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Mesmo com o alto índice de pacientes portadores de coronavírus e a sem restrição para visitar locais sagrados, iranianos demonstram a fé lambendo símbolos religiosos e portões de mesquitas. O Irã já registrou, pelo menos, 92 mortes decorrentes da epidemia e parte do parlamento contraiu o vírus. Ainda assim, os radicais xiitas garantem que não temem o contágio.

A maior parte da população iraniana segue a crença islâmica e, os vídeos que circulam nas redes sociais, mostram fiéis reafirmando a religião dentro de mesquitas. "Parem de brincar com a fé das pessoas. O coronavírus não é nada nas mesquitas xiitas", declara um dos crentes. Segundo a jornalista independente Masih Alinejad, crianças estariam sendo forçadas a beijar e lamber os símbolos.

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Na semana passada, o representante do aiatolá Ali Khamenei - o mais alto posto religioso do islamismo xiita - pediu que os fiéis não deixem de visitar os locais sagrados. "Mesquitas são locais de cura", declarou o clérigo Mohammad Saeedi.

Em contrapartida, a tensão causada pelo covid-19 fez com que líderes religiosos sauditas impusessem limites de acesso à Meca. A cidade é tida como o local mais sagrado do islã, pois seria a terra natal do profeta Maomé.

Confira

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Representantes das três religiões monoteístas - cristianismo, judaísmo e islamismo - assinaram e entregaram ao papa Francisco um documento no qual se pronunciam contra a eutanásia e a morte assistida, consideradas "moral e intrinsecamente incorretas".

Estas práticas devem ser "proibidas sem exceção" e "qualquer pressão ou ação sobre os pacientes para incitá-los a terminar com suas próprias vidas é categoricamente rejeitada", afirma o documento.

Os representantes das "religiões abraâmicas", o rabino David Rosen, diretor de Assuntos Religiosos do Comitê Judaico Americano; o bispo Vincenzo Paglia, presidente da Academia Pontifícia para Vida; o representante Metropolitano (ortodoxo) de Kiev, Hilarion; e o presidente do Comitê Central da Muhammadiyah de Indonésia (Associação Sociocultural Muçulmana), Samsul Anwar, assinaram o texto em um evento solene no Vaticano.

A ideia da declaração foi proposta ao papa pelo rabino Avraham Steinberg, copresidente do Conselho Nacional de Bioética de Israel.

O documento também autoriza a objeção de consciência para profissionais da área da saúde em todos os hospitais e clínicas.

"Nenhum operador de saúde deve ser coagido ou pressionado para ajudar direta ou indiretamente a morte deliberada e intencional de um paciente por morte assistida ou qualquer forma de eutanásia", afirma o texto.

Este direito deve ser "universalmente respeitado", mesmo "quando tais atos tenham sido declarados legais a nível local ou para determinadas categorias de pessoas".

Na Itália, o Tribunal Constitucional descriminalizou recentemente a morte assistida, que pode ser considerada legal no caso de cumprimento de uma série de condições.

O documento pede "uma presença qualificada e profissional para os cuidados paliativos, em todas as partes e acessível a todos".

"Mesmo quando é difícil suportar a morte, estamos comprometidos moral e religiosamente a proporcionar consolo, alívio da dor, proximidade e assistência espiritual à pessoa que está morrendo e a sua família", afirmam os signatários.

Sob o princípio de que "a vida merece ser respeitada até seu fim natural", as três religiões prometem "apoiar as leis e políticas públicas que defendem os direitos e a dignidade dos pacientes com doenças terminais para evitar a eutanásia e promover cuidados paliativos".

Também se comprometem a proporcionar o "máximo de informações e ajuda aos que enfrentam enfermidades graves e a morte".

As três religiões desejam "sensibilizar a opinião pública sobre os cuidados paliativos com uma capacitação adequada e a implementação de recursos para o tratamento do sofrimento e da morte", completa o texto.

Um dos assuntos que nunca deixa de ser atual é o Islamismo. A religião, oriunda de países mulçumanos, vai muito além da tradição e da religiosidade. Envolve povos, culturas e também conflitos sociais. 

Inclusive, temas ligados ao Islã, bem como o Islamismo, já foram abordadas em edições passadas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). E é por esse motivo que é importante conhecer o mundo que é o Islamismo, ainda que seja tão distante da realidade brasileira.

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Atualidades compõem o caderno de Ciências Humanas e suas Tecnologias do Enem. Por isso, o professor de geografia e atualidades Benedito Serafim elencou perguntas sobre Islamismo para um quiz . Teste os seus conhecimentos:

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Entrou em vigor na Dinamarca a partir de hoje uma lei que proíbe as mulheres muçulmanas de usarem o nicabe e a burca, vestimentas que cobrem o rosto. A lei poderá se estender ainda para o hijab, véu que cobre apenas o cabelo e o pescoço, e a multa pelo descumprimento pode chegar a mil euros. Porém, as muçulmanas que vivem em Copenhague organizam uma manifestação pacífica em defesa do direito de usar os trajes do Islã e a favor da liberdade religiosa.

A lei aprovada pelo Parlamento da Dinamarca, por 70 votos a 30, pretende garantir que mulheres adultas ou jovens não sejam obrigadas a cobrir os rostos. Os defensores da legislação afirmam que a proibição assegura a integração dos imigrantes que buscam asilo no país dinamarquês.

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A antropóloga e especialista em estudos do Islã, Francirosy Campos Barbosa, discorda dos defensores da lei e afirma que existe um processo de alijamento dos muçulmanos, fortalecendo a islamofobia e o banimento dos seguidores do Islã. “É uma lei totalmente arbitrária e que atinge diretamente as mulheres, pois muitas usam o véu desde os 10, 12 anos. Adultas, sem o uso do nicabe, não se sentem à vontade”, explica.

Para a estudiosa do tema, o protesto organizado pelo grupo Kvinder I Dialog (Mulheres em Diálogo), na Dinamarca, é uma advertência sobre o respeito e a preservação dos direitos das mulheres. “Temos muito o que avançar quando se trata de direitos das mulheres, mas isso não é a particularidade de uma cultura ou religião, isto tem que ser uma mudança mundial, mas que deve partir, sobretudo, das mulheres”, analisa. “Nossa luta é para que cada uma encontre sua maneira de ser respeitada dentro do seu universo, dentro da sua religião, respeitando a sua identidade, a noção de pessoa e não necessariamente tem que ser moldada pelas ou pelos ocidentais”.

 

PARA SEXTA

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A religião é um tema que tem grande importância e influência na cultura e na organização de todos os povos ao longo da história mundial. O Cristianismo, adotado por mais de uma religião com diversas igrejas espalhadas pelo mundo, tem muita influência no pensamento social, leis, costumes de alimentação, calendário e muitos outros aspectos tanto no mundo ocidental quanto no oriente médio, por exemplo. 

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) aborda questões de maneira interdisciplinar, usando textos que relacionam vários temas para que os estudantes demonstrem conhecimento de mundo de forma ampla. A prova de ciências humanas trata de temas de História, Sociologia, Geografia e Atualidades de forma integrada a questões que permeiam a vida cotidiana dos estudantes, além de avaliar seus conhecimentos sobre o que acontece no restante do mundo.

Assim, a influência do Cristianismo não deixaria de aparecer na prova, quer seja de forma direta ou indireta, através da contextualização dos temas. O LeiaJá entrevistou o professor Wilson Santos, que dá aulas de História, para explicar de que maneira o Cristianismo cai no Enem e de que maneira os feras podem se preparar para, no dia da prova, ter segurança de responder às questões sem dificuldades.

Processos Históricos 

O professor Wilson explica que o Enem costuma abordar de que maneira determinados processos históricos afetam a vida cotidiana na atualidade. Ele explica que o fato de a população brasileira ser majoritariamente católica e que “isso advém do processo de colonização, ou seja, do nosso passado, um passado que ainda se faz presente”, contou o professor. 

Outro ponto que ele aponta como uma abordagem possível e que já apareceu, por exemplo, como tema de redação, é a intolerância, muito comumente associada às religiões. Para o professor, temas como conflitos religiosos, submissão da mulher, debates sobre temas como o aborto na política e perseguição a pessoas que professam religiões não-cristãs também podem ser tocados pela prova. 

Ainda nesse contexto, questões sobre Antiguidade tocam diretamente o Cristianismo ao cobrar conhecimentos sobre o Império Romano, sua influência na região onde Jesus viveu, além da perseguição, tortura e humilhação dos cristãos na Roma Antiga.

A história do povo judeu também merece uma atenção especial dos feras. O período de escravidão no Egito, a libertação e a falta de território próprio são temas importantes. Além disso, o período da Segunda Guerra Mundial e a perseguição do regime Nazista de Adolf Hitler, com suas ideias de pureza racial, massacraram os judeus no holocausto e também sempre aparece no Enem.  

Geopolítica

O Oriente Médio e os conflitos que o permeiam sempre são assuntos abordados pelo Enem. O professor explica que o fato de essa parte do mundo ser o berço de três religiões com grande número de fieis (Judaísmo, Islamismo e o Cristianismo), sendo considerada sagrada por muitos povos que vivem em uma disputa por território, além de ser rica em petróleo, colocam as questões ligadas à guerra na Síria e ao conflito entre Israel e Palestina na nossa lista. 

Cultura 

A influência cristã também é muito perceptível em vários costumes e características do povo brasileiro e também de outras nacionalidades. A arquitetura das igrejas e mosteiros, a arte sacra, a literatura e construções do período colonial são exemplos de influências visíveis e que podem aparecer nas questões de ciências humanas e também de linguagem. 

O calendário, a gastronomia e as festividades brasileiras também são muito marcados por costumes que têm sua origem no cristianismo. O professor Wilson destaca como exemplos a Páscoa, o Carnaval, as festas juninas, padroeiras e padroeiros das cidades. 

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O YouTube removeu milhares de vídeos do clérigo radical americano de origem iemenita Anwar al-Awlaki, em um passo significante para a campanha anti-extremismo do serviço que pertence ao Google. Segundo o jornal britânico The Guardian, esta é a primeira vez que o site tomou uma ação concentrada contra uma pessoa em particular.

O extremista foi morto em 2011 por um ataque de avião não-tripulado da CIA no Iêmen, deixando para trás uma biblioteca substancial de sermões, palestras e ensaios no YouTube. Seus discursos mais radicais incentivam explicitamente a violência contra os norte-americanos.

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A política anti-extremista do site, porém, proíbe explicitamente os vídeos que incitam o terrorismo ou a violência. Mas as regras não abrangem o que fazer no caso de o trabalho de uma pessoa que infringe a norma ser enviado ao serviço por outras pessoas.

Agora, o Google decidiu que todo o trabalho de Awlaki representa uma exceção à regra. De acordo com o jornal americano The New York Times, uma busca por Awlaki em 2016 exibiu cerca de 70 mil vídeos. A mesma pesquisa atualmente mostra menos de 20 mil, a grande maioria dos quais são sobre Awlaki, em vez de ser ele próprio falando.

O Parlamento da província canadense de Quebec aprovou nesta quarta-feira uma lei polêmica que proíbe ter o rosto coberto para oferecer ou receber serviços públicos, uma medida que se enfileira contra o uso do véu integral, como a burca, na administração pública.

A lei sobre "a neutralidade religiosa do estado quebequense" concerne tanto aos funcionários dos governos provinciais e municipais como aos cidadãos que solicitam os seus serviços.

Toda pessoa que entre em um escritório do governo, embarque em um ônibus ou vá a uma escola ou hospital deverá ser facilmente reconhecida e ter o rosto livre de todo acessório de vestimenta, assinala o texto.

A lei 62 aponta a importância de "ter o rosto descoberto durante a tramitação de serviços públicos para garantir a qualidade da comunicação entre as pessoas, permitir a verificação de sua identidade e por razões de segurança".

Mas também prevê a possibilidade de que os cidadãos solicitem adaptações "razoáveis", que serão avaliadas caso a caso. Paradoxalmente, a lei não proíbe aos funcionários portar símbolos religiosos.

A aprovação da lei, sem o apoio dos três partidos opositores ao governo liberal de Philippe Couillard, chega depois de uma década de polêmicas sobre as relações entre o estado quebequense e algumas minorias.

O tema é sensível no Canadá, e particularmente em Quebec, onde a população deu as costas ao Catolicismo nos anos 1960, mas que movimentos de extrema direita surgiram recentemente em protestos contra as comunidades imigrantes.

O prefeito de Montreal, Denis Coderre, considerando que sua cidade será especialmente afetada pela medida, denunciou uma lei "inaceitável" e de difícil aplicação no dia a dia, segundo ele.

O nacionalista Alternativa para a Alemanha (AfD) fez ataques ao islamismo, afirmando que a religião é incompatível com a democracia, no momento em que a campanha eleitoral se encaminha para a reta final.

O vice-líder do AfD, Alexander Gauland, disse a repórteres nesta segunda-feira que, na opinião do partido, o "islamismo é também uma doutrina política" e, como tal, é "incompatível com uma ordem democrática livre". Para ele, "a este respeito, não faz parte da Alemanha".

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Gauland, cujo partido está no bom caminho para entrar no Parlamento pela primeira vez nas eleições nacionais de domingo, com apoio de cerca de 10% em pesquisas recentes, disse que deseja evitar a "islamização da Alemanha". Fonte: Associated Press.

O Uzbequistão, de onde é proveniente o homem detido após o atentado com um caminhão em Estocolmo, acompanhou o nascimento nos anos 1990 de um movimento islamita radical que persiste até hoje, com vários uzbeques envolvidos em ataques em todo o mundo.

De acordo com as autoridades suecas, o principal suspeito do atentado que matou quatro pessoas no centro de Estocolmo na sexta-feira é um uzbeque de 39 anos, já conhecido dos serviços de inteligência.

Ex-república soviética, laica e de maioria muçulmana, o Uzbequistão foi dirigido com mão-de-ferro pelo autoritário Islam Karimov de 1989 até sua morte, em setembro passado. Foi seu outrora primeiro-ministro, Chavkat Mirzioiev, quem assumiu as rédeas do país após a morte de seu antecessor.

O Movimento Islâmico do Uzbequistão (MIU) foi criado no Uzbequistão em 1991, ano da independência. Surgiu no leste do país, no Vale do Fergana, que também inclui uma parte dos territórios do Quirguistão e Tadjiquistão.

Entre 1992 e 1997, o MIU foi acusado de estar por trás de uma série de assassinatos lançados nesta área. A organização tentou introduzir a lei islâmica e inclusive lançou uma ofensiva na década de 2000 no sul do Uzbequistão.

Após a forte repressão lançada por Karimov a partir de 1998, o MIU se aliou aos talibãs no Afeganistão e em 2015 jurou lealdade ao grupo extremista Estado Islâmico (EI).

Vários combatentes do MIU também chegaram muito alto no quadro da organização Al-Qaeda.

Em junho de 2014, a organização lançou um ataque contra o aeroporto de Karachi, que deixou 37 mortos.

- Combatentes no exterior -

Os islamitas uzbeques foram notícia principalmente por suas ações no exterior. Assim como outros países da Ásia Central, como Quirguistão, Tadjiquistão, Turcomenistão e Cazaquistão, as sombrias perspectivas econômicas e a corrupção levaram muitos jovens a emigrar, especialmente para a Rússia.

Alguns deles tentaram se unir a grupos radicais. Segundo a consultoria International Crisis Group, entre 2.000 e 4.000 nacionais destes países se uniram ao grupo EI na Síria.

O maior contingente é composto por uzbeques ou pessoas de origem uzbeque que viviam em outros países. No entanto, o país nunca publicou estatísticas a respeito.

Vários desses indivíduos se tornaram conhecidos nos últimos meses. Abdulgadir Masharipov, suposto autor do ataque que deixou 39 mortos no dia 31 de dezembro em uma boate em Istambul, é uzbeque.

E Akbarjon Djalilov, suposto autor do ataque no metrô em São Petersburgo que deixou 14 mortos, havia nascido no Quirguistão, mas era de um grupo étnico uzbeque.

Embora a motivação de Djalilov permaneça incerta, a polícia russa indicou que segue a pista do EI, apesar de a organização não ter reivindicado o ataque.

A apenas três semanas do primeiro turno das eleições presidenciais francesas, a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, está trabalhando para ganhar eleitores, utilizando um discurso anti-islâmico.

Neste domingo (2), Le Pen fez um comício em Bordeaux, no sudoeste francês, e se dirigiu a mulheres ao prometer que irá "combater intransigentemente o fundamentalismo islâmico que busca impor suas regras opressivas em nosso país". Ela também criticou os véus usados por algumas mulheres muçulmanas, dizendo que "as minas na França devem ser capazes de se vestir como quiserem" e "não devem ser forçadas a se cobrirem com roupas de outra idade".

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Segundo a maioria das pesquisas de intenção de voto, Le Pen lidera a corrida eleitoral no primeiro turno, que ocorre em 23 de abril. No entanto, a candidata perde para o centrista Emmanuel Macron nas simulações de segundo turno. Fonte: Associated Press.

O roqueiro britânico Rod Steward não agradou os seus seguidores ao aparecer em um vídeo, no qual fingia decapitar um homem.  Na postagem, o artista apareceu acompanhado da esposa Penny Lancaster e de amigos. O vídeo, que foi postado na conta do Instagram de Penny, foi logo apagado depois da repercussão negativa.

No vídeo que tem, aproximadamente, 31 segundos, Rod está em frente a um homem, que se ajoelha e ao mesmo tempo, o artista finge decapitá-lo. As imagens foram capturadas no meio de dunas, em Abu Dhabi - capital dos Emirados Árabes. Os internautas ao verem a ‘produção’ se sentiram ofendidas e compararam o vídeo aos gravados durante decapitação do ISIS que foram compartilhados on-line.

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Em entrevista ao The Sun, ele declarou: "Compreensivelmente, isto foi mal interpretado e eu envio minhas mais profundas desculpas para aqueles que foram ofendidos". O vídeo ainda pode ser visto em uma conta do You Tube. 

 

A justiça francesa suspendeu nesta quinta-feira a proibição do uso de burkini nas praias de Nice, afirmando que a comoção causada pelo atentado de 14 de julho na cidade da Côte d'Azur não justifica a medida.

Depois de duas semanas de intensa polêmica, a mais alta instância administrativa francesa, o Conselho de Estado, considerou na semana passada que estes trajes de banho muçulmanos não provocam distúrbios de ordem pública e que, por isso, não deviam ser proibidos.

Apesar desta decisão, várias cidades do litoral mediterrâneo, entre elas Nice, Cannes e Fréjus (sudeste), decidiram manter seus decretos promulgados durante o verão (europeu) para desterrar o burkini, considerados provocativos e proselitistas. Mas, por lógica da aplicação da lei, os decretos foram suspensos um atrás do outro.

Cerca de trinta cidades do litoral francês proibiram o traje de banho integral depois do ataque em Nice, que deixou 86 mortos atropelados por um caminhão com um extremista ao volante.

Diante da polêmica pelo burquíni na França, mulheres muçulmanas que adotam esse traje de banho de corpo inteiro oscilam entre a incompreensão com o absurdo debate e a fúria por serem - mais uma vez - estigmatizadas e dizem usá-lo como "mulheres livres".

Wendy, de 22 anos, é estudante de Direito em Lille (norte). Muçulmana convertida, usa o véu há três anos. No verão passado, fez um burquíni com malha, saia de tênis e uma camiseta. Neste verão, comprou seu primeiro burquíni em um especializado. "Uso o véu normal, não escondo meu rosto", diz a estudante.

"Não vejo por que devo colocar um biquíni quando estou de férias, não é coerente", disse essa jovem por telefone à AFP do Chipre, onde passa suas férias. Para Wendy, o burquíni é simplesmente "prático". "Não sou a favor de ir para a água vestida. Estragaria minha roupa", comentou, rindo. "Quero me banhar tranquilamente", acrescenta, denunciando uma polêmica "ridícula" em torno do burquíni.

Depois dos atentados extremistas que inflamaram o debate sobre o Islã na França, uma nova polêmica surgiu sobre esse traje que cobre o corpo da mulher da cabeça aos tornozelos. Em agosto, vários municípios da costa mediterrânea decretaram a proibição de usar burquíni nas praias.

Na quinta-feira (25), o Conselho de Estado francês, a mais alta jurisdição administrativa do país, examinará uma ação apresentada pela Liga de Direitos Humanos (LDH) contra os polêmicos decretos antiburquíni, segundo um comunicado publicado hoje (23). Último recurso em matéria de justiça administrativa, o Conselho de Estado deve estabelecer a jurisprudência para o caso.

Na França, que conta com 5 milhões de muçulmanos, os burquínis são pouco usados. Uma minoria vai à praia coberta.

'Barulho por nada'

Lamia, companheira de estudos de Wendy, cresceu em Dunkerque (norte), perto do mar. Ela lembra de sua mãe de saia preta na praia, quando era pequena. "Sua roupa ficava molhada, e a areia grudava nela. O burquíni facilita a vida das muçulmanas que sempre se banharam vestidas", completou. Este ano, Lamia viajou de férias para Nice e Cannes (sul), onde se banhou de burquíni dias antes dos decretos de proibição.

"Eu era quase a única que usava. Vi dois, ou três, talvez. Ninguém se importava", afirma, acrescentando que as reações se limitavam a um olhar de "surpresa". Assim como Wendy, Lamia está furiosa com a controvérsia - segundo ela "oportunista" -, que "cria barulho por nada". Lamia considera "absurdo" ver no burquíni um sinal de radicalização.

"Para os fundamentalistas, os extremistas, a praia é para os infiéis. Elas não vão se banhar cercadas de mulheres com os seios de fora em Cannes", completa. Quem usa burquíni, defendeu, são "mulheres livres de suas decisões" que apenas "desejam desfrutar das férias", acrescenta. A jovem sugere que o nome deveria ser modificado, já que "tem uma conotação pejorativa por causa da burca", a veste que cobre totalmente o corpo da mulher.

Tatiana, vendedora em uma loja de moda islâmica em Paris, também desaprova o nome dessa roupa, da qual vende vários modelos coloridos há anos. Entre suas clientes, ela diz ter "muitas mães que querem brincar na água com os filhos". "Vende-se regularmente, sobretudo, antes das férias", completa.

Além do burquíni, Tatiana e sua colega Sukayna relatam que, nas ruas, as agressões verbais sobre suas roupas crescem. "Nós não criticamos a forma como os outros se vestem. É triste. Dizem para nós que esse não é nosso lugar", lamenta Tatiana.

Vinte mesquitas e salas de oração consideradas radicais foram fechadas desde dezembro na França e "mais serão", assim como as expulsões de pregadores extremistas, declarou nesta segunda-feira o ministro do Interior francês.

"Não há espaço na França para aqueles que nas salas de orações ou nas mesquitas convocam e provocam o ódio e não respeitam um certo número de princípios republicanos. Penso especialmente na igualdade entre homens e mulheres", disse o ministro Bernard Cazeneuve à imprensa depois de se reunir com o presidente e o secretário do Conselho Francês de Culto Muçulmano, Anouar Kbibech e Abdullah Zekri.

"Esta é a razão pela qual decidi há vários meses, tanto no âmbito do estado de emergência quanto mobilizando todos os meios de direito comum e com as medidas administrativas disponíveis, fechar mesquitas. Até agora cerca de 20 foram fechadas e irão ocorrer mais (fechamentos), dadas as informações que temos", advertiu.

Na França há 2.500 mesquitas e salas de oração, 120 das quais são consideradas difusoras de uma ideologia fundamentalista salafista. Cazeneuve informou que desde 2012 80 pessoas foram expulsas da França e que outras dezenas de expulsões estão em andamento, sem fornecer mais detalhes.

A reunião desta segunda-feira entre o ministro e os líderes do CFCM deveria discutir a organização e o financiamento do Islã nas fileiras muçulmanas, após os ataques de 14 de julho em Nice e de 26 de julho em uma igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray (Normandia).

Cazeneuve confirmou a refundação iminente do Islã na França, com uma melhora da "transparência no financiamento" das mesquitas, "no respeito rigoroso dos princípios de laicidade".

"Existe um trabalho técnico que é difícil, sobre o qual temos que trabalhar de forma extremamente metódica, e que me levará a fazer propostas complementares ao primeiro-ministro durante o verão, de forma que possamos propor um dispositivo globalmente coerente no mês de outubro", anunciou.

Nem todas as pessoas comemoram o Natal no dia 25 de dezembro. Algumas culturas, nem sequer comemoram o Natal, como referência ao nascimento de Jesus Cristo (ou Jesus de Nazaré).

Natal é um feriado e festival religioso cristão originalmente destinado a celebrar o nascimento anual do Deus Sol no solstício de inverno e adaptado pela Igreja Católica, no terceiro século d.C., pelo imperador Constantino para comemorar o nascimento de Jesus de Nazaré.

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Porém, nem todas as culturas absorveram a tradição de celebrar o dia 25 de dezembro, seja como uma homenagem ao nascimento de Jesus, ou, pela adoração da passagem do sol ao redor da Terra.

Islamismo

Ao contrário das religiões cristãs - para as quais Jesus é o Messias, o enviado de Deus - o islamismo dá maior relevância aos ensinamentos de Mohamad, profeta posterior a Jesus (que teria vivido entre os anos 570 e 632 d.C.), pois este teria vindo ao mundo completar a mensagem de Jesus e dos demais profetas.

Em relação à celebração do Natal, os muçulmanos mantêm uma relação de respeito, apesar de a data não ser considerada sagrado para o seu credo.

Para os muçulmanos, existem apenas duas festas religiosas: o Eid El Fitr, que é a comemoração após o término do mês de jejum (Ramadan) e o Eid Al Adha, onde comemoram a obediência do Profeta Abraão a Deus.

Judaísmo

Os judeus não comemorem o Natal e o Ano Novo na mesma época que a grande maioria dos povos, mas para eles, o mês de dezembro também é de festa. Apesar de acreditarem que Jesus existiu, os judeus não mantêm uma relação de divindade com ele.

Na noite do mesmo dia 24 de dezembro os judeus comemoram o Hanukah, que do hebraico significa festa das luzes. Esta data marca a vitória do povo judeus sobre os gregos conquistada, há dois mil anos, em uma batalha pela liberdade de poder seguir sua religião.

Apesar de não ser tão famosa no Brasil, a festa de Hanukah, que, tradicionalmente, dura 8 dias, em outros países é tão "pop" como o Natal. Em Nova Iorque, por exemplo, as lojas que vendem enfeites de Natal também vendem o menorah (candelabro de 8 velas considerado o símbolo da festividade judaica). "Para cada um dos 8 dias acendemos uma vela até que o candelabro todo esteja aceso no último dia de festa", explica o rabino.

O peru e bacalhau típicos do Natal católico são substituídos por panquecas de batata e bolinhos fritos em azeite. E em vez de desembrulharem presentes à meia-noite, as crianças recebem habitualmente dinheiro.

Budismo

Não há envolvimento do budista com a característica particular da comemoração do Natal do mundo ocidental, ou seja, da comemoração do nascimento de Jesus Cristo. Mas, os budistas admiraram as qualidades daqueles que lutam pela humanidade e, por isso, respeitam a tradição já estabelecida, respeitando a figura de Jesus Cristo, que para eles é considerado um “Bodhisattva” – um santo ou aquele que ama a humanidade a ponto de se sacrificar por ela. Para os budistas ocidentais, o dia 25 de Dezembro tem um cunho não cristão, mas sim, espiritual.

Protestantismo

Embora seja uma religião cristã, é subdividida em diversas “visões” da Bíblia. Algumas comemoram o Natal como os católicos, outros buscam na Bíblia e no histórico religioso, cuja data de nascimento de Cristo é discutida, um fundamento para não comemorar a data tal como é comemorada no catolicismo. É o caso das testemunhas de Jeová, por exemplo. Já a Assembleia de Deus e a Presbiteriana comemoram o Natal com o simbolismo da presença de Cristo entre os homens, onde a finalidade é levar a uma instância reflexiva a respeito de Cristo. Festejar condignamente o Natal é uma bênção e inspiração para todos quantos nasceram do Espírito ao tornarem-se filhos de Deus pela fé em Cristo, para os evangélicos.

Afro-Brasileiras (Candomblé e Umbanda)

Yemanjá, Yansã e Oxum são entidades comemoradas ao longo do ano nas religiões afro-brasileiras, que têm no mês de dezembro um simbolismo todo especial. Mas para os umbandistas a comemoração do natal cristão é algo mais natural, porque a maioria dos seus seguidores e médiuns praticantes veio da religião cristã. A umbanda encontrou um lugar para Cristo no rol de suas divindades – ele é associado a Oxalá, considerado o maior Orixá de todos. No dia 25 de dezembro, os umbandistas agradecem à entidade que, segundo a sua crença, comanda todas as forças da natureza.

Alguns terreiros de Candomblé também oferecem algum ritual especial à data, mas a prática não configura uma passagem obrigatória em todos os centros.

Hinduísmo

As mais importantes celebrações do hinduísmo são ocorridas na Índia, por meio da Durga Puja, o Dasara, o Ganesh Puja, o Rama Navami, o Krishna Janmashtami, o Diwali, o Holi e o Baishakhi. O Durga Puja é a festa da energia divina. Já o festival de Ganesh é celebrado nos estados do sul da Índia, com danças alegres e cantos. O Diwali é o “festival das luzes” em que em cada casa, em cada templo são colocadas milhares e milhares de luzes, acesas toda a noite. O significado destas festas é adorar a Energia Divina.

Taoísmo

O taoísmo, religião majoritariamente vista na China, não tem qualquer celebração no Natal. No entanto, a religião tem inúmeras datas onde se comemora o nascimento de grandes mestres ou sua ascensão. O Ano Novo Chinês, assim como no budismo, é a data mais comemorada para os taoístas. Nesse dia se celebra o Senhor do Princípio Inicial.

Três mesquitas foram fechadas na França desde a semana passada, sob o estado de emergência imposto após os atentados de Paris, informou o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve.

"A medida de fechamento de mesquitas por motivo de radicalização (...) nunca havia sido tomada" no país até então, explicou Cazeneuve em um comunicado à imprensa. Em Lagny-sur-Marne (leste da capital), uma vasta operação da polícia levou ao fechamento de uma mesquita apresentada como salafista.

As outras duas mesquitas em causa, fechadas na semana passada, estão localizadas em Lyon (leste) e Gennevilliers (arredores de Paris), informou. O fechamento destas é "provisório", durante o tempo de duração do estado de emergência. A leste de Paris, a intervenção, de uma extensão inédita, conduzirá à "dissolução definitiva, em conselho de ministros e o mais rápido possível, de três associações pseudo-religiosas", declarou o ministro.

É a primeira vez que o governo anuncia o desmantelamento de associações de culto - com base na lei de 1955 sobre o estado de emergência recentemente modificadas - desde os atentados de 13 de novembro que fizeram 130 mortos. Em Lagny, a ação policial "levou à 22 notificações de proibição de saída do território", "a nove detenções residenciais de indivíduos radicalizados", e à apreensão de um revólver 9 milímetros "de um indivíduo que foi imediatamente colocado sob custódia", segundo Bernard Cazeneuve.

Além disso, na casa dos "líderes" da mesquita de Lagny foram apreendidos documentos sobre a jihad e "um disco rígido escondido". Uma madrassa (escola islâmica) não declarada também foi descoberta. Os bens do imã Mohamed Hammoumi, que presidia uma das associações implicadas e que oficiou na mesquita até dezembro de 2014, quando se mudou para o Egito, foram congelados no fim de abril.

Em um novo balanço do estado de emergência, o ministro informou 2.235 buscas, que levaram à 263 prisões. Da mesma forma, 334 armas foram apreendidas, incluindo 145 armas longas e 34 armas de guerra.

O reitor da Grande Mesquita de Paris, Dalil Boubakeur, pediu nesta segunda-feira que todos os imãs da França participem na sexta-feira de uma "oração solene" em homenagem às vítimas dos atentados de Paris, que causaram ao menos 129 mortos.

"Faço um convite aos imãs a participarem, na sexta-feira, de uma oração solene, para manifestar nossa compaixão e compartilhar da dor das famílias", declarou Boubakeur, em uma coletiva de imprensa na Grande Mesquita de Paris.

O reitor quis expressar sua solidariedade, pesar e "repúdio diante destes atos desprezíveis que causaram vítimas absolutamente inocentes".

"Nós, muçulmanos da França, só podemos insistir em uma união nacional para rejeitarmos, juntos, essa desgraça que nos golpeia e nos ataca indistintamente", disse.

"Somos todos vítimas dessa barbaridade", ressaltou.

Boubakeur, ex-presidente do Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM), também pediu que repudiassem a "mistura entre os muçulmanos e pessoas que se dizem muçulmanas, mas que seria mais justo chamar de bárbaros".

Poucos minutos antes destas declarações, Dalil Boubakeur manteve, como ocorreu em toda a França, um minuto de silêncio na escadaria da mesquita, rodeado por um grupo de fiéis.

Após o atentado em Paris, na noite da sexta-feira (14), cuja autoria foi reivindicada pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), muitos muçulmanos foram vítimas de ataques de ódio nas redes sociais. Questionado sobre a repercussão dos atentados, o Centro Islâmico do Recife (CIR) lembrou que os atos cometidos pelos jihadistas não estão de acordo com o que prega o Alcorão. 

Segundo Alberto Victor, integrante da comunidade, “Deus não estima os agressores. Islã é uma religião de paz e amor. A orientação dos profetas e de Deus é 'não cometas agressão'”. Ele reforça que as pessoas não podem punir outras por uma coisa que elas não fizeram.

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Apesar da xenofobia contra o povo muçulmano, Alberto diz que não sente preconceito nem restrição da prática islâmica na capital pernambucana. “Nós somos totalmente independentes. O que aconteceu na França não tem envolvimento nenhum com a religião. É uma questão política e nós não nos envolvemos com essas questões”, ele complementa. 

O Papa Francisco elogiou neste sábado os "passos em frente" dados no diálogo com as outras religiões, incluindo o Islã, lembrando que "mal-entendidos e dificuldades" foram registradas nos últimos tempos.

"Passos em frente no diálogo interrreligioso, inclusive com os seguidores do Islã, foram dados nos últimos anos, apesar de alguns mal-entendidos e dificuldades", disse o Papa. Francisco recebeu os participantes de um encontro organizado pelo Pontifício Instituto de Estudos Árabes e Islâmicos (PISAI), por ocasião do 50º aniversário da sua criação.

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O Papa argentino descreveu como "essencial" estar em sintonia uns com os outros, porque é "um processo necessário de compreensão mútua e de coexistência pacífica". Os 50 anos do PISAI mostram que a Igreja Católica tem entendido "a necessidade de um instituto especificamente dedicado à pesquisa e formação de operadores do diálogo com os muçulmanos."

"Talvez nunca como agora sentimos essa necessidade, porque o antídoto mais eficaz contra qualquer forma de violência é a educação para a descoberta e aceitação das diferenças", assegurou o Papa.

O Papa Francisco deixou claro nos últimos meses seus pensamentos sobre as questões relacionadas com o terrorismo islâmico. Em novembro passado, durante sua viagem à Turquia, ele pediu que todos os líderes, políticos, intelectuais muçulmanos religiosos condenassem "claramente" o terrorismo islâmico.

Ao mesmo tempo, após o trágico ataque contra a revista satírica francesa Charlie Hebdo, o Papa disse que, embora a liberdade de expressão seja "um direito fundamental (...) não podemos provocar, não podemos insultar a fé dos outros".

O ataque sangrento contra a revista francesa Charlie Hebdo confirmou o temor de que os jihadistas poderiam atingir o coração da Europa e, em particular, um país em guerra contra os grupos extremistas do Oriente Médio e do Sahel.

Os assassinatos de chargistas cujos desenhos indignaram muitos muçulmanos servirão de propaganda aos movimentos jihadistas, e facilitarão o recrutamento de novos combatentes, advertem vários especialistas interrogados pela AFP.

"Este ataque foi cometido para provocar uma onda de choque no cenário internacional", afirma Lina Khatib, diretora do centro Carnegie para o Oriente Médio.

"Sua execução espetacular quer demonstrar a influência dos movimentos jihadistas na Europa", acrescenta.

O atentado, que não foi reivindicado e que deixou 12 mortos, confirma o medo de atentados no Ocidente em meio à ascensão do grupo Estado Islâmico (EI) no Iraque e na Síria e ao lançamento de uma coalizão internacional com forte participação ocidental para combatê-lo.

Tendo esta guerra como pano de fundo, os serviços de inteligência ocidentais alertaram contra o risco dos jihadistas que voltam aos seus países de origem na Europa.

A França está particularmente exposta, já que participa dos ataques aéreos no Iraque contra o EI e mobilizou um dispositivo militar de grande porte em cinco países do Sahel contra diversos grupos islamitas.

Nos últimos meses, tanto o EI quanto a Al-Qaeda na Península Arábica (AQPA) convocaram em várias ocasiões seus partidários a atacar a França.

A revista da AQPA, "Inspire', encorajou seus simpatizantes a atecar na França, e inscreveu na lista de pessoas a serem eliminadas o redator chefe da Charlie Hebdo, Stéphane Charbonnier, conhecido como Charb, abatido no atentado de quarta-feira. Outros cartunistas emblemáticos da revista também morreram: Cabu, Wolinski e Tignous.

Desde a publicação, em 2006, de caricaturas do profeta Maomé, a revista satírica havia recebido muitas ameaças e inclusive foi atacada com coquetéis molotov em 2011.

EI beneficiado

"O objetivo também é fazer uma mensagem chegar aos Estados, em particular aos integrantes da coalizão internacional, para que vejam que são vulneráveis", explica Lina Khatib.

E, por isso, "os criminosos escolheram uma zona central em Paris, que é muito simbólica".

Nas redes sociais, simpatizantes da Al-Qaeda e, sobretudo, do Estado Islâmico comemoraram o ataque, e utilizavam hashtags em árabe como "Paris arde" ou "a invasão de Paris".

Estes simpatizantes também publicaram fotos de Charbonnier com uma edição da Charlie Hebdo que mostra uma caricatura rindo dos muçulmanos radicalizados. "Por isso o mataram", comenta um deles no Twitter.

Seja um ataque motivado exclusivamente pela questão das caricaturas ou um atentado destinado a punir os países em guerra contra os jihadistas, o ocorrido será um catalizador para atrair novos simpatizantes à causa jihadista, segundo Max Abrahms, um especialista americano em terrorismo.

"Este ataque será considerado um sucesso. E quanto mais os grupos terroristas dão a impressão de sair ganhando, mais fácil é recrutar pessoas", explica.

O EI, conhecido por seus massacres, sequestros e agressões no Iraque e na Síria, sairá beneficiado, embora não seja diretamente responsável pelo ataque, destaca este professor de ciência política.

Porque "o que na verdade permitiu ao EI contar com uma base tão ampla são seus êxitos em termos de conquista de territórios e de massacre de um grande número de pessoas".

Um contexto semelhante pode inspirar mais de um. "O EI e outros grupos considerarão o ataque como um êxito que deve ser repetido", adverte Abrahms.

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