estado Democrático de Direito'. A decisão assinada nesta quinta-feira, 8, atinge os perfis de Coronel Tadeu, José Antonio dos Santos Medeiros e Cabo Gilberto. Antes, o magistrado já havia liberado as contas dos parlamentares Major Vitor Hugo e Marcel Van Hattem e dos deputados eleitos Nikolas Ferreira e Gustavo Gayer.

As ordens de desbloqueio das contas foram publicadas no mural do Tribunal Superior Eleitoral desta quinta-feira, 8. Caso os parlamentares voltem a publicado conteúdos já derrubados pela Corte ou postarem outras 'mensagens atentatórias à Justiça Eleitoral e ao Estado Democrático de Direito' terão de arcar com multa de R$ 20 mil. O valor poderá, inclusive, ser descontado diretamente dos salários pagos pela Câmara.

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Também foi divulgado nesta quinta-feira, 8, despacho em que Alexandre determina ao Youtube e ao Instagram a remoção imediata de publicações que divulgaram vídeo da deputada bolsonarista Carla Zambelli contra a 'integridade e a normalidade do processo eleitoral'. No documento, o ministro diz que o perfil do marido da parlamentar Coronel Aginaldo, tem sido usado para 'postagens da deputada em descumprimento a decisão judicial' - o perfil de Zambelli está suspenso por ordem do TSE.

Na segunda-feira, 5, o TSE publicou despacho em que Alexandre de Moraes negou o pedido da deputada para reativar suas redes sociais. Na ocasião, o magistrado retirou o sigilo do procedimento que tramita contra a deputada no TSE. Foi no bojo da mesma petição que o presidente da Corte eleitoral derrubou vídeos gravados pela deputada e divulgados em outros perfis nas redes sociais.

No novo despacho, o ministro destacou que a 'a divulgação, consciente e deliberada de informações falsas sobre a atuação da Justiça Eleitoral ou das autoridades ou servidores que a compõem, atribuindo-lhes, direta ou indiretamente, comportamento fraudulento ou ilícito, implica na promoção de desordem informativa que prejudica, substancialmente, a realização de seus correspondentes encargos institucionais'.

"É evidente que a manifestação pública detectada possui potencial para tumultuar o processo eleitoral, na medida em que, implicitamente, incentiva comportamentos ilegais e beligerantes, atraindo, como consequência, a possibilidade de altercações ou episódios potencialmente violentos", ressaltou.

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva vai se reunir pela primeira vez nesta sexta-feira, dia 9, com os próximos comandantes-gerais das Forças Armadas. Lula disse que deseja discutir "o futuro do País" com os oficiais-generais apontados por ele, em conversas com o futuro ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, um dos antecipados.

Ao apresentar Múcio, Lula não citou os nomes dos próximos comandantes. Disse apenas que Múcio é um "grande companheiro, meu ministro" e que já conversou antes com a nova cúpula militar brasileira. Os nomes confirmados por Múcio ao Estadão são o general Julio Cesar de Arruda (Exército), o almirante Marcos Olsen (Marinha) e o brigadeiro Marcelo Damasceno (Aeronáutica).

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Lula disse que nos oito anos em que foi presidente manteve boa relação com as Forças Armadas. Ele afirmou que caberá a Múcio formalizar os nomes do comandantes e destacou que não admitirá politização do meio militar. Segundo Lula, não é papel das Forças Armadas tratar de política. "Fui presidente oito anos e tive relação com as Forças Armadas extraordinária. Nunca o Exército, a Marinha e Aeronáutica tiveram tanta ajuda de um governo como do meu", disse. Mas avisou: "As Forças Armadas têm um papel constitucional de defender os brasileiros de possíveis inimigos externos. Elas não foram feitas para fazer política, para ter candidato".

Lula viveu um impasse na relação sensível com as Forças Armadas e não conseguiu nem sequer formar um grupo de trabalho para realizar um diagnóstico do Ministério da Defesa na transição. A escolha dos comandantes visa pacificar a relação e dar início à passagem de comando de forma antecipada, já que os chefes militares nomeados por Bolsonaro indicaram desejo de deixar o cargo antes da posse.

O filho mais velho de Jair Bolsonaro (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL), assumiu que a intenção de um golpe militar no Brasil "nunca foi cogitada". A declaração foi feita ao Metrópoles depois do presidente chorar diante de generais em um evento das Forças Armadas.

O senador indicou que o atual governo não vai dificultar a posse de Lula (PT) como presidente eleito. Porém, já em janeiro, vai insistir na aprovação do voto impresso dentro do Congresso.

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"Nunca houve essa conversa de golpe. Um golpe nunca foi cogitado. Muitos em Brasília estavam tentando se proteger de algo que nunca existiu. Bolsonaro sempre agiu e agirá dentro da Constituição Federal", afirmou o senador.

Desde a derrota nas urnas, eleitores de Jair Bolsonaro se concentram em rodovias e em frente de quartéis em protesto contra o resultado das eleições. A ala mais radical de manifestantes incita as Forças Armadas a assumir o Executivo e pede o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF), bem como a destituição de seus ministros. 

Em retomada das agendas oficiais após a derrota no segundo turno das eleições, o presidente Jair Bolsonaro (PL) chorou nesta segunda-feira, 5, na tradicional cerimônia de cumprimento de oficiais-generais das Forças Armadas.

O chefe do Executivo se emocionou em mais de uma ocasião e enxugou lágrimas enquanto recebia as saudações de participantes do evento. Acompanhado da primeira-dama Michelle Bolsonaro, o presidente se mostrou especialmente comovido ao receber abraços de esposas dos oficiais-generais que se dirigiram a ele chorando.

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O evento ocorreu nesta manhã no Clube Naval, em Brasília, onde, além de cumprimentar os generais, Bolsonaro participou de almoço com oficiais promovidos. Também estiveram presentes os ministros militares Paulo Sérgio Nogueira (Defesa), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria-Geral da Presidência), além do ex-candidato a vice e ex-ministro Walter Braga Netto e os comandantes Freire Gomes (Exército), Baptista Júnior (Aeronáutica) e Almir Garnier (Marinha).

Antes da cerimônia, o presidente se reuniu no Palácio do Planalto com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP), segundo agenda oficial.

Bolsonaro tem escolhido eventos militares para sair, de forma tímida, do processo de reclusão a que se impôs após perder a disputa eleitoral para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na última quinta, 1º, ele participou da cerimônia de promoção de oficiais-generais do Exército.

Em 26 de outubro, o chefe do Executivo compareceu a um evento na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), no Rio de Janeiro. Foi a primeira agenda fora de Brasília após a debacle nas urnas. Aos poucos, ele também retoma a rotina de reuniões no Palácio da Alvorada e no Planalto.

Apesar da saída do isolamento, Bolsonaro mantém o regime de silêncio adotado após a derrota. Assim como nos dois eventos militares anteriores, ele não discursou nesta segunda. Desde o resultado do segundo turno, o presidente se pronunciou apenas em duas ocasiões: em 1º de novembro, quando fez uma fala à imprensa em que não reconheceu a derrota para Lula e no dia seguinte, em um vídeo no qual pediu que apoiadores desbloqueassem estradas federais.

O presidente também diminuiu a ostensiva presença nas redes sociais, onde vem se limitando a publicar fotos em agendas oficiais anteriores e divulgar realizações da gestão. Ele abandonou até as lives tradicionais feitas às quintas-feiras.

O silêncio de Bolsonaro ocorre a contragosto de aliados, que insistem para que o presidente se dirija a apoiadores contrariados com a vitória de Lula que permanecem nas ruas em protestos golpistas por intervenção militar e o fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Aliados desejam que Bolsonaro se transforme em um líder de oposição de extrema-direita, mas questionam sua real disponibilidade diante da paralisia atual do chefe do Executivo.

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